Confrade Aluizio José da Mata. Nascido em Cordisburgo-MG, em 19/06/1938. Vicentino há mais de 45 anos. Participou da SSVP de Sete Lagoas (MG) e Prudente de Morais, estando atualmente militando na Conferência Nossa Senhora de Fátima, em São Gotardo-MG. Foi editor do jornal VOZ DO VICENTINO, durante 10 anos, do qual ainda é colunista. Participou como palestrante em Encontros de Noivos e em Encontros de Reflexão Cristã. Criou e modera dois Grupos: MIDIA VICENTINA (para o qual envia uma mensagem semanal voltada para as coisas da SSVP) e TEXTO PARA MEDITACAO (para o qual envia diariamente pequenos textos de vários autores). Casado, tem um casal de filhos e dois netos.
aluiziodamatassvp@gmail.com
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Sumário:

27-12-08

ECUMENISMO, ATITUDES E CASOS ACONTECIDOS

20-12-08

ESTÁ PIOR DO QUE IMAGINEI(visão de uma pessoa não-vicentina)

13-12-08

TRASTE VELHO

07-12-08

PARADOXOS

29-11-08

FAMÍLIA ASSISTIDA ESPIRITUALMENTE?

22-11-08

NOTÍCIAS DAS FAMÍLIAS ASSISTIDAS

15-11-08

QUANTO Á LEITURA ESPIRITUAL

08-11-08

QUAL O PROCEDIMENTO CORRETO NA HORA DA CHAMADA?

01-11-08

UM POUCO DE HISTÓRIA

25-10-08

O DIFÍCIL PERDÃO

18-10-08

MARIA NÃO PECOU

04-10-08

O MAIS IMPORTANTE DA FESTA(missa no aniv)

27-09-08

CONSCIÊNCIA (SOBRE O ABORTO)

20-09-08

SER O JUMENTINHO QUE CARREGOU JESUS

13-09-08

MEMÕRIA DA SSVP

05-09-08

SOBRE O LIVRO DE ATAS, NOVAMENTE

29-08-08

QUE SAUDADE!

23-08-08

FRANQUEZA DE CRIANÇA

17-08-08

FILANTROPIA OU CARIDADE?

09-08-08

A VISITA

02-08-08

POR QUE NOSSA SENHORA SPO APARECE EM AMBIENTE CATÓLICO?

26-07-08

TESOURO ESPIRITUAL: FAZER OU NÃO FAZER

19-07-08

COMPARANDO...

12-07-08

BASTA-TE A MINHA GRAÇA (A MEDALHA MILAGROSA)

07-07-08

O GRÃO DE AREIA

28-06-08

ARTIGO QUE NÃO PRECISARIA SER ESCRITO

22-06-08

ONDE ESTÃO ALGUNS EX-PRESIDENTES?

14-06-08

SONHO DE VICENTINO

07-06-08

QUAL SERIA NOSSO COMPORTAMENTO?

31-05-08

A CREDIBILIDADE DA SSVP

24-05-08

SE EU TIVESSE MENTIDO...

20-05-08

OS VICENTINOS NA IGREJA

10-05-08

O PRIMEIRO COMPROMISSO DO VICENTINO É COM A REUNIÃO

01-05-08

O DEVER DA POBREZA

24-04-08

SINDICÃNCIA E ADOÇÃO DE FAMÍLIAS

09-04-08

PRESTIGIAR AS PUBLICAÇÕES VICENTINAS

30-03-08

A MISSÃO DA VIDA, A MISSÃO DO VICENTINO

07-03-08

QUAL TERIA SIDO A DOR MAIOR?

13-02-08

MUITO MAIS O QUE FAZER

29-01-08

A MELHOR VISITA QUE JÁ FIZ

21-01-08

POR QUE TANTA PRESSA, SENHOR?

07-01-08

O POBRE ESTÁ QUASE PERDIDO

ECUMENISMO, ATITUDES E CASOS ACONTECIDOS - 27 Dezembro 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata (aluiziodamatassvp@gmail.com)

Lemos na nova Regra à página 33 - Item 7-7 “que o vicentino deve esforçar-se por mudar as atitudes.
Os vicentinos opõem-se a todos os tipos de discriminação e esforçam-se por vencer as atitudes de medo, de egoísmo e de desprezo para com aqueles que são fracos ou diferentes e que são atingidos gravemente na sua dignidade. Esforçam-se por encorajar uma atitude nova que comporte respeito e benevolência acrescida para com o próximo, bem como
reconhecer e defender o direito de cada um a forjar o seu próprio destino.
A Sociedade encoraja a compreensão, a cooperação e o amor mútuos entre as pessoas de culturas, religiões, origens étnicas e grupos sociais diferentes e contribui assim para a paz e para a unidade dos povos”.
Comentando o assunto: A sociedade tem recomendado que pessoas que antes não podiam participar da Sociedade, já o podem fazer observando alguns pontos: Pessoas de outras religiões (não estou falando de seitas secretas) poderão participar da Conferência no sentido de ajudar, mas não podem votar e nem serem votados. NÃO PODEM PARTICIPAR DE CARGOS.
Até os casais em segunda núpcias estão neste caso. Se o casal tem vida exemplar, participando da Igreja (embora não possam comungar), poderão participar como colaboradores na Conferência. O caso de pessoas solteiras que sejam pais e mães e que não co-habitem e não tenham vida libertina, poderão participar, pois nem excluídos da comunhão eles estão.
Apenas precisamos ter cuidado com pessoas de outras religiões, que poderão querer criar conflitos depois de estarem dentro das Conferências, por causa das imagens de nossos padroeiros, dos nossos terços, da nossa participação em missas, etc.
É bom lembrar: Jesus perdoou uma pecadora pública (Madalena) e ela se tornou colaboradora d'Ele, porque não mais pecou. O fato de uma moça ser mãe solteira não quer dizer que ela seja pior que muitas pessoas que estão em situação legal, mas que podem não ser caridosas. O mesmo vale para o homem que seja pai solteiro.
Cito três casos, entre muitos que conheço, que são exemplos do exposto acima:
O primeiro: Um confrade engravidou sua namorada e depois engravidou uma consócia. Reconheceu o filho da namorada e não quis reconhecer o filho dele com a consócia. Ele continuou na SSVP sem nenhuma restrição. A consócia foi
“convidada” a sair com o argumento de que ela não saíssem, sairiam outros componentes. Não pode haver dois pesos e duas medidas...
O segundo: Um confrade se separou de sua esposa e passou a viver com outra mulher. Como era um bom confrade continuou como colaborador na conferência, dentro do que a Nova Regra determina. À Igreja ele também freqüenta, embora não participe da Comunhão. Ele deixou a conferência pouco tempo atrás porque notou que os participantes dela não aceitavam suas ponderações sobre uma família necessitada, somente porque na casa havia uma filha vivendo com um
rapaz. O rapaz estava desempregado e havia uma filhinha de menos de um ano carecendo de cuidados. Ele agora ajuda a família por conta própria. Sobre este mesmo ponto, conheço outro confrade que tinha a mesma situação conjugal. Era muito ativo na SSVP e era autorizado pelo Bispo para receber a Sagrada Eucaristia. Tendo morrido sua primeira
mulher, casou-se com a segunda. Também dois pesos e duas medidas.
Por fim, o último: Uma conferência tinha um presidente que se tornou maçom. Ele queria impor dentro da conferência algumas das suas novas idéias e ensinamentos. Os demais participantes resistiram. Ele não quis aceitar a resistência. O resultado final foi que os confrades e consócias resolveram abandonar a conferência e ela foi desativada. Neste episódio vejo três falhas nossas: O presidente do Conselho Particular e mesmo o Presidente do Conselho Central deveriam ter
pedido o afastamento desse dirigente. Os confrades e consócias deveriam ter permanecido e forçado a saída dele. Por último, se resolveram sair da tal conferência, deveriam ter se engajado em outra ou fundado nova Conferência, o que não aconteceu.
Concluindo: em diversos casos leva-se muito tempo para resolver as situações. Talvez o fato de não se querer cometer injustiças acabe provocando outras injustiças e muitos prejuízos (espirituais e materiais) para os assistidos e para a SSVP.

ESTÁ PIOR DO QUE IMAGINEI - 20.12.2008

De uns três anos para cá, tenho feito alertas sobre o envelhecimento da SSVP no Brasil. Cheguei a fazer um pequeno levantamento em São Gotardo-MG e encontrei a média de idade de 58 anos dos confrades e consócias da cidade. Passei o levantamento para alguns vicentinos de outras regiões do Brasil e alguns, que acharam conveniente, responderam-me
que em seus Conselhos acontece o mesmo.
Fiz uma sugestão aos Conselhos de diversos níveis para que se fizesse uma pesquisa, um censo, sobre o assunto. Falei no deserto. Não deu em nada.
Hoje chegou às minhas mãos o Boletim Português do mês de setembro de 2008 e fiquei surpreso lendo o artigo veiculado à página 24. A situação está muito pior do que eu imaginava, a ponto de uma pessoa não vicentina tomar a coragem de fazer um alerta para a SSVP de Portugal. Lá também está ocorrendo o mesmo fato. Ao que parece em Portugal não há Conselhos Metropolitanos como aqui; e os Conselhos Particulares são mencionados por ela como Conselhos de Zona.
Aqui no Brasil, sem querer ser muito pessimista, estamos caminhando para um declínio da SSVP. Em muitos lugares há pouca espiritualidade, as proclamações são apressadas, o comodismo existe, a falta de conhecimento da nossa Regra é patente. Estes são pontos que contribuem para acelerar este estado de coisas.
As Conferências de Crianças e Adolescentes são uma esperança, mas muitos Conselhos Particulares não as criaram. Dão sempre a desculpa de que ninguém quer participar. Uma parte do Clero também não tem ajudado muito.
Os confrades e consócias de mais idade começam a desanimar. Não há renovação e muitas conferências são desativadas por falta de quem faça parte delas, ou porque morreram os vicentinos mais velhos ou por falta de número para compor simplesmente a mesa.
Se em Portugal, que é muito menor do que o Brasil está perigando a SSVP, imagine nesta imensidão que é o nosso País. Pena que a pessoa que escreveu o texto abaixo não tenha deixado seu nome e endereço.
Gostaria de cumprimentá-la pela coragem. Precisamos ter a msma coragem dela.
Cfd. Aluizio da Mata
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A SSVP VISTA PELOS OLHOS DE UMA NÃO VICENTINA

Não sou vicentina, embora esteja bastante ligada à Sociedade no sentido de praticar o voluntariado sempre que necessário.
Talvez por isso, por não ser vicentina, consiga analisar com outros olhos, alguns pontos que, para mim, são preocupantes para o futuro de uma Sociedade tão antiga, com uns ideais tão humanos.
Sem querer ferir a sensibilidade dos vicentinos, gostaria de alertar através do Boletim, que é o correio de ligação de todas as conferências e de todos os vicentinos e não vicentinos que o subscrevem, que é preciso tomar medidas rápidas para que esta Sociedade continue a fazer o seu trabalho, que é ajudar tantas famílias necessitadas, ao longo do nosso País.
Porque a Sociedade está a ficar envelhecida, é preciso abrir as portas aos jovens, ensiná-los, sem os assustar, a entrar dentro da Instituição da SSVP. É preciso actualizar idéias, o tempo muda, para melhor ou pior, só o futuro o dirá, mas a SSVP tem de seguir essa mudança, e quem melhor que os jovens para o fazer. É preciso haver uma ligação liberal entre os vicentinos mais antigos e os mais novos que entram agora na Sociedade, pois todos nós aprendemos muito uns com os
outros.
No aspecto legal, como todos os vicentinos têm conhecimento, esta Sociedade tornou-se uma Associação que, como qualquer outra empresa no País, tem formalidades e datas a cumprir que, naturalmente, é um assunto que, para a generalidade dos vicentinos, tornou-se uma carga pesada, mas se não for cumprida, ou por falta de tempo ou por falta de
conhecimentos, põe em risco o futuro da Sociedade.
Para que esta situação se cumpra é preciso existir uma organização bem formada tanto a nível de Conferências como de Conselhos de Zona, Centrais e Nacional. Para que essa organização funcione correctamente é preciso ajudar e ensinar a quem precise e solicite ajuda.
Façam isso e a Sociedade não entrará em declínio e poderá voltar aos tempos áureos em que era conhecida e falada por todos, até mesmo a nível governamental. Neste momento sinto muito dizer, a Sociedade está adormecida.
Lisboa, 30 de setembro de 2008.
Uma não vicentina.

TRASTE VELHO – 13-12-08

Já visitei muitos asilos, lares de idosos e hospitais dentro do meu trabalho vicentino e tenho visto muita coisa boa, muita coisa bonita.

Há asilos e lares de idosos onde os internos parecem estar muito felizes por estar ali. São tratados com carinho, com alegria, tratados como gente. Nos hospitais, como a rotina é um pouco diferente, nem sempre acontece o mesmo, mas ainda assim, em alguns se nota a diferença de tratamento, principalmente nas enfermarias gerais. Existem médicos e enfermeiras especialmente caridosos.

No entanto isto não ocorre em todos os lugares, infelizmente.

Só quem está ficando velho ou doente pode saber como é ser tratado como velho ou doente.

Se a pessoa que está caminhando para a idade avançada é tratada com desdém, vê sua vida se tornar mais difícil. A família a trata como se não pudesse tomar parte em uma simples conversa. Não lhe dão oportunidade de emitir sua opinião, que pode ser até mesmo um pouco fora de lógica ou da realidade, mas é a maneira que ele tem de se sentir integrado. No entanto, às vezes a sua presença chega a incomodar.

Já escutei alguém falar a um senhor já com idade avançada: "Você não manda mais nada. Seu tempo já passou. Agora é só fazer o que te mandam". E olhem que esta pessoa idosa é muito lúcida.

Agora imagine a pessoa que já chegou lá, isto é, que já é idosa, que já não tem conhecimento das coisas, principalmente das mais modernas ou já esteja doente, acamada...

Não é à toa que o quase idoso vai se isolando de todos, se torna soturno, calado, cabisbaixo e daí para um estado de desânimo e de doença é um passo.

Aí vem o pior: muitas famílias resolvem internar o idoso. E para terem a consciência um pouco aliviada, resolvem em conjunto que aquilo será melhor para o idoso, já que ele terá um tratamento, digamos,especializado. Mas esquecem-se do calor humano familiar.

Por mais que os médicos, enfermeiros e empregados de hospitais e asilos sejam caridosos, eles nunca irão conseguir substituir o carinho de uma esposa, de uma filha, de um filho, de um neto ou uma neta.

Ouvi, uma vez, de alguém não tão novo e nem tão velho, a barbaridade de dizer: "Quando eu for velho quero ir para um asilo pra não dar trabalho para a minha família". De duas uma: ele não sabe o que é a solidão de um hospital ou de um asilo, ou já está se sentindo marginalizado pela sua família.

Conheço dois casos em que ir para um asilo ou hospital seria o mais adequado. As famílias não estão presentes em seus dia-a-dia e estas pessoas dependem de terceiros para deles cuidar. Por coincidência os dois têm problemas sérios em suas pernas. Um é homem e ainda consegue se locomover um pouco, o outro é uma mulher que só fica em cadeira de rodas. Ambos dependem de outras pessoas para lhes dar remédios, alimentação e fazer sua higiene. A mulher corre o risco de ter uma perna amputada.

Nenhum dos dois quer ir morar no asilo, onde poderiam ter tudo a tempo e a hora, mas não querem deixar seus pequenos imóveis.

Por outro lado, escutei um antigo companheiro de serviço, que por motivo de doença ficava muitas vezes hospitalizado, dizer uma frase que me faz sempre pensar: "Ninguém, que não esteja lá, pode imaginar o que é a solidão que sentimos em um hospital".

Os casos aqui apresentados fazem-me pensar que algumas vezes o idoso é quase como um traste velho. Triste fim para aquele que foi o sustento de quem agora o trata assim.

(para ler outros artigos do autor, acesse: www.maikol.com.br)

PARADOXOS -07 de Dezembro de 2008
Cfd. Aluizio da Mata

Vejo alguns paradoxos em nossas Conferências: umas têm poucos assistidos porque têm poucos membros; outras tem poucos assistidos, mesmo tendo muitos membros.
Em ambas falta alguma coisa: na primeira falta um trabalho de renovação, de arrebanhamento de novos membros; Na segunda falta a vontade de ver que existe muita miséria esperando a nossa ajuda.
Como não parece que haja uma boa compreensão na conferência que tem muitos membros em ceder alguns para a conferência que tem poucos, quem sai prejudicado é o pobre.
Nos exemplos acima, ambas me parecem erradas. A primeira por se acomodar com a situação de ter poucos membros e não poder ajudar mais gente. A segunda por se acomodar também, por não ter muito o que fazer, mesmo tendo condições.
Nos dois casos apresentados, que são verdadeiros, a primeira corre o risco de ser desativada naturalmente, tal é a média de idade de seus cinco membros. A segunda corre risco de tornar suas reuniões rotineiras, sem atrativos, pois não tem tarefas para todos os seus membros. Não tem praticamente escala semanal.
Escalar prá fazer o quê?
Escalar para rezar o terço, para visitar o Santíssimo Sacramento, visitar enfermos? Mas, todas estas visitas já são inerentes ao trabalho vicentino.
Nessa última conferência presenciei um fato interessante: Ela tem 14 membros freqüentes, caixa de ao mais ou menos R$ 1.500,00 e duas famílias assistidas. Na hora de se fazer a escala das visitas às famílias uma pessoa pediu para fazer uma delas, mas o vale foi passado para outro membro, pois este era o próximo na fila para se fazer as visitas. Ela segue uma relação pré-estabelecida. Se tudo correr normal cada um vicentino vai visitar uma família de 7 em 7 semanas.
Poderia ser um procedimento diferente, mas seria mais lógico que as famílias fossem visitadas todos os dias, por confrades e consócias diferentes, ou ainda, que as visitas fossem feitas em conjunto, com grupos de três ou quatro.
Ou não seria o caso de se fazer mais sindicâncias?
Já ouvi em uma conferência, semelhante a esta segunda, o presidente responder a uma pergunta que fiz do por que não assistiam mais famílias: "Não aparece nenhuma sindicância".
Quantas e quantas conferências têm apenas uma ou duas famílias assistidas? Já vi uma conferência que não tinha família assistida alguma, limitando-se a socorrer esporadicamente" quem pedisse.
Ou eu estou enganado ou a conferência poderia muito bem sair à procura de famílias carentes. Garanto que em um fim de semana rodando pela periferia, os confrades e consócias encontrariam muitos necessitados. Bastaria abrir os olhos. A miséria existe em todas as cidades.
Conferência com caixa alto, com poucas famílias assistidas, não deve nunca ter ouvido falar em ajuda fraternal, onde as mais abastadas ajudam as que pouco arrecadam e distribuem tudo.
Gostaria de saber se alguma conferência fora do Estado de Santa Catarina se dispôs a mandar uma parte do seu saldo para os desabrigados de lá!

As opções são várias. Basta apenas querer ajudar.

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FAMÍLIA ASSISTIDA ESPIRITUALMENTE?- 29 de Novembro de 2008

Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Acho que estou vivendo em uma ilha deserta, tendo um rádio que anuncia dezenas de coisas bonitas, as quais não vejo, ou se vejo, vejo bem longe.
Refiro-me à algumas unidades da SSVP.
Um exemplo disso é o que escuto em algumas Conferências, quando pergunto quantas famílias elas assistem e ouço: assistimos a duas famílias materialmente e a mais três espiritualmente. Os números variam, mas não muito.
Para começo de conversa, o assistir família pressupõe ter sido feita uma sindicância, analisada em reunião e feita a conseqüente adoção.
Hoje em dia o número de famílias assistidas é sempre inferior ao que a Regra recomenda, isto é, metade mais um do número de confrades e consócias. Existem Conferências com caixas que dão para assistir mais famílias e dizem que não podem, para ter uma reserva emergencial!
Onde está a confiança na Providência Divina?
Eu penso um pouco diferente da maioria. Acho que o caixa deve ser sempre baixo, sinal que distribuímos tudo o que ganhamos e o que nos obriga a trabalhar mais.
Me lembro de quando era estagiário e mesmo depois de proclamado, era comum o nosso caixa estar negativo. E não era por falta de trabalho.
Tínhamos boa arrecadação, inclusive fazendo mensalmente o recebimento de casa em casa. As ruas da cidade eram dividas para todas as conferências. E cada Conferência dividia as "suas" ruas pelos confrades e consócias. Havia ruas tão grandes que "gastávamos" dois fins de semana (sábado à tarde e domingo até lá pelas 14 horas) fazendo a arrecadação. Era porque tínhamos muitas famílias socorridas.
Em segundo lugar, causa-me estranheza escutar que tal conferência "assiste" algumas famílias esporadicamente. Algo estranho, mas ainda possível de acontecer, embora esse "esporadicamente" se resuma em dar uma cesta de vez em quando para famílias necessitadas, ou o pagamento de uma ou outra conta de água ou energia elétrica, também para famílias diferentes, sendo que nem em todos os casos sindicâncias são feitas.
Mas, voltemos ao tema central do nome do artigo: Assistência espiritual.
Quando pergunto em que consiste essa ajuda, me respondem que rezam o terço uma vez por mês na tal casa.
Que se reze o terço mensal na casa de alguém é louvável, mas assistência espiritual é muito mais abrangente.
Pressupõe evangelização (que não fazemos nem nas famílias adotadas); é o encaminhar os filhos para a catequese ou até mesmo catequizar as crianças em sua própria casa (o que também não fazemos); É o direcionamento da família para as celebrações litúrgicas(o que poucas vezes ouvi dizer que se faz dentro da SSVP). Este último item se resume, às vezes, em levar as famílias para assistir à Missa das Cinco Intenções, no aniversário da Conferência.
Na festa natalina, por exemplo, nos preocupamos em melhorar a cesta, no que fazemos bem, mas não levamos as famílias para a Missa do Natal.
Falar sobre sacramentos durante as visitas, quando fazemos isto?
Então, que assistência espiritual é essa?
Muitas vezes nós próprios precisamos de algum tipo de assistência espiritual da Conferência, quando alguns confrades ou consócias estão em alguma situação que necessite de uma visita, de uma palavra amiga, e ninguém vai na casa deles e nem procura saber o que está acontecendo...
Bem, acho que o Conselho Nacional deveria emitir uma orientação mais especifica sobre este assunto. Como diz um ex-juiz de futebol, hoje comentarista: "A Regra é clara". É, a Regra Vicentina também é clara, mas nem todos a seguem.
LSNSJC

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NOTÍCIAS DAS FAMÍLIAS ASISTIDAS -22 de Novembro de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Com certeza não acontece em todos os lugares, mas tenho presenciado em muitas reuniões a repetição, às vezes com as mesmas palavras, das notícias das famílias visitadas.
Semana após semana, mesmo que varie quem faça a visita, dificilmente ouvimos algo de novo. Com pouca variação, o visitante começa dizendo:
"Está tudo bem", "tudo na mesma" ou relata-se a mesma condição de vida, o mesmo estado de falta de higiene, a mesma falta de trabalho, etc.
Não se escuta que determinada família ou pessoa dela integrante, tenha evoluído na sua luta para sair da miséria, ou que tenhamos feito algo para eles dela sair. Parece até que os assistidos ficam satisfeitos e gostam de ter a garantia de que não terão fome, contando com nossa ajuda material.
Melhora espiritual, quem vê para relatar na conferência? Quem diz que leu um trecho da Bíblia, falou sobre Ozanam ou São Vicente? Poucos são os que relatam que durante a visita falaram sobre Deus na casa visitada!
As visitas são feitas, de uma maneira geral, apressadamente. Conversamos pouco com o assistido e menos ainda o escutamos.

Não há, da parte da maioria das Conferências, um planejamento real para tirar alguém da indigência.
Costumamos falar que "não devemos dar o peixe, mas sim ensinar a pescar", mas não damos ao assistido nem a vara, nem o anzol e muito menos a isca. E nem o levamos até o rio onde ele possa pescar.
Aquela imagem de que assistimos a uma família durante muitos anos comprova o que eu digo.
Com exceção dos casos das pessoas idosas, doentes, sem condição de trabalho, a promoção deveria ocorrer dentro de um certo tempo, mas não é o que acontece.
E o pior são as promessas que costumamos fazer para os assistidos e não cumprimos. É um cômodo a mais para separar os dormitórios, é uma faxina na moradia, é uma pintura na sua casinha, é a reforma da instalação elétrica precária a vários anos...
Nunca escutei que alguma conferência tenha ido em conjunto à casa do assistido celebrar o aniversário de alguém, principalmente os das crianças e jovens...
Aliás, seria uma tarefa da secretaria ter em mãos, em todas as reuniões, uma relação de aniversários de cada membro assistido e dos confrades e consócias.
Nos casos dos membros da conferência poder-se-ia rezar, na reunião, pelos aniversariantes da semana. No caso dos assistidos, não.
Deveríamos ir à casa dele, de surpresa, levando um pequeno bolo e guaraná...
A gente não costuma imaginar o quanto é importante para o assistido ser lembrado no dia do seu aniversário.
Outro dia, para exemplificar, eu estava assistindo a Missa semanal no LAR DO IDOSO. Na hora da Ação de Graças um dos internos foi até o altar e pediu que cantássemos os parabéns pelo seu aniversário. Depois ele fez quentão de cumprimentar a todos, padre, Ministros da Sagrada Comunhão, e quem mais lá estava. A felicidade estampada em seu rosto era de comover.
Foi muito importante para ele!
Mas, como eu disse no início deste artigo, em alguns lugares a realidade pode ser diferente, como prova o registro que li no Boletim Brasileiro, de novembro/dezembro de 2008. No AVIV, realizado em Mogi das Cruzes, foram apresentados os depoimentos em vídeos de famílias que foram promovidas por algumas Conferências.
Parabéns para elas, famílias e Conferências. Quem dera que pudéssemos fazer isto em todas as Conferências e com todas as famílias assistidas. Estaríamos atingindo o nosso objetivo.

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QUANTO Á LEITURA ESPIRITUAL -15 de Novembro de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Diz a Nova Regra que a Leitura Espiritual deve ser para edificação dos membros, não ser administrativa. Isto quer dizer que deve ser somente para o nosso crescimento espiritual.
Deve ser curta, feita com pausa e ser ouvida com muita atenção (para poder ser discutida).
DEVE SER PREPARADA COM ANTECEDÊNCIA.
Já observei muita coisa referente a este ponto.
Poucas vezes vi, nas visitas que faço, o presidente trazer de casa uma leitura preparada. Normalmente ele pega na hora algum jornal ou revistas vicentinos, folheia-os e escolhe na hora. Esta atitude pode dar certo pois, graças a Deus o número de periódicos vicentinos vem aumentando em número e qualidade (embora poucas conferências os assinem). Mas, quando não existe publicação nova ä mão, pega-se qualquer leitura, às vezes até já lida anteriormente, se o exemplar ficar guardado na gaveta da mesa diretora. Outras vezes o presidente que não a preparou com antecedência pergunta aos presentes se alguém trouxe uma leitura.
Puro improviso.
Existem conferências que criaram o hábito de que o privilegiado da semana (coisa que me parece foi esquecida na Nova Regra ou que acharam desnecessário constar) deve ser o encarregado de trazer a leitura já preparada. Isto tem um inconveniente: e se o privilegiado faltar na reunião seguinte? Por outro lado, o privilegiado poderá ser uma pessoa inibida, com pouca leitura, o que o constrangerá. Um presidente previdente, mesmo que use esse sistema, deverá ter sempre uma leitura preparada para tal ocasião.
A Regra recomenda que a leitura espiritual deva ser, preferencialmente, da Sagrada Escritura, que deve ser comentada pelos presentes. Ora, se há muitos presidentes que não têm nem a Regra Vicentina, quanto mais terão uma Bíblia na Sala de Reunião...
E entendo que a leitura de um trecho da Bíblia deveria ser acompanhada por um pequeno comentário de quem realmente entende do assunto. Claro que as opiniões dos presentes devem ser ouvidas também, mas o comentário de quem entende ajudará nas discussões.
Vou dar dois exemplo: Se o trecho lido fosse o do administrador desonesto, em que ele manda os devedores diminuírem o que devem ao seu patrão, seria bem entendido por todos? Jesus elogia não o gesto errado do administrador, mas a sua prudência. Nós costumamos entender diferente.
E como outro exemplo: Jesus diz que é difícil um rico entrar no Céu.
Ele diz assim para mostrar que as coisas que temos devem ser usadas para ajudar quem precisa. Tem muito rico que vai para o Céu, como deve ter muito pobre que não vai, pois mesmo tendo pouco é mais avarento do que alguns ricos.
Outra coisa: esse momento da reunião não pode ser muito demorado.
Tenho visto reuniões onde os comentários se estendem por mais de 15 minutos, muitas vezes com assuntos paralelos. Leitura espiritual não é o momento da palavra livre.
Umas poucas conferências ainda usam esse momento para ler a Regra.
Ler a Regra e estudar seus artigos é um dever de todas as unidades, mas não é o que acontece. Tenho receio de fazer uma afirmativa e ser injusto, mas acho que a grande maioria dos nossos vicentinos nunca pegou na Nova Regra, quanto mais estudá-la. Melhor seria que o estudo da Regra fosse em outra ocasião, quem sabe em uma reunião extraordinária, onde não houver a ECAFO.
Finalmente, mais uma observação: quem fizer a leitura espiritual deve fazê-la, em tom de voz que dê para todos a escutarem. Temos que lembrar: grande parte dos vicentinos atuais são idosos e têm problemas de audição. Como irão discutir o que "ouviram, mas não entenderam bem as palavras", como diz uma certa propaganda de aparelhos auditivos?

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QUAL O PROCEDIMENTO CORRETO NA HORA DA CHAMADA?

Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Inicialmente pensei em escrever um artigo questionando alguns procedimentos que estão ocorrendo dentro da nossa Sociedade, mas cheguei à conclusão que será melhor fazê-lo em mais de um artigo, pois à medida que ia escrevendo, novos pontos iam surgindo. E o artigo ficaria longo demais. Assim, resolvi abordá-los separadamente, mesmo
porque sei que nem todos vão concordar comigo em todos os assuntos que forem abordados. Como espero respostas sobre cada ponto...

O primeiro ponto escolhido foi sobre a chamada.

De vez em quando me dá um branco e não sei explicar algumas mudanças que ocorrem dentro da SSVP. Uma delas é esta: em muitas conferências escuto a resposta tradicional de "Viva Jesus"; em outras escuto "Viva Jesus, Maria e José".
Não estou qüestionando qual a mais correta, tendo em vista que em todas duas se fala o nome de Jesus. A segunda talvez seja mais completa, pois invoca a Sagrada Família de Nazaré, e a SSVP dever ser também uma família.
O que estou perguntando é como ocorreu esta modificação, pois não me lembro de ter escutado em nenhuma reunião, seja de Conferência, de Conselho Particular ou Conselho Central tal instrução. Não li também em nenhum dos nossos jornais e revistas vicentinos, o que não quer dizer que não tenha havido uma orientação do Conselho Nacional.
O quero dizer são duas coisas: se houve uma instrução do Conselho Nacional, ela não chegou a todas as unidades vicentinas, o que não seria muito de estranhar, pois algumas orientações não chegam ou custam muito a chegar na célula base da SSVP; a segunda hipótese é que alguém, inspirado ou não pelo Espírito Santo, começou a usar esta fórmula e ela está sendo difundida em muitas cidades.
Sei que parece um assunto sem importância, pois tanto faz dizer "viva Jesus" ou "viva Jesus, Maria e José", que Deus vai entender que estamos respondendo com a nossa presença na reunião. Mas o que falo é da unificação de procedimentos dentro da SSVP. Assim, como neste exemplo cada uma das unidades está usando fórmulas diferentes. Fórmulas diferentes também poderão ser usadas em outras situações, como está acontecendo até mesmo com as orações que fazemos em nossas reuniões, que nem todas as unidades estão recitando corretamente.

Outro procedimento que não sei explicar é o seguinte:
Será correto na hora da chamada responder qualquer que seja uma das fórmulas acima apresentadas, quando alguém vai representar um ausente?
Não fica esquisito dizer "viva Jesus" ou "viva Jesus Maria e José" por alguém não estar presente na reunião? E muitas vezes a representação se dá mesmo que o faltoso não tenha pedido para ser representado, apenas por ser uma pessoa que "não falha á toa". Ora, se a pessoa não está presente por motivo justo (doença ou viagem) Deus já o sabe.
Não raras vezes escutamos alguém sendo representado, mas a representação não é completa, pois não se ouve da parte do representante as notícias das incumbências semanais do representado, sem contar com o seu envio de contribuição para a coleta.
E ainda sobre representação escuto na chamada nomes de confrades ou consócias que não comparecem a muitos meses às reuniões, até por algum motivo justo, como estudar ou trabalhar fora da cidade. E os presentes respondem como se presente eles estivessem.
Penso que o confrade ou consócia ao se mudar por qualquer motivo, mesmo que a mudança seja temporária, deva procurar se engajar em uma conferência no local da nova residência. Qualquer que seja o motivo, sua mudança não será atrapalhada se freqüentar uma reunião vicentina na nova residência. Aliás, será mais uma fonte de fortaleza para enfrentar o novo desafio. Nesse caso, o confrade ou consócia que estiver freqüentando nova Conferência em outra cidade deve comunicar isto á sua antiga unidade.
Acabado o período de estudo ou de trabalho, ao retornar à usa antiga Conferência, seu nome simplesmente voltará a constar no livro de chamada e o registro do fato no livro de ata, o que deve ter ocorrido também quando da sua saída.
Gostaria de saber se existem estas situações em outras Conferências e se existe orientação superior para a modificação na resposta à chamada? Se alguém quiser me responder, poderá fazê-lo pelo endereço:
aluiziodamatassvp@gmail.com
LSNSJC

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UM POUCO DE HISTÓRIA
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Tínhamos em Sete Lagoas um Encontro de Reflexão, idealizado primeiramente para melhorar a espiritualidade dos vicentinos. Ele foi criado a mais de 30 anos atrás.
Como o Conselho Central era composto de 20 Conselhos Particulares na cidade e em mais de 10 cidades vizinhas, o número de confrades e consócias beirava ou passava de dois mil.
Inicialmente os encontros eram separados, sendo que mais tarde se tornou misto. Mas em todos eles o número de participantes era bem grande, chagando às vezes a ter mais de 110 pessoas. Era feito um encontro masculino em um mês e no mês seguinte era feito um feminino.
Tínhamos a graça de ter o acompanhamento de um ou mais sacerdotes da cidade ou de Belo Horizonte ou do Caraça, desde o início que se dava na sexta-feira às 19 horas, até o término, o que acontecia no domingo às 19 horas, com a Missa de encerramento.
Ainda no domingo à tarde contávamos com a presença do Bispo Diocesano e outros sacerdotes, que das 13 às 16 horas atendiam as confissões. O prédio, antigamente destinado a ser seminário, ficava em um bairro longe do centro. Contávamos com a colaboração de uma empresa de ônibus que graciosamente transportava a todos nós do Centro ao bairro
na sexta-feira, e do bairro ao centro no domingo.
O tempo foi passando e os pedidos de pessoas não vicentinas fizeram com que modificássemos o encontro e ele tornou-se aberto para quem quisesse. Ainda um pouco mais tarde, passamos a fazê-lo misto, já que o prédio comportava ter uma ala feminina e uma masculina para dormir.
Interessante é que o encontro que fora idealizado para ser de espiritualização, passou a ser também de conversão. Centenas de pessoas que se achavam afastadas da Igreja, voltaram a freqüentá-la.
A missa de encerramento, que era celebrada em nossa Capela Vicentina, que é muito grande, no centro da cidade, ficava repleta, pois os familiares dos participantes não queriam perder aquele momento onde a graça de Deus se fazia presente. A emoção era muito grande.
Desses encontros tivemos a graça de ver o aparecimento ou a revitalização de vocações sacerdotais que estavam adormecidas e de muitas novas vocações vicentinas.
Naquela época o entusiasmo era grande e contávamos com a colaboração de todos. Isto durou mais de 20 anos.
Foi quando começamos a ter dificuldades para realizar os encontros. Já não contávamos com a colaboração de muitos presidentes de Conselhos e Conferências. Mesmo os encontros sendo previstos dentro do calendário anual e avisados nas reuniões do Conselho Central, havia presidentes de Conselhos Particulares e Conferências que não davam os avisos em suas reuniões. Muitas das fichas de inscrição que encaminhávamos a cada Conferência e às paróquias voltavam vazias. E não era por falta de candidatos, pois muitas pessoas reclamavam depois que não sabiam que iria haver o encontro.
Daí para o desânimo foi um passo.
Hoje os Encontros de Reflexão não existem mais, o que é uma pena.
Logo agora que, ao que parece, a fome de conhecimento cresce, depois de um bom período de descrédito sobre as coisas de Deus.
Quem sabe, os dirigentes atuais(o antigo Conselho Central foi desmembrado) ou os que ainda serão empossados em todas as unidades vicentinas, façam um esforço para reerguer esses encontros. Que não sejam tantos como eram antigamente, mas poderiam ser pelo menos dois: um em abril e outro em setembro ou dezembro, nas datas que são tão queridas a todos os vicentinos.
Que o Espírito Santo nos indique o melhor caminho.

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O DIFÍCIL PERDÃO
Texto: Cfd. Aluízio da mata

Embora seja um fato realmente acontecido, cito apenas como exemplo.
Uma pessoa, praticante de um Movimento Católico (mas que poderia ser da SSVP), teve uma divergência sobre serviço com outra pessoa com a qual trabalhava na mesma empresa. Naquele momento cada uma delas estava mais nervosa do que a outra. Uma não querendo cooperar em acertar uma determinada situação de serviço, e a outra achando ruim por isso. Daí para a discussão, foi um passo.
A interferência de terceiros na hora ajudou a amenizar o problema.
No dia seguinte, conversando com a primeira pessoa mencionada, pedi que ela procurasse a segunda para levar um documento que iria comprovar a liquidação da pendência que fora motivo da discussão.
Aqui não interessa qual delas estava certa.
E a resposta dela foi: " não vou conversar com ela, não".
Notei que ela ainda estava com raiva e falei: "Você não pode deixar de conversar com alguém, sendo você quem é (referia-me ao fato de ser ela uma pessoa que prega o amor, a conciliação, o perdão).
Ela se fez de desentendida e não quis conversar mesmo.
Daí o título deste artigo.
Perdoar é difícil demais. E o que é pior: quando o problema é com outras pessoas julgamos que elas deveriam se perdoar, mas se somos nós uma das partes, aí o caso é diferente. Achamos que os outros devem perdoar sempre. Nós, nem sempre.
Em todos os movimentos dos quais participamos, seja no trabalho, seja na Igreja, encontramos problemas assim. O fato de admirarmos uma pessoa que tem algum mérito pode causar ciúme, e a simpatia que outra pessoa nos tinha pode até acabar. Por outro lado, um mal entendido, às vezes a inveja que temos de alguém, nos faz ter pouca simpatia por uma pessoa e daí ter uma divergência, uma discussão por qualquer motivo é um passo. Temos prevenção contra certas pessoas.
Isto acontece até dentro da nossa própria família.
Por falta da humildade de um ou até dos dois, uma coisa banal que poderia ser resolvida com um pouco de boa vontade, se torna um ponto de separação.
Vejo isto acontecer algumas vezes na SSVP. E interessante é que os casos são em maior número justamente com os que deveriam dar o exemplo inverso: os ocupantes de cargos.
Acontece com presidentes de alguns escalões, que saindo não querem colaborar com os que entram ou que os que entram não querem a colaboração dos que estão saindo.
Isto é uma bobagem, pois unir a experiência de quem já a tem é uma graça. Por outro lado, ajudar quem está começando também é um atitude digna de um bom vicentino.
Como poderemos visitar condignamente uma família assistida, se dentro da própria família vicentina houver divergências, sem o devido perdão pelo que possa ter acontecido?
Eu sei que realmente é difícil perdoar. Somos muito duros de coração.
E não fazemos muito esforço para melhorar.
Mas imaginemos se Deus fosse assim conosco...
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MARIA NÃO PECOU
Texto:Cfd. Aluízio da Mata

Nós, Católicos,acreditamos que Maria nunca pecou.
Acreditamos que Ela nasceu isenta do pecado original por determinação de Deus, e nunca pecou amparada pela Graça do Altíssimo e por seu esforço próprio.
O fato de ter sido a escolhida nos garante sua pureza.
Se para ver Deus face a face é preciso ser puro, imagina ser Esposa do Espírito Santo e Mãe do Filho de Deus!
Não seria lógico que Deus a preservasse do pecado original e não lhe desse o Dom da Fortaleza para não pecar em qualquer momento da sua vida. Afinal, Ela seria a Mãe do Seu Filho. Era Ela que seria a formadora do seu caráter, pois o evangelho diz que "Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens".
Ora, se Ela nasceu sem pecado, sem pecado também ficou até quando da Anunciação e do nascimento de Jesus. Também é certo que mesmo depois Ela não pecou, já que estava sempre junto do Autor da Graça.
O fato de Maria não ter pecado também na sua vida antes de ser Mãe é difícil de ser entendido hoje aos olhos de muitos, já que pensamos que todos os jovens, todos os namorados, todos os noivos, cometem pecados.
Pode ser que naquela época já acontecesse algum fato semelhante ao que hoje acontece, mas não com Nossa Senhora. Ela era predestinada, assim como José, que foi o escolhido para ser o casto esposo de Maria.
De acordo com um antiga lenda, Maria e as outras virgens do Templo receberam ordens para retornar a sua casa e se casarem. Quando a Virgem Maria recusou-se, os anciões oraram por instruções e uma voz no Santuário instruiu a eles que chamassem todos os homens que podiam se casar, e para ele deixarem seus cajados no altar do templo durante a noite. Nada aconteceu. Os anciões então chamaram também os viúvos, entre eles estava José, da linhagem de Davi. Quando o cajado de José foi encontrado na manhã seguinte coberto de fores, "as flores no bastão de Jessé",) a ele foi dito para tomar a Virgem Maria como esposa e a guardasse para O Senhor. Muitas vezes o cajado florido é mostrado como um bastão de lírios.
Maria e José tinham se comprometido a continuar casto e virgem, mesmo depois do casamento.

Se nesses dois períodos de sua vida Maria não pecou, muito menos teria pecado depois de se tornar Mãe, criar Jesus, educá-LO, e prepará-LO para a Sua missão.
A convivência física com o Filho de Deus também nos dá a certeza de pensar: Maria nunca pecou, pois Ela era Plena de Graça e estava junto do Senhor das Graças.
Não consigo imaginar que Maria pudesse viver na presença de Jesus, ser sua instrutora, tendo pecados...

Mais uma certeza temos ao saber que Ela, depois da Dormição ou da Sua morte, não sofreu a corrupção física, já que essa corrupção é resultante do pecado que Ela nunca cometeu.
E tudo se consuma no fim da sua vida terrestre: Ela foi assunta ao Céu de Corpo e Alma, numa recompensa extraordinária, por ter sido uma criatura extraordinária. Aliás, apenas Jesus e Maria já experimentaram a ressurreição em corpos glorificados.
O fato de a Bíblia não mencionar este ponto, não quer dizer que não tenha acontecido, pois além da sua condição de criatura extraordinária, as diversas aparições de Maria nos fazem ter esta certeza.
Bem-aventurado é quem, não sendo Católico, acredita nas mensagens que Deus nos envia através dela. Ninguém, ninguém poderá negar as suas aparições, principalmente em Lourdes e Fátima, onde fatos físicos provaram que elas são verdadeiras, sem contar os inúmeros milagres que lá acontecem, atestados por uma Comissão isenta de qualquer suspeita.
Em Medjugorje também, como ela prometeu aos videntes, teremos a prova física da veracidade de suas aparições. E ele será revelado ao mundo, por um padre já escolhido por Maria, faltando dez dias para o acontecimento.

Para o vicentino, de um modo especial, toda a ocasião em que Maria for ofendida, como está sendo nestes últimos tempos, deverá ser defendida com todo o vigor.
LSNSJC
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O MAIS IMPORTANTE DA FESTA -
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Todo vicentino gosta de receber um convite para participar da festa de aniversário de uma Conferência ou de um Conselho.
Se for, então, de uma Conferência ou Conselho ao qual ele já tenha pertencido, sabe que vai encontrar lá uns poucos "velhos" conhecidos, pessoas que por circunstâncias da vida, às vezes, vemos raramente.
É gostoso ouvir a leitura da ata de fundação ou de instituição.
Escutamos nomes de muitos confrades e consócias que já não estão mais no nosso meio. E lembramos muitas coisas que passamos juntos nessa missão de ajudar os necessitados.
Alguns casos são narrados, nomes dos primeiros assistidos são mencionados.
Saudosismo? Nem tanto. Isto é história. É um pouco do registro de que a SSVP está fazendo ainda hoje o mesmo bem que fazia a tantos anos atrás.
Os mais jovens ficam sem entender muito bem o valor de uma festa assim. Mas, quando forem idosos e participarem de uma festa igual e ouvirem a leitura de uma ata bem antiga, talvez até com seus nomes ali registrados, vão ter a mesma sensação.
Depois de muitos testemunhos, é comum um pequeno lanche, sempre com quitutes gostosos e algum refrigerante. É uma tradição. E uma confraternização.
Até aí, tudo é festa.

Participei, dias atrás,de uma festa de aniversário de uma Conferência.
Sessenta e um anos de caridade praticada. A sala de reunião estava com muitas pessoas. Muitas eram visitantes de outras conferências.
Tudo o que descrevi logo acima aconteceu.

Mas, e o principal da festa de aniversário?
Por coincidência, participei de uma Missa na quinta feira anterior à reunião festiva e o sacerdote, ao final da celebração, chamou ao altar os aniversariantes do dia e mencionou o aniversário da Conferência.
Chamou os confrades e consócias para irem também ao altar. Só três lá subiram.
Não estou dizendo que não houvesse mais confrades e consócias da Conferência assistindo à Santa Missa. Afinal eles são quatorze membros.
Se havia mais participantes lá, deveriam ter subido ao altar. Se não havia mais ninguém, foi uma pena, pois a Missa é a parte mais importante da celebração de um aniversário.
A Regra Vicentina determina que cada unidade deve celebrar todos os anos a Missa das Cinco Intenções, de preferência na data do seu aniversário.
Ainda bem que muitas Conferências e Conselhos seguem esta sábia determinação.

Até no nosso próprio aniversário deveria ser assim.
Mas, quem se lembra de pedir uma celebração em ação de graças pelo dom da vida que Deus nos deu até aquele dia?
Aposto que da festa ninguém se esquece...

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CONSCIÊNCIA SOBRE O ABORTO – 27 de Setembro de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Dizem que o pecado existe quando nossa consciência nos acusa que fizemos algo errado.
Até que esse conceito poderia ser verdadeiro tempos atrás, quando o conceito de errado era mais criterioso, mais temente a Deus. Hoje, quando tudo é normal, quase nada mais é pecado.
Tiremos base apenas pelo caso dos abortos praticados.

Não vou falar do aborto praticado por adultos, pois esses sabem bem o que estão fazendo e têm a noção do conceito de pecado que aprenderam quando crianças ou jovens. Eles sabem que abortar é matar um ser indefeso e por isto é crime, é pecado.
O adolescente, pelo tanto que o modernismo incutiu em sua cabeça, não pensa assim. A adolescente não tem medo de ter relações sexuais com o namorado e até com quem nem seu namorado é, e apesar de saber usar métodos anticoncepcionais, às vezes fica grávida. Enquanto não acontece a gravidez, tudo é festa. O prazer, o modismo, a luxúria se sobressaem ao bom senso.
Enquanto alguns pais, às vezes, se esforçam para incutir na cabeça do adolescente que o sexo sem responsabilidade não deve acontecer, a TV e o cinema dizem o contrário, quando não o exemplo de alguns adultos que eles conhecem e que às vezes são até de sua própria família.
Como nos filmes e nas novelas o final é sempre feliz e nada acontece de ruim.
Em que filme ou novela não tem uma menina grávida? E quase sempre a solução sugerida é praticar o aborto. Infelizmente, o pensamento do adolescente de hoje segue essa orientação da mídia.
E ainda tem a propaganda das autoridades constituídas, que incentiva o sexo sem compromisso. Para essas "autoridades" pode-se fazer sexo quantas vezes e com quem quiser, desde que use camisinha. Aliás, o governo até a distribui de graça. E já se pensa em se colocar máquinas que fornecem camisinhas gratuitamente nas escolas de adolescentes... Só que o governo se esquece de que incentivando o jovem fazer sexo, nem sempre ele tem a
camisinha para se proteger. E faz o sexo assim mesmo.
Aliás, para os jovens de hoje, gravidez e AIDS "nunca vão acontecer comigo". E quando a um deles acontece, vem o desespero. No caso da AIDS o desespero é pelo caminho sem volta. No caso da gravidez é por ter de decidir o que mais lhe for conveniente. E aí ninguém pergunta ao bebê o que lhe é mais conveniente.
Quando acontece saber-se grávida, vem o desespero para a adolescente.
Pensa-se em tudo, até no aborto. E quando o namorado não assume, esse caminho é seguido com maior facilidade.
Por causa do namorado que não assume, por causa da família que nem pode saber da gravidez, mas que sabendo tem de preservar seu "nome" perante a sociedade, por causa do emprego que perderá na certa, a jovem pensa em abortar. E como a consciência não acusa o aborto como crime, e como a mulher se julga no direito de gerir seu corpo (esquecendo-se que dentro dele tem um outro corpo vivo que não pode gerir sobre si mesmo), peca mais uma vez.
A SSVP não está isenta deste problema. Em muitas das famílias assistidas que têm adolescente, a casa sempre tem uma criança filha dela, ou tem um aborto que já foi praticado. Não conseguimos ainda contornar esta situação, mesmo porque as jovens fazem parte das que são "orientadas" para praticar o que não deveria ser feito.
Não pensem os homens que o pecado é só da mulher. Aliás, estou propenso a pensar que o pecado maior é do homem. Afinal, o fruto da relação sexual é dele também. E se há um aborto, certamente uma grande parcela da culpa é dele.

Aliás, este artigo está sendo postado no dia 27 de setembro. Dia da Caridade, Dia do Ancião, que muitas crianças não chegarão a ser porque faltou caridade aos seus pais.

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SER O JUNMENTINHO QUE CARREGOU JESUS- 20 de Setembro de 2008
Texto: Cfr. Aluizio da Mata

Sempre temos sonhos de grandeza. Até nas coisas de Deus gostamos de ter uma missão que nos faça aparecer e ser reconhecido. Sonhamos sempre que a nossa missão possa produzir muitos e muitos frutos. Se somos de alguma pastoral, sempre queremos ser o ponto de referência, ser elogiado pelo nosso trabalho. Isto satisfaz o nosso ego.
Se somos vicentinos, queremos que nossas idéias sejam prontamente aceitas por todos os confrades e consócias, e quando elas não o são, ficamos sentidos e, às vezes, até nos afastamos da Conferência.
Jesus deu vários ensinamentos nos quais a humildade é o ponto básico.
Para Ele quem quiser ser o primeiro no reino de Deus, deverá ser o último aqui, ser o servidor e não o servido.
Quando Jesus foi a Jerusalém no domingo anterior à Páscoa, Ele poderia ter entrado na cidade com toda a pompa de que era merecedor, mas preferiu usar de um jumentinho.
E Ele disse aos seus discípulos: "Ide a aldeia e encontrareis uma jumenta amarrada e junto a ela um jumentinho. Trazei-os e se alguém perguntar digam que o Senhor precisa deles e logo serão devolvidos".
Que sorte teve aquele jumentinho. Ser ele o escolhido para transportar o dono do mundo.
Deus, quando enviou seu Filho ao mundo, confiou também a Jesus a missão de escolher alguns para o ajudar na luta pela igualdade, onde todos ajudariam a todos. E Jesus fez mais ainda: deu a missão a todos.

Alguns corresponderam, a maioria, não.
Nós também podemos ser o jumentinho, tal qual aquele que carregou Jesus.
Todos os dias Deus coloca em nossa vida alguém que precisa ser transportado, ser carregado. E Deus manda que alguém vá onde estamos e nos levem até a quem precisa. Nós podemos ser como aquele jumentinho, que pacificamente carregou Jesus, ou podemos nos rebelar e recusar carregar o fardo de quem é necessitado.
Qual atitude agradará mais a Deus?
Todas as vezes que recebermos um pedido de sindicância é Deus nos dizendo: "Vão até lá e vejam se quem pede é verdadeiramente necessitado. Se for necessitado, ajudem-no. Se não for de todo necessitado de bens materiais, vejam se necessita de uma palavra
amiga, de uma orientação; portanto, mesmo assim, tratem-no com carinho. Sou eu quem está ali."
Quantas vezes recusamos ajudar Jesus na pessoa de um irmão? Será que fomos totalmente justos recusando ajudar? Será que o nosso julgamento seria o julgamento que agradaria a Deus?
Ser o jumentinho que carrega alguém pode parecer humilhante, mas e se o passageiro for Jesus disfarçado naquele que nos procura?
Depois não adiantará a gente dizer: "Mas, Senhor, eu não sabia que eras Tu", pois poderemos ouvir novamente aquela frase tão conhecida dos vicentinos: "Todas as vezes que não fizestes alguma coisa ao menor dos meus irmãos, a mim não o fizeste". "E você não fez".
Aí, o que será de nós?
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MEMÓRIA DA SSVP -13 de Setembro de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Pode parecer repetitivo o que vou escrever e reconheço que é, mas não tem jeito de ser diferente.
Já escrevi sobre o tema tempos atrás, mas vi pouca coisa mudar.
Os dirigentes da SSVP, em todos os escalões, de um modo geral, não se preocupam em determinar, em exigir que as Conferências e Conselhos tenham um departamento voltado para arrecadar e organizar o que pode vir a ser a memória da nossa Sociedade.
Sei que em pouquíssimos lugares existem o que podemos chamar de "museu" vicentino, mas são abnegados que por iniciativa própria o fizeram ou estão fazendo. E temo que sejam apenas algum cômodo destinado a guardar livros de atas e poucas coisas mais.
Eu falo de um verdadeiro museu de memória em cada cidade (mesmo onde haja muitas Conferências e mais de um Conselho Central. Seria um museu único, pois única é a SSVP).

Trabalhei em uma firma onde alertei diversas vezes para que se fizesse um museu contando a sua história através de peças, máquinas, retratos e documentos. Muita coisa foi perdida por terem sido vendidas em leilões, cujos preços não atingiam o verdadeiro valor histórico do bem. Somente muito mais tarde começou-se a fazer o tal museu, mas muita coisa já não mais foi possível recuperar.

Com a Sociedade de São Vicente de Paulo está ocorrendo coisa semelhante.
Tente arranjar um retrato de um dos primeiros vicentinos da cidade! A não ser uns pouquíssimos que existem (assim mesmo porque ocuparam algum cargo de destaque e seus retratos foram colocados em alguma parede) não existe quase nada preservado.
Onde estão os retratos dos nossos assistidos e suas famílias? Onde estão os retratos dos casebres onde moravam e os dos barracões novos que para eles fizemos? Onde estão os retratos dos mutirões de limpeza, de construções onde trabalhávamos aos sábados e domingos?
Onde estão os retratos das antigas celebrações de assembléias, das missas especiais, das barraquinhas, da procissões? Dos retiros espirituais, encontros de jovens, de crianças e adolescentes? Onde estão os retratos dos velhos asilos que foram derrubados em nome do progresso?
Onde estão alguns objetos dos nossos assistidos falecidos?
Ah! Se eu fosse continuar a relatar o que penso seria longo, e o que é pior, doloroso demais.
Algumas pessoas poderão dizer: Para que tudo isto? Isto é bobagem. Que vantagem tem ter tanto trabalho?
Diz um ditado popular que o povo brasileiro é um povo sem memória. O ditado se refere ao fato de o povo se esquecer do quanto alguém que muito prejudicou o país ser cultuado novamente como se limpo fosse.
Mas esta falta de memória se estende a muitos campos.
É por causa das pessoas despreocupadas com a história vicentina é que temos um acervo muito pequeno, e aos poucos que temos não são dados os devidos cuidado e valor.
Na verdade, cada cidade deveria ter um museu vicentino bem arrumado, catalogado, etiquetado, limpo, aberto ao público e com pessoas disponíveis para atendimento. Afinal de conta, temos muitos aposentados que poderiam ir se revezando em uma escala que não o faria trabalhar mais que um dia de tempos em tempos.
E os Grupos de Jovens também poderiam colaborar fazendo um levantamento do material já existente, visitando asilos, creches e casas de assistidos para conseguir peças e retratos. Até nas próprias famílias dos assistidos e vicentinos já mortos a Comissão poderia conseguir muita coisa.
Garanto que alguns próprios vicentinos mais antigos, ainda vivos, têm em seu poder livros de atas, livros de caixa, livro de chamada, retratos, pequenos objetos relativos à Sociedade. Eles os retém apenas por não ter onde guardar com segurança, com a certeza de que lá ficarão preservados. Muitos livros de atas, por exemplo, estão nas secretarias de cada Conselho, mas estarão catalogados, em bom estado de conservação? Estão em local apropriado, ventilado, limpo, fácil de ser encontrado? Existe uma ficha de controle de empréstimo de cada bem e a anotação do seu retorno?
Quem, no Brasil, tem fitas gravadas com depoimentos de antigos vicentinos e assistidos?

O Conselho Nacional deveria EXIGIR a preservação da SSVP em cada lugar. E cobrar dos Metropolitanos, Centrais e Particulares a obrigação de zelar pela efetivação do projeto e seu cumprimento.

Sei não! Acho que estou pedindo demais.

Pior é que muitos que pensam assim como eu devem estar se sentindo como peças desses museus não criados, ou se criados relegados ao esquecimento, não porque achem que tenham alguma coisa que mereça ser preservada, mas por ver que morrendo quem tem estes ideais, também poderão morrer estas idéias.
Como disse um amigo meu, Vicentino também a quem pedi opinião: "Chega a ser um crime o que está sendo feito com a memória da SSVP".
. . .
E quase ninguém faz nada. Dá pena.

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SOBRE O LIVRO DE ATAS, NOVAMENTE -05 de Setembro de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Já disse, em artigo anterior, que a pessoa adequada para escrever sobre o livro de atas é o confrade Hélio Pinheiro. O confrade sabe tudo.
Mas, atrevido que sou, de vez em quando gosto de dar os meus palpites.
Um dos artigos que escrevi fala sobre o livro de ata pré-impressa.
Expressei a minha opinião contrária ao mesmo, pois ele não é funcional. Tem espaços grandes para ser preenchido por pouca coisa. Tem espaços pequenos onde muita coisa precisaria ser registrada, acontecendo, inclusive, anotações entre linhas. Só mesmo vendo um livro desses para ver que tenho plena razão.
Graças a Deus recebi a notícia de que o Conselho Nacional está proibindo o seu uso, mas até que as conferências atendam esta determinação, vai levar muito tempo. A comunicação dentro da SSVP é lenta demais.
Mas hoje quero escrever sobre outro aspecto.
Quando escuto a leitura de uma ata fico pensando em detalhes. Vocês já perceberam que geralmente ela começa assim: " Aos tantos dias do mês tal, reuniu-se a conferência tal, a tal hora, "no local de costume".
O livro de ata é um registro para a posteridade. Quem, daqui a alguns anos, for fazer uma leitura do livro deverá ficar sem saber onde realmente a conferência se reunia.
Não custava nada informar o endereço, o que aliás deve ser o correto.
Outros detalhes seguem a mesma linha. Registra-se que o confrade ou consócia visitará ou visitou "dona Maria", "dona Antônia", sr. Sebastião", etc.,. e dão notícias deles e seus filhos (que às vezes nem mencionados na ata são). Quem teriam sido essas pessoas? O que pensará quem estiver lendo o livro anos depois?.
Vejam o caso da chamada. Diz a ata: "Foi feita a chamada e estiveram presentes os confrades João, Geraldo, Tião, Matheus e as consócias Ana, Geralda, Sandra, Cidinha, Lais, e o estagiário Augusto". Quem teriam sido eles?
E o movimento financeiro? Nem sempre sabemos o que foram as despesas feitas, pois na ata fica tudo muito resumido a um "despesas feitas".
Sei que todas as despesas devem ter sido feitas com notas, mas nada fica anexo ao livro de ata, que é o verdadeiro documento.
Se mais tarde se quiser identificar alguém, como faríamos? O caderno de chamada não serviria, pois além do mais ele se desvincula do livro de ata e nem sempre é arquivado, como também acontece com o livro caixa.
Não estou dizendo que em todas as atas se deveria registrar o endereço de onde se reúne a conferência ou os nomes completos dos confrades, consócias e assistidos, mas que seria o certo, seria.
Quando uma sindicância é aceita, registra-se na ata apenas um nome e nunca todos os dados colhidos como os nomes dos participantes da família, seus aniversários, etc. Isto fica na ficha de sindicância, que logo, logo se perde.
Para que não seja "nem tanto à terra, nem tanto ao mar", quem sabe ao se iniciar e ao se encerrar cada livro de ata estas informações poderiam ser constadas? E claro, quando alguém entrar para a conferência ou dela sair por qualquer motivo, seja vicentino ou assistido, o registro deverá ser feito da maneira mais clara possível.
Um dos problemas principais da SSVP é não ter o registro da memória que deveria ter, em parte pela falta de anotações adequadas nas atas.
Isto quando conseguimos encontrar os livros que nem sempre são arquivados onde deveriam ser.
Me diga: em sua conferência é assim também?

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QUE SAUDADE! -29 de Agosto de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Tenho saudade das reuniões vicentinas de antigamente, quando o tempo maior era gasto em se dar conta das visitas às muitas famílias assistidas da Conferência.
Hoje, salvo engano, 70% das Conferências têm uma, no máximo duas famílias assistidas, para um número bem maior de confrades e consócias.

Será que diminuiu o número de famílias carentes? Não creio.
O noticiário diário nos mostra que a situação é completamente diferente, pois cresce cada vez mais o número de necessitados. Ou basta sermos um pouco mais observadores para vermos nos bairros mais pobres o número sempre crescente de desempregados.

O que estará acontecendo, então?
Creio que o que está havendo é o comodismo das Conferências. Não se vê mais aquele entusiasmo do confrade ou consócia em ser nomeado para visitar uma ou mais famílias, tantas eram as que socorríamos.
Hoje, se o número de famílias assistidas for pequeno por ser pequeno o saldo do caixa, precisamos trabalhar mais. Entretanto, se o saldo for bom e o número de assistidos for pequeno, será mesmo por comodismo.

Em muitas Conferências o presidente tem até dificuldades em arranjar trabalho para todos, e nomeia como se fosse obrigação semanal de muitos apenas rezar o terço e fazer uma visita a uma co-irmã, o que normalmente já deveria ser feito, além da visita domiciliar.

Já cheguei a dar sugestões sobre o assunto em outros artigos, mas volto a lembrar apenas um ponto:
Que as Conferências assistam, no mínimo, um número de famílias que seja a metade do
número de confrades e consócias da sua unidade como, aliás, a Regra recomenda.
E se disserem que não há pobres necessitados, tomem a iniciativa de sair pela periferia e verão muitos endereços onde a necessidade é premente.
Caso não queiram dar uma voltinha um pouco mais distante da rua onde a Conferência se
reúne, prestem atenção, pois mesmo por perto de onde os confrades e consócias se reúnem, sempre haverá alguém necessitado.
Nossos olhos é que se acostumaram a ver as pessoas e achar que elas são malandras.

Fico a pensar de como será quando morrermos e encontrarmos centenas de famílias que assistimos, a rogar a Deus por nós, ou ao contrário, encontrarmos centenas de famílias que deixamos de socorrer por comodismo, sem poderem pedir misericórdia a Deus a nosso favor.

Bem falava São Vicente, toda vez que o Irmão tesoureiro lhe dizia que o caixa estava
a zero: "Graças a Deus. É sinal que distribuímos tudo que recebemos".

E então, senhores presidentes, não será o caso de ouvir Ozanam quando ela clamou "Vamos aos pobres..." ?
Vale a pena meditar e ampliar a rede de caridade sonhada por Ozanam..

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FRANQUEZA DE CRIANÇA! – 23 de Agosto de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Tenho lutado bastante para que haja renovação nos quadros das Conferências Vicentinas, porque sei que depende do elemento jovem a continuação do trabalho idealizado por Ozanam e seus companheiros.
Em uma pesquisa que fiz no meu Conselho Particular, cheguei à triste realidade de que a faixa etária é tão alta que até assusta. Pasmem, pois a média achada em todo o Conselho foi de mais de 58 anos, tendo uma das conferências a média de idade de mais de 68 anos.
Não estou brincando. E nem errei no digitar.

Uma das maneiras que acho que poderemos melhorar essa média é levar nossos filhos pequenos e nossos netos para assistirem às reuniões e levá-los conosco para visitar as famílias assistidas.

Estou encaminhado dois netos para a nossa Sociedade. Um de quatorze anos tornou-se confrade pouco tempo atrás. O outro, de oito anos, pergunta sempre quando vai ser proclamado.
Tenho esperança de que eles irão continuar o trabalho que tenho feito.

Além de proporcionar a renovação dos nossos quadros, ter jovens e crianças na Conferência é motivo reflexão, de alegria e até de momentos inusitados.
Lembro-me de que quando meus filhos pequenos iam à conferência comigo e minha esposa, eles faziam questão de fazer a coleta. E se alguém não fizesse um movimento de que iria dar alguma coisa, eles paravam em frente da pessoa até que a mesma enfiasse a mão na sacola. E de vez em quando o filho menor surpreendia a gente dizendo que alguém não pusera nada na coleta.
Embora a gente ensinasse que a coleta era secreta e que não se poderia ficar observando o que cada um colocava na bolsa, era um momento de descontração.

Meu neto, o que já é confrade, costuma me alertar para o fato de eu falar com ênfase na reunião, quando vejo alguma coisa errada: "Vô, tem hora que você fala muito duro". Eu acho que ele até tem razão, mas fico chateado quando vejo alguma coisa errada e ninguém tomar a iniciativa de consertá-la.
Já o meu neto de oito anos costuma, com sua franqueza, chamar nossa atenção, mesmo nós sendo confrades e consócias mais vividos.
Em uma reunião, na hora da chamada, ele foi bem preciso no falar: "Tem gente que falha demais". Ele aprendeu comigo que participar da reunião é uma "obrigação" do vicentino.
Outro ponto: Talvez porque a gente se acostuma com a falta de limpeza na casa do assistido, nem nos damos conta de que algo precisa ser feito. Em uma reunião que ele fora sozinho (eu e o irmão dele tínhamos viajado), ele foi franco de novo. Como tínhamos os três feito uma visita na semana anterior, na hora de dar notícias das famílias foi enfático: "A casa de dona Maria Aparecida está com um cheiro horrível. É preciso fazer uma limpeza lá".
Disseram a ele que já fora feita uma arrumação na casa daquela assistida, mas a explicação ficou parecendo mais uma desculpa, pela não seqüência do que deveria ser feito mais vezes. O meu neto não está errado.
Escutamos nas notícias das famílias, e isto acontece constantemente, os confrades e consócias dizerem da falta de higiene da casa, das roupas amontoadas sem lavar, das vasilhas e panelas utilizadas na alimentação do dia estarem ainda sujas.
Isto virou quase rotina, sem contar que de vez em quando uma varrida na casa faria muito bem para o visual e para a saúde do assistido.
Sei que existem exceções e alguns assistidos são limpos e asseados.
Mas não são a maioria.

Na verdade, precisamos da franqueza das crianças e dos jovens.
E não podemos ficar chateados quando eles nos chamam atenção para fatos que presenciam.
Eles são observadores. Têm mais sensibilidade. Estão menos acostumados com as mazelas que os adultos vêem e não ligam muito.
Melhorar as condições de higiene de uma casa também é promoção da família assistida.
Os adultos confirmam esta aceitação do que não está certo, dizendo sempre ao fim das notícias que dão: "É, esse nosso assistido não tem jeito. Não melhora mesmo!"
Será verdade isto, ou será comodismo nosso?

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FILANTROPIA OU CARIDADE? – 17 de Agosto de 2008
Texto: Aluízio da Mata

Muitos de nós ajudamos outras pessoas, mas há uma diferença muito grande no gesto de uns e de outros. Todos que ajudam pensam estar fazendo caridade, mas não é assim. Aquele que pratica o ato de ajudar movido para satisfazer sua própria vontade, está fazendo filantropia.
O que ajuda movido para fazer a vontade divina, este sim, faz caridade.
E qual a diferença, se todos estão ajudando?
Fazemos filantropia quando ajudamos satisfazendo nosso ego, quando ficamos alegres e recompensados sentindo que somos necessários, que sem nós a pessoa carente estará, quem sabe, perdida; Quando gostamos de ver que o nosso trabalho é reconhecido por muita gente e que nos olhos dessa mesma gente, somos alguém que serve a comunidade; Quando gostamos até de receber honrarias, de ver o nosso nome nas rádios, as nossas fotografias nos jornais e até nas reportagens na TV sobre o nosso trabalho e quando somos, por isso, reconhecidos por muitas pessoas. Fazemos filantropia quando chegamos ao cúmulo de querer que existam necessitados, para que possamos ter a quem ajudar.
Por outro lado fazemos a caridade perfeita quando, primeiramente, não queremos que ninguém seja necessitado, mas que existindo, não queremos reconhecimento humano por tê-lo ajudado; Quando nada mais importa a não ser servir. Quando sofremos com quem sofre. Quando sentimos angústia de pouco poder fazer, e reconhecemos que só conseguimos ajudar com a ajuda de Deus.
Dar remédio, vestir, alimentar é tão pouca coisa comparada ao amor, à esperança que devemos dar, que nossa ajuda se toma insignificante. E tem mais: muitas vezes estamos é reparando uma injustiça cometida contra quem está necessitado. A pobreza só existe por causa do egoísmo dos que têm mais do que necessitam.
Muitos dizem: "O que é meu, é meu, e não tenho de repartir com ninguém. Cada um que trabalhe. Cada um que ganhe sua vida".
É assim que muitos de nós pensamos e agimos. E o pobre fica cada vez mais pobre e mais necessitado de caridade.
E Jesus veio nos ensinar que é tudo diferente. O que é meu, é meu, mas é do necessitado também. Repartir o que me sobra não é caridade, é justiça. Caridade é tirar do que nos é necessário, para dar a quem necessita mais do que nós.

O Vicentino, muito mais que ninguém, tem à sua disposição poder ajudar os que necessitam. Cabe a ele decidir se vai fazer filantropia ou caridade.
É assim que devemos pensar, é assim que devemos agir. E se analisarmos como foi nosso procedimento até hoje, como estaremos diante de Deus?

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A VISITA – 09 de Agosto de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Jesus gostava de visitar pessoas.
Em muitas ocasiões a Bíblia narra essas visitas. E por que Ele as fazia? Porque sabia que a visita é benéfica para quem a faz e para quem a recebe.
Ele se sentia bem visitando seus amigos, seus conhecidos, e até pessoas que simplesmente precisavam d'Ele. E sua visita fazia um bem imenso a quem era visitado e às pessoas que iam ao mesmo local encontrar-se com Ele. Zaqueu, Matheus, Lázaro, Marta e Maria são
alguns exemplos do bem que as visitas de Jesus fizeram. A Ele e aos visitados.

A SSVP também nos dá a oportunidade de viver essa mesma sensação.
É sabido que hoje em dia nem os amigos quase não se visitam mais. A Televisão modificou por completo os hábitos das pessoas, primeiramente das grandes cidades e já agora nas pequenas comunidades do interior.
Notamos perfeitamente que estamos incomodando os donos da casa, se nossa visita é em determinado horário, principalmente o das novelas e dos noticiários.
A visita, quando bem feita e bem recebida, fortalece os laços de amizade.
Quando Ozanam fez a primeira visita domiciliar, estava abrindo um caminho para o vicentino chegar até aquele que precisa de ajuda material mas, muito mais do que isso, estava inaugurando um apostolado que iria beneficiar a todos, principalmente àquele que faz a visita.
Eu me lembro de muitas visitas que fiz aos assistidos das conferências das quais fiz e faço parte. Elas me fizeram e fazem tão bem que até hoje me lembro de algumas delas. Até detalhes e conversas dessas visitas eu me lembro. Tenho certeza de que tais visitas fizeram bem aos nossos assistidos, pois eu não me sentiria bem se eles também não se sentissem felizes. Quando eu visitava as famílias, minha esposa, que também é vicentina, ia comigo e levávamos os nossos filhos. Quantas perguntas eles fizeram aos assistidos, quantas perguntas lhes foram feitas. Até "herdeira" de uma das nossas assistidas minha esposa foi. D. Maria fez questão de lhe dar um pilão e uma machadinha, objetos que lhes eram muito queridos. E minha esposa os tem ate hoje, já passados muitos anos.
É dever do vicentino fazer sua visita semanal sem pressa, aproveitando o tempo para conversar amenidades com seu visitado. Não se deve falar apenas de problemas, de dificuldades, fazer cobranças. Aproveite para informar a ele o que está acontecendo pelo mundo e na Igreja. Se o assistido se lamentar, escute-o com boa vontade. Nesse momento, você é
o "Jesus" que pode ajudá-lo. Por outro lado, lembre¬-se que ele também é o "Jesus" para você. Se assim não fosse, Jesus não teria dito: "O que fizerdes ao meu irmão mais pequenino, a Mim o fizeste".
Como têm sido as visitas que você faz? O assistido e você se alegram com elas? Você faz a visita semanal como uma obrigação vicentina ou como uma oportunidade de repor sua fé em Deus e levar ao visitado a certeza de que Jesus veio com o visitante?
Tomara que os pobres que visitamos venham à porta do Céu nos receber quando para lá formos, se tivermos o merecimento devido. Será sinal que fomos na terra o amigo que visitou e fez o visitado feliz. Como Jesus fazia.
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.
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POR QUE NOSSA SENHORA SÓ APARECE EM AMBIENTE CATÓLICO? – 02 de Agosto de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Sabemos que outras religiões não aceitam Maria como o católico o faz.
Procuram fazer dela uma mulher comum, se esquecendo que Ela foi uma criatura privilegiada por Deus, pois é a Mãe de Jesus. Ela é Filha de Deus, é a Esposa do Espírito Santo e é a Mãe de Jesus.
Ora, se Deus é Trino, isto é, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo numa só pessoa, e Maria tem um relacionamento especial com cada uma destas Pessoas, claro está que Ela não pode ser considerada uma mulher comum.
E Deus a ama tanto que lhe dá privilégios que mais nenhum ser humano tem.
Só o fato de Ela ter nascido isenta do pecado original já era uma indicação desse privilégio.
Por que Deus iria dar a Ela o privilégio de nascer sem mancha e deixá-la pecar depois, se ainda seria a Mãe d'Ele próprio?
Por que iria deixá-la sem proteção especial a mercê do demônio, se ainda seria a Sua Própria Esposa?
Por que iria ela pecar depois do nascimento de Jesus, se seria ela a instrutora que o prepararia para nunca pecar?
Por que Ela iria pecar depois da morte de Jesus, se Ela foi a primeira evangelizadora, Mãe da Igreja nascente e modelo para todos nós?
Os que fazem restrições dizem que Ela pecou porque Jesus veio salvar toda a humanidade e se Ela não tivesse pecado não precisaria da salvação de Jesus.
Esquecem esses nossos irmãos separados que, mesmo sem ter nunca pecado, Ela foi salva por Jesus. Se Ela é a Mãe do autor da Graça, se viveu ao lado de quem tinha o poder de fazer o que quisesse, se tinha a assistência do Espírito Santo, Ela nunca iria pecar, pois se pecasse como poderia continuar a ser tudo isso que foi?
Insistem eles em dizer coisas que mostram até um certo rancor por Ela. Dizem que o católico ama mais Maria do que a Jesus, o que não é verdade, pois nosso amor por Jesus é imensamente maior. O nosso amor pela Mãe não diminui o nosso amor pelo Filho.
A maioria dos fiéis de outras religiões não se contenta em não aceitá-la (o que seria compreensível, devido aos ensinamentos que recebem de seus líderes) como os católicos a aceitam.
Não a aceitam como intercessora, pois dizem que só Jesus é o intermediário entre nós e Deus. Pensam que Ela está tomando o lugar de Jesus. No entanto esquecem-se eles de que foi para atender uma intercessão de Maria que Jesus antecipou sua Missão.
É um direito que a pessoa tem de se dirigir diretamente a Jesus para fazer os seus pedidos, como é também direito do católico usar desse privilégio que temos de pedir a Ela que interceda por nós junto ao Seu Filho.
E por que Jesus não iria atender quem pede através de Sua Mãe?
Iria Ele ficar com "ciúme" e não atender para "pirraçar"?
Mas, de qualquer maneira, aqueles que não aceitam Nossa Senhora poderiam se questionar: Por que Maria não se manifesta em ambientes não-católicos?
Sabemos de alguns fatos envolvendo pessoas não católicas que tiveram o privilégio de ter a manifestação d'Ela. No entanto, foi sempre com pessoas de outras religiões que tinham um amor especial por Ela.
São pessoas que por circunstâncias deixaram a religião católica, mas que não deixaram o amor que tinham pela Mãe de Deus.
Algumas conversões de quem nunca fora católico aconteceram por obra de aceitarem Maria como uma pessoa especial, ou foram favores concedidos por Deus através de Maria a pessoas que, quando católicas, tinham amor por Ela e continuaram tendo, mesmo quando trocaram de religião e não aceitaram as orientações de quem d'Ela não gosta.
Este artigo é um convite a quem não vê ou aceita Maria como uma pessoa muito especial.
Deus não irá condenar quem amar Maria com um amor tão intenso que só será inferior ao amor que dedicar à Santíssima Trindade, da qual Jesus é uma das três Pessoas.
Amem muito Maria, porque Ela merece por ser tudo o que é.
E pensem que, um dia, esse amor vai ser lembrado, pois Ela será nossa
advogada diante de Deus.

TESOURO ESPIRITUAL: FAZER OU NÃO FAZER? - 26 de julho de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Não está determinado na Regra que as Conferências tenham que fazer o Tesouro Espiritual, mas gostaria de tocar no assunto.
Muitas conferências não o fazem, não porque a Regra não o determine, mas por comodidade.
Ou respeito humano.
O fazer ou não o Tesouro é decisão de cada presidente, mas vou falar um pouco sobre isto.
Para que serve o Tesouro Espiritual?
Vamos observar que ele é uma espécie de termômetro de cada um de nós.
Nem sei quando surgiu esta prática, mas garanto que foi a mais de 60 ou 70 anos, pois quando entrei para a SSVP ele já era feito há muito tempo. Prova disto vemos nos antigos livros de atas e nos mapas também.

Lembro-me que ele era feito de duas maneiras.
Em uma das conferências a que pertenci, ele era feito tradicionalmente, em um pequeno bloco impresso. Cada um escrevia a quantidade do que se pedia nos itens. Missas, Comunhões sacramentais, terços, visitas ao Santíssimo, etc.
Era anônimo, pois não colocávamos o nosso nome no papel.
Em outra conferência a contagem era feita "ao vivo", isto é, o encarregado do tesouro ia falando o item e somava a quantidade dos que os confrades e consócias iam dizendo terem feito. Assim, quando ele dizia: Missas participadas – somavam-se quantas missas todos os
vicentinos da conferência tinham assistido na semana. Para os outros itens a mesma coisa. Na sessão o encarregado do Tesouro Espiritual lia o resultado do que foi feito na semana anterior.

Este segundo sistema era um pouco mais difícil de ser feito, tendo em vista que a contagem poderia não refletir a quantidade feita realmente, pois alguns vicentinos poderiam ficar com vergonha de não dizerem que não assistiram missa ou comungaram, por exemplo.

Outro aspecto era uma dúvida que tínhamos: o tesouro espiritual era para registrar tudo o que fizemos na semana, ou era para registrar apenas aquilo que fizemos em nome da Conferência?
Assim, quantos terços tínhamos rezado pelos assistidos, pelo privilegiado, ou quantas missas assistimos e quantas comunhões recebemos para a melhora da nossa conferência ou pela saúde de algum vicentino ou assistido?
De qualquer maneira, sou de opinião que o tesouro deve ser feito por todas as Conferências.
Ele não deixa de ser um alerta para cada um de nós. Se estamos rezando pouco, participando ainda menos dos Sacramentos, o Tesouro, semanalmente, nos lembra que precisamos melhorar.
Nestes tempos em que muitos não participam dos sacramentos (veja o caso da Confissão) com freqüência, seria um bom lembrete.

E que mal faz "perder" um minuto ou dois, na reunião, para fazê-lo?
Deixemos de lado o comodismo e o respeito humano, mesmo porque Deus sabe a intenção e o que fizemos durante a semana.
E o que fizermos não deixa de ser um tesouro apontado lá no Céu. Quem não quer ter o seu tesouro lá bem recheado?

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COMPARANDO... – 19 de Julho de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Na Igreja Católica existem muitos grupos, pastorais e movimentos que estão a ela ligados, por ser criação sua ou por afinidade de fé.
Olhando-os, a gente não pode deixar de fazer uma análise.
Vejamos a atuação de dois desses seguimentos: A Pastoral da Criança e a SSVP.
O que posso notar é que a Pastoral da Criança atinge o objetivo para o qual foi criada, isto é, dar chance de vida a milhares de crianças, que se não tivessem a sua ajuda teriam morrido antes dos três anos de vida.
A sua atuação foi tão bem planejada e executada que agora já se preocupa com a criança, dando assistência à gestante, muito antes do parto.
As estatísticas mostram que a expectativa de vida das crianças aumentou e que a mortalidade infantil caiu formidavelmente. É um programa tão bem executado, com resultados tão bons e com efeitos tão visíveis, que até para outros países está servindo como modelo.
Olhando apenas estes aspectos, vemos que a Pastoral atinge seu objetivo e o que é bom também para conseguir arregimentar cada dia mais voluntários para dela fazer parte.
A Sociedade de São Vicente de Paulo foi fundada para ser um canal de santificação dos seus membros e sob este aspecto só Deus pode dizer se ela está atingindo o objetivo para todos os confrades e consócias.
Mas olhando o aspecto de como a Sociedade atualmente tem feito o que foi proposto por seus fundadores, podemos afirmar que o tem executado em algumas de suas unidades, mas que em muitas outras, talvez a maioria, deixa a desejar.
Para atingirmos nossa santificação precisamos dar ao nosso assistido todas as oportunidades de evangelização e com certeza isto não está ocorrendo.
Muitas Conferências se preocupam com a ajuda material, mas a assistência espiritual prá valer não acontece na grande maioria. Que Conferência faz com que seus assistidos participem das missas, dos sacramentos, da catequese?
Procuramos saciar o assistido de sua fome material, mas fazemos muito pouco para saciar sua fome espiritual.

A Obra por si é boa e por isto está ainda em ação, mesmo depois de 175 anos, mas notamos um certo desânimo, uma certa falta de compromisso com os ideais vicentinos.
A rotina, em muitos casos, tem motivado esse desânimo nos confrades e consócias mais antigos, e a falta de uma preparação adequada para os estagiários, tem contribuído para que não surjam novos vicentinos atuantes de fato. Se fizermos um levantamento em nosso Conselho Particular veremos que dos confrades e consócias proclamados e apresentados nos últimos cinco ou três anos, muitos deles não continuam a freqüentar as nossas Conferências.
Precisamos identificar onde estamos errando.
Façam tal levantamento e terei alegria em ser desmentido.

Estou sendo pessimista, ou o que digo é uma realidade?

Agora pergunto: Devemos desanimar, ou devemos procurar fazer como a Pastoral da Criança tem feito?
Uma vez já escrevi sobre parcerias que a SSVP precisa fazer. Naquela época sugeri que deveríamos trabalhar em conjunto com a Renovação Carismática Católica, com a Pastoral Catequética, pois eles nos ajudariam a evangelizar e a catequizar, coisas que não estamos sabendo fazer, enquanto nós os ajudaríamos na prática efetiva da caridade, visitando as famílias necessitadas, coisas que eles não fazem. A visita seria feita em conjunto, planejada.
Agora sugiro outra parceria: a da SSVP e a Pastoral da Criança. Vejam quantos benefícios nós iríamos ganhar!
Fico meio desanimado de ver estas e outras sugestões que diversos vicentinos fazem cair no vazio.
Infelizmente, dentro da nossa hierarquia, que eu saiba, não vejo nenhum movimento nesse sentido.
Temos muito no que melhorar.
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BASTA-TE A MINHA GRAÇA - 12 de Julho de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Não sou técnico em informática, aliás, dou alguns comandos que invariavelmente me deixam em situações difíceis, e às vezes meio desesperadoras, e quando acontece um fato estranho, nem sempre sei dele sair.
Quando eu era o editor do jornal Voz do Vicentino aconteceu o fato que passo a narrar.
É um relato para quem quiser ou não acreditar.
Para fazer o jornal eu recebia matérias de diversos colaboradores e as digitava no computador.
Só que costumava fazer o inverso de todo mundo. O conhecedor de informática digita o que quer na memória do computador e ao final de cada digitação garante o seu serviço copiando-o em um pen-drive, CD ou disquete.
Eu, por achar mais fácil, digitava no disquete e depois gravava no computador.
Para fazer a edição de um número do jornal, as matérias digitadas ocupavam mais ou menos 17 páginas dentro do computador.
Como tinha prazo até quinta-feira da semana anterior à da reunião do Conselho Central para enviar a edição à revisão, na quarta-feira concluí minha parte e fui copiá-la no computador. Fiz uma cópia impressa para que a revisora pudesse corrigi-la. Qual não foi a minha surpresa quando ao tentar a operação de salvar as matérias na memória do computador, apareceu uma mensagem dizendo: "erro irrecuperável no disquete". Simplesmente o computador não conseguia ler o que estava no disquete, e, não lendo, não podia copiar. Como o disquete era indispensável à composição gráfica do jornal, vi-me apavorado.
Pedi a uma técnica em informática da empresa em que eu trabalhava para me ajudar. Ela tentou de tudo, e não conseguiu abri-lo.
Eu disse a ela que não teria tempo para digitar tudo novamente.
"Agora, só um milagre", ela disse.

Sabem aquele número para sorteio que recebemos nos dias das nossas Assembléias Gerais? No domingo anterior eu tinha recebido um e junto a ele viera uma medalha conhecida como medalha milagrosa, em que Nossa Senhora aparece derramando graças sobre o mundo.

Eu disse à técnica:
"Vou colocar a medalha em cima do disquete e Nossa Senhora vai me ajudar. Ela vai achar uma saída para o meu problema".
A minha amiga pareceu duvidar.
Assim fiz.

Mais tarde saí com minha esposa para tratar de outras coisas, inclusive comprar cestas básicas com donativos que conseguimos arrecadar, para distribuir às famílias carentes. E já bem à noite, disse à minha esposa: "Precisamos voltar para casa, pois tenho de
digitar 17 páginas".
Ao chegar a minha casa tirei a medalha de cima do disquete e tentei novamente. E nada aconteceu. Tentei todos os comandos que eu sei e os que não sei. Nada.
Rezei novamente.
De repente, sem nenhuma explicação possível, com mais uma tentativa igual a que já tentara inúmeras vezes, eis que consigo jogar a matéria no computador e transferi-la para outro disquete.
Os incrédulos vão dizer que simplesmente dei o comando correto. Eu digo que não, pois já tentara o mesmo comando anteriormente.
O disquete que estava com defeito ainda está comigo, e defeituoso.
Nunca mais consegui abri-lo.

Como o colaborador de uma das colunas daquela edição do jornal não mandara a sua matéria a tempo, resolvi preencher o espaço contando tal fato.
A medalha milagrosa não é uma simples medalha. Ao longo de muitos anos tenho lido muitos relatos sobre milagres que as pessoas alcançam ao pedir proteção a Nossa Senhora.
E resolvi escrever este artigo, pois no ramo da Família Vicentina existe a Associação da Medalha Milagrosa, cuja existência só fiquei conhecendo ao transcrever um artigo do Padre Maikol que também foi publicado na mesma edição.
Acreditar ou não é decisão de cada um de nós. Eu prefiro acreditar que Nossa Senhora tenha tido compaixão de mim e atendeu o meu pedido.
Ela derrama graças sobre seus filhos para grandes e pequenos problemas. O certo é que com menos de meia hora estava com o jornal em outro disquete, pronto para ser revisado. O que eu levara dias e dias digitando, Nossa Senhora resolveu em poucos minutos. E eu sou grato a Ela.
E sempre que posso tenho distribuído a Medalha Milagrosa para pessoas doentes e pessoas sãs, pois todos nós precisamos sempre ou em alguma ocasião especial, da Graça de Deus.
Por isto lembrei-me de relatar o fato para todos, vicentinos ou não.

Em tempo: A coluna onde publiquei o artigo que levava o nome de "Milagre de Nossa Senhora" tem o nome muito sugestivo - "Basta-te a minha graça".
Acredito que foi uma Graça que recebi.


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O GRÃO DE AREIA -07 de julho de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Assim como cada um de nós, todo grão de areia é uma criatura de Deus.
Cada grão foi criado para cumprir uma missão. Nós não podemos compreender porque Deus criou milhões de grãos de areia e os colocou em lugares que, à primeira vista, não irão servir para nada. Existem os grãos que foram colocados no fundo do mar, os que foram colocados na praia, os que foram destinados a ficar no meio do deserto...
Para que servem esses grãos que lá estão?
Não sabemos dizer.
Também, os homens, foram criados e colocados em muitos lugares que aparentemente não tem sentido. Muitos foram colocados em ilhas no meio do mar, outros no meio de imensas florestas, outros ainda no meio do deserto...
Para que e por que foram colocados ali?
Não sabemos dizer.
Muitos desses grãos se sentem infelizes porque não entendem para qual missão foram criados.
Há, no entanto, alguns grãos de areia, algumas pedras, alguns pedaços de terra que estão sempre felizes. Os seus semelhantes que os rodeiam não entendem o porquê de tanta felicidade.
Quero falar de uns determinados grãos de areia que estão debaixo d´água, de algumas pedras, de alguns punhados de terra. Ninguém os vê ou utiliza para alguma construção.
Então, por que eles são assim?
Esses são felizes porque serviram de apoio para Jesus caminhar sobre eles.
Foi pisando na areia do Rio Jordão que Jesus caminhou para ser batizado, foi pisando em algumas pedras que Jesus subiu ao Calvário, foi pisando em alguns pedaços de chão que Jesus cumpriu Sua missão.
Mas alguns outros grãos, algumas outras pedras, alguns pedaços de chão, que também foram pisados por Jesus, se revoltaram, achando que não tiveram sorte por ter que suportar o peso daquele Homem.
Não entenderam a missão para a qual foram criados. Só viram um dos lados de suas vidas.
O suportar o peso do corpo de Jesus é uma tarefa que deveria alegrar a toda criatura.
Se os homens pensassem assim também, vendo o lado positivo seria melhor, pois nós suportaríamos o peso de um Homem que suporta o peso de todos nós.
Mas, hoje, qual é o peso do corpo de Jesus que devemos suportar?
Fisicamente Ele só é encontrado na Hóstia Consagrada. Então, onde Ele está?
Olhe ao seu redor. Veja quantas pessoas necessitadas estão por todas as partes do mundo.
São elas os novos Jesus.
Muitas vezes precisamos ser o grão de areia que suporta o peso de Jesus. Muitas vezes precisamos ser as pedras do caminho daquele que caminha para Jesus. Inúmeras vezes precisamos ser o pedaço de terra onde muitos devem pisar para cumprir suas missões.

O vicentino é um grão de areia que Deus colocou no meio de muitos necessitados.
Como temos entendido e cumprido a missão a qual Deus nos destinou?

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ARTIGO QUE NÃO PRECISARIA SER ESCRITO -28 de Junho de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Alguém, um dia, me disse que eu deveria escrever mais sobre os pontos positivos a Sociedade de São Vicente de Paulo. Eu creio até que a pessoa tenha razão. Por outro lado pensei: Já existem muitas pessoas que escrevem as coisas boas que praticamos, muitos escritores que relatam o viver dos vicentinos que são expoentes de bom proceder. Mas, se alguém não alertar para o que acontece de errado e que precisa ser melhorado ou modificado, como poderemos saber em que mudar?
Eu poderia falar sobre algumas conferências onde a harmonia existe, onde os presidentes e seus mesários são exemplos de como dirigir bem uma unidade vicentina, onde os confrades e as consócias fazem o seu trabalho da melhor maneira possível, onde o assistido é o ponto
principal.
Selecionei alguns itens que dão bem a idéia do que falo.
Devo ou não falar sobre as divergências existentes entre os vicentinos, mas que não deveriam existir?
Devo ou não mencionar as omissões e os comodismos existentes nas conferências?
E o que dizer sobre os choques de opiniões sobre determinado assunto?
E sobre os ciúmes, a falta de colaboração, o autoritarismo, a posse de bens da SSVP, a falta de participação e até a falta de caridade?
Alguém poderá dizer: O confrade Aluizio está muito pessimista!
Será que estou?
Gostaria de estar enganado.
Outro poderá dizer: O confrade Aluizio pensa que é o melhor vicentino do mundo? Será que ele acha que é perfeito?
Não, podem ter a certeza de que não sou quase nada diferente do que qualquer um de nós. Tenho muitos dos defeitos aqui mencionados e se os exponho é na esperança de me alertar e alertar também alguns outros que estejam na mesma situação.
De que adianta escrever sobre isso?
Se alguém ler o artigo, e meditar como eu estou fazendo, já terá valido a pena.
Não é a SSVP um caminho para a nossa santificação? E só caminha para a santificação quem não é perfeito.
Chego a duvidar que qualquer um de nós não tenha nada que não precise ser melhorado...
Se esse vicentino existir, Glória a Deus, pois ele terá atingido um estágio bem próximo daquele que garantirá a entrada no Céu.
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ONDE ESTÃO ALGUNS EX-PRESIDENTES? -22 de Junho de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Não sei se isto ocorre em todos os lugares, mas em alguns dos quais participei e participo, alguns ex-presidentes de Conselhos Particulares têm um comportamento estranho para um vicentino, e o que é pior, para aqueles que deveriam dar o melhor exemplo.
Estou me referindo ao fato de não mais participarem das festas regulamentares e dos retiros espirituais.
O interessante ou estranho é que eles, quando no exercício da presidência, cobravam dos confrades e consócias que não participavam.
O que será que mudou? Antigamente não era assim.
Quando se ia compor a mesa diretora nas festas vicentinas o presidente convidava os ex-presidentes a participarem, e muitos atendiam o chamado.
Hoje, se chamados, poucos ou nenhum respondem com a sua presença.
Por que será que isto anda acontecendo?
Se perguntarmos a um deles qual o motivo de não mais participarem, poderemos ouvir: "Ah! Estou meio cansado".
Será que os ex-presidentes só tinham forças enquanto ocupavam cargos?
Será que o compromisso vicentino que tinham de cumprir com a Regra deixou de existir? Será que o exemplo que estão dando em não freqüentar não está influenciando a pouca participação dos confrades e consócias atuais?
Pode acontecer que ex-presidentes "tomem raiva" do atual administrador, se estes não dão seqüência aos planos seus que estavam sendo executados.
Vejo aí, possivelmente, três erros.
O primeiro é que o vicentino não pode ter "raiva" de ninguém. O máximo que pode acontecer é ele não concordar com a atuação do seu sucessor.
O segundo erro é de que o novo presidente abandone as ações do presidente anterior apenas para imprimir o caráter de sua administração, não importando se a ação anterior era boa e se iria beneficiar a SSVP.
O terceiro erro é de que o ex-presidente se sinta ofendido porque uma sua ação foi abandonada. Ele precisa entender que a direção agora é de outra pessoa, e de que não deve ficar criticando quem o sucedeu.
Conheço casos assim.
Saudosos tempos em que era costume que o novo presidente nomeasse como um dos seus vices o presidente que saiu. E ele aceitava de bom grado.

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SONHO DE VICENTINO -14 de Maio de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Sonhei que todas as Conferências eram como queria Ozanam.
Os presidentes, ciosos do seu cargo, preparavam as reuniões com antecedência, escolhiam uma leitura espiritual que pudesse ser proveitosa para confrades e consócias, eram amigos de todos, eram caridosos, zelosos, humildes.
Os tesoureiros registravam no livro-caixa todo o movimento financeiro, recolhiam as décimas integralmente, efetuavam os depósitos no Caixa Geral do Conselho Central ou no Banco imediatamente após a reunião. O livro Caixa era de fácil verificação. Nem se pensava em
caixa dois.
Os secretários registravam em ata tudo que de fato ocorria na reunião, sem nada omitir ou acrescentar. Traziam em dia os registros das fichas das famílias assistidas e as dos confrades e consócias também. Emitiam os mapas corretamente e dentro dos prazos previstos. Tudo sem rasuras.
Nós, confrades e consócias, participávamos das reuniões com entusiasmo; não faltávamos; fazíamos as visitas às famílias de tal maneira que deixávamos saudade nelas; rezávamos com elas; líamos a Bíblia a cada visita; lá também rezávamos o terço pelo menos uma vez
por mês, com todos os membros participando; comemorávamos os aniversários de cada membro assistido; dávamos aulas de reforço para os estudantes; levávamos os assistidos à missa, as crianças ao catecismo, os adolescentes nós encaminhávamos para os Grupos de Jovens
e para os cursos profissionalizantes e até conseguíamos empregos para eles.
As mocinhas, devido às orientações das nossas consócias, não se perdiam no caminho e até se casavam.
Enfim, fazíamos o que realmente era preciso fazer. Promovíamos e evangelizávamos as famílias. E por conseqüência, nos santificávamos.

Que pena que acordei e vi que 80% do sonho não é realidade.
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QUAL SERIA NOSSO COMPORTAMENTO? – 07 de Junho de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Muita gente, de boa saúde, perfeição física e plenas faculdades mentais, costumam dar desculpas dizendo qualquer coisa para justificar não ir à missa e dela não participar.
Os mais corajosos chegam a dizer que a missa demora muito ou que têm já outros compromissos.
Interessante é que muitos passam horas e horas em barzinhos, jogando conversa fora. Outros passam muito tempo em frente do televisor, pois começam a assistir à novela das seis e quando termina a novela das nove ainda eles lá estão. E não acham que perderam tempo.
Não estou dizendo isto para criticar quem gosta de se divertir em bares ou vendo TV. O que estou questionando é a importância que se dá a essas diversões, enquanto dão importância nenhuma às coisas de Deus.
Fui assistir a Missa das 18,30 horas no Lar do Idoso. E vendo o que vi, não pude deixar de fazer comparações, o que resultou neste artigo.
Estavam presentes mais de 50 internos, alguns em suas cadeiras de rodas. Dos que podiam sentar nos bancos, alguns ficavam ao lado de suas acompanhantes. Era de emocionar o carinho entre eles, de mãos dadas ou deitadas nos ombros ou no colo de quem os acompanhava.
Quase todos os presentes na celebração participavam cantando e rezando. Disse quase todos porque alguns não têm muita noção das coisas do mundo e ficam felizes de ver que alguém lhes dá atenção.
Na hora da Comunhão todos participaram e mesmo aqueles que não tinham condições de mastigar a Hóstia Consagrada a receberam. Logo após comungarem, recebiam de outra pessoa um pequeno copo com água para facilitar a sua ingestão.
Foi nesta hora que pensei neste artigo. Certamente uma comunhão de qualquer deles deve ter um valor imenso para Deus.
Enquanto os perfeitos não se dignam a ir receber Jesus Sacramentado, outros se sentem agraciados por tamanho favor de Deus.
Podemos fazer uma comparação.

Qual comportamento teríamos se um grande benfeitor dissesse que estaria em determinado local a espera de uma visita nossa? Iríamos para um barzinho, ficaríamos vendo TV ou
correríamos para encontrá-lo?
Parece que não ligamos muito para a nossa salvação.
Pena que quem precisa ver as cenas que eu vi não costuma ir à igreja, nem visitar asilos. Eles sabem, mas fingem não saber, que o mais importante é Jesus Cristo.
Também, quem age assim não poderá estranhar se Jesus o tratar igual, na hora em que quem deveria fazer a visita é o nosso Salvador.
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A CREDIBILIDADE DA SSVP 31- de Maio de 2008

Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Todas as vezes que vou assistir a uma Santa Missa fico observando as pessoas que poderiam ser vicentinas, na esperança de convidar alguém para ser confrade ou consócia.
No entanto, às vezes, a gente é que é observado pelas pessoas que lá estão.
Isto tem a ver com o fato de sermos vicentinos, pois dificilmente somos abordados pelo fato de sermos católicos e estarmos ali assistindo e participando da celebração. Já por ser vicentino aconteceram comigo algumas vezes.
E, interessante, sempre nos abordam por sermos participantes de uma sociedade voltada para fazer a caridade, e nunca por nossa própria pessoa.
Isto me fez refletir sobre a credibilidade que a Sociedade de São Vicente de Paulo inspira nas pessoas.
A confiança que demonstram é com a SSVP e nunca com a pessoa do confrade ou consócia. Tanto é assim que quando se dirigem a nós, perguntam: Você é vicentino?
Está ai toda a razão da credibilidade. Não sou eu que estou sendo procurado, mas o vicentino.
Ao contrário do que se possa pensar, quando alguém procura um confrade ou uma consócia para dar um donativo, não é apenas nele ou nela que o doador confia, pois às vezes nem nos conhece, mas é na SSVP que cada um de nós representa.
Essa credibilidade na SSVP vem desde os seus primórdios e foi conquistada com o trabalho honesto dos vicentinos através dos 175 anos de nossa existência.
Exemplos dessa confiança em nosso trabalho ocorrem com bastante freqüência. Quantas e quantas vezes somos procurados pelos poderes públicos para fazer a sindicância de uma determinada família que está pedindo ajuda? Eles sabem que procuramos fazer um trabalho
bem feito.
Muito tempo atrás o governo de um determinado estado da Federação precisava fazer uma distribuição de mantimentos para uma zona flagelada pela seca.
Discutiu-se qual a maneira mais rápida e confiável para que os donativos fossem entregues e não sofressem nenhum desvio.
Depois de muito discutir ainda não tinham chegado a nenhuma conclusão, quando alguém se levantou e falou sobre a SSVP.
Foi como se tivessem achado a chave correta para abrir uma porta.
Imediatamente a sugestão foi aceita e a distribuição efetivada.
Faço estes relatos para dizer que comigo já aconteceram várias destas procuras.
Quantas e quantas vezes conhecidos meus me procuraram para doar colchões, roupas, alimentos, eletrodomésticos, móveis... Eles têm a certeza de que tudo será encaminhado para quem precisa.
Dias atrás, ao sair de uma Celebração Litúrgica, escutei um "psiu" característico de que a pessoa que me chamava não me conhecia pelo nome, mas sabia quem eu era.
Voltei até onde ela estava, perto do seu carro. Ela me disse: "Sei que você é vicentino. Quero doar uma cesta básica para uma família que tenha muitas crianças e que seja realmente precisada. E eu quero ir com vocês para entregar. Vocês têm alguma família assim?"
Respondi para ela que temos inúmeras. Ela me deu o número do telefone para que eu lhe informasse o endereço onde faríamos a visita. E ela me surpreendeu mais ainda, dizendo:
"Quero fazer parte dos vicentinos".
Imaginem a minha alegria ao escutar isto. Imaginem também a responsabilidade que tais palavras me trouxeram.
Mas o vicentino não pode fugir de sua responsabilidade e nem decepcionar quem confia nele.
Foi assim que a credibilidade na SSVP foi construída. É assim que ela deve continuar a existir.

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SE EU TIVESSE MENTIDO... – 24 de Maio de 2008
O vicentino tem como tarefa principal fazer a visita semanal á família assistida.
De vez em quando, por circunstâncias, um de nós pode ter tido a ocasião de não fazê-la.
Na reunião seguinte ele fica com um problema: como dar notícia da família que ele ficou encarregado de visitar?
Ele pode optar em dizer a verdade, e isto é o correto, mesmo correndo o risco de ser taxado de omisso, ou mentir dizendo ligeiramente qualquer coisa sobre a família, talvez até repetindo o que já dissera sobre uma visita anteriormente feita de fato.
O que pode motivá-lo a não assumir a verdade pode ser para não dar exemplo negativo de não ter feito a tarefa a que estava escalado, ou pela vergonha de não ter sido um bom vicentino de fato.

Desde que me entendo por vicentino vejo contar uma história sobre uma situação semelhante, narrada talvez para motivar que ninguém faça o mesmo.
Conta-se que na hora de dar a notícia da família assistida um confrade, que não fizera a visita, resolveu fazer um relato qualquer e disse: "fiz a visita ontem e está tudo bem com o assistido".
Ele notou que houve um espanto geral nos presentes e então o presidente informou-o que o assistido tinha morrido no princípio da semana.

Eu penso comigo que esta é uma história que, se aconteceu, deve ter sido a única em todo o mundo, primeiro porque não fica bem ao vicentino mentir, segundo porque quando um assistido morre todos os confrades e consocias são avisados.
Alguém só não ficaria sabendo do falecimento se estivesse viajando.

Estou escrevendo sobre o assunto porque aconteceu comigo, felizmente não envolvendo a morte de nenhum dos nossos assistidos.
Por motivo de viagem não pude fazer a visita que me fora destinada fazer.
Na manhã do domingo, no dia imediato ao da minha chegada, fui para a reunião pensando o que diria na hora das notícias.
Pensei: Se eu disser que não fiz a visita, estarei não dando um bom exemplo.
Se disser que fiz, estarei mentindo duas vezes, pois não fiz a visita e estarei dando uma notícia inventada.
Até na hora em que fui chamado a dar conta da minha incumbência, ainda persistia a dúvida no meu espírito.
Na última hora resolvi assumir o que todos nós deveríamos fazer e disse que não fizera a visita e, portanto, não sabia do estado do mesmo.
Foi um alívio quando escutei a presidente, tomando a palavra, dizer que ela providenciara, dias antes, a viagem do assistido para Uberaba, onde ele iria fazer um tratamento em suas pernas, vítimas de uma quase esclerose, motivada pelo diabetes. E que ele ainda estava lá naquela cidade.
Agradecido a Deus por não ter mentido, não resisti e contei aos meus confrades e consocias o eu se passara comigo.
E fui claro para todos: SE EU TIVESSE MENTIDO...
E eles entenderam qual o significado de eu ter optado em dizer a verdade.

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OS VICENTINOS NA IGREJA – 20 de Maio de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

É um fato que o bom vicentino é um bom cristão, o que não quer dizer que um bom cristão seja um bom vicentino. Parece uma incoerência, mas não é. Eu explico.
Uma pessoa que seja um bom vicentino segue as regras da Sociedade São Vicente de Paulo e conseqüentemente precisa ser um católico praticante. Já o católico, necessariamente poderia não ser um bom vicentino, por não ter a vocação que nos liga aos princípios de
Ozanam, mesmo sendo um praticante da nossa religião.
Aí vem uma coisa que acho meio estranha. Normalmente o vicentino, quando solicitado pela Igreja através dos padres, está sempre pronto a colaborar nos ministérios próprios dos leigos, mas a recíproca nem sempre é verdadeira.
A maioria dos leigos não engajados, não participantes de nenhum trabalho pastoral não atende ao apelo para que sejam confrades ou consocias. Aliás, neste aspecto nem todos os padres dão a assistência de que a SSVP precisa, mesmo sendo o nosso trabalho semelhante ao de uma Pastoral, mas nunca concorrente a ela.
Aliás, o trabalho vicentino deveria ser chamado pela Igreja como PASTORAL DA CARIDADE.
Quem tem vocação vicentina não faz a sua tarefa por obrigação e sim por caridade. Precisamos fazer todo esforço por amor ao irmão, para que ele seja amenizado em seu sofrimento.
Mas existe muita gente que não participa da SSVP e nem da Igreja. É o caso de se perguntar: só se salva quem estiver na Igreja? Não, claro que não. Muitos estão dentro da Igreja e não se salvarão, por não praticar o que Jesus Cristo pede, através desta mesma Igreja. Muitos não estão dentro da nossa Igreja, mas praticam os mandamentos de Deus e os ensinamentos de Jesus. Não é o fato de se estar na Igreja que garantirá a nossa salvação e sim a caridade que praticarmos dentro ou fora dela.
Por isso precisamos ser presença de Deus perante a comunidade e só seremos presença de Deus se procurarmos seguir os exemplos do seu Filho Jesus.
O nosso objetivo é que sejamos semelhantes a Deus. Por isso precisamos ser santos. A Fé, a Esperança e a Caridade vão nos ajudar a atingir esse objetivo. Elas são infundidas pelo Espírito Santo, mas desenvolvidas por nós. A cada um de nós Deus possibilita aumentar
estas virtudes.
O vicentino que ajuda na Igreja está no caminho certo. Pena que nem todas as pessoas sejam vicentinas. Teriam meio caminho andado.
Deus prometeu que quem quisesse poderia ser Sua imagem e semelhança. E Deus cumpre o que promete.
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O PRIMEIRO COMPROMISSO DO VICENTINO É COM A REUNIÃO- 10 de Maio de 2008

Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Parece estranho o título acima, tendo em vista que o primeiro compromisso do cristão é com a sua religião e conseqüentemente com a participação na Santa Missa.
Mas não há conflito no que escrevi.
Se em uma localidade existe apenas uma celebração de Missa, a Conferência não pode se reunir no mesmo horário.
Por outro lado, se existe mais de um horário de celebração, não se justifica (salvo motivo de força maior) que o confrade ou a consócia não participe da reunião por ter "ido à Missa".
Dei o exemplo da Missa para me ater ao principal, já que muitos faltam às reuniões para participarem de outros eventos particulares, que não podem ser mais importantes para o vicentino do que a sua reunião.
Por isso, o primeiro compromisso do vicentino é com a sua reunião.
E por que ele é mais importante?
Porque é lá que vamos dar notícias dos nossos assistidos e trazer novas escalas para outras visitas.
Não sei quem disse ou escreveu o trecho a seguir: "Se eu estiver indo assistir a uma Missa e for convidado para visitar um irmão necessitado, vou primeiro fazer a visita".
"Pode parecer exagero de quem escreveu, mas é bom lembrar que Jesus mesmo disse em mais de uma ocasião: "estive com fome e me alimentaste, estive preso e foste me visitar" e" o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, a mim o fazeis".
Ora, Jesus foi claro no dizer que onde está um sofredor, ali está Ele próprio.
Pense bem: você nunca faltou à reunião da sua Conferência por um motivo fútil, ou mesmo por motivo nenhum, apenas porque não estava com vontade de ir lá?


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O DEVER DA POBREZA -01 de Maio de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Algumas Conferências têm seus saldos de caixa sempre baixos, às vezes até negativos.
Isto pode ocorrer por duas razões: 1º - elas não trabalham o suficiente para manter seu caixa com um pequeno saldo, após suprir os assistidos de tudo o que necessitam; 2º - elas distribuem tudo o que arrecadam e, às vezes, até mais.
Outras Conferências, porém, têm seu saldo sempre alto.
Também isto pode acontecer por duas razões: 1º - elas trabalham muito e não suprem seus assistidos de tudo que precisam; 2º - elas distribuem quase nada do que arrecadam.
Entre as hipóteses acima, só aquela que distribui o que arrecada e às vezes até mais é a correta.
A Conferência não existe para ter saldo alto. Ela existe para assistir os necessitados.
Seus membros podem alegar: "Damos tudo que nossos assistidos precisam". .
Mas quem disse que o saldo de uma Conferência deve ser gasto apenas com os seus assistidos?
Qualquer valor arrecadado pela Sociedade de São Vicente de Paulo, através de uma Conferência, pertence aos necessitados, sejam eles seus assistidos, assistidos por outras Conferências ou não-assistidos.
O vicentino que disser que não tem onde gastar o dinheiro arrecadado, nunca visitou a periferia da cidade. Para ele, favela não existe; ninguém está passando fome; ninguém está sem escola; ninguém está doente. Sua visão é limitada. Aliás, ele nem sabe o que está acontecendo por aí.
E isto não foi o que São Vicente ou Ozanam ensinaram.

Pensamento: Nada é da SSVP. Tudo é do necessitado

Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

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SINDICÂNCIA E ADOÇÃO DE FAMÍLIAS – 24 de Abril de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

A sindicância é um dos atos mais importantes de uma Conferência Vicentina, pois dela depende a adoção ou não de uma família.
O confrade ou consócia que solicitar uma sindicância deverá facilitar ao máximo o trabalho, já levando anotados os dados da família que pretende adotar; e a comissão nomeada para fazê-la deverá anotar os pormenores restantes, tais como o nome, a idade, o estado de saúde e a escolaridade de cada membro da família, quem trabalha, etc.
É nosso dever, ao fazer uma sindicância, levar algum mantimento, pois quem a solicitou já deve ter tido o cuidado de verificar as necessidades daquela família. Essa prática tem a finalidade de neutralizar as possíveis resistências daquelas pessoas que costumam agir com prevenção contra tudo e contra todos. Porém, nossa atitude nem sempre é bem entendida, pois muitos julgam que podemos estar socorrendo quem não está precisando. Mas nós não devemos pensar desta forma.
Devemos abordar a família envoltos pelo espírito da caridade; apurar todas as informações necessárias; conversar com muita calma, sem pressa de ir embora; escutar a história de cada um e anotar tudo para depois narrá-las à Conferência. É prudente confirmar com os vizinhos o que foi ouvido.
Durante uma sindicância o vicentino precisa ser, mais do que nunca, paternal, mas não paternalista. Não devemos nos deixar levar por sentimentalismos, mas também não podemos ser insensíveis a ponto de não perceber as agruras por que passam os que estão em dificuldades.
Um dos grandes pecados que podemos cometer é concluir que uma família não precisa de ajuda só porque um de seus membros está empregado.
Costumamos achar que quem tem um emprego pode se sustentar e à sua família. Ledo engano. Um salário mínimo não é suficiente para alimentar e vestir uma família por menor que ela seja. E o que dizer do aluguel, dos remédios, do material escolar?...
O visitador deve colocar-se no lugar da família para sentir se está sendo realmente justo.
O vicentino não deve se deixar levar pelas aparências. Deve ser honesto na sua apreciação, para ter a consciência tranqüila. Enfim, deve agir como um cristão caridoso.

Pensamento: Medimos a qualidade de um vicentino pela sua responsabilidade e pela sua caridade.

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PRESTIGIAR AS PUBLICAÇÕES VICENTINAS -09 de Abril de 2008

Texto: Cfd. Aluizio da Mata

A espiritualidade do vicentino, de um modo geral, deixa a desejar. Ela poderia ser melhor, se os confrades e consocias fossem acostumados a fazer leituras de formação, mas não é o que acontece e a maioria deles se contenta em escutar a que se faz na reunião da sua Conferência.
Esta falta de costume advém de que nem sempre as leituras são atrativas, pois os presidentes não as escolhem com antecedência e nem preparam uma pequena explicação sobre elas. Alie-se a tudo isto que existiam poucas publicações vicentinas.
De uns tempos para cá o número de opções de boas leituras aumentou com a publicação de diversas revistas, jornais e boletins impressos ou via internet.
Mas os esforços dos vicentinos que se propõem a editá-los, nem sempre são correspondidos com o apoio de todos.
Para constatar esta realidade, vemos que as assinaturas de todos eles são muito poucas.
Sempre vemos os apelos dos editores vicentinos para que haja aumento do número de assinantes, mas nem todos os presidentes de Conferencias e Conselhos, em seus diversos escalões, colaboram, chegando mesmo, em alguns casos, a desestimular seus confrades e consocias a fazê-lo.
Para fazer uma breve análise, se todas as Conferências do Brasil assinassem o Boletim Brasileiro da SSVP, o incremento de assinaturas seria fantástico. Se todos os vicentinos de Minas Gerais, para falar apenas de um estado, assinassem a Revista Vicentina Adoremos, a consócia Marileide, que a edita, sorriria feliz da vida.
Estes são apenas dois exemplos de publicações de circulação nacional.
E o que dizer do jornal e revista de circulação regional?
Alguns jornais e revistas chegam a não ter uma circulação contínua e até mesmo deixam de circular devido à falta de apoio dos seguidores de Ozanam.
Por outro lado, os editores devem fazer um esforço incomum para que as publicações não sofram interrupções ou até mesmo deixem de circular.
Um jornal, uma revista, um boletim que não chega às mãos dos vicentinos é uma fonte de espiritualidade que se fecha.
Graças a Deus temos uma boa safra de vicentinos escritores e seria temerário nomeá-los, pois correríamos o risco de esquecer algum, ou mesmo por não conhecê-lo, já que onde ele publica seus artigos eu não tenho acesso.
O Conselho Nacional poderia fazer um concurso aberto a que quisesse escrever e premiaria (com diplomas, para não ficar caro) os melhores e até poderia publicar as participações em um livro.
Os livros do Cfd. Gesiel Júnior e do Cfd. Renato Lima são exemplos do que tais artigos podem fazer para melhorar nossa espiritualidade. Com certeza temos outros confrades e consocias a espera de uma oportunidade para divulgarem seus escritos.
A SSVP merece um esforço de todos e de cada um de nós, para que possamos atingir uma espiritualidade digna da entidade que é.
Agora me diga você que lê este artigo assina algum jornal, alguma revista ou mesmo algum boletim?

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A MISSÃO DA VIDA, A MISSÃO DO VICENTINO – 30 de Março de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Acordei um dia destes, e pus-me a agradecer a Deus estar ainda vivo.
E pensei:- "Se ainda estou vivo é porque tenho uma missão confiada por Deus para ser cumprida". Aí, pensei: - "Que missão é essa? Será missão demorada? Será missão de um só dia"?
O tempo que Deus concede a cada um de nós varia do jeito que Ele quer, mas mesmo que esse tempo seja longo, mesmo que esse tempo seja curto, a missão precisa ser cumprida.
Um dos mandamentos mais preciosos é aquele em que Jesus nos ensina que "o que fizermos ao menor dos meus irmãos é a mim que o fazeis".
E quem é o menor dos meus irmãos? Certamente pode ser qualquer pessoa que esteja precisando de uma palavra amiga, de uma atenção na hora da aflição, de um remédio na hora da doença, de alimento na hora da fome, de um teto se estiver ao relento.
O Beato Antônio Frederico Ozanam, em 1833, fundou a Sociedade de São Vicente de Paulo pensando exatamente em colocar o Evangelho em prática. Ele viu que orar era e é necessário, viu que participar da celebração litúrgica era e é essencial, mas viu também que socorrer os necessitados era o que mais Deus queria e quer.
Que adianta eu participar da missa e ficar apenas nisso, se o Cristo está precisando de nós em cada irmão que sofre, seja qual for o tipo de sofrimento?
Não temos alegria em socorrer quem precisa, mas nosso coração se alegra de poder fazê-lo, pois Jesus mesmo já tinha dito que "pobre sempre os tereis".
Só que Ele contava e conta com os misericordiosos.
Você pode até fazer a caridade individualmente, mas praticá-la em conjunto é muito mais gratificante. E devemos nos lembrar, também, que Jesus disse: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles".
Os vicentinos tentam viver este desejo de Deus.

Este artigo é um convite para você que ainda não é consócia ou confrade vicentino, para que venha conhecer o nosso trabalho.
Caso você se interesse por este convite, poderá entrar em contato com qualquer vicentino, que em sua paróquia, com certeza, tem.

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QUAL TERIA SIDO A DOR MAIOR?- 07 de Março de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Fico imaginando os sofrimentos pelos quais passaram Jesus e Maria.
Qual teria sido a dor maior?
Não falo dos sofrimentos físicos de Jesus, durante a Paixão, que foram extraordinariamente grandes.
Não falo dos sofrimentos físicos de Maria na viajem para visitar Isabel, e na fuga para o Egito ou para acompanhar Jesus em suas pregações, que também foram grandes.
Refiro-me aos sofrimentos na alma de cada um.
Pensem como deve ter sofrido Maria, desde a Anunciação até a crucifixão de Jesus...
Maria sofreu ao ser repudiada por José, a quem muito amava, e nada pôde fazer...
Ela sofreu ao perder o Menino Jesus e continuou a sofrer ao escutar dele que Ele estava cuidando das coisas do Pai.
Ela sofreu ao vê-lo sair de casa para cumprir sua missão, já sabendo que Ele iria morrer.
Como Ela sofreu vendo como Jesus era perseguido e caluniado.
Inenarrável foi a dor de Maria ao vê-lo traído, chicoteado, cuspido, coroado de espinhos, e por vê-LO caminhar pela via dolorosa, e por fim ao vê-LO crucificado.
O Evangelho não registra um gesto sequer de defesa de Maria e isto foi uma das suas maiores dores. É que Ela sabia que seu Filho teria de passar por tudo aquilo. Ela sofreu por antecipação todas as dores de Jesus, pois teve que aceitar para cumprir a vontade do Pai.
Que dor maior poderia haver a não ser a sua vendo seu Filho inocente morrer como um criminoso? E por último, ainda sepultá-lo... Que mãe não sofre em ter que enterrar um filho...
Que consolo poderia ter tido sua alma de Mãe, ante tanto sofrimento do seu Jesus?
Para que se faça uma pequena comparação, pense como sofre qualquer mulher que vê seu filho em perigo de morte, sem nada poder fazer...
Pensem agora sobre Jesus.
Como deve ter sofrido na alma vendo sua Mãe sofrer tanto...
Que filho não se angustia presenciando o sofrer daquela de quem nasceu?
Para Jesus foi ainda mais cruel, pois Ele nem consolá-la podia. Se era seu destino sofrer a Paixão, mais duro foi esta Paixão vendo o sofrimento de Maria.
Já imaginaram o quanto Ele sofreu quando a caminho do Calvário seus olhares se cruzaram e Ela viu todo seu sofrimento?
Já pensaram como deve ter doido a Jesus olhar do alto da Cruz e ver os olhos de Maria vermelhos de tanto chorar?
Qual dos dois deve ter sofrido mais?
Chego à seguinte conclusão:
Nenhum sofreu mais do que o outro, porque suas dores eram uma só. Maria sofreu tudo o que Jesus sofreu, pois Ele era um pedaço dela.
Jesus sofreu tudo o que Maria sofreu, pois Ela era um pedaço dele.
Que Jesus não tenha sido gerado pela carne de Maria eu sei, mas foi o seu sangue que o fez crescer, foi o seu leite que o amamentou.
Então o que um sofreu, o outro também sofreu.
Benditas dores, pois apesar de serem tão grandes foram o consolo para cada um.
Maria soube preparar Jesus para o sofrimento, mas não preparou a si própria.
Jesus soube preparar também Maria para sofrer com Ele, mas não preparou a si próprio.
Que mistério são as dores de Jesus e Maria.

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MUITO MAIS O QUE FAZER- 13 de Fevereiro de 2008
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

A Sociedade de São Vicente de Paulo pode e tem muito mais o que fazer além da sublime missão de distribuir semanalmente o vale a uma família carente. Já não vou falar da evangelização que deveríamos fazer mais intensamente do que pensamos fazer junto à família assistida. Vou falar sobre outro aspecto.
Fico triste de verificar, e não é só em minha cidade que isto acontece, que as conferências se preocupam em ter um bom saldo no caixa. Claro que a previdência é uma prudência necessária, mas a confiança na Providência Divina deveria ser maior.
O número de famílias assistidas é pequeno na maioria das conferências. Existem duas "desculpas" para esse número pequeno de famílias assistidas:
"aqui na nossa região não tem mais família necessitada" e "o nosso
caixa não permite que socorramos mais famílias".
Parece até que não há pobreza em nossas cidades.
Em menos de um mês presenciei dois casos que me provaram o contrário e me fizeram escrever este artigo.
Em Sete Lagoas, a necessidade de se arrecadar dinheiro para fazer um exame caro (levando-se em consideração as despesas de transporte, estadia de acompanhante, etc.), para uma criança que estava com suspeita de ter um tumor no cérebro. As pessoas envolvidas, entre elas alguns vicentinos, estavam ansiosas e preocupadas, pois não conseguiam arranjar tal valor.
Em São Gotardo, cidade do Alto Paranaíba Mineiro, uma senhora procurou ajuda para o pagamento de um exame semelhante ao indicado para o caso de Sete Lagoas.
Em todos os dois casos participei por acaso. Em Sete Lagoas, à pedido de uma consócia; em São Gotardo, por estar visitando a Conferência na qual a mãe fora procurar ajuda. Em ambos os casos pude prestar uma pequena ajuda.
O que fico imaginando é o porquê sempre que aparecem casos assim as Conferências querem ajudar, mas ficam reticentes com medo de zerar o saldo do caixa e não poder suprir suas próprias necessidades. Acontece que nos esquecemos facilmente da Providência Divina. Penso que as Conferências, ao surgirem casos semelhantes ao que relatei, deveriam imediatamente se prontificar a pagar os exames necessários. Não só porque é um dever do vicentino socorrer a quem precisa, mas muito mais para demonstrar a confiança que temos em Deus. Ele nunca vai nos desamparar. Ter saldo em caixa não é importante. Importante é ver uma
criança (o qualquer outra pessoa necessitada) poder ser curada com a ajuda dos nossos colaboradores.
São Vicente dizia ao tesoureiro de sua comunidade, quando este lhe informava que não havia nem um centavo para comprar comida: "Graças a Deus". É assim que deveríamos dizer quando fôssemos dar o estado do nosso caixa, zerado por ter ajudado alguém.
E podem prestar atenção que o vicentino trabalha com muito mais entusiasmo quando o saldo da sua Conferência está zerado ou até negativo. Sinal que tudo foi empregado na necessidade dos nossos irmãos mais carentes.
Que este artigo sirva de alerta para aquelas Conferências, que procuradas para ajudar alguém, ficam olhando o saldo que têm, e só ajudam fazendo uma promoção especial. Às vezes quem precisa não pode esperar o resultado da promoção.
LSNS]C

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A MELHOR VISITA QUE JÁ FIZ -29 de Janeiro de 2008
Texto: Confrade Aluízio da Mata

Em meus mais de 40 anos de vida vicentina, inúmeras foram as visitas que fiz às famílias assistidas.
Visitei-as em suas casas, em seus casebres, em hospitais e até em prisões. Visitei creches, asilos e vilas vicentinas.
No entanto, a melhor visita que fiz aconteceu dias atrás.
Minha filha, que é catequista, levou seus catequizandos para visitar o Lar do Idoso, em São Gotardo, MG.
Eu já havia estado lá algumas vezes, mas esta visita vai ficar marcada em minha memória.
Eram onze os visitantes, incluindo eu e minha filha, sendo que havia crianças e pré-adolescentes, a maioria com 12 anos. Uma das crianças tinha seis anos.
Por motivos escolares, só poderíamos fazer a visita no sábado pela manhã, horário em que a administração do Lar pede para que não se façam visitas, pois é o horário de higiene dos internos. Conseguimos a autorização em vista do nosso argumento.
Pensei que os visitantes fossem estranhar o odor que naquela hora ainda costuma existir, mas não foi o que aconteceu. Eles nem parecem ter notado o cheiro.
Começaram a circular, cumprimentando todos os internos e ajudando as enfermeiras a dar suco a eles.
Duas coisas me chamaram a atenção: muitos internos com melhores condições ajudavam a cuidar daqueles que não podiam se locomover ou segurar os copos.
Os visitantes também o fizeram com alegria.
E conversavam com todos e os levavam para tomar sol, mesmo empurrando suas cadeiras de rodas.
As crianças tiveram a idéia de levar mensagens para os internos e liam para os que não sabiam ou não podiam ler.
Mas quero registrar a atuação do meu neto de seis anos.
Ele ia até o interno e perguntava se ele sabia ler. Se a resposta era negativa ou se não havia resposta alguma pela condição de saúde ele, que está aprendendo a ler, ficava soletrando a mensagem e entregava a cada um o seu papel.
Há lá uma interna, que mesmo sem poder nada falar, vive sorrindo e ela e meu neto só ficavam de mãos dadas, passeando pelo refeitório ou pelo jardim, onde o pessoal costuma tomar sol.
Ele, de vez em quando, fazia seus companheiros de visita ter a mesma atitude de passear com ela ou com outros de mãos dadas.
Essa interna tem uma hérnia bem pronunciada na altura da barriga e isto despertou a curiosidade dele saber o porquê. E ela, por isto, não pode se sentar em lugar mais baixo.
Meu neto, sem perceber isto, tinha levado-a a área próxima da capela, onde muitos estavam sentados, curtindo o sol. Ele, muito solícito, ajudou-a a sentar em um pequeno parapeito. Ela sentou com custo e por circunstância da hérnia, acabou deitando-se de costas, levantando as pernas para o ar.
Prontamente outras pessoas a ajudaram a se levantar. Não houve conseqüência nenhuma, a não ser a descontração do momento.
Um dos internos, que estava sentado perto de mim em um banco próximo, disse-me: "Ele não pode fazer isto com a minha namorada".
Uma das enfermeiras nos disse que ele fala que ela é namorada dele, anda com ela de mãos dadas e que ele tem ciúmes e zelo pelo bem estar dela.
Alguns internos, mais falantes, conversaram bastante com os meninos e meninas.
Nossa visita demorou mais de uma hora e meia: todos saíram de lá alegres por ter podido ajudar alguém.
Por último, registro o que meu neto me perguntou, fazendo uma observação em seguida.
Vendo todas aquelas pessoas idosas ali, sem nenhum parente visitando, ele me perguntou:
-- Vô! Por que as famílias deixam seus velhinhos aqui?
Expliquei que algumas famílias preferem deixá-los lá do quê deles cuidar.
Aí ele me falou:
-- Ainda bem que a sua família não mandou você para cá, né, Vô?

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POR QUE TANTA PRESSA, SENHOR? -21 de Janeiro de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Uma pessoa morreu e chegando perto do Julgador, estranhou que quem a julgava, ao ler o Livro das Anotações das Ações Humanas, demorava-se bastante em algumas páginas e em outras as passava rapidamente.
Furtivamente procurou se aproximar para ver quais eram as anotações que havia naquelas páginas. Chegou a pensar que aquele Ser impassível tivesse facilitado um pouco inclinando o livro a um ângulo que lhe permitisse a leitura. Percebeu que o Julgador levava mais tempo lendo as páginas em que estavam anotadas as coisas erradas que ele fizera e
às anotações das boas ações Ele parecia não dar importância. Encheu-se de coragem e perguntou:
- Senhor, por que tanta pressa quando lês as páginas das minhas boas
ações?
E o Senhor respondeu:
- Vou fazer-te lembrar de todo o teu passado, em um único instante.
Foi então que viu que toda hora que visitava um assistido, ele o fazia com pressa. Quase não demorava na casa do pobre, não lhe dando atenção. Sempre tinha outra coisa a fazer logo à frente e não podia "perder" tempo. Ficava impaciente durante as missas que assistia, se elas demoravam um pouco mais. Nas reuniões de sua Conferência, não dava palpites e não participava da Palavra Livre com medo de que a reunião se estendesse alguns minutos. Não participava das assembléias vicentinas porque já fizera outros compromissos. E assim por diante.
Noutros momentos da sua vida demorava-se em programas comuns, que nada traziam de bom, nem para ele, nem para ninguém. Foi assim durante os programas de televisão, em que perdia horas e horas vendo novelas e filmes, ou programas de auditório. Ou mesmo nas pescarias ou simplesmente não fazendo nada.
Teve vergonha de questionar o Senhor. Abaixou a cabeça e reconheceu que poderia ter aproveitado melhor o tempo que aquele mesmo Senhor lhe dera, tendo pressa nas coisas fúteis e demorando-se um pouco mais naquelas coisas de proveito.
O resultado dessa entrevista eu não sei, mas ela serve para nos fazer pensar:
Como estamos gastando o nosso tempo? Será que iremos fazer a mesma pergunta ao nosso Julgador:
Por que tanta pressa, Senhor?

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O POBRE ESTÁ QUASE PERDIDO – 07 de Janeiro de 2008
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Temos que ter muita paciência com o assistido, pois ele sofre demais.
Só a condição de ser necessitado já o deixa constrangido. Ninguém gosta de depender da caridade alheia. E quando se é filho de assistido, então, nem se fala.
Precisamos nos colocar no lugar do assistido para sentir o que ele sente, para sofrer o que ele sofre...
Além do mais, o pobre recebe pressão de todo tipo e de todo lado.
Quase todos estão contra ele. É o vizinho que quer se ver livre da sua presença, para ele incômoda; é a cobrança do próprio vicentino, que muitas vezes não o vê como seu próximo; é o desânimo, o desemprego, a falta de estudo, a falta de esperança em uma vida melhor; é o aproveitador da sua boa fé que lhe tira o que praticamente ele não tem.
Para exemplificar o caso de que ele é facilmente explorado, conto que demos para uma assistida uma cama e um colchão. A filha dela, iludida pela bela conversa de um vendedor ambulante, comprou um jogo de cama em quatro prestações. Só que apenas com a primeira prestação ela quase teria pagado o conjunto. Mesmo com os nossos protestos, o aproveitador
não abriu mão do que restava para ser pago. E por quatro meses lá se ia quase todo o seu salário de doméstica.
Há também o caso de um "pastor" de uma dessas "religiões" que existem por aí, que teve a coragem de exigir 10% do que o pobre não ganhava por não ter emprego, mas do que ele recebia em donativos de pessoas caridosas.
O pobre está mesmo perdido!
Então, se ele não tiver em nós um amigo, não tiver o nosso carinho, não há nenhuma esperança para ele.
E depois achamos ruim que a pessoa tenha o vício de beber, que não vá à igreja da nossa confissão...
Na verdade, falta amor para com ele. Falta-lhe o nosso amor, o amor do vizinho, o amor dos aproveitadores, enfim, amor de todos com quem ele conviva.
O que fazer?
Vale à pena refletir. E mudar.
Ainda bem que ele tem o amor de Deus. Se não fosse assim, o título do artigo não teria a palavra "quase".
LSNSJC


Pensamento: Um dia o fraco vencerá, porque Deus está do seu lado. Deus
apenas resiste em intervir diante de tanta injustiça, pois acha que
ainda teremos bom senso.


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COMO SE FOSSE UMA CAPELA- 26 de Dezembro de 2007

Uma destas manhãs, eu voltava para casa depois de uma caminhada e passei em frente de um salão onde se reúnem diversas Conferências.
Lá dentro existem inúmeras imagens dos santos padroeiros de cada uma, além das imagens de São Vicente e de Ozanam.
Eu ainda estava a uns 20 passos da porta de entrada, quando vi um vicentino vindo em sentido contrário. Ele passou primeiro que eu na frente de porta que estava aberta, olhou lá para dentro e fez o Sinal da Cruz.
Estranhei o gesto, pois foi a primeira vez que vi alguém fazê-lo ao passar em frente de um salão de reuniões, mas logo me veio um pensamento:
"Ele considera a salão de reuniões tão sagrado, como se fosse uma capela".
E é verdade. Todas as vezes que passamos em frente de uma capela, mesmo que ela não esteja aberta, mesmo que agente saiba que dentro dela o Santíssimo Sacramento não está, fazemos o Sinal da Cruz, para mostrar o nosso respeito pelo lugar onde se celebram as liturgias católicas.
Também nos locais de reuniões vicentinas deve ser assim.
É ali que nos reunimos para tratarmos dos problemas e das necessidades das pessoas carentes, das pessoas sofredoras. É ali que decidimos o que fazer e qual a ação mais urgente para ajudar as famílias necessitadas. É ali que tentamos praticar o que Jesus mandou: "Amar o menor dos irmãos".
Quando ali nos reunimos, só podemos pensar em praticar o bem. Não é um lugar para se praticar a injustiça contra outro vicentino, não é o lugar para alimentar discórdias. É ali que Jesus está presente, no pedido de sindicância, no resultado dela, na distribuição dos vales, no relato das visitas feitas. É ali que fazemos a Deus o primeiro relato de nossas ações.
O vicentino talvez seja aquele a quem mais Jesus se referiu quando disse, respondendo ao questionamento -- quando foi que Te servimos, quando foi que Te visitamos, quando foi que Te saciamos a sede e matamos a Sua fome? --: "Todas as vezes que fizeste isto a um dos
meus irmãos mais pequeninos foi a mim que fizeste", e "amai o vosso próximo que a ti mesmo".
A partir de agora, caso você ainda não considerasse sagrado os salões vicentinos, passe a fazê-lo.
E, finalmente, é bom lembrarmos o que disse também Jesus: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles".
Portanto, em todo lugar onde Jesus está, está o lugar santificado. É o caso dos nossos salões e reunião.