Artigo Semanal (abaixo) publicado na mídia
impressa pelo meu amigo Paulo Labegalini de Itajubá-MG.
paulolabegalini@oi.com.br
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ORIENTE-SE
Minha despedida deste jornal – 12 dezembro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Em meados de 1997, eu escrevi uma matéria para ‘O Sul de Minas’
intitulada ‘Os Vicentinos’. Pouco tempo depois, o engenheiro Alfredo
Pacheco disse-me que fazia parte do conselho editorial do jornal e proporia
aos demais membros a minha participação semanal. Assim, há
13 anos, teve início a coluna ‘Oriente-se’.
E graças ao bom Deus e às bênçãos da minha
querida Mãezinha do Céu, nunca deixei de encaminhar meus artigos
nas datas estabelecidas pela redação. Este é o de número
660, o último que será publicado.
Aos meus leitores, quero informar que eu não abdicaria da missão
evangelizadora que assumi, muito pelo contrário, a cada ano procurei
adicionar assuntos de interesse comunitário às mensagens cristãs.
Falei de pessoas, comentei eventos que participei, confirmei convicções
pessoais, coloquei a Palavra de Deus na mídia, transcrevi orações,
brinquei nas piadas, orientei como trilhar caminhos para o Paraíso e,
na maioria das vezes, contei histórias.
Os textos poderiam ter sequência, porém, na semana passada, o sócio
proprietário deste jornal, Luiz Antonio Santiago, telefonou-me e explicou
que, devido às próximas mudanças, o espaço que ocupo
será substituído. Fiquei surpreso, mas reafirmei que não
escrevo para venderem jornal nem para promoção pessoal, mas para
passar mensagens e testemunhos da fé cristã. Portanto, mesmo que
eu e O Sul de Minas não tenhamos prejuízo, certamente o Reino
de Deus perderá uma contribuição a mais na Terra.
Pois bem, já que o fato está consumado, só me resta me
despedir. Os redatores que trabalhei – Regilena, Moacir Carvalho, Trotta
– e os padres Missionários do Sagrado Coração sempre
apoiaram esta coluna. Alguns sacerdotes – como o padre Mauro – diziam
que usavam minhas histórias nas pregações. Centenas de
leitores fizeram contato afirmando o quanto lhes fazia bem cerca de 4.000 palavras
toda semana. O Moacir de Souza e sua equipe, que atuaram na gestão anterior
do jornal, valorizaram demasiadamente os textos que escrevi. A todos, muito
obrigado.
Se mais alguém vier a se lamentar pela decisão tomada pelo Santiago,
eu direi: dos males, o menor. Pelo menos ninguém morreu, ninguém
brigou, não haverá rancor. Continuaremos todos irmãos e,
acredito, rezando uns pelos outros. De minha parte, terei cerca de três
horas a mais na semana para outra atividade. No período que estaria escrevendo
um artigo, quem sabe levarei comunhão para um doente ou prepararei uma
música nova para cantar nas missas.
Quem precisar de alguma iniciação na Igreja católica pode
me procurar. Sou Vicentino, membro da Pastoral Familiar, participo do Movimento
OVISA, do Cursilho e conheço outros grupos na Comunidade Nossa Senhora
do Sagrado Coração que precisam de agentes. Mesmo involuntários,
novos pontos de encontro aparecerão. Na Pró-Reitoria de Cultura
e Extensão da UNIFEI, as portas estarão abertas aos amigos e parceiros.
Os eventos do Natal no Campus estão chamando cada vez mais pessoas e,
neles, sempre estarei presente.
Hoje, aqui, eu falaria do espetáculo maravilhoso proporcionado pelo Ballet
Bolshoi sábado passado, do grandioso encontro de corais domingo, mas
o espaço não será suficiente. Você, leitor, poderá
saber outros detalhes dos shows em veículos de comunicação
que estão cobrindo o Natal no Campus 2010. Quando sair esta publicação,
os shows de Jair Rodrigues e Adriana Calcanhoto já terão passado,
mas a Banda Sinfônica ainda não. Compareça neste sábado,
dia 18, e estaremos juntos. Obrigado pela doação de alimentos
e brinquedos para o almoço solidário do dia 19. Será uma
grande festa de aniversário ao Menino Jesus.
Neste artigo, eu também acrescentaria alguns detalhes da homenagem que
recebi esta semana do Grupo Escoteiro Itajubá por relevantes serviços
prestados ao escotismo em nossa cidade. Isso foi fruto do meu lema de vida:
servir a Deus com humildade, qualidade e responsabilidade – serviço
que se concretiza na caridade, amando o pobre. E ainda aconselho: perdoe e será
perdoado, peça a Nossa Senhora e será atendido, confie que cada
porta que se fecha, outras se abrirão.
Não posso reclamar do ano que está findando. Recebi três
homenagens, lancei mais dois livros, fiz novas amizades, compartilhei sucesso
profissional e paz espiritual. Minha família caminha com dignidade cristã,
superando todos os obstáculos do dia-a-dia; enfim, Jesus Cristo me proporciona
condições ideais para continuar no Seu discipulado. As coisas
que não são de minha compreensão, o tempo mostrará
o porquê prevaleceram outras opiniões.
Em almoço recente do grupo de casais Ovisinha, eu e o amigo André
Gesualdi comentamos que algumas decisões são tomadas contra a
nossa vontade e mexem significativamente com nossas vidas. Nunca saberemos exatamente
o que vem pela frente, mas a fé e o amor do coração ninguém
pode nos tirar.
Um santo Natal a todos e que 2011 reflita um grande sorriso de Jesus Cristo
para nós.
LIÇÕES PARA COMEMORAR O NATAL – 5 DEZEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Um professor se encontrou com um grupo de jovens que falavam contra o casamento.
Os rapazes argumentavam que o que mantém um casal junto é a atração
física e, quando isso se esfria, é preferível acabar com
a relação. O mestre disse que respeitava aquela opinião,
mas lhes contou o seguinte:
“Meus pais viveram casados 55 anos. Uma manhã, mamãe sofreu
um infarto. Meu pai a levou à caminhonete e dirigiu a toda velocidade
até o hospital. Quando chegou, infelizmente ela já havia falecido.
Durante o enterro, meu pai não falou e, somente à noite, ele pediu
que o levássemos ao cemitério. Não discutimos e fomos.
Pedimos permissão ao zelador e, com uma lanterna, encontramos a lápide.
Meu pai chorou e disse aos filhos:
- Ninguém pode falar do amor verdadeiro se não tem ideia do que
é compartilhar a vida com uma mulher assim. Vivemos a alegria de ver
nossos filhos terminarem suas carreiras, rezamos juntos na sala de espera de
alguns hospitais, nos apoiamos na hora da dor, nos abraçamos em cada
Natal e perdoamos nossos erros. Estou conformado porque ela se foi antes de
mim, porque não teve que sentir a dor de me enterrar. Sou eu que ficarei
sozinho e agradeço a Deus por isso.
Quando terminou, meus irmãos e eu estávamos com os rostos cobertos
de lágrimas. Nós o abraçamos e, acreditem, era ele que
nos consolava! Então, naquela noite, entendi o que significa um verdadeiro
amor e o que professam duas pessoas realmente comprometidas com a salvação
de suas almas.”
Assim que o mestre terminou, os jovens universitários não quiseram
argumentar. Esse tipo de relação era algo que não conheciam
e os deixou maravilhados.
E para não me limitar somente a um caso fictício, vou relatar
partes da vida de uma verdadeira cristã. Para ela, Natal não acontecia
apenas em dezembro, mas o ano inteiro! Leitor, vamos nos inspirar em Maria Antonieta
Consoli para comemorarmos com alegria o nascimento do Menino Jesus?
Para Maria, as celebrações preferidas eram o Natal, o Sete de
Setembro e o Dia das Mães. Nasceu em Pouso Alegre (MG) no ano de 1910
e, ao chegar a Itajubá-MG, lecionou no Grupo Escolar Theodomiro Santiago.
Depois, foi nomeada para a Escola de Horticultura, hoje Escola Estadual Wenceslau
Braz.
Sua dedicação ao ensino chamava a atenção dos diretores
e colegas de trabalho. Tinha respeito pelo Pavilhão Nacional e orgulhava-se
de nunca ter deixado de cantar o Hino Nacional antes das aulas. Seus alunos
ainda recordam o carinho e a atenção que eram dispensados a cada
um, pois não faltava uma pequena lembrança ou alguma guloseima
para os mais carentes. Também jamais levantou a voz com algum deles.
Ao aposentar-se, dedicou-se mais aos filhos, netos, trabalhos filantrópicos
e religiosos - foi Ministra da Eucaristia. Mesmo com mais de 80 anos, levava
a Sagrada Comunhão aos doentes e pessoas incapacitadas de irem à
igreja. Seu sorriso era cativante, suas amigas eram como verdadeiras irmãs.
Em novembro de 2004, Antonio Claret, seu filho, veio a Itajubá para se
despedir, pois estava de partida para a França - iria participar do casamento
do filho Luciano. Maria, então, lhe pediu que fizesse chegar às
mãos do Papa um lindo cachecol que ela havia feito com esmero. Mesmo
sabendo da provável impossibilidade de realizar a tarefa, Antonio pegou
o cachecol e prometeu à mãe que o seu pedido seria realizado.
Após o casamento, Antonio e os vários parentes viajaram para Roma,
entregaram o cachecol e uma carta a um dos secretários de João
Paulo II. A carta foi escrita em italiano por Maria, referindo-se à sua
descendência e dados pessoais.
Em janeiro de 2005, ela recebeu uma resposta em português de Sua Santidade,
agradecendo o cachecol e enviando uma bênção especial para
toda a família. Maria considerou ser este o maior presente que recebeu
na vida.
Ela faleceu no dia 1º de julho de 2005, aos 95 anos de idade, perfeitamente
lúcida. Hoje, todos aqueles que cruzaram os caminhos de Maria Consoli
recordam-se dos momentos agradáveis ao seu lado: declamando poesias,
rezando em latim ou francês, e cantando nostálgicas canções
italianas. O abraço amigo, as palavras de coragem, de fé, de amor
e de carinho foram os alguns frutos deixados por Maria aqui na Terra.
Eu me orgulho de ser amigo de seu filho, Antonio, hoje Presidente do CODPHAI
em Itajubá. Pessoa de bem, amoroso com a família e com os amigos,
também é referência de inspiração para comemorarmos
o Natal com alegria.
E por falar em alegria contagiante, sábado, dia 11, começam os
shows no Campus da UNIFEI. O Ballet Bolshoi mostrará porque é
considerado um dos maiores espetáculos do país e, durante a semana,
ainda tem: encontro de corais (mais de 500 crianças), Jair Rodrigues,
Adriana Calcanhoto (infantil) e Banda Sinfônica. As luzes, presépios
e mesas natalinas também esperam por você.
TRÊS CONVITES ESPECIAIS – 28 NOVEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
“Como você sabe, está chegando a data do meu aniversário.
Todos os anos, as pessoas fazem festa em minha honra e creio que neste ano acontecerá
a mesma coisa. As pessoas também vão às compras, o rádio
e a TV fazem centenas de anúncios e, em todo lugar, não se fala
outra coisa a não ser dos preparativos para o grande dia.
Há décadas, começaram a festejar o meu nascimento. No começo,
pareciam compreender e agradecer o que fiz por eles; mas, hoje em dia, poucos
sabem por quê razão o celebram. Famílias se reúnem
e se divertem muito, mas não sabem do que se trata.
Estou me lembrando do ano passado: ao chegar o Natal, havia coisas deliciosas
na mesa, com muitos presentes, mas não me convidaram. Eu era o aniversariante
e ninguém se lembrou de me convidar! Fecharam a porta na minha cara!
Só que isso não me surpreendeu porque, nos últimos anos,
muitos me excluíram de suas vidas.
Como não me chamaram, entrei sem fazer ruído. Estavam todos brindando,
contando piadas, divertindo-se. Aí chegou um velho gordo vestido de vermelho,
com barba branca e gritando: ‘Ho! Ho! Ho!’ Parecia ter bebido demais...
Deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram, dizendo: Papai Noel!
Papai Noel! – como se a festa fosse para ele!
Quando chegou meia-noite, começaram a se abraçar. Estendi meus
braços esperando que alguém viesse, e ninguém se aproximou.
De repente, começaram a entregar os presentes e cheguei perto para ver
se, por acaso, havia algum para mim... Nada!
O que você sentiria se, no dia do seu aniversário, todos se presenteassem
e não dessem nenhum presente para você? Compreendi, então,
que eu estava sobrando na festa. Saí em silêncio, fechei a porta
e fui embora.
Cada ano que passa é pior: muitas pessoas só se lembram da ceia,
dos presentes, das festas; de mim, poucos comentam. Mas, neste Natal, gostaria
que você me permitisse entrar na sua vida, reconhecendo que, há
mais de dois mil anos, vim ao mundo para lhe dar minha própria vida na
cruz e, assim, salvá-lo dos pecados.
E já que muitos não me convidam para a festa que fazem, farei
a minha própria festa. Estou nos últimos preparativos e logo enviarei
os convites. Este, agora, é especial para você. Só quero
que me diga se quer vir. Prepare-se porque, quando menos esperar, darei a minha
grande festa! Sua família e as pessoas que quiser trazer serão
muito bem recebidas.
Ah, esqueci de dizer que, na minha festa, não haverá choro nem
ranger de dentes; somente paz, amor e justiça. Pena que muitos serão
chamados, mas poucos os escolhidos.” – Jesus Cristo.
Caro leitor, vamos juntos nessa festa? Os preparativos começam na noite
deste sábado, dia 4, no Campus da UNIFEI. As luzes decorativas serão
acesas, os presépios e as mesas natalinas estarão montados, dando
início à confraternização maior que acontecerá
nas igrejas, dia 25.
O confrade Aluizio da Mata, vicentino de Sete Lagoas (MG), também encaminhou-me
este texto-convite na semana passada. Vale a pena ler e refletir.
“Em minha opinião, Natal deveria ser apenas uma ocasião
de agradecimento a Deus pelo nascimento de Jesus. Foi o maior presente que o
Criador poderia dar para a humanidade.
Talvez porque a própria Bíblia narre que Jesus recebeu presentes
ao nascer, o homem tenha pensado em imitar o gesto, mas, hoje em dia, o motivo
e a intenção mudaram completamente, pois poucos são os
que se lembram de Jesus no Natal. O comércio, o consumismo, a própria
falta de religião tem contribuído para que seja assim.
Lembro-me que, quando criança, nossos presentes de Natal eram coisas
de utilidade. Roupas, sapatos, e só. Os brinquedos, nós mesmos
fazíamos. Qualquer manga verde caída do pé era nosso boi,
pois colocávamos nela pedaços de paus imitando pernas e chifres.
Pedaços de cabaça eram transformados em carros de boi. Minhas
irmãs ganhavam bonecas de pano que minha mãe fazia com a ajuda
delas. E éramos felizes.
Hoje, as crianças recebem muitos presentes no Natal, às vezes
um presente de cada adulto da família. E por mais que ganhem, logo deles
se esquecem. Embora mais bem elaborados, já não têm os atrativos
dos presentes de antigamente. Dê uma busca em sua casa e achará
muitos brinquedos guardados ou esquecidos.
Todas as crianças terão um Natal assim? Certamente não.
Existem milhares de crianças que não ganharão nada neste
Natal. Se falarmos em termos de Planeta, serão milhões de crianças!
E isto não dói na nossa consciência?
Não tem nada mais agradável a Deus do que um nome escrito em Seu
coração com o sorriso de uma criança pobre. Caso você
não possa ou não tenha coragem de ir até um bairro distante,
vá a uma agência dos Correios. Lá existem centenas de cartas
de crianças pedindo algum brinquedo. Você pode optar levar o presente
e entregá-lo com suas próprias mãos, ou deixar o carteiro
entregar por você.”
Aceitando estes três convites, você concorrerá a uma passagem
para o Céu.
Uma Solenidade espetacular! - 21 novembro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Domingo passado, dia 21 de novembro, recebi uma homenagem da Academia Itajubense
de Letras que me deixou emocionado. Numa solenidade ímpar, fui condecorado
com o Diploma de Honra ao Mérito pela participação cultural,
social e artística em nossa cidade.
A presidente e sempre simpática Terezinha Ofélia Nascimento Rennó,
teceu grandes elogios a mim, assim como outros acadêmicos: Marcos Antonio
Olivas, Paulo Roberto Tavares Pereira, Wilson Ribeiro de Sá, Rozelet
Fernando Armentano Silva, Fredmarck Gonçalves Leão etc.
Há anos, eu estive numa reunião da Academia, a convite da Ana
Cley Marques Pizarro, tocando e cantando para os presentes. Não me lembro
o motivo, mas também foi alguma homenagem especial que prestaram. Mas,
nesta de agora, foram quase três horas de mensagens que agradaram todos
os corações.
Agradeci dizendo que, se soubesse que as emoções seriam tão
fortes, teria tomado um calmante. Também disse que ser homenageado por
imortais é coisa do outro mundo! E passei a falar com o coração,
já que tudo o que eu pensei dizer foi apagado pelas lágrimas.
Lembrei quando o professor Fredmarck concorreu pela terceira vez a diretor da
EFEI. Mesmo sabendo que eu era um professor bem mais novo, foi ao meu gabinete
e pediu que eu revisasse sua proposta para o debate com os demais candidatos.
Fiquei impressionado com sua humildade em me procurar, considerando que ele
trazia consigo uma enorme bagagem de competência. Naquele dia, aprendi
um pouco mais a me nivelar com as pessoas menos favorecidas.
Depois, olhei para o acadêmico Benedito Paulo Nogueira e comentei que
ele foi uma das primeiras pessoas que conheci em Itajubá-MG. Em 1974,
quando cheguei para fazer a matrícula na Faculdade de Engenharia Civil,
fui recebido por ele, atual secretário, que me disse: “Você
é um rapaz de sorte! Chamamos todas as listas de espera e, mesmo assim,
sobraram três vagas. Chamamos mais três alunos e somente dois vieram.
Então, como última tentativa, resolvemos chamar mais um - exatamente
você!” Eu concluí a história, dizendo agora ao Paulo
Nogueira que fui o melhor aluno daquela turma, graças ao meu esforço
e às bênçãos divinas.
E lembrei do meu falecido pai e da época que fiquei doente no hospital,
em 1991, à beira da morte! Minha irmã, minha filha Soraia e muitos
presentes choravam durante o relato, mas eu afirmei que aquilo não foi
em vão. Entendi que o amor de Deus me impulsionava a servir o próximo
e, somente por este motivo, eu estava recebendo aquela homenagem. Na pessoa
da dona Ambrosina Freitas Paiva, agradeci a presença de todos e pedi
que os meus parentes se levantassem para receber aplausos - coadjuvantes que
são da minha vida abençoada.
Dirigi um obrigado especial à minha querida mãe, à minha
esposa e a Nossa Senhora. Uma do céu e duas da terra, carregaram-me no
colo a vida toda. Ah, também comentei a grata presença dos confrades
do Círculo Italiano: Antônio Consoli, Giovani e Antonio Trota.
A engenheira Marita Arêas de Souza Tavares e esposo, formados pelo Instituto
Eletrotécnico de Itajubá, atual UNIFEI, vieram de Belo Horizonte
com um dia de antecedência para me cumprimentarem. Quanta bondade!
Enfim, havia muita gente prestigiando a outorga que recebi. Por e-mail, recebi
e respondi mais de 50 mensagens de parabéns. São amigos do coração
que repartiram à distância as alegrias desse momento - mais um
sinal de Deus, dizendo que estou no caminho certo: ajudando na evangelização.
E a dona Terezinha Ofélia declamou um poema, escrito pelo seu falecido
pai, B. Nascimento, que, segundo ela, poderia ter sido feito à minha
pessoa. Título: Fogo Santo.
“Eis, meu Senhor; aos vossos pés minha alma. Contrita e pronta
ao fogo desse Amor, que, sendo agitação, refreia e aclama, e,
sendo chama, apaga toda dor...
Que o caminho tortuoso e duro espalma, e, sendo chispa, abranda o sofredor;
que emana dessas mãos, sangrando a palma, do vosso atroz martírio,
ó meu Senhor!
Essa fogueira não me faz espanto, que é refrigério, é
fogo sacrossanto. Lançai-me nele, nele irei queimar-me...
Incinerai-me em vosso fogo ameno! Minha alma pronta está e estou sereno:
condenado a esse fogo, hei de salvar-me.”
Quanta honra! Mais uma vez, agradeci a todos. Perdoem-me aqueles que esqueci
de citar neste artigo, mas tenham certeza que rezarei por vocês. E antes
do encerramento da reunião, convidei os amigos para participarem dos
eventos do Natal no Campus UNIFEI 2010. Os ingressos gratuitos serão
disponibilizados no início de dezembro para estes shows:
- dia 11, sábado - Ballet Bolshoi (Santa Catarina) - espetáculo
clássico;
- dia 12, domingo - Encontro de Corais (mais de 300 vozes: adulto e infantil)
- espetáculo musical;
- dia 15, quarta - Jair Rodrigues - espetáculo da família;
- dia 17, sexta - Adriana Calcanhoto (Show Partimpim 2) - espetáculo
infantil;
- dia 18, sábado - Banda Sinfônica de Santa Rosa de Viterbo - concerto
de Natal.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Maria Santíssima!
NATAL NO CAMPUS UNIFEI 2010 - 13 NOVEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Mais um ano está terminando e os preparativos para o aniversário
de Jesus Cristo acontecem em toda parte. Como cristão comprometido, eu
não poderia ficar de fora da grande Festa de Natal: na minha família,
na caridade, na Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, na
cidade de Itajubá-MG e no Campus da UNIFEI.
A comemoração do nascimento do nosso Salvador é tão
importante que, graças a Ele, acalmarei o meu coração muitas
vezes para rezar, agradecer, louvar, sorrir, amar, servir e também saborear
os frutos da programação de Natal da nossa Universidade. As atrações
são muitas e bastante gente trabalhou para que tudo saísse com
a melhor qualidade possível.
Em 2010, fiquei contente com a participação dos alunos que se
envolveram no Projeto. Nove entidades estudantis continuam prestando serviços
voluntários nas diversas atividades que elaboramos. Eis os grupos atuantes:
Universidade Cultural, UNIFEI Jr, AIESEC, Curso Assistencial Teodomiro Santiago
- CATS, Grupo de Oração Universitária - GOU, Restaurante
Acadêmico Jr, Associação Atlética, Diretório
Acadêmico, Amigos de Itajubá - CEVAI. Todos com o mesmo objetivo:
desenvolver ações sócio-culturais direcionadas às
tradições natalinas.
É importante ressaltar que a Universidade não possui somente excelência
tecnológica, mas também tem a preocupação de educar
seus alunos e estender a formação cultural para a comunidade externa
por meio de música, teatro e dança.
No ano passado, devido à excelente programação artística,
cuidados extremos com a iluminação decorativa e almoço
solidário envolvendo cerca de 1.000 pessoas carentes, o Natal no Campus
tornou-se referência social, cultural e turística na região.
Trazendo cerca de 50 mil pessoas em visitação e participação
nos espetáculos, a Universidade Federal uniu cultura e brilho natalino
para celebrar o nascimento do Deus Menino.
Até o momento, estão confirmados os seguintes shows em dezembro
deste ano:
- dia 11, sábado - Ballet Bolshoi (Santa Catarina) - espetáculo
clássico;
- dia 12, domingo - Encontro de Corais (mais de 300 vozes: adulto e infantil)
- espetáculo musical;
- dia 15, quarta - Jair Rodrigues - espetáculo da família;
- dia 17, sexta - Adriana Calcanhoto (Show Partimpim 2) - espetáculo
infantil;
- dia 18, sábado - Banda Sinfônica de Santa Rosa de Viterbo - concerto
de Natal.
O ‘Almoço Solidário’ será no dia 19, com distribuição
de brinquedos, Papai Noel, brincadeiras infantis e transporte para as famílias
carentes. O ‘IV Festival de Presépios e Mesas Natalinas’
estará exposto de 4 a 19 de dezembro.
Agradecemos a Deus porque o Projeto hoje é reconhecido como um dos grandes
eventos sócio-culturais de época no Sul de Minas. A Comissão
de Cultura e Extensão do ‘Consórcio das Universidades Federais
das Regiões Sul e Sudeste de Minas Gerais’ destacou alguns bons
eventos institucionais: Festival de Inverno - UFOP, Semana Literária
- UFSJ, Semana do Fazendeiro - UFV, Festival Pró-Música - UFJF,
e Natal no Campus - UNIFEI.
Nas edições anteriores, vieram a Itajubá artistas e grupos
de expressão internacional. Recordando: Padre Fábio de Melo, Teatro
Mágico, Ilusionista Issao Imamura, Comediante Sérgio Rabelo, Moacyr
Franco, Professor Felipe Aquino, missionário Dunga (evento ao vivo pela
TV Canção Nova), Adriana Calcanhoto, Grupo Armatrux, Orquestras
Sinfônicas e outros.
Caro leitor, neste Natal, eu desejo que sua vida seja elogiada tanto quanto
um bom jogo de futebol. Que você possa driblar todas as tristezas e matar
no peito algumas poucas angústias. Que possa ainda mostrar cartão
amarelo para a falsidade e cartão vermelho para os seus medos.
Desejo que você mande para a lateral as pessoas maldosas e, se tiver uma
derrota, que lhe sirva de lição sem deixar revolta. Que você
possa chutar para escanteio as más amizades e não cometer nenhuma
falta com seus melhores amigos. Que também possa ter força no
ataque para seguir em frente e ter, na defesa, calma e simplicidade para que
não lhe machuquem. Que você faça belíssimos gols,
conquiste e comemore amizades leais.
E que possa jogar bem, realizar e ser campeão na vida, mas, principalmente,
que faça lindas jogadas de paz e de amor, porque, se tudo isso acontecer,
os verdadeiros cristãos estarão na arquibancada o aplaudindo com
entusiasmo!
Mas, antes disto se tornar realidade, dia 4 de dezembro acenderemos as luzes
do Campus, do Prédio Central da UNIFEI, e você está convidado
a comparecer com alegria no coração. Aqui mesmo, nesta coluna,
informarei onde retirar os ingressos gratuitos para os eventos.
Agindo como irmãos, muito mais pessoas encontrarão felicidade
neste final de ano. Natal é partilha, é confraternização!
Natal é mais amor e serviço gratuito aos nossos irmãos.
A SUPERUNIVERSIDADE – 7 NOVEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Em 3 de agosto deste ano, o jornal Estado de Minas publicou isto:
“Foi dada a largada para a criação de uma das maiores universidades
públicas do país. Nesta terça-feira, os sete reitores das
instituições que vão compor a Superuniversidade do Sudeste
de Minas Gerais, apelido dado ao consórcio de estabelecimentos federais
de ensino superior, assinaram um protocolo de intenções durante
reunião em Belo Horizonte. O documento deverá passar pelo crivo
dos conselhos universitários, os quais dirão se aprovam ou não
a fusão envolvendo as federais de Alfenas, Itajubá, Juiz de Fora,
Lavras, São João del-Rei, Ouro Preto e Viçosa. O protocolo
será formalizado terça-feira que vem, no campus da UFSJ em Divinópolis,
pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministro da Educação
Fernando Haddad e o grupo de reitores.”
Bem, desde aquela oportunidade, temos dito que não existirá a
Superuniversidade. A intenção do consórcio entre as sete
universidades do Sul e Sudeste de Minas é permitir parcerias diversas
para alcançar melhores resultados naquilo que fazem sozinhas. Não
haverá perda de autonomia nem fusões, os recursos financeiros
serão maiores para financiamentos de projetos, o diálogo permanecerá
constante, os intercâmbios de alunos e professores fluirão com
certa normalidade, as pesquisas terão mais qualidade, a extensão
mais opções e os cursos poderão contar com novos laboratórios.
Parabéns a quem pensou nisto.
Então, a Superuniversidade pela fusão das sete mineiras não
acontecerá, mas, na verdade, a Superuniversidade já existe! Mesmo
que seja em nossos corações, a Universidade Federal de Itajubá
pode receber este título porque está caminhando para 100 anos
de fundação e de reconhecida competência naquilo que realizou.
Continuamos pequenos em tamanho, porém muito grandes em história!
E 2013 será o ‘Aniversário do Centenário’,
com muita festa, homenagens, e as ações nesse sentido já
começaram. Sábado passado, dia 5 de novembro de 2010, alguns dos
72 voluntários se reuniram para discutir as subcomissões de trabalho.
Sob a coordenação dos professores Elzo Aranha e Daniela Rocha,
ficou transparente o entusiasmo das pessoas na participação do
projeto. Reitor, docentes, alunos, diplomados, todos irmanados no empreendimento
dos 100 anos para mostrar ao mundo o que representamos no cenário tecnológico
deste país.
Há três coisas na vida que não voltam mais: tempo, palavras
e oportunidades. Com certeza, não estamos perdendo tempo na iniciativa
de prepararmos o centenário da nossa Superuniversidade. As palavras que
o reitor proferiu sábado foram desafiadoras: “Não faremos
apenas um livro ou um selo comemorativo. Queremos algo ‘fora do quadrado’,
inovador, aquilo que ninguém fez”. Eu completei dizendo que temos
a oportunidade de participar dessa história muito além daquilo
que já fizemos; agora, montando o imenso quebra-cabeça do passado.
Peçamos a Deus que estas outras três coisas não destruam
os nossos sonhos: a raiva, o orgulho e a falta de perdão. Que também
não percamos a esperança, a paz e a união. Que valorizemos
cada vez mais o amor, a família e os amigos. Não nos deixemos
influenciar pelo dinheiro, pela fama e pelos interesses pessoais. Que tenhamos
dignidade cristã, responsabilidade e humildade, sempre em nome do Pai,
do Filho e do Espírito Santo.
E a alegria no trabalho não pode faltar. Mesmo nas dificuldades, seremos
mais felizes colocando esperança no coração. Sejamos, então,
gratos a Deus mesmo nas provações, que nos farão crescer
espiritualmente se vivermos com fé.
Veja que bela reflexão circula pela internet:
Agradeço: por minha mulher dizer que teremos cachorro quente no jantar,
porque ela está em casa comigo; pela minha filha reclamar de ter que
lavar a louça, porque isso significa que não está nas ruas;
pelas broncas do chefe, pois isto mostra que estou empregado!
Agradeço: pela bagunça que restou depois da festa, porque foi
maravilhoso estar rodeado de amigos; pelas roupas que estão ficando apertadas,
porque significa que tenho mais que o suficiente para comer; pela grama a ser
cortada, pelas janelas que precisam ser limpas e pelas calhas que preciso consertar,
porque significa que tenho uma casa para morar.
Agradeço também: pela vaga que demorei a achar bem no final do
estacionamento, porque pude contar com meu meio de transporte; pela conta monstruosa
de energia que pago, porque isso significa que estou vivo; pela senhora desafinada
que canta atrás de mim na igreja, porque ainda posso ouvir; pelos músculos
doloridos ao final do dia, porque fui capaz de dar duro o tempo inteiro!
Eu agradeço, leitor, por receber e-mails demais, pois significa que um
monte de amigos pensa em mim. E dou graças a Deus por existir a Superuniversidade
Federal de Itajubá, que este ano realizará mais um lindo Natal
no Campus. Na semana que vem, comentarei a programação.
A RESSONÂNCIA DA ESPERANÇA - 31 outubro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Na formação que o Padre Maristelo deu aos Ministros da Comunhão
Eucarística na semana passada, comentou um artigo de Leonardo Boff publicado
no Jornal do Brasil em 2004, intitulado ‘Ressonância Shumann’.
Segundo o pesquisador alemão, a Terra é cercada por um campo eletromagnético
poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera - cerca de
100 km acima de nós -, possuindo uma frequência mais ou menos constante
de 7,83 pulsações por segundo. Funciona como uma espécie
de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera - condição
comum de todas as formas de vida.
Confirmou-se também que os vertebrados são dotados da mesma frequência
e não podemos ser saudáveis fora dessa condição
biológica natural. Sempre que os astronautas ficavam fora da ressonância
Schumann, adoeciam; mas submetidos à ação de um simulador
Schumann, recuperavam o equilíbrio e a saúde.
Por milhares de anos as ‘batidas do coração da Terra’
tinham essa frequência e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio
ecológico. Ocorre que a partir dos anos 90, a frequência passou
para 13 hertz, o que significa dizer que o coração da Terra disparou!
Então, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações
climáticas, maior atividade dos vulcões, conflitos no mundo, aumento
geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros.
E o pior: devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas,
na verdade, é somente de 16! Portanto, a percepção de que
tudo está passando rápido demais não é ilusória,
mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.
Então, se queremos que a Terra reencontre seu equilíbrio, devemos
começar por nós mesmos: fazer tudo sem estresse, com mais serenidade
e muito amor, que é uma energia essencialmente harmonizadora. Precisamos
respirar juntos com a Terra para conspirar com ela pela paz.
Pois bem, partindo dessa teoria, o Padre Maristelo disse que temos que saber
aproveitar o momento presente, sem nos desesperarmos e, principalmente, com
esperança em Deus. Ele abordou seis pontos do livro ‘Testemunhas
da Esperança’, de François Van Thuan, publicado pela Editora
Cidade Nova em 2002.
1 - Enfrentar os desafios com a força da graça de Deus - porque
somos a favor da vida!
2 - Esperar em Deus - porque o jeito certo e a hora certa vêm do alto.
3 - Aventurar na esperança - porque é preciso experimentar o amor
Divino.
4 - Esperar contra todas as esperanças - porque, com fé, o resultado
será a vontade de Deus.
5 - Viver com esperança - porque não suportaríamos as provações
sem isso.
6 - Renovar a esperança - porque somos pequenos e somente cresceremos
com Cristo.
E com muitas outras explicações a respeito dessas orientações,
nosso vigário também abordou algumas questões que foram
jogadas na mídia nas eleições presidenciais. Disse que
a discussão do aborto foi apenas uma motivação política
para que grupos religiosos decidissem o pleito. O tema é real, mas precisaria
ser discutido com mais profundidade e não superficialmente como aconteceu
- favor ou contra, simplesmente.
Assim, temas importantes foram relegados a um segundo plano e a caça
de votos se pautou por muito tempo em assuntos religiosos, onde, em grande parte,
os palpites partiram de pessoas que não têm espiritualidade para
emitir opiniões. Mesmo com esse triste cenário, o resultado das
urnas já é conhecido e, com fé no coração,
temos realmente que renovar as esperanças de viver num país melhor.
Nunca teremos, numa só pessoa, a plena sabedoria de um velho e a completa
energia de um jovem. Falhas humanas sempre existirão e só Jesus
continuará sendo a nossa esperança de salvação eterna.
As obras de Deus passam, mas Ele amará o mundo para sempre, porque está
na essência de Deus fazer coisas boas.
Viver com simplicidade e tranquilidade significa, também, viver a Palavra
Sagrada a cada dia. Traços de perfeição somente poderão
ser alcançados através da arte de amar - servindo o próximo
e toda a humanidade. Temos que entender que, muitas vezes, um planta e o outro
colhe, como aconteceu com Moisés em busca da Terra Prometida.
Na cruz, Jesus nos mostrou que o que parecia o maior fracasso se transformou
em extrema vitória gloriosa. Portanto, o sofrimento pode não representar
um sinal de infelicidade quando se tem fé. Na oração do
Pai-Nosso, por exemplo, aprendemos a dizer: ‘... seja feita a Vossa vontade’.
Acreditando nisto, o Espírito nos é dado para renovar a paz na
Terra!
Não esqueçamos também de Maria aos pés da cruz:
sofrendo, mas serena e repleta de esperança. Ela acreditava que a morte
é a alegria para aqueles que se salvam. E nós, confiamos na proteção
que temos ao dirigir a Ela estas palavras: ‘... rogai por nós pecadores
agora e na hora da nossa morte’?
Assim como um dócil cachorrinho de estimação, vamos brincar
mais, deixar que as pessoas se aproximem sem rosnar, tirar uma soneca sem culpa,
caminhar juntos, ser leais e alegrar os ambientes. Se até a Dilma e o
Serra que se xingaram tanto podem vir a ser amigos, todos nós também
podemos.
A HUMILDADE DO REGADOR – 24 outubro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Há regadores de diversos tipos: grandes, pequenos, coloridos, de alumínio,
de plástico, modernos, e até uma simples canequinha pode servir
para aguar um vasinho de planta na janela. Todos têm a função
de dar vida à vegetação, e é o jardineiro que sabe
escolher exatamente o regador mais apropriado para cada situação.
Se a chuva é pouca e não há mangueira disponível,
lá vai o regador cumprir sua tarefa do dia, colaborando com a missão
do jardineiro que o conduz.
Na infância, eu passava férias em Monte Sião e gostava de
apreciar o lindo jardim na praça da cidade. Ficava impressionado com
o capricho das podas, formando bichos nos ciprestes e estrelas nos buchinhos
– tudo verdinho, mesmo no inverno! O jardineiro levava a fama, mas o simples
regador também fazia a sua parte.
E se imaginássemos que Jesus é o grande jardineiro do Pai, quem
seria o regador conduzido por Ele? Antes de responder, é preciso lembrar
a missão que Jesus recebeu quando veio a nós: fazer com que todos
tenham vida em abundância (Jo 10, 10). Usando uma imagem relacionada com
a natureza, podemos dizer que Jesus veio transformar a terra seca e rachada
do mundo em um jardim cheio de vida, onde todos possam encontrar as condições
necessárias para viver com dignidade.
Então, para formar um jardim em que o povo possa desfrutar amor e paz,
nós, cristãos, também recebemos o mesmo envio do Pai. Pelo
Batismo, assumimos a responsabilidade de tornarmo-nos um só com Cristo
e devemos irrigar a esperança junto àqueles de vida mais ressecada,
ameaçados pela morte do corpo e da alma. Portanto, somos regadores nas
mãos de Jesus!
A missão que cada ser humano tem no Jardim do Reino é singular,
intransferível e nenhum outro pode realizar. Para desempenhar as tarefas
com sucesso, cada regador precisa ser dócil, abandonando-se nas mãos
do jardineiro para que ele o conduza aonde há mais necessidade de água.
O lugar não importa, já que o regador confia no seu condutor e
estará sempre disponível para servir. Pode ser usado na sua própria
casa, no meio de gente abandonada, nas igrejas, nos hospitais e até em
outras cidades. O importante é estar sempre cheio, porque regador vazio
enferruja e não serve para nada.
E a grande vantagem de sermos regadores a serviço de Deus é estarmos
repletos de água da melhor qualidade: Água Viva do Espírito
Santo, a única capaz de saciar a sede do mundo! Como a samaritana do
Evangelho de São João (4, 15), precisamos também dizer
a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não
tenha mais sede”.
Mas, antes de querer irrigar as vidas dos outros, todo cristão deve permitir
que a sua terra seca se torne um bonito jardim, contendo fontes de água
pura, tipo: a escuta da Palavra, a participação na Eucaristia,
a vida de oração e a prática da caridade. Somente quem
experimenta disso com humildade pode ser conduzido por Cristo.
A palavra humildade vem do latim, que significa ‘filhos da terra’.
Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre
as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas. Humilde também é
aquele que reconhece o seu chão, que assume seus deveres e culpas sem
resistência.
A humildade dos que vivem na pobreza pode ser vista pelos ricos como fraqueza.
Na verdade, é preciso ser muito corajoso para levantar os humilhados
que foram jogados ao chão. Também é preciso muita oração
para o abastecimento do espírito; e haja água no regador!
Por isso, é bom lembrar que a nossa oração só é
acolhida por Deus quando parte de um coração solidário
com os oprimidos e empobrecidos. São Paulo, quando velho, preso e condenado
à morte, meditou sobre a sua vida (2Tm 4, 7): “Combati o bom combate,
completei a corrida, guardei a fé”. É o testamento de alguém
que estava com a consciência do dever cumprido e aguardava com humildade
e confiança a recompensa de Deus.
Também no capítulo 18 do Evangelho de São Lucas, Jesus
mostra a oração humilde de um cobrador de impostos que se apresenta
diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher a graça:
“Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. No mesmo momento,
mais à frente do templo, reza um fariseu orgulhoso, auto-suficiente,
satisfeito pelo que é e pelo que faz: “Ó Deus, eu te agradeço
porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros,
nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo
de toda a minha renda”. O desprezo pelos outros contaminou a sua oração.
Eis uma grande lição para nós: um esperava a recompensa
e, o outro, a misericórdia. Considerando que Jesus já nos trouxe
a Salvação, resta-nos conquistá-la pela súplica
de perdão e prática de boas obras. Não queiramos, porém,
nos justificar sempre pelas faltas, mas nos alegrar por sermos bons regadores
nas obras da Igreja, pois, segundo o nosso Senhor: “Quem se eleva será
humilhado, e quem se humilha será elevado”.
RECORDANDO O PASSADO - 17 outubro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Segunda-feira, 11 de outubro, houve dois encontros de turmas na UNIFEI - alunos
formados em 1985 e 1960. A turma de 25 anos lembrou-se de mim como professor
da época e alguns até perguntaram se eu pertencia ao outro grupo
- 50 anos de formado! Sei que foi brincadeira, mas a cor branca dos meus cabelos
era a mesma dos mais experientes.
Pela manhã, após o tradicional plantio das árvores no Campus,
um ex-aluno da turma mais antiga reuniu outros da mais nova e disse:
- Prestem atenção para vocês fazerem o mesmo que eu. Quando
completei 25 anos de formado levei a minha esposa para um passeio no Japão.
Agora, após mais 25 anos, fui lá buscá-la.
E entre brincadeiras e cantorias, muita coisa boa aconteceu, incluindo uma breve
palestra que ministrei e muitos agradecimentos dos presentes. Em nome dos animados
mais experientes, falou Fernando Brandão, que assina com categoria a
coluna abaixo da minha neste jornal.
Assim como eu, a professora Maris Stela - representante da outra turma - também
ficou contente com a confraternização e, depois, escreveu-me assim:
- Labega, o evento da minha turma (1985) foi muito bom. Fizemos churrasco, jantar
dançante, futebol com as famílias, placas, plantio de árvore
e, com a graça de Deus, o dinheiro deu! Você sabe que tudo que
eu faço entrego para Deus, confio totalmente e tudo dá certo.
Pois é, quem tem Jesus no coração não fica na mão.
Além disso, como é bom rever os amigos e recordar as alegrias
do passado! Se o reitor não estivesse viajando, eu não teria participado
da festa nem saberia o nome das pessoas que compareceram. E sabe quando seria
o meu encontro com os integrantes dos grupos? Com alguns, se Deus permitisse,
somente na festa do Céu!
Mas eu também curti a minha infância nos anos 60, quando carros
não tinham cintos de segurança e íamos soltos no banco
de trás fazendo farra - isso não era perigoso! A gente andava
de bicicleta pra lá e pra cá sem capacete; bebíamos água
de mangueira e não águas minerais em garrafas esterilizadas; brincávamos
na rua com uma única condição: voltar para casa ao anoitecer;
não havia celulares e nossos pais nem imaginavam onde estávamos!
Tudo era divertido: braço no gesso, dentes partidos, joelhos ralados,
testa esfolada, e ninguém se queixava disso. Comíamos doces à
vontade, pão com manteiga gordurosa, bebidas com o ‘perigoso açúcar
refinado’, e não se falava de obesidade - éramos super ativos!
Ninguém procurava um psicólogo para resolver problemas de hiperatividade.
As nossas festas eram animadas por radiolas com discos de vinil, luz negra e
um delicioso coquetel feito de groselha e maçã em cubinhos. Tínhamos
um pouco de tudo para bem viver: liberdade, fracassos, sucessos, deveres, e
aprendíamos a lidar com cada um deles. E quer saber como conseguimos
sobreviver? Acima de tudo, porque éramos felizes!
Hoje em dia, com todo aparato tecnológico à nossa volta, muita
gente perde o sentido da vida. Se experimentassem a felicidade nas coisas simples
do coração, o mundo seria melhor. É triste pensar que quem
tem carro não anda a pé, quem engorda diz não ter tempo
para fazer exercícios, quem não perdoa acha que é justo
pagar com a mesma moeda, quem tem muito se apega cada vez mais ao dinheiro,
quem não ama o irmão... bem, este é melhor nem comentar.
E uma lição passada por alguém mais experiente aconteceu
no lar de um casal que estava junto há mais de 60 anos. Tinham compartilhado
tudo um com o outro e não havia segredos entre eles, com exceção
de uma caixa de sapato que a mulher guardava em cima de um armário. Desde
que se casaram, ela pediu ao marido que nunca a abrisse nem perguntasse o que
havia nela.
Por todos aqueles anos, ele nem pensou em quebrar a promessa, mas um dia a esposa
ficou doente e o médico falou que ela não sobreviveria. Então,
o velhinho pegou a caixa, levou-a para perto da cama da mulher e ela concordou
que era hora dele saber o segredo.
Quando a abriram, havia duas bonecas de crochê e um pacote de dinheiro
que totalizava dez mil reais! Assustado, ele perguntou o que aquilo significava,
e ela explicou:
- Quando nos casamos, minha avó me disse que o sucesso de um matrimônio
feliz é nunca brigar por nada e, se alguma vez eu ficasse com raiva de
você, era para permanecer quieta e fazer uma boneca de crochê.
O velhinho ficou tão emocionado que teve que conter as lágrimas
enquanto pensava: ‘Se somente duas bonecas estavam na caixa, ela ficou
com raiva de mim apenas duas vezes por todos esses anos!’ E beijando as
mãos dela, falou:
- Querida, você me explicou sobre as bonecas, mas de onde veio todo esse
dinheiro?
- Ah, esse é o dinheiro que eu guardei com a venda das outras bonecas.
SEMANA DE GRAÇAS – 10 OUTUBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Hoje contarei fatos da semana passada, cheia de graças!
Segunda-feira, dia 4, comemorou-se São Francisco de Assis em várias
partes do mundo. Na missa pelas almas da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado
Coração, cantei a música do Padre Irala, cuja letra maravilhosa
é a oração de Francisco, um santo que mudou o rumo da história
no século XIII. Parte dela diz assim: “Ó mestre, fazei que
eu procure mais: consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido,
amar que ser amado; pois é dando que se recebe, é perdoando que
se é perdoado e é morrendo que se vive para a vida eterna”.
Terça à noite, realizamos o ‘I Encontro dos Grupos Incubados’
da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UNIFEI. Devido
a uma forte chuva, muita gente faltou, mas contamos com as presenças:
do prefeito, Jorge; da Secretária de Ação Social, Lurdinha;
do vereador, Santi; do representante do poder executivo de Pouso Alegre, Coutinho;
e, principalmente, de vários membros dos grupos populares que recebem
nossas orientações no trabalho cotidiano. Parabéns à
nossa Intecoop, que ainda nos ofereceu um farto coquetel.
Quarta-feira também foi chique! As sete universidades mineiras do Sul/Sudeste
que estudam a possibilidade de participar de um consórcio universitário
se reuniram em Itajubá-MG. Passamos o dia em reuniões –
diversas áreas temáticas – e fechamos uma pré-proposta,
que deverá ser discutida pelos Conselhos Universitários e encaminhada
ao Ministro da Educação. Apesar de existirem muitas diferenças
no ensino, pesquisa e extensão entre as instituições, prosperou
um clima de harmonia desde o primeiro encontro. Seremos maiores e melhores brevemente,
se Deus quiser.
Quinta, dia 7 de outubro, festejou-se Nossa Senhora do Rosário –
data instituída pelo Papa Pio V em 1571, quando celebrou-se a vitória
dos cristãos na batalha naval de Lepanto. Nessa batalha, em meio à
recitação do Rosário, os cristãos católicos
resistiram aos ataques turcos, vencendo-os em combate. Logo pela manhã,
pedi à minha Protetora que abençoasse o Natal no Campus 2010 da
UNIFEI. Eu estava preocupado com a indefinição da aprovação
do projeto no Ministério da Cultura. Sem o incentivo da Lei Rouanet,
ficaria muito difícil conseguir patrocínios de empresas para a
festa de aniversário de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Perdoe-me, leitor, mas confesso que a minha fé não foi suficiente
para acreditar que o assunto se resolveria naquele mesmo dia; mas, eis que às
18 horas, início da Oração da Ave-Maria, partiu um e-mail
de Brasília informando-me que o projeto fora aprovado! Muitas pessoas
ouviram os meus louvores de alegria, extravasando gratidão a Nossa Senhora.
Quem já rezou e confiou na proteção da Virgem Maria, sabe
que a graça não demora a chegar. Mãe é Mãe!
Na sexta, passei a manhã preocupado com as aulas que ministraria à
tarde. A minha garganta não estava boa e as quatro aulas da semana precisariam
ser dadas para não atrasar a matéria. Pedi a São Brás
que me ajudasse e consegui falar bastante, sem maiores dificuldades. Somente
à noite, senti um pouco de cansaço e resolvi não sair de
casa. Minha esposa estava com a garganta bem pior do que a minha e deixamos
de comparecer na apresentação cultural promovida pela Pró-Reitoria
de Cultura e Extensão da UNIFEI: Orquestra de Câmara Opus. Liguei
para o maestro Amaury Vieira e disse-lhe que não iríamos. Então,
fiquei tranquilo, porque sei que ele toma conta disso melhor do que eu. Ah,
e ainda recebi dele uma pequena bênção, um sacramental:
‘Fica com Deus’.
Os sacramentais não conferem a graça em si, à maneira dos
sacramentos; mas, são caminhos que conduzem a ela, ajudando a santificar
as diferentes circunstâncias da vida. Eles despertam em nós sentimentos
de amor e de fé, porque precisamos estar revestidos a todo momento da
graça santificadora. Com essa bênção, somos protegidos
por Deus dos ataques de Satanás. Sabemos que o diabo não quer
que sejamos portadores da bênção e nem que a recebamos,
mas a Providência Divina é muito superior a isso.
No sábado, após cantar com a minha filha na missa que celebrou
o nascituro, um noviço do Instituto Padre Nicolau entregou-me um convite.
Dizia assim: ‘Você que canta, está convidado a fazer parte
do coral que estamos formando, para uma apresentação no dia 23
de dezembro’. Estendo isto a você, leitor. Faça contato com
o noviço Adeilson: (35) 3622-0749. Participe com amor da ‘I Cantata
de Natal da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração’.
Será um lindo presente ao nosso Salvador.
E domingo, dia em que escrevo este artigo, um amigo não perdeu a oportunidade
de me encaminhar uma piada, brincando com o momento político que vivemos.
Dizia que três amigos estavam conversando, quando um deles perguntou:
- Se o Maluf e o Tiririca estivessem num edifício em chamas e vocês
só pudessem salvar um deles, o que fariam?
- Eu iria almoçar – respondeu o primeiro. - Eu iria ao cinema –
falou o outro.
OBRIGADO ITAJUBÁ - 3 OUTUBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Pela primeira vez, esta coluna é escrita por um cidadão itajubense.
Eu sou natural de São Paulo e já me considerava mineiro de coração,
mas, após o título de ‘Cidadão Honorário’,
aos 54 anos tornei-me conterrâneo daqueles que aqui nasceram.
A solenidade aconteceu em 28 de setembro no Campus da Universidade Federal de
Itajubá-MG, em Sessão Solene da Câmara, contando com a presença
de autoridades locais: prefeito, juízes, promotores etc. Cada vereador
indicou uma pessoa para receber o título e os dez nomes foram aprovados
por unanimidade em reunião anterior.
Os demais homenageados foram: Antonio Carlos Parreira Tiengo, Celem Mohallem,
José Ribeiro dos Santos, Jussara Maria Rocha, Luiz Gonzaga Camargo, Octávio
Scofano, Ronaldo César Brasil de Souza, Tereza Cristina Figueira Cavalca
e Valéria do Carmo Bento Borges - todos declaradamente emocionados.
O Auditório Prof. João Luiz Carneiro Rennó estava lotado,
cerca de 200 pessoas atentas a tudo que acontecia: apresentação
do coral sob a regência do maestro Amaury Vieira; exibições
de fotos, histórias de vida e currículos elogiosos.
Antes de ser chamado para receber o prêmio, houve a narração
dos resultados abençoados que obtive no passado e o telão apresentou
imagens que selecionei para aquele momento, com: minha esposa, meus filhos,
minha netinha, minha mãe, reitor da Universidade, amigos Amaury e Lenarth,
padres Clemildes e Fábio de Melo.
Com a voz meio embargada, eu disse de improviso mais ou menos isto:
“Em primeiro lugar, quero parabenizar os demais homenageados, todos merecedores
dos títulos que recebem nesta noite. Eu aprendi a amar esta cidade desde
1974, quando cheguei para estudar. Aqui me formei, constituí família
e continuo trabalhando. A cada elogio que recebo, considero um sinal de Deus,
dizendo que estou no caminho certo, que sou um cidadão de bem. Agradeço:
as pessoas que me ajudam na Pró-Reitoria de Cultura e Extensão,
na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, os professores Renato
Nunes e Paulo Shigueme que confiam no meu trabalho, agentes da Comunidade Nossa
Senhora do Sagrado Coração, Pastoral Familiar, Vicentinos, amigos
de Cursilho e Ovisa - também responsáveis pelos meus feitos. Neste
horário, eu estaria em reunião semanal dos Vicentinos; mas, o
Presidente da Conferência resolveu cancelar a reunião para também
estar aqui. Recebi dezenas de e-mails carinhosos esta semana parabenizando-me
pelo título, e quero ler apenas um deles, escrito por um funcionário
da UNIFEI, um poeta, que disse assim: ‘Das vitórias mais difíceis,
ficam as recordações mais belas; dos momentos mais felizes, a
saudade mais doce’ - José Ivanildo de Almeida. Obrigado Santi pela
indicação, Claiton pela organização, obrigado meus
queridos Jesus e Nossa Senhora - minha Mãe e Mãe de Deus -, obrigado
pela presença de todos e tenham uma boa noite.”
Aliviado por ter concluído o ‘discurso’, dirigi-me para os
membros da mesa e passei a cumprimentá-los. De repente, lembrei de outro
agradecimento e voltei ao microfone: “Desculpem, mas faltou algo importante:
a minha família! Quero agradecer tudo o que recebi da minha mãe,
da minha irmã - aqui presentes -, dos meus filhos e da minha esposa -
de pequena estatura, mas uma grande mulher! Que Deus lhes pague”.
Puxa vida, quase ocorreu um esquecimento imperdoável! Aliás, outro
esquecimento aconteceu: dizer que o Prefeito e a Secretária Leandra têm
sido grandes parceiros nas ações sociais da Intecoop. Logo após
o evento, pedi perdão ao Dr. Jorge e, agora, agradeço o apoio
de ambos.
Eis os dizeres da placa que recebi: “Os poderes Públicos Municipais
de Itajubá, no uso de suas atribuições legais e tendo em
vista o Decreto Legislativo no 241/10, de autoria do Vereador Antônio
Raimundo Santi, conferem ao Exmo. Sr. Professor Paulo Roberto Labegalini o Título
de Cidadão Honorário de Itajubá, para o que mandaram expedir
o presente diploma.” Se meu pai estivesse vivo ficaria muito orgulhoso
do filho, que educou com bons princípios cristãos.
Durante o coquetel, recebi abraços - um deles italiano, do amigo Antonio
Consoli - e ouvi comentários diversos elogiando a solenidade. Uma pessoa
disse-me que, na leitura do meu currículo, não citaram a mais
importante ação que desenvolvo há anos: a minha coluna
neste jornal. Concordei porque sei o quanto tem ajudado pessoas que buscam paz
nos corações, e disse isto ao engenheiro Mafra lá presente
- meu leitor número um! Este artigo é o número 650 em 13
anos ininterruptos.
Se eu fosse citar todos os que me cumprimentaram, não caberia aqui. Minha
filha Soraia chegou após dar aulas, o amigo Wlamir precisou sair mais
cedo e rezou por mim, outros companheiros estavam ouvindo a palestra do professor
Chicão - um cidadão ímpar que me ensinou coisas lindas
-, mas, com certeza, todos irmanados no meu lema de vida: servir ao próximo
com respeito, humildade e qualidade.
Agora, minha responsabilidade aumentou e peço a Deus que continue ao
meu lado.
PESQUISA DE OPINIÕES - 26 SETEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Contam que na carpintaria houve uma estranha assembleia. Foi a reunião
das ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência,
mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia
demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando os
outros.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso,
dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o
parafuso concordou, mas, por sua vez, pediu a exclusão da lixa. Dizia
que era muito áspera no tratamento com os demais. A lixa acatou, com
a condição de que expulsassem a trena, que sempre julgava os outros
segundo a sua medida, como se fosse a única perfeita.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou seu trabalho.
Utilizou o martelo, a lixa, a trena e o parafuso. Finalmente, a rústica
madeira se transformou num fino móvel. Quando a carpintaria novamente
ficou só com as ferramentas, a assembleia reativou a acirrada discussão.
Foi então que o serrote tomou a palavra:
- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha
com nossas virtudes. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos e concentremo-nos
nos fortes. Somente juntos faremos um trabalho de excelente qualidade.
Como resultado, a assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia
os demais, a lixa era especial para limar asperezas e a trena era precisa. Sentiram-se
então como uma equipe capaz de produzir móveis de gabarito. Imperou
a alegria pela oportunidade de trabalharem juntos.
O mesmo ocorre com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra,
a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando
se busca os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil apontar defeitos e qualquer um pode fazê-lo; mas,
encontrar qualidades, isto é para os humildes e corajosos.
E corajosos foram também os vereadores da Câmara Municipal de Itajubá-MG.
Deixando para outras oportunidades alguns justos reconhecimentos a tanta gente
boa que reside na cidade, resolveram homenagear dez pessoas com o título
de ‘Cidadão Honorário’. Eu agradeço imensamente
fazer parte da lista e comentarei a cerimônia no próximo artigo.
Que bom seria se a raça humana se comportasse com respeito e educação
no convívio com o próximo, não? O mundo seria perfeito
e as homenagens poderiam ter o critério de sorteio, onde qualquer cidadão
mereceria o aplauso da população. Infelizmente, sentimentos negativos
ainda moram em muitos corações.
Ataques pessoais diversos acontecem a todo instante em toda parte, e para não
particularizar exemplos, cito esta provocação em forma de piada:
Uma convenção de todas as cervejarias aconteceu no Brasil. Muita
gente famosa estava por lá: presidentes da Kaiser, da Brahma, da Antártica,
da Skol e de outras fabricantes. No final do dia, os executivos decidiram beber
alguma coisa no bar.
O presidente da Kaiser chegou pedindo em voz alta:
- Garçom, me traz uma Kaiser, por favor.
O presidente da Antártica não deixou por menos:
- Amigo, me vê uma Antártica bem gelada!
O Presidente da Brahma pediu uma maravilhosa Brahma, e assim por diante, até
que o garçom, já premeditando a resposta, perguntou ao presidente
da Skol o que ele iria beber. Para a surpresa dos presentes, o executivo calmamente
disse:
- Por favor, me dá um suco de laranja.
Então, um de seus ‘colegas’ perguntou:
- Por que você não pediu uma Skol?
Mostrando indiferença, ele respondeu:
- Se vocês não vão beber cerveja, eu também não
vou!
E como o final desta semana premiará nossos representantes na política,
façamos nossas orações para termos um clima de paz e que
o bem da Nação esteja em primeiro lugar. Precisamos de um Brasil
cada vez mais justo, mais fraterno com os pobres, além do frequente combate
à corrupção, para um dia não ouvirmos mais histórias
como esta:
A Organização das Nações Unidas fez uma grande pesquisa
mundial. A pergunta era: ‘Por favor, diga honestamente qual sua opinião
sobre a escassez de alimentos no resto do mundo’. O resultado foi desastroso.
Os alemães não entenderam o que é ‘escassez’;
os africanos não sabiam o significado da palavra ‘alimentos’;
os argentinos desconheciam a expressão ‘por favor’; os americanos
perguntaram o que quer dizer ‘resto do mundo’; os cubanos pediram
explicações sobre ‘opinião’; e os políticos
brasileiros estão até hoje debatendo o significado de ‘honestamente’.
Após a eleição, peçamos a Deus que:
Se for para esquentar, que seja no banho de sol. Se for para chorar, que seja
de alegria. Se for para mentir, que seja a idade. Se for para roubar, que seja
um beijo. Se for para perder, que seja o medo. Se for para ter guerra, que seja
de travesseiros. Se for para ter fome, que seja de amor. Se for para ser feliz,
que seja o tempo todo... a caminho do Paraíso. Pesquise e faça
bem feita a sua parte neste domingo.
PESQUISA DE OPINIÕES - 26 SETEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Contam que na carpintaria houve uma estranha assembleia. Foi a reunião
das ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência,
mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia
demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando os
outros.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso,
dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o
parafuso concordou, mas, por sua vez, pediu a exclusão da lixa. Dizia
que era muito áspera no tratamento com os demais. A lixa acatou, com
a condição de que expulsassem a trena, que sempre julgava os outros
segundo a sua medida, como se fosse a única perfeita.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou seu trabalho.
Utilizou o martelo, a lixa, a trena e o parafuso. Finalmente, a rústica
madeira se transformou num fino móvel. Quando a carpintaria novamente
ficou só com as ferramentas, a assembleia reativou a acirrada discussão.
Foi então que o serrote tomou a palavra:
- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha
com nossas virtudes. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos e concentremo-nos
nos fortes. Somente juntos faremos um trabalho de excelente qualidade.
Como resultado, a assembleia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia
os demais, a lixa era especial para limar asperezas e a trena era precisa. Sentiram-se
então como uma equipe capaz de produzir móveis de gabarito. Imperou
a alegria pela oportunidade de trabalharem juntos.
O mesmo ocorre com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra,
a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando
se busca os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil apontar defeitos e qualquer um pode fazê-lo; mas,
encontrar qualidades, isto é para os humildes e corajosos.
E corajosos foram também os vereadores da Câmara Municipal de Itajubá-MG.
Deixando para outras oportunidades alguns justos reconhecimentos a tanta gente
boa que reside na cidade, resolveram homenagear dez pessoas com o título
de ‘Cidadão Honorário’. Eu agradeço imensamente
fazer parte da lista e comentarei a cerimônia no próximo artigo.
Que bom seria se a raça humana se comportasse com respeito e educação
no convívio com o próximo, não? O mundo seria perfeito
e as homenagens poderiam ter o critério de sorteio, onde qualquer cidadão
mereceria o aplauso da população. Infelizmente, sentimentos negativos
ainda moram em muitos corações.
Ataques pessoais diversos acontecem a todo instante em toda parte, e para não
particularizar exemplos, cito esta provocação em forma de piada:
Uma convenção de todas as cervejarias aconteceu no Brasil. Muita
gente famosa estava por lá: presidentes da Kaiser, da Brahma, da Antártica,
da Skol e de outras fabricantes. No final do dia, os executivos decidiram beber
alguma coisa no bar.
O presidente da Kaiser chegou pedindo em voz alta:
- Garçom, me traz uma Kaiser, por favor.
O presidente da Antártica não deixou por menos:
- Amigo, me vê uma Antártica bem gelada!
O Presidente da Brahma pediu uma maravilhosa Brahma, e assim por diante, até
que o garçom, já premeditando a resposta, perguntou ao presidente
da Skol o que ele iria beber. Para a surpresa dos presentes, o executivo calmamente
disse:
- Por favor, me dá um suco de laranja.
Então, um de seus ‘colegas’ perguntou:
- Por que você não pediu uma Skol?
Mostrando indiferença, ele respondeu:
- Se vocês não vão beber cerveja, eu também não
vou!
E como o final desta semana premiará nossos representantes na política,
façamos nossas orações para termos um clima de paz e que
o bem da Nação esteja em primeiro lugar. Precisamos de um Brasil
cada vez mais justo, mais fraterno com os pobres, além do frequente combate
à corrupção, para um dia não ouvirmos mais histórias
como esta:
A Organização das Nações Unidas fez uma grande pesquisa
mundial. A pergunta era: ‘Por favor, diga honestamente qual sua opinião
sobre a escassez de alimentos no resto do mundo’. O resultado foi desastroso.
Os alemães não entenderam o que é ‘escassez’;
os africanos não sabiam o significado da palavra ‘alimentos’;
os argentinos desconheciam a expressão ‘por favor’; os americanos
perguntaram o que quer dizer ‘resto do mundo’; os cubanos pediram
explicações sobre ‘opinião’; e os políticos
brasileiros estão até hoje debatendo o significado de ‘honestamente’.
Após a eleição, peçamos a Deus que:
Se for para esquentar, que seja no banho de sol. Se for para chorar, que seja
de alegria. Se for para mentir, que seja a idade. Se for para roubar, que seja
um beijo. Se for para perder, que seja o medo. Se for para ter guerra, que seja
de travesseiros. Se for para ter fome, que seja de amor. Se for para ser feliz,
que seja o tempo todo... a caminho do Paraíso. Pesquise e faça
bem feita a sua parte neste domingo.
O CÉU É O LIMITE - 19 SETEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Para quem tem como lema de vida: ‘O Céu é o meu limite’,
parabéns! Desde que pratique isto com coerência, é sinal
que está no caminho certo: do bem, da verdade e do amor.
Ao contrário, aquele que guarda pedados mortais na alma, nunca poderia
dizer algo semelhante, pois está cada vez mais se afastando do Céu.
Menos mal saber que a qualquer momento poderá se aliviar da carga pecaminosa
que carrega nas costas; mas, para isso, é preciso se reconciliar com
o Criador.
Isto só será possível por meio da Confissão Sacramental.
Com arrependimento, fé e penitência, a remissão dos pecados
fará de nós homens novos. Novos para a família, para os
amigos, para a Igreja, na sociedade e novos para o Céu. Basta querer
mudar e perseverar na graça de Deus.
No mês passado, o reitor da UNIFEI nos lembrou a história dos operários
que passavam o dia arrebentando pedras no canteiro de obras de uma igreja. Quando
questionados sobre o tipo de trabalho que desenvolviam, respondiam simplesmente:
estamos quebrando pedras. Um dia, um deles respondeu: estou construindo uma
catedral; e a visão do grupo mudou para melhor.
E nós, simplesmente empurramos a vida com a barriga ou caminhamos para
o Céu? Quem escolheu a segunda opção, lembre-se que: os
obstáculos devem ser superados com amor no coração; os
passos não podem se desviar da caridade; e a esperança na salvação
jamais deve faltar. Não é preciso pressa nem promessas, apenas
um pouco mais de alegria pela vitória que virá.
E por falar em promessas, o porteiro do prédio onde moro contou à
minha filha Soraia o caso do homem que era apaixonado por uma moça e,
para conquistá-la, disse-lhe com entusiasmo:
- Vou provar o meu amor por você. Se quiser se casar comigo, atravessarei
parte do oceano a nado, percorrerei milhares de quilômetros a pé
no deserto e até subirei o Monte Everest!
Ela respondeu:
- Você acha que eu vou me casar para ter um marido que não para
em casa?
Da mesma forma, não adianta prometer o impossível a Deus e, principalmente,
coisas sem importância para o crescimento espiritual. Prometa, por exemplo,
que vai perdoar aqueles que lhe ofenderam e, inclusive a eles, fará sempre
o bem. A fé cristã passa pelo amor a Jesus e ao próximo.
Talvez você se lembre da novela ‘Gabriela’ da Rede Globo,
em que o tema musical foi composto por Dorival Caymmi e interpretado por Gal
Costa. Uma estrofe era esta: ‘Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou
mesmo assim, vou ser sempre assim’. Pessoa desse tipo é séria
candidata a viver infeliz e perder o Céu. Sem mudanças para corrigir
o rumo do pecado, as ‘Gabrielas’ não se salvarão!
Alfredo Gontijo de Oliveira, Presidente do Centro Tecnológico de Minas
Gerais, fez uma palestra na UNIFEI na semana passada e chamou a isto de ‘Síndrome
da Gabriela’. Segundo ele, por trás de uma grande verdade universal
existe sempre um oposto, que muitos dizem também ser uma grande verdade.
Baseados nisto, as pessoas insistem no erro e relutam em mudar de vida.
Aliás, para não precisar seguir Cristo, cidadãos se apegam
a qualquer tipo de crença e até acreditam em ‘futurologia’!
Enquanto uns dizem que viver com Deus é bom, outros dizem que viver com
Ele é perigoso... e por aí vai.
Ainda bem que as orações nos ajudam a refletir na vida que levamos
e, ao mesmo tempo, nos fortalecem com bênçãos diversas.
Veja esta:
“Senhor, se um dia eu estiver sufocado, cheio da vida, com vontade de
sumir, insatisfeito comigo e com o mundo em torno de mim, pergunta-me se eu
quero trocar a luz pelas trevas ou se eu quero trocar a mesa posta pelos restos
que tantos buscam no lixo. Pergunta-me se quero trocar meus pés por uma
cadeira de rodas.
Se eu reclamar de coisas banais, pergunta-me se desejo trocar minha voz por
gestos, se eu quero substituir o mundo dos sons pelo silêncio dos que
nada ouvem, ou trocar o jornal que leio e depois jogo no lixo pela miséria
dos que vão buscá-lo para fazer dele seu cobertor.
Pergunta-me se eu quero trocar minha saúde pelas enfermidades de tanta
gente, pergunta-me até quando não reconhecerei as Tuas bênçãos
a fim de fazer da minha vida um hino de louvor, hino de gratidão, para
dizer sempre do fundo do meu coração: Obrigado, Senhor, por mais
este dia!”
Concluindo as orientações de hoje, espero que você saiba,
leitor, que existe um reservatório infinito de vagas no Céu. Reconhecendo
o amor que Deus tem por nós e ajudando a construir um Reino de Amor,
seremos fortes candidatos a assumir algumas dessas vagas no Paraíso:
onde não há choro nem ranger de dentes.
Mas, para fazer do Céu o seu limite, você precisa cumprir os 10
Mandamentos e evitar os 7 Pecados Capitais. Por exemplo: você tira de
letra o 8º Mandamento? E o 5º Pecado Capital, não é
problema em sua vida? Recordando os dois: ‘não levantar falso testemunho’
e ‘preguiça’. Se concorda que nem sempre é fácil
seguir os passos de Jesus, pratique cada vez mais as ações que
deseja viver na eternidade.
CADA UM É CADA UM - 12 SETEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Se fizéssemos uma pesquisa com comentaristas de futebol que acompanharam
a seleção brasileira desde a Copa de 1970 no México, acredito
que alguns dos 11 nomes mais lembrados seriam estes: Taffarel, Carlos Alberto
Torres, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Falcão, Gerson e Rivelino;
Zico, Pelé e Romário.
A seleção B também contaria com muitos craques: Leão,
Cafu, Luiz Pereira, Amaral e Leonardo; Júnior, Sócrates e Kaká;
Tostão, Ronaldo e Rivaldo.
Imaginando isto como verdade, assim que o resultado da pesquisa fosse divulgado,
muita gente ficaria indignada por não ver seus ídolos na relação,
tais como: Júlio César, Carpeggiani, Ronaldinho Gaúcho,
Clodoaldo, Jairzinho, Careca, Edmundo, Robinho e outros. Sem querer polemizar,
eu escalaria Waldir Peres, Ademir da Guia, Edu (ponta esquerda do Santos) e
César Sampaio, quatro dos maiores jogadores que vi jogar.
Os torcedores mais antigos diriam que é um crime não considerar
os magníficos das Copas de 58 e 62 na pesquisa. Ficaram de fora: Gilmar,
Djalma Santos, Mauro Ramos, Nilton Santos, Zito, Didi e Garrincha! Mas, quem
tirar do time para considerar mais estes na pesquisa?
Enfim, em cada cabeça uma sentença, não é mesmo?
Principalmente na religião, existem crenças de todo tipo - algumas
fundamentadas em história e tradição, outras sem o menor
cabimento. Hoje em dia, se alguém disser que tem uma receita mágica
para resolver algum tipo de problema, rapidamente haverá um grupo interessado
em saber, praticar e divulgar.
Na missa de sábado passado, o Padre Maristelo contou o caso de um pregador
que dizia ter a solução para a aquisição da casa
própria: doando o mês de aluguel à igreja, no final de 12
meses conseguiria comprar o seu imóvel. Conclusão: o problema
de habitação estaria resolvido no mundo inteiro!
Pois é, sabemos que não é assim que alcançamos graças.
Por isso é importante sermos orientados espiritualmente por pessoas sérias,
éticas e de boa fé. Um coração recheado de ensinamentos
bíblicos vive e caminha mais alegremente.
Leia esta história:
No consultório localizado perto da residência de um médico,
um homem bastante doente falou isto em momento de desespero:
- Doutor, tenho muito medo de morrer. Diga-me, o que há do outro lado?
Calmamente o médico respondeu:
- Não sei, meu amigo.
- Você não sabe? E fala com essa tranquilidade?
Neste momento, ouviram ruídos de arranhões e ganidos do lado de
fora do consultório. Quando o médico abriu a porta, um cachorro
entrou e pulou festivamente sobre ele. Virando-se para o paciente, o médico
comentou:
- Notou o meu cachorro? Ele nunca veio a esta sala, não sabia o que havia
aqui, apenas imaginou que seu dono estava presente. E quando a porta se abriu,
ele entrou sem medo. Da mesma forma, não sei quase nada a respeito do
que há depois da vida, mas uma coisa eu tenho certeza: o meu Senhor estará
lá me esperando. Isto para mim já é o suficiente.
E para você, leitor, é suficiente?
Eu quero, sim, me encontrar com Jesus Cristo e Nossa Senhora um dia, mas não
tenho pressa. Também não digo isto só por brincadeira,
é verdade! Enquanto estou aqui na Terra, tenho oportunidades de ajudar
o próximo, amar minha família, servir a Igreja Católica,
receber graças da Virgem Maria, evangelizar o nosso povo, fortalecer
a minha fé e participar dos Sacramentos. Assim, espero chegar mais depressa
no Céu!
Pode parecer incoerência dizer que não tenho pressa e, ao mesmo
tempo, afirmar que quero chegar depressa, mas é assim que a coisa funciona.
Quanto mais obras na construção do Reino, menor será o
tempo de purgatório e mais rapidamente chegaremos ao Paraíso.
Para isso, precisamos vencer o grande desafio comum a todos os cristãos:
viver as coisas do alto com os pés no chão!
Infelizmente, há gente que pensa diferente e procura tirar pessoas do
caminho do bem, da verdade e do amor. Esta semana recebi pela internet o texto
que segue. Encarei como piada, mas sei que há muitas cabeças que
pensam mais ou menos assim:
Quando uma manada de búfalos é caçada, os mais fracos e
lentos - que estão atrás do rebanho - são mortos primeiro.
Essa realidade é boa para a manada como um todo, porque aumenta a velocidade
média e a saúde de todo o rebanho - pela matança dos mais
doentes.
De forma parecida opera o cérebro humano: beber álcool em excesso
mata neurônios, mas, naturalmente, a bebida ataca os neurônios mais
fracos primeiro. Neste caso, o consumo regular de cerveja, cachaça, uísque,
vinho, rum e vodka, eliminam os neurônios mais lentos, tornando o cérebro
uma máquina mais rápida e eficiente.
E ainda: 23% dos acidentes de trânsito são provocados pelo consumo
de álcool. Isso significa que os outros 77% dos acidentes são
causados pelos canalhas que bebem água, sucos, refrigerantes e outras
porcarias!
PROJETO DE EVANGELIZAÇÃO - 5 SETEMBRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Uma menininha muito sapeca arrancava os cabelos da boneca, derrubava pratos
quando a mãe pedia para enxugar a louça e, com cara de levada,
dizia sempre:
- Desculpe, mamãe!
Tinha certeza que, pronunciando essa frase, obtinha completa absolvição.
E aconteceu que, uma manhã, derramou café na toalha da mesa. Assim
que falou ‘desculpe’, viu sua mãe enrolar a toalha, pegar
uma varinha e dizer:
- Filha, agora você é uma fada e esta é uma varinha de condão.
Diga dez vezes ‘desculpe, mamãe’ e esta mancha de café
irá desaparecer.
A garotinha repetiu apressadamente a frase e, quando terminou, abriu a toalha
e viu que a mancha continuava do mesmo jeito. Chateada, começou a chorar,
e sua mãe lhe explicou:
- Não podia mesmo desaparecer, filha! Dizer ‘desculpe’ não
resolve nada em muitas situações. Agora, vou encher outra xícara
com café e você vai tomar sem derrubar, certo?
Pois é, uma simples historinha de criança pode nos ensinar uma
grande lição. Eu imagino estar um dia diante de Deus e dizer a
Ele: ‘Desculpe, Senhor, eu não fiz nada para ajudar no Seu projeto
de evangelização’. Então, o que aconteceria comigo?
Não sei, mas não quero correr esse risco.
Por isso, após dois anos do primeiro CD gravado com minha abençoada
filha, Soraia, resolvemos gravar outro. Avaliando as composições
bonitas que ficaram fora de ‘Nossas Músicas Preferidas, volume
1’ e outras novas que surgiram recentemente, mais 18 canções
foram selecionadas. O disco também é mais um agradecimento a Jesus
e a Virgem Maria por tantas graças que alcançamos na evangelização
através da música.
Repetindo o que eu disse na reportagem deste jornal na semana passada, peço
a Deus que as nossas mensagens de amor e de fé possam ser partilhadas
gratuitamente com todos os que buscam paz nos corações.
Na Livraria e Papelaria Lápis de Cor, ganha o CD quem comprar o livro
‘O Mendigo e o Padeiro’, Paco Editorial, que conta a história
de dois personagens que buscam um modelo de felicidade conjugal para ajudar
casais com problemas de relacionamento. Procurando respostas para melhorar a
vida das pessoas, o destino de cada um também mudou.
A necessidade de praticar quatro virtudes pessoais antes de chegarem ao objetivo
foi fundamental para o mendigo e o padeiro entenderem a missão que receberam.
O conjunto das qualidades - auto-estima, humildade, bondade e sinceridade -
continua sendo importante para o crescimento pessoal e o discernimento de diversos
problemas na vida de qualquer pessoa. Havendo equilíbrio entre elas,
o ser humano poderá combater uma série de fatores que impedem
sua felicidade.
Eis o prefácio do livro:
“O MENDIGO E O PADEIRO é mais uma publicação do Professor
Paulo Roberto Labegalini. Um livro pequeno de ensinamentos grandes, de leitura
fácil com mensagens profundas. Um livro de ficção, que
retrata a realidade de muitos indivíduos ou de muitas almas.
De forma bastante didática, o autor invoca pequenas histórias
e parábolas para destacar as qualidades pessoais de um ser humano - bondade,
sinceridade, humildade e amor próprio; ensina a cultivar algumas virtudes
para o relacionamento conjugal e a combater alguns desvios de conduta nesse
convívio para atingir resultados importantes no casamento.
De forma tão simples como fazer um bolo seguindo receita, o autor indica
os ingredientes para a construção da felicidade conjugal: paz,
amor e fé. Assim como uma receita perfeita indica os ingredientes, as
quantidades e o modo de preparo; na receita matrimonial, o autor dá os
ingredientes e recorre a alguns sábios conselhos, tipo ‘modo de
fazer’: “ver com os olhos do coração, acreditar que
o bem vencerá, tirar lições do sofrimento, jogar fora a
tristeza e falar de Jesus Cristo”.
Se muitos mendigos recorrem a viadutos como moradias - seja por condições
financeiras, incompreensão ou falta de apoio da sociedade -, muitos homens
necessitam de determinação, vontade própria, humildade
e real desejo para saírem de masmorras edificadas com o desmoronamento
de casamentos. Nestas situações, o apoio de terceiros é
fundamental; mas, o que conta para Deus é o ‘querer’ do interessado.
Quando um mendigo pobre em espírito realmente quer sair do seu viaduto
e voltar para o seio da família, quando pactua com Jesus Cristo com sinceridade
e humildade, recebe graças por intervenção divina e obras
do Espírito Santo. Paulo Roberto é um desses agraciados; desde
que se converteu há quase duas décadas, é um novo homem
e um novo chefe de família. Ele tem se dedicado à pregação
do Evangelho e, sempre que solicitado, vai a socorro de casamentos em risco
e, sem constrangimentos, dá testemunhos que emocionam até os mais
céticos.
No conto criado pelo autor, um personagem é apontado para falar de paz,
amor e fé; na vida real, para testemunhar sobre Felicidade Conjugal;
indico a você, caro leitor, o testemunho do Paulo Roberto.” - José
Ayrton Labegalini - Diretor do Colégio Objetivo de Monte Sião-MG
FELICIDADE CONJUGAL - 29 AGOSTO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Naquela noite, enquanto a esposa servia o jantar, o marido segurou sua mão
e disse-lhe:
- Quero o divórcio. Nosso casamento acabou.
Ela ficou muito brava. Jogou longe os talheres e gritou:
- Você resolve isso sozinho? Você não é homem para
enfrentar os nossos problemas?
Naquela noite não conversaram mais. Ouvia-se apenas ela chorando, sabendo
que o coração dele não pertencia mais a ela. A mulher que
ele conviveu pelos últimos dez anos tornou-se uma estranha.
No dia seguinte, após passar a tarde com outra mulher, o marido chegou
em casa e encontrou a esposa sentada no sofá, à sua espera. Então,
ela apresentou suas condições para o divórcio: não
queria nada dele, mas pediu um mês de prazo antes de se separarem. Pediu
ainda que, durante os próximos trinta dias, ele a carregasse no colo
para fora da casa todas as manhãs, ao sair para trabalhar. Ele estranhou,
mas concordou.
Quando a levou no primeiro dia, foi muito estranho. O filho pequeno os aplaudiu,
dizendo:
- O papai está carregando a mamãe no colo. Viva!
Suas palavras causaram constrangimento. Ela fechou os olhos e falou baixinho:
- Não conte para o nosso filho sobre o divórcio. Ele tem provas
para fazer e precisa de paz.
No segundo dia, foi um pouco mais fácil para os dois. Ela apoiou-se no
peito do marido, que sentiu o cheiro do perfume que usava. Então, percebeu
que há muito tempo não prestava atenção naquele
aroma delicioso. Pensou que aquela mulher havia dedicado uma dezena de anos
da vida a ele, sem nunca pensar em outra pessoa.
Nos próximos dias, foi virando rotina e, às vezes, até
divertido. Ela havia emagrecido bastante, estava mais serena e bonita. Certa
vez, o filho entrou no quarto do casal e disse:
- Pai, está na hora de você carregar a mamãe. Posso ajudar?
No último dia, quando a segurou, por algum motivo ele não conseguia
mover as pernas. O menino já tinha ido para a escola e o marido pronunciou
estas palavras:
- Eu não percebi o quanto perdemos da nossa intimidade com o tempo. Não
quero mais me divorciar. Por favor, me perdoe, posso voltar a fazê-la
feliz.
Ela tocou na testa dele e falou:
- Você está com febre? Mas, se quiser falar sério, saiba
que nosso casamento ficou chato porque não soubemos valorizar os pequenos
detalhes da vida; não foi por falta de amor.
Ele a carregou com muito carinho e foi trabalhar. No caminho de volta para casa,
comprou um buquê de rosas e escreveu: ‘Eu te carregarei em meus
braços todas as manhãs até que a morte nos separe’.
Nas semanas seguintes ele ficou sabendo que a esposa estava muito doente e vinha
se tratando há meses. Muito ocupado com outras mulheres, não houve
tempo para se informar da enfermidade da esposa. E mesmo sabendo que morreria,
ela quis poupar o filho dos efeitos do divórcio, prolongando a vida a
três junto à família que constituiu. Valeu a pena porque,
pelo menos aos olhos do filho, o pai era um homem muito carinhoso com a mãe.
Durou pouco tempo a felicidade que voltou a existir naquele lar. Ela se foi
e restou a saudade que a grande mãe e a dedicada esposa deixou. Se detalhes
importantes ao casamento fossem valorizados, teriam plantado a felicidade com
raízes mais profundas desde o início.
E foi pensando mais ou menos isto que escrevi o romance ‘O Mendigo e o
Padeiro’ - uma história que retrata dois personagens em busca de
um modelo de felicidade conjugal. O lançamento foi na cidade de Itapetininga
(MG), durante um encontro de avivamento vicentino, com a participação
de 500 pessoas.
Antes, na palestra, eu disse que o amor a Deus e ao próximo deve ser
praticado como se fosse um só mandamento, porque é o único
sentimento que transforma duas pessoas num único ser. E aconselhei os
confrades e as consócias a tirarem proveito das crises, conscientizando-se
que um será remodelado para o outro e todos para um Reino de Amor.
A cada livro vendido, entreguei gratuitamente o último CD que gravei
com a Soraia, minha filha - ‘Nossas Músicas Preferidas - volume
2’. Graças ao bom Deus, o resultado dessas iniciativas foi maravilhoso
e continuará evangelizando muita gente. Nem preciso ser um bom vendedor
de livros para comercializar uma quantidade considerável de exemplares,
já que é um serviço a Deus e o Espírito Santo sempre
me ajuda.
Dizer que todo casamento precisa de paz, de amor e de fé, não
é novidade para qualquer pessoa. Há algum tempo, também
tenho dito que não pode faltar o perdão, a verdade e a oração.
Agora, porém, no livro, o mendigo e o padeiro descobriram coisas novas.
Só lendo para saber mais detalhes da felicidade conjugal.
PIEDADE! MISERICÓRDIA! - 22 AGOSTO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Os termos piedade e misericórdia se confundem no significado. Alguns
dicionários definem como sinônimos e, até nas missas, no
ato penitencial, os consideramos iguais. As músicas de perdão
repetem: ‘Misericórdia, Senhor!’ ou ‘Piedade de nós!’,
o que significa que realmente os termos podem ser usados para a mesma finalidade.
Jesus disse: “Quero misericórdia e não sacrifício”;
e nos deu a entender que as situações injustas devem ser mudadas
- os excluídos precisam ser ajudados. E confirmou isto ao explicar que
“os que têm saúde não precisam de médicos,
mas sim os doentes”. Tudo se relaciona com o amor ao próximo, um
dos dois maiores Mandamentos.
Então, vale a pena entender o significado de misericórdia: ‘Acolher
no coração a miséria do outro’. A Virgem Maria, por
exemplo, denominada ‘Mãe de Misericórdia’, recebeu
este título para honrar sua imensa bondade. E quando nos referimos às
obras de misericórdia, citamos diferentes modos de exercer a caridade,
o que condiz com a conduta cristã tão valorizada por Cristo.
Eu ainda acho que o termo ‘misericórdia’ é mais forte
que ‘piedade’, porque piedade se assemelha mais a ‘dó’.
Para mim, ter piedade não significa acolher a miséria do outro
no coração, mas simplesmente um sentimento de indignação.
Misericórdia, porém, acrescenta amor ao fato de o próximo
estar sofrendo, o que já é uma grande diferença entre os
dois sentimentos.
Pois é, mas fica uma pergunta no ar: ‘Quem tem misericórdia
de alguém é impulsionado a praticar a caridade?’ Sabemos
que nem sempre isso acontece e, portanto, teríamos que achar outro termo
que refletisse o sentimento de querer estar junto daquele que sofre. E esse
sentimento de pesar já existe: compaixão!
Compaixão é mais que dó, mais que piedade e mais que misericórdia.
Compaixão é um sentimento mais humano e não reflete apenas
a tristeza que sentimos diante da dor alheia. Quem pratica a verdadeira caridade,
comprometido em ajudar o próximo, sente compaixão. E não
há como negar que o despertar da dor no coração de algumas
pessoas as move a tentar minimizar o sofrimento do irmão - isso é
compaixão!
Bartimeu, o cego de Jericó, suplicou: “Jesus, filho de Davi, tem
compaixão de mim”; e ficou curado. Jesus, também tomado
por compaixão, curou o paralítico e deu a ele saúde eterna,
porque perdoou ainda os seus pecados. Na condição divina, Ele
não via apenas as aparências, mas principalmente o que estava no
coração.
A compaixão talvez seja a maior virtude humana porque é isenta
de preconceitos e julgamentos. É por isso que o egoísta não
desenvolve esse sentimento e se torna frio e calculista - insensível
ao sofrimento alheio, como eram os fariseus. Quantos procuram um ouvido ou um
ombro amigo na vida e não encontram! Os ouvidos estão dando mais
atenção aos aparelhos eletrônicos; filhos pequenos têm
computadores, mas faltam-lhes afetos humanos. Isso é justo?
Vale lembrar ainda que não devemos compartilhar o mal, o que significa
que nem todo sofrimento merece compaixão, tipo: o invejoso que sofre
por cobiça, o tirano que perdeu a guerra. Podemos, contudo, nos compadecer
pelo sentimento de culpa de quem errou e se arrependeu, porque todo pecado merece
perdão nas condições de arrependimento sincero e intenção
de não mais errar. Como não conseguimos viver sem pecados, devemos
buscar a graça de Deus no Sacramento da Reconciliação.
Então, numa escala crescente entre dó e caridade, eu colocaria:
piedade, misericórdia e compaixão. A piedade se assemelha mais
a dó, a misericórdia incorpora o sentimento de tristeza diante
da dor alheia, e a compaixão desperta a vontade de se envolver na solução
do problema. Quanto mais amor no coração, mais próximo
de Deus estaremos.
Mas tudo isso depende da fé de cada um. Era no nosso tempo que Jesus
estava pensando ao falar: “Quando o Filho do Homem voltar, encontrará
a fé sobre a terra?” (Lc 18, 8). E o início do capítulo
11 da Carta aos Hebreus traz a definição de fé: “Ora,
a fé é garantia das coisas que se esperam e certeza daquelas que
não se vêem”. Unindo isto à mensagem bíblica
de ‘onde estiver o vosso tesouro aí estará o vosso coração’,
podemos concluir que já podemos tomar posse do Reino de Deus praticando
a compaixão pelos pobres. E um lembrete importante: ‘A quem muito
foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito será
pedido’.
Ninguém gosta de sofrer e a compaixão às vezes leva a isso.
Porém, até no sofrimento alguns fazem piadas, como esta:
Um cidadão passou mal na rua e foi levado ao setor de emergência
de um hospital administrado por freiras. Foi operado do coração
e, depois de estar parcialmente restabelecido, a freira responsável pela
tesouraria lhe perguntou:
- Caro senhor, sua operação foi bem sucedida e o senhor está
salvo. Como pretende pagar a conta? Tem seguro-saúde?
- Não, Irmã. Também não tenho dinheiro, filhos,
emprego, nada! Eu tenho somente uma irmã solteirona que é freira,
mas não tem um tostão.
- Desculpe, mas as freiras não são solteironas como o senhor disse.
Elas são casadas com Deus!
- Então, por favor, mande a conta pro meu cunhado.
Hehehe... Misericórdia!
VOCÊ É INSUBSTITUÍVEL - 8 agosto 2010
Paulo Roberto Labegalini
Na sala de reuniões de uma multinacional, o diretor nervoso fala com
sua equipe de gestores. Agita as mãos, mostra gráficos, e olhando
nos olhos de cada um, ameaça:
- Ninguém aqui é insubstituível, entenderam?
A frase parece ecoar nas paredes da sala em meio ao silêncio. Os gestores
se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada
até que, de repente, um braço se levanta e o diretor o interpela
furioso:
- Alguma pergunta cretina?
- Tenho, sim. E Beethoven, quem o substituiu?
- O que o senhor quer dizer com isso? - resmunga em tom mais baixo o diretor.
- Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço
e acho muito pertinente falar a respeito. As empresas se esforçam em
descobrir talentos, reter talentos; mas, no fundo, continuam dizendo que os
profissionais são simples peças dentro das organizações
e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
Quem substituiu Tom Jobim, Ayrton Senna, Ghandi, Frank Sinatra, Garrincha, Santos
Dumont, Monteiro Lobato, Elvis Presley, Beatles, Jorge Amado, Pelé, Albert
Einstein, Picasso, Zico?
Após um breve silêncio, o gestor continua:
- Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostavam e o
que sabiam fazer bem, ou seja, fizeram seus dons brilharem; portanto, ainda
são insubstituíveis! E acho que cada ser humano tem sua contribuição
a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora de os
líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem
a pensar em como desenvolver o talento da equipe, focando no brilho de seus
pontos fortes e não utilizando energia para criticar suas deficiências.
Fortalecido com as palavras do colega, outro gestor disse:
- É verdade, ninguém lembra se Beethoven era surdo, se Picasso
era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis
paranóico... O que queremos é sentir o prazer produzido pelas
sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis, melodias inesquecíveis
- resultados de seus talentos. Cabe aos líderes de organizações
mudarem o olhar sobre a equipe e voltarem seus esforços para descobrir
os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o dom de cada um em prol do sucesso
de seu projeto deveria ser o maior objetivo.
Então, meio sem palavras, o diretor lançou um desafio à
equipe: que lhe trouxessem a solução para o problema que vinham
enfrentando. Se conseguissem equacioná-lo em tempo de reverter os prejuízos,
ganhariam recompensas e passariam mais tempo com suas famílias. Assim,
motivados com a nova situação e valorizados pelas competências
que julgavam possuir, começaram a trabalhar na solução
do problema.
E completando essa linha de pensamento, se todos fossem reprovados por suas
fraquezas, Garrincha correria um sério risco em não atuar por
ter as pernas tortas, Albert Einstein pararia os estudos por ter tirado notas
baixas na escola, Beethoven viveria desmotivado por ser surdo... E o mundo teria
perdido todos esses talentos!
Ah, quando o Zacarias de ‘Os Trapalhões’ morreu, ao iniciar
o programa seguinte, Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:
‘Estamos todos muito tristes com a partida do nosso irmão Zacarias.
Hoje, para substituí-lo, chamamos... Ninguém, pois nosso Zaca
é insubstituível’.
Portanto, nunca se esqueça: você é um talento único!
Com toda certeza, ninguém o substituirá. Eu também sou
um só, mas ainda assim, sou quem sou. Não posso fazer tudo, mas
posso fazer alguma coisa boa para alguém. E por não poder fazer
tudo, não me recuso a trabalhar no pouco que posso ajudar.
Às vezes fico triste pensando nas mães que rezam terços
e terços sozinhas. E quantos pais idosos não vão mais à
missa porque ninguém os leva! Quantos filhos também se revoltam
com a vida indigna dos pais! Muita gente gostaria de ter as migalhas dos ricos
para comer! E quantos agonizam por falta de remédios!
Acho que não é necessário dizer mais nada, pois cada um
sabe o que poderia estar fazendo pelo seu irmão e não faz. Quanto
ao irmão ser ou não de sangue, para Jesus não importa;
mas julgando com o meu coração humano e pecador, dói mais
quando vejo alguém sofrendo, sendo que a família tem condições
de acolhê-lo e o deixa abandonado. A caridade deveria sempre começar
em casa e, depois, com a graça de Deus, se espalhar por toda a humanidade.
Se você concorda comigo, primeiro olhe ao seu redor e depois, se puder,
ajude as famílias carentes e excluídas da nossa sociedade. Com
certeza, a recompensa a quem sofre e a quem ajuda virá do Céu.
No mundo, sempre existirão pessoas que irão amar você por
aquilo que é, e outras, que irão tentar desprezá-lo pelo
mesmo motivo. Acostume-se a isso com muita paz de espírito. Valorize-se
sempre mais, ajude o próximo e, um dia, todos saberão que você
é insubstituível.
OBRA DE ARTE SEM MOLDURA – 1 AGOSTO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Eis que um sujeito desce na estação do metrô de Nova Iorque
vestindo jeans, camiseta e boné. Encosta-se próximo à entrada,
tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão
que passa por ali bem na hora do rush matinal. Mesmo assim, durante os 45 minutos
em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passageiros.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas
do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo:
um Stradivarius de 1713, estimado em mais de três milhões de dólares!
Alguns dias antes, Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores
lugares custam mil dólares!
Cenas gravadas no metrô mostram homens e mulheres de andar ligeiro, copo
de café na mão, celular no ouvido, crachá balançando
no pescoço, indiferentes ao som do violino. E a conclusão do fato
é que estamos acostumados a dar valor às coisas dependendo do
contexto. No caso de Bell tocando para a multidão, tratava-se de uma
‘obra de arte sem moldura e sem etiqueta de grife’. Isso acontece
a toda hora em nossas vidas, em situações que não envolvem
pompas e preços.
Temos controle dos nossos sentimentos e valores independente da manipulação
do poder financeiro do mercado, ou será que valorizamos sempre mais aquilo
que está com etiqueta de preço? Caridade, por exemplo, precisa
de etiqueta para atingir o seu objetivo de servir o próximo?
O que não se compra precisaria sempre valer mais, concorda? Quanto custaria
uma amizade sincera, um amor inesquecível, um perdão incondicional,
um raio de sol na manhã de inverno, um abraço de uma criança
grudada no pescoço? E se desse para comprar, quanto custaria a felicidade?
E o amor de Deus por nós, teria como colocar algum preço?
Regina Brett, uma senhora de 90 anos, escreveu as 40 lições que
a vida lhe ensinou. Com certeza, ela não venderia isso por dinheiro algum.
1. A vida não é justa, mas ainda é boa.
2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo.
3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.
4. Seu trabalho não cuidará de você quando ficar doente.
Seus amigos e familiares cuidarão.
5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.
6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar
de si.
7. Chore com alguém; cura melhor do que chorar sozinho.
8. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.
9. Quanto a chocolate, é inútil resistir.
10. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.
11. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem
ideia do que é a jornada deles.
12. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria
entrar nele.
13. Tudo pode mudar num piscar de olhos, mas não se preocupe: Deus nunca
pisca.
14. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.
15. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.
16. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda
vez é por sua conta e ninguém mais.
17. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não
como resposta.
18. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, vista lingerie chique.
Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial!
19. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.
20. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir
roxo.
21. O órgão sexual mais importante é o cérebro.
22. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente
você.
23. Enquadre todos os ‘desastres’ com estas palavras: Em cinco anos,
isto importará?
24. Sempre escolha a vida.
25. Perdoe tudo de todo mundo.
26. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.
27. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.
28. Não importa quão boa ou ruim é uma situação,
ela mudará.
29. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.
30. Acredite em milagres.
31. Deus ama você porque Ele é Deus, não por causa de qualquer
coisa que você fez ou não fez.
32. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo
agora.
33. Envelhecer ganha da alternativa ‘morrer jovem’.
34. Suas crianças têm apenas uma infância.
35. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.
36. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos
os lugares.
37. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e
víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos
nossos mesmos problemas de volta.
38. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que
precisa para se salvar.
39. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e
apareça.
40. A vida não está amarrada com um laço, mas sempre é
um presente.
Considere, leitor, que ler isto também não tem preço. E
saiba agradecer, comparecendo na Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade na
Semana Nacional da Família - que começará neste domingo,
dia dos pais.
SENTIMENTOS DE AVÔ - 25 JULHO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Após dez dias de convivência diária, minha netinha de quase
três anos, Luísa, foi embora para sua casa no Paraná. Ela
é muito apegada a mim e, por estar de férias, eu passava o dia
todo com ela. Agora, a saudade bate forte no peito e, há pouco, quando
liguei pra ela, ouvi coisas assim: ‘Vovô, conta uma historinha pra
mim? Você compra balinha pra me dar? Eu te amo, vovô!’
Emocionado por pensar nela e com vontade de vê-la novamente, fui olhar
algumas ‘coisas de criança’ na internet e vi relatos engraçados
que foram publicados na revista ‘Pais e Filhos’.
Primeiro: Uma menina estava assistindo aula e sua professora disse que era impossível
uma baleia engolir um ser humano porque, apesar de ser um mamífero muito
grande, sua garganta é pequena. Mas, a menina insistiu que a Bíblia
relata que Jonas foi engolido por uma baleia. Irritada, a professora repetiu
que a baleia não pode engolir nenhum ser humano. A menina, então,
disse:
- Quando eu morrer e for ao céu, vou perguntar a Jonas.
A professora questionou:
- E o que vai acontecer se Jonas tiver ido para o inferno?
A menina respondeu:
- Aí a senhora mesma pergunta.
Segundo: Uma professora de creche observava as crianças de sua turma
desenhando. Quando chegou perto de uma menina que trabalhava intensamente, perguntou
o que desenhava. Ela respondeu:
- Estou desenhando Deus.
A professora contestou:
- Mas, ninguém sabe como é Deus!
Sem levantar os olhos de seu desenho, a menina respondeu:
- Saberão dentro de um minuto.
Terceiro: Uma menininha de sete anos admitiu calmamente a seus pais que Luís
Miguel havia lhe dado um beijo depois da aula.
- E como aconteceu isso? - perguntou a mãe assustada.
- Não foi fácil, mamãe, mas três meninas me ajudaram
a segurá-lo.
Quarto: Certo dia, uma menina estava sentada observando sua mãe lavar
os pratos na cozinha. De repente, percebeu que a mãe tinha vários
cabelos brancos que sobressaíam na sua cabeleira escura. Olhou para ela
e lhe perguntou:
- Por que você tem tantos cabelos brancos, mamãe?
- Bom, cada vez que você faz algo de ruim e me faz chorar, um de meus
cabelos fica branco - respondeu a mãe.
A menina, então, logo disse:
- Mãe, por que todos os cabelos de minha avó estão brancos?
Quinto: Um menino de três anos foi com seu pai ver uma ninhada de gatinhos
que tinham acabado de nascer. De volta à casa, contou à mãe
que havia gatinhos e gatinhas.
- Como você soube disso? - perguntou a mãe.
- Papai os levantou e olhou por baixo. Acho que ali estavam etiquetas escritas.
Sexto: Todas as crianças haviam saído na fotografia e a professora
estava tentando persuadi-los a comprar uma cópia da foto do grupo:
- Imaginem que bonito será quando vocês forem grandes e disserem:
‘Ali está a Catarina, é advogada!’; ou também:
‘Este é o Miguel, médico’.
Ouviu-se uma vozinha vinda do fundo da sala:
- E ali está a professora. Ela já morreu!
Continuando a pesquisar na internet, eis o que achei:
Perguntaram a uma menina de cinco anos o que ela gostaria de ser quando crescesse.
Ela respondeu:
- Gostaria de ser avó, porque os avós escutam e compreendem a
gente. Além do mais, a família se reúne inteirinha na casa
deles. Minha avó, por exemplo, é uma mulher velhinha que não
tem filhos, mas gosta dos filhos dos outros. Meu avô leva a gente para
passear e conversa sobre pescaria e outros assuntos parecidos.
E continuou:
- Os avós não fazem nada e por isso podem ficar mais tempo com
a gente. Como eles são velhinhos, não conseguem rolar pelo chão
ou correr; mas, não faz mal. Levam-nos ao shopping e nos deixam olhar
as vitrines até cansar. Na casa deles tem sempre uma mesa cheia de coisas
gostosas! Passeiam conosco mostrando as flores, ensinando seus nomes, fazendo-nos
sentir seu perfume. Avós nunca dizem ‘depressa, já pra cama!’
ou ‘se não fizer logo, vai ficar de castigo’.
E não parou por aí:
- Quase todos usam óculos e eu já vi uns tirando os dentes e as
gengivas. Quando a gente faz uma pergunta, os avós não dizem ‘menina,
não vê que estou ocupado?’ Eles pensam e respondem de um
jeito que a gente entende. Não falam com a gente como se fôssemos
bobos, nem se referem a nós com expressões tipo ‘que gracinha!’,
como fazem algumas visitas. O colo dos avós é quente e fofinho,
bom da gente sentar quando está triste. Todo mundo deveria tentar ter
um avô ou uma avó, porque são os únicos adultos que
têm tempo suficiente para nós.
Bem, acho que chega. É melhor rir para não chorar!
HUMILDADE PARA APRENDER - 18 JULHO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Ganhei um presente do amigo Lenarth em abril deste ano e praticamente nem o
tinha aberto. Aconteceu que minha filha, Soraia, gostou das histórias
que viu e pediu emprestado para contar aos seus alunos; assim, somente agora,
nas férias, pude tê-lo de volta.
O título é ‘E, para o resto da vida... Contos que tocam
o coração’, de Wallace Leal V. Rodrigues. Eis o que o Lenarth
escreveu na primeira página: “Este é um livro simples, de
histórias simples e para pessoas simples como você! Apesar de sua
simplicidade, ele encerra ensinamentos profundos que merecem ser guardados em
nossas mentes e corações para o resto da vida”.
De hoje em diante, com certeza, muitos contos desta coluna serão tirados
do livro, começando por este:
Um menino ganhou uma medalha na escola por ser o aluno que melhor sabia ler.
Sentiu-se feliz, orgulhoso e, assim que a aula terminou, voltou correndo para
casa e entrou na cozinha como um furacão. Olhou para a velha empregada
que estava no fogão e disse-lhe:
- Aposto que sei ler melhor do que você.
Vendo o livro de leitura colocado perto de si, a senhora o tomou nas mãos
e tentou ler o que podia, gaguejando a toda hora. Terminou por dizer:
- Bem, meu filho, eu não sei ler.
O menino saiu satisfeito da cozinha e correu ao encontro do pai no escritório.
- Papai, a Maria não sabe ler! Eu, que ainda sou pequeno, já ganhei
até medalha, olhe só! Imagine ela, já velha, não
saber ler; deve ser horrível, né?
Com toda tranqüilidade, o pai ergueu-se da cadeira, foi até uma
estante e voltou com um livro em mãos. Depois falou ao filho:
- Foi maravilhoso você ter ganho a medalha, mas, agora, leia este livro
para eu ouvir.
O garoto o abriu depressa para iniciar a leitura e se surpreendeu ao ver que
as páginas continham centenas de pequenos rabiscos. Chateado, exclamou:
- Nossa, eu não entendo nada disso que está escrito aqui!
- É um livro escrito em chinês, meu filho - disse o pai. - Assim
como a Maria, você também não pode ler este livro, não
é?
Envergonhado, o menino aprendeu a lição que serve a qualquer um
de nós. Às vezes, precisamos lembrar que tudo o que não
sabemos é muito mais do que aquilo que já aprendemos; ou, para
quem conhece a história que contei, bastaria recordar que ‘não
sabemos ler chinês’. Porém, só pensa assim quem tem
humildade no coração.
Na semana passada, eu fui matar a saudade da minha netinha Luísa, que
mora em Rio Negro. Ali perto, na cidade de Mafra, Santa Catarina, aconteceu
um encontro de professores da Universidade do Contestado. Mesmo em férias,
os docentes se reuniam às noites para discutir assuntos relacionados
à formação dos alunos - conscientes que precisavam aprender
para melhor ensinar.
O assunto no dia que participei foi ‘Planejamento Pedagógico’
e, após breve explanação da palestrante, iniciou-se a discussão.
Eu era a única pessoa de fora da Instituição e procurei
me comportar apenas como ouvinte, embora, por ter sido convidado, poderia também
usar a palavra. E foi o que fiz no apagar das luzes, pedindo que os professores
refletissem melhor sobre: formação permanente - para o resto da
vida! - e educação à distância. Conclui dizendo que
vivemos a ‘era da educação continuada’ e não
podemos deixar de aprender e ensinar sempre.
Assim também pensam os participantes do 23º Laboratório Coral
de Itajubá, que acontece nesta semana. Alunos e regentes, coralistas
há anos, continuam com interesse no assunto para melhorarem os conhecimentos
e habilidades. O resultado disso é sempre maravilhoso, podendo ser presenciado
na apresentação de encerramento, que acontecerá sábado
à noite, dia 24, no Anfiteatro da Medicina. Será um espetáculo
para chinês ver!
E por falar em ver e aprender, você já viu um passarinho dormindo
num galho ou num fio? Sabe como ele consegue ficar dormindo sem cair? O segredo
está nos tendões de suas pernas: quando o joelho está dobrado,
o pezinho segura firmemente qualquer coisa. Assim, os pés não
irão soltar o galho até que ele desdobre o joelho para voar. Quanta
sabedoria do Criador, hein?
Pensando na nossa caminhada, se tropeçamos, caímos e temos dificuldades
para levantar, a maior segurança vem de um joelho dobrado em oração.
Então, quando você estiver num emaranhado de problemas que o fazem
perder a paz e a alegria, não se entregue ao desânimo. Lembre-se
que, rezando com humildade no coração, aprenderá a solução
para qualquer coisa que precisar. E como o passarinho, só desdobre o
joelho quando tiver confiança para se levantar.
Se Deus cuida de um passarinho, abençoa todos os animais da Terra e a
natureza que os cerca, imagina o que não fará por você,
que é Seu filho amado! Basta pedir com confiança e a graça
virá.
NOSSAS ESCOLHAS - 11 JULHO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Mário de Andrade escreveu:
“Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para
frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que
futuro. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As
primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltavam poucas, roeu
até os caroços das outras.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Inquieto-me com
invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares,
talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis,
para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte
da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas
que, apesar da idade cronológica, são imaturos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos; quero a essência,
minha alma tem pressa! Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado
de gente muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge
de sua mortalidade. Caminharei perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!”
Mário de Andrade tem razão: cada vez mais, precisamos valorizar
o essencial, como nesta história que a prima Joseane me enviou de Amparo:
Um filho chegou para seu pai e perguntou:
- Pai, por que temos que reler a Bíblia se não conseguimos memorizar
tudo e, quando passa certo tempo, acabamos esquecendo?
O pai olhou para um rio que se via do quintal e depois pediu ao filho:
- Pegue aquele cesto de junco, vá até o rio, encha-o de água
e traga aqui.
O filho olhou para o cesto sujo e obedeceu. Andou dez minutos até o rio,
encheu-o e voltou. Como o cesto era cheio de furos, a água foi escorrendo
e, quando ele chegou em casa, já não restava nada.
O pai perguntou-lhe:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
- Aprendi que cesto de junco não segura água.
O pai ordenou-lhe que repetisse o processo e, quando o filho voltou com o cesto
vazio, o pai questionou:
- E agora, meu filho, o que você aprendeu?
- Que cesto furado não segura água!
O pai, então, continuou ordenando que o filho repetisse a tarefa e, depois
da quinta vez, o filho estava exausto de tanto ir e voltar. E o pai lhe perguntou
novamente:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
- Não entendi o porquê de me mandar ir e voltar, pai, mas percebo
que aquele cesto sujo agora é um cesto limpinho!
Com um sorriso afetuoso, o pai falou:
- Está vendo, filho? Apesar do cesto não segurar a água,
a repetição constante de enchê-lo acabou deixando-o limpo.
Daí, o filho retrucou:
- Pai, o senhor me fez andar várias vezes para me mostrar uma forma de
limpar o cesto?
- Você havia me perguntado por que é necessário ler constantemente
a Bíblia. Hoje você aprendeu que, assim como o cesto sujo pôde
ser limpo mesmo sem segurar a água, esse processo de leitura da Bíblia
deixa a sua mente limpa e em sintonia com o nosso Criador.
Bem, neste artigo duas lições já foram passadas: escolher
o essencial para bem viver e deixar-se conduzir pela Palavra de Deus. Em princípio,
isto já basta, mas precisamos saber lidar com situações
novas. Também por este motivo a Bíblia é tão extensa
e rica nos ensinamentos. Requer que continuemos a ler partes que ainda não
sabemos, pois quase tudo se transforma com o tempo. Eis um exemplo interessante:
Certa vez, duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte
e valente. Assim, logo ao cair, nadou até a borda do copo, mas como a
superfície era muito lisa, não conseguiu escapar. Acreditando
que não havia saída, a mosca desanimou, parou de se debater e
afundou.
Sua companheira de infortúnio, apesar de não ser tão forte,
era tenaz e continuou a lutar. Aos poucos, com tanta agitação,
o leite ao seu redor formou um pequeno nódulo de manteiga no qual ela
subiu. Dali, conseguiu levantar vôo e sair do copo.
Tempos depois, a mosca tenaz novamente caiu num copo, desta vez cheio d’água.
Como pensou que já conhecia a solução daquele problema,
começou a se debater na esperança de que, no devido tempo, se
salvasse. Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da companheira,
gritou:
- Tem um canudo ali, nade até ele e suba.
A mosca tenaz respondeu:
- Pode deixar que eu sei como resolver este problema.
E continuou a se debater mais e mais até que, exausta, afundou na água.
Pois é, sabemos que soluções do passado, em contextos diferentes,
podem transformar-se em problemas. Quantos de nós, baseados em experiências
anteriores, deixamos de observar as mudanças ao redor e ficamos lutando
inutilmente até afundar em nossa própria falta de visão!
Velhos hábitos que nos levaram ao sucesso nos fazem perder oportunidades
de evoluir.
Os mais experientes na fé sabem reconhecer essas transformações
para fazerem suas escolhas
ESTA HISTÓRIA É SUA? - 4 Julho 2010
Paulo Roberto Labegalini
“No estado em que me achava, meio acordado, meio dormindo, me vi dentro
de uma sala. Não existia nada de interessante nela, exceto uma parede
cheia de gavetas - arquivos para cartões. E quando me aproximei dos arquivos,
o primeiro título a me chamar a atenção foi ‘garotas
que eu gostei’. Abri, comecei a ver os cartões e logo reconheci
os nomes ali escritos.
Sem ninguém precisar me dizer, descobri onde estava. A sala era, na realidade,
o catálogo da minha vida! E um senso de curiosidade, espanto, misturado
com horror surgia dentro de mim ao abrir cada gaveta para descobrir seu conteúdo.
Algumas me traziam belas alegrias, outras me envergonhavam.
Os títulos iam do mundano à extrema loucura: livros que li; mentiras
que contei; conselhos que dei; piadas que ri etc. Alguns eram hilariantes devido
à sua exatidão: coisas que fiz quando estava com raiva; palavras
que proferi contra meus pais; enfim, eu não parava de me surpreender
com os conteúdos que se apresentavam.
Estava estupefato com o volume de coisas que fiz durante minha curta vida. Como
eu tive tempo necessário para escrever aqueles milhões de cartões?
E cada cartão, cada verdade, tinha a minha assinatura!
Cheguei, então, num arquivo intitulado ‘pensamentos sensuais’.
Um calafrio percorreu todo o meu corpo. Abri a gaveta somente um pouquinho,
pois não estava a fim de testar o tamanho, e tirei um dos cartões.
Senti mal em saber que esse momento havia sido gravado, e um pensamento tomou
conta de mim: ‘Ninguém deve saber da existência destes cartões.
Tenho que destruir tudo!’
Em frenético movimento, puxei uma das gavetas, estendendo metros e metros
de conteúdo. Quando a gaveta saiu, joguei-a de cabeça para baixo
e descobri que todos os cartões estavam grudados. Fiquei desesperado
e peguei um bolo de cartões para rasgá-los, mas não consegui.
Eram duros como aço!
Cansado, retornei a gaveta ao seu lugar. Foi então que vi um arquivo
novo, como se nunca tivesse sido usado, com o título: ‘pessoas
com quem falei de Cristo’. O arquivo tinha menos de cinco centímetros
de comprimento. Então, as lágrimas vieram. Caí de joelhos
e chorei de vergonha, de pura vergonha! Pensei: ‘Ninguém pode entrar
aqui. Tenho que trancar a sala e esconder a chave’.
Enquanto eu enxugava as lágrimas, vi Jesus entrando. Ele aproximou-se
das gavetas e começou a abri-las, uma por uma, lendo os seus conteúdos.
Nos momentos em que eu tive coragem suficiente para olhar Seu rosto, vi uma
tristeza bem mais profunda do que a minha. E Ele ia exatamente aos piores títulos...
Finalmente, Ele virou-se e ficou me olhando com piedade, sem nenhuma raiva.
Abaixei a cabeça e voltei a chorar, cobrindo a face com as mãos.
Ele se aproximou, abraçou-me e chorou comigo. Depois, levantou-se e dirigiu-se
para a fila de arquivos. Abriu a primeira gaveta, tirou o cartão e assinou
o Seu nome. E assim fez com todos os cartões.
Quando percebi o que Ele estava fazendo, corri em Sua direção
e gritei: ‘Por favor, não!’. Tudo o que eu quis dizer foi:
‘Seu nome não pode estar nestes cartões!’. Mas ali
ficou escrito num vermelho escuro e vívido o santo nome de Jesus, que
cobriu o meu com Seu próprio sangue!
Nunca entenderei como Ele assinou todos os cartões tão depressa,
pois quando me dei conta, Ele já havia acabado. Colocou novamente a mão
no meu ombro e disse: ‘Tudo está consumado!’.
Depois, Ele levou-me para fora da sala. Disse-me que ainda existem muitos cartões
a serem escritos antes da vida eterna e lembrou-me que Deus enviou o seu Filho
ao mundo não para julgá-lo, mas para que fosse salvo por Ele.”
Pois é, caro leitor, por toda a internet estão procurando o autor
deste texto. Se for seu, sugiro que, nos cartões em branco, escreva casos
de puro amor. Mas, como as histórias que irá contar ainda não
aconteceram, valorize as qualidades que um ser humano precisa ter para caminhar
com dignidade cristã: bondade, humildade, sinceridade e amor próprio.
Duas virtudes são para se carregar dentro do peito - humildade e amor
próprio - e as outras, de comportamento, devem ser disponibilizadas ao
próximo - bondade e sinceridade.
Estas virtudes eu explico com detalhes no livro ‘O Mendigo e o Padeiro’
- a ser lançado no segundo semestre. A obra conta a história de
dois personagens que buscam um modelo de felicidade conjugal para ajudar casais
com problemas de relacionamento. Procurando respostas para melhorar as vidas
das pessoas, o destino de cada um também mudou.
Tenha certeza que com Jesus Cristo no coração, sua vida, leitor,
igualmente mudará.
VIVENDO E APRENDENDO - 27 JUNHO 2010
Paulo Roberto Labegalini
A história abaixo veio da França, onde vivem a Sandra e o Ricardo.
Ela me encaminhou o texto, com estas palavras no corpo do e-mail: “Ôi
Paulo, tudo bem por ai? Muita agitação com os jogos da copa? Por
aqui tudo tranquilo, sem agitação, nem parece que estamos tendo
uma copa do mundo. Ainda mais agora, com a França fora. Recebi este texto
e achei interessante, é por isso que te repasso. Abraço a todos”.
Uma moça tinha um relacionamento difícil com o pai. Quase nunca
conversavam, mas surgiu a oportunidade de viajarem juntos de carro e ela imaginou
que seria um bom momento para se aproximarem.
Durante o trajeto, o pai comentou sobre a degradação de um córrego
que acompanhava a estrada. A garota olhou para o córrego ao seu lado,
lembrou um cenário de Walt Disney e teve a certeza de que ela e o pai
realmente não tinham a mesma visão da vida. Seguiram a viagem
sem trocar mais palavras.
Anos depois, a moça fez a mesma viagem por aquela estrada, dessa vez
com uma amiga. Estando agora ao volante, ela surpreendeu-se. Do lado esquerdo,
o córrego era realmente feio e poluído como seu pai havia descrito,
ao contrário do belo córrego que ficava do lado direito da pista.
E uma tristeza profunda se abateu sobre ela por não ter levado em consideração
o comentário do pai, que havia falecido no ano anterior.
Pois é, isso acontece sempre: a gente vê o que mostra a nossa janela
e quase nunca a janela do outro. A mesma estrada para uns é infinita;
para outros, curta. Boa parte dos brasileiros acredita que o país está
melhorando, enquanto outra parcela da população perdeu totalmente
a esperança. Alguns celebram a tecnologia como um fator essencial da
sociedade, outros lamentam que as relações humanas estejam tão
frias. Assim, muitos grudam o nariz na sua janela, somente nos seus próprios
interesses.
E também pela internet recebi um texto de William Shakespeare - poeta
e dramaturgo inglês do século 19. Gostei destes trechos:
“Depois de algum tempo você aprende a sutil diferença entre
dar as mãos e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não
significa apoiar-se e que companhia nem sempre significa segurança. E
começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante,
com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã
é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio
ao vão.
Depois de algum tempo você aprende que não importa o quanto você
se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam. E aceita que
não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em
quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode
aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos
para destruí-la; você pode fazer coisas em um instante, das quais
se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam
a crescer mesmo a longas distâncias. O que importa não é
o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. Bons amigos são
a família, que nos permitiram escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendermos que amigos
mudam; percebe que seu velho amigo e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você
mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por
isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas - pode
ser a última vez que as vejamos.
Aprende que ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e
que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada seja uma situação,
sempre existem dois lados. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você
espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam
a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que
se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários
celebrou. Aprende também que há mais de seus pais em você
do que você suponha.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas
isso não lhe dá o direito de ser cruel. Aprende que nem sempre
é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você
tem que aprender a perdoar-se. Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar atrás;
portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que
alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar,
que é forte para ir muito mais longe depois de pensar que não
se pode mais.
E aprende finalmente que a vida tem valor e que você tem valor diante
da vida!”
Eu completaria Shakespeare, dizendo: ‘com Cristo, por Cristo e em Cristo
alcançaremos a salvação’. Isto significa: aprender
a viver.
COISAS DA VIDA 20 JUNHO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Um sujeito lembrou que era o dia do aniversário da filha e que ainda
não havia comprado um presente. Então, entrou numa loja e perguntou
à vendedora:
- Quanto custa uma boneca Barbie?
- Depende - respondeu ela. - Temos: Barbie vai à academia, Barbie joga
vôlei, Barbie vai às compras, Barbie vai à praia, Barbie
vai dançar e Barbie divorciada.
- Tem diferença nos preços?
- A Barbie divorciada custa R$ 265,95 e as outras custam apenas R$ 39,95.
Ele se assustou com o preço da primeira boneca e perguntou:
- Mas, por que a divorciada é tão mais cara que as outras?
- Meu senhor, a Barbie divorciada vem com: o carro do Bob, a casa do Bob, a
lancha do Bob, o trailer do Bob, os móveis do Bob e o celular do ex-marido
Bob!
Bem, isto é apenas uma brincadeira da internet, mas sabemos que casos
como este existem. Na separação de casais, muitos problemas acontecem
e nem sempre o bom senso prevalece. Não me refiro somente à partilha
de bens, mas, sobretudo, ao amor que deixou de existir.
Compreendo que o desejo dos cônjuges em ficar juntos possa ter acabado,
porém, um não precisa ser inimigo do outro. Na intenção
de ver o parceiro sofrer, a pessoa mal intencionada começa perder a graça
de Deus em sua própria vida. Jesus ensinou: reze pelos seus inimigos.
É simples entender que o amor é um dom gratuito que recebemos
no Batismo e não temos o direito de aprisioná-lo. Quando abrimos
o coração e o disponibilizamos ao irmão que sofre, se torna
caridade. E a verdadeira caridade é aquela que tem sentido de compaixão
- como Cristo praticou.
Não basta eu ter pena de alguém; se não acolho o sofrimento
do próximo no coração e não me entrego na ajuda
que ele precisa, fico distante da solução do problema. Ao adoecer
um parente próximo, por exemplo, não nos envolvemos até
o pescoço? Pelo menos um pouco desse amor deveria ser compartilhado com
outros irmãos de fé, não acha?
Mas, quando entra o bendito dinheiro na história, quase tudo muda de
figura. Temos em mente que: não vou repartir aquilo que ganhei com o
meu suor; ao pobre dou apenas algumas moedinhas; não pagarei dízimo
à Igreja etc.
Voltando a falar do divórcio, o dinheiro também é uma das
maiores causas dos conflitos, principalmente durante e após a separação.
Quem é rico, se apega tanto aos bens que parece ter medo de ficar pobre!
Quem não tem muito, parece que quer deixar o parceiro na miséria!
Será tão difícil entender que Deus deu a ambos - juntos!
- a graça de possuírem alguns bens materiais aqui na Terra? Por
que um precisa fechar a porta para o outro? E quem cuida da tristeza dos filhos
quando cada um só pensa em si?
Hoje em dia, casais separados são comuns em nosso meio. Mesmo com aconselhamento
que ‘a união se deu para sempre’, a Igreja Católica
os acolhe com carinho e os orienta a perseverar na fé. Para isso, algumas
reflexões de vida precisam periodicamente acontecer, como nesta história
que já contei nesta coluna e revivi na reunião de Ministros da
Comunhão Eucarística na semana passada.
Um grupo de jovens formados e bem estabelecidos em suas carreiras decidiu visitar
um velho professor da faculdade que sempre serviu de inspiração
para eles. Durante a visita, o bate-papo se transformou em reclamação
sobre o estresse em seus trabalhos e relacionamentos.
Ao oferecer chocolate quente a seus ex-alunos, o professor foi à cozinha
e retornou com uma jarra cheia da bebida e com grande variedade de canecos.
Alguns eram de porcelana, outros de vidro e de cristal, uns simples, outros
caros e bonitos, e até alguns bem feios. Então, ele os convidou
a se servirem da bebida.
Quando todos já estavam com o chocolate quente em mãos, o professor
compartilhou seu pensamento:
Percebam que os canecos caros e bonitos foram os escolhidos, e que os simples
e baratos foram deixados na mesa. Embora vocês achem normal desejarem
os melhores para si, é aí que está a fonte dos problemas.
O caneco no qual cada um está bebendo não acrescenta nada à
qualidade da bebida; na maioria das vezes ele é apenas mais caro ou esconde
o que se está bebendo. Vocês não queriam os canecos, apenas
chocolate, mas inconscientemente escolheram os melhores.
Agora, por favor, considerem o seguinte: a vida é o chocolate quente;
o emprego, o dinheiro e a posição na sociedade são os canecos
- apenas ferramentas que fazem parte da vida. Às vezes, ao concentrarmo-nos
somente no caneco, deixamos de saborear o chocolate que o Céu tem nos
ofertado. Lembrem-se sempre disto: Deus provê o chocolate; Ele não
escolhe o caneco!
As pessoas mais felizes não são as que têm o melhor de tudo,
mas as que fazem o melhor de tudo que têm. Viva simplesmente, ame generosamente,
cuide-se imensamente, fale bondosamente e deixe o resto com Deus. Os mais ricos
não são os que têm mais, mas os que precisam de menos.
Agora, aproveite você também, leitor, seu chocolate quente!
NOSSAS PROMESSAS - 13 JUNHO 2010
Paulo Roberto Labegalini
O rei de um povo sofrido era conhecido pela sua valentia nas batalhas. Quando
o país entrava em guerra, ele era o primeiro que montava em seu belo
cavalo e saia à frente para a luta. Com isso, ganhava fama e respeito.
Um dia, porém, o cavalo preto adoeceu e passou a preocupar o rei. Sem
aquele fiel aliado, o monarca sentia-se inseguro para enfrentar os inimigos.
O cavalo não melhorava e o rei deixou de ficar à frente nas batalhas.
Então, disseram a ele que havia um homem que poderia aconselhá-lo
a sair daquela situação; e o rei foi procurar o sábio que
lhe indicaram.
Viajou dois dias no lombo de outro cavalo e chegou à humilde casa de
um homem muito velho que mal podia andar. Contando sua angústia ao sábio,
ouviu este conselho:
- Não deixe para depois o que é mais importante em sua vida. Se
o cavalo preto está doente há tanto tempo, vossa majestade já
deveria ter adestrado outro animal. Faça-o imediatamente ou perderá
o seu reino.
Revoltado com o conselho que recebeu, o rei mandou prender o velho sábio
e retornou a galope para o palácio. Continuou tentando recuperar a saúde
do cavalo de estimação e perdendo guerras. Mais algum tempo se
passou e os invasores tomaram o trono do monarca.
Colocado na mesma cela em que estava o sábio que prendeu, o rei ouvia
sempre estas palavras: ‘Nada é tão bom que nunca se acabe
ou tão ruim que perdure para sempre. Precisamos cuidar do presente para
plantarmos um futuro melhor’.
Pois é, que esta lição sirva também para a nossa
vida. Vivendo agora a Copa do Mundo de Futebol, lembro-me que há oito
anos eu estendi uma bandeira do Brasil no terraço do meu apartamento.
Quando saía gol da nossa seleção, eu e meus filhos balançávamos
a bandeira para fora do prédio. Depois disso, o pano estragou e eu prometi
que compraria outra bandeira, mas ficou só na promessa.
Há três anos, perto do Natal, eu enfeitei a grade da frente do
apartamento com lâmpadas coloridas. A decoração ficou bonita,
mas estragou já no ano seguinte e prometi que faria algo melhor. O tempo
passou, eu estive ainda mais ocupado e hoje não há luzes para
acender.
Ah, outra promessa que deixei de cumprir foi me exercitar diariamente na bicicleta
ergométrica que comprei. Naquela época, disseram-me que iria virar
cabide, e foi o que aconteceu. Então, no mês passado, adquiri uma
esteira eletrônica e prometi à família que iria caminhar
nela todos os dias. Já está difícil manter esse ritmo,
mas tentarei não decepcionar.
Ainda preciso ver se cumpro outras promessas que fiz há anos: ler alguns
bons livros guardados, visitar amigos em São Paulo, arrumar as gavetas
em que guardo meus pertences, estudar o manual do teclado... Acho que preciso
parar de prometer!
Contudo, nada disso é mais importante em minha vida do que a missão
na evangelização. Isto eu não posso deixar de cumprir porque
comprometeria o plano de salvação que Deus tem para algumas pessoas,
inclusive eu! Não deixarei para depois as tarefas que Jesus confiou a
mim.
Precisei trocar alguns ‘cavalos pretos’ e substituí-los por
outros para transpor obstáculos; mas, a caminhada não parou. Quantas
vezes tive vontade de dizer: ‘hoje não’ ou ‘estou com
preguiça’; porém, eu lembrava que o Pai me dava saúde,
paz e fé no coração para servi-Lo. Da mesma forma que aprendi
a perdoar, eu precisava passar esse amor às pessoas que ainda sentiam
ódio dos irmãos. E da mesma forma que fui curado, eu precisava
testemunhar a confiança que devemos ter na oração.
Assim, valorizando cada vez mais o sagrado, fui deixando de cumprir algumas
promessas menos importantes. Quem sabe um dia, a minha bicicleta voltará
a funcionar, as luzes e a bandeira do terraço voltarão a existir,
alguns livros sairão da gaveta... Enquanto isso não acontece,
cabe a mim: continuar servindo os pobres como Vicentino, coordenar um grupo
de agentes da Pastoral Familiar, cantar nas missas com minha filha, estar presente
a cada quinze dias na Escola Vivencial do Cursilho, participar mensalmente do
nosso Ovisinha, além das Celebrações da Eucaristia sempre,
sempre, sempre.
E você, leitor, tem deixado para depois os compromissos missionários
de cristão batizado na Igreja Católica? Se ainda nem começou
a cumprir essas ‘promessas’, imagine quantas pessoas já poderiam
ter se convertido por seu intermédio!
Domingo passado, numa palestra que ouvi do religioso Mauro - Missionário
do Sagrado Coração que se tornará diácono dia 4
de julho -, ficou claro o amor de Deus por nós. Ele citou as promessas
que Jesus fez à humanidade no século XVII por meio de Santa Margarida
Maria Alacoque. Eis a primeira e a última promessas:
“A minha bênção permanecerá sobre as casas
em que se achar exposta e venerada a imagem de meu Sagrado Coração”;
“A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos,
darei a graça da perseverança final e da salvação
eterna”.
Diferente de mim, Ele sempre cumpre suas promessas.
MINHAS RECORDAÇÕES - 6 JUNHO 2020
Paulo Roberto Labegalini
A primeira vez que pisei em Itajubá-MG foi para prestar vestibular em
dezembro de 1973. Vindo de Monte Sião, lembro que o ônibus passou
por lugares cheios d’água perto de Santa Rita e eu comentei com
um amigo: ‘Choveu muito por aqui!’
Passei a noite num quarto do ‘Prédio do Nagib’ no bairro
da Varginha. O local, alugado para estudantes, às vezes virava uma bagunça
à noite. Pude testemunhar isso porque, no ano seguinte, já cursando
Engenharia Civil, morei no primeiro andar do pequeno edifício. E quando
não aguentei mais a falta de sossego, fui para uma pensão na Rua
Silvestre Ferraz, onde eu era muito querido pela Dª. Geralda.
E 1975 foi muito corrido! Eu dividia o tempo entre a faculdade e o Batalhão.
O segundo ano de engenharia exigia dedicação nos estudos e o NPOR
também não deixava por menos. Quantas vezes eu chegava de farda
para assistir aula e, meio envergonhado, percebia olhares estranhos de toda
parte. Ainda bem que os professores entendiam o meu esforço e, quando
perdia provas, davam outros testes para eu fazer.
Nunca poderia imaginar que eu viria a ser colega de trabalho do Bonaldi, Chicão,
Hermeto, Costanti, Ulderico, Márcio Tadeu, Fredmarck, Rocha, Djalma e
tantos outros. O mundo é tão pequeno que, na EFEI, até
chefe de alguns deles eu fui, mas sempre com humildade e muito respeito por
grandes cabeças que eram. Desde 1979, quando ingressei na Escola Federal
de Engenharia, aprendi bastante e fui ajudado por muita gente, como o Márcio
Tadeu que me propôs escrevermos livros juntos e me orientou no Mestrado.
Anos depois, recebi um certificado que muito me honrou: fui diplomado pela Associação
dos Ex-alunos da EFEI. E parti para o Doutorado na Poli da USP, que conclui
em 1998. Até então, eu me dedicava às coisas do mundo -
algumas fundamentais para a profissão, mas não tão importantes
para a missão maior que me esperava.
Então, na mesma época, iniciei minha caminhada como agente de
Pastorais da Igreja Católica. Fundei um ministério de música,
fiz OVISA, Cusilho de Cristandade, tornei-me Vicentino e passei a escrever para
‘O Sul de Minas’. Este texto é o artigo 634 em 13 anos de
evangelização. Em decorrência disso tudo, há dois
anos recebi uma homenagem da ‘Câmara dos Dirigentes Lojistas de
Itajubá’ por serviços prestados à comunidade.
E na cidade de Nossa Senhora da Soledade nasceram meus três filhos, fiz
amigos, rezei, sorri, chorei, apresentei programas de rádio e aprendi
com a vida. Entre erros e acertos, acho que o balanço já é
positivo. Orgulho-me de ser Ministro Extraordinário da Comunhão
Eucarística e coordenar alguns grupos que desempenham trabalhos relevantes
na cidade: Pastoral Familiar, Incubadora Tecnológica de Cooperativas
Populares, Natal no Campus; além de ser responsável pela Pró-Reitoria
de Cultura e Extensão da UNIFEI. Muita gente interage comigo para ajudar
o próximo, principalmente minha esposa.
Também sinto saudades de algumas boas almas que estão junto de
Deus. Na semana passada, fui ao velório do professor Álvaro Pereira
Rizzi e percebi o quanto o admirava como mestre e ilustre cidadão. Rezei
em nome dos alunos que ele tanto ajudou e lembrei que, cada vez que nos encontrávamos,
ele elogiava algum artigo que eu escrevia.
Certo dia, na Avenida Paulo Chiaradia, eu estava com pressa e buzinei para alguém
que dirigia à minha frente. Imediatamente o motorista deu-me passagem
e, quando ultrapassei, vi que era o professor Rizzi. Virei o rosto para ele
não me conhecer e fiquei com remorso, pensando: ‘Eu poderia ter
buzinado para qualquer outra pessoa, menos para ele. Como fui malcriado!’.
Sempre quis me desculpar com o meu ex-professor, mas preferi compartilhar coisas
melhores nas raras vezes que conversamos - para aprender um pouco mais com aquele
homem exemplar.
Pois é, o tempo é impiedoso! Mesmo sabendo aproveitá-lo,
alguns momentos não voltam mais. A única coisa que fica é
a Palavra de Deus, que também falou alto em meu coração
nesta cidade que aprendi a amar. São Gregório Magno, Papa e doutor
da Igreja que viveu no século VI, ao comentar o capítulo 10 do
Evangelho de São Marcos - onde o cego Bartimeu gritou para Jesus em Jericó
e foi curado -, disse:
“Com razão, a Escritura nos apresenta este cego sentado à
beira do caminho e pedindo esmola, porque a Verdade diz acerca de Si mesma:
‘Eu sou o caminho’. Assim, todo aquele que ignora a claridade da
luz eterna é cego.
Se cremos no Redentor, estamos sentados à beira do caminho; mas se desprezamos
pedir que nos seja dada a luz eterna e a oração, ainda não
pedimos esmola. Porém, se conhecemos a cegueira do nosso coração
e oramos a fim de recebermos a luz da verdade, então somos efetivamente
este cego sentado à beira do caminho que pede esmola.
Assim, aquele que reconhece as trevas da sua cegueira e sente a privação
da luz eterna, grite com toda a sua alma: Jesus, Filho de David, tem piedade
de mim!”
Portanto, enquanto Deus permitir, continuarei gritando para Itajubá ouvir.
CRIATIVIDADE NA EVANGELIZAÇÃO - 30 Maio 2010
Paulo Roberto Labegalini
Um dia, diante de um pinheiro todo vergado pelo tempo, o sábio da aldeia
ofereceu a sua própria casa para aquele discípulo que conseguisse
vê-lo na posição correta. Todos se aproximaram e ficaram
pensando na possibilidade de ganhar a propriedade e prestígio; mas como
seria enxergar o pinheiro na posição correta?
O mesmo era tão torto que a pessoa candidata ao prêmio teria que
ser meio contorcionista. Portanto, ninguém ganhou o prêmio e o
velho sábio explicou ao povo ansioso que ver aquele pinheiro em sua posição
correta era vê-lo como uma árvore torta. E completou:
- Nós temos essa mania de querer consertar as coisas, as pessoas, e tudo
mais de acordo com a nossa visão pessoal. Quando olhamos para uma árvore
torta é extremamente importante enxergá-la torta, sem querer endireitá-la,
pois é assim que ela é. Se tentarmos endireitá-la, ela
vai rachar e morrer. Também nos nossos relacionamentos, é comum
um criar no outro expectativas próprias, esperar que o outro faça
aquilo que ele sonha e não o que pode lhe oferecer.
Pois é, concordo que sofremos antecipadamente por criarmos expectativas
que não estão ao alcance dos outros, porque temos essa visão
de consertar o que achamos errado. Se tentássemos enxergar as coisas
como elas realmente são, muito sofrimento seria poupado. Os pais também
sofreriam menos com os filhos, pois, conhecendo-os, não colocariam expectativas
falsas nas suas vidas, gerando crianças frustradas, rebeldes e inseguras.
Pelo menos tente ver as pessoas como são. Pare de imaginar como deveriam
ser e não insista em consertá-las da maneira que somente você
acha bonito. Crie menos dificuldades no relacionamento; se vemos as coisas como
são, muitos problemas deixam de existir, sem brigas, sem ressentimentos.
Olhe para você mesmo com ‘olhos otimistas’ e enxergue as coisas
que ainda deve fazer e não fez. Pode ser que a sua árvore seja
torta aos olhos de outras pessoas, mas pode vir a ser a mais frutífera,
a mais bonita, a mais perfumada da região.
E quando faltam opções para engrandecer a alma, duas coisas podem
ser buscadas: criatividade e evangelização. Ambas podem ser praticadas
numa única ação: criatividade na evangelização.
Esta opção sempre existirá para qualquer pessoa temente
a Deus, e os resultados são maravilhosos, tanto pessoais quanto comunitários.
Todos nós somos criativos em maior ou menor grau; basta sabermos usar
a criatividade para alcançarmos, com simplicidade, alguns resultados
desejados. No trabalho, por exemplo, se o patrão nos cobra um serviço
urgente e o tempo não é suficiente para realizá-lo adequadamente,
a criatividade pode ser praticada para o sucesso da missão.
Nos estudos, muitos alunos conseguem bons resultados por serem criativos no
aprendizado: inventam artifícios diversos para decorar fórmulas;
destacam aspectos importantes da matéria para resumir; fazem questionários,
simulando a própria prova etc.
Também podemos usar do nosso poder criativo e ajudar muitos irmãos
a seguir pelos caminhos da fé. Um simples objeto religioso à mostra
no nosso corpo serve como instrumento de evangelização. Pode ser
uma camiseta, um terço, uma corrente, um broche, enfim, um símbolo
que destaque a fé e dê abertura para outras pessoas se sentirem
atraídas por aquela mensagem.
Colocar um adesivo plástico no vidro do carro é um outro recurso
válido e barato para evangelizar. Têm imagens de Jesus e de Maria
belíssimas que chamam a atenção! Basta ser criativo: escolhendo
uma bela estampa e a divulgando em local de destaque.
Além desses meios, eu procuro evangelizar com testemunhos de fatos vividos
em família ou na comunidade. Por serem casos reais que provam o amor
de Jesus e de Nossa Senhora por nós, geralmente tocam profundamente nas
pessoas. Assim, fica mais fácil amolecer certos corações
e conduzi-los para junto de Deus.
Na evangelização, o importante é nunca faltar humildade
no relacionamento com os irmãos desgarrados, e sempre rezar com confiança
- pedindo ao Espírito Santo que nos ilumine para resgatar almas perdidas.
Mas, falando de criatividade, não dá para esgotar o assunto. Cada
um pode e deve colocar em prática o dom criativo que Deus lhe deu e ajudar
a chamar pessoas para o trabalho em comunidade. Se nos unirmos contra as ciladas
do demônio, nos afastaremos do pecado e alcançaremos mais graças
do Céu.
Ao ressuscitar, Jesus nos mostrou que ‘quem ri por último ri melhor’.
Portanto, a cada alma que ajudarmos a chegar ao Paraíso, cumpriremos
parte da nossa missão e provocaremos boas gargalhadas dos anjos da guarda.
Então, se você ainda não procurou ajudar a Deus no processo
de pescar e salvar almas, tenha coragem, seja criativo e tente. Logo verá
que valeu a pena!
APRENDER PARA RECONSTRUIR - 23 MAIO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Esta é a narrativa de um homem que estava infeliz com tudo o que lhe
acontecia:
“Certo dia, decidi dar-me por vencido. Renunciei ao meu trabalho, às
minhas relações, à minha espiritualidade, até à
minha vida. Dirigi-me ao bosque para ter uma última conversa com Deus:
- Senhor, poderias dar-me uma boa razão para eu não entregar os
pontos?
A resposta me surpreendeu:
- Olha ao redor. Estás vendo a samambaia e o bambu? Pois bem, quando
os semeei cuidei deles muito bem, não lhes deixei faltar luz e água.
A samambaia cresceu rapidamente, seu verde brilhante cobria o solo; porém,
da semente do bambu nada saía. E, apesar disso, eu não desisti
do bambu. No segundo ano, a samambaia cresceu ainda mais brilhante e viçosa;
da semente do bambu, nada apareceu. Mas não desisti do triste bambu.
No terceiro ano, no quarto, a mesma coisa; mas no quinto ano, um pequeno broto
saiu da terra. Aparentemente, em comparação com a samambaia, era
muito pequeno, até insignificante. Depois, o bambu cresceu mais de 20
metros.
Fui ouvindo e imaginando o final da história. E Deus continuou:
- O bambu ficou cinco anos afundando raízes, que o tornaram forte e lhe
deram o necessário para sobreviver. A nenhuma de minhas criaturas eu
faria um desafio que não pudessem superar.
E parecendo olhar bem no meu íntimo, concluiu:
- Sabes que durante todo esse tempo em que vens lutando estavas criando raízes?
Eu jamais desisti do bambu e nunca desistirei de ti. Peço que não
te compares com os outros. O bambu foi criado com uma finalidade diferente da
samambaia, mas ambos eram necessários para fazer do bosque um lugar bonito.
Teu tempo vai chegar. Crescerás muito!
- Quanto tenho que crescer? - perguntei.
- Tão alto quanto o bambu - foi a última resposta.”
Pode deduzir, leitor, que Deus quis dizer: ‘Tão alto quanto quiser
que eu te ajude!’ Assim, espero que estas palavras também possam
ajudá-lo a entender que Jesus nunca desistirá de você. Nunca
se arrependa de um dia vivido - os bons trouxeram felicidade, os maus deram-lhe
experiência. Ambos são essenciais para a vida. A felicidade adiciona
doçura e os problemas nos mantêm fortes. O sucesso alimenta o ego,
mas só Deus nos mantém caminhando rumo ao Céu.
Para viver melhor, o importante é sabermos aproveitar tudo o que encontramos
pela frente. Imagine alguma pedra que surge no caminho... Isto já aconteceu
com muitas outras pessoas...
O distraído nela tropeçou, o bruto a usou como projétil,
o empreendedor a empregou para construir, o camponês fez dela um assento...
Para meninos, foi brinquedo; Carlos Drummond de Andrade a poetizou; com ela,
David matou Golias e Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura. Em todos
esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não
existe pedra no caminho que não possa ser aproveitada para o próprio
crescimento.
Lembre-se que cada instante que passa é uma gota de vida que nunca mais
volta. Aproveite para evoluir e saiba tirar o melhor proveito, pois talvez não
terá tantas outras chances de reconstruir. Amar como Jesus amou não
é fácil, sabemos, mas se cada um tentasse aplicar isso em sua
vida de vez em quando, quem sabe se tornaria um hábito natural?
Julgamos as pessoas e vivemos criticando o que fazem ou deixam de fazer, o que
é próprio do ser humano, concorda? Mesmo assim, não é
óbvio que sem amor no coração as coisas não irão
melhorar? E se um tratamento mais carinhoso não partir de quem critica,
fica ainda mais difícil mudar o que está errado e reconstruir
relacionamentos pacíficos.
Como é gostoso saber que somos compreendidos em nossas virtudes e defeitos!
Durante a Festa Social de Nossa Senhora do Sagrado Coração, enquanto
eu vendia doces, aproximou-se um cidadão chamado Gerson para dizer que
comprava o jornal O Sul de Minas para ler semanalmente esta coluna. Fez mais
alguns elogios e foi-se embora, mas ficou o sentimento positivo de reconhecimento
pelo meu trabalho na evangelização. Pedi que não deixasse
de rezar por mim, e eu rezo por ele.
Assim o Reino de Deus será construído: Ele falando e nossos corações
aceitando cumprir Sua vontade. Um dia nos esforçamos mais, outros menos,
mas todos os dias sem pecados mortais nas costas. Não é tão
difícil como algumas pessoas imaginam; basta tentar e ver que o ‘bambu’
começará a crescer.
Até o Papa Bento XVI já foi ‘samambaia’ e continuaria
sendo pelo resto da vida se não aceitasse o plano de amor que Deus tinha
para a sua vida. Tenho certeza que transpôs barreiras imensas para servir
com retidão e se tornou o nosso maior pastor. Segundo as palavras de
Jesus, o que o Papa ligar na Terra será ligado no Céu.
Portanto, quem aprender a crescer como um bambu de 20 metros, faltará
pouco para essa conexão com o Paraíso.
TRABALHO DE FORMIGUINHA - 16 MAIO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Era uma vez uma formiguinha asseada, que se vestia diferente das outras e se
considerava a mais bonita. Sonhava em viajar pelo mundo e adorava passear no
bosque.
A rainha Paciência ficava de olho nela, pois a formiguinha vivia nas nuvens
e, com o inverno chegando, tinham que encher a despensa com bastante alimento.
A formiguinha trabalhava sozinha, pois detestava as longas filas das formigas.
Um dia ela resolveu se libertar:
- Não aguento mais essa vida de andar umas atrás da outras. Quero
ser independente, conhecer o mundo! Trabalha-se demais aqui e ninguém
curte a vida. Vivemos todos num formigueiro super-apertado!
Então, quando todas dormiam, ela arrumou a trouxinha e saiu atrás
de aventuras. Andando, prestava atenção em tudo: cada árvore
diferente, cada pedra, cada flor. Mas, onde ela iria passar a noite?
Ouviu um barulho que vinha debaixo da mangueira elegante. Teve a ousadia de
entrar no formigueiro e o que viu a deixou chocada: um monte de formigas trabalhando
com correntes amarradas nas pernas! Formigas velhas, crianças, doentes;
que loucura era aquilo?
Logo soube que estava no buraco-prisão, pertencente ao formigueiro da
rainha Ditadura. Lá, ninguém fugia porque temiam maldades maiores
por parte da rainha. Imediatamente, a formiguinha resolveu soltá-las
e promover uma revolução.
Depois que todas estavam soltas e os vigias presos, as mais fortes carregaram
nas costas as fraquinhas e saíram correndo mais rápido que coelho
assustado com bomba de São João. Quando o dia amanheceu, elas
já estavam bem longe da prisão. Daí, a formiguinha Aventureira
reuniu todas numa pedra e fez uma reunião.
- Amigas, vocês agora são livres. Podem fazer com as suas vidas
o que quiserem. Ficarei aqui uns dias até ver que se organizaram e a
primeira coisa que faremos é um formigueiro bem bonito.
Ela logo lhes ensinou a dividir tarefas de forma que tivessem tempo livre para
se divertirem, sem fila, cada uma fazendo sua parte. Era tanta competência
que tentaram eleger a formiguinha Aventureira como rainha oficial do grupo,
mas a saudade bateu no coração e ela resolveu voltar às
origens. Fez sua trouxinha e...
E o que? Como termino a história? A rainha Paciência a recebe feliz
ou a expulsa por tê-la abandonado? Será que existe perdão
no coração de uma formiga?
Pois é, herdamos dons maravilhosos e não os valorizamos como Jesus
nos ensinou. Às vezes, até numa simples história torcemos
por um final feliz e nos sentimos recompensados por isso, mas fazemos tudo ao
contrário em nossa própria vida. Os anos passam, as oportunidades
de felicidade não se renovam e a Palavra de Deus fica em segundo plano
- segundo ou último, quem sabe!
Eu nunca ouvi alguém dizer que se arrependeu de perdoar, exceto quando
o perdão não foi concedido com amor. Quem ama de coração
tem compaixão do próximo e perdoa principalmente os mais próximos,
tipo: parentes de sangue, cônjuges, colegas de trabalho, vizinhos. Depois
da reconciliação, uma carga enorme de rancor sai do coração
e abre espaço para sentimentos mais nobres - que agradam a Deus.
Sempre prego isto e pode parecer que vivo sem problemas com meus irmãos,
o que não é verdade. Mesmo nas comunidades religiosas, existem
fatos que nos magoam imensamente e poderiam ser motivos para distanciamento
entre as pessoas, porém, precisa prevalecer a correção
cristã acima de tudo. Jesus perdoava e dizia: “Vá e não
volte a pecar”.
Imagine você, leitor, mais de 350 pessoas trabalhando numa festa por vários
dias, se ‘esbarrando’ a toda hora, sem se conhecerem direito. E
mais: servindo milhares de pessoas por dia que vêm de lugares e culturas
diferentes. Dá para responder por quê não acontecem brigas
feias na prestação do serviço? Não seria comum existirem
conflitos sem soluções em curto prazo?
A resposta é simples: se estão servindo a Deus sob a proteção
de Maria Santíssima, tudo se resolve com relativa tranquilidade. Foi
assim na Festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração, onde provações
aconteceram e graças também. Com orações e a liderança
do Padre Maristelo, alcançamos o nosso objetivo: homenagear nossa Padroeira
com alegria e muita paz.
E se alguém me perguntasse o motivo que nos leva a largar todos os afazeres
pessoais, profissionais e familiares para trabalhar na festa, eu perguntaria
aos coordenadores da parte social deste ano - Claudinho, Inez, João Carlos
e Suely. Perguntei e os festeiros me responderam:
- Formamos uma Igreja viva unida em Jesus Cristo. Assim como Maria, poderíamos
nos acomodar e não aceitar o chamado de Deus, mas imitamos nossa querida
Mãe e dissemos ‘sim’. Cristão comprometido é
isso: disponibilidade para construir o Reino de Amor aqui na Terra.
Em nome de todos os agentes da nossa Comunidade, agradeço demais as formiguinhas
que nos ajudaram. Que a Rainha desse ‘imenso formigueiro’ as recompense
eternamente. Amém!
FESTA NO INSTITUTO PADRE NICOLAU – 9 Maio 2014
Paulo Roberto Labegalini
Quando alguém me pergunta por que sou tão apaixonado por Nossa
Senhora, digo que tenho muitas histórias para contar. Alguns fatos são
recentes e, outros, nem mesmo eu sabia que influenciariam tanto em minha vida.
Repito o que já escrevi em livro: minhas avós e bisavós
eram marianas fervorosas e viviam com o Terço nas mãos, assim
como mamãe o faz até hoje, graças a Deus. Principalmente
por isso, temos recebido incontáveis bênçãos na família,
talvez em igual número às Ave-Marias rezadas por elas.
Minha mãe contou-me que se eu nascesse mulher, iria chamar Maria Auxiliadora;
porém, o nome abençoado da Mãe de Deus acabou ficando com
a minha irmã: Maria Aparecida. Mas era eu que, de pequeno, gostava de
ir à igreja e alguns parentes até diziam: ‘Este menino vai
ser padre!’. Essa não foi a vontade do Senhor; contudo, dedico
praticamente todo o meu tempo livre às coisas do Reino.
Cresci frequentando a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em São
Paulo. Aos dezessete anos, mudei-me para Monte Sião e assistia missas
no Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Vim fazer faculdade
em Itajubá, passei a participar das celebrações na Matriz
Nossa Senhora da Soledade e, hoje, como todos sabem, faço parte da Comunidade
de Nossa Senhora do Sagrado Coração. E, se você acha que
os títulos de Maria foram apenas coincidências em minha vida, com
certeza, não foram.
Sou feliz por ver minha família caminhando com Maria nos passos de Jesus.
Posso afirmar que a Rainha da Paz transformou os corações de todos
e não deixa que haja grandes desavenças entre nós. Acabaram
as brigas e confusões no meu lar e vivemos em clima de oração.
Tenho muitas histórias de graças alcançadas por meio de
pedidos feitos a vários títulos da Virgem Maria. Contarei um grande
favor que consegui de Nossa Senhora do Sagrado Coração; na verdade,
o início da minha conversão eu devo a ela.
Eis o que escrevi no livro ‘Minha Vida de Milagres’ – Editora
Santuário:
“Em 1994, quando comecei a cursar Doutorado na USP, eu passava a semana
hospedado na casa da minha irmã, em Campinas. Sobre a mesa que eu estudava,
havia uma pequena medalha que ‘me fazia companhia’ todos os dias.
Antes de abrir os livros, eu dava um beijo na medalhinha e a colocava de volta.
Com o passar do tempo, achei estranho aquele lindo objeto continuar ali, porque
muitas outras coisas eram deixadas e tiradas da mesa quando a faxineira arrumava
a casa, mas a medalha permanecia no mesmo lugar. Um dia, perguntei à
minha irmã de quem era a bonita medalhinha e ela me respondeu que, talvez,
algum de seus filhos a tivesse ganho e nem se lembrava mais como foi parar naquela
mesa. E completou: ‘Se quiser, pode ficar pra você’.
Naquela época, eu usava uma corrente no pescoço sem nada pendurado
nela – pura vaidade! Então, coloquei a medalha e depois fiquei
sabendo pela minha mãe que a imagem era de Nossa Senhora do Sagrado Coração.
Soube também que, quando eu era pequeno, todos os anos íamos à
festa dela no Santuário Nacional de Vila Formosa, na capital paulista.
Bem, depois que comecei a carregá-la no peito, tudo foi mudando: passei
a rezar o Terço, aceitei o chamado para coordenar um ministério
de música católica, me envolvi com vários trabalhos em
comunidade e, principalmente, o meu coração foi se tornando mais
manso e humilde – semelhante ao Coração do Filho, que Nossa
Senhora mostrava-me na imagem que pendurei na corrente.
E quando percebi que a medalha estava se estragando devido o uso, não
tive dúvidas em substituí-la por outra e a guardei como lembrança
da minha conversão. Às vezes, eu a retiro da gaveta, mostro a
alguém que conhece esta história e explico: ‘Não
é um objeto de sorte, mas devocional. Maria Santíssima não
está nele, porém, por ter sido bento, é sagrado e um grande
sinal de Deus, além de servir de inspiração nas orações’.
Muitos anos se passaram e pude retribuir um pouco da graça que recebi
de Nossa Senhora do Sagrado Coração. Trabalhando na comunidade
em que ela é Padroeira, procuro me esforçar no serviço
gratuito e sincero para me aproximar mais do amor de Deus. É emocionante
cantar o ‘Lembrai-vos’ olhando para a linda imagem da querida Mãezinha
no altar.”
Até parece que foi ontem que escrevi tudo isto, porque meu amor à
querida Mãezinha só aumenta. A Novena deste ano conta com a participação
das paróquias da cidade, além de outras da região: Piranguçu,
Delfim Moreira e Maria da Fé. As celebrações estão
muito bonitas, alternando momentos de alegria e emoção, sempre
refletindo no tema: ‘Maria, mulher eucarística, espelho da unidade’.
E a festa social acontece de 13 a 16 de maio. Ainda dá tempo de você
comparecer e se confraternizar conosco. Além de comes e bebes deliciosos,
há bingo e música para se divertir. Eu e minha esposa estamos
na barraca de doces, oferecendo somente coisas gostosas: canjica, choconhaque,
bolos recheados, rocambole, tortas e pudins - deu até água na
boca ao escrever isto! Que Jesus abençoe imensamente todos que nos ajudaram!
Viva Nossa Senhora do Sagrado Coração! Viva!
A SANTA MÃE IGREJA - 2 Maio 2010
Paulo Roberto Labegalini
Um jovem cumpria seu dever no exército, mas era ridicularizado por ser
cristão comprometido com a fé católica. Um dia, na intenção
de humilhá-lo na frente do pelotão, o sargento da tropa pregou-lhe
uma peça:
- Soldado Coelho, pegue esta chave, vá até aquele jipe e o estacione
ali na frente.
- Mas, sargento, o senhor sabe que eu não sei dirigir!
- Soldado Coelho, eu não lhe perguntei nada. Vá até o jipe
e faça o que lhe ordenei. Peça ajuda ao seu Deus e mostre-nos
que Ele o ama.
O soldado, então, pegou a chave e foi até o veículo. Sentou-se
no banco do motorista e fez esta oração: ‘Jesus, guia as
minhas mãos e mostra a estas pessoas a tua fidelidade. Eu confio em Ti,
Senhor, e sei que podes me ajudar. Amém’.
Em seguida, o garoto manobrou o jipe e o estacionou como queria o seu superior.
Ao sair do veículo, viu todo o pelotão chorando e alguns de joelhos.
- O que houve gente? - indagou o soldado.
- Nós queremos o teu Deus, Coelho. Como fazemos para tê-lo? - perguntou
o sargento.
- Basta aceitá-lo como Salvador; mas, por que todos decidiram por Jesus
Cristo?
O superior pegou o soldado pelo braço e caminhou com ele até o
jipe enquanto enxugava as lágrimas. Daí, levantou o capô
e mostrou que o veículo não tinha motor!
Bem, eu sei, é só uma história, certo? Contudo, leitor,
você acredita que isto pode acontecer ou acha que até Deus tem
limites para fazer milagres? Quem já viu de perto graças impressionantes
acontecerem - como eu, por exemplo -, sabe que nada é impossível
neste mundo. E àquele que não tem fé, eu peço que
espere um pouco mais. No tempo de Deus, aquilo que merece ser-lhe-á dado.
E se você está passando por provações não
se desespere, pois Deus tem visto suas lutas. Confie que os maiores problemas
estão chegando ao fim. Continue rezando na certeza que uma bênção
maior está direcionada a você. No tempo certo, Ele lhe dará
a vitória. Enquanto isso, não complique as coisas como nesta outra
história:
Sherlock Holmes e Dr. Watson foram acampar. Montaram a barraca e, depois da
refeição e algumas garrafas de vinho, deitaram-se para dormir.
Horas depois, Holmes acordou e cutucou seu fiel amigo:
- Meu caro Watson, olhe para cima e diga o que vê.
- Vejo milhares de estrelas - respondeu o amigo.
- E o que isso significa? - perguntou Holmes.
Watson ponderou por um minuto e depois enumerou:
- Astronomicamente, significa que há milhares de galáxias e, potencialmente,
milhões de planetas. Astrologicamente, observo que Saturno está
em Leão e teremos um dia de sorte. Temporalmente, deduzo que são
aproximadamente 3h15min pela altura em que se encontra a Estrela Polar. Teologicamente,
posso ver que Deus é todo poderoso e somos insignificantes diante d’Ele.
Metereologicamente, suspeito que teremos um lindo dia amanhã. Então,
está tudo correto, senhor?
Holmes ficou uns instantes em silêncio e respondeu:
- Watson, seu idiota, significa apenas que alguém roubou a nossa barraca!
Pois é, a vida é simples, nós é que temos a mania
de complicar. Também na religião, vejo com muita simplicidade
algumas verdades que aprendi na infância. Este texto que recebi do amigo
Ruy Márcio retrata um pouco disso:
Nossa família se difundiu pelo mundo e é feita de todas as raças;
somos jovens e velhos, ricos e pobres, pecadores e santos. Com a graça
de Deus, abrimos hospitais para cuidar dos doentes, fundamos orfanatos e ajudamos
os necessitados. Somos a maior organização caritativa do planeta,
trazendo alívio e conforto para aqueles que tanto precisam.
Nós educamos mais crianças do que qualquer outra instituição,
defendemos a dignidade de toda vida humana, preservamos o casamento e a família.
Cidades receberam os nomes de nossos venerados santos, que percorreram o caminho
do Céu antes de nós. Guiados pelo Espírito Santo, compilamos
a Bíblia. Somos transformados pela Sagrada Escritura e pela Sagrada Tradição,
que nos têm guiado firmemente por mais de dois mil anos!
Nós somos a Igreja Católica, com mais de um bilhão de pessoas
na família, compartilhando sacramentos e plenitude da fé cristã.
Por séculos, temos rezado por você e por todo o mundo, a cada hora,
a cada dia, sempre que celebramos a missa. O próprio Jesus lançou
os fundamentos da nossa fé quando disse a Pedro, o primeiro Papa: “Tu
é Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. A partir
disso, nós tivemos uma linha ininterrupta de pastores guiando a Igreja
Católica, com amor e verdade, num mundo confuso e doloroso de viver.
E nesse mundo cheio de caos, dificuldades e dor, é reconfortante saber
que algumas coisas permanecem coerentes e fortes: nossa fé católica
e o eterno amor que Deus tem por toda a criação. Portanto, se
você está fora da nossa Igreja, o convidamos a voltar. Nossa família
é unida em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Também temos
as infalíveis proteções da Virgem Maria, dos anjos e dos
santos.
Nós somos católicos, apostólicos, romanos. Bem vindo à
sua casa!
OS DOZE ‘SIM’ DE MARIA – PARTE II – 25 Abril 2010
Paulo Roberto Labegalini
Alguns de meus artigos rendem um pouco mais daquilo que normalmente se pode
esperar nesse tipo de evangelização. Na semana passada, quando
comentei as intenções das dez Ave Maria que rezei, diversos amigos
pediram mais uma por outra causa ou ofereceram orações a mim.
Rezando mais, se aproximaram dos céus e novas graças também
receberam.
Oração é um banho em Deus, um mergulho no amor Divino;
e quem faz uma experiência profunda na fé altera o futuro de muitas
pessoas, como São Francisco que, mudando de vida, transformou o rumo
da História. Portanto, o banho em Deus nunca é sozinho.
Ouvi isto do Padre Maristelo no Retiro para a Festa de Nossa Senhora do Sagrado
Coração, sábado passado, dia 24. Ele fez reflexões
a partir do documento: ‘Maria, rumo ao novo milênio”, publicado
pela CNBB em 1998. Irei citar os doze ‘sim’ da Santíssima
Virgem no final do texto, mas, até chegar nesse parágrafo, transcreverei
minhas anotações do Retiro.
Sabemos que, embora batizados para uma vida na santidade, quase todos reclinam
dessa condição e caem nos piores pecados. Com Maria Santíssima
não foi assim. Concebida sem pecado original, se tornou a primeira discípula
de Jesus, além de a mais pura alma que passou pela Terra, a mais santa
e a escolhida do Pai. Para São Lucas, ela é a perfeita discípula,
aquela que respondeu sempre: ‘Eis me aqui, Senhor’. Por isso, Nossa
Senhora ocupa um lugar especial na Igreja e, considerando que nossa consciência
afetiva está no coração, nós a veneramos ainda mais
a cada dia.
Na minha vida, muita coisa aconteceu e mudou para melhor com Ela. Eu me chamaria
Maria Auxiliadora se nascesse mulher e, desde pequeno, as comunidades que frequentei
foram todas marianas: Fátima, Medalha Milagrosa, Soledade, Agonia e do
Sagrado Coração. Minha conversão maior em 1994 aconteceu
quando comecei a rezar o Terço e coloquei no peito uma medalha de Nossa
Senhora.
Todas as curas e grandes graças que alcançamos em família
tiveram a intercessão de Maria. E mesmo sabendo que todo poder vem do
Altíssimo, sem a ajuda da querida Mãezinha nossa caminhada teria
sido mais difícil. Então, faz muito sentido para mim a frase:
‘Tudo por Jesus, nada sem Maria’. Também a música
que cantamos nas missas é sempre oportuna: ‘Oh, vem conosco, vem
caminhar, santa Maria vem!’
Quem não perde a devoção em Nossa Senhora é mais
feliz, porque somos seus filhos pelo laço da fé e ela é
a imagem daquilo que a Igreja quer. E o que mais me ajuda a viver com Ela é
a perseverança na fé. Caminho sabendo que nunca estou sozinho
e posso receber aquela ajuda que mais preciso. Também acredito piamente
nos quatro dogmas de Maria: Mãe de Deus, Virgem Santa, Imaculada Conceição
e Assunção ao Céu.
Os doze ‘sim’ que disse a Deus fizeram d’Ela a santa maior
da Igreja. Eis um pouco daquilo que aprendi e guardo no coração:
O ‘sim da salvação’ na anunciação do
anjo, o ‘sim da caridade’ na visita à prima Isabel, o ‘sim
da vida’ no nascimento do Filho, o ‘sim da obediência à
Tradição’ na apresentação do Menino no Templo,
o ‘sim do Plano de Deus’ na fuga para o Egito, o ‘sim à
família’ na perda e encontro do Filho, o ‘sim da humildade’
ao saber que Jesus disse “minha mãe e meus irmãos são
os que fazem a vontade do meu Pai”, o ‘sim da intercessão’
quando pediu vinho ao Filho nas Bodas de Caná, o ‘sim do silêncio’
quando acompanhou Jesus caminhando para o Monte Calvário, o ‘sim
de Mãe da Humanidade’ ao acolher aos pés da cruz a vontade
de Deus: “Mulher, eis aí teu filho”, o ‘sim da felicidade’
ao saber da ressurreição, e o ‘sim de Mãe da Igreja’
em Pentecostes.
Eu gostaria de explicar um a um, mas prometi que contaria esta história
neste artigo:
Construía-se uma grande catedral e muitos operários se ocupavam
dos acabamentos. Um pavilhão fora especialmente preparado para outro
importante trabalho - era o atelier dos escultores das imagens.
Um dia, um senhor resolveu penetrar na intimidade daquele recinto e, tendo identificado
o mestre escultor, aproximou-se e contemplou o que fazia. Era a estátua
de uma figura humana, entalhada em fino mármore. Lá pelas tantas,
atreveu-se a indagar:
- Esta é a imagem que irá para o altar-mor?
O escultor voltou-se para ele como quem emergisse de profunda concentração
e contestou:
- Não, este é um dos doze apóstolos que serão colocados
ao longo do alinhamento mais elevado da cobertura.
- Nesse caso, as imagens ficarão a grande altura do solo e os detalhes
jamais poderão ser apreciados! Vale a pena dedicar tanto tempo a isso?
A resposta do escultor veio rápida, encerrando o diálogo com sabedoria:
- Ele verá!
Pois é, caro leitor, mesmo que nem todos saibam de nossa paixão
pela Mãe do Nosso Senhor, Ele sabe. A partir disso, Jesus fará
florir no deserto da nossa vida. Isso aconteceu com o Padre Júlio Chevalier,
que pediu para esculpir a imagem de Nossa Senhora do Sagrado Coração,
onde o Menino aponta para a Mãe, como se dissesse: ‘Ela soube como
chegar ao meu Coração’.
OS DOZE ‘SIM’ DE MARIA – PARTE I – 18 abril
2010
Paulo Roberto Labegalini
Se você tivesse que rezar apenas dez Ave Maria e oferecê-las pedindo
ou agradecendo algo, quais seriam suas intenções? Acredito que
poderia não ser tão fácil lembrar-se de tudo que considera
importante na vida, mas, com tempo para pensar, os critérios para isso
brotariam do coração.
Na minha opinião, sentimentos de amor devem permear todas as intenções,
permitindo inclusive rezar pelos inimigos – se houver. Nossa Senhora não
abençoaria pedidos que contrariam princípios de cristandade; por
isso, todo cuidado é pouco nas escolhas dos objetivos das orações.
Minha primeira Ave Maria seria pedindo graças à minha família,
não por egoísmo, mas para continuarmos tendo paz, saúde,
fé no coração; e melhor servir a Deus. A estes pedidos,
certamente acompanhariam outros ocultos: esperança, coragem, emprego,
caridade, felicidade etc. Eu colocaria tudo na mesma oração que,
de tão fortes palavras, agraciaria muita gente que precisa de paz.
Consciente disso, a segunda eu ofereceria às intenções
que guardo escritas em meu oratório. São casos de desempregos,
doenças, vícios, pobreza e outros mais. Você já pensou
em ter uma lista permanente de nomes aos pés de uma imagem de Nossa Senhora?
Sabia que muitas graças podem ser alcançadas assim? Logicamente
que a oração não pode faltar, mas evitaria repetições
que demandam muito tempo. Considero que rezar uns pelos outros são presentes
do Céu!
A terceira Ave Maria seria pelas intenções do Santo Padre, o Papa.
Pode parecer estranho uma intenção contemplar outras, porém,
nesse caso, eu estaria rezando pela construção do Reino nos corações
dos homens. Ninguém sabe mais daquilo que a Igreja precisa do que o nosso
querido Pastor, Bento XVI. Ah, só lembrando: eu também sempre
rezo pelas intenções de minha mãe, que pede graças
para um monte de gente!
A quarta oração seria pela libertação das almas
do purgatório. Quantos parentes e amigos podem estar esperando a oportunidade
de se encontrar com Cristo! Tais almas não conseguem mais se ajudar,
porém, podemos e devemos rezar por elas, principalmente as esquecidas
e as que mais precisarem da misericórdia Divina. E, com certeza, todas
que ajudarmos a entrar no Céu intercederão a Deus por nós.
Quinta Ave Maria: pelos religiosos, missões e vocações
do mundo inteiro. Se a messe está diminuindo é por culpa nossa
– faltam orações e valores cristãos nas cabeças
das pessoas. É preciso mais joelhos no chão e terços nas
mãos para melhorar a força-tarefa da evangelização.
Quem foi batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pode
reclinar do seu compromisso missionário?
A sexta eu rezaria pelas pessoas que sofrem: desempregados, injustiçados,
internados em hospitais, viciados, abandonados e incrédulos. Sim, também
os incrédulos sofrem, e muito! Mesmo eu não conhecendo todos os
sofredores da Terra, Nossa Senhora saberia quem mais precisa de graças
e conversões.
Sétima Ave Maria: pelas pessoas que convivo diariamente no trabalho e
nas pastorais da Igreja. Também ofereceria a todos os leitores que prestigiam
e crescem com as mensagens que escrevo neste jornal, e mais: pediria bênçãos
àqueles que rezam por mim. Rogaria à querida Mãezinha que
retribuísse com graças o carinho de todos.
Oitava oração: em agradecimento a tudo aquilo que sou, que tenho
e que farei. Sei que, se depender da vontade Divina, somente coisas boas virão
e fatos ruins não mais voltarão. Aprendi bastante com os erros
que cometi e, hoje, aceito melhor o Plano de Deus em minha vida.
A nona Ave Maria eu colocaria na intenção mais urgente que trago
no coração e, no momento, pediria perseverança na fé
aos cursilhistas que participaram do 20º Cursilho Masculino de Cristandade
no final da semana passada. Quem os viu e quem os vê! Na segunda-feira,
muitos estavam na Escola Vivencial à noite e transbordavam alegria –
são pessoas que receberam mais uma graça na vida. Como nos disse
o Pe. Edvaldo naquela noite: graça é um presente fora de hora;
mesmo não merecendo, é um grande favor que vem exclusivamente
pela bondade de Deus.
Completando a dezena, rezaria a última pelos assistidos da Sociedade
São Vicente de Paulo no mundo inteiro. São centenas de pessoas
que dependem de outras para sobreviver. Para quem não sabe, o vicentino
serve Jesus Cristo na pessoa do pobre e se santifica pela obra de caridade.
É preciso muito amor no coração e muita ajuda do alto para
dar conta de milhares de miseráveis por toda a parte. Uma Ave Maria é
pouco pra tanta gente, mas a intenção é que vale.
E quem estará acolhendo cada continha de um mistério do terço
será nossa maravilhosa Mãezinha do Céu, que disse os ‘doze
sim’ na história da humanidade. Sobre isto escreverei no próximo
artigo, mas encerro este dizendo que agrada muito o Senhor louvar Nossa Senhora.
Ele que tudo sabe e tudo vê, conhece bem o coração daquele
que ama a filha de Deus-Pai, a mãe de Deus-Filho e a esposa do Espírito
Santo.
A historinha que faltou hoje também estará na continuação
deste texto. Até lá.
O FUTURO JÁ CHEGOU? - 11 ABRIL 2010
Paulo Roberto Labegalini
O artigo da semana passada - Recordar para Viver - rendeu alguns papos com
amigos pela internet. Disseram-me que também sentem saudades das coisas
boas da infância, em tempos que não voltam mais. Será mesmo
que não voltarão um dia?
E dando sequência a isso, vou explorar um pouco mais o assunto, contando
esta história que recebi do amigo Raimundo Rafael Vieira - Ministro Extraordinário
da Comunhão Eucarística da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado
Coração:
“Meu avô, com noventa e tantos anos, estava sentado no banco do
jardim olhando suas mãos. Sentei-me ao seu lado e lhe perguntei se estava
bem. Ele levantou a cabeça e sorriu:
- Estou bem, obrigado - disse em voz suave. - Alguma vez, querido, você
já olhou suas mãos?
Lentamente as abri e contemplei. Virei as palmas para cima e para baixo, fiquei
sem palavras e não sabia exatamente o motivo da pergunta. Então,
meu avô explicou:
- Pense um momento sobre como suas mãos têm lhe servido através
dos anos. As minhas, hoje enrugadas, secas e débeis, têm sido ferramentas
que usei toda a minha vida para pegar e abraçar. Elas puseram comida
em minha boca e roupa em meu corpo. Quando criança, minha mãe
me ensinou a juntá-las em oração. Estiveram sujas, esfoladas,
ásperas e dobradas. Mostraram-se inábeis quando tentei embalar
minha filha recém nascida; decoradas com uma aliança, revelaram
ao mundo que eu amava alguém muito especial.
Comecei a entender que aquela conversa reservava momentos de muita emoção
e resolvi prestar mais atenção quando meu avô continuou:
- Elas tremeram ao enterrar meus pais, minha esposa, e suaram quando entrei
na igreja com minha filha no dia de seu casamento. Estas mãos têm
penteado meu cabelo, lavado todo meu corpo e, até hoje, quando quase
nada em mim funciona bem, estas mãos me ajudam a levantar, a sentar e
ainda se juntam para rezar. Elas são as marcas de onde estive e, o mais
importante, são estas mãos que Deus tomará nas Suas quando
me levar à sua presença.
Desde então, nunca mais vi minhas mãos da mesma maneira, e lembro
perfeitamente quando Jesus esticou Suas mãos, tomou as de meu avô
e o levou. Agora, sempre que uso as mãos penso em meu querido avô.
Jamais esquecerei que, na verdade, nossas mãos são uma bênção!”
E você, leitor, o que está fazendo com suas mãos? Elas expressam
carinho ou repulsam os outros? Preciso dizer-lhe para dar graças a Deus
por elas, pois somente aqueles que amam com o coração limpo têm
motivos para se orgulhar das mãos que receberam.
Sem medo de errar, posso afirmar que as mãos do nosso tempo não
são como as de antigamente. Quando criança, ladrões só
apareciam de vez em quando e nossa única preocupação em
relação à segurança era a de que os ‘lanterninhas
dos cinemas’ nos expulsassem pelas batidas de pés nas matinês
de domingo. Mães, pais, professores, avós, tios e vizinhos eram
autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Confiávamos
plenamente nos adultos.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror. Hoje,
dá tristeza por tudo que perdemos, por tudo que meus netos um dia temerão,
pelo medo no olhar de crianças, jovens e velhos. Matar os pais, os avós,
sequestrar, roubar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias
policiais, logo esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Dizem abertamente que não levar vantagem é ser otário e
pagar dívidas em dia é bancar o bobo. Há milhares de ladrões
nas esquinas das cidades grandes, assassinos com cara de anjo no interior, pedófilos
de cabelos brancos sorrindo como se nada de grave estivesse acontecendo! O que
há conosco? Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados
por traficantes, grades em nossas janelas, recém-nascidos morrendo de
fome! Que valores são esses?
Os carros valem mais que abraços, celulares coloridos são encontrados
nas mochilas dos recém saídos das fraldas, TVs ligadas o dia todo,
DVDs com filmes pornográficos, vídeos-game de matança...
O que mais virá em troca de um abraço? Mais vale um baseado do
que um sorvete, mais valem dois vinténs do que um sorriso!
Fico pensativo quando leio isto nos blogs:
“Quando foi que o que existia de bom sumiu ou virou ridículo? Quando
foi que esqueci o nome do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem
me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo? Quando me fechei ou
me fecharam? Posso querer de volta à minha dignidade, a minha paz? Tenho
o direito de sentar na calçada e ficar com a porta aberta nas noites
de verão? Quero a vergonha e a solidariedade de volta à minha
vida! Abaixo o ‘ter’! Viva o ‘ser’!”
Bem, se você e eu fizermos nossa parte bem feita e contaminarmos mais
pessoas, muita coisa poderá melhorar. Temos que rezar para Nossa Senhora
abençoar as palavras do professor Renato Nunes, Reitor da UNIFEI, ditas
no encerramento do Natal no Campus: “Seria pedir demais, a cada um de
nós, que transforme os dias futuros num permanente Natal? Seria pedir
demais?”
304 - conduta Ética (1ª parte)
No V Encontro Nacional dos Meios de Comunicação da Sociedade São
Vicente de Paulo, de 13 a 15 de agosto em São José dos Campos,
ministrei a palestra ‘Ética como fonte de espiritualidade’.
Iniciei dizendo que o mundo acostumou-se com condutas antiéticas e muitas
pessoas fazem delas um meio de vida!
Para mostrar essa realidade, afirmei que ética é um conjunto de
limites que cada um se impõe na busca da ambição, ou seja,
tudo o que não se deseja fazer na conquista dos objetivos. Teoricamente,
deveria então significar as boas regras de fazer e agir de cada pessoa,
como, por exemplo: não mentir, não roubar etc.
Isso depende da idade, do sexo, da profissão, da religião e da
conquista almejada? Indiretamente sim, porque quanto maior a ambição,
menor o rigor com a ética! Acho que nem é preciso dizer que os
profissionais dos departamentos de compra e de venda de uma empresa não
seguem o mesmo código de ética, não? E o Zeca Pagodinho
que trocou a Schincariol pela Brahma, foi ético? E o que dizer do Gugu
Liberato quando fez a falcatrua do inventado seqüestro para ganhar audiência?
Bem, se fôssemos falar de política então, muitos governantes
ficariam abaixo da crítica pelas promessas que não cumpriram.
Isso prova que, quase sempre, a conduta ética só é usada
de acordo com a situação e em benefício próprio.
E todos somos ambiciosos; uns mais, outros menos. O problema é que normalmente
decidimos nossa ambição antes dos nossos princípios éticos,
quando o certo seria o contrário. Então, contei a história
que o Pe. Maikol me enviou pela internet:
Certo dia, numa programação de uma rádio católica,
ligou uma senhora que estava passando por momentos muito difíceis. E
através daquela oportunidade, ela resolveu fazer o seu apelo, dizendo:
‘Eu estou passando por uma grande prova: o desemprego bateu em minha porta,
tenho filhos pequenos, meu esposo está fazendo apenas alguns serviços
extras, porém a renda não é suficiente. Se algum irmão
puder me ajudar com alimentos eu ficaria muito grata. Aquilo que Deus tocar
em seu coração eu agradeço e será de grande ajuda’.
E ela deu o seu endereço; porém, no momento do apelo, um ateu
estava ouvindo a programação e disse: ‘É hoje que
eu acabo com essa raça de católicos... ah, é hoje!’.
Então, ele se dirigiu para o mercado e fez aquela compra!
De tudo comprou em dobro e pediu para duas pessoas que trabalhavam com ele:
‘Vocês vão até a casa dessa senhora, entreguem esta
compra e quando ela perguntar quem mandou, digam que foi o diabo’.
E assim seguiram aqueles homens rumo à casa da necessitada. Bateram palmas,
ela com toda humildade atendeu e eles disseram: ‘Viemos trazer esta compra
para a senhora’. Descarregaram tudo e ela agradeceu demais; mas, os homens
sussurraram entre si: ‘Ela não vai perguntar quem mandou a compra?’.
Foi na hora de ir embora que um deles falou: ‘Ei, você não
vai querer saber quem lhe deu esta compra?’ Ela, tranqüila, respondeu:
‘Não é preciso. Quando o meu Deus manda, até o diabo
obedece!’.
Pois é, quando os critérios de moralidade e justiça não
são adequados, a providência Divina protege os filhos amados -
sabemos muito bem disso. Mas, a ética precisa ser preservada para sustentar
a paz entre os homens e, entendendo a ética como sendo uma reflexão
crítica sobre a moralidade, seu objetivo é balizar as ações
humanas. Portanto, com certeza, todos nós precisamos ter ética
para reforçar ou transformar a moral.
À luz da Sagrada Escritura, sabemos o que é certo e o que é
errado e não podemos deixar que a ambição supere a Verdade
das verdades. O nosso relacionamento com Deus precisa ser ético! E o
Código de Ética enviado pelo Senhor está resumido nos 10
Mandamentos, concorda? Assim, como Ele cumpre tudo o que nos promete, a ética
cristã exige que sigamos o modo de ser e de agir de Jesus Cristo.
Você tem consciência que, na natureza, só o homem e a mulher
assumem comportamento ético? A partir dos três anos de idade, já
entendemos muita coisa a respeito da diferença entre o bem e o mal. Por
isso, hoje, os bons costumes e deveres do nosso povo podem ser melhorados por
você!
E falando sobre a ética vicentina, que supera a ética cristã
e precisa ser muito vigiada para não perdermos a credibilidade dos nossos
benfeitores, citei alguns pontos básicos a serem seguidos: humildade
nas ações, transparência no comportamento, compromisso com
a Regra da SSVP, repúdio às ideologias contrárias à
fé cristã, desapego aos interesses pessoais contraditórios
à vida de santidade, decisões iluminadas pelos ensinamentos da
Igreja Católica e luta para a construção de uma sociedade
justa e solidária.
Na semana que vem, voltaremos ao assunto para comentar especificamente sobre
‘ética como fonte de espiritualidade’.
Nota: Neste domingo à noite, 22 de agosto, após a transmissão
da santa missa, ouça pela Rádio Itajubá a entrevista que
farei com os candidatos a reitor e vice-reitor da UNIFEI.
Na palestra, a partir deste ponto, eu iniciaria a abordagem do tema principal:
‘Ética como fonte de espiritualidade’. Na semana que vem,
se Deus quiser, completarei o assunto.
305 - conduta Ética (2ª parte)
Retomando o assunto da semana passada, ainda muita coisa precisa ser dita sobre
‘ética como fonte de espiritualidade’. Por exemplo, buscando
adquirir maior consciência dos direitos humanos, mais ética e moral
se torna a vida social. Também combatendo o consumismo exagerado, os
valores éticos serão valorizados. E ouvindo Jesus, deixamos a
ética enraizar-se no coração: “Aquele que é
fiel nas pequenas coisas, é também fiel nas grandes; e aquele
que é injusto no pouco, também o é no muito” (Lc
16, 10-12).
Podemos, ainda: divulgar maciçamente aqueles que fazem o bem, como prova
de amor fraterno; agir com imparcialidade nas decisões de julgamento
a terceiros, evitando sermos antiéticos; atender os anseios dos pobres,
para ganharmos confiança sólida nas relações éticas
com a sociedade etc.
Bem, para esclarecer o que é certo e o que é errado na conduta
humana, pense: ‘O que Jesus Cristo faria se estivesse no meu lugar?’,
e mantenha o Espírito Santo no seu coração para não
ultrapassar os seus limites de cristão autêntico! E na intenção
de reforçar a sua conduta cristã, lembre-se disto: “Não
te deixes vencer pelo mal, mas vença o mal pelo bem” (Rm 12, 21).
Nos meios de comunicação social, o princípio ético
fundamental é este: ‘A pessoa e a comunidade humanas são
a finalidade e a medida de todos os recursos disponíveis’. Por
isso, quando você estiver no comando, não imponha seus ‘critérios
supostamente éticos’ aos subordinados, a menos que esteja seguindo
princípios previamente estabelecidos.
Ainda na comunicação social, um código de ética
deve exprimir os condicionantes das ações que caracterizam a filosofia:
‘O fim não justifica os meios’. E todo código de ética
deve conter idéias claras, simples e diretas, não possibilitando
interpretações subjetivas. Um compromisso com a dignidade do ser
humano também é essencial, hoje, na ação ética.
Partindo para alguns exemplos, o que você acha que faria um professor
muito severo com seus alunos quando soubesse que o seu filho colou na prova
para passar de ano? Iria reclamar com o professor do menino e pediria que o
reprovasse? Você concorda que o pai poderia não ter a mesma postura
de ‘fechar os olhos’ com um de seus alunos? E a sua dignidade com
essa ação antiética, como fica?
Pense agora no jogador Ronaldo, o fenômeno, quando saía em manchetes
de jornais por trair a esposa. Ele estava preocupado com as crianças
que representa como embaixador da Unicef? E nós, católicos, quando
discutimos em comunidade e insistimos em sempre ter razão - mesmo sabendo
que isso acaba excluindo pessoas dos trabalhos -, estamos servindo a Deus?
Um jovem, ao aproximar-se de Jesus e perguntar o que haveria de fazer para chegar
ao Céu, Ele respondeu-lhe: “Se queres entrar na vida eterna, cumpre
os mandamentos”. Pois é, o Reino de Deus não tem preço,
no entanto, custa apenas a nossa obediência aos valores morais do Evangelho.
A Pedro e a André ainda custou o abandono de barcas e redes; à
viúva, duas pequenas moedas; a outro, só um copo de água
fresca. Ainda bem que Deus sempre se alegra com a oferta do nosso pobre coração!
Todos nós temos um pouco de sombra e um pouco de luz. O segredo do bom
cristão é sempre irradiar luz aos que precisam. Aprender e ensinar
com humildade, também podem nortear a nossa conduta ética, pois
onde estiver o nosso tesouro, lá estará o nosso coração.
Fazendo a nossa parte, o Céu sempre nos ajudará; e não
há nada melhor para deixarmos no mundo do que a nossa total conversão.
Aliás, falando em deixar algo de bom, fiquei muito agradecido ao Senhor
por me inspirar a compor a letra do Canto dos Comunicadores da Sociedade São
Vicente de Paulo. A música foi feita pela Banda Deus Imenso, de São
José dos Campos, e o refrão ficou assim: ‘Vicentino que
abraça a missão / e aceita o chamado à vocação
/ de resgatar o pobre, o pobre sofredor, / anuncia Jesus Cristo, Salvador!’.
E as três estrofes: ‘Microfone, imagem ou computador / a serviço
da Palavra do Senhor, / comunicam o caminho a seguir / e o alimento abençoado
repartir. // São Vicente foi o grande professor; / Ozanam, imenso comunicador.
/ Confrade mais consócia e oração, / enriquecem qualquer
pobre coração. // Divulgar as maravilhas do Senhor, / é
dom, é caridade, é amor! / Faz parte da evangelização
/ que prega liberdade e comunhão’.
Como teste para saber se você aprendeu algo mais sobre ética, veja
se concorda com a resposta que o pai deu ao filho ao ser questionado sobre o
assunto: ‘Ter ética, meu filho, é repartir com o meu sócio
o dinheiro que uma velhinha sempre dá a mais, por engano, quando vai
fazer compras na nossa padaria’.
O diretor espiritual dos vicentinos, Pe. Eli Chaves, escreveu isto na Revista
Adoremos:
“A vivência autêntica da fé requer uma conduta ética
em todas as áreas de atuação para contribuir na educação
da consciência moral das pessoas, superando todo autoritarismo e armadilhas
do individualismo”. E
o americano Rushworth Kidder, falou:
“Não conseguiremos sobreviver ao longo do século XXI com
a ética do século XX. A escala da nossa tecnologia está
alavancando nossa ética de uma maneira jamais vista no passado”.
Portanto, quanto mais formos éticos, caridosos e convincentes, mais estaremos
imitando São Vicente.
RECORDAR PARA VIVER - 4 ABRIL 2010
Paulo Roberto Labegalini
Para mim, a Semana Santa deste ano veio recheada de compromissos. Pelo fato
de eu só ter sido escalado para cantar no domingo de Páscoa -
nos anos anteriores a agenda ficava lotada -, deixei meu coração
disponível para comungar com os irmãos. Foi muito bom ficar no
meio do povo desfrutando com atenção cada momento das celebrações.
Missas, procissões, adorações, tudo muito bonito! E como
disse o Padre Maristelo: “Se servimos mal, mostramos que somos servos
inúteis; se servimos bem, não fizemos mais que nossa obrigação.
O amor que Deus tem por nós é muito maior do que toda dedicação
que prestamos a Ele. Mesmo não aceitando Isaac de oferenda - filho de
Abraão -, Deus Pai entregou seu Filho amado em sacrifício para
nos salvar”.
Valeu a pena reservar um tempo maior ao Senhor e sentir o amor que Ele tem por
nós. Sua Palavra ressoou mais forte em nossas vidas e tenho certeza que
novos frutos virão. “Não servir a dois senhores, a Deus
e ao dinheiro”, foi uma mensagem muito importante desta Campanha da Fraternidade.
Temos subsídios de sobra para refletir neste tema em nossas pastorais
- para caminhar na partilha e na fraternidade. Nunca podemos desanimar da felicidade
compartilhada, ao contrário desta história:
Um rapaz pediu a Jesus um emprego e uma mulher que o amasse. No dia seguinte,
abriu o jornal e tinha um anúncio de emprego. Ele foi ao local, viu a
fila muito grande e disse: ‘Eles são melhores do que eu’;
e foi embora.
No caminho, um garoto lhe deu uma rosa; mas, no ônibus, chateado com a
vida que levava, jogou a flor pela janela. Ao chegar em casa, brigou com Jesus:
‘É assim que me tratas? É assim que me amas?’. E foi
dormir.
Em sonho, Jesus lhe disse: ‘O emprego era seu, mas você não
confiou e desistiu antes mesmo de lutar. A rosa, inspirei aquela criança
a lhe dar. O amor da sua vida sentou ao seu lado no ônibus, mas, em vez
de lhe dar a flor, jogou-a fora’.
Pois é, Jesus abre as portas e mostra o caminho; porém, se sua
fé é pequena e você desiste nos primeiros obstáculos,
eles continuam impedindo sua caminhada para a felicidade. E quem já foi
feliz sabe que as boas recordações e muitas orações
ajudam na perseverança.
Recebi um e-mail do amigo Inácio Costa, comentando que o texto abaixo
é do professor José Antônio, da Universidade Federal de
São João del-Rei. Veja se faz você recordar alguns momentos
felizes que viveu:
“Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe
mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar
algum conhecido. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas
mesmo. E os donos da casa nos recebiam alegres e iam se apresentando, um por
um.
- Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão
e a dos meus irmãos. Aí chegava outro menino e repetia-se toda
a diplomacia.
- Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha
mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados
todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre.
Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha
de centro... casa singela e acolhedora.
Também eram assim as visitas: singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras
que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como
um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha - geralmente uma
das filhas - e dizia:
- Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco,
manteiga, biscoitos, leite... Juntava todo mundo, as piadas pipocavam e as gargalhadas
também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida
estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança.
Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que
virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos
para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração
aquecido pela ternura e pela acolhida.
Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com
o coração em festa. A mesma alegria se repetia e, quando iam embora,
também ficávamos à porta. Olhávamos, olhávamos,
até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão,
vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém.
Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos
fora de casa.
- Vamos marcar uma saída?
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios,
que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério
urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas - pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança
do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga,
dos biscoitos, do leite... Que saudade do compadre e da comadre!”
Sou testemunha que tudo isso é verdade, mas, graças a Deus, as
procissões ainda existem!
A CRUZ SAGRADA - 28 MARÇO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Continuam circulando na internet as palavras do Frade Demetrius dos Santos
Silva, publicadas no jornal ‘Folha de São Paulo’ de 09/08/2009:
“Sou padre católico e concordo plenamente com o Ministério
Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos
das repartições públicas. Nosso Estado é laico e
não deve favorecer esta ou aquela religião. A Cruz deve ser retirada!
Jamais gostei de ver a Cruz em tribunais, onde os pobres têm menos direitos
que os ricos e onde sentenças são vendidas e compradas. Não
quero ver a Cruz nas Câmaras Legislativas, onde a corrupção
é a moeda mais forte. Não quero ver a Cruz em delegacias, cadeias
e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados. Não
quero ver a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem
sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas,
porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira,
causa da desgraça dos pequenos e dos pobres.”
Foi uma resposta ao Ministério Público que, em 4 de agosto de
2009, ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosos
das repartições publicas. Eu não concordo em generalizar
a opinião de que a maioria dos políticos é ruim e os profissionais
de direito também. É preciso analisar cada caso para um melhor
julgamento; porém, em se tratando da Cruz de Cristo, todo respeito ainda
é pouco.
São Bento rezava uma oração que continua sendo repetida
milhares de vezes a cada hora em todo o mundo: “A Cruz Sagrada seja a
minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te Satanás,
nunca me aconselhes coisas vãs. É mal o que tu me ofereces, bebe
tu mesmo o teu veneno”.
E a medalha de São Bento onde está gravada esta famosa oração
é considerada um sacramental, quer dizer, um sinal poderoso de fé.
Acredito que o uso da medalha protege contra as artes do demônio e concede
graças - como a vitória sobre os inimigos perigosos e a tentação.
Na frente da medalha aparece uma cruz e as letras CSPB - são abreviações
da frase em latim: ‘Crux Sancti Patris Benedicti’ ou ‘Cruz
do Santo Pai Bento’. No alto da cruz está gravada a palavra PAX,
ou Paz, que é o lema da Ordem de São Bento. A imagem do santo
aparece no verso da medalha; ele segura na mão esquerda o livro da Regra
que escreveu para os monges beneditinos. Na outra mão, ele segura a cruz.
Ao redor da medalha, lê-se ‘Eius in Obitu nro Praesentia Muniamur’,
que quer dizer: ‘Que São Bento nos conforte na hora da nossa morte’.
É representada também a imagem de um cálice do qual sai
uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrando
as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu milagrosamente
ileso.
Com certeza, o santo seguia os ensinamentos de Jesus, que dizia a todos: “Se
alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia, tome
a sua cruz e siga-me” - São Lucas 9, 23. E sabemos, as cruzes são
diferentes nas costas de cada ser humano que vive: umas leves, outras muito
pesadas, mas nenhuma que não possa ser carregada com fé.
Havia um homem que tanto se queixou de seu sofrimento que o Senhor lhe apareceu
em sonho. Então, aproveitando a oportunidade, o queixoso indagou:
- Senhor, por que tenho que sofrer tanto?
Jesus respondeu:
- Você acha que sua cruz está pesada? Quer escolher outra?
- Sim, Senhor, eu gostaria!
Então, o homem foi levado ao lugar das cruzes. Ali havia um monte delas,
de diversas variedades: cruzes de pedras preciosas, ouro, prata, tronco de árvores
etc. E o homem viu uma cujo brilho se destacava das outras. Apontou-a e disse:
- Senhor, esta é a cruz que eu quero...
E Jesus, sorrindo, exclamou:
- Mas esta é a sua cruz! Por ser de ouro é muito brilhante, mas
também muito pesada.
O homem finalmente compreendeu que sua cruz não lhe fora imposta por
Deus, mas carregava a cruz que era fruto de sua própria escolha. Aceitou
então aquela cruz para sempre, e ela já não lhe pesou tanto.
Pois é, muita gente escolhe uma cruz de ouro, não e mesmo? E muita
gente, com o passar do tempo, serra sua cruz e a torna mais leve para suavizar
a caminhada; porém, a parte que fica no caminho é o ‘serviço
a Deus’ que, por ser pesado para alguns, reduzia a velocidade desenfreada
em direção ao pecado. Terá valido a pena?
Nas procissões desta Semana Santa, se as cruzes imaginárias fossem
materializadas, veríamos algumas grandes e pesadas sendo conduzidas por
pessoas de almas iluminadas. Quanto maior a confiança na salvação,
maior a força interior de alguém que almeja o Céu, sem
se importar com o peso da cruz.
Enfim, a cruz é o instrumento de redenção do mundo. Sua
representação desperta em nós os sentimentos de gratidão
para com Deus, pelo benefício de nossa salvação. Segundo
o nosso vigário, Pe. Maristelo, passaram 500 anos após a morte
de Jesus até os cristãos fabricarem a primeira cruz. Deixou de
ser sinal de maldição e se tornou o maior símbolo do cristianismo.
Na Páscoa e sempre, a Cruz Sagrada seja a minha luz... E que a Cruz de
Cristo não seja para você apenas um amuleto, mas também
a tua verdadeira luz!
SEGREDOS - 21 MARÇO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Conviver com segredos nem sempre é fácil. Algumas pessoas dizem
que são como túmulos e jamais contariam o que lhes disseram em
confiança; outras, abrem o coração sem qualquer constrangimento
e divulgam tudo o que sabem. Melhor seria se as consequências de cada
caso fossem muito bem analisadas antes de revelarmos os segredos que sabemos;
mas, nem sempre isso acontece.
Numa matéria exibida recentemente pelo Fantástico, alguns segredos
dos ‘segredos’ foram revelados:
“Guardar um segredo é mais ou menos como mentir. As duas coisas
dependem de o córtex pré-frontal, uma parte da frente do cérebro,
conseguir conter seu ímpeto de fazer sempre o mais fácil: falar
a verdade. É isso mesmo: contar a verdade, contar tudo, é a tendência
natural do cérebro.
Quer experimentar? Então vamos lá: responda rápido e em
voz alta com uma mentira: em que cidade você nasceu?... A primeira resposta
que vem à cabeça é a verdade, aquela que seu cérebro
aprendeu com a experiência a associar às idéias: ‘cidade’,
‘eu’ e ‘nascer’.
Ao encontrar a resposta verdadeira sem fazer esforço, as áreas
do seu cérebro que produzem a fala se preparam para dizer a verdade.
Para mentir, é diferente e bem mais complicado. O córtex pré-frontal
tem que conseguir eliminar a resposta verdadeira; depois, tem que buscar no
seu banco de dados cerebral uma resposta alternativa: o nome de outra cidade,
a mentira!
Essa busca exige o funcionamento de outras regiões que cuidam da linguagem.
Nessa confusão toda, uma parte do cérebro especializada em conflitos
é fortemente ativada. É o córtex cingulado anterior. Ele
chama nossa atenção para o problema a resolver. No caso: pôr
de lado a verdade, achar uma mentira e ainda não dar com a língua
nos dentes.
Enquanto você mente ou esconde um segredo, é como se essa parte
do cérebro ficasse gritando: ‘mas eu sei que não é
isso!’ - o que deixa qualquer um aflito. Mas, pelo menos para os segredos,
a neurociência tem um remedinho. Se você não aguenta guardar
seu próprio segredo, mas também não quer que ele se espalhe
por aí, conte para duas pessoas ao mesmo tempo. Assim, elas poderão
aliviar seu cingulado anterior falando sobre o segredo uma com a outra e ele
ficará a salvo dos outros por mais tempo. Experimente!”
Viu! Não parece fácil? O grande problema reside nas falcatruas,
imoralidades, falsidades e mentiras que geralmente envolvem os segredos. Quando
alguém resolve revelar, muita gente fica em maus lençóis
e os problemas vêm aos montes. É como dizem: Quem planta vento,
colhe tempestade!
Mas há segredos que, se revelados, só trazem bem à humanidade.
Veja, por exemplo, os segredos que Deus nos revelou através da História...
Até 1250 anos antes de Cristo, ninguém sabia sobre os Dez Mandamentos
que foram entregues a Moisés. Na época, os judeus tentavam praticar
centenas de princípios religiosos, que fundiam a cabeça de qualquer
ser humano.
Jesus também revelou no Evangelho de São Mateus: “Amarás
o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e
de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E
o segundo, semelhante a este, é: amarás ao teu próximo
como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”.
Pronto! Segredo posto e partilhado com todos.
Hoje sabemos que a Lei de Deus resume-se em amor, e Jesus ainda ajudou-nos a
clarificar algumas revelações: “Não penseis que vim
destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque
em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo
nenhum passará da lei um só til, até que tudo seja cumprido.”
Se considerarmos essas elucidações bíblicas, um segredo
é melhor do que o outro e devemos contá-los aos quatro cantos
da Terra; porém, sempre estaremos preocupados com outros tipos de segredos,
como nesta história:
Enquanto a mãe cozinhava, a filha aproximou-se e disse:
- Sabe, mãe, eu confio muito em você. Eu conto tudo pra você,
pois sei que é minha amiga.
A mãe, com um sorriso nos lábios, respondeu:
- Que bom, meu amor. Isso me deixa tão feliz!
- Eu confio muito, muito. Só existem algumas coisas que nunca contei,
coisas de quando eu era muito pequena.
Ela ainda era pequena, mas tremendamente grande na imaginação,
e a mãe ficou aflita com aquela afirmação. O sorriso transformou-se
numa pequena ruga na testa. O que a menina teria feito quando era muito pequena
que a mãe não soubesse? Um monte de pensamentos povoou sua mente...
Então, mesmo sentindo medo da resposta, formulou a pergunta:
- O que você fez que eu não posso saber e entender, meu amor?
- Mãe, eu não conto porque tenho vergonha...
- Você disse que confiava em mim!
- E confio.
- Então me conta. Anda logo!
A mãe já estava desesperada, desligou o forno e sentou-se, olhando
fixamente para a filha. A menina, num gesto heróico, anunciou seu terrível
segredo:
- Mãe, eu lambia meleca!
MÃE É MÃE - 14 Março 2010
Paulo Roberto Labegalini
Este testemunho foi dado por uma médica dermatologista da cidade de
Cruzeiro-SP:
“Em mais de vinte anos de vivência na medicina, já presenciei
inúmeras cenas e situações que me marcaram; porém,
se eu tivesse que escolher a cena que mais me comoveu como médica, escolheria
a que mais me marcou como mãe.
Foi em uma visita a uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), local onde geralmente
os pacientes estão necessitando de cuidados o tempo todo. Foi neste ambiente
frio, cheio de aparelhos e medicamentos, que vivenciei a importância da
maternidade.
Não se tratava de uma paciente grávida. Quem me chamou a atenção
foi um velho homem, aparentando bem mais de oitenta anos, deitado em posição
fetal, que gritava em meio ao seu delírio: ‘Mamãe! Mamãe!
Ah, minha mãe...’
Para uma pessoa no fim da vida, doente, o que lhe restara era chamar por sua
mãe, e era um clamor que vinha do coração, da alma! Somente
quem poderia acolher sua dor, sua solidão naquele momento, era sua mãe.
Todos os sons e ruídos da UTI desapareceram frente ao chamado choroso
daquele homem que insistia em resgatar a mais importante de suas memórias:
a sua mãe. Naquele momento, a médica deu lugar à mãe
e me dei conta do quanto importante é ser mãe.
Quando Deus escolheu a mulher para acolher a vida em seu ventre, deu-lhe a responsabilidade
de gerar seres humanos que são a imagem d`Ele. E para isso lhe deu uma
infinita capacidade de amar, renunciar e esperar. Amar, sem impor condições;
renunciar a tudo, até a si mesma pelos filhos; e esperar com muita paciência
todas as condições que a vida lhe apresentar: a começar
pela espera de nove meses para que a vida em seu corpo se torne vida para o
mundo.
Durante a gestação, a mulher é a perfeita moradia. É
no corpo da mulher que Deus fez a primeira morada de todo ser humano, e é
neste corpo sagrado que abriga a vida, que a mulher experimenta a plenitude
de ser mulher.
Quando seu ventre cresce, seu corpo ganha novas formas, as mamas se preparam
para alimentar sua cria, todo o ser feminino se enche de glória para
esperar o dia de dar a vida a um novo ser... E depois, fora do nosso corpo,
acompanhamos toda uma trajetória: somos o porto seguro para passos cambaleantes...
para abraços aflitos... para choros carentes... Por mais que os homens
cresçam e envelheçam, somos nós, as mães, que ficamos
em suas memórias.
Aquele velho homem me mostrou o quanto importante é o papel da mãe
para todo ser humano. Fez-me também questionar porque tantas meninas
na idade de serem filhas, e não mães, violentam seus corpos. Maquiadas
por uma falsa liberdade, colocam em risco suas e outras vidas inocentes, com
a desculpa de serem modernas. O corpo sagrado é violado e, muitas vezes,
jovens, quase crianças, tornam-se mães, perdendo a oportunidade
de vivenciarem com plenitude o divino mistério da vida.
Depois daquele dia na UTI, acrescentei mais uma responsabilidade ao meu papel
de mãe. Pode ser que um dia – quando a gente pensa que os filhos
não precisam mais de mãe – a gente seja a última
lembrança na vida deles. Quero ser não só a última,
mas a melhor lembrança!”
E depois de ler esse relato, posso afirmar que muitas coisas passam pela mente:
bate a saudade em quem já se despediu da mãe; aumenta a responsabilidade
àquelas que ainda têm filhos para cuidar; dá vontade de
abraçar a esposa que cedeu o corpo para formar uma família; enfim,
fica a eterna gratidão às mulheres que marcaram presença
no mundo na missão de ser mãe.
Na aula da Escola Vivencial do Cursilho da próxima segunda-feira à
noite, dia 22, também falarei de Mãe, através do Movimento
de Shöenstatt. Direi que tudo teve início em 18 de outubro de 1914,
quando o Pe. José Kentenich manifestou seu desejo a um grupo de Jovens
Congregados Marianos: transformar a Capela de São Miguel num Tabor de
manifestações de glórias a Maria. Era seu plano criar um
movimento de renovação religiosa e moral a partir dos tesouros
e milagres de Nossa Senhora. Isto aconteceu na Congregação Mariana
situada no vale de Schöenstatt, Alemanha.
Hoje, a Obra de Schöenstatt está presente em todo o mundo com Institutos,
Uniões, Ligas, Movimentos Populares etc. Os santuários são
reproduções fiéis do Santuário de Schöenstatt,
e o Movimento Internacional já tem 180 capelas ao redor do mundo! Quem
recebe uma capelinha em casa com a imagem da Mãe Rainha Três Vezes
Admirável sabe porquê é grande essa devoção
em todo o planeta.
Na convicção do Pe. Kentenich, uma autêntica espiritualidade
mariana deve conduzir a uma profunda espiritualidade cristológica e trinitária,
a uma séria aspiração à santidade e a um generoso
compromisso com a missão evangelizadora da Igreja. E a Mãe Rainha
‘faz esse papel’ porque é três vezes admirável:
ela é Mãe de Deus, Mãe do Redentor e Mãe dos Remidos.
Ninguém alcançou tamanho mérito na humanidade!
Essa nossa Mãe nos atenderá sempre que chamarmos por ela, dentro
ou fora da UTI. Viva Nossa Senhora!
COMPROMISSOS NA QUARESMA – 7 MARÇO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Você ainda quer ter um compromisso de jejuar nesta quaresma? Então,
jejue de julgar os outros e descubra que Jesus também vive neles. Jejue
de palavras que ferem e farte-se de frases que purificam. Jejue de preocupações
e alimente-se de oração. Jejue de tristeza e encha seu coração
de alegria.
E se ainda quiser sacrifícios maiores por amor a Deus, jejue de egoísmos
e encha-se de compaixão pelos outros. Jejue de rancores e encha-se de
atitudes de reconciliação. Jejue de palavras em excesso e viva
de silêncios para escutar melhor. Jejue de tudo o que lhe afaste do Senhor
e procure tudo o que d’Ele se aproximar.
Se todos vivermos estes jejuns, nossos dias irão se inundando de paz,
de amor e de confiança. Que nossos corações se abram com
os jejuns da quaresma para receber Jesus Ressuscitado na Páscoa com muito
amor.
Ah, também podemos usar nosso poder criativo para ajudar muitos irmãos
a seguir pelos caminhos da fé. Um simples objeto religioso à mostra
no nosso corpo serve como instrumento de evangelização. Pode ser
uma camiseta, um terço, uma corrente, um broche, enfim, um símbolo
que destaque a nossa crença e dê abertura para que outras pessoas
se sintam atraídas por aquela mensagem.
Colocar um adesivo plástico no vidro do carro é outro recurso
válido e barato para evangelizar. Têm imagens de Jesus e de Maria
Santíssima belíssimas que chamam muito a atenção.
Basta ser criativo: escolhendo uma bela estampa e divulgando-a em local de destaque.
Além desses meios, eu procuro evangelizar com testemunhos de fatos vividos
em família ou na comunidade. Por serem casos reais que provam o amor
de Cristo e de Nossa Senhora por nós, geralmente tocam profundamente
nas pessoas. Assim, fica mais fácil ‘amolecer certos corações’
e conduzi-los para junto de Deus.
O importante é que, na evangelização, nunca falte humildade
no relacionamento com os irmãos desgarrados e sempre haja muita oração
– pedindo ao Espírito Santo que nos ilumine para resgatar almas
perdidas.
Também o nosso trabalho na Sociedade São Vicente de Paulo nos
leva a testemunhar muitas injustiças sociais e algumas chegam a comover
profundamente outras pessoas. É impressionante constatar de perto a miséria
em certas famílias, abandonadas à sorte pelos próprios
parentes! Por que isso acontece?
Os motivos – ou desculpas – são diversos. Quando um pai se
refere ao filho que está desfrutando de boa situação financeira,
diz que o ‘coitado’ tem seus próprios compromissos e não
pode assumir outras despesas. Quando outro pai de família, cheio de filhos,
comenta que os seus pais possuem bens noutra cidade, alega que não combinam
de gênio e nunca daria certo morarem juntos. E por aí vai...
De acordo com as nossas possibilidades, ajudamos os mais necessitados, independente
de raça ou religião. O nosso trabalho na Conferência Nossa
Senhora do Sagrado Coração envolve também o crescimento
espiritual da família, desde que aceitem alguma orientação
nesse sentido. Acreditamos que com cesta básica mensal, gás, oração,
higiene, trabalho e educação, aos poucos, muitos renascem para
uma vida nova.
Voltando aos elos familiares, algumas necessidades não poderiam ser supridas
pelos próprios parentes? Em alguns casos, sim. Principalmente quando
o sofrimento maior vem do espírito, qualquer filho ou irmão de
sangue poderia estar ajudando.
É triste dizer isso, mas, infelizmente, um pouco de carinho com um pouco
de atenção chegam a despistar a fome ou a tristeza de muita gente.
Seria mais importante para alguns pais verem um parente chegando para prestar
solidariedade do que o seu alimento batendo à porta. Mesmo sabendo dessa
verdade, pouco podemos fazer nesse sentido, pois outros assistidos sempre esperam
o nosso socorro.
O desemprego aumenta, a fome assusta e as doenças preocupam. Enquanto
não atuarmos diretamente contra esses ‘fantasmas’, será
que não existe alguém de nossa família esperando por carinho
e atenção? Imagine algum parente seu que sofre e reflita o que
Jesus Cristo gostaria de lhe pedir que fizesse por ele nesta quaresma...
Quantas mães rezam terços e terços sozinhas! Quantos pais
idosos não vão mais à missa porque ninguém os leva!
Quantos filhos se revoltam com a vida indigna dos pais! Quantos gostariam de
ter as migalhas dos ricos para comer! Quantos agonizam por falta de remédios!
Acho que não é necessário dizer mais nada, pois cada um
sabe o que poderia estar fazendo e não faz. Quanto ao irmão ser
ou não de sangue, para Jesus não importa, mas julgando com o meu
coração humano e pecador, dói mais quando vejo alguém
sofrendo e sei que a família tem condições de acolhê-lo
e o deixa abandonado.
A caridade deveria sempre começar em casa e, depois, com a graça
de Deus, se espalhar por toda a humanidade. Se você concorda comigo, primeiro
olhe ao redor e depois, se puder, ajude os vicentinos na assistência que
fazem às famílias carentes e excluídas da nossa sociedade.
Com certeza, a recompensa a quem sofre e a quem ajuda virá do Céu.
Nunca duvide disso.
CASOS E CONSELHOS – 27 FEVEREIRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Um professor de química queria ensinar os alunos sobre os males causados
por bebidas alcoólicas e elaborou uma experiência que envolvia
um copo com água, outro com cerveja e dois vermes. Colocando uma criatura
na água e outra na cerveja, chamou a atenção da sala para
o resultado. O verme que estava na água nadou agilmente no copo como
se estivesse brincando. O bicho da cerveja se contorceu desesperadamente, louco
para sair do líquido e, depois, afundou absolutamente morto.
Satisfeito, o professor perguntou aos alunos: ‘E então, o que podemos
aprender desta experiência?’ Joãozinho levantou a mão
e respondeu: ‘Beba cerveja e você nunca terá vermes!’
Pois é, como piada dá até pra rir, mas quando a bebida
vira vício, o risco de morte aumenta gradativamente na vida da pessoa.
E além do vício, há outros males que silenciosamente nos
atacam a cada dia. Pensando nisso, um médico cardiologista publicou os
‘doze conselhos para ter um infarto feliz’:
1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares
são secundárias.
2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se precisar, também aos
domingos.
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve
serviço para casa e trabalhe até tarde.
4. Ao invés de dizer ‘não’, diga sempre ‘sim’
a tudo que lhe solicitarem.
5. Procure fazer parte de todas as comissões, diretorias e aceite convites
para conferências, seminários, simpósios etc.
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã e uma refeição
tranquilos. Pelo contrário, aproveite o horário das refeições
para fechar negócios.
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando
bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro!
8. Nunca tire férias. Lembre-se que você é de ferro.
9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo; delegar
é pura bobagem.
10. Se sentir que está perdendo o fôlego e pintar aquela dor de
estômago, tome logo energéticos e antiácidos. Eles o deixarão
tinindo!
11. Se tiver dificuldades em dormir, não perca tempo: engula calmantes
de qualquer tipo. Agem rápido e são baratos.
12. E o mais importante: não se permita ter momentos de oração,
audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida.
Isto é para crédulos e tolos sensíveis.
Outro médico, sem cinismo, deu sua receita para evitar adoecer: ‘Fale
de seus sentimentos; tome decisões com o coração; busque
soluções simples; não viva de aparências; aceite-se;
perdoe; tenha esperança em coisas melhores; não viva muito tempo
triste’.
Se fizermos uma composição disto com o inverso dos doze conselhos
citados, certamente nossa qualidade de vida melhorará rapidamente, pois
sabemos que o tempo passa voando e não permite retrocesso. Quando damos
conta, já nos encontramos em fases delicadas da vida, que merecem todo
cuidado. Esta história retrata bem isso:
Uma turma de amigos quarentões discutia onde jantar. Finalmente concordaram
que seria no Café Ritz porque a garçonete era bonitona. Dez anos
depois, aos cinqüenta, se encontraram de novo e demoraram a resolver onde
jantar. Finalmente foram ao Café Ritz porque a comida era boa e a seleção
de vinhos excelente.
Passados mais dez anos, tornaram a discutir onde deveriam jantar. Chegaram à
conclusão que iriam ao Café Ritz para desfrutar uma refeição
na paz de um restaurante para não fumantes. Após outros dez anos,
já com setenta de idade, juntaram-se e escolheram o Café Ritz
porque tinha elevador e fácil acesso para cadeira de rodas.
E com oitenta anos no lombo, o grupo se reencontrou uma vez mais para jantar.
Após duas horas de discussão, decidiram ir ao Café Ritz
porque seria uma ótima idéia experimentar um restaurante onde
nunca estiveram antes...
Eu sempre digo que quanto mais refletimos nos conselhos que recebemos ou casos
conhecidos, mais devemos valorizar a sabedoria da Palavra de Deus - que nos
orienta para a vida eterna. Por exemplo, o Evangelho de Jesus Cristo segundo
São Mateus (6, 7-15) diz assim:
“Nas vossas orações, não sejais como os gentios,
que usam de vãs repetições, porque pensam que, por muito
falarem, serão atendidos. Não façais como eles, porque
o vosso Pai celeste sabe do que necessitais antes de vós lhe pedirdes.
Rezai, pois, assim: ‘Pai nosso, que estás no Céu, santificado
seja o teu nome, venha o teu Reino; faça-se a tua vontade, como no Céu,
assim também na terra. Dá-nos hoje o nosso pão de cada
dia; perdoa as nossas ofensas, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal’.
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai
celeste vos perdoará. Se, porém, não perdoardes aos homens
as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as
vossas.”
No mês passado, eu segui este conselho e rezei o Pai Nosso em mais dois
Santuários: Nossa Senhora Desatadora dos Nós (Campinas) e Mãe
Rainha Três Vezes Admirável (Atibaia). Tenho certeza que a oração
me ajudou no processo de aprender a amar o próximo.
EM DEFESA DA FÉ CATÓLICA -20 FEVEREIRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Um cidadão estava atrasado para uma importante reunião no centro
da cidade e não encontrava vaga para estacionar. Então, levantou
as mãos para o céu e disse: ‘Senhor, me arruma um estacionamento
e prometo que irei à missa todos os domingos pelo resto da minha vida’.
Nesse instante, milagrosamente, apareceu uma vaga à sua frente, e ele
rapidamente falou: ‘Não se preocupe, Senhor, já achei sozinho’.
Infelizmente, coisas assim acontecem. As pessoas se lembram de Deus apenas em
momentos de apuros e, pior que isso, costumam criticar a religião que
‘pertencem’ para aliviar a consciência. Por isso, em defesa
da fé católica, quero convidar você, leitor, a esta reflexão:
O padre John McCloskey ganhou notoriedade por ter convertido ao catolicismo
membros influentes da elite política americana, tradicional reduto de
protestantes. Economista, abandonou um emprego promissor em Wall Street para
se ordenar padre em 1981. No ano passado, foi entrevistado pela Revista Veja
e deu respostas sensatas sobre religião e fé, pelo menos no meu
ponto de vista. Eis alguns bons argumentos que usou:
Veja: Por que um protestante abriria mão de sua religião para
se converter ao catolicismo?
Padre: Porque é crescente o número de protestantes que compartilham
os valores morais da Igreja Católica. São cristãos que
acreditam na Bíblia, nos dez mandamentos e têm laços pessoais
com Jesus Cristo. Ao longo de seu pontificado, João Paulo II insistiu
na defesa dos valores da Igreja. São 2000 anos de história! A
Igreja Católica tem sacerdotes, Papa, tradição dos grandes
santos, arte, cultura, literatura. Enfim, tem uma carga que não se vê
em outras religiões.
Veja: O senhor concorda que boa parte dos católicos discorda da posição
oficial da Igreja em assuntos como controle de natalidade e divórcio?
Padre: A posição do Papa sobre divórcio, aborto, controle
de natalidade não pode mudar, pois está ligada ao que é
a Igreja Católica. A Igreja propõe a verdade a seus fiéis,
não impõe. Se alguém não quiser pertencer à
Igreja, está livre para sair. Note que a Igreja Católica não
é uma democracia. É uma instituição Divina que não
pode ser questionada. Ao ser criada, tinha apenas doze apóstolos. Hoje
chega a 1 bilhão de fiéis, e isso sem que precisasse mudar suas
opiniões, baseadas na ressurreição Divina e na palavra
de Jesus Cristo. É preferível ter um rebanho menor de católicos
do que mudar as regras apenas para arregimentar mais seguidores.
Veja: É mais difícil converter um ateu ou alguém que já
tem uma religião?
Padre: Converter o ateu, sem dúvida. Mas cada um tem sua própria
história e sobretudo uma graça que o impele a buscar o catolicismo.
Alguns fizeram a opção em questão de meses. Outros levaram
anos. Não há uma receita pronta, é uma questão de
graça e de boa vontade da pessoa que está se convertendo à
fé católica.
Veja: É possível ser um católico não-praticante,
ou isso é uma contradição?
Padre: Sempre existiram na Igreja os católicos não-praticantes,
que são aqueles que não estão cumprindo as leis morais
que norteiam a Igreja. Ou seja, culpam a Igreja, mas não culpam a si
mesmos, porém, há a possibilidade de você confessar seus
pecados e voltar à Igreja. Mas sempre me pareceu uma contradição
essa pretensão de ser católico sem acreditar no que a Igreja ensina.
Veja: As pesquisas mostram que a maioria dos católicos americanos acredita
que os padres deveriam ter o direito de casar-se. Qual sua opinião sobre
o celibato?
Padre: Acho difícil uma mudança no celibato, tradição
que remonta aos apóstolos e que a maioria dos sacerdotes ainda apóia.
Os que defendem o fim do celibato são grupos pequenos e barulhentos,
que se dizem católicos liberais. Talvez seja o último grito antes
da morte, pois boa parte desses ativistas tem mais de 70 anos. Nos últimos
35 anos, eles têm esperado mudanças profundas na Igreja, e tudo
continua igual. Nada mudou, e nada vai mudar. Vale lembrar que todos os padres
assumem um compromisso ao optar pela vida religiosa. O celibato é um
símbolo de devoção a Jesus Cristo.
Veja: O senhor costuma repetir que a Igreja Católica só será
revitalizada se retornar às raízes. O que significa isso?
Padre: Significa manter estrita fidelidade aos ensinamentos doutrinários
e morais da Igreja, que são perpétuos e necessários para
a salvação. A Igreja nunca vai rever sua posição
de temas como contracepção, aborto, divórcio ou a participação
de mulheres no sacerdócio. Para ela, qualquer pessoa – homossexual
ou heterossexual – não deve exercer sua sexualidade exceto dentro
do casamento. Como um homossexual não pode casar-se, tem de se manter
casto. Todo católico deve submissão ao que a Igreja propõe
como necessário à salvação.
Veja: A Igreja Católica brasileira perdeu milhões de fiéis
nos últimos anos para seitas evangélicas. Por quê?
Padre: Muita gente abandonou a Igreja, mas não perdeu a fé. A
maioria passou a ter um laço mais pessoal com Jesus, lendo a Bíblia.
Não tenho elementos para analisar o que aconteceu no Brasil, mas acredito
que a migração de católicos para as seitas evangélicas
não deverá prosseguir pelos próximos anos. É algo
que podemos recuperar no futuro.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM - 13 Fevereiro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Na formação que os Ministros Extraordinários da Comunhão
Eucarística receberam do Padre Maristelo dia 9 de fevereiro, ficou bem
claro que a responsabilidade é muito grande em distribuir e também
em receber a sagrada comunhão. A ponte entre Deus e os homens é
missão nobre dos ministros; mas, estar com a consciência tranquila
para receber a Eucaristia é igualmente importante.
O tema da pregação foi: ‘Fazei isto em memória de
mim’ (Lucas 22, 19), que significa realizar obras de amor lembrando os
gestos de Jesus. Isto se completa na participação da Celebração
Eucarística - consequência da caminhada cristã. Porém,
se o coração não tem compaixão do próximo,
o respeito excessivo pelo sagrado aparenta hipocrisia. As coisas de Deus exigem
bom senso acima de tudo; mas, sem limites extremos de anormalidade.
E o nosso sacerdote ainda destacou que, para se levar a sério o pedido
de Jesus - ‘Fazei isto em memória de mim’ -, precisamos ter
princípios cristãos bem definidos, como aqueles citados no livro
da Editora Santuário: ‘Cinco pães e dois peixes’,
10ª edição, de François Xavier Nguyen Van Thuan. O
autor destaca 24 elementos de conduta cristã; mas, durante a fala do
Padre Maristelo, só consegui anotar 21.
Eis o que mais nos aproxima de Deus: desejar renovar o mundo; promover a felicidade
do próximo; dar a vida pelo irmão; buscar a unidade dos cristãos;
crer na Eucaristia; vestir a camisa do amor; deixar-se levar pela oração;
viver o Evangelho; seguir somente Jesus Cristo; cultivar um amor especial por
Maria; entender a ciência da Cruz (sofrer em Cristo); ter o ideal de se
aproximar de Deus; temer o mal (resultado do pecado); manter o desejo de ‘vir
a nós o vosso Reino’; desapegar-se dos bens materiais; ter contatos
pessoais (e saber ouvir); ser discípulo e missionário de Jesus;
fazer a vontade de Deus; saborear o momento presente; caminhar nas bem-aventuranças;
buscar a recompensa no Paraíso.
Tudo isto em memória de Cristo! E se alguém, por exemplo, tem
dificuldades em perdoar, não deve estar em conformidade com os passos
cristãos propostos por François Van Thuan. E ainda: ao invés
de assumimos o risco de desorientar os amigos com alguns conselhos inúteis,
por que não passar a divulgar esta relação ao próximo?
Aliás, quem tem o dom da comunicação precisa sempre pôr
a ‘boca no trombone’. Leia abaixo alguns trechos de ‘Passeio
Socrático’, escrito por Frei Betto:
“Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia,
do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em
paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o
movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos
com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que
deviam. Aquilo me fez refletir: Qual dos dois modelos produz felicidade?
Encontrei Daniela pela manhã no elevador, 10 anos, e perguntei: ‘Não
foi à aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à
tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de manhã você
pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’,
retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã! Aulas de inglês,
de balé, de pintura’, e começou a elencar seu programa de
garota robotizada. Fiquei pensando: Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho
aula de meditação!’
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas
emocionalmente infantilizados. Em 1960, uma progressista cidade do interior
de São Paulo tinha seis livrarias e uma academia de ginástica;
hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não
tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção
em relação à malhação do espírito.
Vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha,
uma maravilha, não tinha uma celulite!’
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Somos místicos
virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também
eticamente virtuais. O grande desafio é começar a ver o quanto
é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal,
consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde
mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima,
ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade
Média, as cidades adquiriam status construindo catedrais; hoje, no Brasil,
constrói-se shopping center. É curioso: a maioria dos shoppings
tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se
pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não
há mendigos, crianças de rua, nem sujeira.
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
- Estou fazendo um passeio socrático. Sócrates, filósofo
grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro
comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser
feliz.”
CELEBRAR A VIDA - 7 FEVEREIRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
A última mensagem de aniversário que recebi por e-mail veio da
Eliza do César, que dizia assim:
“A Vida não é para ser passada, mas para ser celebrada.
Cada fato, cada momento, cada segundo é uma vitória, é
uma etapa. O importante não é chegar, mas é ir. Começar,
persistir, cair, levantar, amar, perdoar, sentir, sofrer, viver é celebrar.
Celebre este dia como se fosse o último de sua vida e como se fosse o
primeiro do resto de sua vida! Celebre não porque os outros o reconhecem,
porque você se sente importante ou porque gostaria de ser amado. Celebre
porque você é único! Obra rara. Especial porque existe.
Você é uma vitória da vida, da sua vida, importante para
os que o cercam. Você nasceu para ser feliz, para brilhar, para se gastar
como uma vela, iluminando a todos com sua luz. Feliz viver!”
Fico contente quando penso que há pessoas que torcem e rezam por mim.
O amor que Jesus pregou e que deveríamos praticar como irmãos
poderia ser rotina em nossas vidas, mas quase sempre fica em segundo plano.
Contudo, a solidariedade em larga escala ainda existe. Leia isto:
Eliane Brum, repórter da ‘Revista Época’, escreveu
que seis dias depois do terremoto no Haiti, Roger continuava diante das ruínas
do prédio onde estava sua mulher Jeanette. Para todos, morta; para ele,
viva. De repente, alguém ouviu um barulho. ‘Ela está viva!’,
gritou Roger. Enterrada há quase uma semana, Jeanette respirava com dificuldade
na escuridão. E ela mandou um recado para Roger: ‘Eu te amo muito.
Nunca se esqueça disso’. Imediatamente o marido pegou um pedaço
de ferro e começou a cavar.
Este pequeno drama entre dezenas de milhares explica que, diante do momento-limite,
somos levados não aos grandes bens ou aos grandes planos, mas aos detalhes
cotidianos que em geral passam despercebidos. O que nos falta é aquilo
que nos preenche a cada dia sem darmos conta. Aquilo para o qual, em geral,
não temos tempo.
Será que é preciso quase morrer para lembrar-se de viver? Até
quando haverá uma segunda chance?
Depois de três horas, Jeanette foi arrancada dos escombros. Saiu de lá
cantando uma música cuja letra dizia: ‘não tenha medo da
morte’. De novo teve algo para nos ensinar. Ela sacudiu a poeira e partiu
rumo ao cotidiano porque a vida tem de continuar por amor àquilo que
mais importa. No caso de Jeanette, o seu amor por Roger. A haitiana provou que
mais triste que a morte é uma vida desperdiçada com coisas fúteis,
que não tem importância.
Mas, infelizmente, nem todos celebram a vida com espírito cristão.
O escritor baiano João Ubaldo Ribeiro escreveu um texto intitulado: ‘Precisa-se
de matéria prima para construir um país’. Alguns trechos
descrevo abaixo:
“A crença geral anterior era que Collor não servia, bem
como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E
o que vier depois de Lula também não servirá para nada.
Por isso estou começando a suspeitar que o problema está em nós,
porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda que
sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país
onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que
formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde os diretores das empresas não valorizam
o capital humano, onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas
atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos.
Nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e
leis que só servem para afundar o que não tem, encher o saco do
que tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados
médicos podem ser comprados sem fazer nenhum exame. Um país onde
uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos
braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus enquanto
a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar.
Esses defeitos, essa esperteza brasileira congênita, essa desonestidade
em pequena escala, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar,
Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque
todos eles são brasileiros como nós, eleitos por nós!
Entristeço-me. Ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo
presidente terá que continuar trabalhando com a mesma matéria
prima defeituosa que somos nós mesmos. E enquanto essa ‘outra coisa’
não comece a surgir, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados,
igualmente sacaneados!
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos brasileiros não
poderá fazer nada!
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável,
não para castigá-lo, senão para exigir-lhe que melhore
seu comportamento e não se faça de surdo, de desentendido. Sim,
decidi procurar o responsável e estou seguro que o encontrarei quando
me olhar no espelho.
É o que sempre digo: o governo somos nós; os políticos,
nem tanto assim.”
FÉRIAS DE VERÃO - 30 JANEIRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
As férias de janeiro foram muito abençoadas para mim; primeiro
porque eu precisava descansar um pouco depois da correria do final de ano, e
também porque convivi com pessoas maravilhosas o mês inteiro. Nem
as chuvas que castigaram tantas regiões atrapalharam meus passeios. Isso
não significa que não fiquei triste com tantas desgraças
ocorridas no Haiti, em Angla, São Paulo etc. Rezei algumas vezes pelas
vítimas da nossa natureza tão agredida.
Iniciando os relatos pelo dia 19, estive na Matriz Nossa Senhora da Soledade
para agradecer os 54 anos de vida e, quando lá chegava, o CD no carro
começou a tocar ‘Graças Pai’. Fiquei arrepiado porque
era exatamente o que eu queria dizer a Deus naquele momento. E sozinho no banco
da igreja após o almoço, rezei um terço em agradecimento
a tantas coisas boas em minha vida. Aproveitei para pedir bênçãos
às pessoas que solicitam minhas orações e também
a você, leitor deste renovado jornal. Não tenho dúvidas
que o Santiago e o Trotta presentearão a região com grandes trabalhos.
No mesmo dia, alguns amigos foram ao meu apartamento me dar um abraço.
Comentei que aquilo era inédito para mim porque sempre passei a noite
do aniversário na missa. Gastamos bastante saliva e só falamos
de coisas boas; também pudera, onde estão o Amaury, o Lenarth,
o Elzo e o Wlamir, bons papos fluem com naturalidade. Ah, e ainda acabei combinando
um retorno a Ubatuba no final de semana.
Antes, porém, fui com a família a Taubaté e resolvemos
passar na Basílica de Aparecida para saudar a Mãezinha. Ao entrar
no templo sagrado, o bispo que presidia a Celebração da Eucaristia
se preparava para a distribuição da comunhão e a bênção
do Santíssimo. Minha filha, Soraia, ainda comentou que não foi
coincidência a nossa presença no Santuário naquele momento.
Chegou o sábado, dia 23, e descemos para a Praia das Toninhas. No mesmo
condomínio estava a família do grande amigo Lenarth - um exímio
cozinheiro! O macarrão com atum que ele nos recebeu foi elogiado por
todos. Comentei que nunca mais comerei outro igual, e acharam que eu disse isso
porque não gosto de atum. A verdade é que desceu gostoso. A fome
também ajudou a ingestão. Hehehe...
Foram dias maravilhosos, mas quero enfatizar o que aconteceu na noite de 25
de janeiro. Chegamos à praça central de Ubatuba às 19h30
e reparei que a missa estava por começar na igreja matriz. Era dia de
São Paulo, padroeiro dos cursilhos de cristandade; data importante para
mim porque nasci na cidade de mesmo nome e me chamo Paulo. Participei da missa
e me senti privilegiado por ter passado pelo local exatamente no início
da Celebração. Também não foi simples coincidência,
mas outro chamado para eu estar mais próximo de Deus nas férias.
E no dia seguinte, quando eu e minha esposa pegávamos a estrada de volta,
atendi o sinal de um veículo que vinha atrás, pedindo que eu parasse.
O motorista veio até meu carro com estas palavras: ‘O senhor é
de Itajubá? Puxa, que sorte! Meu sogro, o doutor Renato, tem um carro
igual ao seu e está voltando agora para Pouso Alegre com meus filhos
gêmeos. Acontece que, por engano, levaram a minha carteira e me deixaram
sem nenhum dinheiro. Preciso pagar o borracheiro e colocar gasolina para retornar
a Santa Rita do Sapucaí. Sou professor lá há muitos anos!
Pode me emprestar alguma quantia para me tirar desse apuro? Anotarei seu telefone
e o pagarei assim que chegar’.
Moral da história: caí no golpe que nem um pato e perdi setenta
reais! Foi tudo tão rápido, no meio da chuva, que acabei compadecendo
daquele cidadão em dificuldade. Hoje, vejo que poderia ser pior. Depois
que parei o carro, muita coisa ruim teria para acontecer se não tivéssemos
proteção do Céu. Com certeza, o terço que rezamos
no caminho nos ajudou a não sofrer mal maior.
Nestas férias também visitei minha netinha em Rio Negro, minha
mãe e minha irmã em Monte Sião. Foram viagens muito agradáveis
que me deram força para aguentar mais um período de saudades.
Como é bom ser querido pela família e estimado pelos amigos! Mesmo
não merecendo tantos presentes, a infinita misericórdia Divina
me concede prêmios que nunca imaginei receber. Louvado seja Nosso Senhor
Jesus Cristo por isto também!
Enfim, há anos eu não jogava pebolim, ping-pong, baralho, frescobol
e disco na areia. Há bastante tempo eu não mudava tantas vezes
de ambientes no mesmo mês. Nem me lembro se algum dia piquei cebolas para
fazer vinagrete, mas executei com perfeição essa tarefa na praia!
E além disso tudo, conheci três cursilhistas de Cachoeira Paulista
e o padre Daniel de Cruzeiro. Ficamos amigos e irão ler este artigo também.
Estou lembrando agora da história do menino que viu a mãe pôr
um prato de linguiça e torradas bastante queimadas defronte ao pai. O
garoto nunca se esqueceu que o pai comeu as torradas com alegria e ainda perguntou
a ele como tinha sido o seu dia na escola. No final do jantar, quando a mãe
se desculpou por ter queimado a torrada, o pai sorriu e respondeu: ‘Eu
adoro torradas queimadas’.
Qualquer semelhança da história com o macarrão com atum
que comi na praia é mera coincidência.
A TERCEIRA IDADE - 23 janeiro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Resolvi escrever este artigo porque algumas pessoas que mais rezam por mim
são senhoras de 80, 82 e 93 anos: minha mãe, D. Sebastiana e D.
Onofra. Inicio por uma história que corre na internet:
No primeiro dia de aula, nosso professor nos desafiou a apresentar alguém
que não conhecêssemos ainda. Eu fiquei em pé para olhar
ao redor quando uma mão suave tocou meu ombro. Olhei para trás
e vi uma velhinha enrugada sorrindo para mim. Ela disse:
- Ei, bonitão, meu nome é Rosa. Tenho oitenta e sete anos
de idade. Posso lhe dar um abraço?
Eu concordei e perguntei:
- Por que você está na faculdade em idade tão avançada?
- Eu sempre sonhei em ter estudo universitário e agora estou tendo
um!
Após a aula, caminhamos para o prédio da união dos estudantes
e nos tornamos amigos instantaneamente. Eu ficava extasiado ouvindo aquela ‘máquina
do tempo’ compartilhar sua experiência e sabedoria comigo. Ela tornou-se
um ícone no campus e fazia amigos onde quer que fosse.
No fim do semestre, convidamos Rosa para falar durante o nosso banquete de futebol.
Ela pegou o microfone e disse:
- Nós não paramos de amar porque ficamos velhos, aliás,
nos tornamos velhos porque paramos de amar. Existem segredos para continuarmos
jovens de sucesso: você precisa rir e ter um sonho. Vemos tantas pessoas
caminhando por aí que estão mortas e nem desconfiam! Se você
tem dezenove anos e ficar deitado na cama por um ano inteiro sem fazer nada
de produtivo, ficará com vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete e ficar
na cama por um ano e não fizer coisa alguma, ficarei com oitenta e oito.
Portanto, ficar velho não exige talento nem habilidade. A idéia
é crescer feliz, encontrando oportunidades de mudar. E não tenha
remorsos. As únicas pessoas que têm medo da morte são aquelas
com muitos remorsos.
Uma semana depois da formatura, Rosa morreu tranquilamente em seu sono. Mais
de dois mil alunos da faculdade foram ao funeral em tributo à maravilhosa
mulher que nos ensinou isto: ‘Nunca é tarde para ser tudo aquilo
que você deseja ser’.
Agora, para quem gosta de fatos reais, pode se espelhar na neurologista Dra.
Rita Levi-Montalcini, Presidente Honorária da Associação
Italiana de Esclerose Múltipla, que completou 100 anos no dia 22 de abril
de 2009. Em 1951, veio ao Brasil para realizar experiências de culturas
in vitro no Instituo de Biofísica da Universidade do Rio de
Janeiro onde, em dezembro do mesmo ano, conseguiu identificar o fator de crescimento
das células nervosas. Foi esta descoberta que lhe valeu o Prêmio
Nobel de Medicina junto com Stanley Cohen. Eis uma entrevista que concedeu em
2005:
- Como vai celebrar seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá e, além disso,
não gosto de celebrações. Gosto do que faço a cada
dia.
- E o que você faz?
- Trabalho para dar bolsas de estudo às meninas africanas. Quero
que estudem e prosperem. E continuo investigando, sigo pensando, porque jamais
vou me aposentar. Aposentar-se é destruir o cérebro! Possuímos
grande plasticidade neural; e quando morrem neurônios, os que restam se
reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é
conveniente estimulá-los. Mantenha seu cérebro com ilusões,
sempre ativo, faça com que trabalhe e ele nunca se degenerará.
A chave é manter curiosidades, entusiasmos, paixões.
- E o que tem sido o melhor da sua vida?
- Ajudar aos demais cada vez mais.
- Já pensou no que faria hoje se tivesse 20 anos?
- Exatamente o que eu estou fazendo! Minha idade não prejudica
meu trabalho.
Também a idade de Zilda Arns não a impediu de ajudar o povo do
Haiti. Aos 75 anos, morreu trabalhando e servindo o próximo, por amor
a Deus.
Médica pediatra e sanitarista, fundou a Pastoral da Criança, Organismo
de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de
São Paulo, viúva desde 1978, teve cinco filhos. Para ser indicada
ao Prêmio Nobel, Zilda percorreu um longo e dedicado caminho.
Em 1955, começou sua vida profissional como médica pediatra do
Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba. Suas participações
em eventos internacionais são diversas: de Angola à Indonésia,
Estados Unidos e Europa, Zilda Arns representou a Pastoral da Criança.
Proferiu centenas de palestras, acompanhou comitivas brasileiras a outros países,
levando a Pastoral para o mundo. Sua participação em eventos nacionais
é praticamente incontável; desde 1994 são aproximadamente
27 eventos ligados à Pastoral da Criança e inúmeros outros
pela Pediatria.
Tanta dedicação teve seu reconhecimento. Desde 1978, são
diversas menções especiais e títulos de cidadã honorária.
E da mesma forma, a Pastoral da Criança já recebeu diversos prêmios
pelo trabalho que vem sendo feito desde a sua fundação.
Que esse grande exemplo de amor, cidadania e fé possa nos animar a praticar
a caridade. Recordo o que me disse o amigo vicentino de Curitiba, padre Máikol:
‘Zilda Arns será santa!’
O BBB ESTÁ DE VOLTA - 16 JANEIRO 2010
Paulo Roberto Labegalini
Sou da época que ‘BBB’ significava ‘Bom, Bonito e
Barato’ - saudoso tempo em que se podia confiar nas aparências e
promessas das pessoas. Hoje, sem grandes compromissos com a educação
e a moralidade nas famílias brasileiras, faz-se qualquer coisa em troca
do lucro e da fama. É claro que não podemos generalizar, mas,
se não denunciarmos coisas erradas que vêm acontecendo aos montes,
em breve só restarão exceções de ‘Brasileiro
Bobo e Burro’.
A TV contribui muito para os ‘modismos’ que estamos vivendo e, infelizmente,
não sobra quase nada de bom na programação da Globo se
deixarmos de fora do horário nobre: notícias, filmes e esportes.
E não podemos negar que a culpa disso é só nossa, que damos
audiência máxima às novelas e ao ‘Big Brother Brasil’.
Quem fica mais de uma semana fazendo palhaçadas ou se despindo na frente
das câmeras vira ídolo e, a partir disso, começa a se enriquecer
com novos trabalhos na mídia. Não importa se o ‘famoso’
tem escolaridade ou boa comunicação, basta ser popular!
Então, não há como tirar a razão do Moacyr Franco
que afirmou ao Canal 20 sua indignação com a má qualidade
dos artistas e cantores contemporâneos. Ele próprio não
tem gravadora e muito menos programa na televisão, embora lote todas
as casas de espetáculos onde se apresenta. E vimos aqui em Itajubá-MG,
no Natal no Campus, que grande show que ele realiza, mas não é
isso que as emissoras de televisão querem.
Enquanto Moacyr Franco, Joanna, Toquinho, Benito di Paula, Belchior e outros
grandes talentos ficam fora dos nossos lares, vamos espiando o que acontece
na ‘casa mais vigiada do Brasil’, onde besteiras e brigas não
têm limites para acontecer. Talvez alguém pudesse defender esse
tipo de programa afirmando que ‘faz parte da nossa realidade’; será
mesmo?
Você concordaria em deixar filmar algum tipo de confusão em sua
casa? Gostaria que pessoas rissem dos seus problemas? Esse tipo de ‘realidade’,
que não contribui em nada para a formação cultural do nosso
povo, precisa vir à tona? Ah, mas a Globo ganha demais com isso, não
é verdade?
O humorista Orival Pessini, criador do boneco ‘Fofão’ e do
estudante de comunicação ‘Patropi’, há 6 anos
está no esquecimento, mas ‘Zorra Total’ repete personagens
sem graça e piadas mal escritas todo sábado! A explicação
é simples: tem quem gosta; aliás, tem muita gente que gosta! E
os que não gostam, o que fazer? Há noites que dá vontade
de ver programas melhores para aliviar a carga de trabalho daquele dia, mas...
Bem, os poucos que recorrem à TV Canção Nova, por exemplo,
encontram alimento espiritual e conforto para a alma.
Como pouca gente se interessa em aprender os ensinamentos evangélicos
e colocá-los em prática, uma opção seria recorrer
a bate-papos com os amigos; contudo, há bons amigos para conversas sadias?
Acho que todos responderiam ‘sim’; porém, há pesquisas
indicando que isto já não é tão fácil como
antigamente. Então, que tal cuidar das boas companhias?
Uma história retrata um grande terremoto onde morreram milhares de pessoas
e animais, entre eles: João de Deus, seu cavalo e seu cachorro. Algum
tempo depois, acordaram num lugar desconhecido com várias opções
de caminhos para seguirem. Entraram na estrada mais próxima, logo chegaram
numa porteira e foram atendidos por uma linda jovem:
- Que bom que vieram! O que desejam?
- Queremos um lugar para ficar eternamente; podemos entrar? - perguntou João.
- Infelizmente animais não entram aqui. Se desejar, somente o senhor
será aceito - respondeu a moça.
- Eu agradeço, mas onde meus amigos não podem ficar eu também
não entrarei.
E seguindo por outro caminho, avistaram mais uma porteira e foram igualmente
bem atendidos por outra jovem:
- Olá, seu João, seja bem-vindo! Estávamos à sua
espera.
- Mas, eu não entrarei sem estes fiéis amigos que trouxe comigo.
Fizeram parte de minha vida e não os abandonarei.
- Não se preocupe, eles serão nossos convidados especiais e não
os deixaremos do lado de fora; na verdade, eu precisava ter certeza que o senhor
os amava para liberar sua entrada no Céu.
Assim, os três amigos descansaram juntos no Paraíso.
Shakespeare também escreveu a respeito de amor e amizade:
“Perguntei a um sábio a diferença que havia entre amor e
amizade, ele me disse essa verdade... O amor é mais sensível,
a amizade mais segura. O amor nos dá asas, a amizade o chão. No
amor há mais carinho, na amizade compreensão. O amor é
plantado e com carinho cultivado, a amizade vem faceira e, com troca de alegria
e tristeza, torna-se uma grande e querida companheira. Mas quando o amor é
sincero ele vem com um grande amigo, e quando a amizade é concreta ela
é cheia de amor e carinho. Quando se tem um amigo ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem dentro do seu coração.”
Então, quem sabe, valorizando mais o convívio ético e moral
na sociedade, aos poucos poderemos deixar de prestigiar imoralidades na televisão.
E se você é contra tudo isto que escrevi, respeito sua opinião;
e continuarei rezando para que a vontade de Deus prevaleça muito além
da nossa. Não sou o dono da verdade, mas sou o filho do Dono.
PACTO COM A FELICIDADE - 9 Janeiro 2010
Paulo Roberto Labegalini
Na semana passada, eu publiquei um texto de Natal do Pe. Maristelo e, em outra
página deste jornal, a mesma mensagem saiu na íntegra. Mas, como
dezenas de amigos moram longe de Itajubá-MG e recebem este artigo pela
internet, minha intenção de transmitir fé e esperança
sem duplicidade foi cumprida. Aliás, algumas pessoas responderam elogiando
o texto.
Então, também por esse motivo, eis parte da mensagem de Ano Novo
que o mesmo sacerdote leu na missa do dia 31 de dezembro na Comunidade Nossa
Senhora do Sagrado Coração:
“Mudamos alguma coisa passando de um ano para o outro? Os dias depois
de 1º de janeiro são diferentes dos dias anteriores a 31 de dezembro?
Nosso poeta Drummond, encantado com este mistério assim falara do ano
novo: ‘Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se
deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para
qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre
da renovação e tudo começa outra vez com outro número
e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente’.
Chamar 2009 de ano velho não é uma ofensa pra quem conviveu conosco
365 dias, na alegria e na tristeza? Cantar ‘adeus ano velho’ para
ele não é uma forma cruel de despachar um companheiro de todas
as horas, de todos os minutos e de todos os segundos? Cantar ‘Feliz Ano
Novo’ para 2010 não é uma forma excessivamente rápida
de esquecer o passado e se envolver com o que chega?
No salmo 89, assim canta o salmista: ‘Ensinai-nos a contar os nossos dias,
e dai ao nosso coração sabedoria!’ O desafio da passagem
do ano não é a contagem dos dias que se passaram ou dos dias que
faltam; mas, aprender a saborear os dias vividos e a salivar pelos dias que
se aproximam. Santo Inácio de Loyola dizia: ‘Porque não
é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas, o sentir e saborear
as coisas internamente’. Plagiando esse mestre espiritual, poderíamos
dizer que não são os muitos anos vividos que saciam a vida, mas,
a capacidade de sentir e saborear as experiências vividas.
Imagino a passagem de um ano para o outro como o encontro do idoso com a criança.
O idoso não é um velho nem é um ultrapassado, mas é
alguém que traz a experiência do vivido, tão respeitado
nas culturas antigas. A criança não nasce instantaneamente, mas
desde a concepção vai sendo gerada. Antes mesmo de ser gerada
no ventre, vai sendo gerada no coração e no sonho de muitos homens
e mulheres; por isso, não se sabe precisamente quando nasce uma criança.
Uma pessoa quando parte continua viva na mente e no coração daqueles
que a amam.
A passagem do ano não é o funeral de um ano e o nascimento do
outro, é a dança do idoso com a criança. Ele com os passos
cansados, mas vividos. Ela ensaiando os passos, mas cheia de energia. Nesse
baile, em vez de uma ampulheta se entrega uma rosa branca com folhas bem verdes;
branca como a paz, verde como a esperança, sementes semeadas ontem, flores
colhidas hoje, anunciando o fruto de amanhã. Ambos embalam uma criança
que se chama Jesus.
Nós, cristãos, temos um conceito de tempo que se chama eternidade:
existência absoluta, sem princípio nem fim, pois a nossa história
foi assumida por Aquele que é o Ontem e o Hoje, o Princípio e
o Fim, o Alfa e o Ômega, o Senhor do Tempo e da Eternidade, Aquele que
era, que é, que será.
Na passagem do ano ao Senhor da Eternidade cantamos Te Deum: ‘A Ele o
tempo e a eternidade, a glória e o poder pelos séculos sem fim’.
Aos irmãos que estamos no tempo, diferente de Vinícius não
dizemos: ‘que seja infinito enquanto dure’, mas sim, que seja eterno,
pois dura para sempre. Dizemos mais do que adeus ano velho ou feliz ano novo.
Desejamos simplesmente eternidade feliz, eternamente feliz.
Depois destas belas palavras, que tal fazermos um ‘Pacto com a Felicidade’?
Por exemplo:
De hoje em diante, todos os dias ao acordar direi: ‘Hoje vou ser feliz’.
Lembrarei de agradecer ao sol pelo seu calor e luminosidade; sentirei que estou
vivendo. Não preciso comprar o canto dos pássaros, nem o murmúrio
das ondas do mar. Vou sorrir mais, cultivar mais amizades e neutralizar as inimizades.
Não julgarei os atos dos meus semelhantes; mas vou aprimorar os meus.
Reservarei minutos de silêncio para ter a oportunidade de ouvir. Não
vou lamentar nem amargar as injustiças; pensarei no que posso fazer para
diminuir seus efeitos. Não vou sofrer por antecipação,
prevendo futuros incertos, lembrando de coisas sobre as quais não tenho
mais ação. Não pensarei no que não tenho e que gostaria
de ter, mas em como posso ser feliz com o que possuo. E o maior bem que possuo
é a própria vida!
Vou lembrar-me de ler uma poesia, ouvir uma canção e dedicá-las
a alguém, sem esperar nada em troca, apenas pelo prazer de ver uma pessoa
sorrir. E quando a noite chegar, olharei para as estrelas, para o luar e agradecerei
a Deus... porque eu fui feliz!
- - -
NATAL E ANO NOVO - 2 Janeiro 2010
Paulo Roberto Labegalini
O Padre Maristelo encaminhou aos agentes da Comunidade Nossa Senhora do Sagrado
Coracão uma mensagem de final de ano com trechos muito bonitos, assim:
“Chegou o Natal. O que dizer? A linguagem é impotente para expressar
a realidade, nos diz a filosofia da linguagem. Para tocarmos a realidade, sobretudo
as mais profundas da vida, só podemos por meio de metáforas, tocando-as
com as pontas dos dedos e não as abarcando com a mão, como se
acaricia o rosto de quem se ama. Metáforas como Moisés tirando
as sandálias diante da sarça ardente.
Com o que poderemos comparar o Natal?
O Natal é como a alegria de um filho que recebe um telefonema de seu
pai depois de anos sem contato nenhum. É isso e muito mais. É
o pai que nos doa o filho para que sejamos filhos no Filho, dando-nos a alegria
e a liberdade de viver.
O Natal é como a alegria de uma família que acolhe uma gravidez
indesejada, mudando a vida, os corações e a reações
das pessoas. É isso e muito mais. É a chegada do desejado, do
esperado desde toda a eternidade, da criança que nos desinstala.
O Natal é como a Maria do presépio de Sartre: ‘A Virgem
está pálida e olha para o menino. O que seria preciso pintar em
seu rosto é uma admiração ansiosa que só apareceu
uma vez num rosto humano. Pois, Cristo é o seu filho, a carne da sua
carne, e o fruto do seu ventre... E em certos momentos a tentação
é tão forte que ela esquece que o menino é Deus. Aperta-o
em seus braços e diz: meu pequeno! Mas, em outros momentos, fica desconcertada
e pensa: Este Deus é meu filho. Esta carne divina é a minha carne.
É feita de mim, tem os meus olhos’. É isso e muito mais.
É a Amada encontrando o seu Amado.
O Natal é também como o José do mesmo presépio de
Sartre: ‘E José? José, eu não o pintaria. Mostraria
apenas uma sombra no fundo do celeiro e dois olhos brilhantes. Pois não
sei o que dizer de José, e José não sabe o que dizer de
si mesmo. Adora e está feliz por adorar e se sente um pouco em exílio.
Creio que sofra sem confessar. Sofre porque vê o quanto a mulher que ama
se parece com Deus, o quanto está perto de Deus. Pois, Deus estourou
como uma bomba na intimidade dessa família. José e Maria estão
separados para sempre por esse incêndio de luz. E toda a vida de José,
imagino, será para aprender a aceitar’. É isso e muito mais.
É José acordando do seu sonho para sonhar o sonho de Deus.
O Natal é como o Menino Jesus de Fernando Pessoa: ‘Depois Ele adormece
e eu o levo no colo para dentro da minha casa, deito-o na minha cama, despindo-o
lentamente, como seguindo um ritual todo humano e todo materno até Ele
estar nu. Ele dorme dentro da minha alma. Às vezes, Ele acorda de noite,
brinca com meus sonhos. Vira uns de pena pro ar, põe uns por cima dos
outros, e bate palmas, sozinho, sorrindo para os meus sonhos. Quando eu morrer,
Filhinho, seja eu a criança, o mais pequeno, pega-me Tu ao colo, leva-me
para dentro da Tua casa. Deita-me na tua cama. Despe o meu ser, cansado e humano.
Conta-me histórias caso eu acorde para eu tornar a adormecer, e dá-me
sonhos Teus para eu brincar’. É isso e muito mais. É o Menino
nos chamando para a manjedoura, nos dizendo que há lugar para nós
na gruta do seu coração.
O Natal é como a Canção Amiga de Drummond: ‘Eu preparo
uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças’.
É isso e muito mais. É uma canção que acorda a criança
adormecida dentro das pessoas e adormece os adultos.
O Natal é como a pergunta de Machado de Assis: ‘Mudaria o Natal
ou mudei eu?’ É isso e muito mais. Muda cada natal, mudamos todos
a cada natal. Mudaríamos no natal?
O Natal é tudo isso e muito, muito mais do que isso. O Natal é
Natal. O Natal é.
Feliz Natal! E muito mais...”
Quanta poesia e imaginação de primeira qualidade do nosso querido
sacerdote, não? São coisas de Deus! Porém, o mundo não
vive somente o Natal, mas também muito mais.
Há muito tempo, Pilatos resolveu lavar as mãos e condenar Jesus
ao invés de Barrabás. Os políticos lavam as mãos
para não condenar os parlamentares por corrupção. Muitos
governos resolveram não tomar providências para evitar o aquecimento
global e, agora, não há retorno para o superaquecimento do Planeta.
Países ricos investem em armamentos de guerra e deixam centenas de milhares
de pessoas morrendo de fome.
Em nome do modernismo, famílias inteiras ficam diante da TV vendo imoralidades,
tipo Big Brother, enquanto igrejas padecem por falta de voluntários que
desejam se salvar. Bebidas são consumidas com exagero em todos os lugares,
tirando a paz de muitos corações que dependem da recuperação
de pessoas viciadas.
Até quando deixaremos nossa sociedade ser violentada pelo mal? Até
quando lavaremos as mãos e ficaremos sem rezar o suficiente para que
as coisas mudem? O relativismo do pecado corrompe os bons costumes e o chamado
de Cristo para que sejamos ‘sal da terra’ e ‘luz do mundo’
fica em segundo plano. Será sempre assim?
Levante suas mãos para o Céu e peça ajuda! Ainda é
tempo de fazer bem feita a sua parte! Lembre que estamos iniciando um feliz
novo ano!