Artigo Semanal (abaixo) publicado na mídia impressa pelo meu amigo Paulo Labegalini de Itajubá-MG.
paulolabegalini@oi.com.br
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ORIENTE-SE

Minha despedida deste jornal – 12 dezembro 2010
Paulo Roberto Labegalini

Em meados de 1997, eu escrevi uma matéria para ‘O Sul de Minas’ intitulada ‘Os Vicentinos’. Pouco tempo depois, o engenheiro Alfredo Pacheco disse-me que fazia parte do conselho editorial do jornal e proporia aos demais membros a minha participação semanal. Assim, há 13 anos, teve início a coluna ‘Oriente-se’.
E graças ao bom Deus e às bênçãos da minha querida Mãezinha do Céu, nunca deixei de encaminhar meus artigos nas datas estabelecidas pela redação. Este é o de número 660, o último que será publicado.
Aos meus leitores, quero informar que eu não abdicaria da missão evangelizadora que assumi, muito pelo contrário, a cada ano procurei adicionar assuntos de interesse comunitário às mensagens cristãs. Falei de pessoas, comentei eventos que participei, confirmei convicções pessoais, coloquei a Palavra de Deus na mídia, transcrevi orações, brinquei nas piadas, orientei como trilhar caminhos para o Paraíso e, na maioria das vezes, contei histórias.
Os textos poderiam ter sequência, porém, na semana passada, o sócio proprietário deste jornal, Luiz Antonio Santiago, telefonou-me e explicou que, devido às próximas mudanças, o espaço que ocupo será substituído. Fiquei surpreso, mas reafirmei que não escrevo para venderem jornal nem para promoção pessoal, mas para passar mensagens e testemunhos da fé cristã. Portanto, mesmo que eu e O Sul de Minas não tenhamos prejuízo, certamente o Reino de Deus perderá uma contribuição a mais na Terra.
Pois bem, já que o fato está consumado, só me resta me despedir. Os redatores que trabalhei – Regilena, Moacir Carvalho, Trotta – e os padres Missionários do Sagrado Coração sempre apoiaram esta coluna. Alguns sacerdotes – como o padre Mauro – diziam que usavam minhas histórias nas pregações. Centenas de leitores fizeram contato afirmando o quanto lhes fazia bem cerca de 4.000 palavras toda semana. O Moacir de Souza e sua equipe, que atuaram na gestão anterior do jornal, valorizaram demasiadamente os textos que escrevi. A todos, muito obrigado.
Se mais alguém vier a se lamentar pela decisão tomada pelo Santiago, eu direi: dos males, o menor. Pelo menos ninguém morreu, ninguém brigou, não haverá rancor. Continuaremos todos irmãos e, acredito, rezando uns pelos outros. De minha parte, terei cerca de três horas a mais na semana para outra atividade. No período que estaria escrevendo um artigo, quem sabe levarei comunhão para um doente ou prepararei uma música nova para cantar nas missas.
Quem precisar de alguma iniciação na Igreja católica pode me procurar. Sou Vicentino, membro da Pastoral Familiar, participo do Movimento OVISA, do Cursilho e conheço outros grupos na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração que precisam de agentes. Mesmo involuntários, novos pontos de encontro aparecerão. Na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da UNIFEI, as portas estarão abertas aos amigos e parceiros. Os eventos do Natal no Campus estão chamando cada vez mais pessoas e, neles, sempre estarei presente.
Hoje, aqui, eu falaria do espetáculo maravilhoso proporcionado pelo Ballet Bolshoi sábado passado, do grandioso encontro de corais domingo, mas o espaço não será suficiente. Você, leitor, poderá saber outros detalhes dos shows em veículos de comunicação que estão cobrindo o Natal no Campus 2010. Quando sair esta publicação, os shows de Jair Rodrigues e Adriana Calcanhoto já terão passado, mas a Banda Sinfônica ainda não. Compareça neste sábado, dia 18, e estaremos juntos. Obrigado pela doação de alimentos e brinquedos para o almoço solidário do dia 19. Será uma grande festa de aniversário ao Menino Jesus.
Neste artigo, eu também acrescentaria alguns detalhes da homenagem que recebi esta semana do Grupo Escoteiro Itajubá por relevantes serviços prestados ao escotismo em nossa cidade. Isso foi fruto do meu lema de vida: servir a Deus com humildade, qualidade e responsabilidade – serviço que se concretiza na caridade, amando o pobre. E ainda aconselho: perdoe e será perdoado, peça a Nossa Senhora e será atendido, confie que cada porta que se fecha, outras se abrirão.
Não posso reclamar do ano que está findando. Recebi três homenagens, lancei mais dois livros, fiz novas amizades, compartilhei sucesso profissional e paz espiritual. Minha família caminha com dignidade cristã, superando todos os obstáculos do dia-a-dia; enfim, Jesus Cristo me proporciona condições ideais para continuar no Seu discipulado. As coisas que não são de minha compreensão, o tempo mostrará o porquê prevaleceram outras opiniões.
Em almoço recente do grupo de casais Ovisinha, eu e o amigo André Gesualdi comentamos que algumas decisões são tomadas contra a nossa vontade e mexem significativamente com nossas vidas. Nunca saberemos exatamente o que vem pela frente, mas a fé e o amor do coração ninguém pode nos tirar.
Um santo Natal a todos e que 2011 reflita um grande sorriso de Jesus Cristo para nós.

LIÇÕES PARA COMEMORAR O NATAL – 5 DEZEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini

Um professor se encontrou com um grupo de jovens que falavam contra o casamento. Os rapazes argumentavam que o que mantém um casal junto é a atração física e, quando isso se esfria, é preferível acabar com a relação. O mestre disse que respeitava aquela opinião, mas lhes contou o seguinte:
“Meus pais viveram casados 55 anos. Uma manhã, mamãe sofreu um infarto. Meu pai a levou à caminhonete e dirigiu a toda velocidade até o hospital. Quando chegou, infelizmente ela já havia falecido.
Durante o enterro, meu pai não falou e, somente à noite, ele pediu que o levássemos ao cemitério. Não discutimos e fomos. Pedimos permissão ao zelador e, com uma lanterna, encontramos a lápide. Meu pai chorou e disse aos filhos:
- Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem ideia do que é compartilhar a vida com uma mulher assim. Vivemos a alegria de ver nossos filhos terminarem suas carreiras, rezamos juntos na sala de espera de alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, nos abraçamos em cada Natal e perdoamos nossos erros. Estou conformado porque ela se foi antes de mim, porque não teve que sentir a dor de me enterrar. Sou eu que ficarei sozinho e agradeço a Deus por isso.
Quando terminou, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos de lágrimas. Nós o abraçamos e, acreditem, era ele que nos consolava! Então, naquela noite, entendi o que significa um verdadeiro amor e o que professam duas pessoas realmente comprometidas com a salvação de suas almas.”
Assim que o mestre terminou, os jovens universitários não quiseram argumentar. Esse tipo de relação era algo que não conheciam e os deixou maravilhados.
E para não me limitar somente a um caso fictício, vou relatar partes da vida de uma verdadeira cristã. Para ela, Natal não acontecia apenas em dezembro, mas o ano inteiro! Leitor, vamos nos inspirar em Maria Antonieta Consoli para comemorarmos com alegria o nascimento do Menino Jesus?
Para Maria, as celebrações preferidas eram o Natal, o Sete de Setembro e o Dia das Mães. Nasceu em Pouso Alegre (MG) no ano de 1910 e, ao chegar a Itajubá-MG, lecionou no Grupo Escolar Theodomiro Santiago. Depois, foi nomeada para a Escola de Horticultura, hoje Escola Estadual Wenceslau Braz.
Sua dedicação ao ensino chamava a atenção dos diretores e colegas de trabalho. Tinha respeito pelo Pavilhão Nacional e orgulhava-se de nunca ter deixado de cantar o Hino Nacional antes das aulas. Seus alunos ainda recordam o carinho e a atenção que eram dispensados a cada um, pois não faltava uma pequena lembrança ou alguma guloseima para os mais carentes. Também jamais levantou a voz com algum deles.
Ao aposentar-se, dedicou-se mais aos filhos, netos, trabalhos filantrópicos e religiosos - foi Ministra da Eucaristia. Mesmo com mais de 80 anos, levava a Sagrada Comunhão aos doentes e pessoas incapacitadas de irem à igreja. Seu sorriso era cativante, suas amigas eram como verdadeiras irmãs.
Em novembro de 2004, Antonio Claret, seu filho, veio a Itajubá para se despedir, pois estava de partida para a França - iria participar do casamento do filho Luciano. Maria, então, lhe pediu que fizesse chegar às mãos do Papa um lindo cachecol que ela havia feito com esmero. Mesmo sabendo da provável impossibilidade de realizar a tarefa, Antonio pegou o cachecol e prometeu à mãe que o seu pedido seria realizado.
Após o casamento, Antonio e os vários parentes viajaram para Roma, entregaram o cachecol e uma carta a um dos secretários de João Paulo II. A carta foi escrita em italiano por Maria, referindo-se à sua descendência e dados pessoais.
Em janeiro de 2005, ela recebeu uma resposta em português de Sua Santidade, agradecendo o cachecol e enviando uma bênção especial para toda a família. Maria considerou ser este o maior presente que recebeu na vida.
Ela faleceu no dia 1º de julho de 2005, aos 95 anos de idade, perfeitamente lúcida. Hoje, todos aqueles que cruzaram os caminhos de Maria Consoli recordam-se dos momentos agradáveis ao seu lado: declamando poesias, rezando em latim ou francês, e cantando nostálgicas canções italianas. O abraço amigo, as palavras de coragem, de fé, de amor e de carinho foram os alguns frutos deixados por Maria aqui na Terra.
Eu me orgulho de ser amigo de seu filho, Antonio, hoje Presidente do CODPHAI em Itajubá. Pessoa de bem, amoroso com a família e com os amigos, também é referência de inspiração para comemorarmos o Natal com alegria.
E por falar em alegria contagiante, sábado, dia 11, começam os shows no Campus da UNIFEI. O Ballet Bolshoi mostrará porque é considerado um dos maiores espetáculos do país e, durante a semana, ainda tem: encontro de corais (mais de 500 crianças), Jair Rodrigues, Adriana Calcanhoto (infantil) e Banda Sinfônica. As luzes, presépios e mesas natalinas também esperam por você.

TRÊS CONVITES ESPECIAIS – 28 NOVEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini

“Como você sabe, está chegando a data do meu aniversário. Todos os anos, as pessoas fazem festa em minha honra e creio que neste ano acontecerá a mesma coisa. As pessoas também vão às compras, o rádio e a TV fazem centenas de anúncios e, em todo lugar, não se fala outra coisa a não ser dos preparativos para o grande dia.
Há décadas, começaram a festejar o meu nascimento. No começo, pareciam compreender e agradecer o que fiz por eles; mas, hoje em dia, poucos sabem por quê razão o celebram. Famílias se reúnem e se divertem muito, mas não sabem do que se trata.
Estou me lembrando do ano passado: ao chegar o Natal, havia coisas deliciosas na mesa, com muitos presentes, mas não me convidaram. Eu era o aniversariante e ninguém se lembrou de me convidar! Fecharam a porta na minha cara! Só que isso não me surpreendeu porque, nos últimos anos, muitos me excluíram de suas vidas.
Como não me chamaram, entrei sem fazer ruído. Estavam todos brindando, contando piadas, divertindo-se. Aí chegou um velho gordo vestido de vermelho, com barba branca e gritando: ‘Ho! Ho! Ho!’ Parecia ter bebido demais... Deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram, dizendo: Papai Noel! Papai Noel! – como se a festa fosse para ele!
Quando chegou meia-noite, começaram a se abraçar. Estendi meus braços esperando que alguém viesse, e ninguém se aproximou. De repente, começaram a entregar os presentes e cheguei perto para ver se, por acaso, havia algum para mim... Nada!
O que você sentiria se, no dia do seu aniversário, todos se presenteassem e não dessem nenhum presente para você? Compreendi, então, que eu estava sobrando na festa. Saí em silêncio, fechei a porta e fui embora.
Cada ano que passa é pior: muitas pessoas só se lembram da ceia, dos presentes, das festas; de mim, poucos comentam. Mas, neste Natal, gostaria que você me permitisse entrar na sua vida, reconhecendo que, há mais de dois mil anos, vim ao mundo para lhe dar minha própria vida na cruz e, assim, salvá-lo dos pecados.
E já que muitos não me convidam para a festa que fazem, farei a minha própria festa. Estou nos últimos preparativos e logo enviarei os convites. Este, agora, é especial para você. Só quero que me diga se quer vir. Prepare-se porque, quando menos esperar, darei a minha grande festa! Sua família e as pessoas que quiser trazer serão muito bem recebidas.
Ah, esqueci de dizer que, na minha festa, não haverá choro nem ranger de dentes; somente paz, amor e justiça. Pena que muitos serão chamados, mas poucos os escolhidos.” – Jesus Cristo.
Caro leitor, vamos juntos nessa festa? Os preparativos começam na noite deste sábado, dia 4, no Campus da UNIFEI. As luzes decorativas serão acesas, os presépios e as mesas natalinas estarão montados, dando início à confraternização maior que acontecerá nas igrejas, dia 25.
O confrade Aluizio da Mata, vicentino de Sete Lagoas (MG), também encaminhou-me este texto-convite na semana passada. Vale a pena ler e refletir.
“Em minha opinião, Natal deveria ser apenas uma ocasião de agradecimento a Deus pelo nascimento de Jesus. Foi o maior presente que o Criador poderia dar para a humanidade.
Talvez porque a própria Bíblia narre que Jesus recebeu presentes ao nascer, o homem tenha pensado em imitar o gesto, mas, hoje em dia, o motivo e a intenção mudaram completamente, pois poucos são os que se lembram de Jesus no Natal. O comércio, o consumismo, a própria falta de religião tem contribuído para que seja assim.
Lembro-me que, quando criança, nossos presentes de Natal eram coisas de utilidade. Roupas, sapatos, e só. Os brinquedos, nós mesmos fazíamos. Qualquer manga verde caída do pé era nosso boi, pois colocávamos nela pedaços de paus imitando pernas e chifres. Pedaços de cabaça eram transformados em carros de boi. Minhas irmãs ganhavam bonecas de pano que minha mãe fazia com a ajuda delas. E éramos felizes.
Hoje, as crianças recebem muitos presentes no Natal, às vezes um presente de cada adulto da família. E por mais que ganhem, logo deles se esquecem. Embora mais bem elaborados, já não têm os atrativos dos presentes de antigamente. Dê uma busca em sua casa e achará muitos brinquedos guardados ou esquecidos.
Todas as crianças terão um Natal assim? Certamente não. Existem milhares de crianças que não ganharão nada neste Natal. Se falarmos em termos de Planeta, serão milhões de crianças! E isto não dói na nossa consciência?
Não tem nada mais agradável a Deus do que um nome escrito em Seu coração com o sorriso de uma criança pobre. Caso você não possa ou não tenha coragem de ir até um bairro distante, vá a uma agência dos Correios. Lá existem centenas de cartas de crianças pedindo algum brinquedo. Você pode optar levar o presente e entregá-lo com suas próprias mãos, ou deixar o carteiro entregar por você.”
Aceitando estes três convites, você concorrerá a uma passagem para o Céu.

Uma Solenidade espetacular! - 21 novembro 2010
Paulo Roberto Labegalini

Domingo passado, dia 21 de novembro, recebi uma homenagem da Academia Itajubense de Letras que me deixou emocionado. Numa solenidade ímpar, fui condecorado com o Diploma de Honra ao Mérito pela participação cultural, social e artística em nossa cidade.
A presidente e sempre simpática Terezinha Ofélia Nascimento Rennó, teceu grandes elogios a mim, assim como outros acadêmicos: Marcos Antonio Olivas, Paulo Roberto Tavares Pereira, Wilson Ribeiro de Sá, Rozelet Fernando Armentano Silva, Fredmarck Gonçalves Leão etc.
Há anos, eu estive numa reunião da Academia, a convite da Ana Cley Marques Pizarro, tocando e cantando para os presentes. Não me lembro o motivo, mas também foi alguma homenagem especial que prestaram. Mas, nesta de agora, foram quase três horas de mensagens que agradaram todos os corações.
Agradeci dizendo que, se soubesse que as emoções seriam tão fortes, teria tomado um calmante. Também disse que ser homenageado por imortais é coisa do outro mundo! E passei a falar com o coração, já que tudo o que eu pensei dizer foi apagado pelas lágrimas.
Lembrei quando o professor Fredmarck concorreu pela terceira vez a diretor da EFEI. Mesmo sabendo que eu era um professor bem mais novo, foi ao meu gabinete e pediu que eu revisasse sua proposta para o debate com os demais candidatos. Fiquei impressionado com sua humildade em me procurar, considerando que ele trazia consigo uma enorme bagagem de competência. Naquele dia, aprendi um pouco mais a me nivelar com as pessoas menos favorecidas.
Depois, olhei para o acadêmico Benedito Paulo Nogueira e comentei que ele foi uma das primeiras pessoas que conheci em Itajubá-MG. Em 1974, quando cheguei para fazer a matrícula na Faculdade de Engenharia Civil, fui recebido por ele, atual secretário, que me disse: “Você é um rapaz de sorte! Chamamos todas as listas de espera e, mesmo assim, sobraram três vagas. Chamamos mais três alunos e somente dois vieram. Então, como última tentativa, resolvemos chamar mais um - exatamente você!” Eu concluí a história, dizendo agora ao Paulo Nogueira que fui o melhor aluno daquela turma, graças ao meu esforço e às bênçãos divinas.
E lembrei do meu falecido pai e da época que fiquei doente no hospital, em 1991, à beira da morte! Minha irmã, minha filha Soraia e muitos presentes choravam durante o relato, mas eu afirmei que aquilo não foi em vão. Entendi que o amor de Deus me impulsionava a servir o próximo e, somente por este motivo, eu estava recebendo aquela homenagem. Na pessoa da dona Ambrosina Freitas Paiva, agradeci a presença de todos e pedi que os meus parentes se levantassem para receber aplausos - coadjuvantes que são da minha vida abençoada.
Dirigi um obrigado especial à minha querida mãe, à minha esposa e a Nossa Senhora. Uma do céu e duas da terra, carregaram-me no colo a vida toda. Ah, também comentei a grata presença dos confrades do Círculo Italiano: Antônio Consoli, Giovani e Antonio Trota. A engenheira Marita Arêas de Souza Tavares e esposo, formados pelo Instituto Eletrotécnico de Itajubá, atual UNIFEI, vieram de Belo Horizonte com um dia de antecedência para me cumprimentarem. Quanta bondade!
Enfim, havia muita gente prestigiando a outorga que recebi. Por e-mail, recebi e respondi mais de 50 mensagens de parabéns. São amigos do coração que repartiram à distância as alegrias desse momento - mais um sinal de Deus, dizendo que estou no caminho certo: ajudando na evangelização.
E a dona Terezinha Ofélia declamou um poema, escrito pelo seu falecido pai, B. Nascimento, que, segundo ela, poderia ter sido feito à minha pessoa. Título: Fogo Santo.
“Eis, meu Senhor; aos vossos pés minha alma. Contrita e pronta ao fogo desse Amor, que, sendo agitação, refreia e aclama, e, sendo chama, apaga toda dor...
Que o caminho tortuoso e duro espalma, e, sendo chispa, abranda o sofredor; que emana dessas mãos, sangrando a palma, do vosso atroz martírio, ó meu Senhor!
Essa fogueira não me faz espanto, que é refrigério, é fogo sacrossanto. Lançai-me nele, nele irei queimar-me...
Incinerai-me em vosso fogo ameno! Minha alma pronta está e estou sereno: condenado a esse fogo, hei de salvar-me.”
Quanta honra! Mais uma vez, agradeci a todos. Perdoem-me aqueles que esqueci de citar neste artigo, mas tenham certeza que rezarei por vocês. E antes do encerramento da reunião, convidei os amigos para participarem dos eventos do Natal no Campus UNIFEI 2010. Os ingressos gratuitos serão disponibilizados no início de dezembro para estes shows:
- dia 11, sábado - Ballet Bolshoi (Santa Catarina) - espetáculo clássico;
- dia 12, domingo - Encontro de Corais (mais de 300 vozes: adulto e infantil) - espetáculo musical;
- dia 15, quarta - Jair Rodrigues - espetáculo da família;
- dia 17, sexta - Adriana Calcanhoto (Show Partimpim 2) - espetáculo infantil;
- dia 18, sábado - Banda Sinfônica de Santa Rosa de Viterbo - concerto de Natal.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Maria Santíssima!

NATAL NO CAMPUS UNIFEI 2010 - 13 NOVEMBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Mais um ano está terminando e os preparativos para o aniversário de Jesus Cristo acontecem em toda parte. Como cristão comprometido, eu não poderia ficar de fora da grande Festa de Natal: na minha família, na caridade, na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, na cidade de Itajubá-MG e no Campus da UNIFEI.
A comemoração do nascimento do nosso Salvador é tão importante que, graças a Ele, acalmarei o meu coração muitas vezes para rezar, agradecer, louvar, sorrir, amar, servir e também saborear os frutos da programação de Natal da nossa Universidade. As atrações são muitas e bastante gente trabalhou para que tudo saísse com a melhor qualidade possível.
Em 2010, fiquei contente com a participação dos alunos que se envolveram no Projeto. Nove entidades estudantis continuam prestando serviços voluntários nas diversas atividades que elaboramos. Eis os grupos atuantes: Universidade Cultural, UNIFEI Jr, AIESEC, Curso Assistencial Teodomiro Santiago - CATS, Grupo de Oração Universitária - GOU, Restaurante Acadêmico Jr, Associação Atlética, Diretório Acadêmico, Amigos de Itajubá - CEVAI. Todos com o mesmo objetivo: desenvolver ações sócio-culturais direcionadas às tradições natalinas.
É importante ressaltar que a Universidade não possui somente excelência tecnológica, mas também tem a preocupação de educar seus alunos e estender a formação cultural para a comunidade externa por meio de música, teatro e dança.
No ano passado, devido à excelente programação artística, cuidados extremos com a iluminação decorativa e almoço solidário envolvendo cerca de 1.000 pessoas carentes, o Natal no Campus tornou-se referência social, cultural e turística na região. Trazendo cerca de 50 mil pessoas em visitação e participação nos espetáculos, a Universidade Federal uniu cultura e brilho natalino para celebrar o nascimento do Deus Menino.
Até o momento, estão confirmados os seguintes shows em dezembro deste ano:
- dia 11, sábado - Ballet Bolshoi (Santa Catarina) - espetáculo clássico;
- dia 12, domingo - Encontro de Corais (mais de 300 vozes: adulto e infantil) - espetáculo musical;
- dia 15, quarta - Jair Rodrigues - espetáculo da família;
- dia 17, sexta - Adriana Calcanhoto (Show Partimpim 2) - espetáculo infantil;
- dia 18, sábado - Banda Sinfônica de Santa Rosa de Viterbo - concerto de Natal.
O ‘Almoço Solidário’ será no dia 19, com distribuição de brinquedos, Papai Noel, brincadeiras infantis e transporte para as famílias carentes. O ‘IV Festival de Presépios e Mesas Natalinas’ estará exposto de 4 a 19 de dezembro.
Agradecemos a Deus porque o Projeto hoje é reconhecido como um dos grandes eventos sócio-culturais de época no Sul de Minas. A Comissão de Cultura e Extensão do ‘Consórcio das Universidades Federais das Regiões Sul e Sudeste de Minas Gerais’ destacou alguns bons eventos institucionais: Festival de Inverno - UFOP, Semana Literária - UFSJ, Semana do Fazendeiro - UFV, Festival Pró-Música - UFJF, e Natal no Campus - UNIFEI.
Nas edições anteriores, vieram a Itajubá artistas e grupos de expressão internacional. Recordando: Padre Fábio de Melo, Teatro Mágico, Ilusionista Issao Imamura, Comediante Sérgio Rabelo, Moacyr Franco, Professor Felipe Aquino, missionário Dunga (evento ao vivo pela TV Canção Nova), Adriana Calcanhoto, Grupo Armatrux, Orquestras Sinfônicas e outros.
Caro leitor, neste Natal, eu desejo que sua vida seja elogiada tanto quanto um bom jogo de futebol. Que você possa driblar todas as tristezas e matar no peito algumas poucas angústias. Que possa ainda mostrar cartão amarelo para a falsidade e cartão vermelho para os seus medos.
Desejo que você mande para a lateral as pessoas maldosas e, se tiver uma derrota, que lhe sirva de lição sem deixar revolta. Que você possa chutar para escanteio as más amizades e não cometer nenhuma falta com seus melhores amigos. Que também possa ter força no ataque para seguir em frente e ter, na defesa, calma e simplicidade para que não lhe machuquem. Que você faça belíssimos gols, conquiste e comemore amizades leais.
E que possa jogar bem, realizar e ser campeão na vida, mas, principalmente, que faça lindas jogadas de paz e de amor, porque, se tudo isso acontecer, os verdadeiros cristãos estarão na arquibancada o aplaudindo com entusiasmo!
Mas, antes disto se tornar realidade, dia 4 de dezembro acenderemos as luzes do Campus, do Prédio Central da UNIFEI, e você está convidado a comparecer com alegria no coração. Aqui mesmo, nesta coluna, informarei onde retirar os ingressos gratuitos para os eventos.
Agindo como irmãos, muito mais pessoas encontrarão felicidade neste final de ano. Natal é partilha, é confraternização! Natal é mais amor e serviço gratuito aos nossos irmãos.

A SUPERUNIVERSIDADE – 7 NOVEMBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Em 3 de agosto deste ano, o jornal Estado de Minas publicou isto:
“Foi dada a largada para a criação de uma das maiores universidades públicas do país. Nesta terça-feira, os sete reitores das instituições que vão compor a Superuniversidade do Sudeste de Minas Gerais, apelido dado ao consórcio de estabelecimentos federais de ensino superior, assinaram um protocolo de intenções durante reunião em Belo Horizonte. O documento deverá passar pelo crivo dos conselhos universitários, os quais dirão se aprovam ou não a fusão envolvendo as federais de Alfenas, Itajubá, Juiz de Fora, Lavras, São João del-Rei, Ouro Preto e Viçosa. O protocolo será formalizado terça-feira que vem, no campus da UFSJ em Divinópolis, pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro da Educação Fernando Haddad e o grupo de reitores.”
Bem, desde aquela oportunidade, temos dito que não existirá a Superuniversidade. A intenção do consórcio entre as sete universidades do Sul e Sudeste de Minas é permitir parcerias diversas para alcançar melhores resultados naquilo que fazem sozinhas. Não haverá perda de autonomia nem fusões, os recursos financeiros serão maiores para financiamentos de projetos, o diálogo permanecerá constante, os intercâmbios de alunos e professores fluirão com certa normalidade, as pesquisas terão mais qualidade, a extensão mais opções e os cursos poderão contar com novos laboratórios. Parabéns a quem pensou nisto.
Então, a Superuniversidade pela fusão das sete mineiras não acontecerá, mas, na verdade, a Superuniversidade já existe! Mesmo que seja em nossos corações, a Universidade Federal de Itajubá pode receber este título porque está caminhando para 100 anos de fundação e de reconhecida competência naquilo que realizou. Continuamos pequenos em tamanho, porém muito grandes em história!
E 2013 será o ‘Aniversário do Centenário’, com muita festa, homenagens, e as ações nesse sentido já começaram. Sábado passado, dia 5 de novembro de 2010, alguns dos 72 voluntários se reuniram para discutir as subcomissões de trabalho. Sob a coordenação dos professores Elzo Aranha e Daniela Rocha, ficou transparente o entusiasmo das pessoas na participação do projeto. Reitor, docentes, alunos, diplomados, todos irmanados no empreendimento dos 100 anos para mostrar ao mundo o que representamos no cenário tecnológico deste país.
Há três coisas na vida que não voltam mais: tempo, palavras e oportunidades. Com certeza, não estamos perdendo tempo na iniciativa de prepararmos o centenário da nossa Superuniversidade. As palavras que o reitor proferiu sábado foram desafiadoras: “Não faremos apenas um livro ou um selo comemorativo. Queremos algo ‘fora do quadrado’, inovador, aquilo que ninguém fez”. Eu completei dizendo que temos a oportunidade de participar dessa história muito além daquilo que já fizemos; agora, montando o imenso quebra-cabeça do passado.
Peçamos a Deus que estas outras três coisas não destruam os nossos sonhos: a raiva, o orgulho e a falta de perdão. Que também não percamos a esperança, a paz e a união. Que valorizemos cada vez mais o amor, a família e os amigos. Não nos deixemos influenciar pelo dinheiro, pela fama e pelos interesses pessoais. Que tenhamos dignidade cristã, responsabilidade e humildade, sempre em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
E a alegria no trabalho não pode faltar. Mesmo nas dificuldades, seremos mais felizes colocando esperança no coração. Sejamos, então, gratos a Deus mesmo nas provações, que nos farão crescer espiritualmente se vivermos com fé.
Veja que bela reflexão circula pela internet:
Agradeço: por minha mulher dizer que teremos cachorro quente no jantar, porque ela está em casa comigo; pela minha filha reclamar de ter que lavar a louça, porque isso significa que não está nas ruas; pelas broncas do chefe, pois isto mostra que estou empregado!
Agradeço: pela bagunça que restou depois da festa, porque foi maravilhoso estar rodeado de amigos; pelas roupas que estão ficando apertadas, porque significa que tenho mais que o suficiente para comer; pela grama a ser cortada, pelas janelas que precisam ser limpas e pelas calhas que preciso consertar, porque significa que tenho uma casa para morar.
Agradeço também: pela vaga que demorei a achar bem no final do estacionamento, porque pude contar com meu meio de transporte; pela conta monstruosa de energia que pago, porque isso significa que estou vivo; pela senhora desafinada que canta atrás de mim na igreja, porque ainda posso ouvir; pelos músculos doloridos ao final do dia, porque fui capaz de dar duro o tempo inteiro!
Eu agradeço, leitor, por receber e-mails demais, pois significa que um monte de amigos pensa em mim. E dou graças a Deus por existir a Superuniversidade Federal de Itajubá, que este ano realizará mais um lindo Natal no Campus. Na semana que vem, comentarei a programação.

A RESSONÂNCIA DA ESPERANÇA - 31 outubro 2010

Paulo Roberto Labegalini

Na formação que o Padre Maristelo deu aos Ministros da Comunhão Eucarística na semana passada, comentou um artigo de Leonardo Boff publicado no Jornal do Brasil em 2004, intitulado ‘Ressonância Shumann’. Segundo o pesquisador alemão, a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera - cerca de 100 km acima de nós -, possuindo uma frequência mais ou menos constante de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera - condição comum de todas as formas de vida.
Confirmou-se também que os vertebrados são dotados da mesma frequência e não podemos ser saudáveis fora dessa condição biológica natural. Sempre que os astronautas ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam; mas submetidos à ação de um simulador Schumann, recuperavam o equilíbrio e a saúde.
Por milhares de anos as ‘batidas do coração da Terra’ tinham essa frequência e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 90, a frequência passou para 13 hertz, o que significa dizer que o coração da Terra disparou! Então, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, conflitos no mundo, aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros.
E o pior: devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16! Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória, mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.
Então, se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade e muito amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Precisamos respirar juntos com a Terra para conspirar com ela pela paz.
Pois bem, partindo dessa teoria, o Padre Maristelo disse que temos que saber aproveitar o momento presente, sem nos desesperarmos e, principalmente, com esperança em Deus. Ele abordou seis pontos do livro ‘Testemunhas da Esperança’, de François Van Thuan, publicado pela Editora Cidade Nova em 2002.
1 - Enfrentar os desafios com a força da graça de Deus - porque somos a favor da vida!
2 - Esperar em Deus - porque o jeito certo e a hora certa vêm do alto.
3 - Aventurar na esperança - porque é preciso experimentar o amor Divino.
4 - Esperar contra todas as esperanças - porque, com fé, o resultado será a vontade de Deus.
5 - Viver com esperança - porque não suportaríamos as provações sem isso.
6 - Renovar a esperança - porque somos pequenos e somente cresceremos com Cristo.
E com muitas outras explicações a respeito dessas orientações, nosso vigário também abordou algumas questões que foram jogadas na mídia nas eleições presidenciais. Disse que a discussão do aborto foi apenas uma motivação política para que grupos religiosos decidissem o pleito. O tema é real, mas precisaria ser discutido com mais profundidade e não superficialmente como aconteceu - favor ou contra, simplesmente.
Assim, temas importantes foram relegados a um segundo plano e a caça de votos se pautou por muito tempo em assuntos religiosos, onde, em grande parte, os palpites partiram de pessoas que não têm espiritualidade para emitir opiniões. Mesmo com esse triste cenário, o resultado das urnas já é conhecido e, com fé no coração, temos realmente que renovar as esperanças de viver num país melhor.
Nunca teremos, numa só pessoa, a plena sabedoria de um velho e a completa energia de um jovem. Falhas humanas sempre existirão e só Jesus continuará sendo a nossa esperança de salvação eterna. As obras de Deus passam, mas Ele amará o mundo para sempre, porque está na essência de Deus fazer coisas boas.
Viver com simplicidade e tranquilidade significa, também, viver a Palavra Sagrada a cada dia. Traços de perfeição somente poderão ser alcançados através da arte de amar - servindo o próximo e toda a humanidade. Temos que entender que, muitas vezes, um planta e o outro colhe, como aconteceu com Moisés em busca da Terra Prometida.
Na cruz, Jesus nos mostrou que o que parecia o maior fracasso se transformou em extrema vitória gloriosa. Portanto, o sofrimento pode não representar um sinal de infelicidade quando se tem fé. Na oração do Pai-Nosso, por exemplo, aprendemos a dizer: ‘... seja feita a Vossa vontade’. Acreditando nisto, o Espírito nos é dado para renovar a paz na Terra!
Não esqueçamos também de Maria aos pés da cruz: sofrendo, mas serena e repleta de esperança. Ela acreditava que a morte é a alegria para aqueles que se salvam. E nós, confiamos na proteção que temos ao dirigir a Ela estas palavras: ‘... rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte’?
Assim como um dócil cachorrinho de estimação, vamos brincar mais, deixar que as pessoas se aproximem sem rosnar, tirar uma soneca sem culpa, caminhar juntos, ser leais e alegrar os ambientes. Se até a Dilma e o Serra que se xingaram tanto podem vir a ser amigos, todos nós também podemos.

A HUMILDADE DO REGADOR – 24 outubro 2010

Paulo Roberto Labegalini

Há regadores de diversos tipos: grandes, pequenos, coloridos, de alumínio, de plástico, modernos, e até uma simples canequinha pode servir para aguar um vasinho de planta na janela. Todos têm a função de dar vida à vegetação, e é o jardineiro que sabe escolher exatamente o regador mais apropriado para cada situação. Se a chuva é pouca e não há mangueira disponível, lá vai o regador cumprir sua tarefa do dia, colaborando com a missão do jardineiro que o conduz.
Na infância, eu passava férias em Monte Sião e gostava de apreciar o lindo jardim na praça da cidade. Ficava impressionado com o capricho das podas, formando bichos nos ciprestes e estrelas nos buchinhos – tudo verdinho, mesmo no inverno! O jardineiro levava a fama, mas o simples regador também fazia a sua parte.
E se imaginássemos que Jesus é o grande jardineiro do Pai, quem seria o regador conduzido por Ele? Antes de responder, é preciso lembrar a missão que Jesus recebeu quando veio a nós: fazer com que todos tenham vida em abundância (Jo 10, 10). Usando uma imagem relacionada com a natureza, podemos dizer que Jesus veio transformar a terra seca e rachada do mundo em um jardim cheio de vida, onde todos possam encontrar as condições necessárias para viver com dignidade.
Então, para formar um jardim em que o povo possa desfrutar amor e paz, nós, cristãos, também recebemos o mesmo envio do Pai. Pelo Batismo, assumimos a responsabilidade de tornarmo-nos um só com Cristo e devemos irrigar a esperança junto àqueles de vida mais ressecada, ameaçados pela morte do corpo e da alma. Portanto, somos regadores nas mãos de Jesus!
A missão que cada ser humano tem no Jardim do Reino é singular, intransferível e nenhum outro pode realizar. Para desempenhar as tarefas com sucesso, cada regador precisa ser dócil, abandonando-se nas mãos do jardineiro para que ele o conduza aonde há mais necessidade de água. O lugar não importa, já que o regador confia no seu condutor e estará sempre disponível para servir. Pode ser usado na sua própria casa, no meio de gente abandonada, nas igrejas, nos hospitais e até em outras cidades. O importante é estar sempre cheio, porque regador vazio enferruja e não serve para nada.
E a grande vantagem de sermos regadores a serviço de Deus é estarmos repletos de água da melhor qualidade: Água Viva do Espírito Santo, a única capaz de saciar a sede do mundo! Como a samaritana do Evangelho de São João (4, 15), precisamos também dizer a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede”.
Mas, antes de querer irrigar as vidas dos outros, todo cristão deve permitir que a sua terra seca se torne um bonito jardim, contendo fontes de água pura, tipo: a escuta da Palavra, a participação na Eucaristia, a vida de oração e a prática da caridade. Somente quem experimenta disso com humildade pode ser conduzido por Cristo.
A palavra humildade vem do latim, que significa ‘filhos da terra’. Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas. Humilde também é aquele que reconhece o seu chão, que assume seus deveres e culpas sem resistência.
A humildade dos que vivem na pobreza pode ser vista pelos ricos como fraqueza. Na verdade, é preciso ser muito corajoso para levantar os humilhados que foram jogados ao chão. Também é preciso muita oração para o abastecimento do espírito; e haja água no regador!
Por isso, é bom lembrar que a nossa oração só é acolhida por Deus quando parte de um coração solidário com os oprimidos e empobrecidos. São Paulo, quando velho, preso e condenado à morte, meditou sobre a sua vida (2Tm 4, 7): “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. É o testamento de alguém que estava com a consciência do dever cumprido e aguardava com humildade e confiança a recompensa de Deus.
Também no capítulo 18 do Evangelho de São Lucas, Jesus mostra a oração humilde de um cobrador de impostos que se apresenta diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher a graça: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. No mesmo momento, mais à frente do templo, reza um fariseu orgulhoso, auto-suficiente, satisfeito pelo que é e pelo que faz: “Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de toda a minha renda”. O desprezo pelos outros contaminou a sua oração.
Eis uma grande lição para nós: um esperava a recompensa e, o outro, a misericórdia. Considerando que Jesus já nos trouxe a Salvação, resta-nos conquistá-la pela súplica de perdão e prática de boas obras. Não queiramos, porém, nos justificar sempre pelas faltas, mas nos alegrar por sermos bons regadores nas obras da Igreja, pois, segundo o nosso Senhor: “Quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

RECORDANDO O PASSADO - 17 outubro 2010

Paulo Roberto Labegalini

Segunda-feira, 11 de outubro, houve dois encontros de turmas na UNIFEI - alunos formados em 1985 e 1960. A turma de 25 anos lembrou-se de mim como professor da época e alguns até perguntaram se eu pertencia ao outro grupo - 50 anos de formado! Sei que foi brincadeira, mas a cor branca dos meus cabelos era a mesma dos mais experientes.
Pela manhã, após o tradicional plantio das árvores no Campus, um ex-aluno da turma mais antiga reuniu outros da mais nova e disse:
- Prestem atenção para vocês fazerem o mesmo que eu. Quando completei 25 anos de formado levei a minha esposa para um passeio no Japão. Agora, após mais 25 anos, fui lá buscá-la.
E entre brincadeiras e cantorias, muita coisa boa aconteceu, incluindo uma breve palestra que ministrei e muitos agradecimentos dos presentes. Em nome dos animados mais experientes, falou Fernando Brandão, que assina com categoria a coluna abaixo da minha neste jornal.
Assim como eu, a professora Maris Stela - representante da outra turma - também ficou contente com a confraternização e, depois, escreveu-me assim:
- Labega, o evento da minha turma (1985) foi muito bom. Fizemos churrasco, jantar dançante, futebol com as famílias, placas, plantio de árvore e, com a graça de Deus, o dinheiro deu! Você sabe que tudo que eu faço entrego para Deus, confio totalmente e tudo dá certo.
Pois é, quem tem Jesus no coração não fica na mão. Além disso, como é bom rever os amigos e recordar as alegrias do passado! Se o reitor não estivesse viajando, eu não teria participado da festa nem saberia o nome das pessoas que compareceram. E sabe quando seria o meu encontro com os integrantes dos grupos? Com alguns, se Deus permitisse, somente na festa do Céu!
Mas eu também curti a minha infância nos anos 60, quando carros não tinham cintos de segurança e íamos soltos no banco de trás fazendo farra - isso não era perigoso! A gente andava de bicicleta pra lá e pra cá sem capacete; bebíamos água de mangueira e não águas minerais em garrafas esterilizadas; brincávamos na rua com uma única condição: voltar para casa ao anoitecer; não havia celulares e nossos pais nem imaginavam onde estávamos!
Tudo era divertido: braço no gesso, dentes partidos, joelhos ralados, testa esfolada, e ninguém se queixava disso. Comíamos doces à vontade, pão com manteiga gordurosa, bebidas com o ‘perigoso açúcar refinado’, e não se falava de obesidade - éramos super ativos! Ninguém procurava um psicólogo para resolver problemas de hiperatividade.
As nossas festas eram animadas por radiolas com discos de vinil, luz negra e um delicioso coquetel feito de groselha e maçã em cubinhos. Tínhamos um pouco de tudo para bem viver: liberdade, fracassos, sucessos, deveres, e aprendíamos a lidar com cada um deles. E quer saber como conseguimos sobreviver? Acima de tudo, porque éramos felizes!
Hoje em dia, com todo aparato tecnológico à nossa volta, muita gente perde o sentido da vida. Se experimentassem a felicidade nas coisas simples do coração, o mundo seria melhor. É triste pensar que quem tem carro não anda a pé, quem engorda diz não ter tempo para fazer exercícios, quem não perdoa acha que é justo pagar com a mesma moeda, quem tem muito se apega cada vez mais ao dinheiro, quem não ama o irmão... bem, este é melhor nem comentar.
E uma lição passada por alguém mais experiente aconteceu no lar de um casal que estava junto há mais de 60 anos. Tinham compartilhado tudo um com o outro e não havia segredos entre eles, com exceção de uma caixa de sapato que a mulher guardava em cima de um armário. Desde que se casaram, ela pediu ao marido que nunca a abrisse nem perguntasse o que havia nela.
Por todos aqueles anos, ele nem pensou em quebrar a promessa, mas um dia a esposa ficou doente e o médico falou que ela não sobreviveria. Então, o velhinho pegou a caixa, levou-a para perto da cama da mulher e ela concordou que era hora dele saber o segredo.
Quando a abriram, havia duas bonecas de crochê e um pacote de dinheiro que totalizava dez mil reais! Assustado, ele perguntou o que aquilo significava, e ela explicou:
- Quando nos casamos, minha avó me disse que o sucesso de um matrimônio feliz é nunca brigar por nada e, se alguma vez eu ficasse com raiva de você, era para permanecer quieta e fazer uma boneca de crochê.
O velhinho ficou tão emocionado que teve que conter as lágrimas enquanto pensava: ‘Se somente duas bonecas estavam na caixa, ela ficou com raiva de mim apenas duas vezes por todos esses anos!’ E beijando as mãos dela, falou:
- Querida, você me explicou sobre as bonecas, mas de onde veio todo esse dinheiro?
- Ah, esse é o dinheiro que eu guardei com a venda das outras bonecas.

SEMANA DE GRAÇAS – 10 OUTUBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Hoje contarei fatos da semana passada, cheia de graças!
Segunda-feira, dia 4, comemorou-se São Francisco de Assis em várias partes do mundo. Na missa pelas almas da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, cantei a música do Padre Irala, cuja letra maravilhosa é a oração de Francisco, um santo que mudou o rumo da história no século XIII. Parte dela diz assim: “Ó mestre, fazei que eu procure mais: consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado; pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna”.
Terça à noite, realizamos o ‘I Encontro dos Grupos Incubados’ da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFEI. Devido a uma forte chuva, muita gente faltou, mas contamos com as presenças: do prefeito, Jorge; da Secretária de Ação Social, Lurdinha; do vereador, Santi; do representante do poder executivo de Pouso Alegre, Coutinho; e, principalmente, de vários membros dos grupos populares que recebem nossas orientações no trabalho cotidiano. Parabéns à nossa Intecoop, que ainda nos ofereceu um farto coquetel.
Quarta-feira também foi chique! As sete universidades mineiras do Sul/Sudeste que estudam a possibilidade de participar de um consórcio universitário se reuniram em Itajubá-MG. Passamos o dia em reuniões – diversas áreas temáticas – e fechamos uma pré-proposta, que deverá ser discutida pelos Conselhos Universitários e encaminhada ao Ministro da Educação. Apesar de existirem muitas diferenças no ensino, pesquisa e extensão entre as instituições, prosperou um clima de harmonia desde o primeiro encontro. Seremos maiores e melhores brevemente, se Deus quiser.
Quinta, dia 7 de outubro, festejou-se Nossa Senhora do Rosário – data instituída pelo Papa Pio V em 1571, quando celebrou-se a vitória dos cristãos na batalha naval de Lepanto. Nessa batalha, em meio à recitação do Rosário, os cristãos católicos resistiram aos ataques turcos, vencendo-os em combate. Logo pela manhã, pedi à minha Protetora que abençoasse o Natal no Campus 2010 da UNIFEI. Eu estava preocupado com a indefinição da aprovação do projeto no Ministério da Cultura. Sem o incentivo da Lei Rouanet, ficaria muito difícil conseguir patrocínios de empresas para a festa de aniversário de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Perdoe-me, leitor, mas confesso que a minha fé não foi suficiente para acreditar que o assunto se resolveria naquele mesmo dia; mas, eis que às 18 horas, início da Oração da Ave-Maria, partiu um e-mail de Brasília informando-me que o projeto fora aprovado! Muitas pessoas ouviram os meus louvores de alegria, extravasando gratidão a Nossa Senhora. Quem já rezou e confiou na proteção da Virgem Maria, sabe que a graça não demora a chegar. Mãe é Mãe!
Na sexta, passei a manhã preocupado com as aulas que ministraria à tarde. A minha garganta não estava boa e as quatro aulas da semana precisariam ser dadas para não atrasar a matéria. Pedi a São Brás que me ajudasse e consegui falar bastante, sem maiores dificuldades. Somente à noite, senti um pouco de cansaço e resolvi não sair de casa. Minha esposa estava com a garganta bem pior do que a minha e deixamos de comparecer na apresentação cultural promovida pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da UNIFEI: Orquestra de Câmara Opus. Liguei para o maestro Amaury Vieira e disse-lhe que não iríamos. Então, fiquei tranquilo, porque sei que ele toma conta disso melhor do que eu. Ah, e ainda recebi dele uma pequena bênção, um sacramental: ‘Fica com Deus’.
Os sacramentais não conferem a graça em si, à maneira dos sacramentos; mas, são caminhos que conduzem a ela, ajudando a santificar as diferentes circunstâncias da vida. Eles despertam em nós sentimentos de amor e de fé, porque precisamos estar revestidos a todo momento da graça santificadora. Com essa bênção, somos protegidos por Deus dos ataques de Satanás. Sabemos que o diabo não quer que sejamos portadores da bênção e nem que a recebamos, mas a Providência Divina é muito superior a isso.
No sábado, após cantar com a minha filha na missa que celebrou o nascituro, um noviço do Instituto Padre Nicolau entregou-me um convite. Dizia assim: ‘Você que canta, está convidado a fazer parte do coral que estamos formando, para uma apresentação no dia 23 de dezembro’. Estendo isto a você, leitor. Faça contato com o noviço Adeilson: (35) 3622-0749. Participe com amor da ‘I Cantata de Natal da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração’. Será um lindo presente ao nosso Salvador.
E domingo, dia em que escrevo este artigo, um amigo não perdeu a oportunidade de me encaminhar uma piada, brincando com o momento político que vivemos. Dizia que três amigos estavam conversando, quando um deles perguntou:
- Se o Maluf e o Tiririca estivessem num edifício em chamas e vocês só pudessem salvar um deles, o que fariam?
- Eu iria almoçar – respondeu o primeiro. - Eu iria ao cinema – falou o outro.

OBRIGADO ITAJUBÁ - 3 OUTUBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Pela primeira vez, esta coluna é escrita por um cidadão itajubense. Eu sou natural de São Paulo e já me considerava mineiro de coração, mas, após o título de ‘Cidadão Honorário’, aos 54 anos tornei-me conterrâneo daqueles que aqui nasceram.
A solenidade aconteceu em 28 de setembro no Campus da Universidade Federal de Itajubá-MG, em Sessão Solene da Câmara, contando com a presença de autoridades locais: prefeito, juízes, promotores etc. Cada vereador indicou uma pessoa para receber o título e os dez nomes foram aprovados por unanimidade em reunião anterior.
Os demais homenageados foram: Antonio Carlos Parreira Tiengo, Celem Mohallem, José Ribeiro dos Santos, Jussara Maria Rocha, Luiz Gonzaga Camargo, Octávio Scofano, Ronaldo César Brasil de Souza, Tereza Cristina Figueira Cavalca e Valéria do Carmo Bento Borges - todos declaradamente emocionados.
O Auditório Prof. João Luiz Carneiro Rennó estava lotado, cerca de 200 pessoas atentas a tudo que acontecia: apresentação do coral sob a regência do maestro Amaury Vieira; exibições de fotos, histórias de vida e currículos elogiosos.
Antes de ser chamado para receber o prêmio, houve a narração dos resultados abençoados que obtive no passado e o telão apresentou imagens que selecionei para aquele momento, com: minha esposa, meus filhos, minha netinha, minha mãe, reitor da Universidade, amigos Amaury e Lenarth, padres Clemildes e Fábio de Melo.
Com a voz meio embargada, eu disse de improviso mais ou menos isto:
“Em primeiro lugar, quero parabenizar os demais homenageados, todos merecedores dos títulos que recebem nesta noite. Eu aprendi a amar esta cidade desde 1974, quando cheguei para estudar. Aqui me formei, constituí família e continuo trabalhando. A cada elogio que recebo, considero um sinal de Deus, dizendo que estou no caminho certo, que sou um cidadão de bem. Agradeço: as pessoas que me ajudam na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão, na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, os professores Renato Nunes e Paulo Shigueme que confiam no meu trabalho, agentes da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, Pastoral Familiar, Vicentinos, amigos de Cursilho e Ovisa - também responsáveis pelos meus feitos. Neste horário, eu estaria em reunião semanal dos Vicentinos; mas, o Presidente da Conferência resolveu cancelar a reunião para também estar aqui. Recebi dezenas de e-mails carinhosos esta semana parabenizando-me pelo título, e quero ler apenas um deles, escrito por um funcionário da UNIFEI, um poeta, que disse assim: ‘Das vitórias mais difíceis, ficam as recordações mais belas; dos momentos mais felizes, a saudade mais doce’ - José Ivanildo de Almeida. Obrigado Santi pela indicação, Claiton pela organização, obrigado meus queridos Jesus e Nossa Senhora - minha Mãe e Mãe de Deus -, obrigado pela presença de todos e tenham uma boa noite.”
Aliviado por ter concluído o ‘discurso’, dirigi-me para os membros da mesa e passei a cumprimentá-los. De repente, lembrei de outro agradecimento e voltei ao microfone: “Desculpem, mas faltou algo importante: a minha família! Quero agradecer tudo o que recebi da minha mãe, da minha irmã - aqui presentes -, dos meus filhos e da minha esposa - de pequena estatura, mas uma grande mulher! Que Deus lhes pague”.
Puxa vida, quase ocorreu um esquecimento imperdoável! Aliás, outro esquecimento aconteceu: dizer que o Prefeito e a Secretária Leandra têm sido grandes parceiros nas ações sociais da Intecoop. Logo após o evento, pedi perdão ao Dr. Jorge e, agora, agradeço o apoio de ambos.
Eis os dizeres da placa que recebi: “Os poderes Públicos Municipais de Itajubá, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o Decreto Legislativo no 241/10, de autoria do Vereador Antônio Raimundo Santi, conferem ao Exmo. Sr. Professor Paulo Roberto Labegalini o Título de Cidadão Honorário de Itajubá, para o que mandaram expedir o presente diploma.” Se meu pai estivesse vivo ficaria muito orgulhoso do filho, que educou com bons princípios cristãos.
Durante o coquetel, recebi abraços - um deles italiano, do amigo Antonio Consoli - e ouvi comentários diversos elogiando a solenidade. Uma pessoa disse-me que, na leitura do meu currículo, não citaram a mais importante ação que desenvolvo há anos: a minha coluna neste jornal. Concordei porque sei o quanto tem ajudado pessoas que buscam paz nos corações, e disse isto ao engenheiro Mafra lá presente - meu leitor número um! Este artigo é o número 650 em 13 anos ininterruptos.
Se eu fosse citar todos os que me cumprimentaram, não caberia aqui. Minha filha Soraia chegou após dar aulas, o amigo Wlamir precisou sair mais cedo e rezou por mim, outros companheiros estavam ouvindo a palestra do professor Chicão - um cidadão ímpar que me ensinou coisas lindas -, mas, com certeza, todos irmanados no meu lema de vida: servir ao próximo com respeito, humildade e qualidade.
Agora, minha responsabilidade aumentou e peço a Deus que continue ao meu lado.

PESQUISA DE OPINIÕES - 26 SETEMBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Contam que na carpintaria houve uma estranha assembleia. Foi a reunião das ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando os outros.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas, por sua vez, pediu a exclusão da lixa. Dizia que era muito áspera no tratamento com os demais. A lixa acatou, com a condição de que expulsassem a trena, que sempre julgava os outros segundo a sua medida, como se fosse a única perfeita.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, a trena e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se transformou num fino móvel. Quando a carpintaria novamente ficou só com as ferramentas, a assembleia reativou a acirrada discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra:
- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas virtudes. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos e concentremo-nos nos fortes. Somente juntos faremos um trabalho de excelente qualidade.
Como resultado, a assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia os demais, a lixa era especial para limar asperezas e a trena era precisa. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de gabarito. Imperou a alegria pela oportunidade de trabalharem juntos.
O mesmo ocorre com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas. É fácil apontar defeitos e qualquer um pode fazê-lo; mas, encontrar qualidades, isto é para os humildes e corajosos.
E corajosos foram também os vereadores da Câmara Municipal de Itajubá-MG. Deixando para outras oportunidades alguns justos reconhecimentos a tanta gente boa que reside na cidade, resolveram homenagear dez pessoas com o título de ‘Cidadão Honorário’. Eu agradeço imensamente fazer parte da lista e comentarei a cerimônia no próximo artigo.
Que bom seria se a raça humana se comportasse com respeito e educação no convívio com o próximo, não? O mundo seria perfeito e as homenagens poderiam ter o critério de sorteio, onde qualquer cidadão mereceria o aplauso da população. Infelizmente, sentimentos negativos ainda moram em muitos corações.
Ataques pessoais diversos acontecem a todo instante em toda parte, e para não particularizar exemplos, cito esta provocação em forma de piada:
Uma convenção de todas as cervejarias aconteceu no Brasil. Muita gente famosa estava por lá: presidentes da Kaiser, da Brahma, da Antártica, da Skol e de outras fabricantes. No final do dia, os executivos decidiram beber alguma coisa no bar.
O presidente da Kaiser chegou pedindo em voz alta:
- Garçom, me traz uma Kaiser, por favor.
O presidente da Antártica não deixou por menos:
- Amigo, me vê uma Antártica bem gelada!
O Presidente da Brahma pediu uma maravilhosa Brahma, e assim por diante, até que o garçom, já premeditando a resposta, perguntou ao presidente da Skol o que ele iria beber. Para a surpresa dos presentes, o executivo calmamente disse:
- Por favor, me dá um suco de laranja.
Então, um de seus ‘colegas’ perguntou:
- Por que você não pediu uma Skol?
Mostrando indiferença, ele respondeu:
- Se vocês não vão beber cerveja, eu também não vou!
E como o final desta semana premiará nossos representantes na política, façamos nossas orações para termos um clima de paz e que o bem da Nação esteja em primeiro lugar. Precisamos de um Brasil cada vez mais justo, mais fraterno com os pobres, além do frequente combate à corrupção, para um dia não ouvirmos mais histórias como esta:
A Organização das Nações Unidas fez uma grande pesquisa mundial. A pergunta era: ‘Por favor, diga honestamente qual sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo’. O resultado foi desastroso.
Os alemães não entenderam o que é ‘escassez’; os africanos não sabiam o significado da palavra ‘alimentos’; os argentinos desconheciam a expressão ‘por favor’; os americanos perguntaram o que quer dizer ‘resto do mundo’; os cubanos pediram explicações sobre ‘opinião’; e os políticos brasileiros estão até hoje debatendo o significado de ‘honestamente’.
Após a eleição, peçamos a Deus que:
Se for para esquentar, que seja no banho de sol. Se for para chorar, que seja de alegria. Se for para mentir, que seja a idade. Se for para roubar, que seja um beijo. Se for para perder, que seja o medo. Se for para ter guerra, que seja de travesseiros. Se for para ter fome, que seja de amor. Se for para ser feliz, que seja o tempo todo... a caminho do Paraíso. Pesquise e faça bem feita a sua parte neste domingo.

PESQUISA DE OPINIÕES - 26 SETEMBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Contam que na carpintaria houve uma estranha assembleia. Foi a reunião das ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando os outros.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas, por sua vez, pediu a exclusão da lixa. Dizia que era muito áspera no tratamento com os demais. A lixa acatou, com a condição de que expulsassem a trena, que sempre julgava os outros segundo a sua medida, como se fosse a única perfeita.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, a trena e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se transformou num fino móvel. Quando a carpintaria novamente ficou só com as ferramentas, a assembleia reativou a acirrada discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra:
- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas virtudes. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos e concentremo-nos nos fortes. Somente juntos faremos um trabalho de excelente qualidade.
Como resultado, a assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia os demais, a lixa era especial para limar asperezas e a trena era precisa. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de gabarito. Imperou a alegria pela oportunidade de trabalharem juntos.
O mesmo ocorre com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas. É fácil apontar defeitos e qualquer um pode fazê-lo; mas, encontrar qualidades, isto é para os humildes e corajosos.
E corajosos foram também os vereadores da Câmara Municipal de Itajubá-MG. Deixando para outras oportunidades alguns justos reconhecimentos a tanta gente boa que reside na cidade, resolveram homenagear dez pessoas com o título de ‘Cidadão Honorário’. Eu agradeço imensamente fazer parte da lista e comentarei a cerimônia no próximo artigo.
Que bom seria se a raça humana se comportasse com respeito e educação no convívio com o próximo, não? O mundo seria perfeito e as homenagens poderiam ter o critério de sorteio, onde qualquer cidadão mereceria o aplauso da população. Infelizmente, sentimentos negativos ainda moram em muitos corações.
Ataques pessoais diversos acontecem a todo instante em toda parte, e para não particularizar exemplos, cito esta provocação em forma de piada:
Uma convenção de todas as cervejarias aconteceu no Brasil. Muita gente famosa estava por lá: presidentes da Kaiser, da Brahma, da Antártica, da Skol e de outras fabricantes. No final do dia, os executivos decidiram beber alguma coisa no bar.
O presidente da Kaiser chegou pedindo em voz alta:
- Garçom, me traz uma Kaiser, por favor.
O presidente da Antártica não deixou por menos:
- Amigo, me vê uma Antártica bem gelada!
O Presidente da Brahma pediu uma maravilhosa Brahma, e assim por diante, até que o garçom, já premeditando a resposta, perguntou ao presidente da Skol o que ele iria beber. Para a surpresa dos presentes, o executivo calmamente disse:
- Por favor, me dá um suco de laranja.
Então, um de seus ‘colegas’ perguntou:
- Por que você não pediu uma Skol?
Mostrando indiferença, ele respondeu:
- Se vocês não vão beber cerveja, eu também não vou!
E como o final desta semana premiará nossos representantes na política, façamos nossas orações para termos um clima de paz e que o bem da Nação esteja em primeiro lugar. Precisamos de um Brasil cada vez mais justo, mais fraterno com os pobres, além do frequente combate à corrupção, para um dia não ouvirmos mais histórias como esta:
A Organização das Nações Unidas fez uma grande pesquisa mundial. A pergunta era: ‘Por favor, diga honestamente qual sua opinião sobre a escassez de alimentos no resto do mundo’. O resultado foi desastroso.
Os alemães não entenderam o que é ‘escassez’; os africanos não sabiam o significado da palavra ‘alimentos’; os argentinos desconheciam a expressão ‘por favor’; os americanos perguntaram o que quer dizer ‘resto do mundo’; os cubanos pediram explicações sobre ‘opinião’; e os políticos brasileiros estão até hoje debatendo o significado de ‘honestamente’.
Após a eleição, peçamos a Deus que:
Se for para esquentar, que seja no banho de sol. Se for para chorar, que seja de alegria. Se for para mentir, que seja a idade. Se for para roubar, que seja um beijo. Se for para perder, que seja o medo. Se for para ter guerra, que seja de travesseiros. Se for para ter fome, que seja de amor. Se for para ser feliz, que seja o tempo todo... a caminho do Paraíso. Pesquise e faça bem feita a sua parte neste domingo.

O CÉU É O LIMITE - 19 SETEMBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Para quem tem como lema de vida: ‘O Céu é o meu limite’, parabéns! Desde que pratique isto com coerência, é sinal que está no caminho certo: do bem, da verdade e do amor.
Ao contrário, aquele que guarda pedados mortais na alma, nunca poderia dizer algo semelhante, pois está cada vez mais se afastando do Céu. Menos mal saber que a qualquer momento poderá se aliviar da carga pecaminosa que carrega nas costas; mas, para isso, é preciso se reconciliar com o Criador.
Isto só será possível por meio da Confissão Sacramental. Com arrependimento, fé e penitência, a remissão dos pecados fará de nós homens novos. Novos para a família, para os amigos, para a Igreja, na sociedade e novos para o Céu. Basta querer mudar e perseverar na graça de Deus.
No mês passado, o reitor da UNIFEI nos lembrou a história dos operários que passavam o dia arrebentando pedras no canteiro de obras de uma igreja. Quando questionados sobre o tipo de trabalho que desenvolviam, respondiam simplesmente: estamos quebrando pedras. Um dia, um deles respondeu: estou construindo uma catedral; e a visão do grupo mudou para melhor.
E nós, simplesmente empurramos a vida com a barriga ou caminhamos para o Céu? Quem escolheu a segunda opção, lembre-se que: os obstáculos devem ser superados com amor no coração; os passos não podem se desviar da caridade; e a esperança na salvação jamais deve faltar. Não é preciso pressa nem promessas, apenas um pouco mais de alegria pela vitória que virá.
E por falar em promessas, o porteiro do prédio onde moro contou à minha filha Soraia o caso do homem que era apaixonado por uma moça e, para conquistá-la, disse-lhe com entusiasmo:
- Vou provar o meu amor por você. Se quiser se casar comigo, atravessarei parte do oceano a nado, percorrerei milhares de quilômetros a pé no deserto e até subirei o Monte Everest!
Ela respondeu:
- Você acha que eu vou me casar para ter um marido que não para em casa?
Da mesma forma, não adianta prometer o impossível a Deus e, principalmente, coisas sem importância para o crescimento espiritual. Prometa, por exemplo, que vai perdoar aqueles que lhe ofenderam e, inclusive a eles, fará sempre o bem. A fé cristã passa pelo amor a Jesus e ao próximo.
Talvez você se lembre da novela ‘Gabriela’ da Rede Globo, em que o tema musical foi composto por Dorival Caymmi e interpretado por Gal Costa. Uma estrofe era esta: ‘Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim’. Pessoa desse tipo é séria candidata a viver infeliz e perder o Céu. Sem mudanças para corrigir o rumo do pecado, as ‘Gabrielas’ não se salvarão!
Alfredo Gontijo de Oliveira, Presidente do Centro Tecnológico de Minas Gerais, fez uma palestra na UNIFEI na semana passada e chamou a isto de ‘Síndrome da Gabriela’. Segundo ele, por trás de uma grande verdade universal existe sempre um oposto, que muitos dizem também ser uma grande verdade. Baseados nisto, as pessoas insistem no erro e relutam em mudar de vida.
Aliás, para não precisar seguir Cristo, cidadãos se apegam a qualquer tipo de crença e até acreditam em ‘futurologia’! Enquanto uns dizem que viver com Deus é bom, outros dizem que viver com Ele é perigoso... e por aí vai.
Ainda bem que as orações nos ajudam a refletir na vida que levamos e, ao mesmo tempo, nos fortalecem com bênçãos diversas. Veja esta:
“Senhor, se um dia eu estiver sufocado, cheio da vida, com vontade de sumir, insatisfeito comigo e com o mundo em torno de mim, pergunta-me se eu quero trocar a luz pelas trevas ou se eu quero trocar a mesa posta pelos restos que tantos buscam no lixo. Pergunta-me se quero trocar meus pés por uma cadeira de rodas.
Se eu reclamar de coisas banais, pergunta-me se desejo trocar minha voz por gestos, se eu quero substituir o mundo dos sons pelo silêncio dos que nada ouvem, ou trocar o jornal que leio e depois jogo no lixo pela miséria dos que vão buscá-lo para fazer dele seu cobertor.
Pergunta-me se eu quero trocar minha saúde pelas enfermidades de tanta gente, pergunta-me até quando não reconhecerei as Tuas bênçãos a fim de fazer da minha vida um hino de louvor, hino de gratidão, para dizer sempre do fundo do meu coração: Obrigado, Senhor, por mais este dia!”
Concluindo as orientações de hoje, espero que você saiba, leitor, que existe um reservatório infinito de vagas no Céu. Reconhecendo o amor que Deus tem por nós e ajudando a construir um Reino de Amor, seremos fortes candidatos a assumir algumas dessas vagas no Paraíso: onde não há choro nem ranger de dentes.
Mas, para fazer do Céu o seu limite, você precisa cumprir os 10 Mandamentos e evitar os 7 Pecados Capitais. Por exemplo: você tira de letra o 8º Mandamento? E o 5º Pecado Capital, não é problema em sua vida? Recordando os dois: ‘não levantar falso testemunho’ e ‘preguiça’. Se concorda que nem sempre é fácil seguir os passos de Jesus, pratique cada vez mais as ações que deseja viver na eternidade.

CADA UM É CADA UM - 12 SETEMBRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Se fizéssemos uma pesquisa com comentaristas de futebol que acompanharam a seleção brasileira desde a Copa de 1970 no México, acredito que alguns dos 11 nomes mais lembrados seriam estes: Taffarel, Carlos Alberto Torres, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Falcão, Gerson e Rivelino; Zico, Pelé e Romário.
A seleção B também contaria com muitos craques: Leão, Cafu, Luiz Pereira, Amaral e Leonardo; Júnior, Sócrates e Kaká; Tostão, Ronaldo e Rivaldo.
Imaginando isto como verdade, assim que o resultado da pesquisa fosse divulgado, muita gente ficaria indignada por não ver seus ídolos na relação, tais como: Júlio César, Carpeggiani, Ronaldinho Gaúcho, Clodoaldo, Jairzinho, Careca, Edmundo, Robinho e outros. Sem querer polemizar, eu escalaria Waldir Peres, Ademir da Guia, Edu (ponta esquerda do Santos) e César Sampaio, quatro dos maiores jogadores que vi jogar.
Os torcedores mais antigos diriam que é um crime não considerar os magníficos das Copas de 58 e 62 na pesquisa. Ficaram de fora: Gilmar, Djalma Santos, Mauro Ramos, Nilton Santos, Zito, Didi e Garrincha! Mas, quem tirar do time para considerar mais estes na pesquisa?
Enfim, em cada cabeça uma sentença, não é mesmo? Principalmente na religião, existem crenças de todo tipo - algumas fundamentadas em história e tradição, outras sem o menor cabimento. Hoje em dia, se alguém disser que tem uma receita mágica para resolver algum tipo de problema, rapidamente haverá um grupo interessado em saber, praticar e divulgar.
Na missa de sábado passado, o Padre Maristelo contou o caso de um pregador que dizia ter a solução para a aquisição da casa própria: doando o mês de aluguel à igreja, no final de 12 meses conseguiria comprar o seu imóvel. Conclusão: o problema de habitação estaria resolvido no mundo inteiro!
Pois é, sabemos que não é assim que alcançamos graças. Por isso é importante sermos orientados espiritualmente por pessoas sérias, éticas e de boa fé. Um coração recheado de ensinamentos bíblicos vive e caminha mais alegremente.
Leia esta história:
No consultório localizado perto da residência de um médico, um homem bastante doente falou isto em momento de desespero:
- Doutor, tenho muito medo de morrer. Diga-me, o que há do outro lado?
Calmamente o médico respondeu:
- Não sei, meu amigo.
- Você não sabe? E fala com essa tranquilidade?
Neste momento, ouviram ruídos de arranhões e ganidos do lado de fora do consultório. Quando o médico abriu a porta, um cachorro entrou e pulou festivamente sobre ele. Virando-se para o paciente, o médico comentou:
- Notou o meu cachorro? Ele nunca veio a esta sala, não sabia o que havia aqui, apenas imaginou que seu dono estava presente. E quando a porta se abriu, ele entrou sem medo. Da mesma forma, não sei quase nada a respeito do que há depois da vida, mas uma coisa eu tenho certeza: o meu Senhor estará lá me esperando. Isto para mim já é o suficiente.
E para você, leitor, é suficiente?
Eu quero, sim, me encontrar com Jesus Cristo e Nossa Senhora um dia, mas não tenho pressa. Também não digo isto só por brincadeira, é verdade! Enquanto estou aqui na Terra, tenho oportunidades de ajudar o próximo, amar minha família, servir a Igreja Católica, receber graças da Virgem Maria, evangelizar o nosso povo, fortalecer a minha fé e participar dos Sacramentos. Assim, espero chegar mais depressa no Céu!
Pode parecer incoerência dizer que não tenho pressa e, ao mesmo tempo, afirmar que quero chegar depressa, mas é assim que a coisa funciona. Quanto mais obras na construção do Reino, menor será o tempo de purgatório e mais rapidamente chegaremos ao Paraíso. Para isso, precisamos vencer o grande desafio comum a todos os cristãos: viver as coisas do alto com os pés no chão!
Infelizmente, há gente que pensa diferente e procura tirar pessoas do caminho do bem, da verdade e do amor. Esta semana recebi pela internet o texto que segue. Encarei como piada, mas sei que há muitas cabeças que pensam mais ou menos assim:
Quando uma manada de búfalos é caçada, os mais fracos e lentos - que estão atrás do rebanho - são mortos primeiro. Essa realidade é boa para a manada como um todo, porque aumenta a velocidade média e a saúde de todo o rebanho - pela matança dos mais doentes.
De forma parecida opera o cérebro humano: beber álcool em excesso mata neurônios, mas, naturalmente, a bebida ataca os neurônios mais fracos primeiro. Neste caso, o consumo regular de cerveja, cachaça, uísque, vinho, rum e vodka, eliminam os neurônios mais lentos, tornando o cérebro uma máquina mais rápida e eficiente.
E ainda: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo de álcool. Isso significa que os outros 77% dos acidentes são causados pelos canalhas que bebem água, sucos, refrigerantes e outras porcarias!

PROJETO DE EVANGELIZAÇÃO - 5 SETEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini

Uma menininha muito sapeca arrancava os cabelos da boneca, derrubava pratos quando a mãe pedia para enxugar a louça e, com cara de levada, dizia sempre:
- Desculpe, mamãe!
Tinha certeza que, pronunciando essa frase, obtinha completa absolvição. E aconteceu que, uma manhã, derramou café na toalha da mesa. Assim que falou ‘desculpe’, viu sua mãe enrolar a toalha, pegar uma varinha e dizer:
- Filha, agora você é uma fada e esta é uma varinha de condão. Diga dez vezes ‘desculpe, mamãe’ e esta mancha de café irá desaparecer.
A garotinha repetiu apressadamente a frase e, quando terminou, abriu a toalha e viu que a mancha continuava do mesmo jeito. Chateada, começou a chorar, e sua mãe lhe explicou:
- Não podia mesmo desaparecer, filha! Dizer ‘desculpe’ não resolve nada em muitas situações. Agora, vou encher outra xícara com café e você vai tomar sem derrubar, certo?
Pois é, uma simples historinha de criança pode nos ensinar uma grande lição. Eu imagino estar um dia diante de Deus e dizer a Ele: ‘Desculpe, Senhor, eu não fiz nada para ajudar no Seu projeto de evangelização’. Então, o que aconteceria comigo? Não sei, mas não quero correr esse risco.
Por isso, após dois anos do primeiro CD gravado com minha abençoada filha, Soraia, resolvemos gravar outro. Avaliando as composições bonitas que ficaram fora de ‘Nossas Músicas Preferidas, volume 1’ e outras novas que surgiram recentemente, mais 18 canções foram selecionadas. O disco também é mais um agradecimento a Jesus e a Virgem Maria por tantas graças que alcançamos na evangelização através da música.
Repetindo o que eu disse na reportagem deste jornal na semana passada, peço a Deus que as nossas mensagens de amor e de fé possam ser partilhadas gratuitamente com todos os que buscam paz nos corações.
Na Livraria e Papelaria Lápis de Cor, ganha o CD quem comprar o livro ‘O Mendigo e o Padeiro’, Paco Editorial, que conta a história de dois personagens que buscam um modelo de felicidade conjugal para ajudar casais com problemas de relacionamento. Procurando respostas para melhorar a vida das pessoas, o destino de cada um também mudou.
A necessidade de praticar quatro virtudes pessoais antes de chegarem ao objetivo foi fundamental para o mendigo e o padeiro entenderem a missão que receberam. O conjunto das qualidades - auto-estima, humildade, bondade e sinceridade - continua sendo importante para o crescimento pessoal e o discernimento de diversos problemas na vida de qualquer pessoa. Havendo equilíbrio entre elas, o ser humano poderá combater uma série de fatores que impedem sua felicidade.
Eis o prefácio do livro:
“O MENDIGO E O PADEIRO é mais uma publicação do Professor Paulo Roberto Labegalini. Um livro pequeno de ensinamentos grandes, de leitura fácil com mensagens profundas. Um livro de ficção, que retrata a realidade de muitos indivíduos ou de muitas almas.
De forma bastante didática, o autor invoca pequenas histórias e parábolas para destacar as qualidades pessoais de um ser humano - bondade, sinceridade, humildade e amor próprio; ensina a cultivar algumas virtudes para o relacionamento conjugal e a combater alguns desvios de conduta nesse convívio para atingir resultados importantes no casamento.
De forma tão simples como fazer um bolo seguindo receita, o autor indica os ingredientes para a construção da felicidade conjugal: paz, amor e fé. Assim como uma receita perfeita indica os ingredientes, as quantidades e o modo de preparo; na receita matrimonial, o autor dá os ingredientes e recorre a alguns sábios conselhos, tipo ‘modo de fazer’: “ver com os olhos do coração, acreditar que o bem vencerá, tirar lições do sofrimento, jogar fora a tristeza e falar de Jesus Cristo”.
Se muitos mendigos recorrem a viadutos como moradias - seja por condições financeiras, incompreensão ou falta de apoio da sociedade -, muitos homens necessitam de determinação, vontade própria, humildade e real desejo para saírem de masmorras edificadas com o desmoronamento de casamentos. Nestas situações, o apoio de terceiros é fundamental; mas, o que conta para Deus é o ‘querer’ do interessado.
Quando um mendigo pobre em espírito realmente quer sair do seu viaduto e voltar para o seio da família, quando pactua com Jesus Cristo com sinceridade e humildade, recebe graças por intervenção divina e obras do Espírito Santo. Paulo Roberto é um desses agraciados; desde que se converteu há quase duas décadas, é um novo homem e um novo chefe de família. Ele tem se dedicado à pregação do Evangelho e, sempre que solicitado, vai a socorro de casamentos em risco e, sem constrangimentos, dá testemunhos que emocionam até os mais céticos.
No conto criado pelo autor, um personagem é apontado para falar de paz, amor e fé; na vida real, para testemunhar sobre Felicidade Conjugal; indico a você, caro leitor, o testemunho do Paulo Roberto.” - José Ayrton Labegalini - Diretor do Colégio Objetivo de Monte Sião-MG

FELICIDADE CONJUGAL - 29 AGOSTO 2010
Paulo Roberto Labegalini

Naquela noite, enquanto a esposa servia o jantar, o marido segurou sua mão e disse-lhe:
- Quero o divórcio. Nosso casamento acabou.
Ela ficou muito brava. Jogou longe os talheres e gritou:
- Você resolve isso sozinho? Você não é homem para enfrentar os nossos problemas?
Naquela noite não conversaram mais. Ouvia-se apenas ela chorando, sabendo que o coração dele não pertencia mais a ela. A mulher que ele conviveu pelos últimos dez anos tornou-se uma estranha.
No dia seguinte, após passar a tarde com outra mulher, o marido chegou em casa e encontrou a esposa sentada no sofá, à sua espera. Então, ela apresentou suas condições para o divórcio: não queria nada dele, mas pediu um mês de prazo antes de se separarem. Pediu ainda que, durante os próximos trinta dias, ele a carregasse no colo para fora da casa todas as manhãs, ao sair para trabalhar. Ele estranhou, mas concordou.
Quando a levou no primeiro dia, foi muito estranho. O filho pequeno os aplaudiu, dizendo:
- O papai está carregando a mamãe no colo. Viva!
Suas palavras causaram constrangimento. Ela fechou os olhos e falou baixinho:
- Não conte para o nosso filho sobre o divórcio. Ele tem provas para fazer e precisa de paz.
No segundo dia, foi um pouco mais fácil para os dois. Ela apoiou-se no peito do marido, que sentiu o cheiro do perfume que usava. Então, percebeu que há muito tempo não prestava atenção naquele aroma delicioso. Pensou que aquela mulher havia dedicado uma dezena de anos da vida a ele, sem nunca pensar em outra pessoa.
Nos próximos dias, foi virando rotina e, às vezes, até divertido. Ela havia emagrecido bastante, estava mais serena e bonita. Certa vez, o filho entrou no quarto do casal e disse:
- Pai, está na hora de você carregar a mamãe. Posso ajudar?
No último dia, quando a segurou, por algum motivo ele não conseguia mover as pernas. O menino já tinha ido para a escola e o marido pronunciou estas palavras:
- Eu não percebi o quanto perdemos da nossa intimidade com o tempo. Não quero mais me divorciar. Por favor, me perdoe, posso voltar a fazê-la feliz.
Ela tocou na testa dele e falou:
- Você está com febre? Mas, se quiser falar sério, saiba que nosso casamento ficou chato porque não soubemos valorizar os pequenos detalhes da vida; não foi por falta de amor.
Ele a carregou com muito carinho e foi trabalhar. No caminho de volta para casa, comprou um buquê de rosas e escreveu: ‘Eu te carregarei em meus braços todas as manhãs até que a morte nos separe’.
Nas semanas seguintes ele ficou sabendo que a esposa estava muito doente e vinha se tratando há meses. Muito ocupado com outras mulheres, não houve tempo para se informar da enfermidade da esposa. E mesmo sabendo que morreria, ela quis poupar o filho dos efeitos do divórcio, prolongando a vida a três junto à família que constituiu. Valeu a pena porque, pelo menos aos olhos do filho, o pai era um homem muito carinhoso com a mãe.
Durou pouco tempo a felicidade que voltou a existir naquele lar. Ela se foi e restou a saudade que a grande mãe e a dedicada esposa deixou. Se detalhes importantes ao casamento fossem valorizados, teriam plantado a felicidade com raízes mais profundas desde o início.
E foi pensando mais ou menos isto que escrevi o romance ‘O Mendigo e o Padeiro’ - uma história que retrata dois personagens em busca de um modelo de felicidade conjugal. O lançamento foi na cidade de Itapetininga (MG), durante um encontro de avivamento vicentino, com a participação de 500 pessoas.
Antes, na palestra, eu disse que o amor a Deus e ao próximo deve ser praticado como se fosse um só mandamento, porque é o único sentimento que transforma duas pessoas num único ser. E aconselhei os confrades e as consócias a tirarem proveito das crises, conscientizando-se que um será remodelado para o outro e todos para um Reino de Amor.
A cada livro vendido, entreguei gratuitamente o último CD que gravei com a Soraia, minha filha - ‘Nossas Músicas Preferidas - volume 2’. Graças ao bom Deus, o resultado dessas iniciativas foi maravilhoso e continuará evangelizando muita gente. Nem preciso ser um bom vendedor de livros para comercializar uma quantidade considerável de exemplares, já que é um serviço a Deus e o Espírito Santo sempre me ajuda.
Dizer que todo casamento precisa de paz, de amor e de fé, não é novidade para qualquer pessoa. Há algum tempo, também tenho dito que não pode faltar o perdão, a verdade e a oração. Agora, porém, no livro, o mendigo e o padeiro descobriram coisas novas. Só lendo para saber mais detalhes da felicidade conjugal.

PIEDADE! MISERICÓRDIA! - 22 AGOSTO 2010
Paulo Roberto Labegalini

Os termos piedade e misericórdia se confundem no significado. Alguns dicionários definem como sinônimos e, até nas missas, no ato penitencial, os consideramos iguais. As músicas de perdão repetem: ‘Misericórdia, Senhor!’ ou ‘Piedade de nós!’, o que significa que realmente os termos podem ser usados para a mesma finalidade.
Jesus disse: “Quero misericórdia e não sacrifício”; e nos deu a entender que as situações injustas devem ser mudadas - os excluídos precisam ser ajudados. E confirmou isto ao explicar que “os que têm saúde não precisam de médicos, mas sim os doentes”. Tudo se relaciona com o amor ao próximo, um dos dois maiores Mandamentos.
Então, vale a pena entender o significado de misericórdia: ‘Acolher no coração a miséria do outro’. A Virgem Maria, por exemplo, denominada ‘Mãe de Misericórdia’, recebeu este título para honrar sua imensa bondade. E quando nos referimos às obras de misericórdia, citamos diferentes modos de exercer a caridade, o que condiz com a conduta cristã tão valorizada por Cristo.
Eu ainda acho que o termo ‘misericórdia’ é mais forte que ‘piedade’, porque piedade se assemelha mais a ‘dó’. Para mim, ter piedade não significa acolher a miséria do outro no coração, mas simplesmente um sentimento de indignação. Misericórdia, porém, acrescenta amor ao fato de o próximo estar sofrendo, o que já é uma grande diferença entre os dois sentimentos.
Pois é, mas fica uma pergunta no ar: ‘Quem tem misericórdia de alguém é impulsionado a praticar a caridade?’ Sabemos que nem sempre isso acontece e, portanto, teríamos que achar outro termo que refletisse o sentimento de querer estar junto daquele que sofre. E esse sentimento de pesar já existe: compaixão!
Compaixão é mais que dó, mais que piedade e mais que misericórdia. Compaixão é um sentimento mais humano e não reflete apenas a tristeza que sentimos diante da dor alheia. Quem pratica a verdadeira caridade, comprometido em ajudar o próximo, sente compaixão. E não há como negar que o despertar da dor no coração de algumas pessoas as move a tentar minimizar o sofrimento do irmão - isso é compaixão!
Bartimeu, o cego de Jericó, suplicou: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim”; e ficou curado. Jesus, também tomado por compaixão, curou o paralítico e deu a ele saúde eterna, porque perdoou ainda os seus pecados. Na condição divina, Ele não via apenas as aparências, mas principalmente o que estava no coração.
A compaixão talvez seja a maior virtude humana porque é isenta de preconceitos e julgamentos. É por isso que o egoísta não desenvolve esse sentimento e se torna frio e calculista - insensível ao sofrimento alheio, como eram os fariseus. Quantos procuram um ouvido ou um ombro amigo na vida e não encontram! Os ouvidos estão dando mais atenção aos aparelhos eletrônicos; filhos pequenos têm computadores, mas faltam-lhes afetos humanos. Isso é justo?
Vale lembrar ainda que não devemos compartilhar o mal, o que significa que nem todo sofrimento merece compaixão, tipo: o invejoso que sofre por cobiça, o tirano que perdeu a guerra. Podemos, contudo, nos compadecer pelo sentimento de culpa de quem errou e se arrependeu, porque todo pecado merece perdão nas condições de arrependimento sincero e intenção de não mais errar. Como não conseguimos viver sem pecados, devemos buscar a graça de Deus no Sacramento da Reconciliação.
Então, numa escala crescente entre dó e caridade, eu colocaria: piedade, misericórdia e compaixão. A piedade se assemelha mais a dó, a misericórdia incorpora o sentimento de tristeza diante da dor alheia, e a compaixão desperta a vontade de se envolver na solução do problema. Quanto mais amor no coração, mais próximo de Deus estaremos.
Mas tudo isso depende da fé de cada um. Era no nosso tempo que Jesus estava pensando ao falar: “Quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?” (Lc 18, 8). E o início do capítulo 11 da Carta aos Hebreus traz a definição de fé: “Ora, a fé é garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que não se vêem”. Unindo isto à mensagem bíblica de ‘onde estiver o vosso tesouro aí estará o vosso coração’, podemos concluir que já podemos tomar posse do Reino de Deus praticando a compaixão pelos pobres. E um lembrete importante: ‘A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito será pedido’.
Ninguém gosta de sofrer e a compaixão às vezes leva a isso. Porém, até no sofrimento alguns fazem piadas, como esta:
Um cidadão passou mal na rua e foi levado ao setor de emergência de um hospital administrado por freiras. Foi operado do coração e, depois de estar parcialmente restabelecido, a freira responsável pela tesouraria lhe perguntou:
- Caro senhor, sua operação foi bem sucedida e o senhor está salvo. Como pretende pagar a conta? Tem seguro-saúde?
- Não, Irmã. Também não tenho dinheiro, filhos, emprego, nada! Eu tenho somente uma irmã solteirona que é freira, mas não tem um tostão.
- Desculpe, mas as freiras não são solteironas como o senhor disse. Elas são casadas com Deus!
- Então, por favor, mande a conta pro meu cunhado.
Hehehe... Misericórdia!

VOCÊ É INSUBSTITUÍVEL - 8 agosto 2010
Paulo Roberto Labegalini

Na sala de reuniões de uma multinacional, o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos, e olhando nos olhos de cada um, ameaça:
- Ninguém aqui é insubstituível, entenderam?
A frase parece ecoar nas paredes da sala em meio ao silêncio. Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada até que, de repente, um braço se levanta e o diretor o interpela furioso:
- Alguma pergunta cretina?
- Tenho, sim. E Beethoven, quem o substituiu?
- O que o senhor quer dizer com isso? - resmunga em tom mais baixo o diretor.
- Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e acho muito pertinente falar a respeito. As empresas se esforçam em descobrir talentos, reter talentos; mas, no fundo, continuam dizendo que os profissionais são simples peças dentro das organizações e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar. Quem substituiu Tom Jobim, Ayrton Senna, Ghandi, Frank Sinatra, Garrincha, Santos Dumont, Monteiro Lobato, Elvis Presley, Beatles, Jorge Amado, Pelé, Albert Einstein, Picasso, Zico?
Após um breve silêncio, o gestor continua:
- Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostavam e o que sabiam fazer bem, ou seja, fizeram seus dons brilharem; portanto, ainda são insubstituíveis! E acho que cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora de os líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da equipe, focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando energia para criticar suas deficiências.
Fortalecido com as palavras do colega, outro gestor disse:
- É verdade, ninguém lembra se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis, melodias inesquecíveis - resultados de seus talentos. Cabe aos líderes de organizações mudarem o olhar sobre a equipe e voltarem seus esforços para descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o dom de cada um em prol do sucesso de seu projeto deveria ser o maior objetivo.
Então, meio sem palavras, o diretor lançou um desafio à equipe: que lhe trouxessem a solução para o problema que vinham enfrentando. Se conseguissem equacioná-lo em tempo de reverter os prejuízos, ganhariam recompensas e passariam mais tempo com suas famílias. Assim, motivados com a nova situação e valorizados pelas competências que julgavam possuir, começaram a trabalhar na solução do problema.
E completando essa linha de pensamento, se todos fossem reprovados por suas fraquezas, Garrincha correria um sério risco em não atuar por ter as pernas tortas, Albert Einstein pararia os estudos por ter tirado notas baixas na escola, Beethoven viveria desmotivado por ser surdo... E o mundo teria perdido todos esses talentos!
Ah, quando o Zacarias de ‘Os Trapalhões’ morreu, ao iniciar o programa seguinte, Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim: ‘Estamos todos muito tristes com a partida do nosso irmão Zacarias. Hoje, para substituí-lo, chamamos... Ninguém, pois nosso Zaca é insubstituível’.
Portanto, nunca se esqueça: você é um talento único! Com toda certeza, ninguém o substituirá. Eu também sou um só, mas ainda assim, sou quem sou. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa boa para alguém. E por não poder fazer tudo, não me recuso a trabalhar no pouco que posso ajudar.
Às vezes fico triste pensando nas mães que rezam terços e terços sozinhas. E quantos pais idosos não vão mais à missa porque ninguém os leva! Quantos filhos também se revoltam com a vida indigna dos pais! Muita gente gostaria de ter as migalhas dos ricos para comer! E quantos agonizam por falta de remédios!
Acho que não é necessário dizer mais nada, pois cada um sabe o que poderia estar fazendo pelo seu irmão e não faz. Quanto ao irmão ser ou não de sangue, para Jesus não importa; mas julgando com o meu coração humano e pecador, dói mais quando vejo alguém sofrendo, sendo que a família tem condições de acolhê-lo e o deixa abandonado. A caridade deveria sempre começar em casa e, depois, com a graça de Deus, se espalhar por toda a humanidade.
Se você concorda comigo, primeiro olhe ao seu redor e depois, se puder, ajude as famílias carentes e excluídas da nossa sociedade. Com certeza, a recompensa a quem sofre e a quem ajuda virá do Céu.
No mundo, sempre existirão pessoas que irão amar você por aquilo que é, e outras, que irão tentar desprezá-lo pelo mesmo motivo. Acostume-se a isso com muita paz de espírito. Valorize-se sempre mais, ajude o próximo e, um dia, todos saberão que você é insubstituível.

OBRA DE ARTE SEM MOLDURA – 1 AGOSTO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Eis que um sujeito desce na estação do metrô de Nova Iorque vestindo jeans, camiseta e boné. Encosta-se próximo à entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passageiros.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo: um Stradivarius de 1713, estimado em mais de três milhões de dólares! Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam mil dólares!
Cenas gravadas no metrô mostram homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. E a conclusão do fato é que estamos acostumados a dar valor às coisas dependendo do contexto. No caso de Bell tocando para a multidão, tratava-se de uma ‘obra de arte sem moldura e sem etiqueta de grife’. Isso acontece a toda hora em nossas vidas, em situações que não envolvem pompas e preços.
Temos controle dos nossos sentimentos e valores independente da manipulação do poder financeiro do mercado, ou será que valorizamos sempre mais aquilo que está com etiqueta de preço? Caridade, por exemplo, precisa de etiqueta para atingir o seu objetivo de servir o próximo?
O que não se compra precisaria sempre valer mais, concorda? Quanto custaria uma amizade sincera, um amor inesquecível, um perdão incondicional, um raio de sol na manhã de inverno, um abraço de uma criança grudada no pescoço? E se desse para comprar, quanto custaria a felicidade? E o amor de Deus por nós, teria como colocar algum preço?
Regina Brett, uma senhora de 90 anos, escreveu as 40 lições que a vida lhe ensinou. Com certeza, ela não venderia isso por dinheiro algum.
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo.
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
4. Seu trabalho não cuidará de você quando ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão.
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.
6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar de si.
7. Chore com alguém; cura melhor do que chorar sozinho.
8. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
9. Quanto a chocolate, é inútil resistir.
10. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
11. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem ideia do que é a jornada deles.
12. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.
13. Tudo pode mudar num piscar de olhos, mas não se preocupe: Deus nunca pisca.
14. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
15. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
16. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.
17. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.
18. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, vista lingerie chique. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial!
19. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
20. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.
21. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
22. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.
23. Enquadre todos os ‘desastres’ com estas palavras: Em cinco anos, isto importará?
24. Sempre escolha a vida.
25. Perdoe tudo de todo mundo.
26. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
27. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
28. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.
29. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
30. Acredite em milagres.
31. Deus ama você porque Ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.
32. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.
33. Envelhecer ganha da alternativa ‘morrer jovem’.
34. Suas crianças têm apenas uma infância.
35. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
36. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.
37. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.
38. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa para se salvar.
39. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.
40. A vida não está amarrada com um laço, mas sempre é um presente.
Considere, leitor, que ler isto também não tem preço. E saiba agradecer, comparecendo na Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade na Semana Nacional da Família - que começará neste domingo, dia dos pais.

SENTIMENTOS DE AVÔ - 25 JULHO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Após dez dias de convivência diária, minha netinha de quase três anos, Luísa, foi embora para sua casa no Paraná. Ela é muito apegada a mim e, por estar de férias, eu passava o dia todo com ela. Agora, a saudade bate forte no peito e, há pouco, quando liguei pra ela, ouvi coisas assim: ‘Vovô, conta uma historinha pra mim? Você compra balinha pra me dar? Eu te amo, vovô!’
Emocionado por pensar nela e com vontade de vê-la novamente, fui olhar algumas ‘coisas de criança’ na internet e vi relatos engraçados que foram publicados na revista ‘Pais e Filhos’.
Primeiro: Uma menina estava assistindo aula e sua professora disse que era impossível uma baleia engolir um ser humano porque, apesar de ser um mamífero muito grande, sua garganta é pequena. Mas, a menina insistiu que a Bíblia relata que Jonas foi engolido por uma baleia. Irritada, a professora repetiu que a baleia não pode engolir nenhum ser humano. A menina, então, disse:
- Quando eu morrer e for ao céu, vou perguntar a Jonas.
A professora questionou:
- E o que vai acontecer se Jonas tiver ido para o inferno?
A menina respondeu:
- Aí a senhora mesma pergunta.
Segundo: Uma professora de creche observava as crianças de sua turma desenhando. Quando chegou perto de uma menina que trabalhava intensamente, perguntou o que desenhava. Ela respondeu:
- Estou desenhando Deus.
A professora contestou:
- Mas, ninguém sabe como é Deus!
Sem levantar os olhos de seu desenho, a menina respondeu:
- Saberão dentro de um minuto.
Terceiro: Uma menininha de sete anos admitiu calmamente a seus pais que Luís Miguel havia lhe dado um beijo depois da aula.
- E como aconteceu isso? - perguntou a mãe assustada.
- Não foi fácil, mamãe, mas três meninas me ajudaram a segurá-lo.
Quarto: Certo dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar os pratos na cozinha. De repente, percebeu que a mãe tinha vários cabelos brancos que sobressaíam na sua cabeleira escura. Olhou para ela e lhe perguntou:
- Por que você tem tantos cabelos brancos, mamãe?
- Bom, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar, um de meus cabelos fica branco - respondeu a mãe.
A menina, então, logo disse:
- Mãe, por que todos os cabelos de minha avó estão brancos?
Quinto: Um menino de três anos foi com seu pai ver uma ninhada de gatinhos que tinham acabado de nascer. De volta à casa, contou à mãe que havia gatinhos e gatinhas.
- Como você soube disso? - perguntou a mãe.
- Papai os levantou e olhou por baixo. Acho que ali estavam etiquetas escritas.
Sexto: Todas as crianças haviam saído na fotografia e a professora estava tentando persuadi-los a comprar uma cópia da foto do grupo:
- Imaginem que bonito será quando vocês forem grandes e disserem: ‘Ali está a Catarina, é advogada!’; ou também: ‘Este é o Miguel, médico’.
Ouviu-se uma vozinha vinda do fundo da sala:
- E ali está a professora. Ela já morreu!
Continuando a pesquisar na internet, eis o que achei:
Perguntaram a uma menina de cinco anos o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu:
- Gostaria de ser avó, porque os avós escutam e compreendem a gente. Além do mais, a família se reúne inteirinha na casa deles. Minha avó, por exemplo, é uma mulher velhinha que não tem filhos, mas gosta dos filhos dos outros. Meu avô leva a gente para passear e conversa sobre pescaria e outros assuntos parecidos.
E continuou:
- Os avós não fazem nada e por isso podem ficar mais tempo com a gente. Como eles são velhinhos, não conseguem rolar pelo chão ou correr; mas, não faz mal. Levam-nos ao shopping e nos deixam olhar as vitrines até cansar. Na casa deles tem sempre uma mesa cheia de coisas gostosas! Passeiam conosco mostrando as flores, ensinando seus nomes, fazendo-nos sentir seu perfume. Avós nunca dizem ‘depressa, já pra cama!’ ou ‘se não fizer logo, vai ficar de castigo’.
E não parou por aí:
- Quase todos usam óculos e eu já vi uns tirando os dentes e as gengivas. Quando a gente faz uma pergunta, os avós não dizem ‘menina, não vê que estou ocupado?’ Eles pensam e respondem de um jeito que a gente entende. Não falam com a gente como se fôssemos bobos, nem se referem a nós com expressões tipo ‘que gracinha!’, como fazem algumas visitas. O colo dos avós é quente e fofinho, bom da gente sentar quando está triste. Todo mundo deveria tentar ter um avô ou uma avó, porque são os únicos adultos que têm tempo suficiente para nós.
Bem, acho que chega. É melhor rir para não chorar!

HUMILDADE PARA APRENDER - 18 JULHO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Ganhei um presente do amigo Lenarth em abril deste ano e praticamente nem o tinha aberto. Aconteceu que minha filha, Soraia, gostou das histórias que viu e pediu emprestado para contar aos seus alunos; assim, somente agora, nas férias, pude tê-lo de volta.
O título é ‘E, para o resto da vida... Contos que tocam o coração’, de Wallace Leal V. Rodrigues. Eis o que o Lenarth escreveu na primeira página: “Este é um livro simples, de histórias simples e para pessoas simples como você! Apesar de sua simplicidade, ele encerra ensinamentos profundos que merecem ser guardados em nossas mentes e corações para o resto da vida”.
De hoje em diante, com certeza, muitos contos desta coluna serão tirados do livro, começando por este:
Um menino ganhou uma medalha na escola por ser o aluno que melhor sabia ler. Sentiu-se feliz, orgulhoso e, assim que a aula terminou, voltou correndo para casa e entrou na cozinha como um furacão. Olhou para a velha empregada que estava no fogão e disse-lhe:
- Aposto que sei ler melhor do que você.
Vendo o livro de leitura colocado perto de si, a senhora o tomou nas mãos e tentou ler o que podia, gaguejando a toda hora. Terminou por dizer:
- Bem, meu filho, eu não sei ler.
O menino saiu satisfeito da cozinha e correu ao encontro do pai no escritório.
- Papai, a Maria não sabe ler! Eu, que ainda sou pequeno, já ganhei até medalha, olhe só! Imagine ela, já velha, não saber ler; deve ser horrível, né?
Com toda tranqüilidade, o pai ergueu-se da cadeira, foi até uma estante e voltou com um livro em mãos. Depois falou ao filho:
- Foi maravilhoso você ter ganho a medalha, mas, agora, leia este livro para eu ouvir.
O garoto o abriu depressa para iniciar a leitura e se surpreendeu ao ver que as páginas continham centenas de pequenos rabiscos. Chateado, exclamou:
- Nossa, eu não entendo nada disso que está escrito aqui!
- É um livro escrito em chinês, meu filho - disse o pai. - Assim como a Maria, você também não pode ler este livro, não é?
Envergonhado, o menino aprendeu a lição que serve a qualquer um de nós. Às vezes, precisamos lembrar que tudo o que não sabemos é muito mais do que aquilo que já aprendemos; ou, para quem conhece a história que contei, bastaria recordar que ‘não sabemos ler chinês’. Porém, só pensa assim quem tem humildade no coração.
Na semana passada, eu fui matar a saudade da minha netinha Luísa, que mora em Rio Negro. Ali perto, na cidade de Mafra, Santa Catarina, aconteceu um encontro de professores da Universidade do Contestado. Mesmo em férias, os docentes se reuniam às noites para discutir assuntos relacionados à formação dos alunos - conscientes que precisavam aprender para melhor ensinar.
O assunto no dia que participei foi ‘Planejamento Pedagógico’ e, após breve explanação da palestrante, iniciou-se a discussão. Eu era a única pessoa de fora da Instituição e procurei me comportar apenas como ouvinte, embora, por ter sido convidado, poderia também usar a palavra. E foi o que fiz no apagar das luzes, pedindo que os professores refletissem melhor sobre: formação permanente - para o resto da vida! - e educação à distância. Conclui dizendo que vivemos a ‘era da educação continuada’ e não podemos deixar de aprender e ensinar sempre.
Assim também pensam os participantes do 23º Laboratório Coral de Itajubá, que acontece nesta semana. Alunos e regentes, coralistas há anos, continuam com interesse no assunto para melhorarem os conhecimentos e habilidades. O resultado disso é sempre maravilhoso, podendo ser presenciado na apresentação de encerramento, que acontecerá sábado à noite, dia 24, no Anfiteatro da Medicina. Será um espetáculo para chinês ver!
E por falar em ver e aprender, você já viu um passarinho dormindo num galho ou num fio? Sabe como ele consegue ficar dormindo sem cair? O segredo está nos tendões de suas pernas: quando o joelho está dobrado, o pezinho segura firmemente qualquer coisa. Assim, os pés não irão soltar o galho até que ele desdobre o joelho para voar. Quanta sabedoria do Criador, hein?
Pensando na nossa caminhada, se tropeçamos, caímos e temos dificuldades para levantar, a maior segurança vem de um joelho dobrado em oração. Então, quando você estiver num emaranhado de problemas que o fazem perder a paz e a alegria, não se entregue ao desânimo. Lembre-se que, rezando com humildade no coração, aprenderá a solução para qualquer coisa que precisar. E como o passarinho, só desdobre o joelho quando tiver confiança para se levantar.
Se Deus cuida de um passarinho, abençoa todos os animais da Terra e a natureza que os cerca, imagina o que não fará por você, que é Seu filho amado! Basta pedir com confiança e a graça virá.

NOSSAS ESCOLHAS - 11 JULHO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Mário de Andrade escreveu:
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, roeu até os caroços das outras.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas que, apesar da idade cronológica, são imaturos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos; quero a essência, minha alma tem pressa! Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade. Caminharei perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!”
Mário de Andrade tem razão: cada vez mais, precisamos valorizar o essencial, como nesta história que a prima Joseane me enviou de Amparo:
Um filho chegou para seu pai e perguntou:
- Pai, por que temos que reler a Bíblia se não conseguimos memorizar tudo e, quando passa certo tempo, acabamos esquecendo?
O pai olhou para um rio que se via do quintal e depois pediu ao filho:
- Pegue aquele cesto de junco, vá até o rio, encha-o de água e traga aqui.
O filho olhou para o cesto sujo e obedeceu. Andou dez minutos até o rio, encheu-o e voltou. Como o cesto era cheio de furos, a água foi escorrendo e, quando ele chegou em casa, já não restava nada.
O pai perguntou-lhe:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
- Aprendi que cesto de junco não segura água.
O pai ordenou-lhe que repetisse o processo e, quando o filho voltou com o cesto vazio, o pai questionou:
- E agora, meu filho, o que você aprendeu?
- Que cesto furado não segura água!
O pai, então, continuou ordenando que o filho repetisse a tarefa e, depois da quinta vez, o filho estava exausto de tanto ir e voltar. E o pai lhe perguntou novamente:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
- Não entendi o porquê de me mandar ir e voltar, pai, mas percebo que aquele cesto sujo agora é um cesto limpinho!
Com um sorriso afetuoso, o pai falou:
- Está vendo, filho? Apesar do cesto não segurar a água, a repetição constante de enchê-lo acabou deixando-o limpo.
Daí, o filho retrucou:
- Pai, o senhor me fez andar várias vezes para me mostrar uma forma de limpar o cesto?
- Você havia me perguntado por que é necessário ler constantemente a Bíblia. Hoje você aprendeu que, assim como o cesto sujo pôde ser limpo mesmo sem segurar a água, esse processo de leitura da Bíblia deixa a sua mente limpa e em sintonia com o nosso Criador.
Bem, neste artigo duas lições já foram passadas: escolher o essencial para bem viver e deixar-se conduzir pela Palavra de Deus. Em princípio, isto já basta, mas precisamos saber lidar com situações novas. Também por este motivo a Bíblia é tão extensa e rica nos ensinamentos. Requer que continuemos a ler partes que ainda não sabemos, pois quase tudo se transforma com o tempo. Eis um exemplo interessante:
Certa vez, duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente. Assim, logo ao cair, nadou até a borda do copo, mas como a superfície era muito lisa, não conseguiu escapar. Acreditando que não havia saída, a mosca desanimou, parou de se debater e afundou.
Sua companheira de infortúnio, apesar de não ser tão forte, era tenaz e continuou a lutar. Aos poucos, com tanta agitação, o leite ao seu redor formou um pequeno nódulo de manteiga no qual ela subiu. Dali, conseguiu levantar vôo e sair do copo.
Tempos depois, a mosca tenaz novamente caiu num copo, desta vez cheio d’água. Como pensou que já conhecia a solução daquele problema, começou a se debater na esperança de que, no devido tempo, se salvasse. Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da companheira, gritou:
- Tem um canudo ali, nade até ele e suba.
A mosca tenaz respondeu:
- Pode deixar que eu sei como resolver este problema.
E continuou a se debater mais e mais até que, exausta, afundou na água.
Pois é, sabemos que soluções do passado, em contextos diferentes, podem transformar-se em problemas. Quantos de nós, baseados em experiências anteriores, deixamos de observar as mudanças ao redor e ficamos lutando inutilmente até afundar em nossa própria falta de visão! Velhos hábitos que nos levaram ao sucesso nos fazem perder oportunidades de evoluir.
Os mais experientes na fé sabem reconhecer essas transformações para fazerem suas escolhas

ESTA HISTÓRIA É SUA? - 4 Julho 2010

Paulo Roberto Labegalini

“No estado em que me achava, meio acordado, meio dormindo, me vi dentro de uma sala. Não existia nada de interessante nela, exceto uma parede cheia de gavetas - arquivos para cartões. E quando me aproximei dos arquivos, o primeiro título a me chamar a atenção foi ‘garotas que eu gostei’. Abri, comecei a ver os cartões e logo reconheci os nomes ali escritos.
Sem ninguém precisar me dizer, descobri onde estava. A sala era, na realidade, o catálogo da minha vida! E um senso de curiosidade, espanto, misturado com horror surgia dentro de mim ao abrir cada gaveta para descobrir seu conteúdo. Algumas me traziam belas alegrias, outras me envergonhavam.
Os títulos iam do mundano à extrema loucura: livros que li; mentiras que contei; conselhos que dei; piadas que ri etc. Alguns eram hilariantes devido à sua exatidão: coisas que fiz quando estava com raiva; palavras que proferi contra meus pais; enfim, eu não parava de me surpreender com os conteúdos que se apresentavam.
Estava estupefato com o volume de coisas que fiz durante minha curta vida. Como eu tive tempo necessário para escrever aqueles milhões de cartões? E cada cartão, cada verdade, tinha a minha assinatura!
Cheguei, então, num arquivo intitulado ‘pensamentos sensuais’. Um calafrio percorreu todo o meu corpo. Abri a gaveta somente um pouquinho, pois não estava a fim de testar o tamanho, e tirei um dos cartões. Senti mal em saber que esse momento havia sido gravado, e um pensamento tomou conta de mim: ‘Ninguém deve saber da existência destes cartões. Tenho que destruir tudo!’
Em frenético movimento, puxei uma das gavetas, estendendo metros e metros de conteúdo. Quando a gaveta saiu, joguei-a de cabeça para baixo e descobri que todos os cartões estavam grudados. Fiquei desesperado e peguei um bolo de cartões para rasgá-los, mas não consegui. Eram duros como aço!
Cansado, retornei a gaveta ao seu lugar. Foi então que vi um arquivo novo, como se nunca tivesse sido usado, com o título: ‘pessoas com quem falei de Cristo’. O arquivo tinha menos de cinco centímetros de comprimento. Então, as lágrimas vieram. Caí de joelhos e chorei de vergonha, de pura vergonha! Pensei: ‘Ninguém pode entrar aqui. Tenho que trancar a sala e esconder a chave’.
Enquanto eu enxugava as lágrimas, vi Jesus entrando. Ele aproximou-se das gavetas e começou a abri-las, uma por uma, lendo os seus conteúdos. Nos momentos em que eu tive coragem suficiente para olhar Seu rosto, vi uma tristeza bem mais profunda do que a minha. E Ele ia exatamente aos piores títulos...
Finalmente, Ele virou-se e ficou me olhando com piedade, sem nenhuma raiva. Abaixei a cabeça e voltei a chorar, cobrindo a face com as mãos. Ele se aproximou, abraçou-me e chorou comigo. Depois, levantou-se e dirigiu-se para a fila de arquivos. Abriu a primeira gaveta, tirou o cartão e assinou o Seu nome. E assim fez com todos os cartões.
Quando percebi o que Ele estava fazendo, corri em Sua direção e gritei: ‘Por favor, não!’. Tudo o que eu quis dizer foi: ‘Seu nome não pode estar nestes cartões!’. Mas ali ficou escrito num vermelho escuro e vívido o santo nome de Jesus, que cobriu o meu com Seu próprio sangue!
Nunca entenderei como Ele assinou todos os cartões tão depressa, pois quando me dei conta, Ele já havia acabado. Colocou novamente a mão no meu ombro e disse: ‘Tudo está consumado!’.
Depois, Ele levou-me para fora da sala. Disse-me que ainda existem muitos cartões a serem escritos antes da vida eterna e lembrou-me que Deus enviou o seu Filho ao mundo não para julgá-lo, mas para que fosse salvo por Ele.”
Pois é, caro leitor, por toda a internet estão procurando o autor deste texto. Se for seu, sugiro que, nos cartões em branco, escreva casos de puro amor. Mas, como as histórias que irá contar ainda não aconteceram, valorize as qualidades que um ser humano precisa ter para caminhar com dignidade cristã: bondade, humildade, sinceridade e amor próprio. Duas virtudes são para se carregar dentro do peito - humildade e amor próprio - e as outras, de comportamento, devem ser disponibilizadas ao próximo - bondade e sinceridade.
Estas virtudes eu explico com detalhes no livro ‘O Mendigo e o Padeiro’ - a ser lançado no segundo semestre. A obra conta a história de dois personagens que buscam um modelo de felicidade conjugal para ajudar casais com problemas de relacionamento. Procurando respostas para melhorar as vidas das pessoas, o destino de cada um também mudou.
Tenha certeza que com Jesus Cristo no coração, sua vida, leitor, igualmente mudará.

VIVENDO E APRENDENDO - 27 JUNHO 2010

Paulo Roberto Labegalini

A história abaixo veio da França, onde vivem a Sandra e o Ricardo. Ela me encaminhou o texto, com estas palavras no corpo do e-mail: “Ôi Paulo, tudo bem por ai? Muita agitação com os jogos da copa? Por aqui tudo tranquilo, sem agitação, nem parece que estamos tendo uma copa do mundo. Ainda mais agora, com a França fora. Recebi este texto e achei interessante, é por isso que te repasso. Abraço a todos”.
Uma moça tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou que seria um bom momento para se aproximarem.
Durante o trajeto, o pai comentou sobre a degradação de um córrego que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego ao seu lado, lembrou um cenário de Walt Disney e teve a certeza de que ela e o pai realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem sem trocar mais palavras.
Anos depois, a moça fez a mesma viagem por aquela estrada, dessa vez com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se. Do lado esquerdo, o córrego era realmente feio e poluído como seu pai havia descrito, ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista. E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração o comentário do pai, que havia falecido no ano anterior.
Pois é, isso acontece sempre: a gente vê o que mostra a nossa janela e quase nunca a janela do outro. A mesma estrada para uns é infinita; para outros, curta. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está melhorando, enquanto outra parcela da população perdeu totalmente a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator essencial da sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão frias. Assim, muitos grudam o nariz na sua janela, somente nos seus próprios interesses.
E também pela internet recebi um texto de William Shakespeare - poeta e dramaturgo inglês do século 19. Gostei destes trechos:
“Depois de algum tempo você aprende a sutil diferença entre dar as mãos e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de algum tempo você aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la; você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. O que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Bons amigos são a família, que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que amigos mudam; percebe que seu velho amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas - pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada seja uma situação, sempre existem dois lados. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários celebrou. Aprende também que há mais de seus pais em você do que você suponha.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.
Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar atrás; portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar, que é forte para ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E aprende finalmente que a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!”
Eu completaria Shakespeare, dizendo: ‘com Cristo, por Cristo e em Cristo alcançaremos a salvação’. Isto significa: aprender a viver.

COISAS DA VIDA 20 JUNHO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Um sujeito lembrou que era o dia do aniversário da filha e que ainda não havia comprado um presente. Então, entrou numa loja e perguntou à vendedora:
- Quanto custa uma boneca Barbie?
- Depende - respondeu ela. - Temos: Barbie vai à academia, Barbie joga vôlei, Barbie vai às compras, Barbie vai à praia, Barbie vai dançar e Barbie divorciada.
- Tem diferença nos preços?
- A Barbie divorciada custa R$ 265,95 e as outras custam apenas R$ 39,95.
Ele se assustou com o preço da primeira boneca e perguntou:
- Mas, por que a divorciada é tão mais cara que as outras?
- Meu senhor, a Barbie divorciada vem com: o carro do Bob, a casa do Bob, a lancha do Bob, o trailer do Bob, os móveis do Bob e o celular do ex-marido Bob!
Bem, isto é apenas uma brincadeira da internet, mas sabemos que casos como este existem. Na separação de casais, muitos problemas acontecem e nem sempre o bom senso prevalece. Não me refiro somente à partilha de bens, mas, sobretudo, ao amor que deixou de existir.
Compreendo que o desejo dos cônjuges em ficar juntos possa ter acabado, porém, um não precisa ser inimigo do outro. Na intenção de ver o parceiro sofrer, a pessoa mal intencionada começa perder a graça de Deus em sua própria vida. Jesus ensinou: reze pelos seus inimigos.
É simples entender que o amor é um dom gratuito que recebemos no Batismo e não temos o direito de aprisioná-lo. Quando abrimos o coração e o disponibilizamos ao irmão que sofre, se torna caridade. E a verdadeira caridade é aquela que tem sentido de compaixão - como Cristo praticou.
Não basta eu ter pena de alguém; se não acolho o sofrimento do próximo no coração e não me entrego na ajuda que ele precisa, fico distante da solução do problema. Ao adoecer um parente próximo, por exemplo, não nos envolvemos até o pescoço? Pelo menos um pouco desse amor deveria ser compartilhado com outros irmãos de fé, não acha?
Mas, quando entra o bendito dinheiro na história, quase tudo muda de figura. Temos em mente que: não vou repartir aquilo que ganhei com o meu suor; ao pobre dou apenas algumas moedinhas; não pagarei dízimo à Igreja etc.
Voltando a falar do divórcio, o dinheiro também é uma das maiores causas dos conflitos, principalmente durante e após a separação. Quem é rico, se apega tanto aos bens que parece ter medo de ficar pobre! Quem não tem muito, parece que quer deixar o parceiro na miséria! Será tão difícil entender que Deus deu a ambos - juntos! - a graça de possuírem alguns bens materiais aqui na Terra? Por que um precisa fechar a porta para o outro? E quem cuida da tristeza dos filhos quando cada um só pensa em si?
Hoje em dia, casais separados são comuns em nosso meio. Mesmo com aconselhamento que ‘a união se deu para sempre’, a Igreja Católica os acolhe com carinho e os orienta a perseverar na fé. Para isso, algumas reflexões de vida precisam periodicamente acontecer, como nesta história que já contei nesta coluna e revivi na reunião de Ministros da Comunhão Eucarística na semana passada.
Um grupo de jovens formados e bem estabelecidos em suas carreiras decidiu visitar um velho professor da faculdade que sempre serviu de inspiração para eles. Durante a visita, o bate-papo se transformou em reclamação sobre o estresse em seus trabalhos e relacionamentos.
Ao oferecer chocolate quente a seus ex-alunos, o professor foi à cozinha e retornou com uma jarra cheia da bebida e com grande variedade de canecos. Alguns eram de porcelana, outros de vidro e de cristal, uns simples, outros caros e bonitos, e até alguns bem feios. Então, ele os convidou a se servirem da bebida.
Quando todos já estavam com o chocolate quente em mãos, o professor compartilhou seu pensamento:
Percebam que os canecos caros e bonitos foram os escolhidos, e que os simples e baratos foram deixados na mesa. Embora vocês achem normal desejarem os melhores para si, é aí que está a fonte dos problemas. O caneco no qual cada um está bebendo não acrescenta nada à qualidade da bebida; na maioria das vezes ele é apenas mais caro ou esconde o que se está bebendo. Vocês não queriam os canecos, apenas chocolate, mas inconscientemente escolheram os melhores.
Agora, por favor, considerem o seguinte: a vida é o chocolate quente; o emprego, o dinheiro e a posição na sociedade são os canecos - apenas ferramentas que fazem parte da vida. Às vezes, ao concentrarmo-nos somente no caneco, deixamos de saborear o chocolate que o Céu tem nos ofertado. Lembrem-se sempre disto: Deus provê o chocolate; Ele não escolhe o caneco!
As pessoas mais felizes não são as que têm o melhor de tudo, mas as que fazem o melhor de tudo que têm. Viva simplesmente, ame generosamente, cuide-se imensamente, fale bondosamente e deixe o resto com Deus. Os mais ricos não são os que têm mais, mas os que precisam de menos.
Agora, aproveite você também, leitor, seu chocolate quente!

NOSSAS PROMESSAS - 13 JUNHO 2010

Paulo Roberto Labegalini

O rei de um povo sofrido era conhecido pela sua valentia nas batalhas. Quando o país entrava em guerra, ele era o primeiro que montava em seu belo cavalo e saia à frente para a luta. Com isso, ganhava fama e respeito.
Um dia, porém, o cavalo preto adoeceu e passou a preocupar o rei. Sem aquele fiel aliado, o monarca sentia-se inseguro para enfrentar os inimigos. O cavalo não melhorava e o rei deixou de ficar à frente nas batalhas. Então, disseram a ele que havia um homem que poderia aconselhá-lo a sair daquela situação; e o rei foi procurar o sábio que lhe indicaram.
Viajou dois dias no lombo de outro cavalo e chegou à humilde casa de um homem muito velho que mal podia andar. Contando sua angústia ao sábio, ouviu este conselho:
- Não deixe para depois o que é mais importante em sua vida. Se o cavalo preto está doente há tanto tempo, vossa majestade já deveria ter adestrado outro animal. Faça-o imediatamente ou perderá o seu reino.
Revoltado com o conselho que recebeu, o rei mandou prender o velho sábio e retornou a galope para o palácio. Continuou tentando recuperar a saúde do cavalo de estimação e perdendo guerras. Mais algum tempo se passou e os invasores tomaram o trono do monarca.
Colocado na mesma cela em que estava o sábio que prendeu, o rei ouvia sempre estas palavras: ‘Nada é tão bom que nunca se acabe ou tão ruim que perdure para sempre. Precisamos cuidar do presente para plantarmos um futuro melhor’.
Pois é, que esta lição sirva também para a nossa vida. Vivendo agora a Copa do Mundo de Futebol, lembro-me que há oito anos eu estendi uma bandeira do Brasil no terraço do meu apartamento. Quando saía gol da nossa seleção, eu e meus filhos balançávamos a bandeira para fora do prédio. Depois disso, o pano estragou e eu prometi que compraria outra bandeira, mas ficou só na promessa.
Há três anos, perto do Natal, eu enfeitei a grade da frente do apartamento com lâmpadas coloridas. A decoração ficou bonita, mas estragou já no ano seguinte e prometi que faria algo melhor. O tempo passou, eu estive ainda mais ocupado e hoje não há luzes para acender.
Ah, outra promessa que deixei de cumprir foi me exercitar diariamente na bicicleta ergométrica que comprei. Naquela época, disseram-me que iria virar cabide, e foi o que aconteceu. Então, no mês passado, adquiri uma esteira eletrônica e prometi à família que iria caminhar nela todos os dias. Já está difícil manter esse ritmo, mas tentarei não decepcionar.
Ainda preciso ver se cumpro outras promessas que fiz há anos: ler alguns bons livros guardados, visitar amigos em São Paulo, arrumar as gavetas em que guardo meus pertences, estudar o manual do teclado... Acho que preciso parar de prometer!
Contudo, nada disso é mais importante em minha vida do que a missão na evangelização. Isto eu não posso deixar de cumprir porque comprometeria o plano de salvação que Deus tem para algumas pessoas, inclusive eu! Não deixarei para depois as tarefas que Jesus confiou a mim.
Precisei trocar alguns ‘cavalos pretos’ e substituí-los por outros para transpor obstáculos; mas, a caminhada não parou. Quantas vezes tive vontade de dizer: ‘hoje não’ ou ‘estou com preguiça’; porém, eu lembrava que o Pai me dava saúde, paz e fé no coração para servi-Lo. Da mesma forma que aprendi a perdoar, eu precisava passar esse amor às pessoas que ainda sentiam ódio dos irmãos. E da mesma forma que fui curado, eu precisava testemunhar a confiança que devemos ter na oração.
Assim, valorizando cada vez mais o sagrado, fui deixando de cumprir algumas promessas menos importantes. Quem sabe um dia, a minha bicicleta voltará a funcionar, as luzes e a bandeira do terraço voltarão a existir, alguns livros sairão da gaveta... Enquanto isso não acontece, cabe a mim: continuar servindo os pobres como Vicentino, coordenar um grupo de agentes da Pastoral Familiar, cantar nas missas com minha filha, estar presente a cada quinze dias na Escola Vivencial do Cursilho, participar mensalmente do nosso Ovisinha, além das Celebrações da Eucaristia sempre, sempre, sempre.
E você, leitor, tem deixado para depois os compromissos missionários de cristão batizado na Igreja Católica? Se ainda nem começou a cumprir essas ‘promessas’, imagine quantas pessoas já poderiam ter se convertido por seu intermédio!
Domingo passado, numa palestra que ouvi do religioso Mauro - Missionário do Sagrado Coração que se tornará diácono dia 4 de julho -, ficou claro o amor de Deus por nós. Ele citou as promessas que Jesus fez à humanidade no século XVII por meio de Santa Margarida Maria Alacoque. Eis a primeira e a última promessas:
“A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”; “A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna”.
Diferente de mim, Ele sempre cumpre suas promessas.

MINHAS RECORDAÇÕES - 6 JUNHO 2020

Paulo Roberto Labegalini

A primeira vez que pisei em Itajubá-MG foi para prestar vestibular em dezembro de 1973. Vindo de Monte Sião, lembro que o ônibus passou por lugares cheios d’água perto de Santa Rita e eu comentei com um amigo: ‘Choveu muito por aqui!’
Passei a noite num quarto do ‘Prédio do Nagib’ no bairro da Varginha. O local, alugado para estudantes, às vezes virava uma bagunça à noite. Pude testemunhar isso porque, no ano seguinte, já cursando Engenharia Civil, morei no primeiro andar do pequeno edifício. E quando não aguentei mais a falta de sossego, fui para uma pensão na Rua Silvestre Ferraz, onde eu era muito querido pela Dª. Geralda.
E 1975 foi muito corrido! Eu dividia o tempo entre a faculdade e o Batalhão. O segundo ano de engenharia exigia dedicação nos estudos e o NPOR também não deixava por menos. Quantas vezes eu chegava de farda para assistir aula e, meio envergonhado, percebia olhares estranhos de toda parte. Ainda bem que os professores entendiam o meu esforço e, quando perdia provas, davam outros testes para eu fazer.
Nunca poderia imaginar que eu viria a ser colega de trabalho do Bonaldi, Chicão, Hermeto, Costanti, Ulderico, Márcio Tadeu, Fredmarck, Rocha, Djalma e tantos outros. O mundo é tão pequeno que, na EFEI, até chefe de alguns deles eu fui, mas sempre com humildade e muito respeito por grandes cabeças que eram. Desde 1979, quando ingressei na Escola Federal de Engenharia, aprendi bastante e fui ajudado por muita gente, como o Márcio Tadeu que me propôs escrevermos livros juntos e me orientou no Mestrado.
Anos depois, recebi um certificado que muito me honrou: fui diplomado pela Associação dos Ex-alunos da EFEI. E parti para o Doutorado na Poli da USP, que conclui em 1998. Até então, eu me dedicava às coisas do mundo - algumas fundamentais para a profissão, mas não tão importantes para a missão maior que me esperava.
Então, na mesma época, iniciei minha caminhada como agente de Pastorais da Igreja Católica. Fundei um ministério de música, fiz OVISA, Cusilho de Cristandade, tornei-me Vicentino e passei a escrever para ‘O Sul de Minas’. Este texto é o artigo 634 em 13 anos de evangelização. Em decorrência disso tudo, há dois anos recebi uma homenagem da ‘Câmara dos Dirigentes Lojistas de Itajubá’ por serviços prestados à comunidade.
E na cidade de Nossa Senhora da Soledade nasceram meus três filhos, fiz amigos, rezei, sorri, chorei, apresentei programas de rádio e aprendi com a vida. Entre erros e acertos, acho que o balanço já é positivo. Orgulho-me de ser Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística e coordenar alguns grupos que desempenham trabalhos relevantes na cidade: Pastoral Familiar, Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, Natal no Campus; além de ser responsável pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da UNIFEI. Muita gente interage comigo para ajudar o próximo, principalmente minha esposa.
Também sinto saudades de algumas boas almas que estão junto de Deus. Na semana passada, fui ao velório do professor Álvaro Pereira Rizzi e percebi o quanto o admirava como mestre e ilustre cidadão. Rezei em nome dos alunos que ele tanto ajudou e lembrei que, cada vez que nos encontrávamos, ele elogiava algum artigo que eu escrevia.
Certo dia, na Avenida Paulo Chiaradia, eu estava com pressa e buzinei para alguém que dirigia à minha frente. Imediatamente o motorista deu-me passagem e, quando ultrapassei, vi que era o professor Rizzi. Virei o rosto para ele não me conhecer e fiquei com remorso, pensando: ‘Eu poderia ter buzinado para qualquer outra pessoa, menos para ele. Como fui malcriado!’.
Sempre quis me desculpar com o meu ex-professor, mas preferi compartilhar coisas melhores nas raras vezes que conversamos - para aprender um pouco mais com aquele homem exemplar.
Pois é, o tempo é impiedoso! Mesmo sabendo aproveitá-lo, alguns momentos não voltam mais. A única coisa que fica é a Palavra de Deus, que também falou alto em meu coração nesta cidade que aprendi a amar. São Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja que viveu no século VI, ao comentar o capítulo 10 do Evangelho de São Marcos - onde o cego Bartimeu gritou para Jesus em Jericó e foi curado -, disse:
“Com razão, a Escritura nos apresenta este cego sentado à beira do caminho e pedindo esmola, porque a Verdade diz acerca de Si mesma: ‘Eu sou o caminho’. Assim, todo aquele que ignora a claridade da luz eterna é cego.
Se cremos no Redentor, estamos sentados à beira do caminho; mas se desprezamos pedir que nos seja dada a luz eterna e a oração, ainda não pedimos esmola. Porém, se conhecemos a cegueira do nosso coração e oramos a fim de recebermos a luz da verdade, então somos efetivamente este cego sentado à beira do caminho que pede esmola.
Assim, aquele que reconhece as trevas da sua cegueira e sente a privação da luz eterna, grite com toda a sua alma: Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!”
Portanto, enquanto Deus permitir, continuarei gritando para Itajubá ouvir.

CRIATIVIDADE NA EVANGELIZAÇÃO - 30 Maio 2010

Paulo Roberto Labegalini

Um dia, diante de um pinheiro todo vergado pelo tempo, o sábio da aldeia ofereceu a sua própria casa para aquele discípulo que conseguisse vê-lo na posição correta. Todos se aproximaram e ficaram pensando na possibilidade de ganhar a propriedade e prestígio; mas como seria enxergar o pinheiro na posição correta?
O mesmo era tão torto que a pessoa candidata ao prêmio teria que ser meio contorcionista. Portanto, ninguém ganhou o prêmio e o velho sábio explicou ao povo ansioso que ver aquele pinheiro em sua posição correta era vê-lo como uma árvore torta. E completou:
- Nós temos essa mania de querer consertar as coisas, as pessoas, e tudo mais de acordo com a nossa visão pessoal. Quando olhamos para uma árvore torta é extremamente importante enxergá-la torta, sem querer endireitá-la, pois é assim que ela é. Se tentarmos endireitá-la, ela vai rachar e morrer. Também nos nossos relacionamentos, é comum um criar no outro expectativas próprias, esperar que o outro faça aquilo que ele sonha e não o que pode lhe oferecer.
Pois é, concordo que sofremos antecipadamente por criarmos expectativas que não estão ao alcance dos outros, porque temos essa visão de consertar o que achamos errado. Se tentássemos enxergar as coisas como elas realmente são, muito sofrimento seria poupado. Os pais também sofreriam menos com os filhos, pois, conhecendo-os, não colocariam expectativas falsas nas suas vidas, gerando crianças frustradas, rebeldes e inseguras.
Pelo menos tente ver as pessoas como são. Pare de imaginar como deveriam ser e não insista em consertá-las da maneira que somente você acha bonito. Crie menos dificuldades no relacionamento; se vemos as coisas como são, muitos problemas deixam de existir, sem brigas, sem ressentimentos.
Olhe para você mesmo com ‘olhos otimistas’ e enxergue as coisas que ainda deve fazer e não fez. Pode ser que a sua árvore seja torta aos olhos de outras pessoas, mas pode vir a ser a mais frutífera, a mais bonita, a mais perfumada da região.
E quando faltam opções para engrandecer a alma, duas coisas podem ser buscadas: criatividade e evangelização. Ambas podem ser praticadas numa única ação: criatividade na evangelização. Esta opção sempre existirá para qualquer pessoa temente a Deus, e os resultados são maravilhosos, tanto pessoais quanto comunitários.
Todos nós somos criativos em maior ou menor grau; basta sabermos usar a criatividade para alcançarmos, com simplicidade, alguns resultados desejados. No trabalho, por exemplo, se o patrão nos cobra um serviço urgente e o tempo não é suficiente para realizá-lo adequadamente, a criatividade pode ser praticada para o sucesso da missão.
Nos estudos, muitos alunos conseguem bons resultados por serem criativos no aprendizado: inventam artifícios diversos para decorar fórmulas; destacam aspectos importantes da matéria para resumir; fazem questionários, simulando a própria prova etc.
Também podemos usar do nosso poder criativo e ajudar muitos irmãos a seguir pelos caminhos da fé. Um simples objeto religioso à mostra no nosso corpo serve como instrumento de evangelização. Pode ser uma camiseta, um terço, uma corrente, um broche, enfim, um símbolo que destaque a fé e dê abertura para outras pessoas se sentirem atraídas por aquela mensagem.
Colocar um adesivo plástico no vidro do carro é um outro recurso válido e barato para evangelizar. Têm imagens de Jesus e de Maria belíssimas que chamam a atenção! Basta ser criativo: escolhendo uma bela estampa e a divulgando em local de destaque.
Além desses meios, eu procuro evangelizar com testemunhos de fatos vividos em família ou na comunidade. Por serem casos reais que provam o amor de Jesus e de Nossa Senhora por nós, geralmente tocam profundamente nas pessoas. Assim, fica mais fácil amolecer certos corações e conduzi-los para junto de Deus.
Na evangelização, o importante é nunca faltar humildade no relacionamento com os irmãos desgarrados, e sempre rezar com confiança - pedindo ao Espírito Santo que nos ilumine para resgatar almas perdidas.
Mas, falando de criatividade, não dá para esgotar o assunto. Cada um pode e deve colocar em prática o dom criativo que Deus lhe deu e ajudar a chamar pessoas para o trabalho em comunidade. Se nos unirmos contra as ciladas do demônio, nos afastaremos do pecado e alcançaremos mais graças do Céu.
Ao ressuscitar, Jesus nos mostrou que ‘quem ri por último ri melhor’. Portanto, a cada alma que ajudarmos a chegar ao Paraíso, cumpriremos parte da nossa missão e provocaremos boas gargalhadas dos anjos da guarda.
Então, se você ainda não procurou ajudar a Deus no processo de pescar e salvar almas, tenha coragem, seja criativo e tente. Logo verá que valeu a pena!

APRENDER PARA RECONSTRUIR - 23 MAIO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Esta é a narrativa de um homem que estava infeliz com tudo o que lhe acontecia:
“Certo dia, decidi dar-me por vencido. Renunciei ao meu trabalho, às minhas relações, à minha espiritualidade, até à minha vida. Dirigi-me ao bosque para ter uma última conversa com Deus:
- Senhor, poderias dar-me uma boa razão para eu não entregar os pontos?
A resposta me surpreendeu:
- Olha ao redor. Estás vendo a samambaia e o bambu? Pois bem, quando os semeei cuidei deles muito bem, não lhes deixei faltar luz e água. A samambaia cresceu rapidamente, seu verde brilhante cobria o solo; porém, da semente do bambu nada saía. E, apesar disso, eu não desisti do bambu. No segundo ano, a samambaia cresceu ainda mais brilhante e viçosa; da semente do bambu, nada apareceu. Mas não desisti do triste bambu. No terceiro ano, no quarto, a mesma coisa; mas no quinto ano, um pequeno broto saiu da terra. Aparentemente, em comparação com a samambaia, era muito pequeno, até insignificante. Depois, o bambu cresceu mais de 20 metros.
Fui ouvindo e imaginando o final da história. E Deus continuou:
- O bambu ficou cinco anos afundando raízes, que o tornaram forte e lhe deram o necessário para sobreviver. A nenhuma de minhas criaturas eu faria um desafio que não pudessem superar.
E parecendo olhar bem no meu íntimo, concluiu:
- Sabes que durante todo esse tempo em que vens lutando estavas criando raízes? Eu jamais desisti do bambu e nunca desistirei de ti. Peço que não te compares com os outros. O bambu foi criado com uma finalidade diferente da samambaia, mas ambos eram necessários para fazer do bosque um lugar bonito. Teu tempo vai chegar. Crescerás muito!
- Quanto tenho que crescer? - perguntei.
- Tão alto quanto o bambu - foi a última resposta.”
Pode deduzir, leitor, que Deus quis dizer: ‘Tão alto quanto quiser que eu te ajude!’ Assim, espero que estas palavras também possam ajudá-lo a entender que Jesus nunca desistirá de você. Nunca se arrependa de um dia vivido - os bons trouxeram felicidade, os maus deram-lhe experiência. Ambos são essenciais para a vida. A felicidade adiciona doçura e os problemas nos mantêm fortes. O sucesso alimenta o ego, mas só Deus nos mantém caminhando rumo ao Céu.
Para viver melhor, o importante é sabermos aproveitar tudo o que encontramos pela frente. Imagine alguma pedra que surge no caminho... Isto já aconteceu com muitas outras pessoas...
O distraído nela tropeçou, o bruto a usou como projétil, o empreendedor a empregou para construir, o camponês fez dela um assento... Para meninos, foi brinquedo; Carlos Drummond de Andrade a poetizou; com ela, David matou Golias e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura. Em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe pedra no caminho que não possa ser aproveitada para o próprio crescimento.
Lembre-se que cada instante que passa é uma gota de vida que nunca mais volta. Aproveite para evoluir e saiba tirar o melhor proveito, pois talvez não terá tantas outras chances de reconstruir. Amar como Jesus amou não é fácil, sabemos, mas se cada um tentasse aplicar isso em sua vida de vez em quando, quem sabe se tornaria um hábito natural?
Julgamos as pessoas e vivemos criticando o que fazem ou deixam de fazer, o que é próprio do ser humano, concorda? Mesmo assim, não é óbvio que sem amor no coração as coisas não irão melhorar? E se um tratamento mais carinhoso não partir de quem critica, fica ainda mais difícil mudar o que está errado e reconstruir relacionamentos pacíficos.
Como é gostoso saber que somos compreendidos em nossas virtudes e defeitos! Durante a Festa Social de Nossa Senhora do Sagrado Coração, enquanto eu vendia doces, aproximou-se um cidadão chamado Gerson para dizer que comprava o jornal O Sul de Minas para ler semanalmente esta coluna. Fez mais alguns elogios e foi-se embora, mas ficou o sentimento positivo de reconhecimento pelo meu trabalho na evangelização. Pedi que não deixasse de rezar por mim, e eu rezo por ele.
Assim o Reino de Deus será construído: Ele falando e nossos corações aceitando cumprir Sua vontade. Um dia nos esforçamos mais, outros menos, mas todos os dias sem pecados mortais nas costas. Não é tão difícil como algumas pessoas imaginam; basta tentar e ver que o ‘bambu’ começará a crescer.
Até o Papa Bento XVI já foi ‘samambaia’ e continuaria sendo pelo resto da vida se não aceitasse o plano de amor que Deus tinha para a sua vida. Tenho certeza que transpôs barreiras imensas para servir com retidão e se tornou o nosso maior pastor. Segundo as palavras de Jesus, o que o Papa ligar na Terra será ligado no Céu.
Portanto, quem aprender a crescer como um bambu de 20 metros, faltará pouco para essa conexão com o Paraíso.

TRABALHO DE FORMIGUINHA - 16 MAIO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Era uma vez uma formiguinha asseada, que se vestia diferente das outras e se considerava a mais bonita. Sonhava em viajar pelo mundo e adorava passear no bosque.
A rainha Paciência ficava de olho nela, pois a formiguinha vivia nas nuvens e, com o inverno chegando, tinham que encher a despensa com bastante alimento. A formiguinha trabalhava sozinha, pois detestava as longas filas das formigas.
Um dia ela resolveu se libertar:
- Não aguento mais essa vida de andar umas atrás da outras. Quero ser independente, conhecer o mundo! Trabalha-se demais aqui e ninguém curte a vida. Vivemos todos num formigueiro super-apertado!
Então, quando todas dormiam, ela arrumou a trouxinha e saiu atrás de aventuras. Andando, prestava atenção em tudo: cada árvore diferente, cada pedra, cada flor. Mas, onde ela iria passar a noite?
Ouviu um barulho que vinha debaixo da mangueira elegante. Teve a ousadia de entrar no formigueiro e o que viu a deixou chocada: um monte de formigas trabalhando com correntes amarradas nas pernas! Formigas velhas, crianças, doentes; que loucura era aquilo?
Logo soube que estava no buraco-prisão, pertencente ao formigueiro da rainha Ditadura. Lá, ninguém fugia porque temiam maldades maiores por parte da rainha. Imediatamente, a formiguinha resolveu soltá-las e promover uma revolução.
Depois que todas estavam soltas e os vigias presos, as mais fortes carregaram nas costas as fraquinhas e saíram correndo mais rápido que coelho assustado com bomba de São João. Quando o dia amanheceu, elas já estavam bem longe da prisão. Daí, a formiguinha Aventureira reuniu todas numa pedra e fez uma reunião.
- Amigas, vocês agora são livres. Podem fazer com as suas vidas o que quiserem. Ficarei aqui uns dias até ver que se organizaram e a primeira coisa que faremos é um formigueiro bem bonito.
Ela logo lhes ensinou a dividir tarefas de forma que tivessem tempo livre para se divertirem, sem fila, cada uma fazendo sua parte. Era tanta competência que tentaram eleger a formiguinha Aventureira como rainha oficial do grupo, mas a saudade bateu no coração e ela resolveu voltar às origens. Fez sua trouxinha e...
E o que? Como termino a história? A rainha Paciência a recebe feliz ou a expulsa por tê-la abandonado? Será que existe perdão no coração de uma formiga?
Pois é, herdamos dons maravilhosos e não os valorizamos como Jesus nos ensinou. Às vezes, até numa simples história torcemos por um final feliz e nos sentimos recompensados por isso, mas fazemos tudo ao contrário em nossa própria vida. Os anos passam, as oportunidades de felicidade não se renovam e a Palavra de Deus fica em segundo plano - segundo ou último, quem sabe!
Eu nunca ouvi alguém dizer que se arrependeu de perdoar, exceto quando o perdão não foi concedido com amor. Quem ama de coração tem compaixão do próximo e perdoa principalmente os mais próximos, tipo: parentes de sangue, cônjuges, colegas de trabalho, vizinhos. Depois da reconciliação, uma carga enorme de rancor sai do coração e abre espaço para sentimentos mais nobres - que agradam a Deus.
Sempre prego isto e pode parecer que vivo sem problemas com meus irmãos, o que não é verdade. Mesmo nas comunidades religiosas, existem fatos que nos magoam imensamente e poderiam ser motivos para distanciamento entre as pessoas, porém, precisa prevalecer a correção cristã acima de tudo. Jesus perdoava e dizia: “Vá e não volte a pecar”.
Imagine você, leitor, mais de 350 pessoas trabalhando numa festa por vários dias, se ‘esbarrando’ a toda hora, sem se conhecerem direito. E mais: servindo milhares de pessoas por dia que vêm de lugares e culturas diferentes. Dá para responder por quê não acontecem brigas feias na prestação do serviço? Não seria comum existirem conflitos sem soluções em curto prazo?
A resposta é simples: se estão servindo a Deus sob a proteção de Maria Santíssima, tudo se resolve com relativa tranquilidade. Foi assim na Festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração, onde provações aconteceram e graças também. Com orações e a liderança do Padre Maristelo, alcançamos o nosso objetivo: homenagear nossa Padroeira com alegria e muita paz.
E se alguém me perguntasse o motivo que nos leva a largar todos os afazeres pessoais, profissionais e familiares para trabalhar na festa, eu perguntaria aos coordenadores da parte social deste ano - Claudinho, Inez, João Carlos e Suely. Perguntei e os festeiros me responderam:
- Formamos uma Igreja viva unida em Jesus Cristo. Assim como Maria, poderíamos nos acomodar e não aceitar o chamado de Deus, mas imitamos nossa querida Mãe e dissemos ‘sim’. Cristão comprometido é isso: disponibilidade para construir o Reino de Amor aqui na Terra.
Em nome de todos os agentes da nossa Comunidade, agradeço demais as formiguinhas que nos ajudaram. Que a Rainha desse ‘imenso formigueiro’ as recompense eternamente. Amém!

FESTA NO INSTITUTO PADRE NICOLAU – 9 Maio 2014

Paulo Roberto Labegalini

Quando alguém me pergunta por que sou tão apaixonado por Nossa Senhora, digo que tenho muitas histórias para contar. Alguns fatos são recentes e, outros, nem mesmo eu sabia que influenciariam tanto em minha vida.
Repito o que já escrevi em livro: minhas avós e bisavós eram marianas fervorosas e viviam com o Terço nas mãos, assim como mamãe o faz até hoje, graças a Deus. Principalmente por isso, temos recebido incontáveis bênçãos na família, talvez em igual número às Ave-Marias rezadas por elas.
Minha mãe contou-me que se eu nascesse mulher, iria chamar Maria Auxiliadora; porém, o nome abençoado da Mãe de Deus acabou ficando com a minha irmã: Maria Aparecida. Mas era eu que, de pequeno, gostava de ir à igreja e alguns parentes até diziam: ‘Este menino vai ser padre!’. Essa não foi a vontade do Senhor; contudo, dedico praticamente todo o meu tempo livre às coisas do Reino.
Cresci frequentando a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em São Paulo. Aos dezessete anos, mudei-me para Monte Sião e assistia missas no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Vim fazer faculdade em Itajubá, passei a participar das celebrações na Matriz Nossa Senhora da Soledade e, hoje, como todos sabem, faço parte da Comunidade de Nossa Senhora do Sagrado Coração. E, se você acha que os títulos de Maria foram apenas coincidências em minha vida, com certeza, não foram.
Sou feliz por ver minha família caminhando com Maria nos passos de Jesus. Posso afirmar que a Rainha da Paz transformou os corações de todos e não deixa que haja grandes desavenças entre nós. Acabaram as brigas e confusões no meu lar e vivemos em clima de oração.
Tenho muitas histórias de graças alcançadas por meio de pedidos feitos a vários títulos da Virgem Maria. Contarei um grande favor que consegui de Nossa Senhora do Sagrado Coração; na verdade, o início da minha conversão eu devo a ela.
Eis o que escrevi no livro ‘Minha Vida de Milagres’ – Editora Santuário:
“Em 1994, quando comecei a cursar Doutorado na USP, eu passava a semana hospedado na casa da minha irmã, em Campinas. Sobre a mesa que eu estudava, havia uma pequena medalha que ‘me fazia companhia’ todos os dias. Antes de abrir os livros, eu dava um beijo na medalhinha e a colocava de volta.
Com o passar do tempo, achei estranho aquele lindo objeto continuar ali, porque muitas outras coisas eram deixadas e tiradas da mesa quando a faxineira arrumava a casa, mas a medalha permanecia no mesmo lugar. Um dia, perguntei à minha irmã de quem era a bonita medalhinha e ela me respondeu que, talvez, algum de seus filhos a tivesse ganho e nem se lembrava mais como foi parar naquela mesa. E completou: ‘Se quiser, pode ficar pra você’.
Naquela época, eu usava uma corrente no pescoço sem nada pendurado nela – pura vaidade! Então, coloquei a medalha e depois fiquei sabendo pela minha mãe que a imagem era de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Soube também que, quando eu era pequeno, todos os anos íamos à festa dela no Santuário Nacional de Vila Formosa, na capital paulista.
Bem, depois que comecei a carregá-la no peito, tudo foi mudando: passei a rezar o Terço, aceitei o chamado para coordenar um ministério de música católica, me envolvi com vários trabalhos em comunidade e, principalmente, o meu coração foi se tornando mais manso e humilde – semelhante ao Coração do Filho, que Nossa Senhora mostrava-me na imagem que pendurei na corrente.
E quando percebi que a medalha estava se estragando devido o uso, não tive dúvidas em substituí-la por outra e a guardei como lembrança da minha conversão. Às vezes, eu a retiro da gaveta, mostro a alguém que conhece esta história e explico: ‘Não é um objeto de sorte, mas devocional. Maria Santíssima não está nele, porém, por ter sido bento, é sagrado e um grande sinal de Deus, além de servir de inspiração nas orações’.
Muitos anos se passaram e pude retribuir um pouco da graça que recebi de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Trabalhando na comunidade em que ela é Padroeira, procuro me esforçar no serviço gratuito e sincero para me aproximar mais do amor de Deus. É emocionante cantar o ‘Lembrai-vos’ olhando para a linda imagem da querida Mãezinha no altar.”
Até parece que foi ontem que escrevi tudo isto, porque meu amor à querida Mãezinha só aumenta. A Novena deste ano conta com a participação das paróquias da cidade, além de outras da região: Piranguçu, Delfim Moreira e Maria da Fé. As celebrações estão muito bonitas, alternando momentos de alegria e emoção, sempre refletindo no tema: ‘Maria, mulher eucarística, espelho da unidade’.
E a festa social acontece de 13 a 16 de maio. Ainda dá tempo de você comparecer e se confraternizar conosco. Além de comes e bebes deliciosos, há bingo e música para se divertir. Eu e minha esposa estamos na barraca de doces, oferecendo somente coisas gostosas: canjica, choconhaque, bolos recheados, rocambole, tortas e pudins - deu até água na boca ao escrever isto! Que Jesus abençoe imensamente todos que nos ajudaram!
Viva Nossa Senhora do Sagrado Coração! Viva!

A SANTA MÃE IGREJA - 2 Maio 2010

Paulo Roberto Labegalini

Um jovem cumpria seu dever no exército, mas era ridicularizado por ser cristão comprometido com a fé católica. Um dia, na intenção de humilhá-lo na frente do pelotão, o sargento da tropa pregou-lhe uma peça:
- Soldado Coelho, pegue esta chave, vá até aquele jipe e o estacione ali na frente.
- Mas, sargento, o senhor sabe que eu não sei dirigir!
- Soldado Coelho, eu não lhe perguntei nada. Vá até o jipe e faça o que lhe ordenei. Peça ajuda ao seu Deus e mostre-nos que Ele o ama.
O soldado, então, pegou a chave e foi até o veículo. Sentou-se no banco do motorista e fez esta oração: ‘Jesus, guia as minhas mãos e mostra a estas pessoas a tua fidelidade. Eu confio em Ti, Senhor, e sei que podes me ajudar. Amém’.
Em seguida, o garoto manobrou o jipe e o estacionou como queria o seu superior. Ao sair do veículo, viu todo o pelotão chorando e alguns de joelhos.
- O que houve gente? - indagou o soldado.
- Nós queremos o teu Deus, Coelho. Como fazemos para tê-lo? - perguntou o sargento.
- Basta aceitá-lo como Salvador; mas, por que todos decidiram por Jesus Cristo?
O superior pegou o soldado pelo braço e caminhou com ele até o jipe enquanto enxugava as lágrimas. Daí, levantou o capô e mostrou que o veículo não tinha motor!
Bem, eu sei, é só uma história, certo? Contudo, leitor, você acredita que isto pode acontecer ou acha que até Deus tem limites para fazer milagres? Quem já viu de perto graças impressionantes acontecerem - como eu, por exemplo -, sabe que nada é impossível neste mundo. E àquele que não tem fé, eu peço que espere um pouco mais. No tempo de Deus, aquilo que merece ser-lhe-á dado.
E se você está passando por provações não se desespere, pois Deus tem visto suas lutas. Confie que os maiores problemas estão chegando ao fim. Continue rezando na certeza que uma bênção maior está direcionada a você. No tempo certo, Ele lhe dará a vitória. Enquanto isso, não complique as coisas como nesta outra história:
Sherlock Holmes e Dr. Watson foram acampar. Montaram a barraca e, depois da refeição e algumas garrafas de vinho, deitaram-se para dormir. Horas depois, Holmes acordou e cutucou seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga o que vê.
- Vejo milhares de estrelas - respondeu o amigo.
- E o que isso significa? - perguntou Holmes.
Watson ponderou por um minuto e depois enumerou:
- Astronomicamente, significa que há milhares de galáxias e, potencialmente, milhões de planetas. Astrologicamente, observo que Saturno está em Leão e teremos um dia de sorte. Temporalmente, deduzo que são aproximadamente 3h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar. Teologicamente, posso ver que Deus é todo poderoso e somos insignificantes diante d’Ele. Metereologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Então, está tudo correto, senhor?
Holmes ficou uns instantes em silêncio e respondeu:
- Watson, seu idiota, significa apenas que alguém roubou a nossa barraca!
Pois é, a vida é simples, nós é que temos a mania de complicar. Também na religião, vejo com muita simplicidade algumas verdades que aprendi na infância. Este texto que recebi do amigo Ruy Márcio retrata um pouco disso:
Nossa família se difundiu pelo mundo e é feita de todas as raças; somos jovens e velhos, ricos e pobres, pecadores e santos. Com a graça de Deus, abrimos hospitais para cuidar dos doentes, fundamos orfanatos e ajudamos os necessitados. Somos a maior organização caritativa do planeta, trazendo alívio e conforto para aqueles que tanto precisam.
Nós educamos mais crianças do que qualquer outra instituição, defendemos a dignidade de toda vida humana, preservamos o casamento e a família. Cidades receberam os nomes de nossos venerados santos, que percorreram o caminho do Céu antes de nós. Guiados pelo Espírito Santo, compilamos a Bíblia. Somos transformados pela Sagrada Escritura e pela Sagrada Tradição, que nos têm guiado firmemente por mais de dois mil anos!
Nós somos a Igreja Católica, com mais de um bilhão de pessoas na família, compartilhando sacramentos e plenitude da fé cristã. Por séculos, temos rezado por você e por todo o mundo, a cada hora, a cada dia, sempre que celebramos a missa. O próprio Jesus lançou os fundamentos da nossa fé quando disse a Pedro, o primeiro Papa: “Tu é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. A partir disso, nós tivemos uma linha ininterrupta de pastores guiando a Igreja Católica, com amor e verdade, num mundo confuso e doloroso de viver.
E nesse mundo cheio de caos, dificuldades e dor, é reconfortante saber que algumas coisas permanecem coerentes e fortes: nossa fé católica e o eterno amor que Deus tem por toda a criação. Portanto, se você está fora da nossa Igreja, o convidamos a voltar. Nossa família é unida em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Também temos as infalíveis proteções da Virgem Maria, dos anjos e dos santos.
Nós somos católicos, apostólicos, romanos. Bem vindo à sua casa!

OS DOZE ‘SIM’ DE MARIA – PARTE II – 25 Abril 2010

Paulo Roberto Labegalini

Alguns de meus artigos rendem um pouco mais daquilo que normalmente se pode esperar nesse tipo de evangelização. Na semana passada, quando comentei as intenções das dez Ave Maria que rezei, diversos amigos pediram mais uma por outra causa ou ofereceram orações a mim. Rezando mais, se aproximaram dos céus e novas graças também receberam.
Oração é um banho em Deus, um mergulho no amor Divino; e quem faz uma experiência profunda na fé altera o futuro de muitas pessoas, como São Francisco que, mudando de vida, transformou o rumo da História. Portanto, o banho em Deus nunca é sozinho.
Ouvi isto do Padre Maristelo no Retiro para a Festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração, sábado passado, dia 24. Ele fez reflexões a partir do documento: ‘Maria, rumo ao novo milênio”, publicado pela CNBB em 1998. Irei citar os doze ‘sim’ da Santíssima Virgem no final do texto, mas, até chegar nesse parágrafo, transcreverei minhas anotações do Retiro.
Sabemos que, embora batizados para uma vida na santidade, quase todos reclinam dessa condição e caem nos piores pecados. Com Maria Santíssima não foi assim. Concebida sem pecado original, se tornou a primeira discípula de Jesus, além de a mais pura alma que passou pela Terra, a mais santa e a escolhida do Pai. Para São Lucas, ela é a perfeita discípula, aquela que respondeu sempre: ‘Eis me aqui, Senhor’. Por isso, Nossa Senhora ocupa um lugar especial na Igreja e, considerando que nossa consciência afetiva está no coração, nós a veneramos ainda mais a cada dia.
Na minha vida, muita coisa aconteceu e mudou para melhor com Ela. Eu me chamaria Maria Auxiliadora se nascesse mulher e, desde pequeno, as comunidades que frequentei foram todas marianas: Fátima, Medalha Milagrosa, Soledade, Agonia e do Sagrado Coração. Minha conversão maior em 1994 aconteceu quando comecei a rezar o Terço e coloquei no peito uma medalha de Nossa Senhora.
Todas as curas e grandes graças que alcançamos em família tiveram a intercessão de Maria. E mesmo sabendo que todo poder vem do Altíssimo, sem a ajuda da querida Mãezinha nossa caminhada teria sido mais difícil. Então, faz muito sentido para mim a frase: ‘Tudo por Jesus, nada sem Maria’. Também a música que cantamos nas missas é sempre oportuna: ‘Oh, vem conosco, vem caminhar, santa Maria vem!’
Quem não perde a devoção em Nossa Senhora é mais feliz, porque somos seus filhos pelo laço da fé e ela é a imagem daquilo que a Igreja quer. E o que mais me ajuda a viver com Ela é a perseverança na fé. Caminho sabendo que nunca estou sozinho e posso receber aquela ajuda que mais preciso. Também acredito piamente nos quatro dogmas de Maria: Mãe de Deus, Virgem Santa, Imaculada Conceição e Assunção ao Céu.
Os doze ‘sim’ que disse a Deus fizeram d’Ela a santa maior da Igreja. Eis um pouco daquilo que aprendi e guardo no coração:
O ‘sim da salvação’ na anunciação do anjo, o ‘sim da caridade’ na visita à prima Isabel, o ‘sim da vida’ no nascimento do Filho, o ‘sim da obediência à Tradição’ na apresentação do Menino no Templo, o ‘sim do Plano de Deus’ na fuga para o Egito, o ‘sim à família’ na perda e encontro do Filho, o ‘sim da humildade’ ao saber que Jesus disse “minha mãe e meus irmãos são os que fazem a vontade do meu Pai”, o ‘sim da intercessão’ quando pediu vinho ao Filho nas Bodas de Caná, o ‘sim do silêncio’ quando acompanhou Jesus caminhando para o Monte Calvário, o ‘sim de Mãe da Humanidade’ ao acolher aos pés da cruz a vontade de Deus: “Mulher, eis aí teu filho”, o ‘sim da felicidade’ ao saber da ressurreição, e o ‘sim de Mãe da Igreja’ em Pentecostes.
Eu gostaria de explicar um a um, mas prometi que contaria esta história neste artigo:
Construía-se uma grande catedral e muitos operários se ocupavam dos acabamentos. Um pavilhão fora especialmente preparado para outro importante trabalho - era o atelier dos escultores das imagens.
Um dia, um senhor resolveu penetrar na intimidade daquele recinto e, tendo identificado o mestre escultor, aproximou-se e contemplou o que fazia. Era a estátua de uma figura humana, entalhada em fino mármore. Lá pelas tantas, atreveu-se a indagar:
- Esta é a imagem que irá para o altar-mor?
O escultor voltou-se para ele como quem emergisse de profunda concentração e contestou:
- Não, este é um dos doze apóstolos que serão colocados ao longo do alinhamento mais elevado da cobertura.
- Nesse caso, as imagens ficarão a grande altura do solo e os detalhes jamais poderão ser apreciados! Vale a pena dedicar tanto tempo a isso?
A resposta do escultor veio rápida, encerrando o diálogo com sabedoria:
- Ele verá!
Pois é, caro leitor, mesmo que nem todos saibam de nossa paixão pela Mãe do Nosso Senhor, Ele sabe. A partir disso, Jesus fará florir no deserto da nossa vida. Isso aconteceu com o Padre Júlio Chevalier, que pediu para esculpir a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração, onde o Menino aponta para a Mãe, como se dissesse: ‘Ela soube como chegar ao meu Coração’.

OS DOZE ‘SIM’ DE MARIA – PARTE I – 18 abril 2010

Paulo Roberto Labegalini

Se você tivesse que rezar apenas dez Ave Maria e oferecê-las pedindo ou agradecendo algo, quais seriam suas intenções? Acredito que poderia não ser tão fácil lembrar-se de tudo que considera importante na vida, mas, com tempo para pensar, os critérios para isso brotariam do coração.
Na minha opinião, sentimentos de amor devem permear todas as intenções, permitindo inclusive rezar pelos inimigos – se houver. Nossa Senhora não abençoaria pedidos que contrariam princípios de cristandade; por isso, todo cuidado é pouco nas escolhas dos objetivos das orações.
Minha primeira Ave Maria seria pedindo graças à minha família, não por egoísmo, mas para continuarmos tendo paz, saúde, fé no coração; e melhor servir a Deus. A estes pedidos, certamente acompanhariam outros ocultos: esperança, coragem, emprego, caridade, felicidade etc. Eu colocaria tudo na mesma oração que, de tão fortes palavras, agraciaria muita gente que precisa de paz.
Consciente disso, a segunda eu ofereceria às intenções que guardo escritas em meu oratório. São casos de desempregos, doenças, vícios, pobreza e outros mais. Você já pensou em ter uma lista permanente de nomes aos pés de uma imagem de Nossa Senhora? Sabia que muitas graças podem ser alcançadas assim? Logicamente que a oração não pode faltar, mas evitaria repetições que demandam muito tempo. Considero que rezar uns pelos outros são presentes do Céu!
A terceira Ave Maria seria pelas intenções do Santo Padre, o Papa. Pode parecer estranho uma intenção contemplar outras, porém, nesse caso, eu estaria rezando pela construção do Reino nos corações dos homens. Ninguém sabe mais daquilo que a Igreja precisa do que o nosso querido Pastor, Bento XVI. Ah, só lembrando: eu também sempre rezo pelas intenções de minha mãe, que pede graças para um monte de gente!
A quarta oração seria pela libertação das almas do purgatório. Quantos parentes e amigos podem estar esperando a oportunidade de se encontrar com Cristo! Tais almas não conseguem mais se ajudar, porém, podemos e devemos rezar por elas, principalmente as esquecidas e as que mais precisarem da misericórdia Divina. E, com certeza, todas que ajudarmos a entrar no Céu intercederão a Deus por nós.
Quinta Ave Maria: pelos religiosos, missões e vocações do mundo inteiro. Se a messe está diminuindo é por culpa nossa – faltam orações e valores cristãos nas cabeças das pessoas. É preciso mais joelhos no chão e terços nas mãos para melhorar a força-tarefa da evangelização. Quem foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pode reclinar do seu compromisso missionário?
A sexta eu rezaria pelas pessoas que sofrem: desempregados, injustiçados, internados em hospitais, viciados, abandonados e incrédulos. Sim, também os incrédulos sofrem, e muito! Mesmo eu não conhecendo todos os sofredores da Terra, Nossa Senhora saberia quem mais precisa de graças e conversões.
Sétima Ave Maria: pelas pessoas que convivo diariamente no trabalho e nas pastorais da Igreja. Também ofereceria a todos os leitores que prestigiam e crescem com as mensagens que escrevo neste jornal, e mais: pediria bênçãos àqueles que rezam por mim. Rogaria à querida Mãezinha que retribuísse com graças o carinho de todos.
Oitava oração: em agradecimento a tudo aquilo que sou, que tenho e que farei. Sei que, se depender da vontade Divina, somente coisas boas virão e fatos ruins não mais voltarão. Aprendi bastante com os erros que cometi e, hoje, aceito melhor o Plano de Deus em minha vida.
A nona Ave Maria eu colocaria na intenção mais urgente que trago no coração e, no momento, pediria perseverança na fé aos cursilhistas que participaram do 20º Cursilho Masculino de Cristandade no final da semana passada. Quem os viu e quem os vê! Na segunda-feira, muitos estavam na Escola Vivencial à noite e transbordavam alegria – são pessoas que receberam mais uma graça na vida. Como nos disse o Pe. Edvaldo naquela noite: graça é um presente fora de hora; mesmo não merecendo, é um grande favor que vem exclusivamente pela bondade de Deus.
Completando a dezena, rezaria a última pelos assistidos da Sociedade São Vicente de Paulo no mundo inteiro. São centenas de pessoas que dependem de outras para sobreviver. Para quem não sabe, o vicentino serve Jesus Cristo na pessoa do pobre e se santifica pela obra de caridade. É preciso muito amor no coração e muita ajuda do alto para dar conta de milhares de miseráveis por toda a parte. Uma Ave Maria é pouco pra tanta gente, mas a intenção é que vale.
E quem estará acolhendo cada continha de um mistério do terço será nossa maravilhosa Mãezinha do Céu, que disse os ‘doze sim’ na história da humanidade. Sobre isto escreverei no próximo artigo, mas encerro este dizendo que agrada muito o Senhor louvar Nossa Senhora. Ele que tudo sabe e tudo vê, conhece bem o coração daquele que ama a filha de Deus-Pai, a mãe de Deus-Filho e a esposa do Espírito Santo.
A historinha que faltou hoje também estará na continuação deste texto. Até lá.

O FUTURO JÁ CHEGOU? - 11 ABRIL 2010

Paulo Roberto Labegalini

O artigo da semana passada - Recordar para Viver - rendeu alguns papos com amigos pela internet. Disseram-me que também sentem saudades das coisas boas da infância, em tempos que não voltam mais. Será mesmo que não voltarão um dia?
E dando sequência a isso, vou explorar um pouco mais o assunto, contando esta história que recebi do amigo Raimundo Rafael Vieira - Ministro Extraordinário da Comunhão Eucarística da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração:
“Meu avô, com noventa e tantos anos, estava sentado no banco do jardim olhando suas mãos. Sentei-me ao seu lado e lhe perguntei se estava bem. Ele levantou a cabeça e sorriu:
- Estou bem, obrigado - disse em voz suave. - Alguma vez, querido, você já olhou suas mãos?
Lentamente as abri e contemplei. Virei as palmas para cima e para baixo, fiquei sem palavras e não sabia exatamente o motivo da pergunta. Então, meu avô explicou:
- Pense um momento sobre como suas mãos têm lhe servido através dos anos. As minhas, hoje enrugadas, secas e débeis, têm sido ferramentas que usei toda a minha vida para pegar e abraçar. Elas puseram comida em minha boca e roupa em meu corpo. Quando criança, minha mãe me ensinou a juntá-las em oração. Estiveram sujas, esfoladas, ásperas e dobradas. Mostraram-se inábeis quando tentei embalar minha filha recém nascida; decoradas com uma aliança, revelaram ao mundo que eu amava alguém muito especial.
Comecei a entender que aquela conversa reservava momentos de muita emoção e resolvi prestar mais atenção quando meu avô continuou:
- Elas tremeram ao enterrar meus pais, minha esposa, e suaram quando entrei na igreja com minha filha no dia de seu casamento. Estas mãos têm penteado meu cabelo, lavado todo meu corpo e, até hoje, quando quase nada em mim funciona bem, estas mãos me ajudam a levantar, a sentar e ainda se juntam para rezar. Elas são as marcas de onde estive e, o mais importante, são estas mãos que Deus tomará nas Suas quando me levar à sua presença.
Desde então, nunca mais vi minhas mãos da mesma maneira, e lembro perfeitamente quando Jesus esticou Suas mãos, tomou as de meu avô e o levou. Agora, sempre que uso as mãos penso em meu querido avô. Jamais esquecerei que, na verdade, nossas mãos são uma bênção!”
E você, leitor, o que está fazendo com suas mãos? Elas expressam carinho ou repulsam os outros? Preciso dizer-lhe para dar graças a Deus por elas, pois somente aqueles que amam com o coração limpo têm motivos para se orgulhar das mãos que receberam.
Sem medo de errar, posso afirmar que as mãos do nosso tempo não são como as de antigamente. Quando criança, ladrões só apareciam de vez em quando e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os ‘lanterninhas dos cinemas’ nos expulsassem pelas batidas de pés nas matinês de domingo. Mães, pais, professores, avós, tios e vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Confiávamos plenamente nos adultos.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror. Hoje, dá tristeza por tudo que perdemos, por tudo que meus netos um dia temerão, pelo medo no olhar de crianças, jovens e velhos. Matar os pais, os avós, sequestrar, roubar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias policiais, logo esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Dizem abertamente que não levar vantagem é ser otário e pagar dívidas em dia é bancar o bobo. Há milhares de ladrões nas esquinas das cidades grandes, assassinos com cara de anjo no interior, pedófilos de cabelos brancos sorrindo como se nada de grave estivesse acontecendo! O que há conosco? Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas, recém-nascidos morrendo de fome! Que valores são esses?
Os carros valem mais que abraços, celulares coloridos são encontrados nas mochilas dos recém saídos das fraldas, TVs ligadas o dia todo, DVDs com filmes pornográficos, vídeos-game de matança... O que mais virá em troca de um abraço? Mais vale um baseado do que um sorvete, mais valem dois vinténs do que um sorriso!
Fico pensativo quando leio isto nos blogs:
“Quando foi que o que existia de bom sumiu ou virou ridículo? Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo? Quando me fechei ou me fecharam? Posso querer de volta à minha dignidade, a minha paz? Tenho o direito de sentar na calçada e ficar com a porta aberta nas noites de verão? Quero a vergonha e a solidariedade de volta à minha vida! Abaixo o ‘ter’! Viva o ‘ser’!”
Bem, se você e eu fizermos nossa parte bem feita e contaminarmos mais pessoas, muita coisa poderá melhorar. Temos que rezar para Nossa Senhora abençoar as palavras do professor Renato Nunes, Reitor da UNIFEI, ditas no encerramento do Natal no Campus: “Seria pedir demais, a cada um de nós, que transforme os dias futuros num permanente Natal? Seria pedir demais?”

304 - conduta Ética (1ª parte)
No V Encontro Nacional dos Meios de Comunicação da Sociedade São Vicente de Paulo, de 13 a 15 de agosto em São José dos Campos, ministrei a palestra ‘Ética como fonte de espiritualidade’. Iniciei dizendo que o mundo acostumou-se com condutas antiéticas e muitas pessoas fazem delas um meio de vida!
Para mostrar essa realidade, afirmei que ética é um conjunto de limites que cada um se impõe na busca da ambição, ou seja, tudo o que não se deseja fazer na conquista dos objetivos. Teoricamente, deveria então significar as boas regras de fazer e agir de cada pessoa, como, por exemplo: não mentir, não roubar etc.
Isso depende da idade, do sexo, da profissão, da religião e da conquista almejada? Indiretamente sim, porque quanto maior a ambição, menor o rigor com a ética! Acho que nem é preciso dizer que os profissionais dos departamentos de compra e de venda de uma empresa não seguem o mesmo código de ética, não? E o Zeca Pagodinho que trocou a Schincariol pela Brahma, foi ético? E o que dizer do Gugu Liberato quando fez a falcatrua do inventado seqüestro para ganhar audiência?
Bem, se fôssemos falar de política então, muitos governantes ficariam abaixo da crítica pelas promessas que não cumpriram. Isso prova que, quase sempre, a conduta ética só é usada de acordo com a situação e em benefício próprio.
E todos somos ambiciosos; uns mais, outros menos. O problema é que normalmente decidimos nossa ambição antes dos nossos princípios éticos, quando o certo seria o contrário. Então, contei a história que o Pe. Maikol me enviou pela internet:
Certo dia, numa programação de uma rádio católica, ligou uma senhora que estava passando por momentos muito difíceis. E através daquela oportunidade, ela resolveu fazer o seu apelo, dizendo: ‘Eu estou passando por uma grande prova: o desemprego bateu em minha porta, tenho filhos pequenos, meu esposo está fazendo apenas alguns serviços extras, porém a renda não é suficiente. Se algum irmão puder me ajudar com alimentos eu ficaria muito grata. Aquilo que Deus tocar em seu coração eu agradeço e será de grande ajuda’.
E ela deu o seu endereço; porém, no momento do apelo, um ateu estava ouvindo a programação e disse: ‘É hoje que eu acabo com essa raça de católicos... ah, é hoje!’. Então, ele se dirigiu para o mercado e fez aquela compra!
De tudo comprou em dobro e pediu para duas pessoas que trabalhavam com ele: ‘Vocês vão até a casa dessa senhora, entreguem esta compra e quando ela perguntar quem mandou, digam que foi o diabo’.
E assim seguiram aqueles homens rumo à casa da necessitada. Bateram palmas, ela com toda humildade atendeu e eles disseram: ‘Viemos trazer esta compra para a senhora’. Descarregaram tudo e ela agradeceu demais; mas, os homens sussurraram entre si: ‘Ela não vai perguntar quem mandou a compra?’.
Foi na hora de ir embora que um deles falou: ‘Ei, você não vai querer saber quem lhe deu esta compra?’ Ela, tranqüila, respondeu: ‘Não é preciso. Quando o meu Deus manda, até o diabo obedece!’.
Pois é, quando os critérios de moralidade e justiça não são adequados, a providência Divina protege os filhos amados - sabemos muito bem disso. Mas, a ética precisa ser preservada para sustentar a paz entre os homens e, entendendo a ética como sendo uma reflexão crítica sobre a moralidade, seu objetivo é balizar as ações humanas. Portanto, com certeza, todos nós precisamos ter ética para reforçar ou transformar a moral.
À luz da Sagrada Escritura, sabemos o que é certo e o que é errado e não podemos deixar que a ambição supere a Verdade das verdades. O nosso relacionamento com Deus precisa ser ético! E o Código de Ética enviado pelo Senhor está resumido nos 10 Mandamentos, concorda? Assim, como Ele cumpre tudo o que nos promete, a ética cristã exige que sigamos o modo de ser e de agir de Jesus Cristo.
Você tem consciência que, na natureza, só o homem e a mulher assumem comportamento ético? A partir dos três anos de idade, já entendemos muita coisa a respeito da diferença entre o bem e o mal. Por isso, hoje, os bons costumes e deveres do nosso povo podem ser melhorados por você!
E falando sobre a ética vicentina, que supera a ética cristã e precisa ser muito vigiada para não perdermos a credibilidade dos nossos benfeitores, citei alguns pontos básicos a serem seguidos: humildade nas ações, transparência no comportamento, compromisso com a Regra da SSVP, repúdio às ideologias contrárias à fé cristã, desapego aos interesses pessoais contraditórios à vida de santidade, decisões iluminadas pelos ensinamentos da Igreja Católica e luta para a construção de uma sociedade justa e solidária.
Na semana que vem, voltaremos ao assunto para comentar especificamente sobre ‘ética como fonte de espiritualidade’.
Nota: Neste domingo à noite, 22 de agosto, após a transmissão da santa missa, ouça pela Rádio Itajubá a entrevista que farei com os candidatos a reitor e vice-reitor da UNIFEI.
Na palestra, a partir deste ponto, eu iniciaria a abordagem do tema principal: ‘Ética como fonte de espiritualidade’. Na semana que vem, se Deus quiser, completarei o assunto.

305 - conduta Ética (2ª parte)
Retomando o assunto da semana passada, ainda muita coisa precisa ser dita sobre ‘ética como fonte de espiritualidade’. Por exemplo, buscando adquirir maior consciência dos direitos humanos, mais ética e moral se torna a vida social. Também combatendo o consumismo exagerado, os valores éticos serão valorizados. E ouvindo Jesus, deixamos a ética enraizar-se no coração: “Aquele que é fiel nas pequenas coisas, é também fiel nas grandes; e aquele que é injusto no pouco, também o é no muito” (Lc 16, 10-12).
Podemos, ainda: divulgar maciçamente aqueles que fazem o bem, como prova de amor fraterno; agir com imparcialidade nas decisões de julgamento a terceiros, evitando sermos antiéticos; atender os anseios dos pobres, para ganharmos confiança sólida nas relações éticas com a sociedade etc.
Bem, para esclarecer o que é certo e o que é errado na conduta humana, pense: ‘O que Jesus Cristo faria se estivesse no meu lugar?’, e mantenha o Espírito Santo no seu coração para não ultrapassar os seus limites de cristão autêntico! E na intenção de reforçar a sua conduta cristã, lembre-se disto: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vença o mal pelo bem” (Rm 12, 21).
Nos meios de comunicação social, o princípio ético fundamental é este: ‘A pessoa e a comunidade humanas são a finalidade e a medida de todos os recursos disponíveis’. Por isso, quando você estiver no comando, não imponha seus ‘critérios supostamente éticos’ aos subordinados, a menos que esteja seguindo princípios previamente estabelecidos.
Ainda na comunicação social, um código de ética deve exprimir os condicionantes das ações que caracterizam a filosofia: ‘O fim não justifica os meios’. E todo código de ética deve conter idéias claras, simples e diretas, não possibilitando interpretações subjetivas. Um compromisso com a dignidade do ser humano também é essencial, hoje, na ação ética.
Partindo para alguns exemplos, o que você acha que faria um professor muito severo com seus alunos quando soubesse que o seu filho colou na prova para passar de ano? Iria reclamar com o professor do menino e pediria que o reprovasse? Você concorda que o pai poderia não ter a mesma postura de ‘fechar os olhos’ com um de seus alunos? E a sua dignidade com essa ação antiética, como fica?
Pense agora no jogador Ronaldo, o fenômeno, quando saía em manchetes de jornais por trair a esposa. Ele estava preocupado com as crianças que representa como embaixador da Unicef? E nós, católicos, quando discutimos em comunidade e insistimos em sempre ter razão - mesmo sabendo que isso acaba excluindo pessoas dos trabalhos -, estamos servindo a Deus?
Um jovem, ao aproximar-se de Jesus e perguntar o que haveria de fazer para chegar ao Céu, Ele respondeu-lhe: “Se queres entrar na vida eterna, cumpre os mandamentos”. Pois é, o Reino de Deus não tem preço, no entanto, custa apenas a nossa obediência aos valores morais do Evangelho. A Pedro e a André ainda custou o abandono de barcas e redes; à viúva, duas pequenas moedas; a outro, só um copo de água fresca. Ainda bem que Deus sempre se alegra com a oferta do nosso pobre coração!
Todos nós temos um pouco de sombra e um pouco de luz. O segredo do bom cristão é sempre irradiar luz aos que precisam. Aprender e ensinar com humildade, também podem nortear a nossa conduta ética, pois onde estiver o nosso tesouro, lá estará o nosso coração.
Fazendo a nossa parte, o Céu sempre nos ajudará; e não há nada melhor para deixarmos no mundo do que a nossa total conversão. Aliás, falando em deixar algo de bom, fiquei muito agradecido ao Senhor por me inspirar a compor a letra do Canto dos Comunicadores da Sociedade São Vicente de Paulo. A música foi feita pela Banda Deus Imenso, de São José dos Campos, e o refrão ficou assim: ‘Vicentino que abraça a missão / e aceita o chamado à vocação / de resgatar o pobre, o pobre sofredor, / anuncia Jesus Cristo, Salvador!’.
E as três estrofes: ‘Microfone, imagem ou computador / a serviço da Palavra do Senhor, / comunicam o caminho a seguir / e o alimento abençoado repartir. // São Vicente foi o grande professor; / Ozanam, imenso comunicador. / Confrade mais consócia e oração, / enriquecem qualquer pobre coração. // Divulgar as maravilhas do Senhor, / é dom, é caridade, é amor! / Faz parte da evangelização / que prega liberdade e comunhão’.
Como teste para saber se você aprendeu algo mais sobre ética, veja se concorda com a resposta que o pai deu ao filho ao ser questionado sobre o assunto: ‘Ter ética, meu filho, é repartir com o meu sócio o dinheiro que uma velhinha sempre dá a mais, por engano, quando vai fazer compras na nossa padaria’.
O diretor espiritual dos vicentinos, Pe. Eli Chaves, escreveu isto na Revista Adoremos:
“A vivência autêntica da fé requer uma conduta ética em todas as áreas de atuação para contribuir na educação da consciência moral das pessoas, superando todo autoritarismo e armadilhas do individualismo”. E
o americano Rushworth Kidder, falou:
“Não conseguiremos sobreviver ao longo do século XXI com a ética do século XX. A escala da nossa tecnologia está alavancando nossa ética de uma maneira jamais vista no passado”.
Portanto, quanto mais formos éticos, caridosos e convincentes, mais estaremos imitando São Vicente.

RECORDAR PARA VIVER - 4 ABRIL 2010

Paulo Roberto Labegalini

Para mim, a Semana Santa deste ano veio recheada de compromissos. Pelo fato de eu só ter sido escalado para cantar no domingo de Páscoa - nos anos anteriores a agenda ficava lotada -, deixei meu coração disponível para comungar com os irmãos. Foi muito bom ficar no meio do povo desfrutando com atenção cada momento das celebrações.
Missas, procissões, adorações, tudo muito bonito! E como disse o Padre Maristelo: “Se servimos mal, mostramos que somos servos inúteis; se servimos bem, não fizemos mais que nossa obrigação. O amor que Deus tem por nós é muito maior do que toda dedicação que prestamos a Ele. Mesmo não aceitando Isaac de oferenda - filho de Abraão -, Deus Pai entregou seu Filho amado em sacrifício para nos salvar”.
Valeu a pena reservar um tempo maior ao Senhor e sentir o amor que Ele tem por nós. Sua Palavra ressoou mais forte em nossas vidas e tenho certeza que novos frutos virão. “Não servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro”, foi uma mensagem muito importante desta Campanha da Fraternidade. Temos subsídios de sobra para refletir neste tema em nossas pastorais - para caminhar na partilha e na fraternidade. Nunca podemos desanimar da felicidade compartilhada, ao contrário desta história:
Um rapaz pediu a Jesus um emprego e uma mulher que o amasse. No dia seguinte, abriu o jornal e tinha um anúncio de emprego. Ele foi ao local, viu a fila muito grande e disse: ‘Eles são melhores do que eu’; e foi embora.
No caminho, um garoto lhe deu uma rosa; mas, no ônibus, chateado com a vida que levava, jogou a flor pela janela. Ao chegar em casa, brigou com Jesus: ‘É assim que me tratas? É assim que me amas?’. E foi dormir.
Em sonho, Jesus lhe disse: ‘O emprego era seu, mas você não confiou e desistiu antes mesmo de lutar. A rosa, inspirei aquela criança a lhe dar. O amor da sua vida sentou ao seu lado no ônibus, mas, em vez de lhe dar a flor, jogou-a fora’.
Pois é, Jesus abre as portas e mostra o caminho; porém, se sua fé é pequena e você desiste nos primeiros obstáculos, eles continuam impedindo sua caminhada para a felicidade. E quem já foi feliz sabe que as boas recordações e muitas orações ajudam na perseverança.
Recebi um e-mail do amigo Inácio Costa, comentando que o texto abaixo é do professor José Antônio, da Universidade Federal de São João del-Rei. Veja se faz você recordar alguns momentos felizes que viveu:
“Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa nos recebiam alegres e iam se apresentando, um por um.
- Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a dos meus irmãos. Aí chegava outro menino e repetia-se toda a diplomacia.
- Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora.
Também eram assim as visitas: singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha - geralmente uma das filhas - e dizia:
- Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... Juntava todo mundo, as piadas pipocavam e as gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança. Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida.
Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa. A mesma alegria se repetia e, quando iam embora, também ficávamos à porta. Olhávamos, olhávamos, até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa.
- Vamos marcar uma saída?
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. Casas trancadas - pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite... Que saudade do compadre e da comadre!”
Sou testemunha que tudo isso é verdade, mas, graças a Deus, as procissões ainda existem!

A CRUZ SAGRADA - 28 MARÇO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Continuam circulando na internet as palavras do Frade Demetrius dos Santos Silva, publicadas no jornal ‘Folha de São Paulo’ de 09/08/2009:
“Sou padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas. Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!
Jamais gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas. Não quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte. Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados. Não quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa da desgraça dos pequenos e dos pobres.”
Foi uma resposta ao Ministério Público que, em 4 de agosto de 2009, ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos das repartições publicas. Eu não concordo em generalizar a opinião de que a maioria dos políticos é ruim e os profissionais de direito também. É preciso analisar cada caso para um melhor julgamento; porém, em se tratando da Cruz de Cristo, todo respeito ainda é pouco.
São Bento rezava uma oração que continua sendo repetida milhares de vezes a cada hora em todo o mundo: “A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te Satanás, nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces, bebe tu mesmo o teu veneno”.
E a medalha de São Bento onde está gravada esta famosa oração é considerada um sacramental, quer dizer, um sinal poderoso de fé. Acredito que o uso da medalha protege contra as artes do demônio e concede graças - como a vitória sobre os inimigos perigosos e a tentação.
Na frente da medalha aparece uma cruz e as letras CSPB - são abreviações da frase em latim: ‘Crux Sancti Patris Benedicti’ ou ‘Cruz do Santo Pai Bento’. No alto da cruz está gravada a palavra PAX, ou Paz, que é o lema da Ordem de São Bento. A imagem do santo aparece no verso da medalha; ele segura na mão esquerda o livro da Regra que escreveu para os monges beneditinos. Na outra mão, ele segura a cruz. Ao redor da medalha, lê-se ‘Eius in Obitu nro Praesentia Muniamur’, que quer dizer: ‘Que São Bento nos conforte na hora da nossa morte’.
É representada também a imagem de um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu milagrosamente ileso.
Com certeza, o santo seguia os ensinamentos de Jesus, que dizia a todos: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia, tome a sua cruz e siga-me” - São Lucas 9, 23. E sabemos, as cruzes são diferentes nas costas de cada ser humano que vive: umas leves, outras muito pesadas, mas nenhuma que não possa ser carregada com fé.
Havia um homem que tanto se queixou de seu sofrimento que o Senhor lhe apareceu em sonho. Então, aproveitando a oportunidade, o queixoso indagou:
- Senhor, por que tenho que sofrer tanto?
Jesus respondeu:
- Você acha que sua cruz está pesada? Quer escolher outra?
- Sim, Senhor, eu gostaria!
Então, o homem foi levado ao lugar das cruzes. Ali havia um monte delas, de diversas variedades: cruzes de pedras preciosas, ouro, prata, tronco de árvores etc. E o homem viu uma cujo brilho se destacava das outras. Apontou-a e disse:
- Senhor, esta é a cruz que eu quero...
E Jesus, sorrindo, exclamou:
- Mas esta é a sua cruz! Por ser de ouro é muito brilhante, mas também muito pesada.
O homem finalmente compreendeu que sua cruz não lhe fora imposta por Deus, mas carregava a cruz que era fruto de sua própria escolha. Aceitou então aquela cruz para sempre, e ela já não lhe pesou tanto.
Pois é, muita gente escolhe uma cruz de ouro, não e mesmo? E muita gente, com o passar do tempo, serra sua cruz e a torna mais leve para suavizar a caminhada; porém, a parte que fica no caminho é o ‘serviço a Deus’ que, por ser pesado para alguns, reduzia a velocidade desenfreada em direção ao pecado. Terá valido a pena?
Nas procissões desta Semana Santa, se as cruzes imaginárias fossem materializadas, veríamos algumas grandes e pesadas sendo conduzidas por pessoas de almas iluminadas. Quanto maior a confiança na salvação, maior a força interior de alguém que almeja o Céu, sem se importar com o peso da cruz.
Enfim, a cruz é o instrumento de redenção do mundo. Sua representação desperta em nós os sentimentos de gratidão para com Deus, pelo benefício de nossa salvação. Segundo o nosso vigário, Pe. Maristelo, passaram 500 anos após a morte de Jesus até os cristãos fabricarem a primeira cruz. Deixou de ser sinal de maldição e se tornou o maior símbolo do cristianismo.
Na Páscoa e sempre, a Cruz Sagrada seja a minha luz... E que a Cruz de Cristo não seja para você apenas um amuleto, mas também a tua verdadeira luz!

SEGREDOS - 21 MARÇO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Conviver com segredos nem sempre é fácil. Algumas pessoas dizem que são como túmulos e jamais contariam o que lhes disseram em confiança; outras, abrem o coração sem qualquer constrangimento e divulgam tudo o que sabem. Melhor seria se as consequências de cada caso fossem muito bem analisadas antes de revelarmos os segredos que sabemos; mas, nem sempre isso acontece.
Numa matéria exibida recentemente pelo Fantástico, alguns segredos dos ‘segredos’ foram revelados:
“Guardar um segredo é mais ou menos como mentir. As duas coisas dependem de o córtex pré-frontal, uma parte da frente do cérebro, conseguir conter seu ímpeto de fazer sempre o mais fácil: falar a verdade. É isso mesmo: contar a verdade, contar tudo, é a tendência natural do cérebro.
Quer experimentar? Então vamos lá: responda rápido e em voz alta com uma mentira: em que cidade você nasceu?... A primeira resposta que vem à cabeça é a verdade, aquela que seu cérebro aprendeu com a experiência a associar às idéias: ‘cidade’, ‘eu’ e ‘nascer’.
Ao encontrar a resposta verdadeira sem fazer esforço, as áreas do seu cérebro que produzem a fala se preparam para dizer a verdade. Para mentir, é diferente e bem mais complicado. O córtex pré-frontal tem que conseguir eliminar a resposta verdadeira; depois, tem que buscar no seu banco de dados cerebral uma resposta alternativa: o nome de outra cidade, a mentira!
Essa busca exige o funcionamento de outras regiões que cuidam da linguagem. Nessa confusão toda, uma parte do cérebro especializada em conflitos é fortemente ativada. É o córtex cingulado anterior. Ele chama nossa atenção para o problema a resolver. No caso: pôr de lado a verdade, achar uma mentira e ainda não dar com a língua nos dentes.
Enquanto você mente ou esconde um segredo, é como se essa parte do cérebro ficasse gritando: ‘mas eu sei que não é isso!’ - o que deixa qualquer um aflito. Mas, pelo menos para os segredos, a neurociência tem um remedinho. Se você não aguenta guardar seu próprio segredo, mas também não quer que ele se espalhe por aí, conte para duas pessoas ao mesmo tempo. Assim, elas poderão aliviar seu cingulado anterior falando sobre o segredo uma com a outra e ele ficará a salvo dos outros por mais tempo. Experimente!”
Viu! Não parece fácil? O grande problema reside nas falcatruas, imoralidades, falsidades e mentiras que geralmente envolvem os segredos. Quando alguém resolve revelar, muita gente fica em maus lençóis e os problemas vêm aos montes. É como dizem: Quem planta vento, colhe tempestade!
Mas há segredos que, se revelados, só trazem bem à humanidade. Veja, por exemplo, os segredos que Deus nos revelou através da História...
Até 1250 anos antes de Cristo, ninguém sabia sobre os Dez Mandamentos que foram entregues a Moisés. Na época, os judeus tentavam praticar centenas de princípios religiosos, que fundiam a cabeça de qualquer ser humano.
Jesus também revelou no Evangelho de São Mateus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Pronto! Segredo posto e partilhado com todos.
Hoje sabemos que a Lei de Deus resume-se em amor, e Jesus ainda ajudou-nos a clarificar algumas revelações: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só til, até que tudo seja cumprido.”
Se considerarmos essas elucidações bíblicas, um segredo é melhor do que o outro e devemos contá-los aos quatro cantos da Terra; porém, sempre estaremos preocupados com outros tipos de segredos, como nesta história:
Enquanto a mãe cozinhava, a filha aproximou-se e disse:
- Sabe, mãe, eu confio muito em você. Eu conto tudo pra você, pois sei que é minha amiga.
A mãe, com um sorriso nos lábios, respondeu:
- Que bom, meu amor. Isso me deixa tão feliz!
- Eu confio muito, muito. Só existem algumas coisas que nunca contei, coisas de quando eu era muito pequena.
Ela ainda era pequena, mas tremendamente grande na imaginação, e a mãe ficou aflita com aquela afirmação. O sorriso transformou-se numa pequena ruga na testa. O que a menina teria feito quando era muito pequena que a mãe não soubesse? Um monte de pensamentos povoou sua mente... Então, mesmo sentindo medo da resposta, formulou a pergunta:
- O que você fez que eu não posso saber e entender, meu amor?
- Mãe, eu não conto porque tenho vergonha...
- Você disse que confiava em mim!
- E confio.
- Então me conta. Anda logo!
A mãe já estava desesperada, desligou o forno e sentou-se, olhando fixamente para a filha. A menina, num gesto heróico, anunciou seu terrível segredo:
- Mãe, eu lambia meleca!

MÃE É MÃE - 14 Março 2010

Paulo Roberto Labegalini

Este testemunho foi dado por uma médica dermatologista da cidade de Cruzeiro-SP:
“Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei inúmeras cenas e situações que me marcaram; porém, se eu tivesse que escolher a cena que mais me comoveu como médica, escolheria a que mais me marcou como mãe.
Foi em uma visita a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), local onde geralmente os pacientes estão necessitando de cuidados o tempo todo. Foi neste ambiente frio, cheio de aparelhos e medicamentos, que vivenciei a importância da maternidade.
Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição fetal, que gritava em meio ao seu delírio: ‘Mamãe! Mamãe! Ah, minha mãe...’
Para uma pessoa no fim da vida, doente, o que lhe restara era chamar por sua mãe, e era um clamor que vinha do coração, da alma! Somente quem poderia acolher sua dor, sua solidão naquele momento, era sua mãe. Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso daquele homem que insistia em resgatar a mais importante de suas memórias: a sua mãe. Naquele momento, a médica deu lugar à mãe e me dei conta do quanto importante é ser mãe.
Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade de gerar seres humanos que são a imagem d`Ele. E para isso lhe deu uma infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições; renunciar a tudo, até a si mesma pelos filhos; e esperar com muita paciência todas as condições que a vida lhe apresentar: a começar pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o mundo.
Durante a gestação, a mulher é a perfeita moradia. É no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano, e é neste corpo sagrado que abriga a vida, que a mulher experimenta a plenitude de ser mulher.
Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para esperar o dia de dar a vida a um novo ser... E depois, fora do nosso corpo, acompanhamos toda uma trajetória: somos o porto seguro para passos cambaleantes... para abraços aflitos... para choros carentes... Por mais que os homens cresçam e envelheçam, somos nós, as mães, que ficamos em suas memórias.
Aquele velho homem me mostrou o quanto importante é o papel da mãe para todo ser humano. Fez-me também questionar porque tantas meninas na idade de serem filhas, e não mães, violentam seus corpos. Maquiadas por uma falsa liberdade, colocam em risco suas e outras vidas inocentes, com a desculpa de serem modernas. O corpo sagrado é violado e, muitas vezes, jovens, quase crianças, tornam-se mães, perdendo a oportunidade de vivenciarem com plenitude o divino mistério da vida.
Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel de mãe. Pode ser que um dia – quando a gente pensa que os filhos não precisam mais de mãe – a gente seja a última lembrança na vida deles. Quero ser não só a última, mas a melhor lembrança!”
E depois de ler esse relato, posso afirmar que muitas coisas passam pela mente: bate a saudade em quem já se despediu da mãe; aumenta a responsabilidade àquelas que ainda têm filhos para cuidar; dá vontade de abraçar a esposa que cedeu o corpo para formar uma família; enfim, fica a eterna gratidão às mulheres que marcaram presença no mundo na missão de ser mãe.
Na aula da Escola Vivencial do Cursilho da próxima segunda-feira à noite, dia 22, também falarei de Mãe, através do Movimento de Shöenstatt. Direi que tudo teve início em 18 de outubro de 1914, quando o Pe. José Kentenich manifestou seu desejo a um grupo de Jovens Congregados Marianos: transformar a Capela de São Miguel num Tabor de manifestações de glórias a Maria. Era seu plano criar um movimento de renovação religiosa e moral a partir dos tesouros e milagres de Nossa Senhora. Isto aconteceu na Congregação Mariana situada no vale de Schöenstatt, Alemanha.
Hoje, a Obra de Schöenstatt está presente em todo o mundo com Institutos, Uniões, Ligas, Movimentos Populares etc. Os santuários são reproduções fiéis do Santuário de Schöenstatt, e o Movimento Internacional já tem 180 capelas ao redor do mundo! Quem recebe uma capelinha em casa com a imagem da Mãe Rainha Três Vezes Admirável sabe porquê é grande essa devoção em todo o planeta.
Na convicção do Pe. Kentenich, uma autêntica espiritualidade mariana deve conduzir a uma profunda espiritualidade cristológica e trinitária, a uma séria aspiração à santidade e a um generoso compromisso com a missão evangelizadora da Igreja. E a Mãe Rainha ‘faz esse papel’ porque é três vezes admirável: ela é Mãe de Deus, Mãe do Redentor e Mãe dos Remidos. Ninguém alcançou tamanho mérito na humanidade!
Essa nossa Mãe nos atenderá sempre que chamarmos por ela, dentro ou fora da UTI. Viva Nossa Senhora!

COMPROMISSOS NA QUARESMA – 7 MARÇO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Você ainda quer ter um compromisso de jejuar nesta quaresma? Então, jejue de julgar os outros e descubra que Jesus também vive neles. Jejue de palavras que ferem e farte-se de frases que purificam. Jejue de preocupações e alimente-se de oração. Jejue de tristeza e encha seu coração de alegria.
E se ainda quiser sacrifícios maiores por amor a Deus, jejue de egoísmos e encha-se de compaixão pelos outros. Jejue de rancores e encha-se de atitudes de reconciliação. Jejue de palavras em excesso e viva de silêncios para escutar melhor. Jejue de tudo o que lhe afaste do Senhor e procure tudo o que d’Ele se aproximar.
Se todos vivermos estes jejuns, nossos dias irão se inundando de paz, de amor e de confiança. Que nossos corações se abram com os jejuns da quaresma para receber Jesus Ressuscitado na Páscoa com muito amor.
Ah, também podemos usar nosso poder criativo para ajudar muitos irmãos a seguir pelos caminhos da fé. Um simples objeto religioso à mostra no nosso corpo serve como instrumento de evangelização. Pode ser uma camiseta, um terço, uma corrente, um broche, enfim, um símbolo que destaque a nossa crença e dê abertura para que outras pessoas se sintam atraídas por aquela mensagem.
Colocar um adesivo plástico no vidro do carro é outro recurso válido e barato para evangelizar. Têm imagens de Jesus e de Maria Santíssima belíssimas que chamam muito a atenção. Basta ser criativo: escolhendo uma bela estampa e divulgando-a em local de destaque.
Além desses meios, eu procuro evangelizar com testemunhos de fatos vividos em família ou na comunidade. Por serem casos reais que provam o amor de Cristo e de Nossa Senhora por nós, geralmente tocam profundamente nas pessoas. Assim, fica mais fácil ‘amolecer certos corações’ e conduzi-los para junto de Deus.
O importante é que, na evangelização, nunca falte humildade no relacionamento com os irmãos desgarrados e sempre haja muita oração – pedindo ao Espírito Santo que nos ilumine para resgatar almas perdidas.
Também o nosso trabalho na Sociedade São Vicente de Paulo nos leva a testemunhar muitas injustiças sociais e algumas chegam a comover profundamente outras pessoas. É impressionante constatar de perto a miséria em certas famílias, abandonadas à sorte pelos próprios parentes! Por que isso acontece?
Os motivos – ou desculpas – são diversos. Quando um pai se refere ao filho que está desfrutando de boa situação financeira, diz que o ‘coitado’ tem seus próprios compromissos e não pode assumir outras despesas. Quando outro pai de família, cheio de filhos, comenta que os seus pais possuem bens noutra cidade, alega que não combinam de gênio e nunca daria certo morarem juntos. E por aí vai...
De acordo com as nossas possibilidades, ajudamos os mais necessitados, independente de raça ou religião. O nosso trabalho na Conferência Nossa Senhora do Sagrado Coração envolve também o crescimento espiritual da família, desde que aceitem alguma orientação nesse sentido. Acreditamos que com cesta básica mensal, gás, oração, higiene, trabalho e educação, aos poucos, muitos renascem para uma vida nova.
Voltando aos elos familiares, algumas necessidades não poderiam ser supridas pelos próprios parentes? Em alguns casos, sim. Principalmente quando o sofrimento maior vem do espírito, qualquer filho ou irmão de sangue poderia estar ajudando.
É triste dizer isso, mas, infelizmente, um pouco de carinho com um pouco de atenção chegam a despistar a fome ou a tristeza de muita gente. Seria mais importante para alguns pais verem um parente chegando para prestar solidariedade do que o seu alimento batendo à porta. Mesmo sabendo dessa verdade, pouco podemos fazer nesse sentido, pois outros assistidos sempre esperam o nosso socorro.
O desemprego aumenta, a fome assusta e as doenças preocupam. Enquanto não atuarmos diretamente contra esses ‘fantasmas’, será que não existe alguém de nossa família esperando por carinho e atenção? Imagine algum parente seu que sofre e reflita o que Jesus Cristo gostaria de lhe pedir que fizesse por ele nesta quaresma...
Quantas mães rezam terços e terços sozinhas! Quantos pais idosos não vão mais à missa porque ninguém os leva! Quantos filhos se revoltam com a vida indigna dos pais! Quantos gostariam de ter as migalhas dos ricos para comer! Quantos agonizam por falta de remédios!
Acho que não é necessário dizer mais nada, pois cada um sabe o que poderia estar fazendo e não faz. Quanto ao irmão ser ou não de sangue, para Jesus não importa, mas julgando com o meu coração humano e pecador, dói mais quando vejo alguém sofrendo e sei que a família tem condições de acolhê-lo e o deixa abandonado.
A caridade deveria sempre começar em casa e, depois, com a graça de Deus, se espalhar por toda a humanidade. Se você concorda comigo, primeiro olhe ao redor e depois, se puder, ajude os vicentinos na assistência que fazem às famílias carentes e excluídas da nossa sociedade. Com certeza, a recompensa a quem sofre e a quem ajuda virá do Céu. Nunca duvide disso.

CASOS E CONSELHOS – 27 FEVEREIRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Um professor de química queria ensinar os alunos sobre os males causados por bebidas alcoólicas e elaborou uma experiência que envolvia um copo com água, outro com cerveja e dois vermes. Colocando uma criatura na água e outra na cerveja, chamou a atenção da sala para o resultado. O verme que estava na água nadou agilmente no copo como se estivesse brincando. O bicho da cerveja se contorceu desesperadamente, louco para sair do líquido e, depois, afundou absolutamente morto.
Satisfeito, o professor perguntou aos alunos: ‘E então, o que podemos aprender desta experiência?’ Joãozinho levantou a mão e respondeu: ‘Beba cerveja e você nunca terá vermes!’
Pois é, como piada dá até pra rir, mas quando a bebida vira vício, o risco de morte aumenta gradativamente na vida da pessoa. E além do vício, há outros males que silenciosamente nos atacam a cada dia. Pensando nisso, um médico cardiologista publicou os ‘doze conselhos para ter um infarto feliz’:
1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.
2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se precisar, também aos domingos.
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve serviço para casa e trabalhe até tarde.
4. Ao invés de dizer ‘não’, diga sempre ‘sim’ a tudo que lhe solicitarem.
5. Procure fazer parte de todas as comissões, diretorias e aceite convites para conferências, seminários, simpósios etc.
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã e uma refeição tranquilos. Pelo contrário, aproveite o horário das refeições para fechar negócios.
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro!
8. Nunca tire férias. Lembre-se que você é de ferro.
9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo; delegar é pura bobagem.
10. Se sentir que está perdendo o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo energéticos e antiácidos. Eles o deixarão tinindo!
11. Se tiver dificuldades em dormir, não perca tempo: engula calmantes de qualquer tipo. Agem rápido e são baratos.
12. E o mais importante: não se permita ter momentos de oração, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.
Outro médico, sem cinismo, deu sua receita para evitar adoecer: ‘Fale de seus sentimentos; tome decisões com o coração; busque soluções simples; não viva de aparências; aceite-se; perdoe; tenha esperança em coisas melhores; não viva muito tempo triste’.
Se fizermos uma composição disto com o inverso dos doze conselhos citados, certamente nossa qualidade de vida melhorará rapidamente, pois sabemos que o tempo passa voando e não permite retrocesso. Quando damos conta, já nos encontramos em fases delicadas da vida, que merecem todo cuidado. Esta história retrata bem isso:
Uma turma de amigos quarentões discutia onde jantar. Finalmente concordaram que seria no Café Ritz porque a garçonete era bonitona. Dez anos depois, aos cinqüenta, se encontraram de novo e demoraram a resolver onde jantar. Finalmente foram ao Café Ritz porque a comida era boa e a seleção de vinhos excelente.
Passados mais dez anos, tornaram a discutir onde deveriam jantar. Chegaram à conclusão que iriam ao Café Ritz para desfrutar uma refeição na paz de um restaurante para não fumantes. Após outros dez anos, já com setenta de idade, juntaram-se e escolheram o Café Ritz porque tinha elevador e fácil acesso para cadeira de rodas.
E com oitenta anos no lombo, o grupo se reencontrou uma vez mais para jantar. Após duas horas de discussão, decidiram ir ao Café Ritz porque seria uma ótima idéia experimentar um restaurante onde nunca estiveram antes...
Eu sempre digo que quanto mais refletimos nos conselhos que recebemos ou casos conhecidos, mais devemos valorizar a sabedoria da Palavra de Deus - que nos orienta para a vida eterna. Por exemplo, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (6, 7-15) diz assim:
“Nas vossas orações, não sejais como os gentios, que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lhe pedirdes. Rezai, pois, assim: ‘Pai nosso, que estás no Céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino; faça-se a tua vontade, como no Céu, assim também na terra. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia; perdoa as nossas ofensas, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal’. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas.”
No mês passado, eu segui este conselho e rezei o Pai Nosso em mais dois Santuários: Nossa Senhora Desatadora dos Nós (Campinas) e Mãe Rainha Três Vezes Admirável (Atibaia). Tenho certeza que a oração me ajudou no processo de aprender a amar o próximo.

EM DEFESA DA FÉ CATÓLICA -20 FEVEREIRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Um cidadão estava atrasado para uma importante reunião no centro da cidade e não encontrava vaga para estacionar. Então, levantou as mãos para o céu e disse: ‘Senhor, me arruma um estacionamento e prometo que irei à missa todos os domingos pelo resto da minha vida’. Nesse instante, milagrosamente, apareceu uma vaga à sua frente, e ele rapidamente falou: ‘Não se preocupe, Senhor, já achei sozinho’.
Infelizmente, coisas assim acontecem. As pessoas se lembram de Deus apenas em momentos de apuros e, pior que isso, costumam criticar a religião que ‘pertencem’ para aliviar a consciência. Por isso, em defesa da fé católica, quero convidar você, leitor, a esta reflexão:
O padre John McCloskey ganhou notoriedade por ter convertido ao catolicismo membros influentes da elite política americana, tradicional reduto de protestantes. Economista, abandonou um emprego promissor em Wall Street para se ordenar padre em 1981. No ano passado, foi entrevistado pela Revista Veja e deu respostas sensatas sobre religião e fé, pelo menos no meu ponto de vista. Eis alguns bons argumentos que usou:
Veja: Por que um protestante abriria mão de sua religião para se converter ao catolicismo?
Padre: Porque é crescente o número de protestantes que compartilham os valores morais da Igreja Católica. São cristãos que acreditam na Bíblia, nos dez mandamentos e têm laços pessoais com Jesus Cristo. Ao longo de seu pontificado, João Paulo II insistiu na defesa dos valores da Igreja. São 2000 anos de história! A Igreja Católica tem sacerdotes, Papa, tradição dos grandes santos, arte, cultura, literatura. Enfim, tem uma carga que não se vê em outras religiões.
Veja: O senhor concorda que boa parte dos católicos discorda da posição oficial da Igreja em assuntos como controle de natalidade e divórcio?
Padre: A posição do Papa sobre divórcio, aborto, controle de natalidade não pode mudar, pois está ligada ao que é a Igreja Católica. A Igreja propõe a verdade a seus fiéis, não impõe. Se alguém não quiser pertencer à Igreja, está livre para sair. Note que a Igreja Católica não é uma democracia. É uma instituição Divina que não pode ser questionada. Ao ser criada, tinha apenas doze apóstolos. Hoje chega a 1 bilhão de fiéis, e isso sem que precisasse mudar suas opiniões, baseadas na ressurreição Divina e na palavra de Jesus Cristo. É preferível ter um rebanho menor de católicos do que mudar as regras apenas para arregimentar mais seguidores.
Veja: É mais difícil converter um ateu ou alguém que já tem uma religião?
Padre: Converter o ateu, sem dúvida. Mas cada um tem sua própria história e sobretudo uma graça que o impele a buscar o catolicismo. Alguns fizeram a opção em questão de meses. Outros levaram anos. Não há uma receita pronta, é uma questão de graça e de boa vontade da pessoa que está se convertendo à fé católica.
Veja: É possível ser um católico não-praticante, ou isso é uma contradição?
Padre: Sempre existiram na Igreja os católicos não-praticantes, que são aqueles que não estão cumprindo as leis morais que norteiam a Igreja. Ou seja, culpam a Igreja, mas não culpam a si mesmos, porém, há a possibilidade de você confessar seus pecados e voltar à Igreja. Mas sempre me pareceu uma contradição essa pretensão de ser católico sem acreditar no que a Igreja ensina.
Veja: As pesquisas mostram que a maioria dos católicos americanos acredita que os padres deveriam ter o direito de casar-se. Qual sua opinião sobre o celibato?
Padre: Acho difícil uma mudança no celibato, tradição que remonta aos apóstolos e que a maioria dos sacerdotes ainda apóia. Os que defendem o fim do celibato são grupos pequenos e barulhentos, que se dizem católicos liberais. Talvez seja o último grito antes da morte, pois boa parte desses ativistas tem mais de 70 anos. Nos últimos 35 anos, eles têm esperado mudanças profundas na Igreja, e tudo continua igual. Nada mudou, e nada vai mudar. Vale lembrar que todos os padres assumem um compromisso ao optar pela vida religiosa. O celibato é um símbolo de devoção a Jesus Cristo.
Veja: O senhor costuma repetir que a Igreja Católica só será revitalizada se retornar às raízes. O que significa isso?
Padre: Significa manter estrita fidelidade aos ensinamentos doutrinários e morais da Igreja, que são perpétuos e necessários para a salvação. A Igreja nunca vai rever sua posição de temas como contracepção, aborto, divórcio ou a participação de mulheres no sacerdócio. Para ela, qualquer pessoa – homossexual ou heterossexual – não deve exercer sua sexualidade exceto dentro do casamento. Como um homossexual não pode casar-se, tem de se manter casto. Todo católico deve submissão ao que a Igreja propõe como necessário à salvação.
Veja: A Igreja Católica brasileira perdeu milhões de fiéis nos últimos anos para seitas evangélicas. Por quê?
Padre: Muita gente abandonou a Igreja, mas não perdeu a fé. A maioria passou a ter um laço mais pessoal com Jesus, lendo a Bíblia. Não tenho elementos para analisar o que aconteceu no Brasil, mas acredito que a migração de católicos para as seitas evangélicas não deverá prosseguir pelos próximos anos. É algo que podemos recuperar no futuro.

FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM - 13 Fevereiro 2010

Paulo Roberto Labegalini

Na formação que os Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística receberam do Padre Maristelo dia 9 de fevereiro, ficou bem claro que a responsabilidade é muito grande em distribuir e também em receber a sagrada comunhão. A ponte entre Deus e os homens é missão nobre dos ministros; mas, estar com a consciência tranquila para receber a Eucaristia é igualmente importante.
O tema da pregação foi: ‘Fazei isto em memória de mim’ (Lucas 22, 19), que significa realizar obras de amor lembrando os gestos de Jesus. Isto se completa na participação da Celebração Eucarística - consequência da caminhada cristã. Porém, se o coração não tem compaixão do próximo, o respeito excessivo pelo sagrado aparenta hipocrisia. As coisas de Deus exigem bom senso acima de tudo; mas, sem limites extremos de anormalidade.
E o nosso sacerdote ainda destacou que, para se levar a sério o pedido de Jesus - ‘Fazei isto em memória de mim’ -, precisamos ter princípios cristãos bem definidos, como aqueles citados no livro da Editora Santuário: ‘Cinco pães e dois peixes’, 10ª edição, de François Xavier Nguyen Van Thuan. O autor destaca 24 elementos de conduta cristã; mas, durante a fala do Padre Maristelo, só consegui anotar 21.
Eis o que mais nos aproxima de Deus: desejar renovar o mundo; promover a felicidade do próximo; dar a vida pelo irmão; buscar a unidade dos cristãos; crer na Eucaristia; vestir a camisa do amor; deixar-se levar pela oração; viver o Evangelho; seguir somente Jesus Cristo; cultivar um amor especial por Maria; entender a ciência da Cruz (sofrer em Cristo); ter o ideal de se aproximar de Deus; temer o mal (resultado do pecado); manter o desejo de ‘vir a nós o vosso Reino’; desapegar-se dos bens materiais; ter contatos pessoais (e saber ouvir); ser discípulo e missionário de Jesus; fazer a vontade de Deus; saborear o momento presente; caminhar nas bem-aventuranças; buscar a recompensa no Paraíso.
Tudo isto em memória de Cristo! E se alguém, por exemplo, tem dificuldades em perdoar, não deve estar em conformidade com os passos cristãos propostos por François Van Thuan. E ainda: ao invés de assumimos o risco de desorientar os amigos com alguns conselhos inúteis, por que não passar a divulgar esta relação ao próximo?
Aliás, quem tem o dom da comunicação precisa sempre pôr a ‘boca no trombone’. Leia abaixo alguns trechos de ‘Passeio Socrático’, escrito por Frei Betto:
“Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Aquilo me fez refletir: Qual dos dois modelos produz felicidade?
Encontrei Daniela pela manhã no elevador, 10 anos, e perguntei: ‘Não foi à aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã! Aulas de inglês, de balé, de pintura’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!’
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Em 1960, uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais. O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo catedrais; hoje, no Brasil, constrói-se shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, nem sujeira.
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
- Estou fazendo um passeio socrático. Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.”

CELEBRAR A VIDA - 7 FEVEREIRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

A última mensagem de aniversário que recebi por e-mail veio da Eliza do César, que dizia assim:
“A Vida não é para ser passada, mas para ser celebrada. Cada fato, cada momento, cada segundo é uma vitória, é uma etapa. O importante não é chegar, mas é ir. Começar, persistir, cair, levantar, amar, perdoar, sentir, sofrer, viver é celebrar. Celebre este dia como se fosse o último de sua vida e como se fosse o primeiro do resto de sua vida! Celebre não porque os outros o reconhecem, porque você se sente importante ou porque gostaria de ser amado. Celebre porque você é único! Obra rara. Especial porque existe. Você é uma vitória da vida, da sua vida, importante para os que o cercam. Você nasceu para ser feliz, para brilhar, para se gastar como uma vela, iluminando a todos com sua luz. Feliz viver!”
Fico contente quando penso que há pessoas que torcem e rezam por mim. O amor que Jesus pregou e que deveríamos praticar como irmãos poderia ser rotina em nossas vidas, mas quase sempre fica em segundo plano. Contudo, a solidariedade em larga escala ainda existe. Leia isto:
Eliane Brum, repórter da ‘Revista Época’, escreveu que seis dias depois do terremoto no Haiti, Roger continuava diante das ruínas do prédio onde estava sua mulher Jeanette. Para todos, morta; para ele, viva. De repente, alguém ouviu um barulho. ‘Ela está viva!’, gritou Roger. Enterrada há quase uma semana, Jeanette respirava com dificuldade na escuridão. E ela mandou um recado para Roger: ‘Eu te amo muito. Nunca se esqueça disso’. Imediatamente o marido pegou um pedaço de ferro e começou a cavar.
Este pequeno drama entre dezenas de milhares explica que, diante do momento-limite, somos levados não aos grandes bens ou aos grandes planos, mas aos detalhes cotidianos que em geral passam despercebidos. O que nos falta é aquilo que nos preenche a cada dia sem darmos conta. Aquilo para o qual, em geral, não temos tempo.
Será que é preciso quase morrer para lembrar-se de viver? Até quando haverá uma segunda chance?
Depois de três horas, Jeanette foi arrancada dos escombros. Saiu de lá cantando uma música cuja letra dizia: ‘não tenha medo da morte’. De novo teve algo para nos ensinar. Ela sacudiu a poeira e partiu rumo ao cotidiano porque a vida tem de continuar por amor àquilo que mais importa. No caso de Jeanette, o seu amor por Roger. A haitiana provou que mais triste que a morte é uma vida desperdiçada com coisas fúteis, que não tem importância.
Mas, infelizmente, nem todos celebram a vida com espírito cristão. O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro escreveu um texto intitulado: ‘Precisa-se de matéria prima para construir um país’. Alguns trechos descrevo abaixo:
“A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema está em nós, porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano, onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar o que não tem, encher o saco do que tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser comprados sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar.
Esses defeitos, essa esperteza brasileira congênita, essa desonestidade em pequena escala, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, eleitos por nós!
Entristeço-me. Ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que somos nós mesmos. E enquanto essa ‘outra coisa’ não comece a surgir, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados, igualmente sacaneados!
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada!
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe que melhore seu comportamento e não se faça de surdo, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro que o encontrarei quando me olhar no espelho.
É o que sempre digo: o governo somos nós; os políticos, nem tanto assim.”

FÉRIAS DE VERÃO - 30 JANEIRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

As férias de janeiro foram muito abençoadas para mim; primeiro porque eu precisava descansar um pouco depois da correria do final de ano, e também porque convivi com pessoas maravilhosas o mês inteiro. Nem as chuvas que castigaram tantas regiões atrapalharam meus passeios. Isso não significa que não fiquei triste com tantas desgraças ocorridas no Haiti, em Angla, São Paulo etc. Rezei algumas vezes pelas vítimas da nossa natureza tão agredida.
Iniciando os relatos pelo dia 19, estive na Matriz Nossa Senhora da Soledade para agradecer os 54 anos de vida e, quando lá chegava, o CD no carro começou a tocar ‘Graças Pai’. Fiquei arrepiado porque era exatamente o que eu queria dizer a Deus naquele momento. E sozinho no banco da igreja após o almoço, rezei um terço em agradecimento a tantas coisas boas em minha vida. Aproveitei para pedir bênçãos às pessoas que solicitam minhas orações e também a você, leitor deste renovado jornal. Não tenho dúvidas que o Santiago e o Trotta presentearão a região com grandes trabalhos.
No mesmo dia, alguns amigos foram ao meu apartamento me dar um abraço. Comentei que aquilo era inédito para mim porque sempre passei a noite do aniversário na missa. Gastamos bastante saliva e só falamos de coisas boas; também pudera, onde estão o Amaury, o Lenarth, o Elzo e o Wlamir, bons papos fluem com naturalidade. Ah, e ainda acabei combinando um retorno a Ubatuba no final de semana.
Antes, porém, fui com a família a Taubaté e resolvemos passar na Basílica de Aparecida para saudar a Mãezinha. Ao entrar no templo sagrado, o bispo que presidia a Celebração da Eucaristia se preparava para a distribuição da comunhão e a bênção do Santíssimo. Minha filha, Soraia, ainda comentou que não foi coincidência a nossa presença no Santuário naquele momento.
Chegou o sábado, dia 23, e descemos para a Praia das Toninhas. No mesmo condomínio estava a família do grande amigo Lenarth - um exímio cozinheiro! O macarrão com atum que ele nos recebeu foi elogiado por todos. Comentei que nunca mais comerei outro igual, e acharam que eu disse isso porque não gosto de atum. A verdade é que desceu gostoso. A fome também ajudou a ingestão. Hehehe...
Foram dias maravilhosos, mas quero enfatizar o que aconteceu na noite de 25 de janeiro. Chegamos à praça central de Ubatuba às 19h30 e reparei que a missa estava por começar na igreja matriz. Era dia de São Paulo, padroeiro dos cursilhos de cristandade; data importante para mim porque nasci na cidade de mesmo nome e me chamo Paulo. Participei da missa e me senti privilegiado por ter passado pelo local exatamente no início da Celebração. Também não foi simples coincidência, mas outro chamado para eu estar mais próximo de Deus nas férias.
E no dia seguinte, quando eu e minha esposa pegávamos a estrada de volta, atendi o sinal de um veículo que vinha atrás, pedindo que eu parasse. O motorista veio até meu carro com estas palavras: ‘O senhor é de Itajubá? Puxa, que sorte! Meu sogro, o doutor Renato, tem um carro igual ao seu e está voltando agora para Pouso Alegre com meus filhos gêmeos. Acontece que, por engano, levaram a minha carteira e me deixaram sem nenhum dinheiro. Preciso pagar o borracheiro e colocar gasolina para retornar a Santa Rita do Sapucaí. Sou professor lá há muitos anos! Pode me emprestar alguma quantia para me tirar desse apuro? Anotarei seu telefone e o pagarei assim que chegar’.
Moral da história: caí no golpe que nem um pato e perdi setenta reais! Foi tudo tão rápido, no meio da chuva, que acabei compadecendo daquele cidadão em dificuldade. Hoje, vejo que poderia ser pior. Depois que parei o carro, muita coisa ruim teria para acontecer se não tivéssemos proteção do Céu. Com certeza, o terço que rezamos no caminho nos ajudou a não sofrer mal maior.
Nestas férias também visitei minha netinha em Rio Negro, minha mãe e minha irmã em Monte Sião. Foram viagens muito agradáveis que me deram força para aguentar mais um período de saudades. Como é bom ser querido pela família e estimado pelos amigos! Mesmo não merecendo tantos presentes, a infinita misericórdia Divina me concede prêmios que nunca imaginei receber. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo por isto também!
Enfim, há anos eu não jogava pebolim, ping-pong, baralho, frescobol e disco na areia. Há bastante tempo eu não mudava tantas vezes de ambientes no mesmo mês. Nem me lembro se algum dia piquei cebolas para fazer vinagrete, mas executei com perfeição essa tarefa na praia! E além disso tudo, conheci três cursilhistas de Cachoeira Paulista e o padre Daniel de Cruzeiro. Ficamos amigos e irão ler este artigo também.
Estou lembrando agora da história do menino que viu a mãe pôr um prato de linguiça e torradas bastante queimadas defronte ao pai. O garoto nunca se esqueceu que o pai comeu as torradas com alegria e ainda perguntou a ele como tinha sido o seu dia na escola. No final do jantar, quando a mãe se desculpou por ter queimado a torrada, o pai sorriu e respondeu: ‘Eu adoro torradas queimadas’.
Qualquer semelhança da história com o macarrão com atum que comi na praia é mera coincidência.

A TERCEIRA IDADE - 23 janeiro 2010

Paulo Roberto Labegalini

Resolvi escrever este artigo porque algumas pessoas que mais rezam por mim são senhoras de 80, 82 e 93 anos: minha mãe, D. Sebastiana e D. Onofra. Inicio por uma história que corre na internet:
No primeiro dia de aula, nosso professor nos desafiou a apresentar alguém que não conhecêssemos ainda. Eu fiquei em pé para olhar ao redor quando uma mão suave tocou meu ombro. Olhei para trás e vi uma velhinha enrugada sorrindo para mim. Ela disse:
- Ei, bonitão, meu nome é Rosa. Tenho oitenta e sete anos de idade. Posso lhe dar um abraço?
Eu concordei e perguntei:
- Por que você está na faculdade em idade tão avançada?
- Eu sempre sonhei em ter estudo universitário e agora estou tendo um!
Após a aula, caminhamos para o prédio da união dos estudantes e nos tornamos amigos instantaneamente. Eu ficava extasiado ouvindo aquela ‘máquina do tempo’ compartilhar sua experiência e sabedoria comigo. Ela tornou-se um ícone no campus e fazia amigos onde quer que fosse.
No fim do semestre, convidamos Rosa para falar durante o nosso banquete de futebol. Ela pegou o microfone e disse:
- Nós não paramos de amar porque ficamos velhos, aliás, nos tornamos velhos porque paramos de amar. Existem segredos para continuarmos jovens de sucesso: você precisa rir e ter um sonho. Vemos tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem desconfiam! Se você tem dezenove anos e ficar deitado na cama por um ano inteiro sem fazer nada de produtivo, ficará com vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete e ficar na cama por um ano e não fizer coisa alguma, ficarei com oitenta e oito. Portanto, ficar velho não exige talento nem habilidade. A idéia é crescer feliz, encontrando oportunidades de mudar. E não tenha remorsos. As únicas pessoas que têm medo da morte são aquelas com muitos remorsos.
Uma semana depois da formatura, Rosa morreu tranquilamente em seu sono. Mais de dois mil alunos da faculdade foram ao funeral em tributo à maravilhosa mulher que nos ensinou isto: ‘Nunca é tarde para ser tudo aquilo que você deseja ser’.
Agora, para quem gosta de fatos reais, pode se espelhar na neurologista Dra. Rita Levi-Montalcini, Presidente Honorária da Associação Italiana de Esclerose Múltipla, que completou 100 anos no dia 22 de abril de 2009. Em 1951, veio ao Brasil para realizar experiências de culturas in vitro no Instituo de Biofísica da Universidade do Rio de Janeiro onde, em dezembro do mesmo ano, conseguiu identificar o fator de crescimento das células nervosas. Foi esta descoberta que lhe valeu o Prêmio Nobel de Medicina junto com Stanley Cohen. Eis uma entrevista que concedeu em 2005:
- Como vai celebrar seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá e, além disso, não gosto de celebrações. Gosto do que faço a cada dia.
- E o que você faz?
- Trabalho para dar bolsas de estudo às meninas africanas. Quero que estudem e prosperem. E continuo investigando, sigo pensando, porque jamais vou me aposentar. Aposentar-se é destruir o cérebro! Possuímos grande plasticidade neural; e quando morrem neurônios, os que restam se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los. Mantenha seu cérebro com ilusões, sempre ativo, faça com que trabalhe e ele nunca se degenerará. A chave é manter curiosidades, entusiasmos, paixões.
- E o que tem sido o melhor da sua vida?
- Ajudar aos demais cada vez mais.
- Já pensou no que faria hoje se tivesse 20 anos?
- Exatamente o que eu estou fazendo! Minha idade não prejudica meu trabalho.
Também a idade de Zilda Arns não a impediu de ajudar o povo do Haiti. Aos 75 anos, morreu trabalhando e servindo o próximo, por amor a Deus.
Médica pediatra e sanitarista, fundou a Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo, viúva desde 1978, teve cinco filhos. Para ser indicada ao Prêmio Nobel, Zilda percorreu um longo e dedicado caminho.
Em 1955, começou sua vida profissional como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba. Suas participações em eventos internacionais são diversas: de Angola à Indonésia, Estados Unidos e Europa, Zilda Arns representou a Pastoral da Criança. Proferiu centenas de palestras, acompanhou comitivas brasileiras a outros países, levando a Pastoral para o mundo. Sua participação em eventos nacionais é praticamente incontável; desde 1994 são aproximadamente 27 eventos ligados à Pastoral da Criança e inúmeros outros pela Pediatria.
Tanta dedicação teve seu reconhecimento. Desde 1978, são diversas menções especiais e títulos de cidadã honorária. E da mesma forma, a Pastoral da Criança já recebeu diversos prêmios pelo trabalho que vem sendo feito desde a sua fundação.
Que esse grande exemplo de amor, cidadania e fé possa nos animar a praticar a caridade. Recordo o que me disse o amigo vicentino de Curitiba, padre Máikol: ‘Zilda Arns será santa!’

O BBB ESTÁ DE VOLTA - 16 JANEIRO 2010

Paulo Roberto Labegalini

Sou da época que ‘BBB’ significava ‘Bom, Bonito e Barato’ - saudoso tempo em que se podia confiar nas aparências e promessas das pessoas. Hoje, sem grandes compromissos com a educação e a moralidade nas famílias brasileiras, faz-se qualquer coisa em troca do lucro e da fama. É claro que não podemos generalizar, mas, se não denunciarmos coisas erradas que vêm acontecendo aos montes, em breve só restarão exceções de ‘Brasileiro Bobo e Burro’.
A TV contribui muito para os ‘modismos’ que estamos vivendo e, infelizmente, não sobra quase nada de bom na programação da Globo se deixarmos de fora do horário nobre: notícias, filmes e esportes. E não podemos negar que a culpa disso é só nossa, que damos audiência máxima às novelas e ao ‘Big Brother Brasil’. Quem fica mais de uma semana fazendo palhaçadas ou se despindo na frente das câmeras vira ídolo e, a partir disso, começa a se enriquecer com novos trabalhos na mídia. Não importa se o ‘famoso’ tem escolaridade ou boa comunicação, basta ser popular!
Então, não há como tirar a razão do Moacyr Franco que afirmou ao Canal 20 sua indignação com a má qualidade dos artistas e cantores contemporâneos. Ele próprio não tem gravadora e muito menos programa na televisão, embora lote todas as casas de espetáculos onde se apresenta. E vimos aqui em Itajubá-MG, no Natal no Campus, que grande show que ele realiza, mas não é isso que as emissoras de televisão querem.
Enquanto Moacyr Franco, Joanna, Toquinho, Benito di Paula, Belchior e outros grandes talentos ficam fora dos nossos lares, vamos espiando o que acontece na ‘casa mais vigiada do Brasil’, onde besteiras e brigas não têm limites para acontecer. Talvez alguém pudesse defender esse tipo de programa afirmando que ‘faz parte da nossa realidade’; será mesmo?
Você concordaria em deixar filmar algum tipo de confusão em sua casa? Gostaria que pessoas rissem dos seus problemas? Esse tipo de ‘realidade’, que não contribui em nada para a formação cultural do nosso povo, precisa vir à tona? Ah, mas a Globo ganha demais com isso, não é verdade?
O humorista Orival Pessini, criador do boneco ‘Fofão’ e do estudante de comunicação ‘Patropi’, há 6 anos está no esquecimento, mas ‘Zorra Total’ repete personagens sem graça e piadas mal escritas todo sábado! A explicação é simples: tem quem gosta; aliás, tem muita gente que gosta! E os que não gostam, o que fazer? Há noites que dá vontade de ver programas melhores para aliviar a carga de trabalho daquele dia, mas... Bem, os poucos que recorrem à TV Canção Nova, por exemplo, encontram alimento espiritual e conforto para a alma.
Como pouca gente se interessa em aprender os ensinamentos evangélicos e colocá-los em prática, uma opção seria recorrer a bate-papos com os amigos; contudo, há bons amigos para conversas sadias? Acho que todos responderiam ‘sim’; porém, há pesquisas indicando que isto já não é tão fácil como antigamente. Então, que tal cuidar das boas companhias?
Uma história retrata um grande terremoto onde morreram milhares de pessoas e animais, entre eles: João de Deus, seu cavalo e seu cachorro. Algum tempo depois, acordaram num lugar desconhecido com várias opções de caminhos para seguirem. Entraram na estrada mais próxima, logo chegaram numa porteira e foram atendidos por uma linda jovem:
- Que bom que vieram! O que desejam?
- Queremos um lugar para ficar eternamente; podemos entrar? - perguntou João.
- Infelizmente animais não entram aqui. Se desejar, somente o senhor será aceito - respondeu a moça.
- Eu agradeço, mas onde meus amigos não podem ficar eu também não entrarei.
E seguindo por outro caminho, avistaram mais uma porteira e foram igualmente bem atendidos por outra jovem:
- Olá, seu João, seja bem-vindo! Estávamos à sua espera.
- Mas, eu não entrarei sem estes fiéis amigos que trouxe comigo. Fizeram parte de minha vida e não os abandonarei.
- Não se preocupe, eles serão nossos convidados especiais e não os deixaremos do lado de fora; na verdade, eu precisava ter certeza que o senhor os amava para liberar sua entrada no Céu.
Assim, os três amigos descansaram juntos no Paraíso.
Shakespeare também escreveu a respeito de amor e amizade:
“Perguntei a um sábio a diferença que havia entre amor e amizade, ele me disse essa verdade... O amor é mais sensível, a amizade mais segura. O amor nos dá asas, a amizade o chão. No amor há mais carinho, na amizade compreensão. O amor é plantado e com carinho cultivado, a amizade vem faceira e, com troca de alegria e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira. Mas quando o amor é sincero ele vem com um grande amigo, e quando a amizade é concreta ela é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão, ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração.”
Então, quem sabe, valorizando mais o convívio ético e moral na sociedade, aos poucos poderemos deixar de prestigiar imoralidades na televisão. E se você é contra tudo isto que escrevi, respeito sua opinião; e continuarei rezando para que a vontade de Deus prevaleça muito além da nossa. Não sou o dono da verdade, mas sou o filho do Dono.

PACTO COM A FELICIDADE - 9 Janeiro 2010

Paulo Roberto Labegalini

Na semana passada, eu publiquei um texto de Natal do Pe. Maristelo e, em outra página deste jornal, a mesma mensagem saiu na íntegra. Mas, como dezenas de amigos moram longe de Itajubá-MG e recebem este artigo pela internet, minha intenção de transmitir fé e esperança sem duplicidade foi cumprida. Aliás, algumas pessoas responderam elogiando o texto.
Então, também por esse motivo, eis parte da mensagem de Ano Novo que o mesmo sacerdote leu na missa do dia 31 de dezembro na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração:
“Mudamos alguma coisa passando de um ano para o outro? Os dias depois de 1º de janeiro são diferentes dos dias anteriores a 31 de dezembro?
Nosso poeta Drummond, encantado com este mistério assim falara do ano novo: ‘Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente’.
Chamar 2009 de ano velho não é uma ofensa pra quem conviveu conosco 365 dias, na alegria e na tristeza? Cantar ‘adeus ano velho’ para ele não é uma forma cruel de despachar um companheiro de todas as horas, de todos os minutos e de todos os segundos? Cantar ‘Feliz Ano Novo’ para 2010 não é uma forma excessivamente rápida de esquecer o passado e se envolver com o que chega?
No salmo 89, assim canta o salmista: ‘Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria!’ O desafio da passagem do ano não é a contagem dos dias que se passaram ou dos dias que faltam; mas, aprender a saborear os dias vividos e a salivar pelos dias que se aproximam. Santo Inácio de Loyola dizia: ‘Porque não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas, o sentir e saborear as coisas internamente’. Plagiando esse mestre espiritual, poderíamos dizer que não são os muitos anos vividos que saciam a vida, mas, a capacidade de sentir e saborear as experiências vividas.
Imagino a passagem de um ano para o outro como o encontro do idoso com a criança. O idoso não é um velho nem é um ultrapassado, mas é alguém que traz a experiência do vivido, tão respeitado nas culturas antigas. A criança não nasce instantaneamente, mas desde a concepção vai sendo gerada. Antes mesmo de ser gerada no ventre, vai sendo gerada no coração e no sonho de muitos homens e mulheres; por isso, não se sabe precisamente quando nasce uma criança. Uma pessoa quando parte continua viva na mente e no coração daqueles que a amam.
A passagem do ano não é o funeral de um ano e o nascimento do outro, é a dança do idoso com a criança. Ele com os passos cansados, mas vividos. Ela ensaiando os passos, mas cheia de energia. Nesse baile, em vez de uma ampulheta se entrega uma rosa branca com folhas bem verdes; branca como a paz, verde como a esperança, sementes semeadas ontem, flores colhidas hoje, anunciando o fruto de amanhã. Ambos embalam uma criança que se chama Jesus.
Nós, cristãos, temos um conceito de tempo que se chama eternidade: existência absoluta, sem princípio nem fim, pois a nossa história foi assumida por Aquele que é o Ontem e o Hoje, o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega, o Senhor do Tempo e da Eternidade, Aquele que era, que é, que será.
Na passagem do ano ao Senhor da Eternidade cantamos Te Deum: ‘A Ele o tempo e a eternidade, a glória e o poder pelos séculos sem fim’. Aos irmãos que estamos no tempo, diferente de Vinícius não dizemos: ‘que seja infinito enquanto dure’, mas sim, que seja eterno, pois dura para sempre. Dizemos mais do que adeus ano velho ou feliz ano novo. Desejamos simplesmente eternidade feliz, eternamente feliz.
Depois destas belas palavras, que tal fazermos um ‘Pacto com a Felicidade’? Por exemplo:
De hoje em diante, todos os dias ao acordar direi: ‘Hoje vou ser feliz’. Lembrarei de agradecer ao sol pelo seu calor e luminosidade; sentirei que estou vivendo. Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio das ondas do mar. Vou sorrir mais, cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades. Não julgarei os atos dos meus semelhantes; mas vou aprimorar os meus.
Reservarei minutos de silêncio para ter a oportunidade de ouvir. Não vou lamentar nem amargar as injustiças; pensarei no que posso fazer para diminuir seus efeitos. Não vou sofrer por antecipação, prevendo futuros incertos, lembrando de coisas sobre as quais não tenho mais ação. Não pensarei no que não tenho e que gostaria de ter, mas em como posso ser feliz com o que possuo. E o maior bem que possuo é a própria vida!
Vou lembrar-me de ler uma poesia, ouvir uma canção e dedicá-las a alguém, sem esperar nada em troca, apenas pelo prazer de ver uma pessoa sorrir. E quando a noite chegar, olharei para as estrelas, para o luar e agradecerei a Deus... porque eu fui feliz!
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NATAL E ANO NOVO - 2 Janeiro 2010

Paulo Roberto Labegalini

O Padre Maristelo encaminhou aos agentes da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coracão uma mensagem de final de ano com trechos muito bonitos, assim:
“Chegou o Natal. O que dizer? A linguagem é impotente para expressar a realidade, nos diz a filosofia da linguagem. Para tocarmos a realidade, sobretudo as mais profundas da vida, só podemos por meio de metáforas, tocando-as com as pontas dos dedos e não as abarcando com a mão, como se acaricia o rosto de quem se ama. Metáforas como Moisés tirando as sandálias diante da sarça ardente.
Com o que poderemos comparar o Natal?
O Natal é como a alegria de um filho que recebe um telefonema de seu pai depois de anos sem contato nenhum. É isso e muito mais. É o pai que nos doa o filho para que sejamos filhos no Filho, dando-nos a alegria e a liberdade de viver.
O Natal é como a alegria de uma família que acolhe uma gravidez indesejada, mudando a vida, os corações e a reações das pessoas. É isso e muito mais. É a chegada do desejado, do esperado desde toda a eternidade, da criança que nos desinstala.
O Natal é como a Maria do presépio de Sartre: ‘A Virgem está pálida e olha para o menino. O que seria preciso pintar em seu rosto é uma admiração ansiosa que só apareceu uma vez num rosto humano. Pois, Cristo é o seu filho, a carne da sua carne, e o fruto do seu ventre... E em certos momentos a tentação é tão forte que ela esquece que o menino é Deus. Aperta-o em seus braços e diz: meu pequeno! Mas, em outros momentos, fica desconcertada e pensa: Este Deus é meu filho. Esta carne divina é a minha carne. É feita de mim, tem os meus olhos’. É isso e muito mais. É a Amada encontrando o seu Amado.
O Natal é também como o José do mesmo presépio de Sartre: ‘E José? José, eu não o pintaria. Mostraria apenas uma sombra no fundo do celeiro e dois olhos brilhantes. Pois não sei o que dizer de José, e José não sabe o que dizer de si mesmo. Adora e está feliz por adorar e se sente um pouco em exílio. Creio que sofra sem confessar. Sofre porque vê o quanto a mulher que ama se parece com Deus, o quanto está perto de Deus. Pois, Deus estourou como uma bomba na intimidade dessa família. José e Maria estão separados para sempre por esse incêndio de luz. E toda a vida de José, imagino, será para aprender a aceitar’. É isso e muito mais. É José acordando do seu sonho para sonhar o sonho de Deus.
O Natal é como o Menino Jesus de Fernando Pessoa: ‘Depois Ele adormece e eu o levo no colo para dentro da minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno até Ele estar nu. Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes, Ele acorda de noite, brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar, põe uns por cima dos outros, e bate palmas, sozinho, sorrindo para os meus sonhos. Quando eu morrer, Filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me para dentro da Tua casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e humano. Conta-me histórias caso eu acorde para eu tornar a adormecer, e dá-me sonhos Teus para eu brincar’. É isso e muito mais. É o Menino nos chamando para a manjedoura, nos dizendo que há lugar para nós na gruta do seu coração.
O Natal é como a Canção Amiga de Drummond: ‘Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças’. É isso e muito mais. É uma canção que acorda a criança adormecida dentro das pessoas e adormece os adultos.
O Natal é como a pergunta de Machado de Assis: ‘Mudaria o Natal ou mudei eu?’ É isso e muito mais. Muda cada natal, mudamos todos a cada natal. Mudaríamos no natal?
O Natal é tudo isso e muito, muito mais do que isso. O Natal é Natal. O Natal é.
Feliz Natal! E muito mais...”
Quanta poesia e imaginação de primeira qualidade do nosso querido sacerdote, não? São coisas de Deus! Porém, o mundo não vive somente o Natal, mas também muito mais.
Há muito tempo, Pilatos resolveu lavar as mãos e condenar Jesus ao invés de Barrabás. Os políticos lavam as mãos para não condenar os parlamentares por corrupção. Muitos governos resolveram não tomar providências para evitar o aquecimento global e, agora, não há retorno para o superaquecimento do Planeta. Países ricos investem em armamentos de guerra e deixam centenas de milhares de pessoas morrendo de fome.
Em nome do modernismo, famílias inteiras ficam diante da TV vendo imoralidades, tipo Big Brother, enquanto igrejas padecem por falta de voluntários que desejam se salvar. Bebidas são consumidas com exagero em todos os lugares, tirando a paz de muitos corações que dependem da recuperação de pessoas viciadas.
Até quando deixaremos nossa sociedade ser violentada pelo mal? Até quando lavaremos as mãos e ficaremos sem rezar o suficiente para que as coisas mudem? O relativismo do pecado corrompe os bons costumes e o chamado de Cristo para que sejamos ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’ fica em segundo plano. Será sempre assim?
Levante suas mãos para o Céu e peça ajuda! Ainda é tempo de fazer bem feita a sua parte! Lembre que estamos iniciando um feliz novo ano!