Confrade Aluizio José da Mata. Nascido em Cordisburgo-MG, em 19/06/1938. Vicentino há mais de 45 anos. Participou da SSVP de Sete Lagoas (MG) e Prudente de Morais, estando atualmente militando na Conferência Nossa Senhora de Fátima, em São Gotardo-MG. Foi editor do jornal VOZ DO VICENTINO, durante 10 anos, do qual ainda é colunista. Participou como palestrante em Encontros de Noivos e em Encontros de Reflexão Cristã. Criou e modera dois Grupos: MIDIA VICENTINA (para o qual envia uma mensagem semanal voltada para as coisas da SSVP) e TEXTO PARA MEDITACAO (para o qual envia diariamente pequenos textos de vários autores). Casado, tem um casal de filhos e dois netos.
aluiziodamatassvp@gmail.com

26-12-09 O QUE JESUS PENSAVA E FAZIA?
19-12-09 CADA RELIGIÃO NA SUA
12-12-09 PRESENTE DE NATAL: “COMIDA”

04-12-09

NÃO SABEMOS EVANGELIZAR

28-11-09

PEDIR OU NÃO PEDIR A DEUS?

21-11-09

DAR OU NÃO DAR ESMOLA NA RUA?

14-11-09

CARTA AO VICENTINO AFASTADO

10-11-09

A GOTA DE ÁGUA SALGADA

31-10-09

COMO SAIR DESSA SITUAÇÃO?

23-10-09

VOCÊ FICARIA NO LUGAR DO PADRE?

16-10-09

O CATÓLICO PRECISA PARTICIPAR MAIS

09-10-09

DEUS É UM GRANDE MISTÉRIO

03-10-09

RECENSEAMENTO VICENTINO

27-09-09

REZAMOS BEM?

20-09-09

ENVELHECEMOS E NÃO PERCEBEMOS

12-09-09

EXCEÇÕES

05-09-09

SEGUINDO IMPULSOS

29-08-09

LIMPANDO A CASA DE DEUS

22-08-09

ONDE ESTÃO?

15-08-09

CONFERÂNCIA, BASE DA SSVP

08-08-09

OS POBRES: DEIXO TUDO POR ELES

01-08-09

ATENDIMENTO MÉDICO NO BRASIL

24-07-09

PSICOLOGIA DE MASSA

17-07-09

MESMO COM TANTAS EXIGÊNCIAS E DIFICULDADES...

10-07-09

COMO ESTÃO NOSSAS CARTAS DE INSTITUIÇÃO E DE AGREGAÇÃO?

04-07-09

O ENTESOURAMENTO E A AJUDA FRATERNAL

26-06-09

A CARIDADE É QUE NOS SALVARÁ

19-06-09

OPÇÕES

12-06-09

O QUE É SER SANTO?

06-06-09

DEVE-SE CALAR A VOZ PARA CERTOS ASSUNTOS?

30-05-09

BOLETIM BRAS.E ELEIÇÃO NO C.NACIONAL

24-05-09

INVEJA QUE NÃO DEVE SER PECADO

17-05-09

JÁ IMAGINARAM A FESTA QUE FOI FEITA PARA MARIA?

09-05-09

QUANDO MORRE UM ASSISTIDO...

02-05-09

COBERTOR DE SÃO VICENTE

26-04-09

A SSVP E AS PARÓQUIAS

18-04-09

PAST0RAL DA CARIDADE

11-04-09

MARIA, MÃE QUE É PROTETORA

04-04-09

CÉU, INFERNO, PURGATÓRIO

29-03-09

ENQUANTO ISSO, OS BARES ESTÃO CHEIOS...

21-03-09

OBSTÁCULOS

14-03-09

SER COMODISTA OU AJUDAR A CONFERÊNCIA QUE PRECISA?

07-03-09

POR QUE ALGUMAS PESSOAS ABANDONAM OS MOVIMENTOS?

01-03-09

ALGUNS PONTOS PARA MELHORAR

22-02-09

A TIMIDEZ DE ALGUNS PADRES  E DE MUITOS LEIGOS

15-02-09

MÚSICAS CQUE TORNAM-SE QUASE HINOS

08-02-09

A FRAGILIDADE DA VIDA

01-02-09

O VALOR DE UM PRESENTE

25-01-09

O VICENTINO E O TEMPO DE CHUVAS E DE SECAS

16-01-09

FRANCISCO E CLARA

11-01-09

CCAs- ESPERANÇA DE MELHORA

03-01-09

COMEMORAÇÕES

O QUE JESUS PENSAVA E FAZIA? 27 dezembro 2009
Cfd. Aluizio da Mata

O que será que Jesus pensava e fazia, durante o período em que viveu na Terra? O que será que se passava em seu íntimo? Quais eram os anseios dele, enquanto criança, adolescente ou jovem?
Quando será que Ele tomou consciência de fato da sua Missão?
São perguntas que me levam a raciocinar como teria sido a vida comum de Jesus. Mas, será que Jesus foi tão sério como sempre o vemos retratado em ícones imaginados pelos artistas, pelos escritores que contam o que Ele fez, inclusive os evangelistas e os autores das Cartas e dos Atos dos Apóstolos?
Nunca li nenhum relato que dissesse ter Jesus sorrido... Nunca vi nenhuma de suas imagens com pelo menos um leve sorriso... Teria sido assim?
Jesus nunca teria sorrido para Maria, para José, seus pais ou mesmo para os seus amigos? É difícil de imaginar Jesus ter sido tão sério durante toda a sua vida. Que o tenha sido no final dos seus dias, até que não seria de estranhar, pois Ele já estaria exercendo seu ministério e prevendo tudo o que iria passar. Realmente, não havia muita coisa que pudesse alegrá-lo.
A dificuldade dos apóstolos em apreender os seus ensinamentos, a hipocrisia dos doutores e chefes religiosos, a negação de Pedro, a traição de Judas, a farsa do seu julgamento, o sentimento de abandono que teve... Tudo isto era motivo para não ter nenhuma vontade de sorrir.
Mas, eu fico pensando sobre os momentos anteriores ao seu trabalho de evangelização, acontecido nos três últimos anos de sua vida.
Vamos pensar em Jesus, quando criança: teria Ele tido cólica quando bebê? Teria vomitado alguma mamadeira? Teria tido alergia pela picada de algum mosquito? Teria feito xixi na fralda? Teria gostado de tomar banho na bacia, batendo mãos e pés, molhando José e Maria? Teria machucado o dedão do pé, por ter tropeçado em uma pedra no caminho e chorado e amarrado o machucado com uma tira de pano? E tendo machucado, teria vindo nele a vontade de xingar? Teria Jesus pescado piabas no Rio Jordão ou no Mar da Galiléia com José, seu pai? Teria deixado Maria limpar seu rostinho sujo de guloseimas? Teria ido dormir sem lavar os pés? Teria Ele comemorado aniversário? Teria Ele ganho algum presente naquelas datas? Teria tido alguns amigos dos quais gostava mais? Teria ganhado de José um carrinho de boi feito em sua carpintaria? Teria ficado de “castigo” por ter feito alguma coisa que seus pais não queriam que Ele fizesse?
Será que ele nunca espantava as ovelhas só para vê-las correr em desabalada carreira? Jogar pedras em passarinhos eu acho que Ele não fez, pois não passava por sua mente fazer qualquer criatura de Deus sofrer.
Mas, será que nunca brincou de fazer pequenos animais com barro tirado da beira do rio, imitando os bois e os jumentos que faziam parte daquela paisagem?
Alguma vez, Maria e José teriam “fingido” não ver alguma pequena arte de Jesus? Duvido. Eles também devem ter escondido um leve sorriso...
Jesus foi igual a todas as crianças e todos os jovens. Apenas não era igual a eles no fato de nunca ter pecado. Mas, quem disse que ser alegre, brincalhão, aventureiro era motivo de pecado?
Acho que Jesus foi uma criança alegre, um jovem espirituoso, com inteligência que despertava a curiosidade de muita gente.
Ele, certamente, não foi uma criança infeliz. Não tinha motivos para ser sempre triste.
Assim como ele teve momentos tristes e chorou (como na morte de Lázaro, ou quando chegou a Jerusalém), eu realmente acredito que Jesus teve muitos momentos alegres e sorriu. Pode ser que tenha dado até gargalhadas.
E quando jovem? Teria tido alguma menina interessada nele? Teria Ele pensado em namorar? Será que Ele nunca percebeu, bonito que era, os olhares das mocinhas que gostariam de namorá-lo? Será que nenhuma mocinha não tenha ido à carpintaria de José comprar um banquinho, só para ver Jesus?
Será que nunca fez uma “gozação” com alguns de seus amigos que paqueravam as mocinhas da cidade de Nazaré?
O que Ele teria conversado com seus amigos? Teria Ele gostado de estudar? Teria Ele ido “jogar bola” ou praticado algum esporte com os amigos? Teria ido nadar escondido de Maria no Rio Jordão ou em algum riacho que passasse perto de sua cidade? Teria Ele feito serenata com os amigos? Teria Ele sonhado em trabalhar para ajudar seus pais na velhice? Será que Jesus nunca teve amigos, quando menino? Mesmo que Ele não tenha conhecido João Batista quando pequeno, certamente teria brincado com outros dos seus primos e primas, filhos dos parentes de Maria e José e que eram da mesma idade...
Será que Ele nunca ficou sentado em uma pedra olhando o entardecer no horizonte, pensando, pensando... em nada? Será que nem nesses momentos um leve sorriso não aflorou em seus lábios?
E quando adulto? O que teria Jesus feito ou pensado e que não se encontra narrado na Bíblia?
Interessante: achei que seria mais fácil escrever sobre o período em que Jesus já era adulto, mas, foi um engano. É difícil raciocinar. Talvez em outro artigo...
Tem tanta coisa que eu gostaria de saber...

CADA RELIGIÃO NA SUA – 19 Dezembro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

A Igreja Católica é constantemente criticada por outras religiões e seitas que não aceitam que ela tenha imagens em seus altares e que recorra à Maria Santíssima ou aos Santos pedindo sua intercessão junto a Deus.
Não quero abrir polêmica e nem estou me dirigindo especialmente a alguém ou a alguma religião ou seita, e nem espero resposta explicativa se estou certo ou errado. Escrevo apenas para mim mesmo e para os católicos que me acompanham nesta coluna.
O fato de termos imagens em nossos altares já está mais do que explicado. Elas nos lembram pessoas que nos são queridas, como nos lembram os retratos que temos de nossos parentes e amigos. Quando olho para a fotografia de minha mãe ou de meu pai ou ainda de meu irmão ou de algum amigo que já morreram, não estou adorando a fotografia, mas estou venerando a imagem de quem eu gosto muito e de quem tenho saudade. Agora mesmo, em uma prateleira que fica perto de onde escrevo, olho as fotos dos meus netos e me lembro deles. A fotografia me ajuda a manter viva a lembrança de cada um. Quando rezo diante de uma imagem, rezo diante de um objeto que me lembra as feições de quem não pudemos tirar fotografias, ou mesmo para facilitar o culto. Poderia citar trechos da Bíblia onde o povo de Deus era orientado por Ele através dos profetas para fazer imagens, mas, não interessa no momento. Quem não se lembra do nascimento de Jesus, olhando um presépio?
A intercessão de Nossa Senhora ou de algum santo é uma realidade para quem tem fé em Deus e, só não vê quem não quer. Quantas e quantas vezes, nas nossas dificuldades e nas nossas aflições recorremos a eles e Deus prontamente nos atende... Deus não é ciumento e entende que pedimos a ajuda de seus amigos, porque não somos dignos de chegar à sua presença. Maria, não, ela é digna e está junto da Trindade. E os santos também. Se eles não merecessem amizade de Deus, lá não estariam. Ela mesma disse que é a intercessora de todas as graças junto de seu Filho Jesus. A Santíssima Trindade concede os favores, mas nada impede que tenha sido por intercessão de alguém.
O certo é que a intercessão existe e é atendida em muitos casos. E Deus gosta tanto dessas intercessões que até autoriza Maria vir à terra, em aparições, onde ela ensina que devemos pedir a Jesus por meio dela.
Outra coisa que não entendo é como outras religiões e seitas procuram colocar na cabeça dos seus fiéis uma atitude ostensivamente contrária ao Papa, dizendo até que ele é a encarnação do demônio. Se o demônio fosse igual a mais de uma centena de Papas, por exemplo, ele seria muito bom, o que não condiz com sua característica, que é de ter ódio de Deus e de disseminar a discórdia entre o ser humano.
Também fico pensando: como pode a Igreja Católica estar errada em seus ritos? Será que TODOS os homens mais cultos da nossa religião, de outrora e de agora, pessoas reconhecidamente sábias tenham se enganado no que se refere à intercessão dos santos (e Maria é santa), ou na veneração de suas imagens?
Interessante notar que se juntarmos todas as outras religiões e seitas que combatem o Catolicismo, não encontraremos nelas muitas pessoas que possam ter a força moral e de conhecimentos para combater as os estudiosos da Igreja Católica.
O Papa é legítimo sucessor de Pedro. De quem são sucessores os que se arvoram em combater a Igreja Católica em seus ritos, sua doutrina e em seus ensinamentos?
Que nomes têm conhecidos mundialmente que possam ser citados como luminares de suas doutrinas? Se citarem apenas o seu fundador, não vale, pois estarão endeusando quem propriamente se endeusou.
O melhor seria que cada religião ficasse na sua, isto é, praticando os seus cultos dentro do que acha correto e não ficar procurando defeito nas outras religiões. Até parece que elas dependem de destruir a Igreja Católica para poder sobreviver. Pena que não se lembrem do trecho do Evangelho onde Jesus diz a Pedro: “Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
Um dos trechos mais bonitos da Bíblia é o episódio em que Pedro se relaciona com Cornélio, um pagão de coração puro. Vale muito refletir sobre esse trecho onde Deus mostra a Pedro que o que manda é a sinceridade de coração.
Tenho pensado muito sobre o fato de a nossa Igreja procurar o ecumenismo, no que ela faz muito bem, pois atende à ordem de Cristo que disse: “que todos sejam um só rebanho e tenham um só pastor”. Vejo o Papa fazendo um esforço tremendo em abrir as portas da Igreja Católica para os outros credos; mas, não me parece que todos levam a sério esse esforço, pois vemos algumas religiões e seitas se aproveitarem da nossa boa vontade. O ecumenismo serve para elas enquanto serve aos seus interesses. O ecumenismo tem servido até para que elas enganem os católicos menos esclarecidos, pois dizem para eles que todas as religiões são iguais. Prova disto são os convites que ouvimos: “Convidamos a todos, católicos, espíritas, evangélicos, livres pensadores, para vir receber o óleo santo consagrado em Jerusalém na sexta-feira da paixão”. Se fossem iguais, Jesus teria edificado muitas igrejas, mas Ele se referiu apenas a uma, e ainda alertou: “Muitos virão como lobos em pele de cordeiro. Não os sigais.”
Pobres católicos que lá vão. Mas, Deus deverá perdoar-lhes a ingenuidade, o que tenho dúvidas que fará a quem deliberadamente induz o fiel a agir de maneira contrária aos princípios da nossa doutrina.
Por isso, o título deste artigo.
- - -
Para ler outros artigos do autor acesse www.maikol.com.br e clique no nome Aluizio . O site tem muitas atrações.

PRESENTE DE NATAL: “COMIDA” – 12 dezembro 2009
( publicado originalmente no jornal Voz do Vicentino, de Sete Lagoas, em janeiro 2004)
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
Em uma reportagem de televisão, entrevistaram uma das cinco mil famílias mineiras cadastradas para receber uma cesta da campanha “NATAL SEM FOME”. Era uma família, onde marido e mulher, desempregados, compartilhavam um barracão de dois cômodos com seus quatro filhos. Todos dormindo no mesmo quarto.
Por coincidência, logo após a câmera mostrar as vasilhas de mantimentos todas vazias, a repórter perguntou à filha de 13 anos o que ela gostaria de ganhar no Natal que se aproximava. Ela respondeu com lágrimas nos olhos: “Gostaria de ganhar COMIDA!”
Em Belo Horizonte (MG), onde se passou o fato, como em Sete Lagoas (MG) ou qualquer outra cidade do Brasil, existem centenas, talvez milhares de famílias na mesma situação. E me dói o coração ver que existem centenas de pessoas que podem fazer alguma coisa e ficam de braços cruzados.
Há que se louvar o esforço que algumas autoridades, empresas e até algumas pessoas fazem para que muitas famílias passem o Natal sem fome. Alguns jornais, programas de rádio, internautas..., também fazem campanhas; mas, a pobreza é muito grande e merecia um planejamento para que nos anos vindouros as famílias não passassem as mesmas dificuldades.
A Sociedade de São Vicente de Paulo é uma das associações que mais pensam na dificuldade dos pobres. Mas ela não pensa apenas no Natal.
Se a SSVP fosse se valer de “Slogans”, por certo o mais correto seria: “TODOS OS ANOS, O ANO TODO SEM FOME”. E seria certo, tendo em vista o trabalho vicentino que é realizado o ano todo, há mais de 170 anos.
O Governo, com toda essa campanha, mesmo apoiado pela mídia, não consegue atingir o seu objetivo, que é o de ver todas as pessoas passarem o Natal sem fome. Muitas e muitas famílias ficam à margem desse benefício. Já a SSVP, caladinha, atinge, com certeza, centenas de milhares de famílias. E, não sei se posso dizer, o melhor ou o pior é que esta ajuda se estende pelo ano inteiro.
E vocês viram o nome da SSVP aparecer em uma única reportagem durante este ano? Viram algum vicentino ser entrevistado nas TVs? Viram registros de alguma Conferência entregando as cestas? Claro que não! e damos graças a Deus. Não fazemos o nosso trabalho apenas em ocasiões especiais e muito menos com o intuito de aparecer na mídia.
Vale a pena meditar e continuar a agir. DEUS não desvia seus olhos dos vicentinos e nem das pessoas que são caridosas o ano inteiro.

NÃO SABEMOS EVANGELIZAR – 4 Dezembro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Não sabemos evangelizar. E não estou falando apenas da Sociedade de São Vicente de Paulo; mas, de todos os movimentos e pastorais da Igreja Católica. Pode haver uma ou outra exceção, mas a maioria não sabe evangelizar.
Pode ser até que o número de católicos seja grande, mas não conseguimos atrair com facilidade novos adeptos. Somos católicos porque nossa família é católica. As outras denominações religiosas estão crescendo rapidamente porque elas estão sabendo chamar a atenção de muitos que frequentam a nossa Igreja e de muitos que não frequentam igreja alguma. Muitos que abandonaram a nossa Igreja , enquanto a frequentavam não levavam nada a sério. Nem participar fisicamente da Missa queriam mais. Contentavam-se em assistir à missa pela TV.
A missa pela TV foi idealizada para que as pessoas que estivessem de cama, adoentadas e sem poder caminhar a pudessem assistir, mesmo sem comungar a Hóstia Consagrada. Mas, muitas e muitas pessoas preferem assistir à missa em casa e dizem que vale a mesma coisa, pois comungam espiritualmente. Isto não é verdade. Se assim fosse, quando Jesus distribuiu o pão e o vinho em espécie não teria precisado dizer: “fazei isto em memória de Mim”.
Comodismo, puro comodismo. Eu não sei o que outras religiões fazem; mas, gente que nunca foi de ir à igreja, de dar o dízimo, de trabalhar em movimentos, passam a frequentá-las e logo depois estão dando o dízimo, sendo obreiros e nunca faltam aos cultos. Alguns até se tornam pastores.
Uma coisa eu posso dizer: Eles parecem mais solidários nos momentos de dificuldades. Hoje mesmo tive prova disso. Um senhor se aposentou, ganhando muito pouco, e a nossa Conferência foi chamada para ajudá-lo. Fomos e ajudamos a família durante muitos e muitos anos. Lembro-me do primeiro dia em que fomos lá. A mulher estava nos últimos dias de gravidez e estava tão anêmica que não conseguia nem caminhar direito. Ajudamos no que foi possível. Ela teve a criança que se juntou às que já existiam. O casal chegou a ter nove filhos.
Continuamos a ajudar. Construímos, em mutirão, mais cômodos na casa para, pelo menos, separar os homens das mulheres, já que todos dormiam no quarto do casal. Fizemos diversos mutirões de limpeza. Dávamos banho, meio à força, nas crianças. Procuramos encaminhar os filhos para os estudos e chegamos a comprar uma bicicleta para um deles, já que moravam longe da escola. Nada adiantou. Depois de maiores, bebiam muito e viviam brigando. Até ameaça de morte a gente viu, inclusive para uma das nossas consócias. Parece que eles se sentiam humilhados em ser ajudados.
Bem, o tempo foi passando. Eles cresceram e nunca conseguimos catequizá-los. Ir à missa, quem disse que iam? Os pais, uma vez ou outra iam, mas acho que mais para satisfazer os nossos pedidos.
Catequese, quem disse que fizeram?
Para ajudar nas despesas, a gente arranjava pequenos serviços para o chefe da família, muito mais para que ele tomasse dois lanches e almoçasse. De qualquer maneira ele sempre foi útil e amigo.
Passados alguns anos, nossos caminhos se separaram. Um dia ele perguntou para a uma das nossas consócias se poderiam frequentar outra religião. A resposta dela foi que sim, se ele estivesse se sentindo bem lá.
É aí que digo que os de outras religiões têm alguma coisa que não temos. O casal foi. Os pastores foram na casa deles e pouco tempo depois todos os filhos estavam na nova religião. E frequentando.
Um dia o chefe da família morreu. Fomos ao velório e lá encontramos muita gente da igreja dele. Pastores eram seis. Na hora da despedida, fizeram um culto onde leram trechos da Bíblia e falaram bastante, frisando as qualidades do falecido, pedindo a Jesus paz para os familiares. As mulheres da religião nova estavam todas de véu na cabeça, em sinal de respeito. Todos se ajoelharam na hora de rezar.
É aí que falo. Os pastores estão presentes nas horas difíceis. Quem não fica agradecido? Se eles são pagos para irem aos velórios, para ficarem lá no templo para atender a qualquer pessoa em qualquer hora do dia, isto não tem problema. O importante é que eles estão lá. E estão para ouvir, para consolar. Isso cativa.
Quando nós fazemos isso? Nós, católicos, costumamos ter um vizinho doente e nunca vamos visitá-lo... Eu sei que os trabalhos dos padres são muitos, mas precisamos urgentemente descobrir uma maneira de estar à disposição de quem for procurar uma palavra amiga, um consolo. Os Ministros da Eucaristia, os diáconos, os seminaristas, os leigos com disponibilidade de tempo, poderiam dar uma contribuição maior.
Não é à toa que as nossas igrejas estão cada vez mais vazias. E as Conferências vicentinas estão assistindo um número crescente de famílias que passaram para outras religiões. Conseguimos ajudar materialmente, mas não conseguimos fazê-lo espiritualmente.
Urge estudar o problema e tentar reencontrar o caminho da evangelização. Um deles seria a parceria com outros movimentos católicos: Pastorais Paroquiais, Renovação Carismática Católica, Apostolado da Oração, Catequese etc.
Falta, talvez, alguém que possa coordenar essa ação. Quem se candidataria a tomar a frente?

PEDIR OU NÃO PEDIR A DEUS? – 28 Novembro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Existem algumas passagens do Evangelho que parecem se contradizer. Uma delas é sobre a oração.
Jesus, em mais de uma ocasião, disse que Deus sabe das necessidades dos seus filhos e que nenhum pai dá ao filho alguma coisa ruim. Por outro lado, disse também que quem orar pedindo receberá e quem pedir que a porta seja aberta, ela se abrirá. Jesus, inclusive, ilustra seu ensinamento dizendo que se alguém pedir a um amigo alguma coisa e o fizer com insistência receberá, até mesmo porque o outro quer se livrar de um pedinte insistente.
Anos atrás, uma família de vicentinos viu mudar toda a sua estrutura quando uma doença atingiu a filha do casal causando-lhe, mesmo depois da internação e tratamento, sequelas. Ela ficou tetraplégica e a teve as duas pernas e um dos braços atingidos pela paralisia. Devido às próprias circunstâncias da ocasião, a família não tinha como comprar uma cadeira de rodas para a moça.
Os vicentinos, então, se movimentaram e fizeram uma promoção que possibilitou a compra da cadeira.
Pela família ser conhecida minha, sempre tinha notícias da mocinha. Alguns anos se passaram e hoje eu os vi na igreja assistindo à Santa Missa. Eles estavam um pouco à frente do lugar que eu me sentara. A moça se emocionou quando o padre mencionou seu nome. É que ele dissera na homilia alguma coisa engraçada e ela sorriu. E ele disse olhando para ela: “Tá rindo, né, amiga!
Eu, em um daqueles impulsos que tenho, tirei da minha carteira uma oração da Divina Misericórdia e uma Medalha de Nossa Senhora das Graças, mais conhecida como Medalha Milagrosa. É aquela medalha tão querida dos católicos e principalmente dos vicentinos, tendo em vista a sua origem.
Logo após a Missa, cheguei perto da moça e coloquei a medalha em sua mão, dizendo para que ela a trouxesse sempre consigo e não deixasse de pedir a Nossa Senhora a sua cura. Aos pais eu entreguei a oração. Pedi a Jesus que lhe desse, através de Maria, a cura do corpo.
Conto o fato para voltar ao assunto que primeiramente abordei. Por coincidência, o Evangelho lido na Missa contava a história do cego Bartimeu, que mesmo contra a vontade dos discípulos que achavam que ele estava incomodando Jesus com seus gritos de pedido de ajuda, não se cansava de pedir misericórdia. E Jesus, para mostrar que Ele viera para ajudar os pobres e necessitados, cura-o na hora.
Na volta para casa fui pensando sobre a situação e me veio à mente: devemos ou não pedir a cura para nossas doenças e as doenças das outras pessoas? Não sabe Deus tudo o que precisamos? Mas, também, Jesus não nos manda pedir? Que impasse! Ou confiamos na misericórdia de Deus e deixamos tudo em suas mãos, ou suplicamos a Ele pelas nossas necessidades. Acho que Deus fez isto de propósito.
Sabedor das nossas dificuldades espirituais, da nossa fraqueza de fé, Ele deixou dois caminhos: Espera e confia! Ou, peça para receber! De qualquer maneira Ele quer nos ajudar.
Agora, se não confiamos na Sua bondade e nem pedimos ajuda, o dono de tudo nada pode fazer, pois, Ele não impõe o que nos quer dar de graça.
Eu, por via das dúvidas, peço e espero. E não posso reclamar dos resultados...

DAR OU NÃO DAR ESMOLA NA RUA? 21 Novembro 2009
Cfd. Aluizio da Mata
LSNSJC

Alguns dias atrás, pela manhã, fiquei numa dúvida: devo dar ou não uma esmola que me era pedida? A mulher, muito nova ainda, me chamou de longe e enquanto ela caminhava para onde eu estava, pensei:
- Ela vai me pedir dinheiro.
E quando ela chegou perto percebi que parecia estar alcoolizada. Com ela havia um garoto de mais ou menos doze anos, que ela disse ser seu irmão, mas ele não se aproximou.
Ela me mostrou na palma da mão uma moeda de um real e com a voz meio arrastada pediu que lhe desse mais algum valor para completar o preço de dois pratos de comida do restaurante popular. Disse ainda que tem uma filhinha pequena e que não tem nem cobertor para passar a noite.
Vicentino que sou, conheço muitos casos de pessoas que inventam histórias e que pedem dinheiro para comprar comida, mas que acabam comprando bebida.
Veio à minha mente o ensinamento de Jesus: “Não saiba a mão esquerda o que fez a mão direita”. Embora Ele tivesse falado isso para nos alertar que não devemos anunciar a caridade feita, acho que poderia também estar dizendo: “O que ela vai fazer com o dinheiro não é problema seu”.
Sei que Ele falou assim para nos prevenir sobre o fato de gostarmos de receber elogios pelo bem que fazemos, mas sei que seu ensinamento me veio à mente para me dizer: “Que te importa saber como ela vai gastar o dinheiro? Se ela pediu o dinheiro para comprar comida, pode ser que ela o faça. E aí você fez uma caridade. Se ela, com o dinheiro recebido, for gastá-lo com bebida, para mim não mudou nada o seu gesto de caridade”.
Em situações semelhantes costumo fazer um pouco diferente. Vou com a pessoa que pediu a ajuda, compro o alimento e vejo-a comer. Faço isto para evitar que a pessoa, estando com fome, deixe de se alimentar de fato para alimentar um vício do qual possa ser dependente.
No caso acima, por não poder acompanhar a mulher, fui claro para que ela soubesse que não estava me enganando: - Tenho receio que você use o dinheiro para comprar bebida, mas mesmo assim vou dar o que me pediu.
Ela reafirmou que iria comprar comida. Se o fez, não sei.
Mas entre dar ou não uma esmola com medo dela ser mal usada, preferi correr o risco e fiz o que minha consciência dizia ser o melhor a fazer.
Por coincidência me encontrei com essa mulher mais duas vezes.
Na primeira vez eu estava conversando com um amigo e ela se aproximou novamente. Não parecia ter bebido nada. Pediu dinheiro para comprar comida, pois estava com fome, como já o fizera antes. Desta vez resolvi fazer diferente. Despedi-me do meu amigo e disse para ela:
- Vamos ali à lanchonete e eu te darei algo para comer.
Notei que uma senhora, até que bem arrumada, nos seguiu. Ao chegarmos à lanchonete pedi dois pasteis e um copo de suco para ela. Qual não foi a minha surpresa quando vi que ela deu um pastel para a outra mulher. Perguntei quem era a pessoa para quem ela dera o pastel e ela me disse: - É minha companheira.
Paguei a despesa e me despedi.
A segunda vez foi dentro da igreja.
Eu tinha ido participar da missa das 18 horas quando a vi entrar. Estava completamente alcoolizada.
Logo depois ela saiu da igreja e não a vi mais.
Bem, conto isto para dizer que não acho que tenha agido errado em nenhuma das ocasiões.
Fico pensando o que terá levado esta mulher, tão nova, a um estado de dependência tamanha.
Não vai ser difícil encontrá-la de novo e pensei que poderei tentar achar a maneira de ajudá-la a se livrar do alcoolismo. Tenho amigos que fazem parte dos Alcoólicos Anônimos e de outras dependências químicas. Existem lugares apropriados para um tratamento adequado e são muitos os que entram nesses grupos ou fazendas e se curam.
O problema maior vai ser convencê-la.
Para isto conto com as orações de todos os que lerem este artigo.

CARTA AO VICENTINO AFASTADO – 14 Novembro 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Desculpe, meu caro irmão e minha cara irmã, se começo esta carta te dizendo que quando você quis ser proclamado assumiu alguns compromissos e dentre eles os dois principais: visitar semanalmente a família assistida e participar da reunião da sua Conferência.
A proclamação é a aceitação dos compromissos que devem ser cumpridos, não por ser uma obrigação, mas por ser a maneira correta de agir do bom vicentino.
Você parou de frequentar a Conferência e não importam os motivos que têm feito você faltar com seu compromisso. Nada é mais importante do que cumprir o prometido.
Penso que você deve ter cheio de outras coisas para fazer, deve ter muitos convites para aceitar; mas, você só deveria aceitar outros compromissos que não coincidissem com o dia e o horário da reunião da sua Conferência.
Você poderá dizer que está sem tempo para nada, mas com toda sinceridade, não acredito nisso.
O que ocorreu é que você elegeu outras prioridades. Passou a atender os apelos do mundo, deixando de lado alguns dos apelos de Deus. Duas horas com os amigos, ou mesmo em casa não fazendo nada, passaram a ser mais importantes dos que vivê-las com os pobres que são pessoas cheias de problemas, mas que esperam dos vicentinos uma ajuda semanal.
Você poderá dizer, ainda, que o que o afastou foi não concordar com a opinião ou a maneira de falar de algum membro da Conferência; mas, nem isto é motivo suficiente para o seu afastamento. Mesmo que você não concordasse, cada um tem o direito de opinar. E se a decisão da maioria foi contrária à sua opinião, deveria aceitá-la.
Mas, vamos olhar por outro lado, isto é, a consequência da sua decisão.
Você se lembra de como a família visitada ficava alegre com a sua chegada? Você se lembra de como se sentia feliz por saber que estava sendo útil a quem não tem a quem se socorrer? Você se lembra de quantas vezes saía da casa do assistido com a sensação de que Deus o abençoava por ter socorrido um irmão sofredor? Talvez você nem tenha pensado em quantas vezes Deus recebeu orações feitas pelo pobre em seu favor...
Quando a nossa Conferência não se reúne por falta de número, ou se reúne com tão poucos membros que as tarefas que seriam suas são distribuídas a quem já tem suas próprias tarefas, me lembro de como seria bom você estar ali conosco.
Você ainda pode alegar que continua a fazer caridade, mesmo fora da Conferência; mas, é bom se lembrar que a caridade feita em comum com outras pessoas é o que Jesus pediu, quando disse que “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles”.
Pense que do tempo que Deus te deu; o que você usava para fazer o trabalho vicentino era muito pouco. Na verdade eram apenas duas horas semanais das cento e sessenta e oito que Deus te concedia. Pense em como você utilizava todo o tempo te dado por Deus e veja que o que você usava para fazer o que pediu Ozanam era um quase nada. Era um quase nada que valia imensamente para o assistido.
Fico angustiado quando vejo uma Conferência com apenas três ou quatro membros e muitas vezes já idosos. Ela está fadada a ser desativada.
Por fim, lhe peço: pense que com sua atitude você poderá estar determinando o fechamento de mais uma Conferência. E se tal acontecer certamente alguma família deixará de ser socorrida.
E o que é pior: você está deixando de lado uma fonte de santificação.
Hoje, através dessa carta, convido-o a voltar. A SSVP lhe espera de braços abertos. E Jesus também, na pessoa da família assistida.

A GOTA DE ÁGUA SALGADA – 10 Novembro 2009
Texto: Cfd Aluízio da Mata

Em um dia que estava sentado em um banco de praia, fiquei olhando para a imensidão do mar, e aí me veio um pensamento: O que aconteceria se alguém derramasse um pingo de água salgada no mar?
- Nada, eu mesmo respondi. Continuei olhando o mar e deixando o pensamento vagar. Me surpreendi ao escutar, como que, de uma voz interior:
- Aí é que você se engana.
- Como assim? perguntei a mim mesmo.
- Mesmo que o mar seja essa imensidão de água salgada, ao receber aquela gota, ele se tornará mais volumoso e mais salgado também.
Raciocinei que a voz tinha razão, mas ousei perguntar:
- Que diferença isto faz?
Novamente a resposta me surpreendeu:
- Tudo que se acrescenta a uma criação de Deus é o homem cooperando com Ele.
A lógica da resposta me deixou desconcertado, pois então, sendo assim, toda nossa ação de evangelização, por menor que ela seja, é uma cooperação para a implantação do Reino de Deus.
Não interessa o tamanho da tarefa. Cada ação, unida a outra ação, aumenta o trabalho pastoral e faz com que Deus seja mais conhecido.
Agora mesmo você, que lê estas linhas, está acrescentando em você mesmo uma gota da sabedoria de Deus, não pelo que escrevi acima, mas porque você acabou por pensar na maravilha que é a criação. E quando pensamos nas belezas criadas por Deus, mesmo sem o dizer, estamos louvando-O e é sábio quem louva o Senhor!
Qualquer um de nós, seja vicentino ou não, temos a oportunidade de ser mais uma gota do bem. Não interessa se vamos nos juntar à uma multidão que já faz alguma coisa. A nossa participação, por menor que seja, será grande aos olhos de Deus.
E nós, somos uma gota a mais no oceano da vida ou não fazemos diferença alguma?
Vale a pena meditar.

COMO SAIR DESSA SITUAÇÃO? 31 Outubro 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Sempre me preocupei com o envelhecimento dos membros da SSVP, que se reflete diretamente nas Conferências.
Sabemos que o preenchimento dos lugares dos confrades e consocias falecidos, os que já não podem mais frequentar as reuniões e fazer as visitas ou daqueles que simplesmente abandonam nossas fileiras, não acontece na mesma proporção.
Dá uma tristeza muito grande visitar uma Conferência e ver que ela está fraca em termos de número de membros. Muitas se restringem aos componentes da mesa e mais um ou dois participantes. E geralmente são idosos também.
Consequentemente, o número de famílias assistidas também é muito pequeno. Daí a desativação de inúmeras Conferências que continua acontecendo, creio, no Brasil inteiro.
Como sair dessa situação?
Sei que algumas ações são tomadas, mas me parecem insuficientes. Uma delas é a fundação das Conferências de Crianças e Adolescentes. Uma ótima idéia e que deve estar minorando o problema. Digo deve estar, porque não tenho dados para dizer se todos os que as freqüentam são encaminhados para as Conferências necessitadas de reforço, ou se quando atingem a idade limite continuam na SSVP ou param de frequentá- la. Outra é a ECAFO, que visa a preparação, o aprimoramento espiritual e comportamental dos vicentinos.
Muitas situações conspiram para que a situação fique como hoje está. Vejo o caso dos jovens de hoje, onde a grande maioria não quer saber de religião, muito menos de assumir compromissos que irão “atrapalhar” o sistema de vida da juventude atual. Reparem nas pessoas que frequentam as Missas e verão que tenho razão. São pouquíssimos jovens.
Virgindade e matrimônio são palavras banidas do meio da juventude. A noção de pecado mudou tanto que quase tudo hoje é permitido fazer, sem um mínimo de peso na consciência. E neste caso não falo apenas dos jovens.
Como convidar um jovem para ir a um retiro espiritual (encontro que a maioria nem sabe o que é) se o seu pensamento está focado nas baladas, no sexo sem compromisso, no uso de drogas que a mídia incute diariamente na cabeça dele? O próprio Poder Público incentiva o sexo livre, desde que se use a camisinha... Para que se preocupar em ajudar pobre, se isto é problema do Governo?
Por outro lado, a educação familiar anda meio debilitada. Os pais, primeiro não ensinam, depois não têm coragem de tomar uma posição mais firme diante dos filhos. Parecem estar mais preocupados com suas vidas do que com a vida dos seus filhos...
Como sair dessa?
Difícil, mas não impossível. Primeiramente voltar mais para as coisas de Deus. Depois ter a coragem de tentar mudar, mesmo que se lute contra uma forte correnteza. Ser chamado de careta, retrógado talvez seja até um elogio, pelo menos diante de Deus será.
Convido, no caso da Sociedade de São Vicente de Paulo, que todos se unam para tentar melhorar a situação. Aqueles confrades e consocias que participam de uma Conferência mais numerosa mudem para uma que esteja quase sendo fechada. Não recusem assumir qualquer dos encargos da Conferência. A ECAFO tem uma grande chance de fazer com que se mudem pensamentos e atitudes.
Os presidentes, de qualquer escalão, mas principalmente os de Conferências e Conselhos Particulares, devem dar o exemplo, pois é neles que os confrades e consócias se espelham. O Confrade e a consócia devem se revestir ainda mais da caridade ensinada por Jesus, mesmo que de vez em quando haja alguma coisa que pareça ser o contrário.
E devemos lembrar-nos de pedir uma maior ajuda aos padres de nossas paróquias, para que incentivem todos os fiéis a participar das Conferências Vicentinas.
Enfim, há muita coisa a fazer, mas se não se der o primeiro passo ou continuar os primeiros passos dados, não sairemos do lugar. E isto não é bom.

VOCÊ FICARIA NO LUGAR DO PADRE? – 23 Outubro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Existem pessoas que não estão satisfeitas com o padre da sua paróquia.
É bom lembrar que existem padres mais dinâmicos do que outros.
Existem aqueles que são mais comunicativos. Existem os que são sempre mais disponíveis, no sentido de sempre atender aos que os procuram.
Existem os mais alegres que outros. Existem padres com boa saúde, existem outros que nem tanto. Existem os padres que são mais exigentes do que os que deixam as coisas correr ao sabor das ondas. Existem padres que são amparados pela presença próxima da sua família; existem outros em completo abandono. Existem padres em paróquias mais abastadas e que, mesmo sem luxo, vivem bem, enquanto outros estão em paróquias tão pobres que até necessidades passam.
Por que relaciono tudo isto?
Porque o paroquiano costuma ser igual em todas as paróquias. Se cada fiel olhasse seu pároco de acordo com a realidade local, talvez fizesse um juízo ou exigências diferentes do que faz e, quem sabe, poderia até resolver participar e ajudar mais.
Mas muitas vezes o paroquiano julga o padre pelas aparências ou pela sua maneira de ver as coisas. Acham que o padre só faz celebrar missas e assim mesmo, poucas.
Dificilmente um padre é procurado por alguém que vá lhe oferecer ajuda.
Na maioria das vezes, quando solicitado a ajudar, o paroquiano se esquiva, até mesmo recusa, alegando falta de tempo ou excesso de trabalho, quando na verdade não quer é ter uma obrigação fixa, não quer é assumir o compromisso de ajudar.
De vez em quando alguns paroquianos dão uma pequena ajuda, mas a maioria não faz nada.
Penso que alguns padres também têm uma parcela de culpa nessa situação.
Ele não exige do paroquiano uma atuação mais efetiva, seja em pastorais, seja em movimentos ligados à Igreja. Alguns padres têm receio de, sendo exigentes, afastarem mais ainda da Igreja o fiel.
Como receio de afastar, se o fiel nem sempre é uma presença efetiva!...
Então, como sair do impasse?
Conjugar esforços, planejar, descentralizar, dar responsabilidades, apoiar e, principalmente, cobrar.
Tem paroquiano, a maioria com certeza, que não sabe o estado de saúde de seu pároco, a não ser que ele deixe de celebrar a missa por estar de cama.
Podemos contar nos dedos os paroquianos que já convidaram seus padres para almoçar em suas casas. Qual paroquiano que já tenha oferecido sua casa para o padre descansar algumas horas, sem se conversar sobre Igreja?
Fico pensando em um gerente de uma empresa com mil empregados. Dará ele conta de atender a todos em suas necessidades? Poderá ele destinar um tempo para atender pessoalmente a todos os que queiram?
Uma paróquia é como uma empresa com milhares de participantes. Uns mais ativos, outros mais acomodados. Uns de coração amoroso, outros nem tanto assim. Uns compreensíveis, outros exigentes demais. O padre é uma daquelas pessoas sobre as quais Jesus falou: “Deixa tudo e segue-me”.
Qual de nós teria a coragem de agir assim, largando tudo e seguir um caminho desconhecido?
Aí quando o padre, que também é um ser humano e às vezes frágil, abandona o seu ministério, muitos o reprovam e, o que é pior, julgam e condenam.
Não sabem quais foram os motivos que levaram o ex-padre a tomar a decisão de abandonar o sacerdócio. Pode ter sido um motivo fútil, pode ter sido a constatação de que não era aquela a sua vocação. O que é melhor: reconhecer e abandonar ou continuar fingindo e frustrado?
Ao homem é dada a opção de, não gostando de um emprego ou de uma tarefa, mudar, tentar novo caminho.
Ao sacerdote nem sempre é dada esta oportunidade. Quem a toma fica estigmatizado.
E lembre-se: existem centenas e centenas de lugares cujos fiéis dariam tudo para ter a presença de um padre. Tenha ele o estilo e a personalidade que tiver. Quem sabe da próxima vez você olhe o padre com olhos mais amorosos, mais compreensivos e o ajude mais, de acordo com o que Deus quer...
- - -
Por ser o Ano Sacerdotal, ousei acrescentar estes dois textos:
- - -
Como sabemos, o Padre é uma pessoa desapegada dos bens materiais e não dispõe de espaço e tempo para cuidar de certos objetos recebidos de presente de pouca ou quase nenhuma utilidade, o que, às vezes, causa transtornos no caso de mudança de paróquia, pelo volume formado. Para evitar constrangimento em deixar para trás alguns presentes, decidimos orientar os paroquianos a presentear o Padre em espécie, ou seja, o valor do presente seja convertido em espécie ($) e colocado num envelope... isto por ocasião do seu aniversário, do Dia do Padre, de festas de final de ano, de amigo secreto etc.
Sabemos que é deselegante pedir dinheiro de presente; mas, analisando sobre gastos que o Padre tem advindos de despesas extras, como manutenção de aparelhos, realização de cursos e outros gastos que a paróquia não pode prover ou que não são inerentes aos trabalhos paroquiais, que são custeados pelo Padre, até mesmo ajuda financeira a uma pessoa necessitada que o procura fora do horário de expediente... A colaboração em espécie é muito bem-vinda porque será por ele aplicada de acordo com a sua necessidade.
Portanto, coloque num envelope o valor correspondente ao presente ou o valor que puder disponibilizar, com um cartão pessoal de felicidades!
Tom
- - -
Gratificações: todo palestrante deve ser gratificado ou remunerado; ainda que ele não tenha dito nada sobre seus custos operacionais, ele deve ser ressarcido de suas despesas de locomoção, hospedagem, alimentação, material necessário para o evento, e um justo ‘pro labore’. Caso ele expresse que não necessita de remuneração financeira, ser-lhe-á oferecida uma lembrança.
Máikol

O CATÓLICO PRECISA PARTICIPAR MAIS – 16 Outubro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Há uma coisa que tem me preocupado bastante: a pouca presença dos católicos na internet e nas ações da comunidade.
Alguém vai dizer que não é bem assim, pois temos muitos sites católicos, que tem muitos católicos participando de comissões. Pode até ser verdade; mas, falo da presença em massa de católicos.
Aliás, deve ter muito católico acessando a internet, mas poucos são os que se manifestam como tal.
Pouca gente fala do catolicismo, enquanto muitas pessoas de outras igrejas marcam sempre suas presenças.
Tenho um Grupo para o qual envio mensagens de pequenos textos. Nele há pessoas de várias igrejas; mas, não deixo de dizer ou mostrar a todos que sou católico. E quem não é católico e continua no Grupo é porque sabe que não quero fazer proselitismo. Falo das coisas de Deus, que interessam a todos do Grupo, falo sobre Nossa Senhora, assunto que se não interessa a todos, pelo menos vejo que o respeitam.
Não há discussões, não há ofensas. Cada um respeita o outro.
Interessante é que recebo dezenas de mensagens evangélicas, pois eles descobrem os nomes dos Grupos e endereços eletrônicos nossos e não têm preguiça de reenviar seus textos e suas mensagens.
De católicos recebo o mesmo tanto; mas, se olharmos a proporção do número de católicos e o número dos adeptos de outras igrejas, eles ganham disparado.
A presença de evangelizadores católicos ordenados é pequena. Temos alguns padres, alguns diáconos e alguns leigos que fazem o seu papel; mas, são muito poucos.
Quero falar de outro aspecto visando o tema da presença na internet.
Tive a curiosidade de acessar no Google a pesquisa sobre Grupos, para ver se o que tenho estava por lá. Fui lendo os nomes e resumos de cada um. Tem de tudo lá. Grupos sérios e Grupos não tão sérios. São muitos o que lá estão; mas, foi aí que fiquei preocupado.
A proporção de grupos evangélicos e espíritas é muito maior do que a de grupos católicos. Parece que o católico não se apercebeu de que a internet é um meio de atingir, no bom sentido, as pessoas. Ou se percebeu, não tem muito ânimo para fazê-lo. Ou são comodistas mesmo.
Os evangélicos não perdem tempo nem ocasião.
A presença deles nas rádios, principalmente, e nas televisões é muito grande. Talvez, até, vençam pelo cansaço. Em quase todas as cidades eles assumem programas nas rádios locais e fazem as suas pregações. Usam, como ninguém, a psicologia de massa.
Com raras exceções, vemos católicos fazendo isto.
E não é só na mídia que isto está acontecendo.
Vejam os casos dos evangélicos que se mobilizam para eleger seus pastores e bispos. Proporcionalmente ao número de fiéis, os eleitos são em maior quantidade, e esses eleitos trabalham pela causa deles, muito mais pelas causas deles.
No caso de cargos eletivos, o padre não deve se candidatar; mas, o leigo católico tem a obrigação e não se desviar do caminho da honestidade.
Outro aspecto: a presença de padres em reuniões das comunidades pode até acontecer, mas não tem uma sequer que não tenha a presença de pastores evangélicos.
E se alguém dá uma idéia, eles logo se interessam e participam, mesmo para marcar presença da igreja que representam. E eles estão certos em fazer isto.
Em uma reunião realizada para tratar da criação de um Conselho Municipal, um pastor estava lá. Mas, nenhum padre. Pode ser até que um dos católicos que lá estiveram, estava representando o pároco; mas, se assim foi, ele não se manifestou. O pastor, não, fez questão e se apresentar.
Depois da reunião, procurei uma autoridade que lá estava para dar a idéia da criação de uma biblioteca na cadeia pública. Ela me perguntou qual o órgão que eu representava, e eu lhe disse que era a SSVP, repetindo o que já dissera na reunião. A mesma pessoa me disse que a iniciativa deveria ser da comunidade e já falou que um pastor que estava presente poderia ser um dos coordenadores. Depois fiquei sabendo que ela pertence à igreja dele.
Não quero dizer que ele não deva participar, mas o que falo é que não perderam tempo em marcar presença na elaboração e desenvolvimento da idéia.
Daí o título do artigo.
E você que é católico e vicentino marca sua presença onde estiver ou tem vergonha de se apresentar como tal?

DEUS É UM GRANDE MISTÉRIO - 9 Outubro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Deus é um grande mistério, tão grande que não conseguimos nem começar a compreendê-Lo.
Veja um exemplo: tudo que acontece no mundo é com Seu consentimento e Ele já sabia que iria acontecer.
Aí, você perguntaria: - Se é assim, porque Ele permite que haja tanta maldade, tantos crimes, tanta injustiça, tantos pecados?
O mistério começa aí. E não temos como explicar, a não ser que Ele nos dá o direito de escolher o que fazer, seja o bem, seja o mal, seja o certo, seja o errado.
Mas, então, como pode ser isto?
Se pudéssemos compreender Deus, Ele não seria Deus, pois encontraríamos explicação para tudo e isto não é possível.
A mente humana, por mais inteligente que possa ser, não tem como explicar o menor mistério de Deus.
Vamos pensar apenas no fato da nossa existência.
Como e quando começa a nossa vida? Esta parece fácil de resolver. É quando um espermatozóide se funde a um óvulo. Aí nasce uma vida.
Resposta certa, mas por que isto? Quando nova alma é criada? Sim, pois Deus não é limitado a ter que aproveitar almas de pessoas que já morreram para poder criar nova vida.
Já vimos que não tem explicação.
E a morte? O que ela é? Simples paralisação das funções do corpo humano? Esta explicação seria simples demais. E por que alguns morrem novos e outros morrem velhos? Por que uns morrem calmamente, outros morrem atormentados? Por que alguns simplesmente morrem, sem uma causa aparente e outros padecem terríveis e longas doenças?
Você poderia explicar convincentemente?
Milhares de filósofos, teólogos, sábios já tentaram responder estes questionamentos e não chegaram a conclusão alguma ou se acham que chegaram, não têm a certeza de que acharam a solução do mistério.
Você conseguiria explicar o germinar de uma semente? Conseguiria dizer como tantos frutos e tantas outras sementes existem dentro dela?
Se passarmos dos questionamentos que estão à nossa volta e formos para os mistérios siderais, aí é que se complica mais ainda.
Quantas constelações existem? Quantos sistemas solares? O universo é finito ou infinito? E as distâncias entre os corpos celestes? Por que milhões de anos-luz de distância? Por que tanta magnitude, se o homem é tão pequeno? Por que tanta coisa a ser descoberta, se o homem nem começou a engatinhar direito?
Se eu fosse relacionar tudo o que gostaria de saber e que não chego a compreender, faria uma lista tão grande que não caberia em um livro, quanto mais em um artigo!
Se fosse reunir as tentativas de explicações de diversas pessoas, não caberia numa biblioteca.
E tantos outros mistérios!
Por que Deus criou o homem? Por que Ele deu a nós a liberdade de fazer o bem ou o mal? Por que existe o ódio, quando tudo poderia ser amor?
Se Ele deu esta liberdade ao ser humano e Ele nem sempre faz o bem, como será nosso julgamento?
Não teria sido melhor que o homem fosse criado apenas para ser bom, para amar? Por que dar a chance ao demônio de fazer perder tantas almas?
Por que Deus teve que mandar seu Filho para sofrer e morrer para salvar a humanidade?
Tudo isto é mistério.
Nem devo falar sobre o mistério da Santíssima Trindade, isto é, três Pessoas santas, individuais e em uma só ao mesmo tempo?
Sobre este último aspecto, convém lembrar a seguinte passagem:
Conta-se que Santo Agostinho andava certo dia a passear na praia a meditar sobre este mistério da Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas distintas... Enquanto caminhava, observou um menino que carregava um pequeníssimo balde com água. A criança ia até o mar, trazia a água e deitava-a dentro de um pequeno buraco que havia feito na praia. Após ver repetidas vezes o menino fazer a mesma coisa, resolveu interrogá-lo sobre o que pretendia. O menino, olhando-o, respondeu com simplicidade: - “quero colocar a água do mar neste buraco”. Santo Agostinho sorriu e respondeu-lhe: - “mas tu não percebes que isso é impossível mesmo que trabalhes toda a vida? O mar é infinitamente grande. Jamais o irás conseguir colocar todo aí dentro desse pequeno buraco…”
Então, novamente olhando para Santo Agostinho, o menino respondeu-lhe: “ora, é mais fácil a água do mar caber nesse pequeno buraco do que o mistério da Santíssima Trindade ser entendido por um homem!” O homem é infinitamente pequeno e Deus é infinitamente grande!
Então, é melhor parar por aqui...

RECENSEAMENTO VICENTINO – 3 Outubro 2009
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Parece que sou obcecado pelo assunto. E sou mesmo.
Nos meus mais de 50 anos de vida vicentina, nunca vi ser feito um único censo geral da SSVP no Brasil. Falo de censo geral, porque eu fiz um no âmbito de um Conselho Particular, incentivei alguns vicentinos de outros lugares a fazer também e fiquei preocupado com o resultado.
Sei que um Censo deveria ser feito amplamente, isto é, com a elaboração de uma pesquisa que abordasse vários aspectos (e isto seria ótimo), mas falo de um censo mais simples, mais fácil de ser feito. E não traria praticamente custo algum para a SSVP.
Refiro-me apenas ao número e a idade dos confrades e consócias atuantes em cada Conferência e o número de famílias assistidas de fato.
Embora tenhamos alguns grupos de jovens, um bom número de Conferências de Crianças e Adolescentes, o resultado do que vi na pesquisa que fiz me deixou perplexo.
O número de Conferências desativadas por falta de membros, o número de membros da maioria das Conferências e o número de famílias assistidas, de fato, são preocupantes. E, o dado, digamos, principal: A FAIXA ETÁRIA DOS NOSSOS VICENTINOS.
Por uns poucos contatos que fiz com vicentinos de outras partes do Brasil, o problema não se restringe ao lugar de onde fiz a pesquisa. Eu mesmo constatei isto, quando voltei para Sete Lagoas (MG). Há inúmeras Conferências com altíssima média de idade.
Bem, mas voltemos ao tema: fazer um censo vicentino.
A minha idéia é simples.
O Conselho Nacional faria uma folha com os dados da pesquisa para cada Conselho Metropolitano. Cada Metropolitano faria uma cópia dessa folha para seus Conselhos Centrais. Esses fariam uma cópia para cada Conselho Particular e, finalmente, esses fariam uma cópia para cada Conferência.
À exceção do Conselho Nacional, as demais unidades fariam apenas umas 10 cópias para distribuir.
A folha de pesquisa seria preenchida pelo presidente de cada Conferência, com a ajuda do seu secretário. Ela iria conter apenas o nome da Conferência, do Conselho Central, do Conselho Metropolitano, e indicaria a sua localização. Nos dados a serem preenchidos, apenas o nome do Confrade ou Consócia e a sua idade, e o número de famílias visitadas semanalmente.
As Conferências de Crianças e Adolescentes também entrariam na pesquisa. Os Grupos de Jovens só se seus participantes não pertencerem a nenhuma conferência.
Se o Conselho Nacional quiser mais um dado, poderia ser colocado o cargo que a pessoa ocupa.
Mas, vejam que estou falando apenas dos confrades e consócias ativos. Os afastados não entrariam na relação, pois seria mais difícil colher seus dados.
OS MAPAS ANUAIS NÃO NOS DÃO INFORMAÇÕES NESSE NÍVEL.
A pesquisa poderá parecer sem serventia, mas depois de feita veremos que não. Dará um retrato atualizado da SSVP no Brasil que poderá sugerir algumas ações concretas.
LSNSJC
Como sugestão, a folha poderia ter os seguintes dados pedidos:

CONSELHO NACIONAL DO BRASIL
CENSO VICENTINO

Conselho Metropolitano de...
Conselho Central ...
Conselho Particular ...
Nome da Conferência...
Número de famílias assistidas de fato...
Cidade/UF...
Endereço para contato: Rua... CEP...
Telefone: ( ) ... E-mail: ...

NOME DO CONFRADE OU CONSÓCIA

IDADE

OBSERVAÇÕES

01

 

 

 

02

 

 

 

03

 

 

 

04

 

 

 

05

 

 

 

06

 

 

 

07

 

 

 

08

 

 

 

09

 

 

 

10

 

 

 

11

 

 

 

12

 

 

 

13

 

 

 

14

 

 

 

15

 

 

 

16

 

 

 

17

 

 

 

18

 

 

 

19

 

 

 

20

 

 

 

Observações:
1- Os dados serão preenchidos em letra legível, por uma pessoa, mediante a informação de cada Confrade ou Consócia.
2- A tabulação dos dados poderá ser feita em cada Conselho Central pelo grupo de jovens. O resultado e as planilhas serão encaminhados ao Metropolitano que consolidará os dados de todos os Centrais (também com a ajuda dos grupos de jovens) e, finalmente encaminhados para o Conselho Nacional que apenas consolidará os dados enviados pelos Metropolitanos, junto com todas as planilhas, para uma eventual tirada de dúvidas que possam surgir. Caso o CNB não tenha quem consolide os dados, é só pedir ajuda e logo ela aparecerá.
3- Se todos os Conselhos Metropolitanos, todos os Conselhos Centrais, todos os Conselhos Particulares e todas as Conferências fizerem com boa vontade a pesquisa, o Conselho Nacional terá o resultado em três meses, a ponto de se poder divulgar os resultados na Festa Vicentina de Abril de 2010.

REZAMOS BEM? 27 Setembro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Estava fazendo uma visita ao Santíssimo Sacramento e pedindo a Deus as graças que julgo necessitar para mim e para minha família, quando entrou uma senhora idosa com um turbante na cabeça, característico de quem está fazendo tratamento de quimioterapia. Mudei imediatamente o meu pedido a Deus e lhe disse que, se houver uma seqüência a ser atendida, que o dela passasse à frente. A bem da verdade, se for assim terei que esperar muito, tão poucos são os meus problemas comparados aos que vejo que existem por aí. E estou falando só dos que eu vejo e sei, mas, devem existir muitas pessoas com problemas bem grandes.
Logo me veio à cabeça um pensamento: “Só mesmo Deus para receber bilhões e bilhões de pedidos, a toda hora e a todo dia e saber a quem e quando conceder as graças pedidas.Talvez, seja por isso que pensamos que Deus demora a nos atender, pois tem muita gente precisando mais. Mas, pensamos errado, pois não é assim.
Se quiser poderá atender todos os pedidos de uma só vez, mas não é o que Ele quer. Nós não entendemos essa demora, essa não concessão do que pedimos; mas, Ele sabe.
Durante uns poucos minutos que fiquei na Capela, dezenas de pessoas entraram e saíram. Não sei se vieram agradecer ou solicitar, mas acho que 90% vieram pedir. Pode parecer que é ingratidão nossa, e de certa forma é, mas, costumamos muito mais pedir do que agradecer. Eu mesmo sou assim e não devo ser diferente dos demais que o visitam ou se lembram d’Ele durante o dia, mesmo que não estejamos dentro de uma igreja ou capela.
Na verdade somos egoístas, pois ficamos pedindo, pedindo e pouco agradecemos pelo muito que recebemos. Se analisarmos um dia só da nossa vida veremos que tenho razão. Só o fato de vivermos minuto após minuto, dia após dia tendo saúde (mesmo que uns poucos probleminhas apareçam), tendo emprego, tendo o que comer, tendo liberdade, tendo com quem conversar já são muitas as graças recebidas.
Mas alguém poderá perguntar: Então Deus não é justo com todo mundo? Por que Ele dá para uns tudo o que você falou e para outros não? Por que há tanta gente doente, solitária, com fome, com frio, desabrigada, presa? É aí que entra um dos maiores mistérios que Deus deixou para a gente pensar. Ele não quer ver ninguém com fome, solitário, desabrigado, doente, preso. Ele dá para alguns os meios de ajudar os que não receberam e espera que cada um seja caridoso ao ponto de se lembrar do que sofre e nada tem.
A pessoa que é egoísta acha sempre uma desculpa para querer justificar sua atitude, sua maneira de ver as coisas. Ela fala que quem tem de cuidar dos pobres é o governo. Até que não deixa de ter certa razão, mas, é bom lembrar que se o governo não faz nada, assim como quem tem e também não faz, ambos estão errados. Cada um, no seu grau de recebimento e responsabilidade, vai ter que prestar conta a Deus sobre sua omissão.
Outro aspecto: costumamos achar que o pobre é preguiçoso, é ingrato e até chato. Mas, eu gostaria de saber qual seria nossa atitude se estivéssemos no lugar dele. Notar as pessoas nos olhando com desprezo, com pré-julgamentos, com insensibilidade diante dos nossos problemas, sem se preocuparem em nos dar uma chance de sair da pobreza extrema, sem querer saber se temos filhos com fome ou doentes precisando de médicos e medicamentos...
O que será que essas pessoas tão carentes, tão desprezadas pedem a Deus? Será que alguém se preocupou de, ao menos, ensiná-las a rezar, a amar a Deus apesar das circunstâncias? É difícil entender porque Deus não dá uma guinada forte e inverte as posições. Quem tem, passa a não ter. Quem não tem, passa a ter. Mas, será que adiantaria fazer isto? Não iria acontecer a mesma coisa com os personagens invertidos?
É impossível entender a lógica de Deus. E tem que ser assim, pois não conseguimos entender nem a lógica do ser humano! Não é o caso de a gente pensar um pouco mais o que vamos pedir a Deus? Não é o caso da gente agradecê-Lo mais vezes?

ENVELHECEMOS E NÃO PERCEBEMOS – 20 Setembro 2009

É interessante como a gente não percebe, no dia a dia, que está envelhecendo.
Se não for o resultado de uma doença grave, que mine a pessoa em pouco tempo, não percebemos o tempo passar. Não importa que eu esteja falando de pessoas que tenham vinte, trinta, cinquenta ou mais anos de existência.
Isto acontece porque a pessoa está acostumada a se ver no espelho diariamente e não nota as mudanças em nosso corpo. Aliás, acho que notamos; mas, nossa mente teima em nos enganar.
Mas, de repente, a ficha cai. E ela cai por alguns motivos que podem nos acontecer.
Um deles é você ter acesso a uma fotografia tirada na época do ginásio. Aí você a compara com outra tirada na semana passada e vê o estrago que o tempo fez. E não é por causa de que uma foi tirada com uma velha máquina que usava filme que precisava ser revelado e a outra com uma moderna máquina digital. O problema são as rugas que aparecem nessa última.
Outro motivo é você encontrar-se com algum colega daquele mesmo ginásio ou da faculdade. Podem acontecer duas coisas: ele passa por você e não te reconhece, embora você o tenha reconhecido, ou ele vem conversar e você pensa, mas não diz: “Como ele envelheceu! Será que envelheci tanto também?”.
Um terceiro motivo é você perceber que da turma toda da sua juventude, só você e um ou outro mais ainda continuam vivos.
Quando um desses motivos acontece, na próxima vez que você se vê no espelho costuma prestar mais atenção à sua figura. E nota realmente muitas mudanças.
Isto é ruim? Nem sempre.
Para a pessoa vaidosa pode ser, mas para a que tem os pés no chão significa outra coisa: ela teve a graça de viver muitos anos, o que nem todos os seus amigos tiveram.
Saindo da frente do espelho, temos a ocasião de voltar à realidade e pensar: O que fiz nesses anos todos? Valeu à pena? Fui útil? Fui feliz? Fiz outras pessoas felizes? Amei a Deus para valer na pessoa do meu irmão menos afortunado?
Nós, vicentinos, temos a oportunidade de lidar com a velhice semanalmente, pois a maioria dos nossos assistidos é de idade avançada. Claro que não iremos fazer isso, mas se tivéssemos a oportunidade de perguntar a eles se perceberam a velhice chegando, é provável que a resposta seja “não”. Lutaram tanto na vida, venceram tantos obstáculos, foram esquecidos por tantos, que não tiveram tempo de se olhar no espelho e se comparar em fotos e ficar pensando neste fato que um dia vai acontecer a todos que conseguirem viver mais anos.
Envelhecer...
No mês de setembro, principalmente no dia vinte e sete - dia de São Vicente de Paulo - que é dedicado ao Idoso, seria bom que visitássemos um Asilo, um Lar do Idoso, uma enfermaria de hospital e lá passássemos algumas horas conversando com os “velhinhos e velhinhas”. Teríamos feito um bem a eles e a nós mesmos, pois poderíamos aprender que tiveram muitas alegrias e que todas as dificuldades da vida não foram assim tão ruins, pois estão vivos para poder recordá-las. E não nos esqueçamos de levar um presentinho, que todos gostam tanto de receber. Mas não levem espelho, por favor.
É bom lembrar que também no dia vinte e sete de setembro comemora-se o dia da CARIDADE, homenagem a São Vicente de Paulo, um homem tão bom que foi escolhido para ser o patrono de todas as obras de caridade do mundo inteiro.
E com esse santo aconteceu um fato interessante: embora tenha envelhecido e morrido aos 79 anos de idade, ele parou de envelhecer (sem trocadilho), pois seu corpo está incorrupto exposto na Capela São Vicente de Paulo, na rua de Sèvres, Metrô Vaneau, em Paris. E olhem que ele morreu em 1660, 349 anos atrás.
De 27 de setembro de 2009 a 27 de setembro de 2010 será celebrado o Ano Jubilar de São Vicente de Paulo, fazendo memória dos 350 anos da morte do santo.
Não deixa de ser um sinal de Deus para aqueles que são, de fato, caridosos.

EXCEÇÕES - 12 Setembro de 2009
Cfd. Aluizio da Mata
Já disse uma vez que “pobre é que mais gosta de ajudar pobre”. Não há nenhum preconceito nesta minha frase. Ela apenas constata o que já vivi dentro da SSVP durante mais de quarenta anos.
Não que alguns ricos não gostem de ajudar. Tem as exceções; mas, se formos olhar a grande maioria que contribui de boa vontade com a SSVP, nós a encontramos nas camadas mais humildes, às vezes até pobres mesmos.
Mas, há exceções, como disse. Tenho um amigo que é um dessas exceções. Ele é um brincalhão. Somos amigos de muito tempo, pois trabalhamos na mesma empresa por décadas. Eu fui aposentado primeiro. Ele ainda falta um pouco de tempo. No tempo que trabalhávamos juntos, ele era meu contribuinte mensal. E no fim do ano, à época do Natal, ele me dava uma quantia bem grande, mas enfatizava: “Quero que você compre só brinquedos para as crianças. Nada de comida e roupas”.
Não sei o porquê desse pedido dele; mas, eu cumpria a vontade dele e sempre que o convidava a ir entregar os brinquedos na periferia, ele não aceitava ir.
Como passei três anos fora da nossa cidade, acabei não recebendo mais suas doações.
Hoje, pela manhã, estava indo comprar pão e o vi na loja de informática de um amigo comum. Foi um bom encontro, pois o considero uma pessoa muito legal. Depois de conversarmos um pouco, ele olhou para a camiseta que eu estava vestindo e que tinha o emblema da SSVP, e brincou: “A Sociedade de São Vicente de Paulo está ficando rica, pois até camiseta está dando para os seus membros”. Expliquei, embora ele saiba disso, que as camisetas que o confrade e a consócia recebem, cada um paga a sua.
Ele, falando para o nosso amigo, disse: “A Sociedade de São Vicente de Paulo é pobre até para pedir. Eles ao invés de fazerem uma rifa com o bilhete a trinta reais fazem com o valor de cinco reais”.
Eu expliquei que o bilhete mais caro é difícil de ser vendido, pois as pessoas que mais nos ajudam são assalariadas, algumas até mesmo pobres, mas são as que mais têm boa vontade de ajudar.
Aproveitando a ocasião, perguntei se ele gostaria de voltar a ser meu contribuinte; e, ele aceitou, apenas dizendo que teria que ser cobrado, pois não se lembraria sempre de dar o donativo.
Aí perguntei se ele ainda queria dar a contribuição perto do natal. Ele concordou e me disse para lembrá-lo através de e-mail, já que ele faz parte do meu Grupo de mensagens diárias.
Voltei a perguntar se na época ele gostaria de ir levar os brinquedos para os pobres, e ele disse, quase gargalhando, para o meu amigo: “Você acha que vou querer ir distribuir brinquedos para uma turma de meninos “catarrentos” ficarem falando: Tio me dá um presente?”
Sei que ele não vai entregar os presentes; mas, sei também que ele não falou isto com preconceito. É apenas a maneira dele brincar com as coisas sérias da SSVP. Ele sabe que o que arrecadamos entregamos para os pobres.
Quem dera que tivéssemos mais pessoas como João Carlos, esse amigo a quem me refiro!

SEGUINDO IMPULSOS – 5 Setembro 2009
Texto: Aluizio da Mata

Não sei se é virtude ou defeito seguir impulsos. Eu, por diversas vezes, o tenho feito. E costumo arrepender-me ou não, dependendo do que possa resultar da ação que faço.
Hoje tive a ocasião de tornar a agir por impulso. Pela manhã estava conversando com meu filho sobre o fato de a juventude de hoje não olhar para o futuro e pensar muito em gozar a vida no momento atual. Ele me disse uma frase que ficou na minha mente o dia todo: “Pai, eu gosto de viver o dia de hoje. Faço tudo o que me agrada, o que gosto de fazer, pois não sei se amanhã estarei vivo”.
Como o conheço bem, sei que ele falava de passear, estar junto com os amigos, participar de festas, e até praticar os hobbies de que tem. Como hoje é quinta feira fui assistir à Missa das 19:00 hs, como sempre faço. Gosto de ir a pé para a igreja, pois assim ainda pratico um pouco de caminhada.
No trajeto sempre encontro algumas pessoas conhecidas e entre elas um casal que mora na mesma rua. Eu conheço os dois desde a época de estudante e, por isso, costumo parar por um ou dois minutos para um dedo de prosa.
Também tenho o costume de sair de casa bem antes do horário da Missa para poder ficar na igreja, rezando, “trocando” idéias com Jesus no Sacrário. Conto para Ele os meus problemas, faço os meus pedidos, oro por todos os meus familiares ou simplesmente fico lá pensando em nada. Hoje saí cedo e não encontrei os tais amigos. Estava rezando na igreja quando vi que um casal, que eu não conhecia, entrara juntamente com um menino de uns cinco anos e a minha amiga. O casal foi sentar-se nos bancos da frente, a minha amiga sentou-se no banco que estava à minha frente, bem perto de mim. O menino, notei, foi sentar-se separado de todos, ficando em um banco mais distante. O pai, pouco depois foi até ele, abraçou-o, e chamou para ele ir para perto da mãe. Ele foi, mas um minuto depois voltou ao lugar antigo. A mãe fez o mesmo e novamente a cena se repetiu. A avó, sem sair do lugar chamou-o, mas ele fez um gesto com a cabeça indicando que não queira ir para perto dela.
Aí me veio o impulso de fazer um pequeno comentário com a minha amiga: “Parece que seu o menino está querendo tomar as primeiras atitudes de independência”. Ela então me falou:- “Ele é meu neto e hoje está fazendo seis meses que ele perdeu um irmão de sete anos. Do dia em que se descobriu que ele estava com câncer na medula até o dia em que morreu, passaram-se apenas 26 dias. Meu neto ficou muito abalado e vamos até levá-lo a um psicólogo”.
Não tive palavras para dizer nada, além de comentar que tanto ele quanto os seus pais e avós deveriam estar arrasados. Ela disse que sim e ainda completou: “O pai dele, ainda, perdeu o emprego e a mãe teve que sair para trabalhar. Ainda bem que o nosso pároco, sabendo que os dois são muito católicos, convidou-os para fazer o Curso Preparatório para Ministros Extraordinários da Comunhão”.
A Missa foi iniciada e o menino continuava meio separado. Pouco depois a mãe dele o pegou e foi para fora da igreja conversar um pouco com ele. Eu estava pertinho da porta e coloquei a mão em uma carteira de documentos que hoje mesmo tinha reorganizado e lembrei-me de ter visto duas medalhas de Nossa Senhora das Graças.
Num impulso peguei uma das medalhas e esperei que ele retornasse para dentro da igreja. Quando ele veio com sua mãe, estendi minha mão fechada e pedi que ele abrisse a dele. Ele ficou sem saber o que eu queria, fez um gesto de afirmativo com o polegar, mas eu insisti em que ele abrisse a mão. Ele o fez e eu depositei nela a medalha que santa Catarina de Labouré mandou cunhar atendendo a orientação da Mãe de Jesus, que lhe aparecera em Paris. Ele se surpreendeu, sorriu e agradeceu. E chegou perto de sua família e mostrou a todos o que eu lhe dera.
Acabada a celebração, como é costume, o padre chamou os aniversariantes ao altar e de todos os chamados, só o menino estava lá. Era dia do seu aniversário. A primeira coisa que ele fez foi mostrar a medalha para o padre. Depois que foram cantadas as duas músicas tradicionais (uma delas pedindo bênçãos para o aniversariante), a seu pedido, o padre benzeu a medalha. Na verdade não precisava, pois ela já estava benta, mas ele não sabia.
Terminada a missa, fiquei mais um pouco pensando no que acontecera. A família passou por mim e ele me agradeceu. Também a família o fez. Acho que ele interpretou a oferta como um presente de aniversário, por à exceção da avó eles não sabiam que eu tivera conhecimento da tragédia pela qual passaram.
Naquele momento pedi a Nossa Senhora que os ajudasse a transpor as dificuldades e para que a criança, em especial, conseguisse superar a perda do irmão, sem conseqüências psicológicas. Sei que não é fácil para uma criança entender por que um irmão de sete anos tem que morrer assim tão de repente, mas tenho a certeza de que Maria Santíssima vai ajudá-lo, pois não teria significado eu ter tido o impulso de dar ele a medalha, se Ela não quisesse protegê-lo.
Agora fico pensando que meu filho, talvez, tenha razão. A gente não sabe o que irá acontecer amanhã ou daqui a um mês. Acho que seguir o impulso que hoje tive terá resultados positivos. Como católico e vicentino, confio muito na Mãe de Jesus.

LIMPANDO A CASA DE DEUS – 29 Setembro 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Quando meu coração se sente angustiado, costumo ir à Capela de um hospital e lá ficar por algum tempo. Faço algumas orações pedindo a Deus alívio para aquele sofrimento, mas a maior parte do tempo fico só pensando nas coisas da vida. Mesmo permanecendo o problema, em pouco tempo aquela angústia vai embora. Todos nós deveríamos dedicar semanalmente alguns minutos para fazer isto também.
Hoje alguém me lembrou de forma jocosa um fato que aconteceu comigo e que me deixou muito chateado, embora eu não tivesse feito nada deliberadamente para prejudicar alguém. Mas, o fato é que, num momento de muita emoção, de não pensar o que poderia advir, falei com um amigo o que ele considerou quase uma ofensa.
Tenho a consciência tranquila de que nada falei para ofendê-lo. Simplesmente questionei por que ele não tomara uma determinada posição de defesa de uma amiga que tínhamos em comum e que estava sendo ofendida por três outras pessoas. O certo é que assim parecia a alguns e eles passaram a tratar-me com indiferença, sem ao menos perguntar o que de fato tinha acontecido.
Estava pensando naqueles fatos quando uma senhora entrou com um balde com água e começou a limpar a Capela com um pano molhado. Veio-me, então, a idéia de que, de vez em quando, precisamos limpar o nosso interior. Assim como aquela mulher estava limpando a “casa” de Deus, eu pensei na necessidade que tinha de limpar o meu coração.
Quantas pequenas sujeiras devemos ter no nosso interior e nada fazemos para limpá-lo. Aquela Capela tem o dom de acalmar-me, talvez porque foi nela que dei meus primeiros passos dentro da religião, quando pequeno ainda acompanhava a minha mãe para assistir a Missa, quase de madrugada.
Talvez seja pela mesma imagem de nossa Senhora das Graças, que depois de 60 anos ainda lá está, abençoando a todos que vão lhe pedir ajuda. Talvez seja pelo Santíssimo Sacramento que fica ininterruptamente no Sacrário, esperando a visita de seus amigos, embora pareça que seus amigos não se lembram dele, a não ser para pedir favores e milagres. Durante o tempo que desta vez estive lá, apenas uma mulher entrou para rezar. E olha que a Capela fica em um hospital. Era para estar sempre com muitas pessoas rezando, mas não é o que acontece.
Eu, chateado que estava pelo fato de uma pessoa, mesmo que brincando, lembrar-me de uma situação desagradável acontecida tempos atrás, saí de casa para andar sem rumo, mas, não sei por que, meus passos me encaminharam para a Capela.
Quanta paz, meu Deus! Escrevo este artigo dentro da Capela. Não considero que esteja fazendo algo que desrespeite o meu Deus, mas não poderia deixar de registrar os meus sentimentos.
Um suspiro fundo sai de dentro de mim. Sei que daqui a pouco vou voltar para o meio barulhento do mundo, das ofensas que faço e que fazem a Deus; mas, Ele sabe o bem que me faz ficar aqui.
Tenho a certeza de que o Céu é de uma paz muito maior do que a que existe nesta Capela. Então vai ser muito bom estar lá, se eu merecer ir para lá.

ONDE ESTÃO? – 22 Agosto 2009
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
A Sociedade São Vicente de Paulo tem três assembleias gerais por ano e em todas elas novos confrades e consócias são apresentados, depois de serem proclamados em suas conferências.
Como o número dos que entram para a SSVP é maior do que o número dos que morrem ou que a deixam, era de se esperar que nossas assembléias estivessem sempre repletas de participantes. Mas, não é o que acontece. Não dá para entender.
Aliás, não dá para entender como muitos confrades e consócias não participem das nossas festas. É claro que em alguma delas alguns possam estar trabalhando, doentes ou mesmo viajando; mas, seria muita coincidência que em todas elas acontecesse o mesmo. Será que eles não se lembram mais do que aprenderam dentro da SSVP?
Se todos nós, confrades e consócias já proclamados e apresentados, participássemos das assembléias, nos nossos salões não caberia tanta gente. Os nossos auditórios estariam sempre repletos.
Existem as exceções em que a frequência é grande, por exemplo, na Romaria à Aparecida, nos AVIVs, mas mesmo assim o número é pequeno pelo total dos vicentinos existentes. Quando em uma assembleia vemos quase todos os lugares tomados ficamos alegres; mesmo assim, se fizermos uma análise não é nem a metade dos vicentinos atuantes.
Tenho reparado um fato que pode ser até que aconteça só nos lugares em que eu participo. O vicentino antigo, inclusive alguns ex-presidentes, que delas não participa está dando um péssimo exemplo. O vicentino mais novo que só vai à Assembléia no dia da apresentação, também não foi bem preparado no seu estágio, e isto acontece em grande número. Muitos dos novos vicentinos até nem sabem desta “obrigação”.
E aí, mais uma vez, outra falha do seu presidente. Ele não soube prepará-los. Não há, em muitos Conselhos e Conferências, uma divulgação adequada das datas das assembléias. Deveríamos colocar, com antecedência, avisos sobre o assunto em todas as salas de reuniões. Já aconteceu de eu perguntar por que muitos não compareceram em determinada assembléia e escutar: “Eu não sabia”.
A Regra determina as épocas das assembléias e elas são marcadas de acordo com o calendário do ano. Não há como dizer: “Eu não sabia”.
Vejam a assembléia acontecida em Abril e verifiquem se o que falo não é verdadeiro.
Já está na hora de divulgarmos as datas das festas de Setembro e Dezembro. E os presidentes devem lembrar que a presença de todos é necessária e benéfica. Aliás, a divulgação deveria ser feita em forma de convite aos nossos subscritores, ao povo em geral. Poucas vezes vi os assistidos participando de alguma assembléia.
Como a festa é de confraternização, até nas igrejas poderiam ser dados os avisos. Dificilmente isto acontece. Este é um assunto para meditar.

CONFERÊNCIA, BASE DA SSVP – 15 agosto 2009
Imagine um edifício com muitos e muitos departamentos. Por uma regalia do dono do edifício, você e todos os demais podem escolher em qual sala querem trabalhar. Você escolhe uma sala onde irá prestar seus serviços e observa que já existem outras pessoas trabalhando lá. A única coisa que o dono lhe pede é que você respeite as normas e os regulamentos que estão em vigor. Você aceita trabalhar nele e com ele.
O que você espera que aconteça? É um edifício diferente, onde todos os que lá estão não o fazem por dinheiro. Outra coisa que você descobre logo é que ninguém é obrigado a fazer qualquer das tarefas. Cada um faz a tarefa que lhe couber porque quer colaborar.
A maioria dos que lá trabalham são pessoas prestativas, são organizadas e aceitam os convites que lhes são feitos para dirigir os departamentos, ou para colaborar como secretário ou tesoureiro. Naquele edifício todos trabalham apenas uma hora por dia, e um dia por semana. É costume da empresa que cada reunião semanal seja iniciada e terminada com orações. Registra-se em ata tudo o que acontece na reunião, como também em todas elas é apresentado o seu demonstrativo financeiro. Daí a necessidade de alguém efetuar os registros.
A reunião sempre deve se desenrolar em clima fraterno e nela cada membro participante relata como cumpriu o que lhe foi pedido fazer. Você observa que alguns cumpriram e bem suas tarefas. Outros, infelizmente, não o fazem.
Apesar de tudo, nem quem foi o mais eficiente é elogiado nem o mais negligente é criticado. A filosofia da empresa é de que cada um tem que dar conta de sua consciência, pois o dono da empresa é uma pessoa bem informada e vê tudo o que nela acontece. Um dia cada um irá prestar contas ao dono de tudo. Todos que lá trabalham sabem disso.
A tarefa principal da empresa é que todos sejam santificados e isto só acontecerá se cada um procurar santificar o seu colega ou as famílias pelas quais ficou encarregado de visitar durante a semana.
Bem, vamos imaginar agora que este edifício seja sustentado por muitos tijolos. Acontece que os tijolos não poderiam sustentar nada se não estivem unidos pelos grãos de areia que formam a massa que os une. Imagine se alguns grãos de areia resolvessem sair da estrutura, ou se pensassem ser pouco importantes no total da construção... Mais cedo ou mais tarde, cada um que não cumpriu bem a sua tarefa colocará o edifício em risco. Alguém poderá falar: “Uns poucos grãos não irão fazer falta!”.
Isto é um engano. Um mar é constituído de bilhões de gotas de água e quando acontece de muitas delas abandonarem o seio de onde estão, ele se tornará menor. Pode até acontecer de um mar deixar de existir caso as gotas se rebelarem e deixarem o conjunto que o forma.
Eu comparo a SSVP a esse edifício. Os Conselhos são os departamentos, as Conferências são aos tijolos. E, principalmente, comparo cada confrade e cada consócia aos grãos de areia que sustentam todo o conjunto.
Nesse edifício existem pessoas tão caridosas que não se importam de mudar de departamento só para socorrer algum que esteja mais precisado.
Compare a sua Conferência, seu Conselho Particular, seu Conselho Central, seu Conselho Metropolitano, o Conselho Nacional, enfim, a SSVP como um todo a este edifício. Qual está sendo a sua colaboração? Está tornando o edifício mais sólido ou o está solapando?
É bom lembrar que quando uma Conferência deixa de existir por falta de membros, todos os participantes do Conselho Particular e do Conselho Central são responsáveis pelo seu fechamento.
Trabalhar em um departamento onde já existam muitas pessoas, quando em outros falta o mínimo necessário para se reunir, pode ser comodismo. E ninguém que é comodista se santifica. Olhe no seu Conselho e veja se você não poderia ser mais útil em outra Conferência!
E lembre-se: os confrades e as consócias são os grãos de areia e a caridade é o cimento que nos liga e nos fortalece.
Por fim um recado final: Deus é o dono do edifício que vê e sabe tudo. Ninguém consegue enganá-Lo.

OS POBRES, DEIXO TUDO POR ELES – 8 Agosto 2009
De São Vicente, são diversas as frases que dizem muito aos confrades e consócias. Destaco duas, especialmente para falar sobre o ex-Cfd. Geraldo Francisco, o “Geraldo Bichinho”, como era mais conhecido em Sete Lagoas-MG.
A primeira diz: “Os pobres, deixo tudo por eles”. Existem vicentinos de todas as maneiras. Há aqueles que frequentam a conferência, visitam as co-irmãs, visitam seus assistidos, mas o fazem apenas cumprindo o que manda a nossa Regra.
Há vicentino que não faz tudo isto, cumprindo mal o Regulamento; mas, há os vicentinos que dão a vida pelas suas conferências e pelos seus assistidos. Não há nada que os impeça de praticar a caridade do jeito que Jesus ensinou. Esses são vicentinos exemplares. Neles todos os outros deveriam se espelhar.
Não é a idade que faz com que confrades e consócias sejam vicentinos de fato, mas a caridade que eles praticam. Conheço vicentinos de pouca idade que são muito caridosos, como o foi Ozanam desde o início do seu apostolado.
O vicentino autêntico, qualquer que seja a sua idade, tem um mérito maior por vivenciar situações diferentes e nelas praticar as Obras de Misericórdia.
No entanto, parte dos vicentinos não quer se compromissar com tarefas que vão lhe tomar tempo, tempo esse nem sempre bem aproveitado. Existem alguns poucos, e ainda bem que existem alguns, se dedicando de corpo e alma a ajudar o próximo.
E se, a cada dia, novos desafios vão surgindo, eles não recusam atender o chamado de Deus. O Cfd. Geraldo Bichinho foi é um deles.
O chamado feito a ele não aconteceu quando já era adulto, mas desde quando criança. E desde aquela época ele sempre respondeu SIM. Ele conheceu a Sociedade São Vicente de Paulo, quando ainda menino e morava na roça.
Morar na roça, na maioria das vezes, era sinônimo de viver com muita dificuldade. Foi naquela época que ele conheceu os vicentinos.
Contava que se lembrava muito bem quando os confrades (naquela época a SSVP era composta apenas de homens) chegavam à sua casa trazendo às costas um saco cheio de alimentos, pois até fome passava família dele. Sua família foi assistida durante algum tempo.
Mudando para a cidade, Sete Lagoas, todos encontraram trabalho e conseguiram se sustentar. Olhando sua trajetória, vemos que era um jovem muito caridoso e amigo.
Lembrando-se da ajuda que recebera dos vicentinos, procurou saber quem eram eles. Entrou para a SSVP e nunca mais dela saiu. Teve uma história muito bonita vivida na Sociedade de São Vicente de Paulo. Nela esteve desde jovem e nunca recusou um cargo que lhe fosse atribuído. Foi presidente de Conferência, de Conselho Particular e palestrante de mão cheia. Era de pouca instrução escolar, mas de muita sabedoria de vida. Sabia dar um recado que a gente nunca mais esquecia.
Passou por muitas tribulações e sofrimentos, mas nunca chegou a pensar em largar a Sociedade. O seu amor pelos pobres, por São Vicente de Paulo e também por Ozanam, o ajudou a vencer muitos obstáculos.
Era carpinteiro e despojado de tudo. Casou-se, mas não teve filhos. Ficou viúvo e casou-se mais tarde com uma consócia, com quem também não deixou descendentes. Ele entendeu que se Deus deixa que obstáculos apareçam em nossa vida, maior força Ele nos dá para vencê-los. E para cada obstáculo vencido, a glória de Deus resplandece.
A segunda frase que destaco é: “A partilha é bem diversa de um donativo, e completamente diferente da esmola; é feita de reciprocidade e de troca”.
Foi o que o Cfd. Geraldo Bichinho fez na sua vida. Partilhar o que tinha de melhor, não como um donativo ou uma esmola, mas como uma doação, como um ato de amor, em troca da sua felicidade no Céu. Até seus poucos bens, inclusive a casa em que morava e uma pequena oficina de carpintaria de fundo de quintal, doou para a SSVP, com uso-fruto da sua segunda esposa. Lembro-me bem: na sua oficina consertava gratuitamente os móveis de muitos assistidos.
Eu tinha uma particular admiração por ele, pois estagiei por mais de um ano e meio na sua Conferência. Foi acompanhando-o que aprendi a fazer visitas aos assistidos. Nas “cobranças” de ruas, como chamávamos a arrecadação mensal dos donativos em espécie ou em gêneros, eu seguia o seu exemplo. Ele vivia a frase que dá título a este artigo: realmente deixava tudo pelos seus assistidos.
Uma recordação que ficou gravada em minha memória foi quando o presidente da Conferência, na época o confrade Raimundo (Dico) Silveira, pediu que ele fizesse uma saudação no dia da minha proclamação. Palavras bonitas ele falou, mas uma frase, que eu não conheci ainda ficou gravada no meu coração. Era também uma frase de São Vicente: “Se a caridade é uma flor, a cordialidade é o seu perfume”.
Por fim, quero dizer que ele, com certeza, é um dos vicentinos já falecidos que ajudam São Pedro a abrir as portas do Céu, para aqueles confrades e consócias que seguirem os exemplos de São Vicente e de Ozanam. E os dele também.

ATENDIMENTO MÉDICO NO BRASIL – 1 Agosto 2009
Revistas semanais costumam noticiar quando pessoas importantes e celebridades são acometidas de alguma doença e como são tratadas.
Lembro-me que, algum tempo atrás, uma dessas revistas divulgou que um determinado parlamentar teve seu atendimento feito em um dos melhores hospitais de São Paulo. E que, mais tarde, quando a conta foi apresentada ao Congresso, ela era tão alta que até possibilitou uma negociação na redução do valor, o que de fato aconteceu. E o desconto não foi nada pequeno. E quem pagou foi o Congresso, isto é, foi cada um dos contribuintes brasileiros, principalmente os mais pobres. E o tal político tinha um plano de saúde de congressista, mas o pagamento foi feito fora dele.
Coincidência ou não, muitos parlamentares e ocupantes de cargos eletivos fazem seus check-up, operações e tratamentos caríssimos enquanto exercem seus mandatos. Não me lembro de ter visto nas reportagens que os pagamentos tenham sido custeados por Planos Complementares de Saúde ou que algum deles tenha pagado uma parte com seu próprio dinheiro.
Podem até ter sido, mas a prioridade com que foram e são atendidos não tem nada a ver com isto.
Dos atuais ocupantes dos cargos mais importantes da República, alguns deles foram atendidos pelos melhores hospitais de São Paulo, com exames, operações e tudo mais pago com o dinheiro público. E sem esperar em filas, como qualquer um dos seus mortais eleitores.
Está errado o político ser atendido rapidamente e com essas regalias? Não, creio que não. Afinal, são brasileiros e merecem que o Estado custeie as despesas necessárias para que mantenham a saúde em dia e que não morram esperando o atendimento.
O que não me parece certo é que outros brasileiros, menos importantes, não tenham o mesmo pronto e eficiente tratamento.
Duvido que os hospitais do Brasil, sejam quais forem, atendam da mesma forma um simples empregado de uma empresa qualquer, mesmo que seja através de um plano de saúde...
Então, se falarmos do indigente, do sem emprego, dos moradores de rua, dos idosos sem família, aí a coisa piora.
Não muito raramente assistimos pela televisão o atendimento precário às pessoas necessitadas. Sem contar as que esperam horas e horas sem atendimento, as que têm que correr de hospital a hospital para tentar arranjar uma consulta ou uma vaga de internação. Chegamos a ver notícias de pessoas que faleceram sem terem sido atendidas. E isto ocorre em todo o Brasil.
Existem hospitais que atendem o público através de Convênios com o Governo, mas os valores que recebem são tão pequenos que, nem eles, nem os médicos têm interesse em ser procurados. E quando procurados, parecem não dar o mesmo atendimento que dão às autoridades. A autoridade é importante? É. Qualquer brasileiro, por mais pobre que seja também é importante? É. Por que, então, o tratamento diferenciado?
Chego a pensar que se os poderosos e os importantes fossem tratados como indigentes, a coisa mudaria.
Claro que existem médicos caridosos, mas não são em grande número.
Antigamente a maioria dos médicos era pobre, ou melhor, tinha uma vida remediada, o que hoje é difícil de ver. Conheci médicos que atendiam todos os que os procurassem e muitos dos pacientes nem pagar a consulta podiam. Hoje, quem não tem o dinheiro para a consulta dificilmente entra no consultório.
Nos tempos atuais existem consultas no valor de até quinhentos reais, e elas variam de acordo com a especialização do médico e dos equipamentos que ele usa. Está errado? Não. Embora alto, o valor reflete o investimento que ele fez. Mas vejam que todos eles já são riquíssimos, sinal que o valor poderia ser um pouco menor. O problema está em que 95% da nossa população não pode ter acesso a esses médicos, a esses aparelhos ultramodernos e à maioria dos hospitais.
Será que ainda existem médicos que atendem o pobre gratuitamente? Será que eles vêem no necessitado outro Cristo e o deixam sem atendimento?
Enquanto os encarregados de fazer as leis tiverem tratamentos diferenciados, a população vai continuar sofrendo os horrores, de se ver sem o mínimo de possibilidade de ser bem atendida.
A falta de caridade de muitos profissionais da saúde faz com que inúmeras pessoas deixem de acreditar em Deus.
Se alguém perguntar: - Afinal, onde está Deus que não os obriga a ter caridade? Onde está Jesus que disse: “O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a Mim que o fazeis”, que respostas poderemos dar?
Ao Vicentino cabe procurar dar aos seus assistidos, e a todos os necessitados, um pouco de esperança, fazendo a caridade como o fizeram, também, São Vicente e Ozanam, mesmo que o restante da humanidade se omita.

PSICOLOGIA DE MASSA – 24 julho 2009

Uma coisa que nossa Igreja precisa aprender a utilizar é a boa psicologia de massa.
Outras igrejas conseguem fazer com que a pessoa se torne tão entusiasmada com o que os pastores dizem, que nem se preocupam em saber se estão sendo ou não prejudicadas. Para fazer uma pequena comparação, conheço uma pessoa que antes se dizia católica. Ia à missa quando lhe dava vontade (e ela nem sempre a tinha); não participava de nada das pastorais; a espórtula que dava, quando ia ao templo, era sempre muito pequena.
Essa mesma pessoa, desde que passou para outra religião, não falta ao culto semanal e com pouco tempo já está ofertando dez por cento de tudo o que ganha e até do que não ganha. Ela mesmo diz isto.
Já vi pessoas venderem parte de sua alimentação para não faltar com o compromisso do dízimo com a sua nova igreja.
Tempos atrás, no noticiário, apareceu o caso de um senhor de quem estavam exigindo dele o dízimo do que não tinha. Ele vendeu o seu carro e emitiu cheques sem fundos para doar para a sua igreja. A justiça mandou que a tal igreja devolvesse tudo o que ele tinha dado, com as correções devidas. É aí que falo da psicologia de massa. Mas, na minha opinião, essa psicologia de massa não é a boa.
Claro que não quero que a nossa Igreja faça o mesmo, isto é, deixar a pessoa como que alienada, mas precisamos conseguir atingir um número maior de pessoas para escutar a nossa doutrina. As homilias de nossa Igreja ficam restritas aos fiéis que vão às celebrações.
Os pastores são treinados para motivar os seus militantes através da televisão, de rádios, jornais e revistas.
Se a psicologia de massa fosse usada para ensinar somente sobre Jesus, tudo bem; mas, em alguns casos eles a usam para usufruir também financeiramente do que é dos seus fiéis.
E vá alguém dizer que os pastores estão aproveitando deles... Os dizimistas de outras religiões os defendem com grande força e chegam até a se sentir ofendidos quando alguém os alerta.
A psicologia funciona como numa torcida de futebol.
Se alguém no meio da torcida começa a vaiar um time, um jogador ou o juiz, logo outro torcedor o acompanha e em pouco tempo quase todo o estádio faz o mesmo.
Neste caso a psicologia de massa é espontânea, mas no caso de certas religiões e seitas, não. Elas são provocadas.
Aliás, isto aconteceu no julgamento de Jesus. Quando Pilatos perguntou para o povo se ele deveria soltar Jesus ou Barrabás, alguém gritou:
“Solte Barrrabás”. E olhe que Jesus só tinha feito o bem e curado muitos dos que provavelmente estavam ali. Funcionou a psicologia de massa. Os fariseus, os mestres da Lei, provavelmente infiltrados no meio do povo, é que começaram a pedir a soltura do ladrão e assassino, deixando Jesus nas mãos dos carrascos. E toda a multidão pediu a condenação do Filho de Deus.
Outra coisa: os pastores de outros seguimentos conseguem motivar os que lá estão em seus cultos a trazer outra pessoa na próxima reunião. Prova disto são as modificações de comportamento que as mulheres conseguem dos seus maridos e filhos.
Eu tinha um contribuinte para minha conferência. Ele e sua mulher eram católicos. Ela foi doutrinada por um pastor e passou para outra igreja. Pouco depois o marido fez o mesmo. Daí parar de ser nosso contribuinte foi um passo, embora ele conhecesse muito bem o destino da contribuição que nos dava.
Nunca escutei um padre dizer para os participantes de uma missa: “traga mais um na próxima celebração”. O padre católico deixa tudo ao sabor dos acontecimentos. Quem quiser ir que vá, quem não quiser... Que ninguém vá obrigado é o correto, mas é preciso haver motivação, chamamento, e até um pouco de cobrança.
Observem que a maioria dos que participam das missas já são de idade mais avançada. Pouquíssimos são jovens. Os participantes atuais foram envelhecendo, muitos já não podem frequentar por motivo de saúde e o número de católicos vai diminuindo em quantidade.
Tem parte de responsabilidade desse estado de coisas a nossa catequese. Hoje ela é superficial. São poucas as crianças que depois da primeira Eucaristia permanecem indo à Missa. Aliás, a maioria dos pais também não vai. São eles os primeiros e principais responsáveis pela educação religiosa de seus filhos. Mas, se os pais não vão, então por quê a criança ou o jovem iria? Não há motivação.
Vi em um fórum na internet a opinião de alguns pré-adolescentes sobre catequese. Fiquei estarrecido. Alguns chegam a fazer troça dos sacramentos. Crianças de 12 a 15 anos. Um jovem que queria sair da catequese, ouviu de um outro jovem: “Você não deve sair, não. Deve ficar lá fazendo perguntas embaraçosas, lendo textos de ateus, fazendo a catequista perder a calma”.
Outro disse que fez questão de perguntar para a catequista no meio da turma, onde a filha dela também é catequizanda: “A senhora diz que devemos amar a Deus sobre todas as coisas. Então me diga: a senhora ama mais a Deus ou ama mais sua filha?” Ele completa dizendo que a catequista ficou boquiaberta, começou a chorar e disse que ama mais a filha dela.
Em outro depoimento, uma moça disse que queria um presente especial dos pais nos seus quinze anos. Eles concordaram, mesmo depois de saberem que ela queria ser livre para não seguir a religião católica. E eles aceitaram a decisão dela, sem ao menos argumentar. Hoje ela se diz livre e sem compromisso. Não segue nenhuma religião.
Li outro dia um fato que parece até piada. Um bispo foi a uma paróquia e o padre se desculpou de na igreja ter muitos morcegos. O bispo lhe disse: “Marque um dia e eu irei fazer a crisma deles”. O padre se assustou e perguntou: “Reverendíssimo, eu escutei direito? Ao que o Bispo falou: “Se acontecer com os morcegos o mesmo que acontece com os jovens depois que são crismados, com certeza desaparecerão da sua igreja”. Ele sabe o que fala.
Fico triste de ver quando se anuncia um show de conjuntos musicais. Tivemos exemplo disto dias atrás no ginásio do Mineirinho. Um conjunto estrangeiro se apresentou e o local do evento ficou superlotado.
Duas semanas depois aconteceu um show de música Axé. Duas noites consecutivas. E desta vez foi o Mineirão que estava cheio. Mais de cento e vinte mil pessoas assistiram os espetáculos. E é assim em todo o Brasil.
Sou contra os shows? Não, não sou. A turma jovem precisa se divertir também, mas se houvesse um jeito de fazer uma pesquisa nesses eventos sobre qual deles participa ou vai a alguma celebração religiosa, posso estar errado, mas 90% dirá que não assiste a nada que se refira a religião.
E quando a Igreja se pronuncia para defender, por exemplo, não se fazer o aborto, gente famosa que tem espaço e colunas em jornais e revistas caem em cima criticando e chamando-a de ultrapassada, de medieval. Semanas atrás pareciam defender a vida de uma menina pernambucana, mas se esqueceram de defender a vida dos gêmeos que ela gerava.
Aliás, no mesmo fato, até o Presidente da República, que se diz católico, teve a coragem de dizer que no caso do aborto provocado na menina de nove anos, a Igreja estava errada. Ele estava falando não era para defender a menina, mas para motivar a legalização do aborto em qualquer circunstância, como estão querendo implantar no Brasil. Melhor teria sido que ele se lembrasse da pergunta do Rei da Espanha a Hugo Chaves: “Por que não te calas”?
A mídia, com raras exceções, usa da psicologia de massa para motivar os jovens a ir aos shows, mas não faz o mesmo para motivá-los a participar de um evento religioso. Incentiva o sexo livre e sem compromisso, mas não o faz para conscientizá-los do que pode acontecer de tais relações.
E como serão os filhos desses jovens de hoje, se é que os quererão tê-los?

MESMO COM TANTAS EXIGÊNCIAS E DIFICULDADES – 17 julho 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

O artigo de hoje é quase a transcrição de uma troca de mensagens que fiz com uma pessoa que não é vicentina.
Tudo iniciou com o envio que ela fez para sua lista, da qual faço parte, incluindo uma foto de um mendigo que estava sentado em uma calçada, em São Paulo, fazendo as seguintes indagações?
1 - Por que um homem que teve a vida inteira para se organizar acaba nesta situação? De quem é a culpa? Somente dele? Dele e do próximo? Será que a culpa é mais do próximo do que dele? Será que a culpa é de uma doença mental ou psíquica? Bebida, drogas?
2 - Enxergando Cristo nesse mendigo, que devemos fazer?
A minha amiga mesmo responde parte do questionamento:
O de que ele precisa primeiro, é de obras de misericórdia corporal. Peregrino pela cidade, ele precisa de hospedagem.
E ela continua a contar-me:
Na minha cidade, tive um caso semelhante: consegui uma vaga num abrigo de idosos; mas, o senhor, doente e se arrastando pela cidade com duas muletas, negou-se terminantemente a ir para o abrigo. Disse que já tinha estado lá e um funcionário se lhe havia roubado, se não me engano agora, os calçados novinhos.
Se isto é verdade, oh,... é demais para qualquer coração! Se é pecado roubar os ricos, imagine que pecadão não é roubar uma pessoa que está na miséria total!
3 - Só me restaram as possibilidades de, paliativamente apenas, dar-lhe roupas, comida e algo para beber – Vestir os Nus, Dar de Comer a quem tem fome, Dar de Beber a quem tem sede.
4 - Mas hoje tudo é preocupante: será que ele não vai trocar as coisas que lhe dei, por cigarro, bebida, drogas?
Oh, mundo complicado, no qual a Liberdade com que Deus nos agraciou, o livre-arbítrio, são tão mal utilizados!
5 - Uma coisa é certa: nenhuma pessoa convertida passa diante de um homem destes, de uma criança de rua etc, indiferente. Mesmo que não possa fazer nada, nem na hora nem depois, a pessoa convertida se compadece.
À criança de rua não é conveniente dar dinheiro, porque provavelmente, um adulto está à espera da féria do dia...
Eu sempre tinha no carro, uns conjuntinhos de biscoito salgado (que doce fura os dentes), xerox das páginas de um livrinho sobre os 10 Mandamentos, ou sobre os artigos do Pai-nosso (para colorir), uma coleção de lápis de cor; ou uma tabuada, uma cartilha de ABC; ou um sabonete ou pasta e escova de dentes, etc. para distribuir com quem eu encontrasse. Fica aqui a sugestão para quem enxerga Cristo na criança abandonada.
Dá trabalho: ir comprar, organizar direitinho os conjuntinhos etc. Mas isto pode ser uma pequena parte da obediência àquele versículo que diz: “Não existe maior amor que dar a vida pelo irmão”.
*****
Respondi à minha amiga:
“Não posso dizer que não tenha acontecido o roubo do sapato desse senhor; mas, como sou vicentino, e o asilo provavelmente pode ser vicentino, é difícil acreditar que tal tenha acontecido. Seria bom que a gente soubesse qual o nome do asilo e de onde ele é. Podemos tentar entrar em contato com eles.
Nos dois casos, sem querer julgar os mendigos, existem pessoas que preferem ficar na rua do que em um asilo, onde elas se acham “prisioneiras”, pois não podem sair a qualquer hora, têm horário para tudo. Os asilos de hoje são mais bem equipados do que os antigos, pois o Ministério Público não deixa de exigir muita coisa. Enfermeiras, médicos, lazer, terapeutas, remédios na hora certa, comida balanceada...
Se de fato aconteceu, tenho muito que lamentar, embora quem tenha feito isto com o mendigo possa até nem ser vicentino e sim um empregado.
Mas seria bom esclarecer, pois ajudaria a não acontecer novamente.
Ela voltou a me dizer:
1 - É verdade que muitos sem-teto adoram a “liberdade” que têm e jamais aceitariam ir para um abrigo. Pode ser o caso do mendigo de que falei.
2 - O fato que narrei já tem muitos anos. Impossível descobrir se o tal roubo aconteceu, mesmo.
Por nenhuma hipótese o roubo teria sido praticado por um vicentino, porque... não tem vicentino nenhum cuidando dos idosos. Nem as freiras cuidam dos idosos. Quem cuida dos idosos são os funcionários.
E confidenciando-me, ela contou:
1 - O abrigo é vicentino, mas,... nem sei se há vicentinos fazendo algo nesse abrigo. Se tem vicentino, deve estar procurando recursos, paralelamente a umas senhoras que também procuram fazer arrecadações.
Nem mesmo as freiras cuidam dos abrigados. Elas apenas moram lá. Não existe mais aquela freira que dava banho no idoso que está acamado, lhe punha comida na boca, limpava o doente quando ele fazia cocô ou xixi na cama, etc.
O trabalho é da freira diretora e consiste em contatos e burocracia, para conseguir os recursos de que necessita para sustentar os idosos; para atender às exigências do Ministério Público, como você tão bem explicitou; e para pagar o elevado número de funcionários, o INSS, o FGTS, etc, etc...
2 - O que quero dizer é que: todo o trabalho de cuidar dos idosos... é dos funcionários...
E os funcionários, você sabe, provavelmente, não são evangelizados. (Assim como quase o mundo todo, do presidente de república à empregada doméstica de minha casa.)
E as pessoas não-evangelizadas (seja o desembargador, o juiz, o faxineiro, o empresário, etc, etc), você sabe, geralmente fazem muitas coisas erradas que prejudicam o próximo.
3 - Talvez o número de freiras seja insuficiente. Mas se elas mesmas cuidassem dos idosos, seriam necessários menos funcionários, e os incidentes como o narrado, e outros incidentes dos quais se queixam os abrigados, seriam em menor número.
4 - Vou lhe contar uma coisa que me deixou chocada: terminado o jantar, cada freira ou noviça lavou sua própria louça, inclusive a diretora. Isto me pareceu meio egoísta, pois o normal era ter um rodízio para lavar louça. Penso que é também um pouco de queda da hierarquia, pois ninguém ofereceu para lavar a louça da diretora...
5 - Não estou julgando nem condenando ninguém: estou narrando fatos que mostram como, infelizmente, o católico atual está mais possuído pelo desejo de se poupar, do que pelo desejo de trabalhar pelo próximo.
Respondi à minha amiga:
Você não está enganada em alguns pontos que citou.
Realmente muita coisa mudou. As exigências do Ministério Público forçaram a SSVP a tomar caminhos diferentes do que antes seguia, mas o MP apenas cobra o que determinou a mudança que aconteceram em leis do país.
Conheço Asilos, Vilas Vicentinas e Lares de Idosos em que as exigências foram tantas que se corria o risco de os assistidos não poderem lá ficar. Eu sei que é para o bem dos internos, mas o Governo ao exigir certas coisas deveria também dar os meios. Não acontece isto. Por exemplo, é obrigatório que toda pessoa que cuide de idosos tenha passado por cursos especializados. Os empregados todos têm que ter carteira assinada. A comida tem que ser balanceada. O voluntariado não pode mais fazer tudo o que fazia antes.
Muitos dos asilados, a maioria deles, talvez, colabora com parte da aposentadoria que recebe, mas é insuficiente.
Aí temos que partir para fazer o que se faz em quase todo o Brasil. Vicentinos e Grupos de Voluntárias (senhoras da sociedade), buscando recursos em quermesses, bazares, leilões, bingos, etc, além da ajuda que as Conferências Vicentinas dão, para diminuir o débito ou equilibrar o orçamento.
Os vicentinos ainda visitam os assistidos, mas fazem a visita quase que automaticamente, diferente de antigamente quando a gente fazia com mais amor. O fato de eles serem assistidos por profissionais tirou do vicentino aquela maneira mais carinhosa de visitar o asilado.
No entanto, o vicentino não visita somente os asilados. Visitamos milhares de famílias carentes que estão espalhadas por este Brasil e pelo mundo. Essas visitas, sim, são mais humanas. Nelas não há as exigências governamentais. Temos que fazer a caridade porque se não fizermos, muita gente passará necessidade.
No entanto, surge outro problema: com a pequena ajuda que o governo dá para as famílias carentes, as pessoas preferem receber esse pouquinho, mas sem precisar trabalhar.
Até nisso o vicentino é prejudicado, pois quase não temos como promover uma família.
Sobre as Irmãs de Caridade, não posso dizer nada. Uma vez tentamos arranjar algumas para ficar em uma Obra Unida, mas não conseguimos.
Enfim, o bom Samaritano ainda existe, talvez um pouco menos samaritano quanto devesse, mas isto são consequências de uma série de detalhes que envolvem tantas pessoas, tantas classes, tantos pensamentos modernos, tanta falta de Deus que não sei como vai terminar.
Que este texto sirva principalmente a nós, vicentinos, para que possamos viver a caridade mais intensamente, mesmo com tantas exigências e dificuldades...

COMO ESTÃO NOSSAS CARTAS DE INSTITUIÇÃO E DE AGREGAÇÃO? 10 Julho 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Tempos atrás escrevi um artigo comparando o estrago que o cupim faz em muitos móveis da casa e o estrago que o pecado faz à nossa alma. Se eles não forem combatidos no início, depois de instalados farão estragos consideráveis.
Quero falar novamente sobre o cupim, incluindo também as traças, mas, hoje, diretamente relacionados à SSVP.
Não vou me referir aos cupins ou às traças da vaidade, da auto-suficiência, do descumprimento da Regra, da rotina, ou em alguns outros pontos que só atrapalham a Sociedade de São Vicente de Paulo, mas aos que se instalam para destruir os nossos documentos.
Convido a você na próxima reunião que participar do seu Conselho, da sua Conferência ou mesmo das Conferências que visitar observar as paredes da sala. Veja se lá estão expostas as Cartas de Instituição dos Conselhos e as Cartas de Agregação das Conferências.
Antes da reunião chegue mais perto delas e verifique se algumas molduras estão comidas pelos cupins e se as Cartas estão corroídas pelas traças.
Pedi que alguns vicentinos fizessem essa observação e recebi diversas respostas.
Ao que pude notar as cartas dos Conselhos e Conferências mais novos estão em bom estado, mas mesmo assim existem algumas que deixam a desejar. Já aquelas com mais de 30 anos podem estar bem estragadas.
Não entendo o porquê deixamos isto acontecer. Falemos só das traças, pois a moldura podemos trocar a qualquer instante, o que não acontece com as Cartas de Instituições e de Agregações.
Em inúmeras visitas que fiz notei, com tristeza, o estado precário de alguns desses documentos.
A traça leva meses ou até anos para destruir parte ou o todo do documento. E parece que ninguém vê o início da destruição. Se alguém mais zeloso olhasse esses documentos pelo menos mensalmente, veria o início do ataque desses bichinhos terríveis. Uma limpeza mensal, um passar de um produto anti-traça e anti-cupim evitaria a destruição de documentos preciosos. A Carta de Instituição e a Carta de Agregação são, para a SSVP, como documentos de registros de bens que costumamos ter. A escritura da nossa casa, os diplomas dos cursos que conseguimos alcançar, as certidões de nascimento nossas e de nossos filhos, a certidão de casamento são documentos que guardamos com cuidado. Então, por que não fazer o mesmo com os documentos que nos unem à Sociedade de São Vicente de Paulo do mundo inteiro?
Alguém poderá dizer: “Mas podemos arranjar uma segunda via”. É verdade, podemos. Mas, embora o valor jurídico seja o mesmo, o valor histórico não é. Imaginemos uma "Lettre d`Instituition” ou "Lettre d`Agregation" assinada por um dos antigos presidentes lá em Paris! Um documento desses não tem preço.
Sei de um lugar onde o xerox estão expostos, mas ninguém sabe onde estão os originais.
E expor em quadros xerox das cartas, por favor, não o façam. O documento tem que ser o original.
Acho que a destruição desses documentos pode ocorrer, principalmente, por dois motivos.
Primeiro: O papel no qual são impressos os registros da nossa instituição ou agregação pode ser de um sabor irresistível. As traças dão sempre um jeito de comê-los se não estiverem bem acondicionados.
Segundo: O desleixo que temos com os documentos da SSVP.
No primeiro caso a solução é a vigilância constante, o cuidar, coisa que a maioria dos Conselhos e Conferências podem fazer. Em alguns lugares pendura-se o quadro na parece e nunca mais ele é de lá retirado. Lido em reunião, então, nem se fala.
No segundo caso é a falta de compromisso que temos com o acervo histórico da nossa Sociedade. Para se ter uma comprovação do que falo poucas são as unidades que têm um arquivo completo de seus livros de atas, livros de caixa, livros de chamada. Algumas podem até ter, mas em lugares nem sempre adequados.
Sabemos da falta de memória que temos. Pouquíssimos lugares têm um museu abrigando documentos, retratos, livros, objetos de assistidos e da própria Sociedade Vicentina.
Acho até que o Conselho Nacional deveria “obrigar” os Conselhos Centrais (para não ficar um acervo muito grande se fosse através dos Metropolitanos) a criar cada um o seu Museu Vicentino.
Tenho certeza de que alguém vai contra-argumentar dizendo que não temos dinheiro para pagar quem tome conta, etc.
Isto não seria problema, pois existem centenas de confrades e consócias já idosos que se disporiam a passar algumas horas por semana, ou pessoas dos nossos Grupos de Jovens nas manhãs de sábado, sendo o guia turístico dessa nossa riqueza.
A restauração, que não é tão cara, poderia ser conseguida através de patrocínios de empresas locais.
Olha, acho que falta mesmo é o que hoje se costuma dizer: “vontade política”, isto é, vontade de realizar.
E se começarmos a fazer tal trabalho, pode ser que ainda consigamos recuperar muitos documentos e objetos.
Mas, voltemos aos cupins e às traças.
Dentre as muitas respostas que recebi, graças a Deus alguns Conselhos e Conferências têm seus documentos preservados, mas você ficaria pasmo de ler algumas das outras respostas. Pena que não possa colocá-las no artigo. Ficaria longo demais. Vou resumir tudo dizendo o que eu mesmo vi: em duas cartas penduradas na parede de uma sala de reunião, a da Conferência está em bom estado (menos a sua moldura), mas a carta do Conselho Particular está muito danificada. Vi até uma traça comendo justamente o espaço onde está parte da assinatura do Cfd. Amin de Tarazzi, 12º Presidente Geral, que dirigiu a SSVP de 1981 a 1993. Imagine então como devem estar as cartas assinadas pelos presidentes que o antecederam!
Nas respostas que recebi uma ação que pode preservar os documentos: colocar vidro na frente e atrás do quadro. A traça não tem como entrar. Quando se coloca vidro só na frente e papelão preso com fita crepe no verso, é muito fácil para elas penetrarem.
Então, lembre-se de observar. Se notar alguma carta já danificada ou começada a ser destruída, tenha a coragem de chamar atenção para o fato. O presidente que não seja cuidadoso pode até não gostar, mas Ozanam, com certeza gostará, pois o zelo era uma das suas virtudes.

O ENTESOURAMENTO E A AJUDA FRATERNAL - 04 Julho 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Quando visito uma Conferência e escuto o tesoureiro dar o estado do caixa muito alto, fico triste. Às vezes chego até a comentar sobre o fato na hora da palavra livre. Nem todos gostam de escutar o que falo. Sempre fui contra a Conferência ter caixa alto.
Sobre este assunto escrevi um artigo meses atrás e recebi diversos comentários; a maioria, contra o meu ponto de vista.
Alguns alegam que é necessário ter um “bom” caixa para atender a possíveis situações de doenças dos assistidos. Eu não penso assim, pois se distribuirmos tudo o que ganhamos, Deus proverá na hora que necessitarmos.
Os que são contra o entesouramento confirmam o meu argumento de que existem muitas famílias precisando ser socorridas, muitas Conferências pobres precisando de ajuda. E existem mesmo.
Dias atrás, após termos participado de uma Missa, um confrade veio falar comigo e disse, comentando sobre o tal artigo, que uma Conferência que se reúne quase no centro da cidade, tem mais de R$ 4.000,00 de saldo e seus integrantes acham isso uma vantagem. Ele mesmo comentou que existem duas Conferências do mesmo Conselho Particular em um bairro da periferia que socorrem muitas famílias e as duas unidades lutam com imensas dificuldades. Claro que tem que ser assim, pois arrecadar na periferia é mais difícil e família carente lá é o que não falta.
Por que a Conferência que tem caixa alto não assume famílias da que têm menos recursos? Por que ela não repassa mensalmente um valor para ajudar a mais necessitada?
A resposta veio do mesmo confrade: “Conferência do Centro não quer ir fazer sindicâncias e nem assistir famílias em lugares mais distantes”.
Leio no Boletim Português, de novembro de 2008, um artigo intitulado “ALGUMAS NOTÍCIAS DO IRAQUE”. Esse Boletim transcreve uma carta recebida do Iraque, escrita por uma pessoa de Bagdá que se arriscou enfrentando hostilidades, informando que lá existem 80 vicentinos, que estão em cinco grupos repartidos por quatro localidades. A carta diz o seguinte:
“Caros irmãos,
Saudações vicentinas de Bagdá, que Deus nos cubra de graças.
Estamos muito ocupados com a preparação da nossa terceira visita às vilas onde se refugiaram todas as famílias cujas regiões sofrem sempre o terror da guerra, ou ainda aquelas que têm a sua vida ameaçada. Trata-se de famílias que vivem em condições muito difíceis: crise econômica, desemprego, etc.
A nossa Sociedade tomou a seu cargo organizar visitas de reconhecimento para saber do que têm necessidade, como medicamentos para doenças crônicas, incuráveis ou psiquiátricas. Organizamos também ajudas alimentares para as famílias pobres, sobretudo as viúvas.
Como início, organizamos um programa de ajuda com vestuário e papelaria e preparamo-nos para distribuir nas regiões onde estão localizados os refugiados. Serão beneficiadas cerca de 650 crianças das classes primárias e complementares.
Temos o prazer de vos informar que pela primeira vez vamos celebrar a festa de São Vicente de Paulo na igreja da vila de A., em 27 de setembro. A Missa será celebrada por dois Bispos, na presença de um grande número de padres e religiosos.
Rezai por nós, para que Deus nos dê a paciência, a esperança e a fé para continuar a distribuir a caridade de são Vicente de Paulo no nosso ferido país.
União de Orações.”
O Boletim Português conclui:
“Os Vicentinos iraquianos celebraram efetivamente a festa de São Vicente, como indicado, com representantes de várias vilas. As orações foram elevadas à intenção da paz e da segurança no Iraque. Os habitantes da vila ofereceram de comer às pessoas presentes numa atmosfera de alegria e de convívio.
“A Sociedade de São Vicente de Paulo no Iraque realiza um trabalho notável e tem necessidade das vossas orações e do vosso APOIO FINANCEIRO.” (O destaque das duas últimas palavras é do autor deste artigo).
Às vezes parece-me que muitos presidentes e os vicentinos, de um modo geral, não lêem a Nova Regra. Se o fizessem leriam na página 26:
4) Relações no seio da rede de Caridade Vicentina e Católica. 4.1- Às Conferências e os Conselhos ajudam-se mutuamente, tanto no interior dos países como no resto do mundo, sendo esta atividade uma das mais queridas à SSVP e aos vicentinos...
Na página 26 na RB nº 20 lemos: Todas as Conferências deverão assumir sua responsabilidade no que respeita a ajudar outras Conferências ou Conselhos que tenham maiores dificuldades.
Se as Conferências que entesouram não se compadecerem das suas co-irmãs brasileiras que passam dificuldades, pelo menos se compadeçam das que existem no Iraque, Líbano, Israel, Guatemala, Moçambique e em tantos outros países onde a SSVP se faz presente e que a pobreza seja muito grande.
Enviem suas ajudas através do Conselho Nacional e ele as enviará para onde forem mais necessárias.
A Conferência onde os confrades e consócias trabalham muito e conseguem boa arrecadação e têm o saldo quase zerado é sinal que distribuiu tudo o que ganhou. Aliás, como deve ser.
E não se preocupe: se aparecer uma necessidade nessa Conferência, Deus proverá.

A CARIDADE É QUE NOS SALVARÁ – 26 Junho 2009

Jesus disse muitas vezes que devemos fazer a caridade sem olhar a quem. Ele deu muitos exemplos de como praticá-la e resumiu tudo dizendo: “O que fizerdes ao meu irmão é a mim que o fazeis”.
São Paulo também nos lembra que tudo passará, menos a caridade.
É claro que devemos entender que existem caminhos que facilitam a prática da caridade. A Igreja, com a autoridade que Cristo lhe deu, é onde melhor encontramos tais caminhos. É nela que podemos usufruir dos benefícios dos sacramentos. E não há nenhum outro sacramento maior do que a Eucaristia. É que a Eucaristia representa a maior caridade que é feita, pois é nela que Jesus cumpre o que prometeu aos Apóstolos: “Ficarei convosco até o fim dos tempos”. Ali, com seu Corpo, sua Alma e sua Divindade, Ele nos relembra que deu a vida por nós.
Mas, Ele já sabia que os homens não iriam compreender totalmente o sacrifício e a caridade que é feita desde o dia da instituição desse sacramento. Quem de nós não procura o Cristo sacramentado, perde uma grande chance de se salvar.
Mas, Deus é misericordioso. E sua misericórdia é infinita. Nem todo ser humano tem como receber a Eucaristia, já muitas pessoas não tem a oportunidade, e muitos dos que podem recebê-la, não conhecem o valor dela. Mesmo assim, a caridade que a pessoa faz vai pesar muito e pode salvá-la. E é Deus quem pode julgar. É Ele quem sabe de tudo. Muitas pessoas que não vão à igreja são mais caridosas do que muitas que frequentam algumas delas.
Conheci um caso em que posso exemplificar. Um amigo meu, dentista, nunca fora acostumado a participar de nada do que se refira à religião. Fez a primeira comunhão e só voltou a comungar no dia do seu casamento. Nunca assistia, nem ele nem toda a sua família, a nenhum ato litúrgico.
Mas era uma alma bondosa. Um dia uma consócia encontrou uma mulher chorando no meio da rua. Ela, condoída, parou e perguntou o que estava acontecendo. A mulher disse que estava com terrível dor de dente e não tinha como ir a um dentista. Não tinha como pagar. Essa vicentina conhecia o meu amigo dentista. Colocou a mulher no carro e levou-a até o consultório dele. Ele a atendeu de boa vontade e depois que aliviou a dor deixou que ela se fosse sem ter nenhuma despesa. Pouco depois, ele se dirigiu à consócia e perguntou:
- Você sabe quem é esta mulher?
A consócia disse que não. Ele então lhe falou:
- Ela é uma prostituta e mora em um bordel muito pobre, pertinho de onde você a encontrou.
Ele a conhecia e nem por isto deixou de atendê-la. Muitos anos se passaram e nada mudou em termos de religião na vida dele.
Esse amigo bebia e fumava muito e talvez por isto tenha ficado com um câncer que veio causar a sua morte.
A consócia, passado uns dias, foi à igreja marcar a celebração de uma missa em favor da alma do nosso amigo. Quando ela disse o nome dele para a secretária, esta lhe falou:
- Não sabia que ele era seu conhecido. Ele era muito caridoso. Quando atendia em um posto de saúde na periferia, não cobrava nada de quem não pudesse pagar. Ele fez isto inúmeras vezes.
Conto estes fatos não para mostrar que ele não era muito chegado à religião; mas, para mostrar que ele era caridoso. E de acordo com o que o Filho de Deus falou, ele tratou dos dentes de Jesus em inúmeras pessoas, inclusive naquela prostituta.
Deus, com certeza, levou em consideração os seus atos de caridade. E não seria nada estranho que Jesus tivesse lembrado a ele todo o bem que praticou na terra.
Os vicentinos devem se exemplificar no ato daquela consócia e do nosso amigo: Ela viu alguém precisando de ajuda e não deixou de ajudar. Ele também. Não adiantará nada fazermos sacrifícios para visitar uma família que mora longe, se não o fizermos com caridade.
Não foi à toa que Jesus também ensinou: - Eu não quero sacrifício, quero misericórdia.

OPÇÕES – 19 Junho 2009
Cfd. Aluizio da Mata
Já prestaram atenção que, em tudo que acontece, entra esta palavra? Imagine qualquer situação e veja se não houve uma opção! A opção pode ser sua ou de outra pessoa, mas mesmo que seja de outra pessoa, acaba se relacionando a você. Vou dar alguns exemplos:
Quando aquela menina de Recife-PE ficou grávida de gêmeos, houve a opção do estuprador de abusar dela. Quando se descobriu a gravidez dela, houve a opção de algumas pessoas para efetuar o aborto. A opção pela vida dos dois bebês, tomada por algumas pessoas, barrou na opção de quem quis cometer o crime contra os indefesos. O Bispo de Recife, tão duramente criticado por ter aplicado a Lei de Deus, fez a opção que tinha que fazer. Centenas de pessoas tomaram partido nesse caso. A grande maioria fez a opção contra a Lei de Deus e apoiou quem praticou o aborto. O próprio médico e a sua equipe fizeram a opção que acharam ser correta; mas, se esqueceram do mandamento “Não matarás”.
Em outros casos e situações , a opção está sempre presente. Torcer por uma equipe de futebol é a opção que cada um toma. Assistir novelas, filmes (às vezes não muito recomendáveis), também é opção do telespectador. Passar horas e horas vendo programa de auditório, é opção de centenas de milhares de pessoas. Comer ou não comer é opção de quase todos nós. Mesmo quem não tem o que comer, não o teve porque os que tinham a opção de lhe oferecer um emprego, um prato de comida, um lanche, optaram por não fazê-lo.
Podemos optar por pecar ou não pecar. Por sorrir e por chorar. Por amar ou odiar. Enfim, a opção está presente em nossa vida a toda hora. E a decisão da opção depende de cada um que tem o poder de decidir. Nas viagens de férias, por exemplo. Tem pessoas que optam por viajar pelo seu próprio país. Conhecer as belezas que nele existem. Outras, fazem a opção de viajar para outros países, outros continentes. Nem todas as pessoas que viajam formando um grupo tomam a mesma opção. E se a tomam, às vezes é apenas para seguir um roteiro pré-programado. Se lhe fosse dada a oportunidade, talvez decidiriam diferentemente.
Para exemplificar, conto um fato acontecido recentemente. Um grupo de brasileiros resolveu ir passear na Europa. Visitaram a Holanda, a Alemanha, a Espanha e a França. Se eu tivesse a opção de fazer a mesma viagem, não teria deixado de ir a Fátima, em Portugal. Na Itália, iria visitar Lanciano, Assis, Turin (para ver o Santo Sudário), além de ir ao Vaticano.
Fiquemos apenas com a opção do grupo e no que se passou em Paris. Visitaram o Museu do Louvre, a Catedral de Notre Dame, o Arco do Triunfo, a Torre Eiffel. Tudo dentro do figurino. Fizeram o que a maioria dos turistas fazem. Se eu estivesse junto com o grupo teria feito uma opção que eles não fizeram. Eu iria visitar a Capela da Medalha Milagrosa, onde Nossa Senhora apareceu para Santa Catarina Labouré. Gostaria de ver a cadeira em que Nossa Senhora ficou sentada, conversando com a vidente. Não deixaria de ir ver o corpo de Santa Bernadete de Soubirous, a santa falecida em 1879 e cujos órgãos e o corpo continuam como se ela estivesse apenas dormindo.
Enfim, são opções. Minto. Não temos opção para tudo, pois não nos cabe tê-la de continuar vivendo, se Deus assim o determinar. Mas, viver como agrada ou não a Deus, é também uma opção que cada toma. E quem a toma tem que arcar com o que vier a acontecer enquanto vivo ou depois de morto.

O QUE É SER SANTO? -12 Junho 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

A Igreja Católica tem o costume de proclamar alguns de seus membros como pessoas santas.
Algumas igrejas, mesmo que cristãs, ensinam aos seus fiéis a não acreditar em santos, incluindo até a Santíssima Mãe de Jesus.
Mas, afinal, o que é ser santo?
Primeiro de tudo, quando a Igreja Católica canoniza alguém, ela está querendo dizer que a alma dessa pessoa já está no Céu, junto de Deus, pelos merecimentos do que ela fez na terra. São pessoas que são apresentadas como exemplo para as demais, devido à caridade com que viveram entre nós.
Santo é toda a pessoa de qualquer religião ou até de nenhuma religião que pratica os mandamentos de Deus. Assim como a Igreja Católica tem alguns fiéis que fazem isto, outras pessoas que estejam fora dela, também os praticam. Mesmo que suas igrejas não queiram nomeá-las como santas, elas o são.
Jesus, por diversas vezes, falou sobre como deve proceder quem queira entrar no Reino de Deus.
E Deus, que conhece todos os seres humanos, sabe disso, pois Ele não olha qual a religião a pessoa pratica, mas se faz a Sua vontade. Jesus fundou a sua verdadeira Igreja, mas não exclui da salvação ninguém que pratique a caridade, esteja onde estiver. Acho que as outras pessoas que fundaram novas igrejas erraram; mas, não estão errados os fiéis que a ela pertençam, e que fazem a caridade que Jesus ensinou.
A Igreja Católica não proclama que uma pessoa seja santa, sem antes promover um processo rigorosíssimo sobre a vida do candidato, onde todas as possibilidades de que ela tenha sido ou não uma pessoa que fazia a vontade de Deus, às vezes chegando ao ponto do sacrifício de sua própria vida, sejam analisadas.
Por outro lado, ser santo não quer dizer que a pessoa não tenha nunca pecado. Suas ações de caridade e amor a Deus dão a ela o privilégio de ir direto para o Céu. Apenas duas pessoas viveram sem pecar: Jesus, por ser Filho de Deus e por ser uma das três pessoas da Santíssima Trindade e Maria, Mãe de Jesus, que foi escolhida para ser plena de graça, desde sua concepção até sua morte ou dormição. Ela foi a única criatura de Deus que teve e tem relação direta com a Santíssima Trindade: é Filha de Deus, Esposa do Espírito Santo e Mãe de Jesus. Pessoa com esse privilégio não pode nunca ter pecado, pois se o tivesse feito não teria a graça plena dada por Deus, nem seria digna de ser Mãe do Salvador. Ela Foi e é privilegiadíssima. Aliás, a única.
As pessoas de outras religiões podem ter uma certeza: entre os seus fiéis existem santos e santas e eles e elas estão juntos de Deus. Nenhum fiel que foi criado em outra religião tem culpa de a ela pertencer.
E fazem parte da virtude de uma pessoa ser santa não ofender ninguém, especialmente aquelas que estejam em outras religiões, só por estar lá, e não ofender a qualquer religião, mesmo pensando que a outra não está seguindo os ensinamentos de Jesus. Quem vai julgar isto é Deus.
Existem outras religiões que não a Católica, que não acreditam em santos. Não veem nem a Mãe de Jesus como uma mulher santa, pois assim foram ensinados, mas o que não podem é ofendê-la. Não acreditar nela é um direito de cada um, mas ofendê-la é pecar contra a Mãe de Deus Filho, mesmo sendo o ofensor de qualquer religião.
E é bom lembrar que Maria Santíssima é a mais perfeita criatura que Deus criou, até mesmo maior que todos os anjos. Quem não acreditar nela ou a ofender estará perdendo uma ótima intercessora e uma grande advogada que nos ajudará diante de seu Filho Jesus.
Agora, gostaria de fazer uma pergunta: por que Maria só se apresenta em ambientes católicos?
Pelos casos que conheço, todas as vezes que ela se manifestou a um não católico, era porque essa pessoa a amava muito, acreditava nela e depois dessa experiência mística se convertia ao catolicismo, ou a ele retornava.
*
Eu já tinha escrito este artigo, quando recebi a revista MENSAGEIRO DO CORAÇÃO DE JESUS, do mês de junho de 2009, e li o que o Padre Paiva, SJ, escreveu no Recado Final e transcrevo o que ele diz, pois acho que nem sempre o termo “ser santo” é interpretado corretamente e sem preconceito. Eu tenho alguns amigos que frequentam outras igrejas e sei o quanto eles são caridosos. E a caridade deles começa por respeitar a crença e o caminho que cada um resolveu seguir. E Deus, que conhece o íntimo do coração de cada um, sabe quem é santo ou não, e quem merece ir para o Céu.
Eis o recado do Padre Paiva: “Pode uma pessoa evangélica viver conforme o Sagrado Coração de Jesus? Claro! Pode sim! Por exemplo: Iracilda Rodrigues de Andrade, 62 anos, é funcionária pública do setor de limpeza. Quando a marcaram para trabalhar no banheiro feminino do Estádio Belmar Fidalgo, Campo Grande (MS), “todos acharam que era uma coisa horrível, humilhante, mas abracei o meu trabalho” – contou ela à repórter Nelba Ota, de O CORREIO DO ESTADO (28/12/08). E como abraçou! Mantém vaso de flores naturais, leva aparelho de som e coloca música de fundo e canções evangélicas. Providenciou duas cadeiras e uma mesinha para conversar com quem quiser, e muitas mulheres, às vezes prostitutas, aproveitam para desabafar, pegar uma boa palavra, “trocar figurinhas”. O banheiro está sempre limpinho e cheiroso, verdadeiro milagre de amor e cuidado! Uma dona de casa, com sua filhinha, comentou com a repórter: “Nem parece banheiro público, porque todos são horríveis! Aqui tudo é limpinho!” Agora me digam, sem preconceito, “Baiana” (o apelido de Iracilda) é ou não muito querida do Coração de nosso Senhor? Então, fica o “recado final”: abracemos nossa cruz cada dia e veremos como “o amor é limpinho e cheiroso”. Assim, vamos entender o que é “o perfume de Cristo” de que nos fala São Paulo: Nós somos o bom perfume de Cristo" (2Cor 2,15).
Para quem se interessar sobre a Revista Mensageiro do Coração de Jesus acesse (www.loyola.com.br)

DEVE-SE CALAR A VOZ, PARA CERTOS ASSUNTOS? 6 junho 2009
Texto: Cfd: Aluizio da Mata
LSNSJC
Sou vicentino há mais de 45 anos. Sou do tempo em que ser vicentino era um prazer, não o prazer de se alegrar com a pobreza existente e a qual tentávamos minorar, mas o de poder ser útil, de tentar promover as famílias assistidas, de tentar evangelizar, de santificar a nós mesmos. Quantas coisas vi nestes anos todos!
Tinha-se orgulho, não o orgulho pecado, mas satisfação de se dizer: “Sou vicentino”. O número de famílias carentes parecia ser maior do que as que hoje temos. Os recursos para viabilizar a entrega do “vale” semanal eram arrecadados com muito mais trabalho.
Dedicávamos à SSVP maior número de horas do nosso tempo. As distâncias das moradas das famílias assistidas pareciam maiores, pois íamos a pé ou de bicicleta. Quase ninguém tinha carro. Na maioria das cidades não existia lotação. E tudo era feito com alegria.
Mas, o tempo parece ter mudado tudo isto. Sei que deve ter alguém pensando que: “Isto é saudosismo. Os tempos são outros”.
Em alguns pontos isto é verdade. Hoje é mais fácil arrecadar donativos. Quase todos os vicentinos têm seus carros. Quem não os tem, visita as famílias indo de lotação. As famílias necessitadas parece que diminuíram, pois caiu muito o número de famílias assistidas pelas conferências...
Algumas coisas que mudaram, em minha opinião, mudaram para pior. Nem todas as conferências se preocupam com a evangelização. Nem todas preparam bem os estagiários para a sua proclamação. Não estamos conseguindo atingir a maioria dos jovens (honrosa exceção se faça para as Conferências de Crianças e Adolescentes - talvez nossa última esperança). A reposição dos vicentinos mais idosos se torna cada dia mais difícil. Preocupamo-nos muito com a assistência material e pouco com a assistência espiritual. Em muitos lugares não se visitam mais os presos. Não se fazem visitas às enfermarias dos hospitais. Inventaram até uma tal de família assistida espiritualmente, cuja assistência é a reza de um terço por mês. Poucos são os lugares que se preocupam em preservar a memória da SSVP local. Nossa comunicação, em todos os escalões, não tem a agilidade que precisa ter.
Tempos atrás, resolvi escrever sobre os pontos que achava necessário mudar ou melhorar. E dava sugestões. As reações foram diferentes. Alguns confrades e consócias disseram que realmente precisamos melhorar; outros e outras, achando que é pessimismo demais.
Como estava vendo que o meu intento estava indo por água a baixo, pensei em parar de escrever sobre os pontos negativos. Fui encorajado por alguns a não parar, pois, disseram ser necessário alertar sobre os pontos escolhidos.
Mas, parece que nem todos pensam assim. Acham que o fato de se escrever para o público de maneira geral não é a ideal. Que devemos discutir os nossos assuntos dentro da SSVP e não na internet, por exemplo.
Mas, pergunto: Como discutir dentro SSVP se não se tem um modo adequado? No Fórum do site antigo do Conselho Nacional, por exemplo, se um assunto era colocado, via-se a opinião de muitos, contra ou a favor. Mas, não passava dali. Não havia uma análise dos pontos questionados. Não havia a formalização de uma medida esclarecedora e orientadora. Espero que para o novo site esta observação possa ser útil.
Os Grupos na internet que têm vicentinos inscritos são criados mais para a divulgação das idéias de quem escreve e ver algumas opiniões sobre ponto questionado. Às vezes, conseguimos extrair coisas boas das opiniões dadas; mas, suas execuções ficam restritas a uma ou outra Conferência, quando o melhor seria que atingissem todas as unidades.
Existem muitos assuntos dentro da SSVP que precisam ser debatidos, analisados e quem sabe modificados ou colocados em prática: seguimento dos presidentes de unidades no que se refere ao cumprimento da Regra; evangelização do assistido; melhora na espiritualidade do vicentino; a efetivação do curso da ECAFO em todas as cidades do interior; maior tempo de estágio para efeito de proclamação de novos membros; melhor preparo das reuniões; “cobrança” das tarefas semanais; assiduidade às reuniões; participação nas festas vicentinas; maior entrosamento com o clero paroquial; parcerias com pastorais da Igreja; divulgação da SSVP junto ao aos grupos de jovens EAC, EJC, RCC, Apostolados da Oração; reativação das visitas aos encarcerados, às enfermarias de hospitais; fundação de conferências em colégios e, principalmente, criação de mais oportunidades para que as famílias assistidas saiam da indigência.
Sei que são muitos os pontos abordados, mas o que fazer se eles precisam ser focalizados?
Deve-se calar a voz para estes assuntos ou deixar que as coisas fiquem como estão em muitos lugares desse imenso Brasil?
Tenho a certeza de que em alguns lugares, principalmente aqueles mais adiantados, a carência de muitos desses pontos abordados não existe; mas, são ilhas no meio da imensidão de um mar aparentemente calmo, sem tormentas.
E sabemos que uma embarcação que sofre constantemente os rigores de tormentas corre o risco de soçobrar. Que isto não ocorra com algumas unidades da nossa querida Sociedade de São Vicente de Paulo.

BOLETIM BRASILEIRO E ELEIÇÃO NO CONSELHO NACIONAL DO BRASIL - 30 Maio 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Tenho às mãos o Boletim Brasileiro da Sociedade de São Vicente de Paulo, edição de Maio/junho de 2009.
Muito bom, com assuntos variados e muita informação. Parabenizo nas pessoas do Cfr. Ricardo Fonseca, Diretor de Comunicação, da jornalista Paula Regina, da encarregada do projeto gráfico Andréa Perez, da revisora Tatielle Oliveira, dos diagramadores Luiz Fernando e Evilásio Souza toda a equipe que o fez, incluindo os colaboradores.
Poderia escrever sobre muitos dos assuntos editados, mas resolvi fazê-lo sobre dois, justamente por causa da ocasião e dar uma sugestão.
O primeiro assunto é: “Decom apresenta ferramentas do novo site da SSVP no Brasil”. Há inovações dignas de elogio. Nos últimos anos dei diversas idéias (como acho que outros vicentinos devem ter feito também). No meu caso não sei se sequer foram analisadas. No novo modelo já tive a oportunidade de repetir as idéias e pelo menos sei que o CNB as recebeu. O Estudo delas e suas viabilidades poderão acontecer, e torço para que algumas delas sejam implantadas, pois serão de utilidade para todos os vicentinos que acessam a internet. Vejo na proposta do DECOM, por exemplo, o item referente ao Cadastro Nacional das unidades vicentinas de todo o Brasil, com o avanço de que ele poderá ser modificado, pois muitas mudanças acontecem ao longo do tempo e se ele não for atualizado, torna-se desatualizado. Ainda dentro desse mesmo tema, a criação da intranet será um grande avanço.
Sugeri ao Cfd. Ricardo Fonseca que estude a possibilidade de se fazer o cadastro Nacional (tipo catálogo telefônico virtual) de todos os vicentinos que queiram dele participar. Tenho imensa dificuldade em contatar com vicentinos de outras cidades, pois não tenho seus nomes e nem endereços. Neste item o vicentino iria cadastrar seu nome, email, cidade e Unidade da Federação e fazer as atualizações que forem necessárias. Quando tivermos necessidade, nos comunicaremos diretamente com a pessoa, sem perda de tempo. Quando dei a idéia anteriormente, a única resposta que recebi foi de que isto poderia servir para que os "racker" nos mandassem mensagens de SPAM. Eu pergunto: quem não as recebe? Duas providências poderiam ser tomadas que evitariam que isto acontecesse ou que pudéssemos reconhecer uma mensagem como verdadeiramente vicentina: primeiro- Os registros seriam apenas de textos, não se admitindo anexos. Segundo- quando um vicentino quisesse se comunicar com outro colocaria no espaço do assunto a as iniciais LSNSJC. Nenhum "racker" irá fazer isto, pois eles mandam mensagens aos milhares e não entram em detalhes como esse. Sei que entre os vicentinos existem pessoas capacitadas em informática que serão capazes de criar um programa para que a idéia seja viabilizada.
O segundo assunto que quero comentar é sobre a eleição para o Conselho Nacional. Inicialmente quero dizer que não conheço pessoalmente nenhum dos cinco candidatos, podendo dar, por isso minha opinião, sem favorecer nenhum deles. . Arrisco-me a dar minha opinião na certeza de que, se este artigo for lido por quem tenha direito de voto, a eleição já possa ter ocorrido.
Acho que se dispor a presidir uma entidade como a SSVP no Brasil já é um fator positivo, digno de elogio. Sei das dificuldades que o eleito irá enfrentar, seja ele ou ela quem for. Durante sua gestão, sua família e seus interesses particulares serão afetados, mas contarão com a graça de Deus para compensar.
Mesmo com os meios de transportes modernos que temos, acho que o presidente do Conselho Nacional deveria morar na cidade do Rio de Janeiro (como acho que presidentes de Conselhos Metropolitanos, Centrais e Particulares também devem morar nas cidades de suas sedes), pois acho que ele deve estar presente no dia a dia do Conselho. As viagens e a contratação de administradores são caras. Mas levando em consideração que nenhum dos candidatos mora no Rio de Janeiro, passo a falar sobre as propostas apresentadas pelos candidatos. Vejo-as, todas, como excelentes idéias e propósitos. Muitas são coincidentes, mas outras não. Será uma pena que as idéias dos candidatos não eleitos não sejam aproveitadas.
Chego a fazer uma sugestão a quem for eleito: nomear os outros candidatos como seus colaboradores, para desenvolverem as suas propostas, mesmo que para isto seja necessário alocá-los em um departamento já existente ou em algum que puder ser criado. Aliás, todos eles, humildes como tenho a certeza que são, aceitarão e poderão trocar idéias via internet e apresentarem para o eleito um plano complementar de ação. Assim ganharemos muitos anos, pois se cada um fosse eleito sucessivamente, as idéias dos últimos eleitos só seriam implantadas daqui a quinze anos no mínimo. Tenho a certeza de que quem não for eleito não se negará a colocar em prática as suas propostas na gestão do que for eleito. Afinal, a SSVP é uma rede de caridade, como sonhou Ozanam.
Por último, apenas como observação já que um dos candidatos mencionou uma possível revisão da nova Regra, por que não se pensar numa eleição direta para todos os cargos de presidências, onde todos os vicentinos teriam o direito de escolher seu candidato? No caso do C.N.B. a eleição poderia ser feita com voto direto através dos Conselhos Metropolitanos que totalizariam os votos de todos os vicentinos. Seria uma apuração em cascata, pois as conferências entregariam o seu resultado aos Conselhos Particulares, estes encaminhariam para os Centrais e estes para o Metropolitano (seriam 250.000 vicentinos votando), ou por um sistema via internet, onde cada voto seria vinculado ao CPF. No caso dos Metropolitanos poder-se-ia seguir o mesmo sistema, que abrangeria menor número de votantes. Para os Centrais e Particulares seria feito o voto por cédulas com os nomes de todos os candidatos. Seriam eleições mais democráticas e com maior participação, pois não seriam apenas algumas pessoas a exercer o direito de escolha. Pode ser que o candidato eleito pelos presidentes não seja o candidato que a maioria escolheria.
Pena que eu não tenha o endereço eletrônico dos cinco candidatos para mandar para eles estas sugestões. Se algum deles tiver acesso a esta mensagem e quiser trocar idéias comigo poderá fazê-lo através do meu endereço vicentino: aluiziodamatassvp@gmail.com

INVEJA QUE NÃO DEVE SER PECADO – 24 Maio 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Meus pais sempre criaram a nossa família com muita dificuldade. Éramos sete irmãos, mas sempre moraram conosco pessoas diferentes, em ocasiões diferentes. Por termos mudado para uma cidade maior em busca de estudos, sempre havia na nossa casa filhos e filhas de amigos que nos acompanharam para estudar também. Ao longo da vida seis pessoas estiveram ao nosso lado, uma das quais ainda mora lá. A todos considerávamos que foram e são irmãos e irmãs.
Apesar das dificuldades, uma coisa que nossos pais nos ensinaram era não ter inveja de ninguém. Tínhamos amigos, e parentes ricos, mas nunca os invejamos.
Abro uma exceção para mim, que tenho inveja de quatro amigos meus, mas não a inveja pecado. Não é uma inveja pelo sucesso profissional que cada um tem, mas por vê-los escrevendo só positivamente sobre a Sociedade de São Vicente de Paulo coisa que, atualmente, não consigo quase fazer.
Tomo a liberdade de escrever os nomes deles, para que sirvam de exemplos, e o faço em ordem alfabética justamente por considerá-los amigos em um mesmo nível, e não poderia nomeá-los em ordem de importância pelo que são e pelo que fazem na SSVP: Hélio Pinheiro, de Governador Valadares-MG; Gesiel Júnior, de Avaré-SP; Júlio César Marques de Lima, de Belo Horizonte-MG; e Renato Lima, de Barsília-DF. Dos quatro, o Hélio, que ele me desculpe, talvez se aproxime da minha idade, mas o Gesiel, o Júlio e o Renato são muito mais novos. Por que me refiro à idade? Porque não depende dela a maneira de se ver as coisas. Eles todos têm uma visão otimista da SSVP. Eu, agora, já perdi esta qualidade.
Poderia eu citar outras pessoas inclusive a Csc. Geralda Assis, minha esposa, que também escrevem positivamente, mas fico apenas com estes quatro exemplos, pois tenho com eles um relacionamento regular de contato virtual. Todos os quatro ocupam cargos, ou melhor dizendo, encargos importantes dentro da SSVP mundial e brasileira. A visão deles é sempre otimista, embora devam encontrar dificuldades para executar suas tarefas.
Eu me restrinjo apenas ao âmbito de Conferências e Conselhos, que conheço pessoalmente.
Sei que o Conselho Nacional tem feito muita coisa visando melhorar os pontos negativos sobre os quais escrevo, não porque escrevo sobre eles, mas por saber que eles existem. Através das ECAFOS (onde elas podem ser ministradas), encontros de formação de líderes, são tentativas válidas; mas, lá venho eu novamente, muitas cidades do interior não têm esses privilégios. O que se estuda e se decide naquelas reuniões custa muito a chegar ou até nem chega aos Conselhos Particulares e, principalmente, às Conferências. Melhora da espiritualidade, entesouramento, consenso ao contrário de autoritarismo, seguimento do que determina a Regra até no que se refere às proclamações e eleições, acolhimento, renovação, número de famílias assistidas, assiduidade, são aspectos que precisam ser urgentemente seguidos por todos. Mas, nem todas as unidades colaboram nos anseios do Conselho Nacional.
Qualquer dos meus quatro amigos mencionados acima, com certeza, vêem estes ângulos de maneira diferente; mas, eu não consigo. Eu gostaria de ter a mesma visão deles. Por isso, o nome deste artigo.
Para exemplificar a realidade do interior, conto que quando fui passar uns tempos em outra cidade, fiz o que todo vicentino deve fazer: verifiquei as conferências que lá existem e os seus dias e horários de reunião. Escolhi uma que se reunia às 08h30min da manhã de domingo, pois assim daria para eu chegar à igreja a tempo de assistir à missa das dez horas. Encontrei na conferência um bom número de confrades e consócias. Na chamada eram uns 18, que logo se tornaram vinte e dois. Mas percebi algumas coisas que fizeram a conferência chegar ao estado em que hoje está, e que considero lamentável. A pedido de alguns que achavam que a reunião era cedo demais, ela foi passada para as nove horas. Queriam dormir um pouco mais, foi o argumento.
Começaram a proclamar estagiários, depois de freqüentarem umas três ou quatro reuniões, mas que não tinham nunca visto a Regra e nem tinham a menor noção do que ela contém; e, portanto, do compromisso que estavam assumindo. Mesmo sendo novo na conferência, alertei para o perigo que isto representava, pois temia que os novos vicentinos não mantivessem a frequência às reuniões e nem às visitas às famílias. Não deu outra: dos sete novos proclamados, apenas uma consócia permaneceu, assim mesmo porque ela estagiara em outra conferência por quase um ano. A mudança de horário pouco adiantou. A frequência foi caindo, caindo...
Para tentar minorar a situação, comecei a levar meus dois netos às reuniões. Na época, um tinha treze e outro sete anos. Depois de mais de um ano de estágio feito a pedido meu, o mais velho foi proclamado, embora quisessem proclamá-lo junto como fizeram com os outros sete.
Outro fato que verifiquei, foi a inexistência de um verdadeiro espírito de caridade entre alguns dos seus membros. Em algumas ocasiões, uma opinião dada se transformava em discussão que acabava sendo motivo de cara fechada de uma das partes. De todos os inscritos na Conferência, muitos não eram regulares em termos de presença. Participavam de uma reunião, faltavam duas, três. Para exemplificar, ainda mais o estado das coisas, um dia o tesoureiro discutiu com o secretário e o primeiro falou tão asperamente com o segundo que esse se levantou na hora e saiu da reunião. Faltou humildade e caridade a todos os dois. O tesoureiro nunca mais voltou. O secretário, que também não tinha uma frequência muito regular, aumentou as suas ausências, até parar de participar.
A todos eles, principalmente a estes dois últimos que procurei mais de uma vez, refazia o convite para que voltassem; mas, nada adiantou. Estranhei a posição destes dois últimos, pois já eram frequentadores da conferência e sabiam muito bem das suas obrigações, tanto quanto aos cargos que ocupavam, quanto ao fato de serem vicentinos quase assíduos.
De lá para cá, a coisa só piorou. Apenas uns sete continuaram a freqüentar a Conferência; mesmo assim, tinha dias que a reunião contava com três ou quatro e em outros não havia reunião por falta de número. Até meu netos começaram a não se sentir bem nas reuniões e por qualquer motivo não queriam mais ir. Conversando com o mais velho, ele me disse: “Ah! Vô, o que vou fazer lá? Entro mudo e saio calado. Não posso dar opinião de nada, pois pouco conheço e em muitas das reuniões acontecem divergências. Você tem coragem de falar das coisas erradas que lá acontecem, mas o que já mudou? Nada! Você mostra as coisas erradas e elas continuam acontecendo... Pra que eu vou lá?” Ele hoje continua a frequentar o Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC), onde se sente bem.
Até o meu neto menor, que é muito observador e espirituoso, falava coisas na reunião que deixavam os presentes sem respostas. Mas também, não mudavam nas observações que ele fazia como foi no dia (que até tinha um bom número de presenças) em que disse: “O pessoal daqui falha demais!”
Eu não sei se está acontecendo isso em muitos lugares do Brasil; mas, já vi confrades mudarem de conferência ou até abandonarem-na por discordarem do que se passava nas reuniões.
Infelizmente, estou chegando à conclusão que já estou velho demais para frequentar as reuniões. Não tenho muita paciência com a permissividade e passividade ou autoritarismo dos nossos dirigentes, em vários escalões. As coisas estão acontecendo em muitos lugares e os presidentes de Conferências, de Conselhos Particulares e Centrais não tomam posições que façam com que os órgãos a eles vinculados voltem a ser como eram antigamente. A pouca espiritualidade é uma das causas principais. Pouco se faz para melhorá-la. A presença de vicentinos nas festas e assembléias é muito pequena, e não é raro que até os mesários das Conferências delas não participem. O não cumprimento do que determina a Regra Vicentina é outro fator. Presidentes são escolhidos, eleitos e empossados em uma mesma semana, sem se obedecer ao nosso Regulamento. O número de famílias assistidas é pequeno em muitas Conferências. Não há, entre as Conferências, quase nenhuma cooperação com as que estão em pior situação. Conferências são fechadas por falta de número quando poderiam ser ajudadas, pelo menos temporariamente, por aquelas em melhores condições de número de participantes. Tem cidades em que a renovação não existe. Falta até um trabalho mais integrado com os padres das paróquias.
Bem, chega de lamentações. Realmente não sei o que fazer, ou melhor, sei: rezar pedindo a São Vicente e Ozanam que intercedam junto a Deus para que as coisas mudem, para melhor e para que eu tenha motivos para mudar de opinião e voltar a escrever como os meus amigos escrevem.
Conferências de Crianças e Adolescentes e Comissões de Jovens socorram-nos, com urgência!

JÁ IMAGINARAM A FESTA QUE FOI FEITA PARA MARIA? 17 Maio 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Quando a Rainha da Inglaterra ou alguma rainha de outro país chega a algum lugar, a festa que fazem para ela é grande e inesquecível. Todas as pessoas querem vê-la, querem homenageá-la, desde a mais importante autoridade ao mais humilde súdito.
Em muitas datas do ano, os católicos fazem homenagem a Maria. Registram as suas aparições a pessoas privilegiadas, nas quais as suas mensagens são sempre para nos pedir para rezar por nós, pobres pecadores, e para que o mundo deixe de ofender tanto o coração de Jesus. Outubro é mês do rosário, onde no mundo inteiro se reza pedindo a Ela que interceda junto a Deus pelas vocações e pelas missões. Maio é outro mês especial onde Ela é coroada em todas as paróquias, numa homenagem em que veneramos o seu título de Rainha do Céu e da Terra. Mas há outra data em que os católicos homenageiam Maria de um modo especial: é o dia 15 de agosto, quando em todo o mundo, os católicos comemoram a Assunção de Maria ao Céu.
Não sei como o evangélico e outras confissões religiosas vêem essa data ou o fato da sua subida ao Céu. O católico acredita que Ela foi elevada de corpo e alma tal a pureza que tinha, pois por ser Ela quem é não poderia sofrer a corrupção corporal. Talvez para mostrar que isto não é impossível de ter acontecido, Deus permitiu que muitas pessoas, umas duzentas, tenham morrido e seus corpos continuam incorruptos (se você quiser ver algum digite na pesquisa do Google ou sites católicos as palavras CORPOS INCORRUPTOS). A diferença está é que elas aguardam a Parusia, isto é, a segunda vinda de Jesus, enquanto Maria foi elevada ao Céu de corpo e alma pelo seu próprio Filho.
Se em maio fazemos grandes festas para relembrar a entrada de Nossa Senhora no Céu, imaginem o que terá acontecido na sua chegada ao lugar que lhe estava reservado desde a criação do universo!
Diz uma tradição piedosa que a Maria foi dado escolher se queria ou não passar pelo momento da morte.
Alguém poderá dizer: Ela teve que morrer, pois Jesus que é Jesus morreu!
É bom que se explique: Jesus não precisaria ter morrido para ir para o Céu; mas, Ele quis com o seu gesto, afirmar de que morreu para nos salvar e que a morte não é o fim de tudo.
Maria não precisaria disto.
Tanto um como a outra não precisariam passar por esse momento, mas assim o quiseram.
Na escolha que Maria deveria fazer, Ela preferiu passar pelo mesmo momento que Seu filho passou. Foi o seu último ato de humildade, não querer ser diferente do seu Filho. Ela então escolheu morrer.
Só que Deus, numa última homenagem a Ela aqui na terra deu-lhe uma morte diferente, que os católicos chamam de DORMIÇÃO. Ela dormiu e logo depois seu Filho Jesus a buscou.
Mas existe uma diferença muito grande entre a dormição de Maria e a morte de qualquer um de nós.
A nossa morte é uma necessidade, pois sendo pecadores não temos como chegar ao Céu sem passar por esse destino. Nosso corpo, em consequência dos pecados que cometemos, sofre a corrupção.
Com Maria não teria necessidade disso, pois Ela nunca pecou, e por isto seu corpo não precisaria sofrer a corrupção.
Este é outro ponto que outras religiões gostam de levantar. Para eles, Maria teve que pecar para ser salva por Jesus, já que Ele viera para salvar a humanidade.
Mas, vejam: veio para salvar os pecadores, como Ele mesmo disse. Não era o caso de Maria, que nasceu isenta do pecado. Nisto todos, católicos ou não, devemos estar de acordo.
Também Ela não poderia ter pecado na sua juventude, já que era plena de graças e seria a Mãe do Salvador. Não seria lógico que ela tenha sido preservada do pecado original e tenha pecado até que Jesus nasceu.
E depois do nascimento de Jesus?
Pensemos: como Ela poderia ter pecado se era Ela quem iria ensinar a Jesus tudo o que Ele, humanamente, iria aprender? Como poderia Ela pecar depois da morte de Jesus, se Ela foi o modelo do cristão, a primeira evangelizadora, o sustentáculo da Igreja nascente?
Conviver com Jesus deu a Ela a oportunidade de nunca pecar. Como poderia Ela pecar estando junto dom o autor de todas as graças?
Deus não teria sido justo com Ela se a deixasse nas mãos do demônio. Aliás, é dela que se diz: “Ela esmagará a cabeça da serpente”. A serpente aí é o demônio. É o pecado.
Mas, voltemos à festa que aconteceu no Céu.
Já imaginaram Maria chegando ao Céu pelas mãos de Jesus, seu Filho? Deus, que é o seu Pai, o Espírito Santo, que é o seu Esposo, e todos os anjos e santos estavam esperando aquele momento para homenageá-la!
Eu tenho uma idéia do que acontece aqui na terra para homenagear uma rainha, mas não tenho a mínima idéia da festa que aconteceu no Céu.
Já imaginaram a chegada triunfante dela? A sua coroação? O seu encontro face a face com Deus Pai e Deus Espírito Santo?
Melhor é nem tentar imaginar, pois estaríamos correndo o risco de cometer uma injustiça com o que aconteceu a Ela naquele dia 15 de agosto.
Glórias sejam dadas ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo e à Maria também!

QUANDO MORRE UM ASSISTIDO... 9 Maio 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
A Sociedade de São Vicente de Paulo, para quem não sabe, tem como missão assistir famílias necessitadas. E precisamos fazê-lo no aspecto material e, principalmente, no espiritual.
É muito comum o vicentino tornar-se íntimo de algumas pessoas assistidas, tornando-se amigo delas, sendo ponto de apoio, criando vínculos quase familiares. Algumas pessoas assistidas vivem sós, outras vivem em companhia do companheiro. Também temos assistidos que são famílias. Em qualquer dos casos, alguns desses relacionamentos se destacam.
Lembro-me, por exemplo, de um casal de velhinhos, quase ex-escravos, pois moravam em fazenda e que lá ficou até a velhice chegar. Foram estão para a cidade e a minha conferência começou a assisti-los. Moravam em um barracão que a conferência tinha, bem velhinho, caindo aos pedaços. Fizemos um mutirão e trabalhando após as jornadas do dia, ou aos sábados e domingos, conseguimos reformar o tal imóvel. Sr. Geraldino Fabiano e dona Maria, eram seus nomes, passaram a ter uma vida um pouco menos severa. Nunca os vimos reclamar de nada.
Eu e minha esposa, que também é vicentina, gostávamos de ir a casa deles. Levávamos o que chamamos vale, mas no caso deles levávamos eram os mantimentos, pois eles não tinham como ir fazer as compras com o vale costumeiro. Na verdade, o que mais gostávamos era de conversar com eles. E ouvíamos muitas e muitas histórias acontecidas durante o longo de suas vidas. Quando meu casal de filhos já podia ir conosco, era uma festa. Tanto para os assistidos quanto para nós. Meus filhos se comportavam lá como se estivessem em nossa casa e faziam as “bagunças” normais de crianças: aprontavam correrias atrás das galinhas que eles tinham, faziam perguntas inocentes, mas que refletiam a curiosidade que tinham de saber mais sobre tudo que eles contavam.
Os anos foram passando e um dia o Sr. Geraldino Fabiano morreu. A dona Maria poderia ter sido levada para a nossa Vila Vicentina, que ficava até perto de onde morava, mas ela preferiu ficar na casa onde já vivera tantos anos. Na Vila Vicentina ela teria ficado bem melhor, pois teria a companhia de outras pessoas, teria a comida bem preparada, teria sua roupa lavada, seria acompanhada por enfermeiras, tomaria seus remédios a tempo e à hora. Mas, não quis. Preferiu ficar onde já estava acostumada.
As nossas visitas continuaram por muito tempo ainda. Mesmo ficando sozinha à noite, não tinha medo. E continuava alegre como sempre, mas nós notávamos que ela sentia falta do companheiro de tantos anos. Um dia fui visitá-la e minha família não foi. Ela perguntou por que e eu disse que minha esposa estava com cólicas. Ela saiu no quintal, colheu algumas flores de “beijo branco”, desses que toda casa tem. E me disse para levar para a minha esposa fazer chá e tomar. Eu, muito curioso, perguntei para que servia. E ela, com um sorriso meio maroto, disse: “Ela sabe para que o chá serve”.
Tempos depois, numa das nossas visitas, ela mostrou uma pequena e velha foice que usaram na fazenda onde trabalharam e, também, um pilão bem usado onde moía o café, o milho para fazer o fubá e descascavam o arroz e disse para minha esposa: quando eu morrer, quero que a senhora (era assim que ela a tratava) leve como presente meu. É tudo que tenho e quero lhe deixar como lembrança.
Pouco tempo depois foi encontrada morta, pois morrera dormindo. Ainda hoje minha esposa tem em nossa casa os objetos herdados da dona Maria. Como sentimos a sua morte.
Conto isto para dizer de outro caso. Começamos a socorrer uma família e a levamos para morar em uma casa que construímos também em mutirão. A família era composta de uma mulher alcoólatra e que tinha sete filhos pequenos. Três deles eram deficientes; mas, a caçula era mais que os outros dois. A mulher conseguiu parar de beber, seus filhos cresceram e saíram para viver suas vidas e ela ficou com os deficientes. Fizemos de tudo para dar- lhes um mínimo de conforto. Frequentaram até a APAE. Minha esposa tinha uma dedicação especial pela caçula, que não conseguia nem andar direito e nem falar. Com o passar dos anos ela já andava, meio trôpega, mais andava. Falar ela não conseguiu, mas expressava-se por gestos e sons guturais. Esta menina cresceu, tomou aspecto de adolescente em seu corpo, mas vivia a peso de remédios controlados. O que ela mais gostava era quando minha esposa a visitava e levava pão doce. Ela ficava alegre, feliz. Se na visita fosse levada qualquer coisa mais gostosa, ela ficava brava se não lhe fosse dão o pão doce. Minha esposa tinha planos para aquela adolescente. Queria ajudá-la a tornar-se uma pessoa normal, dentro da possibilidade de sua condição física. Mas não pôde realizar seu sonho. Tínhamos viajado para outra cidade e lá já estávamos a mais de quinze dias quando nos chegou a notícia da morte dela. Também morrera dormindo. Minha esposa, mais que qualquer um de nós, sentiu a perda daquela menina.
Quando o vicentino leva a sério sua missão passa a ter na família assistida quase uma outra família. E assim como sofremos com a morte de algum parente, assim também sofremos com a morte de um assistido e, no caso presente, na morte daquela menina. Não haverá mais necessidade de levar pão doce para alegrá-la. Mas, com certeza, Deus lhe dará no céu um pão muito mais saboroso.

COBERTOR DE SÃO VICENTE - 2 Maio 2009
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Nós, vicentinos, todos os anos fazemos a campanha do cobertor e os distribuímos entre os nossos assistidos e outros necessitados. Mas, no afã de distribuir para muitas famílias, pois muita gente precisa, compramos o cobertor que até já é conhecido nas lojas como COBERTOR DE SÃO VICENTE. É aquele cobertor ralinho, o mais barato, tão pequeno que se um adulto o usar sua cabeça ou os seus pés ficam descobertos.
A intenção é boa, mas não sei se estamos fazendo certo. Distribuímos muitos cobertores, mas estamos distribuindo cobertores que não aquecem quase nada.
Outro dia, por circunstâncias, minha filha veio ter seu se¬gundo filho em nossa cidade. E já com dois meses de vida, em pleno inverno, escutei a criança chorando em uma madrugada. Fui ver o que era e vi minha filha amamentando-o. Mas, ele continuou a chorar após mamar. Minha filha pediu: “Pai, tem outro cobertor”?
Peguei o meu cobertor e mais um sobressalente e coloquei-os por cima do cobertor que já as cobria. E olha que a criança estava toda enrolada em sua manta e em seu próprio cobertor e ainda aquecido pelo corpo da sua mãe.
Não deu outra. Ele parou de chorar e dormiu. Ele estava era com frio, pois o inverno naquele ano estava rigoroso demais.
Olhei para a janela, com o dia já clareando, e vi a vidraça toda embaçada.
O orvalho escorria por ela.
Aí pensei: Como podemos distribuir o cobertor de São Vicente? Que frio ele segura? Por que não damos um cobertor mais resistente?
Vem aí uma série de conjecturas: “é o que podemos dar, de acordo com as campanhas que fazemos”; “é preferível dar esse cobertor, do que não dar nenhum”; “Deus dá o frio conforme o cobertor”!
Esses conceitos caíram por terra nessa madrugada que relatei. Precisamos melhorar nossa campanha e melhorar os cobertores. É preferível dar um bom cobertor em qualquer circunstância. E Deus não dá o frio conforme o cobertor. Ele espera que nós possamos dar o cobertor de acordo com o frio que a natureza produz.
Fica este recado, para que, se não der para este ano (se você andar depressa, ainda dá sim), que no ano que vem façamos uma distribuição mais condizente e mais caridosa.
E é bom lembrarmos que para nossa família não compramos o COBERTOR DE SÃO VICENTE. E ainda assim, sentimos frio. Que nosso gesto aqueça quem necessita e aqueça o nos¬so coração também.
Vale a pena meditar e agir

A SSVP E AS PARÓQUIAS – 26 Abril 2009
Este artigo pode ser considerado uma continuação do artigo anterior ao qual dei o nome de PASTORAL DA CARIDADE. O Padre Máikol escreveu-me dizendo que já existe tal pastoral em muitas paróquias. Chequei no Google, conforme sugestão dele, e lá existe bastante coisa sobre o assunto; mas, confirmei a ele que em todas as cidades que já fui nunca vi nem ouvi falar em Pastoral da Caridade. Por que será que ela não existe em todas as paróquias?
Não poderia haver um entrosamento, uma parceria entre a Igreja e a SSVP?
Em alguns lugares a SSVP não é excluída da paróquia, mas parece relegada a um segundo plano ou até mesmo ignorada. Parece até que nem existe.
Embora ela pudesse ser vista como uma PASTORAL DA CARIDADE, muitos padres não veem isto.
Não sei se o fazem com receio de esvaziar outras pastorais, o que não iria acontecer, pois inúmeros vicentinos participam de algumas delas. Entretanto, muitos participantes de pastorais que poderiam, não participam da SSVP.
Não se escuta na maioria das igrejas nenhum incentivo dos padres para que as pessoas participem da Sociedade de São Vicente de Paulo. Vemos que existem centenas de pessoas que não participam de nenhum movimento e que poderiam participar desta rede de caridade.
As paróquias, pelo menos anualmente, poderiam fazer um encontro para leigos não engajados em movimentos. Seria evento de uma hora, uma hora e meia, onde um membro de cada movimento daria em 10 minutos um resumo do trabalho que se efetua nele. A SSVP, se convidada, poderia também distribuir jornais e revistas vicentinos.
Nas cidades (normalmente as pequenas) ou paróquias onde o padre reconhece o trabalho dos vicentinos, há uma interação benéfica para três lados: para a Igreja, que vê seu esforço de evangelização chegar até onde não tem como ir; para a SSVP, que vê o seu trabalho divulgado e assim com possibilidade de arranjar novos confrades e consócias; e para ao pobre que tem um contato, mesmo que indireto, com a Igreja.
Por falar nisso, recebi uma mensagem lembrando-me de um fato que acontece atualmente: muitas famílias assistidas da SSVP se tornam evangélicas porque são abordadas pelos pastores. Nós, vicentinos, não conseguimos evangelizá-las e a Igreja também lá não vai. Não posso afirmar se muitas famílias assistidas vão ao templo da Igreja católica, mas sei que muitas vão aos templos evangélicos, depois de catequizadas por eles e, pasmem, até contribuem com dízimos.
Vejam dois exemplos onde a interação Igreja/SSVP não acontece: dificilmente vemos avisos vicentinos divulgados na hora das missas; no quadro de aviso das igrejas poderia ter uma relação dos dias e horários de reuniões das conferências que se reúnem na área paroquial e os endereços de asilos e creches para serem visitados; os vicentinos poderiam ser convidados para falar para os Grupos de Jovens da paróquia, explicando qual é o nosso carisma.
O Conselho Nacional poderia fazer um trabalho junto à CNBB para que tais ações fossem incrementadas. Um pedido feito pela CNBB aos Bispos e padres teria muito mais força do que o nosso próprio pedido e ainda teria a vantagem de ser feito para todo o território brasileiro, enquanto no nosso caso, apenas alguns vicentinos iriam tomar tal iniciativa, no âmbito paroquial.
O Confrade Hélio Pinheiro me informou que já foi feita uma tentativa anteriormente, mas que não foi adiante. É o caso de tentarmos com mais ênfase.
Bem, nós vicentinos, poderemos também fazer algumas ações para divulgar a SSVP e convidar pessoas para conhecer nosso trabalho. Poderemos ir à missa sempre com uma camiseta com o nome da Sociedade de São Vicente de Paulo (o nome por inteiro, pois as letras SSVP podem não significar nada para quem não nos conhece); poderíamos fazer folhetos patrocinados por firmas católicas (para não se tirar o dinheiro dos pobres que está no caixa da conferência ou conselho) e distribuí-los ao final das missas de fins de semana, ou nas festas paroquiais, ou até distribuí-los de casa em casa, como fazem nossos irmãos evangélicos. Algum resultado há de acontecer.
A nova Regra trata do assunto sobre assistência espiritual em alguns lugares. Na página 81, sob o título O CONSELHEIRO ESPIRITUAL NUMA SOCIEDADE LEIGA dá as primeiras dicas. Já dentro do Regulamento da SSVP no Brasil, em seu artigo 3º (página 91), fala sobre a designação de quem deve ser o assessor espiritual. Recomendo também a leitura atenta do item 5, páginas 201/206, CONSIDERAÇÕES SOBRE TRABALHO DO ASSESSOR ESPIRITUAL. Lá estão relacionadas as necessidades e as dificuldades que a SSVP enfrenta no Brasil.
Por falar nisso, Será que todos os Conselhos Centrais ofertaram um exemplar da Regra Nova para as suas paróquias? E para as bibliotecas públicas e colégios? Pode parecer um gasto desnecessário; mas, não é.
O vicentino deve fazer um trabalho anônimo, isto é, não alardear o que faz, para não ganhar glórias terrenas, mas deve divulgar a SSVP para que outras pessoas possam se interessar em entrar para nossas fileiras.
- - -
PASTORAL DA CARIDADE – 18 Abril 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Todo vicentino sabe que a SSVP não é subordinada à Igreja Católica, mas que caminha junto a ela. Nós precisamos da Igreja, pois dependemos dela para vivenciar os sacramentos, já que sem eles somos mais frágeis, ou melhor, não somos nada, pois o verdadeiro vicentino é aquele que pratica a religião.
Por um lado, a Igreja sabe da importância da SSVP, pois do nosso meio saem muitos vocacionados para o sacerdócio ou para atuar como Ministros da Eucaristia ou em alguma pastoral. Mas, por outro lado, não há por parte da Igreja, pelo menos que eu conheça, uma recomendação explícita para que os padres de todas as paróquias nos apóiem. Dificilmente a SSVP é chamada para participar do planejamento anual de uma paróquia.
Em todas as edições da nossa Regra sempre existe um artigo dizendo que os vicentinos devem ter um assessor espiritual. As Regras anteriores falavam que esse assessor deveria ser um sacerdote, mas pena que muitos padres não puderam ou não quiseram arcar com mais um compromisso, a ponto de agora, na Regra atual, essa nossa necessidade possa ser exercida, também, por religiosos e leigos com boa formação espiritual.
Dificilmente ouvimos nas celebrações litúrgicas alusões às Conferências ou à Sociedade de São Vicente de Paulo. Nem sempre em todas as cidades conseguimos arranjar um padre para celebrar uma missa em nossas datas festivas, que são apenas três por ano, mesmo que elas sejam agendadas com antecedência. Outros compromissos costumam ser mais importantes.
Justiça seja feita: em alguns lugares, mesmo que poucos, ainda encontramos sacerdotes que nos ajudam no que podem; mas, a maioria dos Conselhos Centrais e Conselhos Particulares não têm essa sorte. O Conselho Nacional e os Conselhos Metropolitanos e alguns poucos Conselhos Centrais têm sacerdotes como seus assessores espirituais; mas, onde eles são também necessários, isto é, junto aos confrades, consócias e assistidos nas Conferências, eles não estão presentes. Aliás, nunca vi, em unidade alguma, um sacerdote indo à casa de uma família assistida junto com os vicentinos. Posso estar sendo injusto com um ou outro, mas eu não conheço nenhum caso. Nem todos os párocos participam da vida vicentina, mesmo que seja de vez em quando.
Sugiro que o Conselho Nacional, através do seu Assessor Espiritual ou o Departamento de Comunicação, mantenha um contato com o Secretário Geral da CNBB, pedindo que se faça uma orientação para todo o clero pedindo que nos apóiem mais. Falar nas homilias, principalmente naquelas que se referem à caridade, já seria um bom começo. Permitir que no quadro de aviso das igrejas seja colocada uma relação das conferências daquela área, constando o dia horário e endereço de cada uma. Estabelecer que uma das missas que já são celebradas na paróquia, seja de responsabilidade dos vicentinos.
Bem que a Sociedade de São Vicente de Paulo poderia ser chamada de PASTORAL DA CARIDADE, pois acho que a Igreja não tem uma pastoral com este nome.
Aumentaria a responsabilidade do vicentino, aumentaria a participação do clero.

MARIA, MÃE QUE É PROTETORA – 11 Abril 2009
Texto: Aluízio da Mata
Este artigo é para saudar a consócia que é mãe.
Sabemos que muitas delas têm problemas, em casa e em sua Conferência. Mas, nada as faz desanimar. E se espelham em Maria, Mãe de Deus, pois sabem da sua fragilidade física, mas tam¬bém, da sua fortaleza espiritual. Nossa Senhora, embora perfei¬ta, não foi um ente sobre-huma¬no. Foi esposa, mãe, dona de casa, trabalhadora, como qual¬quer mulher de hoje.
Você que é mulher, lembre¬-se de que a Mãe de Deus tam¬bém foi mãe, experimentando todos os sonhos, dores, opressões, ale¬grias e humilhações que tecem nossas vidas. Coloque, portan¬to, nessa Mãe de todos nós, as suas esperanças. Dedique-lhe o seu lar e sua família e verá a guardiã amorosa e cuidadosa que ela é.
As desordens do mundo es¬tão perturbando os ânimos de seus entes queridos? Espelhe-se na Mãe de Jesus e desarme a todos com a sua bondade e o seu carinho. Logo a escuridão haverá de passar e a aurora da alegria tomará conta de seus familiares.
Confie em Deus e em Maria. Ela é Mãe e sabe quando você está pre¬cisando de ajuda. Jesus certamente se apoiou muitas vezes em Maria. Nada estranho, Ela era a Mãe d’Ele.
Ela sempre ajudou Jesus. Nada es¬tranho, Ele era seu filho. Nós de¬vemos nos apoiar em Maria. Nada estranho, ela é nossa Mãe. E ela sempre vai nos ajudar. Nada estra¬nho, ela é a Mãe de todos nós.
E os homens bem que poderiam se espelhar em José, o justo e casto esposo de Maria.
A mãe foi a maior e melhor criação de Deus.

CÉU, INFERNO E PURGATÓRIO – 4 Abril 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Deus fez cada pessoa diferente uma da outra.
Até os chamados gêmeos, que chamamos idênticos, são diferentes, embora só os seus pais e talvez os seus irmãos possam notar as diferenças. Assim, também, todo o ser humano é diferente um do outro. Por mais afinidades que alguns possam ter, eles são diferentes.
Vejam o caso das crenças. Não falo aqui das diferentes crenças religiosas. Falo de se acreditar ou não em alguns ensinamentos sobre os quais não temos como provar suas existências, como a virgindade perpétua de Maria, a existência dos anjos bons e dos anjos maus, Céu, Inferno, Purgatório, entre outros. Estes são alguns dos pontos que levam à diversidade de religiões. E cada pessoa vai para a religião que lhe parece ser mais conveniente.
Existem pessoas que acreditam no Céu, no Purgatório e no Inferno, para onde cada um deverá ir ou passar, de acordo com o que fizer neste mundo. Jesus se referiu claramente ao Céu e ao Inferno, porque não precisava se referir ao Purgatório. Ele é uma consequência lógica, pois todos os que morreram antes da Ressurreição de Jesus e que não mereciam ir para o inferno, tiveram que esperar a Ascensão. Só então as portas do Céu foram abertas para eles.
Existem outras pessoas que acreditam que não haja nada disto. Para esses, a vida é aqui e depois da morte nada mais existe. Vivem o hoje. Só importa o que estão vivendo agora. Não há nenhuma consequência o fazer ou não fazer o que Jesus ensinou. Os Dez mandamentos não existem para eles.
Quem conhece os Dez Mandamentos sabe do que falo.
Há pessoas que acreditam que só existam o Céu e o Purgatório. Para estes, chegar ao Céu é uma questão de tempo, mas também não correm o risco de ir para o Inferno. O inferno no pensamento delas é aqui mesmo, onde cada uma paga seus pecados.
Algumas pessoas acreditam que só exista o Céu. Morrerão e viverão muitas vidas até que se purifiquem e possam estar junto de Deus. Estes se esquecem da Ressurreição. O Sacrifício de Cristo de nada valeu. Jesus, de certa forma não salva ninguém, pois a salvação depende do que cada um fizer em várias vidas. Enquanto não merecer estar junto de Deus, morrerão e viverão muitas vidas. Acreditam que serão salvos por seu próprio esforço, não importa quanto tempo leve.
É interessante que cada um pensa da maneira que lhe é mais conveniente, de acordo com o que ele quer que seja.
E cada um de nós, o que pensamos? Sei que é difícil fazer cada um dos que pertencem aos vários grupos mudar de idéia, embora todos pareçam acreditar em Deus. Precisamos, entretanto, lembrar que Deus mandou seu Filho Jesus para salvar a todos, indistintamente. Mas, para que isto aconteça, deixou uma série de ensinamentos para que todos os ponham em prática.
Jesus mesmo disse, entre tantos outros ensinamentos: “Nem todo aquele que diz Senhor, Senhor, entrará no Céu, mas aquele que cumpre a vontade do Pai”; “Se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino de Deus”; “O que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a Mim que o fazeis”.
Jesus, para resumir tudo o que disse e ensinou, falou: “Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo”. Como poderemos amar a Deus acima de tudo se muita coisa no mundo é para nós mais importante do que Ele? Há muitas pessoas que não vão recebê-lo na Eucaristia, que não vão visitá-lo no Santíssimo Sacramento. Como poderemos amar a Deus se vemos irmãos sofrendo e achamos que não é problema nosso, que é problema do governo, das instituições filantrópicas ou caritativas?
Eu pertenço ao primeiro grupo, isto é: acredito que haja Céu, Inferno e Purgatório. E acho que preciso melhorar muito para merecer o Céu. Sei que pelas minhas imperfeições não mereço ir direto para lá, pois para estar junto de Deus é preciso ser puro, o que não sou. Por isso tento praticar o que Jesus nos deixou como roteiro.
Sei que algumas vezes fujo do caminho certo, mas reconheço e tento novamente, na certeza de que Ele perdoa a todos os que se arrependem com sinceridade das faltas que cometem e procura não cometê-las mais.
Acreditar ou não no Céu, no Purgatório e no Inferno é decisão de cada pessoa, mas é bom lembrar que cada um de nós tem seu tempo para encontrar o caminho certo.
Como não sabemos quanto tempo teremos de vida, é bom analisar se estamos no grupo certo. Depois da morte não tem mais jeito.

ENQUANTO ISSO, OS BARES ESTÃO CHEIOS... 29 Março 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Infelizmente, um amigo meu tem razão quando diz: “Antigamente, se chegássemos para assistir Missa com 20 minutos de antecedência, não conseguíamos lugar para sentar. Agora podemos chegar com 20 minutos de atraso e ainda encontramos muitos lugares desocupados”.
Hoje, pensando nisto, e confirmando o que venho observando, pude constatar mais uma vez que ele tem razão. Enquanto as cadeiras das mesas dos bares estão cheias, os assentos das igrejas católicas estão quase todos vazios. Estou falando da católica, pois é a que freqüento. Pode ser até que em outras igrejas aconteça o mesmo, mas não o posso afirmar.
Isto é tão verdade que dias atrás fui fazer minha confissão no mutirão da paróquia. Para quem não sabe, na época da quaresma os padres de várias paróquias vão todos para uma delas para atender confissões. Nos outros dias há o revezamento de paróquias, para que todos os fiéis possam atender o preceito pascal.
Tempos atrás, nesse dia de mutirão, a igreja ficava superlotada de pessoas. Ontem, para fazer uma pequena comparação, não tinha 20% do total de antigamente. E o pior é que constatei que 90% dos que lá estavam eram pessoas idosas. Jovens, quase nenhum. Justamente o que acontece inversamente nos bares. Crianças na igreja, algumas poucas, talvez acompanhando alguém. Infelizmente é uma constatação.
Não me refiro à idade da Igreja, que com quase dois mil anos continua nova, isto é, seus ensinamentos não perderam e nem perderão a validade, pois são sempre voltados para o bem e para o amor a Deus. Falo da idade de quem a frequenta. Tempos atrás se via um número incontável de adultos ainda na flor da idade, rapazes, moças e muitas crianças. Hoje podemos contar com facilidade quem lá está.
Alguém pode dizer que a Igreja parou no tempo. Não é verdade. Foram os meios de comunicação, nem sempre honestos nas suas divulgações, que estão fazendo um trabalho de desacreditação das coisas de Deus. Basta ver as novelas, onde a permissividade campeia. E em todas elas há sempre algum religioso que é ruim, que é interesseiro ou glutão, como se só assim fossem todos os consagrados a Deus. Basta assistir um noticiário de TV e veremos que a dificilmente as notícias são negativas. Destaca-se a divulgação de crimes e mais crimes. Sejam crimes contra a vida de outras pessoas, sejam crimes de políticos nunca punidos pela justiça. E o incrível é que sempre existem os seguidores dos crimes veiculados, talvez em busca de uma divulgação de si mesmo, ainda que negativa, ou por saber que não irão ser penalizados.
Veja os casos seguidos de crimes acontecidos nas escolas, onde uma pessoa entra e mata dezenas de outras pessoas. Parece que se sentem encorajados ao ver uma notícia dessas e resolvem fazer o mesmo. As guerras, com seus motivos fúteis, as explosões de homens e mulheres-bomba, são reflexos da insanidade que tomou conta do homem. Prefere- se morrer, desde que consiga matar muitos que sejam considerados inimigos.
A conseqüência do uso da droga, para quem comercializa e para quem usa. No aspecto político dá vergonha ver o que está acontecendo no Congresso Nacional. É uma denúncia atrás da outra e nenhuma tem a punição que merece. E os denunciados falam sobre os escândalos com uma cara-de-pau que dá até raiva na gente. Todos fingem que não são culpados. Se alguém vai preso, fica lá apenas algumas horas. Os juízes os soltam os denunciados. Até algumas autoridades estão na mesma situação. Neste caso, estou falando dos ricos e poderosos, pois os pobres e fracos são presos por ninharias e de lá não saem.
Tudo isto nos leva à certeza de que, se o noticiário fosse apenas positivo, poderia surtir o efeito de motivar outras pessoas. Muitos e muitos projetos que fazem o bem não são divulgados. Dão pouca audiência. Preferimos assistir o BBB, com suas cenas eróticas, do que assistir um programa educativo. Aliás, programa educativo só passa tão cedo que a maioria das pessoas ainda está dormindo, enquanto os BBBs, as novelas sempre tão negativas e os filmes eróticos e violentos, são exibidos nos horários mais impróprios. E não adianta dizer que a opção de assistir é livre, pois não temos muita escolha e o próprio direcionamento dos programas induz os jovens e as crianças a vê-los.
Não quero dizer com isto que a pessoa não possa fazer o que gosta. Se ela gosta de tomar uma cerveja após o serviço, bater papo durante horas, tudo bem! O que estou dizendo é que esse costume é diário, enquanto ir à igreja é uma vez por semana, por apenas uma hora ou na ocasião dos mutirões, uma vez por ano e que de tão pouca gente não leva nem uma hora.
Por que a pessoa antes de ir ao bar não passa por uma igreja para agradecer a Deus o que lhe foi dado? A cerveja gelada é um refresco para o corpo cansado, mas a Missa, a visita ao Santíssimo, ou até mesmo uns poucos momentos para rezar, é um refrigério e um reforço para nossa alma e nosso espírito

OBSTÁCULOS – 21 Março 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Todo mundo sabe que um obstáculo é algo a ser vencido, transposto ou, às vezes, contornado.
Se analisarmos a nossa existência, chegaremos à conclusão de que enfrentamos obstáculos diariamente, desde que fomos concebidos até à hora da nossa morte. E, interessante, são esses dois momentos em que nada podemos fazer para transpor o primeiro e os últimos obstáculos.
Depois da concepção, o próprio organismo da mulher procura expulsar o corpo estranho que a ele chegou. Não tem nada a ver com o fato de se querer expulsar o feto por maldade de outras pessoas. Mas, a maioria dos concebidos vence o primeiro obstáculo e consegue continuar no corpo da mulher.
Ainda ali podem acontecer algumas situações que são também obstáculos. Agora, sim, falo do fato de o ser humano querer expulsar o feto contra a vontade de quem não pode se defender. Nesse caso, para o feto, o obstáculo é quase sempre impossível de ser transposto. É o poder do ser humano adulto que decide se o feto deve ou não viver. O feto não é o mais forte e não tem o direito de dar opinião e não tem como se defender. Em casos de aborto provocado a consciência é um obstáculo cada dia mais fácil de ser transposto.
Mas, imaginemos que o ser concebido consiga transpor o segundo obstáculo: o nascimento. Daí para frente, novos obstáculos surgem para que sejam vencidos: Eengatinhar, caminhar, falar, sem contar com as enfermidades infantis que todos enfrentam. Neste último aspecto, muitas crianças não
conseguem sobrepô-lo. É a terrível taxa de mortalidade infantil. Vencida a faixa do perigo da mortalidade infantil, ainda outros obstáculos se apresentam e sempre em número cada vez maior.
O estudo, iniciado cada vez mais cedo, é um obstáculo que nem sempre é vencido por todos. Muitos não têm a chance de fazer nem o curso básico. Muitos que na escola entram, nem sempre conseguem chegar ao final da caminhada. Depois vem a faculdade, obstáculo oferecido a poucos. Os que conseguem nela entrar e tirar o seu diploma enfrentam outra dificuldade que é o mercado de trabalho. A maioria não consegue vencer em suas profissões e fazem opção de enfrentar desafios menores.
E o obstáculo da convivência? É sempre um grande desafio vencer os problemas gerados com a convivência, seja no serviço, seja no lazer, seja na vida a dois e na vida familiar. Na primeira situação, por necessidade de sobrevivência funcional, costumamos vencer os obstáculos, mesmo que a saída encontrada não seja a que nos agrade mais. No lazer, fica mais fácil, pois sempre podemos evitar os obstáculos procurando outras formas e outras pessoas com quem conviver.
Na vida a dois está acontecendo um fato interessante, mas não sei se o melhor. Em tempos anteriores os obstáculos eram enfrentados com mais garra. Claro que acontecia de um obstáculo criado por uma pessoa diminuir e tolher a outra. Mas, também havia o entendimento para a superação das dificuldades. Hoje nem sempre isso acontece. Prova é que muitas pessoas já não
querem assumir uma união estável ou pelo menos dentro da Lei de Deus. O fato de viver junto e logo depois se separar é uma forma de transpor o obstáculo da convivência, nem sempre fácil de ser conseguida.
Muitas pessoas se esquecem de que Deus constituiu a família para que seus membros pudessem juntos vencer os obstáculos. Mas, parece que poucos querem saber disso. E a família se desintegra cada vez mais.
Na seqüência normal da vida, vem a maturidade, também com alguns obstáculos a serem vencidos. Mas, o período crucial é a velhice. Com a desintegração da família, ninguém mais se sente responsável pelo idoso.
Sorte daquele que tem como pagar a estadia em um Lar do Idoso. Sorte dos que ainda encontram a caridade de algumas pessoas para acolhê-los em asilos.
Maiores obstáculos são para aqueles que não tendo nada disto, passam seus dias e noites ao relento, sem ter a certeza de que poderão matar a fome que sentem diariamente.
Finalmente chega o último obstáculo a ser transposto: a morte. Desse obstáculo não há a mínima possibilidade de o superá-lo. Todo mundo terá que morrer. Mas, o que virá depois da morte dependerá de como vivemos durante toda a nossa vida.
Deus mandou Jesus para vencer a morte e Ele conseguiu e deu a todos nós a mesma oportunidade. Ele apenas impôs uma condição: “Seja caridoso; ajude os outros a vencer os obstáculos...”
Fazendo isto nós estaremos garantindo uma ajuda inestimável para vencer o ultimo obstáculo: conquistar a eternidade junto de Deus.
LSNSJC

SER COMODISTA OU AJUDAR A CONFERÊNCIA QUE PRECISA? – 14 Março 2009
(Publicado em Agosto 2006 no jornal Voz do Vicentino - Sete Lagoas-MG)
Cfd. Aluízio da Mata

Vou contar um fato, fazer um paralelo e aplicar a uma realidade vicentina.
Conheço um confrade que, depois de 44 anos de trabalho, está aposentado desde janeiro de 2006 e que pensou em não fazer nada por um mês, a não ser olhar seus dois netinhos, de 12 e 6 anos, que
sempre passam as férias em sua casa.
Terminada a féria de janeiro ele foi levá-los até sua casa, numa cidade distante. Como não houvesse quem ajudasse a mãe dos garotos a olhá-los, já que ela é profissional da área de saúde, dá aula em uma faculdade e ainda faz pós-graduação, resolveu passar lá mais uns tempos.
Agora já lá se vão quase três anos e a perspectiva é que tão cedo não deixará de ajudá-los. Na verdade, sentiu que seria mais útil lá e deixou o comodismo de lado.
Existem, na SSVP, muitas Conferências que estão desativadas, outras tantas em vias de o ser, simplesmente por falta de participantes. Enquanto isso, nos seus próprios Conselhos Particulares, existem inúmeras Conferências com tantos membros e tão poucas famílias assistidas, que o presidente até tem dificuldade de “arranjar” tarefas para todos. Ele escala alguns para visitar doentes, visitar o Santíssimo Sacramento, rezar o terço semanal como se isso já não fosse uma
tarefa que todos devemos fazer, já que nos dizemos católicos praticantes.
Muitos confrades e consócias passam semanas e semanas sem fazer a visita domiciliar, obra principal da SSVP.
Na cidade onde nosso personagem está “temporariamente”, existe situação semelhante, onde uma Conferência já foi desativada e outra está em vias de paralisar suas atividades. Ele perguntou ao Presidente do Conselho Particular por que alguns confrades e consócias de outras conferências, que se reúnem no mesmo prédio, nos mesmos dia e horário não socorrem a Conferência necessitada (eles apenas trocariam de sala de reunião) e ele me disse que tentou; mas, não conseguiu adesões.
Como este artigo poderá ser lido em todas as Conferências da cidade, espero que sirva de incentivo para outros confrades e consócias socorrerem a coirmã. No caso desse confrade, será a quarta Conferência para a qual vai se mudar, sempre pelo mesmo motivo: socorrer aquela que mais precisa de mais ajuda.
Se você conhece alguma Conferência em dificuldade de funcionamento, por que não muda para ela? Participar de uma unidade onde o trabalho é sempre maior do que o número de seus participantes é gratificante. Para quem faz este gesto de caridade é um sinal de que ele ama mais a SSVP do que a Conferência na qual foi proclamado. Afinal, fomos proclamados confrades e consócias da Sociedade de São Vicente de Paulo, e não de uma determinada Conferência.
Vale a pena meditar e deixar o comodismo de lado.

Por que algumas pessoas abandonam os movimentos? – 7 março 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Uma coisa sempre me intrigou: por que algumas pessoas abandonam os movimentos de Igreja ou movimentos a ela ligados?
Reconheço que quem deveria tratar desse assunto fosse uma pessoa ligada à área da psicologia; mas, como sou eu quem está questionando, vou fazer algumas observações.
Uma pessoa entra para algum movimento por vontade própria, por indicação ou por convite. E muitas vezes ela se identifica tão bem com o que faz que nunca mais quer sair dele.
Comigo aconteceu por convite de um amigo, muito tempo atrás. E até hoje estou no movimento vicentino. Mas, existem pessoas que cedo ou tarde abandonam o barco. Acho que isto pode acontecer por vários motivos.
Primeiro: a pessoa descobriu que sua vocação não era aquela. Então, ela está sendo coerente com o que pensa e vai procurar outro movimento. Algumas saem e não procuram mais movimento algum. Pode ser que seja uma forma de comodismo, depois de ver que nos movimentos a gente tem mais trabalho do que reconhecimento. Quem procura outro movimento e acha o que quer se torna um precioso elemento de ajuda.
Segundo: a pessoa tem vocação, entra para o movimento certo, mas ao longo dos anos se sente decepcionada com alguma coisa ou com alguém. Ela pode não ter sido devidamente preparada para conviver com os erros e acertos tão comuns em grupos de trabalho. Na verdade, ela não procurou fortalecer a sua vocação, que com o passar do tempo foi ficando cada dia mais fria.
Gostaria de falar mais sobre o segundo aspecto. Não há, na vida, nenhum movimento que tenha apenas pessoas por quem sintamos simpatia. As atitudes de um ou outro podem causar-nos aborrecimentos. Ou pode ser que nós é que causemos os aborrecimentos a outros.
Mas, alguns pontos precisam ser analisados. Uns aborrecimentos podem ser relegados. Nesse caso quem os relegou é mais caridoso. Outros não são relegados e causam conseqüências. Se a reação de quem foi aborrecido for de “tirar satisfações”, pode acontecer uma discussão e até uma possível inimizade. Se a reação for de indiferença, essa atitude pode ser considerada como esnobismo. Tem gente que não gosta de discutir as diferenças e prefere se afastar. Alguns chegam a tomar raiva do movimento onde anteriormente militavam.
O interessante, em qualquer dos casos, são as reações de terceiros. Alguns ficam a favor de quem sofreu o aborrecimento. Outros ficam do lado de quem causou o aborrecimento. E acontece muitas vezes que essas posições de terceiros são tomadas sem que estes saibam de todos os detalhes do caso. Simplesmente tomam partidos, porque simpatizam ou se antipatizam com um dos lados. Decidem de que lado vão ficar sem ao menos procurar escutar a outra parte. Isto não deixa de ser um perigo. Corre-se o risco de se cometer injustiças.
Na Sociedade de São Vicente de Paulo não é diferente. Nos meus muitos anos de vicentino, com certeza, causei e sofri aborrecimentos. Interessante que os aborrecimentos que causei pesam muito mais, pois sempre me vêm à mente ou me são lembrados por outras pessoas. Tenho uma espécie de remorso, mesmo que não os tenha causado voluntariamente. Os aborrecimentos que sofri, com sinceridade, deles não mais me lembro. Sei que os sofri, mas não guardei rancor nem mágoa. Não quero dizer com isto que eu seja melhor do que outras pessoas. Só que, no meu coração, sinto que nunca fiz algo para ferir propositadamente alguém. Os arroubos, as opiniões, os questionamentos meus foram frutos da imaturidade no início, e depois da firmeza de opinião ou o desejo de restabelecer pontos para reparar alguma injustiça que estava sendo cometida contra alguém.
Não digo que nunca tenha pensado em sair da SSVP. Até já pensei em parar de escrever meus artigos sobre ela. Muitos concordam com o que escrevo. Outros tantos não concordam. Uma coisa é certa: estar no meio de pessoas que te tratam com indiferença não é uma boa experiência. Graças a Deus essas pessoas são em pequeno número. A vocação vicentina fala mais alto. E não há nada como tentar fazer a caridade para apagar os muitos pecados que a gente comete. Afinal, os pobres não podem sofrer as conseqüências das nossas fraquezas.
Se o perdão fosse uma constante no meio dos vicentinos pelos erros ou enganos que cometemos, com certeza a SSVP seria muito mais caridosa como desejava Ozanam que ela fosse. E não haveria abandonos de suas fileiras por esses motivos.
Concluindo: as pessoas abandonam os movimentos por comodismo, por intransigência, por falta de diálogo ou por falta de caridade. Esta reflexão vale também para os outros movimentos.

Alguns pontos para melhorar – 1 Março 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Pensei bastante antes de escrever este artigo.
Ao iniciá-lo, veio-me uma dúvida: que título dar ao artigo? Confesso que à medida que as idéias iam surgindo, um título me parecia sugestivo. Eis alguns: “ALERTAR OU DEIXAR COMO ESTÁ?”, “QUEM ESTÁ FORA DA REALIDADE?”, “ESTAMOS PERDENDO TEMPO”, “A REALIDADE BRASILEIRA NÃO É A MESMA EM TODOS OS LUGARES”, “FALANDO NO VAZIO”, “ESTOU SENDO REPETITIVO”, “COMO AGIR?”, FAIXA ETÁRIA VICENTINA É PREOCUPANTE”, “MAIOR APOIO DO CLERO”, “PARCERIAS COM ALGUNS MOVIMENTOS E PASTORAIS”, “CRIANÇAS PODEM SER A SALVAÇÃO”, “FAZER A SSVP MAIS CONHECIDA”, e muitos outros.
Comentando com uma Irmã de Caridade sobre o que se passa no meu íntimo, vendo que precisamos mudar procedimentos, tomar atitudes, e que quem tem o poder de fazê-lo, não o faz, ela me disse: “Você está passando pela angústia dos profetas. Eles anunciavam e denunciavam, e muitos
pareciam não ouvir”.
No momento, estranhei, porque nunca me considerei um profeta, pois profeta é aquele que anuncia e às vezes denuncia, e eu estava apenas alertando e constatando que eles não estavam nem sendo analisados, ou se analisados, considerados sem importância.
Pode ser até que alguns dos meus alertas não sejam tão importantes, mas com certeza alguns são. Nos últimos dez anos que tenho me dedicado a esta linha de artigos, o que se refere às Conferências de Crianças e adolescentes parece estar florescendo, não graças ao que escrevo, mas à abnegação de uns tantos vicentinos de fibra.
Nos últimos tempos tenho batido em alguns pontos que acho importantes dentro da SSVP: espiritualidade, reuniões bem preparadas e bem dirigidas, entesouramento, visitas bem feitas aos assistidos, modernização da comunicação entre as diversas unidades vicentinas, melhor preparação (ECAFO) dos estagiários de cidades menores, número de famílias assistidas...
Relendo o que escrevi até agora, cheguei à conclusão que cada título pensado daria um artigo. Sobre os pontos elencados, já publiquei alguns escritos. Sobre o que acontece dentro de uma reunião vicentina, escrevi alertando para os pontos que acho precisam ser melhorados. Ainda não publiquei todos, mas dos que já publiquei recebi opiniões diferentes.
Sobre todos os pontos analisados recebi mensagens confirmando que o que escrevi também acontece em outros lugares, mas coincidentemente, o que mais causou polêmica foi sobre o entesouramento. Sobre este me chegaram dezenas de mensagens confirmando o que escrevi, mas recebi alguns dizendo que em suas conferências o estado do caixa alto é uma ação preventiva para não faltar ajuda aos assistidos adotados.
Com tanta gente passando necessidade, é falta de confiança na Providência Divina. Deus nunca deixará faltar recursos para uma conferência que distribui tudo o que arrecada, a não ser que os seus
membros não trabalhem para pedir.
Tendo em vista o grande número de títulos pensados e assuntos listados, achei melhor colocar um título meio estranho, mas que revela o que eu queria dizer.
Fiquem com a Santíssima Trindade e com Maria Santíssima!

A TIMIDEZ DE ALGUNS PADRES E DE MUITOS LEIGOS – 22 Fevereiro 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Acho que a Católica Apostólica Romana é a Igreja verdadeira porque acredito nas palavras que Jesus disse a Pedro: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela.” Ele constituiu Pedro como Chefe da Igreja nascente e os Apóstolos como os evangelizadores. Essa designação foi confirmada mais de uma vez. Em uma delas, disse aos discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho”. Em outra ocasião e, na minha opinião a principal, Ele disse na última Ceia: “Fazei isto em memória de Mim”.
Mas, fico pensando: Jesus não desprezou o fato de que a audácia dos seus discípulos fosse a mola para fazê-la crescer. Usou até do expediente de dar aos evangelizadores o poder de fazer milagres. Os milagres verdadeiros.
E os discípulos acreditaram na palavra de Jesus e não temeram sofrer privações nem martírios. Seguiram sua vocação e deram conta dela.
No entanto, parece que os evangelizadores de hoje têm uma fé muito menor. Quando Jesus os fez sucessores dos apóstolos, o fez com todas as suas promessas e poucos são os que acreditam que podem fazer o que os primeiros enviados faziam.
Vejam o exemplo de Paulo. Todo padre deveria estudar a fundo a vida desse evangelizador. E se espelhar nele.
Ele era intrépido, corajoso, incansável, destemido. Os padres de hoje me parecem tímidos demais.
Alguém vai dizer que os tempos são outros, que o número dos que precisam ser evangelizados é muito maior, que o número dos padres é pequeno, e eu concordo com tudo isto; mas, pergunte a qualquer padre se ele trocaria as condições de evangelizar de hoje pelas dos primeiros evangelizadores?
Quem, de hoje, estaria disposto a sair sem saber o que iria encontrar, ou melhor, até sabendo que iria encontrar um terreno hostil, perigoso, cheio de armadilhas, perseguições, sacrifícios, mortes?
Quem estaria disposto a sair sem levar dinheiro, alforje ou duas túnicas?
Posso estar parecendo muito duro com os padres e até, com certeza, estarei cometendo uma injustiça com alguns que estão em terras inóspitas, ou socorrendo paróquias em dioceses diferentes das suas ou que estão enfrentando situações semelhantes. Mas esse número poderia ser maior.
Outros poderão falar: “Então, por que os leigos não fazem isso?”
Eu penso que cada um tem um carisma. Cada um tem uma vocação. Cada um tem uma missão.
Cada um tem que tentar desempenhá-la da melhor maneira possível.
Não pode o vocacionado para o matrimônio deixar de fazer o que é necessário ao seu estado, como não podem deixar os outros vocacionados, mas não consagrados, a fazer bem o que escolheu seguir.
Aí, também, cabe a cada leigo ser um evangelizador, seja na família, seja na mídia, seja no trabalho.
Neste artigo gostaria de me ater a um detalhe apenas: a timidez dos nossos padres e leigos.
Preocupa-me ver que muitos padres não conseguem atingir os fiéis em suas homilias. Muitas delas são desprovidas de conteúdo. São fracas de exemplos, de testemunhos. E elas são faladas para os poucos que vão ao templo. Não se conseguiu ainda achar a maneira de atingir quem nem sabe o que é uma celebração. O que vemos nas rádios e nas TVs são tentativas ainda um pouco infrutíferas, pois quem não está acostumado muda de rádio ou de canal.
E o pior é que, quando aparece uma pessoa que faça algo diferente, ousado, é dito que “ele quer aparecer”.
Veja o caso do Padre Marcelo, Padre Fábio Melo, entre uns poucos outros. Alguns padres os criticam, mas se esquecem de que eles conseguem levar muito mais gente às celebrações. Eles podem fazer algumas coisas diferentes, mas não mudam nada do que é essencial, fixo. Padre Marcelo, na sua maneira de ser, junto com o seu Bispo, Dom Antônio Figueiredo, consegue atingir cada dia mais os fiéis. Padre Fábio, com seus CDs e livros atinge muita gente.
Conosco, os leigos, não é nada diferente. Somos tímidos, comodistas. Não estamos disponíveis para nada das coisas de Deus.
Poucos de nós nos animamos a colocar nossos dons e carismas em favor da nossa religião. Poucos de nós, católicos, temos a coragem de evangelizar amigos, conhecidos e até desconhecidos, fazendo palestras, escrevendo ou falando sobre os caminhos que possam nos levar ao Reino. Por que, nós católicos, não temos a coragem de ir de casa em casa oferecendo livros ou angariando assinaturas de revistas e jornais da nossa religião?
Pessoas de outras religiões estão fazendo tudo o que nós não fazemos. E por isto ganham adeptos.
Isto se chama não ter vergonha e nem preguiça de falar sobre Deus.
- - -
Bibliografia:
- ZEZINHO, Pe. Do Púlpito para as Antenas. Paulinas. São Paulo-SP. 2007
- ZEZINHO, Pe. Novos Púlpitos e Novos Pregadores. Paulinas. São Paulo-SP. 2005

MÚSICAS QUE SE TORNAM QUASE HINOS - 15 Fevereiro 2009
Texto: Cfd. Aluízio da Mata

Com certeza isso acontece em todos os países. Músicas que foram compostas propositadamente para uma determinada situação, se tornam marco daquela mesma situação. Outras foram compostas sem aquela intenção, mas foram identificadas tão bem com o projeto, com o momento, que seguiram o mesmo caminho.
No Brasil não foi diferente. As Copas do Mundo de futebol geraram muitas músicas. Quem não se lembra daquela que começa dizendo: “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração...”. Hoje, com mais de duzentos e vinte milhões, aquela música é cantada quando vencemos mais uma Copa.
E daquela música que se tornou hino contra a ditadura e que em determinado trecho diz: “vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”, quem não se lembra ainda hoje?
Vamos pelo lado mais ameno e nos lembraremos de “Pai”, composta e cantada pelo Fábio Júnior. Não é esquecida na comemoração do dia daquele que nos gerou; e a de Milton Nascimento que diz que “amigo é coisa para se guardar...”, para reafirmar que a amizade é coisa muito importante; e a “Decolores” que virou hino dos Cursilhos de Cristandade, e “Noites Tenebrosas”, que nunca deixa de ser cantada em encontros de reflexão ou retiros espirituais...
Teríamos muitas outras canções para registrar; mas, vou ficar com uma querida dos participantes da Sociedade de São Vicente de Paulo.
Permito-me escrevê-la toda, para que quem não sendo vicentino possa ter uma idéia do por quê ela nos é tão cara. Pra dizer a verdade, nem sei quem a compôs, mas quem a escreveu estava inspirado:

Para mim, a chuva no telhado
É cantiga de ninar
Mas pro pobre, meu irmão,
Para ele a chuva fina
Vai entrando em seu barraco
E faz lama pelo chão.

Para mim, o vento que assobia
É noturna melodia
Mas pro pobre, meu irmão,
Ele ouve angustiado
Pois o vento, esse malvado,
Lhe desmancha o barracão.

Como posso ter sono sossegado
Se no dia que passou,
Os meus braços eu cruzei
Como posso ser feliz
Se ao pobre, meu irmão,
Eu fechei o coração
Meu amor eu recusei...

Esta música é cantada em todas as épocas do ano, pois quando não é a chuva, que nem sempre é mansa e sempre causa muitas tragédias, é a seca que traz a fome, é o vento forte que destrói muitos barracos.
E o importante desta composição é a mensagem de que não podemos ficar de braços cruzados. Ela nos lembra que devemos ter o coração sempre aberto para os sofrimentos dos mais necessitados.
Aposto que ao ler este artigo veio à sua mente alguma música que lhe toca mais o coração. É o seu hino pessoal. Mas é preciso lembrar que as composições sugerem ações. Não podemos simplesmente cantá-las e continuar como estávamos antes.
O Evangelho foi ensinado por Jesus não apenas para mostrar que Ele sabia das coisas. Ele o ensinou para ser modelo, para servir de guia, para ser praticado.
As músicas que se tornam quase que hinos, também são lições para ser seguidas.
Cantar apenas não adianta nada. É preciso fazer, agir, amar.


A FRAGILIDADE DA VIDA HUMANA - 8 fevereiro 2009
Cfd. Aluizio da Mata

Creio que todos estão sabendo do ocorrido com a jovem modelo capixaba que em poucos dias
ficou doente e morreu.
Uma infecção urinária e o desenvolvimento de uma potentíssima bactéria causaram inicialmente a amputação das mãos e dos pés e, finalmente, a morte da jovem.
E ela tinha apenas vinte anos. Era saudável, cheia de vida, de sonhos e de esperança.
Tudo acabou em pouco tempo.
Umas pessoas, apesar de querer, vivem poucos anos. Outras, que não tem como se defender, morrem antes mesmo de nascer.
Uma das revistas semanais, que circulou em de janeiro de 2009, publicou uma reportagem que diz que, agora são as próprias mulheres que decidem ter ou não uma criança que geraram. E muitas fazem a opção pelo aborto.
A reportagem dá a entender que antes, embora o aborto já acontecesse, a decisão era mais dolorosa, pois os valores religiosos e a consciência pesavam mais que agora.
É triste ver publicados os retratos e os depoimentos tão conflitantes de pacientes e de médicos.
Um dos médicos entrevistados diz que, se procurado por uma gestante, é franco: “Não faço aborto”, e dá para ela as informações médicas necessárias sobre o assunto. Outros dizem que, se procurados, fazem o aborto solicitado, pois respeitam a vontade da cliente. Um desses médicos diz ter feito mais de quatrocentos abortos.
A reportagem enfoca que, agora, a vontade da mulher sobrepõe a sua própria consciência e à religião.
Dizem fontes do governo, querendo justificar a aprovação de leis que liberam a prática do aborto, que eles são milhões feitos ilegalmente, sem as condições higiênicas necessárias, e com grande risco de vida para a gestante. Deve ser verdade. Mas o que o governo deveria ensinar é a prática do sexo responsável. Isto ele não faz. Até muitas escolas estão “indo nessa onda” ensinando criancinhas o que é a prática sexual.
Interessante que o governo distribui milhões e milhões de camisinhas e, valha-nos Deus, quer colocar em escolas máquinas que distribuem gratuitamente os preservativos, como se com isto tirasse dele a responsabilidade de estar incentivando o sexo sem compromisso. Depois de colocar na cabeça dos jovens que podem praticar o “sexo seguro”, isto é, que evite as doenças sexualmente transmissíveis e por tabela não gerem filhos, quem garante que todos os que praticam sexo vão fazê-lo com a camisinha? Quem diz que os jovens, no auge da sexualidade, vão deixar de praticar o sexo só por quê não têm uma camisinha disponível na hora?
É aí que penso na fragilidade e transitoriedade da vida. Uns morrem por violentas causas físicas, outros morrem por absoluta falta de consciência. Lembremo-nos das inúmeras crianças nascidas que foram jogadas vivas no lixo ou em lagoas.
Não cabe aqui discutir o que poderia ser a causa da gestação, se indesejada por ser a mulher jovem ou idosa demais, se por falta de recursos para se criar um filho ou mais de um, se por estupro, se por descuido de quem praticou o ato sexual. Todos sabiam que, mesmo contra a vontade de um dos parceiros, ao praticar o ato sexual uma criança poderia ser gerada. E a criança não tem culpa de nada.
O aspecto principal a que me refiro é a fragilidade de um ser vivo que não tem como se defender.
Não bastasse a vida de qualquer um de nós que conseguiu nascer ser um fio muito frágil, muitos que estão por nascer não tem como não aceitar decisões que lhe tirarão a vida, sem o direito de dar uma opinião, de expressar que quer viver.
Ainda bem que Deus transforma em anjo cada criança abortada e, quem sabe, a manda proteger quem a matou.

O VALOR DE UM PRESENTE – 1 Fevereiro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Todos nós gostamos de ganhar presentes. Mas, qual é o valor real de um presente? O que vale mais, uma bucha vegetal ou um colar de pedras preciosas? Um presente vale pelo seu valor material, sentimental ou pela sua serventia?
Depende de muita coisa. Alguns valem pelo que representam para nós. Um objeto que antes pertencesse a alguém muito querido tem para nós imenso valor e nos faz lembrar sempre daquela pessoa. Por exemplo: tenho guardado com muito carinho um pequeno recipiente feito de chifre de boi onde meu pai guardava o seu rapé. Meus irmãos herdaram várias coisas que eram dos meus pais. Eu herdei apenas isso. Ele presenteou-me pouco antes de falecer. E sempre lastimo não ter nada que tenha pertencido à minha mãe, por mais simples que pudesse ser. Dela tenho apenas um retrato tirado no dia da celebração das Bodas de Ouro. Para mim tem imenso valor.
Outros presentes valem pelo que representam em termos de dinheiro. Um colar de pérolas, certamente, tem grande valor financeiro. Quem o possui agradece sempre quem o lhe tenha dado. No entanto, outro presente, sem valor financeiro ou afetivo, pode valer muito para quem o recebe. Você já pensou nos presentes que já deu e nos que recebeu?
Costumamos comprar um presente caro para dar a algum amigo no aniversário ou no casamento dele, e certamente ele se lembra de nós toda hora que o vê. Nós, também, nós nos lembramos de alguém toda vez que nossos olhos se deparam com um presente que essa pessoa nos deu. Por essas razões os presentes têm valores diferentes para cada pessoa.
Eu me recordo que os presentes de Natal que mais gostava de ganhar, quando criança, eram algumas roupas que minha mãe fazia, de panos bem comuns que o meu pai podia comprar. E gostava também quando meus parentes ricos nos visitavam no fim do ano e nos traziam roupas usadas, mas ainda muito boas. Como ficávamos alegres!
Tudo isto eu digo para contar um fato vicentino. Certo dia, fui com minha esposa à Vila Vicentina levar uns sacos de feijão que tínhamos ganhado para a SSVP. Ao chegar perto da cozinha da Vila, estacionamos a camioneta. Logo algumas internas bem idosas se aproximaram do veículo e viram no fundo da carroceria algumas buchas vegetais, dessas que dão em qualquer terreno baldio. Tínhamos colhido as buchas em um lote e estavam ali para ser dadas para qualquer pessoa. Quando vimos o desejo das velhinhas de ganharem as buchas, imediatamente as demos, e fomos embora. Não achamos que aqueles presentes fossem fazê-las tão felizes e nem vimos a alegria estampada nos rostos delas. Depois, conversando com o responsável pela Vila Vicentina, escutamos:
- “Não há presente melhor do que uma boa bucha vegetal para que elas possam lavar o corpo. Todas as que ganharam ficaram felizes e causaram inveja nas que não ganharam.”
Por isso, um copo de água para alguém que esteja com sede, vale mais do que um presente de valor elevado. E uma bucha vegetal, mais que um colar de pérolas, para quem quer lavar seu corpo. Tenho a certeza de que aquelas internas da Vila Vicentina tiveram um momento de felicidade por ganhar um presente muito valioso para elas e que para nós não valia nada.
Ah! E para Deus? A doação das buchas para as velhinhas teria tido algum valor? Claro que sim. Jesus até poderia ter acrescentado algumas palavras em um dos seus ensinamentos: “Até um copo de água e uma bucha vegetal dados com caridade terão recompensa no Céu”.
Assim confio que será.
LSNSJC

O VICENTINO E O TEMPO DE CHUVAS E DE SECAS – 25 Janeiro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

A “moça do tempo”, como é conhecida a repórter que dá as notícias sobre a meteorologia no Brasil, fornecia dados conflitantes em um dos noticiários da televisão. Em algumas partes do país enchentes, deslizamentos e chuva constante. E muitas mortes. Em outras partes, seca, falta de água até para beber. Com certeza algumas mortes também. Nas diversas regiões, falta de comida, ou porque a enchente levou tudo, ou porque a lavoura nada produziu.
Vemos o desespero nos olhos das pessoas de vários lugares. Uns sem casa para morar, porque a correnteza levou tudo, outros sem casa para pousar, pois tiveram que abandonar seus lares à procura de abrigos. O apresentador do noticiário fez a pergunta que todos já sabíamos parte da resposta dada pela “moça do tempo”: “ É porque o Brasil é um país imenso. Tem regiões perto do Pólo Sul, tem regiões intermediárias, tem regiões quase na Linha do Equador”. Isso que ela falou é uma verdade, mas não disse porque, somente nos últimos anos, tais acontecimentos têm se tornado mais constantes e mais devastadores.
Todos sabemos que isso é o resultado da ação do homem, que vem agredindo a natureza desde longo tempo. É a cobrança dela aos desvarios do ser humano. Uma vez escutei um repórter perguntar a um industrial que polui muito a natureza se ele não estava pensando nas conseqüências que seus netos irão sentir. E o industrial respondeu: “minha preocupação é ganhar dinheiro agora, o resto não interessa”. Igual a ele pensam muitos governos de países industrializados, cujas fábricas e produtos são poluentes, e países responsáveis pela devastação da biodiversidade.
O que tem tudo isso a ver com o Vicentino? Se antes já tínhamos bastantes famílias para socorrer ou mesmo ajudar sem os casos de tragédias, imaginem agora! Muitos confrades e consócias moram em cidades e lugares seguros, onde não há deslizamentos de terra, não há enchentes, mas muitos outros moram justamente nessas áreas que tanto precisam de ajuda.
Ozanam disse há muito tempo atrás: “Gostaria de reunir o mundo todo em uma grande rede de caridade”, falando sobre a necessidade de se socorrer a todos os necessitados, mas como um recado direto às Conferências mais favorecidas para ajudar as aquelas de menos condições e, Martin Luther King, muito tempo depois: ‘Eu tenho um sonho”, falando sobre a igualdade de raças, liberdade das classes menos favorecidas, dando um recado direto aos que se achavam superiores aos negros e aos pobres. Hoje esses apelos ainda são válidos e muito atuais.
Penso que o Conselho Nacional deveria ter um cadastro atualizado de todas as Conferências e Conselhos, onde cada um, mensalmente, atualizaria honestamente a sua situação, seja no aspecto humano, isto é, com o número de confrades e consócias, número de famílias regularmente assistidas semanalmente e no aspecto financeiro, dando o seu estado real de caixa. Isto possibilitaria uma análise dos dirigentes mais conscientes e possuidores de recursos que poderiam ser repassados para as conferências em dificuldades, ou para conferências localizadas em regiões de catástrofes da natureza. Poderão ter até surpresas ao verem que em suas próprias cidades existem conferências da periferia precisando de ajuda. Que adianta ter bom saldo em caixa, enquanto outras estão com saldo negativo?
Posso até me enganar, mas tem gente que lendo este artigo que vai pensar: “Isto é utopia, isto é, um sonho que nunca será realizado”. Se Ozanam e Luther King tivessem pensado como estes, o mundo estaria em muito pior situação. Eles foram pioneiros e muitos os seguiram. Sonho de ver cair uma chuva bem forte, mas chuva de graças para fertilizar o coração dos vocacionados, para acabar com a aridez dessa seca que está se alastrando entre nós. Quem sabe o meu sonho de ver SSVP ainda mais bem organizada do que é, de ver as Conferências, confrades e consócias ainda mais disponíveis à caridade do que são, possa a vir a acontecer?
Assim como Ozanam e Luther King não sobreviveram para ver seus sonhos realizados - mas nem por isso deixou de valer a pena -, certamente eu não estarei aqui caso este meu sonhe se realize. Mas, isto depende de outras pessoas: confrades, consócias, dos dirigentes de Conferências e dos presidentes dos Conselhos de todos os escalões, e não só de mim. Quem sabe meus netos poderão um dia dizer: “Vovô, valeu a pena”

FRANCISCO E CLARA – 16 Janeiro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Como escreveu o confrade Renato Lima, todo vicentino é franciscano. Claro que ele se referiu aos confrades e consócias que têm a caridade como ponto alto em sua vida de discípulos de Ozanam. Atrevo-me a avançar um pouco mais. Não digo que não haja mais pureza de relacionamento entre os jovens. Com certeza existem, mas não temos notícias desses jovens, pois o que vemos nos noticiários e novelas é justamente o contrário. Os valores éticos e morais estão em baixa, pelo menos para aqueles que são os responsáveis pela divulgação através da mídia.
Para a maioria dos jovens de hoje, e para os adultos também, pensar que houve um relacionamento puro entre dois jovens bonitos, saudáveis, de boas posses materiais, é difícil de entender. Falo de Clara e Francisco. Imagine-os vivendo na plenitude da sexualidade, no meio libertino da época e se tornarem santos... É difícil de entender e de acreditar.
Francisco viveu uma vida normal de um jovem cheio de fantasias e desejos de aventuras. Passou por fases e momentos de muitas tentações. Mas ele, com certeza, estava destinado a ser alguém diferente, ou melhor, alguém que faria a diferença. Já, Clara, moça de beleza extraordinária, com dezenas de pretendentes, levando uma vida tranqüila, com direito a ter tudo o que quisesse, fez uma opção difícil de ser entendida e acreditada pela maioria das jovens de hoje.
A conversão de Francisco parece ter sido mais custosa, pois até participou de desavença entre nobres e comerciantes de Assis, tendo que fugir para uma cidade vizinha e lá ficou prisioneiro durante algum tempo.
Clara, não; vivia uma vida tranquila, mas já voltada para as coisas de Deus. Era rica, morava em um castelo. Ela gostava de ouvir as pregações que Francisco fazia depois de convertido e junto com uma sua amiga, e logo depois com a sua irmã Inês, foi viver o mesmo tipo de vida, dedicada aos pobres, desprezando as riquezas materiais.
Mas, eis aí um mistério. Que Francisco tenha se convertido pelos sofrimentos que passou e por ver tantas pessoas sofrendo necessidades, é compreensível, pois a graça de Deus lhe tocou o coração.
Mas, e Clara? Por que iria se preocupar com tantos problemas existentes no mundo, se ao seu redor ela estava segura, tendo um futuro tranqüilo garantido?
Aí, outro mistério. A graça de Deus não escolhe lugar ou pessoa por acaso. Deus conhecia a pureza do coração daquela mocinha. Francisco abdicou a tudo o que tinha, quando passou a ser repreendido pelo pai, já que estava distribuindo aos pobres tudo que tinha. Numa dessas admoestações, ele resolveu a não ter nada de seu, mesmo que direito tivesse. Devolveu ao pai até a roupa do corpo e foi morar sem ter um lugar. Onde achasse pousada, ficava. Seu modo de vida se transformou do vinho para a água. De tudo que tinha que se poderia dizer que era de bom, nada mais possuía e o que ganhava distribuía aos pobres. E muitos jovens o seguiram.
Clara, com certeza, ouviu falar dessa mudança, mas ao invés de criticá-lo, de achá-lo um louco, passou a pensar mais ainda na inutilidade da vida que ela levava. E resolveu fazer o mesmo. Deixou tudo o que tinha, para seguir os passos de Francisco.
Hoje, repito, se torna difícil imaginar o que possa não ter havido entre os dois; tal é o modo atual de pensar de todos nós. Algumas pessoas maledicentes chegaram a insinuar que eles “ficaram” juntos, no uso do termo atual, mas foram pensamentos maldosos, pois naqueles corações havia a pureza dos jovens destinados a ser exemplo para muitas gerações. Com certeza eles se inspiraram em Maria e José.
Mesmo que eles tivessem se casado, nada demais seria, pois eram jovens, livres e com certeza tinham um ideal que os unia numa grande amizade. Apenas não pensamos que a admiração sublimada que tinham um pelo outro era canalizada para um amor dirigido a Deus, através dos pobres.
Ler as biografias de Francisco e Clara fará muitos jovens pensar que o modo de vida atual não é o mais correto. Clara e Francisco são exemplos que precisam ser seguidos. Quem ler ficará maravilhado.
Riqueza, prazeres mundanos, não vale nada para Deus. Deus não condena a riqueza legítima e os prazeres sadios, pois eles por Ele foram criados. O que manda mesmo é a pureza de sentimentos, a pureza do coração. Ainda bem que hoje, na época em que virgindade e castidade são motivo de risos e deboches, muitos jovens voltam a pensar e a agir como Clara e Francisco.
Estes jovens são privilegiados por atender a graça de Deus, que é distribuída a todos; mas, que muitos não a aceitam. Mesmo assim, são corajosos os que tomam a decisão de não pecarem.
Tomara que no meio vicentino existam muitos santos como Clara e Francisco. Jovens ou idosos. Casados ou solteiros. Puros e caridosos.

CONFERÊNCIAS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES - ESPERANÇA DE MELHORA – 11 Janeiro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata

Conversando com um confrade, ele se dizia meio desanimado, assim como
eu, por ver que a SSVP não está tão bem em todos os lugares do Brasil,
como muitos pensam que está.
Os Conselhos Particulares estão precisando, urgentemente, de uma
injeção de ânimo. A rotina se instalou de vez. As reuniões mensais são
uma repetição das reuniões anteriores. Não se vê nada de novo.
As reuniões de Conferências seguem o mesmo caminho.
Para se ter uma idéia, poucos são os presidentes que passam para suas
Conferências o que aconteceu na reunião do Conselho Particular, se é
que aconteceu alguma coisa... O que se ouve lá é uma repetição mensal
do mesmo número de famílias assistidas, aliás, não muitas, a falta de
novos confrades e consócias. Nada inovador. Nenhuma notícia de uma
família promovida. Quase nada.
Já comentei que a média de idade dos vicentinos, acredito que no
Brasil inteiro, está altíssima e se não houver uma providência urgente
por parte dos nossos dirigentes, a SSVP está fadada a diminuir cada
vez mais.
Este mesmo confrade, com quem estava conversando, me disse uma frase
que renova ainda um pouco da minha esperança: “A salvação da SSVP está
nas Conferências de Crianças e Adolescentes- (CCAs)”.
Ele tem razão.
O pior é que em muitos Conselhos Particulares não existe uma só CCA.
Conferências se extinguem, outras são desativadas, por falta de número
para que a reunião aconteça.
Quando da elaboração da Nova Regra cheguei a dar algumas
contribuições. Uma delas, que eu achava seria aceita, é a de que não
se proclamasse ninguém sem que ele tivesse pelo menos um ano de
estágio. A intenção de que só se poderá proclamar alguém se ele
passar pela ECAFO é uma boa medida, mas se esqueceram de que em
centenas de cidades não há como ministrar esse Curso. Como não existe
estabelecido um tempo mínimo para estágio, o que acontece é que
algumas pessoas são convidadas a participar da SSVP, assistem a duas
ou três reuniões e são proclamadas. Nunca nem viram a nossa Regra,
quanto mais tê-la lido. A maioria, muito rapidamente, não volta mais
às reuniões. Também, não há nada de atrativo nas reuniões que as façam
voltar.
Acho que o Conselho Nacional deveria expedir uma circular, uma norma,
uma orientação de que nenhuma proclamação poderá ser feita sem o
estágio mínimo de um ano, tenha o candidato passado ou não pela ECAFO.
É preferível que a pessoa se afaste sem ser proclamada, do que ser
proclamada e nem saber o que isto significa.
A ECAFO é uma excelente fonte de aprendizado, mas melhor ficaria se o
estagiário “vivesse” na prática da conferência o que lá aprendeu. Aí,
sim, quando o presidente o perguntar se quer ser proclamado ele terá a
certeza da sua vocação vicentina.
Por isto tem razão o confrade Júlio César, Orientador Nacional das
CCAs: “Elas são a nossa última esperança”. Formar confrades e
consócias desde cedo é melhor do que tentar engajar jovens que estão
com a atenção voltada para as permissividades do mundo atual. Estes,
muito rapidamente, não querem saber de compromissos mais
sérios.

COMEMORAÇÕES – 3 Janeiro 2009
Texto: Cfd. Aluizio da Mata (aluiziodamatassvp@gmail.com)

Não sou contra festejar algumas datas tradicionais, mas não gosto de exageros.
Vou me ater à celebração da virada do ano de 2008 para 2009. Calculemos o que foi gasto no mundo inteiro com os espetáculos pirotécnicos. Só em Copacabana, no Rio de Janeiro, se não me engano, foram 24 toneladas de fogos de artifício. Junte-se à Copacabana, o que se gastou em São Paulo, Londres, Nova York, Roma, e em centenas de outras grandes, médias e até pequenas cidades, sem contar com a iluminação excessiva de muitas casas, lojas, edifícios e árvores de natal com milhares e milhares de lâmpadas! Tudo muito bonito, mas que se esvaiu em pouco tempo. Ainda poderíamos lembrar sobre os gastos feitos com ceias, onde os gastos com comida e bebida não devem ter sido pequenos.
Se todos esses gastos fossem direcionados para fins humanitários, muita coisa poderia ser feita. Quanta fome poderia ser saciada, quantos hospitais e quantas casas construídos, quantos remédios
comprados...
Mas, vejamos a celebração sob outro prisma: o espiritual. O mundo tem, digamos, dois bilhões de cristãos, dos quais um bilhão e 200 milhões são católicos. Penso que todos festejaram a passagem do ano. Será que 10%, isto é, duzentos milhões participaram de alguma celebração litúrgica no dia primeiro de janeiro de 2009, para agradecer a Deus o que aconteceu de bom em 2008 e pedir graças para o ano que agora se inicia? Duzentos milhões? Acho que fiz uma estimativa alta demais. Vou reduzir para 5%, o que dá cem milhões. Penso que ainda é um número muito alto. Que tal ficar com 1%? É, acho vinte milhões um número razoável para as celebrações litúrgicas no mundo inteiro.
Enquanto eu estava indo para participar da Santa Missa, às 18 horas dia 1°, passei por diversas casas e bares, onde muita gente estava bebendo e comendo. Acho que as pessoas, pelos aspectos delas, estavam emendando a comemoração que começou na noite do dia 31. E na igreja? Muita gente? Não, infelizmente, não. Como no caso do bairro onde moro a população é bem numerosa, e haveria uma só celebração, era para a igreja estar repleta. Mas não estava, e havia muitos lugares vazios. Em um passar de olhos, outra coisa que chamou minha atenção: pouquíssimos jovens e crianças.
E se analisarmos só os vicentinos? Será que a proporção seria diferente? Sendo benevolente, acho que posso aumentá-la para 30%, isto é, 210.000 no mundo e 75.000 no Brasil, pois pelo que consta no Boletim Brasileiro, somos um total de 700.000 vicentinos em mais de 140 países e no Brasil 250.000. Mantida a mesma proporção, em Sete Lagoas (MG), que somos em torno de 1.200 vicentinos, a presença nas celebrações teria ficado em 360 participantes. O número referente a Sete Lagoas condiz, mais ou menos, com a presença de confrades e consócias em nossas assembléias. Mas, curiosamente, vi apenas uns 10 vicentinos na celebração.
Onde estavam os fiéis? Por que não foram celebrar comunitariamente uma Ação de Graças? Por que não foram pedir em conjunto paz para o mundo? Se por um lado há excesso de gastos materiais na celebração analisada, há pouca gratidão espiritual.
Estarei errado? Não deveria ser o inverso? E você que lê este artigo, participou de qual dos dois grupos acima citados?
Mas, é bom lembrar como Deus ensinou a Moisés abençoar o povo de Israel, que também era muito instável em termos de agradecimentos: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz”.
Que Deus estenda essa bênção para todos nós em 2009!