Confrade Aluizio José da Mata. Nascido em Cordisburgo-MG,
em 19/06/1938. Vicentino há mais de 45 anos. Participou da SSVP de Sete
Lagoas (MG) e Prudente de Morais, estando atualmente militando na Conferência
Nossa Senhora de Fátima, em São Gotardo-MG. Foi editor do jornal
VOZ DO VICENTINO, durante 10 anos, do qual ainda é colunista. Participou
como palestrante em Encontros de Noivos e em Encontros de Reflexão Cristã.
Criou e modera dois Grupos: MIDIA VICENTINA (para o qual envia uma mensagem
semanal voltada para as coisas da SSVP) e TEXTO PARA MEDITACAO (para o qual
envia diariamente pequenos textos de vários autores). Casado, tem um
casal de filhos e dois netos. aluiziodamatassvp@gmail.com
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Nota: Aluizio faleceu aos 27 de Janeiro de 2011.
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MARIANA: NÃO DÁ PARA ESPERAR MAIS... 13 janeiro 2011
Texto: Aluizio da Mata
Não sei se todos os que estão lendo este artigo, conhecem a história
da Mariana.
Ela tem seus quatro anos de vida e tem lutado para mantê-la como uma guerreira.
Portadora de leucemia, ela passou por todos os tratamentos necessários:
quimioterapia, radioterapia, internações e mais internações,
espera de um doador de medula óssea compatível...
E muitas orações.
Depois de vários meses, foi encontrado o doador que poderá salvar
a sua vida. É um menino americano, cujo nome nem sabemos.
Depois de muitos preparos, exames e orações o transplante foi
feito. A expectativa de que não houvesse rejeição do organismo
que recebeu o transplante durou alguns dias e finalmente pôde-se dizer
que ele teve o sucesso esperado. A medula da Mariana começou a funcionar.
Mas, aí vem o que ninguém esperava. De tantos remédios,
de tantos tratamentos, de tantas internações, eis que o quadro
físico da Mariana começa a cobrar e ela tem passado a maior parte
do tempo sobrevivendo por meio de aparelhos, com as funções dos
pulmões muito afetadas, rins sem funcionar, com muito sangramento interno,
está toda inchada e drenos em muitas partes do corpo.
É muito sofrimento para uma menina que nem começou a viver direito.
Não falo do sofrimento dos pais, parentes e amigos, pois seria desnecessário.
Basta o sofrimento dela.
Agora mesmo fiquei sabendo que o pai dela, Érico, foi internado com comprometimento
muito sério no fígado.
Aí vem o questionamento: Por que será que tudo isso está
acontecendo?
Não tenho resposta e duvido que alguém a tenha.
Eu pensava em escrever um artigo sobre a Mariana quando ela deixasse o hospital,
livre de todo esse pesadelo, mas não dá para esperar mais. Seu
estado de saúde se agravou bastante.
A finalidade do artigo é de insistir no pedido de orações
para ela e para todas as pessoas que estão na mesma situação.
Não sei o que Deus tem reservado para ela, mas seja o que for, é
preciso que tenhamos fé na misericórdia d’Ele. O pedido
insistente de ajuda é válido. Jesus mesmo ensinou isto dizendo
que uma pessoa que possa ajudar a outra ajudará mesmo que seja para se
livrar do importuno. Como estava se referindo ao ser humano, imagine Deus recebendo
nossos insistentes pedidos por uma pessoa doente...
A PARÁBOLA DA INSISTÊNCIA
Disse-lhes ainda Jesus: Qual dentre vós, tendo um amigo e este for procurá-lo
à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
pois um amigo meu, chegando de viagem, procurou-me e eu nada tenho que lhe oferecer.
E o outro lhe responde lá de dentro, dizendo: a porta já está
fechada e os meus filhos comigo já estão deitados. Não
posso levantar-me para tos dar; digo-vos que, se não se levantar para
dar-lhos, por ser seu amigo, todavia o fará por causa da importunação,
e lhe dará tudo o de que tiver necessidade (Lc 11, 5-8).
A compaixão pelo amigo cansado e faminto leva aquele homem a importunar
seu amigo vizinho, em momento impróprio. O que o levara a tomar aquela
atitude era a situação de grande necessidade do amigo? Ele não
decide importunar pelo simples prazer de importunar, mas porque foi constrangido
pela necessidade do amigo. Sua insistência foi sua vitória. Veja
como esta parábola pode nos ajudar a sermos mais insistentes em nossa
vida de oração.
Hoje à tarde, conversando com o confrade Obed, ele me relatou diversos
casos que presenciou, onde a mão de Jesus se fez sentir para curar pessoas
doentes. Mas, ele disse que sempre houve antes de cada cura muita fé
nas orações interpostas.
Então, amigos católicos (Vicentinos, participantes de Grupos de
Oração, participantes de Grupos na internet), membros de outras
igrejas, está na hora de “importunarmos” o nosso Deus para
que Ele derrame as graças necessárias para que o quadro clínico
da Mariana seja revertido.
Jesus, que curou os leprosos, os coxos, os cegos e tantas outras pessoas que
necessitavam de sua ajuda, volte seu olhar para a Mariana. Dê-lhe mais
tempo de vida e encaminhe-a para ser um exemplo de Vossa misericórdia.
Amém.
SIMPLICIDADE VICENTINA – 9 janeiro 2011
Texto: Aluizio da Mata
Muitas coisas me encantam na Sociedade de São Vicente de Paulo. Uma delas
é a simplicidade.
Uma pessoa que não seja vicentina e esteja acostumada a participar de
reuniões de clubes sociais ou políticos há de estranhar,
e muito, se assistir a uma reunião de uma de nossas Conferências
Vicentinas.
Para começar, não verá tratamento diferenciado para qualquer
pessoa, seja um médico, seja um mecânico, seja um grande empresário
ou um dono de um pequeno comércio, seja um simples aposentado ou uma
dona de casa. Todos são tratados igualmente.
Não há lugar de honra a ser ocupado por ninguém. Se alguém
se senta à frente de todos é apenas para dirigir a reunião
ou para ajudar o presidente nas tarefas de secretaria e tesouraria.
Todos os demais membros da conferência ficam sentados em cadeiras simples,
às vezes até duras demais para corpos tão cansados da labuta
do dia a dia. Ninguém se arvora a ser melhor do que qualquer dos confrades
ou consócias. Não há diferença de tratamento, mesmo
que a pessoa seja uma autoridade ou figura proeminente na sociedade civil. Uma
prova do que estou falando vemos em momentos da reunião. Na chamada,
os nomes são simplesmente os nomes. Nenhum título é colocado.
A coleta financeira semanal é secreta, atitude sábia, pois ninguém
sabe o que o outro colocou dentro da sacola. Todos os donativos entregues aos
necessitados são em nome da Conferência, mesmo que ele tenha sido
dado por um dos seus membros.
Talvez, as únicas pessoas que possam ter um tratamento um pouco diferenciado
sejam os participantes do clero, não por sua causa pessoal, mas por representar
Jesus perante a humanidade. Infelizmente, são poucas as ocasiões
que eles nos visitam.
Em qualquer reunião de Conferência, nota-se a simplicidade em tudo.
Se olharmos em volta de nós em uma das nossas reuniões semanais,
veremos a maioria dos presentes com roupas simples, podemos até dizer,
bem ao estilo das pessoas sem vaidades. Todos conversam entre si, antes e depois
da reunião. Impera, na grande maioria das vezes, uma amizade sincera.
Todos sentem prazer em encontrar alguém e bater aquele papinho.
A Sociedade de São Vicente de Paulo é uma entidade interessante,
pois não procura se engrandecer. Não faz propaganda do seu trabalho
semanal e, às vezes, até diário. Quase não se vê
reportagem de rádio, televisão, jornal ou revista dando ciência
à população do trabalho que fazemos. Nas grandes catástrofes,
em qualquer parte do mundo, os Vicentinos estão presentes lá,
ajudando; mas, ninguém é entrevistado. Nenhum confrade ou consócia
tem seu retrato estampado na mídia.
Nessas ocasiões, muitas entidades e clubes de serviço fazem questão
de lá comparecer, e isso é bom, pois a caridade não é
monopólio de ninguém. Mas, normalmente, elas e eles são
destacados pela mídia.
Outra coisa que a SSVP proporciona é a nossa satisfação
em poder ajudar, não porque queiramos que haja pobres para efetuarmos
o nosso apostolado, mas por sentir que somos úteis, sem esperar nenhum
reconhecimento, já que “pobres sempre tereis convosco”, como
disse Jesus.
A Sociedade de São Vicente de Paulo incorporou bem os ensinamentos de
Jesus, principalmente aquele que diz: “Não saiba a tua mão
esquerda o que fez a tua mão direita”, querendo dizer que a divulgação
de toda ajuda feita ao necessitado já terá tido a sua recompensa,
ao contrário daquela feita em silêncio, que terá a recompensa
no Céu. Por ser uma entidade simples, que vive fazendo a caridade, tem
ela a proteção de Deus e isso é garantia de que continuará
existindo enquanto for movida pela caridade e pela simplicidade.