ELA NÃO FOI AO SHOPPING CENTER

INTRODUÇÃO
À frente da igreja matriz, havia uma praça. Na praça, havia bancos, onde se sentavam os namorados, as mães com os bebês e os compadres. Antigamente, havia bebedouros para os cavalos. Recentemente, foi construída uma pista de skate. Havia carrinhos com venda de pipoca e picolés. Na primavera, o jardim ficava florido. Havia espaço para armar um palanque para o comício político e para as barracas da quermesse. Às vezes, havia apresentações da banda. Ao toque do sino, no dia de Corpus Christi, a procissão. Ao redor da praça, a padaria, o armazém, a calçadaria, o banco, o dentista, o alfaiate, o sapateiro e o barbeiro. A praça era o centro econômico-sócio-cultural.

Os tempos mudaram! Ao lado do cruzamento de duas avenidas expressas, na periferia da cidade, foi construído um Shopping Center - SC, o mercado central. O padeiro mudou-se para o shopping e fez novas instalações para a confeitaria. O barbeiro, alugou uma loja e denominou-a salão-de-beleza. O vendedor de calçados instituiu o seu ponta-de-estoque. O dentista montou uma clínica. O bodegueiro instalou um fast food na praça da alimentação. O banco colocou um caixa eletrônico. O palanque virou sala-de-cinema. O alfaiate e o sapateiro tentaram se instalar no shopping, mas, faliram, porque é mais barato comprar um artigo novo do que consertar o velho. Trata-se de um deslocamento físico e sócio-cultural. O sino da matriz foi substituído pela vitrine, mas ELA NÃO FOI AO SHOPPING.

1 O SHOPPING CENTER
O SC começou a figurar na arquitetura urbana da Europa e dos Estados Unidos por volta de 1960. No Brasil, o primeiro SC surgiu em São Paulo-SP; o SC Iguatemi foi inaugurado aos 27 de novembro de 1966. No ano seguinte, surgiram mais dois, um no Distrito Federal e outro no Paraná. Com a grande urbanização, os SC se firmaram na década de 80. Hoje, até nas pequenas cidades do Brasil, há um shopping.

Há shoppings construídos num modelo de condomínio fechado, onde há um grande módulo construído na posição horizontal que serve para a instalação de lojas e as torres verticais abrigam os apartamentos residenciais. Em Lisboa, o centro comercial Vasco da Gama, localizado à beira do Rio Tejo, por exemplo, tem seu projeto arquitetônico inspirado num navio; quem circula nesse shopping escuta sinais emitidos por um farol marítimo e sente cheiro de maresia no ar, graças a recursos de sonorização e aromatização. Sobre um complexo de 163 lojas, existe uma torre com 135 apartamentos residenciais de alto-padrão.

Do ponto de vista cultural, o espaço social migrou da praça para o shopping. É o novo espaço de lazer e sociabilidade, em especial para jovens; canal alternativo para o comércio varejista, em particular dos bens e serviços ligados ao corpo e a casa, ao gosto e à moda, às classes médias e altas. As pessoas vão ao shopping para comprar comida e roupa, para paquerar, para encontrar amigos, para se fotografar e fazer festinha de aniversário. Em São Paulo-SP, as lojas chiques da Rua Augusta migraram para os SC. Nos shoppings europeus, o lazer chega a responder por mais de 60% da área de vendas. Todos os bens de consumo e serviços estão no shopping. O SC é o local de encontro dos jovens e das crianças. Há cinema e parque infantil. No pátio, até há espaço para a instalação dos circos itinerantes e do playcenter. Porém, o grande público-alvo do SC é a mulher, que assume um perfil de musa romântica todo-poderosa.

Ao atravessar a porta de entrada do SC, o cliente tem a impressão de estar entrando num outro mundo, onde não existe pobreza, miséria, violência; descortina-se um mundo de sonhos bons, felicidade, riqueza e poderio. A arquitetura e a decoração obedecem a mais calculada disciplina ambiental, sugerindo o belo, o bom, o arejado, o cuidado, o limpo, o organizado, o seguro, o confortável. Faça chuva ou faça sol, freqüentar o SC virou hábito. O SC reproduz um útero materno, à prova do barulho da rua, frio e calor, dia e noite; é um ambiente onde tudo é familiar e ao mesmo tempo surpreendente. A antiga praça agora é o SC, por uma questão de transferência do espaço urbano. Nas relações sociais, o SC une pessoas e separa pessoas; é fácil saber tudo sobre uma pessoa que mora a milhares de quilômetros e não saber o nome do dono do apartamento vizinho. O campo e a praia ficam para o período de férias, de preferência com um cybercafe por perto. É a exaltação do viver tecnológico. O Shopping é templo, religião, capitalismo; e o deus é o dinheiro. No início, o SC imaginava ter como clientes as camadas A e B; hoje, também C e D têm acesso a ele, pois é um espaço interclasses.

Do ponto de vista empresarial, o SC é a grande descoberta do investimento imobiliário. A escada rolante se estende desde o estacionamento subterrâneo até o hall da praça da alimentação. O piso do shopping é brilhante. No teto, muita luz. Há muito espelho, inclusive no serviço sanitário. As vitrines se confundem com o mundo real. É a espetacularização do consumo, num universo fantasioso e atemporal; no prédio da Rua 24 horas de Curitiba-PR, até o relógio da porta de entrada tem seus ponteiros grande e pequeno invertidos. O consumidor se confunde com o manequim. Cada produto posto à venda possui um charme conotativamente artístico. O marketing comunicativo está inserido nos produtos da moda. Quem vai ao shopping, homem ou mulher, se produz antes em sua aparência física, pois o espaço social do shopping não permite caipiras; clientes mal trajados correm o risco de não serem atendidos pelos balconistas. Os seguranças se encarregam de banir trombadinhas, mendigos, prostitutas, gangs rebeldes e tipos exóticos. Já os adolescentes classe C e D são sempre bem-vindos porque são os futuros consumidores e mantenedores do sistema; o nome deles, igua-boys, de Iguatemi-boys. Se na década de 1970 era top ser cabeludo, hoje o jovem da hora anda de cabelo com gel. Sorria, você está sendo filmado! O kitsh e o brega se encontram no SC, mas, disfarçados no chique. Mesmo em SC diferentes, há uma padronização das lojas. É o consumo das imagens: vitrinas, néons, simulações de praça, bulevares e calçadões. A linguagem pragmática do vendedor é "Eu tenho o que você precisa!"

Com uma economia dependente da bolsa de valores e do consumo imediato, sabe-se que o investimento feito numa indústria demora em média 10 anos para que haja retorno do capital, enquanto num SC leva a metade do tempo. A tendência é desfigurar as ruas de comércio abundante, sem segurança e sem estacionamento, e levar as lojas para o SC; a calçada foi substituída pelo automóvel. Um grande SC pode receber diariamente de 40 a 80 mil pessoas. O Center Norte de São Paulo-SP recebe mensalmente por volta de seis milhões de pessoas. Quando o SC é voltado para o lazer, é nos finais de semana que recebe seu maior público.

No cenário brasileiro, os SC constituíram-se como símbolos de poder e novo tempo social, voltado para a criação de um universo de fantasia dirigido para o consumo. O SC prima por boa localização, quantidade e qualidade das mercadorias e serviços, economia de tempo, conforto e segurança. A incorporação da imagem como um elemento fundamental na disputa concorrencial possibilitou ao SC, além da criação de um espaço peculiar de persuasão e indução de comportamentos, corporificar importantes unidades simbólicas de reprodução da ideologia dominante. As prefeituras municipais estão sendo obrigadas a remanejar as linhas dos ônibus em vista dos SC.

Em Curitiba-PR, ao lado do terminal de ônibus Campina do Siqueira, o PolloShop possui uma arquitetura original, modelo de shopping. Há uma parte horizontal, destinada para as lojas de roupas, calçados e presentes. Na parte vertical, há quatro torres de 24 andares, com apartamentos residenciais. Os apartamentos foram vendidos a partir do ano 1999; cada torre possui a sua própria portaria e garagem.

Ainda, em Curitiba-PR, há outros SC que tiveram uma origem curiosa. De uma antiga fábrica de objetos metalúrgicos, surgiu o Shopping Muller. A estação ferroviária desativada gerou o Shopping Estação. O quartel do exército cedeu espaço para o Shopping Curitiba. Numa arquitetura moderna, foram construídos o Shopping Crystal, o PolloShop, o Centro Comercial Itália, o Shopping Água Verde, a Rua 24 horas... Em São José do Rio Preto-SP, a moderna catedral possui uma feição de shopping.

2 A IMAGEM ESTÁTICA - PARK SHOPPING BARIGÜI

Uma mulher passeando pelo shopping é o melhor símbolo do consumismo moderno. A partir dos 35 anos, ou pela vida financeira própria ou pela dependência do companheiro conjugal, a mulher é que vai às compras. Ela sempre compra algo para si, para o companheiro e para o filho, depois de um longo window shopping. Muitas delas, inclusive, são portadoras da neurose da compulsão pelo comprar. Uma senhorinha, com seu colante azul, saca da bolsa o celular e liga para a amiga: será que ela se atrasou? Ou não vai vir? Um bom ponto de encontro é na praça da alimentação, ao lado da pizza hut.

As mercadorias são cada vez mais personalizadas. Ela não compra mais tecido; compra a blusinha. No supermarket, não há mais pacote de 5 kg de açúcar, mas pacote de 500 gramas, e até o sachê que adoça um único cafezinho. A peça de alcatra se resume a uma bandejinha com dois bifes. Não há mais uma cabeça de repolho; há um topware descartável com alguns gramas de salada mista fatiada.

Em novembro de 2003, está sendo inaugurado o moderno Park Shopping Barigüi. Com vários meses de antecedência, a gráfica MKT foi contratada para produzir os anúncios do SC nascente. A campanha ganhou o slogan "Mulheres: o paraíso existe.E inaugura em novembro" - Park Shopping Barigüi, a novidade cheia de novidades. Palavras-chave: mulheres, paraíso, inaugura, novembro. Em locais estratégicos da cidade, foram instalados quatro front lighs (luz frontal), sendo um deles de duas faces, um triedro e um top site, explica a diretora da Agência Loduca, Sra. Danielle Cristiane Béllio (Fone 3021-3843).


A imagem da mulher - a modelo, cuja foto aparece na campanha do Park Shopping Barigüi, foi escolhida de uma forma curiosa. A postura corporal dela expressa a idéia do paraíso. Ela é jovem, embora não muito mocinha, não conhecida do grande público curitibano, o que passa a idéia de algo novo. O vestido cinza-azul, parecido com uma camisola, é simplesmente sedutor, desvelando um corpo sensual. O olhar brilhante exerce um fascínio fatal. As pernas abertas... O cabelo solto e não sofisticado expressa que ela não é inacessível. A maquiagem simples e equilibrada evidencia alguém muito familiar. A sandália com salto alto é um misto de sensualidade e descontração. A ausência de brincos, pulseiras e anéis primam pela simplicidade. A alcinha caída por sobre o braço convida ao desnudamento. A unhas da mão e do pé denotam conforto. O equilíbrio entre o batom nos lábios, o cabelo solto e a expressão facial revelam um quê de bem-estar interior. A mascarada ingenuidade marota da composição toda arrasta para o shopping. Ao fundo, em verde-esperança, funde-se o logotipo do Park Shopping Barigüi. Em nível inconsciente e consciente do leitor, a jovem é a imagem da sedução pelo shopping.

Os anúncios foram colocados nos seguintes locais: no próprio prédio do Park Shopping Barigüi, no prolongamento da Rua Padre Agostinho; na Rua Cândido Hartman, 2060, próximo ao Parque Barigui; na Rua Martim Afonso, 1610, no Bigorrilho; na Rua Silva Jardim, 1060; na Rua Brigadeiro Franco, 1513. A empresa contratada para a veiculação da campanha foi a Projeta Comunicação, tendo como diretor de arte o Sr. Flávio (Fone 3019-8400). Os anúncios se restringiram aos front lights e outdoor; não foram veiculados na mídia impressa e nem na televisiva.

3 A IGREJA E A COMUNICAÇÃO

Um templo moderno deve primar pela qualidade nestes aspectos: visualização, sonorização, iluminação, climatização, decoração, comunicação... Ao pensar em construir uma nova igreja, deve-se primeiramente elaborar o projeto acústico, o projeto arquitetônico, o projeto de iluminação, o projeto de climatização, o projeto de decoração; e não como às vezes se faz, em que um grupo de voluntários, em mutirão, começa a erguer paredes, sem a menor noção como deveria ser um templo. Dentro do SC ou fora dele, sobretudo, o templo tem que se configurar como um espaço sagrado. Como? Vejamos:

3.1 Visualização - A arquitetura das igrejas medievais valorizava a luz e a acústica naturais. Quando o padre gritava no ambão, sempre localizado numa lateral da nave maior, o grito ecoava nas altas ogivas. A torre era alta para ser vista de longe e para que os badalos do sino se propagassem na maior distância possível. As estátuas, as pinturas e os vitrais formavam um visual artístico formidável. A arquitetura dos templos de hoje têm que ser adaptada para a acústica (áudio) e visualização (imagem) favorecidos pela tecnologia. A igreja não precisa ser alta e nem precisa das ogivas geradoras do eco nocivo. O templo pode ser esférico, orbital, piramidal, oval, em forma de meia-lua... Numa arquitetura oval parece que fica mais fácil de situar cada detalhe, deixando a capela do Santíssimo pra fora do plano ovalar. Importante que o padre e a equipe litúrgica sejam vistos e ouvidos. A Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia devem ficar vários degraus acima dos fiéis. Os músicos podem ficar num tablado.As folhas de cânticos e os folhetos litúrgicos podem ser substituídos pela projeção através do datashow, aparelho que projeta no telão a partir do computador, ou do DVD ou da câmera; o telão tem que ser visto por todos.

3.2 Sonorização - Cabe aos peritos em acústica e sonorização, a instalação de um bom equipamento de sonorização numa Igreja. Cabe à comunidade treinar alguém para ser o operador do equipamento de som; deve ser alguém que entende de eletrônica e que entende de liturgia. Para testar o microfone, deve-se falar algumas frases úteis; não se deve assoprar no microfone, nem falar "alô", nem dar "tapas" no microfone. O microfone esteja revestido de espuma para neutralizar a interferência do vento e da respiração. Diferenciar microfone de palco (sorvete), de lapela, sem-fio, de orelha; o microfone, quanto mais caro, normalmente tem mais qualidade. Na regulagem, para a voz humana, não exagerar nos sons graves. Dicas para quem usa o microfone: falar alto (sem gritar), devagar, com naturalidade; pronunciar bem as palavras, com o sotaque de origem; ler como se não estivesse lendo; cuidar da respiração, sem sorver o ar; manter a distância correta entre a boca e o microfone, falando na direção do microfone; evitar que pessoas não treinadas façam leituras no microfone; além de terem voz boa, os membros da equipe litúrgica devem se vestir adequadamente.

3.3 Iluminação - O projeto arquitetônico deve privilegiar a luz natural e dar condições para uma iluminação artificial adequada para cada momento. A luz natural deve ser direcionada a partir do povo para o altar. A Mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia devem ficar bem iluminadas, de dia ou de noite. As janelas, acionadas por controles eletrônicos, têm que dar condições de escurecer levemente o ambiente na hora das projeções no telão. Um casamento celebrado à luz de velas pode ficar interessante desde que não haja equipe de filmagem utilizando uma lâmpada portátil de mil watts.

3.4 - Climatização - Prevenindo frio ou calor, o templo deve ter ar condicionado; o aparelho de climatização deve ficar do lado de fora para evitar ruídos sonoros. Valorizar a ventilação natural, pois de nada adianta deixar as janelas fechadas e ligar um ventilador.

3.5 - Decoração - flores, velas (já existe a vela eletrônica), estátuas, vitrais, quadros, ícones da via-sacra, alfaias sagradas, lecionário, missal, mesa da palavra, mesa da eucaristia, bíblia sagrada, piso, paredes, teto... todos esses elementos devem remeter ao sobrenatural.

3.6 - Comunicação - O templo se caracteriza pela comunicação entre o elemento humano e o ser divino, na base da fé na vida sobrenatural do homem. Mesmo na pós-modernidade, ainda há espaço para a religião e para a mística. O badalo do sino é convite à oração, isto é, ao diálogo entre o homem e Deus. Hoje, o sino é substituído por um CD. O coral de música sacra é substituído pelo cântico de todos os fiéis. O órgão de tubos, pesando toneladas, foi substituído por um teclado eletrônico.

4 A IGREJA NO SC

No passado, através de ofertas e donativos, a Igreja construiu templos, hospitais, colégios, asilos, orfanatos... Hoje, a Igreja se sustenta através do dízimo. É bem mais barato alugar uma loja no SC do que construir um templo frente à praça, como antigamente. Por isso, a parte financeira não chega a ser um empecilho. Os paroquianos, cadastrados por internet, receberão mensagens espirituais a partir da capela, por e-mail; e também poderão fazer a sua oferta financeira pela internet, não dispensando, ocasionalmente, uma visita presencial à capela. Uma capela no SC pode ter uma sala para atendimento individual por parte do ministro sagrado e uma outra sala para a prece individual ou coletiva. Experiência bem sucedida é a das Livrarias Paulinas, dado que todas as lojas possuem uma capela, ainda que não estejam localizadas em SC.

Eis a lista de algumas capelas instaladas em SC:
- Santafe de Bogotá, Colômbia: há uma capela instalada numa sala de um SC; as missas são oficiadas no corredor do SC.
- Shopping Amoreiras Center, em Lisboa-Portugal: há uma capela.
- Shopping Colombo, em Lisboa-Portugal: capela de Nossa Senhora das Descobertas, que pode abrigar cerca de 100 pessoas. Tem missa aos sábados às 18:30 horas e aos domingos às 11:30 e 18:30 horas. Tem reza de terço diário.
- Parque Dom Pedro, em Campinas-SP, o maior shopping da América Latina: inaugurado no início de 2002, terá uma capela. Na época da inauguração o povo da Arquidiocese ficou discutindo se era viável ou não. O tema foi, inclusive, objeto de reflexão na preparação do 6º Plano de Pastoral Orgânica da Arquidiocese de Campinas.
- Shopping Araguaia, em Goiânia-GO, que abriga o Terminal Rodoviário: há uma capela, na qual funciona a Pastoral do Migrante.
- Shopping Barra, no Rio de Janeiro: possui uma capela.
- Shopping Conjunto Nacional, em Brasília-DF, no Plano Piloto: capela católica com missa todos os sábados às 16 horas. As Irmãs Canisianas têm uma livraria e no andar de cima com uma capela.
- Shopping Del Paseo, em Fortaleza-CE: capela católica aguardando autorização da Arquidiocese.
- Shopping Del Rey, em Belo Horizonte-MG: Capela São Judas Tadeu, na Avenida Carlos Luz, 3001, bairro Caiçaras. Há celebração de missa todos os dias às 12:00 horas; no dia 28 de outubro há uma missa campal no estacionamento do shopping. A capela é cuidada pela Comunidade Católica Nova Aliança, fone (31) 443-4813.
- Shopping Graal, às margens da Via Fernão Dias, entre Lavras-MG e Perdões-MG: ao lado do shopping; há uma capela que funciona como ponto de apoio para passageiros que fazem baldeação nas várias linhas de ônibus. A capela funciona para orações, reflexão e meditação, enquanto se espera a continuação da viagem. É silenciosa, pequena, íntima, poucas imagens, bancos simples, luzes opacas semelhantes ao pôr-do-sol.
- Shopping Iguatemi, na Av. Tancredo Neves, 148, em Salvador-BA: a capela fica aberta durante o horário do shopping, das 09:00 às 22:00 horas, e há missa de segunda-feira a sábado, às 12:30 horas. Na verdade, funciona como uma comunidade mesmo. A responsabilidade pela pastoral é da Renovação Carismática Católica e a cada dia um padre diferente preside a celebreação.
- Shopping Morumbi, em São Paulo-SP: há um centro ecumênico, aberto ao público de todas as religiões e não tem nenhuma programação.
- Shopping Rodoviária, em Porto Alegre-RS, na Estação Rodoviária: há uma Capela. É um serviço das Missionárias Scalabrinianas, para atender os migrantes, que chegam à cidade sem nenhuma perspectiva de futuro. Toda última quinta-feira do mês é rezada uma missa, às 15:30 horas.
- Shopping Sinos, em São Leopoldo-RS: há uma capela centenária incrustada no shopping, pois a construção deste ficou por cima da capela, ficando a fachada para fora; há um corredor da parte de dentro do shopping para a capela. Hoje o shopping está fechado.
- Shopping Vitória, em Vitória-ES: uma pequena capela.
- Shopping Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos-SP: há uma capela ecumênica.
- Restaurante Lago Azul, às margens da Rodovia Bandeirantes na via de São Paulo para o interior próximo ao km 75, há uma capela.

CONCLUSÃO

No templo do consumo - SC - já é QUASE possível orar. Na Bíblia Sagrada, a Igreja é chamada de Esposa de Cristo. Carta de São Paulo aos Efésios, capítulo 5 - "25Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, 26para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, 27para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5, 25-27). A cultura ocidental é predominantemente cristã e até católica. Porém, no Pós-Modernismo, a igreja já não é mais a dona da feira, mas possui apenas uma barraca na feira. A mulher se emancipou. O SC não depende dos valores religiosos. Se na Idade Média o prédio mais alto do burgo era a torre da igreja, hoje a torre da igreja desapareceu em meio aos arranha-céus das metrópoles.

No pátio do Santuário Nacional, Basílica de Aparecida, Aparecida-SP, foi construído um shopping; dentro do shopping, nada de capela, pois ELA - a Igreja - não foi ao SC. Até em alguns hotéis, escolas, restaurantes e hospitais há capelas. Antigamente, as pessoas diziam ir à igreja para adquirir o bem-estar interior; parece que esse bem-estar alojou-se no SC. Bens e serviços migraram para o SC; a igreja, não. Alguns templos se modernizaram, mas estão alojados fora do SC, o que gera vantagens e desvantagens. Os valores do consumo passaram a fazer sombra para os valores religiosos. As pouquíssimas capelas instaladas em alguns SC são absolutamente insignificantes. Nos modernos SC tudo se passa dentro do condomínio: moradia, trabalho, mercado, escola, lazer; e por quê, para orar, o fiel tem que ir para fora do SC? Pela estatística do CERIS, Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais, apenas 15% dos católicos freqüentam o templo, ainda que ocasionalmente. Será que ELA irá ao shopping?


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- PINTAUDI, Silvana Maria; FRÚGOLI JR, Heitor. Shopping Centers, Espaço, Cultura e Modernidade nas Cidades Brasileiras. Editora Unesp, São Paulo-SP, 1992.
- SILVA FILHO, Genésio Zeferino da. Comunicação e Pastoral,como melhorar a comunicação nas ações e eventos pastorais. Editora Salesiana. São Paulo, 2001.
- http://www.ceris.org.br


Lourenço Mika, jornalista
lmaikol@uol.com.br - www.maikol.com.br
Curitiba, outubro de 2003.

* Sabendo mais do que aparece acima, sobre capela em SC, me informe...