Artigo Semanal (abaixo) publicado na mídia impressa pelo meu amigo Paulo Labegalini de Itajubá-MG.
paulolabegalini@oi.com.br
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Perfil do Autor: Brasileiro; nascido em 1956; Engenheiro Civil; Professor Associado da Universidade Federal de Itajubá-MG, UNIFEI, nas cadeiras de Mecânica dos Sólidos (graduação) e Qualidade em Serviços (pós-graduação); Co-autor das obras: “Mecânica Geral - Estática” (1984) e “Projetos Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão” (1992), publicadas pela Editora Edgard Blücher Ltda; Autor das obras: “Seu Filho e a Escola - Você pode Ajudá-lo” (1992) - Editora Padre Reus, “Mensagens que Agradam o Coração” (2004) - Editora Vozes, “Administração do Tempo” (2006) - Editora Idéias & Letras, “Minha Vida de Milagres” (2007) - Editora Santuário; autor de 100 artigos de gerência geral publicados pela COAD, e 700 artigos de espiritualidade cristã em diversos jornais e revistas. Doutor em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da USP - 1998. Atual Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária e Coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFEI. Profere palestras/cursos de “Motivação no Trabalho”, “Ajuste Conjugal”, “Administração do Tempo”, “Liderança” e “Qualidade em Serviços”. Comprometido com ministérios de música e obras sociais na Igreja Católica, cursilhista, presidente da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Sagrado Coração, Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística.
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ORIENTE-SE

O NATAL CONTINUA – 20 DEZEMBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Recebi centenas de opiniões a respeito do ‘Natal no Campus UNIFEI 2009’ em sua 5ª edição. Graças a Deus, correu tudo bem e o resultado foi maravilhoso, muito abençoado, mas, mesmo assim, não agradamos a todos. Quando lidamos com muita gente e precisamos ter critérios bem definidos na organização, alguns se chateiam com detalhes que não pensamos ou não pudemos cuidar.
O trabalho para realizar sete shows e um almoço para centenas de pessoas, recebendo mais de 20 mil visitantes numa semana é monstruoso. Soma-se a isso a necessidade de manter o Campus aceso todas as noites e executar o trabalho de rotina na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão. Já sabíamos que o cansaço viria e não nos deixamos abater pelas dificuldades, afinal, a cidade de Itajubá-MG precisava continuar festejando o aniversário de Jesus Cristo na sua Universidade Federal.
Aprendi que calar sobre sua própria pessoa é humildade, calar sobre os defeitos dos outros é caridade, calar quando a gente está sofrendo é heroísmo, mas calar diante do sofrimento alheio se torna covardia. Calar diante da injustiça é fraqueza, calar quando o outro espera uma palavra é omissão, mas calar e não falar palavras inúteis é penitência.
Calar quando não há necessidade de falar é prudência, calar quando Deus nos fala é silêncio, e calar diante do mistério que não entendemos é sabedoria. Quando na escuridão da noite chamamos pelo Senhor e não O encontramos é porque não O procuramos em nossos corações. Ele jamais abandona seus filhos e não me abandonou durante meses de trabalho no Natal no Campus.
Aprendi também o valor de algumas amizades. Não falo somente do meu fiel amigo na coordenação dos eventos, Amaury Vieira, mas de muitas outras pessoas. Tentarei explicar meu sentimento de gratidão nesta história contada por um advogado:
“Um dia me fizeram uma pergunta: ‘O que você já fez de mais importante na sua vida?’ A resposta surgiu das profundezas das minhas recordações, assim:
O mais importante que já fiz na vida ocorreu em 8 de outubro de 1990. Comecei o dia jogando golfe com um amigo e, entre uma jogada e outra, ele me contou que sua esposa acabava de ter um bebê.
Logo mais chegou o pai dele e, consternado, lhe disse que seu bebê foi levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu no carro do pai e se foi. Por um momento fiquei parado, mas logo tratei de pensar no que deveria fazer.
Seguir meu amigo ao hospital? Minha presença não serviria de nada, pois a criança certamente estava sob cuidados médicos. Oferecer meu apoio moral? Talvez, mas, sem dúvida, estariam rodeados de amigos que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários. A única coisa que eu faria indo até lá seria atrapalhar, pensei.
Decidi ir para casa, mas quando fui dar a partida no carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu carro aberto e com as chaves na ignição. Resolvi, então, fechá-lo e ir até o hospital entregar-lhe as chaves.
Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares. Entrei sem fazer ruído e fiquei junto à porta pensando o que deveria fazer. Surgiu um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento do bebê.
Durante os instantes seguintes, todos ficaram naquele silêncio de dor. Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar. Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: ‘Muito obrigado, querido companheiro, por estar aqui’.
Passei o resto da manhã sentado na sala do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurar nos braços o bebê, despedindo-se dele. Isso foi a coisa mais importante que já fiz na vida, sem precisar dizer uma só palavra! E aquela experiência me deixou duas lições:
Primeira: a coisa mais importante que fiz ocorreu quando não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos anos em que exerci a minha profissão, nem todo o racional que utilizei para analisar a situação e decidir o que deveria fazer me serviu para aquela circunstância. A única coisa que eu poderia ter feito era estar lá.
Segunda: aprendi que a vida pode mudar num instante. Fazemos nossos planos e imaginamos nosso futuro tão real como se não houvesse espaços para outras ocorrências. Ao acordarmos de manhã, esquecemos que perder o emprego, sofrer uma doença, cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas podem alterar esse futuro num piscar de olhos.”
Pois é, minha gente, para alguns é necessário viver uma tragédia para recolocar as coisas em ordem. No Natal no Campus, busquei um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego, por mais gratificante que seja, compensa perder amigos. Também aprendi que o mais importante da vida não é ascender socialmente, nem receber honras, mas caminhar com Deus no coração. A todos que participaram, obrigado por estarem ao meu lado.
E quem viu o almoço solidário na UNIFEI, dia 20, sabe que Natal é todo dia! Na semana que vem comentarei mais sobre essa grande partilha.

DO OURO AO LIXO - 13 DEZEMBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

“Conta-se que um jovem rico se acidentou de carro, longe de casa. Um fazendeiro ouviu os gritos do moço e foi socorrê-lo; mas, espantou-se ao vê-lo no alto do penhasco, olhando para baixo e gritando:
- Minha BMW! Perdi minha BMW!
Percebendo que a mão esquerda do rapaz estava dilacerada, o fazendeiro alertou:
- Cara, você está tão desolado pela perda do carro que nem reparou no ferimento da sua mão! Olha o estrago que o acidente lhe causou!
Ao ver a mão ensanguentada, o jovem novamente pôs-se a gritar:
- Meu Rolex! Perdi meu relógio Rolex!”
Isto pode parecer piada; mas, coisas assim acontecem todos os dias. O ser humano é capaz de se preocupar mais com os bens materiais do que com a própria alma. Quanta gente pensa que tendo saúde e dinheiro não lhe falta nada! São pobres de espírito, muito diferentes dos pobres em espírito que Jesus valorizou.
Amar como Cristo amou parece utopia no mundo atual, onde não existem ‘santos’ como antigamente. E uma vida sem traços de santidade pode significar a exclusão do Reino do Céu, porque um pouco de humildade no coração e caridade nas ações são fundamentais no julgamento final.
Mesmo com defeitos e pecados, devemos servir a Deus com humildade e responsabilidade. No meu caso, as recompensas vêm na medida certa: paz, saúde e fé, além de relativo conforto e boas amizades. Porém, não posso descuidar da alma; se não estiver bem alimentada com oração, as diferentes tentações do mundo começam a me assombrar. Tudo fica mais fácil com a recitação do Terço, a reflexão da Palavra, a participação nos Sacramentos e a adoração ao Santíssimo. Quem não cuida da alma, padece nas provações.
E na sobrevivência do corpo, enquanto uns se apegam ao ouro, outros correm atrás do lixo - já virou emprego de carteira assinada catar resíduos sólidos para viver! Com a experiência que adquirimos trabalhando na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFEI - Intecoop -, fomos a Pouso Alegre (MG) na semana passada para uma reunião na Prefeitura. Graças a Deus, o imundo lixão estará parcialmente resolvido em noventa dias, mesmo sabendo que outros problemas sociais surgirão.
Peço a Deus que esta passagem bíblica toque em muitos corações dourados, insensíveis às aflições de seus vizinhos do lixo: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre sós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11, 28-30).
Mas, também há muita gente boa no mundo. Eis o artigo de um juiz, livre-docente da Universidade Federal do Espírito Santo, que causou emoção nas pessoas:
“Indaga-me se as sentenças podem ter alma e paixão. Como devolver, por exemplo, a liberdade a uma mulher grávida, presa porque trazia consigo algumas gramas de maconha, sem penetrar na sua sensibilidade, na sua condição de pessoa humana? Foi o que tentei fazer ao libertar Edna, uma pobre mulher que estava presa há oito meses, prestes a dar à luz, com o despacho que a seguir transcrevo:
‘A acusada é multiplicadamente marginalizada: por ser mulher, numa sociedade machista; por ser pobre, cujo latifúndio são os sete palmos de terra dos versos imortais do poeta; por ser prostituta, desconsiderada pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo; por não ter saúde; por estar grávida, santificada pelo feto que tem dentro de si. Mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar numa homenagem à maternidade; porém, que na nossa estrutura social, em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia. É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: Liberdade para Edna e liberdade para o filho que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha a este mundo com forças para lutar, sofrer e sobreviver. Quando tanta gente foge da maternidade, quando pílulas anticoncepcionais pagas por instituições estrangeiras são distribuídas de graça e sem qualquer critério ao povo brasileiro, quando milhares de brasileiras, mesmo jovens e sem discernimento são esterilizadas, quando se deve afirmar ao mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso distribuir melhor os bens da terra e não reduzir os comensais, quando por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis mulheres se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum com o feto que traz dentro de si. Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios, trairia a memória de sua mãe se permitisse sair Edna deste Fórum sob prisão. Saia livre, saia abençoada por Deus. Saia com seu filho, traga seu filho à luz, porque cada choro de uma criança que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais puro e algum dia cristão. Expeça-se incontinenti o Alvará de Soltura’.”

CARTAS DE SINCERIDADE - 6 DEZEMBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Fim de ano: dias de reflexão, oração e confraternização. É hora de deixar para trás os ressentimentos e dar abertura ao amor, pois o aniversário de Jesus Cristo precisa ser comemorado com alegria, sem preconceitos, unindo as intenções de paz de todos os irmãos.
E foi mais ou menos pensando assim que o Claudemir, coordenador do maravilhoso 19º Cursilho Masculino de Itajubá-MG, realizado há 15 dias, criou esta linda prece:
“JESUS...
Que eu seja a fé quando o outro precisar de valores; que eu seja o exemplo quando o outro precisar de espelho; que eu seja a rocha quando o outro precisar se sentir seguro; que eu seja o amor quando o outro estiver carente de Deus; que eu seja a caridade quando o outro precisar de uma mão amiga; que eu seja a solidariedade quando o outro precisar de ajuda; que eu seja o Evangelho para ser lido sem precisar de alfabeto.
Que eu seja a prece diante do mundo dilacerado por valores materiais; que eu seja o retrato de Deus para quem sente saudade d’Ele; que eu seja a água viva quando o outro estiver sedento; que eu seja o pão quando o outro tiver fome de Deus; que eu seja a resposta para as perguntas não respondidas sobre Deus; que eu seja a certeza diante dos incertos caminhos humanos; que eu seja a luz quando o outro não souber o caminho de retorno.
Que eu seja a seta que aponte Jesus quando o outro estiver sem direção; que eu seja seus passos quando o outro precisar de companhia na estrada de Emaús; que eu seja suas mãos quando o outro precisar de um afago; que eu seja seus olhos quando o outro precisar de um olhar de compreensão; que eu seja sua boca quando o outro precisar de uma palavra de conselho.
E quando eu viver um momento feliz, que eu louve a Deus; quando eu tiver um momento difícil, que eu busque a Deus; quando eu passar por um momento doloroso, que eu confie em Deus; quando eu mergulhar no silêncio, que eu adore a Deus; quando eu tiver dúvida, que eu me certifique em Deus - como tens me ensinado. Se mesmo assim eu vacilar, que eu procure aconchego no colo de nossa Mãe. Assim seja!”
Esta oração merece ser rezada a cada dia também em 2010, porque são palavras de sabedoria e muita espiritualidade. Quem a fizer com sinceridade será ouvido nos Céus, com certeza. E pensando em sinceridade, eis a carta que um marido encaminhou à sua esposa em férias:
“Querida, está tudo em ordem durante sua ausência. Aquela senhora que você contratou para cuidar da casa durante sua viagem ficou doente e não pode vir, mas continuo me virando bem. Estou preparando meu próprio jantar, só não estou limpando a casa nem lavando a roupa suja.
Ontem fiz batata frita. Era preciso descascar a batata? A panela de pressão ficou bem suja, aí a deixei de molho no sabão em pó com um pouco de gasolina. Ontem também tive um contratempo cozinhando ervilhas. Coloquei a lata no micro-ondas e explodiu. Acho que tinha que abrir a lata, né? Mas hoje vou fazer macarrão, que é bem mais fácil. Até já deixei de molho na água fria pra cozinhar mais rápido.
Aconteceu com você de a louça suja criar mofo? Como é possível isso acontecer em tão pouco tempo? No domingo, eu emporcalhei o tapete persa com molho de tomate e mostarda do cachorro quente. Você sempre me dizia que mancha de molho de tomate não sai! Então, passei um pouco daquela gasolina que tirei do carro e a mancha saiu. Ficou meio branco no lugar, mas arrastei o sofá em cima e nem dá pra perceber. Até você voltar, o cheiro deverá desaparecer.
Ah, a geladeira estava criando muito gelo e tive que descongelar. O gelo sai fácil se raspar com uma espátula de pedreiro. Foi fácil e rápido, agora a geladeira está gelando bem pouco, acho que vai demorar bastante pra juntar gelo de novo. E sei que está pensando nas suas plantas, mas eu as estou molhando direitinho. Até fervi a água ontem, pois estava muito frio e achei que não ia fazer bem molhar as folhas com água fria. Beijos mil do seu querido Afonso.
Outra coisa que quase esqueci: sua mãe deu uma passada aqui pra ver como estavam as coisas. Ela entrou, começou a gritar e sofreu um infarto. O velório foi ontem à tarde, mas preferi não contar pra não aborrecer você à toa. Volte logo, estou com saudades.”
Mas o meu amigo Geraldo, que tem ‘decolores’ escrito na testa, não fez piada quando me encaminhou esta próxima mensagem. Envie uma carta como esta aos seus amigos também:
Que o Menino Jesus: faça nascer novamente no coração de cada um de nós a inocência para sabermos ser transparentes, o carinho para cativarmos novos amigos, a gratidão para valorizarmos a vida em plenitude, o perdão para reconciliarmo-nos no amor, a compreensão para sabermos perdoar, o encantamento para apaixonarmo-nos pela busca de felicidade, a sabedoria para respeitarmos os pontos de vista do outro, a solidariedade para aprendermos juntos a construir caminhos, a fé para acreditarmos também no outro, a paz para ajudarmos a construir sempre, a coragem para sabermos retomar nossos sonhos, a vontade de amar para sermos felizes.
Que o Menino Jesus se sinta acolhido em seu coração e que você (leitor) tenha um feliz Natal e um santo Ano Novo! Que todos os seus sonhos se realizem, com Deus iluminando seu coração.

NATAL NO CAMPUS 2009 - 29 NOVEMBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Por amor a esse nosso Deus único e todo poderoso preparamos as festividades deste final de ano. Muito trabalho, problemas, grandes dificuldades, pouco dinheiro no início, reuniões, viagens, cansaço, mas tudo abençoado pelo Céu.
Mesmo não perdendo a esperança na providência Divina, cheguei a ficar preocupado com coisas que não davam certo: lâmpadas faltando no mercado, pessoas que demoravam a dar retorno de patrocínios, transporte e hotel para tanta gente, contratos complicados, muitas exigências de artistas etc. Mas, graças às orações e uma equipe comprometida, hoje, dia 5, acenderemos as luzes do Campus e inauguraremos o Festival de Presépios e Mesas Natalinas.
Porém, devido a alguns patrocínios serem confirmados há pouco tempo, não foi possível comprar todo o material de iluminação com antecedência e, contra a nossa vontade, os enfeites serão incluídos dia-a-dia até o Natal. Por um lado, isso motiva as pessoas a visitarem o local mais vezes, esperando ver algo novo.
Como já estamos na 5ª edição, nos anos anteriores também foi mais ou menos assim. Quem visita talvez não perceba locais apagados, mas nós da organização nos esforçamos para consertar rapidamente as falhas, torcendo para aquele que passou ali retorne e presencie mais luzes acesas. São tantas árvores, postes e prédios que, sabemos, nem tudo funciona o tempo todo simultaneamente.
Mas domingo, dia 6, após a missa na Matriz Nossa Senhora da Soledade, esperamos iluminar completamente o prédio central da UNIFEI enquanto os corais infantis se apresentam. Em seguida, divulgaremos os resultados dos vencedores dos concursos: ‘Cartões de Natal’ e ‘Mensagens Natalinas’.
Ingressos para os quatro primeiros shows - Moacyr Franco, Armatrux, Dunga e Sérgio Rabello - poderão ser retirados gratuitamente neste dia, no encerramento das apresentações. Não deixe de pegar o seu para assistir os eventos com conforto e tranquilidade no Castelo de Cristal. Quatro mil ingressos por show parece muito, mas para alguns espetáculos se esgotam rapidamente.
Para as outras três atrações, trocaremos ingressos por alimentos e brinquedos. Os pontos de troca serão na ‘Habib Calçados’ e na ‘Livraria e Papelaria Lápis de Cor’ - leia as informações neste jornal. Peço que você, leitor, nos ajude na divulgação dos eventos e respeito às regras. Se for doar um quilo de alimento, capriche na caridade e pense que a sua contribuição será parte do almoço solidário para 1.000 pessoas carentes no dia 20. Da mesma forma, se for levar um brinquedo, escolha com carinho algo que fará uma criança feliz no Natal. Refrigerantes e bonecas são muito necessários e pouco lembrados.
Bem, e por que escolhemos os últimos três shows para trocar ingressos por algum produto? Primeiro, porque sendo os últimos haverá mais tempo para a troca; segundo, porque a procura por ingressos será muito concorrida e não podemos desperdiçar; terceiro, por experiência vivida nos anos anteriores: espetáculo de mágica, show para a juventude e concerto de Natal com orquestra sinfônica, vai muita gente! É oportuno esclarecer que mesmo esses ingressos são gratuitos; pedimos apenas uma pequena colaboração.
Com diz o professor Renato Nunes, nosso reitor: “Proporcionalmente ao tamanho da universidade, nenhuma outra promove uma Festa de Natal como a nossa sem cobrar nada!”. Eu completaria, dizendo: “Jesus Cristo também nunca cobrou e continua não cobrando”. Ele nos dá total liberdade de escolha para caminhar nas trilhas do amor ou aceitar o pecado. As graças que receberemos em vida e a salvação eterna são resultados disso.
Então, vamos à Festa! Valorize cada momento que estiver conosco, agradeça a Deus por participar de mais um aniversário de Jesus Cristo, contribua na confraternização das pessoas com fé no coração e sinta-se nosso convidado de honra. Sua felicidade e muita paz é o que mais desejamos.
Moacyr Franco abrirá os shows com músicas belíssimas e quadros de humor; o Grupo Armatrux se apresentará com uma banda de bonecos para a criançada; o Dunga fará um show musical com transmissão ao vivo pela TV Canção Nova; Sérgio Rabello, um dos maiores humoristas do Brasil, só contará piadas sem palavrões; Adriana Calcanhoto é artista internacional e voltou brevemente de apresentações em Londres e Canadá; os Magos são da equipe do maior ilusionista da América Latina, Issao Imamura; nossos talentos da cidade mostrarão toda a qualidade artística de Itajubá; os corais adultos confirmarão a competência mineira nesse segmento; e, fechando, a Sinfônica da Unicamp encerrará a programação com chave de ouro.
Tudo é graça! E se é graça, é de graça. Que Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima abençoem os nossos patrocinadores e todos os apoiadores. Eu sou privilegiado de estar na coordenação, mas o Maestro Amaury Vieira e tantos outros trabalharam incansavelmente.
Deus seja louvado!

UNIDOS PARA SEMPRE - 22 novembro 2009

Paulo Roberto Labegalini

No final de semana passado, eu voltava de Itabira e deixei de participar de dois casamentos no sábado. Durante a viagem, tive vontade de escrever sobre essa vocação maravilhosa que Deus nos deu e, procurando nos e-mails que recebo, achei o texto de Dom José Alberto Moura, Arcebispo de Montes Claros (MG):
“Vivemos num contexto social de muitas ‘éticas’ até confrontantes. As desculpas para não se seguir valores inerentes à natureza e as verdades objetivas são muitas. A título de se ser moderno ou não retrógrado passa-se, não raro, por cima da verdade e do direito em função do modismo ou da satisfação pessoal.
Na trilha e na busca de sentido para a convivência matrimonial, pode haver ledo engano de realização humana quando homem e mulher não se unirem em vista de uma real vocação conjugal. O impulso para o casamento, baseado unicamente no sensorial ou no desejo de os dois se gratificarem na complementaridade afetiva e sexual, frequentemente pode ser rompido com algum desequilíbrio de doação de um pelo outro.
Havendo, porém, em ambos, a consciência e o pacto de mútua ajuda para conseguirem um ideal de vida por motivo de um sentido de vida maior, dá-se base de fecundidade na vocação matrimonial. Para isso, é preciso orientação e formação para o valor do casamento como verdadeira vocação. Preparação para tanto é fundamental.
Caso contrário, viveremos cada vez mais a panacéia de uniões que não levam à realização das pessoas que se casam, com as consequências muitas vezes danosas para tantos filhos! Não à toa Jesus Cristo fala da união para sempre do casamento entre homem e mulher, para a busca da felicidade, que está num ideal de vida buscado perenemente. A bênção divina está no bojo de tal encaminhamento. Mas é preciso, nessa direção, haver preparação, vontade e responsabilidade de construção da vida a dois para valer.
Nada, assim, vai tirar o casal do sério de uma vida de amor e doação autênticos. Meios coadjuvantes para isso encontramos na ordem natural e sobrenatural: diálogo, compreensão, boa vontade, colaboração, valorização do outro, perdão, oração, meditação na Palavra de Deus, sacramentos, aceitação das observações do outro, aconselhamento...
Muitos são os obstáculos para que o amor matrimonial corra nessa perspectiva. A influência do paganismo, da mediocridade, a falta de formação e influência de grandes meios de comunicação materialistas dificultam a juventude a se pautar na vida por valores acima apresentados. Aliás, na sociedade vemos duas vocações de fundamental importância: a família e a política. Justamente para as duas há muita falta de preparo. As consequências são óbvias!
A Palavra de Deus nos auxilia a valorizarmos a vocação matrimonial: ‘Maridos, amai as vossas mulheres como o Cristo amou a Igreja e se entregou por Ela... Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio corpo... Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne’ (Ef 5, 25.28.31).”
São palavras de muita sabedoria, principalmente quando o Arcebispo se refere à ‘aceitação das observações do outro’; sem isso, o casamento estremece. Sabemos que homem e mulher perfeitos não existem, muito menos sonhos para uma vida sem problemas. Veja esta história:
“Um homem entra num restaurante com uma avestruz atrás dele. A garçonete pergunta o que querem, e o homem pede: ‘Um hamburguer, batatas fritas e uma coca para mim e o mesmo para ele’. Depois, a garçonete traz a conta no valor de R$ 32,45. O homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar.
No dia seguinte, eles retornam ao local e o homem diz: ‘Um hamburguer, batatas fritas e um suco de laranja para mim e o mesmo para o avestruz’. Depois, de novo, o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para pagar a conta: R$ 34,80.
Isto se torna uma rotina até que, um dia, a garçonete pergunta:
- Vão pedir o mesmo?
- Não, hoje vamos querer um filé à francesa com salada - diz o homem.
Após trazer o pedido para ambos, a garçonete diz:
- Ficou em R$ 87,60.
O homem coloca a mão no bolso e novamente tira o valor exato para pagar, colocando o dinheiro em cima da mesa. A garçonete não controla sua curiosidade e pergunta:
- Desculpe, senhor, mas como faz para ter sempre o valor exato a ser pago?
- Há alguns anos eu achei uma lâmpada velha e, quando a esfregava para limpar, apareceu um gênio e me ofereceu dois desejos. Meu primeiro desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar o que eu quisesse.
- Que idéia brilhante! - falou a garçonete. - A maioria das pessoas deseja ter um grande valor em mãos ou algo assim, mas o senhor só será rico enquanto viver!
- É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou uma Mercedes, tenho sempre o valor necessário no bolso - respondeu o homem.
E a garçonete perguntou:
- Agora, o senhor pode me explicar a companhia do avestruz?
- Meu segundo desejo foi ter uma companheira com quadril grande, pernas longas e que sempre concordasse comigo em tudo...”

COMO USAR O TEMPO - 15 Novembro 2009

Paulo Roberto Labegalini

Administrar o tempo é uma arte. Muitos acham que conseguem fazê-lo bem com disciplina rígida no comportamento pessoal; outros procuram se organizar no tempo com moderação nas mudanças de hábitos. Respeito o estilo de cada um, mas como estudo o assunto há anos e também ganhei experiência nos contatos profissionais que mantive em cursos e palestras, hoje ensino que alguns passos são essenciais à pessoa que procura melhorar a sua produtividade profissional:
1. ter um objetivo desafiador, mas alcançável;
2. elaborar uma lista de tarefas a realizar;
3. estabelecer ordens de importância e urgência para as tarefas, de acordo com o objetivo proposto;
4. fazer um planejamento diário de atividades, priorizando tempo para as tarefas importantes; e
5. minimizar os desperdiçadores de tempo no trabalho, para tentar cumprir o planejamento.
E se, com o tempo, isso tudo funcionar com naturalidade, certamente existirá uma parcela de ‘tempo ganho’ pelo profissional que conseguiu melhorar a autodisciplina e organização pessoal. O que fazer com esse tempo?
Nos cursos, ao fazer esta pergunta, cheguei a ouvir de tudo um pouco, menos ‘rezar’. Por que será? Seria medo de passar vergonha ao professar a fé em público? Acho pouco provável essa hipótese e acredito ser falta de prioridade à oração.
São Vicente de Paulo rezava sete horas por dia! Dizia que só assim seria possível praticar obras de caridade em nome de Deus. Quanto mais rezava, mais caridade praticava, iluminado pelo Espírito Santo. Valeu a pena priorizar dessa maneira o tempo, não? Hoje, ele também é santo e intercede pelas nossas ações.
Ação e oração, oração e ação, não importa a ordem. O importante é sabermos administrar o tempo e deixarmos uma parcela maior desse precioso recurso para evangelizar. Evangelizar orando! Evangelizar testemunhando o amor de Jesus e de Maria por nós! Evangelizar participando dos trabalhos na comunidade! Evangelizar dando as mãos ao irmão carente! Mas, antes de evangelizar, a participação na Eucaristia não pode faltar.
O Pe. Robert Degrandis, no livro ‘A Cura pela Missa’, diz que “o centro da fé católica é o sacrifício da missa. Devemos acreditar que a missa é muito mais do que até hoje imaginamos, porque ela é uma cerimônia de cura. Na missa, Cristo transforma as nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais. Se realmente cremos em Jesus presente na hóstia consagrada, obteremos a integridade ao receber seu corpo em nós”.
Muitos outros religiosos enfatizam que as partes da santa missa constituem elementos de uma cerimônia de cura. Santo Agostinho, por exemplo, escreveu sobre as curas que testemunhou em sua Igreja, como resultado de as pessoas receberem a Eucaristia.
É maravilhoso ir à casa de Deus e participar da celebração do grande mistério da vida, da morte e da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. A nossa fé, a nossa oração e o nosso louvor a Deus nos colocam em estado de graça durante a missa.
E no decorrer da missa, somos perdoados pela Misericórdia Divina no ato penitencial, louvamos a Trindade Santa no hino de louvor, ouvimos a Palavra de Deus na proclamação do Evangelho, professamos a nossa fé no creio, fazemos os nossos pedidos na oração da comunidade, oferecemos as nossas vidas ao Senhor no ofertório, adoramos a Deus no Santo, presenciamos a transformação do pão e do vinho em corpo e sangue de Jesus na consagração, recitamos a oração perfeita que o próprio Jesus nos ensinou no Pai-Nosso e, após o Cordeiro, chegamos à comunhão.
Ao recebermos o corpo santo de Cristo, vivenciamos o imenso amor e a infinita misericórdia de Deus para conosco ao permitir que, mesmo pecadores, tenhamos a graça de receber a própria pessoa que cura - Jesus, o centro da missa. Principalmente por isso, após a comunhão, devemos rezar ou cantar, dando graças por estarmos sendo abençoados naquele momento.
Se não bastassem todas essas maravilhas na missa, sabemos ainda que a Virgem Maria também está nos ouvindo como verdadeira mãe, e intercede por nós. Por isso é que, no ministério de música, cantamos quase o tempo todo, explodindo de alegria por sermos católicos.
Domingo próximo, dia 22 de novembro de 2009, às 19 horas, a nossa Comunidade irá participar da novena em louvor a Nossa Senhora das Graças, no bairro do Cruzeiro. Jesus, por intermédio de Maria, nos enviará mais curas! Estou ansioso para chegar logo o momento de entrarmos naquela igreja tão linda e tão bem cuidada.
E após o encerramento da missa, quando eu estiver voltando para casa, quero estar rezando: “Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo por atender prontamente o sacerdote, após a bênção final, que nos enviou dizendo: Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”.
Confio que Deus sempre estará me acompanhando e colocando paz em meu coração.

DEUS ESTÁ NO COMANDO - 8 NOVEMBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

O velho mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal num copo d’água, bebesse, e perguntou qual era o gosto.
- Ruim - disse o aprendiz.
O velho sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o sal foi jogado no lago. Então, o mestre falou:
- Beba um pouco dessa água e diga se está ruim.
- Não - disse o jovem.
- Pois é, acredito que a dor na vida de uma pessoa não muda, mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, meu jovem, a única coisa que deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está à sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: é deixar de ser ‘copo’ para tornar-se ‘lago’.
Esta história é um preâmbulo para eu comentar algumas provações da vida. Nem sempre é fácil suportá-las; mas, crer que Deus está no comando e tem um maravilhoso plano para a nossa vida faz a caminhada valer à pena. É mais ou menos isto que o iluminado Pe. Fábio de Melo diz neste texto:
“Eu acho que a gente vive tão mal que às vezes precisa perder as pessoas para descobrir o valor que elas têm, e isso aconteceu uma vez na minha vida. Estava eu na minha casa, de manhã, quando recebi um telefonema dizendo que minha irmã estava morta. Minha irmã mais nova, cheia de vida, de repente não existe mais.
Fico pensando que às vezes, na vida, o ensinamento mais doído é esse: quando já não temos mais a oportunidade de fazer alguma coisa. O inferno talvez seja isso: a impossibilidade de mudar alguma situação. E quando as pessoas morrem, já não há mais o que dizer, porque mortos não podem perdoar, mortos não podem sorrir, não podem amar, nem tão pouco ouvir de nós que os amamos.
Eu me lembro que uma semana antes de minha irmã morrer, ela havia me ligado. Foi a última vez que falei com ela, e eu me recordo que naquele dia eu estava apressado, com muita coisa pra fazer e desliguei o telefone rápido. Se eu soubesse que aquela seria a última oportunidade de falar com ela, eu certamente teria esquecido toda a pressa, porque quando você sabe que é a última oportunidade, você não tem pressa pra mais nada. Já não há mais o que fazer, e essa é a beleza da última ceia de Jesus!
Não há pressa, o momento é feito para celebrar a mística da última ceia e Jesus reúne aqueles que pra Ele tinham um valor especial, inclusive o traidor estava lá. Eu descobri com isso, com a morte da minha irmã, que eu não tenho o direito de esperar amanhã para dizer que amo, para perdoar, para abraçar, dizer que é importante, que é especial.
O amanhã eu não sei se existe, mas o agora eu vejo que existe, e às vezes, na vida, nos perdemos. Eu me lembro quantas vezes na minha vida de irmão com ela nós passávamos uma semana sem nos falarmos, porque houve uma briga, uma confusão. A gente se dava ao luxo de passar uma semana sem se falar, e hoje eu não tenho mais nem cinco minutos para conversar com alguém que foi importante, que foi parte de mim.
Não espere as pessoas irem embora, não espere o definitivo bater na sua porta. Nós não conhecemos a vida e não sabemos o que virá amanhã. Viva como se fosse o último dia da sua história. Se hoje você tivesse que realizar a sua última ceia porque é conhecedor que hoje é o último dia de sua vida, certamente você não teria pressa. Você celebraria até o fim e gostaria de ficar ao lado de quem você ama.
E depois que minha irmã morreu, eu descobri porque eu gostava tanto dessa música que vou cantar agora. Ela não fala de um amor que foi embora; o compositor fez para a filha que morreu em um acidente. Então, fica muito mais especial cantá-la e descobrir o cristianismo que está no meio das palavras, porque é assim: quando o outro vai embora é que a gente descobre o tamanho do espaço que ele ocupava. Ouçam a música gravada por Tim Maia:
‘Não sei por que você se foi, quantas saudades eu senti, e de tristezas vou viver, e aquele adeus não pude dar... Você marcou a minha vida, viveu, morreu na minha história; chego a ter medo do futuro e da solidão que em minha porta bate... E eu, gostava tanto de você! Gostava tanto de você!’
Agora, o triste da música é que a gente precisa conjugar o verbo no passado, a pessoa já morreu, já não há mais o que fazer. Mas, não tem nenhum sofrimento nessa vida que passe por nós sem deixar nenhum ensinamento. Tem que nos ensinar... Não dá pra sofrer em vão... Alguma coisa a gente tem que extrair... Então, extraia o sofrimento e descubra o ensinamento.
Depois da morte da minha irmã, eu faço questão de viver a vida como se fosse o último dia. Já que o passado é coisa do inferno e a gente não está no passado, muito menos no inferno, esta é a possibilidade de mudar o verbo, de trazê-lo para o presente e de cantá-lo olhando para as pessoas que são especiais.
Se você tem algum amigo que mereça ouvir isso de você, alguém que faz diferença na sua história, ao invés de você dizer que gostava, diga que gosta. Vamos mudar o verbo! Vamos amar a vida! Vamos amar as pessoas antes que elas vão embora!”

AMOR ETERNO - 1 Novembro 2009

Paulo Roberto Labegalini

“Um menino tinha uma cicatriz estranha no rosto. Os alunos de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado; na realidade, quando os colegas o viam, franziam a testa devido a marca ser muito feia.
Então, a turma se reuniu com o professor e sugeriu que aquele menino da cicatriz não freqüentasse mais as aulas. O mestre levou o caso à diretora e ouviu que não poderiam expulsá-lo, mas conversariam com o menino para que, a partir daquela data, ele fosse o último a entrar na sala e o primeiro a sair. Dessa forma, nenhum jovenzinho veria o seu rosto a não ser que olhasse para trás.
Sabendo da decisão, o menino prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição: que ele dissesse aos alunos o porquê daquela cicatriz. Então, no dia seguinte, ele começou a se explicar:
- Sabe, turma, eu entendo vocês. Na realidade esta cicatriz é muito feia mesmo, mas eu a adquiri porque minha mãe era muito pobre e, para ajudar na alimentação de casa, passava roupa para fora quando eu tinha seis anos de idade.
A turma estava em silencio, atenta a tudo. O menino continuou:
- Além de mim, havia mais três irmãozinhos: um de quatro anos, outro de dois e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida. Foi aí que, não sei como, a nossa casa de madeira começou a pegar fogo. Mamãe correu até o quarto em que estávamos, pegou meu irmãozinho de dois anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora. Ela colocou-me sentado no chão e disse-me para ficar com eles, pois tinha que voltar para buscar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chama.
Nesse momento, até o professor e a diretora sentaram-se para ouvir o resto da história.
- Só que quando minha mãe tentou entrar na casa - falou o menino -, as pessoas que lá estavam não deixaram. Eu via minha mãe gritar: ‘minha filhinha esta lá dentro!’. Foi aí que decidi... Saí correndo e, quando perceberam, eu já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça e estava muito quente. Eu sabia o quarto em que ela estava e, quando lá cheguei, ela chorava muito. Nesse momento, percebi coisas caindo do teto; então me joguei em cima dela para protegê-la e alguma coisa quente encostou-se em meu rosto.
A turma continuava atenta ao menino; então ele concluiu:
- Vocês podem achar esta cicatriz feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e, todo dia quando chego, minha irmãzinha a beija porque sabe que é marca de muito amor.”
Pois é, você que leu essa história deve saber que o mundo está cheio de cicatrizes. Não falo de cicatriz visível, mas daquela que não se vê. Palavras ruins e ações perversas deixam marcas nas pessoas e, às vezes, doem como as chagas de Jesus Cristo. Ele adquiriu muitas cicatrizes em suas mãos, pés, corpo e cabeça. Na verdade, as cicatrizes eram nossas, mas Ele pulou em cima da gente, protegeu-nos e ficou com todas, sem exceção. Também são marcas de profundo amor.
Eis o que escreveu o meu filho, Alexandre, lá de Ouro Preto esta semana:
- Pai, este é o texto mais bonito que li nos últimos tempos, da música ‘Graças Pai’ do Pe. Fábio de Melo. Sei que você conhece, mas lendo com mais atenção, se nota o quão lindo é:
‘O que me fascina em Jesus não é só a capacidade de ressuscitar os mortos, de curar os cegos ou os paralíticos; o que me fascina n’Ele é a sua capacidade e a coragem de dizer que Deus é Pai, um Pai que tem preferência pelos piores homens e mulheres deste mundo. Um Pai que ama os que não merecem ser amados, que abraça os que não merecem ser abraçados e que escolhe os que não merecem ser escolhidos. Um Pai que quebra as regras ao nos desconcertar com seu amor tão surpreendente, um Pai que não quer se ocupar com os erros que você cometeu até o dia de hoje. Porque o amor que Ele tem por você é um amor cheio de futuro. Ele não está preso ao seu passado e a Ele não interessa o que você fez ou deixou de fazer de sua vida. A Ele, o que importa é o que você ainda pode fazer.’
E por falar naquilo que ainda podemos fazer, lembro o vigor na oração da Dona Sebastiana, nossa querida agente da Pastoral Familiar na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração. Na missa do dia 17 de outubro, com 83 anos de idade, ela ouviu o Pe. Maristelo ler este texto que escrevi para ela:
‘Dona Sebastiana Cândida Pereira é considerada a ‘Mãe do Seminário’ no Instituto Padre Nicolau, em Itajubá, MG. Por amor a Deus e à Virgem Maria, há 19 anos ela iniciou sua caminhada de acolhimento aos seminaristas e caridade com os padres. De cafezinhos a horas ininterruptas de dedicação, ela serviu voluntariamente sete sacerdotes: Mário, Tarcísio, Jorge, Cortez, Edvaldo, Joaquim e Maristelo. A recitação do Terço antes das missas, também por iniciativa dela, levou muitos fiéis a alcançar graças maravilhosas de Nossa Senhora do Sagrado Coração. O nome de dona Sebastiana ficará gravado para sempre no Sagrado Coração de Jesus.’
Essas palavras ao lado de sua foto ficarão em destaque numa das paredes do noviciado. Que Deus a conserve sempre assim, com amor eterno por cada um de nós.

O CÉU EM MIM - 25 OUTUBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini

Cheguei apressado em casa, cheio de papéis nas mãos e preocupações na mente, entrei no elevador e subi. Do térreo ao 10º andar são exatamente 42 segundos, que pacientemente experimento várias vezes ao dia há 20 anos.
Na expectativa de a porta se abrir no tempo previsto, desocupei uma das mãos para segurar a chave do apartamento e adentrar rapidamente no lar; mas, o elevador continuou fechado. Achei que houvesse acabado a energia, porém, eu continuava subindo. Dei uns pulinhos para me certificar do sentido do percurso e tive certeza que me dirigia para cima.
- Que coisa estranha! - pensei. - Como seria possível o elevador passar pelo telhado e ascender ao céu? Será que não pertenço mais a este mundo?
Fiquei apavorado. Por mais que achemos que estamos preparados para a morte, ninguém espera falecer dentro de um elevador. Comecei a apertar os botões e a bater na porta, mas nada se alterava, eu continuava subindo. Sem opção, pus a papelada no chão, limpei o suor do rosto e sentei, esperando o final do percurso.
Então, com tempo suficiente para ficar à toa, comecei a pensar no sentido da vida.
- O que fiz com a minha existência? Correspondi à vontade de Deus nas oportunidades que Ele me deu de fazer o bem? Agradeci o suficiente a Nossa Senhora por tantas bênçãos que me concedeu? Amei as pessoas como Jesus me ensinou ou, pelo menos, retribui o carinho que tanta gente demonstrou por mim?
Surpreendentemente eu não chorava. Mesmo lembrando de minha adorável família, eu não chorava. Uma profunda paz interior tomou conta de mim e somente coisas boas vieram à cabeça: missas que cantei, palestras que ministrei no Cursilho e Ovisa, evangelização nas rádios e nos jornais, caridade com os vicentinos, trabalhos na Pastoral Familiar, livros católicos que escrevi, coordenação do Natal no Campus da UNIFEI, aulas, terços, futebol com os amigos, vida em família...
Ah, de repente, todas as lembranças antigas começaram a se apagar e somente as coisas mais recentes eu podia recordar. Lembrei de dois artigos que tive muito prazer em escrever no mês passado: ‘A Ponte da Misericórdia’ - reflexão sobre o pecado. Do mesmo tema falou o Pe. Edvaldo na Escola Vivencial do Cursilho, dia 19 de outubro. As palavras dele foram mais ou menos assim:
“O pecado é como um obstáculo que nos faz parar e refletir; e no Evangelho, obstáculo aparece como ‘escândalo’! Para quem está iniciando na fé, isso pode se tornar um impedimento definitivo para a caminhada cristã. Por isso, é preciso analisar com profundidade as consequências de se viver na graça ou viver negando a proposta divina - desgraça.
Infelizmente, poucos entendem os gestos de amor de Jesus para com os pecadores e, aqueles que ignoram, deixam de fazer essa belíssima experiência em sua vida. Seria importante que nossa evangelização enfocasse o Plano de Deus para cada irmão em Cristo: amar uns aos outros, servindo com humildade no coração, construindo um mundo mais justo e fraterno. É um Plano de Amor e Salvação!
No capítulo 30 do Livro do Deuteronômio está escrito: “Eis que ponho diante de ti o bem e o mal. Escolha o bem e viverás”. Isso significa abrir mão de alguns interesses pessoais para assumir um projeto coletivo de felicidade - o que não é fácil! No sentido figurado, significa ‘rasgar o coração’. Por exemplo: o jovem rico do Evangelho de Marcos deixou tudo para seguir Jesus? Confiou na promessa de que não era necessária sua fortuna para entrar no Céu?”
Como é difícil aconselhar outras pessoas, concorda? Mesmo preso no elevador, lembrei de um padre que estava procurando a agência de correios numa cidade do interior e encontrou um menino sentado na sarjeta.
- Meu jovem, pode me explicar onde fica o correio? - falou o sacerdote.
- Ali, depois daquela ponte, seu padre.
- Muito obrigado, mas vejo que você é tão novo e já está com um cigarro na boca! Eu sou o novo pároco da cidade e gostaria de lhe ensinar os caminhos de Deus. Vá à igreja e conversaremos.
- Que nada, seu padre. O senhor não sabe nem o caminho do correio e quer me ensinar o caminho de Deus?
Esbocei um sorriso e logo voltei à realidade do elevador que continuava subindo ao céu. Ao céu desconhecido ou ao Paraíso? Na dúvida, comecei a rezar, a pedir perdão dos meus pecados, a rogar pelos nomes que deixei escritos no oratório de casa, e fui me entregando nos braços do Pai com cânticos de louvor. Ficava feliz cada vez que pensava no pouco que fiz pela construção do Reino. Dava vontade de gritar com alegria: ‘Eu não esperei ficar velho e aposentado para servir a Deus!’
Dei razão à Sandra do Ricardo Chiarini, que lá da França me enviou isto: ‘Não faça da sua vida um rascunho, pois pode não dar tempo de passar a limpo. Lembre-se que somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para melhorar o que somos. Enfim, é até melhor estar preparado para dar uma oportunidade e não ter nenhuma, do que ter uma oportunidade e não estar preparado’.
Êpa, após horas sozinho naquele lugar, o elevador parou e a porta se abriu. Então eu acordei. Viva, acordei para uma vida nova! Acorde você também.

TUDO EM FAMÍLIA - 18 outubro 2009

Paulo Roberto Labegalini

Li Cunxin nasceu no ano de 1961 durante o governo chinês de Mao Tsé Tung, sexto filho de um total de sete. A hora das refeições era sempre triste, conta ele, porque sua mãe, muitas vezes, não tinha o que cozinhar. Inhame seco era a base da alimentação na maior parte do ano. Ocasionalmente, havia pão de milho, farinha na dispensa e, por isso, guardados para oferecer a visitas importantes.
À hora das refeições, as sete crianças ficavam esperando que o pai começasse a comer. Almoçavam inhames secos ou cozidos, dia após dia, mês após mês, ano após ano. Os pais comiam bem devagar para que sobrasse mais para os filhos.
A mãe dizia aos menores que deixassem a melhor porção para o pai, pois era ele quem garantia o sustento; mas, o pai sempre arranjava desculpas e pedia que dessem a melhor parte para a mãe. Não fosse ela, enfatizava, nada teriam para comer senão ‘vento noroeste’. Uma vez por mês, após enfrentarem longas filas, podiam comprar um pedaço de porco gordo.
E Li Cunxin narra em suas memórias que, numa tarde, sua mãe o mandou comprar carne no açougue da comuna onde moravam. As filas eram enormes. Ele esperou mais de uma hora e, finalmente, conseguiu comprar um pedaço pequeno de carne de porco. Saiu a correr e a saltar de felicidade por sua conquista.
Sua mãe cortou a carne em pedaços pequenos, igualmente feliz pela gordura que iria durar, com certeza, um bom tempo. Naquela noite, quando foi servida a carne com acelga, todos podiam ver o óleo precioso flutuando no molho.
Certo dia, um dos meninos encontrou um pedaço de carne de porco em sua porção. Sem pestanejar, colocou no prato do pai. Este repassou imediatamente a carne para o prato da mãe. Ela devolveu, dizendo:
- Não seja tolo! Fiz a comida especialmente para você. Precisa ficar forte para trabalhar!
Próximo ao pai estava o filho mais novo. O pai olhou para ele, chamou-o pelo nome e disse:
- Deixe-me ver seus dentes.
Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, ele colocou a carne na boca do filho. O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo longo suspiro da mãe. Sempre era assim: um raro pedacinho de carne em uma tigela de vegetais era passado de um para outro. Os olhos famintos pediam mais, mas sempre faltava. Todos sabiam que era difícil conseguir comida.
Assim era a vida naquela família, onde o pai trabalhava da madrugada ao entardecer por miserável pagamento mensal e a mãe lavava, limpava, cozinhava, costurava e, ainda, ia trabalhar no campo para conseguir um pouco mais de recursos.
Cuidado uns com os outros, é isso que o fato narrado nos ensina. Será que em nosso lar estamos passando esses valores para nossos filhos? Lendo a história da miséria vivida por Li Cunxin, podemos pensar que jamais seremos tão pobres a ponto de disputar um alimento. O importante a ressaltar é que cultivemos o amor - esse sentimento que se demonstra em pequenos gestos, em preciosas doações. Pode ser: ofertar uma flor, um favor, um mimo. Pode, com doçura, se resumir em fitar os olhos do outro e perguntar:
- Você está muito cansado? Como foi o seu dia? Que posso fazer para você se sentir melhor?
E isto não pode acontecer somente em família, mas também com pessoas que precisam de nossos cuidados, sejam ricas ou pobres. Você pensa nisso? Sua consciência está tranquila? Às vezes, meio por instinto, agimos corretamente sem querer, mas isso não pode acontecer só esporadicamente. Cristão que honra a condição de ser filho de Deus precisa ter um comportamento digno com frequência. Esta historinha mostra que a sorte nem sempre está conosco e, um dia, a máscara cai:
Os pais levaram o filho de oito anos e a irmãzinha de sete para a igreja. Eles sentaram na primeira fila para que o filho pudesse apreciar bem a missa, mas ele adormeceu no meio do sermão. O padre notou e decidiu dar-lhe um susto. Então, fez uma pergunta direta para ele:
- E você, meu jovem, diga: quem foi que criou o céu e a terra?
A irmã do guri espetou um alfinete na perna do menino, que acordou de sobressalto e gritou:
- Meu Deus!
- Muito bem, meu filho - disse o padre.
O pessoal que estava por perto olhou para o menino, mas daí a pouco ele voltou a dormir e o padre viu que precisava acordá-lo outra vez. Então perguntou:
- Responda-me agora, quem foi o filho de Maria e José?
A menina voltou a enfiar um alfinete no menino, que disse alto:
- Jesus!
O padre percebeu o que aconteceu, mas não podia dizer nada. O povo prestou ainda mais atenção no menino que deu a resposta correta, mas logo depois ele cochilou novamente e o padre questionou:
- O que disse Pedro para Jesus quando andava sobre as águas e começou a afundar?
Assim que a irmãzinha deu-lhe outra alfinetada, o menino berrou:
- Se você fizer isso comigo de novo eu lhe arrebento a cara!

PROMESSAS QUE SE CUMPREM - 11 OUTUBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Um rapaz de vassoura na mão bateu à porta de uma casa. Uma senhora abriu e perguntou o que ele queria. Disse o jovem:
- Estou vendendo vassouras para custear meus estudos no colégio. Por favor, compre uma, custa só cinco reais!
A dona da casa falou:
- Ficarei com a vassoura; mas, no momento, só tenho em casa uma nota de cem reais. Pode trocar?
- Posso trocar na loja da esquina. Dá-me o dinheiro e lhe prometo que em cinco minutos estarei de volta.
A compradora pensou: ‘Será que ele voltará com o troco? Prometeu; mas, quem sabe se cumprirá a promessa?’
Como o olhar do moço inspirava confiança, deu-lhe o dinheiro e ele se foi. Passaram cinco minutos, dez, meia hora, uma hora, e o jovem não voltou. Triste, a senhora disse para si: ‘Ele não cumpriu a promessa. Como fui me deixar ser enganada?’
No outro dia, às 9 horas da manhã, o mesmo rapaz bateu à porta. A cabeça estava enfaixada e viam-se manchas de sangue. Quando a mulher chegou, ele apressadamente disse:
- Prometi entregar-lhe o troco ontem, mas depois de trocado o dinheiro, fui atropelado por um automóvel. A batida do carro deixou-me inconsciente e levaram-me para o hospital. Assim que me recuperei, corri para cumprir a promessa. Queria desculpar-me pelo atraso.
- De fato - disse a senhora -, pensei que não voltaria, mas agora sei que cumpriu sua palavra. Vou ajudá-lo a custear seus estudos.
Pois é, este caso serve de gancho para dizer que, mesmo que nos pareça impossível, Deus sempre cumpre suas promessas. Parecia impossível Jesus nascer em Belém, pois José e Maria viviam em Nazaré e faltavam poucas semanas para Cristo nascer. Porém, veio um decreto do imperador romano, que mandou fazer um recenseamento em Israel. Ordenou que cada um, em data marcada, se apresentasse na localidade de origem da família. Como José e Maria eram descendentes do rei Davi e este nasceu em Belém, o casal se dirigiu para lá. E assim aconteceu que a promessa de Deus, dada pelo profeta Miquéias 700 anos antes do nascimento de Cristo, se cumpriu no dia de Natal. Jesus nasceu em Belém!
Outro fato: os soldados romanos eram pagãos e nada sabiam da Bíblia. Depois de terem crucificado Jesus, eles repartiram as roupas entre si. Entretanto, a respeito da túnica que era sem costura, disseram: “Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela para ver a quem caberá”. Isso fazia parte da mensagem profética, pois muitos séculos antes do acontecimento lia-se no Salmo 22: “Repartem entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica deitam sortes”.
Portanto, aquilo que Deus promete realmente se realiza. O que Ele disse vale para sempre e podemos confiar firmemente em tudo. Infelizmente, muitas vezes, só fingimos que acreditamos. Leia isto:
Numa manhã de domingo, enquanto um pregador explicava o Evangelho num culto ecumênico, a assembléia de 2000 membros foi surpreendida por dois homens cobertos de preto da cabeça aos pés, armados com metralhadoras. Um deles gritou:
- Quem quiser receber uma bala por Cristo fique onde está.
Foi um corre-corre, e só permaneceram 20 pessoas no recinto. O homem que tinha gritado retirou a máscara, olhou para o pregador e disse:
- Pode continuar. Já coloquei os hipócritas na rua!
E você, ficaria ou fugiria? É engraçado como todos querem ir para o Céu, desde que não seja logo e não tenham que fazer aquilo que a Bíblia diz. É engraçado como as piadinhas obscenas correm livremente pela internet, mas falar de Jesus é costume de poucos. Engraçado como posso estar mais preocupado sobre o que falam a meu respeito do que aquilo que Deus pensa de mim. Será que algum pai de família já dirigiu ao filho a bênção do Livro dos Números? - “O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz”. Quantos acreditam que isto traz uma proteção especial à pessoa?
Se você está indeciso entre acreditar ou não, veja esta história:
Havia um grande muro separando dois grupos. De um lado estavam os anjos e os servos de Deus; do outro estavam os demônios e todos os humanos que não servem a Deus. Em cima do muro havia um jovem indeciso que havia sido criado num lar cristão, mas agora estava em dúvida se continuaria servindo ao Senhor ou se deveria aproveitar os prazeres do mundo.
O jovem observou que o grupo do lado de Deus o chamava sem parar:
- Ei, desce do muro agora, vem pra cá!
Já o grupo de Satanás não dizia nada. Essa situação continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a um demônio:
- O grupo do lado santo fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do lado deles. Por que vocês não fazem o mesmo para me convencer a descer para vocês?
Grande foi a surpresa do jovem quando o capeta respondeu:
- É porque o muro já é nosso!
- Lembre-se, leitor, não existe meio termo. O muro já tem dono!

PRESENTES DE AMOR - 4 OUTUBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Um garoto pobre com doze anos de idade entrou na loja, escolheu um sabonete comum e pediu ao proprietário que o embrulhasse para presente.
- É para minha mãe - disse com orgulho.
O dono da loja ficou comovido diante da singeleza daquele presente. Olhou com piedade para o freguês e, sentindo uma grande compaixão, teve vontade de ajudá-lo. Pensou que poderia embrulhar junto algum artigo mais significativo; entretanto, ficou indeciso: ora olhava para o garoto, ora para os artigos que tinha na loja. Deveria ou não ajudar? O coração dizia sim, a mente dizia não.
Notando a indecisão do homem, o garoto pensou que ele estivesse duvidando de sua capacidade de pagar. Colocou a mão no bolso, retirou as moedinhas que dispunha e as colocou sobre o balcão. O proprietário ficou ainda mais comovido quando viu as moedas, de valores tão insignificantes. E continuava no seu conflito mental.
Em sua intimidade concluíra que, se o garoto pudesse, compraria algo bem melhor para sua querida mãe; e lembrou sua própria mãe. Fora pobre e, muitas vezes na infância, também desejara presentear sua mãezinha. Quando conseguiu emprego, ela já havia falecido. Agora, com aquele gesto, o garoto estava mexendo nas profundezas dos seus sentimentos.
Do outro lado do balcão, o menino começou a ficar ansioso. Alguma coisa parecia estar errada. Por que o homem não embrulhava logo o sabonete? Ele já escolhera, pedira para embrulhar e até tinha mostrado o dinheiro para o pagamento. Por que a demora? Qual o problema? Impaciente, ele perguntou:
- Moço, está faltando alguma coisa?
- Não. É que de repente me lembrei de minha mãe. Ela morreu quando eu ainda era muito jovem. Sempre quis dar um presente a ela, mas, desempregado, nunca consegui comprar nada.
Na espontaneidade de seus doze anos, disse o menino:
- Nem um sabonete?
O homem se calou. Refletiu um pouco e desistiu da idéia de melhorar o presente do garoto. Embrulhou o sabonete com o melhor papel que tinha na loja, colocou uma fita vermelha e despachou o freguês sem dizer mais nada.
A sós, pôs-se a pensar: ‘Como é que nunca pensei em dar algo pequeno e simples para a mamãe? Sempre entendi que presente tinha que ser alguma coisa valiosa, tanto assim que, minutos antes, senti piedade da singela compra e pensei em melhorar o presente adquirido.’
Comovido, entendeu que naquele dia tinha recebido uma grande lição. Junto com o sabonete do menino, seguia algo muito mais importante, o melhor de todos os presentes: o gesto de amor - o mais poderoso meio de tornar as pessoas felizes. Em qualquer circunstância, grandioso não é o que se dá, mas como se dá.
E esta história ainda nos mostra que todo presente deve se revestir de afeto. O valor do objeto não está no quanto ele vai aumentar o conteúdo das caixas registradoras, mas sim o quanto ele somará na contabilidade do coração de quem o recebe. E se o presente for espiritual, maior significado terá.
No final do mês passado, a Conferência Nossa Senhora do Sagrado Coração teve mais 12 vicentinos proclamados. Na condição de presidente, conduzi a cerimônia e disse ser um grande presente de Deus no nosso primeiro aniversário. Aqueles que se prepararam na confissão e comunhão receberam indulgências como recompensa. Melhor que isso, só dois disso!
Portanto, se você ver estes confrades e consócias buscando recursos para os pobres na cidade, pode confiar. São eles: Liscio Romero de Morais Freitas, Marluce Mesquita de Morais, Isa de Castro Palma, Alayde do Prado Sampaio, Maria Donizete da Silva, Maria Geralda Pereira da Silva, Silvana Costa Luz Goulart, Maria Aparecida Ribeiro, Marciléia Lopes Costa de Sá, Maria Angélica Palma Schumam, José Fernando Bissacot Grassi e Luciana de Lorenzo. Ficaram um ano como aspirantes a vicentinos e, hoje, honram o nome da Sociedade de São Vicente de Paulo. Como diz minha esposa, o Pe. Maristelo foi muito iluminado ao propor uma conferência vicentina na Comunidade. Estamos trabalhando bastante, graças a Deus.
Além de socorrer os mais necessitados, nosso grupo reza semanalmente pelos benfeitores que nos ajudam com doações, o grupo dirige preces ao Céu pelas intenções do Papa, pelos falecidos da Sociedade e pela canonização do nosso fundador, Beato Antonio Frederico Ozanam. É claro que os nossos assistidos também são lembrados, assim como nossas famílias - pedimos saúde e paz a todos.
Tenho certeza que um vicentino atuante marca sua passagem na terra com uma nobre missão e, ao mesmo tempo, deixa boas lembranças do trabalho realizado. Acredito que nenhum vicentino, chefe de família, tenha passado pela decepção desta piadinha que me contaram:
O garotinho chega da escola e corre para dizer a novidade ao pai:
- Papai, hoje a professora pediu pra gente escrever sobre nossos heróis, nossos modelos de vida, e eu escrevi bastante sobre você.
- Verdade, filho? Nossa, eu nem sabia que você me admirava tanto! - falou o pai comovido. - Mas, me conte, por que você quis escrever sobre mim?
- É que eu não sabia escrever Arnold Schwarzenegger.

A PONTE DA MISERICÓRDIA - II - 27 SETEMBRO

Paulo Roberto Labegalini

Continuando com a reflexão da semana passada, quero enfatizar que não é possível falar de pecado sem considerar a graça do perdão; e para sairmos do pecado e chegarmos à graça, precisamos atravessar o que chamo de ‘Ponte da Misericórdia’.
Primeiro passo na Ponte: eu reconhecer o mal que o pecado causa no mundo - pessoal, ao irmão e à sociedade. Mal pessoal porque quando o pecado é grave ou se acumula em grande número no coração, corro o risco de me afastar definitivamente de Deus. Também causar um grande mal ao irmão é fácil de entender porque ninguém peca sozinho, tipo: vícios, adultérios etc. E o pecado social é consequência de o mal se espalhar com agilidade, contagiando muita gente. Na verdade, o pecado começa na mente - na intenção de cometê-lo ou na omissão de fazer o bem - e muitos passam a imitar quem o pratica.
Segundo passo: reconhecer que sou egoísta e covarde quando persevero no pecado. Egoísta porque me coloco em primeiro lugar nos prazeres da vida, invertendo os papéis de criatura e Criador. Rasgo o plano que Deus tem para mim e coloco em prática o meu plano, contra tudo e contra todos. E sou covarde porque me escondo atrás da mentira. Nenhum pecador admite tornar públicos todos os seus pecados.
Terceiro passo: reconhecer minha falta de amor ao irmão. Se me deixasse ser amado por Deus e, consequentemente, amasse meus irmãos, até com certa tranquilidade me afastaria das tentações. Este é o terceiro reconhecimento importante para o meu sincero arrependimento.
Quarto passo: é o passo do desejo de me aproximar do Senhor, isto é, ter uma vida nova e caminhar com dignidade cristã. Nesse passo tão importante, eu posso voltar e descer da Ponte, mas decido prosseguir.
Quinto passo: é o passo da aceitação do Plano de Deus em minha vida. Para isso, preciso estar consciente: do amor imenso que o Pai me criou, do imenso amor que Jesus me remiu com seu preciosíssimo sangue, e do infinito amor que o Espírito Santo tem por mim ao ficar à minha disposição 24 horas por dia - me ajudando e abençoando.
Sexto passo: este se chama ‘oração’. Só conseguirei perseverar nos caminhos santos se rezar muito. Posso recitar o Terço, estar em adoração ao Santíssimo, ler a Palavra de Deus, fazer novenas aos santos protetores etc. E se eu abrir a Bíblia verei, por exemplo, o salmo 50 (51), onde o Rei Davi pede perdão a Deus por dois pecados gravíssimos que cometeu: adultério com Bersabéia e homicídio do seu esposo Urias. Nem por isso deixou de ganhar o Paraíso.
Sétimo passo: faltando apenas este para eu ficar em estado de graça, decido dar o passo do perdão, partindo para um encontro pessoal com Cristo. Eu dirijo a Ele a oração da humildade: ‘Jesus, fazei meu coração manso e humilde semelhante ao Vosso’. E, ao me confessar dos pecados cometidos, poderia ouvir d’Ele algo assim: ‘Filho, eu não gosto do pecado, mas amo o pecador’.
Igual a tanta gente que Ele perdoou no mundo, me concede sua misericórdia e me entrega o passaporte para a graça, com a condição de cumprir minha missão na construção do Reino. Então, com o coração limpo, inicio outra caminhada na vida, sabendo que tenho liberdade para errar; mas, prefiro continuar carregando a alegria da fé católica no coração.
A partir daí, o Espírito Santo não irá me forçar a fugir do pecado; porém, sempre posso contar com sua proteção se trilhar bons caminhos. Deixei isso bem claro no Primeiro Cursilho de Cristandade de Pouso Alegre (MG), há 15 dias. E, sem exceção, os espíritos foram renovados e uma nova fase de conversão teve início. Sob a liderança do grande amigo Hélcio, nossos humildes testemunhos de pecadores arrependidos arrastaram mais 69 corações para Deus.
Espero que as revisões de vida os levem a se afastar também dos sete pecados capitais: avareza, gula, inveja, ira, luxúria, preguiça e soberba. Expliquei que o Espírito Generoso de Deus abraça quem segue pela Ponte da Misericórdia e impele o ser humano à vida na graça. E quem acredita nisto não se desespera, pois cresce em humildade e esperança, emanando muito mais amor ao próximo.
Depois de tanto falar sobre pecado e graça, duas coisas ainda precisam ficar bem claras:
1. O maior obstáculo à paz no mundo é o coração do próprio homem.
2. Só vai à confissão sacramental aquele que quer, por arrependimento.
Consciente disto, quem concorda que a purificação da alma o torna reto de coração e, ainda, pedindo perdão a Deus se pede também à comunidade que o cerca, uma sincera súplica de misericórdia é sempre oportuna.
Acho que eu já disse o suficiente em dois artigos. Ficar fazendo sermão pouco adianta se não houver discernimento cristão e desejo de conversão por parte do leitor. E por falar em discernimento, até para descontrair neste assunto meio pesado, vou encerrar com uma piadinha.
Dois amigos se encontram depois de muito tempo:
- Olá, Osvaldo, soube que você se casou! - comenta o primeiro.
- Sim, e já tenho duas filhas: Coristina e Novalgina. E você, tem filhos?
- Tenho uma filha; chama-se Maria.
- Maria? Mas isso é nome de bolacha!

A PONTE DA MISERICÓRDIA - I - 20 SETEMBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Para chegar ao tema deste artigo é preciso primeiro falar sobre o pecado, esse mal que se opõe aos valores do Reino de Deus. Disse Jesus: “O que sai da pessoa é que a torna impura” (Mc 7, 16); e, sabemos, suas consequências vão além de prejuízos pessoais do pecador e atingem toda a sociedade.
Ao homem, o pecado o torna egoísta e covarde, por colocar-se em primeiro lugar nos prazeres da vida e por se esconder na mentira. E se engana quem pensa que pecar contra a castidade ou faltar à missa estão entre as maiores faltas do cristão. Eu diria que a omissão de amor ao próximo bate qualquer tipo de pecado porque envolve, primeiro, não se deixar amar por Deus.
Nosso querido Pai do Céu se aborrece com o ato do pecado, mas continua amando o pecador. O próprio Jesus nos ensinou e praticou isto em Lucas 7, 36-50:
“Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu, e pôs-se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como pecadora, ao saber que Ele estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás dele e chorando, começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. Vendo isto, o fariseu que o convidara disse para consigo: ‘Se este homem fosse profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar, porque é uma pecadora!’ Então, Jesus disse-lhe: ‘Simão, tenho uma coisa para te dizer’. ‘Fala, Mestre’, respondeu ele. ‘Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários e o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois. Qual deles o amará mais?’ Simão respondeu: ‘Aquele a quem perdoou mais, creio eu.’ Jesus disse-lhe: ‘Julgaste bem.’ ... Depois, disse à mulher: ‘Os teus pecados estão perdoados.’ Começaram, então, os convivas a dizer entre si: ‘Quem é este que até perdoa os pecados?’ E Jesus disse à mulher: ‘A tua fé te salvou. Vá em paz.’
Esta narrativa nos mostra o caminho do serviço e do perdão. Não aceitando praticar a Palavra, cairemos na desgraça do pecado - que é um ato de desamor a Deus e aos irmãos -, pois quem peca se idolatra, se coloca no lugar do Senhor: diz não a Ele, por rejeitar seu Plano de Amor; diz não a si mesmo, por se afastar do seu Criador; diz não à salvação do irmão, por levá-lo ao mau caminho.
Isto só acontece quando temos pleno conhecimento entre o bem e o mal, plena liberdade de nossos atos e plena consciência das consequências que podem advir. Assim sendo, não somente nossos atos mancham nosso coração, mas também omissões e pensamentos pecaminosos. E o maior perigo é se deixar viciar e se tornar escravo do pecado.
Mas, remédio existe pra tudo neste mundo e, neste caso, o remédio é santo! As soluções para o pecado são: conversão do coração, frequência nos Sacramentos - principalmente da Reconciliação -, oração contínua, devoção à Virgem Maria, prática da justiça e da fraternidade sem restrições. Pode não ser fácil estar em sintonia com tudo isso, mas os riscos de perder a graça divina e a salvação eterna são muito piores.
E quando paramos para pensar, concluimos o quanto é triste contagiar a comunidade praticando o mal. Muitos irmãos são levados ao desespero quando percebem distorções da santidade no meio em que vivem. Então, precisam tomar uma decisão muito séria, respondendo: ‘Com a ajuda do Espírito Santo, desejo agir como cristão consciente e comprometido com o Reino de Deus?’
Para que a decisão seja responsável, não pode deixar de haver convicção nestes princípios: o amor que o Pai nos criou, o precioso sangue que Jesus nos remiu e a disponibilidade do Espírito Santo que nos abençoa a cada instante. Conscientes que somos filhos do Altíssimo, podemos manter nossa comunhão com Deus, recusando pecados graves que nos levariam à morte. Quem passa por isso, pode dizer como é bom testemunhar a alegria da volta à Igreja de Jesus Cristo - renascendo para a vida de graça em abundância!
A graça é como uma corda que nos une ao Céu: quando pecamos, a corda é cortada e nos afastamos de Deus, mas, quando somos perdoados, a corda é atada por um nó. Então, ela se torna mais curta e ficamos mais próximos do Paraíso.
Muito disto que escrevi eu falei no maravilhoso Cursilho de Pouso Alegre (MG) na semana passada, mas, como o espaço deste artigo está acabando e ainda falta muito para chegar à Ponte da Misericórdia, continuarei na semana que vem. E para preparar melhor o assunto, leia esta história:
Um homem queria se casar com uma mulher perfeita. Anos se passaram e essa pessoa não aparecia; então, ele resolveu viajar o mundo à procura de sua futura esposa. Na Espanha, encontrou uma jovem fisicamente perfeita, mas não tão bonita interiormente. Na Grécia, a cultura de uma outra o impressionou, mas sua plástica não era tão bela.
Somente após procurar anos e anos, ele conheceu na Índia a tão sonhada mulher perfeita. Era linda por fora e por dentro, também era muito alegre e caridosa, enfim, tudo aquilo que ele imaginava encontrar numa só pessoa. Ao lhe propor casamento, ela não aceitou porque disse que só se casaria no dia em que encontrasse o homem perfeito.
Só Deus é perfeito!

SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA - 13 SETEMBRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o celular? Por exemplo, se sempre carregássemos a Bíblia no bolso ou na bolsa? E se déssemos umas olhadas nela várias vezes ao dia? E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecêssemos em casa ou no trabalho?
Melhor ainda seria se a usássemos para enviar mensagens aos amigos, se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela, se a déssemos de presente às crianças, ou a utilizássemos quando viajamos. E se lançássemos mão dela em caso de emergência?
Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela ‘pega’ em qualquer lugar e não é preciso se preocupar com a falta de crédito, porque Jesus já pagou a conta e os créditos não têm fim. E o melhor de tudo: não cai a ligação - a carga da bateria é para toda a vida! A própria Escritura Sagrada nos diz: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto!” (Is 55:6).
Também nela encontramos alguns telefones de emergência:
Quando estiver triste, ligue João 14. Quando pessoas falarem de você, ligue Salmo 27. Quando estiver nervoso, ligue Salmo 51. Quando se encontrar preocupado, disque Mateus 6, 19-34. Quando você estiver em perigo, ligue Salmo 91. Quando Deus parecer distante, disque Salmo 63. Se sua fé precisar ser ativada, ligue Hebreus 11. Estando solitário e com medo, ligue Salmo 23. E quando você for áspero e crítico, disque 1 Coríntios 13.
Para saber o segredo da felicidade, ligue Colossenses 3, 12-17. Quando você sentir-se triste e sozinho, ligue Romanos 8, 31-39. Se quiser paz e descanso, disque Mateus 11, 25-30. E quando o mundo parecer maior que Deus, ligue no Salmo 90 imediatamente.
Anote tudo em sua agenda e acredite que um destes contatos pode ser importante a qualquer momento em sua vida. Ah, repasse para seus amigos, pois eu também recebi de uma amiga que não conversava há quase 40 anos! Sei que não foi por acaso quando vi o nome da Ana Regina na internet na semana passada; fiz contato e ela me passou a reflexão bíblica que escrevi.
Hoje, tanto eu como ela somos casados, temos emprego, três filhos e fé no coração. Ela mora na cidade de Casa Branca, eu em Itajubá e Deus mora conosco. Na infância em São Paulo, morávamos um em frente do outro, brincávamos de queimada, de passar anel, num lugar muito tranquilo de se viver. Voltei lá no feriado de 7 de setembro e vi que tudo está mudado. A casa em que cresci virou uma jaula e o medo mora junto.
Aliás, não somente o medo, mas todos os sofrimentos do mundo podem ser aliviados pela Palavra do Senhor. Perdemos tempo na televisão, onde praticamente não se fala de Deus, exceto em canais católicos. E na família, pequena igreja doméstica, há tempo reservado à Palavra? Nós, pais, formamos nossos filhos para praticarem a justiça e a paz? Somos verdadeiramente comunidades de amor?
Domingo passado, na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, cerca de 100 pais envolvidos na nossa catequese infantil ouviram a palestra do meu amigo cursilhista Marcos Wanderlei. Ele falou de sua família e de sua missão: evangelizar ambientes. Lembrou a todos que, quando rezamos, falamos com Deus, e quando lemos a Bíblia, Deus fala conosco. Eis a questão para respondermos agora: queremos ouvi-Lo?
A verdade é que muitos preferem não conhecer profundamente a Palavra porque pensam que não mudariam de vida por nada neste mundo; mas, os que mudaram, também pensavam assim! Eu até concordo que não é fácil cumprir à risca tudo o que encontramos nas Escrituras, tipo:
“Digo-vos, porém, a vós que me escutais: amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam, rezai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu, não reclames. O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lhes vós também. Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, a fim de receberem outro tanto. Vós, porém, amai os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem nada esperar em troca. Então, a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.” (Lc 6, 27-38)
Estas são palavras de vida e salvação. Quem as coloca em prática, viverá eternamente.

MOTIVOS DO CORAÇÃO – 5 Setembro 2009

Paulo Roberto Labegalini

Passeando de galho em galho pela floresta, um macaquinho avistou uma linda oncinha descansando com a mãe. Ele ficou horas observando aquele filhote e, por razões do coração, sentiu-se apaixonado por ela. Então, todas as manhãs voltava ao mesmo galho da árvore para observá-la.
Um dia, quando a mamãe onça partiu para buscar alimentos, o macaquinho encheu-se de coragem e declarou seu amor à oncinha. Também por razões do coração, ela aceitou namorar com ele. Assim, sempre que a dona onça se ausentava, eles namoravam.
O tempo passou, a oncinha cresceu e um felino da mesma espécie se interessou por ela. O macaquinho, agora adulto, teve uma idéia: levou uma linda macaca ao galho mais alto da árvore para paquerar o candidato a namorado de sua amada. E para chamar a atenção dele, o casal de macacos ficava pulando nos galhos, fazendo macaquices.
Quando a onça viu seu namorado com a macaca, ficou enciumada e resolveu romper o namoro. Sem chances de se aproximar do feroz casal de onça, restou a ele ver a família dos felinos crescer. E por outras razões do coração, o solitário macaco descia diariamente do galho para brincar com os filhotes das onças, quando os pais saiam para caçar.
O amor que ele tinha pelas oncinhas só se equiparava ao carinho de mãe para com seu filho. São questões que a natureza não explica, e referem-se a motivos do coração.
Pois é, assim também é a nossa vida: há iniciativas próprias que a razão não explica, mas acreditamos em argumentos fundamentados pela fé que existe dentro de cada coração. Por exemplo: o que leva uma pessoa a deixar tantos afazeres importantes por Jesus Cristo? E ainda: como explicar que é melhor servir a Ele do que fazer qualquer outra coisa prazerosa?
Mais uma vez, eu vi isso acontecer em grupo na Paróquia Nossa Senhora da Soledade. Juntamente com a renovação do meu ministério, os irmãos e irmãs que exercerão o serviço de Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística assumiram a missão dia 30 de setembro. Dezenas de pessoas de jaleco branco externaram grande felicidade, afinal, o chamado que a Igreja nos fez é um reconhecimento de vida cristã em comunidade.
E como sempre acontece, o padre Edvaldo foi muito abençoado pelo Espírito Santo e presidiu a Celebração com sabedoria. Após a apresentação dos eleitos, ele fez estas três perguntas:
1. Caros filhos e filhas, antes de assumirem este ministério, é preciso que vocês demonstrem diante de nossa comunidade eclesial a vossa reta intenção para com este serviço. Quereis assumir este ministério extraordinário a vós confiado, de apresentar a vossos irmãos e irmãs o Corpo do Senhor, para serviço e edificação da Igreja?
2. Quereis viver mais intensamente do mesmo Pão da Vida e conformar vossas vidas ao sacrifício de Cristo?
3. Quereis dedicar todo cuidado na administração e distribuição da Eucaristia, de modo especial para com nossos irmãos enfermos?
Após todos responderem três vezes ‘quero’, ajoelhados, recebemos a bênção depois destas palavras do nosso Pároco: “Deus onipotente, de toda graça e de toda bênção, abençoai estes vossos filhos e filhas que irão administrar o Corpo de Cristo aos seus irmãos, para que sejam fiéis a este ministério e mereçam ter parte no convívio deste Sacramento, por Cristo Nosso Senhor.” Amém!
Fomos aspergidos com água benta enquanto cantávamos:
“Eis-me aqui Senhor! Eis-me aqui Senhor! Pra fazer Tua vontade, pra viver do Teu amor; pra fazer Tua vontade, pra viver do Teu amor, eis-me aqui Senhor! O Senhor é o Pastor que me conduz, por caminhos nunca vistos me enviou, sou chamado a ser fermento, sal e luz, e por isso respondi: aqui estou!”
No mesmo momento, bons programas eram transmitidos na TV, um delicioso chopinho era servido na praça, famílias se divertiam no clube, torcedores vibravam com as vitórias de seus times, mas, os que estavam na igreja, deixaram tudo para disponibilizar um lindo serviço a Deus.
Que Ele nos abençoe nesses próximos dois anos de ministério, porque deixar as tentações do prazer de lado e ser exemplo de dignidade cristã a cada dia não é fácil. E este seria mais um motivo que teríamos para dizer ‘não’ ao chamado do Céu, mas, por razões do coração, aceitamos continuar discípulos e missionários de Cristo.
Com certeza, quando intercedermos por algum irmão necessitado de uma grande graça, Jesus trocará nossos méritos pela bênção que pedirmos. E como isto é bom: os nossos pecados são perdoados e as nossas súplicas atendidas, mesmo sendo pecadores! Somente a Misericórdia Divina é capaz de tanto amor.
Agora já posso concluir esta reflexão afirmando que as nossas nobres razões do coração vêm do Sagrado Coração de Jesus. Desde as maravilhas da natureza até as mais impressionantes caridades do ser humano, tudo vem de Deus. Obrigado, Senhor!

ACREDITE E ABUSE DO AMOR – 30 agosto 2009

Paulo Roberto Labegalini

Há 12 anos, quando comecei a escrever neste jornal, adotei o estilo de contar histórias. Eu acreditava que isso motivava as pessoas a lerem o texto até o final, mesmo aquelas que não se interessavam muito em assuntos cristãos. E o tempo mostrou que eu estava certo.
Jesus foi o grande mestre na evangelização, citando parábolas, anunciando o Reino e advertindo os fariseus. Suas histórias são contadas a toda hora e usadas como modelos de reflexão. E as vantagens para os pregadores que as usam com propriedade recaem principalmente nas conclusões: sempre diferentes e com o mesmo objetivo – apresentar Jesus Cristo!
Com humildade sigo na mesma direção, porém menos preocupado em ter casos diferentes para contar. Em 1997, eu pensava que as histórias fossem se esgotar em meses e eu teria dificuldades para continuar prendendo a atenção dos leitores. Em parte, acho que faltava confiar um pouco mais na ação do Espírito Santo, mas também havia outra parte fundamentada no meu bom senso, que insistia em me questionar: ‘Ano após ano, como será possível conseguir tantos contos para publicar?’
Somente agora, chegando aos 600 artigos, tenho certeza que foi possível e continuará sendo por mais algumas décadas, se Deus quiser. Muitos amigos enviam-me e-mails interessantes, possibilitando não precisar criar novas histórias ou repetir as antigas. Também quem faz coleção desta coluna, acaba se beneficiando com as curiosidades e os casos inéditos. Só tenho a agradecer a todos pela atenção e amizade constantes.
Mas, com certeza, o objetivo continua sendo perseverar nas mensagens cristãs, mesmo que as histórias não tenham nenhuma ligação com religião. Nesses casos, preciso fazer a ponte para que mais amor fortaleça nossos corações. Eis a primeira historinha de hoje:
Enquanto um homem idoso subia no ônibus, um de seus sapatos escorregou para o lado de fora, a porta se fechou, o ônibus saiu e o homem ficou impossibilitado de recuperá-lo. Imediatamente, ele retirou seu outro sapato e jogou-o pela janela.
Um rapaz no ônibus, vendo o que aconteceu, perguntou:
– Por que jogou fora o outro sapato?
O senhor prontamente respondeu:
– Agora, quem os encontrar será capaz de usá-los.
O rapaz pensou por alguns instantes e concordou:
– Provavelmente apenas alguém necessitado dará importância a sapatos usados encontrados na rua, e de nada lhe adiantaria apenas um pé, certo? Parabéns, senhor, por tamanha caridade.
Assim, o homem de mais idade mostrou ao jovem que não vale a pena agarrar-se a algo com o coração. A partilha agrada a Deus e permite que a felicidade entre um pouco mais na vida de pessoas sem bens materiais para sobreviver.
E se pensarmos com calma, concluiremos que perdemos coisas o tempo todo. A perda pode nos parecer penosa e injusta inicialmente, mas isso acontece para que mudanças, na maioria das vezes positivas, ocorram em nossas vidas. Todos decidem constantemente se algumas coisas devem ser exclusivas ou não, e tudo depende do grau de bondade de cada um. Nem sempre a partilha precisa ser material, como nesta outra história:
Um moço seguia todos os dias de trem pelo mesmo caminho. O trem passava por um viaduto onde se podia ver os interiores de alguns apartamentos no prédio localizado em nível inferior. Naquele lugar, o veículo diminuía a velocidade e o rapaz observava, através da janela de um dos quartos, uma senhora deitada na cama. A senhora certamente convalescia de alguma enfermidade, pensava ele.
Num domingo, achando-se casualmente naquelas imediações, ele cedeu a um impulso e foi até o prédio onde a senhora morava. Perguntou ao porteiro o nome dela e depois lhe enviou um cartão com votos de restabelecimento, assinando apenas: ‘Um rapaz que passa diariamente de trem’.
Dali a alguns dias, a caminho de casa no trem, o jovem olhou para o quarto e não havia ninguém. A cama estava cuidadosamente arrumada e, no parapeito da janela, estava afixado um grande cartaz escrito à mão, dizendo: ‘Deus o abençoe, resolvi fazer a cirurgia que tanto precisava’.
Pois é, Deus quer que suas criaturas se amem e se respeitem mutuamente. Ele sempre espera que ajudemos uns aos outros, sem preconceitos e sem parar nos obstáculos. Aquele jovem do trem não tinha outra intenção a não ser ajudar anonimamente a uma pessoa desconhecida, atendendo a um apelo do seu coração generoso. E é por essas e outras razões que vale a pena acreditar no amor, ajudando a mudar o mundo para melhor!
Há pessoas que se entregam à depressão e outras enfermidades por acharem que ninguém se importa com elas. Sabemos que um simples gesto de solidariedade pode se constituir em um dos mais poderosos remédios contra esse tipo de mal. É um remédio que não custa nada, não tem contra-indicação e está ao alcance de todos, principalmente ao alcance do verdadeiro cristão.

MULHER PERFEITA - 23 AGOSTO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Na semana passada, eu escrevi que Jesus Cristo é o homem perfeito. Hoje, dizer que Nossa Senhora foi a mulher mais perfeita que viveu na Terra também é fácil. Fácil porque há milhões de testemunhas pelo mundo que conhecem sua história e conseguiram graças maravilhosas dela, nossa Mãezinha querida. Ela foi a primeira discípula, a que mais confiou na providência Divina, a mais doce e pura entre as mulheres. Viva Maria Santíssima! Viva a Mãe de Deus!
E, com sua ajuda, a caminhada feminina continua firme e forte na dignidade cristã. Reconhecer a importância e o poder da mulher na família é questão de bom senso. Burrice seria negar o quanto somos dependentes da rainha do lar. Do sorriso à bronca da esposa, tudo pode ser explicado. Até as histórias colocam a mulher demonstrando amor:
Era uma vez um casal que comemorava suas bodas de prata e também os 50 anos de idade. Depois da festa, tiveram a visita de uma fada madrinha, que lhes disse:
- Como prêmio por terem tido um matrimônio exemplar durante 25 anos, concederei um desejo a cada um.
- Eu quero fazer uma viagem em volta do mundo com o meu querido marido - pediu a mulher.
A fada moveu a varinha mágica e… abrakadabra! As passagens apareceram nas mãos da esposa! Então, foi a vez do marido que, pensou por uns instantes, e falou:
- Bom, este clima é muito romântico, mas uma oportunidade destas só acontece uma vez na vida. Por isso, perdoe-me meu amor, o meu desejo é ter uma mulher 30 anos mais jovem que eu.
A esposa ficou em estado de choque. Contudo, para cumprir a promessa que fez, a fada rodou a varinha e... abrakadabra! Imediatamente, ele passou a ter 80 anos.
Moral da história: ‘O mundo é tão perfeito que até as fadas madrinhas são mulheres!’
Pois é, somos rodeados por elas e já nos acostumamos a isso. Dançar a dois tem mulher presente, cartas de amor envolve alguma queridinha, um olhar malicioso pelas costas acontece quando uma garota passa, enfim, não é possível ficar muito tempo no ‘Clube do Bolinha’.
E quando a mulher vacila, Deus dá uma ajudinha. Veja a declaração de uma mãe de família:
“Estou cansada de trabalhar e ver todos os dias as mesmas pessoas no caminho. Chego em casa e meu marido sempre do mesmo jeito, com a mesma reclamação: ‘Só tem isto para o jantar?’. Quero descansar e assistir minha novela, mas meus filhos não me deixam, porque querem brincar comigo e conversar. Não entendem que estou cansada!
Meus pais também me irritam algumas vezes e, entre trabalho, marido, filhos e cuidar da casa, eles me deixam louca. Puxa vida, quero paz! A única coisa boa é dormir. Ao fechar os olhos, sinto um grande alívio, me esqueço de tudo e de todos.
Um dia, ao adormecer, uma voz me falou:
- Olá, vim lhe ajudar.
- Quem é você? Como entrou?
- Sou um servo de Deus. Ele disse que ouviu suas queixas e que você tem razão. Não se preocupará mais em ver sempre as mesmas pessoas, nem em aguentar o seu marido com suas reclamações, nem seus filhos que lhe irritam, nem terá que escutar os conselhos de seus pais e não terá mais qualquer casa para cuidar.
- Mas, o que acontecerá com todos?
- Não se preocupe. No seu trabalho já contrataram outra pessoa para o seu lugar e ela certamente está muito feliz porque estava sem emprego. Seu marido terá uma boa mulher que o quer bem, o admira por suas qualidades, aceita seus defeitos e todas suas reclamações. Além disso, ela se preocupará com seus filhos como se fossem dela. Por mais cansada que chegue do trabalho, dedicará tempo para brincar com eles e agradar seu marido. Todos serão muito felizes.
- Mas não quero isso! Desejo voltar a beijar o rostinho dos meus filhos, dizer ‘eu te amo’ ao meu marido e mostrar a eles o quanto são importantes na minha vida. Não quero morrer! Quero envelhecer junto ao meu amado, abraçar meus pais, fazer a viagem que há muito planejamos, colocar aquela roupa que comprei há mais de um ano!
- Você não queria descansar? Pode dormir para sempre.
- Não, não quero, por favor, Deus!
De repente, meu marido me acordou:
- O que aconteceu amor? Teve um pesadelo?
- Sim, um pesadelo horrível! Eu...
Parei a frase ao meio, olhei em seu rosto, seu semblante preocupado comigo ali do meu lado, e sorrindo falei:
- Não, meu amor, não tive pesadelo nenhum. Tive um encontro com Deus, que nos adora e que acaba de me dar uma nova oportunidade de fazê-los felizes.”
Fechando este artigo, só me resta dizer que não vivemos um dia sem elas!

UM GRANDE HOMEM - 16 AGOSTO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Falar de um grande Homem é falar de Jesus Cristo! Em química, Ele transformou água em vinho; em biologia, Ele nasceu sem uma concepção normal; em física, Ele superou a gravidade quando ascendeu ao Céu; em economia, Ele impressionou ao alimentar 5000 pessoas com cinco pães e dois peixes; em medicina, curou doentes e cegos sem administrar nenhum remédio; em, história, Ele é o começo e o fim de tudo; em religião, falou que ninguém chega ao Pai se não for por meio d’Ele.
O maior Homem da história não tinha servos, ainda assim O chamavam de Mestre; não tinha escolaridade e O chamavam de Professor; não tinha remédios, mas O chamavam de Curador; não tinha exércitos, mas reis O temiam. Ele não venceu batalhas militares, porém conquistou o mundo; não cometeu crimes, e crucificaram-No; foi enterrado numa tumba, contudo, continua vivo!
Acredito que isto não é segredo para ninguém porque, graças à nossa fé, acreditamos na salvação por meio da misericórdia de Cristo. Mas, exceto Ele, há outros grandes homens que continuam vivos? Talvez esta história nos ajude a responder:
Sabendo que a filha chorava por ter rompido o namoro, seu pai lhe falou:
- Minha filha, apaixone-se por um grande homem e nunca mais voltará a chorar.
Com o passar dos anos, a moça descobriu que se todos os homens lutassem por ser grandes de espírito e grandes de coração, o mundo seria completamente diferente. Ela compreendeu que um grande homem também não é aquele que compra tudo o que a mulher deseja - ainda que muitos maridos conquistem com presentes o respeito das esposas.
Um dia, o pai morreu, mas a jovem continuava a lembrar de suas palavras:
“Apaixone-se por um homem que se interesse por você, que conheça suas ilusões, suas tristezas e que a ajude a superá-las. Não creia nas palavras de um homem cujos atos dizem o oposto. Afaste de sua vida o homem que não constrói com você um mundo melhor.
Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua beleza interior e suas qualidades morais. Não se enamore de um homem que, ao conhecê-lo melhor, sua vida tenha se transformado em um problema a resolver e não em algo para comemorar. Não creia em alguém que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a quando o problema não está em você, e sim nele, porque não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades.
Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia ou se já não é mais ‘útil’? Por que querer uma pessoa que a trocará por uma cor de pele diferente, ou por uns olhos claros, ou por um corpo mais esbelto? Por que querer alguém que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira e única beleza do coração?”
E, assim, as palavras do pai ecoavam na cabeça da moça. Ela, então, concluiu:
“Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, colocando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade. Custou-me compreender que grande homem não é aquele que chega no topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, muito menos o mais bonito.
Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia atrás de cortinas de fumaça, que abre o coração sem rejeitar a realidade, que admira uma mulher por seus alicerces morais e grandeza interior. Grande homem é o que caminha sem baixar os olhos, é aquele que não mente e, sobretudo, sabe chorar sua dor com humildade.”
Hoje, a moça está feliz. O grande homem com quem se casou não era o mais solicitado pelas mulheres, nem o mais rico ou o mais bonito. Era simplesmente aquele que nunca a fez chorar e que, no lugar de lágrimas, lhe roubou sorrisos. Sorrisos por tudo que conquistaram juntos, pelos triunfos alcançados, pelas lindas recordações e por cada alegria que preencheu suas vidas.
Esse homem a ama tanto que daria tudo por ela sem pedir nada em troca. Ele a quer pelo que ela é - por seu coração bondoso e pela sua dignidade marcante. Ele a fez compreender que, ao lado de um grande homem, sempre existe uma grande e única mulher. Juntos e com Jesus Cristo no coração, nada os separará.
Também podemos julgar um grande homem no sacerdócio: aquele que dedica seu tempo a Deus, tem paciência com as mazelas do povo, participa da Comunidade, abre o coração para a Palavra e confia na ação do Espírito Santo. Temos exemplos maravilhosos em nosso meio, mas, em especial, quero citar o padre Francisco Tarcísio. Neo-sacerdote, vem dando sinais de um grande homem!
Ele participou da Semana da Família - lindas celebrações na Matriz da Soledade -, presidiu com competência sua primeira missa na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração - último sábado -, confraternizou-se conosco na ‘festinha’ que lhe preparamos no Instituto Padre Nicolau - conversando e sorrindo para todos -, enfim, está conquistando o respeito que merece.
Assim como Jesus, gostar de conviver com pessoas e celebrar a vida, também são características de um grande homem!

CRISTO CONTA COM VOCÊ - 9 AGOSTO 2009
Paulo Roberto Labegalini

Presidindo a Celebração da Palavra na condição de Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística - primeira sexta do mês, Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração -, coube a mim refletir neste trecho do Evangelho de São Mateus (16, 24-28):
“Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta. Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino’.”
Iniciei dizendo que este texto encontra-se nos três Evangelhos sinóticos: Lucas, Marcos e Mateus. Isto já mostra a importância da mensagem - forte e convincente. As palavras de Jesus são claras: “De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida?”. A vida é o maior bem que temos e não a podemos pôr a perder para ganhar bens menores.
O que Jesus nos oferece é a vida plena, a realização de nossos anseios de felicidade. E diz que Ele mesmo é essa vida, nossa possibilidade de salvação. Temos de deixar tudo quanto for necessário para não perder essa oportunidade única de vida eterna.
Então, achei por bem refletir melhor naquilo que entendo em ‘deixar tudo’. Como seres humanos, que precisamos trabalhar, nos divertir, viver em família e tantas outras coisas mais, deixar tudo significa ter tempo para as obras de Deus. A santidade deve ser buscada passo a passo, gradativamente ao longo da vida, e não num único dia. Se vivermos sem pecados mortais no coração já é um grande começo.
Amar como Jesus amou não é fácil, mas podemos aumentar a caridade que recebemos no Batismo rezando um pouco mais, participando dos Sacramentos, trabalhando em favor dos mais necessitados, praticando a justiça e falando a verdade. Nada disso é difícil e o resultado é maravilhoso! Seremos mais amados, mais respeitados e marcaremos nossa existência por algo que valeu a pena: a comunhão de vida com Deus e com o próximo.
Portanto, no tema ‘o seguimento de Jesus’, o objetivo é a ‘vida’. Renunciar a si mesmo e perder sua vida pode ser compreendido também no desprezo do sucesso pessoal, do enriquecimento e do consumismo. Este tipo de renúncia é uma libertação para assumir o compromisso de transformação deste mundo. Não carregaremos a cruz como condenados, mas suportando dignamente o peso da violência contra quem busca vida plena para todos.
Imaginemos que resolvêssemos o contrário: apegarmo-nos às coisas materiais, cada vez mais, perdendo a vida eterna. Teríamos como voltar atrás após a morte? Quanto custaria ter nossa vida de volta? Infelizmente, quando uma alma chegou ao fim de seu caminho espiritual e perdeu todas as chances de servir a Deus, não há como ser salva. Se perdeu tudo o que é de Deus, ela própria se perdeu.
São Paulo diz: “Morrer é uma vantagem”; isto é: a minha morte por Cristo é o meu ganho. Se quisermos, de fato, perder todas as coisas que fazem mal ao espírito e nos desviam do caminho para o Céu, podemos rezar assim:
“Senhor, livrai-me da ilusão, para que não corra em busca de felicidades que não me podem saciar. Que eu nunca vos deixe por alguém ou por qualquer valor que seja. Dai-me coragem para enfrentar tudo quanto for necessário para vos permanecer fiel. Ponho minha confiança em Vós; guardai meu coração, para que vos possa seguir carregando minha cruz. Amém.”
E encerrando a homilia daquele dia - um grande chamado e privilégio em minha vida -, eu poderia ter contado a história do homem doente que foi visitado por um sacerdote. Ao entrar no quarto do hospital, o padre viu uma cadeira ao lado da cama, como se tivesse sido colocada para ele próprio se sentar. E perguntou ao doente:
- Você estava me esperando? Até a cadeira já foi preparada para mim!
- Não, seu padre. É nesta cadeira que Jesus fica quando vem conversar comigo. É só eu chamá-Lo e Ele atende. Na verdade, nunca fui muito de rezar, mas desde que caí nesta cama, tenho procurado alguém que me entenda, me faça companhia e me ajude. Encontrei o médico dos médicos e posso dizer que estou em paz.
O padre ficou admirado com a fé daquele homem. Em seguida, o confessou e partiu. Na manhã seguinte, sabendo do falecimento do doente, foi ao velório e conversou com sua filha. Ela lhe disse:
- Encontraram meu pai morto, com o rosto sobre a cadeira ao lado da cama.
- Ele carregou sua cruz e morreu deitado no colo do seu melhor amigo - respondeu o padre.
E você leitor, que não esteve na Celebração que comentei, sinta-se também chamado a renunciar o pecado e seguir pelos caminhos do amor. Cristo conta com você!

SABEDORIA NAS RESPOSTAS - 1 AGOSTO 2009
Paulo Roberto Labegalini

Algumas vezes erramos ao julgar o valor de uma atividade simplesmente pelo tempo dispensado para realizá-la. Um bom exemplo é o caso do técnico em informática que foi chamado para consertar um computador extremadamente complexo - uma máquina que valia 12 milhões de dólares! Antes dele, muitos profissionais já haviam tentado resolver o problema.
Sentado em frente ao monitor, o técnico apertou algumas teclas, balançou a cabeça e desligou o aparelho. Então, tirou do bolso uma pequena chave de fenda e girou uma volta e meia um minúsculo parafuso. A seguir, religou o computador e verificou o seu perfeito funcionamento.
O presidente da companhia mostrou-se encantado e se dispôs a pagar a conta imediatamente.
- Perfeito! Quanto lhe devo? - perguntou.
- São mil dólares pelo serviço todo.
- Mil dólares por apertar um simples parafusinho? Eu sei que o computador custa uma fortuna, mas mil dólares é um valor brutal! Só pagarei se me enviar uma fatura detalhada que justifique a cobrança.
Na manhã seguinte, o presidente recebeu a fatura, leu com atenção, refletiu por alguns momentos e resolveu pagá-la sem restrições. Na fatura, constava: “Apertar um parafuso = 1 dólar; saber qual parafuso apertar = 999 dólares. Total = 1000 dólares”.
Uma resposta convincente, concorda? Também Jesus, quando quiseram embaraçá-lo e perguntaram se deveriam pagar imposto ao imperador romano, respondeu: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Com sabedoria, deixou claro que o homem foi criado principalmente para as coisas do alto.
A reposta de Jesus, ainda hoje, é um convite para abandonarmos nossos horizontes limitados e ajudarmos na construção do Reino de Deus. Na ‘cilada perfeita’ que armaram para Ele, se apoiasse o tributo imperial, iria se expor ao ódio dos judeus; se não apoiasse, seria denunciado aos romanos como revolucionário e agitador do povo. Sabiamente, Jesus Cristo calou os líderes judaicos com suas célebres palavras.
E como recebemos dons do Espírito Santo, continua sendo possível agir com sabedoria em situações embaraçosas. Foi o que aconteceu numa escola de ensino médio, onde um jovem tomou para si a responsabilidade de discordar do palestrante:
- Vocês, coroas, cresceram num mundo diferente. Nós temos internet, celular, viagens espaciais e tecnologias inovadoras. Temos ainda energia nuclear, carros elétricos e computadores com grande capacidade de processamento. Sabemos melhor do que vocês como nos comportar no mundo moderno.
A resposta do professor foi precisa:
- Você pode estar certo, filho. Nós não tivemos muitas dessas coisas quando éramos jovens, por isso as inventamos e as desenvolvemos para vocês. E você, o que está fazendo para a próxima geração?
Todos aplaudiram ruidosamente o conferencista.
Pois é, tomara que esta história sirva de exemplo para cada cristão, sinalizando que não pode viver alienado do planeta globalizado, mas é importante ser fermento, sal e luz para um mundo melhor. Fundamentado na caminhada do povo de Deus, o cristão pode fazer uma diferença saudável na comunidade - atuando como embaixador divino, a começar na família.
E não se esqueça: a Semana da Família começa neste domingo, dia 9 de agosto, com missas diárias na Matriz Nossa Senhora da Soledade, envolvendo toda a Paróquia. Não fique de fora.
Mas, para concluir os ‘sábios argumentos e respostas’ que preparei, eis outra lição, que também serve de reflexão para o ‘dia dos pais’:
Num domingo pela manhã, um importante professor estava lendo jornal no jardim de casa quando o pai sentou-se ao seu lado. O velho havia sofrido um derrame há anos e, desde então, não pronunciava bem as palavras. De repente, o senhor idoso apontou para o topo de uma árvore e resmungou algo para o filho. E ele respondeu:
- É um simples pássaro, pai.
Assim que voltou a atenção para o jornal, seu pai novamente apontou para a árvore e mostrou algo a ele. O professor repetiu:
- É só um pássaro, pai. Deixe-o em paz que daqui a pouco ele vai embora.
Mas quando notou que o velhinho insistia em lhe mostrar o passarinho, o filho desabafou:
- Pai, eu já lhe disse que isto não passa de uma avezinha sem importância. Pare de ficar perdendo tempo com isso! Que coisa chata!
Então, a mãe do professor veio ao jardim e perguntou ao filho:
- Por que você está gritando com seu pai?
- Ele não pára de me mostrar um passarinho na árvore! Que importância tem isso?
Abraçando o marido, a senhora disse ao filho:
- Querido, quando você era pequeno, eu me lembro que seu pai o levava passear no bosque todo final de semana. Chegando próximo ao lago, você apontava para um peixe e sorria. Imediatamente seu pai lhe respondia que era um peixinho e o levava mais perto para vê-lo melhor. E vocês ficavam muito tempo fazendo a mesma coisa: você mostrando o lago e seu pai, pacientemente, explicando que era um lindo peixinho. E cada vez que ele repetia isso a você, lhe dava um carinhoso beijo na face.

PONTES QUE NÃO CAEM - 26 JULHO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Num lugar distante, havia uma comunidade rural com dificuldades de alimentos porque a população crescia além das possibilidades de abastecimento. A cidade mais próxima ficava a 300 quilômetros e, sem transporte disponível, as pessoas sobreviviam praticamente daquilo que plantavam.
Porém, perto dali, existia um território fértil, com muitas frutas, hortaliças e sem habitação de humanos. O único problema àqueles que passavam fome era um profundo abismo entre os dois lugares. Por diversos anos tentaram algum caminho alternativo para chegar à terra fértil, mas o grande abismo geográfico os impedia de alcançar os alimentos. Então, após muita reflexão, resolveram construir uma ponte.
O desafio era grande e sabiam que precisariam se unir para atingir o objetivo; por isso, trabalharam dia e noite até concluírem a obra. Demoraram mais do que o previsto; foram anos e anos montando a estrutura super-reforçada - dimensionada para resistir a qualquer tipo de carga. Construíram-na para toda a vida.
No dia da inauguração, a população que passava fome atravessou a ponte e foi para a colheita. Encheram centenas de sacos, cestos, e voltaram felizes para casa. Nas semanas seguintes, fizeram o mesmo até que, com o tempo, as plantações e os frutos acabaram.
Dias após, vários animais que viviam do outro lado do abismo começaram a atravessar a ponte, invadindo casas à procura de comida. Eram cobras, lagartos, macacos, sapos e muitos outros bichos que assustavam a população. A situação ficou tão fora de controle que, com dor no coração, resolveram derrubar a ponte. Mesmo sem querer, tornaram a respeitar o equilíbrio da fauna e da flora que haviam alterado; e voltaram a passar fome.
Bem, esta história tem alguns significados especiais em nossas vidas. Se refletirmos naquilo que fazemos a cada dia, concluiremos que construímos muitas ‘pontes’ e as derrubamos quando bem entendemos. Algumas pessoas entram em trabalhos pastorais, participam do planejamento dos agentes e, sem nenhum compromisso com o grupo, resolvem abandonar o barco. Deus merece essa falta de consideração? Será que, sozinhos, continuam edificando pontes que nunca caem?
No último final de semana, durante a apresentação do ‘XXII Laboratório Coral de Itajubá-MG’ - um grande sucesso, como sempre -, eu ouvi a filha do grande maestro Amaury Vieira falar do regente de Campinas. Segundo a Marina, muito mais do que a competência do Rafael, ele desenvolve um trabalho na alma dos cantores, com amor no coração. Achei muito bonito esse tipo de reconhecimento.
Também na semana passada, participando em Brasília do ‘VII Seminário do Reuni’ - Reestruturação e Expansão das Universidades Federais -, ouvi a reitora da Universidade de Alagoas dizer os oito jeitos de melhorar o mundo neste milênio. Falou mais ou menos isto:
1. Acabar com a miséria e a fome.
2. Educação básica para todos.
3. Igualdade para a mulher.
4. Reduzir a mortalidade infantil.
5. Cuidar da saúde das gestantes.
6. Erradicar a malária, a AIDS e outras doenças contagiantes.
7. Aumentar a qualidade de vida e os cuidados com o meio ambiente.
8. Favorecer o desenvolvimento nos países subdesenvolvidos.
Na minha opinião, faltam dois itens na relação:
9. Confiar mais na oração.
10. Fazer tudo com amor.
Aliás, somente os dois primeiros e últimos da lista já seriam suficientes para transformar o mundo. Se assumíssemos esses compromissos, nada seria tão triste como antes e as pontes de amor durariam para sempre. A cada gesto de amor, mais uma pedrinha é colocada na ponte que nos levará ao Céu.
Veja que mensagem bonita foi transmitida numa sala de aula:
- Professora, o que é o amor?
A mestra, então, pediu que cada aluno saísse e trouxesse algo que expressasse o sentimento de amor. Ao voltarem, os meninos foram mostrando as idéias que tiveram:
- Eu trouxe esta flor, não é linda?
- Eu trouxe esta borboleta. Vou colocá-la em minha coleção.
- Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto com outro irmão.
E assim, as crianças iam relatando o que tinham trazido. Aí, a professora notou uma menina que tinha ficado quieta o tempo todo, pois nada havia trazido.
- Meu bem, por que você não trouxe alguma coisa?
- Desculpe, professora. Vi a flor, mas fiquei com pena de arrancá-la. Depois, vi a borboleta, linda, colorida. Parecia tão feliz voando que não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho caído, mas olhei para o ninho, vi sua mãe olhando tão triste que resolvi devolvê-lo. Portanto, trouxe o que não posso lhe dar: o perfume da flor, a liberdade da borboleta e a gratidão no olhar da mãe do passarinho. Foi por isso que não trouxe nada em minhas mãos.
A professora agradeceu e lhe deu a nota máxima. Fez, ainda, este comentário:
- O verdadeiro amor é aquele que trazemos no coração, e foi isso que você nos deu. Parabéns, minha querida, continue sempre assim.

O PASTOR E O REBANHO - 19 JULHO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Numa cidadezinha de Minas, havia uma figueira carregada dentro do cemitério. Dois amigos decidiram entrar lá à noite e pegar todos os figos - para vender compotas de doce. Pularam o muro, subiram na árvore com sacolas penduradas nos ombros e começaram a dividir os frutos.
- Um pra mim, um pra você. Um pra mim, um pra você.
- Hei, você deixou dois grandes caírem do lado de lá do muro - disse o outro.
- Não faz mal. Depois que terminar aqui, a gente pega eles.
- Então, tá. Mais um pra mim, um pra você.
Enquanto isso, passando do lado de fora do cemitério, um bêbado escutou esse negócio de ‘um pra mim, um pra você’ e saiu correndo para a delegacia. Chegando lá, disse ao policial:
- Seu guarda, vem comigo. Deus e o diabo estão no cemitério dividindo as almas dos mortos!
- Ah, cala a boca seu bêbado - respondeu o soldado de plantão.
- Juro que é verdade, vem comigo.
Tanto insistiu que os dois foram até o cemitério. Aproximando-se do muro, começaram a escutar: ‘Um pra mim, um pra você’. E o guarda comentou assustado:
- É verdade, é o dia do apocalipse! Eles estão dividindo as almas dos mortos! O que será que vem depois?
Dentro do cemitério, os dois concluíram:
- Um pra mim, um pra você... e, pronto, acabamos. Agora a gente vai lá fora e pega os dois que estão do outro lado do muro.
E o bêbado gritou ao policial:
- Correeeeeeee!!!
Esta piada eu contei na XVIII Assembléia Nacional Festiva do OVISA, que se realizou na semana passada em Itajubá-MG, Ginásio Poliesportivo da UNIFEI, com as presenças: do doutor Jorge, nosso prefeito; do padre Edvaldo, nosso pároco, além de uma multidão de pessoas.
OVISA é um movimento católico de casais que significa: ‘Orientação para a Vivência Sacramental’, e dez regionais se fizeram presentes: Vale do Paraíba, Goiânia, Campinas, Campo Grande, Sul Mineira, Brusque, Cuiabá, Corumbá, São Paulo e Bolsão Sul Matogrossense.
Portanto, casais de várias partes do Brasil estiveram conosco numa grande festa que nunca será esquecida. Nem tenho palavras para explicar como foram as apresentações das regionais, mas quem deixou saudades foi o Bispo Diocesano de Lins, Dom Irineu Danelon. Ele, um dos fundadores e padrinho do Movimento, marcou presença nos três dias e nos fez rir e calar com maestria. Eis algumas reflexões que me recordo:
- Do Coração de Jesus sai beleza pura, mas sem mistura... Você casou com a moça e agora tem que amar a vovó... Quando pensamos que sabemos todas as respostas, a vida muda as perguntas... Não soluce, solucione... A nossa ‘caixa preta’ é a própria consciência, que guarda tudo... Quem tem tempo para se alimentar, tomar banho e ir ao banheiro todos os dias, precisa ter tempo para Deus... A pessoa mais sábia do mundo é aquela que tem maior desejo de amar.
E entre suas colocações, Dom Irineu encaixava brincadeiras, passava o microfone fazendo perguntas aos participantes e tocava nos corações. Uma das piadas que contou e teve um desfecho que arrancou aplausos foi esta:
- Disseram-me que em Minas a ambulância não tem sirene. O motorista coloca dois mineiros na frente, gritando: uai, uai, uai, uai... (risos!). Mas, vocês sabem o que significa ‘uai’? Quem não sabe, agora vai aprender pra nunca mais esquecer. Significa: ‘Unidos no Amor Incondicional’ (aplausos).
A partir daí, a toda hora ele nos lembrava que os casais não podem se esquecer do ‘UAI’. E falando sobre o tema da Assembléia - A Importância da Família na Igreja -, continuou:
- Rapadura é doce, mas não é mole não! Então, beleza pura sem mistura não é fácil, mas é muito bom... Só termina a noite e começa o dia para o cristão quando olha para o próximo e vê o rosto do irmão... Jesus prometeu estar ao nosso lado até a consumação dos séculos, mas, primeiro, Ele quer morar em nossa casa... Ovisista não morre simplesmente, mas dá a vida por amor. Como disse Jesus: “Fazei isto em memória de mim”... A Sabedoria que se fez carne e habitou na Terra, até hoje está acessível a nós. Rios de água viva irão brotar dentro de você se não tiver medo de amar.
Bem, se eu lembrasse de tudo, não caberia neste jornal, mas é importante dizer que Dom Irineu ordenou 139 padres e 5 deles já são bispos! Ao presidir a Celebração da Eucaristia no domingo, ele nos lembrou das palavras do saudoso Papa João Paulo II: “A família é um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e é patrimônio da humanidade inteira”.
Eu quero agradecer ao Álvaro e Soeli, coordenadores da Assembléia, por confiarem a apresentação do evento a mim e a minha esposa, e, também, por convidarem minha filha, Soraia, para representar a nossa regional com sua linda voz. Tudo foi tão maravilhoso que não houve reclamações, só elogios. E quando 700 pessoas se alegram em Cristo é porque a ação do Espírito Santo foi muito forte em cada coração.
Comemorando 40 anos de serviço a Deus, viva o OVISA!

DUAS HISTÓRIAS E UMA LIÇÃO - 12 JULHO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Primeira: Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, que todo dia às 8 da manhã está vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. Agora ela se mudou para uma casa de repouso - o marido, com quem viveu 70 anos, faleceu recentemente.
E lá chegando, deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, a moça fez uma descrição do minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela. Dona Cacilda a interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabava de ganhar um filhotinho de cachorro:
- Ah, eu adoro essas cortinas!
- Mas, a senhora ainda nem viu o quarto!
- Isso não tem nada a ver; felicidade é algo que você decide por princípio. Se gostarei ou não, não depende de como a mobília estará arrumada. Dependerá de como eu preparo minha expectativa, e já resolvi que vou adorar! É uma decisão que tomo todo dia quando acordo; sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem, ou posso levantar agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.
- Simples assim? - questionou a moça.
- Nem tanto, isso é para quem tem autocontrole. Exigiu de mim certo treino pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher os sentimentos.
Chegando ao quarto, calmamente a senhora continuou:
- Cada dia é um presente de Deus e, enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar as lembranças alegres que guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de felicidades na sua ‘conta de lembranças’. Como vê, eu ainda continuo investindo e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.
Depois, pediu para a atendente ler em seu caderninho a mensagem: ‘como manter-se jovem’. Estava escrito:
1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isso inclui a idade, o peso e a altura. Permita que os médicos se preocupem com isso.
2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam você para baixo.
3. Aprenda sempre mais sobre artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. Uma mente preguiçosa é como a velha oficina do alemão. E o nome do alemão é ‘Alzheimer’!
4. Aprecie as pequenas coisas. Um dia, elas serão grandes em sua vida.
5. Ria muitas vezes durante muito tempo. E se tiver um amigo que a faça rir, passe mais tempo com ele também.
6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente e supere. A única pessoa que fica consigo toda a vida é você mesma. Viva enquanto estiver viva!
7. Rodeie-se das coisas que ama, quer sejam: a família, animais, plantas, hobbies, tudo que lhe dá prazer.
8. Tome cuidado com a sua saúde. Se for boa, mantenha-a. Se for instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la, procure ajuda.
9. Não faça viagens nostálgicas. Essas não ajudam você buscar a felicidade.
10. Diga às pessoas que as ama a cada oportunidade. Nada vale a pena se não tocarmos o coração de alguém.
Segunda: Oito da noite, numa avenida movimentada e o casal já estava atrasado para jantar na casa de amigos. O endereço era novo e ela consultou o mapa da cidade antes de sair da sua residência. Ele conduzia o carro e a esposa o orientava: pediu para que virasse na próxima rua à esquerda. Ele tinha certeza que era à direita e ameaçou uma discussão com ela.
Percebendo que além de atrasados poderiam ficar mal-humorados, a mulher deixou que ele decidisse. Então, o marido virou à direita e viu que estava enganado. Embora com dificuldade, admitiu o erro e fez o retorno. Ela sorriu e disse que não havia nenhum problema se chegassem alguns minutos mais tarde, mas ele ainda provocou:
- Se tinha tanta certeza que eu estava indo pelo caminho errado, devia ter insistido um pouco mais, como sempre faz!
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro agora ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão e, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite - respondeu ela.
Pois bem, estas histórias abordam a busca da felicidade. Na primeira, a senhora idosa, mesmo sozinha neste mundo, não desistiu de ter paz e alegria a cada dia. Na segunda, a esposa mostrou que quando um não quer, dois não brigam. São exemplos de pessoas sensatas e mensageiras do amor.
Na semana passada, dois fatos poderiam ter tirado a paz do meu coração. Nosso cachorrinho de 10 anos, Pierre, morreu. Eu estava no Paraná e recebi a notícia por telefone. Minha filha, Soraia, estava em prantos, pois era ela que mais cuidava dele. Dias depois, já de volta a Itajubá-MG e saindo para Ouro Preto-MG, encostei o pneu do carro na tampa do reservatório d’água do prédio e o rasguei. Estava novíssimo!
Tanto no primeiro como no segundo caso, eu poderia ter me desesperado ou ficado revoltado; mas, escolhi continuar sereno e feliz. Deus sempre sabe o que faz!

SEMPRE A SERVIÇO DE DEUS - 5 JULHO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Enfim, férias! E quem não deseja se envolver com coisas diferentes num passeio de férias? Pois é, saí de Itajubá-MG no dia 1º de julho pensando assim; mas, quando cheguei à casa da minha filha em Rio Negro-PR, sul do Paraná, quis fazer contato com os vicentinos da cidade vizinha - Mafra, Santa Catarina. Na sexta-feira à noite, soube que teriam Escola de Caridade no sábado e, ainda, que o instrutor convidado não poderia comparecer. Pronto, comecei a preparar a aula!
O tema era ‘espiritualidade vicentina’, assunto que já ministrei algumas vezes; porém, sem material adequado em mãos, pesquisei na internet e encontrei boas reflexões a respeito. Primeiro, procurei por ‘espiritualidade’ e logo surgiu isto:
“Uma vez perguntaram ao Dalai-Lama o que significava espiritualidade, e ele deu uma resposta extremamente simples:
- Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior.
Não entendendo direito, alguém o questionou novamente:
- Mas, se eu praticar a religião e observar as tradições, isso não é espiritualidade?
O Dalai-Lama respondeu:
- Se não produzir em você uma transformação, não é espiritualidade. - E acrescentou: - Um cobertor que não aquece deixa de ser cobertor.”
Então, por este texto, espiritualidade é aquilo que produz dentro de nós uma mudança. E o ser humano é um ser de mudanças, pois nunca está pronto, está sempre se transformando: física, psíquica, social e culturalmente.
Há mudanças que são interiores; são verdadeiras transformações capazes de dar mais sentido à vida e abrir novos campos de experiência e de profundidade rumo ao próprio coração e ao mistério de todas as coisas. Graças a Deus, sabemos que isso ocorre principalmente no âmbito da religião.
E, em outro site, Frei Patrício Sciadini também escreveu sobre o tema:
“Uma das palavras mais usadas nestes últimos tempos é espiritualidade, porque nos faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Dizem os psicólogos que quando se fala muito de uma coisa é porque não a possuímos e, portanto, somos carentes do que dizemos. O que posso afirmar é que a espiritualidade não é uma teoria que preenche o coração de ninguém. Para que a espiritualidade se torne algo pessoal deve sair do papel, do campo das idéias e se fazer vida.
Somente quem vive olhando para o alto, não se deixando escravizar pelas coisas da terra, pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar o espiritualismo que nos impede de compreender que a ação é o caminho certo de toda forma de espiritualidade.
E a verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte, onde ficamos feridos, arranhados e sangrando; mas, não desistimos. Um dos textos que mais me ajudam como aprender a autêntica espiritualidade é a carta de São Paulo aos gálatas. Ele nos recorda a beleza da nossa vocação, deste caminho espiritual que devemos percorrer e que devemos sempre ter presente na vida: ‘fostes chamados para a liberdade’.
Existem várias espiritualidades: budista, muçulmana, hinduísta, judaica... são janelas pelas quais as pessoas veem a vida. Mas, nós queremos ver a vida pela janela do Evangelho e do coração de Deus; por isso, o único alicerce de toda espiritualidade é a Palavra de Deus, que nos alimenta em cada momento. Os frutos do Espírito, que são o sinal do autocontrole e do senhorio de nós mesmos, nos fazem entrar na verdadeira liberdade. São eles: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência. Contra estes, não há lei. (veja: Gálatas 5, 22-23)
Mas, afinal o que é espiritualidade? É um estilo de vida pautado pelo Evangelho que visa a imitar a pessoa de Jesus. Seremos espirituais quando pudermos dizer com a mesma sinceridade de Paulo apóstolo: ‘Não sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim’.”
E no sábado, antes da aula, consegui o material que procurava, onde dizia que a espiritualidade vicentina é a maior riqueza da Sociedade São Vicente de Paulo. Diz a Regra: ‘Os vicentinos procuram pela oração, pela meditação das Sagradas Escrituras e pela fidelidade aos ensinamentos da Igreja, ser testemunhas do amor a Cristo em suas relações com os mais desprovidos’.
Mas o carisma vicentino também está centrado em três personagens importantíssimos na vida da Igreja: São Vicente de Paulo, o bem-aventurado Antônio Frederico Ozanam e Nossa Senhora. Aprendemos a imitar Jesus Cristo, confiar na Providência Divina e praticar as virtudes da humildade, caridade, obediência e paciência - no serviço junto aos mais carentes.
Enfim, mesmo de férias, na abençoada mensagem que passei aos vicentinos, lembrei que a nossa espiritualidade reside na visita aos pobres. Devemos ajudá-los, não por imposição ou obrigação, mas por amor a Deus, reconhecendo que a alma da SSVP é a vivência da aproximação ao Cristo sofredor - presente nos pobres.
Na leitura de preparação, aprendi mais um pouco e cresci em espiritualidade.

O TEMPO VOA – 28 junho 2009

Paulo R. Labegalini

Você já disse alguma vez que ‘o tempo voa’? Pois é, pode até não ser verdade, mas já estamos no segundo semestre do ano! E a sua vida, como vai? Muitos problemas para resolver? Por maiores que sejam, há gente com preocupações piores do que as suas, com certeza.
O mais importante é termos paz de espírito, com tempo para rezar, servir o próximo, participar dos sacramentos e perdoar. Sempre que agimos assim, muitas bênçãos recaem abundantemente sobre nós a cada instante. Mesmo com problemas financeiros ou de saúde, se estamos com o coração limpo de pecados, conseguimos caminhar com dignidade cristã; mas, para isso, é preciso confiar na graça.
E para confiar na providência Divina, temos que nos libertar: das superstições, de acreditar que somos azarados, de achar que tudo é coincidência, enfim, nada é fruto do destino porque qualquer coisa pode ser mudada pela oração. Você crê nisto?
Nem é preciso dizer que se eu não acreditasse, não rezaria o Terço nem coordenaria pastorais na Igreja de Jesus Cristo. O amor que vem do alto me impulsiona a não ficar parado quando Deus me chama, e isso tem acontecido cada vez mais ano após ano. Tenho consciência que ainda é pouco porque não estou aposentado e também curto minha família; mas, acredito que faço a minha parte.
Só estou fazendo esta reflexão porque participei do 31º Encontro do OVISA e fiquei maravilhado com tantos testemunhos de fé e perseverança nos caminhos santos do Senhor. Quando disseram que ‘se agarraram com unhas e dentes nas mãos de Deus para não cair em tentação’, passava em minha mente o desejo que todos os meus amigos e parentes fossem assim. E seriam, se o Reino já estivesse sido construído na Terra. Mas, por que falta essa visão de santidade a tanta gente?
Aconteceu que o dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, certo dia abordou-o na rua e disse:
- Sr. Bilac, estou querendo vender o sítio que o senhor tão bem conhece. Será que poderia redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou lápis e papel e escreveu: ‘Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortado por cristalinas e merejantes águas de um lindo ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na varanda’.
Alguns meses depois, o poeta encontrou-se com o comerciante e perguntou-lhe se já havia vendido o sítio.
- Não pensei mais nisso - disse o homem. - Depois que li o anúncio é que percebi a maravilha que eu tinha!
Então, às vezes não percebemos as coisas boas que possuímos e vamos longe atrás da miragem de falsos tesouros. Devemos valorizar o que temos e que nos foi dado gratuitamente por Deus: os amigos, o emprego, o conhecimento que adquirimos, a saúde para ajudar o próximo, o sorriso dos filhos, a fé no coração e o afago do cônjuge. Estes, sim, são verdadeiros tesouros do Reino de Deus.
Se muitos tivessem consciência do quanto suas vidas são efêmeras, talvez pensassem duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que têm de ser e de fazer os outros felizes. Flores são colhidas cedo demais - algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranquilas, se entregam ao vento. Mas há quem não sabe discernir, não sabe por quanto tempo estarão presentes e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao seu redor.
Generalizando um pouco, entristecemo-nos por coisas pequenas e perdemos horas preciosas. Não damos um beijo carinhoso porque não estamos acostumados com isso e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.
E passa a noite, chega o dia, o sol nasce e adormece, e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos ou achamos que não temos suficiente. Cobramos dos outros, da vida, de nós mesmos.
Costumamos comparar nossas vidas com as vidas daqueles que possuem mais que a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença, não é mesmo? Enquanto isso, o tempo passa...
Passamos pela vida e não valorizamos a graça. Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa. Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos pra trás. E então nos perguntamos: e agora?
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos. Nunca se é velho ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente! Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao seu redor. Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesmo efêmera, está presente em você.
Pense, aproveite mais espiritualmente sua vida, pois daqui a pouco o ano estará acabando.

O PLANO DE DEUS - 21 JUNHO 2009

Paulo Roberto Labegalini

No XXV Encontro Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras - que participei em João Pessoa-PB na semana passada -, falaram muito dos direitos humanos que, no artigo I da ‘Declaração Universal’, diz assim: “ Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência, e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”. Também foi dito no Encontro da Paraíba que se esses direitos não forem ‘automáticos’ em alguns grupos ou classes sociais, devem ser conquistados.
Sabemos que muitas políticas públicas visam consolidar os direitos de toda a população, quer sejam educacionais, econômicos, sociais ou políticos. Quando isso acontecer, esperamos que os conflitos não se resolvam mais pela violência; mas, se a liberdade, a igualdade e a fraternidade são defendidas por todos, por que ainda há tantas exclusões sociais no mundo?
Acredito que a liberdade e a igualdade avançaram muito nas conquistas de direitos humanos ultimamente, mas a fraternidade ainda padece. Tenho visto grupos religiosos defendendo e praticando a fraternidade, mas, fora disso, pouco se faz. O desafio de levar o pão e a Palavra de Deus às pessoas é privilégio da minoria na nossa sociedade.
A dignidade do ser humano deveria ser levada mais a sério e encarada, de fato, como a principal responsabilidade nas ações de cada cristão, porque, sem fraternidade - no sentido de amor ao próximo -, as portas do Céu poderão estar fechadas após a morte. Infelizmente, há pessoas que só pensam em aproveitar a vida e não se importam com seus destinos na eternidade. Assim como eu, penso que todos foram avisados de que a salvação da alma acontece aqui na Terra; depois, se tivermos pecados graves acumulados em vida, o castigo poderá ser cruel.
Mas, será que a condenação do ser humano está nos planos de Deus? Ele planejou: os astros não se chocarem, o coração humano bombear sangue para gerar vida; o morcego, mesmo cego, ser guiado por radar; a água circular na Terra de maneira perfeita; o ar atmosférico ser composto por vários gases, e cada um com sua função; a natureza, por si só, permanecer em harmonia; enfim, se Deus fez tudo com impressionante sabedoria, não iria querer que seus filhos se perdessem em pecados; concorda?
Ele poderia ter criado uma só flor, um só tipo de fruto, uma só estrela, um único som e apenas um animal. Já pensou como seria chato ver o mesmo passarinho cantando a mesma música em cima da mesma rosa enquanto comêssemos o mesmo abacate? E mais: sempre de dia, se a noite não existisse. Mas, graças à generosidade de Nosso Senhor, o homem pode desfrutar infinitas diversidades no mundo para o seu bem estar. Deus desenvolveu um Plano de Amor!
E com tudo que está ao nosso alcance, a felicidade pode ser conquistada a cada dia por diferentes caminhos. Na Bíblia, encontramos muitas experiências de salvação daqueles que confiaram na Família Divina: Pai, Filho e Espírito Santo. Entenderam que o Plano de Deus consiste em criar alguém em condições de receber a vida eterna. E Jesus Cristo testemunhou o quanto somos abençoados: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo 10, 10).
Quando Deus libertou o povo hebreu da escravidão do Egito, concedeu libertação a toda a humanidade. Quando Jesus ofereceu o seu corpo e o seu sangue - mudando o sentido da Páscoa judaica -, resgatou nossa salvação por meio do amor-doação. Hoje, através dos sacramentos, nos tornamos herdeiros da graça do Pai - vivendo a Eucaristia, damos continuidade ao processo de libertação.
Porém, como eu disse, há aqueles que preferem romper com o Plano de Deus porque acreditam mais no poder da força do que na força do amor; procuram mais dinheiro do que o tesouro do Reino; preferem o status ao invés da solidariedade. São pobres de espírito por insistirem em não entender que a riqueza de poucos e a pobreza de muitos não faz parte da criação do Universo; bem como não são da vontade de Deus os vícios, as bombas, o aborto, o divórcio, as crianças e os velhos abandonados.
Então, o que o Criador quer de nós? Com certeza, que sejamos todos irmãos e cuidemos melhor uns dos outros. Independente de classes sociais ou níveis intelectuais, temos que nos unir para um mundo melhor. Isso pode e deve começar em casa, na família.
No capítulo 6 do Evangelho de São Mateus, temos uma orientação de Jesus Cristo para a nossa vida espiritual: “Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lhe pedirdes. Rezai, pois, assim: ‘Pai nosso, que estás no Céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino; faça-se a tua vontade...’ Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas”.
Assim como dizemos ‘Pai nosso’ porque Ele é o Pai dos que têm fé, também chamamos a Cristo de ‘nosso Pão’ porque Ele é o alimento dos que comungam o Pão Vivo que desceu do Céu. Comendo desse Pão, estaremos aceitando o Plano de Deus para vivermos eternamente em Seu amor.
E unindo a nossa família à Sagrada Família, a paz permanecerá.

COISAS DE CRIANÇA - 14 JUNHO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Leia esta história:
A semana passada, levei meus filhos a um restaurante; e o menor, de 6 anos, me perguntou se poderia dar graças. Quando concordamos, ele disse:
- Deus bom, Deus maravilhoso, obrigado pela comida. Eu ficarei ainda mais agradecido se mamãe nos der sorvete como sobremesa, amém!
Junto com os sorrisos dos outros clientes do lugar, eu escutei uma mulher comentar:
- É isso que está errado com este país: as crianças não sabem rezar! Pedir sorvete a Deus? Eu nunca vi coisa assim!
Escutando isso, meu filho derramou algumas lágrimas e me perguntou:
- Eu fiz alguma coisa errada, pai? Deus está zangado comigo?
Enquanto eu o abraçava e dizia que ele tinha feito uma oração linda, um cavalheiro mais idoso se aproximou da mesa. Deu uma piscada para o meu filho e disse:
- Fiquei sabendo que Deus achou uma excelente oração. Dou-lhe a minha palavra que é verdade.
Então, indicando a mulher cujo comentário havia desencadeado a conversa, ele acrescentou:
- Que pena que ela nunca tenha pedido sorvete a Deus. Às vezes, um pouco de sorvete faz bem para a alma.
Naturalmente, compramos sorvetes para nossos filhos no fim da refeição. O caçula olhou para a sua sobremesa e fez algo que me lembrarei pelo resto da vida. Ele pegou o sundae, caminhou na direção da mulher da mesa vizinha e colocou em frente a ela. Com um sincero sorriso, falou:
- Aqui, este é para a senhora. Sorvete às vezes é bom para a alma; e a minha alma já está cheia de tanta comida. Pode comer tudo.
Pois é, coisas assim acontecem na vida real. Quando a inocência de uma criança é levada tão a sério a ponto de cercear a intimidade com Deus, precisamos rever nossos comportamentos. Se Jesus pediu que deixassem ir a Ele as criancinhas, ninguém tem o direito de impedir que a fé dos menores continue crescendo a cada dia.
No primeiro domingo de junho, reunimos 90 pais e mães de crianças da catequese na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração. Enquanto os filhos eram evangelizados, o noviço César fez uma linda reflexão com os adultos, falando da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Foi uma manhã abençoada, que se repete a cada mês, por iniciativa da Catequese e da Pastoral Familiar.
Nós dizemos que os filhos ‘puxam’ os pais para a igreja e, de certa forma, isso é verdade. Na pureza de cada menino ou menina, os pais atendem ao pedido de comparecerem nas palestras e acabam voltando. E, acredito, veem os filhos rezando em casa, como na história do restaurante. Veja esta outra:
Era uma vez um menino pequeno que contrastava com a escola bastante grande onde estudava. Numa manhã, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho, e desenharemos flores.
Então, o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis coloridos: rosa, laranja, azul etc.
- Esperem, vou mostrar como fazer. A flor será vermelha com caule verde, como esta que irei colocar no quadro - explicou ela.
O garotinho olhou para a flor da professora, olhando em seguida para a sua. Gostou mais da dele, mas não podia mudar a lição. Então, virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora, vermelha com caule verde.
Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora falou:
- Hoje iremos fazer alguma coisa com o barro.
Imediatamente o aluno começou a amassar sua bola de barro para fazer um jarro, mas veio a orientação da mestra:
- Esperem, não é hora de começar! Daqui a pouco, faremos um prato.
Ele pensou num prato fundo, porém, a professora mostrou um prato pequeno, raso. Assim, muito cedo o menininho aprendeu a esperar, a olhar e a fazer as coisas exatamente como a professora. Ele não fazia mais nada por si próprio.
Um dia, o garotinho teve que mudar de escola. Na primeira aula, a professora disse:
- Vamos fazer um desenho? Podem começar.
- O que é que nós vamos fazer? - perguntou o menino. - Qual figura e de que cor desenharei?
- Eu não sei - respondeu a professora. - Faça aquilo que sempre quis desenhar.
Daí, o menino começou a fazer uma flor vermelha com o caule verde.
Para nós, pais, isso pode ser uma maravilha: um filho educado, obediente, que faz as coisas exatamente como lhe ensinamos, sem mudar nada. Porém, o futuro da criança poderá estar seriamente ameaçado se não tiver iniciativa e criatividade nas ações. Cada vez mais, no mercado de trabalho, são fatores muito importantes na vida de qualquer profissional.
Então, deixemos as crianças pedirem sorvetes a Deus e desenharem, quem sabe, flores com caules pretos. Às vezes, os corações delas sabem mais do que os nossos. Eu imagino que o meu confrade vicentino não chegou a vice-comandante da 5ª Companhia de Polícia Militar Independente desenhando apenas ‘flores vermelhas com caules verdes’. Parabéns, amigo! Você merece, grande major Batista!

LIÇÕES DO CÉU E DA TERRA – 7 JUNHO 2009

Paulo Roberto Labegalini

No início da era cristã, quando os anjos estavam reunidos no Céu, Jesus lhes disse:
– Eu criei os seres humanos, dei-lhes inteligência, sensibilidade, livre arbítrio e, mesmo assim, vivem me pedindo que resolva tudo por eles. Se eu tomar a dianteira dos seus problemas, jamais crescerão! Eu gostaria de me esconder por algum tempo, mas também quero ficar perto para o caso de precisarem realmente de mim.
Então, um anjo falou:
– Senhor, por que não vai para o alto da montanha e fica olhando lá de cima o que acontece com eles?
Jesus respondeu:
– Tenho certeza que me achariam rapidamente; mas, esperem, tive uma idéia: vou me esconder dentro das pessoas, no coração de cada um! Assim, nunca me acharão, exceto quem vive buscando tomar decisões com o coração à frente. Eu poderei acompanhá-los o tempo todo e ajudar aqueles que agirem com amor.
E isto ainda acontece nos dias de hoje. Há pessoas que buscam Deus onde não está e se surpreendem quando descobrem que o Espírito Santo esteve sempre ‘disponível’. Se pedirmos com sabedoria, receberemos como nesta história:
Certa vez, um homem pediu a Deus uma flor e uma borboleta, mas recebeu um cacto e uma lagarta. O homem ficou triste porque não entendeu o porquê do seu pedido vir errado, e pensou: ‘Também, com tanta gente para atender, Ele nem deve ter me ouvido’.
Passado algum tempo, o homem verificou que do espinhoso cacto havia nascido uma bela flor e a horrível lagarta transformou-se numa linda borboleta. E percebeu que Deus sempre age certo, mesmo que nos pareça errado – Ele dá aquilo que mais precisamos no momento certo. É preciso amar e confiar, sem vacilar, pois nem tudo o que desejamos é exatamente o que necessitamos.
Se rezarmos, os espinhos de hoje serão as flores de amanhã. E a providência Divina é tão grande que os presentes chegam a todo instante, principalmente por intermédio das pessoas que nos cercam. Veja que surpresa maravilhosa aconteceu na data natalícia de uma jovem:
Conta-se que uma menininha entrou na loja e pediu para embrulhar um colar de turquesas azuis.
– É para minha irmã, você pode fazer um pacote bem bonito? – disse ela ao balconista.
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e perguntou:
– Quanto dinheiro você tem?
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e disse:
– Isto dá, não dá? – mostrando apenas algumas moedas que exibia orgulhosa. – Sabe, eu quero dar este presente para minha irmã mais velha. Ela cuida de mim desde que mamãe morreu e não tem tempo para mais nada. Hoje é seu aniversário e tenho certeza que ficará feliz com o colar, que é da cor dos olhos dela.
O homem foi para o interior da loja, colocou o colar num estojo, embrulhou-o com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com fita azul.
– Tome – disse para a garotinha. – Leve com cuidado.
Ela saiu saltitando pela rua abaixo, mas não demorou para que uma linda jovem de cabelos loiros adentrasse na mesma loja. Colocou sobre o balcão o conhecido embrulho e interrogou o proprietário:
– Este colar foi comprado aqui. Quanto custou?
– O preço de qualquer objeto em minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente – respondeu prontamente o lojista.
– Mas minha irmã tinha somente algumas moedas e este colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagar por ele!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e o devolveu à jovem, dizendo:
– Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. Ela deu tudo que tinha.
O silêncio encheu a pequena joalheria e lágrimas rolaram pela face da jovem enquanto suas mãos pegavam o embrulho de volta. E o melhor presente que ela ganhou no aniversário foi aprender esta lição: a verdadeira doação é dar-se por inteiro, com amor sincero, sem restrições.
Então, leitor, que os ensinamentos deste artigo fiquem em nossos corações e dêem frutos a cada dia. Se não direcionarmos nossas ações para o bem comum, não seremos dignos de participarmos do banquete celeste. Quem deseja a presença do Espírito Santo em si, é atendido; quem supera as provações com dignidade cristã, é abençoado; quem pratica a caridade, ganha a vida eterna.
Há pastorais e movimentos católicos precisando demais de agentes. Na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, sou ministro extraordinário da comunhão eucarística, me reúno com os vicentinos às terças-feiras, participo da Pastoral Familiar às quintas-feiras, além da Escola Vivencial do Cursilho às segundas-feiras e preparação para o Encontro do Ovisa às sextas-feiras. Faça um contato comigo e receberá um convite para caminharmos juntos.

AMOR E FÉ – 31 MAIO 2009

Paulo Roberto Labegalini

O meu amigo André de Oliveira Andrade, que hoje é promotor em Belo Horizonte, passou-me esta linda reflexão de Artur da Távola:
“Aos casados, aos que não casaram, aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar... Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar.
Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado... Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo pra lá, te amo prá cá. Lindo, mas, insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência...
Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar. Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Tem que ter disciplina para educar os filhos, dar exemplo, não gritar. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar ‘solamente’ não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta!”
Realmente, lindo texto, embora pareça difícil viver tudo o que o escritor nos coloca. Mas a vida, para ser vivida com sabedoria, precisa ser bem resolvida – espiritualmente inclusive. Muita gente diz que não se adaptou à condição de casado e prefere partir para outro relacionamento, porém, será que rezou e teve uma experiência verdadeira com Deus antes da separação? Veja esta história:
Um professor ateu falou durante uma hora e meia aos alunos, provando que a ressurreição de Jesus era falsa. Ele disse que leu muitos livros e concluiu que, a partir do momento que não havia provas materiais da ressurreição, a tradição religiosa da Igreja caía por terra.
Depois de ouvi-lo com atencão, um jovem se levantou, colocou a mão na sacola, pegou uma carambola e começou a comer. Em seguida, perguntou:
– Eu nunca li tantos livros como o senhor, mas gostaria que me dissesse : esta carambola está doce ou azeda?
– Eu não tenho como lhe responder isso, pois eu não a provei! – respondeu o mestre.
– Pois é, o senhor também nunca provou do meu bom Jesus. Então, como pode afirmar o que está dizendo? Posso lhe contar as vezes que Ele me tirou da cama de um hospital e outras tantas curas que minha família já recebeu d’Ele?
O professor, dissimulando, preferiu mudar de assunto.
E na linha de amor e fé, ouvi um relato maravilhoso antes da missa de sábado na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração. Eu estava me preparando para animar o canto quando o senhor José Raimundo Carneiro se aproximou e disse:
– Paulo, deixe-me contar um fato que ocorreu comigo há 41 anos. Eu estava na Basílica de Aparecida e, vendo tanta gente rezando a Nossa Senhora, fui até a sua imagem atrás do altar, olhei fixamente para ela e pensei: ‘Se a senhora é tão poderosa, faça aparecer um terço no meu bolso e rezarei esse terço o resto da minha vida’. Em seguida, uma mão tocou no bolso lateral do meu paletó e, para meu espanto, colocou um terço nele! Vi que foi minha tia que fez isso, mas, com certeza, por providência de Nossa Senhora Aparecida.
Sem comentários!

SENTIMENTOS QUE NÃO PASSAM - 24 MAIO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Quando servi o Exército em Itajubá - NPOR, 1975 -, eu ainda estava amadurecendo na personalidade que carrego hoje. E quando converso com amigos daquela época, vêm à mente algumas imagens agradáveis e outras recordações um pouco tristes. O importante para mim é concluir que o saldo é positivo a favor de momentos felizes.
Um dia em particular marcou minha vida de aluno aspirante a oficial da reserva. No exercício de ‘Fuga e Evasão’, éramos prisioneiros e conseguimos fugir do acampamento inimigo. Apenas nove pessoas resolveram escapar num momento de desatenção dos guardas, e eu estava no grupo.
Fazia frio e chovia muito nas montanhas, contribuindo para o nosso sofrimento, já que vestíamos apenas calção. E partimos em direção à cidade de Maria da Fé, lugar ainda mais frio; mas o que incomodava muito era a fome. Estávamos há 24 horas sem comer e ficamos felizes quando avistamos uma casinha no campo.
Ao nos aproximarmos, uma senhora veio ao nosso encontro e, imediatamente, ouviu o pedido meio incomum do aluno Rennó:
- Dona, a senhora tem um arrozinho com ovo pra gente comer?
A resposta alegrou nossos corações:
- Tenho sim. Já fiz a janta de hoje e vou servir vocês. Esperem um pouco.
Devia ser mais ou menos 10 horas da manhã e, para nossa sorte, até o jantar estava pronto naquele abençoado lar. Imaginamos que era mais prático e econômico fazer a comida de uma só vez, antes do almoço, mas, por nossa causa, aquela senhora teria que cozinhar tudo de novo!
E logo chegaram os nove pratos bem caprichados. Não lembro exatamente o que tinha de comida, mas sei que havia feijão, arroz, tomate e carne de porco. O ovo que o Rennó pediu, não recordo se fazia parte do cardápio. E comemos como padres! Hehehe...
Abastecidos, chegamos a Maria da Fé e as áreas alagadas não nos permitiram continuar. Ficamos abrigados numa oficina mecânica, aguardando a chuva passar. Como o aluno que mais tremia de frio era eu, aceitei vestir um macacão todo sujo de graxa, que me salvou de ‘morrer congelado’.
À noite, o pai de um dos fugitivos chegou para nos levar de caminhonete para Itajubá. E após o banho, pedi à senhora da pensão onde eu morava ir comprar um lanche na padaria, pois eu não podia me expor na rua para não ser preso pelos inimigos.
Bem, mas sabe por que estou contando tudo isso? Na verdade, quero me reportar a um sentimento de ingratidão que guardo no coração, porque não me lembro como agradeci - e se agradeci - as pessoas que me ajudaram. ‘Obrigado’ eu acredito ter dito, mas somente isso foi muito pouco! Hoje, não sei se estão vivas, nem mesmo alguns rostos ou lugares que viviam me recordo. Como reparar isso?
Eu rezo pela senhora da casinha no campo, pelo mecânico que me emprestou o macacão, pelo pai do amigo que nos transportou na caminhonete e pela dona da pensão - esta sim, sei que já faleceu. Peço a Deus que tenham paz abundante assim na Terra como no Céu, mas ainda carrego um pouco de culpa por não lhes ter retribuído todo o bem que fizeram. Na época, por alguns meses sustentei o desejo de ir a Maria da Fé levar um presente ao mecânico, mas nem o macacão devolvi pessoalmente - seguiu pelo caminhão de leite.
Então, não somente eu, mas também você, leitor, temos que aproveitar todas as oportunidades para retribuir o amor que recebemos. Não podemos deixar os agradecimentos de cada dia para depois, porque novas oportunidades poderão não existir.
Na semana passada, fui convidado a proferir duas palestras: uma em Itajubá e outra em Pedralva. A primeira fez parte da programação da Semana da Enfermagem e ocorreu na excelente Escola de Enfermagem Wenceslau Braz. O tema que propus falar foi o título de um de meus livros: Mensagens que agradam o coração. E falei de amor, de paz e de motivação para servir o próximo com alegria. Com mais de 200 pessoas presentes, encerrei a palestra cantando e, pela graça de Deus, fui muito aplaudido.
No sábado, em Pedralva, lugar que me ‘adotou como filho’ e me faz sentir em casa, falei para um grupo de católicos no centro pastoral da Paróquia São Sebastião. O local também estava lotado e o tema foi o título de outro livro: Minha vida de milagres. Muita gente se emocionou comigo e lágrimas rolaram quando me referi às graças que alcancei de Nossa Senhora. Depois, eu e minha esposa recebemos algumas homenagens e cantei com os amigos na missa da noite.
Em cada lugar, fiz questão de agradecer imensamente o carinho que recebi. Cheguei a dizer: ‘Deus lhes pague pela caridade que estão dirigindo a mim’. Enquanto não tive certeza que entenderam a gratidão que eu sentia pelo caloroso acolhimento, insisti no agradecimento.
Amar como Jesus amou não é fácil, porém, amar como percebemos que somos amados por tanta gente é o mínimo que o mundo espera de nós. Há carinho suficiente emanando dos corações e não temos o direito de segurar isso conosco, sem retribuir. Faça também a sua parte para não se arrepender.

UMA CIDADE A SER AMADA - 17 Maio 2009

Paulo Roberto Labegalini

Alguém que ama muito o Brasil me passou um texto pela internet contando que, na cidade de Joinville-SC, houve um concurso de redação na rede municipal de ensino. O título recomendado pela professora foi: ‘Dai pão a quem tem fome’. Incrível, mas o primeiro lugar foi conquistado por uma menina de 14 anos de idade.
Ela se inspirou exatamente na letra do Hino Nacional para redigir o texto, demonstrando que os brasileiros precisam perceber o verdadeiro sentido de patriotismo. Leiam o que escreveu a jovem - reflexo de amor à Pátria e uma lição a tantos cidadãos que já não sabem mais o que é sentimento cívico:
“Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi o nosso Brasil chorar.
- O que houve, meu Brasil brasileiro? - perguntei-lhe.
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando com suas lágrimas amazônicas:
- Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo! Antes, meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava no céu a todo instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços fortes? Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos filhos deste solo era a mãe gentil. Eu era gigante pela própria natureza, que hoje devastam e queimam sem nenhum homem que, às margens plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.
Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim. Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que o nosso país ostenta estrelado. Pensei:
- Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Quem nos devolverá a grandeza que a Pátria nos traz?
Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança dormindo em seu berço esplêndido.”
Ao concluir a leitura do e-mail que recebi, imediatamente resolvi inseri-lo neste artigo. E você, leitor, pode até estranhar o que vou dizer, mas acredite que falarei a verdade.
A reprodução de um texto nesta coluna leva mais tempo do que escrever outro com idéias próprias. Primeiro, porque a formatação e a correção ortográfica dão trabalho. Segundo, porque concordando com o autor, assumo publicamente aquele pensamento e passo a refletir na conclusão coerente para o assunto.
Por isso é que prefiro histórias. Quando as leio, passo a contá-las com minhas palavras e a conclusão só cabe a mim. Ah, também é gratificante saber que algumas professoras as levam para suas salas de aula. As maneiras como as utilizam são muito criativas e, quando comentam comigo, me deixam feliz.
Mas, voltando à redação da menina de Joinville, não há como negar que o patriotismo e a cidadania já foram mais praticados em nossas cidades. Se considerarmos apenas as formas de corrupção e a depredação ao patrimônio público, já concluiremos que muita coisa piorou no Brasil. Outras coisas melhoraram, é verdade, mas o orgulho de ser brasileiro anda em baixa.
Itajubá-MG, por exemplo, pode vir a sofrer muito em qualidade de vida se algumas instituições não se unirem no planejamento da cidade. Todos sabem que, devido à expansão da UNIFEI nos próximos quatro anos, contaremos com mais 3000 novas vagas em cursos de graduação. Considerando que 80% são ocupadas por pessoas que moram fora, onde residirão esses alunos? Como orientá-los a respeitar a nossa gente? O que fazer para oferecer opções de lazer a tantos jovens?
Para que a nossa cidade não se inclua na história da redação - ‘meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores’ -, muitas parcerias precisam acontecer. Não nos perdoaremos se presenciarmos: favelas sendo construídas nos bairros; vizinhos se agredindo; drogas por todo o lado; congestionamento de veículos no centro etc. Tudo isso pode ser evitado com união e planejamento.
Se o grande sonho da cidade é prosperar, a Universidade Federal pode contribuir fortemente para esse objetivo, mas não há como acolher milhares de alunos sem a ajuda da Prefeitura, das polícias Civil e Militar, dos empresários e comerciantes, e, principalmente, de cada um de nós. Estamos preparados? Certamente, ainda não. Então, enquanto é tempo, vamos cuidar do que é nosso para podermos repartir amor e alegria com os futuros habitantes.
Itajubá merece ter muita paz no futuro para continuar contando as glórias no passado. Itajubá já nasceu deitada em berço esplêndido - sob a proteção da Virgem Maria -, se tornou gigante pela própria natureza e ninguém pode negar os brados retumbantes de competência dos nossos alunos por todo o Brasil.
Nossa Senhora da Soledade, padroeira da cidade, continuará abençoando dezenas de milhares de jovens que virão buscar formação profissional conosco; mas, arrumar a casa para receber dignamente novos visitantes, é dever dos cidadãos que hoje aqui estão.

O PAI NOS CONHECE - 10 Maio 2009

Paulo Roberto Labegalini

Em um julgamento, o promotor de justiça chama sua primeira testemunha: uma velhinha de 92 anos.
- Dona Genoveva, apesar da idade que tem, quero mostrar a todos que a senhora está lúcida. Pode nos dizer se sabe quem eu sou e o que faço?
- Claro que o conheço, Carlinhos, desde bebê! E, francamente, você me decepcionou. Você mente, trai sua mulher, manipula as pessoas, espalha maldades e adora fofocas. Você acha que é influente e respeitado na cidade quando na realidade você é apenas um coitado. Ah, se eu o conheço! E como o que conheço!
O promotor fica paralisado com as palavras da velhinha e, sem saber o que fazer, aponta para o advogado de defesa e pergunta:
- E este, a senhora conhece?
- O Robertinho? Conheço desde criancinha! Eu cuidava dele para a Marina, a sua mãe, coitadinha... Já sofreu tanto tentando ensiná-lo a ser um bom homem! Ele é preguiçoso, puritano, alcoólatra e sempre quer dar lição de moral para os outros, sem ter condições para isso. Ele não tem nenhum amigo e ainda conseguiu perder quase todos os processos em que atuou.
Então, o juiz pede que a senhora fique em silêncio, chama o promotor e o advogado, e fala com eles em voz baixa:
- Se algum de vocês perguntar se esta velha me conhece, sai daqui preso. Fui claro?
Pois é, passando da piada à vida real, não duvido ser perfeitamente possível alguém nos conhecer melhor que nós mesmos, principalmente o nosso Pai do Céu. Ele já nos conhecia antes de nascermos e, às vezes, achamos que podemos enganá-Lo!
Pode parecer forte dizer que tentamos enganar a Deus, mas isso acontece a toda hora no coração de muita gente. Acontece quando tem inveja de alguém, quando deseja que alguma pessoa não alcance sucesso na vida, quando esconde a verdade, enfim, sempre que alguém tem vergonha de mostrar suas falsidades, pensa que nem Deus sabe.
Por isso, é que a fé precisa estar em primeiro lugar em tudo o que fazemos. Sem fé, perdemos a esperança em dias melhores e muita coisa importante deixa de ter valor - inclusive a crença na vida eterna.
Na Inglaterra do século 19, a Rainha Vitória visitava com frequência o seu povo humilde e pobre. Em certa ocasião, ela foi ver uma moradora rural que vivia feliz por ter Jesus como seu Salvador. Ao se despedir, a rainha perguntou se poderia fazer alguma coisa por ela.
- Obrigada, majestade, mas eu tenho tudo o que desejo - respondeu a mulher.
- Mas eu gostaria de fazer mais alguma coisa por você - disse a Rainha.
Novamente veio a resposta:
- Eu tenho tudo o que necessito, mas, se sua majestade pudesse me prometer uma coisa, eu ficaria muito contente.
- Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance - respondeu a rainha soberana.
- Oh, majestade, eu gostaria muito que fizesse o possível para encontrar-me no Céu.
Suavemente e com firmeza, a rainha lhe disse:
- Eu estarei lá, pelos méritos do sangue do Senhor Jesus Cristo!
Isso é apenas um sinal da presença de Cristo em nossas vidas. Podemos ser ricos ou pobres, alcançar notoriedade ou viver no anonimato, porém, quando Ele habita em nossos corações, todo o resto fica em segundo plano.
O dinheiro nos traz conforto e não há nenhum mal em trabalhar para ter uma vida melhor, mas ele nunca será a principal razão da nossa felicidade. Saber que Jesus está conosco em todos os momentos, que caminha ao nosso lado nos lugares por onde passamos e que um dia nos levará para viver eternamente ao Seu lado; é tudo o que necessitamos para vivermos mais felizes.
Não foi a presença da Rainha Vitória que trouxe felicidade àquela humilde moradora do campo; mas, a presença constante de Cristo em sua casa. E ela externou o desejo de ser ainda mais feliz: ter a soberana rainha consigo no Céu de glória, onde a felicidade é eterna e não passageira.
E na Festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração que acontece neste domingo, nós, que servimos o Senhor com alegria, estaremos esbanjando felicidade, mas desejamos também ser ainda mais felizes. Desejamos encontrar nossos amigos compartilhando graças conosco e preparando a morada definitiva no Céu.
Este ano, o título que o padre Júlio Chevalier deu a Maria Santíssima completa 150 anos! Dizer que ela é a Senhora do Sagrado Coração significa reconhecer os méritos que a Virgem Maria fez por merecer em vida e, sobretudo, seu esplendor no Céu após a morte. Ela é a nossa intercessora de todas as horas e sempre se faz presente nos nossos chamados. Graças à misericórdia infinita de Deus, Sua mãe é também a nossa mãe.
E, chegando na Festa, leitor, mesmo que ninguém note a sua presença por alguns segundos, o Pai saberá exatamente onde você está. Ele já pensou em tudo, inclusive quantos passos cada pessoa dará no Instituto Padre Nicolau neste domingo. Então, só dependerá de você estar lá.

HOMENAGEM ÀS MÃES - 3 Maio 2009

Paulo Roberto Labegalini

Uma médica dermatologista da cidade de Cruzeiro-SP, publicou isto na internet:
“Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei inúmeras cenas que me marcaram. Porém, se eu tivesse que escolher uma, escolheria a que mais me marcou inclusive como mãe.
Foi em uma visita a uma Unidade de Terapia Intensiva, local onde geralmente os pacientes estão em estado grave, necessitando de cuidados o tempo todo. Nesse ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, vivenciei a importância da maternidade.
Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição fetal, que gritava em meio ao seu delírio: ‘Mamãe, mamãe! Ah, minha mãe...’
Para uma pessoa doente, no fim da vida e com a consciência comprometida, o que lhe restara era chamar por sua mãe; e era um clamor que vinha do coração, da alma. Somente quem poderia acolher sua dor, sua solidão naquele momento, era sua mãe!
Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso daquele homem que insistia em resgatar a mais importante de suas memórias: a mãe! Naquele momento, a médica deu lugar à mãe e me dei conta de quão importante é ser mãe.
Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade de gerar seres humanos que são a imagem d’Ele. E para isto, lhe deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições; renunciar a tudo, até a si mesma pelos filhos; e esperar com muita paciência todas as condições que a vida lhe apresentar, a começar pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o mundo.
E, durante a gestação, a mulher é a perfeita moradia. É no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano. É nesse corpo sagrado que abriga a vida que ela experimenta a plenitude de ser mulher.
Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para esperar o dia de dar a vida a um novo ser. E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos toda uma trajetória. Somos o porto seguro para passos cambaleantes, para abraços aflitos, para choros carentes...
Por mais que os homens cresçam e envelheçam, somos nós, as mães, que ficamos em suas memórias. Aquele velho homem me mostrou o importante papel da mãe para todo ser humano. Fez-me também questionar porque tantas meninas na idade de serem filhas, e não mães, violentam seus corpos. Maquiadas por uma falsa liberdade, colocam em risco suas e outras vidas inocentes, com a desculpa de serem modernas. O corpo sagrado é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças, tornam-se mães, perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude o divino mistério da vida.
Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel de mãe. Pode ser que um dia - quando a gente pensa que os filhos não precisam mais de mãe - a gente seja a última lembrança na vida deles. Quero ser não só a última lembrança, mas a melhor!”
E quem for à Novena de Nossa Senhora do Sagrado Coração, no Instituto Padre Nicolau, que começou em 8 de maio, verá muitas mães agradecendo a Virgem Mãe de Deus pelas graças recebidas. Além de rezarem por seus filhos, suplicam por toda a família, que se iniciou com o Sacramento do Matrimônio e com um sinal ainda mais visível: uma aliança no dedo.
Mas, por que usamos a aliança no quarto dedo? Os chineses têm uma explicação para isso:
Dizem que o polegar representa nossos pais; o indicador representa nossos irmãos; o dedo médio representa cada um de nós; o anelar representa nosso parceiro ou parceira; e o mindinho, nossos filhos.
Então, se colocarmos as palmas das mãos frente a frente, dobrarmos os dedos médios e os juntarmos, mantendo os demais dedos unidos pelas pontas, constataremos algo interessante:
1 - Conseguiremos separar os polegares, que representam nossos pais - porque os pais não estão destinados a viverem conosco durante toda a vida.
2 - Voltando a unir os polegares, também conseguiremos separar os indicadores - nossos irmãos, que terão suas próprias famílias e nos deixarão um dia.
3 - Os mindinhos, nossos filhos, igualmente poderão ser separados, já que terão vidas independentes no futuro.
4 - Finalmente, não conseguiremos separar os dedos anelares, que representam os cônjuges. Isso significa que marido e mulher devem ficar juntos por toda a vida!
Então, peço a Deus que abençoe os corações de todas as mães, não somente neste 10 de maio, mas também por toda a vida. E na missa da Novena, neste domingo à noite, estaremos homenageando nossas queridas mãezinhas. Venha celebrar conosco.

MANEIRAS DE ENCARAR A VIDA - 26 ABRIL 2009
Paulo Roberto Labegalini

Existem muitos tipos de animais aquáticos, entre eles: as carpas, os tubarões e os golfinhos. A carpa é dócil, passiva e, quando agredida, não se afasta nem revida. Ela não luta mesmo quando provocada. Considera-se uma vítima, conformada com seu destino. Se alguém tem que se sacrificar, ela se sacrifica porque acredita que há escassez de alimento. Nesse caso, para parar de sofrer, ela se entrega.
Carpas também são aquelas pessoas que, numa negociação, sempre cedem e recuam; em crises, se sacrificam por não gostarem de ver outros sofrendo. Jogam o perde-ganha - perdem para que outros possam ganhar.
Eis a declaração que a carpa faz para si mesma:
- Sou uma carpa e acredito na escassez. Em virtude dessa crença, não espero jamais ver o melhor para mim. Assim, se não posso escapar da responsabilidade do destino dos outros, eu geralmente me sacrifico.
O tubarão, por natureza, agride mesmo quando não é provocado. Ele também crê que vai faltar alimento e, assim, que falte para outro, não para ele! Quer sempre tomar de alguém e passa o tempo todo buscando vítimas para devorar.
Que vítimas são as preferidas dos tubarões? As carpas! Tanto o tubarão como a carpa acabam viciados nos seus sistemas. Costumam agir de forma automática e irresistível, mas os tubarões jogam o ganha-perde - têm que ganhar sempre, não se importando que o outro perca.
Eis a declaração que o tubarão faz para si mesmo:
- Sou um tubarão e acredito na escassez. Em razão dessa crença, procuro obter o máximo que posso, sem nenhuma consideração pelos outros. Primeiro, tento vencê-los; se não consigo, procuro juntar-me a eles.
O terceiro tipo de animal, o golfinho, é dócil por natureza, mas, quando atacado, revida. E se um grupo de golfinhos encontra uma carpa sendo atacada, defende a vítima e ataca seus agressores. São algumas das criaturas mais respeitadas das águas e, podemos afirmar, que são muito inteligentes!
O comportamento dos golfinhos em volta dos tubarões é legendário. Com astúcia, podem ser mortais para os tubarões. Os golfinhos nadam em torno e martelam; nadam e martelam. Usando seus focinhos bulbosos como clavas, eles esmagam metodicamente a caixa torácica do tubarão até que a criatura feroz deslize impotente para o fundo.
Portanto, escolhi o golfinho para simbolizar como tomar decisões e como lidar com rápidas mudanças devido às habilidades naturais desse mamífero. Os golfinhos procuram sempre o equilíbrio, jogando o ganha-ganha - tentam encontrar soluções que atendam às necessidades de todos.
Declaração que o golfinho faz para si mesmo:
- Sou um golfinho e acredito na escassez e na abundância potenciais. Assim como creio que posso ter qualquer dessas duas coisas, aprendo a tirar o melhor proveito da minha força e a utilizar os recursos de um modo eficaz.
Se os golfinhos podem fazer isso, por que não nós? É possível participar do processo ganha-ganha no nosso cotidiano? É sempre bom lembrar que o nosso egoísmo e prepotência são finitos, chegando ao fim quando menos se espera.
Esta história pode contribuir para vermos a vida com olhos de gratidão a Deus:
Certo dia, a pedra disse: ‘Eu sou forte!’
Ouvindo isso, o ferro falou: ‘Eu sou mais forte que você! Quer ver?’
Então, os dois duelaram até que a pedra se tornasse pó. Veio o fogo e disse ao ferro: ‘Eu sou mais forte que você! Quer ver?’
Também duelaram até que o ferro se derretesse. E a água disse: ‘Eu sou mais forte que você, fogo! Vamos ao duelo.’
Então, os dois duelaram até que o fogo se apagasse. Vendo isso, a nuvem disse: ‘Eu sou mais forte que a água!’
As duas duelaram até que a nuvem visse a água evaporar. E logo chegou o vento, dizendo à nuvem: ‘Eu sou mais forte que você!’
Então, o vento soprou a nuvem e ela se desfez. Logo, os montes disseram: ‘Nós somos mais fortes que qualquer vento! Quer ver?’
Duelaram até que o vento se cansasse e desistisse. Foi quando chegou o homem todo falante: ‘Eu sou mais forte que vocês!’
Então, dotado de grande inteligência, o homem perfurou os montes. Todo orgulhoso, falou: ‘Eu sou a criatura mais forte que existe!’
Todos acreditaram até que veio a morte, e o homem que se achava inteligente e forte, com um golpe apenas, acabou-se. A morte ainda comemorava quando, sem que ela esperasse, veio um novo Homem e, com apenas três dias de falecido, ressuscitou. E todo o poder Lhe foi dado no céu, na terra e debaixo da terra.
Vencendo a morte, Ele nos deu o direito à vida eterna através do seu sangue, que liberta do pecado, cura as enfermidades e salva a alma do tormento eterno. Esse homem é Jesus, o Filho de Deus, que disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (João 11, 25-26).
Viva Jesus Cristo, meu amigo íntimo!

A PORTA DA TRISTEZA - 19 ABRIL 2009
Paulo Roberto Labegalini

Conta-se que um homem parou na frente de um pequeno bar, tirou do bolso um metro, mediu a porta de entrada e falou em voz alta: ‘Dois metros de altura por oitenta centímetros de largura’. Admirado, mediu-a de novo e, como se duvidasse dos dados que obteve, tornou a medi-la várias vezes.
As pessoas que por ali passavam começaram a parar. Primeiro um pequeno grupo, depois um grupo maior e, por fim, muita gente. Voltando-se para os curiosos, o homem exclamou:
‘Parece mentira! Esta porta mede apenas dois metros por oitenta centímetros, no entanto, por ela passou todo o meu dinheiro, o meu carro, o pão dos meus filhos; passaram os meus móveis e a minha casa com o terreno! E não foram só bens materiais; por ela também passaram as esperanças da minha esposa, a minha saúde e toda a felicidade do meu lar.’
Começando a chorar, ele continuou:
‘Além disso, passaram pela porta: a minha dignidade, a minha honra, os meus sonhos e os meus melhores planos. Sim, senhores, todos os meus planos de construir uma família feliz passaram por esta porta, dia após dia, gole por gole. Hoje, eu não tenho mais nada: nem família, nem saúde, nem esperança. Mas, quando passo pela frente desta porta gigante, ainda ouço o chamado daquela que é a responsável pela minha desgraça - a bebida! Ela ainda me chama insistentemente: Só mais um trago! Só hoje! Uma dose apenas! Você bebe socialmente, lembra-se?’
E mais gente foi parando para ouvir a história daquele homem desolado, que dizia:
‘Esse era o chamado, essa era a isca. E mais uma vez eu caía na armadilha, dizendo comigo mesmo que: quando eu quiser, eu paro. Isso é o que muita gente pensa, mas só pensa. Eu comecei com um cálice, mas a bebida me dominou por completo.
Hoje eu sou um trapo humano, e a bebida... bem, a bebida continua fazendo suas vítimas. Por isso é que eu lhes digo: esta porta é a porta mais larga do mundo! Ela tem enganado muita gente. Por esta porta do vício, de aparência tão estreita, pode passar tudo o que se tem de mais caro na vida!
Agora sei dos malefícios do álcool, mas muita gente não sabe ou, se sabe, finge não saber para não admitir que está sob o jugo da bebida. E o que é pior: há pessoas com esse maldito veneno dentro do próprio lar, à disposição dos filhos! Ah, se os senhores soubessem o inferno que é ter a família destruída pelo vício, certamente passariam longe dele e se protegeriam contra essas ameaças.’
Depois de desabafar e visivelmente amargurado, o homem se afastou a passos lentos, deixando motivos de profundas reflexões a cada pessoa que o ouviu.
E confirmando suas palavras, o Ministério da Saúde divulgou que o álcool é a droga mais usada pelos jovens no Brasil, e o consumo começa cedo: em média, aos 13 anos. E o pior é que o álcool também é a porta principal de acesso às demais drogas.
E você sabia que a influência da TV e do cinema nos hábitos de crianças e adolescentes foi recentemente comprovada por pesquisadores americanos? Por todas essas razões, vale a pena orientar melhor nossos jovens, para não aumentar essas tristes estatísticas. Precisamos defender a vida em todas as circunstâncias, quer seja na prevenção, quer seja na ação.
Na semana passada, fui à inauguração da fábrica de multimistura em nossa cidade. O Rotary, a Associação das Antigas Alunas da Providência, o Instituto Alcoa, a Prefeitura e outros parceiros se uniram para produzir oito toneladas de alimentos a cada mês, alimentando com qualidade nutricional as pessoas carentes da região. Que promoção maravilhosa da vida humana e que grande exemplo a humanidade recebe este ano!
E no mesmo dia, pela manhã, estive participando das comemorações do Dia do Exército, no 4º Batalhão de Engenharia de Combate. Fiquei feliz ao ver o Coronel Ronaldo se dirigir às crianças com tanto carinho. Agradeceu a presença dos menores e enalteceu a participação daqueles que serão os responsáveis pela nossa Pátria. Também outro grande exemplo de cidadania!
Portanto, cada brasileiro pode e deve contribuir para um mundo melhor, sabendo que a vida está em primeiro lugar. Veja, nesta história, quanta sabedoria de um médico ao abrir a porta da salvação:
Uma moça foi ao ginecologista com a proposta de fazer um aborto. O médico, então, lhe perguntou por que estava tomando aquela infeliz decisão, e ela argumentou:
- Eu já tenho um filho de dois anos que me dá muito trabalho. Não consigo tempo pra mais nada, a não ser lavar roupas, cozinhar, arrumar a casa e cuidar dele. Não quero outro filho agora.
- Então, façamos o seguinte - disse o médico. - Vamos matar o seu filho de dois anos e você terá menos serviço enquanto espera o bebê nascer.
- O senhor está louco? - respondeu indignada a moça. - Como pode propor tirar a vida do meu pobre filho?
- A sua proposta é ainda pior: quer tirar a vida de uma criança que nem mesmo conhece! Faça o seguinte: volte para casa e retorne aqui na próxima consulta. Ah, outra coisa: reze para Deus colocar mais amor no seu coração.

O SIGNIFICADO DO OLHAR - 12 Abril 2009

Paulo Roberto Labegalini

A homilia do Padre Maristelo no domingo de Páscoa foi maravilhosa. Se eu a tivesse gravado, sem dúvida, a reproduziria aqui nesta coluna; mas, infelizmente, somente as pessoas que estavam às 7 horas da manhã na missa da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração puderam ouvi-la e saboreá-la.
Durante o café comunitário para dezenas de pessoas após a celebração, o comentário era geral: muita riqueza e profundidade nas palavras do sacerdote. Eu completava as opiniões dos amigos, dizendo que o nosso vigário possui dois dons muito importantes na evangelização: humildade e sabedoria.
Entre outras coisas, ele falou sobre o significado do olhar, e disse que podemos ver Jesus de diversas maneiras. Maria Madalena e o discípulo amado viram a ressurreição olhando um túmulo vazio e um pano dobrado; hoje, enxergamos Cristo em função de quanto amor existe em nosso coração. Depois, o padre falou de olhares dos nossos últimos dias: as vítimas italianas da cidade de Áquila, o drama do jogador brasileiro Adriano na Inter de Milão, os salva-vidas cariocas estressados que precisam de tratamento psicológico, e outros mais. Sem um olhar de compaixão, tudo vira rotina.
Na mesma linha do Padre Maristelo, que concluiu com alguns poemas, cito o texto ‘o olhar’, de Raquel Teixeira de Freitas:
“Apenas um olhar é suficiente. Um olhar é capaz de mudar uma pessoa. Um olhar que cruza outro olhar é capaz de mudar duas vidas.
Existem vários olhares: o olhar tímido, o olhar singelo, o olhar carinhoso, o olhar que entende, o olhar que reprova, o olhar que ama, o olhar que reprime, o que odeia, o distante, o que ajuda, ou apenas compreende.
Tem aquele olhar que magoa, ou que cria indiferença. O olhar que brilha, o olhar amargurado, seco. O olhar que pergunta, ou mesmo que responde. O olhar que procura, o olhar que encontra. O olhar que vislumbra, que almeja. O olhar chateado, triste, o olhar de choro, de desespero. O olhar alegre, de agradecimento. O olhar provocante, o olhar safado, crítico, e o olhar revigorado. O olhar desapontado, o olhar de quem acabou de vencer. O olhar que xinga, ou que diz o que sente.
Um olhar que contenta só em olhar. Um olhar que não entende que é hora de parar. Um só olhar é suficiente. Vale mais que mil palavras! O olhar trai, mas é incapaz de esconder uma mentira.
Por isso, não tente passar uma imagem que não é sua, seu olhar pode ser traiçoeiro. Não minta, não tente enganar, nem tente ser o que jamais conseguirá ser, nem aquilo que nunca foi, se não for de sua índole.
Olhe-se no espelho e se conheça. Não sinta vergonha do que é. Não se compare. Dê valor em si. Você é exatamente o que você faz. Se almejar algo, lute. Acredite em seu potencial. Para o bem, ou para o mal, seu olhar é a única coisa em você que pode dizer-lhe o que você é e onde pretende chegar.”
Também nos encontros de Cursilhos, aprendemos a olhar para dentro de nós mesmos. É um exercício simples, mas importante para a nossa caminhada cristã. Quem olha os pecados e virtudes que possui, pode redefinir o rumo que quer seguir com Cristo. Porém, quer seja na fé ou na intuição, há um prazo limitado para buscar a felicidade. Uns a conquistam mais cedo porque aprendem rapidamente com os erros; outros demoram muito para acordar e ver que a vida precisa ser vivida dando e recebendo amor.
Eis a história que limita o tempo da felicidade de um cidadão:
Era uma vez, num reino distante, um soberano que era amante da fauna e da flora e tinha um burro de estimação chamado Mudinho. O animal o acompanhava desde a infância, quando ainda era príncipe, e fora o seu padrinho que o presenteou.
Certo dia, o rei baixou um decreto, convocando todas as pessoas do reino para ensinarem seu burro a falar. Os súditos acharam um absurdo e chegaram à conclusão que o rei precisava de tratamento. O povo dizia que o rei estava ficando esclerosado. Mas, de nada adiantou.
Passou algum tempo e ninguém se habilitou àquela proeza. No entanto, passava pelo reinado um sábio e ficou sabendo do decreto. Ele se apresentou ao rei e disse que em 20 anos faria o burro falar, mas, em troca, queria casa e comida nas mais altas regalias para ambos, imediatamente!
O velho rei achou 20 anos muito tempo, mas acabou concordando, pois o seu desejo de ouvir o Mudinho falando era imensurável. Todos ficaram indecisos, duvidosos e admirados daquela insana empreitada do sábio, e diziam que o louco não era o rei e sim o sábio que, ao término do prazo, seria morto se falhasse.
Um dia, uma criança perguntou ao sábio se o burro realmente falaria, e ele respondeu:
- Por que importas? Daqui a 20 anos, um de nós três não existirá mais!
A criança ouviu, não compreendeu e continuou achando igual a todo mundo: que o sábio era muito mais doido que o próprio rei.
E você, caro leitor, sabe como identificar o olhar doido de um cristão autêntico? Aqui vai uma dica: é um olhar apaixonado por Jesus, Maria e José, que dura eternamente!

TEMPLOS DOS NOSSOS TEMPOS - 5 Abril 2009

Paulo Roberto Labegalini

Já em preparação para a comemoração dos 100 anos da Universidade Federal de Itajubá, que acontecerá daqui a 4 anos, conversávamos com um grupo de pessoas no meu gabinete de trabalho, quando o reitor disse aos presentes: “Ao contrário de muitos municípios que conheço, Itajubá-MG nasceu e se desenvolveu em torno de dois templos: o templo religioso e o templo do conhecimento”. Ele referia-se às localizações da Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade e do prédio central da UNIFEI.
Sempre que fala nisso, o professor Renato Nunes diz que são duas instituições perenes na cidade e que, certamente, não irão deixar de existir com o tempo. Várias vezes o magnífico reitor disse o mesmo do poder público municipal, justificando a necessidade de parcerias entre a Universidade e a Prefeitura para o desenvolvimento local e regional. Quanto a isso, ninguém pode negar, mas existem dificuldades a serem superadas; por exemplo, a implantação da segunda fase do Parque Científico e Tecnológico de Itajubá.
Muita gente sabe que mais de 21 milhões de reais já foram investidos na primeira fase do ParCTec no Campus e que, agora, estamos ficando sem espaço físico para novas instalações. Muita gente também ouviu do atual prefeito a promessa de realizar uma grande benfeitoria na sua gestão, empenhando-se na ocupação do terreno desapropriado para a segunda etapa do projeto. Eu sou testemunha de que tudo isso é verdade e tenho acompanhado bem de perto as negociações.
Mas, antes de continuar comentando o assunto, quero deixar claro que o nosso prefeito, Dr. Jorge, é um cursilhista temente a Deus e, há muito tempo, eu o vejo como um homem público sem interesses pessoais. O Renato, a quem tenho grande admiração, sempre se mostrou justo e de coração aberto para se desculpar de erros cometidos ou perdoar quem quer que seja. Ao contrário do que muitos pensam, ele não decide nada sozinho e nos consulta para resolver questões importantes na Universidade.
Essas características dos nossos principais envolvidos no processo de negociação já são suficientes para eu ficar otimista na realização do sonho de termos um Parque Científico e Tecnológico na cidade. Lembro perfeitamente destas palavras do Jorge: “A área que a UNIFEI precisar para se expandir nós iremos doar e, se depender da minha vontade, o projeto do Parque Tecnológico vai sair do papel”. E o reitor tem dito: “Precisamos fortalecer a fronteira sul do Estado para não continuarmos perdendo grandes projetos e cabeças brilhantes para algumas regiões de São Paulo”.
Então, teoricamente, pensam a mesma coisa. Na prática, pessoas que se sentam à mesa do diálogo - o Laudelino e a Leandra pela Prefeitura; eu e o vice-reitor pela Universidade; o André Gesualdi e o Ado Mauad pela Federação das Indústrias - precisam continuar contribuindo para os acertos finais do templo tecnológico. O tradicional templo religioso também rezará mais para o bem comum do nosso povo.
Bom senso, diálogo e oração não podem faltar. E onde tudo isto existe, a mão de Deus está presente, porque Ele deseja que continuemos ajudando os que vêm atrás de nós, mesmo que não saibamos seus nomes, como nesta história:
“Um homem caminhava com sede pelo deserto. Apesar do calor insuportável, ele arrastava-se na esperança de encontrar a salvação; e não estava enganado, pois viu ao longe uma casa de madeira em ruínas e, com muito esforço, chegou até ela.
Não encontrou nada para beber ou comer, porém conseguiu sombra para descansar. Olhando as coisas à sua volta, viu uma bomba d’água manual. Pensou: ‘O poço deve estar seco’. E olhando nos utensílios à mesa, viu também uma garrafa com água. Tirou a tampa para beber quando percebeu um papel colado na garrafa que, depois de limpo da poeira, mostrava instruções para fazer a bomba funcionar.
O bilhete dizia que era preciso despejar todo o conteúdo da garrafa na boca do cano que descia para o poço, e a bomba funcionaria. Com a garrafa na mão, veio a dúvida: ‘E se eu despejar a água e a bomba não funcionar?’.
Após alguns instantes, ele resolveu arriscar e seguiu as instruções. Começou a bombear, o mecanismo rangia e nada de água; contudo, continuou tentando. Após alguns minutos, percebeu um filete de líquido e, depois, a água correu fartamente... limpa, pura, deliciosa!
Olhando novamente para a garrafa, viu mais um recado: ‘Não se esqueça de enchê-la antes de partir’. Ele o fez sem vacilar e seguiu feliz ao seu destino.”
Assim é a vida. Às vezes é preciso arriscar a perder um pouco para ganhar muito, mas é sempre melhor prepararmos as coisas para que outros usufruam também. Ao partirmos deste mundo, podemos deixar uma ‘garrafa’ com um pouco de felicidade e instruções para fazer os mecanismos da vida funcionar - abençoada e feliz.
Vamos construir juntos templos modernos com muito amor no coração?
Feliz Páscoa a todos!

CINCO MINUTOS - 29 março 2009

Paulo Roberto Labegalini

Um aluno de artes marciais estava tomando chá quando indagou o mestre:
- Eu tenho aprendido tudo o que tem me ensinado de defesa pessoal, mas desejo saber outra coisa agora. Gostaria que me explicasse os caminhos de Deus.
O professor, pegando a chaleira, começou a despejar chá na xícara do aluno. Logo transbordou e começou a entornar sobre o pires. O mestre continuou a despejar, o pires também se encheu e o chá começou a cair no chão. O aluno, vendo a sujeira aumentando, gritou:
- Pare, pare, não há mais lugar na xícara para o chá!
O mestre, aproveitando para censurar algumas atitudes na vida do discípulo, disse:
- Pois é, da mesma forma, quando você está cheio de interesses próprios, não há lugar em sua vida para mais nada e não poderá aprender sobre os caminhos de Deus até que se esvazie de si mesmo.
- Mas, até que ponto estou ocupando meu tempo com coisas fúteis deste mundo?
- Deus tem encontrado espaço em seu coração ou ele já está completamente preenchido com vaidades e interesses pessoais? Como o Senhor poderá entrar em sua vida para conduzir-lhe às veredas da felicidade se não lhe abre a porta? Como esperar as bênçãos de Deus se Ele está trancado do lado de fora?
O jovem seguiu preocupado para casa. No dia seguinte, voltou a procurar o mestre para conversar:
- Estive pensando e conclui que, realmente, quando estamos cheios de nós mesmos não existe lugar para Deus entrar. Quando nos esvaziamos de todo egoísmo e vaidade, não só permitimos a presença do nosso Salvador como deixamos que Ele organize toda a nossa vida, tornando-a plena de alegrias e vitórias. Mas, como foi que o senhor aprendeu isso, mestre? Alguém lhe ensinou?
- Sim, a vida me ensinou. Quando meu filho tinha seis anos, eu o levava ao parque para brincar. Enquanto se divertia, eu ficava olhando o relógio para não me atrasar nos compromissos que tinha naquele dia. E quando o chamava e ele me pedia mais cinco minutos de espera, eu nunca lhe concedi.
- Não entendo; o que isso tem a ver com a presença de Deus em nosso coração? - perguntou o aluno.
- Tem, sim, meu jovem. Hoje meu filho já se foi e eu morro de saudades dele. Queria tê-lo ao meu lado, pedindo mais cinco minutos do meu tempo. Eu esvaziaria o meu coração de coisas vãs para preenchê-lo com carinho e amor. Nada nessa vida se consegue sem amor no coração.
As palavras do mestre surpreenderam o discípulo. Ele não sabia que aquele homem tão bom havia aprendido uma importante lição convivendo com o filho. Por um instante, o aluno imaginou o arrependimento que o professor tinha dentro de si, e resolveu animá-lo:
- Mestre, Deus já lhe perdoou e um dia o senhor vai se encontrar com seu garoto de novo. Quantos cinco minutos eu já lhe pedi e o senhor nunca me negou! Hoje, seu coração está transbordando de amor.
E assim termina mais esta história que adaptei para este artigo. A narração tem tudo a ver com a passagem bíblica: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. Este ensinamento de Jesus precisa ser revisto todos os dias até o aprendermos de verdade.
Nos últimos anos, eu não me lembro ter negado cinco minutos do meu tempo a alguém. E ‘cinco minutos’ pode ser apenas um instante ou algumas horas, dependendo do caso. Se estou trabalhando, atendo de imediato quem me procura; se estou em casa e o telefone toca, procuro saber o que precisam que eu faça; e se me encontro em viagem, o celular fica sempre ligado e dou retorno quando não posso atender.
Às vezes, tudo isso ainda é insignificante para quem precisa de ajuda, mas já é um começo. Se Deus me concede saúde, fé no coração e paz na família, tenho o dever cristão de disponibilizar amor ao próximo a cada dia. E aprendi que trabalhar numa só pastoral da Igreja é pouco para isso, então, atuo em vários movimentos para amar e ser mais amado.
Também pelo envolvimento com as coisas de Deus é que eu admiro a conduta de um sacerdote - renunciando muitos bens materiais para preencher a vida com alimentos espirituais. Se não fosse por eles, estaríamos perdidos neste mundo de injustiças sociais tão graves.
Portanto, por sermos cristãos e sabermos que a misericórdia de Deus é infinita, não devemos pautar nossa vida em arrependimentos ou falta de tempo. Podemos, com certeza, encher o coração de esperança e olhar para frente, seguindo o caminho que nos levará ao Céu. Retirando do peito o que nos faz sofrer, as oportunidades de ouvirmos os chamados do alto para a caridade serão maiores.
E o primeiro chamado aqui está: a Semana Santa chegou! Teremos celebrações todos os dias em quase todas as igrejas de Itajubá-MG e do Brasil. Você terá ‘cinco minutos’ para reviver a paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo? Seu coração terá espaço para rezar junto à Virgem Maria, que dedicou sua vida ao Filho amado e, ainda hoje, continua ajudando todos nós?
Jesus quer saber quanto tempo significa ‘cinco minutos’ para você!

A JANELA DA VIDA – 22 Março 2009
Paulo Roberto Labegalini

Recebi este texto do confrade Júlio César, de Belo Horizonte, e gostaria de compartilhar com meus leitores:
“Era criança quando, pela primeira vez, entrei num avião. A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens e chegando ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.
Cresci, me formei e comecei a trabalhar. No meu serviço, desde o início, voar era uma necessidade constante. As reuniões em outras cidades e a correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia. No início pedia sempre poltronas ao lado da janela e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.
O tempo foi passando, a correria aumentando e já não fazia questão de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. Pensava somente em sentar, me acomodar e sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência, por serem mais fáceis para desembarcar sem ter que esperar ninguém. Estava sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos acasos do destino, eu estava louco para voltar de São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar a Curitiba o mais depressa possível. O vôo estava lotado e o único lugar disponível era uma janela na última poltrona. Sem pensar, concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque. Acomodei-me na poltrona indicada: na janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual já não me preocupava em olhar.
E, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu. Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol que brilhava como se tivesse acabado de nascer.
Naquele instante em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista. Pensei comigo mesmo: será que em relação às outras coisas da minha vida eu também não havia deixado de me sentar à janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento, do meu trabalho e do convívio pessoal? Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixei de olhar pela janela da vida.
A vida também é uma viagem e, se não nos sentarmos à janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens – que são nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos. Se viajarmos somente na poltrona do corredor – com pressa de chegar sabe-se lá aonde –, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.
Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor para desembarcar rápido e ganhar tempo, pare um pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência voa célere e a duração da viagem completa nunca é anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não perder nenhum detalhe, afinal, a felicidade e a paz são caminhos e não destinos.”
Bonita reflexão, não? O Júlio também a copiou e, por ele não ser o autor, eu tomo a liberdade de acrescentar mais algumas palavras. Eu diria que, na janela da vida, vemos passar coisas boas e outras ruins bem próximas dos nossos olhos. Boas, tipo: justiça, esperança, oração e perdão. Ruins, como: ódio, egoísmo, inveja e mentira.
As coisas boas contribuem para a paz no mundo e as ruins nos conduzem à imundice do pecado. Dizer ‘sim’ àquilo que Deus recomenda nem sempre é fácil, pois nossos desejos pessoais gritam forte na mente e favorecem cairmos em tentação. Quem já não passou por isso e, um dia, acabou se arrependendo?
Pois é, a quaresma está passando pela janela e fingimos que não estamos percebendo. Às vezes, nem olhamos as graças acontecendo e só prestamos atenção naquilo que traz sofrimento. Então, antes que a viagem termine, veja quem está do outro lado da janela: o bem ou o mal? E você, está sentado no lugar certo? Quem está ao seu lado pode lhe ajudar ou precisa de ajuda? E o mais importante: aquele coração maravilhoso, puro e cheio de amor que Deus lhe deu quando permitiu que nascesse, ainda bate forte em seu peito?
Ah, repare que a janela de sua vida não tem vidraça. Ela é bem espaçosa e está sempre aberta para você alcançar outras oportunidades de amar. Então, acorde! A exuberante viagem eterna mal começou.

O PÃO DE CRISTO - 15 MARÇO 2009
Paulo Roberto Labegalini

Depois de meses sem encontrar trabalho, Vitor recorreu à mendicância para sobreviver, coisa que o envergonhava muito. E numa tarde fria de inverno, encontrava-se nas imediações de um clube social quando viu chegar um casal. Meio sem jeito, ele se dirigiu ao homem e pediu algumas moedas para comprar algo para comer.
- Sinto muito, amigo, mas não tenho trocado.
Ouvindo a resposta, a esposa perguntou ao marido:
- O que queria o pobre homem?
- Dinheiro para comer. Disse que tinha fome.
- Lorenzo, não podemos entrar, nos alimentar fartamente e deixar um homem faminto aqui fora!
- Hoje em dia, há um mendigo em cada esquina! Aposto que quer dinheiro para beber.
- Tenho dinheiro na bolsa. Vou dar-lhe alguma coisa - insistiu a senhora.
Mesmo de costas para eles, Vitor ouviu o que disseram. Envergonhado, queria afastar-se correndo, mas a amável voz da mulher lhe disse:
- Aqui tem o suficiente para se alimentar bem, consiga algo saboroso para comer. Ainda que a situação esteja difícil, não perca a esperança. Em algum lugar existe um trabalho para você e peço a Deus que o encontre.
- Obrigado, a senhora me ajudou a recobrar o ânimo. Jamais esquecerei sua gentileza.
- Você estará comendo o Pão de Cristo, partilhe-o! - disse ela com um largo sorriso, dirigido mais a um homem de fé do que a um mendigo.
Vitor sentiu uma forte emoção, como se uma descarga elétrica lhe percorresse o corpo. Encontrou um lugar barato para se alimentar, gastou a metade do que havia ganhado e resolveu guardar o resto para o outro dia. Comeria o ‘Pão de Cristo’ dois dias!
- Um momento! - pensou. - Não posso guardar o Pão de Cristo somente para mim.
E andando, viu um velhinho sentado na calçada.
- Ei, você! - exclamou Victor. - Gostaria de entrar e comer alguma coisa?
- Você fala sério, amigo? Não estou acreditando em tamanha sorte; passo fome desde ontem!
No final do lanche, Vitor notou que o homem envolvia um pedaço de pão em sua sacola de papel.
- Está guardando um pouco para amanhã? - perguntou.
- Não, não. É que tem um menininho onde costumo dormir que tem passado mal ultimamente e estava chorando quando o deixei. Acho que tinha muita fome. Vou levar-lhe este pão.
- O Pão de Cristo! - repetiu as palavras da mulher e teve a estranha sensação de que havia um terceiro convidado sentado naquela mesa.
Os dois homens levaram o pão ao menino faminto que começou a engoli-lo com alegria. De repente, ele se deteve e chamou um cachorrinho assustado.
- Tome, fique com a metade - disse o menino. - O Pão de Cristo alcançará você também!
O garoto tinha mudado de semblante desde o momento que ouviu a história de como começou a partilha do Pão de Cristo. Logo se pôs de pé e partiu para vender jornais com alegria.
- Até logo! - disse Vitor ao velho. - Em algum lugar haverá um emprego, não se desespere.
Ao se afastar, Vitor reparou que o cachorrinho lhe cheirava a perna. Agachou-se para acariciá-lo e descobriu que tinha uma coleira com o endereço de seu dono. Caminharam um bom pedaço até encontrarem o local.
Contente por rever o cachorro, o dono do animal falou:
- No jornal de ontem, ofereci uma recompensa pelo resgate. Tome, este dinheiro é seu.
- Não posso aceitar. Somente queria fazer um bem ao cachorrinho - comentou Vitor.
- Para mim e minha família, o que você fez vale muito mais que isto. E se precisar de um emprego, venha ao meu escritório amanhã. Gostei da sua honestidade.
Ao voltar pela avenida e entrar numa igreja para agradecer, uma missa estava sendo celebrada e Vitor ouviu este velho hino no momento da comunhão:
‘Todo aquele que comer do meu Corpo que é doado, todo aquele que beber do meu Sangue derramado, e crer nas minhas Palavras que são plenas de vida, nunca mais sentirá fome e nem sede em sua lida. Eis que sou o Pão da Vida, eis que sou o Pão do Céu! Faço-me vossa comida. Eu sou mais que leite e mel’.
Pois é, feliz daquele que acredita nas promessas de Deus e partilha as bênçãos que recebe com os pobres. A paz e a justiça só acontecerão em nosso meio se, primeiro, existirem em nossos corações. E parece tão simples não complicarmos as coisas, unindo nossas forças em favor dos mais necessitados, não é mesmo? Mas, infelizmente, quem pensa ser o mais forte prefere brigar com outros ‘fortes’ enquanto centenas de pessoas assistem o ‘duelo’ na miséria.
O mundo sempre foi assim, mas, na eternidade celeste, tudo será diferente. Muitos mendigos serão exaltados e terão suas recompensas. Eis as palavras de Jesus no Evangelho de Mateus (23, 9-12): “Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é vosso Guia, Cristo. Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.

O CAMINHO PARA O CÉU - 8 MARÇO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Quando alguém especial aparece em nossa vida e nos convida para fazer o Cursilho, é sorte? E quando um tratamento de saúde nos leva à cura, é sorte ou é mais competência médica? O que dizer então do ar que respiramos, dos alimentos que comemos, da fé que temos, da família que nos cerca... Na verdade, tudo é graça!
Algumas pessoas aproveitam as oportunidades que aparecem para melhorar de vida. Isso acontece, principalmente, porque acreditam na providência Divina, que tarda, mas não falta. Outros seres humanos preferem desprezar a mão de Deus e nem agradecem as graças que recebem.
Em 22 de fevereiro de 1931 - quando minha mãe completava dois anos de vida -, no quarto de um convento na Polônia, Irmã Faustina viu Nosso Senhor vestido de branco e, da túnica entreaberta sobre o peito, saíam dois grandes raios: um vermelho e outro branco. Jesus lhe disse: “Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: ‘Jesus, eu confio em Vós’. Por meio dessa imagem, concederei muitas graças às almas”.
Eis as promessas a quem confiar na Sua misericórdia: salvação eterna, grandes progressos no caminho da perfeição, graça de uma morte feliz e outros dons que a Ele suplicarem. Para ter direito a isto, Jesus ressaltou que precisamos confiar na Sua bondade, dedicar amor ativo ao próximo e perseverar no estado de graça santificante - confissão e comunhão. Em especial, na Festa da Misericórdia - primeiro domingo depois da Páscoa -, Ele citou a última tábua de salvação aos pecadores: “Se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão por toda a eternidade”.
E as promessas vão além: “Quando recitam o Terço da Misericórdia junto a um agonizante, aplaca-se a ira de Deus e a misericórdia insondável envolve a alma. Pela recitação desse Terço, aproximas a humanidade de Mim. O Meu amor não engana ninguém”.
No livro ‘Diário - A Misericórdia Divina na minha alma’, a Irmã Faustina confessou como conseguiu intimidade com o Senhor: “Foi Nossa Senhora que me ensinou a amar Deus interiormente e em tudo cumprir a Sua santa vontade. O amor suporta tudo, o amor vencerá a morte, o amor não teme nada. Sois alegria, ó Maria, porque por Vós Deus desceu à Terra e ao meu coração”.
E que lindo esse ensinamento de Jesus, citado no mesmo livro: “Procura fazer com que todo aquele que se encontrar contigo se despeça feliz. Cria à tua volta uma atmosfera de felicidade, porque tu recebeste muito de Deus, e por isso dá muito aos outros”. A isto também a santa cumpriu fielmente, mesmo tendo sofrido muito nos 33 anos em que viveu. Deixou esta certeza: “O sofrimento é uma graça. Pelo sofrimento, a alma assemelha-se ao Salvador; no sofrimento, cristaliza-se o amor. Quanto maior o sofrimento, tanto mais puro torna-se o amor”.
Portanto, nada é azar e nem puramente sorte, pois Santa Faustina ainda escreveu: “A graça que é destinada para mim nesta hora, não se repetirá na hora seguinte”. E quem leu o Diário, sabe de mais esta promessa: “As almas que divulgam o culto da Minha misericórdia, Eu as defendo por toda a vida como uma terna mãe defende seu filhinho; e, na hora da morte, não serei juiz para elas, mas sim o Salvador Misericordioso” (Jesus Cristo).
Esta história a seguir ajuda a refletir nos pecados que nos afastam da misericórdia Divina:
Seis pessoas escalavam uma grande montanha gelada quando perceberam que haveria uma avalanche de neve. Rapidamente correram para dentro de uma caverna e se protegeram; mas, a saída ficou totalmente bloqueada e não poderiam sair até chegar o resgate. Com o frio intenso e em meio à escuridão completa, um dos alpinistas resolveu acender uma fogueira com a lenha que levava. E, por algum tempo, o fogo os esquentou e aliviou seus sofrimentos.
Mais tarde, vendo a fogueira se apagando, o jovem que queimou sua lenha propôs aos companheiros que fizessem o mesmo, já que todos levavam um feixe consigo. Infelizmente, a misericórdia não estava presente no coração deles porque só havia espaço para o pecado. Um cultivava o ódio; o outro, o egoísmo, o outro, o racismo; o mais velho era invejoso; e, o último, avarento.
Então, quando pessoas do socorro chegaram, encontraram todos mortos, abraçados aos feixes de lenha. Concluíram que não fora o frio de fora que os matou, mas o frio que havia dentro dos corações. Ah, aquele que doou tudo o que tinha para fazer a fogueira, morreu sem lenha nas mãos, mas com um sorriso no rosto. Você sabe por quê?
Ele era uma pessoa de fé, que perdoava, que falava da esperança em alcançar a vida eterna, que acreditava no amor infinito do Pai e, por tudo isso, tinha compaixão dos irmãos. Nem é preciso imaginar qual deles se salvou, não é mesmo?
Quem ama a Deus na pessoa do próximo não se desvia do caminho misericordioso que nos leva ao Céu.

O CÉU COMEÇA AQUI - 1 MARÇO 2009

Paulo Roberto Labegalini

“A cada minuto uma mulher apanha no Brasil”. Isto nos foi informado pelo diácono Tarcísio durante a reflexão da Campanha da Fraternidade na semana passada. O tema ‘Fraternidade e Segurança Pública’ também foi enfocado pelo padre Maristelo na mesma noite, que disse: “O pecado é a origem da violência”.
E quem já leu ou ouviu alguma coisa sobre a CF-2009, certamente concorda com a importância do lema deste ano: ‘A paz é fruto da justiça’. Sem a cultura da justiça no meio em que vivemos, fica impossível combater a violência e viver em paz.
Algumas coisas que os dois religiosos disseram a nós, agentes pastorais, fizeram com que eu refletisse melhor a respeito das injustiças que cometemos; por exemplo: protegemo-nos com grades em nossas casas, mas deixamos os pobres do lado de fora! Isto não é uma falsa paz em nossas famílias? Até que ponto nos envolvemos com idéias novas que contribuem para o bem comum?
As formas de violência são muitas e, se não formos às raízes do problema, fica impossível melhorar as injustiças do cotidiano. Se ao menos todas as pessoas fossem tratadas igualmente pela sociedade, já seria um grande começo. E não podemos nos esquecer que a maior justiça de todas é a justiça de Deus! Esta sim precisa prevalecer em todas as situações.
Cada vez mais os seres humanos são tratados como ‘coisas’ - que usamos, abusamos e descartamos. Valores essenciais de dignidade humana são desprezados: direitos democráticos, liberdade de expressão, prática da generosidade, religiosidade etc. Se isto fosse respeitado apenas no trânsito, muitas brigas seriam evitadas.
Veja que interessantes estes 10 mandamentos do motorista, que copiei da internet:
1. Não matarás;
2. A estrada deve ser um meio de comunhão entre as pessoas;
3. Cortesia, lealdade e prudência o ajudarão a lidar com imprevistos;
4. Seja caridoso e ajude o próximo em necessidade;
5. Carros não devem ser uma expressão de poder, nem uma oportunidade para pecar;
6. Convença caridosamente os jovens a não dirigir, caso não estejam em condições para fazê-lo;
7. Ajude familiares de vítimas de acidentes;
8. Una motoristas culpados e suas vítimas de forma que passem pela experiência do perdão;
9. Na estrada, proteja os mais vulneráveis;
10. Sinta-se responsável pelos outros.
O cristão que ama a Deus na pessoa do próximo, já deve estar respeitando isto há muito tempo, não é mesmo? Mas, fora do trânsito, ainda existem graves problemas que geram a violência, como: droga, racismo, prepotência, falta de educação; e quem os pratica se esquece que Deus combate o violento. Duvido que alguém negue que já ouviu no Evangelho: ‘não despreze os pequeninos, perdoe sempre, anuncie Jesus Cristo a todos os povos, lute pela paz, promova a justiça etc.’. Resumindo: violência não se resolve com violência.
E quem não conhece o céu e o inferno, eis um bom exemplo:
Conta-se que um samurai foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.
- Monge, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge olhou para o bravo guerreiro e lhe disse:
- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo! Seu mau cheiro é insuportável! Você é uma vergonha para a sua classe.
O samurai ficou enfurecido e não conseguiu dizer nenhuma palavra. Então, empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.
- Aí começa o inferno - disse-lhe o sábio mansamente.
O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara, afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno. Em seguida, abaixou lentamente a espada e foi embora.
Passado algum tempo, o samurai pediu ao monge que perdoasse seu gesto infeliz. Percebendo sua sinceridade, o monge falou:
- Aí começa o céu. Tanto o céu quanto o inferno são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso dia-a-dia. A cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão o início do céu ou o começo do inferno.
É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível, onde houvesse ferramentas e materiais de primeiros socorros. Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer objeto do seu interior.
Quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância. Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do revide ou a gaze da autoconfiança. Quando a injúria bater em nossa porta, podemos usar o aguilhão da vingança ou o óleo do perdão. Diante da enfermidade inesperada, lançamos mão do ácido da revolta ou do escudo da fé.
Enfim, surpreendidos pelas mais infelizes situações, poderemos sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilita uma solução feliz. Somente da nossa vontade dependerá o nosso estado íntimo.
Portanto, criar céus ou infernos é algo que ninguém poderá fazer por nós. Pense nisso, sua vontade é soberana. Sua intimidade é um santuário do qual só você possui a chave. Preservá-la das investidas das sombras e abri-la para que o sol possa iluminá-la... só depende de você!

MUITOS SONHOS REALIZADOS - 22 FEVEREIRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Quando eu era pequeno e morava em São Paulo, tinha mais prazer em praticar algumas atividades: ouvir música, jogar futebol, ensinar matemática aos vizinhos, escrever cartas a parentes de Monte Sião, ler gibis e rezar antes de dormir. Certamente tudo contribuiu para os trabalhos que exerço hoje: professor universitário, agente pastoral, cantor e escritor católico. Apenas a prática de esporte não está acontecendo por falta de tempo e DNA (Data Natalina Avançada).
Eu também tinha alguns sonhos para o futuro: ter um bom emprego e constituir família. Isto não é novidade, já que a grande maioria das pessoas deseja o mesmo; mas o meu sonho era especial. Eu imaginava ter uma família bem grande, onde todos pudessem compartilhar amor, principalmente fazendo muita caridade no Natal - época em que eu ficava triste, pensando naqueles que não tinham o que comer.
E eu ainda me via adulto, voltando do trabalho e recebendo os parabéns pelas realizações do dia-a-dia. Pode parecer um pouco de vaidade misturada com egoísmo, mas afirmo que sonho é assim mesmo: a gente exagera nas fantasias para ir adequando à realidade com o tempo. E foi o que aconteceu.
Hoje, tudo se realizou de acordo com os planos de Deus. A grande família que eu sonhava se chama Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração; o serviço de caridade só acontece porque tenho ajuda de muitos vicentinos que abraçaram a mesma causa; e o trabalho virtuoso ocorre na UNIFEI, nas ações da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão, onde servimos nossos clientes com alegria.
As atividades de criança foram importantes porque deixaram raízes no meu coração. Olhando para trás e selecionando somente coisas boas, percebo claramente o caminho do bem que deveria ter seguido há mais tempo. E quando tenho que aconselhar alguém, as experiências que vivi me inspiram a dizer mais ou menos isto:
- Todos temos muito amor no coração e, mesmo assim, sempre somos provados a escolher uma entre estas duas opções: a oração que chega ao céu e a tentação que leva ao inferno. Em resumo, o caminho certo pode ser encontrado conhecendo as verdades do Evangelho.
Na Escola Vivencial do Cursilho, dia 15, o Geraldo nos falou sobre o valor incomparável da pessoa humana, e nos disse que somos imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26). Também por este motivo, precisamos acreditar nas ‘verdades’ incontestáveis da Sagrada Escritura, tipo:
- Eu sou a verdade (Jo 14, 6); A verdade vos libertará (Jo 8, 32); Vim ao mundo para dar o testemunho da verdade (Jo 18, 37); Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (I Tm 2, 4); A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade (I Tm 3, 15).
Crendo nisto, a vida já fica mais fácil porque tudo faz sentido. Faz sentido: dizer a verdade, seguir Jesus Cristo, amar a nossa Igreja, praticar a justiça, ser fruto da paz duradoura, aceitar as dificuldades e praticar o bem. Basta querer viver segundo os Mandamentos Divinos e tudo acontece naturalmente; no entanto, se colocarmos maldades na mente, a salvação eterna fica seriamente ameaçada.
Há uma história que começa com dois monges caminhando pela floresta. Ao chegarem à beira de um rio, viram uma jovem quase nua tentando atravessar para a outra margem. Enquanto o mais velho disfarçou e evitou de olhar, o monge jovem a pegou nos braços e a transportou para o outro lado. Muito contente, a jovem lhe deu um beijo de gratidão.
Ao seguirem viagem, o monge superior repreendeu o noviço, dizendo que ele não deveria ter feito aquilo, pois carregar a moça nos braços foi um mau exemplo à ordem que pertenciam. Passado mais algum tempo, novamente o mais velho condenou a iniciativa do companheiro. Mais tarde, ao ser mais uma vez criticado pelo ato que praticou, o jovem respondeu:
- O que é pior: eu tê-la carregado nos braços por cinco minutos ou você estar carregando-a em sua mente há horas?
Este exemplo foi muito bem lembrado pela Cláudia do Pantera na Escola Vivencial, explicando que somos o que pensamos. Sonhamos, vivemos, erramos, lutamos, choramos, sorrimos, mas, um dia, demonstramos o que pensamos. É na mente que está o nosso caráter que dirige as nossas ações. Enquanto não alimentarmos a mente com mensagens de amor, teremos sérias dificuldades em viver na paz de Cristo.
E voltando àquilo que eu disse no início, minha vida tem muito a ver com tudo o que plantei na infância. Na verdade, nem tudo fui eu que plantei; muita gente contribuiu para que alguns sonhos se realizassem e os planos de Deus acontecessem. Ainda falta muito para perpetuar a paz em minha vida - talvez, só no Céu -, mas continuo nas estradas de Jesus: tirando pedras do caminho e não perdendo a esperança em dias melhores.
Ah, eu também sonhava em nunca deixar de escrever cartas falando de amor, como aquelas que remetia à minha namorada há quase 40 anos. Hoje estamos juntos e não faz mais sentido continuar escrevendo a ela, porém, sou grato a você que está lendo esta coluna e contribui para que mais este sonho continue acontecendo.


TENTANDO AJUDAR O PRÓXIMO - 15 FEVEREIRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Este artigo traz casos, humor e mensagens de amor. Leia as quatro partes que descrevo e concluiremos juntos.

1 - Eis a história de quem quis ajudar e não conseguiu:
Um caboclo estava caminhando pela estrada de terra com um enorme fardo às costas quando surgiu uma charrete atrás dele. Solidário com o sacrifício do caboclo, o senhor da charrete lhe perguntou:
- Olá, amigo, quer subir no bagageiro e seguir viagem comigo?
Imediatamente o convite foi aceito. Pouco tempo depois, o condutor da charrete percebeu que o fardo continuava nas costas do cidadão e lhe disse:
- Hei, por que está carregando este peso até agora? Coloque o saco ao lado!
- De maneira alguma - disse o caboclo. - Já chega o seu cavalo ter que puxar nós dois! Deixa que o saco eu carrego.

2 - Eis um caso de quem desejou atrapalhar:
O sujeito foi cortar o cabelo no barbeiro que frequentava há anos, e começaram a conversar:
- Vou pra Itália amanhã.
- Itália? - perguntou o barbeiro. - Com tanto lugar bom pra ir, vai logo pra Itália?
- É, e vou pela Alitalia.
- Nossa! A pior companhia de aviação do mundo! E vai pra que cidade, hein?
- Roma.
- Cidadezinha feia, cara! E se hospedará aonde?
- No Hilton.
- Não! Aquilo é só fama, mas nada de bom. E vai querer ver o Papa?
- Claro!
- Programinha de índio, hein! Milhares de pessoas se acotovelando ao seu lado. Credo!
O rapaz saiu do barbeiro se mordendo de raiva, mas viajou e curtiu as férias. Logo que voltou, fez questão de ir à barbearia.
- E aí, como foi o passeio? - perguntou o barbeiro.
- Passeio? Você não sabe o que me aconteceu! Eu estava no Vaticano tentando ver o Papa e, logo que ele chegou à sacada, olhou pra multidão e desceu. Então, começou a andar na minha direção, foi se aproximando até chegar bem pertinho. Daí cochichou uma coisa bem baixinho no meu ouvido.
- Que barato, cara! E o que o Papa falou pra você?
- Disse assim: ‘Cabelinho mal cortado, hein, filho!

3 - Eis uma ajuda oportuna:
Numa sessão de abertura do Senado Estadual do Kansas, Estados Unidos, pediram para um religioso fazer uma oração. Ao invés de palavras tradicionais para o momento, ouviram isto:
“Pai celeste, nós estamos aqui para pedir Seu perdão e para buscar Sua direção e liderança. Sabemos que Sua palavra diz: ‘Cuidado com aqueles que chamam o mal de bem’, mas isto é exatamente o que temos feito. Nós perdemos nosso equilíbrio espiritual e invertemos nossos valores.
Nós exploramos os pobres e chamamos isso de loteria. Nós recompensamos a preguiça e chamamos isso de bem-estar. Cometemos aborto e chamamos isso de escolha. Nós negligenciamos a disciplina de nossos filhos e chamamos isso de construção de auto-estima. Abusamos do poder e chamamos isso de política. Poluímos o ar com coisas profanas, pornografia, e chamamos isso de liberdade de expressão. Nós ridicularizamos os valores dos nossos antepassados e chamamos isso de iluminismo.
Sonda-nos, Deus, nos limpa de todo pecado e nos liberta. Amém!”

4 - Uma ajuda silenciosa:
Uma senhora pegou um táxi para o aeroporto. O carro estava na faixa certa quando, de repente, um veículo preto saiu correndo de um estacionamento próximo. O motorista do táxi pisou no freio, deslizou e escapou com muita habilidade do acidente. O condutor do outro carro, embora errado, sacudiu a cabeça e começou a gritar palavrões.
Estranhamente, o motorista do táxi apenas sorriu e acenou serenamente para o cidadão mal educado. Meio confusa, a senhora perguntou ao chofer:
- Por que você fez isso? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital!
O motorista explicou-lhe, então, a ‘lei do caminhão de lixo’: pessoas que andam por aí carregadas de porcaria, cheias de frustrações, raiva e desapontamentos. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para jogar e, às vezes, descarregam sobre a gente. E o motorista completou:
- Apenas sorria, acene, deseje-lhes bem e vá em frente. Não pegue o lixo delas e espalhe sobre outras pessoas que não têm nada com isso. Gente de bem não deixa caminhão de lixo estragar o seu dia. A vida é muito curta para levantar de manhã com sentimentos ruins; por isso, ame as pessoas que o tratam com respeito e reze pelas que não o fazem. Curta seus momentos abençoados, livres de lixo!
Agora, podemos concluir juntos, assim: quem quer ajudar o próximo age com amor, enquanto quem deseja prejudicar alguém trabalha sem Deus no coração. E não devemos esquecer que a melhor caridade começa por ouvir os que sofrem. Concorda?


EU TUDO POSSO? - 8 FEVEREIRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Convidado para conduzir uma reflexão espiritual ao grupo que está preparando o 12º Cursilho Feminino de Itajubá-MG, comecei dizendo que não seria fácil falar somente para mulheres, e contei esta história:
Um cidadão andava pelo mundo pregando a paz e, certa noite, um anjo lhe apareceu trazendo esta mensagem:
- Você tem se esforçado muito para ajudar o próximo; portanto, irei lhe conceder um desejo que contribua com sua missão. Peça o que quiser.
Feliz com a possibilidade de conseguir grande ajuda, o homem pegou um mapa e foi falando:
- Veja, marquei os países em conflitos. Gostaria que não mais guerreassem e se respeitassem para sempre.
- Olha - disse o anjo com o mapa nas mãos -, esse pedido é muito difícil de conceder. Meus poderes são limitados e, considerando que algumas desavenças existem há milhares de anos, é melhor não interferirmos. Guarde este mapa e peça outra coisa mais fácil.
- Já sei: quero paz nas famílias! Para isso, desejo que as mulheres sejam mais compreensivas com seus maridos, não reclamem tanto de coisas fora do lugar nem se chateiem quando eles beberem umas cervejinhas a mais. Também quero que parem de ter ciúmes dos pobres coitados e permitam que saiam com os amigos quando quiserem.
Então, o anjo pensou, pensou, e disse:
- Devolva-me o mapa e vamos tentar viabilizar o primeiro pedido, que é mais fácil.
Brincadeiras à parte, passei a comentar o tema escolhido pela Janice: ‘Tudo posso naquele que me fortalece!’. À primeira vista, esta frase de São Paulo na Carta aos Filipenses pode nos levar a interpretações equivocadas. Dividindo a frase em duas - tudo posso / naquele que me fortalece -, a segunda parte não deixa dúvidas: fortaleço-me por Cristo, com Cristo e em Cristo; mas, como explicar que ‘eu tudo posso’?
Imaginemos primeiro que alguns ensinamentos dos Evangelhos fossem ditos em nossa época, durante um passeio de Jesus e Maria pela Terra. Caminhando, viram duas pessoas chorando pela morte de um parente próximo. Jesus lhes disse:
- Bem-aventurados vós que agora chorais, porque vos alegrareis! (Lc 6, 21). Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, com ele cearei e ele comigo (Ap 3, 20).
Percebendo o casal meio desconfiado, Nossa Senhora falou:
- Fazei tudo o que ele vos disser (Jo 2, 5).
Aceitando o conselho, perguntaram a Jesus o que gostaria que fizessem, e o Senhor completou:
- Vinde a mim vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei (Mt 11, 28).
Confiantes, imediatamente foram curados da tristeza e um deles respondeu:
- Tudo posso n’Aquele que me fortalece (Fp 4, 13).
Com sabedoria materna, a Virgem Maria falou:
- Sim, tudo podeis, mas cuidado! Por meio de meu Filho, muitas necessidades pessoais são satisfeitas na busca da paz que desejais. Contando com a graça divina, podereis enfrentar muitas situações adversas, mas não pensais em grandes realizações. A comunhão com Jesus deve ser a maior conquista na vida de vós, sempre! Assim, fiéis a Ele, sereis fortes o suficiente para lidar com o mal.
E, neste contexto, eu expliquei às jovens senhoras cursilhistas que existe um perigo na interpretação subjetiva deste versículo: ‘tudo posso naquele que me fortalece’. Se não exercitarmos diariamente a fé e anunciarmos isto às pessoas, podemos nos frustrar. Nem sempre somos bem sucedidos em nossos negócios, por exemplo, e a culpa não é de Deus. Não devemos concluir que Ele quebrou sua promessa; certamente, também o Pai não queria que Cristo morresse na cruz, mas, por causa do grande amor d’Ele por nós, permitiu. Se nem Deus faz tudo o que pode e quer, quanto mais nós! Contando com a vontade do Senhor, então sim: tudo posso naquele que me fortalece.
As fortes experiências pessoais com Cristo - como na segunda história que contei - aumentam a confiança na graça; mas, mesmo Paulo tendo curado muitos em nome de Jesus (At 28, 7-9), não pôde curar seu discípulo amado, Trófimo (II Tm 4, 20). Então, dentro dos limites que Deus permite, o ‘tudo’ pode ser considerado - e significa viver alegre em todas as situações, porque Cristo nos fortalece.
Ninguém melhor do que o nosso Criador sabe aquilo que mais precisamos e, principalmente, sabe que normalmente há grande diferença entre o que pensamos que precisamos e o que realmente é a nossa maior necessidade. Se tão pouco fazemos, tudo o que Ele nos capacita a fazer, não podemos exigir que nos conceda ‘dons extras’ para nos alegrarmos. É mais sensato nos convencermos que tudo o que Deus faz é bom e, neste caso, ‘tudo’ significa tudo mesmo!
Nossa vida pode ser um magnificat - semelhante à espiritualidade de Maria. E para não nos tornarmos sentinelas que dormem, precisamos acreditar que tudo podemos n’Aquele que nos fortalece quando temos atitudes eucarísticas.
Decolores!

SURPRESAS DE ANIVERSÁRIO – 1 FEVEREIRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Dia 19 de janeiro eu completei 53 abençoados anos de vida e comemorei o aniversário em grande estilo: um passeio internacional! Tudo bem que viajei para ‘Cidade de Leste’ no Paraguai, mas foi muito legal.
Às 6 horas da manhã, o Lenarth ligou no meu celular dizendo que queria ser o primeiro a me felicitar. Apesar do susto que levei ao ouvir o telefone tocando de ‘madrugada’, gostei demais da manifestação de carinho desse grande amigo que Deus me deu.
Uma hora depois, durante o café no hotel em Foz do Iguaçu, eu e minha esposa fomos surpreendidos pelo casal Amaury Vieira e Ediléia, que entraram no refeitório cantando ‘parabéns a você’. Recebi aplausos dos presentes e percebi que seria um dia cheio de alegrias.
Fomos às compras e uma pessoa maravilhosa também seguiu conosco ao Paraguai. Eu ainda não o conhecia e fiquei feliz pela amizade que fizemos. Foi outro grande presente de aniversário ter a companhia do Pedro, de São José do Alegre. O Amaury já havia me falado do seu bom caráter e, mesmo assim, pude admirar a bondade daquele coração.
O tempo foi passando, nos divertimos bastante e retornamos com as sacolas cheias ao hotel. Respondi as ligações telefônicas que não havia atendido e fui dar uma espiada nos e-mails. Eis o que mais gostei: “Parabéns, vovô. Que Deus e Nossa Senhora abençoem muito o senhor e o tragam pra bem pertinho de mim logo, logo. Com saudades, Luísa.”
Junto com estas palavras, estava a foto dela engatinhando na praia de Camboriú-SC. Aquilo me fez suspirar de emoção e agradecer, mais uma vez, tamanha felicidade. Naquela mesma noite, falando com minha filha, pedi que viessem nos ver em Curitiba - na viagem de volta. E assim aconteceu. Matei as saudades deles: Thaís, Rogério e Luísa.
Outro e-mail que tocou meu coração na tarde do aniversário foi este:
“Deus, que eu me permita escutar mais e falar menos. Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos, fazendo-me parte suprema da natureza, criando e recriando a cada instante. Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que eu saiba perder meus caminhos, mas também saiba recuperar meus destinos com dignidade. Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis e desperte com o coração cheio de esperanças. Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha turbulência; sábio dentro de meus limites; humilde diante de minhas grandezas.
Senhor, que eu me permita ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei; traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências; auxiliar a solidão de quem chegou e render-me ao motivo de quem partiu. Que eu possa amar mesmo sem ser amado. Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só. Amém!”
Tudo isso foi aperitivo para a grande noite que estava começando. Sem eu saber, o maestro Amaury reservou uma mesa especial na Churrascaria Búfalo Branco e, ao som de uma dupla argentina, jantamos deliciosamente. Com acordes de harpa e violão, mais um ‘parabéns a você’ foi cantado.
Recebi muito mais do que mereço, mas foi um aniversário inesquecível! Que a Virgem Maria – minha protetora de todas as horas – abençoe aqueles que se lembraram e rezaram por mim. Acredito que tanta manifestação de carinho deve-se à educação que recebi de meus pais e ao aprendizado desses últimos anos. Caminhando na oração com os agentes da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração e me relacionando com pessoas de bem na Universidade Federal de Itajubá, me tornei um novo homem. As lições que aprendi foram semelhantes à desta história:
“Um estudante universitário saiu para dar um passeio com seu professor. Enquanto caminhavam, viram um par de sapatos velhos que pertencia a um homem que trabalhava na limpeza do terreno ao lado. Então, o aluno disse ao mestre:
– Vamos fazer uma brincadeira? Esconderemos os sapatos atrás dos arbustos para ver a cara do sujeito quando não os encontrar.
– Meu querido – disse o professor –, nunca devemos nos divertir à custa dos pobres. Tu és rico e podes perfeitamente dar grandes alegrias a este homem. Coloca uma nota de valor significativo em cada sapato e veremos sua reação quando as encontrar.
Fizeram isso e se esconderam. O pobre homem terminou a tarefa e, ao deslizar o pé direito no sapato, sentiu algo estranho. Pegou o dinheiro, olhou para os lados e não viu ninguém. Guardou a nota no bolso e, ao calçar o outro sapato, sua surpresa foi ainda maior quando encontrou mais dinheiro.
Emocionado, pôs-se de joelhos, levantou os olhos para o céu e, em voz alta, fez um agradecimento. Falou da esposa doente, dos filhos que não tinham comida e pediu para Deus abençoar o autor de tamanha caridade.
O estudante ficou surpreso com o resultado daquela ação e começou a chorar. Mais tarde, disse ao professor:
– Aprendi uma lição que jamais esquecerei. Agora entendo que é muito melhor dar do que receber.”

AS COISAS DE DEUS - 25 Janeiro 2009

Paulo Roberto Labegalini

Eu conheço uma história que é mais ou menos assim:
Uma senhora muito elegante levou o marido enfermo a uma clínica e pediu que o médico o examinasse. Assim que terminou a consulta, em conversa particular, a esposa perguntou ao médico se o caso do seu companheiro era grave. Ouviu, então, a resposta:
- Pode ficar tranquila que ele sente apenas uma carência afetiva no casamento. Eu sei que a senhora é uma empresária de sucesso, viaja muito e quase não tem tempo para dedicar à família, mas, se quiser que ele sare, precisa começar a cozinhar para ele, levá-lo para passear, dormir sempre em casa e, assim, em um mês ele estará bom.
Na saída do consultório, o marido quis saber dela o que o médico havia dito. E a esposa lhe respondeu:
- Ele disse que você vai morrer daqui a uma semana!
Pois bem, quando não há comprometimento com o objetivo a ser alcançado, o resultado pode vir a ser o pior possível. Isso também acontece com a missão que recebemos de Deus: ou a abraçamos com amor e buscamos superar as dificuldades com dignidade ou fracassamos.
Eu sei que é tentar fazer chover no molhado falar de oração e mostrar o caminho das pedras para conseguir superar os problemas do dia-a-dia com tranquilidade, mas, como a minha missão nesta coluna é evangelizar, vou insistir naquilo que já escrevi algumas vezes.
Geralmente dizemos que temos um ‘problema’ quando existem vários caminhos para chegarmos à solução de alguma preocupação e não sabemos qual a melhor opção. Se isso acontece, será que refletimos o quanto a oração pode encurtar esses caminhos?
É comum estarmos atribulados com dezenas de compromissos de trabalho, pessoais e sociais, mas quase sem tempo às coisas de Deus. Na correria em que vivemos, a oração perde espaço e, em muitos casos, cai no esquecimento. Quando isso ocorre, realmente fica mais difícil a solução de qualquer tipo de problema.
Portanto, sem oração, ficamos desprotegidos para vencer o mal e - o que é pior - desprezamos pedir para a Providência Divina guiar os nossos passos neste mundo cercado de pecados. De alguma forma temos que dar valor e sentido ao nosso comprometimento com a missão que o nosso Pai nos deu... e tudo começa com oração!
As imagens de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos que tenho em casa, me fazem lembrar de rezar várias vezes ao dia e não somente quando sobra tempo pra Deus. Quero, cada vez mais, aumentar a minha coleção e me aprofundar na oração porque, graças ao meu batismo, me tornei templo do Espírito de Deus! Dá para imaginar o que isso significa? Certamente, para a maioria das pessoas que fossem consultadas, responderiam: ‘não’. Pelo menos é assim que muitos se comportam: convivendo diariamente com o pecado.
Eu sei que todos somos pecadores e também não me julgo santo - quem me dera! -, mas, se cada filho de Deus quisesse realmente que o Espírito Santo nele habitasse, não se esforçaria um pouco mais para isso?
É comum ouvir palavrões a todo instante em recintos públicos ou até mesmo nas redes abertas de televisão. Embora isso não seja um pecado mortal, também não é importante para a nossa sobrevivência. Quem usa um ou outro palavrão na sua comunicação, deveria refletir melhor sobre o mau exemplo que está dando à sociedade e, até mesmo, àqueles que não gostariam de estar ouvindo aquilo naquele momento - inclusive o Espírito Santo!
Eu fui aos poucos me educando nesse sentido e não me arrependo. Aliás, porque me arrependeria de estar me comunicando segundo Jesus Cristo espera que eu o faça? Hoje, não consigo me comportar indignamente sabendo que estou magoando a minha Mãe Santíssima que tanto me ajuda. Se, um dia, espero estar junto de Jesus e de Maria no céu, sei que preciso começar a me preparar para isso aqui na terra o quanto antes - e já perdi muito tempo!
É importante lembrar que quando algum pecado estiver tentando você insistentemente, é preciso que se confesse, comungue e reze um pouco mais para se livrar do mal que procura entrar na sua vida. Aliás, se no mesmo dia em que você se confessar e comungar também oferecer pelo menos um Pai-nosso e uma Ave-maria ao Papa e rezar um Terço - ou participar de uma Via-sacra, ou refletir na Palavra de Deus por trinta minutos -, ganhará indulgência plenária (remissão da pena temporal devida). Peça uma orientação a esse respeito ao seu pároco se tiver dúvidas.
Ser templo do Espírito Santo é uma missão muito séria, por isso devemos nos comprometer com a purificação do nosso corpo e da nossa alma para que Ele possa habitar em nós vinte e quatro horas por dia. Como? Fugindo dos pecados e praticando obras que fortaleçam o Reino de Deus entre nós.
Para quem nunca tentou, é muito fácil: basta querer morar no paraíso... santamente, alegremente e eternamente!

SINAIS DE BÊNÇÃOS - 11 JANEIRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Numa fazenda, há um pasto onde vivem dois cavalos. São animais muito bonitos, como outros, bem tratados que têm por aí; porém, um deles é cego. Mesmo assim, o dono não se desfez dele quando nasceu; pelo contrário, deu-lhe um amigo mais jovem.
Observando melhor, percebe-se que há um pequeno sino no pescoço do cavalo menor; isso para que o cavalo cego saiba onde está seu companheiro e vá até ele. No final do dia, um segue o outro até o estábulo; e, quando o mais velho se atrasa na caminhada, o outro pára e espera que o amigo o alcance. Assim, o cavalo cego passa o dia guiado pelo sino, confiante que o outro o está levando para o caminho certo.
E, como o dono dos cavalos, Deus não se desfaz de nós só porque não somos perfeitos ou porque temos grandes problemas para resolver. Ele cuida de cada um e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio quando precisamos. Algumas vezes, somos o cavalo cego guiado pelo som do sino daquele que Deus coloca em nossa vida. Outras vezes, somos o cavalo que guia, ajudando outras pessoas a reencontrarem o caminho.
Assim são os bons amigos: você não precisa vê-los, pois sempre estarão por perto. Ouça os sinos deles e, quando precisarem, também ouvirão o seu. Reze por eles e uma grande bênção estará ao seu alcance, como sinal da graça de Deus aos filhos que praticam o bem ao próximo.
Na verdade, todos nós nascemos com um ‘sino’ no pescoço. Por isso é que somos notados por onde passamos e, muitas vezes, algumas pessoas nos seguem. Se tivéssemos consciência do quanto influenciamos os destinos dos outros, nunca andaríamos por estradas ruins; mas, infelizmente, o ser humano insiste em conduzir pessoas a erros de comportamento.
Como vicentino, eu já passei por experiências diversas. Hoje sei que um pedaço de pão é uma bênção para quem tem fome, e um carro novo pode não ser aceito por aquele que exige determinadas marcas e modelos. Ambos são presentes de Deus, mas os valores são muito diferentes por parte de quem os recebe. O pão é mais valorizado pelo pobre do que o automóvel pelo milionário. Podemos considerar que são fatos normais no cotidiano de cada um?
Se a Palavra Sagrada fosse mais bem compreendida e praticada em nosso meio, as coisas seriam diferentes. Há muitas falhas na comunicação que vem do Céu; logicamente, não da parte do Senhor, mas devidas às dificuldades humanas em completar o ciclo da bênção. Sei que não posso generalizar; porém, quase sempre deixamos de concluir aquilo que seria a vontade de Deus.
Primeiro, porque não conhecemos plenamente a Bíblia. Mesmo reconhecendo que se refere à ‘Carta de Amor do Criador’ por nós, exageramos na preguiça de conhecê-la melhor. Segundo, porque nas partes que sabemos de cor, não comentamos com as pessoas que se relacionam conosco no trabalho e na roda de amigos. Terceiro, porque nem sempre damos bons exemplos influenciados pelos ensinamentos bíblicos, mostrando que pouco nos importamos com a salvação da alma.
Há uma história que faz menção à nossa falha de comunicação:
Uma senhora idosa estava parada na calçada, hesitante na tentativa de fazer a travessia diante de um tráfego intenso. Temerosa, não conseguia sair do lugar. Então, apareceu um cavalheiro que, tocando-a, perguntou se poderia atravessar a rua com ela. Alegre e muito agradecida, a senhora tomou seu braço e juntos partiram em direção ao lado oposto.
Foi então que ela começou a ficar mais apavorada ao ver que o homem ziguezagueava pelo meio da rua enquanto buzinas soavam, freios eram acionados e motoristas gritavam palavras ofensivas. Quando chegaram do outro lado, ela disse furiosa:
- Quase morremos! Você caminha como se fosse cego!
- Mas eu sou cego! Foi por isso que lhe perguntei se poderia atravessar junto com a senhora!
Isto nos faz pensar: quantas vezes somos mal compreendidos! Precisamos aprender que comunicação não é somente o que a gente fala, mas principalmente o que o outro entende. Se não quisermos entender que só entra no Céu quem tem compaixão dos sofredores, de que adianta vivermos dezenas de anos aqui na Terra?
Tudo aquilo que faço, que tenho e que sou, são sinais visíveis de bênçãos em minha vida. O grupo de pessoas amigas que me relaciono diariamente - no trabalho e na comunidade que sirvo - certamente toca o ‘sino da misericórdia’ bem alto para que eu ouça. Estou convicto disto porque ninguém diz ‘não’ quando peço ajuda. E, assim, com amor no coração, vamos completando o ciclo da bênção um para com o outro.
Eis uma grande possibilidade desse ciclo se realizar:
1. valorizando cada vez mais a Palavra de Deus;
2. melhorando dia-a-dia a comunicação evangélica;
3. fazendo soar o sino que indica os bons caminhos; e
4. perseverando na fé com as pessoas que nos seguem.
Mais cedo ou mais tarde, com firme confiança na graça, a bênção divina nos atingirá.

PAPÉIS INVERTIDOS - 4 JANEIRO 2009

Paulo Roberto Labegalini

Mogo sempre foi um homem bom. Tinha uma família, procurava ajudar o próximo e era honesto em seus negócios. Entretanto, não podia admitir que as pessoas fossem tão ingênuas a ponto de acreditar que um Deus havia descido à Terra só para ajudar os homens.
Sendo uma pessoa de princípios, não tinha medo de dizer a todos que o Natal, além de ser mais triste que alegre, também estava baseado numa história irreal: um Deus se transformando em homem!
Como sempre, na véspera da celebração do nascimento de Cristo, sua esposa e filhos se prepararam para ir à igreja. Então, Mogo resolveu deixá-los partir sozinhos, dizendo:
- Seria hipocrisia de minha parte acompanhá-los. Estarei aqui esperando a volta de vocês.
Quando a família saiu, Mogo sentou-se em sua cadeira preferida, acendeu a lareira e começou a ler os jornais do dia, mas logo foi distraído por um barulho na janela, seguido de outro e mais outro. Achando que era alguém atirando bolas de neve, ele pegou o casaco e saiu, na esperança de dar um susto no intruso.
Assim que abriu a porta, notou um bando de pássaros que haviam perdido o rumo por causa de uma tempestade e, agora, tremiam na neve. Como tinham notado a casa aquecida, procuraram entrar, mas, ao se chocarem contra o vidro, machucaram as asas e só poderiam voar de novo quando estivessem curadas.
- Não posso deixar estas criaturas aí fora - pensou Mogo. - Como ajudá-las?
Foi até a porta da garagem, abriu-a e acendeu a luz. Os pássaros, porém, não se moveram. Ele tornou a entrar em casa, apanhou um miolo de pão e fez uma trilha até a garagem aquecida, mas não deu resultado.
Então, abriu os braços, tentou conduzi-los com gritos carinhosos, empurrou delicadamente um e outro, mas os pássaros ficaram mais nervosos ainda. Começaram a se debater, andando sem direção pela neve e gastando inutilmente o pouco de força que ainda tinham. Mogo já não sabia mais o que fazer.
- Vocês devem estar me achando uma criatura aterrorizadora! - disse em voz alta. - Será que não entendem que podem confiar em mim? Se eu tivesse uma chance de me transformar em pássaro só por alguns segundos, vocês veriam que estou querendo salvá-los!
Nesse momento, o sino da igreja tocou anunciando meia-noite. Em seguida, um dos pássaros se transformou em anjo e perguntou a Mogo:
- Agora você entende por que Deus precisava se transformar em homem?
Com os olhos cheios de lágrimas, ele respondeu:
- Perdoai-me, anjo, agora eu entendo. Só confiamos naqueles que se parecem conosco e passam pelas mesmas coisas que passamos.
Assim é a vida. Se tivéssemos sido pobres o suficiente para quase morrermos de fome, repartiríamos um pouco do que temos com os necessitados. Se tivéssemos vivido em comunidades sem a celebração da Eucaristia por meses, ajudaríamos mais na formação de padres. Se tivéssemos sido acometidos com doenças incuráveis, compreenderíamos que o dinheiro não compra tudo e nos despojaríamos de muitos bens materiais.
Felizmente, muitos não passaram por isto. Infelizmente, muitos passam por isto. São duas tristes realidades: quem tem e não reparte, e quem não tem e sofre. Como diz o padre Fábio de Melo numa de suas músicas: ‘Somos humanos demais para entender’.
Mas, há no mundo pessoas de bom coração que, embora não tenham comido o ‘pão que o diabo amassou’, são solidários à miséria. Como vicentino e presidente da Conferência Nossa Senhora do Sagrado Coração, sou testemunha do empenho de um grupo comprometido com a caridade. São mais de 20 pessoas que se reúnem semanalmente para planejar ações de socorro aos necessitados.
Nós, vicentinos, vemos Jesus sofrendo no rosto dos marginalizados e procuramos resgatar a dignidade dessas pessoas. Rezamos para São Vicente de Paulo nos abençoar na caminhada e confiamos na providência divina. Procuramos nossa santificação por meio da compaixão ao próximo ensinada no Evangelho. O Pai dos Pobres, São Vicente, disse: “Se dez vezes ao dia visitardes os pobres, dez vezes ao dia encontrareis Jesus Cristo”.
Deus chama uns à pregação; outros, à conversão; os vicentinos, chama à visita ao pobre em seu domicílio para, em nome da Igreja, realizar este trabalho maravilhoso de caridade, de doação pessoal, de amor, usando os dons que Ele nos deu. A Sociedade São Vicente de Paulo é uma escola de vivência humana em ajudar o outro. É uma escola de santidade e nos coloca mais próximos de Deus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo que nos espera em cada casebre, em cada asilo, em cada hospital. Louvado seja Deus que toca nos corações dos benfeitores dos pobres. Louvada seja a Virgem Maria que protege a Família Vicentina.
Obrigado, Pai, por nos amar como filhos e nos mostrar que somos todos iguais! Obrigado, Senhor, por permitir aos sofredores entrar no Céu antes de nós! Quem tem muito aqui na Terra, pode ceder a vez àqueles que nunca experimentaram a felicidade.

E-mail: labega@unifei.edu.br