Artigo Semanal (abaixo) publicado na mídia
impressa pelo meu amigo Paulo Labegalini de Itajubá-MG.
paulolabegalini@oi.com.br
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VIDA DE MILAGRES” e “ADMINISTRAÇÃO
DO TEMPO” do Paulo, Editora Santuário; ligação
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Perfil do Autor: Brasileiro; nascido em 1956; Engenheiro Civil;
Professor Associado da Universidade Federal de Itajubá-MG, UNIFEI, nas
cadeiras de Mecânica dos Sólidos (graduação) e Qualidade
em Serviços (pós-graduação); Co-autor das obras:
“Mecânica Geral - Estática” (1984) e “Projetos
Mecânicos das Linhas Aéreas de Transmissão” (1992),
publicadas pela Editora Edgard Blücher Ltda; Autor das obras: “Seu
Filho e a Escola - Você pode Ajudá-lo” (1992) - Editora Padre
Reus, “Mensagens que Agradam o Coração” (2004) - Editora
Vozes, “Administração do Tempo” (2006) - Editora Idéias
& Letras, “Minha Vida de Milagres” (2007) - Editora Santuário;
autor de 100 artigos de gerência geral publicados pela COAD, e 700 artigos
de espiritualidade cristã em diversos jornais e revistas. Doutor em Engenharia
de Produção pela Escola Politécnica da USP - 1998. Atual
Pró-Reitor de Cultura e Extensão Universitária e Coordenador
da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFEI. Profere
palestras/cursos de “Motivação no Trabalho”, “Ajuste
Conjugal”, “Administração do Tempo”, “Liderança”
e “Qualidade em Serviços”. Comprometido com ministérios
de música e obras sociais na Igreja Católica, cursilhista, presidente
da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Sagrado Coração,
Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística.
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ORIENTE-SE
O NATAL CONTINUA – 20 DEZEMBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Recebi centenas de opiniões a respeito do ‘Natal no Campus UNIFEI
2009’ em sua 5ª edição. Graças a Deus, correu
tudo bem e o resultado foi maravilhoso, muito abençoado, mas, mesmo assim,
não agradamos a todos. Quando lidamos com muita gente e precisamos ter
critérios bem definidos na organização, alguns se chateiam
com detalhes que não pensamos ou não pudemos cuidar.
O trabalho para realizar sete shows e um almoço para centenas de pessoas,
recebendo mais de 20 mil visitantes numa semana é monstruoso. Soma-se
a isso a necessidade de manter o Campus aceso todas as noites e executar o trabalho
de rotina na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão. Já sabíamos
que o cansaço viria e não nos deixamos abater pelas dificuldades,
afinal, a cidade de Itajubá-MG precisava continuar festejando o aniversário
de Jesus Cristo na sua Universidade Federal.
Aprendi que calar sobre sua própria pessoa é humildade, calar
sobre os defeitos dos outros é caridade, calar quando a gente está
sofrendo é heroísmo, mas calar diante do sofrimento alheio se
torna covardia. Calar diante da injustiça é fraqueza, calar quando
o outro espera uma palavra é omissão, mas calar e não falar
palavras inúteis é penitência.
Calar quando não há necessidade de falar é prudência,
calar quando Deus nos fala é silêncio, e calar diante do mistério
que não entendemos é sabedoria. Quando na escuridão da
noite chamamos pelo Senhor e não O encontramos é porque não
O procuramos em nossos corações. Ele jamais abandona seus filhos
e não me abandonou durante meses de trabalho no Natal no Campus.
Aprendi também o valor de algumas amizades. Não falo somente do
meu fiel amigo na coordenação dos eventos, Amaury Vieira, mas
de muitas outras pessoas. Tentarei explicar meu sentimento de gratidão
nesta história contada por um advogado:
“Um dia me fizeram uma pergunta: ‘O que você já fez
de mais importante na sua vida?’ A resposta surgiu das profundezas das
minhas recordações, assim:
O mais importante que já fiz na vida ocorreu em 8 de outubro de 1990.
Comecei o dia jogando golfe com um amigo e, entre uma jogada e outra, ele me
contou que sua esposa acabava de ter um bebê.
Logo mais chegou o pai dele e, consternado, lhe disse que seu bebê foi
levado para o hospital com urgência. No mesmo instante, meu amigo subiu
no carro do pai e se foi. Por um momento fiquei parado, mas logo tratei de pensar
no que deveria fazer.
Seguir meu amigo ao hospital? Minha presença não serviria de nada,
pois a criança certamente estava sob cuidados médicos. Oferecer
meu apoio moral? Talvez, mas, sem dúvida, estariam rodeados de amigos
que lhes ofereceriam apoio e conforto necessários. A única coisa
que eu faria indo até lá seria atrapalhar, pensei.
Decidi ir para casa, mas quando fui dar a partida no carro, percebi que o meu
amigo havia deixado o seu carro aberto e com as chaves na ignição.
Resolvi, então, fechá-lo e ir até o hospital entregar-lhe
as chaves.
Como imaginei, a sala de espera estava repleta de familiares. Entrei sem fazer
ruído e fiquei junto à porta pensando o que deveria fazer. Surgiu
um médico que se aproximou do casal e, em voz baixa, comunicou o falecimento
do bebê.
Durante os instantes seguintes, todos ficaram naquele silêncio de dor.
Ao me ver ali, aquela mãe me abraçou e começou a chorar.
Também meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: ‘Muito
obrigado, querido companheiro, por estar aqui’.
Passei o resto da manhã sentado na sala do hospital, vendo meu amigo
e sua esposa segurar nos braços o bebê, despedindo-se dele. Isso
foi a coisa mais importante que já fiz na vida, sem precisar dizer uma
só palavra! E aquela experiência me deixou duas lições:
Primeira: a coisa mais importante que fiz ocorreu quando não havia absolutamente
nada que eu pudesse fazer. Nada daquilo que aprendi na universidade, nem nos
anos em que exerci a minha profissão, nem todo o racional que utilizei
para analisar a situação e decidir o que deveria fazer me serviu
para aquela circunstância. A única coisa que eu poderia ter feito
era estar lá.
Segunda: aprendi que a vida pode mudar num instante. Fazemos nossos planos e
imaginamos nosso futuro tão real como se não houvesse espaços
para outras ocorrências. Ao acordarmos de manhã, esquecemos que
perder o emprego, sofrer uma doença, cruzar com um motorista embriagado
e outras mil coisas podem alterar esse futuro num piscar de olhos.”
Pois é, minha gente, para alguns é necessário viver uma
tragédia para recolocar as coisas em ordem. No Natal no Campus, busquei
um equilíbrio entre o trabalho e a minha vida. Aprendi que nenhum emprego,
por mais gratificante que seja, compensa perder amigos. Também aprendi
que o mais importante da vida não é ascender socialmente, nem
receber honras, mas caminhar com Deus no coração. A todos que
participaram, obrigado por estarem ao meu lado.
E quem viu o almoço solidário na UNIFEI, dia 20, sabe que Natal
é todo dia! Na semana que vem comentarei mais sobre essa grande partilha.
DO OURO AO LIXO - 13 DEZEMBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
“Conta-se que um jovem rico se acidentou de carro, longe de casa. Um
fazendeiro ouviu os gritos do moço e foi socorrê-lo; mas, espantou-se
ao vê-lo no alto do penhasco, olhando para baixo e gritando:
- Minha BMW! Perdi minha BMW!
Percebendo que a mão esquerda do rapaz estava dilacerada, o fazendeiro
alertou:
- Cara, você está tão desolado pela perda do carro que nem
reparou no ferimento da sua mão! Olha o estrago que o acidente lhe causou!
Ao ver a mão ensanguentada, o jovem novamente pôs-se a gritar:
- Meu Rolex! Perdi meu relógio Rolex!”
Isto pode parecer piada; mas, coisas assim acontecem todos os dias. O ser humano
é capaz de se preocupar mais com os bens materiais do que com a própria
alma. Quanta gente pensa que tendo saúde e dinheiro não lhe falta
nada! São pobres de espírito, muito diferentes dos pobres em espírito
que Jesus valorizou.
Amar como Cristo amou parece utopia no mundo atual, onde não existem
‘santos’ como antigamente. E uma vida sem traços de santidade
pode significar a exclusão do Reino do Céu, porque um pouco de
humildade no coração e caridade nas ações são
fundamentais no julgamento final.
Mesmo com defeitos e pecados, devemos servir a Deus com humildade e responsabilidade.
No meu caso, as recompensas vêm na medida certa: paz, saúde e fé,
além de relativo conforto e boas amizades. Porém, não posso
descuidar da alma; se não estiver bem alimentada com oração,
as diferentes tentações do mundo começam a me assombrar.
Tudo fica mais fácil com a recitação do Terço, a
reflexão da Palavra, a participação nos Sacramentos e a
adoração ao Santíssimo. Quem não cuida da alma,
padece nas provações.
E na sobrevivência do corpo, enquanto uns se apegam ao ouro, outros correm
atrás do lixo - já virou emprego de carteira assinada catar resíduos
sólidos para viver! Com a experiência que adquirimos trabalhando
na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFEI - Intecoop
-, fomos a Pouso Alegre (MG) na semana passada para uma reunião na Prefeitura.
Graças a Deus, o imundo lixão estará parcialmente resolvido
em noventa dias, mesmo sabendo que outros problemas sociais surgirão.
Peço a Deus que esta passagem bíblica toque em muitos corações
dourados, insensíveis às aflições de seus vizinhos
do lixo: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu
hei de aliviar-vos. Tomai sobre sós o meu jugo e aprendei de mim, porque
sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o
vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é
leve” (Mt 11, 28-30).
Mas, também há muita gente boa no mundo. Eis o artigo de um juiz,
livre-docente da Universidade Federal do Espírito Santo, que causou emoção
nas pessoas:
“Indaga-me se as sentenças podem ter alma e paixão. Como
devolver, por exemplo, a liberdade a uma mulher grávida, presa porque
trazia consigo algumas gramas de maconha, sem penetrar na sua sensibilidade,
na sua condição de pessoa humana? Foi o que tentei fazer ao libertar
Edna, uma pobre mulher que estava presa há oito meses, prestes a dar
à luz, com o despacho que a seguir transcrevo:
‘A acusada é multiplicadamente marginalizada: por ser mulher, numa
sociedade machista; por ser pobre, cujo latifúndio são os sete
palmos de terra dos versos imortais do poeta; por ser prostituta, desconsiderada
pelos homens, mas amada por um Nazareno que certa vez passou por este mundo;
por não ter saúde; por estar grávida, santificada pelo
feto que tem dentro de si. Mulher diante da qual este juiz deveria se ajoelhar
numa homenagem à maternidade; porém, que na nossa estrutura social,
em vez de estar recebendo cuidados pré-natais, espera pelo filho na cadeia.
É uma dupla liberdade a que concedo neste despacho: Liberdade para Edna
e liberdade para o filho que, se do ventre da mãe puder ouvir o som da
palavra humana, sinta o calor e o amor da palavra que lhe dirijo, para que venha
a este mundo com forças para lutar, sofrer e sobreviver. Quando tanta
gente foge da maternidade, quando pílulas anticoncepcionais pagas por
instituições estrangeiras são distribuídas de graça
e sem qualquer critério ao povo brasileiro, quando milhares de brasileiras,
mesmo jovens e sem discernimento são esterilizadas, quando se deve afirmar
ao mundo que os seres têm direito à vida, que é preciso
distribuir melhor os bens da terra e não reduzir os comensais, quando
por motivo de conforto ou até mesmo por motivos fúteis mulheres
se privam de gerar, Edna engrandece hoje este Fórum com o feto que traz
dentro de si. Este juiz renegaria todo o seu credo, rasgaria todos os seus princípios,
trairia a memória de sua mãe se permitisse sair Edna deste Fórum
sob prisão. Saia livre, saia abençoada por Deus. Saia com seu
filho, traga seu filho à luz, porque cada choro de uma criança
que nasce é a esperança de um mundo novo, mais fraterno, mais
puro e algum dia cristão. Expeça-se incontinenti o Alvará
de Soltura’.”
CARTAS DE SINCERIDADE - 6 DEZEMBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Fim de ano: dias de reflexão, oração e confraternização.
É hora de deixar para trás os ressentimentos e dar abertura ao
amor, pois o aniversário de Jesus Cristo precisa ser comemorado com alegria,
sem preconceitos, unindo as intenções de paz de todos os irmãos.
E foi mais ou menos pensando assim que o Claudemir, coordenador do maravilhoso
19º Cursilho Masculino de Itajubá-MG, realizado há 15 dias,
criou esta linda prece:
“JESUS...
Que eu seja a fé quando o outro precisar de valores; que eu seja o exemplo
quando o outro precisar de espelho; que eu seja a rocha quando o outro precisar
se sentir seguro; que eu seja o amor quando o outro estiver carente de Deus;
que eu seja a caridade quando o outro precisar de uma mão amiga; que
eu seja a solidariedade quando o outro precisar de ajuda; que eu seja o Evangelho
para ser lido sem precisar de alfabeto.
Que eu seja a prece diante do mundo dilacerado por valores materiais; que eu
seja o retrato de Deus para quem sente saudade d’Ele; que eu seja a água
viva quando o outro estiver sedento; que eu seja o pão quando o outro
tiver fome de Deus; que eu seja a resposta para as perguntas não respondidas
sobre Deus; que eu seja a certeza diante dos incertos caminhos humanos; que
eu seja a luz quando o outro não souber o caminho de retorno.
Que eu seja a seta que aponte Jesus quando o outro estiver sem direção;
que eu seja seus passos quando o outro precisar de companhia na estrada de Emaús;
que eu seja suas mãos quando o outro precisar de um afago; que eu seja
seus olhos quando o outro precisar de um olhar de compreensão; que eu
seja sua boca quando o outro precisar de uma palavra de conselho.
E quando eu viver um momento feliz, que eu louve a Deus; quando eu tiver um
momento difícil, que eu busque a Deus; quando eu passar por um momento
doloroso, que eu confie em Deus; quando eu mergulhar no silêncio, que
eu adore a Deus; quando eu tiver dúvida, que eu me certifique em Deus
- como tens me ensinado. Se mesmo assim eu vacilar, que eu procure aconchego
no colo de nossa Mãe. Assim seja!”
Esta oração merece ser rezada a cada dia também em 2010,
porque são palavras de sabedoria e muita espiritualidade. Quem a fizer
com sinceridade será ouvido nos Céus, com certeza. E pensando
em sinceridade, eis a carta que um marido encaminhou à sua esposa em
férias:
“Querida, está tudo em ordem durante sua ausência. Aquela
senhora que você contratou para cuidar da casa durante sua viagem ficou
doente e não pode vir, mas continuo me virando bem. Estou preparando
meu próprio jantar, só não estou limpando a casa nem lavando
a roupa suja.
Ontem fiz batata frita. Era preciso descascar a batata? A panela de pressão
ficou bem suja, aí a deixei de molho no sabão em pó com
um pouco de gasolina. Ontem também tive um contratempo cozinhando ervilhas.
Coloquei a lata no micro-ondas e explodiu. Acho que tinha que abrir a lata,
né? Mas hoje vou fazer macarrão, que é bem mais fácil.
Até já deixei de molho na água fria pra cozinhar mais rápido.
Aconteceu com você de a louça suja criar mofo? Como é possível
isso acontecer em tão pouco tempo? No domingo, eu emporcalhei o tapete
persa com molho de tomate e mostarda do cachorro quente. Você sempre me
dizia que mancha de molho de tomate não sai! Então, passei um
pouco daquela gasolina que tirei do carro e a mancha saiu. Ficou meio branco
no lugar, mas arrastei o sofá em cima e nem dá pra perceber. Até
você voltar, o cheiro deverá desaparecer.
Ah, a geladeira estava criando muito gelo e tive que descongelar. O gelo sai
fácil se raspar com uma espátula de pedreiro. Foi fácil
e rápido, agora a geladeira está gelando bem pouco, acho que vai
demorar bastante pra juntar gelo de novo. E sei que está pensando nas
suas plantas, mas eu as estou molhando direitinho. Até fervi a água
ontem, pois estava muito frio e achei que não ia fazer bem molhar as
folhas com água fria. Beijos mil do seu querido Afonso.
Outra coisa que quase esqueci: sua mãe deu uma passada aqui pra ver como
estavam as coisas. Ela entrou, começou a gritar e sofreu um infarto.
O velório foi ontem à tarde, mas preferi não contar pra
não aborrecer você à toa. Volte logo, estou com saudades.”
Mas o meu amigo Geraldo, que tem ‘decolores’ escrito na testa, não
fez piada quando me encaminhou esta próxima mensagem. Envie uma carta
como esta aos seus amigos também:
Que o Menino Jesus: faça nascer novamente no coração de
cada um de nós a inocência para sabermos ser transparentes, o carinho
para cativarmos novos amigos, a gratidão para valorizarmos a vida em
plenitude, o perdão para reconciliarmo-nos no amor, a compreensão
para sabermos perdoar, o encantamento para apaixonarmo-nos pela busca de felicidade,
a sabedoria para respeitarmos os pontos de vista do outro, a solidariedade para
aprendermos juntos a construir caminhos, a fé para acreditarmos também
no outro, a paz para ajudarmos a construir sempre, a coragem para sabermos retomar
nossos sonhos, a vontade de amar para sermos felizes.
Que o Menino Jesus se sinta acolhido em seu coração e que você
(leitor) tenha um feliz Natal e um santo Ano Novo! Que todos os seus sonhos
se realizem, com Deus iluminando seu coração.
NATAL NO CAMPUS 2009 - 29 NOVEMBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Por amor a esse nosso Deus único e todo poderoso preparamos as festividades
deste final de ano. Muito trabalho, problemas, grandes dificuldades, pouco dinheiro
no início, reuniões, viagens, cansaço, mas tudo abençoado
pelo Céu.
Mesmo não perdendo a esperança na providência Divina, cheguei
a ficar preocupado com coisas que não davam certo: lâmpadas faltando
no mercado, pessoas que demoravam a dar retorno de patrocínios, transporte
e hotel para tanta gente, contratos complicados, muitas exigências de
artistas etc. Mas, graças às orações e uma equipe
comprometida, hoje, dia 5, acenderemos as luzes do Campus e inauguraremos o
Festival de Presépios e Mesas Natalinas.
Porém, devido a alguns patrocínios serem confirmados há
pouco tempo, não foi possível comprar todo o material de iluminação
com antecedência e, contra a nossa vontade, os enfeites serão incluídos
dia-a-dia até o Natal. Por um lado, isso motiva as pessoas a visitarem
o local mais vezes, esperando ver algo novo.
Como já estamos na 5ª edição, nos anos anteriores
também foi mais ou menos assim. Quem visita talvez não perceba
locais apagados, mas nós da organização nos esforçamos
para consertar rapidamente as falhas, torcendo para aquele que passou ali retorne
e presencie mais luzes acesas. São tantas árvores, postes e prédios
que, sabemos, nem tudo funciona o tempo todo simultaneamente.
Mas domingo, dia 6, após a missa na Matriz Nossa Senhora da Soledade,
esperamos iluminar completamente o prédio central da UNIFEI enquanto
os corais infantis se apresentam. Em seguida, divulgaremos os resultados dos
vencedores dos concursos: ‘Cartões de Natal’ e ‘Mensagens
Natalinas’.
Ingressos para os quatro primeiros shows - Moacyr Franco, Armatrux, Dunga e
Sérgio Rabello - poderão ser retirados gratuitamente neste dia,
no encerramento das apresentações. Não deixe de pegar o
seu para assistir os eventos com conforto e tranquilidade no Castelo de Cristal.
Quatro mil ingressos por show parece muito, mas para alguns espetáculos
se esgotam rapidamente.
Para as outras três atrações, trocaremos ingressos por alimentos
e brinquedos. Os pontos de troca serão na ‘Habib Calçados’
e na ‘Livraria e Papelaria Lápis de Cor’ - leia as informações
neste jornal. Peço que você, leitor, nos ajude na divulgação
dos eventos e respeito às regras. Se for doar um quilo de alimento, capriche
na caridade e pense que a sua contribuição será parte do
almoço solidário para 1.000 pessoas carentes no dia 20. Da mesma
forma, se for levar um brinquedo, escolha com carinho algo que fará uma
criança feliz no Natal. Refrigerantes e bonecas são muito necessários
e pouco lembrados.
Bem, e por que escolhemos os últimos três shows para trocar ingressos
por algum produto? Primeiro, porque sendo os últimos haverá mais
tempo para a troca; segundo, porque a procura por ingressos será muito
concorrida e não podemos desperdiçar; terceiro, por experiência
vivida nos anos anteriores: espetáculo de mágica, show para a
juventude e concerto de Natal com orquestra sinfônica, vai muita gente!
É oportuno esclarecer que mesmo esses ingressos são gratuitos;
pedimos apenas uma pequena colaboração.
Com diz o professor Renato Nunes, nosso reitor: “Proporcionalmente ao
tamanho da universidade, nenhuma outra promove uma Festa de Natal como a nossa
sem cobrar nada!”. Eu completaria, dizendo: “Jesus Cristo também
nunca cobrou e continua não cobrando”. Ele nos dá total
liberdade de escolha para caminhar nas trilhas do amor ou aceitar o pecado.
As graças que receberemos em vida e a salvação eterna são
resultados disso.
Então, vamos à Festa! Valorize cada momento que estiver conosco,
agradeça a Deus por participar de mais um aniversário de Jesus
Cristo, contribua na confraternização das pessoas com fé
no coração e sinta-se nosso convidado de honra. Sua felicidade
e muita paz é o que mais desejamos.
Moacyr Franco abrirá os shows com músicas belíssimas e
quadros de humor; o Grupo Armatrux se apresentará com uma banda de bonecos
para a criançada; o Dunga fará um show musical com transmissão
ao vivo pela TV Canção Nova; Sérgio Rabello, um dos maiores
humoristas do Brasil, só contará piadas sem palavrões;
Adriana Calcanhoto é artista internacional e voltou brevemente de apresentações
em Londres e Canadá; os Magos são da equipe do maior ilusionista
da América Latina, Issao Imamura; nossos talentos da cidade mostrarão
toda a qualidade artística de Itajubá; os corais adultos confirmarão
a competência mineira nesse segmento; e, fechando, a Sinfônica da
Unicamp encerrará a programação com chave de ouro.
Tudo é graça! E se é graça, é de graça.
Que Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima abençoem os nossos
patrocinadores e todos os apoiadores. Eu sou privilegiado de estar na coordenação,
mas o Maestro Amaury Vieira e tantos outros trabalharam incansavelmente.
Deus seja louvado!
UNIDOS PARA SEMPRE - 22 novembro 2009
Paulo Roberto Labegalini
No final de semana passado, eu voltava de Itabira e deixei de participar de
dois casamentos no sábado. Durante a viagem, tive vontade de escrever
sobre essa vocação maravilhosa que Deus nos deu e, procurando
nos e-mails que recebo, achei o texto de Dom José Alberto Moura, Arcebispo
de Montes Claros (MG):
“Vivemos num contexto social de muitas ‘éticas’ até
confrontantes. As desculpas para não se seguir valores inerentes à
natureza e as verdades objetivas são muitas. A título de se ser
moderno ou não retrógrado passa-se, não raro, por cima
da verdade e do direito em função do modismo ou da satisfação
pessoal.
Na trilha e na busca de sentido para a convivência matrimonial, pode haver
ledo engano de realização humana quando homem e mulher não
se unirem em vista de uma real vocação conjugal. O impulso para
o casamento, baseado unicamente no sensorial ou no desejo de os dois se gratificarem
na complementaridade afetiva e sexual, frequentemente pode ser rompido com algum
desequilíbrio de doação de um pelo outro.
Havendo, porém, em ambos, a consciência e o pacto de mútua
ajuda para conseguirem um ideal de vida por motivo de um sentido de vida maior,
dá-se base de fecundidade na vocação matrimonial. Para
isso, é preciso orientação e formação para
o valor do casamento como verdadeira vocação. Preparação
para tanto é fundamental.
Caso contrário, viveremos cada vez mais a panacéia de uniões
que não levam à realização das pessoas que se casam,
com as consequências muitas vezes danosas para tantos filhos! Não
à toa Jesus Cristo fala da união para sempre do casamento entre
homem e mulher, para a busca da felicidade, que está num ideal de vida
buscado perenemente. A bênção divina está no bojo
de tal encaminhamento. Mas é preciso, nessa direção, haver
preparação, vontade e responsabilidade de construção
da vida a dois para valer.
Nada, assim, vai tirar o casal do sério de uma vida de amor e doação
autênticos. Meios coadjuvantes para isso encontramos na ordem natural
e sobrenatural: diálogo, compreensão, boa vontade, colaboração,
valorização do outro, perdão, oração, meditação
na Palavra de Deus, sacramentos, aceitação das observações
do outro, aconselhamento...
Muitos são os obstáculos para que o amor matrimonial corra nessa
perspectiva. A influência do paganismo, da mediocridade, a falta de formação
e influência de grandes meios de comunicação materialistas
dificultam a juventude a se pautar na vida por valores acima apresentados. Aliás,
na sociedade vemos duas vocações de fundamental importância:
a família e a política. Justamente para as duas há muita
falta de preparo. As consequências são óbvias!
A Palavra de Deus nos auxilia a valorizarmos a vocação matrimonial:
‘Maridos, amai as vossas mulheres como o Cristo amou a Igreja e se entregou
por Ela... Assim é que o marido deve amar a sua mulher, como ao seu próprio
corpo... Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá
à sua mulher e os dois serão uma só carne’ (Ef 5,
25.28.31).”
São palavras de muita sabedoria, principalmente quando o Arcebispo se
refere à ‘aceitação das observações
do outro’; sem isso, o casamento estremece. Sabemos que homem e mulher
perfeitos não existem, muito menos sonhos para uma vida sem problemas.
Veja esta história:
“Um homem entra num restaurante com uma avestruz atrás dele. A
garçonete pergunta o que querem, e o homem pede: ‘Um hamburguer,
batatas fritas e uma coca para mim e o mesmo para ele’. Depois, a garçonete
traz a conta no valor de R$ 32,45. O homem coloca a mão no bolso e tira
o valor exato para pagar.
No dia seguinte, eles retornam ao local e o homem diz: ‘Um hamburguer,
batatas fritas e um suco de laranja para mim e o mesmo para o avestruz’.
Depois, de novo, o homem coloca a mão no bolso e tira o valor exato para
pagar a conta: R$ 34,80.
Isto se torna uma rotina até que, um dia, a garçonete pergunta:
- Vão pedir o mesmo?
- Não, hoje vamos querer um filé à francesa com salada
- diz o homem.
Após trazer o pedido para ambos, a garçonete diz:
- Ficou em R$ 87,60.
O homem coloca a mão no bolso e novamente tira o valor exato para pagar,
colocando o dinheiro em cima da mesa. A garçonete não controla
sua curiosidade e pergunta:
- Desculpe, senhor, mas como faz para ter sempre o valor exato a ser pago?
- Há alguns anos eu achei uma lâmpada velha e, quando a esfregava
para limpar, apareceu um gênio e me ofereceu dois desejos. Meu primeiro
desejo foi que eu tivesse sempre no bolso o dinheiro que precisasse para pagar
o que eu quisesse.
- Que idéia brilhante! - falou a garçonete. - A maioria das pessoas
deseja ter um grande valor em mãos ou algo assim, mas o senhor só
será rico enquanto viver!
- É verdade, tanto faz se eu for pagar um litro de leite ou uma Mercedes,
tenho sempre o valor necessário no bolso - respondeu o homem.
E a garçonete perguntou:
- Agora, o senhor pode me explicar a companhia do avestruz?
- Meu segundo desejo foi ter uma companheira com quadril grande, pernas longas
e que sempre concordasse comigo em tudo...”
COMO USAR O TEMPO - 15 Novembro 2009
Paulo Roberto Labegalini
Administrar o tempo é uma arte. Muitos acham que conseguem fazê-lo
bem com disciplina rígida no comportamento pessoal; outros procuram se
organizar no tempo com moderação nas mudanças de hábitos.
Respeito o estilo de cada um, mas como estudo o assunto há anos e também
ganhei experiência nos contatos profissionais que mantive em cursos e
palestras, hoje ensino que alguns passos são essenciais à pessoa
que procura melhorar a sua produtividade profissional:
1. ter um objetivo desafiador, mas alcançável;
2. elaborar uma lista de tarefas a realizar;
3. estabelecer ordens de importância e urgência para as tarefas,
de acordo com o objetivo proposto;
4. fazer um planejamento diário de atividades, priorizando tempo para
as tarefas importantes; e
5. minimizar os desperdiçadores de tempo no trabalho, para tentar cumprir
o planejamento.
E se, com o tempo, isso tudo funcionar com naturalidade, certamente existirá
uma parcela de ‘tempo ganho’ pelo profissional que conseguiu melhorar
a autodisciplina e organização pessoal. O que fazer com esse tempo?
Nos cursos, ao fazer esta pergunta, cheguei a ouvir de tudo um pouco, menos
‘rezar’. Por que será? Seria medo de passar vergonha ao professar
a fé em público? Acho pouco provável essa hipótese
e acredito ser falta de prioridade à oração.
São Vicente de Paulo rezava sete horas por dia! Dizia que só assim
seria possível praticar obras de caridade em nome de Deus. Quanto mais
rezava, mais caridade praticava, iluminado pelo Espírito Santo. Valeu
a pena priorizar dessa maneira o tempo, não? Hoje, ele também
é santo e intercede pelas nossas ações.
Ação e oração, oração e ação,
não importa a ordem. O importante é sabermos administrar o tempo
e deixarmos uma parcela maior desse precioso recurso para evangelizar. Evangelizar
orando! Evangelizar testemunhando o amor de Jesus e de Maria por nós!
Evangelizar participando dos trabalhos na comunidade! Evangelizar dando as mãos
ao irmão carente! Mas, antes de evangelizar, a participação
na Eucaristia não pode faltar.
O Pe. Robert Degrandis, no livro ‘A Cura pela Missa’, diz que “o
centro da fé católica é o sacrifício da missa. Devemos
acreditar que a missa é muito mais do que até hoje imaginamos,
porque ela é uma cerimônia de cura. Na missa, Cristo transforma
as nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais. Se realmente
cremos em Jesus presente na hóstia consagrada, obteremos a integridade
ao receber seu corpo em nós”.
Muitos outros religiosos enfatizam que as partes da santa missa constituem elementos
de uma cerimônia de cura. Santo Agostinho, por exemplo, escreveu sobre
as curas que testemunhou em sua Igreja, como resultado de as pessoas receberem
a Eucaristia.
É maravilhoso ir à casa de Deus e participar da celebração
do grande mistério da vida, da morte e da ressurreição
de Nosso Senhor Jesus Cristo. A nossa fé, a nossa oração
e o nosso louvor a Deus nos colocam em estado de graça durante a missa.
E no decorrer da missa, somos perdoados pela Misericórdia Divina no ato
penitencial, louvamos a Trindade Santa no hino de louvor, ouvimos a Palavra
de Deus na proclamação do Evangelho, professamos a nossa fé
no creio, fazemos os nossos pedidos na oração da comunidade, oferecemos
as nossas vidas ao Senhor no ofertório, adoramos a Deus no Santo, presenciamos
a transformação do pão e do vinho em corpo e sangue de
Jesus na consagração, recitamos a oração perfeita
que o próprio Jesus nos ensinou no Pai-Nosso e, após o Cordeiro,
chegamos à comunhão.
Ao recebermos o corpo santo de Cristo, vivenciamos o imenso amor e a infinita
misericórdia de Deus para conosco ao permitir que, mesmo pecadores, tenhamos
a graça de receber a própria pessoa que cura - Jesus, o centro
da missa. Principalmente por isso, após a comunhão, devemos rezar
ou cantar, dando graças por estarmos sendo abençoados naquele
momento.
Se não bastassem todas essas maravilhas na missa, sabemos ainda que a
Virgem Maria também está nos ouvindo como verdadeira mãe,
e intercede por nós. Por isso é que, no ministério de música,
cantamos quase o tempo todo, explodindo de alegria por sermos católicos.
Domingo próximo, dia 22 de novembro de 2009, às 19 horas, a nossa
Comunidade irá participar da novena em louvor a Nossa Senhora das Graças,
no bairro do Cruzeiro. Jesus, por intermédio de Maria, nos enviará
mais curas! Estou ansioso para chegar logo o momento de entrarmos naquela igreja
tão linda e tão bem cuidada.
E após o encerramento da missa, quando eu estiver voltando para casa,
quero estar rezando: “Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo por atender
prontamente o sacerdote, após a bênção final, que
nos enviou dizendo: Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe”.
Confio que Deus sempre estará me acompanhando e colocando paz em meu
coração.
DEUS ESTÁ NO COMANDO - 8 NOVEMBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
O velho mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de
sal num copo d’água, bebesse, e perguntou qual era o gosto.
- Ruim - disse o aprendiz.
O velho sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão de sal e levasse
a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o sal foi jogado no lago.
Então, o mestre falou:
- Beba um pouco dessa água e diga se está ruim.
- Não - disse o jovem.
- Pois é, acredito que a dor na vida de uma pessoa não muda, mas
o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, meu
jovem, a única coisa que deve fazer é aumentar o sentido de tudo
o que está à sua volta. É dar mais valor ao que você
tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: é deixar de
ser ‘copo’ para tornar-se ‘lago’.
Esta história é um preâmbulo para eu comentar algumas provações
da vida. Nem sempre é fácil suportá-las; mas, crer que
Deus está no comando e tem um maravilhoso plano para a nossa vida faz
a caminhada valer à pena. É mais ou menos isto que o iluminado
Pe. Fábio de Melo diz neste texto:
“Eu acho que a gente vive tão mal que às vezes precisa perder
as pessoas para descobrir o valor que elas têm, e isso aconteceu uma vez
na minha vida. Estava eu na minha casa, de manhã, quando recebi um telefonema
dizendo que minha irmã estava morta. Minha irmã mais nova, cheia
de vida, de repente não existe mais.
Fico pensando que às vezes, na vida, o ensinamento mais doído
é esse: quando já não temos mais a oportunidade de fazer
alguma coisa. O inferno talvez seja isso: a impossibilidade de mudar alguma
situação. E quando as pessoas morrem, já não há
mais o que dizer, porque mortos não podem perdoar, mortos não
podem sorrir, não podem amar, nem tão pouco ouvir de nós
que os amamos.
Eu me lembro que uma semana antes de minha irmã morrer, ela havia me
ligado. Foi a última vez que falei com ela, e eu me recordo que naquele
dia eu estava apressado, com muita coisa pra fazer e desliguei o telefone rápido.
Se eu soubesse que aquela seria a última oportunidade de falar com ela,
eu certamente teria esquecido toda a pressa, porque quando você sabe que
é a última oportunidade, você não tem pressa pra
mais nada. Já não há mais o que fazer, e essa é
a beleza da última ceia de Jesus!
Não há pressa, o momento é feito para celebrar a mística
da última ceia e Jesus reúne aqueles que pra Ele tinham um valor
especial, inclusive o traidor estava lá. Eu descobri com isso, com a
morte da minha irmã, que eu não tenho o direito de esperar amanhã
para dizer que amo, para perdoar, para abraçar, dizer que é importante,
que é especial.
O amanhã eu não sei se existe, mas o agora eu vejo que existe,
e às vezes, na vida, nos perdemos. Eu me lembro quantas vezes na minha
vida de irmão com ela nós passávamos uma semana sem nos
falarmos, porque houve uma briga, uma confusão. A gente se dava ao luxo
de passar uma semana sem se falar, e hoje eu não tenho mais nem cinco
minutos para conversar com alguém que foi importante, que foi parte de
mim.
Não espere as pessoas irem embora, não espere o definitivo bater
na sua porta. Nós não conhecemos a vida e não sabemos o
que virá amanhã. Viva como se fosse o último dia da sua
história. Se hoje você tivesse que realizar a sua última
ceia porque é conhecedor que hoje é o último dia de sua
vida, certamente você não teria pressa. Você celebraria até
o fim e gostaria de ficar ao lado de quem você ama.
E depois que minha irmã morreu, eu descobri porque eu gostava tanto dessa
música que vou cantar agora. Ela não fala de um amor que foi embora;
o compositor fez para a filha que morreu em um acidente. Então, fica
muito mais especial cantá-la e descobrir o cristianismo que está
no meio das palavras, porque é assim: quando o outro vai embora é
que a gente descobre o tamanho do espaço que ele ocupava. Ouçam
a música gravada por Tim Maia:
‘Não sei por que você se foi, quantas saudades eu senti,
e de tristezas vou viver, e aquele adeus não pude dar... Você marcou
a minha vida, viveu, morreu na minha história; chego a ter medo do futuro
e da solidão que em minha porta bate... E eu, gostava tanto de você!
Gostava tanto de você!’
Agora, o triste da música é que a gente precisa conjugar o verbo
no passado, a pessoa já morreu, já não há mais o
que fazer. Mas, não tem nenhum sofrimento nessa vida que passe por nós
sem deixar nenhum ensinamento. Tem que nos ensinar... Não dá pra
sofrer em vão... Alguma coisa a gente tem que extrair... Então,
extraia o sofrimento e descubra o ensinamento.
Depois da morte da minha irmã, eu faço questão de viver
a vida como se fosse o último dia. Já que o passado é coisa
do inferno e a gente não está no passado, muito menos no inferno,
esta é a possibilidade de mudar o verbo, de trazê-lo para o presente
e de cantá-lo olhando para as pessoas que são especiais.
Se você tem algum amigo que mereça ouvir isso de você, alguém
que faz diferença na sua história, ao invés de você
dizer que gostava, diga que gosta. Vamos mudar o verbo! Vamos amar a vida! Vamos
amar as pessoas antes que elas vão embora!”
AMOR ETERNO - 1 Novembro 2009
Paulo Roberto Labegalini
“Um menino tinha uma cicatriz estranha no rosto. Os alunos de seu colégio
não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado; na realidade, quando
os colegas o viam, franziam a testa devido a marca ser muito feia.
Então, a turma se reuniu com o professor e sugeriu que aquele menino
da cicatriz não freqüentasse mais as aulas. O mestre levou o caso
à diretora e ouviu que não poderiam expulsá-lo, mas conversariam
com o menino para que, a partir daquela data, ele fosse o último a entrar
na sala e o primeiro a sair. Dessa forma, nenhum jovenzinho veria o seu rosto
a não ser que olhasse para trás.
Sabendo da decisão, o menino prontamente aceitou a imposição
do colégio, com uma condição: que ele dissesse aos alunos
o porquê daquela cicatriz. Então, no dia seguinte, ele começou
a se explicar:
- Sabe, turma, eu entendo vocês. Na realidade esta cicatriz é muito
feia mesmo, mas eu a adquiri porque minha mãe era muito pobre e, para
ajudar na alimentação de casa, passava roupa para fora quando
eu tinha seis anos de idade.
A turma estava em silencio, atenta a tudo. O menino continuou:
- Além de mim, havia mais três irmãozinhos: um de quatro
anos, outro de dois e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida. Foi
aí que, não sei como, a nossa casa de madeira começou a
pegar fogo. Mamãe correu até o quarto em que estávamos,
pegou meu irmãozinho de dois anos no colo, eu e meu outro irmão
pelas mãos e nos levou para fora. Ela colocou-me sentado no chão
e disse-me para ficar com eles, pois tinha que voltar para buscar minha irmãzinha
que continuava lá dentro da casa em chama.
Nesse momento, até o professor e a diretora sentaram-se para ouvir o
resto da história.
- Só que quando minha mãe tentou entrar na casa - falou o menino
-, as pessoas que lá estavam não deixaram. Eu via minha mãe
gritar: ‘minha filhinha esta lá dentro!’. Foi aí que
decidi... Saí correndo e, quando perceberam, eu já tinha entrado
na casa. Havia muita fumaça e estava muito quente. Eu sabia o quarto
em que ela estava e, quando lá cheguei, ela chorava muito. Nesse momento,
percebi coisas caindo do teto; então me joguei em cima dela para protegê-la
e alguma coisa quente encostou-se em meu rosto.
A turma continuava atenta ao menino; então ele concluiu:
- Vocês podem achar esta cicatriz feia, mas tem alguém lá
em casa que acha linda e, todo dia quando chego, minha irmãzinha a beija
porque sabe que é marca de muito amor.”
Pois é, você que leu essa história deve saber que o mundo
está cheio de cicatrizes. Não falo de cicatriz visível,
mas daquela que não se vê. Palavras ruins e ações
perversas deixam marcas nas pessoas e, às vezes, doem como as chagas
de Jesus Cristo. Ele adquiriu muitas cicatrizes em suas mãos, pés,
corpo e cabeça. Na verdade, as cicatrizes eram nossas, mas Ele pulou
em cima da gente, protegeu-nos e ficou com todas, sem exceção.
Também são marcas de profundo amor.
Eis o que escreveu o meu filho, Alexandre, lá de Ouro Preto esta semana:
- Pai, este é o texto mais bonito que li nos últimos tempos, da
música ‘Graças Pai’ do Pe. Fábio de Melo. Sei
que você conhece, mas lendo com mais atenção, se nota o
quão lindo é:
‘O que me fascina em Jesus não é só a capacidade
de ressuscitar os mortos, de curar os cegos ou os paralíticos; o que
me fascina n’Ele é a sua capacidade e a coragem de dizer que Deus
é Pai, um Pai que tem preferência pelos piores homens e mulheres
deste mundo. Um Pai que ama os que não merecem ser amados, que abraça
os que não merecem ser abraçados e que escolhe os que não
merecem ser escolhidos. Um Pai que quebra as regras ao nos desconcertar com
seu amor tão surpreendente, um Pai que não quer se ocupar com
os erros que você cometeu até o dia de hoje. Porque o amor que
Ele tem por você é um amor cheio de futuro. Ele não está
preso ao seu passado e a Ele não interessa o que você fez ou deixou
de fazer de sua vida. A Ele, o que importa é o que você ainda pode
fazer.’
E por falar naquilo que ainda podemos fazer, lembro o vigor na oração
da Dona Sebastiana, nossa querida agente da Pastoral Familiar na Comunidade
Nossa Senhora do Sagrado Coração. Na missa do dia 17 de outubro,
com 83 anos de idade, ela ouviu o Pe. Maristelo ler este texto que escrevi para
ela:
‘Dona Sebastiana Cândida Pereira é considerada a ‘Mãe
do Seminário’ no Instituto Padre Nicolau, em Itajubá, MG.
Por amor a Deus e à Virgem Maria, há 19 anos ela iniciou sua caminhada
de acolhimento aos seminaristas e caridade com os padres. De cafezinhos a horas
ininterruptas de dedicação, ela serviu voluntariamente sete sacerdotes:
Mário, Tarcísio, Jorge, Cortez, Edvaldo, Joaquim e Maristelo.
A recitação do Terço antes das missas, também por
iniciativa dela, levou muitos fiéis a alcançar graças maravilhosas
de Nossa Senhora do Sagrado Coração. O nome de dona Sebastiana
ficará gravado para sempre no Sagrado Coração de Jesus.’
Essas palavras ao lado de sua foto ficarão em destaque numa das paredes
do noviciado. Que Deus a conserve sempre assim, com amor eterno por cada um
de nós.
O CÉU EM MIM - 25 OUTUBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Cheguei apressado em casa, cheio de papéis nas mãos e preocupações
na mente, entrei no elevador e subi. Do térreo ao 10º andar são
exatamente 42 segundos, que pacientemente experimento várias vezes ao
dia há 20 anos.
Na expectativa de a porta se abrir no tempo previsto, desocupei uma das mãos
para segurar a chave do apartamento e adentrar rapidamente no lar; mas, o elevador
continuou fechado. Achei que houvesse acabado a energia, porém, eu continuava
subindo. Dei uns pulinhos para me certificar do sentido do percurso e tive certeza
que me dirigia para cima.
- Que coisa estranha! - pensei. - Como seria possível o elevador passar
pelo telhado e ascender ao céu? Será que não pertenço
mais a este mundo?
Fiquei apavorado. Por mais que achemos que estamos preparados para a morte,
ninguém espera falecer dentro de um elevador. Comecei a apertar os botões
e a bater na porta, mas nada se alterava, eu continuava subindo. Sem opção,
pus a papelada no chão, limpei o suor do rosto e sentei, esperando o
final do percurso.
Então, com tempo suficiente para ficar à toa, comecei a pensar
no sentido da vida.
- O que fiz com a minha existência? Correspondi à vontade de Deus
nas oportunidades que Ele me deu de fazer o bem? Agradeci o suficiente a Nossa
Senhora por tantas bênçãos que me concedeu? Amei as pessoas
como Jesus me ensinou ou, pelo menos, retribui o carinho que tanta gente demonstrou
por mim?
Surpreendentemente eu não chorava. Mesmo lembrando de minha adorável
família, eu não chorava. Uma profunda paz interior tomou conta
de mim e somente coisas boas vieram à cabeça: missas que cantei,
palestras que ministrei no Cursilho e Ovisa, evangelização nas
rádios e nos jornais, caridade com os vicentinos, trabalhos na Pastoral
Familiar, livros católicos que escrevi, coordenação do
Natal no Campus da UNIFEI, aulas, terços, futebol com os amigos, vida
em família...
Ah, de repente, todas as lembranças antigas começaram a se apagar
e somente as coisas mais recentes eu podia recordar. Lembrei de dois artigos
que tive muito prazer em escrever no mês passado: ‘A Ponte da Misericórdia’
- reflexão sobre o pecado. Do mesmo tema falou o Pe. Edvaldo na Escola
Vivencial do Cursilho, dia 19 de outubro. As palavras dele foram mais ou menos
assim:
“O pecado é como um obstáculo que nos faz parar e refletir;
e no Evangelho, obstáculo aparece como ‘escândalo’!
Para quem está iniciando na fé, isso pode se tornar um impedimento
definitivo para a caminhada cristã. Por isso, é preciso analisar
com profundidade as consequências de se viver na graça ou viver
negando a proposta divina - desgraça.
Infelizmente, poucos entendem os gestos de amor de Jesus para com os pecadores
e, aqueles que ignoram, deixam de fazer essa belíssima experiência
em sua vida. Seria importante que nossa evangelização enfocasse
o Plano de Deus para cada irmão em Cristo: amar uns aos outros, servindo
com humildade no coração, construindo um mundo mais justo e fraterno.
É um Plano de Amor e Salvação!
No capítulo 30 do Livro do Deuteronômio está escrito: “Eis
que ponho diante de ti o bem e o mal. Escolha o bem e viverás”.
Isso significa abrir mão de alguns interesses pessoais para assumir um
projeto coletivo de felicidade - o que não é fácil! No
sentido figurado, significa ‘rasgar o coração’. Por
exemplo: o jovem rico do Evangelho de Marcos deixou tudo para seguir Jesus?
Confiou na promessa de que não era necessária sua fortuna para
entrar no Céu?”
Como é difícil aconselhar outras pessoas, concorda? Mesmo preso
no elevador, lembrei de um padre que estava procurando a agência de correios
numa cidade do interior e encontrou um menino sentado na sarjeta.
- Meu jovem, pode me explicar onde fica o correio? - falou o sacerdote.
- Ali, depois daquela ponte, seu padre.
- Muito obrigado, mas vejo que você é tão novo e já
está com um cigarro na boca! Eu sou o novo pároco da cidade e
gostaria de lhe ensinar os caminhos de Deus. Vá à igreja e conversaremos.
- Que nada, seu padre. O senhor não sabe nem o caminho do correio e quer
me ensinar o caminho de Deus?
Esbocei um sorriso e logo voltei à realidade do elevador que continuava
subindo ao céu. Ao céu desconhecido ou ao Paraíso? Na dúvida,
comecei a rezar, a pedir perdão dos meus pecados, a rogar pelos nomes
que deixei escritos no oratório de casa, e fui me entregando nos braços
do Pai com cânticos de louvor. Ficava feliz cada vez que pensava no pouco
que fiz pela construção do Reino. Dava vontade de gritar com alegria:
‘Eu não esperei ficar velho e aposentado para servir a Deus!’
Dei razão à Sandra do Ricardo Chiarini, que lá da França
me enviou isto: ‘Não faça da sua vida um rascunho, pois
pode não dar tempo de passar a limpo. Lembre-se que somos o que fazemos,
mas somos, principalmente, o que fazemos para melhorar o que somos. Enfim, é
até melhor estar preparado para dar uma oportunidade e não ter
nenhuma, do que ter uma oportunidade e não estar preparado’.
Êpa, após horas sozinho naquele lugar, o elevador parou e a porta
se abriu. Então eu acordei. Viva, acordei para uma vida nova! Acorde
você também.
TUDO EM FAMÍLIA - 18 outubro 2009
Paulo Roberto Labegalini
Li Cunxin nasceu no ano de 1961 durante o governo chinês de Mao Tsé
Tung, sexto filho de um total de sete. A hora das refeições era
sempre triste, conta ele, porque sua mãe, muitas vezes, não tinha
o que cozinhar. Inhame seco era a base da alimentação na maior
parte do ano. Ocasionalmente, havia pão de milho, farinha na dispensa
e, por isso, guardados para oferecer a visitas importantes.
À hora das refeições, as sete crianças ficavam esperando
que o pai começasse a comer. Almoçavam inhames secos ou cozidos,
dia após dia, mês após mês, ano após ano. Os
pais comiam bem devagar para que sobrasse mais para os filhos.
A mãe dizia aos menores que deixassem a melhor porção para
o pai, pois era ele quem garantia o sustento; mas, o pai sempre arranjava desculpas
e pedia que dessem a melhor parte para a mãe. Não fosse ela, enfatizava,
nada teriam para comer senão ‘vento noroeste’. Uma vez por
mês, após enfrentarem longas filas, podiam comprar um pedaço
de porco gordo.
E Li Cunxin narra em suas memórias que, numa tarde, sua mãe o
mandou comprar carne no açougue da comuna onde moravam. As filas eram
enormes. Ele esperou mais de uma hora e, finalmente, conseguiu comprar um pedaço
pequeno de carne de porco. Saiu a correr e a saltar de felicidade por sua conquista.
Sua mãe cortou a carne em pedaços pequenos, igualmente feliz pela
gordura que iria durar, com certeza, um bom tempo. Naquela noite, quando foi
servida a carne com acelga, todos podiam ver o óleo precioso flutuando
no molho.
Certo dia, um dos meninos encontrou um pedaço de carne de porco em sua
porção. Sem pestanejar, colocou no prato do pai. Este repassou
imediatamente a carne para o prato da mãe. Ela devolveu, dizendo:
- Não seja tolo! Fiz a comida especialmente para você. Precisa
ficar forte para trabalhar!
Próximo ao pai estava o filho mais novo. O pai olhou para ele, chamou-o
pelo nome e disse:
- Deixe-me ver seus dentes.
Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, ele colocou a carne na boca
do filho. O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo longo suspiro
da mãe. Sempre era assim: um raro pedacinho de carne em uma tigela de
vegetais era passado de um para outro. Os olhos famintos pediam mais, mas sempre
faltava. Todos sabiam que era difícil conseguir comida.
Assim era a vida naquela família, onde o pai trabalhava da madrugada
ao entardecer por miserável pagamento mensal e a mãe lavava, limpava,
cozinhava, costurava e, ainda, ia trabalhar no campo para conseguir um pouco
mais de recursos.
Cuidado uns com os outros, é isso que o fato narrado nos ensina. Será
que em nosso lar estamos passando esses valores para nossos filhos? Lendo a
história da miséria vivida por Li Cunxin, podemos pensar que jamais
seremos tão pobres a ponto de disputar um alimento. O importante a ressaltar
é que cultivemos o amor - esse sentimento que se demonstra em pequenos
gestos, em preciosas doações. Pode ser: ofertar uma flor, um favor,
um mimo. Pode, com doçura, se resumir em fitar os olhos do outro e perguntar:
- Você está muito cansado? Como foi o seu dia? Que posso fazer
para você se sentir melhor?
E isto não pode acontecer somente em família, mas também
com pessoas que precisam de nossos cuidados, sejam ricas ou pobres. Você
pensa nisso? Sua consciência está tranquila? Às vezes, meio
por instinto, agimos corretamente sem querer, mas isso não pode acontecer
só esporadicamente. Cristão que honra a condição
de ser filho de Deus precisa ter um comportamento digno com frequência.
Esta historinha mostra que a sorte nem sempre está conosco e, um dia,
a máscara cai:
Os pais levaram o filho de oito anos e a irmãzinha de sete para a igreja.
Eles sentaram na primeira fila para que o filho pudesse apreciar bem a missa,
mas ele adormeceu no meio do sermão. O padre notou e decidiu dar-lhe
um susto. Então, fez uma pergunta direta para ele:
- E você, meu jovem, diga: quem foi que criou o céu e a terra?
A irmã do guri espetou um alfinete na perna do menino, que acordou de
sobressalto e gritou:
- Meu Deus!
- Muito bem, meu filho - disse o padre.
O pessoal que estava por perto olhou para o menino, mas daí a pouco ele
voltou a dormir e o padre viu que precisava acordá-lo outra vez. Então
perguntou:
- Responda-me agora, quem foi o filho de Maria e José?
A menina voltou a enfiar um alfinete no menino, que disse alto:
- Jesus!
O padre percebeu o que aconteceu, mas não podia dizer nada. O povo prestou
ainda mais atenção no menino que deu a resposta correta, mas logo
depois ele cochilou novamente e o padre questionou:
- O que disse Pedro para Jesus quando andava sobre as águas e começou
a afundar?
Assim que a irmãzinha deu-lhe outra alfinetada, o menino berrou:
- Se você fizer isso comigo de novo eu lhe arrebento a cara!
PROMESSAS QUE SE CUMPREM - 11 OUTUBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Um rapaz de vassoura na mão bateu à porta de uma casa. Uma senhora
abriu e perguntou o que ele queria. Disse o jovem:
- Estou vendendo vassouras para custear meus estudos no colégio. Por
favor, compre uma, custa só cinco reais!
A dona da casa falou:
- Ficarei com a vassoura; mas, no momento, só tenho em casa uma nota
de cem reais. Pode trocar?
- Posso trocar na loja da esquina. Dá-me o dinheiro e lhe prometo que
em cinco minutos estarei de volta.
A compradora pensou: ‘Será que ele voltará com o troco?
Prometeu; mas, quem sabe se cumprirá a promessa?’
Como o olhar do moço inspirava confiança, deu-lhe o dinheiro e
ele se foi. Passaram cinco minutos, dez, meia hora, uma hora, e o jovem não
voltou. Triste, a senhora disse para si: ‘Ele não cumpriu a promessa.
Como fui me deixar ser enganada?’
No outro dia, às 9 horas da manhã, o mesmo rapaz bateu à
porta. A cabeça estava enfaixada e viam-se manchas de sangue. Quando
a mulher chegou, ele apressadamente disse:
- Prometi entregar-lhe o troco ontem, mas depois de trocado o dinheiro, fui
atropelado por um automóvel. A batida do carro deixou-me inconsciente
e levaram-me para o hospital. Assim que me recuperei, corri para cumprir a promessa.
Queria desculpar-me pelo atraso.
- De fato - disse a senhora -, pensei que não voltaria, mas agora sei
que cumpriu sua palavra. Vou ajudá-lo a custear seus estudos.
Pois é, este caso serve de gancho para dizer que, mesmo que nos pareça
impossível, Deus sempre cumpre suas promessas. Parecia impossível
Jesus nascer em Belém, pois José e Maria viviam em Nazaré
e faltavam poucas semanas para Cristo nascer. Porém, veio um decreto
do imperador romano, que mandou fazer um recenseamento em Israel. Ordenou que
cada um, em data marcada, se apresentasse na localidade de origem da família.
Como José e Maria eram descendentes do rei Davi e este nasceu em Belém,
o casal se dirigiu para lá. E assim aconteceu que a promessa de Deus,
dada pelo profeta Miquéias 700 anos antes do nascimento de Cristo, se
cumpriu no dia de Natal. Jesus nasceu em Belém!
Outro fato: os soldados romanos eram pagãos e nada sabiam da Bíblia.
Depois de terem crucificado Jesus, eles repartiram as roupas entre si. Entretanto,
a respeito da túnica que era sem costura, disseram: “Não
a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela para ver a quem caberá”.
Isso fazia parte da mensagem profética, pois muitos séculos antes
do acontecimento lia-se no Salmo 22: “Repartem entre si as minhas vestes
e sobre a minha túnica deitam sortes”.
Portanto, aquilo que Deus promete realmente se realiza. O que Ele disse vale
para sempre e podemos confiar firmemente em tudo. Infelizmente, muitas vezes,
só fingimos que acreditamos. Leia isto:
Numa manhã de domingo, enquanto um pregador explicava o Evangelho num
culto ecumênico, a assembléia de 2000 membros foi surpreendida
por dois homens cobertos de preto da cabeça aos pés, armados com
metralhadoras. Um deles gritou:
- Quem quiser receber uma bala por Cristo fique onde está.
Foi um corre-corre, e só permaneceram 20 pessoas no recinto. O homem
que tinha gritado retirou a máscara, olhou para o pregador e disse:
- Pode continuar. Já coloquei os hipócritas na rua!
E você, ficaria ou fugiria? É engraçado como todos querem
ir para o Céu, desde que não seja logo e não tenham que
fazer aquilo que a Bíblia diz. É engraçado como as piadinhas
obscenas correm livremente pela internet, mas falar de Jesus é costume
de poucos. Engraçado como posso estar mais preocupado sobre o que falam
a meu respeito do que aquilo que Deus pensa de mim. Será que algum pai
de família já dirigiu ao filho a bênção do
Livro dos Números? - “O Senhor te abençoe e te guarde; o
Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia
de ti; o Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz”. Quantos
acreditam que isto traz uma proteção especial à pessoa?
Se você está indeciso entre acreditar ou não, veja esta
história:
Havia um grande muro separando dois grupos. De um lado estavam os anjos e os
servos de Deus; do outro estavam os demônios e todos os humanos que não
servem a Deus. Em cima do muro havia um jovem indeciso que havia sido criado
num lar cristão, mas agora estava em dúvida se continuaria servindo
ao Senhor ou se deveria aproveitar os prazeres do mundo.
O jovem observou que o grupo do lado de Deus o chamava sem parar:
- Ei, desce do muro agora, vem pra cá!
Já o grupo de Satanás não dizia nada. Essa situação
continuou por um tempo, até que o jovem indeciso resolveu perguntar a
um demônio:
- O grupo do lado santo fica o tempo todo me chamando para descer e ficar do
lado deles. Por que vocês não fazem o mesmo para me convencer a
descer para vocês?
Grande foi a surpresa do jovem quando o capeta respondeu:
- É porque o muro já é nosso!
- Lembre-se, leitor, não existe meio termo. O muro já tem dono!
PRESENTES DE AMOR - 4 OUTUBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Um garoto pobre com doze anos de idade entrou na loja, escolheu um sabonete
comum e pediu ao proprietário que o embrulhasse para presente.
- É para minha mãe - disse com orgulho.
O dono da loja ficou comovido diante da singeleza daquele presente. Olhou com
piedade para o freguês e, sentindo uma grande compaixão, teve vontade
de ajudá-lo. Pensou que poderia embrulhar junto algum artigo mais significativo;
entretanto, ficou indeciso: ora olhava para o garoto, ora para os artigos que
tinha na loja. Deveria ou não ajudar? O coração dizia sim,
a mente dizia não.
Notando a indecisão do homem, o garoto pensou que ele estivesse duvidando
de sua capacidade de pagar. Colocou a mão no bolso, retirou as moedinhas
que dispunha e as colocou sobre o balcão. O proprietário ficou
ainda mais comovido quando viu as moedas, de valores tão insignificantes.
E continuava no seu conflito mental.
Em sua intimidade concluíra que, se o garoto pudesse, compraria algo
bem melhor para sua querida mãe; e lembrou sua própria mãe.
Fora pobre e, muitas vezes na infância, também desejara presentear
sua mãezinha. Quando conseguiu emprego, ela já havia falecido.
Agora, com aquele gesto, o garoto estava mexendo nas profundezas dos seus sentimentos.
Do outro lado do balcão, o menino começou a ficar ansioso. Alguma
coisa parecia estar errada. Por que o homem não embrulhava logo o sabonete?
Ele já escolhera, pedira para embrulhar e até tinha mostrado o
dinheiro para o pagamento. Por que a demora? Qual o problema? Impaciente, ele
perguntou:
- Moço, está faltando alguma coisa?
- Não. É que de repente me lembrei de minha mãe. Ela morreu
quando eu ainda era muito jovem. Sempre quis dar um presente a ela, mas, desempregado,
nunca consegui comprar nada.
Na espontaneidade de seus doze anos, disse o menino:
- Nem um sabonete?
O homem se calou. Refletiu um pouco e desistiu da idéia de melhorar o
presente do garoto. Embrulhou o sabonete com o melhor papel que tinha na loja,
colocou uma fita vermelha e despachou o freguês sem dizer mais nada.
A sós, pôs-se a pensar: ‘Como é que nunca pensei em
dar algo pequeno e simples para a mamãe? Sempre entendi que presente
tinha que ser alguma coisa valiosa, tanto assim que, minutos antes, senti piedade
da singela compra e pensei em melhorar o presente adquirido.’
Comovido, entendeu que naquele dia tinha recebido uma grande lição.
Junto com o sabonete do menino, seguia algo muito mais importante, o melhor
de todos os presentes: o gesto de amor - o mais poderoso meio de tornar as pessoas
felizes. Em qualquer circunstância, grandioso não é o que
se dá, mas como se dá.
E esta história ainda nos mostra que todo presente deve se revestir de
afeto. O valor do objeto não está no quanto ele vai aumentar o
conteúdo das caixas registradoras, mas sim o quanto ele somará
na contabilidade do coração de quem o recebe. E se o presente
for espiritual, maior significado terá.
No final do mês passado, a Conferência Nossa Senhora do Sagrado
Coração teve mais 12 vicentinos proclamados. Na condição
de presidente, conduzi a cerimônia e disse ser um grande presente de Deus
no nosso primeiro aniversário. Aqueles que se prepararam na confissão
e comunhão receberam indulgências como recompensa. Melhor que isso,
só dois disso!
Portanto, se você ver estes confrades e consócias buscando recursos
para os pobres na cidade, pode confiar. São eles: Liscio Romero de Morais
Freitas, Marluce Mesquita de Morais, Isa de Castro Palma, Alayde do Prado Sampaio,
Maria Donizete da Silva, Maria Geralda Pereira da Silva, Silvana Costa Luz Goulart,
Maria Aparecida Ribeiro, Marciléia Lopes Costa de Sá, Maria Angélica
Palma Schumam, José Fernando Bissacot Grassi e Luciana de Lorenzo. Ficaram
um ano como aspirantes a vicentinos e, hoje, honram o nome da Sociedade de São
Vicente de Paulo. Como diz minha esposa, o Pe. Maristelo foi muito iluminado
ao propor uma conferência vicentina na Comunidade. Estamos trabalhando
bastante, graças a Deus.
Além de socorrer os mais necessitados, nosso grupo reza semanalmente
pelos benfeitores que nos ajudam com doações, o grupo dirige preces
ao Céu pelas intenções do Papa, pelos falecidos da Sociedade
e pela canonização do nosso fundador, Beato Antonio Frederico
Ozanam. É claro que os nossos assistidos também são lembrados,
assim como nossas famílias - pedimos saúde e paz a todos.
Tenho certeza que um vicentino atuante marca sua passagem na terra com uma nobre
missão e, ao mesmo tempo, deixa boas lembranças do trabalho realizado.
Acredito que nenhum vicentino, chefe de família, tenha passado pela decepção
desta piadinha que me contaram:
O garotinho chega da escola e corre para dizer a novidade ao pai:
- Papai, hoje a professora pediu pra gente escrever sobre nossos heróis,
nossos modelos de vida, e eu escrevi bastante sobre você.
- Verdade, filho? Nossa, eu nem sabia que você me admirava tanto! - falou
o pai comovido. - Mas, me conte, por que você quis escrever sobre mim?
- É que eu não sabia escrever Arnold Schwarzenegger.
A PONTE DA MISERICÓRDIA - II - 27 SETEMBRO
Paulo Roberto Labegalini
Continuando com a reflexão da semana passada, quero enfatizar que não
é possível falar de pecado sem considerar a graça do perdão;
e para sairmos do pecado e chegarmos à graça, precisamos atravessar
o que chamo de ‘Ponte da Misericórdia’.
Primeiro passo na Ponte: eu reconhecer o mal que o pecado causa no mundo - pessoal,
ao irmão e à sociedade. Mal pessoal porque quando o pecado é
grave ou se acumula em grande número no coração, corro
o risco de me afastar definitivamente de Deus. Também causar um grande
mal ao irmão é fácil de entender porque ninguém
peca sozinho, tipo: vícios, adultérios etc. E o pecado social
é consequência de o mal se espalhar com agilidade, contagiando
muita gente. Na verdade, o pecado começa na mente - na intenção
de cometê-lo ou na omissão de fazer o bem - e muitos passam a imitar
quem o pratica.
Segundo passo: reconhecer que sou egoísta e covarde quando persevero
no pecado. Egoísta porque me coloco em primeiro lugar nos prazeres da
vida, invertendo os papéis de criatura e Criador. Rasgo o plano que Deus
tem para mim e coloco em prática o meu plano, contra tudo e contra todos.
E sou covarde porque me escondo atrás da mentira. Nenhum pecador admite
tornar públicos todos os seus pecados.
Terceiro passo: reconhecer minha falta de amor ao irmão. Se me deixasse
ser amado por Deus e, consequentemente, amasse meus irmãos, até
com certa tranquilidade me afastaria das tentações. Este é
o terceiro reconhecimento importante para o meu sincero arrependimento.
Quarto passo: é o passo do desejo de me aproximar do Senhor, isto é,
ter uma vida nova e caminhar com dignidade cristã. Nesse passo tão
importante, eu posso voltar e descer da Ponte, mas decido prosseguir.
Quinto passo: é o passo da aceitação do Plano de Deus em
minha vida. Para isso, preciso estar consciente: do amor imenso que o Pai me
criou, do imenso amor que Jesus me remiu com seu preciosíssimo sangue,
e do infinito amor que o Espírito Santo tem por mim ao ficar à
minha disposição 24 horas por dia - me ajudando e abençoando.
Sexto passo: este se chama ‘oração’. Só conseguirei
perseverar nos caminhos santos se rezar muito. Posso recitar o Terço,
estar em adoração ao Santíssimo, ler a Palavra de Deus,
fazer novenas aos santos protetores etc. E se eu abrir a Bíblia verei,
por exemplo, o salmo 50 (51), onde o Rei Davi pede perdão a Deus por
dois pecados gravíssimos que cometeu: adultério com Bersabéia
e homicídio do seu esposo Urias. Nem por isso deixou de ganhar o Paraíso.
Sétimo passo: faltando apenas este para eu ficar em estado de graça,
decido dar o passo do perdão, partindo para um encontro pessoal com Cristo.
Eu dirijo a Ele a oração da humildade: ‘Jesus, fazei meu
coração manso e humilde semelhante ao Vosso’. E, ao me confessar
dos pecados cometidos, poderia ouvir d’Ele algo assim: ‘Filho, eu
não gosto do pecado, mas amo o pecador’.
Igual a tanta gente que Ele perdoou no mundo, me concede sua misericórdia
e me entrega o passaporte para a graça, com a condição
de cumprir minha missão na construção do Reino. Então,
com o coração limpo, inicio outra caminhada na vida, sabendo que
tenho liberdade para errar; mas, prefiro continuar carregando a alegria da fé
católica no coração.
A partir daí, o Espírito Santo não irá me forçar
a fugir do pecado; porém, sempre posso contar com sua proteção
se trilhar bons caminhos. Deixei isso bem claro no Primeiro Cursilho de Cristandade
de Pouso Alegre (MG), há 15 dias. E, sem exceção, os espíritos
foram renovados e uma nova fase de conversão teve início. Sob
a liderança do grande amigo Hélcio, nossos humildes testemunhos
de pecadores arrependidos arrastaram mais 69 corações para Deus.
Espero que as revisões de vida os levem a se afastar também dos
sete pecados capitais: avareza, gula, inveja, ira, luxúria, preguiça
e soberba. Expliquei que o Espírito Generoso de Deus abraça quem
segue pela Ponte da Misericórdia e impele o ser humano à vida
na graça. E quem acredita nisto não se desespera, pois cresce
em humildade e esperança, emanando muito mais amor ao próximo.
Depois de tanto falar sobre pecado e graça, duas coisas ainda precisam
ficar bem claras:
1. O maior obstáculo à paz no mundo é o coração
do próprio homem.
2. Só vai à confissão sacramental aquele que quer, por
arrependimento.
Consciente disto, quem concorda que a purificação da alma o torna
reto de coração e, ainda, pedindo perdão a Deus se pede
também à comunidade que o cerca, uma sincera súplica de
misericórdia é sempre oportuna.
Acho que eu já disse o suficiente em dois artigos. Ficar fazendo sermão
pouco adianta se não houver discernimento cristão e desejo de
conversão por parte do leitor. E por falar em discernimento, até
para descontrair neste assunto meio pesado, vou encerrar com uma piadinha.
Dois amigos se encontram depois de muito tempo:
- Olá, Osvaldo, soube que você se casou! - comenta o primeiro.
- Sim, e já tenho duas filhas: Coristina e Novalgina. E você, tem
filhos?
- Tenho uma filha; chama-se Maria.
- Maria? Mas isso é nome de bolacha!
A PONTE DA MISERICÓRDIA - I - 20 SETEMBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Para chegar ao tema deste artigo é preciso primeiro falar sobre o pecado,
esse mal que se opõe aos valores do Reino de Deus. Disse Jesus: “O
que sai da pessoa é que a torna impura” (Mc 7, 16); e, sabemos,
suas consequências vão além de prejuízos pessoais
do pecador e atingem toda a sociedade.
Ao homem, o pecado o torna egoísta e covarde, por colocar-se em primeiro
lugar nos prazeres da vida e por se esconder na mentira. E se engana quem pensa
que pecar contra a castidade ou faltar à missa estão entre as
maiores faltas do cristão. Eu diria que a omissão de amor ao próximo
bate qualquer tipo de pecado porque envolve, primeiro, não se deixar
amar por Deus.
Nosso querido Pai do Céu se aborrece com o ato do pecado, mas continua
amando o pecador. O próprio Jesus nos ensinou e praticou isto em Lucas
7, 36-50:
“Um fariseu convidou-o para comer consigo. Entrou em casa do fariseu,
e pôs-se à mesa. Ora certa mulher, conhecida naquela cidade como
pecadora, ao saber que Ele estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um
frasco de alabastro com perfume. Colocando-se por detrás dele e chorando,
começou a banhar-lhe os pés com lágrimas; enxugava-os com
os cabelos e beijava-os, ungindo-os com perfume. Vendo isto, o fariseu que o
convidara disse para consigo: ‘Se este homem fosse profeta, saberia quem
é e de que espécie é a mulher que lhe está a tocar,
porque é uma pecadora!’ Então, Jesus disse-lhe: ‘Simão,
tenho uma coisa para te dizer’. ‘Fala, Mestre’, respondeu
ele. ‘Um prestamista tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos denários
e o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou aos dois.
Qual deles o amará mais?’ Simão respondeu: ‘Aquele
a quem perdoou mais, creio eu.’ Jesus disse-lhe: ‘Julgaste bem.’
... Depois, disse à mulher: ‘Os teus pecados estão perdoados.’
Começaram, então, os convivas a dizer entre si: ‘Quem é
este que até perdoa os pecados?’ E Jesus disse à mulher:
‘A tua fé te salvou. Vá em paz.’
Esta narrativa nos mostra o caminho do serviço e do perdão. Não
aceitando praticar a Palavra, cairemos na desgraça do pecado - que é
um ato de desamor a Deus e aos irmãos -, pois quem peca se idolatra,
se coloca no lugar do Senhor: diz não a Ele, por rejeitar seu Plano de
Amor; diz não a si mesmo, por se afastar do seu Criador; diz não
à salvação do irmão, por levá-lo ao mau caminho.
Isto só acontece quando temos pleno conhecimento entre o bem e o mal,
plena liberdade de nossos atos e plena consciência das consequências
que podem advir. Assim sendo, não somente nossos atos mancham nosso coração,
mas também omissões e pensamentos pecaminosos. E o maior perigo
é se deixar viciar e se tornar escravo do pecado.
Mas, remédio existe pra tudo neste mundo e, neste caso, o remédio
é santo! As soluções para o pecado são: conversão
do coração, frequência nos Sacramentos - principalmente
da Reconciliação -, oração contínua, devoção
à Virgem Maria, prática da justiça e da fraternidade sem
restrições. Pode não ser fácil estar em sintonia
com tudo isso, mas os riscos de perder a graça divina e a salvação
eterna são muito piores.
E quando paramos para pensar, concluimos o quanto é triste contagiar
a comunidade praticando o mal. Muitos irmãos são levados ao desespero
quando percebem distorções da santidade no meio em que vivem.
Então, precisam tomar uma decisão muito séria, respondendo:
‘Com a ajuda do Espírito Santo, desejo agir como cristão
consciente e comprometido com o Reino de Deus?’
Para que a decisão seja responsável, não pode deixar de
haver convicção nestes princípios: o amor que o Pai nos
criou, o precioso sangue que Jesus nos remiu e a disponibilidade do Espírito
Santo que nos abençoa a cada instante. Conscientes que somos filhos do
Altíssimo, podemos manter nossa comunhão com Deus, recusando pecados
graves que nos levariam à morte. Quem passa por isso, pode dizer como
é bom testemunhar a alegria da volta à Igreja de Jesus Cristo
- renascendo para a vida de graça em abundância!
A graça é como uma corda que nos une ao Céu: quando pecamos,
a corda é cortada e nos afastamos de Deus, mas, quando somos perdoados,
a corda é atada por um nó. Então, ela se torna mais curta
e ficamos mais próximos do Paraíso.
Muito disto que escrevi eu falei no maravilhoso Cursilho de Pouso Alegre (MG)
na semana passada, mas, como o espaço deste artigo está acabando
e ainda falta muito para chegar à Ponte da Misericórdia, continuarei
na semana que vem. E para preparar melhor o assunto, leia esta história:
Um homem queria se casar com uma mulher perfeita. Anos se passaram e essa pessoa
não aparecia; então, ele resolveu viajar o mundo à procura
de sua futura esposa. Na Espanha, encontrou uma jovem fisicamente perfeita,
mas não tão bonita interiormente. Na Grécia, a cultura
de uma outra o impressionou, mas sua plástica não era tão
bela.
Somente após procurar anos e anos, ele conheceu na Índia a tão
sonhada mulher perfeita. Era linda por fora e por dentro, também era
muito alegre e caridosa, enfim, tudo aquilo que ele imaginava encontrar numa
só pessoa. Ao lhe propor casamento, ela não aceitou porque disse
que só se casaria no dia em que encontrasse o homem perfeito.
Só Deus é perfeito!
SETEMBRO - MÊS DA BÍBLIA - 13 SETEMBRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia
do jeito que tratamos o celular? Por exemplo, se sempre carregássemos
a Bíblia no bolso ou na bolsa? E se déssemos umas olhadas nela
várias vezes ao dia? E se voltássemos para apanhá-la quando
a esquecêssemos em casa ou no trabalho?
Melhor ainda seria se a usássemos para enviar mensagens aos amigos, se
a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela, se
a déssemos de presente às crianças, ou a utilizássemos
quando viajamos. E se lançássemos mão dela em caso de emergência?
Ao contrário do celular, a Bíblia não fica sem sinal. Ela
‘pega’ em qualquer lugar e não é preciso se preocupar
com a falta de crédito, porque Jesus já pagou a conta e os créditos
não têm fim. E o melhor de tudo: não cai a ligação
- a carga da bateria é para toda a vida! A própria Escritura Sagrada
nos diz: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está
perto!” (Is 55:6).
Também nela encontramos alguns telefones de emergência:
Quando estiver triste, ligue João 14. Quando pessoas falarem de você,
ligue Salmo 27. Quando estiver nervoso, ligue Salmo 51. Quando se encontrar
preocupado, disque Mateus 6, 19-34. Quando você estiver em perigo, ligue
Salmo 91. Quando Deus parecer distante, disque Salmo 63. Se sua fé precisar
ser ativada, ligue Hebreus 11. Estando solitário e com medo, ligue Salmo
23. E quando você for áspero e crítico, disque 1 Coríntios
13.
Para saber o segredo da felicidade, ligue Colossenses 3, 12-17. Quando você
sentir-se triste e sozinho, ligue Romanos 8, 31-39. Se quiser paz e descanso,
disque Mateus 11, 25-30. E quando o mundo parecer maior que Deus, ligue no Salmo
90 imediatamente.
Anote tudo em sua agenda e acredite que um destes contatos pode ser importante
a qualquer momento em sua vida. Ah, repasse para seus amigos, pois eu também
recebi de uma amiga que não conversava há quase 40 anos! Sei que
não foi por acaso quando vi o nome da Ana Regina na internet na semana
passada; fiz contato e ela me passou a reflexão bíblica que escrevi.
Hoje, tanto eu como ela somos casados, temos emprego, três filhos e fé
no coração. Ela mora na cidade de Casa Branca, eu em Itajubá
e Deus mora conosco. Na infância em São Paulo, morávamos
um em frente do outro, brincávamos de queimada, de passar anel, num lugar
muito tranquilo de se viver. Voltei lá no feriado de 7 de setembro e
vi que tudo está mudado. A casa em que cresci virou uma jaula e o medo
mora junto.
Aliás, não somente o medo, mas todos os sofrimentos do mundo podem
ser aliviados pela Palavra do Senhor. Perdemos tempo na televisão, onde
praticamente não se fala de Deus, exceto em canais católicos.
E na família, pequena igreja doméstica, há tempo reservado
à Palavra? Nós, pais, formamos nossos filhos para praticarem a
justiça e a paz? Somos verdadeiramente comunidades de amor?
Domingo passado, na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração,
cerca de 100 pais envolvidos na nossa catequese infantil ouviram a palestra
do meu amigo cursilhista Marcos Wanderlei. Ele falou de sua família e
de sua missão: evangelizar ambientes. Lembrou a todos que, quando rezamos,
falamos com Deus, e quando lemos a Bíblia, Deus fala conosco. Eis a questão
para respondermos agora: queremos ouvi-Lo?
A verdade é que muitos preferem não conhecer profundamente a Palavra
porque pensam que não mudariam de vida por nada neste mundo; mas, os
que mudaram, também pensavam assim! Eu até concordo que não
é fácil cumprir à risca tudo o que encontramos nas Escrituras,
tipo:
“Digo-vos, porém, a vós que me escutais: amai os vossos
inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam,
rezai pelos que vos caluniam. A quem te bater numa das faces, oferece-lhe também
a outra; e a quem te levar a capa, não impeças de levar também
a túnica.
Dá a todo aquele que te pede e, a quem se apoderar do que é teu,
não reclames. O que quiserdes que os outros vos façam, fazei-lhes
vós também. Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis?
Os pecadores também amam aqueles que os amam.
Se fazeis bem aos que vos fazem bem, que agradecimento mereceis? Também
os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestais àqueles de quem esperais
receber, que agradecimento mereceis? Também os pecadores emprestam aos
pecadores, a fim de receberem outro tanto. Vós, porém, amai os
vossos inimigos, fazei o bem e emprestai sem nada esperar em troca. Então,
a vossa recompensa será grande e sereis filhos do Altíssimo, porque
Ele é bom até para os ingratos e os maus.
Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis
e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados;
perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia,
recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço.
A medida que usardes com os outros será usada convosco.” (Lc 6,
27-38)
Estas são palavras de vida e salvação. Quem as coloca em
prática, viverá eternamente.
MOTIVOS DO CORAÇÃO – 5 Setembro 2009
Paulo Roberto Labegalini
Passeando de galho em galho pela floresta, um macaquinho avistou uma linda
oncinha descansando com a mãe. Ele ficou horas observando aquele filhote
e, por razões do coração, sentiu-se apaixonado por ela.
Então, todas as manhãs voltava ao mesmo galho da árvore
para observá-la.
Um dia, quando a mamãe onça partiu para buscar alimentos, o macaquinho
encheu-se de coragem e declarou seu amor à oncinha. Também por
razões do coração, ela aceitou namorar com ele. Assim,
sempre que a dona onça se ausentava, eles namoravam.
O tempo passou, a oncinha cresceu e um felino da mesma espécie se interessou
por ela. O macaquinho, agora adulto, teve uma idéia: levou uma linda
macaca ao galho mais alto da árvore para paquerar o candidato a namorado
de sua amada. E para chamar a atenção dele, o casal de macacos
ficava pulando nos galhos, fazendo macaquices.
Quando a onça viu seu namorado com a macaca, ficou enciumada e resolveu
romper o namoro. Sem chances de se aproximar do feroz casal de onça,
restou a ele ver a família dos felinos crescer. E por outras razões
do coração, o solitário macaco descia diariamente do galho
para brincar com os filhotes das onças, quando os pais saiam para caçar.
O amor que ele tinha pelas oncinhas só se equiparava ao carinho de mãe
para com seu filho. São questões que a natureza não explica,
e referem-se a motivos do coração.
Pois é, assim também é a nossa vida: há iniciativas
próprias que a razão não explica, mas acreditamos em argumentos
fundamentados pela fé que existe dentro de cada coração.
Por exemplo: o que leva uma pessoa a deixar tantos afazeres importantes por
Jesus Cristo? E ainda: como explicar que é melhor servir a Ele do que
fazer qualquer outra coisa prazerosa?
Mais uma vez, eu vi isso acontecer em grupo na Paróquia Nossa Senhora
da Soledade. Juntamente com a renovação do meu ministério,
os irmãos e irmãs que exercerão o serviço de Ministros
Extraordinários da Comunhão Eucarística assumiram a missão
dia 30 de setembro. Dezenas de pessoas de jaleco branco externaram grande felicidade,
afinal, o chamado que a Igreja nos fez é um reconhecimento de vida cristã
em comunidade.
E como sempre acontece, o padre Edvaldo foi muito abençoado pelo Espírito
Santo e presidiu a Celebração com sabedoria. Após a apresentação
dos eleitos, ele fez estas três perguntas:
1. Caros filhos e filhas, antes de assumirem este ministério, é
preciso que vocês demonstrem diante de nossa comunidade eclesial a vossa
reta intenção para com este serviço. Quereis assumir este
ministério extraordinário a vós confiado, de apresentar
a vossos irmãos e irmãs o Corpo do Senhor, para serviço
e edificação da Igreja?
2. Quereis viver mais intensamente do mesmo Pão da Vida e conformar vossas
vidas ao sacrifício de Cristo?
3. Quereis dedicar todo cuidado na administração e distribuição
da Eucaristia, de modo especial para com nossos irmãos enfermos?
Após todos responderem três vezes ‘quero’, ajoelhados,
recebemos a bênção depois destas palavras do nosso Pároco:
“Deus onipotente, de toda graça e de toda bênção,
abençoai estes vossos filhos e filhas que irão administrar o Corpo
de Cristo aos seus irmãos, para que sejam fiéis a este ministério
e mereçam ter parte no convívio deste Sacramento, por Cristo Nosso
Senhor.” Amém!
Fomos aspergidos com água benta enquanto cantávamos:
“Eis-me aqui Senhor! Eis-me aqui Senhor! Pra fazer Tua vontade, pra viver
do Teu amor; pra fazer Tua vontade, pra viver do Teu amor, eis-me aqui Senhor!
O Senhor é o Pastor que me conduz, por caminhos nunca vistos me enviou,
sou chamado a ser fermento, sal e luz, e por isso respondi: aqui estou!”
No mesmo momento, bons programas eram transmitidos na TV, um delicioso chopinho
era servido na praça, famílias se divertiam no clube, torcedores
vibravam com as vitórias de seus times, mas, os que estavam na igreja,
deixaram tudo para disponibilizar um lindo serviço a Deus.
Que Ele nos abençoe nesses próximos dois anos de ministério,
porque deixar as tentações do prazer de lado e ser exemplo de
dignidade cristã a cada dia não é fácil. E este
seria mais um motivo que teríamos para dizer ‘não’
ao chamado do Céu, mas, por razões do coração, aceitamos
continuar discípulos e missionários de Cristo.
Com certeza, quando intercedermos por algum irmão necessitado de uma
grande graça, Jesus trocará nossos méritos pela bênção
que pedirmos. E como isto é bom: os nossos pecados são perdoados
e as nossas súplicas atendidas, mesmo sendo pecadores! Somente a Misericórdia
Divina é capaz de tanto amor.
Agora já posso concluir esta reflexão afirmando que as nossas
nobres razões do coração vêm do Sagrado Coração
de Jesus. Desde as maravilhas da natureza até as mais impressionantes
caridades do ser humano, tudo vem de Deus. Obrigado, Senhor!
ACREDITE E ABUSE DO AMOR – 30 agosto 2009
Paulo Roberto Labegalini
Há 12 anos, quando comecei a escrever neste jornal, adotei o estilo
de contar histórias. Eu acreditava que isso motivava as pessoas a lerem
o texto até o final, mesmo aquelas que não se interessavam muito
em assuntos cristãos. E o tempo mostrou que eu estava certo.
Jesus foi o grande mestre na evangelização, citando parábolas,
anunciando o Reino e advertindo os fariseus. Suas histórias são
contadas a toda hora e usadas como modelos de reflexão. E as vantagens
para os pregadores que as usam com propriedade recaem principalmente nas conclusões:
sempre diferentes e com o mesmo objetivo – apresentar Jesus Cristo!
Com humildade sigo na mesma direção, porém menos preocupado
em ter casos diferentes para contar. Em 1997, eu pensava que as histórias
fossem se esgotar em meses e eu teria dificuldades para continuar prendendo
a atenção dos leitores. Em parte, acho que faltava confiar um
pouco mais na ação do Espírito Santo, mas também
havia outra parte fundamentada no meu bom senso, que insistia em me questionar:
‘Ano após ano, como será possível conseguir tantos
contos para publicar?’
Somente agora, chegando aos 600 artigos, tenho certeza que foi possível
e continuará sendo por mais algumas décadas, se Deus quiser. Muitos
amigos enviam-me e-mails interessantes, possibilitando não precisar criar
novas histórias ou repetir as antigas. Também quem faz coleção
desta coluna, acaba se beneficiando com as curiosidades e os casos inéditos.
Só tenho a agradecer a todos pela atenção e amizade constantes.
Mas, com certeza, o objetivo continua sendo perseverar nas mensagens cristãs,
mesmo que as histórias não tenham nenhuma ligação
com religião. Nesses casos, preciso fazer a ponte para que mais amor
fortaleça nossos corações. Eis a primeira historinha de
hoje:
Enquanto um homem idoso subia no ônibus, um de seus sapatos escorregou
para o lado de fora, a porta se fechou, o ônibus saiu e o homem ficou
impossibilitado de recuperá-lo. Imediatamente, ele retirou seu outro
sapato e jogou-o pela janela.
Um rapaz no ônibus, vendo o que aconteceu, perguntou:
– Por que jogou fora o outro sapato?
O senhor prontamente respondeu:
– Agora, quem os encontrar será capaz de usá-los.
O rapaz pensou por alguns instantes e concordou:
– Provavelmente apenas alguém necessitado dará importância
a sapatos usados encontrados na rua, e de nada lhe adiantaria apenas um pé,
certo? Parabéns, senhor, por tamanha caridade.
Assim, o homem de mais idade mostrou ao jovem que não vale a pena agarrar-se
a algo com o coração. A partilha agrada a Deus e permite que a
felicidade entre um pouco mais na vida de pessoas sem bens materiais para sobreviver.
E se pensarmos com calma, concluiremos que perdemos coisas o tempo todo. A perda
pode nos parecer penosa e injusta inicialmente, mas isso acontece para que mudanças,
na maioria das vezes positivas, ocorram em nossas vidas. Todos decidem constantemente
se algumas coisas devem ser exclusivas ou não, e tudo depende do grau
de bondade de cada um. Nem sempre a partilha precisa ser material, como nesta
outra história:
Um moço seguia todos os dias de trem pelo mesmo caminho. O trem passava
por um viaduto onde se podia ver os interiores de alguns apartamentos no prédio
localizado em nível inferior. Naquele lugar, o veículo diminuía
a velocidade e o rapaz observava, através da janela de um dos quartos,
uma senhora deitada na cama. A senhora certamente convalescia de alguma enfermidade,
pensava ele.
Num domingo, achando-se casualmente naquelas imediações, ele cedeu
a um impulso e foi até o prédio onde a senhora morava. Perguntou
ao porteiro o nome dela e depois lhe enviou um cartão com votos de restabelecimento,
assinando apenas: ‘Um rapaz que passa diariamente de trem’.
Dali a alguns dias, a caminho de casa no trem, o jovem olhou para o quarto e
não havia ninguém. A cama estava cuidadosamente arrumada e, no
parapeito da janela, estava afixado um grande cartaz escrito à mão,
dizendo: ‘Deus o abençoe, resolvi fazer a cirurgia que tanto precisava’.
Pois é, Deus quer que suas criaturas se amem e se respeitem mutuamente.
Ele sempre espera que ajudemos uns aos outros, sem preconceitos e sem parar
nos obstáculos. Aquele jovem do trem não tinha outra intenção
a não ser ajudar anonimamente a uma pessoa desconhecida, atendendo a
um apelo do seu coração generoso. E é por essas e outras
razões que vale a pena acreditar no amor, ajudando a mudar o mundo para
melhor!
Há pessoas que se entregam à depressão e outras enfermidades
por acharem que ninguém se importa com elas. Sabemos que um simples gesto
de solidariedade pode se constituir em um dos mais poderosos remédios
contra esse tipo de mal. É um remédio que não custa nada,
não tem contra-indicação e está ao alcance de todos,
principalmente ao alcance do verdadeiro cristão.
MULHER PERFEITA - 23 AGOSTO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Na semana passada, eu escrevi que Jesus Cristo é o homem perfeito. Hoje,
dizer que Nossa Senhora foi a mulher mais perfeita que viveu na Terra também
é fácil. Fácil porque há milhões de testemunhas
pelo mundo que conhecem sua história e conseguiram graças maravilhosas
dela, nossa Mãezinha querida. Ela foi a primeira discípula, a
que mais confiou na providência Divina, a mais doce e pura entre as mulheres.
Viva Maria Santíssima! Viva a Mãe de Deus!
E, com sua ajuda, a caminhada feminina continua firme e forte na dignidade cristã.
Reconhecer a importância e o poder da mulher na família é
questão de bom senso. Burrice seria negar o quanto somos dependentes
da rainha do lar. Do sorriso à bronca da esposa, tudo pode ser explicado.
Até as histórias colocam a mulher demonstrando amor:
Era uma vez um casal que comemorava suas bodas de prata e também os 50
anos de idade. Depois da festa, tiveram a visita de uma fada madrinha, que lhes
disse:
- Como prêmio por terem tido um matrimônio exemplar durante 25 anos,
concederei um desejo a cada um.
- Eu quero fazer uma viagem em volta do mundo com o meu querido marido - pediu
a mulher.
A fada moveu a varinha mágica e… abrakadabra! As passagens apareceram
nas mãos da esposa! Então, foi a vez do marido que, pensou por
uns instantes, e falou:
- Bom, este clima é muito romântico, mas uma oportunidade destas
só acontece uma vez na vida. Por isso, perdoe-me meu amor, o meu desejo
é ter uma mulher 30 anos mais jovem que eu.
A esposa ficou em estado de choque. Contudo, para cumprir a promessa que fez,
a fada rodou a varinha e... abrakadabra! Imediatamente, ele passou a ter 80
anos.
Moral da história: ‘O mundo é tão perfeito que até
as fadas madrinhas são mulheres!’
Pois é, somos rodeados por elas e já nos acostumamos a isso. Dançar
a dois tem mulher presente, cartas de amor envolve alguma queridinha, um olhar
malicioso pelas costas acontece quando uma garota passa, enfim, não é
possível ficar muito tempo no ‘Clube do Bolinha’.
E quando a mulher vacila, Deus dá uma ajudinha. Veja a declaração
de uma mãe de família:
“Estou cansada de trabalhar e ver todos os dias as mesmas pessoas no caminho.
Chego em casa e meu marido sempre do mesmo jeito, com a mesma reclamação:
‘Só tem isto para o jantar?’. Quero descansar e assistir
minha novela, mas meus filhos não me deixam, porque querem brincar comigo
e conversar. Não entendem que estou cansada!
Meus pais também me irritam algumas vezes e, entre trabalho, marido,
filhos e cuidar da casa, eles me deixam louca. Puxa vida, quero paz! A única
coisa boa é dormir. Ao fechar os olhos, sinto um grande alívio,
me esqueço de tudo e de todos.
Um dia, ao adormecer, uma voz me falou:
- Olá, vim lhe ajudar.
- Quem é você? Como entrou?
- Sou um servo de Deus. Ele disse que ouviu suas queixas e que você tem
razão. Não se preocupará mais em ver sempre as mesmas pessoas,
nem em aguentar o seu marido com suas reclamações, nem seus filhos
que lhe irritam, nem terá que escutar os conselhos de seus pais e não
terá mais qualquer casa para cuidar.
- Mas, o que acontecerá com todos?
- Não se preocupe. No seu trabalho já contrataram outra pessoa
para o seu lugar e ela certamente está muito feliz porque estava sem
emprego. Seu marido terá uma boa mulher que o quer bem, o admira por
suas qualidades, aceita seus defeitos e todas suas reclamações.
Além disso, ela se preocupará com seus filhos como se fossem dela.
Por mais cansada que chegue do trabalho, dedicará tempo para brincar
com eles e agradar seu marido. Todos serão muito felizes.
- Mas não quero isso! Desejo voltar a beijar o rostinho dos meus filhos,
dizer ‘eu te amo’ ao meu marido e mostrar a eles o quanto são
importantes na minha vida. Não quero morrer! Quero envelhecer junto ao
meu amado, abraçar meus pais, fazer a viagem que há muito planejamos,
colocar aquela roupa que comprei há mais de um ano!
- Você não queria descansar? Pode dormir para sempre.
- Não, não quero, por favor, Deus!
De repente, meu marido me acordou:
- O que aconteceu amor? Teve um pesadelo?
- Sim, um pesadelo horrível! Eu...
Parei a frase ao meio, olhei em seu rosto, seu semblante preocupado comigo ali
do meu lado, e sorrindo falei:
- Não, meu amor, não tive pesadelo nenhum. Tive um encontro com
Deus, que nos adora e que acaba de me dar uma nova oportunidade de fazê-los
felizes.”
Fechando este artigo, só me resta dizer que não vivemos um dia
sem elas!
UM GRANDE HOMEM - 16 AGOSTO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Falar de um grande Homem é falar de Jesus Cristo! Em química,
Ele transformou água em vinho; em biologia, Ele nasceu sem uma concepção
normal; em física, Ele superou a gravidade quando ascendeu ao Céu;
em economia, Ele impressionou ao alimentar 5000 pessoas com cinco pães
e dois peixes; em medicina, curou doentes e cegos sem administrar nenhum remédio;
em, história, Ele é o começo e o fim de tudo; em religião,
falou que ninguém chega ao Pai se não for por meio d’Ele.
O maior Homem da história não tinha servos, ainda assim O chamavam
de Mestre; não tinha escolaridade e O chamavam de Professor; não
tinha remédios, mas O chamavam de Curador; não tinha exércitos,
mas reis O temiam. Ele não venceu batalhas militares, porém conquistou
o mundo; não cometeu crimes, e crucificaram-No; foi enterrado numa tumba,
contudo, continua vivo!
Acredito que isto não é segredo para ninguém porque, graças
à nossa fé, acreditamos na salvação por meio da
misericórdia de Cristo. Mas, exceto Ele, há outros grandes homens
que continuam vivos? Talvez esta história nos ajude a responder:
Sabendo que a filha chorava por ter rompido o namoro, seu pai lhe falou:
- Minha filha, apaixone-se por um grande homem e nunca mais voltará a
chorar.
Com o passar dos anos, a moça descobriu que se todos os homens lutassem
por ser grandes de espírito e grandes de coração, o mundo
seria completamente diferente. Ela compreendeu que um grande homem também
não é aquele que compra tudo o que a mulher deseja - ainda que
muitos maridos conquistem com presentes o respeito das esposas.
Um dia, o pai morreu, mas a jovem continuava a lembrar de suas palavras:
“Apaixone-se por um homem que se interesse por você, que conheça
suas ilusões, suas tristezas e que a ajude a superá-las. Não
creia nas palavras de um homem cujos atos dizem o oposto. Afaste de sua vida
o homem que não constrói com você um mundo melhor.
Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua
beleza interior e suas qualidades morais. Não se enamore de um homem
que, ao conhecê-lo melhor, sua vida tenha se transformado em um problema
a resolver e não em algo para comemorar. Não creia em alguém
que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las
com a infidelidade, culpando-a quando o problema não está em você,
e sim nele, porque não sabe o que quer da vida, nem quais são
suas prioridades.
Por que querer um homem que a abandonará se você não for
como ele pretendia ou se já não é mais ‘útil’?
Por que querer uma pessoa que a trocará por uma cor de pele diferente,
ou por uns olhos claros, ou por um corpo mais esbelto? Por que querer alguém
que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira
e única beleza do coração?”
E, assim, as palavras do pai ecoavam na cabeça da moça. Ela, então,
concluiu:
“Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, colocando
de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade. Custou-me compreender
que grande homem não é aquele que chega no topo, nem o que tem
mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, muito
menos o mais bonito.
Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia
atrás de cortinas de fumaça, que abre o coração
sem rejeitar a realidade, que admira uma mulher por seus alicerces morais e
grandeza interior. Grande homem é o que caminha sem baixar os olhos,
é aquele que não mente e, sobretudo, sabe chorar sua dor com humildade.”
Hoje, a moça está feliz. O grande homem com quem se casou não
era o mais solicitado pelas mulheres, nem o mais rico ou o mais bonito. Era
simplesmente aquele que nunca a fez chorar e que, no lugar de lágrimas,
lhe roubou sorrisos. Sorrisos por tudo que conquistaram juntos, pelos triunfos
alcançados, pelas lindas recordações e por cada alegria
que preencheu suas vidas.
Esse homem a ama tanto que daria tudo por ela sem pedir nada em troca. Ele a
quer pelo que ela é - por seu coração bondoso e pela sua
dignidade marcante. Ele a fez compreender que, ao lado de um grande homem, sempre
existe uma grande e única mulher. Juntos e com Jesus Cristo no coração,
nada os separará.
Também podemos julgar um grande homem no sacerdócio: aquele que
dedica seu tempo a Deus, tem paciência com as mazelas do povo, participa
da Comunidade, abre o coração para a Palavra e confia na ação
do Espírito Santo. Temos exemplos maravilhosos em nosso meio, mas, em
especial, quero citar o padre Francisco Tarcísio. Neo-sacerdote, vem
dando sinais de um grande homem!
Ele participou da Semana da Família - lindas celebrações
na Matriz da Soledade -, presidiu com competência sua primeira missa na
Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração - último sábado
-, confraternizou-se conosco na ‘festinha’ que lhe preparamos no
Instituto Padre Nicolau - conversando e sorrindo para todos -, enfim, está
conquistando o respeito que merece.
Assim como Jesus, gostar de conviver com pessoas e celebrar a vida, também
são características de um grande homem!
CRISTO CONTA COM VOCÊ - 9 AGOSTO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Presidindo a Celebração da Palavra na condição
de Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística - primeira
sexta do mês, Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração
-, coube a mim refletir neste trecho do Evangelho de São Mateus (16,
24-28):
“Naquele tempo, Jesus disse aos discípulos: ‘Se alguém
quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Pois, quem quiser
salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de
mim, vai encontrá-la. De fato, de que adianta ao homem ganhar o mundo
inteiro, mas perder a sua vida? Que poderá alguém dar em troca
de sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai,
com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com
a sua conduta. Em verdade vos digo: Alguns daqueles que estão aqui não
morrerão antes de verem o Filho do Homem vindo com seu Reino’.”
Iniciei dizendo que este texto encontra-se nos três Evangelhos sinóticos:
Lucas, Marcos e Mateus. Isto já mostra a importância da mensagem
- forte e convincente. As palavras de Jesus são claras: “De fato,
de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida? Que poderá
alguém dar em troca de sua vida?”. A vida é o maior bem
que temos e não a podemos pôr a perder para ganhar bens menores.
O que Jesus nos oferece é a vida plena, a realização de
nossos anseios de felicidade. E diz que Ele mesmo é essa vida, nossa
possibilidade de salvação. Temos de deixar tudo quanto for necessário
para não perder essa oportunidade única de vida eterna.
Então, achei por bem refletir melhor naquilo que entendo em ‘deixar
tudo’. Como seres humanos, que precisamos trabalhar, nos divertir, viver
em família e tantas outras coisas mais, deixar tudo significa ter tempo
para as obras de Deus. A santidade deve ser buscada passo a passo, gradativamente
ao longo da vida, e não num único dia. Se vivermos sem pecados
mortais no coração já é um grande começo.
Amar como Jesus amou não é fácil, mas podemos aumentar
a caridade que recebemos no Batismo rezando um pouco mais, participando dos
Sacramentos, trabalhando em favor dos mais necessitados, praticando a justiça
e falando a verdade. Nada disso é difícil e o resultado é
maravilhoso! Seremos mais amados, mais respeitados e marcaremos nossa existência
por algo que valeu a pena: a comunhão de vida com Deus e com o próximo.
Portanto, no tema ‘o seguimento de Jesus’, o objetivo é a
‘vida’. Renunciar a si mesmo e perder sua vida pode ser compreendido
também no desprezo do sucesso pessoal, do enriquecimento e do consumismo.
Este tipo de renúncia é uma libertação para assumir
o compromisso de transformação deste mundo. Não carregaremos
a cruz como condenados, mas suportando dignamente o peso da violência
contra quem busca vida plena para todos.
Imaginemos que resolvêssemos o contrário: apegarmo-nos às
coisas materiais, cada vez mais, perdendo a vida eterna. Teríamos como
voltar atrás após a morte? Quanto custaria ter nossa vida de volta?
Infelizmente, quando uma alma chegou ao fim de seu caminho espiritual e perdeu
todas as chances de servir a Deus, não há como ser salva. Se perdeu
tudo o que é de Deus, ela própria se perdeu.
São Paulo diz: “Morrer é uma vantagem”; isto é:
a minha morte por Cristo é o meu ganho. Se quisermos, de fato, perder
todas as coisas que fazem mal ao espírito e nos desviam do caminho para
o Céu, podemos rezar assim:
“Senhor, livrai-me da ilusão, para que não corra em busca
de felicidades que não me podem saciar. Que eu nunca vos deixe por alguém
ou por qualquer valor que seja. Dai-me coragem para enfrentar tudo quanto for
necessário para vos permanecer fiel. Ponho minha confiança em
Vós; guardai meu coração, para que vos possa seguir carregando
minha cruz. Amém.”
E encerrando a homilia daquele dia - um grande chamado e privilégio em
minha vida -, eu poderia ter contado a história do homem doente que foi
visitado por um sacerdote. Ao entrar no quarto do hospital, o padre viu uma
cadeira ao lado da cama, como se tivesse sido colocada para ele próprio
se sentar. E perguntou ao doente:
- Você estava me esperando? Até a cadeira já foi preparada
para mim!
- Não, seu padre. É nesta cadeira que Jesus fica quando vem conversar
comigo. É só eu chamá-Lo e Ele atende. Na verdade, nunca
fui muito de rezar, mas desde que caí nesta cama, tenho procurado alguém
que me entenda, me faça companhia e me ajude. Encontrei o médico
dos médicos e posso dizer que estou em paz.
O padre ficou admirado com a fé daquele homem. Em seguida, o confessou
e partiu. Na manhã seguinte, sabendo do falecimento do doente, foi ao
velório e conversou com sua filha. Ela lhe disse:
- Encontraram meu pai morto, com o rosto sobre a cadeira ao lado da cama.
- Ele carregou sua cruz e morreu deitado no colo do seu melhor amigo - respondeu
o padre.
E você leitor, que não esteve na Celebração que comentei,
sinta-se também chamado a renunciar o pecado e seguir pelos caminhos
do amor. Cristo conta com você!
SABEDORIA NAS RESPOSTAS - 1 AGOSTO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Algumas vezes erramos ao julgar o valor de uma atividade simplesmente pelo
tempo dispensado para realizá-la. Um bom exemplo é o caso do técnico
em informática que foi chamado para consertar um computador extremadamente
complexo - uma máquina que valia 12 milhões de dólares!
Antes dele, muitos profissionais já haviam tentado resolver o problema.
Sentado em frente ao monitor, o técnico apertou algumas teclas, balançou
a cabeça e desligou o aparelho. Então, tirou do bolso uma pequena
chave de fenda e girou uma volta e meia um minúsculo parafuso. A seguir,
religou o computador e verificou o seu perfeito funcionamento.
O presidente da companhia mostrou-se encantado e se dispôs a pagar a conta
imediatamente.
- Perfeito! Quanto lhe devo? - perguntou.
- São mil dólares pelo serviço todo.
- Mil dólares por apertar um simples parafusinho? Eu sei que o computador
custa uma fortuna, mas mil dólares é um valor brutal! Só
pagarei se me enviar uma fatura detalhada que justifique a cobrança.
Na manhã seguinte, o presidente recebeu a fatura, leu com atenção,
refletiu por alguns momentos e resolveu pagá-la sem restrições.
Na fatura, constava: “Apertar um parafuso = 1 dólar; saber qual
parafuso apertar = 999 dólares. Total = 1000 dólares”.
Uma resposta convincente, concorda? Também Jesus, quando quiseram embaraçá-lo
e perguntaram se deveriam pagar imposto ao imperador romano, respondeu: “Dai
a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Com sabedoria, deixou claro que o homem foi criado principalmente para as coisas
do alto.
A reposta de Jesus, ainda hoje, é um convite para abandonarmos nossos
horizontes limitados e ajudarmos na construção do Reino de Deus.
Na ‘cilada perfeita’ que armaram para Ele, se apoiasse o tributo
imperial, iria se expor ao ódio dos judeus; se não apoiasse, seria
denunciado aos romanos como revolucionário e agitador do povo. Sabiamente,
Jesus Cristo calou os líderes judaicos com suas célebres palavras.
E como recebemos dons do Espírito Santo, continua sendo possível
agir com sabedoria em situações embaraçosas. Foi o que
aconteceu numa escola de ensino médio, onde um jovem tomou para si a
responsabilidade de discordar do palestrante:
- Vocês, coroas, cresceram num mundo diferente. Nós temos internet,
celular, viagens espaciais e tecnologias inovadoras. Temos ainda energia nuclear,
carros elétricos e computadores com grande capacidade de processamento.
Sabemos melhor do que vocês como nos comportar no mundo moderno.
A resposta do professor foi precisa:
- Você pode estar certo, filho. Nós não tivemos muitas dessas
coisas quando éramos jovens, por isso as inventamos e as desenvolvemos
para vocês. E você, o que está fazendo para a próxima
geração?
Todos aplaudiram ruidosamente o conferencista.
Pois é, tomara que esta história sirva de exemplo para cada cristão,
sinalizando que não pode viver alienado do planeta globalizado, mas é
importante ser fermento, sal e luz para um mundo melhor. Fundamentado na caminhada
do povo de Deus, o cristão pode fazer uma diferença saudável
na comunidade - atuando como embaixador divino, a começar na família.
E não se esqueça: a Semana da Família começa neste
domingo, dia 9 de agosto, com missas diárias na Matriz Nossa Senhora
da Soledade, envolvendo toda a Paróquia. Não fique de fora.
Mas, para concluir os ‘sábios argumentos e respostas’ que
preparei, eis outra lição, que também serve de reflexão
para o ‘dia dos pais’:
Num domingo pela manhã, um importante professor estava lendo jornal no
jardim de casa quando o pai sentou-se ao seu lado. O velho havia sofrido um
derrame há anos e, desde então, não pronunciava bem as
palavras. De repente, o senhor idoso apontou para o topo de uma árvore
e resmungou algo para o filho. E ele respondeu:
- É um simples pássaro, pai.
Assim que voltou a atenção para o jornal, seu pai novamente apontou
para a árvore e mostrou algo a ele. O professor repetiu:
- É só um pássaro, pai. Deixe-o em paz que daqui a pouco
ele vai embora.
Mas quando notou que o velhinho insistia em lhe mostrar o passarinho, o filho
desabafou:
- Pai, eu já lhe disse que isto não passa de uma avezinha sem
importância. Pare de ficar perdendo tempo com isso! Que coisa chata!
Então, a mãe do professor veio ao jardim e perguntou ao filho:
- Por que você está gritando com seu pai?
- Ele não pára de me mostrar um passarinho na árvore! Que
importância tem isso?
Abraçando o marido, a senhora disse ao filho:
- Querido, quando você era pequeno, eu me lembro que seu pai o levava
passear no bosque todo final de semana. Chegando próximo ao lago, você
apontava para um peixe e sorria. Imediatamente seu pai lhe respondia que era
um peixinho e o levava mais perto para vê-lo melhor. E vocês ficavam
muito tempo fazendo a mesma coisa: você mostrando o lago e seu pai, pacientemente,
explicando que era um lindo peixinho. E cada vez que ele repetia isso a você,
lhe dava um carinhoso beijo na face.
PONTES QUE NÃO CAEM - 26 JULHO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Num lugar distante, havia uma comunidade rural com dificuldades de alimentos
porque a população crescia além das possibilidades de abastecimento.
A cidade mais próxima ficava a 300 quilômetros e, sem transporte
disponível, as pessoas sobreviviam praticamente daquilo que plantavam.
Porém, perto dali, existia um território fértil, com muitas
frutas, hortaliças e sem habitação de humanos. O único
problema àqueles que passavam fome era um profundo abismo entre os dois
lugares. Por diversos anos tentaram algum caminho alternativo para chegar à
terra fértil, mas o grande abismo geográfico os impedia de alcançar
os alimentos. Então, após muita reflexão, resolveram construir
uma ponte.
O desafio era grande e sabiam que precisariam se unir para atingir o objetivo;
por isso, trabalharam dia e noite até concluírem a obra. Demoraram
mais do que o previsto; foram anos e anos montando a estrutura super-reforçada
- dimensionada para resistir a qualquer tipo de carga. Construíram-na
para toda a vida.
No dia da inauguração, a população que passava fome
atravessou a ponte e foi para a colheita. Encheram centenas de sacos, cestos,
e voltaram felizes para casa. Nas semanas seguintes, fizeram o mesmo até
que, com o tempo, as plantações e os frutos acabaram.
Dias após, vários animais que viviam do outro lado do abismo começaram
a atravessar a ponte, invadindo casas à procura de comida. Eram cobras,
lagartos, macacos, sapos e muitos outros bichos que assustavam a população.
A situação ficou tão fora de controle que, com dor no coração,
resolveram derrubar a ponte. Mesmo sem querer, tornaram a respeitar o equilíbrio
da fauna e da flora que haviam alterado; e voltaram a passar fome.
Bem, esta história tem alguns significados especiais em nossas vidas.
Se refletirmos naquilo que fazemos a cada dia, concluiremos que construímos
muitas ‘pontes’ e as derrubamos quando bem entendemos. Algumas pessoas
entram em trabalhos pastorais, participam do planejamento dos agentes e, sem
nenhum compromisso com o grupo, resolvem abandonar o barco. Deus merece essa
falta de consideração? Será que, sozinhos, continuam edificando
pontes que nunca caem?
No último final de semana, durante a apresentação do ‘XXII
Laboratório Coral de Itajubá-MG’ - um grande sucesso, como
sempre -, eu ouvi a filha do grande maestro Amaury Vieira falar do regente de
Campinas. Segundo a Marina, muito mais do que a competência do Rafael,
ele desenvolve um trabalho na alma dos cantores, com amor no coração.
Achei muito bonito esse tipo de reconhecimento.
Também na semana passada, participando em Brasília do ‘VII
Seminário do Reuni’ - Reestruturação e Expansão
das Universidades Federais -, ouvi a reitora da Universidade de Alagoas dizer
os oito jeitos de melhorar o mundo neste milênio. Falou mais ou menos
isto:
1. Acabar com a miséria e a fome.
2. Educação básica para todos.
3. Igualdade para a mulher.
4. Reduzir a mortalidade infantil.
5. Cuidar da saúde das gestantes.
6. Erradicar a malária, a AIDS e outras doenças contagiantes.
7. Aumentar a qualidade de vida e os cuidados com o meio ambiente.
8. Favorecer o desenvolvimento nos países subdesenvolvidos.
Na minha opinião, faltam dois itens na relação:
9. Confiar mais na oração.
10. Fazer tudo com amor.
Aliás, somente os dois primeiros e últimos da lista já
seriam suficientes para transformar o mundo. Se assumíssemos esses compromissos,
nada seria tão triste como antes e as pontes de amor durariam para sempre.
A cada gesto de amor, mais uma pedrinha é colocada na ponte que nos levará
ao Céu.
Veja que mensagem bonita foi transmitida numa sala de aula:
- Professora, o que é o amor?
A mestra, então, pediu que cada aluno saísse e trouxesse algo
que expressasse o sentimento de amor. Ao voltarem, os meninos foram mostrando
as idéias que tiveram:
- Eu trouxe esta flor, não é linda?
- Eu trouxe esta borboleta. Vou colocá-la em minha coleção.
- Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho junto
com outro irmão.
E assim, as crianças iam relatando o que tinham trazido. Aí, a
professora notou uma menina que tinha ficado quieta o tempo todo, pois nada
havia trazido.
- Meu bem, por que você não trouxe alguma coisa?
- Desculpe, professora. Vi a flor, mas fiquei com pena de arrancá-la.
Depois, vi a borboleta, linda, colorida. Parecia tão feliz voando que
não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho
caído, mas olhei para o ninho, vi sua mãe olhando tão triste
que resolvi devolvê-lo. Portanto, trouxe o que não posso lhe dar:
o perfume da flor, a liberdade da borboleta e a gratidão no olhar da
mãe do passarinho. Foi por isso que não trouxe nada em minhas
mãos.
A professora agradeceu e lhe deu a nota máxima. Fez, ainda, este comentário:
- O verdadeiro amor é aquele que trazemos no coração, e
foi isso que você nos deu. Parabéns, minha querida, continue sempre
assim.
O PASTOR E O REBANHO - 19 JULHO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Numa cidadezinha de Minas, havia uma figueira carregada dentro do cemitério.
Dois amigos decidiram entrar lá à noite e pegar todos os figos
- para vender compotas de doce. Pularam o muro, subiram na árvore com
sacolas penduradas nos ombros e começaram a dividir os frutos.
- Um pra mim, um pra você. Um pra mim, um pra você.
- Hei, você deixou dois grandes caírem do lado de lá do
muro - disse o outro.
- Não faz mal. Depois que terminar aqui, a gente pega eles.
- Então, tá. Mais um pra mim, um pra você.
Enquanto isso, passando do lado de fora do cemitério, um bêbado
escutou esse negócio de ‘um pra mim, um pra você’ e
saiu correndo para a delegacia. Chegando lá, disse ao policial:
- Seu guarda, vem comigo. Deus e o diabo estão no cemitério dividindo
as almas dos mortos!
- Ah, cala a boca seu bêbado - respondeu o soldado de plantão.
- Juro que é verdade, vem comigo.
Tanto insistiu que os dois foram até o cemitério. Aproximando-se
do muro, começaram a escutar: ‘Um pra mim, um pra você’.
E o guarda comentou assustado:
- É verdade, é o dia do apocalipse! Eles estão dividindo
as almas dos mortos! O que será que vem depois?
Dentro do cemitério, os dois concluíram:
- Um pra mim, um pra você... e, pronto, acabamos. Agora a gente vai lá
fora e pega os dois que estão do outro lado do muro.
E o bêbado gritou ao policial:
- Correeeeeeee!!!
Esta piada eu contei na XVIII Assembléia Nacional Festiva do OVISA, que
se realizou na semana passada em Itajubá-MG, Ginásio Poliesportivo
da UNIFEI, com as presenças: do doutor Jorge, nosso prefeito; do padre
Edvaldo, nosso pároco, além de uma multidão de pessoas.
OVISA é um movimento católico de casais que significa: ‘Orientação
para a Vivência Sacramental’, e dez regionais se fizeram presentes:
Vale do Paraíba, Goiânia, Campinas, Campo Grande, Sul Mineira,
Brusque, Cuiabá, Corumbá, São Paulo e Bolsão Sul
Matogrossense.
Portanto, casais de várias partes do Brasil estiveram conosco numa grande
festa que nunca será esquecida. Nem tenho palavras para explicar como
foram as apresentações das regionais, mas quem deixou saudades
foi o Bispo Diocesano de Lins, Dom Irineu Danelon. Ele, um dos fundadores e
padrinho do Movimento, marcou presença nos três dias e nos fez
rir e calar com maestria. Eis algumas reflexões que me recordo:
- Do Coração de Jesus sai beleza pura, mas sem mistura... Você
casou com a moça e agora tem que amar a vovó... Quando pensamos
que sabemos todas as respostas, a vida muda as perguntas... Não soluce,
solucione... A nossa ‘caixa preta’ é a própria consciência,
que guarda tudo... Quem tem tempo para se alimentar, tomar banho e ir ao banheiro
todos os dias, precisa ter tempo para Deus... A pessoa mais sábia do
mundo é aquela que tem maior desejo de amar.
E entre suas colocações, Dom Irineu encaixava brincadeiras, passava
o microfone fazendo perguntas aos participantes e tocava nos corações.
Uma das piadas que contou e teve um desfecho que arrancou aplausos foi esta:
- Disseram-me que em Minas a ambulância não tem sirene. O motorista
coloca dois mineiros na frente, gritando: uai, uai, uai, uai... (risos!). Mas,
vocês sabem o que significa ‘uai’? Quem não sabe, agora
vai aprender pra nunca mais esquecer. Significa: ‘Unidos no Amor Incondicional’
(aplausos).
A partir daí, a toda hora ele nos lembrava que os casais não podem
se esquecer do ‘UAI’. E falando sobre o tema da Assembléia
- A Importância da Família na Igreja -, continuou:
- Rapadura é doce, mas não é mole não! Então,
beleza pura sem mistura não é fácil, mas é muito
bom... Só termina a noite e começa o dia para o cristão
quando olha para o próximo e vê o rosto do irmão... Jesus
prometeu estar ao nosso lado até a consumação dos séculos,
mas, primeiro, Ele quer morar em nossa casa... Ovisista não morre simplesmente,
mas dá a vida por amor. Como disse Jesus: “Fazei isto em memória
de mim”... A Sabedoria que se fez carne e habitou na Terra, até
hoje está acessível a nós. Rios de água viva irão
brotar dentro de você se não tiver medo de amar.
Bem, se eu lembrasse de tudo, não caberia neste jornal, mas é
importante dizer que Dom Irineu ordenou 139 padres e 5 deles já são
bispos! Ao presidir a Celebração da Eucaristia no domingo, ele
nos lembrou das palavras do saudoso Papa João Paulo II: “A família
é um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos e é
patrimônio da humanidade inteira”.
Eu quero agradecer ao Álvaro e Soeli, coordenadores da Assembléia,
por confiarem a apresentação do evento a mim e a minha esposa,
e, também, por convidarem minha filha, Soraia, para representar a nossa
regional com sua linda voz. Tudo foi tão maravilhoso que não houve
reclamações, só elogios. E quando 700 pessoas se alegram
em Cristo é porque a ação do Espírito Santo foi
muito forte em cada coração.
Comemorando 40 anos de serviço a Deus, viva o OVISA!
DUAS HISTÓRIAS E UMA LIÇÃO - 12 JULHO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Primeira: Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, que todo dia às
8 da manhã está vestida, bem penteada e discretamente maquiada,
apesar de sua pouca visão. Agora ela se mudou para uma casa de repouso
- o marido, com quem viveu 70 anos, faleceu recentemente.
E lá chegando, deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que
seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção
ao elevador, a moça fez uma descrição do minúsculo
quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela. Dona Cacilda
a interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabava de ganhar um filhotinho
de cachorro:
- Ah, eu adoro essas cortinas!
- Mas, a senhora ainda nem viu o quarto!
- Isso não tem nada a ver; felicidade é algo que você decide
por princípio. Se gostarei ou não, não depende de como
a mobília estará arrumada. Dependerá de como eu preparo
minha expectativa, e já resolvi que vou adorar! É uma decisão
que tomo todo dia quando acordo; sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama,
contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não
funcionam bem, ou posso levantar agradecendo pelas outras partes que ainda me
obedecem.
- Simples assim? - questionou a moça.
- Nem tanto, isso é para quem tem autocontrole. Exigiu de mim certo treino
pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos
e escolher os sentimentos.
Chegando ao quarto, calmamente a senhora continuou:
- Cada dia é um presente de Deus e, enquanto meus olhos se abrirem, vou
focalizar as lembranças alegres que guardei para esta época da
vida. A velhice é como uma conta bancária: você só
retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é
depositar um monte de felicidades na sua ‘conta de lembranças’.
Como vê, eu ainda continuo investindo e acredito que, por mais complexa
que seja a vida, sábio é quem a simplifica.
Depois, pediu para a atendente ler em seu caderninho a mensagem: ‘como
manter-se jovem’. Estava escrito:
1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isso inclui
a idade, o peso e a altura. Permita que os médicos se preocupem com isso.
2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam você
para baixo.
3. Aprenda sempre mais sobre artes, jardinagem, o que quer que seja. Não
deixe que o cérebro se torne preguiçoso. Uma mente preguiçosa
é como a velha oficina do alemão. E o nome do alemão é
‘Alzheimer’!
4. Aprecie as pequenas coisas. Um dia, elas serão grandes em sua vida.
5. Ria muitas vezes durante muito tempo. E se tiver um amigo que a faça
rir, passe mais tempo com ele também.
6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente e supere. A única pessoa
que fica consigo toda a vida é você mesma. Viva enquanto estiver
viva!
7. Rodeie-se das coisas que ama, quer sejam: a família, animais, plantas,
hobbies, tudo que lhe dá prazer.
8. Tome cuidado com a sua saúde. Se for boa, mantenha-a. Se for instável,
melhore-a. Se não consegue melhorá-la, procure ajuda.
9. Não faça viagens nostálgicas. Essas não ajudam
você buscar a felicidade.
10. Diga às pessoas que as ama a cada oportunidade. Nada vale a pena
se não tocarmos o coração de alguém.
Segunda: Oito da noite, numa avenida movimentada e o casal já estava
atrasado para jantar na casa de amigos. O endereço era novo e ela consultou
o mapa da cidade antes de sair da sua residência. Ele conduzia o carro
e a esposa o orientava: pediu para que virasse na próxima rua à
esquerda. Ele tinha certeza que era à direita e ameaçou uma discussão
com ela.
Percebendo que além de atrasados poderiam ficar mal-humorados, a mulher
deixou que ele decidisse. Então, o marido virou à direita e viu
que estava enganado. Embora com dificuldade, admitiu o erro e fez o retorno.
Ela sorriu e disse que não havia nenhum problema se chegassem alguns
minutos mais tarde, mas ele ainda provocou:
- Se tinha tanta certeza que eu estava indo pelo caminho errado, devia ter insistido
um pouco mais, como sempre faz!
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro agora ser feliz. Estávamos
à beira de uma discussão e, se eu insistisse mais, teríamos
estragado a noite - respondeu ela.
Pois bem, estas histórias abordam a busca da felicidade. Na primeira,
a senhora idosa, mesmo sozinha neste mundo, não desistiu de ter paz e
alegria a cada dia. Na segunda, a esposa mostrou que quando um não quer,
dois não brigam. São exemplos de pessoas sensatas e mensageiras
do amor.
Na semana passada, dois fatos poderiam ter tirado a paz do meu coração.
Nosso cachorrinho de 10 anos, Pierre, morreu. Eu estava no Paraná e recebi
a notícia por telefone. Minha filha, Soraia, estava em prantos, pois
era ela que mais cuidava dele. Dias depois, já de volta a Itajubá-MG
e saindo para Ouro Preto-MG, encostei o pneu do carro na tampa do reservatório
d’água do prédio e o rasguei. Estava novíssimo!
Tanto no primeiro como no segundo caso, eu poderia ter me desesperado ou ficado
revoltado; mas, escolhi continuar sereno e feliz. Deus sempre sabe o que faz!
SEMPRE A SERVIÇO DE DEUS - 5 JULHO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Enfim, férias! E quem não deseja se envolver com coisas diferentes
num passeio de férias? Pois é, saí de Itajubá-MG
no dia 1º de julho pensando assim; mas, quando cheguei à casa da
minha filha em Rio Negro-PR, sul do Paraná, quis fazer contato com os
vicentinos da cidade vizinha - Mafra, Santa Catarina. Na sexta-feira à
noite, soube que teriam Escola de Caridade no sábado e, ainda, que o
instrutor convidado não poderia comparecer. Pronto, comecei a preparar
a aula!
O tema era ‘espiritualidade vicentina’, assunto que já ministrei
algumas vezes; porém, sem material adequado em mãos, pesquisei
na internet e encontrei boas reflexões a respeito. Primeiro, procurei
por ‘espiritualidade’ e logo surgiu isto:
“Uma vez perguntaram ao Dalai-Lama o que significava espiritualidade,
e ele deu uma resposta extremamente simples:
- Espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança
interior.
Não entendendo direito, alguém o questionou novamente:
- Mas, se eu praticar a religião e observar as tradições,
isso não é espiritualidade?
O Dalai-Lama respondeu:
- Se não produzir em você uma transformação, não
é espiritualidade. - E acrescentou: - Um cobertor que não aquece
deixa de ser cobertor.”
Então, por este texto, espiritualidade é aquilo que produz dentro
de nós uma mudança. E o ser humano é um ser de mudanças,
pois nunca está pronto, está sempre se transformando: física,
psíquica, social e culturalmente.
Há mudanças que são interiores; são verdadeiras
transformações capazes de dar mais sentido à vida e abrir
novos campos de experiência e de profundidade rumo ao próprio coração
e ao mistério de todas as coisas. Graças a Deus, sabemos que isso
ocorre principalmente no âmbito da religião.
E, em outro site, Frei Patrício Sciadini também escreveu sobre
o tema:
“Uma das palavras mais usadas nestes últimos tempos é espiritualidade,
porque nos faz muita falta para o equilíbrio de nossa vida. Dizem os
psicólogos que quando se fala muito de uma coisa é porque não
a possuímos e, portanto, somos carentes do que dizemos. O que posso afirmar
é que a espiritualidade não é uma teoria que preenche o
coração de ninguém. Para que a espiritualidade se torne
algo pessoal deve sair do papel, do campo das idéias e se fazer vida.
Somente quem vive olhando para o alto, não se deixando escravizar pelas
coisas da terra, pode lentamente tornar-se uma pessoa espiritual. Devemos evitar
o espiritualismo que nos impede de compreender que a ação é
o caminho certo de toda forma de espiritualidade.
E a verdadeira espiritualidade é fruto de uma luta corajosa, forte, onde
ficamos feridos, arranhados e sangrando; mas, não desistimos. Um dos
textos que mais me ajudam como aprender a autêntica espiritualidade é
a carta de São Paulo aos gálatas. Ele nos recorda a beleza da
nossa vocação, deste caminho espiritual que devemos percorrer
e que devemos sempre ter presente na vida: ‘fostes chamados para a liberdade’.
Existem várias espiritualidades: budista, muçulmana, hinduísta,
judaica... são janelas pelas quais as pessoas veem a vida. Mas, nós
queremos ver a vida pela janela do Evangelho e do coração de Deus;
por isso, o único alicerce de toda espiritualidade é a Palavra
de Deus, que nos alimenta em cada momento. Os frutos do Espírito, que
são o sinal do autocontrole e do senhorio de nós mesmos, nos fazem
entrar na verdadeira liberdade. São eles: caridade, alegria, paz, longanimidade,
afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência. Contra
estes, não há lei. (veja: Gálatas 5, 22-23)
Mas, afinal o que é espiritualidade? É um estilo de vida pautado
pelo Evangelho que visa a imitar a pessoa de Jesus. Seremos espirituais quando
pudermos dizer com a mesma sinceridade de Paulo apóstolo: ‘Não
sou mais eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim’.”
E no sábado, antes da aula, consegui o material que procurava, onde dizia
que a espiritualidade vicentina é a maior riqueza da Sociedade São
Vicente de Paulo. Diz a Regra: ‘Os vicentinos procuram pela oração,
pela meditação das Sagradas Escrituras e pela fidelidade aos ensinamentos
da Igreja, ser testemunhas do amor a Cristo em suas relações com
os mais desprovidos’.
Mas o carisma vicentino também está centrado em três personagens
importantíssimos na vida da Igreja: São Vicente de Paulo, o bem-aventurado
Antônio Frederico Ozanam e Nossa Senhora. Aprendemos a imitar Jesus Cristo,
confiar na Providência Divina e praticar as virtudes da humildade, caridade,
obediência e paciência - no serviço junto aos mais carentes.
Enfim, mesmo de férias, na abençoada mensagem que passei aos vicentinos,
lembrei que a nossa espiritualidade reside na visita aos pobres. Devemos ajudá-los,
não por imposição ou obrigação, mas por amor
a Deus, reconhecendo que a alma da SSVP é a vivência da aproximação
ao Cristo sofredor - presente nos pobres.
Na leitura de preparação, aprendi mais um pouco e cresci em espiritualidade.
O TEMPO VOA – 28 junho 2009
Paulo R. Labegalini
Você já disse alguma vez que ‘o tempo voa’? Pois é,
pode até não ser verdade, mas já estamos no segundo semestre
do ano! E a sua vida, como vai? Muitos problemas para resolver? Por maiores
que sejam, há gente com preocupações piores do que as suas,
com certeza.
O mais importante é termos paz de espírito, com tempo para rezar,
servir o próximo, participar dos sacramentos e perdoar. Sempre que agimos
assim, muitas bênçãos recaem abundantemente sobre nós
a cada instante. Mesmo com problemas financeiros ou de saúde, se estamos
com o coração limpo de pecados, conseguimos caminhar com dignidade
cristã; mas, para isso, é preciso confiar na graça.
E para confiar na providência Divina, temos que nos libertar: das superstições,
de acreditar que somos azarados, de achar que tudo é coincidência,
enfim, nada é fruto do destino porque qualquer coisa pode ser mudada
pela oração. Você crê nisto?
Nem é preciso dizer que se eu não acreditasse, não rezaria
o Terço nem coordenaria pastorais na Igreja de Jesus Cristo. O amor que
vem do alto me impulsiona a não ficar parado quando Deus me chama, e
isso tem acontecido cada vez mais ano após ano. Tenho consciência
que ainda é pouco porque não estou aposentado e também
curto minha família; mas, acredito que faço a minha parte.
Só estou fazendo esta reflexão porque participei do 31º Encontro
do OVISA e fiquei maravilhado com tantos testemunhos de fé e perseverança
nos caminhos santos do Senhor. Quando disseram que ‘se agarraram com unhas
e dentes nas mãos de Deus para não cair em tentação’,
passava em minha mente o desejo que todos os meus amigos e parentes fossem assim.
E seriam, se o Reino já estivesse sido construído na Terra. Mas,
por que falta essa visão de santidade a tanta gente?
Aconteceu que o dono de um pequeno comércio, amigo do grande poeta Olavo
Bilac, certo dia abordou-o na rua e disse:
- Sr. Bilac, estou querendo vender o sítio que o senhor tão bem
conhece. Será que poderia redigir o anúncio para o jornal?
Olavo Bilac apanhou lápis e papel e escreveu: ‘Vende-se encantadora
propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo,
cortado por cristalinas e merejantes águas de um lindo ribeirão.
A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes na
varanda’.
Alguns meses depois, o poeta encontrou-se com o comerciante e perguntou-lhe
se já havia vendido o sítio.
- Não pensei mais nisso - disse o homem. - Depois que li o anúncio
é que percebi a maravilha que eu tinha!
Então, às vezes não percebemos as coisas boas que possuímos
e vamos longe atrás da miragem de falsos tesouros. Devemos valorizar
o que temos e que nos foi dado gratuitamente por Deus: os amigos, o emprego,
o conhecimento que adquirimos, a saúde para ajudar o próximo,
o sorriso dos filhos, a fé no coração e o afago do cônjuge.
Estes, sim, são verdadeiros tesouros do Reino de Deus.
Se muitos tivessem consciência do quanto suas vidas são efêmeras,
talvez pensassem duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que têm
de ser e de fazer os outros felizes. Flores são colhidas cedo demais
- algumas, mesmo ainda em botão. Há sementes que nunca brotam
e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala
por pétala, tranquilas, se entregam ao vento. Mas há quem não
sabe discernir, não sabe por quanto tempo estarão presentes e
tampouco aquelas flores que foram plantadas ao seu redor.
Generalizando um pouco, entristecemo-nos por coisas pequenas e perdemos horas
preciosas. Não damos um beijo carinhoso porque não estamos acostumados
com isso e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente
o que sentimos.
E passa a noite, chega o dia, o sol nasce e adormece, e continuamos os mesmos,
fechados em nós. Reclamamos do que não temos ou achamos que não
temos suficiente. Cobramos dos outros, da vida, de nós mesmos.
Costumamos comparar nossas vidas com as vidas daqueles que possuem mais que
a gente. E se experimentássemos comparar com aqueles que possuem menos?
Isso faria uma grande diferença, não é mesmo? Enquanto
isso, o tempo passa...
Passamos pela vida e não valorizamos a graça. Sobrevivemos, porque
não sabemos fazer outra coisa. Até que, inesperadamente, acordamos
e olhamos pra trás. E então nos perguntamos: e agora?
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço
amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos. Nunca se
é velho ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer
um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos.
Olhe para frente! Ainda é tempo de apreciar as flores que estão
inteiras ao seu redor. Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer
pela vida, que mesmo efêmera, está presente em você.
Pense, aproveite mais espiritualmente sua vida, pois daqui a pouco o ano estará
acabando.
O PLANO DE DEUS - 21 JUNHO 2009
Paulo Roberto Labegalini
No XXV Encontro Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades
Públicas Brasileiras - que participei em João Pessoa-PB na semana
passada -, falaram muito dos direitos humanos que, no artigo I da ‘Declaração
Universal’, diz assim: “ Todas as pessoas nascem livres e iguais
em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência,
e devem agir em relação umas às outras com espírito
de fraternidade”. Também foi dito no Encontro da Paraíba
que se esses direitos não forem ‘automáticos’ em alguns
grupos ou classes sociais, devem ser conquistados.
Sabemos que muitas políticas públicas visam consolidar os direitos
de toda a população, quer sejam educacionais, econômicos,
sociais ou políticos. Quando isso acontecer, esperamos que os conflitos
não se resolvam mais pela violência; mas, se a liberdade, a igualdade
e a fraternidade são defendidas por todos, por que ainda há tantas
exclusões sociais no mundo?
Acredito que a liberdade e a igualdade avançaram muito nas conquistas
de direitos humanos ultimamente, mas a fraternidade ainda padece. Tenho visto
grupos religiosos defendendo e praticando a fraternidade, mas, fora disso, pouco
se faz. O desafio de levar o pão e a Palavra de Deus às pessoas
é privilégio da minoria na nossa sociedade.
A dignidade do ser humano deveria ser levada mais a sério e encarada,
de fato, como a principal responsabilidade nas ações de cada cristão,
porque, sem fraternidade - no sentido de amor ao próximo -, as portas
do Céu poderão estar fechadas após a morte. Infelizmente,
há pessoas que só pensam em aproveitar a vida e não se
importam com seus destinos na eternidade. Assim como eu, penso que todos foram
avisados de que a salvação da alma acontece aqui na Terra; depois,
se tivermos pecados graves acumulados em vida, o castigo poderá ser cruel.
Mas, será que a condenação do ser humano está nos
planos de Deus? Ele planejou: os astros não se chocarem, o coração
humano bombear sangue para gerar vida; o morcego, mesmo cego, ser guiado por
radar; a água circular na Terra de maneira perfeita; o ar atmosférico
ser composto por vários gases, e cada um com sua função;
a natureza, por si só, permanecer em harmonia; enfim, se Deus fez tudo
com impressionante sabedoria, não iria querer que seus filhos se perdessem
em pecados; concorda?
Ele poderia ter criado uma só flor, um só tipo de fruto, uma só
estrela, um único som e apenas um animal. Já pensou como seria
chato ver o mesmo passarinho cantando a mesma música em cima da mesma
rosa enquanto comêssemos o mesmo abacate? E mais: sempre de dia, se a
noite não existisse. Mas, graças à generosidade de Nosso
Senhor, o homem pode desfrutar infinitas diversidades no mundo para o seu bem
estar. Deus desenvolveu um Plano de Amor!
E com tudo que está ao nosso alcance, a felicidade pode ser conquistada
a cada dia por diferentes caminhos. Na Bíblia, encontramos muitas experiências
de salvação daqueles que confiaram na Família Divina: Pai,
Filho e Espírito Santo. Entenderam que o Plano de Deus consiste em criar
alguém em condições de receber a vida eterna. E Jesus Cristo
testemunhou o quanto somos abençoados: “Eu vim para que todos tenham
vida, e vida em abundância” (Jo 10, 10).
Quando Deus libertou o povo hebreu da escravidão do Egito, concedeu libertação
a toda a humanidade. Quando Jesus ofereceu o seu corpo e o seu sangue - mudando
o sentido da Páscoa judaica -, resgatou nossa salvação
por meio do amor-doação. Hoje, através dos sacramentos,
nos tornamos herdeiros da graça do Pai - vivendo a Eucaristia, damos
continuidade ao processo de libertação.
Porém, como eu disse, há aqueles que preferem romper com o Plano
de Deus porque acreditam mais no poder da força do que na força
do amor; procuram mais dinheiro do que o tesouro do Reino; preferem o status
ao invés da solidariedade. São pobres de espírito por insistirem
em não entender que a riqueza de poucos e a pobreza de muitos não
faz parte da criação do Universo; bem como não são
da vontade de Deus os vícios, as bombas, o aborto, o divórcio,
as crianças e os velhos abandonados.
Então, o que o Criador quer de nós? Com certeza, que sejamos todos
irmãos e cuidemos melhor uns dos outros. Independente de classes sociais
ou níveis intelectuais, temos que nos unir para um mundo melhor. Isso
pode e deve começar em casa, na família.
No capítulo 6 do Evangelho de São Mateus, temos uma orientação
de Jesus Cristo para a nossa vida espiritual: “Nas vossas orações,
não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições
porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais
como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós
lhe pedirdes. Rezai, pois, assim: ‘Pai nosso, que estás no Céu,
santificado seja o teu nome, venha o teu Reino; faça-se a tua vontade...’
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai
celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes
aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará
as vossas”.
Assim como dizemos ‘Pai nosso’ porque Ele é o Pai dos que
têm fé, também chamamos a Cristo de ‘nosso Pão’
porque Ele é o alimento dos que comungam o Pão Vivo que desceu
do Céu. Comendo desse Pão, estaremos aceitando o Plano de Deus
para vivermos eternamente em Seu amor.
E unindo a nossa família à Sagrada Família, a paz permanecerá.
COISAS DE CRIANÇA - 14 JUNHO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Leia esta história:
A semana passada, levei meus filhos a um restaurante; e o menor, de 6 anos,
me perguntou se poderia dar graças. Quando concordamos, ele disse:
- Deus bom, Deus maravilhoso, obrigado pela comida. Eu ficarei ainda mais agradecido
se mamãe nos der sorvete como sobremesa, amém!
Junto com os sorrisos dos outros clientes do lugar, eu escutei uma mulher comentar:
- É isso que está errado com este país: as crianças
não sabem rezar! Pedir sorvete a Deus? Eu nunca vi coisa assim!
Escutando isso, meu filho derramou algumas lágrimas e me perguntou:
- Eu fiz alguma coisa errada, pai? Deus está zangado comigo?
Enquanto eu o abraçava e dizia que ele tinha feito uma oração
linda, um cavalheiro mais idoso se aproximou da mesa. Deu uma piscada para o
meu filho e disse:
- Fiquei sabendo que Deus achou uma excelente oração. Dou-lhe
a minha palavra que é verdade.
Então, indicando a mulher cujo comentário havia desencadeado a
conversa, ele acrescentou:
- Que pena que ela nunca tenha pedido sorvete a Deus. Às vezes, um pouco
de sorvete faz bem para a alma.
Naturalmente, compramos sorvetes para nossos filhos no fim da refeição.
O caçula olhou para a sua sobremesa e fez algo que me lembrarei pelo
resto da vida. Ele pegou o sundae, caminhou na direção da mulher
da mesa vizinha e colocou em frente a ela. Com um sincero sorriso, falou:
- Aqui, este é para a senhora. Sorvete às vezes é bom para
a alma; e a minha alma já está cheia de tanta comida. Pode comer
tudo.
Pois é, coisas assim acontecem na vida real. Quando a inocência
de uma criança é levada tão a sério a ponto de cercear
a intimidade com Deus, precisamos rever nossos comportamentos. Se Jesus pediu
que deixassem ir a Ele as criancinhas, ninguém tem o direito de impedir
que a fé dos menores continue crescendo a cada dia.
No primeiro domingo de junho, reunimos 90 pais e mães de crianças
da catequese na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração. Enquanto
os filhos eram evangelizados, o noviço César fez uma linda reflexão
com os adultos, falando da devoção ao Sagrado Coração
de Jesus. Foi uma manhã abençoada, que se repete a cada mês,
por iniciativa da Catequese e da Pastoral Familiar.
Nós dizemos que os filhos ‘puxam’ os pais para a igreja e,
de certa forma, isso é verdade. Na pureza de cada menino ou menina, os
pais atendem ao pedido de comparecerem nas palestras e acabam voltando. E, acredito,
veem os filhos rezando em casa, como na história do restaurante. Veja
esta outra:
Era uma vez um menino pequeno que contrastava com a escola bastante grande onde
estudava. Numa manhã, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho, e desenharemos flores.
Então, o menininho começou a desenhar bonitas flores com seus
lápis coloridos: rosa, laranja, azul etc.
- Esperem, vou mostrar como fazer. A flor será vermelha com caule verde,
como esta que irei colocar no quadro - explicou ela.
O garotinho olhou para a flor da professora, olhando em seguida para a sua.
Gostou mais da dele, mas não podia mudar a lição. Então,
virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora, vermelha com caule
verde.
Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora falou:
- Hoje iremos fazer alguma coisa com o barro.
Imediatamente o aluno começou a amassar sua bola de barro para fazer
um jarro, mas veio a orientação da mestra:
- Esperem, não é hora de começar! Daqui a pouco, faremos
um prato.
Ele pensou num prato fundo, porém, a professora mostrou um prato pequeno,
raso. Assim, muito cedo o menininho aprendeu a esperar, a olhar e a fazer as
coisas exatamente como a professora. Ele não fazia mais nada por si próprio.
Um dia, o garotinho teve que mudar de escola. Na primeira aula, a professora
disse:
- Vamos fazer um desenho? Podem começar.
- O que é que nós vamos fazer? - perguntou o menino. - Qual figura
e de que cor desenharei?
- Eu não sei - respondeu a professora. - Faça aquilo que sempre
quis desenhar.
Daí, o menino começou a fazer uma flor vermelha com o caule verde.
Para nós, pais, isso pode ser uma maravilha: um filho educado, obediente,
que faz as coisas exatamente como lhe ensinamos, sem mudar nada. Porém,
o futuro da criança poderá estar seriamente ameaçado se
não tiver iniciativa e criatividade nas ações. Cada vez
mais, no mercado de trabalho, são fatores muito importantes na vida de
qualquer profissional.
Então, deixemos as crianças pedirem sorvetes a Deus e desenharem,
quem sabe, flores com caules pretos. Às vezes, os corações
delas sabem mais do que os nossos. Eu imagino que o meu confrade vicentino não
chegou a vice-comandante da 5ª Companhia de Polícia Militar Independente
desenhando apenas ‘flores vermelhas com caules verdes’. Parabéns,
amigo! Você merece, grande major Batista!
LIÇÕES DO CÉU E DA TERRA – 7 JUNHO 2009
Paulo Roberto Labegalini
No início da era cristã, quando os anjos estavam reunidos no
Céu, Jesus lhes disse:
– Eu criei os seres humanos, dei-lhes inteligência, sensibilidade,
livre arbítrio e, mesmo assim, vivem me pedindo que resolva tudo por
eles. Se eu tomar a dianteira dos seus problemas, jamais crescerão! Eu
gostaria de me esconder por algum tempo, mas também quero ficar perto
para o caso de precisarem realmente de mim.
Então, um anjo falou:
– Senhor, por que não vai para o alto da montanha e fica olhando
lá de cima o que acontece com eles?
Jesus respondeu:
– Tenho certeza que me achariam rapidamente; mas, esperem, tive uma idéia:
vou me esconder dentro das pessoas, no coração de cada um! Assim,
nunca me acharão, exceto quem vive buscando tomar decisões com
o coração à frente. Eu poderei acompanhá-los o tempo
todo e ajudar aqueles que agirem com amor.
E isto ainda acontece nos dias de hoje. Há pessoas que buscam Deus onde
não está e se surpreendem quando descobrem que o Espírito
Santo esteve sempre ‘disponível’. Se pedirmos com sabedoria,
receberemos como nesta história:
Certa vez, um homem pediu a Deus uma flor e uma borboleta, mas recebeu um cacto
e uma lagarta. O homem ficou triste porque não entendeu o porquê
do seu pedido vir errado, e pensou: ‘Também, com tanta gente para
atender, Ele nem deve ter me ouvido’.
Passado algum tempo, o homem verificou que do espinhoso cacto havia nascido
uma bela flor e a horrível lagarta transformou-se numa linda borboleta.
E percebeu que Deus sempre age certo, mesmo que nos pareça errado –
Ele dá aquilo que mais precisamos no momento certo. É preciso
amar e confiar, sem vacilar, pois nem tudo o que desejamos é exatamente
o que necessitamos.
Se rezarmos, os espinhos de hoje serão as flores de amanhã. E
a providência Divina é tão grande que os presentes chegam
a todo instante, principalmente por intermédio das pessoas que nos cercam.
Veja que surpresa maravilhosa aconteceu na data natalícia de uma jovem:
Conta-se que uma menininha entrou na loja e pediu para embrulhar um colar de
turquesas azuis.
– É para minha irmã, você pode fazer um pacote bem
bonito? – disse ela ao balconista.
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e perguntou:
– Quanto dinheiro você tem?
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi
desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e disse:
– Isto dá, não dá? – mostrando apenas algumas
moedas que exibia orgulhosa. – Sabe, eu quero dar este presente para minha
irmã mais velha. Ela cuida de mim desde que mamãe morreu e não
tem tempo para mais nada. Hoje é seu aniversário e tenho certeza
que ficará feliz com o colar, que é da cor dos olhos dela.
O homem foi para o interior da loja, colocou o colar num estojo, embrulhou-o
com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com fita azul.
– Tome – disse para a garotinha. – Leve com cuidado.
Ela saiu saltitando pela rua abaixo, mas não demorou para que uma linda
jovem de cabelos loiros adentrasse na mesma loja. Colocou sobre o balcão
o conhecido embrulho e interrogou o proprietário:
– Este colar foi comprado aqui. Quanto custou?
– O preço de qualquer objeto em minha loja é sempre um assunto
confidencial entre o vendedor e o cliente – respondeu prontamente o lojista.
– Mas minha irmã tinha somente algumas moedas e este colar é
verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagar por
ele!
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita
e o devolveu à jovem, dizendo:
– Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. Ela
deu tudo que tinha.
O silêncio encheu a pequena joalheria e lágrimas rolaram pela face
da jovem enquanto suas mãos pegavam o embrulho de volta. E o melhor presente
que ela ganhou no aniversário foi aprender esta lição:
a verdadeira doação é dar-se por inteiro, com amor sincero,
sem restrições.
Então, leitor, que os ensinamentos deste artigo fiquem em nossos corações
e dêem frutos a cada dia. Se não direcionarmos nossas ações
para o bem comum, não seremos dignos de participarmos do banquete celeste.
Quem deseja a presença do Espírito Santo em si, é atendido;
quem supera as provações com dignidade cristã, é
abençoado; quem pratica a caridade, ganha a vida eterna.
Há pastorais e movimentos católicos precisando demais de agentes.
Na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, sou ministro extraordinário
da comunhão eucarística, me reúno com os vicentinos às
terças-feiras, participo da Pastoral Familiar às quintas-feiras,
além da Escola Vivencial do Cursilho às segundas-feiras e preparação
para o Encontro do Ovisa às sextas-feiras. Faça um contato comigo
e receberá um convite para caminharmos juntos.
AMOR E FÉ – 31 MAIO 2009
Paulo Roberto Labegalini
O meu amigo André de Oliveira Andrade, que hoje é promotor em
Belo Horizonte, passou-me esta linda reflexão de Artur da Távola:
“Aos casados, aos que não casaram, aos que acabaram de se separar,
aos que pensam em voltar... Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado
uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda
lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar.
Encontrar alguém que faça bater forte o coração
e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro,
babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar
dentro de um ônibus lotado... Depois que acaba esta paixão retumbante,
sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter
o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos,
o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo
o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem
três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de
inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado
a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como
entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução
tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade,
qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança
em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia
ser eterna.
Casaram. Te amo pra lá, te amo prá cá. Lindo, mas, insustentável.
O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.
Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais
do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero.
Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência...
Amor, só, não basta. Não pode haver competição.
Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras
que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar
imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar.
Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Tem que ter
disciplina para educar os filhos, dar exemplo, não gritar. Uma certa
camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não
escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente,
fusão. E que amar ‘solamente’ não basta. Entre homens
e mulheres que acham que o amor é só poesia, falta discernimento,
pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom,
pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande, mas não é dois. É preciso convocar
uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da
onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio
não se basta!”
Realmente, lindo texto, embora pareça difícil viver tudo o que
o escritor nos coloca. Mas a vida, para ser vivida com sabedoria, precisa ser
bem resolvida – espiritualmente inclusive. Muita gente diz que não
se adaptou à condição de casado e prefere partir para outro
relacionamento, porém, será que rezou e teve uma experiência
verdadeira com Deus antes da separação? Veja esta história:
Um professor ateu falou durante uma hora e meia aos alunos, provando que a ressurreição
de Jesus era falsa. Ele disse que leu muitos livros e concluiu que, a partir
do momento que não havia provas materiais da ressurreição,
a tradição religiosa da Igreja caía por terra.
Depois de ouvi-lo com atencão, um jovem se levantou, colocou a mão
na sacola, pegou uma carambola e começou a comer. Em seguida, perguntou:
– Eu nunca li tantos livros como o senhor, mas gostaria que me dissesse
: esta carambola está doce ou azeda?
– Eu não tenho como lhe responder isso, pois eu não a provei!
– respondeu o mestre.
– Pois é, o senhor também nunca provou do meu bom Jesus.
Então, como pode afirmar o que está dizendo? Posso lhe contar
as vezes que Ele me tirou da cama de um hospital e outras tantas curas que minha
família já recebeu d’Ele?
O professor, dissimulando, preferiu mudar de assunto.
E na linha de amor e fé, ouvi um relato maravilhoso antes da missa de
sábado na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração.
Eu estava me preparando para animar o canto quando o senhor José Raimundo
Carneiro se aproximou e disse:
– Paulo, deixe-me contar um fato que ocorreu comigo há 41 anos.
Eu estava na Basílica de Aparecida e, vendo tanta gente rezando a Nossa
Senhora, fui até a sua imagem atrás do altar, olhei fixamente
para ela e pensei: ‘Se a senhora é tão poderosa, faça
aparecer um terço no meu bolso e rezarei esse terço o resto da
minha vida’. Em seguida, uma mão tocou no bolso lateral do meu
paletó e, para meu espanto, colocou um terço nele! Vi que foi
minha tia que fez isso, mas, com certeza, por providência de Nossa Senhora
Aparecida.
Sem comentários!
SENTIMENTOS QUE NÃO PASSAM - 24 MAIO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Quando servi o Exército em Itajubá - NPOR, 1975 -, eu ainda estava
amadurecendo na personalidade que carrego hoje. E quando converso com amigos
daquela época, vêm à mente algumas imagens agradáveis
e outras recordações um pouco tristes. O importante para mim é
concluir que o saldo é positivo a favor de momentos felizes.
Um dia em particular marcou minha vida de aluno aspirante a oficial da reserva.
No exercício de ‘Fuga e Evasão’, éramos prisioneiros
e conseguimos fugir do acampamento inimigo. Apenas nove pessoas resolveram escapar
num momento de desatenção dos guardas, e eu estava no grupo.
Fazia frio e chovia muito nas montanhas, contribuindo para o nosso sofrimento,
já que vestíamos apenas calção. E partimos em direção
à cidade de Maria da Fé, lugar ainda mais frio; mas o que incomodava
muito era a fome. Estávamos há 24 horas sem comer e ficamos felizes
quando avistamos uma casinha no campo.
Ao nos aproximarmos, uma senhora veio ao nosso encontro e, imediatamente, ouviu
o pedido meio incomum do aluno Rennó:
- Dona, a senhora tem um arrozinho com ovo pra gente comer?
A resposta alegrou nossos corações:
- Tenho sim. Já fiz a janta de hoje e vou servir vocês. Esperem
um pouco.
Devia ser mais ou menos 10 horas da manhã e, para nossa sorte, até
o jantar estava pronto naquele abençoado lar. Imaginamos que era mais
prático e econômico fazer a comida de uma só vez, antes
do almoço, mas, por nossa causa, aquela senhora teria que cozinhar tudo
de novo!
E logo chegaram os nove pratos bem caprichados. Não lembro exatamente
o que tinha de comida, mas sei que havia feijão, arroz, tomate e carne
de porco. O ovo que o Rennó pediu, não recordo se fazia parte
do cardápio. E comemos como padres! Hehehe...
Abastecidos, chegamos a Maria da Fé e as áreas alagadas não
nos permitiram continuar. Ficamos abrigados numa oficina mecânica, aguardando
a chuva passar. Como o aluno que mais tremia de frio era eu, aceitei vestir
um macacão todo sujo de graxa, que me salvou de ‘morrer congelado’.
À noite, o pai de um dos fugitivos chegou para nos levar de caminhonete
para Itajubá. E após o banho, pedi à senhora da pensão
onde eu morava ir comprar um lanche na padaria, pois eu não podia me
expor na rua para não ser preso pelos inimigos.
Bem, mas sabe por que estou contando tudo isso? Na verdade, quero me reportar
a um sentimento de ingratidão que guardo no coração, porque
não me lembro como agradeci - e se agradeci - as pessoas que me ajudaram.
‘Obrigado’ eu acredito ter dito, mas somente isso foi muito pouco!
Hoje, não sei se estão vivas, nem mesmo alguns rostos ou lugares
que viviam me recordo. Como reparar isso?
Eu rezo pela senhora da casinha no campo, pelo mecânico que me emprestou
o macacão, pelo pai do amigo que nos transportou na caminhonete e pela
dona da pensão - esta sim, sei que já faleceu. Peço a Deus
que tenham paz abundante assim na Terra como no Céu, mas ainda carrego
um pouco de culpa por não lhes ter retribuído todo o bem que fizeram.
Na época, por alguns meses sustentei o desejo de ir a Maria da Fé
levar um presente ao mecânico, mas nem o macacão devolvi pessoalmente
- seguiu pelo caminhão de leite.
Então, não somente eu, mas também você, leitor, temos
que aproveitar todas as oportunidades para retribuir o amor que recebemos. Não
podemos deixar os agradecimentos de cada dia para depois, porque novas oportunidades
poderão não existir.
Na semana passada, fui convidado a proferir duas palestras: uma em Itajubá
e outra em Pedralva. A primeira fez parte da programação da Semana
da Enfermagem e ocorreu na excelente Escola de Enfermagem Wenceslau Braz. O
tema que propus falar foi o título de um de meus livros: Mensagens que
agradam o coração. E falei de amor, de paz e de motivação
para servir o próximo com alegria. Com mais de 200 pessoas presentes,
encerrei a palestra cantando e, pela graça de Deus, fui muito aplaudido.
No sábado, em Pedralva, lugar que me ‘adotou como filho’
e me faz sentir em casa, falei para um grupo de católicos no centro pastoral
da Paróquia São Sebastião. O local também estava
lotado e o tema foi o título de outro livro: Minha vida de milagres.
Muita gente se emocionou comigo e lágrimas rolaram quando me referi às
graças que alcancei de Nossa Senhora. Depois, eu e minha esposa recebemos
algumas homenagens e cantei com os amigos na missa da noite.
Em cada lugar, fiz questão de agradecer imensamente o carinho que recebi.
Cheguei a dizer: ‘Deus lhes pague pela caridade que estão dirigindo
a mim’. Enquanto não tive certeza que entenderam a gratidão
que eu sentia pelo caloroso acolhimento, insisti no agradecimento.
Amar como Jesus amou não é fácil, porém, amar como
percebemos que somos amados por tanta gente é o mínimo que o mundo
espera de nós. Há carinho suficiente emanando dos corações
e não temos o direito de segurar isso conosco, sem retribuir. Faça
também a sua parte para não se arrepender.
UMA CIDADE A SER AMADA - 17 Maio 2009
Paulo Roberto Labegalini
Alguém que ama muito o Brasil me passou um texto pela internet contando
que, na cidade de Joinville-SC, houve um concurso de redação na
rede municipal de ensino. O título recomendado pela professora foi: ‘Dai
pão a quem tem fome’. Incrível, mas o primeiro lugar foi
conquistado por uma menina de 14 anos de idade.
Ela se inspirou exatamente na letra do Hino Nacional para redigir o texto, demonstrando
que os brasileiros precisam perceber o verdadeiro sentido de patriotismo. Leiam
o que escreveu a jovem - reflexo de amor à Pátria e uma lição
a tantos cidadãos que já não sabem mais o que é
sentimento cívico:
“Certa noite, ao entrar em minha sala de aula, vi num mapa-mundi o nosso
Brasil chorar.
- O que houve, meu Brasil brasileiro? - perguntei-lhe.
E ele, espreguiçando-se em seu berço esplêndido, esparramado
e verdejante sobre a América do Sul, respondeu chorando com suas lágrimas
amazônicas:
- Estou sofrendo. Vejam o que estão fazendo comigo! Antes, meus bosques
tinham mais flores e meus seios mais amores. Meu povo era heróico e os
seus brados retumbantes. O sol da liberdade era mais fúlgido e brilhava
no céu a todo instante. Onde anda a liberdade, onde estão os braços
fortes? Eu era a Pátria amada, idolatrada. Havia paz no futuro e glórias
no passado. Nenhum filho meu fugia à luta. Eu era a terra adorada e dos
filhos deste solo era a mãe gentil. Eu era gigante pela própria
natureza, que hoje devastam e queimam sem nenhum homem que, às margens
plácidas de algum riachinho, tenha a coragem de gritar mais alto para
libertar-me desses novos tiranos que ousam roubar o verde louro de minha flâmula.
Eu, não suportando as chorosas queixas do Brasil, fui para o jardim.
Era noite e pude ver a imagem do Cruzeiro que resplandece no lábaro que
o nosso país ostenta estrelado. Pensei:
- Conseguiremos salvar esse país sem braços fortes? Quem nos devolverá
a grandeza que a Pátria nos traz?
Voltei à sala, mas encontrei o mapa silencioso e mudo, como uma criança
dormindo em seu berço esplêndido.”
Ao concluir a leitura do e-mail que recebi, imediatamente resolvi inseri-lo
neste artigo. E você, leitor, pode até estranhar o que vou dizer,
mas acredite que falarei a verdade.
A reprodução de um texto nesta coluna leva mais tempo do que escrever
outro com idéias próprias. Primeiro, porque a formatação
e a correção ortográfica dão trabalho. Segundo,
porque concordando com o autor, assumo publicamente aquele pensamento e passo
a refletir na conclusão coerente para o assunto.
Por isso é que prefiro histórias. Quando as leio, passo a contá-las
com minhas palavras e a conclusão só cabe a mim. Ah, também
é gratificante saber que algumas professoras as levam para suas salas
de aula. As maneiras como as utilizam são muito criativas e, quando comentam
comigo, me deixam feliz.
Mas, voltando à redação da menina de Joinville, não
há como negar que o patriotismo e a cidadania já foram mais praticados
em nossas cidades. Se considerarmos apenas as formas de corrupção
e a depredação ao patrimônio público, já concluiremos
que muita coisa piorou no Brasil. Outras coisas melhoraram, é verdade,
mas o orgulho de ser brasileiro anda em baixa.
Itajubá-MG, por exemplo, pode vir a sofrer muito em qualidade de vida
se algumas instituições não se unirem no planejamento da
cidade. Todos sabem que, devido à expansão da UNIFEI nos próximos
quatro anos, contaremos com mais 3000 novas vagas em cursos de graduação.
Considerando que 80% são ocupadas por pessoas que moram fora, onde residirão
esses alunos? Como orientá-los a respeitar a nossa gente? O que fazer
para oferecer opções de lazer a tantos jovens?
Para que a nossa cidade não se inclua na história da redação
- ‘meus bosques tinham mais flores e meus seios mais amores’ -,
muitas parcerias precisam acontecer. Não nos perdoaremos se presenciarmos:
favelas sendo construídas nos bairros; vizinhos se agredindo; drogas
por todo o lado; congestionamento de veículos no centro etc. Tudo isso
pode ser evitado com união e planejamento.
Se o grande sonho da cidade é prosperar, a Universidade Federal pode
contribuir fortemente para esse objetivo, mas não há como acolher
milhares de alunos sem a ajuda da Prefeitura, das polícias Civil e Militar,
dos empresários e comerciantes, e, principalmente, de cada um de nós.
Estamos preparados? Certamente, ainda não. Então, enquanto é
tempo, vamos cuidar do que é nosso para podermos repartir amor e alegria
com os futuros habitantes.
Itajubá merece ter muita paz no futuro para continuar contando as glórias
no passado. Itajubá já nasceu deitada em berço esplêndido
- sob a proteção da Virgem Maria -, se tornou gigante pela própria
natureza e ninguém pode negar os brados retumbantes de competência
dos nossos alunos por todo o Brasil.
Nossa Senhora da Soledade, padroeira da cidade, continuará abençoando
dezenas de milhares de jovens que virão buscar formação
profissional conosco; mas, arrumar a casa para receber dignamente novos visitantes,
é dever dos cidadãos que hoje aqui estão.
O PAI NOS CONHECE - 10 Maio 2009
Paulo Roberto Labegalini
Em um julgamento, o promotor de justiça chama sua primeira testemunha:
uma velhinha de 92 anos.
- Dona Genoveva, apesar da idade que tem, quero mostrar a todos que a senhora
está lúcida. Pode nos dizer se sabe quem eu sou e o que faço?
- Claro que o conheço, Carlinhos, desde bebê! E, francamente, você
me decepcionou. Você mente, trai sua mulher, manipula as pessoas, espalha
maldades e adora fofocas. Você acha que é influente e respeitado
na cidade quando na realidade você é apenas um coitado. Ah, se
eu o conheço! E como o que conheço!
O promotor fica paralisado com as palavras da velhinha e, sem saber o que fazer,
aponta para o advogado de defesa e pergunta:
- E este, a senhora conhece?
- O Robertinho? Conheço desde criancinha! Eu cuidava dele para a Marina,
a sua mãe, coitadinha... Já sofreu tanto tentando ensiná-lo
a ser um bom homem! Ele é preguiçoso, puritano, alcoólatra
e sempre quer dar lição de moral para os outros, sem ter condições
para isso. Ele não tem nenhum amigo e ainda conseguiu perder quase todos
os processos em que atuou.
Então, o juiz pede que a senhora fique em silêncio, chama o promotor
e o advogado, e fala com eles em voz baixa:
- Se algum de vocês perguntar se esta velha me conhece, sai daqui preso.
Fui claro?
Pois é, passando da piada à vida real, não duvido ser perfeitamente
possível alguém nos conhecer melhor que nós mesmos, principalmente
o nosso Pai do Céu. Ele já nos conhecia antes de nascermos e,
às vezes, achamos que podemos enganá-Lo!
Pode parecer forte dizer que tentamos enganar a Deus, mas isso acontece a toda
hora no coração de muita gente. Acontece quando tem inveja de
alguém, quando deseja que alguma pessoa não alcance sucesso na
vida, quando esconde a verdade, enfim, sempre que alguém tem vergonha
de mostrar suas falsidades, pensa que nem Deus sabe.
Por isso, é que a fé precisa estar em primeiro lugar em tudo o
que fazemos. Sem fé, perdemos a esperança em dias melhores e muita
coisa importante deixa de ter valor - inclusive a crença na vida eterna.
Na Inglaterra do século 19, a Rainha Vitória visitava com frequência
o seu povo humilde e pobre. Em certa ocasião, ela foi ver uma moradora
rural que vivia feliz por ter Jesus como seu Salvador. Ao se despedir, a rainha
perguntou se poderia fazer alguma coisa por ela.
- Obrigada, majestade, mas eu tenho tudo o que desejo - respondeu a mulher.
- Mas eu gostaria de fazer mais alguma coisa por você - disse a Rainha.
Novamente veio a resposta:
- Eu tenho tudo o que necessito, mas, se sua majestade pudesse me prometer uma
coisa, eu ficaria muito contente.
- Eu farei tudo o que estiver ao meu alcance - respondeu a rainha soberana.
- Oh, majestade, eu gostaria muito que fizesse o possível para encontrar-me
no Céu.
Suavemente e com firmeza, a rainha lhe disse:
- Eu estarei lá, pelos méritos do sangue do Senhor Jesus Cristo!
Isso é apenas um sinal da presença de Cristo em nossas vidas.
Podemos ser ricos ou pobres, alcançar notoriedade ou viver no anonimato,
porém, quando Ele habita em nossos corações, todo o resto
fica em segundo plano.
O dinheiro nos traz conforto e não há nenhum mal em trabalhar
para ter uma vida melhor, mas ele nunca será a principal razão
da nossa felicidade. Saber que Jesus está conosco em todos os momentos,
que caminha ao nosso lado nos lugares por onde passamos e que um dia nos levará
para viver eternamente ao Seu lado; é tudo o que necessitamos para vivermos
mais felizes.
Não foi a presença da Rainha Vitória que trouxe felicidade
àquela humilde moradora do campo; mas, a presença constante de
Cristo em sua casa. E ela externou o desejo de ser ainda mais feliz: ter a soberana
rainha consigo no Céu de glória, onde a felicidade é eterna
e não passageira.
E na Festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração que acontece neste
domingo, nós, que servimos o Senhor com alegria, estaremos esbanjando
felicidade, mas desejamos também ser ainda mais felizes. Desejamos encontrar
nossos amigos compartilhando graças conosco e preparando a morada definitiva
no Céu.
Este ano, o título que o padre Júlio Chevalier deu a Maria Santíssima
completa 150 anos! Dizer que ela é a Senhora do Sagrado Coração
significa reconhecer os méritos que a Virgem Maria fez por merecer em
vida e, sobretudo, seu esplendor no Céu após a morte. Ela é
a nossa intercessora de todas as horas e sempre se faz presente nos nossos chamados.
Graças à misericórdia infinita de Deus, Sua mãe
é também a nossa mãe.
E, chegando na Festa, leitor, mesmo que ninguém note a sua presença
por alguns segundos, o Pai saberá exatamente onde você está.
Ele já pensou em tudo, inclusive quantos passos cada pessoa dará
no Instituto Padre Nicolau neste domingo. Então, só dependerá
de você estar lá.
HOMENAGEM ÀS MÃES - 3 Maio 2009
Paulo Roberto Labegalini
Uma médica dermatologista da cidade de Cruzeiro-SP, publicou isto na
internet:
“Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei
inúmeras cenas que me marcaram. Porém, se eu tivesse que escolher
uma, escolheria a que mais me marcou inclusive como mãe.
Foi em uma visita a uma Unidade de Terapia Intensiva, local onde geralmente
os pacientes estão em estado grave, necessitando de cuidados o tempo
todo. Nesse ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, vivenciei a importância
da maternidade.
Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção
foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição
fetal, que gritava em meio ao seu delírio: ‘Mamãe, mamãe!
Ah, minha mãe...’
Para uma pessoa doente, no fim da vida e com a consciência comprometida,
o que lhe restara era chamar por sua mãe; e era um clamor que vinha do
coração, da alma. Somente quem poderia acolher sua dor, sua solidão
naquele momento, era sua mãe!
Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso
daquele homem que insistia em resgatar a mais importante de suas memórias:
a mãe! Naquele momento, a médica deu lugar à mãe
e me dei conta de quão importante é ser mãe.
Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade
de gerar seres humanos que são a imagem d’Ele. E para isto, lhe
deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições;
renunciar a tudo, até a si mesma pelos filhos; e esperar com muita paciência
todas as condições que a vida lhe apresentar, a começar
pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o
mundo.
E, durante a gestação, a mulher é a perfeita moradia. É
no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano. É
nesse corpo sagrado que abriga a vida que ela experimenta a plenitude de ser
mulher.
Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam
para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para
esperar o dia de dar a vida a um novo ser. E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos
toda uma trajetória. Somos o porto seguro para passos cambaleantes, para
abraços aflitos, para choros carentes...
Por mais que os homens cresçam e envelheçam, somos nós,
as mães, que ficamos em suas memórias. Aquele velho homem me mostrou
o importante papel da mãe para todo ser humano. Fez-me também
questionar porque tantas meninas na idade de serem filhas, e não mães,
violentam seus corpos. Maquiadas por uma falsa liberdade, colocam em risco suas
e outras vidas inocentes, com a desculpa de serem modernas. O corpo sagrado
é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças, tornam-se mães,
perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude o divino mistério
da vida.
Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel
de mãe. Pode ser que um dia - quando a gente pensa que os filhos não
precisam mais de mãe - a gente seja a última lembrança
na vida deles. Quero ser não só a última lembrança,
mas a melhor!”
E quem for à Novena de Nossa Senhora do Sagrado Coração,
no Instituto Padre Nicolau, que começou em 8 de maio, verá muitas
mães agradecendo a Virgem Mãe de Deus pelas graças recebidas.
Além de rezarem por seus filhos, suplicam por toda a família,
que se iniciou com o Sacramento do Matrimônio e com um sinal ainda mais
visível: uma aliança no dedo.
Mas, por que usamos a aliança no quarto dedo? Os chineses têm uma
explicação para isso:
Dizem que o polegar representa nossos pais; o indicador representa nossos irmãos;
o dedo médio representa cada um de nós; o anelar representa nosso
parceiro ou parceira; e o mindinho, nossos filhos.
Então, se colocarmos as palmas das mãos frente a frente, dobrarmos
os dedos médios e os juntarmos, mantendo os demais dedos unidos pelas
pontas, constataremos algo interessante:
1 - Conseguiremos separar os polegares, que representam nossos pais - porque
os pais não estão destinados a viverem conosco durante toda a
vida.
2 - Voltando a unir os polegares, também conseguiremos separar os indicadores
- nossos irmãos, que terão suas próprias famílias
e nos deixarão um dia.
3 - Os mindinhos, nossos filhos, igualmente poderão ser separados, já
que terão vidas independentes no futuro.
4 - Finalmente, não conseguiremos separar os dedos anelares, que representam
os cônjuges. Isso significa que marido e mulher devem ficar juntos por
toda a vida!
Então, peço a Deus que abençoe os corações
de todas as mães, não somente neste 10 de maio, mas também
por toda a vida. E na missa da Novena, neste domingo à noite, estaremos
homenageando nossas queridas mãezinhas. Venha celebrar conosco.
MANEIRAS DE ENCARAR A VIDA - 26 ABRIL 2009
Paulo Roberto Labegalini
Existem muitos tipos de animais aquáticos, entre eles: as carpas, os
tubarões e os golfinhos. A carpa é dócil, passiva e, quando
agredida, não se afasta nem revida. Ela não luta mesmo quando
provocada. Considera-se uma vítima, conformada com seu destino. Se alguém
tem que se sacrificar, ela se sacrifica porque acredita que há escassez
de alimento. Nesse caso, para parar de sofrer, ela se entrega.
Carpas também são aquelas pessoas que, numa negociação,
sempre cedem e recuam; em crises, se sacrificam por não gostarem de ver
outros sofrendo. Jogam o perde-ganha - perdem para que outros possam ganhar.
Eis a declaração que a carpa faz para si mesma:
- Sou uma carpa e acredito na escassez. Em virtude dessa crença, não
espero jamais ver o melhor para mim. Assim, se não posso escapar da responsabilidade
do destino dos outros, eu geralmente me sacrifico.
O tubarão, por natureza, agride mesmo quando não é provocado.
Ele também crê que vai faltar alimento e, assim, que falte para
outro, não para ele! Quer sempre tomar de alguém e passa o tempo
todo buscando vítimas para devorar.
Que vítimas são as preferidas dos tubarões? As carpas!
Tanto o tubarão como a carpa acabam viciados nos seus sistemas. Costumam
agir de forma automática e irresistível, mas os tubarões
jogam o ganha-perde - têm que ganhar sempre, não se importando
que o outro perca.
Eis a declaração que o tubarão faz para si mesmo:
- Sou um tubarão e acredito na escassez. Em razão dessa crença,
procuro obter o máximo que posso, sem nenhuma consideração
pelos outros. Primeiro, tento vencê-los; se não consigo, procuro
juntar-me a eles.
O terceiro tipo de animal, o golfinho, é dócil por natureza, mas,
quando atacado, revida. E se um grupo de golfinhos encontra uma carpa sendo
atacada, defende a vítima e ataca seus agressores. São algumas
das criaturas mais respeitadas das águas e, podemos afirmar, que são
muito inteligentes!
O comportamento dos golfinhos em volta dos tubarões é legendário.
Com astúcia, podem ser mortais para os tubarões. Os golfinhos
nadam em torno e martelam; nadam e martelam. Usando seus focinhos bulbosos como
clavas, eles esmagam metodicamente a caixa torácica do tubarão
até que a criatura feroz deslize impotente para o fundo.
Portanto, escolhi o golfinho para simbolizar como tomar decisões e como
lidar com rápidas mudanças devido às habilidades naturais
desse mamífero. Os golfinhos procuram sempre o equilíbrio, jogando
o ganha-ganha - tentam encontrar soluções que atendam às
necessidades de todos.
Declaração que o golfinho faz para si mesmo:
- Sou um golfinho e acredito na escassez e na abundância potenciais. Assim
como creio que posso ter qualquer dessas duas coisas, aprendo a tirar o melhor
proveito da minha força e a utilizar os recursos de um modo eficaz.
Se os golfinhos podem fazer isso, por que não nós? É possível
participar do processo ganha-ganha no nosso cotidiano? É sempre bom lembrar
que o nosso egoísmo e prepotência são finitos, chegando
ao fim quando menos se espera.
Esta história pode contribuir para vermos a vida com olhos de gratidão
a Deus:
Certo dia, a pedra disse: ‘Eu sou forte!’
Ouvindo isso, o ferro falou: ‘Eu sou mais forte que você! Quer ver?’
Então, os dois duelaram até que a pedra se tornasse pó.
Veio o fogo e disse ao ferro: ‘Eu sou mais forte que você! Quer
ver?’
Também duelaram até que o ferro se derretesse. E a água
disse: ‘Eu sou mais forte que você, fogo! Vamos ao duelo.’
Então, os dois duelaram até que o fogo se apagasse. Vendo isso,
a nuvem disse: ‘Eu sou mais forte que a água!’
As duas duelaram até que a nuvem visse a água evaporar. E logo
chegou o vento, dizendo à nuvem: ‘Eu sou mais forte que você!’
Então, o vento soprou a nuvem e ela se desfez. Logo, os montes disseram:
‘Nós somos mais fortes que qualquer vento! Quer ver?’
Duelaram até que o vento se cansasse e desistisse. Foi quando chegou
o homem todo falante: ‘Eu sou mais forte que vocês!’
Então, dotado de grande inteligência, o homem perfurou os montes.
Todo orgulhoso, falou: ‘Eu sou a criatura mais forte que existe!’
Todos acreditaram até que veio a morte, e o homem que se achava inteligente
e forte, com um golpe apenas, acabou-se. A morte ainda comemorava quando, sem
que ela esperasse, veio um novo Homem e, com apenas três dias de falecido,
ressuscitou. E todo o poder Lhe foi dado no céu, na terra e debaixo da
terra.
Vencendo a morte, Ele nos deu o direito à vida eterna através
do seu sangue, que liberta do pecado, cura as enfermidades e salva a alma do
tormento eterno. Esse homem é Jesus, o Filho de Deus, que disse: “Eu
sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda
que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim,
jamais morrerá” (João 11, 25-26).
Viva Jesus Cristo, meu amigo íntimo!
A PORTA DA TRISTEZA - 19 ABRIL 2009
Paulo Roberto Labegalini
Conta-se que um homem parou na frente de um pequeno bar, tirou do bolso um
metro, mediu a porta de entrada e falou em voz alta: ‘Dois metros de altura
por oitenta centímetros de largura’. Admirado, mediu-a de novo
e, como se duvidasse dos dados que obteve, tornou a medi-la várias vezes.
As pessoas que por ali passavam começaram a parar. Primeiro um pequeno
grupo, depois um grupo maior e, por fim, muita gente. Voltando-se para os curiosos,
o homem exclamou:
‘Parece mentira! Esta porta mede apenas dois metros por oitenta centímetros,
no entanto, por ela passou todo o meu dinheiro, o meu carro, o pão dos
meus filhos; passaram os meus móveis e a minha casa com o terreno! E
não foram só bens materiais; por ela também passaram as
esperanças da minha esposa, a minha saúde e toda a felicidade
do meu lar.’
Começando a chorar, ele continuou:
‘Além disso, passaram pela porta: a minha dignidade, a minha honra,
os meus sonhos e os meus melhores planos. Sim, senhores, todos os meus planos
de construir uma família feliz passaram por esta porta, dia após
dia, gole por gole. Hoje, eu não tenho mais nada: nem família,
nem saúde, nem esperança. Mas, quando passo pela frente desta
porta gigante, ainda ouço o chamado daquela que é a responsável
pela minha desgraça - a bebida! Ela ainda me chama insistentemente: Só
mais um trago! Só hoje! Uma dose apenas! Você bebe socialmente,
lembra-se?’
E mais gente foi parando para ouvir a história daquele homem desolado,
que dizia:
‘Esse era o chamado, essa era a isca. E mais uma vez eu caía na
armadilha, dizendo comigo mesmo que: quando eu quiser, eu paro. Isso é
o que muita gente pensa, mas só pensa. Eu comecei com um cálice,
mas a bebida me dominou por completo.
Hoje eu sou um trapo humano, e a bebida... bem, a bebida continua fazendo suas
vítimas. Por isso é que eu lhes digo: esta porta é a porta
mais larga do mundo! Ela tem enganado muita gente. Por esta porta do vício,
de aparência tão estreita, pode passar tudo o que se tem de mais
caro na vida!
Agora sei dos malefícios do álcool, mas muita gente não
sabe ou, se sabe, finge não saber para não admitir que está
sob o jugo da bebida. E o que é pior: há pessoas com esse maldito
veneno dentro do próprio lar, à disposição dos filhos!
Ah, se os senhores soubessem o inferno que é ter a família destruída
pelo vício, certamente passariam longe dele e se protegeriam contra essas
ameaças.’
Depois de desabafar e visivelmente amargurado, o homem se afastou a passos lentos,
deixando motivos de profundas reflexões a cada pessoa que o ouviu.
E confirmando suas palavras, o Ministério da Saúde divulgou que
o álcool é a droga mais usada pelos jovens no Brasil, e o consumo
começa cedo: em média, aos 13 anos. E o pior é que o álcool
também é a porta principal de acesso às demais drogas.
E você sabia que a influência da TV e do cinema nos hábitos
de crianças e adolescentes foi recentemente comprovada por pesquisadores
americanos? Por todas essas razões, vale a pena orientar melhor nossos
jovens, para não aumentar essas tristes estatísticas. Precisamos
defender a vida em todas as circunstâncias, quer seja na prevenção,
quer seja na ação.
Na semana passada, fui à inauguração da fábrica
de multimistura em nossa cidade. O Rotary, a Associação das Antigas
Alunas da Providência, o Instituto Alcoa, a Prefeitura e outros parceiros
se uniram para produzir oito toneladas de alimentos a cada mês, alimentando
com qualidade nutricional as pessoas carentes da região. Que promoção
maravilhosa da vida humana e que grande exemplo a humanidade recebe este ano!
E no mesmo dia, pela manhã, estive participando das comemorações
do Dia do Exército, no 4º Batalhão de Engenharia de Combate.
Fiquei feliz ao ver o Coronel Ronaldo se dirigir às crianças com
tanto carinho. Agradeceu a presença dos menores e enalteceu a participação
daqueles que serão os responsáveis pela nossa Pátria. Também
outro grande exemplo de cidadania!
Portanto, cada brasileiro pode e deve contribuir para um mundo melhor, sabendo
que a vida está em primeiro lugar. Veja, nesta história, quanta
sabedoria de um médico ao abrir a porta da salvação:
Uma moça foi ao ginecologista com a proposta de fazer um aborto. O médico,
então, lhe perguntou por que estava tomando aquela infeliz decisão,
e ela argumentou:
- Eu já tenho um filho de dois anos que me dá muito trabalho.
Não consigo tempo pra mais nada, a não ser lavar roupas, cozinhar,
arrumar a casa e cuidar dele. Não quero outro filho agora.
- Então, façamos o seguinte - disse o médico. - Vamos matar
o seu filho de dois anos e você terá menos serviço enquanto
espera o bebê nascer.
- O senhor está louco? - respondeu indignada a moça. - Como pode
propor tirar a vida do meu pobre filho?
- A sua proposta é ainda pior: quer tirar a vida de uma criança
que nem mesmo conhece! Faça o seguinte: volte para casa e retorne aqui
na próxima consulta. Ah, outra coisa: reze para Deus colocar mais amor
no seu coração.
O SIGNIFICADO DO OLHAR - 12 Abril 2009
Paulo Roberto Labegalini
A homilia do Padre Maristelo no domingo de Páscoa foi maravilhosa. Se
eu a tivesse gravado, sem dúvida, a reproduziria aqui nesta coluna; mas,
infelizmente, somente as pessoas que estavam às 7 horas da manhã
na missa da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração puderam
ouvi-la e saboreá-la.
Durante o café comunitário para dezenas de pessoas após
a celebração, o comentário era geral: muita riqueza e profundidade
nas palavras do sacerdote. Eu completava as opiniões dos amigos, dizendo
que o nosso vigário possui dois dons muito importantes na evangelização:
humildade e sabedoria.
Entre outras coisas, ele falou sobre o significado do olhar, e disse que podemos
ver Jesus de diversas maneiras. Maria Madalena e o discípulo amado viram
a ressurreição olhando um túmulo vazio e um pano dobrado;
hoje, enxergamos Cristo em função de quanto amor existe em nosso
coração. Depois, o padre falou de olhares dos nossos últimos
dias: as vítimas italianas da cidade de Áquila, o drama do jogador
brasileiro Adriano na Inter de Milão, os salva-vidas cariocas estressados
que precisam de tratamento psicológico, e outros mais. Sem um olhar de
compaixão, tudo vira rotina.
Na mesma linha do Padre Maristelo, que concluiu com alguns poemas, cito o texto
‘o olhar’, de Raquel Teixeira de Freitas:
“Apenas um olhar é suficiente. Um olhar é capaz de mudar
uma pessoa. Um olhar que cruza outro olhar é capaz de mudar duas vidas.
Existem vários olhares: o olhar tímido, o olhar singelo, o olhar
carinhoso, o olhar que entende, o olhar que reprova, o olhar que ama, o olhar
que reprime, o que odeia, o distante, o que ajuda, ou apenas compreende.
Tem aquele olhar que magoa, ou que cria indiferença. O olhar que brilha,
o olhar amargurado, seco. O olhar que pergunta, ou mesmo que responde. O olhar
que procura, o olhar que encontra. O olhar que vislumbra, que almeja. O olhar
chateado, triste, o olhar de choro, de desespero. O olhar alegre, de agradecimento.
O olhar provocante, o olhar safado, crítico, e o olhar revigorado. O
olhar desapontado, o olhar de quem acabou de vencer. O olhar que xinga, ou que
diz o que sente.
Um olhar que contenta só em olhar. Um olhar que não entende que
é hora de parar. Um só olhar é suficiente. Vale mais que
mil palavras! O olhar trai, mas é incapaz de esconder uma mentira.
Por isso, não tente passar uma imagem que não é sua, seu
olhar pode ser traiçoeiro. Não minta, não tente enganar,
nem tente ser o que jamais conseguirá ser, nem aquilo que nunca foi,
se não for de sua índole.
Olhe-se no espelho e se conheça. Não sinta vergonha do que é.
Não se compare. Dê valor em si. Você é exatamente
o que você faz. Se almejar algo, lute. Acredite em seu potencial. Para
o bem, ou para o mal, seu olhar é a única coisa em você
que pode dizer-lhe o que você é e onde pretende chegar.”
Também nos encontros de Cursilhos, aprendemos a olhar para dentro de
nós mesmos. É um exercício simples, mas importante para
a nossa caminhada cristã. Quem olha os pecados e virtudes que possui,
pode redefinir o rumo que quer seguir com Cristo. Porém, quer seja na
fé ou na intuição, há um prazo limitado para buscar
a felicidade. Uns a conquistam mais cedo porque aprendem rapidamente com os
erros; outros demoram muito para acordar e ver que a vida precisa ser vivida
dando e recebendo amor.
Eis a história que limita o tempo da felicidade de um cidadão:
Era uma vez, num reino distante, um soberano que era amante da fauna e da flora
e tinha um burro de estimação chamado Mudinho. O animal o acompanhava
desde a infância, quando ainda era príncipe, e fora o seu padrinho
que o presenteou.
Certo dia, o rei baixou um decreto, convocando todas as pessoas do reino para
ensinarem seu burro a falar. Os súditos acharam um absurdo e chegaram
à conclusão que o rei precisava de tratamento. O povo dizia que
o rei estava ficando esclerosado. Mas, de nada adiantou.
Passou algum tempo e ninguém se habilitou àquela proeza. No entanto,
passava pelo reinado um sábio e ficou sabendo do decreto. Ele se apresentou
ao rei e disse que em 20 anos faria o burro falar, mas, em troca, queria casa
e comida nas mais altas regalias para ambos, imediatamente!
O velho rei achou 20 anos muito tempo, mas acabou concordando, pois o seu desejo
de ouvir o Mudinho falando era imensurável. Todos ficaram indecisos,
duvidosos e admirados daquela insana empreitada do sábio, e diziam que
o louco não era o rei e sim o sábio que, ao término do
prazo, seria morto se falhasse.
Um dia, uma criança perguntou ao sábio se o burro realmente falaria,
e ele respondeu:
- Por que importas? Daqui a 20 anos, um de nós três não
existirá mais!
A criança ouviu, não compreendeu e continuou achando igual a todo
mundo: que o sábio era muito mais doido que o próprio rei.
E você, caro leitor, sabe como identificar o olhar doido de um cristão
autêntico? Aqui vai uma dica: é um olhar apaixonado por Jesus,
Maria e José, que dura eternamente!
TEMPLOS DOS NOSSOS TEMPOS - 5 Abril 2009
Paulo Roberto Labegalini
Já em preparação para a comemoração dos
100 anos da Universidade Federal de Itajubá, que acontecerá daqui
a 4 anos, conversávamos com um grupo de pessoas no meu gabinete de trabalho,
quando o reitor disse aos presentes: “Ao contrário de muitos municípios
que conheço, Itajubá-MG nasceu e se desenvolveu em torno de dois
templos: o templo religioso e o templo do conhecimento”. Ele referia-se
às localizações da Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade
e do prédio central da UNIFEI.
Sempre que fala nisso, o professor Renato Nunes diz que são duas instituições
perenes na cidade e que, certamente, não irão deixar de existir
com o tempo. Várias vezes o magnífico reitor disse o mesmo do
poder público municipal, justificando a necessidade de parcerias entre
a Universidade e a Prefeitura para o desenvolvimento local e regional. Quanto
a isso, ninguém pode negar, mas existem dificuldades a serem superadas;
por exemplo, a implantação da segunda fase do Parque Científico
e Tecnológico de Itajubá.
Muita gente sabe que mais de 21 milhões de reais já foram investidos
na primeira fase do ParCTec no Campus e que, agora, estamos ficando sem espaço
físico para novas instalações. Muita gente também
ouviu do atual prefeito a promessa de realizar uma grande benfeitoria na sua
gestão, empenhando-se na ocupação do terreno desapropriado
para a segunda etapa do projeto. Eu sou testemunha de que tudo isso é
verdade e tenho acompanhado bem de perto as negociações.
Mas, antes de continuar comentando o assunto, quero deixar claro que o nosso
prefeito, Dr. Jorge, é um cursilhista temente a Deus e, há muito
tempo, eu o vejo como um homem público sem interesses pessoais. O Renato,
a quem tenho grande admiração, sempre se mostrou justo e de coração
aberto para se desculpar de erros cometidos ou perdoar quem quer que seja. Ao
contrário do que muitos pensam, ele não decide nada sozinho e
nos consulta para resolver questões importantes na Universidade.
Essas características dos nossos principais envolvidos no processo de
negociação já são suficientes para eu ficar otimista
na realização do sonho de termos um Parque Científico e
Tecnológico na cidade. Lembro perfeitamente destas palavras do Jorge:
“A área que a UNIFEI precisar para se expandir nós iremos
doar e, se depender da minha vontade, o projeto do Parque Tecnológico
vai sair do papel”. E o reitor tem dito: “Precisamos fortalecer
a fronteira sul do Estado para não continuarmos perdendo grandes projetos
e cabeças brilhantes para algumas regiões de São Paulo”.
Então, teoricamente, pensam a mesma coisa. Na prática, pessoas
que se sentam à mesa do diálogo - o Laudelino e a Leandra pela
Prefeitura; eu e o vice-reitor pela Universidade; o André Gesualdi e
o Ado Mauad pela Federação das Indústrias - precisam continuar
contribuindo para os acertos finais do templo tecnológico. O tradicional
templo religioso também rezará mais para o bem comum do nosso
povo.
Bom senso, diálogo e oração não podem faltar. E
onde tudo isto existe, a mão de Deus está presente, porque Ele
deseja que continuemos ajudando os que vêm atrás de nós,
mesmo que não saibamos seus nomes, como nesta história:
“Um homem caminhava com sede pelo deserto. Apesar do calor insuportável,
ele arrastava-se na esperança de encontrar a salvação;
e não estava enganado, pois viu ao longe uma casa de madeira em ruínas
e, com muito esforço, chegou até ela.
Não encontrou nada para beber ou comer, porém conseguiu sombra
para descansar. Olhando as coisas à sua volta, viu uma bomba d’água
manual. Pensou: ‘O poço deve estar seco’. E olhando nos utensílios
à mesa, viu também uma garrafa com água. Tirou a tampa
para beber quando percebeu um papel colado na garrafa que, depois de limpo da
poeira, mostrava instruções para fazer a bomba funcionar.
O bilhete dizia que era preciso despejar todo o conteúdo da garrafa na
boca do cano que descia para o poço, e a bomba funcionaria. Com a garrafa
na mão, veio a dúvida: ‘E se eu despejar a água e
a bomba não funcionar?’.
Após alguns instantes, ele resolveu arriscar e seguiu as instruções.
Começou a bombear, o mecanismo rangia e nada de água; contudo,
continuou tentando. Após alguns minutos, percebeu um filete de líquido
e, depois, a água correu fartamente... limpa, pura, deliciosa!
Olhando novamente para a garrafa, viu mais um recado: ‘Não se esqueça
de enchê-la antes de partir’. Ele o fez sem vacilar e seguiu feliz
ao seu destino.”
Assim é a vida. Às vezes é preciso arriscar a perder um
pouco para ganhar muito, mas é sempre melhor prepararmos as coisas para
que outros usufruam também. Ao partirmos deste mundo, podemos deixar
uma ‘garrafa’ com um pouco de felicidade e instruções
para fazer os mecanismos da vida funcionar - abençoada e feliz.
Vamos construir juntos templos modernos com muito amor no coração?
Feliz Páscoa a todos!
CINCO MINUTOS - 29 março 2009
Paulo Roberto Labegalini
Um aluno de artes marciais estava tomando chá quando indagou o mestre:
- Eu tenho aprendido tudo o que tem me ensinado de defesa pessoal, mas desejo
saber outra coisa agora. Gostaria que me explicasse os caminhos de Deus.
O professor, pegando a chaleira, começou a despejar chá na xícara
do aluno. Logo transbordou e começou a entornar sobre o pires. O mestre
continuou a despejar, o pires também se encheu e o chá começou
a cair no chão. O aluno, vendo a sujeira aumentando, gritou:
- Pare, pare, não há mais lugar na xícara para o chá!
O mestre, aproveitando para censurar algumas atitudes na vida do discípulo,
disse:
- Pois é, da mesma forma, quando você está cheio de interesses
próprios, não há lugar em sua vida para mais nada e não
poderá aprender sobre os caminhos de Deus até que se esvazie de
si mesmo.
- Mas, até que ponto estou ocupando meu tempo com coisas fúteis
deste mundo?
- Deus tem encontrado espaço em seu coração ou ele já
está completamente preenchido com vaidades e interesses pessoais? Como
o Senhor poderá entrar em sua vida para conduzir-lhe às veredas
da felicidade se não lhe abre a porta? Como esperar as bênçãos
de Deus se Ele está trancado do lado de fora?
O jovem seguiu preocupado para casa. No dia seguinte, voltou a procurar o mestre
para conversar:
- Estive pensando e conclui que, realmente, quando estamos cheios de nós
mesmos não existe lugar para Deus entrar. Quando nos esvaziamos de todo
egoísmo e vaidade, não só permitimos a presença
do nosso Salvador como deixamos que Ele organize toda a nossa vida, tornando-a
plena de alegrias e vitórias. Mas, como foi que o senhor aprendeu isso,
mestre? Alguém lhe ensinou?
- Sim, a vida me ensinou. Quando meu filho tinha seis anos, eu o levava ao parque
para brincar. Enquanto se divertia, eu ficava olhando o relógio para
não me atrasar nos compromissos que tinha naquele dia. E quando o chamava
e ele me pedia mais cinco minutos de espera, eu nunca lhe concedi.
- Não entendo; o que isso tem a ver com a presença de Deus em
nosso coração? - perguntou o aluno.
- Tem, sim, meu jovem. Hoje meu filho já se foi e eu morro de saudades
dele. Queria tê-lo ao meu lado, pedindo mais cinco minutos do meu tempo.
Eu esvaziaria o meu coração de coisas vãs para preenchê-lo
com carinho e amor. Nada nessa vida se consegue sem amor no coração.
As palavras do mestre surpreenderam o discípulo. Ele não sabia
que aquele homem tão bom havia aprendido uma importante lição
convivendo com o filho. Por um instante, o aluno imaginou o arrependimento que
o professor tinha dentro de si, e resolveu animá-lo:
- Mestre, Deus já lhe perdoou e um dia o senhor vai se encontrar com
seu garoto de novo. Quantos cinco minutos eu já lhe pedi e o senhor nunca
me negou! Hoje, seu coração está transbordando de amor.
E assim termina mais esta história que adaptei para este artigo. A narração
tem tudo a ver com a passagem bíblica: “Eis que estou à
porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em
sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. Este ensinamento de Jesus precisa
ser revisto todos os dias até o aprendermos de verdade.
Nos últimos anos, eu não me lembro ter negado cinco minutos do
meu tempo a alguém. E ‘cinco minutos’ pode ser apenas um
instante ou algumas horas, dependendo do caso. Se estou trabalhando, atendo
de imediato quem me procura; se estou em casa e o telefone toca, procuro saber
o que precisam que eu faça; e se me encontro em viagem, o celular fica
sempre ligado e dou retorno quando não posso atender.
Às vezes, tudo isso ainda é insignificante para quem precisa de
ajuda, mas já é um começo. Se Deus me concede saúde,
fé no coração e paz na família, tenho o dever cristão
de disponibilizar amor ao próximo a cada dia. E aprendi que trabalhar
numa só pastoral da Igreja é pouco para isso, então, atuo
em vários movimentos para amar e ser mais amado.
Também pelo envolvimento com as coisas de Deus é que eu admiro
a conduta de um sacerdote - renunciando muitos bens materiais para preencher
a vida com alimentos espirituais. Se não fosse por eles, estaríamos
perdidos neste mundo de injustiças sociais tão graves.
Portanto, por sermos cristãos e sabermos que a misericórdia de
Deus é infinita, não devemos pautar nossa vida em arrependimentos
ou falta de tempo. Podemos, com certeza, encher o coração de esperança
e olhar para frente, seguindo o caminho que nos levará ao Céu.
Retirando do peito o que nos faz sofrer, as oportunidades de ouvirmos os chamados
do alto para a caridade serão maiores.
E o primeiro chamado aqui está: a Semana Santa chegou! Teremos celebrações
todos os dias em quase todas as igrejas de Itajubá-MG e do Brasil. Você
terá ‘cinco minutos’ para reviver a paixão, morte
e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo? Seu coração
terá espaço para rezar junto à Virgem Maria, que dedicou
sua vida ao Filho amado e, ainda hoje, continua ajudando todos nós?
Jesus quer saber quanto tempo significa ‘cinco minutos’ para você!
A JANELA DA VIDA – 22 Março 2009
Paulo Roberto Labegalini
Recebi este texto do confrade Júlio César, de Belo Horizonte,
e gostaria de compartilhar com meus leitores:
“Era criança quando, pela primeira vez, entrei num avião.
A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer
jeito, acompanhar o vôo desde o primeiro momento e sentir o avião
correndo na pista cada vez mais rápido até a decolagem. Ao olhar
pela janela via, sem palavras, o avião rompendo as nuvens e chegando
ao céu azul. Tudo era novidade e fantasia.
Cresci, me formei e comecei a trabalhar. No meu serviço, desde o início,
voar era uma necessidade constante. As reuniões em outras cidades e a
correria me obrigavam, às vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.
No início pedia sempre poltronas ao lado da janela e, ainda com olhos
de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem e nem me incomodava de esperar
um pouco mais para sair do avião, pegar a bagagem, coisa e tal.
O tempo foi passando, a correria aumentando e já não fazia questão
de me sentar à janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades
abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse. Perdi o encanto. Pensava somente
em sentar, me acomodar e sair rápido.
As poltronas do corredor agora eram exigência, por serem mais fáceis
para desembarcar sem ter que esperar ninguém. Estava sempre preocupado
com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem,
comigo mesmo.
Por um desses maravilhosos acasos do destino, eu estava louco para voltar de
São Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar a Curitiba o mais depressa
possível. O vôo estava lotado e o único lugar disponível
era uma janela na última poltrona. Sem pensar, concordei de imediato,
peguei meu bilhete e fui para o embarque. Acomodei-me na poltrona indicada:
na janela. Janela que há muito eu não via, ou melhor, pela qual
já não me preocupava em olhar.
E, assim que o avião decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti
novamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avião rompendo
as nuvens escuras até que, tendo passado pela chuva, apareceu o céu.
Era de um azul tão lindo como jamais tinha visto. E também o sol
que brilhava como se tivesse acabado de nascer.
Naquele instante em que voltei a ser criança, percebi que estava deixando
de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista. Pensei comigo
mesmo: será que em relação às outras coisas da minha
vida eu também não havia deixado de me sentar à janela,
como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu casamento,
do meu trabalho e do convívio pessoal? Creio que aos poucos, e mesmo
sem perceber, deixei de olhar pela janela da vida.
A vida também é uma viagem e, se não nos sentarmos à
janela, perdemos o que há de melhor: as paisagens – que são
nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mantém vivos.
Se viajarmos somente na poltrona do corredor – com pressa de chegar sabe-se
lá aonde –, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que
a viagem nos oferece.
Se você também está num ritmo acelerado, pedindo sempre
poltronas do corredor para desembarcar rápido e ganhar tempo, pare um
pouco e reflita sobre aonde você quer chegar. A aeronave da nossa existência
voa célere e a duração da viagem completa nunca é
anunciada pelo comandante. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta.
Por essa razão, vale a pena sentar próximo da janela para não
perder nenhum detalhe, afinal, a felicidade e a paz são caminhos e não
destinos.”
Bonita reflexão, não? O Júlio também a copiou e,
por ele não ser o autor, eu tomo a liberdade de acrescentar mais algumas
palavras. Eu diria que, na janela da vida, vemos passar coisas boas e outras
ruins bem próximas dos nossos olhos. Boas, tipo: justiça, esperança,
oração e perdão. Ruins, como: ódio, egoísmo,
inveja e mentira.
As coisas boas contribuem para a paz no mundo e as ruins nos conduzem à
imundice do pecado. Dizer ‘sim’ àquilo que Deus recomenda
nem sempre é fácil, pois nossos desejos pessoais gritam forte
na mente e favorecem cairmos em tentação. Quem já não
passou por isso e, um dia, acabou se arrependendo?
Pois é, a quaresma está passando pela janela e fingimos que não
estamos percebendo. Às vezes, nem olhamos as graças acontecendo
e só prestamos atenção naquilo que traz sofrimento. Então,
antes que a viagem termine, veja quem está do outro lado da janela: o
bem ou o mal? E você, está sentado no lugar certo? Quem está
ao seu lado pode lhe ajudar ou precisa de ajuda? E o mais importante: aquele
coração maravilhoso, puro e cheio de amor que Deus lhe deu quando
permitiu que nascesse, ainda bate forte em seu peito?
Ah, repare que a janela de sua vida não tem vidraça. Ela é
bem espaçosa e está sempre aberta para você alcançar
outras oportunidades de amar. Então, acorde! A exuberante viagem eterna
mal começou.
O PÃO DE CRISTO - 15 MARÇO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Depois de meses sem encontrar trabalho, Vitor recorreu à mendicância
para sobreviver, coisa que o envergonhava muito. E numa tarde fria de inverno,
encontrava-se nas imediações de um clube social quando viu chegar
um casal. Meio sem jeito, ele se dirigiu ao homem e pediu algumas moedas para
comprar algo para comer.
- Sinto muito, amigo, mas não tenho trocado.
Ouvindo a resposta, a esposa perguntou ao marido:
- O que queria o pobre homem?
- Dinheiro para comer. Disse que tinha fome.
- Lorenzo, não podemos entrar, nos alimentar fartamente e deixar um homem
faminto aqui fora!
- Hoje em dia, há um mendigo em cada esquina! Aposto que quer dinheiro
para beber.
- Tenho dinheiro na bolsa. Vou dar-lhe alguma coisa - insistiu a senhora.
Mesmo de costas para eles, Vitor ouviu o que disseram. Envergonhado, queria
afastar-se correndo, mas a amável voz da mulher lhe disse:
- Aqui tem o suficiente para se alimentar bem, consiga algo saboroso para comer.
Ainda que a situação esteja difícil, não perca a
esperança. Em algum lugar existe um trabalho para você e peço
a Deus que o encontre.
- Obrigado, a senhora me ajudou a recobrar o ânimo. Jamais esquecerei
sua gentileza.
- Você estará comendo o Pão de Cristo, partilhe-o! - disse
ela com um largo sorriso, dirigido mais a um homem de fé do que a um
mendigo.
Vitor sentiu uma forte emoção, como se uma descarga elétrica
lhe percorresse o corpo. Encontrou um lugar barato para se alimentar, gastou
a metade do que havia ganhado e resolveu guardar o resto para o outro dia. Comeria
o ‘Pão de Cristo’ dois dias!
- Um momento! - pensou. - Não posso guardar o Pão de Cristo somente
para mim.
E andando, viu um velhinho sentado na calçada.
- Ei, você! - exclamou Victor. - Gostaria de entrar e comer alguma coisa?
- Você fala sério, amigo? Não estou acreditando em tamanha
sorte; passo fome desde ontem!
No final do lanche, Vitor notou que o homem envolvia um pedaço de pão
em sua sacola de papel.
- Está guardando um pouco para amanhã? - perguntou.
- Não, não. É que tem um menininho onde costumo dormir
que tem passado mal ultimamente e estava chorando quando o deixei. Acho que
tinha muita fome. Vou levar-lhe este pão.
- O Pão de Cristo! - repetiu as palavras da mulher e teve a estranha
sensação de que havia um terceiro convidado sentado naquela mesa.
Os dois homens levaram o pão ao menino faminto que começou a engoli-lo
com alegria. De repente, ele se deteve e chamou um cachorrinho assustado.
- Tome, fique com a metade - disse o menino. - O Pão de Cristo alcançará
você também!
O garoto tinha mudado de semblante desde o momento que ouviu a história
de como começou a partilha do Pão de Cristo. Logo se pôs
de pé e partiu para vender jornais com alegria.
- Até logo! - disse Vitor ao velho. - Em algum lugar haverá um
emprego, não se desespere.
Ao se afastar, Vitor reparou que o cachorrinho lhe cheirava a perna. Agachou-se
para acariciá-lo e descobriu que tinha uma coleira com o endereço
de seu dono. Caminharam um bom pedaço até encontrarem o local.
Contente por rever o cachorro, o dono do animal falou:
- No jornal de ontem, ofereci uma recompensa pelo resgate. Tome, este dinheiro
é seu.
- Não posso aceitar. Somente queria fazer um bem ao cachorrinho - comentou
Vitor.
- Para mim e minha família, o que você fez vale muito mais que
isto. E se precisar de um emprego, venha ao meu escritório amanhã.
Gostei da sua honestidade.
Ao voltar pela avenida e entrar numa igreja para agradecer, uma missa estava
sendo celebrada e Vitor ouviu este velho hino no momento da comunhão:
‘Todo aquele que comer do meu Corpo que é doado, todo aquele que
beber do meu Sangue derramado, e crer nas minhas Palavras que são plenas
de vida, nunca mais sentirá fome e nem sede em sua lida. Eis que sou
o Pão da Vida, eis que sou o Pão do Céu! Faço-me
vossa comida. Eu sou mais que leite e mel’.
Pois é, feliz daquele que acredita nas promessas de Deus e partilha as
bênçãos que recebe com os pobres. A paz e a justiça
só acontecerão em nosso meio se, primeiro, existirem em nossos
corações. E parece tão simples não complicarmos
as coisas, unindo nossas forças em favor dos mais necessitados, não
é mesmo? Mas, infelizmente, quem pensa ser o mais forte prefere brigar
com outros ‘fortes’ enquanto centenas de pessoas assistem o ‘duelo’
na miséria.
O mundo sempre foi assim, mas, na eternidade celeste, tudo será diferente.
Muitos mendigos serão exaltados e terão suas recompensas. Eis
as palavras de Jesus no Evangelho de Mateus (23, 9-12): “Na terra, não
chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele
que está nos céus. Não deixeis que vos chamem de guias,
pois um só é vosso Guia, Cristo. Pelo contrário, o maior
dentre vós deve ser aquele que vos serve. Quem se exaltar será
humilhado, e quem se humilhar será exaltado”.
O CAMINHO PARA O CÉU
- 8 MARÇO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Quando alguém especial aparece em nossa vida e nos convida para fazer
o Cursilho, é sorte? E quando um tratamento de saúde nos leva
à cura, é sorte ou é mais competência médica?
O que dizer então do ar que respiramos, dos alimentos que comemos, da
fé que temos, da família que nos cerca... Na verdade, tudo é
graça!
Algumas pessoas aproveitam as oportunidades que aparecem para melhorar de vida.
Isso acontece, principalmente, porque acreditam na providência Divina,
que tarda, mas não falta. Outros seres humanos preferem desprezar a mão
de Deus e nem agradecem as graças que recebem.
Em 22 de fevereiro de 1931 - quando minha mãe completava dois anos de
vida -, no quarto de um convento na Polônia, Irmã Faustina viu
Nosso Senhor vestido de branco e, da túnica entreaberta sobre o peito,
saíam dois grandes raios: um vermelho e outro branco. Jesus lhe disse:
“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a
inscrição: ‘Jesus, eu confio em Vós’. Por meio
dessa imagem, concederei muitas graças às almas”.
Eis as promessas a quem confiar na Sua misericórdia: salvação
eterna, grandes progressos no caminho da perfeição, graça
de uma morte feliz e outros dons que a Ele suplicarem. Para ter direito a isto,
Jesus ressaltou que precisamos confiar na Sua bondade, dedicar amor ativo ao
próximo e perseverar no estado de graça santificante - confissão
e comunhão. Em especial, na Festa da Misericórdia - primeiro domingo
depois da Páscoa -, Ele citou a última tábua de salvação
aos pecadores: “Se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão
por toda a eternidade”.
E as promessas vão além: “Quando recitam o Terço
da Misericórdia junto a um agonizante, aplaca-se a ira de Deus e a misericórdia
insondável envolve a alma. Pela recitação desse Terço,
aproximas a humanidade de Mim. O Meu amor não engana ninguém”.
No livro ‘Diário - A Misericórdia Divina na minha alma’,
a Irmã Faustina confessou como conseguiu intimidade com o Senhor: “Foi
Nossa Senhora que me ensinou a amar Deus interiormente e em tudo cumprir a Sua
santa vontade. O amor suporta tudo, o amor vencerá a morte, o amor não
teme nada. Sois alegria, ó Maria, porque por Vós Deus desceu à
Terra e ao meu coração”.
E que lindo esse ensinamento de Jesus, citado no mesmo livro: “Procura
fazer com que todo aquele que se encontrar contigo se despeça feliz.
Cria à tua volta uma atmosfera de felicidade, porque tu recebeste muito
de Deus, e por isso dá muito aos outros”. A isto também
a santa cumpriu fielmente, mesmo tendo sofrido muito nos 33 anos em que viveu.
Deixou esta certeza: “O sofrimento é uma graça. Pelo sofrimento,
a alma assemelha-se ao Salvador; no sofrimento, cristaliza-se o amor. Quanto
maior o sofrimento, tanto mais puro torna-se o amor”.
Portanto, nada é azar e nem puramente sorte, pois Santa Faustina ainda
escreveu: “A graça que é destinada para mim nesta hora,
não se repetirá na hora seguinte”. E quem leu o Diário,
sabe de mais esta promessa: “As almas que divulgam o culto da Minha misericórdia,
Eu as defendo por toda a vida como uma terna mãe defende seu filhinho;
e, na hora da morte, não serei juiz para elas, mas sim o Salvador Misericordioso”
(Jesus Cristo).
Esta história a seguir ajuda a refletir nos pecados que nos afastam da
misericórdia Divina:
Seis pessoas escalavam uma grande montanha gelada quando perceberam que haveria
uma avalanche de neve. Rapidamente correram para dentro de uma caverna e se
protegeram; mas, a saída ficou totalmente bloqueada e não poderiam
sair até chegar o resgate. Com o frio intenso e em meio à escuridão
completa, um dos alpinistas resolveu acender uma fogueira com a lenha que levava.
E, por algum tempo, o fogo os esquentou e aliviou seus sofrimentos.
Mais tarde, vendo a fogueira se apagando, o jovem que queimou sua lenha propôs
aos companheiros que fizessem o mesmo, já que todos levavam um feixe
consigo. Infelizmente, a misericórdia não estava presente no coração
deles porque só havia espaço para o pecado. Um cultivava o ódio;
o outro, o egoísmo, o outro, o racismo; o mais velho era invejoso; e,
o último, avarento.
Então, quando pessoas do socorro chegaram, encontraram todos mortos,
abraçados aos feixes de lenha. Concluíram que não fora
o frio de fora que os matou, mas o frio que havia dentro dos corações.
Ah, aquele que doou tudo o que tinha para fazer a fogueira, morreu sem lenha
nas mãos, mas com um sorriso no rosto. Você sabe por quê?
Ele era uma pessoa de fé, que perdoava, que falava da esperança
em alcançar a vida eterna, que acreditava no amor infinito do Pai e,
por tudo isso, tinha compaixão dos irmãos. Nem é preciso
imaginar qual deles se salvou, não é mesmo?
Quem ama a Deus na pessoa do próximo não se desvia do caminho
misericordioso que nos leva ao Céu.
O CÉU COMEÇA AQUI - 1 MARÇO 2009
Paulo Roberto Labegalini
“A cada minuto uma mulher apanha no Brasil”. Isto nos foi informado
pelo diácono Tarcísio durante a reflexão da Campanha da
Fraternidade na semana passada. O tema ‘Fraternidade e Segurança
Pública’ também foi enfocado pelo padre Maristelo na mesma
noite, que disse: “O pecado é a origem da violência”.
E quem já leu ou ouviu alguma coisa sobre a CF-2009, certamente concorda
com a importância do lema deste ano: ‘A paz é fruto da justiça’.
Sem a cultura da justiça no meio em que vivemos, fica impossível
combater a violência e viver em paz.
Algumas coisas que os dois religiosos disseram a nós, agentes pastorais,
fizeram com que eu refletisse melhor a respeito das injustiças que cometemos;
por exemplo: protegemo-nos com grades em nossas casas, mas deixamos os pobres
do lado de fora! Isto não é uma falsa paz em nossas famílias?
Até que ponto nos envolvemos com idéias novas que contribuem para
o bem comum?
As formas de violência são muitas e, se não formos às
raízes do problema, fica impossível melhorar as injustiças
do cotidiano. Se ao menos todas as pessoas fossem tratadas igualmente pela sociedade,
já seria um grande começo. E não podemos nos esquecer que
a maior justiça de todas é a justiça de Deus! Esta sim
precisa prevalecer em todas as situações.
Cada vez mais os seres humanos são tratados como ‘coisas’
- que usamos, abusamos e descartamos. Valores essenciais de dignidade humana
são desprezados: direitos democráticos, liberdade de expressão,
prática da generosidade, religiosidade etc. Se isto fosse respeitado
apenas no trânsito, muitas brigas seriam evitadas.
Veja que interessantes estes 10 mandamentos do motorista, que copiei da internet:
1. Não matarás;
2. A estrada deve ser um meio de comunhão entre as pessoas;
3. Cortesia, lealdade e prudência o ajudarão a lidar com imprevistos;
4. Seja caridoso e ajude o próximo em necessidade;
5. Carros não devem ser uma expressão de poder, nem uma oportunidade
para pecar;
6. Convença caridosamente os jovens a não dirigir, caso não
estejam em condições para fazê-lo;
7. Ajude familiares de vítimas de acidentes;
8. Una motoristas culpados e suas vítimas de forma que passem pela experiência
do perdão;
9. Na estrada, proteja os mais vulneráveis;
10. Sinta-se responsável pelos outros.
O cristão que ama a Deus na pessoa do próximo, já deve
estar respeitando isto há muito tempo, não é mesmo? Mas,
fora do trânsito, ainda existem graves problemas que geram a violência,
como: droga, racismo, prepotência, falta de educação; e
quem os pratica se esquece que Deus combate o violento. Duvido que alguém
negue que já ouviu no Evangelho: ‘não despreze os pequeninos,
perdoe sempre, anuncie Jesus Cristo a todos os povos, lute pela paz, promova
a justiça etc.’. Resumindo: violência não se resolve
com violência.
E quem não conhece o céu e o inferno, eis um bom exemplo:
Conta-se que um samurai foi procurar um sábio monge em busca de respostas
para suas dúvidas.
- Monge, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge olhou para o bravo guerreiro e lhe disse:
- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo!
Seu mau cheiro é insuportável! Você é uma vergonha
para a sua classe.
O samurai ficou enfurecido e não conseguiu dizer nenhuma palavra. Então,
empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar
o monge.
- Aí começa o inferno - disse-lhe o sábio mansamente.
O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara,
afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno. Em
seguida, abaixou lentamente a espada e foi embora.
Passado algum tempo, o samurai pediu ao monge que perdoasse seu gesto infeliz.
Percebendo sua sinceridade, o monge falou:
- Aí começa o céu. Tanto o céu quanto o inferno
são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso
dia-a-dia. A cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão
o início do céu ou o começo do inferno.
É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível,
onde houvesse ferramentas e materiais de primeiros socorros. Diante de uma situação
inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer objeto do
seu interior.
Quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo
da tolerância. Visitados pela calúnia, podemos usar o machado do
revide ou a gaze da autoconfiança. Quando a injúria bater em nossa
porta, podemos usar o aguilhão da vingança ou o óleo do
perdão. Diante da enfermidade inesperada, lançamos mão
do ácido da revolta ou do escudo da fé.
Enfim, surpreendidos pelas mais infelizes situações, poderemos
sempre optar por abrir abismos de incompreensão ou estender a ponte do
diálogo que nos possibilita uma solução feliz. Somente
da nossa vontade dependerá o nosso estado íntimo.
Portanto, criar céus ou infernos é algo que ninguém poderá
fazer por nós. Pense nisso, sua vontade é soberana. Sua intimidade
é um santuário do qual só você possui a chave. Preservá-la
das investidas das sombras e abri-la para que o sol possa iluminá-la...
só depende de você!
MUITOS SONHOS REALIZADOS - 22 FEVEREIRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Quando eu era pequeno e morava em São Paulo, tinha mais prazer em praticar
algumas atividades: ouvir música, jogar futebol, ensinar matemática
aos vizinhos, escrever cartas a parentes de Monte Sião, ler gibis e rezar
antes de dormir. Certamente tudo contribuiu para os trabalhos que exerço
hoje: professor universitário, agente pastoral, cantor e escritor católico.
Apenas a prática de esporte não está acontecendo por falta
de tempo e DNA (Data Natalina Avançada).
Eu também tinha alguns sonhos para o futuro: ter um bom emprego e constituir
família. Isto não é novidade, já que a grande maioria
das pessoas deseja o mesmo; mas o meu sonho era especial. Eu imaginava ter uma
família bem grande, onde todos pudessem compartilhar amor, principalmente
fazendo muita caridade no Natal - época em que eu ficava triste, pensando
naqueles que não tinham o que comer.
E eu ainda me via adulto, voltando do trabalho e recebendo os parabéns
pelas realizações do dia-a-dia. Pode parecer um pouco de vaidade
misturada com egoísmo, mas afirmo que sonho é assim mesmo: a gente
exagera nas fantasias para ir adequando à realidade com o tempo. E foi
o que aconteceu.
Hoje, tudo se realizou de acordo com os planos de Deus. A grande família
que eu sonhava se chama Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração;
o serviço de caridade só acontece porque tenho ajuda de muitos
vicentinos que abraçaram a mesma causa; e o trabalho virtuoso ocorre
na UNIFEI, nas ações da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão,
onde servimos nossos clientes com alegria.
As atividades de criança foram importantes porque deixaram raízes
no meu coração. Olhando para trás e selecionando somente
coisas boas, percebo claramente o caminho do bem que deveria ter seguido há
mais tempo. E quando tenho que aconselhar alguém, as experiências
que vivi me inspiram a dizer mais ou menos isto:
- Todos temos muito amor no coração e, mesmo assim, sempre somos
provados a escolher uma entre estas duas opções: a oração
que chega ao céu e a tentação que leva ao inferno. Em resumo,
o caminho certo pode ser encontrado conhecendo as verdades do Evangelho.
Na Escola Vivencial do Cursilho, dia 15, o Geraldo nos falou sobre o valor incomparável
da pessoa humana, e nos disse que somos imagem e semelhança de Deus (Gn
1, 26). Também por este motivo, precisamos acreditar nas ‘verdades’
incontestáveis da Sagrada Escritura, tipo:
- Eu sou a verdade (Jo 14, 6); A verdade vos libertará (Jo 8, 32); Vim
ao mundo para dar o testemunho da verdade (Jo 18, 37); Deus quer que todos se
salvem e cheguem ao conhecimento da verdade (I Tm 2, 4); A Igreja é a
coluna e o fundamento da verdade (I Tm 3, 15).
Crendo nisto, a vida já fica mais fácil porque tudo faz sentido.
Faz sentido: dizer a verdade, seguir Jesus Cristo, amar a nossa Igreja, praticar
a justiça, ser fruto da paz duradoura, aceitar as dificuldades e praticar
o bem. Basta querer viver segundo os Mandamentos Divinos e tudo acontece naturalmente;
no entanto, se colocarmos maldades na mente, a salvação eterna
fica seriamente ameaçada.
Há uma história que começa com dois monges caminhando pela
floresta. Ao chegarem à beira de um rio, viram uma jovem quase nua tentando
atravessar para a outra margem. Enquanto o mais velho disfarçou e evitou
de olhar, o monge jovem a pegou nos braços e a transportou para o outro
lado. Muito contente, a jovem lhe deu um beijo de gratidão.
Ao seguirem viagem, o monge superior repreendeu o noviço, dizendo que
ele não deveria ter feito aquilo, pois carregar a moça nos braços
foi um mau exemplo à ordem que pertenciam. Passado mais algum tempo,
novamente o mais velho condenou a iniciativa do companheiro. Mais tarde, ao
ser mais uma vez criticado pelo ato que praticou, o jovem respondeu:
- O que é pior: eu tê-la carregado nos braços por cinco
minutos ou você estar carregando-a em sua mente há horas?
Este exemplo foi muito bem lembrado pela Cláudia do Pantera na Escola
Vivencial, explicando que somos o que pensamos. Sonhamos, vivemos, erramos,
lutamos, choramos, sorrimos, mas, um dia, demonstramos o que pensamos. É
na mente que está o nosso caráter que dirige as nossas ações.
Enquanto não alimentarmos a mente com mensagens de amor, teremos sérias
dificuldades em viver na paz de Cristo.
E voltando àquilo que eu disse no início, minha vida tem muito
a ver com tudo o que plantei na infância. Na verdade, nem tudo fui eu
que plantei; muita gente contribuiu para que alguns sonhos se realizassem e
os planos de Deus acontecessem. Ainda falta muito para perpetuar a paz em minha
vida - talvez, só no Céu -, mas continuo nas estradas de Jesus:
tirando pedras do caminho e não perdendo a esperança em dias melhores.
Ah, eu também sonhava em nunca deixar de escrever cartas falando de amor,
como aquelas que remetia à minha namorada há quase 40 anos. Hoje
estamos juntos e não faz mais sentido continuar escrevendo a ela, porém,
sou grato a você que está lendo esta coluna e contribui para que
mais este sonho continue acontecendo.
TENTANDO AJUDAR O PRÓXIMO - 15 FEVEREIRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Este artigo traz casos, humor e mensagens de amor. Leia as quatro partes que descrevo e concluiremos juntos.
1 - Eis a história de quem quis ajudar e não conseguiu:
Um caboclo estava caminhando pela estrada de terra com um enorme fardo às
costas quando surgiu uma charrete atrás dele. Solidário com o
sacrifício do caboclo, o senhor da charrete lhe perguntou:
- Olá, amigo, quer subir no bagageiro e seguir viagem comigo?
Imediatamente o convite foi aceito. Pouco tempo depois, o condutor da charrete
percebeu que o fardo continuava nas costas do cidadão e lhe disse:
- Hei, por que está carregando este peso até agora? Coloque o
saco ao lado!
- De maneira alguma - disse o caboclo. - Já chega o seu cavalo ter que
puxar nós dois! Deixa que o saco eu carrego.
2 - Eis um caso de quem desejou atrapalhar:
O sujeito foi cortar o cabelo no barbeiro que frequentava há anos, e
começaram a conversar:
- Vou pra Itália amanhã.
- Itália? - perguntou o barbeiro. - Com tanto lugar bom pra ir, vai logo
pra Itália?
- É, e vou pela Alitalia.
- Nossa! A pior companhia de aviação do mundo! E vai pra que cidade,
hein?
- Roma.
- Cidadezinha feia, cara! E se hospedará aonde?
- No Hilton.
- Não! Aquilo é só fama, mas nada de bom. E vai querer
ver o Papa?
- Claro!
- Programinha de índio, hein! Milhares de pessoas se acotovelando ao
seu lado. Credo!
O rapaz saiu do barbeiro se mordendo de raiva, mas viajou e curtiu as férias.
Logo que voltou, fez questão de ir à barbearia.
- E aí, como foi o passeio? - perguntou o barbeiro.
- Passeio? Você não sabe o que me aconteceu! Eu estava no Vaticano
tentando ver o Papa e, logo que ele chegou à sacada, olhou pra multidão
e desceu. Então, começou a andar na minha direção,
foi se aproximando até chegar bem pertinho. Daí cochichou uma
coisa bem baixinho no meu ouvido.
- Que barato, cara! E o que o Papa falou pra você?
- Disse assim: ‘Cabelinho mal cortado, hein, filho!
3 - Eis uma ajuda oportuna:
Numa sessão de abertura do Senado Estadual do Kansas, Estados Unidos,
pediram para um religioso fazer uma oração. Ao invés de
palavras tradicionais para o momento, ouviram isto:
“Pai celeste, nós estamos aqui para pedir Seu perdão e para
buscar Sua direção e liderança. Sabemos que Sua palavra
diz: ‘Cuidado com aqueles que chamam o mal de bem’, mas isto é
exatamente o que temos feito. Nós perdemos nosso equilíbrio espiritual
e invertemos nossos valores.
Nós exploramos os pobres e chamamos isso de loteria. Nós recompensamos
a preguiça e chamamos isso de bem-estar. Cometemos aborto e chamamos
isso de escolha. Nós negligenciamos a disciplina de nossos filhos e chamamos
isso de construção de auto-estima. Abusamos do poder e chamamos
isso de política. Poluímos o ar com coisas profanas, pornografia,
e chamamos isso de liberdade de expressão. Nós ridicularizamos
os valores dos nossos antepassados e chamamos isso de iluminismo.
Sonda-nos, Deus, nos limpa de todo pecado e nos liberta. Amém!”
4 - Uma ajuda silenciosa:
Uma senhora pegou um táxi para o aeroporto. O carro estava na faixa certa
quando, de repente, um veículo preto saiu correndo de um estacionamento
próximo. O motorista do táxi pisou no freio, deslizou e escapou
com muita habilidade do acidente. O condutor do outro carro, embora errado,
sacudiu a cabeça e começou a gritar palavrões.
Estranhamente, o motorista do táxi apenas sorriu e acenou serenamente
para o cidadão mal educado. Meio confusa, a senhora perguntou ao chofer:
- Por que você fez isso? Este cara quase arruína o seu carro e
nos manda para o hospital!
O motorista explicou-lhe, então, a ‘lei do caminhão de lixo’:
pessoas que andam por aí carregadas de porcaria, cheias de frustrações,
raiva e desapontamentos. À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas
precisam de um lugar para jogar e, às vezes, descarregam sobre a gente.
E o motorista completou:
- Apenas sorria, acene, deseje-lhes bem e vá em frente. Não pegue
o lixo delas e espalhe sobre outras pessoas que não têm nada com
isso. Gente de bem não deixa caminhão de lixo estragar o seu dia.
A vida é muito curta para levantar de manhã com sentimentos ruins;
por isso, ame as pessoas que o tratam com respeito e reze pelas que não
o fazem. Curta seus momentos abençoados, livres de lixo!
Agora, podemos concluir juntos, assim: quem quer ajudar o próximo age
com amor, enquanto quem deseja prejudicar alguém trabalha sem Deus no
coração. E não devemos esquecer que a melhor caridade começa
por ouvir os que sofrem. Concorda?
EU TUDO POSSO? - 8 FEVEREIRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Convidado para conduzir uma reflexão espiritual ao grupo que está
preparando o 12º Cursilho Feminino de Itajubá-MG, comecei dizendo
que não seria fácil falar somente para mulheres, e contei esta
história:
Um cidadão andava pelo mundo pregando a paz e, certa noite, um anjo lhe
apareceu trazendo esta mensagem:
- Você tem se esforçado muito para ajudar o próximo; portanto,
irei lhe conceder um desejo que contribua com sua missão. Peça
o que quiser.
Feliz com a possibilidade de conseguir grande ajuda, o homem pegou um mapa e
foi falando:
- Veja, marquei os países em conflitos. Gostaria que não mais
guerreassem e se respeitassem para sempre.
- Olha - disse o anjo com o mapa nas mãos -, esse pedido é muito
difícil de conceder. Meus poderes são limitados e, considerando
que algumas desavenças existem há milhares de anos, é melhor
não interferirmos. Guarde este mapa e peça outra coisa mais fácil.
- Já sei: quero paz nas famílias! Para isso, desejo que as mulheres
sejam mais compreensivas com seus maridos, não reclamem tanto de coisas
fora do lugar nem se chateiem quando eles beberem umas cervejinhas a mais. Também
quero que parem de ter ciúmes dos pobres coitados e permitam que saiam
com os amigos quando quiserem.
Então, o anjo pensou, pensou, e disse:
- Devolva-me o mapa e vamos tentar viabilizar o primeiro pedido, que é
mais fácil.
Brincadeiras à parte, passei a comentar o tema escolhido pela Janice:
‘Tudo posso naquele que me fortalece!’. À primeira vista,
esta frase de São Paulo na Carta aos Filipenses pode nos levar a interpretações
equivocadas. Dividindo a frase em duas - tudo posso / naquele que me fortalece
-, a segunda parte não deixa dúvidas: fortaleço-me por
Cristo, com Cristo e em Cristo; mas, como explicar que ‘eu tudo posso’?
Imaginemos primeiro que alguns ensinamentos dos Evangelhos fossem ditos em nossa
época, durante um passeio de Jesus e Maria pela Terra. Caminhando, viram
duas pessoas chorando pela morte de um parente próximo. Jesus lhes disse:
- Bem-aventurados vós que agora chorais, porque vos alegrareis! (Lc 6,
21). Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz
e abrir a porta, entrarei em sua casa, com ele cearei e ele comigo (Ap 3, 20).
Percebendo o casal meio desconfiado, Nossa Senhora falou:
- Fazei tudo o que ele vos disser (Jo 2, 5).
Aceitando o conselho, perguntaram a Jesus o que gostaria que fizessem, e o Senhor
completou:
- Vinde a mim vós todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei
(Mt 11, 28).
Confiantes, imediatamente foram curados da tristeza e um deles respondeu:
- Tudo posso n’Aquele que me fortalece (Fp 4, 13).
Com sabedoria materna, a Virgem Maria falou:
- Sim, tudo podeis, mas cuidado! Por meio de meu Filho, muitas necessidades
pessoais são satisfeitas na busca da paz que desejais. Contando com a
graça divina, podereis enfrentar muitas situações adversas,
mas não pensais em grandes realizações. A comunhão
com Jesus deve ser a maior conquista na vida de vós, sempre! Assim, fiéis
a Ele, sereis fortes o suficiente para lidar com o mal.
E, neste contexto, eu expliquei às jovens senhoras cursilhistas que existe
um perigo na interpretação subjetiva deste versículo: ‘tudo
posso naquele que me fortalece’. Se não exercitarmos diariamente
a fé e anunciarmos isto às pessoas, podemos nos frustrar. Nem
sempre somos bem sucedidos em nossos negócios, por exemplo, e a culpa
não é de Deus. Não devemos concluir que Ele quebrou sua
promessa; certamente, também o Pai não queria que Cristo morresse
na cruz, mas, por causa do grande amor d’Ele por nós, permitiu.
Se nem Deus faz tudo o que pode e quer, quanto mais nós! Contando com
a vontade do Senhor, então sim: tudo posso naquele que me fortalece.
As fortes experiências pessoais com Cristo - como na segunda história
que contei - aumentam a confiança na graça; mas, mesmo Paulo tendo
curado muitos em nome de Jesus (At 28, 7-9), não pôde curar seu
discípulo amado, Trófimo (II Tm 4, 20). Então, dentro dos
limites que Deus permite, o ‘tudo’ pode ser considerado - e significa
viver alegre em todas as situações, porque Cristo nos fortalece.
Ninguém melhor do que o nosso Criador sabe aquilo que mais precisamos
e, principalmente, sabe que normalmente há grande diferença entre
o que pensamos que precisamos e o que realmente é a nossa maior necessidade.
Se tão pouco fazemos, tudo o que Ele nos capacita a fazer, não
podemos exigir que nos conceda ‘dons extras’ para nos alegrarmos.
É mais sensato nos convencermos que tudo o que Deus faz é bom
e, neste caso, ‘tudo’ significa tudo mesmo!
Nossa vida pode ser um magnificat - semelhante à espiritualidade de Maria.
E para não nos tornarmos sentinelas que dormem, precisamos acreditar
que tudo podemos n’Aquele que nos fortalece quando temos atitudes eucarísticas.
Decolores!
SURPRESAS DE ANIVERSÁRIO – 1 FEVEREIRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Dia 19 de janeiro eu completei 53 abençoados anos de vida e comemorei
o aniversário em grande estilo: um passeio internacional! Tudo bem que
viajei para ‘Cidade de Leste’ no Paraguai, mas foi muito legal.
Às 6 horas da manhã, o Lenarth ligou no meu celular dizendo que
queria ser o primeiro a me felicitar. Apesar do susto que levei ao ouvir o telefone
tocando de ‘madrugada’, gostei demais da manifestação
de carinho desse grande amigo que Deus me deu.
Uma hora depois, durante o café no hotel em Foz do Iguaçu, eu
e minha esposa fomos surpreendidos pelo casal Amaury Vieira e Ediléia,
que entraram no refeitório cantando ‘parabéns a você’.
Recebi aplausos dos presentes e percebi que seria um dia cheio de alegrias.
Fomos às compras e uma pessoa maravilhosa também seguiu conosco
ao Paraguai. Eu ainda não o conhecia e fiquei feliz pela amizade que
fizemos. Foi outro grande presente de aniversário ter a companhia do
Pedro, de São José do Alegre. O Amaury já havia me falado
do seu bom caráter e, mesmo assim, pude admirar a bondade daquele coração.
O tempo foi passando, nos divertimos bastante e retornamos com as sacolas cheias
ao hotel. Respondi as ligações telefônicas que não
havia atendido e fui dar uma espiada nos e-mails. Eis o que mais gostei: “Parabéns,
vovô. Que Deus e Nossa Senhora abençoem muito o senhor e o tragam
pra bem pertinho de mim logo, logo. Com saudades, Luísa.”
Junto com estas palavras, estava a foto dela engatinhando na praia de Camboriú-SC.
Aquilo me fez suspirar de emoção e agradecer, mais uma vez, tamanha
felicidade. Naquela mesma noite, falando com minha filha, pedi que viessem nos
ver em Curitiba - na viagem de volta. E assim aconteceu. Matei as saudades deles:
Thaís, Rogério e Luísa.
Outro e-mail que tocou meu coração na tarde do aniversário
foi este:
“Deus, que eu me permita escutar mais e falar menos. Que eu saiba reproduzir
na alma a imagem que entra pelos meus olhos, fazendo-me parte suprema da natureza,
criando e recriando a cada instante. Que eu possa chorar menos de tristeza e
mais de contentamentos.
Que eu saiba perder meus caminhos, mas também saiba recuperar meus destinos
com dignidade. Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas
inúteis e desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha turbulência;
sábio dentro de meus limites; humilde diante de minhas grandezas.
Senhor, que eu me permita ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não
sei; traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os
simples traduzem suas experiências; auxiliar a solidão de quem
chegou e render-me ao motivo de quem partiu. Que eu possa amar mesmo sem ser
amado. Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só. Amém!”
Tudo isso foi aperitivo para a grande noite que estava começando. Sem
eu saber, o maestro Amaury reservou uma mesa especial na Churrascaria Búfalo
Branco e, ao som de uma dupla argentina, jantamos deliciosamente. Com acordes
de harpa e violão, mais um ‘parabéns a você’
foi cantado.
Recebi muito mais do que mereço, mas foi um aniversário inesquecível!
Que a Virgem Maria – minha protetora de todas as horas – abençoe
aqueles que se lembraram e rezaram por mim. Acredito que tanta manifestação
de carinho deve-se à educação que recebi de meus pais e
ao aprendizado desses últimos anos. Caminhando na oração
com os agentes da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração
e me relacionando com pessoas de bem na Universidade Federal de Itajubá,
me tornei um novo homem. As lições que aprendi foram semelhantes
à desta história:
“Um estudante universitário saiu para dar um passeio com seu professor.
Enquanto caminhavam, viram um par de sapatos velhos que pertencia a um homem
que trabalhava na limpeza do terreno ao lado. Então, o aluno disse ao
mestre:
– Vamos fazer uma brincadeira? Esconderemos os sapatos atrás dos
arbustos para ver a cara do sujeito quando não os encontrar.
– Meu querido – disse o professor –, nunca devemos nos divertir
à custa dos pobres. Tu és rico e podes perfeitamente dar grandes
alegrias a este homem. Coloca uma nota de valor significativo em cada sapato
e veremos sua reação quando as encontrar.
Fizeram isso e se esconderam. O pobre homem terminou a tarefa e, ao deslizar
o pé direito no sapato, sentiu algo estranho. Pegou o dinheiro, olhou
para os lados e não viu ninguém. Guardou a nota no bolso e, ao
calçar o outro sapato, sua surpresa foi ainda maior quando encontrou
mais dinheiro.
Emocionado, pôs-se de joelhos, levantou os olhos para o céu e,
em voz alta, fez um agradecimento. Falou da esposa doente, dos filhos que não
tinham comida e pediu para Deus abençoar o autor de tamanha caridade.
O estudante ficou surpreso com o resultado daquela ação e começou
a chorar. Mais tarde, disse ao professor:
– Aprendi uma lição que jamais esquecerei. Agora entendo
que é muito melhor dar do que receber.”
AS COISAS DE DEUS - 25 Janeiro 2009
Paulo Roberto Labegalini
Eu conheço uma história que é mais ou menos assim:
Uma senhora muito elegante levou o marido enfermo a uma clínica e pediu
que o médico o examinasse. Assim que terminou a consulta, em conversa
particular, a esposa perguntou ao médico se o caso do seu companheiro
era grave. Ouviu, então, a resposta:
- Pode ficar tranquila que ele sente apenas uma carência afetiva no casamento.
Eu sei que a senhora é uma empresária de sucesso, viaja muito
e quase não tem tempo para dedicar à família, mas, se quiser
que ele sare, precisa começar a cozinhar para ele, levá-lo para
passear, dormir sempre em casa e, assim, em um mês ele estará bom.
Na saída do consultório, o marido quis saber dela o que o médico
havia dito. E a esposa lhe respondeu:
- Ele disse que você vai morrer daqui a uma semana!
Pois bem, quando não há comprometimento com o objetivo a ser alcançado,
o resultado pode vir a ser o pior possível. Isso também acontece
com a missão que recebemos de Deus: ou a abraçamos com amor e
buscamos superar as dificuldades com dignidade ou fracassamos.
Eu sei que é tentar fazer chover no molhado falar de oração
e mostrar o caminho das pedras para conseguir superar os problemas do dia-a-dia
com tranquilidade, mas, como a minha missão nesta coluna é evangelizar,
vou insistir naquilo que já escrevi algumas vezes.
Geralmente dizemos que temos um ‘problema’ quando existem vários
caminhos para chegarmos à solução de alguma preocupação
e não sabemos qual a melhor opção. Se isso acontece, será
que refletimos o quanto a oração pode encurtar esses caminhos?
É comum estarmos atribulados com dezenas de compromissos de trabalho,
pessoais e sociais, mas quase sem tempo às coisas de Deus. Na correria
em que vivemos, a oração perde espaço e, em muitos casos,
cai no esquecimento. Quando isso ocorre, realmente fica mais difícil
a solução de qualquer tipo de problema.
Portanto, sem oração, ficamos desprotegidos para vencer o mal
e - o que é pior - desprezamos pedir para a Providência Divina
guiar os nossos passos neste mundo cercado de pecados. De alguma forma temos
que dar valor e sentido ao nosso comprometimento com a missão que o nosso
Pai nos deu... e tudo começa com oração!
As imagens de Nossa Senhora, dos anjos e dos santos que tenho em casa, me fazem
lembrar de rezar várias vezes ao dia e não somente quando sobra
tempo pra Deus. Quero, cada vez mais, aumentar a minha coleção
e me aprofundar na oração porque, graças ao meu batismo,
me tornei templo do Espírito de Deus! Dá para imaginar o que isso
significa? Certamente, para a maioria das pessoas que fossem consultadas, responderiam:
‘não’. Pelo menos é assim que muitos se comportam:
convivendo diariamente com o pecado.
Eu sei que todos somos pecadores e também não me julgo santo -
quem me dera! -, mas, se cada filho de Deus quisesse realmente que o Espírito
Santo nele habitasse, não se esforçaria um pouco mais para isso?
É comum ouvir palavrões a todo instante em recintos públicos
ou até mesmo nas redes abertas de televisão. Embora isso não
seja um pecado mortal, também não é importante para a nossa
sobrevivência. Quem usa um ou outro palavrão na sua comunicação,
deveria refletir melhor sobre o mau exemplo que está dando à sociedade
e, até mesmo, àqueles que não gostariam de estar ouvindo
aquilo naquele momento - inclusive o Espírito Santo!
Eu fui aos poucos me educando nesse sentido e não me arrependo. Aliás,
porque me arrependeria de estar me comunicando segundo Jesus Cristo espera que
eu o faça? Hoje, não consigo me comportar indignamente sabendo
que estou magoando a minha Mãe Santíssima que tanto me ajuda.
Se, um dia, espero estar junto de Jesus e de Maria no céu, sei que preciso
começar a me preparar para isso aqui na terra o quanto antes - e já
perdi muito tempo!
É importante lembrar que quando algum pecado estiver tentando você
insistentemente, é preciso que se confesse, comungue e reze um pouco
mais para se livrar do mal que procura entrar na sua vida. Aliás, se
no mesmo dia em que você se confessar e comungar também oferecer
pelo menos um Pai-nosso e uma Ave-maria ao Papa e rezar um Terço - ou
participar de uma Via-sacra, ou refletir na Palavra de Deus por trinta minutos
-, ganhará indulgência plenária (remissão da pena
temporal devida). Peça uma orientação a esse respeito ao
seu pároco se tiver dúvidas.
Ser templo do Espírito Santo é uma missão muito séria,
por isso devemos nos comprometer com a purificação do nosso corpo
e da nossa alma para que Ele possa habitar em nós vinte e quatro horas
por dia. Como? Fugindo dos pecados e praticando obras que fortaleçam
o Reino de Deus entre nós.
Para quem nunca tentou, é muito fácil: basta querer morar no paraíso...
santamente, alegremente e eternamente!
SINAIS DE BÊNÇÃOS - 11 JANEIRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Numa fazenda, há um pasto onde vivem dois cavalos. São animais
muito bonitos, como outros, bem tratados que têm por aí; porém,
um deles é cego. Mesmo assim, o dono não se desfez dele quando
nasceu; pelo contrário, deu-lhe um amigo mais jovem.
Observando melhor, percebe-se que há um pequeno sino no pescoço
do cavalo menor; isso para que o cavalo cego saiba onde está seu companheiro
e vá até ele. No final do dia, um segue o outro até o estábulo;
e, quando o mais velho se atrasa na caminhada, o outro pára e espera
que o amigo o alcance. Assim, o cavalo cego passa o dia guiado pelo sino, confiante
que o outro o está levando para o caminho certo.
E, como o dono dos cavalos, Deus não se desfaz de nós só
porque não somos perfeitos ou porque temos grandes problemas para resolver.
Ele cuida de cada um e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio
quando precisamos. Algumas vezes, somos o cavalo cego guiado pelo som do sino
daquele que Deus coloca em nossa vida. Outras vezes, somos o cavalo que guia,
ajudando outras pessoas a reencontrarem o caminho.
Assim são os bons amigos: você não precisa vê-los,
pois sempre estarão por perto. Ouça os sinos deles e, quando precisarem,
também ouvirão o seu. Reze por eles e uma grande bênção
estará ao seu alcance, como sinal da graça de Deus aos filhos
que praticam o bem ao próximo.
Na verdade, todos nós nascemos com um ‘sino’ no pescoço.
Por isso é que somos notados por onde passamos e, muitas vezes, algumas
pessoas nos seguem. Se tivéssemos consciência do quanto influenciamos
os destinos dos outros, nunca andaríamos por estradas ruins; mas, infelizmente,
o ser humano insiste em conduzir pessoas a erros de comportamento.
Como vicentino, eu já passei por experiências diversas. Hoje sei
que um pedaço de pão é uma bênção para
quem tem fome, e um carro novo pode não ser aceito por aquele que exige
determinadas marcas e modelos. Ambos são presentes de Deus, mas os valores
são muito diferentes por parte de quem os recebe. O pão é
mais valorizado pelo pobre do que o automóvel pelo milionário.
Podemos considerar que são fatos normais no cotidiano de cada um?
Se a Palavra Sagrada fosse mais bem compreendida e praticada em nosso meio,
as coisas seriam diferentes. Há muitas falhas na comunicação
que vem do Céu; logicamente, não da parte do Senhor, mas devidas
às dificuldades humanas em completar o ciclo da bênção.
Sei que não posso generalizar; porém, quase sempre deixamos de
concluir aquilo que seria a vontade de Deus.
Primeiro, porque não conhecemos plenamente a Bíblia. Mesmo reconhecendo
que se refere à ‘Carta de Amor do Criador’ por nós,
exageramos na preguiça de conhecê-la melhor. Segundo, porque nas
partes que sabemos de cor, não comentamos com as pessoas que se relacionam
conosco no trabalho e na roda de amigos. Terceiro, porque nem sempre damos bons
exemplos influenciados pelos ensinamentos bíblicos, mostrando que pouco
nos importamos com a salvação da alma.
Há uma história que faz menção à nossa falha
de comunicação:
Uma senhora idosa estava parada na calçada, hesitante na tentativa de
fazer a travessia diante de um tráfego intenso. Temerosa, não
conseguia sair do lugar. Então, apareceu um cavalheiro que, tocando-a,
perguntou se poderia atravessar a rua com ela. Alegre e muito agradecida, a
senhora tomou seu braço e juntos partiram em direção ao
lado oposto.
Foi então que ela começou a ficar mais apavorada ao ver que o
homem ziguezagueava pelo meio da rua enquanto buzinas soavam, freios eram acionados
e motoristas gritavam palavras ofensivas. Quando chegaram do outro lado, ela
disse furiosa:
- Quase morremos! Você caminha como se fosse cego!
- Mas eu sou cego! Foi por isso que lhe perguntei se poderia atravessar junto
com a senhora!
Isto nos faz pensar: quantas vezes somos mal compreendidos! Precisamos aprender
que comunicação não é somente o que a gente fala,
mas principalmente o que o outro entende. Se não quisermos entender que
só entra no Céu quem tem compaixão dos sofredores, de que
adianta vivermos dezenas de anos aqui na Terra?
Tudo aquilo que faço, que tenho e que sou, são sinais visíveis
de bênçãos em minha vida. O grupo de pessoas amigas que
me relaciono diariamente - no trabalho e na comunidade que sirvo - certamente
toca o ‘sino da misericórdia’ bem alto para que eu ouça.
Estou convicto disto porque ninguém diz ‘não’ quando
peço ajuda. E, assim, com amor no coração, vamos completando
o ciclo da bênção um para com o outro.
Eis uma grande possibilidade desse ciclo se realizar:
1. valorizando cada vez mais a Palavra de Deus;
2. melhorando dia-a-dia a comunicação evangélica;
3. fazendo soar o sino que indica os bons caminhos; e
4. perseverando na fé com as pessoas que nos seguem.
Mais cedo ou mais tarde, com firme confiança na graça, a bênção
divina nos atingirá.
PAPÉIS INVERTIDOS - 4 JANEIRO 2009
Paulo Roberto Labegalini
Mogo sempre foi um homem bom. Tinha uma família, procurava ajudar o
próximo e era honesto em seus negócios. Entretanto, não
podia admitir que as pessoas fossem tão ingênuas a ponto de acreditar
que um Deus havia descido à Terra só para ajudar os homens.
Sendo uma pessoa de princípios, não tinha medo de dizer a todos
que o Natal, além de ser mais triste que alegre, também estava
baseado numa história irreal: um Deus se transformando em homem!
Como sempre, na véspera da celebração do nascimento de
Cristo, sua esposa e filhos se prepararam para ir à igreja. Então,
Mogo resolveu deixá-los partir sozinhos, dizendo:
- Seria hipocrisia de minha parte acompanhá-los. Estarei aqui esperando
a volta de vocês.
Quando a família saiu, Mogo sentou-se em sua cadeira preferida, acendeu
a lareira e começou a ler os jornais do dia, mas logo foi distraído
por um barulho na janela, seguido de outro e mais outro. Achando que era alguém
atirando bolas de neve, ele pegou o casaco e saiu, na esperança de dar
um susto no intruso.
Assim que abriu a porta, notou um bando de pássaros que haviam perdido
o rumo por causa de uma tempestade e, agora, tremiam na neve. Como tinham notado
a casa aquecida, procuraram entrar, mas, ao se chocarem contra o vidro, machucaram
as asas e só poderiam voar de novo quando estivessem curadas.
- Não posso deixar estas criaturas aí fora - pensou Mogo. - Como
ajudá-las?
Foi até a porta da garagem, abriu-a e acendeu a luz. Os pássaros,
porém, não se moveram. Ele tornou a entrar em casa, apanhou um
miolo de pão e fez uma trilha até a garagem aquecida, mas não
deu resultado.
Então, abriu os braços, tentou conduzi-los com gritos carinhosos,
empurrou delicadamente um e outro, mas os pássaros ficaram mais nervosos
ainda. Começaram a se debater, andando sem direção pela
neve e gastando inutilmente o pouco de força que ainda tinham. Mogo já
não sabia mais o que fazer.
- Vocês devem estar me achando uma criatura aterrorizadora! - disse em
voz alta. - Será que não entendem que podem confiar em mim? Se
eu tivesse uma chance de me transformar em pássaro só por alguns
segundos, vocês veriam que estou querendo salvá-los!
Nesse momento, o sino da igreja tocou anunciando meia-noite. Em seguida, um
dos pássaros se transformou em anjo e perguntou a Mogo:
- Agora você entende por que Deus precisava se transformar em homem?
Com os olhos cheios de lágrimas, ele respondeu:
- Perdoai-me, anjo, agora eu entendo. Só confiamos naqueles que se parecem
conosco e passam pelas mesmas coisas que passamos.
Assim é a vida. Se tivéssemos sido pobres o suficiente para quase
morrermos de fome, repartiríamos um pouco do que temos com os necessitados.
Se tivéssemos vivido em comunidades sem a celebração da
Eucaristia por meses, ajudaríamos mais na formação de padres.
Se tivéssemos sido acometidos com doenças incuráveis, compreenderíamos
que o dinheiro não compra tudo e nos despojaríamos de muitos bens
materiais.
Felizmente, muitos não passaram por isto. Infelizmente, muitos passam
por isto. São duas tristes realidades: quem tem e não reparte,
e quem não tem e sofre. Como diz o padre Fábio de Melo numa de
suas músicas: ‘Somos humanos demais para entender’.
Mas, há no mundo pessoas de bom coração que, embora não
tenham comido o ‘pão que o diabo amassou’, são solidários
à miséria. Como vicentino e presidente da Conferência Nossa
Senhora do Sagrado Coração, sou testemunha do empenho de um grupo
comprometido com a caridade. São mais de 20 pessoas que se reúnem
semanalmente para planejar ações de socorro aos necessitados.
Nós, vicentinos, vemos Jesus sofrendo no rosto dos marginalizados e procuramos
resgatar a dignidade dessas pessoas. Rezamos para São Vicente de Paulo
nos abençoar na caminhada e confiamos na providência divina. Procuramos
nossa santificação por meio da compaixão ao próximo
ensinada no Evangelho. O Pai dos Pobres, São Vicente, disse: “Se
dez vezes ao dia visitardes os pobres, dez vezes ao dia encontrareis Jesus Cristo”.
Deus chama uns à pregação; outros, à conversão;
os vicentinos, chama à visita ao pobre em seu domicílio para,
em nome da Igreja, realizar este trabalho maravilhoso de caridade, de doação
pessoal, de amor, usando os dons que Ele nos deu. A Sociedade São Vicente
de Paulo é uma escola de vivência humana em ajudar o outro. É
uma escola de santidade e nos coloca mais próximos de Deus.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo que nos espera em cada casebre, em cada
asilo, em cada hospital. Louvado seja Deus que toca nos corações
dos benfeitores dos pobres. Louvada seja a Virgem Maria que protege a Família
Vicentina.
Obrigado, Pai, por nos amar como filhos e nos mostrar que somos todos iguais!
Obrigado, Senhor, por permitir aos sofredores entrar no Céu antes de
nós! Quem tem muito aqui na Terra, pode ceder a vez àqueles que
nunca experimentaram a felicidade.
E-mail: labega@unifei.edu.br