LITURGIA
DA MISSA
Elaborado por Odaril José da Rosa
A missa, ou celebração da Eucaristia, não
é a oração de um só homem, pois já não
basta rezar só em casa; a igreja sempre foi e continua sendo a casa
de Deus e o lugar de oração em comunidade. Jesus freqüentava
o Templo em Jerusalém com Maria, José e os Apóstolos.
Jesus já dizia: "se dois de vós se unirem sobre a terra
para pedir, o que seja, conseguirão de meu Pai que está nos
céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome,
ai estou eu no meio deles" (Mt 18, 19-20).
É bom que cada fiel católico entenda bem cada parte da missa
a fim de que a Santa Eucaristia não se constitua em um mero rito mecânico,
onde as pessoas só "copiam" o que as outras fazem (gestos,
sinal da cruz, genuflexão, etc.) sem entender exatamente o que está
acontecendo. A missa é igual para toda a Assembléia, mas a maneira
de cada um participar pode ser diferente, pois depende da fé que as
pessoas têm e também do grau de formação na religião.
Às vezes vamos fazendo muitas coisas sem saber por quê. Para
participar da missa com fé e alegria, além da sua formação
catequética básica, o fiel deve conhecer todas as etapas da
liturgia da missa, pois ninguém ama o que não conhece.
Nosso objetivo é apresentar alguns fundamentos básicos da liturgia
da missa a fim de que o fiel católico tire todo o proveito espiritual
que a Santa Eucaristia oferece para todos nós, há quase dois
milênios a fio. O fiel católico deve ser, sobretudo, um fiel
bem informado; se não nos salvarmos a culpa é nossa, já
dizia São João Crisóstomo.
PARTES DA MISSA
A missa é composta pelas seguintes etapas:
· Abertura da Celebração;
· Liturgia da Palavra;
· Liturgia Eucarística;
· Rito Final
§ ABERTURA DA CELEBRAÇÃO
Observando-se a Liturgia da Missa, vemos que ela inicia-se com o canto e a
procissão de entrada. A seguir, o sacerdote dialoga com a comunidade,
acolhendo-a em nome de Deus. Segue-se o ato penitencial, as aclamações
e súplicas e a oração conclusiva.
Estes ritos têm por finalidade:
o Reunir os fiéis, possibilitando-lhes uma comunhão;
o Dispô-los a ouvir com proveito a Palavra de Deus;
o E a celebrar frutuosamente a Eucaristia.
O Canto De Entrada e "Sinal da Cruz"
O canto está a serviço do louvor de Deus e de nossa santificação.
Quem canta, reza duas vezes. Não é apenas para embelezar a Missa,
mas para nos ajudar a rezar. O canto de entrada deverá estar em plena
sintonia com o momento litúrgico que se celebra. Ele tem a função
de:
o Favorecer a união dos fiéis;
o Criar um clima festivo;
o Introduzir o povo no mistério ou festa celebrados;
o Acompanhar a procissão de entrada do celebrante e ministros.
Durante o Canto de Entrada, o celebrante que preside a Missa, acompanhado
dos Ministros ou Acólitos, dirige-se para o altar. Faz uma inclinação
profunda e depois beija o altar. O beijo tem um endereço: não
é propriamente para o mármore ou a madeira do altar, mas para
o Cristo, que é o centro de nossa piedade. A procissão de entrada
deve ser solene, passando pelo meio do povo, especialmente nos dias festivos.
Neste momento o Presidente faz o sinal da cruz e toda a Assembléia
o acompanha, dizendo ao final, Amém. A expressão "Em nome
do Pai e do Filho e do Espírito Santo", tem um sentido bíblico:
não quer dizer apenas o "nome", como para nós, ocidentais.
"Nome", em sentido bíblico, quer dizer a própria pessoa.
Isto significa dizer que iniciamos a Missa colocando a nossa vida e toda a
ação nas mãos da Santíssima Trindade.
O diálogo do Celebrante com o povo
Estabelece uma comunicação inicial, criando a comunhão.
Pela saudação, o celebrante significa à Assembléia
a presença do Senhor no meio do seu povo. A resposta é o reconhecimento
desta presença. O diálogo simboliza o mistério da Igreja
reunida e vem atualizar o encontro de Cristo com o seu povo.
Preparação Penitencial
Os fiéis, unidos pelos cantos e diálogos, conscientes de sua
reunião em Cristo e de sua presença na assembléia confessam
que são pecadores se reconciliam entre si e com Deus.
Após um momento de silêncio, usa-se uma das seguintes fórmulas:
I Formula
TODOS: Confesso a Deus todo-poderoso / e a vós, irmãos, / que
pequei muitas vezes / por pensamentos e palavras, / atos e omissões,
/ (e, batendo no peito, dizem) por minha culpa, minha tão grande culpa.
/ E peço à Virgem Maria, / aos anjos e santos / e a vós,
irmãos, / que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.
II Formula
CEL: Senhor, que viestes salvar os corações arrependidos, tende
piedade de nós.
ASS: Senhor, tende piedade de nós.
CEL: Cristo, que viestes chamar os pecadores, tende piedade de nós.
ASS: Cristo tende piedade de nós.
CEL: Senhor, que intercedeis por nós junto do Pai, tende piedade de
nós.
ASS: Senhor, tende piedade de nós.
CEL: Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos
pecados e nos conduza à vida eterna.
ASS: Amém!
Canto do Glória
É o hino pelo qual a Igreja louva, agradece e suplica ao Pai, ao Filho
e ao Espírito Santo.
O Canto do Glória é um hino antiqüíssimo e venerável,
pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica
a Deus Pai e ao Cordeiro, é cantado pela Assembléia dos fiéis
ou pelo povo que o alterna com o grupo de cantores ou pelo próprio
grupo de cantores. Se não for cantado, dever ser recitado por todos,
juntos ou alternadamente.
O Canto do Glória é cantado ou recitado aos domingos, exceto
no tempo do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e ainda em celebrações
especiais mais solenes.
Oração do dia (coleta)
O celebrante, em nome de toda a Igreja reunida, se dirige a Deus, por intermédio
de Jesus Cristo. Há sempre uma oração do dia para cada
momento litúrgico, conforme estabelece o Missal Romano, cuja versão
para a língua portuguesa, para o Brasil, foi aprovada pela Comisssão
Episcopal de Textos Litúrgicos (CETEL), da CNBB, em uso desde 25/09/91.
A oração da coleta exprime a índole da celebração
e dirige, pelas palavras do celebrante, uma súplica a Deus Pai, por
Cristo, no Espírito Santo.
Aqui todos os fiéis oram, em silêncio, por algum tempo. No fim
da oração a Assembléia aclama com um Amém. Em
seguida todos se sentam para ouvir com atenção a Liturgia da
Palavra.
§ LITURGIA DA PALAVRA
A Liturgia da Palavra é composta por:
o Leituras: Antigo Testamento, Novo Testamento, e Evangelho.
o Cânticos Interlecionais: Salmo responsorial ou canto de meditação
e Aclamação ao Evangelho.
o Homilia
o Profissão de Fé
o Oração Universal (Prece dos Fiéis).
Leituras
Através das leituras Deus fala a seu povo. Como por tradição,
o ofício de proferir as leituras não é função
presidencial, mas ministerial, convém que via de regra o diácono,
ou na falta dele outro sacerdote, leia o Evangelho; o leitor faça as
demais leituras.
Cânticos
Através dos cânticos, a Assembléia responde a Deus. O
salmo responsorial ou gradual é tirado do Lecionário, pois cada
um de seus textos se acha diretamente ligado à respectiva leitura;
assim a acolhida dos salmos depende das leituras.
O cântico de aclamação ao Evangelho é feito através
do "Aleluia" ou outro canto de acordo com o tempo litúrgico,
preparado pela Equipe de Liturgia. O "Aleluia" é cantado
em todos os tempos, exceto na Quaresma.
Homilia
É a explicação da Palavra do Senhor. Convém que
seja uma explicação de algum aspecto das leituras da Sagrada
Escritura ou de outro texto do Ordinário ou próprio da Missa
do dia, levando em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades
particulares dos ouvintes.
Profissão de Fé
A oração do Creio é a adesão da comunidade à
Palavra do Senhor. Ela tem por objetivo levar o povo a dar seu assentimento
e resposta à palavra de Deus ouvida nas leituras e na homilia, bem
como lhe recordar a regra da fé antes de iniciar a celebração
da Eucaristia. Quando cantado, deve sê-lo por todo o povo, seja por
inteiro, seja alternadamente.
Oração Universal ou Prece dos Fiéis
É a súplica comunitária pelas necessidades da Igreja
universal, do mundo e Igreja local. Ela encerra a Liturgia da Palavra. Os
fiéis fazem essas orações confiando em Jesus, que disse:
"Pedi e recebereis, buscai e encontrareis, batei e a porte se abrirá.
Porque todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e a quem bate se abrirá"
(Mt 7, 7-8). Convém que, normalmente, se faça esta oração
nas Missas com o povo, de tal sorte que se reze pelas seguintes intenções:
o Pelas necessidades da Igreja;
o Pelos poderes públicos e pela salvação de todo o mundo;
o Pelos que sofrem qualquer necessidade;
o Pela comunidade local.
É bom que se faça preces curtas e bem objetivas, colocando-se
em mente que não se trata de uma pequena homilia particular, com textos
longos e verdades próprias. A participação do leigo,
com orientação das Equipes de Liturgia, é de fundamental
importância. Além das preces já preparadas previamente
é importante que o celebrante incentive a Assembléia a fazer
outras preces complementares, caso haja condições práticas
para tal (Assembléias pequenas, etc.).
§ LITURGIA EUCARÍSTICA
Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e a ceia pascal,
que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cruz, quando
o sacerdote, representante do Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo que o Senhor
fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memória.
É composta pelas seguintes partes:
o Preparação dos dons;
o Oração Eucarística
o Ritos da Comunhão.
Preparação dos dons ou das ofertas
Na Preparação sobre as oferendas, levam-se ao altar o pão
e o vinho com água, isto é, aqueles elementos que Cristo tomou
em suas mãos. Em primeiro lugar prepara-se o altar ou mesa do Senhor,
que é o centro de toda a liturgia eucarística, colocando-se
nele o corporal, o purificatório, o Missal Romano e o cálice,
a não ser que se prepare na credência (mesa junto ao altar, onde
se colocam as galhetas e outros acessórios da missa). A seguir trazem-se
as oferendas. É louvável que os fiéis apresentem o pão
e o vinho que o sacerdote ou o diácono recebem em lugar conveniente
e depõem sobre o altar, proferindo as fórmulas estabelecidas.
Também são recebidos o dinheiro ou outros donativos oferecidos
pelos fiéis para os pobres ou para a Igreja, ou recolhidos no recinto
dela; serão, no entanto, colocados em lugar conveniente, fora da mesa
eucarística. Em seguida o celebrante lava as mãos, exprimindo
por esse rito o seu desejo de purificação interior.
Aqui, o celebrante levanta a patena com o pão dizendo:
CEL: Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos
de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos,
e para nós se vai tornar pão da vida.
Se não houver o canto do ofertório o povo poderá aclamar:
ASS: Bendito seja Deus para sempre!
O celebrante derrama vinho e um pouco de água no cálice, rezando
em silêncio:
CEL: (reza em silêncio) Pelo mistério desta água e deste
vinho possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir
a nossa humanidade.
Em seguida o celebrante reza:
CEL: Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de
vossa bondade, fruto da videira e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos
e para nós se vai tornar vinho da salvação.
Se não houver o canto ao ofertório, o povo poderá aclamar:
ASS: Bendito seja Deus para sempre!
O celebrante, inclinado, reza em silêncio:
CEL: De coração contrito e humilde, sejamos Senhor, acolhidos
por vós; e seja o vosso sacrifício de tal modo oferecido que
vos agrade, Senhor, nosso Deus.
O sacerdote lava as mãos, dizendo em silêncio:
CEL: Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado.
Agora, o celebrante faz a oração sobre as ofertas:
CEL: Orai, irmãos, para que o nosso sacrifício seja aceito por
Deus Pai todo-poderoso.
ASS: Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória
do seu nome, para no nosso bem e de toda a santa Igreja.
O celebrante agora profere a oração sobre as ofertas, que é
tirada do Missal Romano e é própria de cada celebração,
de acordo com o momento litúrgico. No fim a Assembléia responde
com "Amém".
Oração Eucarística
Na Oração Eucarística rendem-se graças a Deus
por toda a obra salvífica e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de
Cristo. Pela fração do mesmo pão manifesta-se a unidade
dos fiéis e pela comunhão os fiéis recebem o Corpo e
o Sangue do Senhor como os Apóstolos o receberam das mãos do
próprio Cristo.
É o ponto central da ação litúrgica: é
a ação de graças e consagração.
Por ela os fiéis se unem a Cristo para proclamar as maravilhas de Deus
e oferecer o verdadeiro sacrifício: oferecem o Cristo, pelo sacerdote;
e unidos a Cristo, oferecem a sim mesmos ao Pai.
Inicia-se pelo prefácio do celebrante, que é sempre oração
de ação de graças pela obra da salvação
e de glorificação ao Pai. O prefácio é variável
e há um ou mais para cada tempo da Liturgia, conforme o Missal Romano.
Por exemplo: Prefácios do Advento, do Natal, da Epifania, da Quaresma,
da Paixão, da Páscoa, da Ascensão do Senhor, do Pentecostes,
de Cristo Rei, da Eucaristia, da Santíssima Trindade, de nossa Senhora,
de São José, dos Apóstolos, dos Santos, dos Mártires,
dos Pastores, das Virgens e Religiosos, dos Anjos, dos Mortos e diversos Prefácios
do Tempo Comum, além de alguns Prefácios especiais que fazem
parte da Oração Eucarística. O prefácio é
um hino de "abertura" que nos introduz no Mistério Eucarístico.
Por isso, o presidente convida a Assembléia para elevar os corações
a Deus, dizendo: "Corações ao alto!". É um
hino que proclama a santidade de Deus e dá graças ao Senhor.
O final do prefácio é sempre igual. Termina com esta aclamação
"Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O céu e a terra
proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em
nome do Senhor! Hosana nas alturas!" Às vezes, quanto o "Santo"
é cantado, mudam-se algumas palavras. Mas o sentido deve permanecer
o mesmo. Em geral, é cantado nas Missas dominicais e recitado nas Missas
simples do meio da semana. O "Santo" é tirado do profeta
Isaías (6,3), o qual teve a seguinte visão: Serafins, no Templo,
aclamavam em alta voz: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos
exércitos! Toda a terra está cheia de sua glória!"
A repetição, dizendo três vezes "Santo", é
um reforço de expressão para significar o máximo de santidade.
É como se dissesse que Deus é "Santíssimo".
O que o profeta Isaías quer dizer é que ele é um homem
de lábios impuros, indigno de falar em nome de Deus, e que, no entanto,
viu a glória do Senhor no templo. Por isso estava atemorizado e dizia:
"Ai de mim, estou perdido!" Então veio um anjo e purificou
os seus lábios com uma brasa viva. Esta passagem é uma lição
para nós, que participamos da Eucaristia. Também nós
somos pecadores, de lábios impuros, e estamos nos preparando para receber
o Corpo do Senhor em nossa boca.
O Missal Romano apresenta cinco Orações Eucarísticas
básicas que contemplam os seguintes aspectos:
A Igreja invoca o Pai para que sejam consagrados os dons oferecidos pela comunidade.
(Orações Eucarísticas I e III)
A Igreja invoca o Pai para que sejam consagrados os dons oferecidos pela comunidade.
Os dons apresentados, pela ação do Espírito Santo, se
tornarão corpo e sangue do Senhor (Orações Eucarísticas
II e IV);
A ação de graças se prolonga: a criação
do homem a desobediência deste e o socorro salvífico, anunciado
na esperança dos profetas, e na encarnação do Filho de
Deus, que se entregou à morte, mas ressuscitou glorioso, enviando o
Espírito Santo para levar à plenitude a obra da redenção
(Oração Eucarística IV, pag. 488 do Missal Romano).
A Igreja intercede pelo santo padre, pelo bispo local e por todos os presentes
(todas as Orações Eucarísticas);
A Igreja da terra se une aos santos do céu (Oração Eucarística
I, pág. 469);
Os dons apresentados pela ação do Espírito Santo se tornarão
corpo e sangue do Senhor (Orações Eucarísticas I e III);
A narrativa da Instituição revive a última ceia na qual
Cristo instituiu o sacramento de sua paixão e ressurreição
(todas as Orações Eucarísticas);
A Igreja rememora o oferecimento do próprio Cristo ao Pai, recordando
sua paixão, ressurreição e ascensão ao céu.
É o verdadeiro ofertório da missa (todas as Orações
Eucarísticas);
As intercessões são a prece pela qual se manifesta que a celebração
eucarística é feita em união com toda a Igreja, a da
terra e a do céu, pelos vivos e mortos (todas as Orações
Eucarísticas);
A doxologia (forma de louvor à glória de Deus) final é
a expressão da glorificação de Deus, uno e trino, que
a comunidade ratifica (todas as Orações Eucarísticas);
A igreja reconhece a necessidade de louvar a Deus. Este louvor leva a Igreja
a ser santa (Oração Eucarística V, página 495
do Missal Romano).
Um detalhe interessante a ser observado pela Assembléia é o
anúncio, pelo celebrante, de "Tudo isto é Mistério
da Fé!", proferido logo após a narrativa da Instituição;
nesse momento todos os que se ajoelharam deverão ficar de pé
e recitar de alto e bom som a seguinte citação:
Toda vez que se come deste pão, toda vez que se bebe deste vinho, se
recorda à paixão de Jesus Cristo e se fica esperando a sua volta.
O Missal Romano apresenta ainda Orações Eucarísticas
para diversas circunstâncias com Missas com crianças (I, II e
III), sobre reconciliação (I, pág 866 e II, pág
871) entre outras.
Ritos da Comunhão
Visam preparar os fiéis para receberem o corpo e o sangue do Senhor
como alimento espiritual.
o Na Oração do Senhor, o Pai-Nosso, os fiéis vivenciam
os seguintes aspectos:
o Todos sentem com filhos do mesmo Pai que está nos céus;
o Pedem o pão de cada dia e a vinda do reino de Deus;
o Imploram o perdão e perdoam seus irmãos.
A seguir a Assembléia pede paz e unidade para a Igreja. Saúdam-se
todos, fraternalmente, no amor do Senhor. No abraço da paz todos, segundo
o costume do lugar, manifestam uns aos outros a paz e a caridade. Ao cumprimentar
o seu irmão, pergunte pelo nome dele, repetindo-o na sua saudação.
Fica mais elegante e aproximam mais as pessoas.
Ao término todos voltam a fazer silêncio para que haja um clima
de comunhão associado às orações do momento. Aqui
o celebrante parte o pão e coloca um pedaço no cálice,
rezando em silêncio: "Esta união do corpo e do sangue de
Jesus, o Cristo e Senhor nosso, que vamos receber, nos serva para a vida eterna!"
Enquanto isso a Assembléia canta ou recita o "Cordeiro de Deus".
A seguir o celebrante reza em silêncio: "Senhor Jesus Cristo, Filho
do Deus vivo, que cumprindo a vontade do Pai e agindo com o Espírito
Santo, pela vossa morte destes vida ao mundo: livrai-me dos meus pecados e
de todo mal; pelo vosso corpo e pelo vosso sangue, dai-me cumprir sempre a
vossa vontade e jamais separar-me de vós".Ou ainda: "Senhor
Jesus Cristo, o vosso corpo e o vosso sangue, que vou receber, não
se tornem causa de juízo e condenação; mas, por vossa
bondade, sejam sustento e remédio para minha vida".
Agora temos a comunhão propriamente dita, sendo o momento da participação
mais perfeita: comunhão com Cristo após a comunhão com
os irmãos. O sacerdote diz em voz alta: "Felizes os convidados
para a ceia do Senhor! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo".
Agora ele acrescenta, com o povo: "Senhor, eu não sou digno de
que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo". Em
seguida ele reza em silêncio: "Que o corpo de Cristo me guarde
para a vida eterna". Ele comunga o corpo de Cristo e depois reza em silêncio:
"Que o sangue de Cristo me guarde para a vida eterna".Nesse momento
ele comunga o sangue de Cristo. A seguir, o celebrante e/ou diácono(s)
e ministros da eucaristia toma o cibório e diz a cada um dos que vão
comungar: "O corpo de Cristo". O que vai comungar responde: "Amém!".
Enquanto o celebrante comunga o corpo de Cristo, inicia-se o canto da comunhão.
Ao final, enquanto faz a purificação o celebrante reza em silêncio:
"Fazei, Senhor, que conservemos num coração puro o que
nossa boca recebeu. E que esta dádiva temporal se transforme para nós
em remédio eterno".É aconselhável guardar um momento
de silêncio ou recitar algum salmo ou cântico de louvor.
RITO FINAL
Conhecido como o Rito da Bênção, é o desfecho da
Santa Eucaristia. Após os comunicados e avisos importantes a serem
apresentados à comunidade é uma boa prática que a Equipe
de Liturgia indique à Assembléia o compromisso da semana, baseada
na liturgia que acaba de ser desenvolvida.
Ao dar a bênção, o celebrante traça uma cruz sobre
a Assembléia, e todos podem inclinar a cabeça. Existem outras
fórmulas de bênçãos mais solenes, de acordo com
a festa litúrgica. Eis, por exemplo, a bênção que
o Missal Romano traz para o primeiro dia do ano:
CEL: Que Deus todo-poderoso, fonte e origem de toda a bênção
vos conceda a sua graça, derrame sobre vós as suas bênçãos
e vos guarde sãos e salvos todos os dias deste ano!
ASS: Amém!
CEL: Que vos conserve íntegros na fé, pacientes na esperança
e perseverantes até o fim na caridade!
ASS: Amém!
CEL: Que Ele disponha na sua paz os vossos atos e vossos dias, atenda sempre
vossas preces e vos conduza à vida eterna!
ASS: Amém!
CEL: A bênção de Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito
Santo, desça sobre vós e permaneça para sempre!
ASS: Amém!
O celebrante pode também abençoar com outras palavras, de acordo
com as circunstâncias. Os franciscanos, por exemplo, utilizam muito
a oração conforme Nm 6, 22-27, que diz: "O Senhor te abençoe
e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja
benigno; o Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a paz".
Cada fiel deve se colocar pessoalmente sob aquela bênção,
como seu nome e sua vida. Não saia da igreja antes da bênção
final. A missa termina com a bênção e em seguida vem o
canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado
da Missa. E desejável também que a Assembléia só
saia da igreja após a retirada do celebrante, acólitos e ministros.
Exercite também o espírito de comunidade, conversando mais com
seus irmãos. Ao chegar em casa, dê um abraço em todas
as pessoas da sua família, saudando com "A Paz e Cristo";
mostre que você está em estado de graça, pois acaba de
vir da Santa Eucaristia, que representa um encontro com o Senhor e com os
irmãos em Cristo.
Fonte:
Missal Romano, co-edição de Edições Paulinas
e Editora Vozes, 1991.
A Missa Parte por Parte, Padre Luiz Cechinato, Editora Vozes, 1993.
Liturgia da Missa (Opúsculo), Edições Paulinas, 1979.
Objetos Usados na Missa
ÁGUA
Trata-se de água natural. É usada para purificar as mãos
do sacerdote e para ser misturada com o vinho, simbolizando a união
da Humanidade com a Divindade em Jesus. Também é usada para
purificar o cálice e a âmbula.
ÂMBULA
É semelhante ao cálice, mas possui uma tampa. Nele se colocam
as hóstias. Após a missa, é guardada no sacrário,
juntamente com as hóstias que foram consagradas.
CÁLICE
É uma taça geralmente revestida de ouro ou prata. Nele se deposita
o vinho a ser consagrado.
CORPORAL
É uma toalhinha quadrada. Chama-se corporal porque sobre ela coloca-se
o Corpo do Senhor (cálice e âmbula), no centro do altar.
CRUCIFIXO
Sobre o altar ou acima dele, existe um crucifixo para lembrar que a Ceia do
Senhor é inseparável do seu sacrifício redentor. Vemos
em Mt 26, 28 que Jesus deu a seus discípulos "o sangue da aliança
que será derramado por muitos para o perdão dos pecados".
FLORES
Em dias festivos pode-se usar flores, não sobre o altar, mas ao lado
deste. Sobre o altar usa-se decoração com motivos litúrgicos,
tais como o pão e o vinho, o trigo e a uva, além das velas e
crucifixo. No tempo da Quaresma não se usa flores; durante o Advento,
admite-se seu uso desde que seja com moderação, para não
antecipar a alegria do Natal.
GALHETAS
São duas jarrinhas em vidro ou metal. Em uma vai a água e na
outra, o vinho. Estão sempre juntas sobre um pratinho no altar.
HÓSTIA
É feita de pão de trigo. Há uma hóstia grande
para o sacerdote e pequenas para o povo. A do sacerdote é grande para
que possa ser vista de longe pelo povo durante a elevação e
também para ser repartida entre alguns participantes, em geral os ministros.
LECIONÁRIO
Livro que contém todas as leituras da Bíblia, de acordo com
a missa do dia.
MANUSTÉRGIO
Toalha que serve para enxugar as mãos do sacerdote, durante o ofertório.
Costuma a acompanhar as galhetas.
MISSAL
É um livro grosso que contém todo o roteiro do rito da missa,
com exceção das leituras que se encontram no lecionário.
PALA
É uma peça quadrada e dura (um cartão revestido de linho).
Serve para cobrir o cálice.
PATENA
É um pratinho de metal. Sobre ela coloca-se a hóstia maior.
SANGUINHO
É uma toalha branca e comprida, usada para enxugar o cálice
e a âmbula.
VELAS
Sobre o altar ficam duas velas. A chama da vela simboliza a fé que
recebemos de Jesus, Luz do Mundo, no batismo e na confirmação.
É sinal de que a missa só tem sentido para quem vive a fé.
VINHO
É vinho puro de uva. Assim como o pão se converte no verdadeiro
Corpo de Cristo, também o vinho se converte no verdadeiro Sangue do
Senhor, vivo e ressuscitado.
As Vestes Litúrgicas
Para lidar com as coisas santas, o sacerdote se utiliza de sinais sagrados,
usando vestes que o distinguem das outras pessoas. As vestes representam o
Cristo cheio de glória e simbolizam a comunidade que crê no Cristo
ressuscitado.
ALVA
É uma veste muito semelhante à túnica, sendo toda branca.
Simboliza a nova vida, a pureza e a ressurreição.
AMITO
Usado por alguns sacerdotes, é um pano branco que envolve o pescoço
e que é colocado sob a túnica ou a alva.
CASULA
É colocada sobre todas as vestes e também cobre todo o corpo.
A cor da casula varia de acordo com o tempo litúrgico (branca, verde,
roxa, vermelha...). É uma veste solene, ampla, usada nos dias festivos
como o Natal, a Páscoa e o Corpus Christi. Simboliza a paz e a caridade
que devem envolver todos aqueles que se aproximam do altar.
CÍNGULO
É um cordão que prende a alva ou a túnica à altura
da cintura. Simboliza a vigilância, lembrando as cordas com as quais
Jesus foi amarrado.
ESTOLA
É uma faixa vertical, separada da túnica, que desce a partir
do pescoço do sacerdote em duas partes sobre o peito, uma de cada lado.
Sua cor também varia de acordo com o tempo litúrgico. Simboliza
o poder conferido ao sacerdote, a caridade, o perdão, a misericórdia
e o serviço.
TÚNICA
É um manto longo, geralmente na cor branca, bege ou cinza clara, que
cobre todo o corpo. Lembra a túnica que Jesus usava, sem costura de
alto a baixo, sobre a qual os soldados romanos tiraram a sorte para decidir
quem ficaria com ela.
As Cores Litúrgicas
Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o
ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote combinam todos
com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa,
essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia,
irmos a duas igrejas diferentes comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas
coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado
para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida
para toda a Igreja, que obedece a um mesmo calendário litúrgico.
Conforme a missa do dia indicada pelo calendário fica estabelecida
determinada cor. Mas o que simbolizam essas cores?
VERDE
Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada
nas missas do Tempo Comum.
BRANCO
Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal,
Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituído
pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado.
VERMELHO
Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas
de Pentecostes e santos mártires.
ROXO
Simboliza a preparação, penitência ou conversão.
Usada nas missas da Quaresma e do Advento.
ROSA
Raramente usada nos dias de hoje, simboliza uma breve ´pausa´
na tristeza da Quaresma e na preparação do Advento.
PRETO
Também em desuso, simboliza a morte. Usada em funerais, vem sendo substituída
pela cor Roxa.