Confrade Aluizio José da Mata. Nascido em Cordisburgo-MG,
em 19/06/1938. Vicentino há mais de 45 anos. Participou da SSVP de Sete
Lagoas (MG) e Prudente de Morais, estando atualmente militando na Conferência
Nossa Senhora de Fátima, em São Gotardo-MG. Foi editor do jornal
VOZ DO VICENTINO, durante 10 anos, do qual ainda é colunista. Participou
como palestrante em Encontros de Noivos e em Encontros de Reflexão Cristã.
Criou e modera dois Grupos: MIDIA VICENTINA (para o qual envia uma mensagem
semanal voltada para as coisas da SSVP) e TEXTO PARA MEDITACAO (para o qual
envia diariamente pequenos textos de vários autores). Casado, tem um
casal de filhos e dois netos.
aluiziodamatassvp@gmail.com
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O SHOPPING – 31 dezembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Escrevo este artigo dentro de um shopping.
O movimento é grande e todo mundo parece feliz. O shopping tem essa vantagem.
Mesmo que a pessoa vá ali só para passear, os momentos de distração
já valem como terapia.
Mas, será assim para todo mundo?
Fico pensando se levássemos nossos assistidos a um deles. Idosos, adultos
ou crianças ficariam maravilhados vendo a profusão de luzes e
cores. As vitrines seriam uma atração à parte. Certamente
ficariam maravilhados. Provavelmente ficariam frustrados também por não
poder ter quase nenhum dos produtos ali expostos. Mas ,essa frustração
seria recompensada com o prazer de visitar um lugar tão bonito.
Mas, será que poderíamos entrar com eles lá sem que fôssemos
olhados “de lado” pelos seguranças e gerentes de lojas? Já
vi muitos Pobres serem humilhados por não estarem devidamente bem vestidos,
pelo menos na opinião dos lojistas. Os olhos de uma criança mirando
uma vitrine cheia de coisas que não poderá comprar já lhes
causam tristeza.
Imagine, então, se ela for barrada de entrar ou convidada a sair!
As diferenças sociais são grandes e cruéis.
Seria utopia pensar na igualdade de todos, pois o próprio Jesus disse:
“Pobres sempre tereis convosco”. Ele, como sempre, sabia ao que
estava falando, pois conhecia o procedimento do povo daquela época e
de todos nós que viríamos depois.
Sem julgar ou culpar alguém, com certeza todos os que não puderem
ir admirar as vitrines de um shopping pela sua condição de excluídos,
terão o privilégio de se extasiar com vitrines muito mais bonitas
nos shoppings do Céu. Afinal, “ninguém jamais viu o que
Deus tem preparado”. E o excluído é quem é o mais
amado por Deus.
TRANSFERÊNCIAS DE PADRES – 25 dezembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Recebi de um amigo um texto do qual resolvi fazer o tema deste artigo: Transferência
de padres de uma paróquia para outra. O que ele escreve é quase
todo o artigo que eu já pensara em escrever, pois sintetiza bem o que
penso.
Eis o texto dele: “Segundo o Direito Canônico, um pároco
deve ficar de 6 a 9 anos em uma paróquia e depois deve ser transferido
para outra paróquia. Quem decreta a transferência dos padres diocesanos
é o bispo; e quem decreta a transferência dos padres religiosos
é o Superior Provincial da Ordem Religiosa. Troca o prefeito, troca o
presidente do Conselho de Pastoral, troca o Presidente da República.
A troca de um padre pode ser muito pacífica; mas, em outras vezes é
traumática. Os paroquianos sempre esperam que o padre novo que vem seja
melhor do que aquele que se despediu. Há padres que deixam uma história
construída na comunidade. Há outros, cuja memória não
é das melhores. Queremos ouvir a sua opinião: na sua paróquia,
houve troca de padre? Como foi a experiência? O que é maior: a
saudade do padre que foi transferido? Ou é maior a esperança do
padre que acabou de chegar?”
É um assunto difícil de ser abordado. Convivi com muitos padres
e privei da amizade de alguns. Depois de passados muitos anos, posso fazer algumas
observações. Existem paróquias onde o padre é tão
querido que sua substituição causa espanto e tristeza. Em outros
casos, os paroquianos se sentiam até aliviados.
Os motivos dessa reação dos paroquianos são quase os mesmos
em todos os lugares. Por incrível que pareça, os padres com os
quais privei uma convivência mais amiga eram os que se dedicavam de corpo
e alma pelos membros da sua comunidade; eram solícitos, eram disponíveis
e não se via neles nenhuma ambição pessoal. Às vezes,
até passavam dificuldade, mas nunca vi nenhum deles reclamar ou pedir
para ser substituído. Outra coisa que chamava atenção era
que quando chegaram à nova paróquia não foram logo abandonando
as obras do pároco anterior. Procuravam trocar ideias com os Conselhos
Paroquiais. Viam o que era bom e que estava dando certo e continuavam a obra,
sem querer mudar apenas para impor a sua marca pessoal. E o resultado era sempre
bom, granjeando muito mais simpatias.
No entanto, já vi casos em que o novo sacerdote ao chegar na paróquia,
mudou tudo da administração anterior. Não procurou nem
saber a opinião dos paroquianos, granjeando antipatias.
Isto acontece também com a nomeação de novos bispos. Já
vi bispos chegarem a uma diocese e lá permanecerem por muitos anos e
criar um ambiente tão bom entre os padres e os paroquianos que ao saírem
foram pranteados. Mas, já vi bispo ser tão autoritário
que entrava em choque até com os sacerdotes. E alguns até foram
transferidos para outros lugares.
Um dia, perguntei a um dos sacerdotes sobre a atuação de um novo
bispo. Ele, caridosamente, preferiu não dar opinião.
Como disse o meu amigo cujo texto transcrevi acima: “Há padres
que deixam uma história construída na comunidade.”
Fazendo um paralelo, tomara que fosse assim também com os paroquianos
e os vicentinos, que deveriam deixar saudade ao mudar de paróquia ou
conferência ou quando forem se encontrar com Deus.
Prefiro me lembrar desses muitos amigos que tive e ainda tenho, pois alguns
deles já morreram e outros ainda estão por aqui. A esses, as comunidades
devem muito e Deus há de recompensá-los.
Se pudesse ser feita uma pesquisa em cada paróquia e em cada diocese,
talvez o resultado fosse surpreender a muitos...
APROVEITAR OU NÃO A EXPERIÊNCIA DE OUTROS? – 18
dezembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Tivemos há pouco tempo a eleição para Presidente da República
e cabe aqui uma analogia com a SSVP. No caso do Brasil, queira ou não,
a candidata eleita demonstrará boa intenção e inteligência
se aproveitar as experiências de seus antecessores, sejam eles de que
partido forem. A maioria dos ex-ocupantes de algum cargo terá sempre
alguma coisa positiva para ser aproveitada pelo novo mandatário. Não
mostrará bom senso quem assim não fizer.
Passemos então para a SSVP.
Imaginemos um presidente eleito em qualquer uma das Unidades Vicentinas. Nem
sempre todos os projetos do ocupante anterior puderam ser completados. Cabe
ao novo presidente analisar o estágio do projeto e completá-lo,
mesmo porque ele já participava do mesmo projeto anteriormente.
Aí entra a humildade do confrade ou da consócia. Aliás,
seria uma atitude de grande desprendimento, que se pedisse ao ex-presidente
que coordenasse a finalização do projeto inacabado. Ele seria
o porta-voz do presidente recém-empossado, com o qual manteria constante
diálogo sobre o assunto. Ao ex-presidente, também, caberia a humildade
de cooperar sem se sentir menosprezado por estar agora na posição
de ajudante.
Mas, suponhamos que não haja nenhum projeto inacabado. Mesmo assim, seria
de grande sabedoria aproveitar a experiência dos ex-presidentes para ajudar
na administração da Unidade.
Conheci dois casos antagônicos quando houve troca de dirigentes.
No primeiro caso, uma pessoa foi substituída no cargo que ocupava, mas
continuou a trabalhar como uma preciosa auxiliar, com o mesmo afinco como quando
era a principal agente do projeto. E a SSVP saiu ganhando com sua atitude.
O segundo caso aconteceu tempos atrás. O presidente eleito ignorou, sistematicamente,
todo o trabalho da administração anterior, causando prejuízos
espirituais e materiais para a SSVP.
A humildade ou falta dela ficou patente nos casos relatados.
Os novos presidentes eleitos devem se despir de possíveis ciúmes
e vaidades e aproveitar quem queira continuar ajudando, pois ninguém
quer ser “um Vicentino oferecido sem ser querido!”, como diz um
amigo meu. Já os ex-ocupantes de cargos devem se cobrir com o manto da
humildade e não recusar de ajudar quem deles precisar. E entre todos
os confrades e consócias, mesmo que haja diferença de opiniões,
o tratamento deverá ser de caridade. A Sociedade de São Vicente
de Paulo sempre sairá ganhando com tais atitudes sem contar, ainda, com
os créditos que cada um terá no Céu.
CORDIALIDADE - 12 dezembro 2010
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
Uma das qualidades mais necessárias que o Vicentino deve ter é
a cordialidade. Aliás, São Vicente já dizia que se a caridade
é uma flor, a cordialidade é o seu perfume.
Não é comum desavença entre confrade ou consócias;
mas, diferenças de opiniões sempre vão existir. O que não
pode acontecer é que quando alguém não concorde com o outro,
um não fique amolado.
Aquele que for um Vicentino autêntico saberá aceitar uma derrota
na votação da maioria. Se o problema não for de votação,
caberá ao mais caridoso saber contornar qualquer problema que possa haver.
O Vicentino deve lembrar-se que somos muito observados. Os contribuintes e a
sociedade de um modo geral, veem nos Vicentinos uma união, uma fraternidade
que deve ser a marca de todos nós. Portanto, não fica bem que
haja ressentimento entre nós.
Se acaso houver um ponto que dê motivo de mal-estar, o correto é
procurar a outra parte e esclarecer tudo. Nada de comentar com ninguém.
Nada de falar do outro. O Vicentino deve ser aquele em quem todos possam confiar,
principalmente aquele que com ele pratica a verdadeira caridade na pessoa do
assistido. Na Bíblia há uma passagem que diz: “Vede quanto
eles se amam”, se referindo ao amor existente entre os cristãos.
Deverá ser assim, também, em toda a nossa Igreja, nossos movimentos.
Como poderá alguém confiar na seriedade da SSVP, se notar que
entre os Vicentinos não existe união, cordialidade, amor?
Vamos multiplicar nossa caridade? Duas pessoas não podem ser amigas muito
tempo se não souberem perdoar os defeitos uma da outra.
E São Paulo escreveu aos Coríntios (2Cor 13, 11): “Enquanto
isso, irmãos, sejam alegres; trabalhem para a sua perfeição,
animem-se uns aos outros. Tenham o mesmo sentimento; vivam em paz e o Deus do
amor e da paz estará com vocês".
Louvado Seja Nosso Senhor
OMISSÃO OU FALTA DE CRIATIVIDADE? – 5 dezembro 2010
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
Tempos atrás, em Uberlândia-MG, escritas no lado externo das paredes
dos edifícios, vi algumas mensagens de cunho espiritual ou chamando atenção
para trabalhos e objetivos, certamente colocadas estrategicamente ali por instituições
filantrópicas ou por seitas. Elas cobrem todo o lado externo de alguns
edifícios e podem ser lidas de longe, tal o tamanho das letras.
Está errado fazer tal divulgação? Não. Elas estão
divulgando o que acham que todos devem saber.
Entretanto, não vi nenhuma mensagem católica, seja da Igreja,
seja dos seus movimentos. E nem da SSVP.
O católico está acomodado ou não tem criatividade, ou o
que é pior: se omite por não querer se expor.
Será que não existe nenhum católico assumido que possua
um edifício? Será que não podemos adquirir um espaço
e lá deixar nossa mensagem de fé e esperança?
E o que dizer de jornais e revistas? Nossos jornais, com raras exceções,
não têm colunas católicas, ao contrário de outras
religiões ou seitas, que diariamente ou semanalmente lá comparecem.
As maiores revistas semanais são todas direcionadas, ostensivamente ou
não, para pensamentos espiritualistas, onde a Igreja Católica
é muitas vezes mencionada de maneira pejorativa. Dão grandes destaque
a erros e falhas humanas do clero, mas não se preocupam em divulgar o
que de bom é feito por ela, através dos seus membros.
Para exemplificar, criticam o Papa, os bispos ou os padres por tomarem posições
que para eles são retrógradas (como condenar o aborto, a pena
de morte, o sexo sem compromisso etc.)
Acham que para ser moderno o homem tem de evoluir para o que achamos não
ser o melhor.
E o que dizer das televisões? O caso é tão sério
que merece ser analisado. Veja o caso das novelas. Para citar apenas as de uma
grande emissora. As novelas são todas de cunho espiritualista, com apelos
convidativos até demais. Nas que não o são em sua totalidade,
em muitos capítulos as chamadas acontecem com o se fossem verdades comprovadas.
Lembro-me que até em uma, digamos, de cunho católico (A Padroeira,
se não me engano) as chamadas espíritas aconteceram. Nos seriados
em TV paga ou aberta é a mesma coisa. Até no cinema a tendência
é a mesma. Raríssimos filmes são totalmente católicos.
Será que não temos escritores, excetuando-se alguns padres, para
escrever livros e mais livros sobre a nossa religião? Será que
não temos autores, diretores, atores e atrizes que não sejam católicos?
Por falar em divulgação, você já viu alguma reportagem
em jornal, revista, rádio ou televisão que abordasse o trabalho
dos Vicentinos? Não estou falando em divulgação feita por
nós, mas o reconhecimento de uma entidade voltada sempre para ajudar
os necessitados.
A coisa é tão séria que conversando com um amigo que já
publicou alguns livros católicos eu perguntei se ele já colocara
seus escritos em consignação em livrarias da nossa religião
e ele me respondeu: “Já, mas me decepcionei, pois nem exposto nas
vitrines o livro foi”.
É ou não é para desanimar, ou tomar uma posição
mais agressiva, no bom sentido?
A CAPELA DA MINHA INFÂNCIA – 27 novembro 2010
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
Hoje, 27 de novembro, dia consagrado a Nossa Senhora das Graças, me deu
vontade de enviar uma mensagem que considero muito especial, já que a
Mãe de Jesus é muito importante para os vicentinos. Estas foram
as palavras de Maria numa aparição a Santa Catarina Labouré,
irmã da Família Vicentina, em 27 de novembro de 1830, quando ela
mandou cunhar uma medalha que passou a ser conhecida como Medalha Milagrosa:
“Todas as pessoas que usarem a Medalha receberão grandes graças,
trazendo-a ao pescoço. As graças serão abundantes para
as pessoas que a usarem com confiança”.
Tempos atrás tive a oportunidade de passar perto do Hospital Nossa Senhora
das Graças, em Sete Lagoas (MG). Eram 5 horas da manhã e parei
o carro em frente da capela. De onde estacionei, via o prédio ainda às
escuras. De repente, pelo vitral, percebi que alguém acendera a luz da
capela. Pouco depois as portas se abriram e pude entrar.
A minha imaginação correu no tempo e me vi anos atrás,
naquele mesmo lugar e lembrei-me de quando ainda era criança. Quantas
missas havia assistido no mesmo horário das 05h15min da manhã,
junto com a minha mãe. Morávamos a um quarteirão de distância.
Ao entrar na capela vi, com emoção, o mesmo crucifixo iluminado
por trás, e do lado direito do altar a mesma imagem de Nossa Senhora
das Graças, com sua coroa e raios iluminados saindo de sua cabeça
e de suas mãos, nos mostrando as bênçãos que ela
derrama constantemente sobre nós.
Vi a mesma religiosa, irmã Lourdes, já bem velhinha, mas ainda
a primeira a chegar à capela, a bater o sino chamando os fiéis
vizinhos. Outras das antigas irmãs, já não estavam mais
presentes.
Aos poucos foram chegando as pessoas, muitas das quais eu conhecera na minha
infância.
Das pessoas que assistiam as missas antigamente, muitas não mais se encontram
neste mundo, inclusive a minha mãe. Algumas pessoas que naquela época
eram mais jovens, agora já se apresentavam idosas.
Quanta saudade! No passar dos anos, quantas pessoas por ali também passaram.
O padre Agenor, capelão já não mais vivente, também
veio à minha lembrança. Vivia para assistir aos doentes.
Posso testemunhar a dedicação de muitas e muitas Irmãs
de Caridade, não só na capela, mas zelosas no hospital, onde eram
um misto de tudo: eram enfermeiras, conselheiras, amigas.
O progresso transformou o hospital, inclusive no seu aspecto físico.
Desmancharam uma bela construção antiga e ergueram um moderno
edifício. O atendimento, que era quase pessoal (conhecia-se todo mundo,
médicos, enfermeiros, pacientes), hoje se tornou impessoal. Quase ninguém
conhece ninguém.
Somente as Irmãs de Caridade não mudaram. Continuam prestando
um serviço que não encontramos igual em outro lugar.
A SSVP nunca teve seus assistidos recusados naquele hospital. Eram tratados
como se clientes ricos fossem. Nos dias de visita os vicentinos, em grande número,
lá estavam presentes. Nós alegrávamos os doentes e eles
alegravam nossos corações.
Muita coisa mudou. Menos a caridade, e a Capela, que tiveram o bom senso de
nela não tocar.
PRESENTES DE NATAL – 21 novembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Em minha opinião, Natal deveria ser apenas uma ocasião de agradecimento
a Deus, pelo nascimento de Jesus. Foi o maior presente que o Criador poderia
dar para a humanidade.
Talvez porque a própria Bíblia narre que Jesus recebeu presentes
ao nascer, o homem tenha pensado em imitar o gesto; mas, hoje em dia, o motivo
e a intenção mudaram completamente, pois poucos são os
que se lembram de Jesus no Natal. O comércio, o consumismo, a própria
falta de religião tem contribuído para que seja assim.
Lembro-me que, quando criança, nossos presentes de natal eram coisas
de utilidade. Roupas e sapatos (às vezes doados por parentes ricos),
e só. Os brinquedos, nós mesmos os fazíamos. Qualquer manga
verde caída do pé era nosso boi, pois colocávamos nela
pedaços de paus imitando pernas e chifres. Pedaços de cabaça
(pequenas abóboras secas) eram transformados em carros de boi. Pequenas
rodelas dessas mesmas cabaças, com um furo no centro, onde passávamos
um cordão, era o que chamávamos de “piorra”, e que
imagino ser a antepassada do iô-iô moderno.
Minhas irmãs ganhavam, além das roupas e sapatos, bonecas de pano
que minha mãe fazia com a ajuda delas. E éramos felizes.
Tudo isto estou lembrando para que os dois Grupos que tenho composto de mais
de 900 pessoas, procurem fazer do Natal uma festa da família, onde Jesus
seja a principal figura.
Parece que o que estou propondo seja utopia, pois nem todos das nossas famílias
pensam assim. Sei disso; mas, precisamos tentar.
Todas as crianças esperam e recebem muitos presentes no Natal, às
vezes um presente de cada adulto da família. E por mais presentes que
ganhem, logo deles se esquecem. Os presentes de hoje, embora mais bem elaborados,
já não têm os atrativos dos presentes de antigamente. Dê
uma busca em sua casa e você achará mitos brinquedos guardados
ou esquecidos.
Todas as crianças vão ter um natal assim? Certamente que não.
Existem milhares de crianças que não vão ganhar nada neste
natal. Se falarmos em termos de Planeta, certamente, serão milhões
de crianças. E isto não dói na nossa consciência?
Já escrevi sobre o caso de uma menina de 12 anos que perguntada o que
queria ganhar de presente, respondeu:
- Quero um prato de comida!
Sei que muita gente está pensando:
- Mas não fui eu quem criou esta situação!
É verdade, mas a criança que nasceu na circunstância de
extrema pobreza também não foi quem quis assim. Então,
o que fazer?
Se cada um de nós (falo apenas dos integrantes dos Grupos TEXTOPARAMEDITACAO
e MIDIAVICENTINA) der um presente para uma criança carente, seja ela
de um orfanato, seja ela de uma família que more na periferia, ou até
que more debaixo de viadutos, já teremos feito algo de bom. Serão
mais de 900 sorrisos.
Sei que nos nossos grupos já existem pessoas fazendo campanhas de arrecadação
nos lugares onde trabalham ou entre os seus vizinhos, para doar no natal.
E não tem nada mais agradável a Deus do que um nome escrito em
seu coração com o sorriso de uma criança pobre.
Caso você não conheça ninguém que seja pobre, caso
você não possa ou não tenha coragem de ir até um
bairro distante, vá a uma agência dos Correios. Lá existem
centenas de cartas de crianças pedindo algum brinquedo. Você pode
optar levar o presente e entregá-lo com suas próprias mãos,
ou deixar o carteiro entregar por você. A primeira opção
é a que mais deve agradar a Deus, porque você vai até onde
Jesus está representado naquele pobre.
Ainda há a opção de você entregar os seus presentes
para uma Conferência Vicentina, pois ela os distribuirá para crianças
carentes. E tomara que as Conferências estejam pensando em fazer uma ceia
de natal para seus assistidos.
Assim como eu ganhava roupas usadas e ficava feliz, imagine o Jesus da periferia
como vai ficar...
Se você atendeu ao pedido que fizemos ano passado e vai atender ao pedido
para este Natal, serão registros a seu favor no coração
de Jesus.
Quer pagamento melhor?
OS PÉS DE MARIA – 13 novembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Pés sugerem andar. Andar sugere ir ao encontro. Ir ao encontro sugere
ajudar. Ajudar sugere caridade.
Quantas vezes Ana e Joaquim devem ter brincado com os pezinhos de Maria em seus
próprios rostos, como todo pai e toda mãe fazem! Quantas vezes
Maria menina teria sorrido com as cosquinhas que seus pais fizeram em seus pés!
Quando Maria colocou pela primeira vez seus pés no chão foi para
alegrar seus pais. Faço a ideia da cena. Ana coloca Maria encostada na
parede da casa pobre. Corre para o outro lado da sala onde Joaquim já
estava. Ambos abrem os braços e chamam: “Vem, Maria”.
Maria fica meio assustada ao ver-se sem o apoio dos braços da mãe.
Fica com um pouco de receio, mas passados os primeiros momentos se enche de
coragem e dá o primeiro passo. Para. Pensa. Mas ao ver seus pais de braços
abertos dá outros passos e se aninha naqueles aconchegos. Quanta alegria
de Ana e Joaquim. Quanta alegria no coração de Maria. É
certo que Maria deve ter tomado alguns tombos, até esfolado os joelhos,
mas ela nunca mais parou.
Com seus pés, ainda infantis, serviu no templo. Com seus pés já
adolescentes começou a correr até à janela da sua casa
para ver quando José passava. Seus pés também caminharam
para ajudar. Quantas vezes devem ter ido ao poço para buscar água
para a sua mãe, ou ido levar uma caneca de água para Joaquim!
Os pés de Maria foram seus sustentáculos quando o Anjo lhe anunciou
sua missão. E foram caridosos quando foi servir Isabel!
Seus pés devem ter sofrido quando foi para Belém, quando fugiu
para o Egito e quando de lá voltou. Sofreram também seus pés
quando acompanhou Jesus em suas pregações. Quantas vezes Maria
deve ter pensado em correr para junto do seu Filho quando os poderosos queriam
matá-Lo ou em seus sofrimentos durante a Paixão! Imagino Maria
seguindo o cortejo na Via Dolorosa, tentando chegar perto de Jesus para ajudá-lo
a carregar sua cruz. Seus pés certamente devem ter recebido uma ordem
do cérebro para levá-la a abraçar os pés cravados
na cruz. Com muita dificuldade seus pés se arrastaram até o Santo
Sepulcro.
Mas, passados aqueles terríveis momentos, seus pés descansaram.
Descansaram para poder estar novamente prontos para outra missão. Quanto
Maria deve ter andado para estar junto com os apóstolos, para dar-lhes
a coragem de enfrentar todos os sofrimentos e perigos que tiveram de passar...
Os pés de Maria também são fontes de inspiração
para os vicentinos.
Os pés dos vicentinos devem estar preparados para caminhar e praticar
o bem. Devem caminhar para encontrar o necessitado, curar-lhe as feridas físicas
e espirituais.
Assim como Maria ia ao encontro do Jesus sofredor, os vicentinos também
devem ir ao encontro do Jesus que sofre nos dias atuais.
Pés assim sempre caminharam e caminham para a santidade.
PASSADA A ELEIÇÃO... 7 novembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Passada a eleição, é hora de se fazer um balanço
do que aconteceu.
O que se viu foi um festival de baixarias, onde poucos candidatos apresentaram
um bom conjunto de ideias. A maioria se preocupou mais em acusar o seu adversário,
não importando se estivesse falando a verdade ou não. Planos e
projetos apresentados foram incipientes, com promessas que sabemos não
serão cumpridas.
A eleição no Brasil é um fato estranho no que se diz ser
a escolha do melhor a ser eleito, a começar pela “briga”
interminável dentro dos partidos para escolher quem vai concorrer. Escolhido
o candidato, a prioridade dele passa a ser procurar os defeitos e erros dos
adversários para torná-los públicos. E ninguém escapa.
Todos têm alguma coisa escondida.
Os partidos em si, também, não primam por escolher os melhores,
se é que eles existem. Quando vemos a informação de que
centenas de senadores e deputados têm processos correndo na justiça,
ficamos abismados. E correndo é uma forma de dizer, pois a grande maioria
dos processos não anda de jeito nenhum. Comum é que prescrevam
e sejam arquivados. Nesta eleição de 2010 melhorou um pouco, pois
alguns candidatos não puderam concorrer. Mas, o número de recursos
é muito grande e a justiça nem sempre tem decidido como deveria.
Chegamos, então, à conclusão de que o culpado é
mesmo o povo, que deveria excluir de suas opções tais elementos.
Mas, não é o que o que fazemos. Pessoas que foram cassadas por
improbidades administrativas ou até por corrupção ativa
e passiva foram novamente eleitas com votações extraordinárias.
Algo deve estar errado.
Uma coisa que deveria ser diferente é a ocupação de cargos
no Judiciário por pessoas indicadas pelo Governo Federal. Claro que são
indicados não os mais capacitados, mas os que melhor se identificam com
os objetivos de quem os indicaram e nomearam. E os juízes, que são
os encarregados de julgar os delitos cometidos pelos eleitos e pelos candidatos
à eleição, com raras exceções, só
decidem de acordo com o que quer o Governo Federal.
Mas, voltemos à eleição ocorrida neste ano. Vimos muitas
coisas que nos chocaram, mas o povo compareceu e votou como se tudo tivesse
corrido certo e que os candidatos fossem de moral ilibada.
Pobre povo brasileiro.
Em outros tempos não interessava por qual partido alguém tivesse
sido eleito. Na hora da votação dos projetos valia a sua consciência,
coisa que hoje não mais ocorre, pois se vota como o partido manda. O
projeto de lei pode ser bom, mas se veio da parte contrária a determinação
é que todos votem contra. Se o projeto é ruim, é danoso
ao país, mas foi apresentado pelo governo, vota-se de acordo como são
mandados.
É uma alegria viver em um país com o Brasil, mas é uma
tristeza ter que conviver com seus políticos.
E por falar em eleição, eu gostaria de saber se as Conferências,
as diretorias dos Asilos e Lares dos Idosos levaram seus assistidos para votar.
É claro que nem todos têm condições físicas
ou psicológicas para exercerem esse direito; mas, muitos poderiam ter
votado. Não interessa saber que a idade dos assistidos os dispensa dessa
obrigação, mas quem foi que perguntou a eles se queriam votar?
Afinal, é um direito que cada um tem.
Se isso aconteceu, mais uma vez, foram vítimas de uma exclusão.
O PAPEL DE CADA UM – 31 outubro 2010
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
Somos o povo de Deus, mas somos um povo interessante. Todos, os que cremos,
queremos ser salvos, mas nem todos nós nos engajamos no esforço
de salvação.
Creio que Deus espera de nós atitudes que venham possibilitar a salvação
de toda a humanidade. Assim, ao se fazer um esforço para a salvação
individual, querendo ou não, esforçamo-nos para a salvação
coletiva.
No entanto, alguns não pensam e nem agem assim.
Existem pessoas que se dizem cristãs e na verdade não praticam
a sua religião. Entre os católicos, então, o número
é assustador. Elas pensam que a Igreja tem a obrigação
de salvá-las, mas nada fazem para ajudar a Igreja militante. Quando a
Igreja pede que elas participem, não o fazem. Já não falo
do engajamento efetivo no trabalho pastoral e evangelizador, mas pelo menos
na participação da liturgia semanal. Frequência aos sacramentos,
então, nem se fala. Receberam o batismo, fizeram a primeira comunhão,
foram crismados, alguns até se confessaram e comungaram no dia do casamento,
mas foi só. Muitos vão à Missa por obrigação,
outros por costume e outros ainda nem à Missa vão. Basta que se
compare a frequência às celebrações com o número
dos que se dizem católicos na paróquia para se comprovar o que
digo. Nem a própria família é sua preocupação
em termos de salvação. Cada um por si e Deus por todos.
Ao Vicentino cabe um esforço maior, pois é nossa obrigação
dar ao assistido condições de se salvar. E não é
fácil tendo em vista as condições de vida que eles levam.
Como podem pensar na bondade de Deus, se lhes falta tudo? Como pensar em ir
à igreja, se muitos dos que lá vão nem sempre dão
o exemplo positivo?
Mesmo que não sejam todos, existem vicentinos sobre os quais podemos
dizer: São confrades e consócias que dignificam a Sociedade de
São Vicente de Paulo. São extremamente caridosos, participativos
nos trabalhos vicentinos e nas pastorais paroquiais. Mas, eu gostaria de dizer
isso de todos os vicentinos, mas não posso. Precisamos melhorar muito
a nossa espiritualidade.
Entretanto, que o mundo não se perca todo por nossa omissão.
Temos um papel que Deus nos reservou e temos de cumpri-lo da melhor maneira
possível. E ninguém deveria poder cumprir a missão que
não é a sua. Se alguém estiver cumprindo a tarefa que é
de outro, essa tarefa já mudou de dono. Mas também já mudou
de dono a recompensa no Céu.
ROTINA – 24 outubro 2010
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
Santa Tecla dizia para suas comandadas: “Não deixem o trabalho
cair na monotonia. Cada dia é um novo dia; cada vez é uma nova
vez!”
Esse alerta deve ser lembrado por todos os vicentinos. Todos nós temos
o dever de fazer com que nosso trabalho vicentino não caia na rotina.
Pode ser o presidente dirigindo sua conferência; pode ser o confrade e
a consócia em seu trabalho de visita ao assistido, ou na sua participação
nas reuniões semanais.
Nada é mais chato do que assistir a uma reunião em que o presidente
não a prepara. Ele simplesmente chega na hora, se limita a seguir o roteiro,
buscando na gaveta da mesa da sala de reunião uma leitura qualquer, às
vezes até repetida. Suas palavras são sempre as mesmas em todas
as reuniões. Sabe-se de cor tudo que ele vai fazer ou dizer.
Por outro lado, é gostoso assistir a uma reunião em que o presidente
é criativo. Cada reunião é sempre diferente da outra, sem
que o dirigente deixe de seguir o roteiro costumeiro.
Ele sabe motivar os presentes, sejam eles visitantes ou não.
Não sei se estou sendo injusto, mas acho que as Conferências dirigidas
por mulheres parecem ser mais animadas. Elas sempre têm uma motivação
para alegrar uma reunião. É o aniversário de qualquer um
dos membros, onde uma pequena confraternização é feita,
é um Terço rezado com mais entusiasmo, é uma participação
nas assembléias com mais atrações, é a visita semanal
ao assistido feita com mais carinho e menos cobranças. Não raras
vezes, os aniversários dos assistidos são comemorados com bolo,
guaraná e pequenos presentes.
Aliás, Ozanam dizia que o melhor presidente que ele vira dirigindo um
conferência, era um humilde serralheiro, o que quer dizer que para ser
um bom presidente basta apenas ser um confrade ou consócia de boa vontade.
Escolaridade nem sempre conta.
Já o vicentino ao fazer a sua visita ao assistido não pode ficar
naquela de só reclamar e repreender. Cabe a ele fazer com que sua visita
seja alegre, produtiva. Se houver motivo de admoestação, que se
faça, mas com brandura, lembrando-se que aquele que ali está é
um nosso irmão.
A IMPORTÂNCIA DO GIZ – 15 outubro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Você já pensou na importância do giz?
Apesar de novos produtos que também servem para escrever sobre lousas,
o giz ainda é um produto de extrema valia.
O que seria das escolas do interior se não existisse o giz? Creio que
a mesma pergunta se poderá fazer sobre as escolas da periferia das cidades
grandes.
Retroceda um pouco, e recorde como foi que você estudou. O giz foi parte
importante, até mesmo essencial, eu diria.
Mas, o giz é ainda muito mais importante do que a gente pensa. Com ele
podemos aprender, ensinar, fazer caridade, evangelizar e muito mais.
Fiquemos apenas com as utilidades citadas acima.
Como fazer caridade com um giz, você pode estar questionando. Na verdade,
ele pode ter sido instrumento de se fazer caridade ou se deixar de fazê-la.
Hoje, olhando para trás, vejo o quanto eu poderia ter feito a mais com
o giz dentro da Sociedade de São Vicente de Paulo. É certo de
que eu e mais algumas pessoas o usamos para ministrar palestras em Encontros
de Reflexão e em aulas da Escola de Caridade Frederico Ozanam, atual
ECAFO, mas forçando um pouco mais as lembranças, vejo que alguns
dos nossos assistidos, adultos, jovens ou crianças não sabiam
nem ler nem escrever. Não sei se por comodismo ou por achar que seriam
mais bem atendidos, preferimos encaminhá-los para escolas, as quais nem
sempre eles frequentaram. E os anos foram passando, os idosos morrendo, os jovens
ficando adultos e as crianças se tornando jovens, mas sem terem tido
todo o proveito que o giz lhes poderia trazer. Os que ficaram nas escolas e
souberam aproveitar a oportunidade, algum beneficio tiveram. Os que não
seguiram os estudos formais não foram por nós ajudados o quanto
seria desejável.
Lembro-me da minha esposa, consócia da SSVP, ministrando catequese para
crianças de uma pobreza de fazer pena. Em muitas ocasiões, ela
usou do giz para ensiná-las sobre as coisas de Deus em um cômodo
abandonado no meio de uma roça. Também ela, na cidade, ajudou
a diversos confrades aprenderem a ler e a escrever. Adultos que eram, tinham
vergonha de frequentar os poucos cursos de alfabetização que existiam.
Eles, então, iam lá para nossa casa e lá ela os ensinava.
Lembro-me da alegria deles quando notavam seus próprios progressos.
Quantos dos nossos assistidos não sabem nem ler ou escrever?
A Sociedade de São Vicente de Paulo poderia ter um programa de alfabetização
para adultos que não podem ou se sentem envergonhados de ir até
a escola e para crianças que não tem como ir à aula. Nesse
caso, levaríamos a escola até eles. Claro que não falo
de um programa completo, integral, mas um programa simples, de aprendizado mínimo
que serviria para aumentar a auto-estima de cada um e dar-lhe a coragem de ir
para um curso mais abrangente.
Assim estaríamos aprendendo com a experiência dos nossos idosos
assistidos, fazendo caridade a eles e às crianças. E quanta coisa
poderíamos ensinar evangelizando...
Esta reflexão foi motivada por uma frase apenas.
Temos no nosso Grupo uma senhora que possui um mini-mercado. Ela coloca uma
tabuleta na frente do estabelecimento com frases de pensamentos positivos, versículos
ou mensagens de evangelização.
Hoje, quando passei pela frente do mini-mercado, notei que a tabuleta estava
sem nenhuma mensagem.
Estranhei e perguntei a ela por que não tinha escrito a mensagem do dia.
Ela simplesmente me respondeu: - “Acabou o giz. Vou comprar mais”.
Será que durante todo o tempo em que militamos na SSVP não nos
faltou o giz? Ou será que nos faltou foi a coragem para trabalhar em
uma tarefa que não dá glória terrestre a ninguém,
mas que certamente é reconhecida por Deus?
Ainda é tempo. Certamente, pelo Brasil afora, existem nas cidades grandes
e no interior também, ocasiões e situações em que
possamos usar o giz e fazer o bem.
Não se incomode com o pó que o giz deixará em sua roupa,
em suas mãos e até em seu rosto. Certamente, Ozanam e São
Vicente ajudarão Jesus a limpá-lo. Quem dera que todos nós
morrêssemos sujos de pó de giz por ter ajudado alguém!
SOB O OLHAR DE MARIA – 8 Outubro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Sou e sempre fui um apaixonado por Maria de Nazaré. Aprendi, desde menino
e depois, quando entrei para a Sociedade de São Vicente de Paulo, a amar
a Mãe do Filho de Deus. A sua atitude de confiança nas promessas
de Deus, sempre chamaram a minha atenção. Nunca vi ninguém
tão disponível quanto Ela, a não ser Jesus.
Mas quero falar sobre Maria. Eu poderia falar sobre muitos dos seus dons, mas
prefiro falar sobre as partes do seu corpo. Hoje falo dos olhos d’Ela.
Não há, nem nunca houve, um olhar como o de Maria. Imagine o olhar
sonhador d’Ela esperando o que todas as moças da Palestina esperavam:
a vinda do Messias. Só que havia uma grande diferença: enquanto
Ela esperava a graça de ver o Messias, as outras moças esperavam
ser a mãe do Messias. Elas sabiam que o Messias iria nascer de uma virgem
daquela região. Maria, no entanto, não se achava digna de tal
privilégio e por isso mesmo e pela sua humildade foi a escolhida.
Agora imaginem o seu olhar de espanto ao ver o Anjo Gabriel saudando-a com frases
que Ela não compreendia. Imagine seu olhar sobre José, a quem
amava, e não poder lhe dizer nada do que estava acontecendo. Imagine
o olhar de Maria vendo Isabel lhe dizendo maravilhas. Imagine o olhar daquela
jovem olhando João Batista já nascido e olhando sua própria
barriga onde o Menino Jesus já estava concebido. Imagine seu olhar amoroso
naquela criança aconchegada em uma manjedoura. Imagine seu olhar de gratidão
sobre os visitantes do Menino Jesus. Imagine ainda o olhar de apreensão
que Maria teve ao fugir para o Egito. O olhar de medo ao procurar seu filho
perdido naquela cidade grande. Imagine o olhar de Maria vendo a aflição
dos noivos de Caná e seu olhar para Jesus pedindo que Ele fizesse alguma
coisa!
Saltem no tempo e imaginem o olhar aflito de Maria vendo o sofrimento de Jesus
nos momentos que antecederam seu julgamento, sua coroação de espinhos,
os açoites que recebeu... Como deve ter sido seu olhar ao ver a multidão
gritando o nome de Barrabás... Quantas lágrimas devem ter rolado
dos seus olhos acompanhando Jesus na Via Dolorosa...
Com certeza ela fechava os olhos toda vez que os soldados martelavam os cravos
em seu Jesus... Ainda, como seus olhos devem ter chorado ao ver o sepultamento
do Salvador da humanidade...
Como seus olhos custaram a se fechar para dormir naquela sexta-feira da Paixão...
Mas, Maria era forte. Na manhã seguinte, com os olhos enxutos, já
devia estar preocupada com os apóstolos. Quantas vezes seus olhos foram
refúgio para eles...
Nós, vicentinos, temos a certeza de que a Sociedade de São Vicente
de Paulo está sob o olhar de Maria. Não foi à toa que Ozanam
a escolheu para ser a nossa protetora.
E agora, como estão os olhos de Maria? Em muitas das suas aparições
ela os mostra tristonhos e algumas vezes com lágrimas... Tudo por causa
de cada um de nós que teimamos em cravar mais cravos no coração
de Jesus toda vez que O ofendemos.
Como será o olhar de Maria para nós no nosso julgamento particular
no dia que morrermos?
Ele certamente será amoroso lembrando-se do que, aqui na Terra, fizemos
para tirar um pequeno espinho do coração de Jesus e do seu próprio
coração, ao praticar o que o Cristo ensinou.
Finalmente, lembremos a todo momento que Maria tem o olhar que desperta, que
ilumina, que liberta, que transforma, que salva, que cura, que intercede, que
evangeliza, que protege.
Que outro ser humano poderia ter um olhar assim? Só não chegará
a Jesus quem não quiser ter Maria como Mãe.
ORAR COM ALEGRIA – 1 Outubro 2010
Texto: Cfd. Aluízio da Mata
Não sei se acontece com outras pessoas, mas às vezes rezo apressadamente,
algumas vezes distraído e outras vezes rezo como que por obrigação.
Acho que poderia rezar mais e melhor.
Eu procuro rezar o Terço diariamente e durante o dia rezo algumas jaculatórias,
mas ainda me vejo surpreendido no meio ou ao final de uma oração,
quando as palavras estão na minha boca, mas o meu pensamento está
em outro lugar. Às vezes nem me lembro de ter pronunciado determinada
parte da oração. Mas, estou tentando melhorar e conto isto para
incentivar outras pessoas a rezar.
Nossa Senhora, em suas aparições em Medjugorje tem-nos alertado
sobre essas falhas. Como penso que Ela não está dirigindo-se apenas
a mim, creio que isto acontece com muitas pessoas.
Maria pede: “Rezem sem pressa, rezem com atenção”.
Quantas vezes eu rezava apressadamente, nos intervalos das novelas ou programas,
para que quando o intervalo terminasse eu já estivesse com a atenção
voltada para a TV...
A oração não pode ser feita de qualquer maneira. Nossa
Senhora nos pede: “Rezem com alegria”, isto é, ela não
pode ser feita de tal maneira que não nos cause alegria.
Interessante é que sempre queremos “exigir” de Maria ou de
Deus uma atenção especial para os nossos pedidos, mas costumamos
não dar, na oração, a atenção que Eles merecem.
Aprendi, em um Retiro Espiritual do qual participei, que o mundo precisa muito
de oração. E cada um de nós em particular. Por isso Maria
sempre pede: “Rezem, rezem, rezem”.
Tenho procurado atender ao pedido dela. Mas preciso melhorar ainda mais a qualidade
da minha oração.
Tenho pedido aos que pertencem a dois Grupos que tenho na internet que orem
por determinadas pessoas, nas situações que elas enfrentam. Dias
atrás pedi por Mariana, uma menina de quatro anos que necessita de fazer
transplante de medula óssea, o que vai acontecer neste princípio
de mês, já que ela conseguiu um doador compatível que, aliás,
é uma criança que nasceu na família dela.
Hoje recebi o pedido de orações para a Consócia Alinne
Mikaela, de Curitiba. Também ela vai fazer nestes dias o mesmo tipo de
transplante. O pedido de oração é para que Deus ajude que
não haja rejeição e que em breve as duas possam estar no
seio de suas famílias e amigos.
O Vicentino, de uma maneira geral, gosta de rezar; mas, será que a oração
tem tido uma atenção especial de todos nós? ou rezamos
apenas por obrigação, automaticamente? Temos rezado pelos nossos
assistidos, pelos nossos confrades e consócias que estão adoentados?
Temos rezado pela paz mundial? Temos rezado pela Igreja e pelo Papa? Temos rezado
pela nossa SSVP?
Mesmo que o motivo da oração não seja alegre, devemos orar
com alegria pela confiança que devemos ter em Deus.
Como tem sido sua vida de oração?
VINTE E UM ANOS DEPOIS... - 28 Setembro 2010
Cfd. Aluizio da Mata
Eu não sei por quê essas coisas acontecem, mas elas têm
uma razão de ser.
Mexendo nos meus guardados, encontrei um livro intitulado “Maria - conheça
melhor, ame mais Nossa Senhora” e ao abri-lo deparei-me com uma dedicatória:
“Que Nossa Senhora proteja a sua família” - Padre Pedro van
Dorn - 22-11-1989.
Muitas lembranças vieram à minha mente.
Padre Pedro, um irlandês que viveu sua juventude na Holanda, depois de
ordenado sacerdote veio para o Brasil. Seu primeiro trabalho missionário
foi na Amazônia 50 anos atrás. Imaginem as dificuldades que enfrentou.
O transporte para as aldeias ribeirinhas era de barco e a visita levava meses
para ser completada. Os idiomas indígenas que teve que aprender sem nenhum
professor, o próprio português, eram dificultantes para sua missão.
Lá viveu 10 anos comendo na maioria das vezes peixe com farinha de mandioca,
passando privações e doenças tropicais.
Substituído por outro herói da evangelização, veio
para o interior de Minas Gerais, onde as condições de vida eram
um pouco melhores, mas mesmo assim precárias, a ponto de só poder
sobreviver graças à ajuda que o governo holandês lhe mandava
mensalmente.
Naquela cidadezinha, próxima da cidade onde eu morava foi que, eu e minha
família, o conhecemos. Foram mais de 20 anos de convivência e trabalhos
pastorais.
Não me lembro mais quais as circunstâncias que o fizeram nos dar
o livro, mas parecia ser uma pré-destinação. Talvez tenha
sido em um Curso de Noivos ou em um Encontro de Casais.
Padre Pedro voltou para a Holanda já bem idoso e alquebrado. Lá
passou seus últimos dias aqui na Terra.
Hoje, tendo esse livro em minhas mãos, vejo o quanto era e é duro
ser missionário.
Só mesmo alguns privilegiados da Graça de Deus conseguem atingir
tal objetivo. Foi uma missão calcada no amor a Jesus e na certeza da
proteção de Maria.
Não visava outra coisa a não ser ajudar o próximo. E como
ajudou...
Não posso negar que Maria protegeu a mim e à minha família
durante toda a nossa vida.
Fico pensando que uma dedicatória dessas é uma oração
pedindo proteção por todo o tempo. É um pedido que, grafado,
se torna constante, pois está em um livro que ensina a amar Maria o mais
possível.
O que achei interessante nesse episódio é que não me lembro
de ter lido o livro antes. Foram precisos muitos e muitos anos passados para
que eu pudesse compreender o que é um presente desse tipo e o que ele
realmente proporcionou.
Vinte e um anos para me provar que o amor que tenho por Maria aconteceu normalmente.
O livro foi apenas uma confirmação do amor e da proteção
de Maria.
Outros fatos, outras ocasiões me fizeram dedicar um grande amor pela
Mãe de Jesus. Nesse ponto a Sociedade de São Vicente de Paulo,
que a tem como protetora, foi e é ponto importante. Recordo-me dos inúmeros
Encontros de Reflexão Cristã dos quais participei e nos quais
uma boa parte era dedicada ao amor que devemos ter a Nossa Senhora. Foram 25
anos de Encontros, inicialmente um a cada mês e no final quatro vezes
por ano. Eram três dias de orações, palestras, dinâmicas
e muita reflexão para mais de 80 participantes de cada vez.
Muitas pessoas que passaram pelos Encontros hoje me dizem que sentem grande
saudade daqueles dias e se voltaram à Igreja Católica ou nela
entraram, podemos dizer, que foi pela intercessão de Maria. Não
deixou de ser um trabalho de evangelização, parecido com o do
Padre Pedro, pelas dificuldades que encontramos.
Valeu a Pena?
Valeu. E como valeu, principalmente para os vicentinos e para a minha família.
É! EU NÃO APRENDO MESMO? 17 Setembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Não tem jeito. Parece que eu não aprendo.
Como vicentino sou um dos primeiros a incentivar que ninguém dê
esmola na rua, pois conhecemos bem as maneiras que algumas pessoas encontram
para inspirar a nossa piedade e conseguir sempre alguns trocados que nem sempre
sabemos se serão bem utilizados.
Em várias ocasiões prometi a mim mesmo que não daria esmola
na rua e sempre que posso tenho cumprido tal promessa. Quando me pedem dinheiro
para comida levo a pessoa até um bar, compro o almoço ou o lanche
e espero que ela o coma, para depois ir embora. Tem dado resultado.
Mas existem outras situações que me pegam “de jeito”.
Uma dela é quando envolve pessoas idosas ou crianças doentes.
Nesses dias passados tive ocasião de viver duas situações.
Numa delas eu estava passando perto de um hospital e uma senhora idosa me parou
para pedir alguns reais para comprar remédios. Conversei com ela, me
inteirei de qual era o seu problema. Ela me mostrou uma receita com três
medicamentos que deveria tomar. Seguindo a minha regra de não dar dinheiro
na rua, peguei a receita e fui com a mulher até uma farmácia.
Pedi ao atendente que aviasse um dos remédios receitados. Tive o cuidado
de pedir a ele que carimbasse a receita informando que aquele medicamento já
fora adquirido. Creio que ela estava dizendo a verdade quando disse que não
tinha como comprá-los, pois na mesma hora tomou um dos comprimidos que
lhe comprei. Ah! Só para efeito de uma comparação que farei
a seguir, o remédio custou pouco mais de R$ 25,00.
Dias depois estava em frente da minha casa aguando uma jardineira, quando uma
mulher aparentemente nova se acercou e m e perguntou:
- Moço, o senhor compra rifa beneficente?
Eu lhe respondi: - Depende qual seja o motivo.
Ela que estava com uma criança de dois anos no colo disse que era para
pagar um exame de ultra-sonografia pedido por um médico (que sei quem
é) que iria operar a criança. Tinha o umbigo bem estofado e o
médico não tinha conseguido localizar os testículos do
menino. O exame custaria R$ 120,00, mas seria feito por R$ 100,00. E ela me
mostrou o pedido médico. A operação ficará em mais
de R$ 2.000,00. O marido dela, trabalhador na roça, não tem como
arcar com as despesas.
Comprei o bilhete da rifa e já pensava em falar com ela que daria a metade
do custo do exame (eu o faria através da Conferência), mas resolvi
ficar calado. Disse apenas que ela me procurasse no dia que viesse fazê-lo,
para ver se eu poderia ajudar em mais alguma coisa.
Como ela mora em uma pequenina cidade vizinha, perguntei-lhe como iria embora.
Ela disse que iria usar do dinheiro da rifa para pagar a passagem que era de
R$ 8,00. Para ajudá-la um pouco mais, tirei R$ 10,00 e lhe dei para pagar
o bilhete. Ela agradeceu muito e ficou de me procurar quando voltasse.
Aí que me fez escrever este artigo: ela não voltou. Pelo menos
ainda! Não me pareceu que ela estivesse mentindo. Quem sabe ainda não
arranjou todo o dinheiro necessário para o exame?
Fico agora pensando: É! Eu não aprendo mesmo!
Mas, logo a seguir me vem outro pensamento: Não adianta, sou assim mesmo,
quando fala mais alto o coração. Em certas circunstâncias,
principalmente quando envolvem idosos e crianças, prefiro agir como agi.
SERIA UMA ÓTIMA VICENTINA (um exemplo a ser seguido) –
11 setembro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
O que caracteriza um vicentino autêntico? Ser assíduo, participativo
e caridoso.
Conheço algumas pessoas que são autênticas vicentinas, sem
nunca terem sido proclamadas ou participado de uma reunião de Conferência.
Quero falar de um grupo de pessoas que passei a admirar, pelo tanto que elas
fazem e pela caridade que praticam. Entre essas pessoas algumas são Ministras
Extraordinárias da Comunhão. São também pessoas
que participam diariamente da Celebração da Missa ou da Palavra,
além de participarem de diversas Pastorais e Movimentos Paroquiais.
Uma delas me chama especial atenção. Ela, além de ser uma
administradora do lar e trabalhar em uma empresa, faz questão de estar
presente em todas as celebrações e festividades que acontecem
na sua paróquia.
Na última semana de junho, ela estava presente, como faz toda semana,
no Lar do Idoso, onde participa da celebração da Missa. Naquele
começo de noite notei seus olhos brilharem quando na hora da Primeira
Leitura viu que quem a fez foi um dos internos lendo em Braile um trecho do
Antigo Testamento. Aquele senhor cego tem mais coragem do que muitos de nós
que nos esquivamos de participar como leitor em Missa ou Celebração,
mesmo tendo o sentido da visão perfeito. Aliás, a admiração
não foi só dela; quando os participantes da Assembleia notaram
que ele lia com os dedos, houve um murmúrio geral.
Acho que é por fatos como esse que fazem com que ela goste de estar sempre
presente naquela instituição. É de chamar atenção
na hora da distribuição da Comunhão como ela o faz aos
internos daquela Obra Vicentina. Com todo desvelo, ou distribui a Sagrada Hóstia
ou dá água àqueles que necessitam para comungar, já
que nem todos têm condições de mastigar a partícula
e engoli-la.
Quando terminou a Celebração, aconteceu uma festividade junina
e como não poderia deixar de ser, foi dançada uma quadrilha. E
quem estava lá, com seu vestido de chita todo enfeitado, de mãos
dadas com um senhor bem velhinho? Sim, ela mesma!
Quando resolvi escrever este artigo, pedi a ela permissão e que me contasse
um pouco de sua vida. Eis o que ela me revelou:
“É maravilhoso sentir o amor de Deus. Sou muito privilegiada. Tenho
um nome maravilhoso – Celeste - que vem do alto, sou afilhada de JESUS
de batismo e filha amada de Maria. Não tive vida fácil - vim de
uma família muito pobre. Quando meu pai morreu, eu tinha 03 meses; e
quando morreu minha mãe, eu tinha 18 anos de idade. Sofri muito na vida;
mas, uma alegria sempre me invadiu a alma - o amor de Deu. Em cada pessoa, em
cada sorriso, em cada amanhecer, no meu trabalho, na minha casa, enfim, por
onde eu passo o Senhor caminha comigo. Muitas vezes sinto que eu poderia e deveria
fazer mais, mas nem sempre consigo. Mas aí o meu padrinho JESUS sempre
dá um jeito e me manda um recadinho. Sou muito feliz, amo a minha família,
o meu trabalho, os meus amigos e acima de tudo amo o meu Deus”.
As dificuldades moldaram espírito dela e fizeram-na pensar em minorar
os sofrimentos de outras pessoas. Ela caminha e ajuda outros a trilhar o caminho
estreito, aquele que Jesus disse que vai dar direto na presença de Deus.
Agora eu pergunto: É ou não é uma perfeita vicentina? É
ou não é participativa? É ou não é caridosa?
Certamente Deus vai levar em consideração tudo isto que ela pratica.
Que ela sirva de exemplo para todos, principalmente para nós vicentinos,
para que participemos com mais entusiasmo e sem esmorecimento em muitas das
nossas tarefas. Existem muitas oportunidades de exercermos nossa caridade nos
asilos, nas creches e nos casebres, onde moram aqueles que representam o Cristo
sofredor.
RECEIO INFUNDADO – 4 Setembro 2010
Cfd. Aluizio da Mata
Às vezes, mesmo fazendo uma caridade, tememos que o nosso gesto traga-nos
aborrecimentos. Não confiamos na Providência de Deus.
Se encontrarmos uma pessoa acidentada, pensamos duas vezes em socorrê-la
preocupados em ter que dar satisfações para a polícia,
responder a muitas perguntas para as quais nem sempre sabemos as respostas.
Na verdade, não queremos é ter algum envolvimento. Não
providenciamos levar o acidentado para o hospital para não “perdermos”
tempo e prejudicar o que estivermos fazendo. Nem ao menos “perdemos”
um ou dois minutos para telefonar para o SAMU ir socorrer o acidentado. Já
nem falo da pessoa que encontramos caída na calçada e que rotulamos
de bêbada sem ter certeza do que a pessoa realmente tem.
Naquela hora, nem nos lembramos do que Jesus ensinou na parábola do Bom
Samaritano. Agimos como o sacerdote e o levita que preferiram passar ao largo
sem querer se comprometer.
No entanto, tem hora que agimos impulsionados por uma vontade de ajudar e depois
ficamos pensando se fizemos certo ou se não poderíamos nos garantir
de alguma forma.
Há pouco tempo aconteceu comigo:
Uma amiga que mora em outra cidade me contou que um sobrinho-neto dela tinha
sido preso e que estava em um presídio. Ele foi enganado por um traficante
que, em troca de R$ 20,00, o mandou comprar produtos como acetona e éter.
Quando a polícia chegou, o bandido fugiu deixando-o com os produtos nas
mãos. Foi taxado de traficante, coisa que ele não é. Preso,
foi sentenciado sem julgamento e espera decisões de recursos que nunca
lhe são favoráveis, pois peixe pequeno não tem como se
defender.
A minha amiga me disse que o sobrinho dela se sentia muito deprimido, longe
da esposa e do filho de poucos meses, que nascera antes dele ser preso. Ela
então me pediu que escrevesse uma carta para ele, animando-o.
Escrevi a carta e coloquei dentro do envelope algumas orações
para que ele não se esquecesse de Deus e que n’Ele tivesse confiança.
Na hora de endereçar a carta, veio-me uma inspiração de
escrever por fora do envelope: “PODE SER ABERTA PELAS AUTORIDADES”.
Nem sei por que fiz isso, mas acho que foi por inspiração do Espírito
Santo.
Encaminhei a carta. Passados uns dois dias, comecei a pensar se tinha feito
bem em mandar a carta diretamente para o presídio. Veio-me à cabeça
que talvez tivesse sido melhor endereçar a carta à minha amiga,
para que ela a entregasse em mãos ou pedisse à irmã do
preso nos dias de visita que o fizesse. Mas, como eu já tinha mandado
a carta, não adiantava mais fazer suposições. Mesmo assim,
nos dias seguintes, um punhado de pensamentos veio à minha mente: e se
a polícia resolvesse investigar quem estava mandando a carta? E se ela
pensar que a comunicação estava sendo feita em código?
E se a carta caísse em mãos de verdadeiros traficantes e eles
aproveitassem o fato de saber meu nome e endereço? Essa angústia
ficou dentro de mim, torturando-me, já que sou preocupado por natureza!
Eu já imaginava todo tipo de ações que poderiam acontecer;
nenhuma delas boa, com certeza.
Muito tempo depois, recebi um comunicado da minha amiga dizendo que a polícia,
depois de alguns dias, entregou a carta ao sobrinho dela. Ele até brincou:
“Ele quer que eu reze muito”. Ela me explicou que não é
difícil mandar até produtos para quem está detido. A polícia
abre o pacote na vista da pessoa, para ver se não tem nada que não
possa ser entregue a ela. A visita feminina é mais complicada, pois a
revista é até degradante, mas para homens não é
tão problemático. Uma coisa que ela me falou: os evangélicos
fazem cultos lá. Eu pergunto: por que os católicos não
fazem?
Tudo isto conto para mostrar como não temos confiança em Deus.
Se eu fiz uma ação que depois considerei precipitada ou não
mais bem pensada, deveria ter entregado tudo para Deus. Enfim, fazer uma caridade,
mas depois ficar angustiado, não é o que Deus quer.
Não sei como está funcionando a visita aos presos nas conferências
de outros lugares do Brasil; mas, sei que em muitas cidades essa prática
vicentina não existe mais. As desculpas não convencem. A mais
comum é de que “é muito perigoso hoje em dia”. Até
a Pastoral Carcerária da Igreja Católica não está
implantada na maioria das paróquias, creio. O nosso medo é maior
do que a nossa caridade.
E fico pensando quantas pessoas presas precisam de uma palavra amiga, de um
livro de formação, de leituras da Palavra de Deus, mas não
os têm.
É o que eu disse no início: Não confiamos na Providência
Divina. Será que não dá para voltarmos à prática
antiga?
ASSISTIDO TAMBÉM TEM INSÔNIA - 28 Agosto 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Você já teve insônia alguma vez? Se não teve, não
queira ter. É uma das piores coisas que pode nos acontecer. Ficamos sem
lugar, sem ter com quem conversar, só vem pensamento ruim. Não
é uma boa experiência. O livro, por melhor que seja, torna-se chato.
Programas de televisão ficam piores do que são. Não conseguimos
nem orar direito.
A insônia pode acontecer por muitos motivos. Cada pessoa tem o seu, mas
o ruim é que mesmo que não consigamos dormir não resolvemos
o problema que a causou.
Agora, imaginemos a situação de um assistido. A começar
por se sentir abandonado pela família, por estar com a saúde precária,
por ter que receber ajuda até para comprar alimentos e remédios.
A solidão é sua companheira de quase todo o tempo. As recordações
não o deixam. Pensa muito no fim dos seus dias. O que está acamado,
então, sofre muito mais. Impedido, às vezes, até de dar
um pequeno passeio fora do seu cômodo para tomar um pouco de sol, passa
o dia temendo a chegada da noite.
É verdade que conta com alguma visita semanal feita pelos vicentinos,
que estão sempre prontos para atender as suas necessidades, mas não
é a mesma coisa. A saudade que ele tem da família é muito
grande.
O assistido tem muito mais motivos para ter insônia. Se ele mora sozinho,
se não sabe ler ou não tem um livro para ler ou uma revista para
folhear, os momentos insones são terrivelmente chatos. Se estiver em
um hospital, onde não possa fazer nada para minorar a situação,
então, a situação fica insuportável.
Eu tenho um amigo já bem de idade que muitas vezes fica hospitalizado.
Um dia ele me disse: “O pior do hospital é a solidão”.
Ele deve saber o que fala. A pessoa quando está doente fica sem paciência.
Imagine, então, em um hospital onde todos que estão por perto
ou são profissionais que não podem dar muita atenção,
ou são doentes que sofrem da mesma impaciência e solidão.
Ao vicentino cabe minorar um pouco essa situação. Nossas visitas
devem ser feitas sem pressa, em um clima alegre (mesmo que a situação
não seja lá muito boa). Se visitarmos o assistido em sua casa,
mais uma razão para que a visita seja bem feita. O pobre adora conversar.
Conte para ele as novidades que estão acontecendo no mundo. A minha Conferência
tinha um assistido que sabia fazer cestos de bambu. A gente passava muito tempo
conversando, enquanto com o canivete ele preparava as tiras do bambu para serem
trançadas. Já uma assistida adorava a sua hortinha. A gente não
saía de lá sem um pé de alface ou um molho de cebolinha.
Ela tinha prazer em ver a oferta ser aceita. Era uma forma de “pagamento”
que gostava de fazer.
Se a visita for feita em um hospital, de acordo com a prescrição
médica, podemos levar algum biscoito para o assistido e para quem esteja
internado na enfermaria junto com ele.
Se for em uma cadeia, umas revistas, uns jornais fazem muito bem. Um bloco e
lápis para que escreva uma carta. Talvez a gente mesmo escrever para
ele, e a encaminhar. E por falar em insônia, muitos presos ficam com insônia,
com medo de dormir e sofrer alguma violência.
Enfim, a insônia está presente em muitas ocasiões e situações.
E bem que podemos ajudar de alguma maneira. Tenho a certeza de que no dia em
que o assistido recebe uma visita bem feita do vicentino, pelo menos na hora
de dormir ele terá algo de bom para pensar. Provavelmente vai dirigir
uma oração a Deus agradecendo ter aquela amizade sincera e desinteressada.
Quem sabe, assim, seu sono chegue e a insônia não atrapalhe seu
merecido descanso.
MOISÉS, SOZINHO? - 21 Agosto 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Perguntado em entrevista na TV qual seria seu próximo passo, padre Marcelo
Rossi falou sobre a necessidade de continuar seu trabalho de evangelização;
mas, lembrou que iria precisar de ajuda de outras pessoas, pois nada se pode
fazer sozinho. E deu um exemplo bíblico.
Moisés, que era o representante de Deus junto ao povo exilado no Egito,
foi encarregado pelo mesmo Deus de levar os filhos de Israel de volta para a
sua terra. Mas, tiveram que enfrentar algumas batalhas. Para enfrentar Amalec,
os soldados de Moisés dependiam de ele ficar no cimo da colina segurando
o cajado com os braços estendidos para o alto, fazendo com que os seus
guerreiros vencessem seus inimigos. Como ele se cansasse e abaixasse os braços,
os inimigos recuperavam as forças e começavam a vencer. Novamente
Moisés levantava os braços e a situação se invertia.
Foi preciso que ele arranjasse dois auxiliares, Aarão e Hur para sustentarem
seus braços erguidos, até que a batalha estivesse ganha.
Ora, Moisés que era um santo, que era escolhido e protegido por Deus,
não conseguiu cumprir sozinho sua missão, imaginemos nós,
que somos fracos e pecadores... Padre Marcelo tem razão em dizer que
ninguém faz nada bem feito trabalhando sozinho. O trabalho comunitário
tem maior valor diante de Deus.
A Igreja reconhece que todo trabalho deve ser comunitário, mesmo aqueles
que são executados por uma só pessoa. Na verdade, essa pessoa
sempre estará escudada por outras que não aparecem, mas que preparam
o seu caminho. E o melhor: ninguém está sozinho - Deus está
sempre conosco.
E na Sociedade de São Vicente de Paulo? Como é? Trabalhamos sozinhos?
Claro que não. Até no ‘vale’ que levamos ao assistido,
há um trabalho de todos os participantes da Conferência. Aliás,
é sábia a instrução que diz: “Nunca dê
nada em nome próprio, mesmo que seja assim. O donativo é sempre
em nome da Conferência. Quando um dá um donativo, todos dão.”
Pense em quantas coisas fazemos em conjunto dentro da SSVP. Ninguém constrói
sozinho um barracão para uma família necessitada. Uns fazem os
buracos do alicerce, outros fazem a massa, outros assentam os tijolos. E as
consócias fazem o almoço, fazem o lanche. Até os filhos
dos confrades e consócias lá estão carregando um tijolo,
uma telha. Ninguém faz uma quermesse tomando contas de todas as barracas.
Uns fazem os pastéis, outros fazem o feijão tropeiro, outros fazem
o caldo de costela, outros ainda gritam os leilões. Não fosse
assim, nada seria feito.
Sejamos humildes como Moisés! Não queiramos ganhar a luta sozinhos.
A SSVP é luta de comunidade. E para que uma comunidade dê certo
tem que haver humildade, amizade e caridade entre seus membros.
Quando Jesus disse que estará no meio de onde dois ou três estiverem
reunidos em Seu nome, certamente Ele falava de uma comunidade de amor.
E é isso que a Sociedade de São Vicente de Paulo precisa ser,
aliás, seguindo os exemplos de São Vicente e do Beato Frederico
Ozanam.
LSNSJC
ATENÇÃO - Uma amiga da avó da Mariana, a menina do artigo
TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA, colocou-o em PPS. Quem quiser recebê-lo,
me peça pelo endereço aluiziodamatassvp@gmail.com
TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA – 18 agosto 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Precisamos aprender, sempre.
Não adianta! Nunca saberemos tudo o que existe para ser aprendido. Se
o saber fosse estático, um dia alguém talvez pudesse chegar até
o final de tudo que houvesse para aprender. Mas não é assim! A
cada segundo novas coisas surgem para serem aprendidas.
Nestes dias tive prova disso. Não sei se só por coincidência
ou por vontade de Deus, dois momentos se cruzaram em minha vida: a doença
da Mariana e o Diário de Kika.
A Mariana é uma menina de 4 anos, nascida no Nordeste. Portadora de leucemia
está vivendo momentos dolorosos e de expectativas ainda não concretizadas.
Precisa, urgentemente, de um transplante de medula óssea, mas até
agora não conseguiu um doador compatível. Para aumentar as suas
chances, foi transferida para São Paulo e no hospital onde está
faz tratamento que a possa deixar em condições de receber o transplante
que lhe salvará a vida, quando o doador surgir. Quais são as expectativas
de uma criança nessa situação? O que sabe ela do seu estado
de saúde? Com o que sonha? O que pede a Deus? Qual será o seu
futuro?
O Diário de Kika é um livro que foi escrito há alguns anos,
mas parece que a autora estava antevendo o que, em parte, iria acontecer com
a Mariana. Ele é um livro do qual o meu neto de 10 anos teve que fazer
uma ficha literária. Eu, como sempre gosto de fazer, ajudei-o, pois acho
que desperto nele o interesse pela leitura e pela escrita. Esse tipo de trabalho
escolar é de muito proveito, pois ensina ao aluno ter gosto pela literatura,
aprende a interpretar o texto, acompanha o raciocínio do autor e aprende
lições de vida.
O livro conta a história de uma criança de 10 anos que registra
o seu dia a dia em forma de diário, mesmo com dificuldades para escrever
pela sua limitação de conhecimento da língua e pelo seu
estado de saúde. Ela não entende porque é sem saúde;
porque sofre dores; porque não pode ir todos os dias à escola;
porque não pode brincar como todas as crianças de sua cidade pequena.
Não entende também porque, de vez em quando vê seus familiares
chorando escondidos. Gosta, mas fica desconfiada do por quê todos da família
lhe dão atenção especial. Seu padrinho, que é médico,
também. Até os presentes que queria ter ela ganha, embora a sua
família seja pobre. Admira a boa vontade de todos em torná-la
feliz.
Quem lê o livro percebe que a Kika vai de um crescendo em seus registros
quase que diários e depois vai decrescendo à medida que o tratamento
não surte o efeito esperado e seu estado físico vai piorando.
Já no final ela percebe seu estado de saúde, mas não diz
para ninguém, nem lamenta, nem chora. Faz perguntas a si mesma e não
sabe as respostas.
Não quero comentar o final do livro, pois acredito que com a Mariana
será diferente.
Mas, aí está a razão de ter escrito este artigo. A campanha
de doação de medula óssea está em pleno andamento
no Brasil, mas não atinge todos os possíveis doadores. Muitos
adultos têm receios infundados, como teve meu neto. Conversando com ele
sobre o livro, contei-lhe o caso da Mariana. Então ele me perguntou:
- Vô, se eu doar a medula óssea para livrá-la da leucemia,
eu fico com leucemia?
Numa criança de 10 anos é natural esse questionamento, mas fico
pensando: Por que a Igreja Católica e a SSVP não fazem uma campanha
de esclarecimento nas suas Missas e reuniões? Por que não incentivam
para que apareçam doadores?
Agora complemento a observação que fiz logo no início do
artigo: aprendi que me faltou na época oportuna esclarecimentos e solicitação
para doar medula óssea. Quantas Kikas morreram por falta desses esclarecimentos
desde a minha juventude até agora?
Quantas Marianas vão ter que ficar esperando uma doação
que chegue logo para aliviar-lhes os sofrimentos?
Somos muitos vicentinos que têm condição de serem doadores...
mas, eles sabem disso? Foram motivados para doarem ou pensam que se doarem ficarão
doentes também?
Bem que o Conselho Nacional poderia pensar em uma campanha dentro das nossas
fileiras, campanha essa que poderia ser chamada de VICENTINO SOLIDÁRIO.
Basta apenas um pouco de esclarecimentos e de boa vontade.
A Mariana está no Hospital Darcy Vargas, no Morumbi-SP.
Deus lhes pague.
CAIXA DE SUGESTÕES – 14 agosto 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Vemos sempre estrategicamente colocada, em estabelecimentos comerciais uma caixa
para sugestões. Nelas os empresários se baseiam para melhorar
seus serviços, aceitando as boas opiniões. Elas são analisadas
e aquelas que são viáveis, são aproveitadas.
As críticas são também analisadas, pois elas podem fazer
modificar um procedimento ou até uma disposição na disposição
da loja.
Dias atrás me encontrei com um vicentino e trocávamos ideias sobre
de como anda a Sociedade de São Vicente de Paulo na região e tocamos
em muitos pontos.
Comentando um dos artigos que escrevi (Conferência, base da SSVP) ele
me falou sobre o fato de muitas das nossas unidades estarem quase que num marasmo.
Se resumem em fazer reuniões sem motivações, em ter poucos
assistidos, em ter poucos membros e citou, também, um aspecto sobre o
qual tenho falado sempre: a nossa alta faixa etária.
Ele me dizia ter muitas ideias e principalmente algumas para ver se conseguimos
reabastecer nossas conferências de novos confrades e consócias.
Tristemente ele dizia que já tentou diversas vezes fundar Conferências
de Jovens ou de Crianças e Adolescentes, mas sempre esbarrou na falta
de apoio de quem deveria ajudar.
Sem saudosismo, ele lembrou que antigamente nós convidávamos muitos
amigos, conhecidos e parentes para visitarem as conferências. Sempre algum
acabava aceitando ser vicentino.
Isto é verdade, pois eu mesmo entrei para a SSVP atendendo o convite
que um amigo me fez quase cinquenta anos atrás. Fui à reunião
por curiosidade e nunca mais saí. Eu levei diversas pessoas a participar
também, fazendo o mesmo convite. Hoje em dia já não se
vê mais desses convites.
Lembrou que não há por lado de muitos padres um apoio à
SSVP, esquecendo-se de que muitos dos seus Ministros e auxiliares são
confrades e consócias. Os padres, com raras exceções, nunca
falam da SSVP em suas missas, não incentivam os jovens a participar de
conferências, etc.
O confrade em questão dizia também que a nossa SSVP, pelo menos
onde dele milita, parece estar sem motivação. Não há,
à exceção da Romaria a Aparecida, quase nenhum evento que
motive os vicentinos. Em alguns lugares fazem barraquinhas, mas o fito delas
é apenas de arrecadar recursos financeiros, não recursos humanos.
Ele dizia que para os muitos confrades e consócias que não podem
ir à Aparecida, poderia ser dada a oportunidade de fazer uma romaria
por aqui mesmo. Citou que poderíamos fazer um encontro de conferências
no alto de uma serra que existe na cidade que tem uma capelinha de Santa Helena,
onde todos os anos a cidade faz romaria e que não é tão
difícil de ser escalada. Até ela pode-se ir a pé, pode-se
ir de carro. Ele até sugeriu que poderíamos ter ônibus gratuitamente
para o transporte dos vicentinos, o que não é difícil de
conseguir.
Não há mais visitas feitas em conjunto a Conselhos do mesmo lugar,
nem em cidades vizinhas. Lembrou que antigamente eram feitas visitas viajando
por estradas de chão, cheias de buracos e de poeira. E todos se sentiam
felizes. Hoje o comodismo não deixa que tais visitas sejam feitas, mesmo
sendo todas as estradas asfaltadas e servidas de modernos ônibus.
Falou sobre o seu sonho de utilizar um dos clubes locais para fazer campeonatos
de “pelada”, peteca, etc, e motivar os participantes a visitarem
as unidades vicentinas. Pensou em convidar palestrantes motivadores e especialistas
em falar para os jovens sobre drogas. E disse que o responsável pelo
clube já aceitou ajudar.
Enfim, ele relatou uma série de ideias.
Mas, aí vem um problema. A não receptividade dos nossos dirigentes.
A maioria, se não for contra, também não faz nada para
promover as ideias que são sugeridas. Não dão o apoio necessário.
Acham que não dará certo e colocam uma série de dificuldades.
Comentou que, por isso mesmo, nossas reuniões, seja de Conferências
e Conselhos, são uma rotina de dar pena.
Fico pensando que ele tem razão em algumas coisas que disse e concluiu:
há pouca criatividade e disposição em quem, justamente,
deveria estar à frente das promoções.
Depois de conversamos sobre muitos aspectos que não escrevi aqui, disse
que cada Conferência e cada Conselho deveriam ter uma CAIXA DE SUGESTÕES.
Nela, quem quisesse, poderia sugerir detalhadamente uma ação.
Ao responsável pela Unidade caberia a tarefa de ler, analisar, colocar
para os demais membros o que foi sugerido e, sem querer impor seu ponto de vista,
aceitar ou não a sugestão. Já vi muitos confrades e consócias
dizerem que não têm oportunidade de sugerir nada e quando conseguem
fazê-lo esbarram com uma série de resistências, mesmo que
o assunto não tenha sido estudado. O presidente não achar viável,
ou não querer, já é motivo para que a sugestão morra
ali mesmo. A opinião dos demais membros pouco conta.
Então? Isto acontece em outros lugares ou é um procedimento aqui
localizado?
Falando em sugestão, aqui vai uma: por que não fazer um bingo
para não vicentinos, sem custo para quem participar de uma palestra motivacional
sobre a SSVP? Mas, lembrem-se: o prêmio tem que ser doado por alguém
ou pelo comércio e não pago pelo caixa da SSVP.
Garanto que, lendo este artigo, algumas ideias que você já teve
ao longo do tempo voltaram à sua mente. Você teve oportunidade
de expô-las na sua Conferência ou no seu Conselho? Qual foi a receptividade
que elas tiveram?
BLUSA DE FRIO – 6 agosto 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Três semanas atrás, resolvi doar uma blusa de frio para alguém
necessitado. Eu tinha três, uma não faria falta. Eu esperava a
ocasião certa para doá-la. Hoje foi esse dia. Fui cedinho a uma
padaria e ao chegar nela um mendigo que estava à porta me pediu:
- Moço, me dá um Real para tomar um café?
Eu, como vicentino que sou, tenho o princípio de não dar dinheiro
a quem me pede na rua, chamei-o para dentro da padaria e pedi às atendentes
que lhe dessem um café com leite e dois pastéis.
Uma delas me disse:
- Outro dia uma pessoa lhe deu café, mas ele não quis comer o
pão.
Eu lhe disse:
- Quem sabe pastéis ele come...
A outra atendente me falou:
- A gente faz a nossa parte. Se ele comer ou não, praticamos a caridade.
Eu lhe disse que ela estava certa.
Ele se sentou à mesa e ficou tomando seu café com leite. Nem prestei
atenção se ele estava comendo os pasteis.
Ele, de camisa de manga curta, parecia estar sentindo frio. Aí me lembrei
da blusa de frio.
Como eu estava vestido com a que queria doar, tirei-a e pedi para a atendente:
- Daqui a pouco você a dê para ele. Não vou dar agora, pois
não quero aparecer.
Ela enrolou a blusa, colocou-a em uma sacola.
Não esperei para vê-la entregando a ele.
Voltei para casa e fui ao computador passar a mensagem diária para um
Grupo que tenho. Coincidência ou não a mensagem que escolhi a esmo
em um grande arquivo que tenho era uma que falava sobre partilha.
Fiquei com a impressão que fiz o correto. Não dei a blusa diretamente
para não o constranger ou para não me tornar alvo de admiração
dos muitos presentes que estavam comprando pão.
Antes de terminar preciso contar outro fato.
Tenho um Grupo na internet que se chama textoparameditacao, para o qual envio
pequenos textos que recebo de várias pessoas. Somos mais de 700 inscritos.
Hoje resolvi mandar um texto que tem o título sugestivo: O PÃO
PARTILHADO. Ele mostra como uma caridade pode ser repartida muitas vezes. Quem
não for do Grupo mencionado e quiser recebê-la, basta me pedir
pelo endereço aluiziodamatassvp@gmail.com.
A tal mensagem estava guardada em meus arquivos, há vários meses
e só hoje resolvi divulgá-la. Não tive nenhuma intenção
de relacioná-la com o fato acontecido; mas, se Deus quis assim, talvez
seja para mostrar-me que mesmo demorando um pouco, a caridade nunca é
tardia. Se conto este fato é apenas para lembrar que todos podemos fazer
uma pequena caridade a qualquer hora.
E você, quantas blusas de frio tem? Não poderia doar alguma a um
necessitado?
QUANDO UM XINGAMENTO É ORAÇÃO – 31 julho
2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Temos na Conferência um assistido com problemas de diabetes e suas pernas
estão roxas, com pouca circulação sanguínea, quase
com princípio de gangrena.
Ele sempre foi amistoso, sua casa muito limpa. Recebia-nos muito bem e gostava
de conversar.
Morava sozinho, embora tivesse algumas irmãs.
Por causa de seu estado físico, precisava tomar alguns remédios.
Na última consulta que fez o médico receitou muitos medicamentos,
alguns de tarja preta, que ele devia tomar durante o dia. No entanto ele estava
tomando-os inadequadamente, já que misturava os remédios em caixas
diferentes e tinha ainda o problema dos horários em que deviam ser ministrados
e que não eram seguidos.
Diversas vezes foi convidado a ir para o Lar do Idoso, onde os remédios
lhe seriam dados por enfermeiras, mas se recusava a deixar a sua casa. Tinha
medo de perdê-la.
A família, que o olhava de longe, resolveu levá-lo para casa de
um parente, em outra cidade.
Quando ele soube da decisão se transformou e xingou os vicentinos, pois
pensou que foram eles os culpados de estarem tirando-o da casa onde morava.
Quando o caso foi relatado na Conferência algumas pessoas acharam que
fora ingratidão dele fazer isto, mas me veio na hora um pensamento e
o expus para todos: “Se somos caridosos e corretos com os nossos assistidos,
todo xingamento à SSVP ou ao vicentino deve ser entendido como oração”.
Quem escutou eu dizer isto parece não ter entendido. Mas, expliquei:
Toda nossa ação deve ser para o bem do pobre, mesmo que ela ao
assistido pareça errada. Estão-se fazendo o bem, Deus sabe. Se
o assistido não entende e xinga, Deus transforma aquele xingamento em
oração. Não foi o que Jesus disse que tudo o que fizéssemos
ao menor dos irmãos era a Ele que estaríamos fazendo?
No caso narrado, não tivemos nenhuma interferência na decisão
da família. E os xingamentos que aconteceram devem ser levados em consideração
ao estado daquele assistido. Passado pouco tempo ele voltou para sua antiga
casa e tudo voltou a ser como era antes. Colocando-nos no lugar do assistido,
não teríamos agido como ele agiu?
NÃO ACREDITAR, SEM OFENDER! - 24 julho 2010
Texto: Aluizio da Mata
Existem muitas pessoas que dizem acreditar em Deus, mas curiosamente elas se
atêm ao fato de acreditar ou não.
Argumentam, contra-argumentam, não convencem, não são convencidos.
Simplesmente se recusam a acreditar que um ser possa ter criado tudo o que existe
e tentam, às vezes, até explicar seus pontos de vista, mas nada
conseguem.
Isto acontece com muitos cientistas, com pessoas da área médica,
e também com pessoas, digamos, simples, sem estudos, mas que preferem
assim pensar.
É o direito que cada um tem de pensar, fazer ou dizer o que quiser. Nós
que acreditamos em Deus não conseguimos explicá-Lo; eles também
não conseguirão não explicá-Lo. Quem acredita pode
até saber defini-Lo, mas não consegue explicar toda a sua essência.
Imagina, então, quem não acredita!
Mas, a discussão sobre Deus normalmente para por aí. A mente humana
não tem capacidade suficiente para ir além do seu conhecimento
que é do tamanho de um grão de areia, enquanto para explicar ou
não Deus seria preciso uma capacidade maior do que o que conhecemos do
universo que, aliás, ainda é muito pouco.
Quero falar, no entanto, é sobre acreditar ou não em Maria de
Nazaré. Também curiosamente sabemos pouco sobre Ela. O Evangelho
fala bem pouco sobre sua pessoa, mas o pouco que fala dá para despertar
sentimentos contraditórios hoje em dia.
O Católico acredita em Maria pelo que se previa desde o Antigo Testamento
e mais ainda pelo cumprimento dessas profecias. O Católico aprendeu a
amar Maria como uma pessoa extremamente bondosa, carismática, que soube
ser mãe em circunstâncias completamente adversas. Ama Maria por
compreender que Ela foi escolhida por Deus para ser a Mãe de Seu Filho
e que Deus não escolheria alguém que não fosse tão
especial.
É aí que não entendo a atitude de algumas igrejas que não
a Católica. Não acreditam na missão especial de Maria.
Consideram-na uma mulher comum, como qualquer outra. Fisicamente até
podem ter razão, embora imaginemos que nunca houve nem haverá
uma moça tão bonita quanto Ela foi e ainda é.
Mas, essas igrejas e seitas vão muito mais longe. Além de não
quererem aceitá-La como especial no Plano de Deus, ainda se voltam contra
Ela com uma raiva que não tem sentido. Destilam veneno contra a figura
de Maria. Ofendem-na gratuitamente.
Se quisessem apenas não acreditar nela, seria o direito deles. Ofender,
não.
Diz um ditado que “se quiseres agradar o filho, agrade a mãe dele”.
Isto vale para os namorados, para os casais, pois qualquer dos dois que não
gostar da mãe do outro, cria um ambiente desagradável, quase sempre
com rusgas e discussões. Diz outro ditado que “mãe é
mãe”. Isto é verdade. Não deixamos de gostar da nossa
esposa, da nossa namorada por gostarmos da mãe dela ou da nossa mãe.
Muitas pessoas têm ódio por Maria, porque acham que substituímos
Jesus por ela. Fazendo uma pesquisa sobre a vida de alguns santos (pessoas que
a Igreja considera que seguiram tão bem o que Jesus ensinou que suas
almas foram diretamente para o Céu), acabaram aparecendo na tela do computador
alguns fóruns em que os participantes (claro que não católicos)
diziam coisas horríveis sobre Nossa Senhora. Eu não teria coragem
de escrevê-las aqui.
Se as pessoas se limitassem a dizer “eu não acredito nela”,
tudo bem. Mesmo que ainda dissessem que Maria não foi isenta de pecado
(como o Católico acredita que foi), seria um direito deles; mas, o que
eu li são ofensas tão grandes que, se ditas contra uma pessoa
viva, seria caso até de serem processadas.
Essas pessoas que dizem amar Jesus, não seguem os seus ensinamentos,
pois dizem amá-Lo e ofendem sua Mãe.
Ele ensinou que não devemos julgar os outros, como estão fazendo
com Maria! Ele disse que não devemos ofender outros irmãos, mas
é o que estão fazendo com Ela! Disse também que seremos
julgados com a mesma medida com que medirmos. E aí, como será?
O vicentino tem uma veneração especial por Maria. Cabe a cada
um de nós divulgarmos ainda mais esse amor. Afinal, ela é a mais
bela flor criada por Deus e Mãe preciosa de Jesus.
NB: Os principais Dogmas sobre Maria são: Imaculada Conceição,
Sempre Virgem, Mãe de Deus e Assunta ao Céu.
Estamos agindo como agiu Ozanam? - 17 julho 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
LSNSJC
Recebi uma tarefa que considerei difícil de ser executada. Um confrade
da SSVP me propôs que escrevesse sobre a falta de compromisso de alguns
confrades e consócias, trazendo consequência que afeta a vida vicentina.
O pedido dele veio da seguinte forma: - “Por este Brasil afora, às
vezes deparamo-nos com confrades e consócias que não são
compromissados com o que o Bem aventurado Antônio Frederico Ozanam ensinou
e praticou. Alguns fingem que são vicentinos e os pobres fingem que são
assistidos”.
É uma afirmativa preocupante. Pensei, inicialmente, que ela poderia não
espelhar uma realidade geral, mas resolvi analisar o que já presenciei
dentro da SSVP e cheguei à conclusão que ela é bem possível.
A principal meta do vicentino é a de se santificar através da
santificação do seu assistido. Dois pontos nos quais apenas sobre
um cada um de nós tem plena condição de conseguir: a nossa
santificação. Mesmo assim, poderemos ajudar o assistido a se santificar.
Mas, é o que fazemos?
Claro que existem exceções com muitos vicentinos e com muitos
assistidos, mas o que acontece realmente nas visitas que muitos de nós
fazemos? Simplesmente cumprimos o “dever” semanal ou vamos lá
evangelizar com a Palavra de Deus e com o nosso exemplo? Tenho questionado muito
sobre isso. Nossa visita costuma ser rotineira, sem sabor, sem atrativo. Quem
de nós lê em toda visita a Bíblia para o assistido? Quem
de nós reza com ele na chegada e na saída? Quem leva as crianças
para a catequese? Olhando para o plano material, quem de nós se esforça
realmente para arranjar trabalho para os jovens filhos dos assistidos? Quem
se preocupa com seus estudos? Quem de nós é realmente amigo do
assistido?
Ozanam, com muito menos recurso, procurou viver de verdade tudo que questionei
acima. Ele não olhou as dificuldades, as distâncias, a falta de
empregos. Ele fez tudo que estava ao seu alcance. Teria ele conseguido atingir
cem por cento suas metas? Quase podemos afirmar que não, mas não
foi por falta de esforço, por falta de confiança em Deus. Ele
não se conformava com a miséria que existia naquela época,
com a desesperança dos mais pobres, com os ataques que a Igreja sofria!
Ele lutou. E como lutou!
E nós, o que fazemos? Hoje, com muito mais recursos, com muito mais gente,
com muito mais facilidade de transporte, de meios de comunicação
falamos que não temos muito como ajudar. Será verdade ou apenas
desculpa?
Por outro lado, os assistidos vão aprendendo a receber sem dar nada em
troca. Não se esforçam, pois sabem que não vamos deixar
de ajudá-los. Ainda mais agora, com os programas assistenciais que existem
por aí, parece que o vicentino perdeu a obrigação de ir
a fundo nos problemas do assistido. Como estamos acostumados apenas a levar
o vale semanal, e agora ele já não é tão mais necessário,
estamos fingindo que somos vicentinos e os pobres fingindo que são necessitados.
O que fazer então? Voltar às origens. Ler as cartas, as circulares,
os livros de orientação que nos foram legados por Ozanam e todos
os verdadeiros vicentinos que vieram com ele e depois dele. E praticar os seus
ensinamentos.
Antigamente a proclamação era esperada com ânsia. Hoje não
sei se ainda é assim. Preocupa-me ver que cada dia se torna mais difícil
arregimentar pessoas para a SSVP. Muitos dos que recentemente aceitaram participar
de uma Conferência não querem ser proclamados e os que aceitaram
não querem assumir cargos. Muitos deles nunca tiveram a Regra nas mãos.
É a falta de compromisso com os ideais de Ozanam questionada acima. Não
me admiro agora da segunda parte do questionamento: E os pobres fingem que são
assistidos... Não nos esforçamos para estarmos preparados para
enfrentar a nova situação.
Sinceramente, eu gostaria de ter o otimismo de alguns amigos meus que escrevem
sobre a SSVP, mas não consigo. Talvez seja eu que esteja fora da realidade,
mas em um Brasil tão grande e cheio de tantas diversidades e dificuldades
creio que a minha preocupação e a de quem propôs o tema
tem certa razão de ser.
Sei que o Conselho Nacional tem tentado fazer muita coisa, mas nem todos colaboram.
Precisamos todos nós, urgentemente, analisar alguns pontos e ações,
mudar de fato e não ficar apenas vendo o tempo passar e pouca coisa acontecer.
VALORES – 9 julho 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Gosto de jogar truco na internet. Além de distrair, me proporciona a
oportunidade de conversar com quem está jogando no que chamamos “sala”.
São sempre três pessoas de cada vez com as quais posso conversar.
Existem pessoas de todos os tipos. Umas são educadas, trocam ideias,
dizem a cidade em que moram e, às vezes, falamos até em religião.
Algumas pessoas não gostam de papear e até saem da “sala”.
Outras, ao contrário, passam a ser parceiras constantes e até
se tornam o que podemos chamar de “amigas virtuais”.
Sem forçar ninguém, convido a muitos para fazer parte de dois
grupos que mantenho na internet: texto para meditacao, para o qual mando diariamente
– menos sábado e domingo - pequenos textos de diversas pessoas,
que nos ajudam a começar bem o dia. Já somos mais de oitocentas
pessoas; o outro grupo é o midia vicentina. Já temos mais de 250
vicentinos inscritos. Para este grupo envio apenas uma mensagem por semana,
normalmente no sábado. São artigos que escrevo sobre a Sociedade
de São Vicente de Paulo.
Muitos dos convidados no truco aceitam o convite. É uma das maneiras
que encontrei de falar um pouco sobre Deus, sobre Maria Santíssima e
sobre a Sociedade de São Vicente de Paulo.
Interessante que no primeiro grupo existem pessoas de outras igrejas, que aceitaram
participar, mesmo sabendo que sou católico. São pessoas extremamente
educadas, que até podem discordar de uma ou outra coisa que escrevo,
mas nunca se consideram ofendidas, mesmo porque a intenção do
Grupo é justamente a de unir.
Mas, quero contar especialmente o que aconteceu outro dia. Estávamos
jogando eu e um senhor, ainda novo, contra duas mulheres. Por iniciativa de
uma delas a conversa trocada foi, de certa maneira, sobre religião. Uma
parecia não acreditar em nada. A segunda era evangélica. O meu
parceiro não disse o que era e até dizia estar confuso, embora
frequente a Igreja Católica com a sua esposa. A evangélica não
perdeu tempo e falou sobre a necessidade do meu parceiro ir às celebrações,
ler a Bíblia e especialmente o Livro do Apocalipse.
A conversa se encaminhou para os acontecimentos atuais e a evangélica
falou que os sinais do fim do mundo estão bem visíveis. Aí
o meu parceiro disse uma coisa que justifica o título do artigo: “Dizem
que o mundo vai acabar em 2012. Então, ESTE ANO VAI SER A ÚLTIMA
COPA DO MUNDO”.
Os valores de cada um de nós eram bem diferentes. Eu gosto muito de futebol,
mas daí ficar mais preocupado com o fato de ser a última copa
do mundo do que com a minha salvação, vai uma distância
grande.
Por coincidência, vi no dia seguinte um folheto de uma igreja evangélica
onde se narra com detalhes minuciosos como se dará o fim do mundo. Era
alguém que dizia ter tido uma visão e escreveu: "vi... cinco
anjos encarregados de acabar com cada continente”. E fala especificamente
do quinto anjo e sobre a América do sul. Dá detalhes minuciosos,
fala da destruição das grandes cidades a começar pelo Chile
e Argentina, da inundação da Amazônia, etc.”
Acho que devemos nos preocupar sim com o fim dos tempos, mas não cabe
a nós ficar tentando descobrir qual a data em que se dará tal
acontecimento e como ele se dará. Jesus mesmo disse que só o Pai
sabe quando isso acontecerá. Claro que existem sinais. A própria
Bíblia diz isto, mas cabe a nós estarmos preparados para o momento
da segunda vinda de Jesus.
O problema, penso, é que desconfiamos que não estamos preparados
para o encontro com Deus. Por isso temos medo do fim do mundo. E é interessante
que esse medo se dá em virtude de um julgamento que ocorrerá naquele
momento, e não nos preocupamos muito em morrer de uma hora para outra
e ter o encontro com Deus já agora. Primeiro, porque pensamos que não
vamos morrer tão cedo; segundo, porque achamos que sempre teremos tempo
para nos arrependermos dos pecados que cometemos, o que não podemos ter
a certeza de que se dará.
E o que tem este assunto com os vicentinos? Como acho que a veiculação
desse assunto será crescente na mídia, precisamos estar preparados
e preparar os nossos assistidos para conversar cobre o assunto, pois se Deus
nos confiou alguns para olharmos, precisamos prepará-los também
no aspecto espiritual. Mas, para isso é preciso que nós estejamos
preparados primeiro.
Alguém já pensou nisso?
REMORSO OU ARREPENDIMENTO? - 2 Julho 2010
Texto: Aluizio da Mata
Vi uma pregação do Padre Léo na qual ele falava sobre
a diferença em termos de remorso e arrependimento. Corri ao dicionário
e vi que realmente são coisas diferentes. O remorso é o sentimento
de culpa que temos. Sabemos que somos culpados de alguma coisa, mas não
nos arrependemos do que fizemos. O arrependimento é o pesar do que se
fez ou do que se pensou.
Sentimento de dor, contrição. Arrependemo-nos de algo feito. Quando
sentimos remorso apenas, não nos arrependemos. Quando nos arrependemos
não precisamos ter remorso.
A Bíblia diz que Judas, depois de trair Jesus, tomado de remorso, foi
se enforcar. Ela diz também: Pedro, depois de negar Jesus por três
vezes, se arrependeu e chorou amargamente. Judas se desesperou. Não confiou
na misericórdia de Deus. Pedro, não, confiou no perdão
de Deus.
Dos dois ladrões que foram crucificados ao lado de Jesus, um se arrependeu
do que fez, confiou e foi por Ele canonizado antes de morrer. O outro ladrão
parece não ter se arrependido, por isto não recebeu de Jesus promessa
de salvação. Ainda na Bíblia podemos ver mais exemplos
de arrependimento: Davi, Salomão, Madalena, a Samaritana, Levi, Zaqueu,
Saulo.
Você, como eu, certamente já fez alguma coisa ou disse alguma palavra
que tenha causado dano a outras pessoas. Mas veja como pode ser diferente um
mesmo ato. Alguém diz ou faz algo propositadamente e depois sente remorso
da consequência. Ela quis ferir, mas não pensava que o dano fosse
tão grande.
Outra pessoa diz ou faz alguma coisa sem o propósito de ferir. Mesmo
assim, seu ato causa algum dano. O arrependimento vem logo a seguir. Normalmente
o remorso é sentimento íntimo e não gera outro ato. O arrependimento,
também é intimo, mas gera o pedido de perdão. Por isso
quando pecamos e ofendemos a Deus, não devemos ter remorso e sim arrependimento.
Deus não quer o nosso remorso, quer nosso arrependimento.
Pode ser que as pessoas vendo estar tranquilo alguém que praticou um
ato ou disse alguma coisa que tenha causado dano, diga: -Você não
sente remorso do que fez?
O remorso é sentimento criado pelo demônio, enquanto o arrependimento
é sentimento criado por Deus. Analisemos nossa vida e vejamos os acontecimentos
que possam ter gerado dano a alguém.
Se tivermos remorso deles, nós pecamos e ainda não nos reconciliamos
com Deus.
O de nós que tiver arrependimento, pode ter pecado, mas buscou o perdão
do Senhor. Por isto não cabe a ninguém, ninguém mesmo,
julgar um fato relativo a outras pessoas.
Não estamos no íntimo dela para saber o que aconteceu e se houve
remorso ou arrependimento...
TEOLOGIA DA PROSPERIDADE - 25 junho 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Jesus nunca condenou a riqueza. Em algumas ocasiões Ele se referiu a
ela e a tônica de suas observações foi que a posse de muitos
bens torna o homem egoísta e dificulta a salvação. Ele
mesmo se serviu da riqueza de alguns dos seus amigos para poder viabilizar Sua
missão. Algumas pessoas convertidas financiaram Sua caminhada. A riqueza
desses seus amigos foi utilizada para o bem.
O problema é que à medida que ficamos mais ricos, mais nos esquecemos
de Deus. A riqueza impõe uma série de procedimentos que nos afastam
d’Ele. Para exemplificar, o rico tem tempo para festas, para passeios,
para ter tudo o que quiser, mas não tem tempo, sequer, para ir a uma
igreja agradecer o que conseguiu ou para visitar e ajudar quem é pobre.
Jesus avisou que o caminho para o Reino é estreito, é difícil,
e por isso o rico tem dificuldade de ir por ele. E acrescentou que o caminho
do Céu leva a pessoa ao sofrimento, mas que a recompensa vale à
pena.
Para exemplificar as suas situações, Ele contou a história
do rico e do lázaro. Jesus não deixa dúvida quanto ao resultado
das ações que acontecem no mundo. Quem muito sofreu recebe o prêmio
da salvação, quem não sofreu e foi desumano vai para o
lugar dos tormentos.
Hoje existem igrejas que pregam a Teologia da Prosperidade, dizendo que Deus
não quer que ninguém seja pobre. Elas vão de encontro a
um ensinamento de Jesus que disse: “Pobres sempre tereis convosco”.
A exigência de doação do dízimo, que até é
um dever do fiel quando ofertado dentro de suas possibilidades, nem sempre é
caridosa. Exigem dos seus seguidores, até, que façam o impossível
para doar o dízimo, que às vezes é maior que o que o nome
indica. Existem pessoas que contraem dívidas e dispõem de seus
pertences para satisfazê-las. Muitas pessoas esquecem que Jesus ensinou
que não é o valor que conta na doação e sim a disposição
de coração com que ela é ofertada.
É certo que a oferta dada com sacrifício tem valor maior junto
de Deus, mas Ele não quer que a pessoa se sacrifique ao ponto de prejudicar
a si próprio e à sua família. Não pode haver egoísmo
de quem pede e nem de quem oferece.
Tomemos, como exemplo, a vida de qualquer verdadeiro Apóstolo, seja ele
um que tenha vivido com Jesus ou os que vieram depois d’Ele. A vida desses
seguidores de Jesus foi só sofrimentos terrenos, mas com recompensas
celestes. Como pode, então, se divulgar que Jesus não quer o sofrimento,
se ele redime? Como se pode apenas pensar em riquezas e alegrias, se não
é isso que Jesus ensinou?
Sei que esses ensinamentos da Teologia da Prosperidade são convidativos
e são o que muitas pessoas querem; mas, não é o que Deus
deseja, pois o nosso sofrimento pelos outros oferecido a Ele é sublime
e agradável.
Não é de se admirar que as igrejas que pregam essa teologia cresçam.
As pessoas pensam muito no aqui e agora, mas se esquecem do depois.
Também não é difícil de entender porque nossos assistidos
passam tão facilmente para outra religião, mesmo tendo que dar
o dízimo do pouquíssimo que têm ou recebem. Ilusoriamente
eles também querem ficar “ricos”.
QUE CANÇÕES DE NINAR MARIA CANTAVA? - 18 junho 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
A figura de Maria, assim como a de Jesus, sempre me fascinou. Não quero
comparar Maria com Jesus, pois isto seria impossível, já que Jesus
é Deus, já que é uma das três pessoas da Santíssima
Trindade.
E fico pensando: No entanto, Ela tem uma relação direta com a
Santíssima Trindade! Como pode isso? Ser Filha de Deus, Esposa do Espírito
Santo e Mãe de Jesus! Mistério insondável e impressionantemente
belo. Se pudéssemos explicar, como tentam algumas pessoas, Deus não
seria Deus.
Mas, hoje quero pensar em Maria como uma mãe como as outras mães.
A começar pelos momentos difíceis pelos quais passou, quando se
viu grávida sem conhecer homem algum. Como explicar uma gravidez assim?
Mas Ela não teria que explicar nada. Teria apenas que viver o Plano e
Deus, depois que resolveu, com coragem, dar o seu SIM.
“Enfrentar” José, cara a cara, e se dizer grávida
sem nunca ter tido relações com ele deve ter sido um momento sublime
por parte dela e por parte dele. Depois, com certeza, viver as angústias
e expectativas que qualquer mãe sente quando está esperando um
filho.
Quanto ao sexo, ela já sabia, pois o anjo já lhe tinha dito que
Ela iria ter um filho que deveria se chamar Jesus. Mas como ele será?
Como terá sido a preparação de um pequeno enxoval para
Ele? Sabemos que eram, Ela e José, pessoas simples, que viviam do trabalho.
Não tinham riqueza e nem luxo. As roupinhas do Menino Jesus foram as
mais simples possíveis; mas, como Maria deve tê-las feito!... Com
que carinho deve ter tecido panos, costurado peças, escolhido cores...
Com que carinho José fez um bercinho para o menino que iria chegar! Se
uma mãe comum tem muitos cuidados sobre esses pontos, imagine Maria se
sabendo Mãe do Filho de Deus!
Volto à questão das situações de mulheres grávidas,
suas reações e suas preocupações. Teria Maria ficado
com enjoos? Teria tido “desejos” de comer coisas e alimentos estranhos?
Teria Ela pedido a José para conseguir uma fruta que não tinha
naquela região? Teria ela se preocupado com o parto? Teria ela se preocupado
em saber se Jesus seria perfeito no físico? Onde estaria José
na hora do nascimento de Jesus? Penso que na aflição de ver Maria
tendo os primeiros sinais do parto, José deve ter saído do estábulo
para procurar um médico ou uma parteira para ajudar Maria. Se ele encontrou
alguém, não sabemos. E nem sabemos se ele, ao voltar, ainda teria
tido a oportunidade de ajudar em alguma coisa. Teria Maria sofrido dores no
parto? Se Ela não teve, pode ter sido porque Deus não queria antecipar
os sofrimentos que mais tarde teria. Se teve dores, pode ser porque Deus já
queria mostrar-lhe como teria de sofrer por Jesus, como sofrem todas as mães
pelos seus filhos.
Mas, uma coisa que me fascina é pensar quais canções Maria
cantava para ninar Jesus. Já imaginaram com que amor, com que doçura,
com que enlevo ela o fazia? Teria Ela inventado canções novas
como Jesus merecia ou cantando simplesmente as músicas que Ana cantava
para Ela?
De qualquer maneira, Jesus deve ter tido momentos em que gostaria de retornar
ao colo de Maria e novamente escutar as canções de ninar...
ASSISTIDO: UM APAIXONADO POR FUTEBOL – 12 Junho 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Sou, como a maioria dos brasileiros, um apaixonado por futebol. Ele nos deixa
alegres muitas vezes e em algumas outras nos deixa tristes, mas isso não
importa muito. Ficamos tristes em uma semana por ver nosso time perder uma partida,
no outro final de semana estamos torcendo como se nada de ruim tivesse acontecido.
E o futebol tem uma característica: independe da idade da pessoa para
se torcer.
Eu confesso: já sofri algumas vezes por ver o Atlético Mineiro
ser derrotado; mas, a paixão pelo time me faz lembrar muito mais das
inúmeras vitórias que o time conquistou. Não deixo de ver
um jogo do meu time quando ele é passado na televisão. Se o jogo
não for transmitido, escuto a narração pelo rádio.
Alguém deve estar perguntando: e o que tem isso com a Sociedade de São
Vicente de Paulo? Eu mesmo respondo: tem muito. Nossa Sociedade tem muitas crianças
e muitos assistidos já bem idosos. Será que eles não gostariam
de assistir a um jogo de futebol, de vez em quando?
Sei que muitos dos administradores dos asilos e lares dos idosos e creches pensaram
nisso e colocaram uma TV – um datashow com telão - em um salão
para que seus internos possam assistir aos jogos da Copa do Mundo. Muitos assistidos
até poderão não entender o porquê de o salão
estar todo decorado de verde-amarelo, mas sentirão o ambiente mais alegre,
mais vibrante. Já pensaram se as pessoas que trabalham nesses abrigos
pararem por alguns momentos os seus afazeres e ficarem com eles vendo o Brasil
jogar? No mínimo todos eles sairão da rotina: assistidos, empregados
e voluntários. Seria muito bom se as conferências resolvessem ir
assistir aos jogos nas casas dos assistidos, nos abrigos ou nas creches.
Tenho receio de que a ideia não seja muito bem aceita, pois somos comodistas.
Gostamos de assistir tais eventos esparramados nos sofás de nossas salas,
com alguns até tomando uma cerveja.
Vou ser sincero: é duro ser idoso, é duro ser criança.
Já não falo pelo que ele precisa enfrentar de abandono dos familiares,
das doenças que normalmente chegam com a idade, das carências afetivas
que a infância exige, mas muito mais por serem considerados apenas pessoas
que devemos visitar de vez em quando porque manda o Regulamento.
Gostaria de saber se as Conferências comemoram os aniversários
de seus assistidos, levando um bolo e guaraná para comer e tomar junto
com eles! Tem Conferência que nem sabe as datas dos aniversários
dos adultos e suas crianças. Se alguma faz essas comemorações,
parabéns! Se não fazem, que pena!
A alegria que notamos no semblante dos assistidos que participam trajados a
caráter de uma festa junina nos dá uma emoção muito
grande. Será que para assistir aos jogos também não seria
a mesma coisa?
Assistido também tem sentimentos...
SOMOS TÍMIDOS NO PEDIR - 4 Junho 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Uma pessoa me procurou um dia e disse que queria doar uma cesta básica
para uma família que tivesse muitas crianças. Disse que me procurou
por saber que eu participava da Sociedade de São Vicente de Paulo. Arranjar
uma família como ela queria não seria problema, pois temos muitas
assim. Tratamos o dia e lá fomos nós. Visitar uma família
onde a mulher trabalhava no campo, sem o marido que a abandonara com sete filhos.
Eram de idades variadas. Tinha filha casada, já com filhos também,
tinha rapaz com quatorze anos e descendo a escadinha, tinha filhos de cinco,
quatro, três, dois e um de colo.
Para a mãe trabalhar, os meninos ficavam na creche, menos o menor que
ficava com a filha casada. O de quatorze anos pegava biscates e ganhava R$ 250,00
por mês. No intuito de ajudar a mãe foi a uma loja e comprou um
tanquinho a prestação, prestação essa que consumia
grande parte do que ele recebia. A mãe, para dar uma distração
aos filhos durante a noite e nos fins de semana, comprou uma televisão
também a prestações, mas não conseguiu pagar e teve
que devolvê-la sob pressão de cartas de advogados.
Bem, depois da visita a pessoa que havia me procurado estava chocada com tanta
pobreza e tantos problemas. Como eu moro em outra cidade onde tais fatos aconteceram,
não fiquei sabendo se ela tinha voltado lá. No meu retorno àquela
cidade notei que haviam derrubado o barracão onde a família morava
de favor e não sei o que aconteceu com seus integrantes.
Bem, tudo isto eu narro para dizer que somos tímidos em pedir. Encontrando
novamente com a doadora, não tive a coragem de perguntar a ela se tinha
voltado lá, levado mais cestas básicas ou roupas para as crianças.
Fiquei com receio de importuná-la. Não agi certo, pois quem sabe
se tivesse perguntado teria conseguido com ela mais cestas básicas para
outras famílias?
É assim também em nossas campanhas de arrecadação.
Enquanto outras entidades não católicas são persistentes
no pedir, e pontuais na procura do que conseguem arrecadar, somos muito tímidos
nesse mister.
Às vezes temos até vergonha de pedir. Tememos ser chatos, insistentes.
As outras entidades, não. Elas pedem mesmo. Não deixam de procurar.
E olha que elas pedem na maioria das vezes em casas de famílias católicas.
E a maioria dá o donativo para outras entidades porque não são
procuradas por nós. Nestes dias mesmo, entrando em uma loja o dono me
falou que tinha já dois meses que a SSVP não procurava o donativo
que ele dá todos os meses.
É, acho que temos que repensar a nossa maneira de agir. Para o bem de
quem necessita precisamos entender que não podemos ter vergonha de pedir
nem de agir. Há muitas pessoas que não dão porque não
são solicitadas. Outras dão uma vez e não dão mais
porque não voltamos a pedir-lhe.
Façamos uma experiência de pedir e os donativos com certeza virão
e não sejamos omissos na procura mensal. Em tempo: claro que existem
exceções, mas este recado é um alerta para quem não
age como deveria, inclusive eu.
O PÃO COM MANTEIGA - 30 Maio 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Quase sempre que algum pedinte bate à nossa porta para pedir alguma
coisa, nossa reação é de resistência em dar, pois
nos vem à mente que é um malandro que está pedindo. Pode
ser que em alguma vez tenhamos razão de pensar assim, mas nem sempre
isto corresponde com a verdade. Existe muita gente precisando mesmo de ajuda.
Se os programas assistenciais dos governos, seja no Brasil, seja na Índia
ou em qualquer outro lugar fossem a solução da erradicação
da pobreza, não haveria catadores em lixões, nem pessoas dormindo
ao relento ou debaixo de marquises ou pedindo comida nas casas. E por mais que
passemos por situações semelhantes, a gente não aprende.
Nossa reação é sempre de que os pedintes são uns
exploradores da caridade alheia.
Eu, sendo vicentino, deveria ser o primeiro a não deixar que esse tipo
de pensamento passasse por minha mente. De uma maneira geral, até que
me policio bem e em muitas ocasiões prefiro pensar que estou sendo enganado
que deixar de ajudar a quem pede; mas, tenho o costume de dificilmente dar dinheiro
para quem o faz. Já levei pessoas para tomar lanche, mesmo contra os
olhares de reprovação dos donos das lanchonetes; já peguei
receita para comprar remédios; já comprei brinquedo para dar a
uma criança que estava olhando a vitrine. Isto narro não para
me vangloriar, não para dizer que sou sempre caridoso, pois sendo cristão
e, principalmente vicentino, é até uma obrigação;
mas, para mostrar que somos falhos e costumamos deixar a desejar.
Hoje o interfone tocou e eu atendi. Era um homem com voz meio arrastada dizendo
que era um avô, que tinha 54 anos e que estava precisando de ajuda, pois
estava com fome. Minha primeira reação ao escutar sua voz meio
pastosa era de que se tratava de uma pessoa embriagada. Mesmo assim, pedi que
ele esperasse e peguei três pães de sal e um restante de pão
de forma e levei até o portão. O pedinte era um homem de barba
grande e branca que parecia mesmo estar com fome. Olhei para o outro lado da
rua e vi no outro passeio um homem bem mais novo, que não parecia tão
necessitado. E o pedinte se encaminhou para perto dele. Voltei para dentro da
casa e de uma sacada fui observar o que fariam com o que ganharam. A voracidade
com que comeram o pão de sal me deu a certeza de que, realmente, estavam
com fome. Alguns minutos depois o mais novo deitou no passeio e começou
a dormir, enquanto o velhinho continuava a comer mais alguma coisa.
Aí me veio uma espécie de remorso. Bem que eu poderia ter passado
um pouco de manteiga nos pães de sal, mas não o fiz. Aí
fico pensando: às vezes fazemos um ato que parece ser de caridade, mas
que realmente deixa a desejar. Eu apenas doei uns pães, não os
dei com a devida
caridade.
Como tudo que nos acontece pode ser uma fonte de aprendizado, espero que da
próxima vez que o interfone tocar e alguém pedir um pão
eu já o leve com manteiga.
UM RISCO QUE PRECISAMOS CORRER - 21 Maio 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Sempre fui a favor de que os vicentinos usem jalecos nos nossos trabalhos de
assistência aos necessitados, uma vez que não aparecemos nunca
na mídia. Não falo isto para fazer uma propaganda do nosso apostolado,
pois sei que devemos ser os mais anônimos possíveis, mas para que,
também, a SSVP se torne mais reconhecida como uma entidade que ajuda
a quem precisa, seja nas ocasiões de tragédias ambientais, seja
no nosso dia a dia de visita aos pobres. Não me lembro de ter visto o
nome da SSVP mencionado em nenhuma reportagem das entidades que ajudaram nas
tragédias que ultimamente têm abalado o mundo. Nos deslizamentos
de terras, nas enchentes, n as secas, tenho a certeza de que muitos vicentinos
lá estavam para ajudar.
Mas hoje fiquei um pouco preocupado. Vi uma notícia na TV de que em uma
cidade do norte de Minas, um homem estuprou duas crianças em uma creche.
A notícia dada pela reportagem não dá muitos detalhes,
mas uma coisa chamou a minha atenção: o homem que foi preso vestia
uma camiseta de uma Conferência, se não me engano, São Cristovão.
Embora não se mencione o nome da SSVP, é um caso a se pensar.
Não sei se o homem que fez tal ação é um vicentino
(que creio não seja) ou se simplesmente usava uma camiseta doada por
algum confrade ou consócia. De qualquer modo foi uma pena, muito mais
pelo que aconteceu às crianças, mas também por ter aparecido
o nome de uma conferência. É um risco que devemos correr ou não?
Levando em consideração que nos tantos e tantos anos que milito
na SSVP foi a primeira vez que vi uma situação dessas; acho que
o que devemos é não deixar que ela fique sem ser esclarecida.
Não sei a qual Conselho Metropolitano a cidade onde o fato ocorreu pertence,
mas seria bom que tudo fosse feito para esclarecer o que se passou. Num tempo
onde muitas denúncias sobre pedofilia estão acontecendo, a SSVP
deve tomar todos os cuidados para que não seja envolvida em casos semelhantes.
Nós temos muitas creches sob os nossos cuidados. Muita gente nem sabe
o trabalho que fazemos, mas quando acontece um caso assim, é fácil
a generalização, como aconteceu com a Igreja Católica,
onde por causa de uma meia dúzia de maus padres e bispos a imprensa,
principalmente a contrária à nossa religião, divulgou como
se os milhares de padres e centenas de bispos sérios fossem todos iguais.
Aproveitaram um fato verdadeiro, mas de um pequeno número, para tentar
enxovalhar toda a Igreja.
É um risco que precisamos correr, pois não vamos deixar de administrar
as creches por causa do fato narrado; mas, cuidado e caldo de galinha não
fazem mal a ninguém. Pode ser que a notícia passe meio despercebida
no resto do Brasil, mas na região onde aconteceu certamente isto não
acontecerá.
Tomara que tudo seja esclarecido, mas o fato pode servir de alerta para todos
nós. Se notarmos o indício de um comportamento estranho em uma
de nossas creches, é bom averiguar o quanto antes para que não
aconteça o pior, para as crianças e para a Sociedade São
Vicente de Paulo.
QUANTAS VEZES PECAMOS POR DIA? - 14 Maio 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Sabemos que podemos pecar mental ou fisicamente. Podemos cometer pecados maiores
ou menores. Apenas lembrando, pecados Mortais são aquelas ações
ou omissões que cometemos deliberadamente ou com consciência de
que poderemos prejudicar uma pessoa. Pecados Veniais são aquelas faltas
leves, que cometemos por ações ou omissões, mas que não
foram feitas de propósito, ou que aconteceram em situações
extra-normais.
No entanto, todos os pecados ferem o coração de Jesus. Uns mais,
outros menos. Como apenas uma pessoa, Maria, não pecou, pois era Plena
de Graça, todos os demais viventes pecaram. Aliás, foi por causa
disso que Deus nos mandou Seu Filho único. Para Salvar a humanidade.
Sem Ele seria impossível a salvação, a não ser que
Deus quisesse fazer de maneira diferente.
Quantas vezes cada um de nós peca por dia? Certamente, mais de uma vez,
pois deixamos de amar o nosso próximo por qualquer coisinha. Mas fico
pensando: já imaginaram, e olhando apenas o número dos cristãos
que soma 2,1 bilhões de pessoas, quantos pecados são cometidos
por dia? Se levarmos em consideração a possibilidade média
de 2 pecados por dia, numa estimativa bondosa, o número de pecados seria
de 4,2 bilhões em 24 horas.
Imaginemos, agora, o coração de Jesus ferido diariamente. Se multiplicarmos
o número de pessoas que já viveram desde a criação
do ser humano, o número de pecados fica inimaginável.
Por fim, imaginemos que cada pecado seja um espinho, maior ou menor, cravado
no coração de Jesus! Serão bilhões de feridas já
feitas naquele coração que só tem amor.
Como pode Deus ter tanta paciência conosco? Só pode ser pelo tanto
que ele nos ama. Mas não nos desesperemos, pois, é inesgotável
a misericórdia de Deus, já que Ele perdoa todos os pecadores que
se arrependem de fato!
Num último questionamento, pergunto: quantos espinhos estão no
coração de Jesus que foram cravados por mim? E quantos estão
lá que foram cravados por você?
Temos razão de temer o encontro final com Deus.
MÃES NA SSVP - 8 Maio 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
DIA DAS MÃES! Nada mais errado do que esse título. Sei que foi
uma forma sintética que o comércio arranjou para incrementar suas
vendas, mas que reflete outra impropriedade, pois TODO DIA É DIA DAS
MÃES!
A mulher que tem filhos vive suas emoções, alegrias e sofrimentos
diariamente. Pergunte a qualquer uma delas se existe um dia especial para reverenciá-la
e ela dirá que não. Se houvesse um concurso mundial para escolher
a melhor mãe, daria empate, pois todas elas são merecedoras do
título.
Alguém poderá dizer: “Mas, existem mães melhores
do que outras mães”. Eu não concordo. Cada uma tem o seu
valor. Pergunte a qualquer filho e ele dirá que a dele é a melhor
mãe do mundo. De fato, algumas mães se destacaram, mas não
foram melhores do que as outras.
Na SSVP temos também mães especiais, merecedoras de toda reverência.
Não falo das consocias; e sim, das assistidas. Coloque-se no lugar de
uma delas e verá o seu mundo quase desabar. É um filho passando
necessidade de remédios, é o filho sem instrução
escolar, é outro sem emprego, ainda outro que bebe, que briga, que está
preso. É a filha grávida de não se sabe de quem. É
a espera da ajuda semanal, tão importante para o sustento de sua família...
E a esperança dela quase se esvai. Dona Maria é uma dessas mães.
Abandonada pelo marido, que levou a filha mais velha e a vendeu, tornou-se dependente
da bebida e quase não podia cuidar dos outros seis filhos e filhas, três
notadamente deficientes mentais. O desvelo com que tentava cuidar da filha caçula,
a mais atingida pela síndrome de Down, era de chamar atenção.
A menina não andava, não falava e vivia sob o peso de remédios
fortíssimos.
E dona Maria nunca desanimou. Ela sofreu um acidente, atropelada que foi quando
estava embriagada em uma avenida, ficou muitos dias entre a vida e a morte.
Conseguiu se safar dessa. Mudou de religião, se é que tinha alguma
antes, e parou de beber. Continuou na luta, mas pouco conseguia. Duas de suas
filhas saíram de casa e o fruto de uma delas mora agora com a avó.
Tempos depois a menina que tanto sofria, morreu. E como a dona Maria sentiu.
O que poderia parecer para ela um descanso, foi ainda motivo de muita tristeza.
Agora, passado algum tempo, dona Maria parece ter superado a perda; mas, a sua
luta continua. Conseguiu uma aposentadoria que vai ajudá-la a sobreviver,
mas analfabeta como é, precisa de bastante ajuda da Conferência.
E, não é que alguém chegou a falar em tirá-la da
casa em que a colocamos para morar, por achar que ela já não precisa
de ajuda? Só não conseguiu porque a casa foi construída
de mutirão por outras consócias e outros confrades e confrades
que não deixam que isso aconteça.
Serve este artigo para mandar um recado para todas as mães vicentinas
ou assistidas: Cada uma de vocês tem um lugar especial no coração
de Deus.
FICAR DE JOELHOS – 1 Maio 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Provavelmente você já se viu em uma situação semelhante,
isto é, estar no meio de muitas pessoas e se envergonhar de ter que praticar
um gesto que ache estranho ou até mesmo ridículo, no seu entender.
Vou dar um exemplo: você está assistindo um jogo de futebol e o
juiz erra contra o seu time. Sem pensar você solta um daqueles palavrões
e depois fica olhando com cara de bobo para as pessoas que estão por
perto e que te olham admirados. Outro exemplo: você é emotivo e
está assistindo um filme que tem uma cena tocante. Pode ser no cinema
ou no sofá da sua sala. Se outras pessoas notam seus olhos marejados
de lágrimas e perguntam se você está chorando, aposto que
prendes o nó na garganta e diz que não.
O vicentino não deve se envergonhar de fazer campanhas para a sua Conferência.
Se tiver que ir de casa em casa para fazer a arrecadação mensal,
que o faça sem respeito humano. Se tiver que vender uma rifa, que o faça
também. Não deve se envergonhar de participar de procissões,
de entrar na fila (se tiver) para fazer sua confissão e, principalmente,
de visitar seu assistido.
Tem pessoas que se sentem envergonhadas de fazer um Sinal da Cruz quando passam
perto de uma igreja. E se o fazem, olham ao redor para se certificar que ninguém
viu. Envergonham-se de rezar em alta voz, mesmo que outras pessoas que estejam
por perto o façam. Estou dizendo isto porque vejo, na igreja, pessoas
que não se ajoelham nos momentos nos quais deveríamos reverenciar
Jesus.
A Consagração é um desses momentos. Aliás, o principal.
Tem pessoas que acham que ajoelhar é humilhante e se desculpam dizendo
que Deus não quer isso. Ajoelhamos não porque Deus exige, mas
porque sabemos da dignidade do momento e do personagem ao qual o ato representa.
Mas, gostaria de colocar para os que pensam e agem assim, que sentem vergonha,
uma determinada situação. Imaginemos que uma pessoa esteja em
uma rua muito movimentada e que ela pare em uma banca para comprar um jornal
ou uma revista. Ao retirar o dinheiro da carteira, por um descuido ou por um
movimento mais brusco deixa cair uma cédula de cem reais. Por um desses
acasos do destino, um pequeno vento toca a nota para debaixo da banca. Duvido
que qualquer um não vá se ajoelhar para tentar recuperar o dinheiro,
não se importando com as muitas pessoas que estejam olhando.
Quem vale mais? Jesus ou uma cédula de cem reais? Qual seria o nosso
procedimento diante de uma situação dessas? Será que com
vergonha de ajoelhar diante de outras pessoas deixaríamos
a nota se perder? Duvido.
ACREDITO NA DOUTRINA DA IGREJA QUE FREQUENTO – 23 abril 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Numa época em que muitos leigos procuram derrubar a toda força
o culto da fé, e onde vemos a Igreja Católica, em especial, ser
agredida em reportagens nem sempre imparciais e, muitas vezes, caluniosas, volto
meus olhos para as outras igrejas. Embora eu saiba que a Igreja Católica
é a única fundada por Jesus, acredito que em outras igrejas também
haja pessoas sérias, com bons propósitos e trabalhando muito pelo
que acreditam. Não têm elas culpa de que sua igreja possa ter sido
fundada para satisfazer interesses e ambições pessoais.
Um aspecto que deveria ser bem distinguido no caso da Igreja Católica
é o fato de que sua Doutrina é Santa. Claro que dentro dessa mesma
Igreja Santa há pessoas nem sempre tão santas assim como, aliás,
há em todas as outras denominações religiosas. Sei, pelas
reportagens publicadas, que existem nessas igrejas pecadores tão ou até
maiores do que na Igreja Católica. Quem não viu dois vídeos
onde o fundador e um pastor de uma outra igreja ensinam aos seus pastores como
arrecadar cada vez mais dinheiro dos seus fiéis? Chega a ser chocante.
Muitas pessoas não leram a publicação de um caso de um
pastor que, além de cometer pedofilia, ainda assassinou um jovem de quinze
anos, queimando-o dentro de uma caixa, tendo as mãos amarradas, impossibilitando-o
de qualquer defesa.
E há outros tantos por aí... Interessante, ou preocupante, é
que não se houve falar desses casos. Parece que grande parte da mídia
está de acordo em manter o silêncio... Fuga do país, lavagem
de dinheiro, dólares não declarados em viagens internacionais,
condenações e prisões no exterior, contrabando de armas
para abastecer traficantes, são casos pouco divulgados.
Ah! Se eles acontecessem na Igreja Católica... Uma coisa que não
entendo é como os fiéis de outras igrejas conseguem defender ou
achar desculpas para tais casos. Na Igreja Católica alguns padres fizeram
coisas erradas, cometeram crimes, mas não vejo nenhum católico
defender tais procedimentos, o que está certo. No máximo, o que
fazem é defender a Doutrina, esta sim, inatacável. Em uma sociedade
onde o lucro e o TER se sobrepõem ao espiritual, onde a pessoa se diz
fiel sincero, mesmo descoberto em crimes que praticou, dá para deixar
qualquer um preocupado. Veja o caso dos políticos eleitos... Muitos deles
são de igrejas que não a Católica... Não podemos
negar: em todas as religiões existem pessoas, consagradas ou leigas,
que fazem da sua vocação, profissão.
Mas, olhemos o lado positivo das religiões. Quantos e quantos bispos,
padres, religiosos e religiosos, pastores evangélicos, missionários
e missionárias de várias religiões estão trabalhando
em países distantes, ou até mesmo no Brasil, em lugares inóspitos,
sujeitos a todo tipo de privações e riscos de saúde e até
de vida, tudo feito pelo amor que têm a Deus!
Mas vai chegar o dia em que cada um de nós terá que prestar contas
do que fez aqui na terra. E os que não acreditam que isto vá ocorrer
talvez tenham uma surpresa nada agradável
ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO – 16 abril 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Nós costumamos criticar o assistido por fazer coisas que fazemos e por
ter o que temos. Criticamos por ele ter o vício de fumar; mas, muitos
de nós também temos esse vício. Costumamos criticar o assistido
por ele criar um cachorro em casa quando nós temos, às vezes,
até mais de um em nossa casa.
Não nos interessa saber se é cachorro de estimação
de alguma criança ou mesmo de algum adulto. Só sabemos que é
mais uma despesa para a Conferência. Não deixa de ser verdade;
mas, a maioria de nós possuímos também animais de estimação.
E não achamos que o que gastamos com eles seja um desperdício.
Há muitas histórias envolvendo cães, considerado o melhor
amigo do homem e um dos mais fiéis. Na televisão e nos jornais,
de vez em quando, vemos notícias contraditórias sobre eles. Umas
falam de animais que atacaram adultos ou até crianças. Outras
nos relatam atos heróicos dos cães que salvaram alguém,
correndo o risco até de morte.
E vocês devem conhecer alguns bem interessantes. Sabemos de casos de cães
que eram alegres e brincalhões e que se entristeceram quando sentiram
que os seus donos haviam morrido. Cada caso é um caso. Na minha família,
para ficar só no exemplo de casa, sempre tivemos animais de estimação.
Meus filhos e meus netos os têm. Eu, por exemplo, quando ainda solteiro,
tinha uma maritaca que sabia a hora que eu ia chegar para almoçar e descia
do seu poleiro e andava até a porta por onde eu iria entrar. Ela associava
minha chegada ao apito de uma fábrica que havia perto da minha casa e
que soava avisando o horário do almoço. Eu a pegava colocava-a
no ombro e ela só descia quando eu voltava ao trabalho. Um insano a matou,
sem mais nem menos. Imaginem a minha tristeza.
Tivemos em nossa casa inúmeros cães e cadelas; mas, quero contar
o caso de apenas uma. Inicialmente os cães eram cachorros perdigueiros,
isto é, que sabiam caçar perdizes. Isto foi há muito e
muito tempo. Essa, a qual me refiro, era chamada de Diana, uma cadela perdigueira,
talvez a melhor que o meu pai já tivera e a qual ele tratava como se
fosse alguém da família. Lembro-me de três fatos acontecidos
que a envolveram. No primeiro, meu pai estava caçando com alguns amigos
e ele e a Diana deles se afastaram. Passado algum tempo, os amigos estranharam
a demora da sua volta e ouviram o latido estridente e contínuo da Diana.
Correram seguindo a direção de onde vinham os latidos e acharam
meu pai caído. Ele tinha sofrido um princípio de enfarte. Levaram-no
apressadamente par a camionete e depois para o hospital. Foi o tempo suficiente
para salvá-lo.
De outra feita, estava o mesmo grupo de amigos caçando em outro município,
bem longe de onde moravam. Por circunstâncias que ninguém sabe,
a Diana se perdeu no meio dos grotões. Todos a procuraram, mas não
a acharam e nem ouviram os seus latidos. Depois de muitas horas de procura em
campos e grotões vasculhados, resolveram ir embora, contra a vontade
do meu pai. Foi a primeira vez que vimos lágrimas nos olhos dele por
causa da Diana. Uma semanas depois, eis que a Diana aparece em nossa casa, magérrima,
toda ferida, sedenta, mas balançando o rabo de alegria de rever a sua
gente. Foi a segunda vez que vimos lágrimas nos olhos do meu pai, por
causa daquela cadela de estimação.
A Diana era de uma docilidade difícil de acreditar que existisse. Eu,
irmão do meio, e mais seis meninos e meninas “pintávamos
e bordávamos” com ela. Ela era o “cavalinho” dos irmãos
menores. Os maiores brincavam de lutar com ela, rolando no chão do quintal.
Um dia ela teve uma briga com um cachorro que apareceu lá pelas bandas
da nossa casa. E ela for mordida. Onde morávamos não havia vacinas
de prevenção contra a raiva. Passados alguns dias ela começou
a ficar estranha, rosnava por qualquer coisa, negava-se a beber água.
Começou a babar. Meu pai não teve dúvidas de que ela estivesse
hidrófoba e tentou de tudo para tratar dela, mas não houve jeito.
Ele, então, teve que tomar a decisão que acho ter sido a mais
dolorosa da vida dele. Levou-a para bem longe da nossa casa e a matou com um
tiro de espingarda. Ele não aquentava vê-la sofrer tanto. Foi a
terceira vez que vimos meu pai chorar.
De uma coisa tenho certeza: o animal que é amigo é amigo de fato.
Quem dera que todos os racionais fossem assim também. Da próxima
vez que você for visitar o seu assistido, não implique com os animais
que lá encontrar, pois podem ser a maritaca ou a Diana que o faz feliz.
E, quem sabe, a única alegria que ele tenha seja seu animal de estimação!
Teremos direito de negar isso a ele?
OBRAS DE MISERICÓRDIA - 9 Abril 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Jesus pediu a Santa Faustina Kowalska que propagasse a Festa da Divina Misericórdia
e que tal festa deveria ser realizada no segundo domingo depois da Páscoa.
Para quem não sabe ou não se lembra, Jesus prometeu que quem se
confessasse e comungasse naquela celebração, não se perderia;
pois, Ele iria distribuir uma imensidão de graças e na hora da
morte a pessoa encontraria n’Ele o refúgio necessário para
tão terrível momento. E Jesus completou: “É a minha
última tábua de salvação dada à humanidade”.
Sei que Ozanam se inspirou nos ensinamentos de Jesus para fundar a Sociedade
de São Vicente de Paulo. E Jesus foi quem melhor praticou as Obras de
Misericórdia. Melhor modelo Ozanam não poderia ter.
Se nos lembrarmos das Obras de Misericórdia, tanto as Corporais quanto
as Espirituais, veremos que elas devem fazer parte do cotidiano do vicentino.
O vicentino é chamado para praticar as Obras de Misericórdia Corporais:
“Dar de comer a quem tem fome; Dar de beber a quem tem sede; Vestir os
nus; Dar pousada aos peregrinos; Assistir aos enfermos; Visitar os presos; Enterrar
os mortos”.
E também praticar as Obras de Misericórdia Espirituais: “Dar
bons conselhos; Ensinar os ignorantes; Corrigir os que erram; Consolar os tristes;
Perdoar as injúrias; Sofrer com paciência as fraquezas do nosso
próximo; Rogar a Deus pelos vivos e defuntos”.
Cada confrade e cada consócia deveriam, na reunião semanal da
sua Conferência, fazer um exame de consciência para ver se durante
a semana praticaram todas as obras de Misericórdia. Se dermos uma parada
agora e meditarmos sobre as sete Obras de Caridade Corporais e as Sete Obras
de Caridade Espirituais, poderemos dizer que as estamos praticando?
É interessante notar que Deus dá a todas as pessoas a oportunidade
de praticá-las quando coloca em nosso caminho a nossa família,
nossos amigos, nossos conhecidos; e aos vicentinos, em especial, Ele ainda dá
os assistidos para que possamos praticar tais virtudes. Cabe um exame de consciência
sério. Se conseguirmos praticar algumas dessas Obras, estaremos no caminho
certo; mas, se praticarmos todas elas, estaremos no caminho da santidade. E
é isso que Deus quer de cada um de nós.
LEMBRANÇAS DA PAIXÃO DE JESUS – 2 Abril 2010
Texto: Aluizio da Mata
Bem dizem que as primeiras imagens ficam gravadas no coração
do ser humano.
Eu tenho, depois de 70 anos, lembranças nítidas das coisas que
me aconteceram quando eu era criança. Lembro-me, perfeitamente, de muitas
delas. Até de uma surra, merecida, que eu e meu irmão tomamos
do nosso pai. Mas, a maioria das lembranças são boas, principalmente
aquelas que se ligam à inocência própria das crianças
e as ligadas às coisas da religião.
Lembro-me de uma vez que tive varíola. Ela foi tão violenta que
todo o meu corpo se tornou quase uma bolha cheia de um líquido que, se
esparramado, criava novas bolhas. Não se podia tocar em nenhuma parte
do meu corpo. Era dolorido demais. Meu sofrimento era muito grande. Minha mãe,
para aliviar um pouco as dores, já que a pele ficava presa aos lençóis,
além das suas orações, me enrolava em folhas novas de bananeira.
Era um alívio, pois não havia remédios para passar no corpo,
e se havia, lá na cidadezinha não tinha.
Passei muitos dias sofrendo assim. Lembro-me que em um deles no qual, especialmente,
eu sofria muito, vi, logo após meus pés, a imagem, como em um
quadro, Jesus mostrando seu coração com uma das mãos. Era
como se Ele me consolasse do sofrimento que estava passando, dizendo que Ele
sofrera muito mais. Às poucas pessoas que contei o fato, especialmente
minha mãe, acreditaram em mim. Sei que alguém poderá estar
pensando: ele estava era delirando de tanto sofrimento ou estava lembrando-se
de algum quadro que vira antes. Mas, eu digo que não, pois se fosse assim
eu o teria visto mais vezes durante todos aqueles dias em que sofri tanto, e
por ter chamado logo minha mãe para lhe contar o fato, dizendo: - “Vi
Jesus aqui”. Posso afirmar que Jesus veio me consolar, pois naquela época
eu era uma inocente criança de cinco anos.
Daquela época são, também, muitas imagens que tenho da
Semana Santa. Na minha cidade, a representação da Paixão
era ao vivo e aquilo comovia demais. As procissões, as cenas do julgamento,
a Via Dolorosa, o canto da Verônica, a condenação, a crucifixão,
a descida da Cruz, a procissão do enterro...
Hoje, pensando na Semana Santa, posso imaginar os grandes sofrimentos pelos
quais Jesus passou. Creio que a maioria das pessoas assiste as cerimônias
litúrgicas da Paixão, não se aprofundam nas Suas dores.
Não há como não quantificar os tormentos físicos
e espirituais pelos quais Jesus passou. Aqueles sofrimentos devem ter sido ainda
muito maiores levando-se em consideração que Ele sabia o que iria
passar. Ele sofreu tanto por antecipação que até suou sangue
quando orava afastado de todos. Sentir o desprezo dos homens, das mentiras no
julgamento irregular, a ingratidão do povo a quem Ele só fez o
bem, o tormento físico das chibatadas, a humilhação das
cusparadas, a sátira odiosa da coroação de espinhos, as
quedas dolorosas no caminho do Calvário, os cravos em suas mãos
e seus pés, e ainda a tristeza de ver o sofrimento de Maria e dos seus
verdadeiros amigos...
Quem dera que eu voltasse a ter a inocência de uma criança, sentir
de verdade os sofrimentos de Jesus para, pelo menos, ajudá-Lo a completar
o que falta para a salvação de todos nós. Jesus não
pode ter sofrido tanto, morrido e ressuscitado para um pequeno número
de almas. Ele veio para salvar todas. Somente quem não quiser ser salvo,
somente quem não acreditar na infinita Misericórdia de Deus não
se salvará; mas, é preciso que cada um de nós faça
pelo menos o mínimo para merecê-la.
O primeiro domingo depois da Páscoa é o dia escolhido por Deus
para que seja celebrada a Festa da Sua Divina Misericórdia. À
Santa Faustina Jesus prometeu que quem fizesse uma Confissão e comungasse
naquele dia terá a garantia de não se perder. Disse Ele a Irmã
Faustina que a Sua infinita Misericórdia é especial para os maiores
pecadores. Isto é um grande consolo. É uma garantia que não
podemos duvidar e nem perder a chance.
TERÇO DA DIVINA MISERICÓRDIA
Reza-se o Pai Nosso, a Ave Maria e o Credo.
Depois, em cinco mistérios reza-se:
Eterno Pai, eu vos ofereço o Corpo e o Sangue de vosso diletíssimo
Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados
e dos do mundo inteiro.
E dez vezes: Pela Sua dolorosa Paixão, tenha misericórdia, de
nós e do mundo inteiro.
Após a recitação dos cinco mistérios, reza-se: Deus
Santo, Deus forte, Deus Fiel, tenha misericórdia de nós e do mundo
inteiro.
VALORIZAR O SACRAMENTO DA CONFISSÃO – 28 Março
2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Existem alguns ditados que nos dão idéia do que quero falar.
Um deles é: “Nem tanto à terra, nem tanto ao mar”.
Ele quer dizer que ser extremo não é bom.
Fico pensando sobre esse aspecto com o que está acontecendo com o Sacramento
da Confissão. Antigamente era costume de o católico fazer sua
confissão várias vezes por ano. A própria Igreja nos alertava
dessa necessidade e dessa graça dada por Deus. Os padres, às vezes,
eram até bem duros ao pregarem sobre o assunto. Constantemente a gente
ouvia nas pregações falarem sobre os pecados e da necessidade
de confessá-los. Nossa consciência ficava alertada pelos sermões,
como era chamada a atual homilia que ouvíamos.
As filas dos confessionários estavam sempre com bastante gente à
espera do perdão de Deus. Os padres passavam horas e horas nessa missão
santificadora, tal era o sacrifício que faziam.
Hoje tudo mudou.
Dificilmente a gente ouve nas pregações o sacerdote falar sobre
pecado ou sobre a necessidade da Confissão. Parece que os padres têm
uma orientação sobre isto, pois todos, ou quase todos, agem assim.
Somente por ocasião da Páscoa costumamos ver fila diante do confessionário,
assim mesmo não tão grandes como antigamente.
Nos quadros de avisos das igrejas vemos muitos avisos, muitos programas de festas,
mas não vemos neles a informação dos dias e horas que o
fiel poderá fazer a sua confissão. Em alguns lugares agenda-se
a confissão na secretaria da paróquia.
E o leigo parece gostar do que vê, pois ninguém fala sobre o assunto.
Até os vicentinos estão nessa. Faça uma pesquisa em sua
Conferência e veja se tenho ou não razão!
Aliado ao silêncio dos padres, a própria consciência das
pessoas está amortecida pelos costumes e ensinamentos impostos pela mídia.
Nada mais é pecado. Tudo é permitido. O que antes era pecado,
hoje é natural, é moda. Para citar apenas dois aspectos, vejam
o que se pensa hoje sobre a virgindade e a castidade. Quem é virgem,
quem é casto, é motivo de chacota entre os amigos e colegas. A
pressão sobre os que ainda são virgens e castos é muito
grande. E a Igreja pouco vem em socorro deles. Os próprios pais têm
facilitado para que os filhos deixem de sê-los. “Ficar” com
mais de um e dormir juntos na época do namoro são coisas comuns.
Troca-se de par com muita facilidade. É como se fosse trocar de camisa
ou de vestido. E ninguém mais liga se ontem seu par atual dormiu com
outra pessoa.
O outro aspecto é se achar que o que vale hoje é “levar
vantagem em tudo”. Não interessam os meios utilizados. Se trouxer
vantagem financeira, tudo pode ser feito, tudo é permitido.
E tem gente, vendo nos noticiários a impunidade de quem é corrupto,
fica até com um pouco de inveja por não ser ela quem está
levando vantagem.
Infelizmente, a televisão é mais ouvida e seguida do que as homilias.
Aliás, poucos vão à igreja ouvir as homilias, enquanto
a audiência aos programas, novelas e filmes deseducadores aumentou em
proporção infinitamente maior.
A Igreja não consegue chegar até àqueles que não
a frequentam. E mesmo aqueles que a frequentam, quando alertados sobre algo
errado, costumam achar que “não é bem assim”.
Talvez a Igreja não precise ser tão enfática como era antigamente,
mas não pode achar que nada deve ser dito.
Tenho a certeza de que alguns que estão lendo este artigo estão
pensando que estou fora do tempo. Que hoje tudo é diferente. Que o tempo
mudou.
Será mesmo?
Deus não mudou com o passar dos tempos e com a modificação
dos costumes. O que era pecado para Ele, continua sendo.
Por isso a Igreja precisa descobrir um meio de o ser humano valorizar o Sacramento
da Confissão.
Já imaginaram se Deus, através de Jesus, não tivesse instituído
a Confissão?
Quem se salvaria?
Mas, o não utilizar deste instrumento de salvação é
perder uma oportunidade que pode não aparecer novamente.
Embora Deus seja misericordioso, Ele nos deu o instrumento para obter o seu
perdão.
Usá-lo ou não é uma decisão nossa.
Aí, poderá não haverá mais tempo de voltar atrás.
E não adiantará se lamentar.
SÓ TEMOS UMA PÁLIDA IDÉIA – 21 Março
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Passamos o ano todo sem meditar nos sofrimentos pelos quais Jesus passou na
Semana da Paixão. Temos tantas coisas para pensar que nos esquecemos
do principal.
Padre Zezinho, em uma de suas meditações, diz que não pensamos
naqueles sofrimentos porque eles estão longe demais. Ele quis dizer que
valorizamos mais os nossos sofrimentos do que os de Jesus, porque sentimos no
nosso corpo, no nosso espírito e na nossa alma as angústias presentes,
enquanto tudo o que Jesus passou aconteceu há dois mil anos e deles só
temos uma pálida idéia.
Costumamos participar das cerimônias da Semana Santa, nos comovemos com
as homilias bem feitas, com as representações ao vivo da Paixão
de Cristo e até com os filmes que as televisões costumam repetir
todos os anos. Mas, passados alguns momentos, já estamos vivendo o presente
e o presente não inclui os sofrimentos de Jesus.
Interessante é que, depois da morte de Jesus, muitos dos seus seguidores
receberam o martírio. Até hoje tais martírios ainda acontecem,
talvez não com a crucifixão dos evangelizadores, mas de outras
e inúmeras formas. Muitos dos que têm a coragem de anunciar os
ensinamentos de Jesus são motivos de desprezo, outros são perseguidos
e até são presos. Estou falando dos verdadeiros missionários,
dos verdadeiros evangelizadores, aqueles que deixam tudo para trás: família,
amigos, às vezes, pátria. Vão para regiões inóspitas,
passam privações de todos os tipos, arriscam tudo.
Tive um amigo padre. Ele era irlandês, mas viveu a maior parte de sua
juventude na Holanda e se considerava holandês. Lá viveu os terrores
de uma guerra mundial, sofrendo horrores. Depois entrou para o seminário,
foi ordenado e enviado para o Brasil. Seu primeiro ponto foi a Amazônia.
Passou todo tipo de dificuldade, desde o aprendizado da língua portuguesa
e de línguas de índios, pois além de cuidar do povo de
uma cidade bem no interior da floresta, até o sentimento de completo
abandono. Seu trabalho missionário incluía viajar dias e dias
de canoa para chegar às aldeias indígenas. Ele contava que por
muitos e muitos dias sua alimentação era à base de peixe
e farinha. Contraiu muitas moléstias transmitidas pelos mosquitos. Em
duas palavras: sofreu muito!
Muitos anos depois foi substituído e veio para Minas Gerais. Aqui ficou
por mais de 20 anos em cidades pequenas que nem podiam dar a ele o mínimo
de conforto. Não fosse a ajuda que recebia do governo holandês,
passaria muita falta. Quando tinha lá seus 75 ou 80 anos voltou para
a Holanda, onde morreu poucos anos depois.
Considero esse tipo de apostolado como um verdadeiro martírio incruento.
Assim como ele, muitos outros passaram por situações semelhantes.
Para não citar muitos, lembro o Padre Damião Veuster, o chamado
Anjo de Molokai, que foi para o Havaí. Trabalhou por muitos anos entre
os leprosos segregados para ilha de Molokai. Depois foi vítima da mesma
enfermidade.
Estamos às vésperas da Semana Santa. Ocasião propícia
para meditarmos sobre os sofrimentos de Jesus. Mas não basta meditar.
É preciso sentir, pelo menos um pouco, o que Ele sentiu. Aí, sim,
talvez possamos dar um pouco mais de valor ao sofrimento que Ele passou para
apagar os nossos pecados. Se pensarmos que cada chibatada, que cada espinho
enfiado em Sua cabeça, que cada cravo fincado em suas mãos e seus
pés, que a lançada que levou no lado direito foram também
por nossa causa, mudaremos radicalmente da maneira que vivemos hoje.
Afinal, Ele deu o exemplo para ser seguido.
CORAÇÕES GENEROSOS – 12 Março 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata (aluziodamatassvp@gmail.com)
Existem pessoas que são generosas até nos sonhos que temos com
elas.
Adelina de Souza é uma delas. Ela é consócia e milita na
Sociedade de São Vicente de Paulo há muito tempo. É uma
dessas pessoas incansáveis. Está pronta para tudo. E melhor: serve
de exemplo até em sonhos.
Ontem estava divagando sobre que assunto iria escrever no meu artigo semanal
para o Grupo “midiavicentina” e não tinha atinado com nada.
Fui dormir.
À noite, sonhei que estava passando em uma rua e coincidentemente passei
em frente da casa dela.
Eu estava com uma lista de arrecadação de donativos para a minha
Conferência na mão e ela me viu e me parou. Depois de me cumprimentar,
disse: “Acho que ainda não contribuí para a sua campanha.”
E retirou algum dinheiro de dentro da bolsa e passou-o para mim. Interessante
que ela já havia contribuído anteriormente para a mesma campanha,
mas o tinha feito através de outro confrade.
Peguei o dinheiro e ela se foi, nem esperando que eu fizesse a contagem do valor
para registrá-lo na lista. Eram mais de R$ 60,00.
Enquanto eu estava parado para fazer a anotação do nome dela e
o valor doado, notei que outra moça estava parada em frente da casa da
Adelina, prestando atenção em tudo que ocorria. Depois que fiz
a anotação e já ia embora, a tal moça se dirigiu
a mim e me disse: “Quero contribuir também”. Ela nem sabia
qual era a campanha, mas teve confiança de que era coisa séria,
já que viu o gesto da Adelina. Enquanto tirava o dinheiro da bolsa, foi
dizendo: “Fizemos uma campanha para o Hospital Nossa Senhora das Graças
e muita gente contribuiu”.
Eu me lembrava da tal campanha, pois tinha dela participado. Esse hospital fica
perto de onde eu morava e todos os anos havia uma semana de barraquinhas em
uma rua próxima. Eu e minha esposa Geralda Assis, que também é
vicentina e já foi voluntária no mesmo hospital, sempre participávamos
das barraquinhas que funcionavam após a celebração da Santa
Missa. Quase todas as noites estávamos lá, mais ela do que eu.
Essas barraquinhas são ainda realizadas pelas voluntárias do hospital,
para arrecadar fundos para a compra de materiais necessários, principalmente
para a pediatria. Esse hospital sempre ajudou a SSVP, recebendo os nossos assistidos
sem nada cobrar.
A moça me entregou o dinheiro e, no sonho, eu não sabia nem o
seu nome. Interessante que ela era uma pessoa que eu conhecia de vista nas vezes
que visitava o hospital. Ela era uma das voluntárias.
Era de madrugada e acordei logo após o sonho. Imediatamente me lembrei
do artigo que estava por escrever. Como costumo esquecer do conteúdo
dos sonhos que tenho se voltar a dormir novamente, resolvi me levantar e aqui
estou eu para registrá-lo.
A motivo de querer fazer o registro não é para dizer que trabalho
em campanhas vicentinas, mas para mostrar que existem pessoas que possuem bom
coração. A Adelina e a Geralda são algumas delas. E a outra
moça também. Embora não esperasse receber aqueles donativos
não fiquei surpreso, pois todas duas eram ligadas ao trabalho de fazer
caridade aos necessitados.
Assim como as duas pessoas do meu sonho, muitas outras existem. Conheço
inúmeras e nem seria possível enumerá-las. O fato de narrar
o sonho e citar as envolvidas não é para endeusar a Adelina e
a Geralda, mas para que sirva de exemplo para outras pessoas e para prestar,
também, uma homenagem à mulher de uma maneira geral e em especial
às consocias vicentinas e voluntárias em qualquer tipo de assistência
social.
Elas têm o coração generoso, não por causa do dinheiro
que dão, mas por causa da militância em lugares e instituições
que precisam da ajuda pessoal e nas quais podem praticar a verdadeira caridade.
É quase certo que você que está lendo esse artigo também
tenha o coração generoso e até possa fazer parte de algum
trabalho caritativo. Se não for, pense em quanto você poderá
ajudar, não pelo dinheiro que possa doar, mas muito mais pela sua presença,
pelo seu gesto que servirá para minorar a dor dos que sofrem e, de quebra,
ser exemplo para que outras pessoas façam o mesmo.
A decisão é sua, o agradecimento é de Deus através
dos necessitados.
LEMBRETE AO VICENTINO AFASTADO – 6 Março 2010
Cfd. Aluizio da Mata
Desculpe meu caro irmão e minha cara irmã, se começo este
lembrete te dizendo que quando você quis ser proclamado Vicentino, você
assumiu alguns compromissos; e dentre eles, os dois principais: visitar semanalmente
a família assistida e participar da reunião da sua Conferência.
A proclamação é a aceitação dos compromissos
que devem ser cumpridos, não por ser uma obrigação, mas
por ser a maneira correta de agir do bom vicentino.
Você parou de frequentar a Conferência e não importam os
motivos que têm feito você faltar com seu compromisso. Nada é
mais importante do que cumprir o prometido.
Penso que você deve ser cheio de outras coisas para fazer, deve ter muitos
convites para aceitar; mas, você só deveria aceitar outros compromissos
que não coincidam com o dia e o horário da reunião da sua
Conferência.
Você poderá dizer que está sem tempo para nada, mas com
toda sinceridade, não acredito nisso.
O que ocorreu é que você elegeu outras prioridades. Passou a atender
os apelos do mundo, deixando de lado alguns dos apelos de Deus. Duas horas com
os amigos, ou mesmo em casa não fazendo nada, passaram a ser mais importantes
dos que vivê-las com os pobres que são pessoas cheias de problemas,
mas que esperam dos Vicentinos uma ajuda semanal.
Você poderá dizer, ainda, que o que o afastou foi não concordar
com a opinião ou a maneira de falar de algum membro da Conferência;
mas, nem isto é motivo suficiente para o seu afastamento. Mesmo que você
não concordasse, cada um tem o direito de opinar. E se a decisão
da maioria foi contrária à sua opinião, deveria aceitá-la.
Mas vamos olhar por outro lado, isto é, a consequência da sua decisão.
Você se lembra de como a família visitada ficava alegre com a sua
chegada? Você se lembra de como se sentia feliz por saber que estava sendo
útil a quem não tem a quem se socorrer? Não havia nem sol
nem chuva que te impedisse de visitar quem te esperava com muita esperança
e certeza de que a ajuda não faltaria? Você se lembra de quantas
vezes saía da casa do assistido com a sensação de que Deus
o abençoava por ter socorrido um irmão sofredor? Talvez, você
nem tenha pensado em quantas vezes Deus recebeu orações feitas
pelo pobre em seu favor...
Quando a nossa Conferência não se reúne por falta de número,
ou se reúne com tão poucos membros que as tarefas que seriam suas
são distribuídas a quem já tem suas próprias tarefas,
lhe lembro de como seria bom você estar ali conosco.
Você ainda pode alegar que continua a fazer caridade, mesmo fora da Conferência;
mas, é bom se lembrar que a caridade feita em comum com outras pessoas
é o que Jesus pediu, quando disse que “onde dois ou três
estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles”.
Pense que do tempo que Deus lhe deu, o que você usava para fazer o trabalho
vicentino era muito pouco. Na verdade eram apenas duas horas semanais das cento
e sessenta e oito que Deus lhe concedia. Pense em como você utilizava
todo o tempo lhe dado por Deus e veja que o que você usava para fazer
o que pediu Ozanam era um quase nada. Era um quase nada que valia imensamente
para o assistido.
Por fim, lhe peço: pense que com sua atitude você estará
dando em exemplo negativo aos demais membros da SSVP, pois, se você que
é tão necessário e a está abandonando, o que pensarão
os demais membros proclamados e os estagiários? Sua atitude poderá
estar determinando o fechamento de mais uma Conferência. E se tal acontecer,
alguma família poderá deixar de ser socorrida. É uma responsabilidade
muito grande.
E o que é pior: você está deixando de lado uma das melhores
fontes de santificação. Afinal, Jesus falou: “O que fizerdes
ao menor dos meus irmãos é a Mim que o fareis”. E Ele estava
falando do bem e do mal.
Hoje, através deste lembrete, que espero que chegue às suas mãos,
convido-o a voltar à Conferência. A SSVP espera-o de braços
abertos! E Jesus também, na pessoa da família assistida!
BIBLIOTECA VICENTINA - 27 Fevereiro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata (aluiziodamatassvp@gmail.com)
Me lembro, com saudade, de uma Conferência Vicentina da qual participei.
Era a Conferência Sagrado Coração de Jesus, em Sete Lagoas
(MG). Lá também se reuniam outras Conferências do Conselho
Particular de Santa Luzia. Ao fundo da sala havia uma pequena estante onde alguns
livros de formação ficavam à disposição de
quem quisesse lê-los. Fazíamos uso constante deles.
Eram livros de vidas de santos, livros de contos vicentinos, livros de orientação
para o bom desempenho dos presidentes, confrades e consócias. Cito apenas
alguns: Deveres do Presidente, O Vicentino Prático,
Histórias Reais da SSVP, Contos Vicentinos, Manual
da SSVP (hoje Regra da SSVP), vida de alguns santos.
Falo dos lugares que conheço, pois por este Brasil afora devem existir
algumas pequenas bibliotecas; mas, nunca mais vi nenhuma biblioteca à
disposição dos vicentinos pelos lugares que passei.
Fico imaginando se em cada Conselho Particular, para centralizar um pouco, existisse
uma biblioteca onde os estagiários e os demais participantes das Conferências,
inclusive os assistidos, pudessem ler algo edificante. Além dos muitos
livros de vidas de santos que poderiam lá existir, seriam “obrigatórios”
os livros referentes à vida de cada santo ou santa que fosse padroeiro
das suas Conferências, revistas e jornais vicentinos.
Tenho minhas dúvidas, por exemplo, que os confrades e consócias
das Conferências chamadas de Santa Luzia, São Geraldo, Santo Antônio,
São Judas Tadeu, Santa Edwiges etc já leram alguma vez a vida
desses santos. Livros sobre os Sagrados Corações de Jesus e Maria,
sobre o Santíssimo Sacramento, sobre os Anjos Gabriel, Miguel e Rafael
duvido que existam em Conferências que têm seus nomes. Uma Bíblia
seria um exemplar que não poderia faltar.
Reclamamos da pouca espiritualidade atual dos vicentinos; mas, poucas são
as ofertas para que possam melhorar através de leituras. O brasileiro
não tem o hábito de ler, muito menos de comprar livros. Livros
religiosos, então, nem me falem...
Já imaginaram se em cada Conferência o privilegiado da semana tivesse
como tarefa, além de rezar o Terço, ler a vida de algum santo?
Os Conselhos Particulares poderiam, não, deveriam investir nesse campo.
Comprar alguns livros não os fariam passar por mais dificuldades, mesmo
por que seriam recompensados por Deus.
Antigamente tínhamos poucas opções de leituras; mas, hoje
em dia não podemos dizer o mesmo. Além dos inúmeros títulos
oferecidos pelas editoras católicas sobre assuntos de formação,
temos vários vicentinos editando suas obras. Livros dos Confrades Renato
Lima, Gesiel Júnior, do Padre Mizaél Donizetti, Paulo Labegalini
e muitos outros, são fontes riquíssimas de aprendizado e melhora
espiritual.
Além de comprar alguns livros, os Conselhos (e aí, talvez, o Conselho
Central) poderiam fazer campanhas nas paróquias em que atuam, com o auxílio
dos padres locais, para que os fiéis que tivessem livros guardados em
suas casas e que não são mais usados, o doassem para a SSVP. Poderia
se estabelecer uma data para doações, tipo “Dia do Vicentino”,
“Dia de São Vicente de Paulo”, “Dia do Livro”,
precedida por avisos durante várias semanas nas missas celebradas. Poder-se-ia
fazer a entrega colocando os livros em caixas na Igreja; mas, melhor seria que
fossem entregues na hora do Ofertório, levados até próximo
ao altar, onde vicentinos os receberiam...
A solicitação de doações pelas editoras não
fica descartada. Bastaria fazer um pedido a cada uma delas. Tenho certeza de
que alguns livros serão doados.
Enquanto outras igrejas “indicam” a seus fiéis ler seus livros,
a Igreja Católica nem sugere. A SSVP também não.
Cada paróquia deveria também ter uma biblioteca aberta ao público,
principalmente aos jovens pertencentes aos Grupos Paroquiais, aos participantes
das Pastorais e Catequeses.
Se a SSVP fizer uma pesquisa para ver quantos dos seus membros já leram
livros de vidas de santos, poderá ficar decepcionada. A Igreja católica
também ficará, se fizer a mesma coisa entre os seus fiéis.
Quem sabe o Conselho Nacional possa sugerir aos Conselhos Particulares que criem
suas bibliotecas. Quem sabe este artigo sirva para alavancar a idéia...
Que Deus ajude que sim!
SÃO INSONDÁVEIS OS DESÍGNIOS DE DEUS - 20 Fevereiro
2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
De vez em quando achamos que Deus deveria ter feito uma determinada coisa,
uma determinada situação diferente da que Ele fez. No meu caso,
eu achava que Deus, através de Jesus, deveria ter sido mais claro sobre
alguns pontos que são divergentes entre religiões. Vou citar apenas
alguns para efeito de explicação.
Nós católicos acreditamos que Maria, Mãe de Jesus, nasceu
imaculada (e Ela mesmo confirmou esta condição quando disse a
Santa Bernadete: “Eu sou a Imaculada Conceição”, e
que Ela permaneceu virgem depois de casada. Como outras confissões religiosas
não pensam assim, dizendo até que Ela teve vários filhos;
esse seria um dos pontos. O próprio texto bíblico fica assim confuso.
Está lá que Jesus foi alertado de que “sua Mãe e
seus irmãos estão lá fora querendo falar contigo”.
Sabemos que o termo “irmãos” era usado para designar 'parentes'.
Estranho é que algumas religiões que afirmam Jesus ter outros
irmãos, são as primeiras em que seus membros se tratam de “irmãos”
sem terem nenhum laço sanguíneo. Para elas os “irmãos”
de Jesus eram irmãos mesmo. Os de agora não o são mesmo,
sendo apenas uma forma carinhosa de tratamento. Dois pesos e duas medidas, isto
sim.
Nós achamos que Maria, por ter sido escolhida para ser Mãe do
Filho de Deus, nascendo pura, pura continuou assim por toda vida. Dos seres
humanos, Ela foi a única que não pecou e isto por uma razão
muito simples: Ela foi privilegiada antes de nascer, não pecou até
quando Jesus nasceu - pois não seria lógico que ela sendo plena
de graça fosse pecar e ser Mãe de Jesus. Também, depois
que Jesus nasceu ela não pecou, pois continuava plena de graça,
e como uma pecadora poderia ser a instrutora de Deus humanado? E assim Ela continuou
depois que Cristo morreu, pois ela foi santificada por Ele.
Diz outra religião que Maria pecou, pois Jesus veio pra salvar toda a
humanidade. Essa religião não leva em conta a condição
especial dela. Ainda sobre Maria poderíamos falar sobre ser Ela intercessora
junto a Jesus, como Ela o foi em Caná da Galiléia. Alguns dizem
que não precisam de intermediária. Se nós que somos pecadores
achamos que Jesus vai nos atender, imagine se Ele não o fará a
um pedido de Sua Mãe!
Outro ponto é sobre a ressurreição dos mortos. Uma religião
diz que cada pessoa nasce e morre muitas vezes até que seja totalmente
isenta de qualquer pecado. Para ela o sacrifício de Jesus não
deve ter valido nada, pois cada pessoa se salvaria a si mesma. Nós acreditamos
que cada pessoa nasce e morre apenas uma vez e que cada uma terá sua
recompensa, indo para o Céu ou não, de acordo com o que fizer
aqui na terra durante sua única vida.
Jesus teve oportunidades boas de deixar esses pontos claros. Uma delas foi quando
Ele perguntou aos discípulos: “quem dizem os homens que Eu sou?”
Sei que essa passagem foi para que se confirmasse a missão especial de
Pedro; mas, quando os discípulos falaram que diziam que Ele era Elias,
ou João Batista ou ainda um dos outros profetas, Jesus poderia ter dito:
“ninguém nasce ou morre duas vezes”. Mais um ponto: Jesus
e Madalena. Nós católicos entendemos que Jesus salvou Madalena
de uma vida pecaminosa e ela, por gratidão, passou a servi-Lo e aos apóstolos,
como outras mulheres também o fizeram. Outras religiões dizem
(e eu não sei sobre que fundamento bíblico) que Jesus vivia maritalmente
com ela e que até tiveram uma filha. Afirmação estranha,
pois Jesus nunca deu a mínima dica de que morava com ela e que com ela
tivera filha. Aliás, estranho também é que se assim fosse,
os evangelistas não tivessem mencionado o fato.
Jesus, pelo amor que dedicava a Madalena e a qualquer pecador arrependido, mostrava
o quanto gostava de pessoas assim, a ponto de fazê-los seus seguidores.
Esse artigo poderia ser transformado em um capítulo se eu fosse questionar
também por quê pessoas boas e até pessoas santas morrem
tão cedo, se aparentemente elas poderiam continuar a fazer o bem e a
evangelizar por muito mais tempo.
Não seriam elas mais úteis aos Planos de Deus se vivessem mais
tempo?
Deus até que poderia me dizer: “Não. Elas fizeram a missão
que lhes destinei e a morte delas não vai interferir nos frutos das sementes
que plantaram”. E disso temos muitos exemplos, mas poderíamos ficar
apenas no de Santa Teresinha do Menino Jesus, que em apenas 24 anos de vida
se tornou santa e padroeira das missões, de Santa Faustina, ou de Frederico
Ozanam, que em apenas 40 nos fez muito mais que muita gente que viveu o dobro
dele.
Sobre Maria colhi em pesquisas o seguinte:
S. Gabriel diz: "Ave, cheia de graça. O Senhor é convosco".
Ora, não se exprimiria desta maneira o anjo e nem haveria plenitude de
graça, se Nossa Senhora tivesse o pecado.
O evangelista S. Marcos, na Liturgia que deixou às igrejas do Egito,
serve-se de expressões semelhantes: "Lembremo-nos, sobretudo, da
Santíssima, intemerata e bendita Senhora Nossa, a Mãe de Deus
e sempre Virgem Maria".
S. Tiago Menor, o qual realizou o esquema da liturgia da Santa Missa, prescreve
a seguinte leitura, após ler uns passos do antigo e do novo testamento,
e de umas orações: "Fazemos memória de nossa Santíssima,
Imaculada, e gloriosíssima Senhora Maria, Mãe de Deus e sempre
Virgem".
Um trecho de Lutero sobre a Imaculada Conceição de Maria, diz::
"Era justo e conveniente, diz ele, fosse a pessoa de Maria preservada do
pecado original, visto o filho de Deus tomar dela a carne que devia vencer todo
pecado". (Lut. in postil. maj.). Para terminar, transcreveremos um pequeno
soneto.
Em 1823, dois sacerdotes dominicanos, Pes. Bassiti e Pignataro, estavam exorcizando
um menino possesso, de 12 anos de idade, analfabeto. Para humilhar o demônio,
obrigaram-no, em nome de Deus, a demonstrar a veracidade da Imaculada Conceição
de Maria. Para surpresa dos sacerdotes, pela boca do menino possesso, o demônio
compôs o seguinte soneto:
Sou verdadeira mãe de um Deus que é filho,
E sou sua filha, ainda ao ser-lhe mãe;
Ele de eterno existe e é meu filho,
E eu nasci no tempo e sou sua mãe.
Ele é meu Criador e é meu filho,
E eu sou sua criatura e sua mãe;
Foi divinal prodígio ser meu filho
Um Deus eterno e ter a mim por mãe.
O ser da mãe é quase o ser do filho,
Visto que o filho deu o ser à mãe
E foi a mãe que deu o ser ao filho;
Se, pois, do filho teve o ser a mãe,
Ou há de se dizer manchado o filho
Ou se dirá Imaculada a mãe.
Conta-se que o Papa Pio IX chorou, ao ler esse soneto que contém um
profundíssimo argumento de razão em favor da Imaculada. O Dogma
da Imaculada Conceição foi proclamado pelo Papa Pio IX, cercado
de 53 cardeais, de 43 arcebispos, de 100 bispos e mais de 50.000 romeiros vindos
de todas as partes do mundo, no dia 8 de dezembro de 1854.
Passados apenas 3 anos dessa solene proclamação, em 11 de agosto
de 1858, Nossa Senhora dignou-se aparecer milagrosamente quinze dias seguidos,
perto da pequena cidade de Lourdes, na França, a uma pobre menina, de
13 anos de idade, chamada Bernadete. No dia 25 de março, Bernadete suplicou
que Nossa Senhora lhe revelasse seu nome. Após três pedidos seguidos,
Nossa Senhora lhe respondeu: "Eu sou a Imaculada Conceição".
*
Bem, aí vem a razão do título deste artigo: São
insondáveis os desígnios de Deus.
E quem sou eu para querer uma explicação de Deus.
MARIA, OBRA PRIMA DO CRIADOR - 12 Fevereiro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Na Ermida da Canção Nova, onde o Terço é rezado,
existe uma figura de Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços. O artista
que fez a obra conseguiu dar às imagens uma beleza muito grande. Poderíamos
dizer que, conseguiu dentro das possibilidades humanas, uma perfeição
de traços e cores.
Ao rezar o terço hoje, como sempre o faço às seis horas
da manhã, ligado na TV Canção Nova, veio-me ao pensamento
fazer uma comparação:
- Se um ser humano conseguiu dar a Jesus Menino e à Sua Mãe expressões
tão bonitas, imagine Deus ao gerar Jesus e criar Maria! Pode nossa mente
imaginar o que fez Deus nessas duas pessoas?
Já não falo pelo lado espiritual, pois nelas não há
defeitos. Aventuro-me a falar sobre o aspecto físico. É sabido,
por relatos bem antigos e transmissão da tradição, que
Jesus era um homem muito bonito. Nele a perfeição dos traços
fisionômicos se fazia notar.
Mas, e Maria? Pode alguém imaginar diferente daquele que pensa que Maria
foi a criatura mais bonita que Deus fez? Pode, por mais crítico que seja,
alguém pensar em Maria sem uma beleza digna da perfeição?
Se um pintor procura dar a maior beleza à sua obra, imagine Deus, que
é o maior artista que possa existir!
Pelos cálculos possíveis de serem feitos, Maria viveu 13 anos
e dois meses depois da Ressurreição de Jesus. Levando em consideração
que ela tenha se casado aos 15 anos, como era o costume da época e somados
os 33 anos que Jesus viveu, ela teria vivido em torno de 60 anos. Sabendo que
ela passou por grandes privações, por grandes medos e angústias,
por enormes sofrimentos físicos e espirituais, lógico será
pensar que isto pos a ter refletido em sua aparência. Que mulher que sofrendo
o que ela sofreu, vendo a trajetória e o fim de Jesus, não teria
estampado em suas feições tantos sofrimentos?
Mas, aí vem a grande Obra de Deus! Ele faz com que a pessoa depois de
deixar esta vida terrestre, tenha um aspecto diferente daquele que tinha quando
vivia neste mundo.
A perfeição do espírito se faz presente. Com Maria muito
mais que isto aconteceu, pois além do espírito ela foi assunta
ao Céu de corpo e alma. Primeiro, porque ela teve a assistência
de Deus desde antes de nascer e a tem até agora. Segundo, porque nas
diversas aparições dela em épocas diferentes, a descrição
de sua figura é feita como a de uma mulher muito jovem, de beleza indescritível.
Por isto, mesmo que o autor que pintou Maria e Jesus Menino tenha conseguido
fazer uma obra de arte, não pode ter expressado totalmente a beleza real
dos modelos. Pode ter alguém a pretensão de ser melhor artista
do que o Criador de
todas as artes? Feliz é quem ama Jesus, mas que ama também Maria
Santíssima. Feliz é o vicentino que a tem como protetora. Pense
sempre em Maria, criatura sem mancha ou defeito, físico ou espiritual,
pois ela é a Obra prima de Deus.
AS ALMAS DO PURGATÓRIO PRECISAM DE ORAÇÕES - 6
Fevereiro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
O que vou escrever não tem nada de sobrenatural, nem é fruto
de fanatismo; mas, é apenas o relato do que acontece comigo e que poderá
ser vivenciado por qualquer pessoa.
O cristão, especialmente o católico, acredita que quando morrermos
nem todos terão o privilégio de ir direto para o Céu, o
que está reservado apenas para aquela pessoa que guarda em seu coração
e pratica plenamente em vida os ensinamentos de Jesus. Ele mesmo ensinou isso.
Não quer dizer que todos nós que não conseguimos essa perfeição
evangélica seremos condenados eternamente a não ir para o Céu.
Quem não for aquele pecador obstinado, aquele que comete pecado mortal
e dele não se arrepende com sinceridade, passará pelo Purgatório,
local ou estado em que a alma da pessoa será purificada para então
ter o direito de estar junto de Deus.
Não quero entrar em discussão teológica com quem não
concorda que exista ou não o Purgatório, mesmo porque não
tenho como provar nada. Apenas acredito que ele exista pelos ensinamentos da
doutrina católica e pela fé que tenho de que Deus não irá
condenar ninguém que não esteja pronto para estar com Ele, mas
que também não merece a condenação eterna.
Aliás, Santa Faustina recebeu de Jesus esta explicação
sobre o Purgatório, já que as pessoas pensam que Deus sendo misericordioso
não precisaria fazer com que as almas passem por esse estágio,
conforme está registrado em seu diário no número 20: “
A Minha misericórdia não deseja isto, mas a justiça o exige”.
Quer Ele dizer com isto que cada alma que lá está sente imensa
saudade de não ver Deus, de estar junto a Ele; mas, cada uma ficará
um tempo diferente para ser purificada, de acordo com o que fez ou deixou de
fazer na Terra. Essa saudade de Deus é que é o seu sofrimento
maior.
As nossas orações e nossas caridades feitas pela intenção
de alguma alma podem abreviar o tempo em que ela deve ficar naquele estado.
Por isto rezamos pela almas dos nossos pais, irmãos, parentes, amigos.
Quero relatar a experiência que tenho e que não é nada aterrador,
como muitos possam estar pensando. Conto um fato acontecido em uma cidadezinha
do interior mineiro onde nasci para ilustrar o meu procedimento:
Na cidade, muitos anos atrás, havia uma senhora que vivia da caridade
pública. Tinha onde dormir, mas não tinha o que comer. Em qualquer
casa da cidade em que ela chegasse na hora do café, do almoço
ou do jantar recebia sempre a alimentação mesmo sem pedir, pois
todos conheciam sua necessidade. Era inofensiva, embora parecesse não
ter as faculdades mentais normais, e todos gostavam dela. Durante muitos e muitos
anos ela assim viveu.
Um dia ela não apareceu na casa de ninguém para tomar café.
Ninguém se alarmou, pois achavam que ela estava em outro endereço.
Passados uns dois dias a notícia do seu sumiço se alastrou. Todos
saíram para procurá-la. Reunindo as informações
de quem a tinha visto por último, chegaram à conclusão
que ela se perdera em uma parte de uma fazenda vizinha, pois tinha o costume
de passear por lá, perto de um rio. Com receio de que ela tivesse se
afogado, procuraram-na e ao passar pelos campos a encontraram morta no meio
do pasto, dando a impressão de que ela estava indo em direção
ao rio.
Ficou em todos os moradores da cidade a impressão de que ela tinha morrido
de sede, quando procurava água para beber. Formou-se um costume na cidade
de pedir a ajuda da sua alma para procurar objetos perdidos. Eu mesmo sou um
dos que mais solicito sua ajuda. E creiam, pois é difícil acreditar,
sou sempre ajudado. Quando perco alguma coisa, vasculho todos os lugares possíveis
para encontrar e nem sempre consigo. Tenho então o costume de rezar pela
alma da Bia, que era como a mulher era chamada e pela alma mais precisada do
purgatório, aquela quem ninguém se lembra de rezar por ela.
Acreditem ou não, logo acho o que perdi. Se fosse relatar todos os casos,
seria uma infinidade, mas vou ficar apenas com um. Eu precisava fazer a cópia
de uma chave da minha casa. Peguei o chaveiro onde ela estava e me dirigi para
um profissional da área, no centro da cidade. Minha esposa dirigia o
carro e o estacionou a uns quinhentos metros do local.
O profissional tirou a chave do chaveiro, fez a cópia, colocou-a novamente
no chaveiro e me entregou. Paguei e fui para o carro. Ao chegar a minha casa,
procurei o chaveiro para testar a chave a não o achei. Procurei nos bolsos,
nada. Revirei o carro, inclusive mexendo nos tapetes da frente e de trás
da poltrona onde estava assentado, e nada achei. Olhei debaixo do carro, nada.
Resolvi voltar à loja do profissional para saber se não tinha
deixado cair por lá e ele me disse que se lembrava bem de tê-la
me entregue e que eu saíra da loja coma ela na mão. Fiz o mesmo
percurso da loja até onde o carro estava mais de uma vez olhando a rua
e nada achei. Como já estava escurecendo voltei para casa. Mas, no dia
seguinte, bem de madrugada voltei a fazer o mesmo percurso da loja ao estacionamento.
Como já clareara, pude perceber que nada estava ali. Pensei que eu a
tivesse perdido no tal percurso e que algum passante a tivesse achado e não
sabendo de quem era a levou. Voltei para casa desanimado, pois perdera a chave
nova e as antigas também.
Quando cheguei à garagem da minha casa, resolvi dar mais uma olhada.
Nada. Então, resolvi pedir a ajuda das almas. Depois de rezar por elas,
me veio a idéia de olhar novamente dentro do carro. Ao abrir a porta
do passageiro, não precisei nem de nele entrar. Em cima do tapete de
trás lá estava o chaveiro. Alguém pode falar: - o chaveiro
estava lá desde o começo. Ele é que não procurou
direito.
Isto não é verdade, pois cheguei a tirar o tapete do lugar para
procurar debaixo dele. Como não era a primeira vez que me aconteciam
fatos semelhantes, afirmo ao contrário de quem não acredita: -
As almas precisam de orações. Talvez Deus permita que tal aconteça
para que nos lembremos delas.
Agora eu te pergunto: - Você reza pelas almas dos seus parentes? Pede
a celebração de missas por intenção delas?
Aos vicentinos eu pergunto: vocês rezam pelos seus assistidos já
falecidos? Pedem a celebração de missas pelas suas almas? E não
estou falando da Missa das Cinco Intenções que pedimos para celebrar
na data do aniversário da nossa Conferência.
Na próxima vez que você perder alguma coisa e depois de muito procurar
não a encontrar, reze pela alma mais precisada do Purgatório e
peça-lhe ajuda para encontrar o que perdeu. Tenho a certeza de que vai
encontrar.
Por que mudar de igreja? 30 Janeiro 2010
Texto: Aluizio da Mata
Ouvi, em uma palestra, uma explicação interessante sobre a diferença
de significados dos termos “religião” e “igreja”.
Costumamos dizer que uma pessoa mudou de “religião”, quando
na verdade ela mudou de igreja. Todas as religiões que acreditam em Jesus
Cristo são cristãs, mas verdadeira só existe a Religião
Católica, que foi fundada por Jesus Cristo, Filho único de Deus
e que tinha poder para criá-la. Esta é a verdadeira Igreja.
As demais igrejas, embora cristãs porque acreditam em Cristo, foram fundadas
por homens comuns, nem sempre com bons intuitos. A maioria foi fundada baseada
em interesse próprio e em interpretações de trechos do
Evangelho que lhes interessavam. Vejam os casos, por exemplo, do anglicanismo
e dos luteranos.
No Brasil, principalmente, fundar igreja virou negócio. É impressionante
o número de novas igrejas fundadas em cada cidade. E elas prosperam pois
usam bem a psicologia de massa.
As “novas igrejas” investem no treinamento dos seus “pastores”,
estudam e praticam a psicologia de massa. Com poucos meses de treinamento, eles
conseguem atingir mais a população do que os padres que estudam
vinte anos.
Alguma coisa está errada. E não é a Doutrina Católica.
A nossa timidez fica patente até na divulgação via rádio,
televisão e até nos serviços de som motorizados que encontramos
pela cidade. Parece que temos vergonha de falar sobre Deus em praça pública.
Aliás, quase não falamos nem em particular.
Onde já se viu católicos se reunirem em praça pública
para falar sobre Jesus? Onde vemos católicos ir de casa em casa, que
seja apenas em sua rua, convidando para celebrações? Exemplo disso
tive dias atrás: Na celebração de uma novena preparatória
para o dia de Pentecostes, as reuniões em cada casa se restringiam aos
seus moradores e aos coordenadores. As pessoas vizinhas não apareciam.
Os evangélicos não se perturbam em reunir muitas pessoas prometendo
até milagres. E eles têm estratégias para “pegar”
um público específico.
Vejam por exemplo o que dizem para chamar pessoas para as suas reuniões:
“Você tem problemas financeiros? Problemas de saúde? problemas
no seu casamento? Sua empresa está endividada”?
Quem não tem problemas financeiros, de saúde, ou no casamento?
Quais firmas não estão endividadas?
Quem não quer resolver tais problemas?
Acontece que o que elas querem é a presença das pessoas nas reuniões.
E lá, com psicologia de massa, induzem a todos que ali é o lugar
certo. Claro que dizem que tudo leva um tempo para se ajeitar, mas que só
conseguirão se forem assíduos às reuniões e fiéis
dizimistas. E dizem que Deus só dará se o fiel contribuir com
até o que não pode. As reportagens de jornais e revistas atuais
provam tudo isto.
E elas ainda usam outros meios para impressionar.
Os templos delas são espaçosos, com cadeiras confortáveis,
show de luzes, falam apenas em coisas boas, que Deus quer que sejamos ricos
e felizes aqui na terra, sem termos que sofrer, etc.
Olha, em minha opinião, alguns até conseguem sair da situação
em que estavam, mas não pela ação dos pastores.
Quem não se impressiona com tudo isso?
“Milagres” nessas reuniões “acontecem” às
dezenas, e tudo registrado por câmaras de TV e testemunhos pessoais...
Milagre virou comércio. A fé virou negócio, em muitas igrejas.
Deus, na sua bondade, olha o coração de quem precisa de ajuda.
Como muitas dessas pessoas passam a orar com real fé, Deus concede a
ajuda. Mas isto Ele faz até para as pessoas que não frequentam
religião alguma e não pelos shows e exigências dos seus
pastores.
Voltemos ao meio católico.
Sem que seja uma crítica a quem quer que seja, até o Vaticano
já percebeu que se precisa investir mais na formação do
clero.
A cultura dos novos padres não pode ser comparada à do clero mais
antigo. A “modernidade” que alguns novos querem implantar na Igreja,
só faz prejudicá-la.
Vejam o caso dos padres que querem introduzir cultos diferentes em suas missas!
Veja o caso dos padres que se dizem favoráveis ao aborto (mesmo que sejam
em apenas alguns casos)! Vejam os casos dos sacerdotes que se dizem favoráveis
à união homossexual! Vejam o caso dos padres que aceitam críticas
à Igreja, ao Papa, sem nada fazer para defendê-los?
Sei que o número de fiéis a serem atendidos é maior na
nossa Igreja, mas vejo também certo comodismo em muitos padres e bispos.
Isto inclui Ordens Religiosas também e muitos leigos consagrados ou vocacionados.
A maioria de nós não se espelha nos exemplos que nos dão
os Papas, principalmente os últimos, que não se cansaram e não
se cansam de sair para pregar o Evangelho em terras até perigosas para
suas vidas. Dá gosto ver cristãos e mulçumanos se irmanando
nas reuniões e nas celebrações das quais o Papa atual participou.
De João Paulo II, nem preciso falar. Em se olhando muito pelo aspecto
financeiro e material, que é necessário, pouco se tem feito pelo
verdadeiro trabalho árduo de evangelização em terras distantes.
As agruras dos nossos missionários são grandes, e eles não
desanimam.
Claro, existem exceções, embora Jesus já tivesse alertado
que seus discípulos iriam ter dificuldades, mas disse também que
não deveriam se preocupar tanto com o que iriam comer ou vestir. Mas,
de maneira geral, os católicos ajudam pouco, não se lembrando
que tudo que temos recebemos de Deus. E Jesus também ensinou: “Dai
de graça o que de graça recebestes”.
Não quero que a Igreja Católica copie as coisas negativas de outras
igrejas, mas precisamos aprender com elas a atingir o público, como os
papas têm feito, mas que não são acompanhados por muitos
do clero e dos católicos.
E o que me preocupa mais é uma frase dita por Jesus: “Será
que quando o Filho do Homem voltar encontrará fé sobre a Terra?”
Parece que estamos caminhando rapidamente para esse dia. E tudo porque muitos
de nós somos comodistas e acomodados.
MANEIRAS DE VER AS COISAS - 23 Janeiro 2010
Texto: Cfd. Aluizio da Mata
Existem três tipos de pessoas: as que vêem só o negativo;
as que vêem só o positivo e s que vêem os dois lados.
Esta reflexão veio ao deparar-me com uma daquelas lagartas grandes que
encontramos em algumas árvores.
Na verdade existe pessoa que vê a lagarta e não pensa que dentro
de um pouco tempo ela se tornará uma bela borboleta. Acha-a feia, pouco
atrativa, às vezes até perigosa por ter “pêlos”
que queimam nossa pele.
Existe outra pessoa que só vê uma bela borboleta e não se
lembra que ela já foi uma feia lagarta. Acha-a bonita, muito atrativa
e nem um pouco perigosa, pois se esquece do pó que ela tem nas asas e
que, dizem, pode cegar um homem.
Mas existe ainda a outra pessoa que vendo uma lagarta sabe que ela se tornará
uma bela borboleta, mas vendo uma borboleta não se esquece que ela já
foi uma lagarta não muito charmosa.
A pessoa do primeiro grupo acha que tudo é ruim, que todos estão
contra ela, que nunca conseguirá atingir seu sonho. Tem inveja das pessoas
dos outros grupos. Enfim, são pessoas de difícil convivência.
São pessoas que acham que Deus se esqueceu delas.
A pessoa do segundo grupo acha que só irão acontecer coisas boas.
Que todos estão a seu favor; que ela conseguirá ter tudo o que
sonha. Tem pena das pessoas do primeiro grupo, mas nada faz para ajudá-las,
pois está muito ocupada com o seu narcisismo. São pessoas que
acham que Deus deve ser monopólio delas. Não admitem ver Deus
ajudando a outras
pessoas que não elas.
Já a do terceiro grupo é aquela pessoa de pés no chão.
Sabe que algumas coisas vão dar certo, outras vão dar errad. Luta
por conseguir o que sonha, mas não se desespera se não o consegue.
É pessoa pronta para dar a mão a Deus na implantação
do seu Reino e aos irmãos que dela precise. Talvez por isto mesmo é
cumulada de graças. Se as coisas dão ou não dão
certo, mesmo assim agradece a Deus o Dom da vida. É, ainda, pessoa que
aceita as mudanças e nuances da vida e se aproveita delas para viver
melhor.
Dentro da Sociedade de São Vicente de Paulo existem pessoas também
“divididas” nesses três grupos.
Para umas, a sua Conferência está sempre ruim, mas nada faz para
melhorá-la. Para outras, a sua Conferência é sempre melhor
que as outras, mas pouco faz para ajudar a que mais precisa. E as do terceiro
grupo são os confrades e consócias que estão sempre com
vontade de ajudar, não importa as dificuldades que encontrem. Se uma
conferência está fraca de membros, vão para lá por
uns tempos até que ela se firme. Se outra conferência está
com o caixa negativo, transferem para ela algum valor do dinheiro que está
“sobrando” em seu caixa. Se uma conferência tem muitas famílias
assistidas e poucos recursos, se oferecem para assistir algumas daquelas famílias.
Vicentino ou não, em que grupo cada um de nós está inserido?
ZILDA ARNS NEUMANN, MORREU COMO VIVEU - 16 Janeiro 2010
Existem pessoas que morrem de acordo como viveram.
Vamos falar só sobre as que viveram positivamente, embora não
sei se possa questionar que tratar de assunto de morte possa ser positivo.
Pessoas existem e que parece foram destinadas desde que nasceram para fazer
o bem, para fazer a diferença. Poderíamos citar inúmeras
figuras, mas ficarei em apenas algumas do sexo feminino.
A maior de todas foi Maria, e não preciso dizer a razão. Antes
dela, Rute, Ester e algumas outras. Depois de Maria, muitas também e
a gente correria o risco de citar algumas e deixar outras no esquecimento.
Apenas para não deixar de citar uma ou outra falo de Joana D´Arc,
de Bernadete, de Catarina, de Tereza de Calcutá, de Irmã Dulce
e falo de Zilda Arns.
Porque menciono esta última? Porque Zilda Arns, figura tão contemporânea,
ao contrário de algumas das outras citadas?
Zilda morreu fazendo o que mais gostava: ajudar pessoas necessitadas. Estava
ela em uma igreja, para palestrar para mais de cento e cinqüenta pessoas,
ocasião em que falaria da sua experiência sobre a diminuição
da mortalidade infantil e sobre a Pastoral do Idoso.
Nem em um livro poder-se-ia dizer tudo sobre ela e sobre os resultados das suas
ações propostas colocadas em prática a favor dos menos
favorecidos.
No Brasil, onde ela começou o seu trabalho, talvez seja o lugar onde
mais se viu o resultado positivo. Foram tantos os benefícios que mais
de vinte países adotaram o seu plano de ação humanitária.
A Pastoral da Criança é uma realidade tão palpável
que não há como negar a sua eficiência. É tudo feito
com voluntários. Essa é uma das mulheres que souberam responder
“SIM” a um Plano de Deus.
Deus não chegou diretamente a ela e lhe mandou executar uma tarefa. Ele
usou um caminho que já tinha usado em outras ocasiões: o indireto.
Quando Ele quis a colaboração de Maria, fez com que ela se cassasse
com José, justo varão, que tinha os mesmos sentimentos dela e
que aceitou viver na castidade como era desejo da futura Mãe de Jesus.
E enviou o Arcanjo Gabriel para fazer-lhe a proposta.
Quando Ele quis salvar a França de uma terrível epidemia, serviu-se
de uma piedosa noviça para espalhar a devoção da Medalha
Milagrosa.
Quando Ele quis a colaboração de Tereza de Calcutá ou da
Irmã Dulce, mandou-lhes os mais excluídos e sofredores.
Quando Ele se quer valer de qualquer um de nós, principalmente os vicentinos,
nos manda famílias para serem assistidas.
Foi assim com Zilda Arns.
Deus se serviu de dois Cardeais, sendo um seu próprio irmão para
indicar-lhe uma tarefa que salvaria milhares de crianças e mães.
Foi proposto através deles que ela fizesse um projeto para ensinar as
mães carentes a usarem o soro caseiro. Ela não só aceitou
como ampliou o atendimento.
Pegue-se uma estatística de trinta anos atrás e pegue uma atual
e veremos como caiu a taxa de mortalidade infantil.
E porque Zilda Arns teria que morrer no Haiti? Simplesmente porque Deus a queria
naquele lugar, naquela hora, fazendo
o bem. Ela poderia não estar lá e estar aqui gozando de sua boa
saúde, da companhia dos seus familiares, mas Ele queria que ela fosse
mais uma vez um exemplo de como se deve viver e morrer uma verdadeira cristã.
Eu poderia transcrever o seu último discurso, que, aliás, não
chegou a ser pronunciado, mas fico apenas com um trecho dele:
“Com alegria vou contar-lhes sobre o que “vi e sobre o que tenho
sido testemunha” nesses 26 anos, desde a fundação da Pastoral
da Criança em setembro de 1983. Aquilo que era uma semente, que começou
por entre o povo de Florestópolis, Paraná, no Brasil, se converteu
no Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil, presente em
42.000 comunidades pobres e em 7.000 paróquias de todas as Dioceses do
Brasil.
Pela força da solidariedade fraterna, uma rede de 260 mil voluntários,
dos quais 141 mil são líderes que vivem em comunidades pobres,
92% são mulheres, e participam permanentemente da construção
de um mundo melhor, mais justo e mais fraterno, ao serviço da Vida e
da Esperança.
Cada voluntário dedica, pelo menos, 24 horas ao mês para esta Missão
transformadora de educar as mães e famílias pobres, compartilhar
o pão da fraternidade e gerar conhecimentos para a transformação
social.”
Quando, tempos atrás, propus que o Conselho Nacional do Brasil fizesse
parcerias com outros movimentos, a Pastoral da Criança era um deles.
Tenho a certeza de que teria sido, e ainda pode ser de grande valia para as
famílias que assistimos.
Dra. Zilda não chegou a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, mas para
que também? Hoje ela está recebendo, com certeza, o PRÊMIO
DA PAZ DO CÉU.
LOUVAR OU XINGAR? - 9 Janeiro 2010
Cfd. Aluizio da Mata
Parece estranho este título, não é? Mas, não é
tanto assim.
Você já reparou que inúmeras pessoas xingam mais do que
louvam? E você, como é?
Muita gente xinga automaticamente. Por qualquer coisa, sai da nossa boca um
PQP, uma PM, um FDP. Basta martelar o dedo, dar um tropeção em
alguma pedra; tomar um escorregão e cair; uma coisa não sair como
queríamos que saísse; faltar poucos números para acertar
na mega sena...
Bem, por esse último motivo, então, no último dia de 2009
e no primeiro de 2010, com o prêmio da Mega Sena acumulado em mais de
cento e quarenta milhões de reais, o número de xingamento deve
ter batido o recorde, pois apenas duas pessoas acertaram os seis números
sorteados, contrariando a expectativa de milhões e milhões de
pessoas que tentaram a sorte.
Por esse motivo eu não xinguei, pois tenho uma promessa de não
jogar nenhuma loteria ou rifa visando ganhar dinheiro ou prêmio. Só
compro rifas e bingos beneficentes, mas mesmo assim nem confiro ou marco.
Xingar é uma reação natural, mas que vem de um costume.
Se tivéssemos nos treinado a fazer diferente, tal não aconteceria.
Quem, em alguma das situações acima mencionadas, ao invés
de xingar, não diz: Ô, meu Deus!
Pode ser até que a expressão não seja uma louvação,
mas de qualquer maneira é uma invocação ao nosso Criador.
Infinitamente melhor do que dizer um palavrão.
Eu mesmo tenho que me policiar. De vez em quando, solto um xingamento. Agorinha
mesmo, estava ajudando a arrumar as vasilhas do almoço. Tinha ido ao
quintal e recolhido alguns ovos de galinha. Ao lavá-los, um caiu na pia
e se quebrou. Não deu outra: um FDP saiu sem eu querer.
Quando essas coisas acontecem e xingo, logo me arrependo e faço uma invocação.
Pode ser também que o que penso ser uma invocação, mais
seja uma reclamação, pois estou perguntando a Deus por que aquilo
foi acontecer. Claro que Deus não vai ficar explicando que não
teve nada com o acidente, pois tudo é fruto da nossa maneira de pensar
e agir.
De qualquer maneira, é melhor dizer o nome de Deus do que xingar.
Já imaginaram quantas situações como essas acontecem no
mundo todos os dias? Se todos nós fôssemos acostumados a louvar,
a nossa reação automática seria mais adequada.
Muita gente poderá dizer: “Ah! mas xingar assim não é
nem xingar direito. A gente não faz com raiva. É apenas um desabafo!”.
Pode ser; mas, convenhamos; é muito melhor dizer o nome de Deus do que
outras palavras que não são lá muito adequadas.
Vamos tentar fazer um exercício daqui para frente?
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ASSISTIDO TAMBÉM TEM ANO NOVO - 2 Janeiro 2010
Cfd. Aluizio da Mata
Cada um de nós, que teve a graça de Deus de terminar vivo o ano
que findou, tem sempre a esperança de viver melhor no ano que se inicia.
Para o começo de planos, fazemos uma recapitulação de tudo
o que nos aconteceu. Constatamos que tivemos bons e maus momentos. No entanto,
os bons acontecimentos superaram, em muito, o que de ruim possa ter acontecido.
A esperança de que o ano novo seja melhor, com mais saúde, mais
paz, mais alegria é um desejo de todos nós. Muita coisa vai depender
de nós mesmos. Outras dependerão de outras pessoas. E essas pessoas
podem ou não nos decepcionar.
O confrade e a consócia têm a obrigação de fazer,
também, uma análise de como foi o ano passado, em relação
aos trabalhos vicentinos. Será que cada um de nós deu tudo o que
poderia dar de esforço, de alegria, de organização, de
promoção da paz, de cooperação para a nossa Conferência?
Imaginemos que uma conferência com dez membros tenha tido a sorte de ter
cada um dos seus membros fazendo tudo isso! Ela deve ter terminado o ano muito
melhor do que começou. Aí vem o segundo aspecto: se ela terminou
o ano melhor do que estava no início, certamente a vida dos seus assistidos
sentiu o reflexo dessas ações. Que cada um de nós pense
que o assistido também tem o direito de sonhar com uma vida melhor, mais
alegre, com mais saúde; enfim, ser mais feliz.
Tenho receio de que algum de nós vê o assistido como alguém
que a gente “precisa” socorrer. Quem pensa assim se engana. O assistido
é uma pessoa que Deus colocou no nosso caminho para ser instrumento de
santificação. E não se atinge a santificação
sem dificuldades. Cada dificuldade vencida é um degrau no caminho para
o Céu. É normal que o assistido se sinta injustiçado, desesperançado.
Muitos deles nem sequer tiveram a alegria de encontrar um parente ao longo do
ano. Quais deles são lembrados em seu aniversário? Quem vai na
casa deles para dar pelo menos um abraço? Quem tem tempo para ir lá
bater um papo sem compromisso? Não sendo a família, tudo isto
é tarefa do vicentino.
É bom lembrar que existem pobres de temperamentos diferentes. Uns são
mansos, alegres; tudo para eles está bom. Agradecem a Deus por tudo.
Outros já são diferentes. Nada é como deveria ser. Costumam
ser tristes, insatisfeitos, e às vezes, não sem razão.
Ao vicentino cabe cuidar de uns e de outros com a mesma dedicação,
com a mesma caridade. Aliás, Jesus não pensa assim, pois quando
Ele ensinava aos apóstolos dizia mais ou menos assim: “Que valor
tem gostar de alguém que gosta de nós? Que recompensa terá
se ajudardes a quem possa retribuir”? Acho que Jesus diria para o vicentino:
“Ame a todos os necessitados, mas dedique especial atenção
para aquele mais difícil, aquele mais desprezado, aquele mais infeliz”.
Vamos lembrar que o assistido também tem o direito de sonhar com um ano
melhor e que ele talvez só possa contar com os confrades e consócias
que o visitam. Lembro a frase de um poema de Dom Belchior, bispo vicentino do
interior mineiro: “São os pobres que socorremos nesta terra que
irão ajudar São Vicente a abrir as portas do Céu para o
vicentino que fizer de fato a caridade”.
Dom Belchior, com certeza, teve uma legião de assistidos esperando-o
juntos com Vicente e Ozanam.