Intenções de Missa
Está bem difundido nas comunidades o costume de anunciar, antes do início da Missa, as intenções pelas quais será celebrada a Eucaristia. Vamos refletir sobre esse procedimento, tentar esclarecer seu significado e alertar quanto a possíveis desvios.
1. O costume de “mandar celebrar Missa”
As pessoas procuram o sacerdote ou vão até a secretaria da igreja
e solicitam que a Missa de um determinado dia, no horário estabelecido,
seja aplicada numa determinada intenção: por alma de um falecido,
ou em ação de graças por um aniversariante, ou pelo sucesso
de uma operação... e assim por diante. O fiel que “manda”
celebrar a missa oferece uma “espórtula”, ou seja, contribui
com um valor em dinheiro que caberá ao sacerdote pela prestação
dos serviços religiosos. Atualmente, mais comum a Missa com intenções
coletivas, ou seja, várias pessoas encomendam suas intenções,
e contribuem com quanto quiserem. A soma dos valores recebidos constituirão
a “espórtula” daquela Missa.
2. O que significa tudo isso? Como é que nosso povo entende esses
procedimentos? Entende que a Missa, que o sacrifício de Jesus
na cruz, tem um valor espiritual infinito. Portanto, aplicar a Missa por um
falecido, por um doente ou em ação de graças é encomendar
a oração mais poderosa que se pode oferecer.
A “espórtula” não pode ser entendida como “pagamento”,
pois o valor da Missa é infinito, não tem preço! A contribuição
seria então uma taxa para o sustento do sacerdote, para cobrir as despesas
de funcionamento da igreja e dos serviços religiosos. Todo mundo sabe
que é as¬sim que funciona em nossas paróquias, em nossas igrejas.
Em princípio, tal costume não merece objeção. Porém,
com frequência, acontecem desvios. Há pessoas que “encomendam”
a missa, mas, não se envolvem, não se interessam pessoalmente
pela celebração; imaginam que sua própria participação
na oração não é nem mesmo necessária, pois
o efeito do sacramento depende apenas do ministro ordenado. Se foi registrada
a intenção, se foi dada a contribuição “devida”,
o efeito seria automático.
3. Qual a maneira correta de colocar as intenções?
Claro que a Eucaristia só pode ser celebrada por um sa¬cerdote. Mas
cada membro da assembleia pode e deve participar ativamente na Missa. A intenção
que foi encomendada deve estar, em primeiro lugar, dentro do nosso próprio
coração. Mais importante e mais relevante que a leitura da lista
de intenções antes do início da Missa, muitas vezes extensa
e monótona, é estar consciente de que podemos nos unir com Jesus
que se oferece no sacrifício do altar, colocando mentalmente nossas intenções.
Interessante é que há momentos específicos para isso na
própria estrutura da celebração:
- quando chegamos à igreja e, em silêncio, nos colocamos diante
do sacrário, fazendo já nossas intenções;
- quando o sacerdote, depois do Ato Penitencial ou do Glória diz “oremos”,
antes da primeira oração da Missa;
- durante as preces dos fiéis (pena que em muitos lugares não
se reserva um tempinho em silêncio para que cada um reze por suas intenções
particulares);
- durante a grande Oração Eucarística, quando se reza pela
Igreja, pelo papa, pelo bispo... é o momento de rezar pelos vivos. É
mais um momento para colocar, em silêncio, nossas intenções
particulares;
- ainda durante a grande Oração Eucarística, quando se
reza pelos que já deixaram esta vida (momento de silêncio). É
o momento de rezar, no silêncio do coração, pelos nossos
falecidos;
- quando se reza pela paz, outro momento privilegiado para colocarmos nossas
inten¬ções, agradecer ou pedir pelos que sofrem ou necessitam
de uma graça especial;
- na hora da comunhão, estando com Ele dentro do coração.
É hora de lhe falar sobre as nossas intenções, na intimidade
e na profundeza da fé.
Pare um pouquinho para pensar: Será que a gente não desperdiça
essas excelentes oportunidades de colocar bem dentro do Coração
de Jesus as nossas intenções, aquelas que de fato podem brotar
do nosso próprio co¬ração. “Mandar celebrar Missa”,
o que relativamente é muito fácil, e depois não participar
devidamente e conscientemente da Eucaristia acaba sendo um aberrante contra-senso.
Você não acha?
Clodoaldo Montoro
(Deus Conosco nº 109, Janeiro de 2011, p.123-124, Editora Santuário)
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* Intenções da Missa: em cada comunidade, o costume
é diferente. Normalmente, as intenções, por falecidos e
outras, são lidas antes da missa. A leitura deve começar com antecedência
suficiente para não atrasar o horário do início da celebração.
As intenções não devem ser lidas depois do Hino de Louvor
depois que o presidente diz “Oremos” (IGMR 32). Às vezes,
é constrangedor dizer “quem encomendou” a missa, porque parece
comércio. Também é delicado o padre ressaltar alguma das
intenções, deixando as outras de lado. Nas comunidades em que
funciona bem o dízimo, não se recebe a espórtula; mas,
o dízimo deve repassar ao padre a respectiva espórtula. Algumas
intenções que citam o nome da pessoa não podem ser lidas:
para que fulano se cure do alcoolismo, para que fulano seja libertado das drogas,
pelo casamento religioso de fulano e fulana... Por isso, cada comunidade tem
que analisar o procedimento com as intenções de missa, bem como
das espórtulas.
Lourenço Mika
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