Artigo Semanal (abaixo) publicado na mídia impressa pelo meu amigo Paulo Labegalini de Itajubá-MG.
paulolabegalini@oi.com.br
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Perfil do Autor: Brasileiro; nascido em 1956; Engenheiro Civil; Professor Associado da Universidade Federal de Itajubá-MG, UNIFEI, nas cadeiras de Mecânica dos Sólidos (graduação) e Qualidade em Serviços (pós-graduação); Co-autor das obras: “Mecânica Geral - Estática” (1984) e “Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão” (1992), publicadas pela Editora Edgard Blücher Ltda; Autor das obras: “Seu Filho e a Escola - Você pode Ajudá-lo” (1992) - Editora Padre Reus, “Mensagens que Agradam o Coração” (2004) - Editora Vozes, “Administração do Tempo” (2006) - Editora Idéias & Letras, “Minha Vida de Milagres” (2007) - Editora Santuário; autor de 100 artigos de gerência geral publicados pela COAD, e 700 artigos de espiritualidade cristã em diversos jornais e revistas. Doutor em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP - 1998. Atual Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária e Coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFEI. Profere palestras/cursos de “Motivação no Trabalho”, “Ajuste Conjugal”, “Administração do Tempo”, “Liderança” e “Qualidade em Serviços”. Comprometido com ministérios de música e obras sociais na Igreja Católica, cursilhista, presidente da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Sagrado Coração, Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística.
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ORIENTE-SE

Paulo 4: 2010
Paulo 3: 2009
Paulo 2: 2008
Paulo 1: 2007

COMO VENDER FELICIDADE - 30 dezembro 2007

Paulo Roberto Labegalini
Pagando bem, consegue-se comprar qualquer coisa, exceto saúde e felicidade, dádivas que nem sempre o dinheiro pode bancar.
Há pessoas ‘ricas e doentes’ e pessoas ‘pobres e felizes’, confirmando o ditado: ‘Somente dinheiro não traz felicidade’. Os humoristas argumentam contra, dizendo: ‘Dinheiro pode não trazer felicidade, mas manda a pobreza para o inferno’. Acho que precisariam refletir um pouco mais sobre isto.
Eu classifico a felicidade em dois tipos: a que se busca na terra e a felicidade eterna no Céu. De nada adianta a primeira se não nos salvarmos; portanto, ser completamente feliz é buscar a Salvação. E afirmo que é possível conciliar os prazeres da vida sem cometer pecados; basta valorizar os serviços gratuitos a Deus e ao próximo.
Se eu fosse ‘vender felicidade’, o faria com alegria e verdade, fatores indispensáveis para testemunhar o lado bom da vida. E não venderia o ‘produto’ rapidamente, mas aos poucos, lembrando a história do sapo cozido: se o colocarmos numa panela de água quente, ele reagirá e pulará fora; porém, se o mergulharmos em água fria e ligarmos o fogo, o sapo ficará quieto enquanto a panela esquenta e morrerá cozido.
Assim também reage o ser humano: tem a tendência de pular fora da situação que o incomoda se não foi bem preparado para aquele tipo de mudança. É oportuno lembrar que o dia tem 24 horas: em média, 8 para dormir, 8 para trabalhar e 8 para saborear a felicidade. Sem planejamento e orientação, as horas de felicidade desaparecem!
Por isso é que, nesta coluna, eu insisto nas doses de orientação espiritual àqueles que não fizeram profundas experiências com Deus em suas vidas. Vêem paz no rosto de pessoas que trabalham na Igreja e, mesmo assim, não mudam de comportamento. Digo: se chamamos a atenção por sermos diferentes, experimente você também servir a Jesus Cristo como nós!
O texto abaixo foi encontrado na Igreja de Saint Paul, Baltimore, Estados Unidos, datado de 1692:
“Vá placidamente por entre o barulho e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Tanto quanto possível, sem capitular, esteja de bem com todas as pessoas. Fale a sua verdade, calma e claramente; e escute os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes; também eles têm a sua história. Evite pessoas barulhentas e agressivas. Elas são um tormento para o espírito.
Se você se comparar a outros, pode tornar-se vaidoso e amargo; porque sempre haverá pessoas superiores e inferiores a você. Desfrute suas próprias conquistas assim como os seus planos. Mantenha-se interessado em sua própria carreira, mesmo que humilde; é o que realmente se possui na sorte incerta dos tempos.
Exercite a cautela nos negócios, porque o mundo é cheio de artifícios. Mas, não deixe que isso o torne cego à virtude que existe; muitas pessoas lutam por altos ideais e por toda a parte a vida é cheia de heroísmo.
Seja você mesmo. Principalmente, não finja afeição nem seja cínico sobre o amor; porque em face de toda a aridez e desencantamento ele é perene como a grama. Aceite gentilmente o conselho dos anos, renunciando com benevolência às coisas da juventude.
Cultive a força do espírito para proteger-se num infortúnio inesperado. Mas não se desgaste com temores imaginários. Muitos medos nascem da fadiga e da solidão. Acima de uma benéfica disciplina, seja bondoso consigo mesmo. Você é filho do Universo, não menos que as árvores e estrelas. E quer seja claro ou não para você, sem dúvida o Universo se desenrola como deveria.
Portanto, esteja em paz com Deus, qualquer que seja sua forma de concebê-lo, e sejam quais forem a sua lida e as suas aspirações, na barulhenta confusão da vida, mantenha-se em paz com a sua alma. Com todos os enganos, penas e sonhos desfeitos, este ainda é um mundo maravilhoso. Esteja atento.”
É um verdadeiro tratado de sabedoria e continua atual, concorda? Sabedoria também teve o padre Maristelo quando nos leu isto, no final de uma missa, em dezembro:
“O beija-flor pode ficar parado no ar, voa para frente e para trás. É a única ave capaz dessa proeza. Consegue voar 800 quilômetros sem pousar - distância Rio/São Paulo, ida e volta. Suas asas batem 90 vezes por segundo, num movimento ondulatório que lhe permite ficar quase imóvel diante da flor.
Os cientistas descobriram o segredo de tanta energia: a maior parte do peso do beija-flor (60%) está no coração. Não é um passarinho, é um coração que voa! Um coração em forma de passarinho - um passarinho-coração! Natal, portanto, é um coração que voa!”
Em pesquisa com 200 pessoas no Hospital do Coração de São Paulo, chegou-se à conclusão que 58% dos enfartados não sentem motivação para viver em família, ou seja, são infelizes. Ao contrário, o menor índice de doentes ocorreu no grupo de pessoas bem humoradas. Então, eis como vender pacientemente a felicidade: com alegria, falando da salvação eterna, valorizando a família, testemunhando uma vida sem pecados e mostrando um coração em forma de amor.
Enquanto estivermos nesta missão, nossa morada estará sendo construída no Céu.


ANO NOVO COM AMOR NO CORAÇÃO - 23 dezembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Tenho guardado um texto que ensina como montar um presépio espiritual. Já que Natal é o ano inteiro, sugiro que siga estes conselhos em 2008:
ESTÁBULO - Ofereça freqüentemente o seu coração ao Menino Jesus. Peça-Lhe para fazer dele a Sua casa.
TELHADO - Procure construir o telhado do estábulo em boas condições, para que o Menino esteja protegido da chuva e do sol. Faça isto evitando cuidadosamente qualquer pecado contra a caridade.
FENDAS - Tape todas as fendas nas paredes do estábulo, para que o vento e o frio não entrem lá. Guarde os desejos de tentações na caixa de orações. Guarde especialmente os seus ouvidos contra as conversas pecaminosas.
TEIAS DE ARANHA - Limpe as teias do seu presépio espiritual. Tire do coração qualquer necessidade excessiva de ser louvado.
MANJEDOURA - Arranje o canto melhor e mais quente do coração para a manjedoura de Jesus. Consegui-lo-á abstendo-se do que gostar mais na linha do conforto e do divertimento.
PALHA - Forneça palha macia à sua manjedoura, fazendo pequenos atos de mortificação, como suportar o frio sem se queixar, sentar-se e ficar meditando etc.
COBERTORES - Forneça à manjedoura cobertores macios e quentes. Evite palavras ásperas e não se zangue. Seja gentil para com todos.
COMBUSTÍVEL - Traga combustível para o presépio de Jesus. Desista da sua vontade própria: obedeça prontamente a sua Igreja.
ÁGUA - Consiga água fresca e limpa para o presépio. Acabe com toda palavra que não seja verdadeira e todo ato traiçoeiro.
PROVISÕES - Forneça comida para o presépio. Prive-se de alguma coisa nas horas das refeições ou de guloseimas.
FOGO - Tenha o seu coração aquecido por um fogo acolhedor. Seja grato a Deus pelo amor que Ele nos mostrou em se tornar homem.
BOI - Ofereça ao Divino Menino a sua força física. Use-a ao serviço dos outros.
PRENDAS - Reúna alguns presentes para Deus e Sua Mãe. Dê esmolas aos pobres e reze uma dezena extra do rosário.
PASTORES - Convide os pastores mansos e humildes de coração a prestarem homenagens ao nosso Rei recém-nascido. Imite as suas vigilâncias e insista no discurso de que o Natal é importante porque Jesus nascerá novamente em nós.
ANJOS - Permita aos anjos adorar a Deus consigo. Obedeça as inspirações do seu anjo-da-guarda e da sua consciência cristã.
SÃO JOSÉ - Acompanhe a dor de São José ao ver fecharem-se-lhe as portas em Belém. Aprenda pelo silêncio e pela paciência a suportar recusas e desapontamentos.
VIRGEM MARIA - Vá ao encontro da sua Bem-aventurada Mãe. Leve-a à manjedoura do seu coração e peça-lhe que ponha nele o Menino Jesus. Substitua as suas demoradas conversas telefônicas por mais tempo junto à Sagrada Família.
Será um ano fascinante se tudo isto for praticado. Fascinante também é ter esperanças no amanhã, não invadir o espaço alheio, ser espontâneo, amar as pessoas incondicionalmente, vencer a tristeza, perdoar a todos, brincar feito criança e chorar de felicidade.
E como é fascinante ter pensamento positivo, respeitar os sentimentos dos outros, ser sincero, encontrar motivação nas pequenas coisas, entender que somos pessoas únicas neste mundo, não se apegar a bens materiais, adorar um dia de chuva, enxergar além das aparências e descobrir que precisamos uns dos outros.
Fascinante ainda é ver a beleza da alma limpa, vencer a passividade, saber que a vida é conseqüência das nossas atitudes, praticar a humildade, curtir as vitórias, viver apaixonado pela pessoa certa, entender que há limites para tudo, fazer parcerias com os amigos, dormir em paz, melhorar os relacionamentos, aproveitar as boas oportunidades e acreditar na vida eterna!
Quantos bons conselhos para vivermos um grande ano, repleto de bênçãos e felicidade, concorda? É um lindo presente de Deus permitir a qualquer pessoa se converter, amar e perdoar sempre. Pena que o tempo vai passando e muita gente não se deixa convencer que ser cristão é servir o próximo gratuitamente. É tão fácil experimentar e se apaixonar pela caridade!
Pense um pouco e responda: ‘Sou capaz de renunciar alguns dos meus sonhos para aceitar a vontade de Deus em minha vida?’ Para isto acontecer, basta você colocar mais amor no coração.
Adeus 2007 e um santo 2008 a todos!

FECHAMOS COM CHAVE DE OURO - 16 dezembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Bênçãos sobre bênçãos! Foi este o resultado do ‘Natal no Campus 2007’. Tudo o que poderia não dar certo, eu entreguei nas mãos de Nossa Senhora e ela cuidou pra mim.
No último evento, por exemplo, choveu demais uma hora antes do espetáculo. Ligaram-me dizendo que a coisa estava feia no local: ambiente sujo devido ao baile de formatura naquela noite, som inacabado, cadeiras a colocar - tudo com bastante atraso. Como sempre faço, rezei antes de sair e... Bem, eis o que o maestro Amaury Vieira escreveu para a imprensa no dia seguinte:
“Cumprindo uma vasta e diversificada programação sócio-cultural do Natal no Campus, a UNIFEI recebeu domingo, no Castelo de Cristal, cerca de 3 mil pessoas para assistirem ao concerto da Orquestra Sinfônica de Poços de Caldas (MG). Segundo Agenor Ribeiro Neto, maestro titular, a orquestra tem um repertório voltado à música brasileira, a temas de filmes e a grandes sucessos da música pop internacional.
A orquestra trouxe também alguns cantores líricos que apresentaram canções que foram grandes sucessos na voz de Frank Sinatra, Montserrat Caballé e Fred Mercury. A impressionante voz aguda do contra-tenor Abel Santos arrancou grandes aplausos do público.
Um show à parte pela sua enorme facilidade de comunicação, o maestro Agenor Neto procurou, o tempo todo, uma interação do público com a orquestra, através de efeitos sonoros criados pela platéia. No tema do filme ‘Tubarão’ ou numa animada ‘Plaza de Toros’, o público se divertiu com gritos, assovios e o famoso ‘olé!’.
A apresentação chegou ao final com o ‘Tema da Vitória’ - Ayrton Senna. Milhares de pessoas viajaram no tempo e puderam ver pela primeira vez uma orquestra que, embora não tenha tocado obras sinfônicas, agradou pelo repertório popular.
Assim, a UNIFEI conseguiu neste ano seu objetivo ao trazer para o Campus Universitário uma parcela substancial de nossa comunidade, tão carente de eventos culturais de qualidade.”
Como o Amaury trabalha comigo e apresentamos o show juntos, suas palavras podem parecer suspeitas, mas quem o conhece ou esteve presente sabe que foi tudo verdade. E mais: houve aplausos calorosos em homenagem ao saudoso amigo Laércio Caldeira; premiamos os alunos vencedores do Concurso de Cartões de Natal; apresentamos a equipe que trabalhou na programação desse ano; e rezamos um Pai-Nosso de mãos-dadas. Até o maestro Agenor comentou e elogiou.
E no mesmo dia 16, o almoço solidário para 1000 pessoas foi um presente de Deus para todos nós. Pena que faltaram presentes para muitas crianças, já que tínhamos 350 brinquedos e estimamos 700 menores no Campus. No mais, tudo foi festa!
Cabeleireiras cortaram cabelos, dançarinos se apresentaram, dentistas orientaram e distribuíram kits de escovação, voluntárias serviram pipoca e algodão doce, a equipe da cozinha preparou um almoço delicioso, garçons profissionais vestiram-se a caráter, 100 cestas-básicas foram entregues... quase tudo documentado pela Globo - EPTV Sul de Minas.
São tantas pessoas que doaram seu tempo e serviço que nem dá para relacionar. Apenas quero fazer menção ao Batalhão e ao Expresso Valônia. Nota 1000 para vocês! Sem a organização dos militares e o transporte gratuito, não colheríamos os mesmos frutos. Também, pudera! Das 5 da manhã - quanto o Mansinho chegou com os cozinheiros - às 17 horas, o trabalho foi intenso, mas muito gratificante no amor ao próximo.
E no dia de Nossa Senhora de Guadalupe, 12 de dezembro, contamos com a presença do professor Felipe Aquino, apresentador da ‘Escola da Fé’ na TV Canção Nova e autor de 57 livros. Ele falou sobre ‘Cristo, sinal de contradição’. Quase 200 pessoas ficaram atentas aos seus ensinamentos e se entristeceram quando a palestra acabou.
Ele comentou o significado do ouro, incenso e mirra, que os Magos deram a Jesus - presentes oferecidos aos reis, a Deus e aos sepultados, mostrando que acreditavam que estavam recebendo o Príncipe de Israel! Eis mais algumas abordagens do meu ex-professor:
1 - Com o tempo, Jesus apresentou suas credenciais divinas, por meio de sua sabedoria e de seus milagres: curou leprosos e cegos, andou sobre as águas, multiplicou os pães, ressuscitou Lázaro etc. O mundo continuou pecador depois que Ele morreu, mas muitos corações foram tocados na certeza de que Deus havia estado em carne e osso na Terra.
2 - A Igreja não tem medo da verdade e a preza porque tudo o que atesta como milagre é cientificamente comprovado. Isso a faz indestrutível e cada vez mais respeitada.
3 - E a pedagogia que Jesus usou para chegar à Eucaristia foi maravilhosa: multiplicou os pães, mostrando poder sobre eles; andou no mar, mostrando domínio sobre seu corpo; então, disse: Eu posso transformar o pão em meu corpo!
4 - Quem acredita em Newton não duvida que força é igual à massa vezes aceleração - mesmo sem entender de física! Da mesma forma, nós, cristãos, aceitamos os mistérios da fé mesmo sem entendermos como Deus opera os milagres. O importante é confiarmos nas Suas promessas.
Muito mais eu poderia contar da palestra e do Natal no Campus, mas como muita gente está comentando e escrevendo a respeito, só posso concluir que os elogios serão partilhados por todos que me ajudaram.
E lembre-se: o Natal começou no coração do Pai, mas só estará completo quando alcançar os corações dos homens. Receba o Menino-Jesus dizendo: Louvado seja Deus!

NÃO DÁ PARA COMPARAR - 9 dezembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Papai-Noel mora no Pólo Norte; Jesus está em todo lugar de oração. Papai-Noel vem somente uma vez ao ano; Jesus está sempre presente quando O chamamos. Papai-Noel coloca alegria em nossas casas; Jesus supre todas as nossas necessidades. Papai-Noel desce pela chaminé mesmo sem ser convidado; Jesus fica à porta, bate e entra em nosso coração.
Às vezes, temos que esperar em uma fila para ver Papai-Noel; Jesus já está ao nosso lado quando precisamos d’Ele. Papai-Noel nos deixa sentar um pouco no seu colo; Jesus nos deixa descansar o quanto quisermos em seus braços. Papai-Noel não sabe o nosso nome; Jesus sabia como nos chamaríamos antes mesmo de nascermos, e mais: Ele sabe não somente o nosso nome, mas a nossa história e quantos fios de cabelo temos na cabeça!
Papai-Noel tem uma barriga que balança como gelatina; Jesus tem um coração imenso, cheio de misericórdia e perdão. Papai-Noel diz: ‘Ho, ho, ho!’; e Jesus: ‘Deixa que eu resolvo os seus problemas’. Os ajudantes do Papai-Noel fazem brinquedos; Jesus faz vida nova, que consola nosso coração aflito.
Papai-Noel pode fazer-nos um agrado passageiro; Jesus nos oferece a paz eterna. E enquanto Papai-Noel nos cativa com sua bondade, Jesus provou seu amor por nós, morrendo na cruz para nos salvar! Portanto, é claro que não há comparações mesmo que Papai-Noel fosse de verdade, mas não devemos nos esquecer que Jesus é o nosso maior presente neste Natal. Ele é a razão de toda comemoração.
Sabendo disso, há muito tempo, já estava na hora de a UNIFEI presentear a região com uma grande festa de Natal. As luzes começaram a brilhar em 2005, os eventos vieram em 2006 e, neste ano, graças a Deus e a todos que ajudaram nos anos anteriores, a grande festa chegou.
Do dia primeiro até hoje - terça, dia 11 -, mais de 4 mil veículos entraram na Universidade após às 20 horas. Considerando que muitos eram ônibus e vans, quase 15 mil pessoas passearam pelo Campus e prestigiaram nossas atrações.
O Festival de Presépios foi o maior sucesso! Além do grande público na abertura, sábado passado centenas de famílias circularam pela exposição, elogiando a beleza dos trabalhos. A cada cumprimento que eu recebia, dizia que somos uma equipe e todos merecem o mesmo elogio. Os pedidos para não os desmontarmos antes do Natal também foram muitos, mas já estava previsto ficar apenas até o dia 10.
Domingo, o grupo de dança deu um show! O desafio que eu havia feito ao Marcílio Bastos foi cumprido - atingir principalmente o público infantil e envolver temas natalinos. No final das apresentações, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi aplaudida de pé, venerando nossa querida Mãe que amamos tanto.
O grupo de palhaços, que veio a seguir, ficou prejudicado pelo horário avançado. Precisaram cortar parte das brincadeiras e encerraram mais cedo. Mesmo assim, divertiram os menores e ajudaram a alegrar ainda mais a noite.
Cinco ‘sortudos’ levaram os prêmios doados pela Casa Vera Cruz Florarte; dezenas de pessoas voltaram para casa transportados pelos ônibus cedidos pela Valônia; os grupos que estiveram no palco receberam esculturas feitas pelo artista plástico Domingos Tótora; crianças receberam pirulitos, enfim, cerca de duas mil pessoas assistiram a abertura dos eventos no palácio de cristal.
E na segunda-feira, o que dizer do padre Fábio de Melo? Quem esteve presente sabe que não dá para traduzir em palavras tudo o que vimos. Foi um espetáculo de agradar o espectador mais exigente do planeta! Contarei algumas particularidades:
Ele é simples, gente muito boa, de extrema qualidade vocal e grande bagagem espiritual. Após a apresentação, elogiou a educação do público e a organização do show. Também comentou que nunca havia se apresentado para uma platéia superior a mil pessoas em recinto fechado. Sabemos que no rincão da Canção Nova cabem milhares de fiéis, mas é local aberto. Itajubá e região mostraram como receber dignamente um enviado de Deus, que evangeliza e transforma tantos corações.
Eu tive a missão de conduzir o espetáculo e fazer os agradecimentos ao Pe. Fábio. É claro que foi um privilégio, mas também muita responsabilidade. Como a chuva de graças cai em quem reza e acredita, a noite foi extremamente abençoada. No final, fui inspirado a chamar ao palco duas pessoas que poderiam representar as quatro mil pessoas presentes: uma menininha que chorava copiosamente, e uma senhora bastante idosa que chegou à frente para ver o padre de perto. Ele as recebeu com carinho e depois pediu que a D. Nazaré, mãe do saudoso Pe. Léo, se aproximasse para um abraço.
Tudo foi lindo, maravilhoso, e somente quem esteve presente sabe contar. Eu sou suspeito em falar, mas a Soraia, minha filha, encantou a todos na abertura do show. Cantou quatro músicas belíssimas e foi aplaudida como se fosse uma artista; aliás, pra mim, ela a é há muito tempo!
Bem, gosto não se discute, a Jesus nada se compara, mas uma coisa não se pode negar: o grupo que está organizando e patrocinando o Natal no Campus UNIFEI 2007 merece os parabéns. Obrigado a todos!
E domingo, dia 16, tem mais: Orquestra Sinfônica de Poços de Caldas! Mesmo que você não tenha convite, compareça e será bem recebido.

AS TRADIÇÕES DO NATAL - 2 Dezembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Há muito tempo, em Groccio, na Itália, Francisco de Assis estava com um problema. Ele não conseguia explicar para os camponeses como havia sido a noite do nascimento de Jesus. Foi aí que ele teve uma idéia genial: pegou um pouco de argila e, com muita paciência, moldou vários bonequinhos de barro.
Primeiro, fez um bebê; em seguida, o pai e a mãe; mais argila e foram saindo: três reis montados em camelos, alguns pastores, um boi, um burrinho e, por fim, uma bela estrela. Depois, foi só arrumar tudo e pronto: no ano de 1223, São Francisco havia montado o primeiro presépio do mundo!
Quando os camponeses viram a cena do presépio, ficaram muito curiosos: quem eram aqueles três reis montados em camelos? Aqueles pastores, o que faziam ali? E por que Jesus, o Rei dos reis, havia nascido numa gruta? Foi então que São Francisco lhes explicou em detalhes o que cada bonequinho representava.
E você sabe como apareceu a lenda do Papai-Noel? Alguns acreditam que surgiu na Idade Média, quando a peste matou milhares de crianças. A lenda dizia que Noé, o mesmo que construiu a arca, teria pedido a Deus que o enviasse novamente à Terra para alegrar um pouco os pequeninos. Deus aceitou e, então, Noé surgiu como o velho Noel, distribuindo os bichinhos de sua coleção de animais para divertir a garotada.
Outra tradição conta que Papai-Noel foi um bispo católico muito bondoso, chamado Nicolau, que viveu no século V. Cansado de ver o sofrimento de seu povo, especialmente das crianças, ele resolveu presentear a garotada com brinquedos e comida todo final de ano. Por isso, Papai-Noel também é conhecido como São Nicolau, o santo das crianças, e seu dia é comemorado em 6 de dezembro.
Se depender do Papai-Noel, o mistério vai continuar para sempre. Mesmo que não passe de uma lenda, ele simboliza a bondade e a alegria que a gente deve carregar no coração durante o Natal e o ano inteiro.
Também é interessante saber que a primeira árvore de Natal foi montada na França, em 1605. As pessoas que a inventaram achavam que traria sorte, mas foram os alemães que utilizaram o pinheirinho em suas primeiras árvores. Eles o escolheram porque acreditavam que as folhas verdes simbolizavam, como Jesus, a renovação da vida.
A árvore de Natal é sempre desmontada no dia 6 de janeiro, o dia em que os Reis Magos avistaram a Estrela de Belém e decidiram viajar para encontrar o Menino Jesus.
E os cartões de Natal, como surgiram? Em 1846, na Inglaterra, Sir Henry Cole estava com um problema. Ele era o diretor do museu Victoria and Albert e, como estava muito ocupado, acabou esquecendo de mandar as cartas desejando um feliz Natal para seus amigos. Quando se lembrou, o Natal estava próximo e ele não havia escrito nada! Foi aí que teve uma grande idéia: mandou um artista fazer uma gravura bem bonita, imprimiu várias cópias e escreveu atrás uma frase bem curta: ‘Que Deus lhe dê um Feliz Natal’. Enviou e foi aquele sucesso!
Isto tudo está sendo reproduzido em grande escala na nossa cidade este ano. As crianças das escolas públicas municipais participaram do I Festival de Cartões de Natal da UNIFEI e, os cinco desenhos vencedores, se tornaram os cartões oficiais da Universidade em 2007. A premiação será durante a apresentação da Orquestra Sinfônica de Poços de Caldas (MG), dia 16.
E nesta semana, na programação do Natal no Campus, está acontecendo o maravilhoso Festival de Presépios. Desde a noite de abertura, com mais de quinhentas pessoas, centenas de adultos e crianças vêm visitando aquele espaço e se encantando com tanta coisa bonita. Itajubá-MG está confirmando que tem vocação artística de alta qualidade!
Ah, e as árvores do Natal dos Sonhos espalhadas pela cidade, não estão lindas? Apesar de tanto trabalho da Lurdinha e de tanta gente, valeu a pena! Não há quem não comente que a cidade ficou diferente à espera do Menino Deus. Parabéns a todos!
Por fim, quero falar um pouco do Papai-Noel. Ele pode ser você, sabia? Primeiro, leia esta história:
“Durante sua festa de aniversário, um menino de 5 anos resolveu contar o sonho daquela noite. Antes de partir o bolo, pediu silêncio e começou a falar:
- Eu sonhei que fiz um passeio lindo! Visitei muitos países e conheci um montão de parques de diversão. O mais bonito foi aquele... Aquele lá longe... Eu esqueci o nome, mas meu irmão sabe.
Então, surpreso, o irmão mais velho respondeu:
- Eu? Como vou saber se foi você que sonhou?
- É claro que sabe! - falou o aniversariante. - Você viajou comigo no sonho!”
Pois é, leitor, saiba que você está no sonho de muitas crianças pobres. Ajude a construir finais felizes nas histórias de algumas delas. Seja o generoso Papai-Noel!

Nota: Nova distribuição de ingressos do show do Pe. Fábio de Melo será no dia 9, trocados por quilos de alimentos, antes das apresentações de dança do Marcílio Bastos e do Grupo Cenáculo de Teatro Infantil. Já entregamos cerca de 3000 e restam 1000 ingressos.


O CRISTÃO LEIGO - 25 Novembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Você já pensou que Deus tem um plano para você? Certamente sim, mas sua fé é suficiente para testemunhar em público as graças que você recebe? Você é daqueles que acham difícil se comprometerem com o apostolado de Cristo?
Talvez falte esclarecer a muita gente que todo ser humano batizado tem uma grande missão a cumprir. E quem assume a missão que lhe foi confiada pode ser chamado de cristão leigo - um apóstolo de Cristo. Portanto, ser um cristão comprometido com a evangelização é nosso dever, porque somos chamados por Deus desde que fomos batizados em nome de Jesus e do Espírito Santo.
Na dimensão da fé, nossos talentos não podem ser enterrados, ou nos arrependeremos amargamente. Temos diversas oportunidades para rezarmos, participarmos dos Sacramentos, amarmos os irmãos, perdoarmos, construirmos a paz e a justiça, nos comprometermos com a verdade, enfim, somos chamados a termos condutas cristãs. (leia: Mt 25,14-30)
Nossa missão é pessoal e indelegável. Ninguém pode fazer a tarefa que Deus destinou a mim: ser Igreja onde eu for - com liderança, conhecimento de causa e qualidades pessoais. Se eu corresponder ao chamado do Céu, estarei assumindo o meu Batismo, não para ajudar a missão da Igreja, mas para testemunhar o amor que Jesus plantou em meu coração.
Quem coloca amor à frente de tudo o que faz, não passa pelo constrangimento do homem que chegou ao Céu e foi recebido pelo Senhor. Feliz pelo encontro, o homem O saudou:
- Meu Senhor e meu Deus! Há muito tempo eu queria conhecê-Lo.
Com o olhar penetrante e sereno, Jesus respondeu:
- Nós já nos conhecemos. Aquele mendigo que você deu pedaços de pão à porta de sua casa, era eu! Por diversas vezes, você matou a minha fome.
- Perdão, meu Deus. Se eu soubesse que era o Senhor, teria passado manteiga no pão.
Isto parece uma piada ou um diálogo absurdo? Se você soubesse que Jesus estivesse em pessoa à sua porta, não O receberia com carinho e gratidão? Não custa lembrar que Ele disse estar sempre no corpo daquele que sofre, e às vezes nos esquecemos disso. Esquecemo-nos ainda que o rico também sofre quando é pobre de coração. É um tipo de pobreza que escraviza e condena a alma.
Então, para ser pobre em espírito, como Deus quer, faça a sua parte na caridade. Grandes oportunidades para isso acontecerão neste final de semana. Hoje, sábado, às 20 horas no Campus da UNIFEI, estaremos distribuindo convites para a palestra do professor Felipe Aquino, dia 12. Levando uma bola ou uma boneca novos, você garantirá o seu convite, mas não se atrase porque só temos condições de atender 200 pessoas. No mesmo horário, estaremos acendendo as luzes dos enfeites natalinos e abrindo o Festival de Presépios. Deus abençoe que tudo aconteça com normalidade e será muito bonito.
Domingo, dia 2, às 20:30 horas, em frente ao prédio central da UNIFEI, trocaremos um quilo de alimento por um ingresso para o show do padre Fábio de Melo, dia 10. Os alimentos serão usados no almoço solidário para os carentes, dia 16. Pedimos, principalmente, arroz, feijão, óleo e refrigerante. Compareça não somente para pegar o seu ingresso, mas também para presenciar as apresentações dos corais infantis, que totalizarão mais de 150 vozes.
Doando brinquedos e alimentos, você estará se preparando para crescer na fé: com os ensinamentos do professor Felipe e do padre Fábio. Cuide de sua espiritualidade e sua vida será muito mais abençoada - por estar perto de Cristo. Ele continua vivo e de braços abertos para todos nós; basta continuarmos caminhando ao encontro d’Ele. E como é bom seguir Jesus, de corpo e alma, em águas mais profundas!
No 15º Cursilho Masculino, na semana passada, vivemos novas experiências do amor de Deus por nós. Parabéns ao Aloísio Rios e a toda a equipe pela competente coordenação, regada por muita humildade e oração. Que o tema escolhido possa ser praticado no dia-a-dia: ‘Procurai o Senhor enquanto é possível encontrá-Lo; chamai por Ele, agora que está perto’ (Isaías 55,6). Não esqueçamos de invocar também nossa querida Mãe Santíssima. Peçamos que ela nos cubra com seu manto, nos protegendo de todas as investidas do inimigo.
Os rios de sangue dos cristãos perseguidos e mortos não podem ficar no esquecimento. Devem servir para cultivo da terra santa que pisamos e para fazer brotar as sementes das árvores da sabedoria de Deus. Seus frutos nos saciarão da fome de amor.
Como nos disse o padre Catarino em sua mensagem: “Nossa vida só tem sentido se estiver inserida na vida de Cristo”. Pela oração, nos fortalecemos na fé, adquirimos mais espiritualidade e abrimos o coração a Deus. Dessa forma, iniciamos diariamente uma nova caminhada, nos libertando dos pecados e nos comprometendo com a evangelização.
Procuro não deixar de praticar meu lema de vida: ‘Servir a Deus com responsabilidade, humildade e qualidade’. Tenho consciência que Jesus conta e está comigo; sei que a Virgem Maria me protege e abençoa; não duvido que o meu anjo da guarda me acompanha e governa. Assim, a minha conduta cristã, com dignidade e conhecimento de causa, só depende de mim.
Ser amado é bom, mas doar amor é muito melhor.


O BORDADO DA VIDA - 18 Novembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Na última reunião da nossa Conferência de Vicentinos, a consócia Janete entregou-me um texto que serviu de reflexão espiritual para todo o grupo. Eis a história:
“Quando eu era pequeno, minha mãe costurava muito. Sentava-me perto dela, perguntava o que fazia e ela me respondia que estava bordando. Eu observava seu trabalho de uma posição mais baixa de onde ela ficava e sempre lhe dizia que parecia muito confuso aquilo que fazia. Ela sorria, olhava para baixo e gentilmente pedia:
- Filho, saia um pouco para brincar e, quando terminar, te chamarei, te colocarei sentado em meu colo e te deixarei ver o bordado desta minha posição.
Perguntava-me por que ela usava alguns fios de cores escuras e por que eram tão desordenados de onde eu estava. Minutos mais tarde, eu a escutava chamando:
- Filho, venha e senta-te em meu colo.
Eu corria ao seu encontro e me emocionava ao ver a formosa flor e o belo entardecer no bordado. Não podia crer: de baixo parecia tão confuso e, na verdade, era tão bonito! Então, minha mãe dizia:
- Filho, de baixo para cima é confuso e desordenado, porém, não te ocorreu de que há um plano acima? Primeiro, havia um desenho riscado; eu o segui e, agora, olhando-o da minha posição, sabes que eu estava realizando um lindo trabalho!
Desde aquela época, ao longo dos anos, muitas vezes olhei desanimado para o céu, dizendo:
- Pai, o que estás fazendo?
Ele sempre respondeu:
- Estou bordando tua vida.
- Mas, está tudo tão confuso, em desordem! Há muitos nós, fatos ruins que não terminam e coisas boas que passam rápidas demais! Os fios parecem tão escuros; por que não são mais brilhantes?
E o Pai celeste me fez compreender:
- Meu filho, ocupa-te do teu trabalho e eu farei o meu. Um dia te trarei ao Céu, te colocarei em meu colo e, então, verás o plano da tua vida da minha posição.”
Pois é, esta história mostra que muitas vezes não entendemos o que está acontecendo ao nosso redor, porque as coisas parecem não se encaixar e muitas não dão certo. Acontece que estamos vendo o avesso da vida e somos péssimos atores - não nos esforçamos em ajudar a melhorar cada situação desfavorável. Precisamos ter a certeza de que, do outro lado, Deus está bordando para nós.
Na verdade, esse bordado tem apenas uma linha reta, que vai do nosso nascimento até o Céu. Cada vez que nos desviamos desse caminho, nosso Pai desenha um atalho e pede que voltemos à linha da salvação. Como isso acontece centenas de vezes durante a nossa existência, o desenho fica todo remendado e, olhando do avesso, parece horrível!
Não é isto que ouvimos de tanta gente: ‘minha vida é uma porcaria e piora cada vez mais’? Olhando do ângulo de quem perdeu a esperança na felicidade, faz algum sentido; mas, quem já não experimentou muitos sofrimentos desde que nasceu? Eu, por exemplo, quanto mais fui provado, mais cresceu a minha fé.
É importante sabermos que destino não existe e tudo pode ser mudado pela oração. Rezando e fazendo o bem, ficamos sempre próximos da linha que Deus gostaria de bordar para nós. Mas precisamos pedir a Ele que troque a cor do fio de vez em quando, confiando que uma linha mais clara nos ajudará a enxergar as graças que recebemos a todo momento.
Reclamar é muito fácil; basta continuar olhando o ‘bordado’ do lado do avesso. Tudo continuará confuso e sem nenhuma possibilidade de conserto. Será que vale a pena ficar comodamente no plano de baixo, esperando os nós se desatarem e o desenho se tornar bonito? Como ter esperança que isto aconteça sem contarmos com as habilidosas mãos de Deus? Quanto mais desprezarmos a Providência Divina, mais confuso ficará o bordado e mais distantes estaremos do Céu.
Portanto, mesmo quem nunca bordou, pode entender que só há um lado para apreciar a beleza do desenho de nossa vida: o lado da santidade, visto do alto. Quem não vê as coisas com amor, não consegue vislumbrar como a vida é bela e quantas bênçãos recebemos a cada novo amanhecer. São muito mais graças do que tropeços, muito mais alegrias do que tristezas; porém, há muito mais locais de pecado do que de oração. Cabe a nós mudarmos essa realidade.
Se eu tivesse desanimado nas doenças que experimentei, não estaria vivo hoje. Se tivesse virado as costas para todos os pobres que cruzaram o meu caminho, não teria méritos perante Deus. Se não tivesse uma palavra de esperança às pessoas desesperadas que conversei, não continuaria como agente da Pastoral Familiar. E se não acreditasse na ação do Espírito Santo, pensaria que tenho poderes sobrenaturais e tudo estaria perdido.
Sentando no colo do Pai e percebendo como o trajeto é curto e direto rumo ao Céu, talvez colaboremos mais na beleza do bordado. Para Deus, é um trabalho simples e fácil, desde que entreguemos a Ele uma procuração para desenhar o quadro da nossa vida. Então, o nosso querido Pai usará fios dourados e a perfeição se estabelecerá!

NATAL NO CAMPUS 2007 - 11 Novembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

O Natal no Campus foi criado no ano de 2005 pela atual reitoria da UNIFEI, em Itajubá-MG, com o objetivo de abrir as portas da Universidade para a comunidade, por meio de eventos culturais que resgatassem o brilho das festividades de Natal. Para a realização do Projeto, a Universidade Federal de Itajubá foi iluminada com enfeites natalinos em seus prédios, postes e árvores - veja fotos no site: www.extensao.unifei.edu.br.
Além do grupo de trabalho envolvido, o sucesso do Projeto nos dois anos anteriores deveu-se, principalmente, à coordenação do professor Laércio Caldeira, cuja memória sempre será lembrada.
Agora, o diferencial do Projeto em 2007 está na proposta de atividades inéditas, mostrando o verdadeiro sentido do Natal, dentre elas: a que contempla o público infantil - Concurso do Cartão da UNIFEI -, onde foram escolhidos desenhos natalinos em cinco categorias (alunos de 1ª a 5ª séries do ensino público municipal); o I Festival de Presépios; show de palhaços para as crianças da periferia na noite do dia 9 de dezembro; e sorteios de prêmios.
Outro fator importante é mostrar que a Universidade não possui somente excelência tecnológica, mas também tem a preocupação de educar seus alunos e estender a formação cultural para a comunidade. Promoveremos, ainda, oficinas de artesanato natalino para 500 alunos do ensino fundamental e médio.
Assim, toda a comunidade da região será convidada a participar gratuitamente dos festejos, incluindo o show do Pe. Fábio de Melo, palestra do nosso ex-professor Felipe Aquino, encontro de corais com 300 vozes e apresentação da Orquestra Sinfônica de Poços de Caldas (MG). Também será promovido um almoço solidário à população carente da cidade - 1000 pessoas -, com distribuição de brindes e orientações de higiene.
Portanto, a programação deste ano já está completa e continua sendo divulgada neste jornal e nos meios de comunicação. No programa ‘Voz da Soledade’, 9 h deste domingo na Rádio Jovem, darei mais detalhes dos eventos. Quem morar em outra cidade, poderá ouvir pela internet: www.jovemfm.com.br.
A maior procura por ingressos continua sendo para o show do Pe. Fábio, dia 10 de dezembro. Será uma apresentação de piano e voz, com reflexões cristãs e músicas lindíssimas, como ele bem sabe fazer. Quem não o conhece, assista a TV Canção Nova, às 22:30 h de quinta-feira, e verá o que nos espera. A espiritualidade e talento desse sacerdote encantam a todos.
Para este dia, teremos 4.000 ingressos, que poderão ser trocados por um quilo de alimento não perecível em duas oportunidades:
- dia 2, após as apresentações dos corais infantis no prédio central da UNIFEI, em frente à Matriz Nossa Senhora da Soledade, com início previsto para 20:30 h;
- dia 9, durante os shows da Cia Cenáculo de Teatro e Grupo de Dança Marcílio Bastos, às 20 h, no Campus.
Além destas duas datas, não entregaremos e nem reservaremos ingressos. Vale reforçar, os alimentos doados serão consumidos pelas famílias carentes no almoço solidário do dia 16, sob a coordenação da Lurdinha - CDL e Lápis de Cor. O Natal dos Sonhos que ela está realizando, irá somar às nossas festividades.
A instalação que está sendo montada no Campus - Castelo de Cristal -, terá gerador próprio, ar condicionado, estacionamento, equipe de 40 seguranças, iluminação e som profissionais, tudo muito bem cuidado, como a população de Itajubá e região merecem. É uma feliz parceria da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da UNIFEI e vários patrocinadores, nas responsabilidades sociais que tanto prezam.
Apenas a palestra do professor Felipe Aquino será no auditório da elétrica, às 20 h do dia 12, com capacidade para 200 pessoas. Como neste dia o Castelo estará sendo enfeitado para a formatura dos nossos alunos, não houve possibilidade de ampliar o número de participantes. Estaremos divulgando em breve o critério para obtenção dos convites.
Estimamos contar com mais de 15 mil pessoas visitando o Campus neste ano - 17% da população itajubense. Considerando as fases de planejamento, captação de recursos, pré-produção, realização e desmontagem, o prazo total de execução do Projeto será de oito meses.
Assim, o início do Natal no Campus dar-se-á no dia 1º de dezembro, quando estaremos inaugurando a iluminação e expondo os presépios, e se encerrará em 6 de janeiro de 2007. Já contamos com a inscrição de 23 presépios, além de show pirotécnico na abertura e outras surpresas que estamos preparando.
Agindo como irmãos, muito mais corações encontrarão a paz neste final de ano. Natal é partilha! Natal é confraternização! Natal é mais amor e serviço gratuito ao nosso irmão! Esperando a vinda de Jesus, reze muito, pedindo que, neste Natal, as bênçãos da Sagrada Família desçam abundantemente sobre todos nós, ricos e pobres. Amém!


DESPEDIDAS - 4 novembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Normalmente, despedir-se de alguém traz tristeza ao coração. E quando se trata de um parente falecido, a tristeza vem acompanhada de fortes emoções. Até se despedir de um animal de estimação por motivo de viagem, às vezes não é fácil. Enfim, quase ninguém gosta de despedidas.
Menos mal quando fica aquele sentimento de ‘quero mais a sua companhia’ e sabemos que em breve isso irá acontecer. É o caso de namorados que todos os dias se vêem ou de um filho que estuda em outra cidade e sempre acaba voltando. Mesmo assim, a saudade pela ausência não é boa; mas, a vida é assim: um ir e vir constante que nunca se acaba. Ou nos acostumamos a isso ou o sofrimento será maior.
Concordo que a morte é a despedida que mais dói; porém, não deveria ser. Pense em quem se despediu de Jesus Cristo no Sacramento da Crisma e até hoje não retornou para os braços d’Ele. Com certeza, a tristeza maior ocorre no Sagrado Coração, que sempre espera encontrar a ovelha perdida. E por que esse afastamento acontece?
O principal motivo é que Deus dá liberdade a qualquer ser humano para ir e não voltar. Fazemos isso com algum de nossos filhos ou entes queridos? Claro que não; mas Deus, por amor, faz! Ele também permite que escolhamos entre o bem e o mal, entre a razão e o coração, entre o céu e o inferno. E tem muita gente que se mostra indiferente a isso, como se fosse viver eternamente aqui na Terra.
Quando dizem que nenhum ateu é feliz, sou obrigado a concordar. Tenho pena de pensar que algum anticristão pode nunca ter sido apresentado a Cristo. Veja, se buscamos a felicidade a cada dia e contamos com a proteção Divina para isso, nossa esperança se renova e uma chuva de graças sempre nos espera. Já aquele que caminha sozinho, que perspectiva tem de melhorar? Com o coração carente de fé, como evitar sucessivos tropeços?
Portanto, há casos que tornam eterna a despedida. E se explicar a vida eterna não é tão fácil, quanto mais a despedida eterna! Se pensarmos no tempo infinito, todas as outras despedidas são curtas, exceto casais que se separam para nunca mais voltar. Quando o motivo foi falta de perdão, também não encontrarão felicidade separados. Sei que há quem discorde, só que estará discordando também da Bíblia: “O que Deus uniu, o homem não pode separar”.
Então, voltamos ao começo: toda despedida é triste; umas mais, outras menos, e o gostinho de ‘quero mais’ faz sofrer. Se, pelo menos, o amor fosse sempre um sentimento de partilha e nunca de posse nos corações das pessoas, haveria mais compreensão em cada despedida.
Jesus, nosso maior exemplo de aceitação das imperfeições humanas, morreu tentando nos ensinar a amar e, infelizmente, ainda não aprendemos quase nada. Batemos no peito, dizemos que somos cristãos e amamos o irmão, o que nem sempre condiz com o nosso comportamento.
Precisamos prestar mais atenção às pessoas de verdadeira fé à nossa volta, porque são exemplos a serem imitados. Eis a carta de um menino à sua mãe:
“Quando acreditavas que eu não estava olhando: te vi colocar meu primeiro desenho na geladeira e corri fazer outro; te vi pondo alimento na vasilha do cachorro e aprendi que é bom cuidar dos animais; vi lágrimas saírem de teus olhos e aprendi que algumas vezes as coisas machucam, mas que é bom chorar; te vi fazer meu doce favorito e aprendi que as pequenas coisas são as que fazem a vida especial; te escutei fazer uma oração, soube que há um Deus a quem sempre posso recorrer e aprendi n’Ele confiar.
Quando acreditavas que eu não estava olhando: percebi teu beijo de boa-noite e me senti amado; te vi dar de teu tempo e de teu dinheiro para ajudar a quem não tinha nada, e aprendi que os que têm devem ajudar os que não têm; te vi cuidar de nossa casa, de nós e aprendi que devemos tomar conta do que nos é dado; aprendi contigo as lições da vida que precisava: como ser uma pessoa boa e como dizer ‘muito obrigado’ com apenas um sorriso.
Olhei-te, mãe, e quis dizer: obrigado por todas as coisas que vi quando acreditavas que eu não estava olhando.”
Pois é, embora pensemos que Deus nem sempre está olhando, Ele nos sonda e já nos conhecia mesmo antes da nossa criação. Quem teima em não se aproximar de Nosso Senhor Jesus Cristo, padece de conflitos sem soluções e, principalmente, não vê sentido em buscar uma vida nova. É meio difícil de aceitar; mas, esta é a verdade: ‘A felicidade não está em qualquer criatura, mas somente em Deus, fonte de todo bem’. Para muita gente, é quase impossível se convencer disto, mas, quando conscientes, algumas despedidas ficam muito mais leves e tranqüilas.
Portanto, se você não é ateu e goza com alegria da liberdade que Deus lhe dá, nunca se afaste d’Ele; siga os Seus mandamentos e nenhuma despedida eterna acontecerá. As demais, se forem para o bem e por amor, Jesus abençoará; porém, não pode faltar a oração e esta confiança que o Senhor passou a Jeremias (33, 3): “Invoca-me, e te responderei, revelando-te grandes coisas misteriosas que ignorais”.
E nunca esqueçamos: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5, 4).

LUÍSA - 28 outubro 2007

Paulo Roberto Labegalini

A minha bisavó se chamava Luiza e morreu velhinha na década de 60. Agora, 40 anos depois, nossa família tem outra Luísa, com s.
Minha neta nasceu às 16:50 h do dia 23 de outubro, em Mafra, Santa Catarina, pesando 3.285 gramas. Para não forçar a barra e ser desmentido por todos, logo que vi as fotos, disse apenas que seus cabelos se pareciam com os meus. Na verdade, não são secos, nem brancos, mas um pouquinho encaracolados - pelo menos isso!
O importante é que chegou com saúde e foi recebida com muito amor. Seus pais, Rogerio e Thaís, continuam agradecendo a Deus por tamanha bênção em suas vidas. Eu e a Fátima, vovôs corujas, continuamos recebendo os parabéns a toda hora - foram mais de 100 correios eletrônicos!
Está sendo gostoso viver a manifestação de carinho dos parentes e amigos, que sempre nos apóiam e rezam por nós. Em retribuição, oferecemos uma missa na intenção de todos, pedindo paz, amor, saúde e muita fé a cada pessoa que nos desejou votos de felicidades.
A vida é assim: uns partem, outros chegam, e Deus vai julgando os vivos e os mortos. Enquanto estamos na Terra, nosso Pai nos concede o perdão; após esta vida, seremos salvos pelas boas-obras ou condenados pelos pecados mortais. E a nossa descendência também sofrerá as conseqüências dos nossos atos; por isso, precisamos valorizar a religião que praticamos, porque ela que nos direciona ao caminho certo.
Se eu tiver a graça de viver muito tempo, um dia, passeando com a Luísa, poderei dizer-lhe: “O vovô foi o primeiro neto da nona Sebastiana e você é a primeira neta da vó Wanda, minha mãe. Eu puxei a fila de 16 outros netos; e você, quantos primos por parte de mãe acha que vai ter?”
Quando ela crescer mais um pouco, eu a farei rir com estes avisos paroquiais de um sacristão trapalhão:
“- Para os que têm filhos e não sabem, temos na paróquia um lugar especial para eles.
- O grupo de recuperação da autoconfiança se reúne toda quinta-feira às oito da noite. Por favor, tenham a bondade de entrar pela porta dos fundos.
- Estimadas senhoras, não se esqueçam do Bazar da Pechincha. É uma boa ocasião para livrarem-se daquelas coisas inúteis que ocupam espaços em suas casas. Tragam seus maridos!
- O preço para participar do curso especial sobre ‘oração e jejum’ inclui também as cinco refeições do dia.
- Recordem que no sábado começa a catequese para as meninas e os meninos de ambos os sexos.
- Na sexta-feira, às sete da noite, os meninos do Oratório representarão a obra ‘Hamlet’ de Shakespeare, no salão da igreja. Convidamos toda a comunidade para fazer parte desta tragédia.
- Tema da catequese de hoje: ‘Jesus caminha sobre as águas’. Catequese de amanhã: ‘À procura de Jesus’.”
E para ajudar na educação da Luísa, eis alguns ensinamentos:
- Em cada indelicadeza, perco um pouco aqueles que me amam. Em cada desatenção, não sou educado nem cristão.
- Em cada olhar de desprezo, alguém termina magoado. Em cada gesto de impaciência, dou uma bofetada invisível nos que convivem comigo.
- Em cada perdão que eu negue, fica em mim um pedaço do meu egoísmo. Em cada ressentimento, revelo meu orgulho ferido.
- Em cada palavra áspera que digo, perdi alguns pontos no Céu. Em cada omissão cristã que pratico, rasgo uma folha do Evangelho.
- Em cada esmola que eu nego, um pobre se afasta mais triste. Em cada oração que não faço, eu peco consciente.
- Em cada juízo maldoso, meu lado mesquinho se aflora. Em cada fofoca que faço, peco contra o silêncio prudente.
- Em cada pranto que enxugo, torno alguém mais feliz. Em cada ato de fé, canto um hino à vida.
- Em cada sorriso que espalho, planto alguma esperança. Em cada espinho que finco, machuco algum coração.
- Em cada espinho que arranco, alguém beijará minha mão. Em cada rosa que oferto, os anjos dizem: amém!
Na verdade, somos anjos com uma só asa, e só poderemos voar até o Céu quando estivermos abraçados uns aos outros: ricos e pobres, jovens e velhos, católicos e protestantes, bons e maus, avós e netos.
Portanto, Luísa, no dia em que ler isto, lembre-se que eu a amei desde que nasceu e rezei muito por você. Com todos os meus defeitos e pecados, estive unido a seus pais, avós¸ tios, parentes e amigos, buscando o melhor para você!
Hoje, por exemplo, enquanto estou escrevendo este artigo, todos dormem, inclusive você que chorou até às 9 h da manhã. Hehehe... Mas, tudo bem, tudo é festa porque você está conosco! Deus é tão bom que nos deu uma jóia de presente que, além de ter perfeita saúde, é linda como um anjo!
Louvados sejam Jesus, Maria e José!
Salve a mais bela flor desta primavera!
Viva a encantadora Luísa!


A CHAMA DO AMOR - 21 Outubro 2007
Paulo Roberto Labegalini

Segundo eu soube, este relato é real e, para mim, muito comovente:
“Depois de 21 anos de casado, descobri uma nova maneira de manter viva a chama do amor. Há pouco tempo, decidi sair com outra mulher. Na realidade foi idéia da minha esposa.
- Você sabe que a ama - disse-me ela um dia. - A vida é muito curta, você deve dedicar especial tempo a essa pessoa!
- Mas, eu te amo - protestei à minha mulher.
- Eu sei, mas, você também a ama. Tenho certeza disso!
A outra mulher, a quem minha esposa queria que eu visitasse, era minha mãe, viúva há 19 anos. As exigências do meu trabalho e dos meus três filhos faziam com que eu a visse ocasionalmente. Numa noite, então, a convidei para jantar e ir ao cinema.
- O que é que você tem? Você está bem? - perguntou-me, após o convite.
- Pensei que seria agradável passarmos algum tempo juntos. Só nós dois! O que acha?
- Me agradaria muitíssimo - disse ela sorrindo.
Depois de alguns dias, estava dirigindo para pegá-la, um tanto nervoso, o mesmo nervosismo que antecede num primeiro encontro. E pude notar que ela também estava muito emocionada. Esperava-me na porta com seu melhor casaco, cabelo bem penteado, usando o vestido que celebrou o último aniversário de bodas. Seu rosto irradiava luz como um anjo.
- Eu disse às minhas amigas que iria sair com você e ficaram muito impressionadas - comentou enquanto subia no carro.
Fomos a um restaurante aconchegante. Minha mãe se agarrou ao meu braço como se fosse a primeira dama. Quando nos sentamos, tive que ler para ela o menu, porque seus olhos só enxergavam grandes figuras. De repente, levantei os olhos, mamãe estava sentada do outro lado da mesa e me olhava fixamente.
- Era eu quem lia o cardápio quando você era pequeno - disse-me.
- Então é hora de relaxar e me permitir devolver o favor - respondi.
Durante o jantar, tivemos uma agradável conversa, nada extraordinário, só colocando em dia a vida um para o outro. Falamos tanto que perdemos o horário do cinema.
- Sairemos outra vez, mas só se me deixar fazer o convite - disse ela quando a levei para casa. E eu concordei.
- Como foi o encontro? - quis saber minha esposa quando cheguei naquela noite.
- Muito agradável. Muito mais do que imaginei!
Dias mais tarde, minha mãe faleceu de um enfarto fulminante. Foi tão rápido que não pude fazer nada. Depois de algum tempo, recebi um envelope com cópia de um cheque do restaurante onde havíamos jantado, e uma nota dizia: ‘O jantar que teríamos paguei antecipado, estava quase certa de que poderia não estar lá, por isso paguei para ti e para tua esposa. Jamais poderás entender o que aquela noite significou para mim. Te amo’.
Nesse momento, compreendi a importância de dizer a tempo ‘te amo’ e de dar a nossos entes queridos o espaço que merecem.”
Linda história, não?
Na semana passada, tive dois exemplos de como dar a devida atenção às pessoas. Os trabalhos na UNIFEI e na Igreja têm me envolvido tanto que passei a não ter muito tempo para os amigos. Justo eu que ensino a administrar o tempo e a priorizar as coisas mais importantes!
O primeiro fato ocorreu quando fui procurar o Vanderson, do Supermercado Pilar, pedindo ajuda financeira ao nosso Projeto Natal no Campus. Mesmo com muitas tarefas naquela manhã e pessoas lhe esperando, ele me levou à sua sala e fez questão de bater um longo papo, lembrando que foi meu aluno e outros assuntos mais.
Depois, quando estive na Intermec pelo mesmo motivo, fui recebido por outro ex-aluno, Carlos Vitor, ocupadíssimo com viagens e responsabilidades internacionais. Ele quis que eu conhecesse todas as instalações, explicando em detalhes a tecnologia de ponta que desenvolvem e até me apresentou a diversos funcionários. Conversamos por quase duas horas!
Bem, independente de apoiarem o Projeto, o tratamento que recebi me fez parar para pensar o quanto podemos namorar a vida no trabalho. Passarei a não entupir a agenda de compromissos e valorizar cada momento que estarei com as pessoas que me procuram. Como são dezenas todos os dias, terei muita coisa boa para curtir!
E, completando a semana, fui recebido no Banco do Brasil por uma comissão de peso: Márcio, gerente; Kleber, Dimibel; Ado, Helibrás; Dito, Draga; e Lurdinha, Lápis de Cor. Às 14 horas de sexta-feira, horário de correria para todos, calmamente me ouviram e se comprometeram a ajudar no nosso Natal. Não tenho palavras para agradecer tamanho carinho, mas estarei rezando por cada um deles - e todos os outros que me receberam.
Toda semana, neste jornal, sairá uma reportagem relando algum evento deste ano do Projeto Natal no Campus. Acompanhe para se programar e conseguir seu ingresso.
E se há pessoas que elogiam a minha conduta, podem ter certeza que agora vai melhorar. Nada na vida será mais importante que Deus, mas as pessoas que não podem esperar também terão prioridade na minha agenda.
Disse um poeta: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. Diga ‘eu te amo’ o quanto antes e mantenha a chama do amor viva dentro de você.
Psiu, acorda! Isto é pra você, entendeu?


A CURA ESPIRITUAL - 14 outubro 2007
Paulo Roberto Labegalini

Pouca gente cuida adequadamente do seu espírito e sofre por isso. As faltas de paciência, de perdão e da verdade, decorrem principalmente da falta de oração. É um argumento simples de entender porque, quanto menos rezamos, mais percebemos que nos afastamos da graça de Deus e o pecado vai ganhando espaço em nosso coração.
Também, é comum, depois de algum tempo sem confessar, sentirmos os efeitos negativos da carência de amor no peito e, como conseqüência, os problemas demoram-se a resolver. Nestes casos, quem tem fé, sabe que, mesmo quando se resolvem em paz, poderiam nem ter existido!
Mas, e quem não pratica os ensinamentos da religião, o que fazer para se aproximar de Jesus Cristo?
Eu aconselharia não deixar de recitar algumas orações pela manhã e à noite - já é um bom começo. Depois, confiar que a felicidade só acontece com Deus no coração; e, procurar alguém que possa ajudá-lo espiritualmente. Com certeza, não faltará uma pessoa amiga, que vive as maravilhas do Evangelho, para lhe estender a mão.
É muito importante para a nossa Salvação, assumir essa evangelização de pessoas fracas na fé. A graça vem a cavalo para ambos! Por exemplo: irão valorizar muito mais a oração, o perdão, a penitência, a Palavra de Deus etc. E a conseqüência disso é fortalecerem-se na Eucaristia e, cada vez mais, ocuparem-se com coisas boas. Os dons do Espírito Santo também serão abundantes porque o Senhor estará sondando seus passos.
Pense um pouco: se deseja fazer o bem a alguém, que seja com Jesus entre vocês; se é uma corujinha da internet na madrugada, apadrinhe as pessoas que se abrem para o amor; aconselhe ainda todos que precisam a mudarem hoje para sorrirem no futuro; externe sua fé e fale de Nossa Senhora, que nunca nos abandona; enfim, seja forte na caridade espiritual para cativar os fracos.
Eu intercedo muito pelas pessoas que me pedem ou por aqueles que buscam a cura física e espiritual. Já me acostumei a rezar enquanto dirijo e vou pedindo bênçãos para um e outro, até concluir a relação que está na minha cabeça. No final do percurso, por menor que seja, sinto-me melhor do que se tivesse ligado o rádio ou pensado no amanhã.
Há uma história, assim:
“Sentada no jardim do orfanato, uma menina brincava sorridente com um punhado de flores que apanhou num canteiro próximo. Ao perceber alguém se aproximando, logo pegou uma rosa e a ofereceu à senhora que chegava para visitar o lugar. Estranhando receber a flor mais murcha de todas, a senhora perguntou à menina:
- Por que você quis me dar justamente esta flor tão velha?
E ouviu a resposta:
- Para mim são todas iguais porque eu não enxergo. Pode pegar as outras se a senhora quiser, eu já tenho a mais linda flor comigo: é Nossa Senhora, que mora no meu coração!”
E as duas ficaram horas conversando sobre os valores espirituais da vida.
Após esta lição, ainda é necessário concluir a respeito do principal motivo que semeia a felicidade permanente nos corações das pessoas? O que se passaria na cabeça da garotinha órfã se não lhe tivessem apresentado nossa querida Mãe Santíssima?
Eu só posso dizer que uma grande missão que temos na vida é levar os nossos amigos para junto de Deus. Os pais que não se esforçam em educar os filhos para serem dignos cristãos, estão deixando de lhes dar o maior tesouro que poderiam possuir na Terra: Jesus Cristo!
A diversão é importante, mas passageira, enquanto a religião conduz à vida eterna. Portanto, priorize tempo para ser um bom exemplo aos amigos, às crianças e aos jovens: não falte às missas; reze o Terço; faça caridade; perdoe e trate a todos com amor; pague um dízimo justo - não doe apenas uma esmola a Deus -; e, leve sempre os seus conhecidos por esses bons caminhos.
Porém, se isso tudo já faz parte de sua vida, agradeça as bênçãos que tem recebido pela fé e continue se esforçando para ganhar o Céu; mas, se sua família dá mais valor às coisas materiais e compromissos sociais, pare e pense: é melhor rezar agora pelo futuro deles, até ficar com calos nos joelhos, ou fazer as contas de quanto lhe custará o tempo perdido?
Cura espiritual é colocar amor no coração e praticar os ensinamentos de Cristo. Rezando e valorizando a paciência e o perdão, a verdade também permanece e as bênçãos de Deus se traduzirão em momentos de muita paz.
Há uma versão da música Perhaps Love, escrita pelo Pe. Zezinho e cantada por Silvio Brito, que diz assim: “O amor talvez é como sol nas trevas de alguém. O amor é dar abrigo, se a tempestade vem. E quando tudo é escuro e a vida é solidão, o amor é que ilumina o coração”. E termina com esta frase maravilhosa, certamente inspirada na vida de Cristo: ‘Mas, se eu viver mil anos e então recomeçar, lutando pelo amor vais me encontrar!’”
E como o amor é a base de tudo, um trecho de Além da Cama, no mesmo CD, ensina o sentimento sincero entre duas pessoas que se gostam: “O amor é muito mais que um desejo sensual e passageiro, é muito mais! Não se ensina, não se aprende, não se vende, nem se compra com dinheiro, é muito mais! E o que eu sinto por você é diferente disso tudo: é um amor tão bonito, tão intenso, tão imenso, tão profundo, que vem lá do fundo do meu coração”.
Quem ama se deixa curar.

MINHA VIDA DE MILAGRES - 7 Outubro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Este é o meu artigo 500 neste jornal, em 10 anos de evangelização. Agradeço a Deus por imensa bênção na minha vida, aliás, minha vida de milagres. É sobre isso que falo no livro que está sendo lançado pela Editora Santuário.
Muitos amigos enviaram mensagens a mim, entre eles, o Paulo Artêmio - Paulinho, ex-sacristão da Matriz Nossa Senhora da Soledade. Eis suas gentis palavras:
“Pois é, Paulo, gostei da capa e te digo mais: só os céticos não percebem o milagre em cada amanhecer, em cada desabrochar de rosa e, principalmente, na nossa vida a cada minuto. Milagre não é um passe de mágica que, de repente, estou curado; mas colocar um médico que diagnostica e nos dá o tratamento certo; olhar para a pessoa ao nosso lado e ver que está nos apoiando em todos os momentos, sem restrição. Tá certo que, às vezes, acontecem coisas difíceis de explicar, milagres, e olhando direito vamos ver quantas graças recebemos todos os dias. Um abraço deste que aprendeu a te admirar, a todos da sua família e pra Fátima também”.
Em outra mensagem, atendi a um pedido que dizia assim:
“Saudações! Recebi ontem um e-mail de um livro de sua autoria: ‘Minha Vida de Milagres’, e fiquei entusiasmada, pois trabalho numa escola especializada para cegos e baixa visão e, há mais de 11 anos junto com uma de minhas Irmãs, resolvemos fazer a evangelização através do livro de espiritualidade pelo sistema Braille. Já digitamos e imprimimos mais de 115 livros que estão espalhados pelo Brasil inteiro. No princípio, nós mesmas digitávamos, mas o trabalho aumentou muito. Entramos em contato com diversas editoras e pedimos que nos enviem pela internet o livro e assim é mais rápido o envio dos mesmos, pois, os pedidos são muitos. Já nos atenderam as seguintes editoras: Paulinas, Canção Nova, Loyola, já estamos nos dirigindo a outras e no momento ao senhor. O envio dos livros é gratuito, nosso único interesse é que a mensagem de Cristo se espalhe e os cegos tenham ao seu alcance uma boa leitura. Pense bem, seu livro será lido à Braille por mais de 100 leitores cadastrados aqui no Instituto de Cegos Padre Chico. Esqueci de lhe dizer que somos Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, portanto, estamos ligados pela mesma espiritualidade de São Vicente. Aguardando sua adesão, esperamos o livro por e-mail. Suas irmãs em São Vicente, Irmã Apoline e Irmã Madalena.”
E através da divulgação do Pe. Máikol, de Curitiba, recebi encomenda imediata de quatro pessoas de lá. Também outros mais próximos se manifestaram querendo saber os ‘milagres’ que relato no livro. Garanto que são impressionantes e ninguém ficará decepcionado. Estarei deixando alguns exemplares no escritório da Casa Paroquial da Soledade e na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, a R$ 13,00 cada.
Conto fatos extraordinários que só a fé explica. Apenas lembrando algumas graças vividas na minha família: as curas milagrosas que tive em 92 e 98; a conversão imediata de minha filha, Soraia, que não gostava de música católica; Jesus esperando por meu filho, Alexandre, no elevador do hospital em Campinas quando ele teve trombose; a cura na boca de minha outra filha, Thaís, numa anestesia que durou 24 horas etc.
E quem nos conhece, sabe, que sempre colocamos Nossa Senhora à frente de tudo; portanto, somos imensamente gratos a Ela pela proteção que desfrutamos. Rezamos Terços em ação de graças, agradecendo e nos colocando à disposição dos chamados que recebemos de Deus.
Portanto, essa é a ‘receita’ que dou às famílias que buscam mais paz nos seus lares: rezem o Terço, pratiquem a caridade e participem da Celebração Eucarística toda semana. Assim, cada vez mais, haverá consciência - por parte de cada um - de que o importante não é ‘o que temos’, mas ‘a quem temos nos protegendo’.
E citando uma das graças que relato no livro, lembro perfeitamente que, num domingo à tarde, minha esposa e filha mais velha saíram para viajar de carro. Assim que pegaram a estrada, me ajoelhei diante do oratório que tenho no quarto e pedi que chegassem bem a Campinas-SP. À noite, por telefone, elas me contaram que, quando estavam perto de Borda da Mata, começaram a rezar o Terço e, de repente, caiu um pneu de cima de um caminhão baú - que vinha em sentido contrário - e bateu na frente do carro. Ambas levaram um tremendo susto com o barulho do impacto, mas estranharam porque não sentiram nenhum solavanco no veículo.
Resolveram, então, parar e, ao olharem o pára-choque e o capô da frente, viram que não havia sinal de batida. Pela velocidade dos dois veículos e peso do pneu, seria impossível não ficar nenhuma marca, mas, enfim, realmente não havia. Como? Nossa Senhora desviou o objeto e evitou o acidente? Tire a sua conclusão.
Estarei rezando por todos que lerem estes capítulos da minha vida, pedindo à Sagrada Família que os faça cumprir suas maiores missões na Terra: amar a Cristo e servir o próximo. Peço também muitas orações para os projetos de evangelização da nossa Igreja.
Louvado seja Deus, pelo livro e pelos milagres.

UM PULO NO PASSADO
- 30 setembro 2007

Paulo Roberto Labegalini

Aconteceu que um casal entrou no restaurante com uma criança. O pai colocou o filho numa cadeira infantil e, de repente, o menino Daniel gritou:
- Olá, amigo! - batendo na mesa com suas mãozinhas gordas.
O pai viu à frente um homem sujo, com um casaco engordurado e rasgado jogado nos ombros.
- Olá, neném. Como está você? - disse o homem a Daniel.
Todos no restaurante se viraram para o mendigo e ninguém acreditava que ele não estivesse bêbado, principalmente quando a comida chegou à mesa e aquele homem continuou brincando com a criança. Então, marido e mulher se apressaram em terminar logo a refeição.
Quando acabaram de comer e levantaram-se para ir embora, Daniel se voltou para o velho, estendeu os braços e o deixou pegar no colo. Seus pais ficaram envergonhados com a submissão do menino ao mendigo, que fechou os olhos e deixou algumas lágrimas correrem pela face enquanto apertava a criança no peito.
Então, o velho homem devolveu o filho à mãe e disse-lhe:
- Cuide bem deste menino, minha senhora. Hoje, Deus me deu um presente maravilhoso.
Os pais, assustados, saíram correndo do lugar e, ao se sentirem seguros dentro do carro, arrependeram-se do comportamento que tiveram.
- Deus meu, Deus meu, me perdoe! - falou o pai.
- Não quisemos dividir nosso filho por um momento, mas Deus compartilhou Seu Filho com toda a humanidade! - disse a mãe.
Pois é, eu escrevendo este fato do menino no restaurante, me veio à mente que, quando criança, gostava de assistir à série ‘O Túnel do Tempo’. A cada episódio, dois personagens voltavam ao passado e se envolviam com fatos épicos da História.
Eu vibrava ao reviver cenas que havia aprendido na escola, e acabava completando meus conhecimentos. Apenas me chateava por alguns resultados não poderem ser mudados, mas concordo que não seria sensato se isso acontecesse. No começo de cada filme, os personagens não sabiam para onde iriam, e eu achava que melhor seria se pudessem escolher.
Revivendo agora os sentimentos daquela época, me coloco na condição de sonhar com essa volta ao passado. Mas, para onde eu iria? Não podendo mudar os fatos, valeria a pena?
Bem, sem riscos de morte e sabendo o tempo da ‘viagem’, com certeza, eu aceitaria o desafio e minha opção seria conhecer Jesus Cristo face-a-face. Isto resolvido, restaria escolher o período de Sua vida que eu assistiria.
Em princípio, considerando os sofrimentos vividos por Cristo na paixão e morte, eu descartaria os mistérios dolorosos. Restariam, ainda, dezenas de passagens que marcaram a vida gozosa, luminosa e gloriosa de Nosso Senhor. Que bom seria vê-Lo realizando curas, perdoando, contando parábolas, falando de amor, chamando os apóstolos, repreendendo os doutores da Lei, transformando água em vinho, instituindo a Eucaristia, se transfigurando... ressuscitando!
Porém, eu trocaria cada contemplação maravilhosa dessas cenas pelo nascimento do Menino Jesus. Além de adorá-Lo em particular, teria a ímpar oportunidade de ver a alegria estampada nos rostos da Virgem Maria e de São José. Então, eles veriam eu fazer algo impossível de ter acontecido naquela época: cantar ‘Noite Feliz’! Isto em nada mudaria a História, mas santificaria a minha vida a partir daquele momento.
Raciocine comigo, leitor(a): há como ser a mesma pessoa após pegar Deus Menino no colo? E mais: beijar as mãos de Nossa Senhora, abraçar o bom e justo José, presenciar o primeiro presépio vivo, ver a chegada dos Reis Magos; além de poder contar tudo isto aqui, nos próximos artigos!
Talvez, eu não visse milagres nem grandes pregações de amor - o que em nada diminuiria a minha fé. Contudo, ver Jesus criança já é mais do que qualquer presente que eu poderia imaginar, porque sempre tive adoração pelo Menino Jesus. Peço proteção a Ele diariamente, fiz música em Sua homenagem e O tenho no coração!
E dando um pulo no passado mais recente, eis um fato que tenho satisfação em contar:
Há dois anos, eu visitava uma fábrica de imagens religiosas em Mafra, Santa Catarina. Sempre que ia à casa de minha filha, eu passava pela fábrica e, em especial, namorava uma linda imagem do Menino de Nazaré - Ele de pé, com 83 centímetros de altura. Da primeira vez que perguntei o preço, disseram mil reais. Depois de algum tempo, aumentou para mil e duzentos!
São centenas de imagens naquele lugar, algumas gigantes, mas eu fiquei apaixonado pelo Menino. E eis que, no mês passado, voltando lá, falei brincando:
- O Menino Jesus abaixou de preço?
- Sim, reduzimos porque não o faremos mais e estamos liquidando - responderam.
Então, comentei com minha mãe:
- Deve ter voltado a custar mil reais. He, he, he...
- Agora, custa duzentos e vinte - falou o vendedor.
Fiquei preocupado em prejudicar o funcionário se tivesse errado o preço, e pedi para confirmar com o dono. Conclusão: a imagem está hoje em minha casa. Soube que até as estátuas menores são mais caras do que aquela, porém, Ele quis ser meu!
E já que não posso voltar à era de Jesus Cristo nem conversar com Sua imagem, tenho em vista algo possível de se realizar: visitá-Lo na casa do pobre e preparar melhor o meu coração para vê-Lo nascer no Natal.
Tenha a inocência de uma criança, você também!


AMAI-VOS UNS AOS OUTROS - 23 Setembro 2007

Paulo Roberto Labegalini - labega@unifei.edu.br

Eis um relato que li esta semana:
“Certa vez, trabalhei numa pequena empresa de engenharia. Foi lá que fiquei conhecendo um rapaz chamado Mauro. Ele era grandalhão e gostava de fazer brincadeiras com os outros, pregando pequenas peças.
Havia também o Ernani, um pouco mais velho que o resto do grupo. Sempre quieto e pacífico, Ernani costumava comer o seu lanche à parte, num canto da sala. Ele não participava das brincadeiras que fazíamos após o almoço e ficava sentado sozinho debaixo de uma árvore mais distante.
Devido a esse comportamento, Ernani era o alvo natural das pegadinhas do grupo. Ora ele encontrava um sapo de plástico na marmita, ora uma pedra em seu chapéu, ora pasta de dente no sapato etc. E o que achávamos mais incrível é que ele aceitava tudo sem ficar bravo.
Num feriado prolongado, Mauro resolveu ir pescar no Pantanal e nos prometeu que, se conseguisse sucesso, daria um pouco do resultado da pesca para cada um de nós.
No seu retorno, ficamos muito animados quando vimos que ele havia pescado alguns dourados enormes. Mauro, entretanto, levou-nos para um canto e nos disse que tinha preparado uma boa peça para aplicar no Ernani. Dividiu os dourados, fazendo pacotes com uma boa porção para cada um de nós, mas havia separado os restos dos peixes num pacote maior, à parte.
- Será muito engraçado quando o Ernani desembrulhar este presente e encontrar espinhas, peles e vísceras! - disse-nos Mauro, que se divertia antecipadamente.
Então, após o almoço, cada um abriu o seu pacote, contendo uma bela porção de peixe, mas o maior ficou por último, e já estávamos quase explodindo de vontade de rir. Como sempre, Ernani sentou-se sozinho, mais afastado da grande mesa. Mauro, então, levou o pacote para perto dele, e ficamos na expectativa do que estava para acontecer.
Ernani pegou o enorme embrulho firmemente nas mãos, o levantou com dificuldades e um leve sorriso no rosto. Foi quando notei seus olhos brilhando de emoção.
- Eu sabia que você não se esqueceria de mim - disse com a voz embargada. - Tenho cinco filhos e uma esposa inválida, que há quatro anos está presa na cama. Estou ciente de que ela nunca mais vai melhorar. Às vezes, quando passa mal, tenho que ficar a noite inteira acordado, cuidando dela. E a maior parte do meu salário tem sido para os médicos e os remédios. As crianças fazem o que podem para ajudar, mas tem sido difícil colocar comida para todos na mesa.
Chorando, continuou:
- Vocês talvez achem esquisito eu comer o almoço sozinho, num canto. Bem, é que fico meio envergonhado, porque na maioria das vezes eu não tenho nada para pôr no meu sanduíche. Ou, como hoje, tinha somente uma batata na minha marmita. Mas eu quero que saibam que essa porção de peixe representa, realmente, muito para mim. Provavelmente muito mais do que para qualquer um de vocês, porque hoje à noite os meus filhos terão, depois de alguns anos, comida de verdade - e começou a abrir o pacote.
Nós prestamos tanta atenção no Ernani enquanto falava, que nem havíamos notado a reação do Mauro. Depois, percebemos a sua aflição quando saltou e tentou pegar o pacote das mãos do Ernani. Era tarde demais. Ernani já tinha aberto o pacote e estava examinando cada pedaço de espinha, cada porção de vísceras, cada rabo de peixe.
Era para ter sido muito engraçado, mas ninguém riu. Todos nós ficamos olhando para baixo. E a pior parte foi quando Ernani, tentando sorrir, falou a mesma coisa que havíamos dito anteriormente:
- Muito obrigado!
Em silêncio, cada colega pegou o seu pacote e o colocou na frente do Ernani, porque, depois de muitos anos, havíamos entendido quem era aquele grande homem.
Uma semana depois, a esposa do Ernani faleceu. Cada um daquele grupo passou a ajudar as cinco crianças e, graças a Deus e ao grande espírito de luta delas, progrediram muito. Carlinhos, o mais novo, tornou-se um importante médico. Fernanda, Paula e Luisa, montaram o seu próprio e bem-sucedido negócio - produzem doces e salgados para padarias e supermercados. O mais velho, Ernani Júnior, formou-se em engenharia e, hoje, é diretor da mesma empresa em que eu, o Ernani e os demais colegas trabalhamos no passado.
Mauro, aposentado, continua fazendo brincadeiras, entretanto, são de um tipo muito diferente. Ele organizou nove grupos de voluntários que distribuem brinquedos para crianças hospitalizadas e as entretêm com jogos, estórias e outros divertimentos.”
Pois é, às vezes, convivemos por muitos anos com uma pessoa e tardiamente percebermos que mal a conhecemos. Nunca lhe demos a devida atenção, não demonstramos qualquer interesse pela sua vida, ignoramos suas necessidades e seus problemas.
Eis o ensinamento de Jesus Cristo: “Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros”. Assim seja!

E-mail: labega@unifei.edu.br

CARA-DE-PAU - 16 setembro 2007
Paulo Roberto Labegalini - labega@unifei.edu.br

A correspondência abaixo foi enviada por um devedor a uma das várias lojas credoras:
“Prezados senhores, esta é a oitava carta de cobrança que recebo de Vossas Senhorias. Sei que não estou em dia com meus pagamentos, acontece que devo também em outras lojas e todas esperam que eu lhes pague. Contudo, meus rendimentos mensais só permitem que pague duas prestações no final de cada mês. As outras, ficam para o mês seguinte.
Estou ciente de que não sou injusto, daquele tipo que prefere pagar esta ou aquela empresa em detrimento das demais. Ocorre o seguinte: todo mês, quando recebo meu salário, escrevo o nome dos credores em pequenos pedaços de papel, que enrolo e coloco dentro de uma caixinha. Depois, retiro dois papéis, que são os sortudos que irão receber o meu dinheirinho suado. Os outros, paciência, ficam para o mês seguinte.
Afirmo aos senhores que sua empresa vem constando todos os meses da minha caixinha. Se não os paguei ainda, é porque estão com pouca sorte. Finalmente, faço-lhes uma advertência: se continuarem me enviando cartas de cobrança ameaçadoras, serei obrigado a excluir o nome de Vossas Senhorias dos meus sorteios mensais. Sem mais, obrigado.”
Como tem gente esperta, não? Aliás, o adjetivo seria outro, mas deixa pra lá.
Quem tem Deus no coração e segue uma religião séria - vivendo o Evangelho dia-a-dia -, não prejudica outras pessoas porque sabe que o pecado irá condenar eternamente sua alma. Eu diria que precisa até ser cara-de-pau de vez em quando, mas buscando o bem.
Quantas vezes eu já ‘calcei a cara’ e saí pelas ruas pedindo ajuda para alguma obra de caridade! Hoje, se precisar, volto a fazê-lo sem constrangimento, mas nem sempre foi assim. Precisei vencer a timidez e me convencer da minha missão. Uma regra básica para conseguir os recursos necessários para cada obra é esta: ‘se não foi esmola e tomou emprestado, devolva’. Infelizmente, nem todos pensam assim, como nesta história:
Quase todos os dias, a vizinha de dona Carla lhe pedia o moedor de carne emprestado - que não gostava de cedê-lo porque era presente de casamento e o conservava há 35 anos sem quebrar. Além disso, moedor como aquele nem existia mais, pois os modernos têm rosca frouxa, cabo que enrosca e manivela que gira em falso.
De tanto a vizinha emprestar o moedor, ele mudou de casa, já que a ‘nova dona’ não se preocupava em devolver o utensílio após o uso. Então, quando dona Carla precisava moer suas carnes, tinha que pedi-lo à vizinha! E embora achasse a situação muito injusta, a proprietária do aparelho tinha alma boa e procurava viver em paz com a amiga.
Um dia, porém, dona Carla foi até a casa da vizinha dizer que precisava usar por uma hora o seu utensílio:
- Oi, querida, poderia me emprestar o moedor de carne agora à tarde? Prometo que lhe devolvo rapidinho.
- Sinto muito, Carla, mas hoje estou preparando uns croquetes para o jantar e vou usá-lo o dia todo. Eu gostaria de ter um moedor elétrico, que rende mais, mas vou quebrando o galho com este velho por enquanto.
Pois é, quanta gente cara-de-pau vive se aproveitando da boa vontade dos outros, não é mesmo? Mal sabem que temos uma missão na Terra e também precisamos atuar junto às pessoas que não crêem. Ser cristão inclui ser enviado ao mundo como representante de Jesus Cristo. A missão de Jesus, agora é a nossa missão: anunciar a vida eterna!
Mas, um problema do cristão que se converteu há muito tempo é se esquecer de como é triste viver sem Cristo. Não importa o quanto as pessoas pareçam estar felizes e bem sucedidas, se não mudarem, estarão destinadas à separação eterna de Deus. E mesmo que você julgue precisar ser cara-de-pau para entrar na vida dos outros, vá em frente na evangelização porque os anjos do Céu o acompanharão.
Quem se isola, enterra seus dons e perde a oportunidade de dar e receber o amor sincero. Lembre-se sempre da lição deste caso:
Havia uma pessoa que morava numa casa sem janelas e revestida de espelhos, inclusive o chão e o teto. Olhava sua imagem de vários ângulos dezenas de vezes ao dia e analisava: suas doenças, suas limitações físicas, seu baixo salário, sua infelicidade e outras mazelas.
Certa manhã, um espelho do quarto se quebrou e, em substituição, foi colocada uma janela. Passando a olhar por ela de vez em quando, aquela pessoa egoísta foi percebendo que lá fora existiam muitas pessoas que choravam, que eram mais pobres que ela, que sofriam e que se ajudavam também.
Isso se tornou um verdadeiro tormento, porém, quando um outro espelho se quebrou e outra janela foi instalada, percebeu também que existiam outras pessoas diferentes daquelas que passavam pela janela da frente. Eram mais alegres e sempre paravam para conversar umas com as outras. Isso se repetiu com o tempo e outras janelas foram instaladas naquela casa.
Então, a pessoa que residia ali pode experimentar o sabor da felicidade, passando a conversar com muita gente e não enxergando somente os seus problemas. A cada gesto de caridade que praticava, dava mais valor à vida.

AS DÚVIDAS DA FÉ - 9 Setembro 2007
Paulo Roberto Labegalini

Revistas e jornais do mundo inteiro estão divulgando as ‘décadas de escuridão’ na vida de Madre Teresa de Calcutá. Segundo algumas cartas secretas da beata, ela chegou a duvidar da existência de Deus, vivendo agoniada e experimentando a profunda dor da falta de esperança. Isto sendo verdade, como explicar a dedicação à caridade daquela que foi considerada uma santa viva?
Acredito que não é tão difícil entender o desespero de quem sofre e pensa que suas orações não são ouvidas. A dor da perda de alguém na família, por exemplo, é muito forte e leva algumas pessoas ao desespero. Então, se quem pensa em si próprio chega a chorar por longos períodos, imagine quem sofre por extremo amor aos irmãos!
É isso que deve ter acontecido com Madre Teresa. Trabalhando diariamente para os mais pobres dos pobres, penetrou na intimidade dos miseráveis e começou a assumir o sofrimento de muita gente. Fisicamente enfraquecida, sentiu-se completamente abandonada na fé. Até Jesus bradou na cruz: “Pai, por que me abandonaste?”.
Mesmo isto sendo possível, alguém ainda poderá questionar: ‘Mas, por que ela pregava uma boa conduta cristã e a praticava fielmente se não confiava em Cristo?’. Com certeza, não foi bem assim. Ninguém diz que Jesus está em todos os lugares e ganha um Prêmio Nobel da Paz mentindo.
Colocando mais uma vez a minha opinião, penso que ela falava tanto em Deus e bradava a todo instante o infinito amor Divino por ela, que passou a achar que estava exagerando. Eu li vários textos onde a madre disse que Cristo está presente até nos sorrisos que damos e recebemos. Com o tempo, ela sentiu que falar de Deus ou em nome de Deus, nem sempre é fácil e requer grande segurança e responsabilidade.
Fico feliz por ser o mesmo padre que conduz o processo de canonização da missionária quem expõe essas dúvidas - Brian Kolodiejchuck. Novamente, a Igreja Católica não omite a verdade e considera que crises de fé podem ser caminhos para a santidade. Outros santos já passaram por ausência de fé no coração, como Santo Agostinho, hoje doutor da Igreja. Enquanto não se convenceu de que ‘fé é convicção de fatos que não se vêem’, viveu apenas as coisas do mundo.
Voltando à Madre Teresa, 50 anos de escuridão não demonstra completa incoerência da ‘santa da sarjeta’? Segundo o Padre Brian, isso enaltece as virtudes da beata: “Ela não sentia o amor de Cristo dentro de si e poderia ter se fechado, mas estava de pé toda manhã às 4h30, pronta a se dedicar em tempo integral aos menos favorecidos”. Que exemplo maravilhoso, não?
Portanto, quem quiser criticar o período de escuridão da irmãzinha indiana, precisa ter um coração melhor do que o dela, mas segundo o critério desta história:
Um jovem estava no centro da cidade proclamando ter o coração mais belo da região. Ele o desenhou numa cartolina e todos admiraram aquele coração. Não havia marca ou qualquer outro defeito; então, concordaram que era o coração mais lindo que já tinham visto.
Enquanto o jovem ficava ainda mais orgulhoso por seu belo coração, um velho senhor apareceu diante da multidão e disse:
- Por que o coração dele é melhor do que o meu?
O velho também desenhou o seu coração, dizendo que ainda batia forte, mas estava castigado e repleto de cicatrizes. Havia locais em que alguns pedaços tinham sido removidos e outros tinham sido colocados no lugar, mas estes não se encaixavam direito, formando calombos e irregularidades.
O jovem olhou para o coração do velho e comentou sorrindo:
- O senhor deve estar brincando! Compare nossos corações: o meu está perfeito e intacto; o seu é uma mistura de cicatrizes, enxertos e buracos!
- Sim - disse o idoso. - Olhando, o seu coração parece perfeito, mas eu não trocaria o meu pelo seu. Veja, cada cicatriz representa o pedaço do meu coração que dei às pessoas que entraram na minha vida e doei bastante amor. Muitas delas, deram-me também um pedaço do próprio coração para que eu colocasse no lugar de onde tirei do meu.
Nesse instante, muita gente começou a se aproximar do velho para ouvir melhor suas palavras. Ele prosseguiu:
- Como os pedaços nunca são iguais, formaram-se várias ondulações. Algumas vezes, entreguei pedaços do meu coração a pessoas erradas. Por isso, há buracos que sangram, causam dor, lembrando-me do amor pelo outro desprezado. Portanto, esse é um coração em que as marcas deixadas contam uma história de vida no amor. E então, jovem, qual é a verdadeira beleza de um coração?
O moço estava calado e lágrimas escorriam pelo seu rosto. Em seguida, aproximou-se do velho, tirou um pedaço do seu coração e ofereceu ao senhor de coração partido, que retribuiu o gesto. E o jovem olhou para o seu próprio coração, cortado, não mais tão perfeito, porém mais belo que antes. Os dois se abraçaram e saíram caminhando satisfeitos.
Pois é, como deve ser triste passar a vida com o coração intacto, não? Aí está a chance de você, leitor(a), enviar um pedaço do seu e receber outro pedaço de volta; ou, diga que ama Deus e ignore o pobre. Nesta última opção, infelizmente, você manterá o seu coração intacto.

E-mail: labega@unifei.edu.br