IGREJA E COMUNICAÇÃO RUMO AO NOVO MILÊNIO
Documento 59 da CNBB
IGREJA E COMUNICAÇÃO RUMO AO NOVO MILÊNIO
Conclusões e Compromissos
Itaici, Indaiatuba, SP, 17 de abril de 1997
APRESENTAÇÃO
O tema central da 35ª Assembléia Geral da CNBB,
realizada de 09 a 18 de abril corrente, em Itaici, Indaiatuba, SP, foi: A IGREJA
E A COMUNICAÇÃO RUMO AO NOVO MILÊNIO.
A Comissão Episcopal nomeada pela Presidência da CNBB para conduzir
a reflexão do tema, com assessoria especializada, preferiu não
apresentar um texto prévio que servisse base para um futuro documento.
Ofereceu, porém, um subsídio para a reflexão, que será
publicado na Coleção Estudos da CNBB. Sugeriu que a própria
Assembléia elaborasse uma lista de conclusões, de propostas e
de compromissos concretos, para nortear a ação pastoral dos Bispos
e de toda a Igreja Católica no Brasil no importante campo da Comunicação,
chamado por João Paulo II na Encíclica "Redemptoris Missio",
sobre a atividade missionária da Igreja, de "o primeiro areópago
dos tempos modernos" (nº 37) a ser evangelizado e a servir de meio
de evangelização. Em sucessivo trabalho de grupos e de plenário,
a Assembléia formulou, examinou e aprovou este texto "IGREJA E COMUNICAÇÃO
RUMO AO TERCEIRO MILÊNIO - CONCLUSÕES E COMPROMISSOS", que
integra a Coleção Documentos da CNBB.
Que este documento inspire o planejamento da pastoral da comunicação
nas Dioceses e paróquias; ofereça eficaz e valiosa contribuição
para a prática da verdadeira comunicação, que deve ser
"dialógica", isto é, um processo de duas vias - um "ir"
e um "vir". Nisso está um dos núcleos básicos
da teoria cristã da Comunicação, na qual todos, como evangelizadores,
devemos ser especialistas; renove em nós, na caminhada rumo ao terceiro
milênio do nascimento de Cristo, o empenho de anunciar a todas as pessoas,
pelo testemunho e através das novas tecnologias da comunicação,
Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida.
Brasília-DF, 22 de abril de 1997
Dom Raymundo Damasceno Assis
Secretário-Geral da CNBB
IGREJA E COMUNICAÇÃO RUMO AO NOVO MILÊNIO
Introdução
01. Jesus é a Palavra de Deus que se fez carne e veio morar no meio de
nós (Jo 1,14). Supremo comunicador do Pai, optou por um processo inculturado
e dialógico de comunicação, que se apresenta como um modelo
básico para os projetos de comunicação de sua Igreja.
Marcos revela que Jesus, ao pregar Evangelho (1,15), despertava a admiração
do povo, pois "ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas"
(1,22). Despedindo-se dos discípulos, enviou-os dizendo: "Ide ao
mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas" (16,15). E Marcos
completa: "Os discípulos foram proclamar a Boa Nova por toda parte"
(16,20).
Diante desta visão evangélica, os Bispos, reunidos na 35a Assembléia
Geral da CNBB - que estudou o tema: Igreja e Comunicação Rumo
ao Novo Milênio - propõem rever os modelos e práticas de
comunicação da Igreja no Brasil, tanto no campo das relações
interpessoais, grupais e organizacionais, quanto no uso dos instrumentos ou
meios de comunicação na tarefa evangelizadora, e assumem os seguintes
compromissos:
A . Espiritualidade do comunicador cristão
2. Desenvolver a espiritualidade do comunicador cristão que se fundamenta
no exemplo de Jesus Cristo que, ao optar por um processo inculturado e dialógico
de comunicação, possibilitava ao povo que o ouvia e com ele convivia,
a inefável ventura de receber a comunicação de Deus Pai,
fonte de toda verdade, amor, perdão e comunhão, como também
a descoberta de Deus no mundo e a criação da consciência
crítica junto aos receptores de sua mensagem.
3. Assumir o comunicador cristão como um ser em relação
com Deus, voltado para seus irmãos, em permanente espírito de
acolhida e que coloca suas habilidades e seus conhecimentos técnicos
no campo do manejo dos instrumentos da informação a serviço
da pastoral de conjunto e das diversas áreas pastorais da Igreja.
4. Favorecer a formação de "comunidades de comunicadores
cristãos", aqui entendidas como o espaço humano de acolhida
a todos os que em nível local exercem funções de liderança
nas relações humanas, merecendo especial destaque os que de alguma
forma desenvolvem trabalhos relacionados à área da comunicação.
Dar especial assistência espiritual a estas comunidades de comunicadores,
procurando, sempre, favorecer a união dos comunicadores, evitando que
trabalhem isoladamente.
5. Valorizar a celebração do Dia Mundial das Comunicações,
dando especial atenção ao estudo e à divulgação
da mensagem anual do Santo Padre sobre o fenômeno contemporâneo
da comunicação social. Reestude-se a conveniência do retorno
de sua celebração no dia da Ascensão do Senhor, sintonizando
com a Igreja em todo O mundo.
6. Atuar junto aos profissionais de comunicação que trabalham
nos meios massivos (meios impressos e audiovisuais), visando a evangelização
dos mesmos, através de um diálogo permanente.
7. Valorizar e incentivar a presença e a atuação das ordens
religiosas nos vários meios de comunicação, como exigência
da sua missão evangelizadora, nos tempos atuais.
B . Fundamento ético para a Pastoral da Comunicação
8. Eleger o tema da ética da comunicação como campo de
preocupação permanente, promovendo estudos e debates sobre a presença
e o comportamento dos meios de comunicação - inclusive os da Igreja
- na sociedade.
9. Dedicar especial atenção ao tema das políticas públicas
e da legislação no campo da comunicação social,
de modo a poder acompanhar com segurança as mudanças por que passa
o País neste campo.
10. Trabalhar para encontrar um consenso mínimo entre os diferentes segmentos
que constituem a sociedade eclesial a respeito das bases teóricas e metodológicas
sobre as quais construir uma política de comunicação da
Igreja. Nesse sentido, incentivar as pesquisas em torno do pensamento dos documentos
da Igreja sobre a comunicação social, assim como sobre as teorias
e pesquisas científicas na área.
C . Protagonismo dos leigos no campo da comunicação
11. Promover uma maior inserção de leigos e leigas no campo das
comunicações, reconhecendo a especificidade da presença
dos mesmos como animadores dos processos comunicacionais na comunidade e levando
em conta a potencialidade que geralmente têm de dialogar com os meios
de comunicação.
D . Comunicação Institucional da Igreja
Rever as formas e posturas de comunicação
12. Promover uma comunicação transparente e respeitosa no espaço
das comunidades, paróquias e Dioceses, com tomada de decisões
mais participativas.
13. Fazer um levantamento das formas de comunicação existentes
nas Dioceses e nas paróquias, de forma a permitir um permanente processo
de avaliação.
14. Conhecer as experiências de pastoral da comunicação
de outras Conferências Episcopais, de forma a enriquecer os referenciais
do trabalho neste campo.
15. Responder prontamente a consultas e atividades da comunicação
interna da Igreja.
Promover o diálogo com o mundo da cultura
16. Assumir nova postura não apenas diante dos meios, mas principalmente
diante do próprio fenômeno da comunicação, desenvolvendo
projetos que permitam uma maior aproximação ao homem contemporâneo,
à sociedade e à opinião pública.
17. Dar especial atenção à cultura brasileira e seus agentes
de criação, veiculação e consumo de bens simbólicos,
nas relações da Igreja com a sociedade, dialogando com:
. as culturas que nascem a partir da comunicação;
. os que produzem comunicação;
. os veículos;
para detectar a melhor maneira de promover a evangelização inculturada.
Cuidar da imagem pública da Igreja
18. Cuidar da imagem pública da Igreja, uma vez que sua aceitação
e reconhecimento por parte dos vários segmentos da sociedade dependem
da forma como se apresenta e da credibilidade que alcança junto ao público.
Fazer pesquisas de opinião sobre a imagem pública da Igreja, dirigindo-se
também aos que estão fora da Instituição.
19. Desenvolver projetos voltados a uma avaliação permanente dos
veículos de comunicação a serviço da Igreja para
que manifestem, de maneira real, a imagem da Igreja.
20. Assumir atitudes concretas de acolhimento, de anúncio da palavra,
tornando-a notícia nos meios de comunicação social, com
gestos e testemunhos significativos e envolventes.
21. Envolver-se nas grandes causas da humanidade, a exemplo da Campanha da Fraternidade,
defendendo a vida, a saúde, a justiça e o bem comum.
22. Superar extremismos e a divisão entre pastorais e movimentos.
23. Utilizar as ferramentas do marketing e das relações públicas
para potencializar a mútua colaboração, a solidariedade
e o crescimento da sociedade e do ser humano como um todo, evitando, neste campo,
a mera transferência das técnicas empregadas no mercado, e o culto
à personalidade dos comunicadores.
E . Modos de Comunicação nas Comunidades
Comunicação como diálogo e a comunidade dos comunicadores
24. Centrar o conceito de comunicação na comunidade. Criar instrumentos
que garantam um processo de comunicação participativo e circular.
25. Valorizar a presença na comunidade local de pessoas com formação
especial no campo da comunicação, convocando-as e animando-as
a integrar os projetos na área da pastoral da comunicação.
26. Desenvolver a pastoral da acolhida na Igreja e da visita domiciliar bem
preparada.
Comunicação na Catequese
27. Capacitar, em todos os níveis, os(as) catequistas
como comunicadores que devem ser pessoas conhecedoras dos processos da comunicação
humana e estar habilitados a integrar recursos como músicas, vídeos,
teatro e outras linguagens para expressar a fé.
28. Aproximar a catequese dos meios massivos de comunicação para
o desenvolvimento de projetos de catequese a distância, com adequado uso
de recursos e metodologias apropriadas.
29. Incluir, nos programas de catequese, a análise das mensagens produzidas
pelos grandes meios, promovendo a leitura destes dados à luz da mensagem
evangélica.
Comunicação nas Celebrações
30. Renovar a linguagem da liturgia: Um dos espaços privilegiados de
comunicação é o encontro litúrgico semanal: eucaristia,
celebrações comunitárias, cultos. Para que ele seja, de
fato, comunicacional, a equipe litúrgica deve ter cuidado com a linguagem,
uma vez que toda liturgia está marcada pelo simbólico: o espaço
físico, os gestos, as vestes, as cores, a ornamentação,
a palavra proclamada, o canto e o silêncio.
31. Rever as posturas dos comunicadores na liturgia. Quem exerce algum ministério,
de modo particular o da presidência, faça-o em espírito
de serviço à comunidade e não como "dominador"
da celebração litúrgica.
32. Renovar as homilias: As homilias devem ser breves, bem preparadas, inseridas
no contexto vivido pela comunidade, feitas em linguagem simples que explicite
o mistério que se celebra.
33. Usar nas celebrações litúrgicas, inclusive na homilia,
de acordo com as normas da Igreja, recursos e técnicas de comunicação,
tais como: teatro, audiovisuais, retroprojetor, etc... Utilizar o canto adequadamente
e sintonizado com a celebração, com os seus momentos e tempos
litúrgicos. O coral não deve substituir o povo, embora haja necessidade
dele em algumas celebrações. Os instrumentos devem ser usados
devidamente para não abafar o canto, mas sustentá-lo.
34. Incentivar os momentos fortes de mobilização popular, tais
como: romarias, concentrações, procissões, passeatas, caminhadas
e alvoradas, entre outras.
35. Incentivar jovens e adolescentes que têm algum tipo de atuação
em teatro, para que assumam o compromisso de colocarem a sua arte a serviço
da evangelização. Que este trabalho seja organizado dentro do
critério litúrgico e que se garanta a dignidade e a dimensão
sacramental, orante, celebrativa da liturgia. Que se garanta, também,
a sua continuidade.
F . Formação dos Comunicadores
Definição do campo do agente da pastoral da comunicação
36. Reconhecer a especificidade da pastoral da comunicação como
espaço de atuação, na pastoral de conjunto, de todos os
agentes que desenvolvem trabalhos de inter-relação humana e de
uso dos recursos da informação na transmissão de mensagens,
tais como:
. as lideranças religiosas (Bispos, presbíteros, diáconos,
religiosos e religiosas),
. os agentes da pastoral da comunicação,
. os profissionais da comunicação social e
. os animadores da comunicação no espaço educativo.
37. Reconhecer a especificidade do trabalho do agente da pastoral da comunicação,
definindo, ao longo do tempo e a partir da experiência e da prática
cotidiana, suas atribuições no organograma pastoral das comunidades
e Dioceses.
38. Reconhecer a importância da assessoria de profissionais da comunicação
social em campos como os do planejamento, execução e avaliação
de ações de comunicação. Atribuir tais funções
- no decorrer do tempo - aos agentes da pastoral da comunicação.
39. Reconhecer, no campo da pastoral da educação, a emergência
de um nova competência de atuação pedagógica, representada
pelos trabalhos na área da educação para o senso crítico
e no campo do uso da comunicação no ensino, introduzindo a figura
do animador da comunicação no espaço educativo, cujas atribuições
deverão ser definidas a partir da prática e da experiência
cotidiana.
Nível nacional, regional e diocesano
40. Iniciar um processo de capacitação de agentes e criação
de estruturas utilizando as novas tecnologias (intranet) que facilitem uma nova
comunicação na Igreja.
41. Preparar, em nível diocesano, pessoas que entendam e saibam utilizar
e trabalhar com estas novas tecnologias. As Dioceses devem investir economicamente
na formação de agentes qualificados, criando consciência
de que esta pastoral deve ser prioritária.
42. Organizar cursos de formação para a pastoral da comunicação
para agentes de pastoral da comunicação, nos Regionais, através
das Universidades Católicas, de suas Faculdades de Comunicação,
assim como dos centros especialmente dedicados à preparação
de agentes da pastoral da comunicação.
43. Garantir nos Seminários a formação teórica e
prática sobre comunicação em seus vários aspectos,
desde o interpessoal até o massivo.
44. Dar prioridade à produção de livros e outros subsídios,
relacionados à comunicação, destinados à formação
dos agentes pastorais e dos seminaristas.
45. Criar um Instituto Superior de Pastoral da Comunicação visando
a preparar formadores e agentes de pastoral em vista da evangelização.
Comunicação e Educação
46. Rever os projetos e programas de educação desenvolvidos pelas
instituições vinculadas à Igreja, promovendo uma adequada
educação para a recepção das mensagens e um melhor
uso dos recursos da informação no ensino.
47. Estar atento às perspectivas que se abrem no campo da educação
a distância, atualmente disputado por inúmeros grupos econômicos,
promovendo, no âmbito da ação conjunta dos educadores e
comunicadores cristãos, assim como de seus respectivos institutos e meios,
uma interação que atenda, de forma adequada, as necessidades da
sociedade nos campos da cultura e da educação.
G . Planejamento da Comunicação
Temática da comunicação nos planos de pastoral
48. Realizar planos estratégicos na área da pastoral da comunicação,
a curto, médio e longo prazo, em todos os âmbitos da Igreja no
Brasil.
49. Melhorar a assessoria de imprensa das Assembléias Gerais, da CEP
e da Presidência da CNBB.
Pesquisa e avaliação
50. Promover pesquisa sobre a realidade, na qual se quer atuar, na perspectiva
da comunicação. O planejamento da comunicação da
e na Igreja supõe uma pesquisa a respeito daquilo que o povo pensa da
Igreja.
51. Fazer avaliação crítica dos projetos implantados, à
luz da dinâmica da comunicação, uma vez que o mundo em que
vivemos está profundamente marcado pela comunicação de
massa.
52. Reavaliar os projetos, as produções e os programas das várias
pastorais, incorporando o uso das novas tecnologias da informação
com o objetivo de adequar as suas linguagens.
Políticas de investimento
53. Dinamizar o Setor de Comunicação da CNBB, destinando mais
verbas, contratando mais profissionais e constituindo uma Comissão Central
de Assessoria para:
- pensar a comunicação da e na Igreja;
- dialogar com as pessoas e instituições que atuam nos meios de
comunicação social;
- refletir de forma constante a respeito dos acontecimentos, propondo uma leitura
crítica dos mesmos.
54. Promover uma nova e eficaz política de investimentos patrimoniais
para a comunicação, revendo os investimentos de acordo com a finalidade
essencial da Igreja, que exige máximo cuidado com a comunicação.
55. Dar prioridade de recursos à pastoral da comunicação,
ajudando, neste campo, as Dioceses mais pobres.
Criação de uma comissão central e de equipes de pastoral
da comunicação
56. Criar equipes de pastoral da comunicação, nos Regionais, Dioceses
e paróquias, constituídas por agentes de pastoral e profissionais
da área.
57. Implantar, até o ano 2000, uma equipe de
pastoral de comunicação em cada paróquia.
58. Aproveitar mais dos serviços que os órgãos ligados
à comunicação (UNDA, UCBC, OCIC) podem oferecer, especialmente
nos campos da formação e da assessoria técnica e pastoral.
Criação de espaços específicos e de assessoria
59. Criar, nas Dioceses, onde houver condições, um Vicariato da
Comunicação.
60. Criar, em cada Diocese e paróquia, uma sala de multimeios, destinada
a oferecer às comunidades os recursos técnicos indispensáveis
ao exercício da comunicação das várias pastorais.
61. Buscar assessorias especializadas no planejamento da comunicação
da Igreja, especialmente nos campos da comunicação interna, da
relação com a imprensa e no campo das relações públicas.
62. Trabalhar pastoralmente com os profissionais que atuam nos grandes meios
de comunicação.
63. Aproveitar os espaços existentes nos grandes meios para, através
de uma assessoria de imprensa em cada Diocese, divulgar mensagens durante os
momentos fortes do ano litúrgico e comunicar o pensamento da Igreja ou
dar esclarecimento quando for necessário.
H . Novas Tecnologias: desafios e oportunidades
64. Criar condições objetivas - na área da formação
e na da implantação de recursos técnicos - para que os
Bispos, presbíteros, diáconos, religiosos(as) e leigos vençam
as resistências pessoais com relação ao mundo da informática.
65. Propor, em nível nacional, um projeto concreto de informatização
das Dioceses.
I . Igreja e os Modernos Meios de Comunicação
Imprensa escrita
66. Aproveitar os espaços disponíveis na imprensa local, incentivando
a participação dos membros das comunidades de comunicadores cristãos
que devem ser constituídas em nível local.
67. Promover o hábito de leitura nos padres e agentes de pastoral, introduzindo
pequenas bibliotecas comunitárias, nas salas de multimeios, previstas
para serem implantadas em cada paróquia.
68. Manter e melhorar os meios impressos existentes nas paróquias e Dioceses,
dando-lhes um caráter profissional.
69. Tornar o Boletim da CNBB e o Comunicado Mensal mais interessantes e atraentes.
70. Promover a utilização dos "outdoors" e meios impressos
para a divulgação de campanhas.
71. Fomentar o intercâmbio de artigos entre paróquias e Dioceses
através dos meios eletrônicos. Promover teleconferências
como meio dinâmico de se promover consultas, debates e tomadas de decisões.
72. Investir, em nível nacional, numa agência de notícias,
destinada a fornecer à grande imprensa artigos de autores católicos
ou de orientação cristã. Distribuir esse material também
aos boletins diocesanos.
73. Avaliar periodicamente, e de forma científica, os veículos
de comunicação da Igreja.
74. Valorizar a parceria entre as diversas editoras e revistas católicas
existentes que, por vezes, passam por dificuldades financeiras.
75. Procurar melhorar e desenvolver alguns jornais católicos para que
tenham uma difusão nacional.
Cinema/Vídeo
76. Buscar a conjugação de forças e esforços entre
as produtoras de vídeo, visando melhor qualidade. Apoiar centros produtores
e continuar apoiando com prêmios (a exemplo de "Margarida de Prata",
para a área cinematográfica). Potencializar uns poucos centros
produtores bem equipados de pessoal e recursos materiais.
77. Multiplicar, onde possível, as videotecas. Solicitar às livrarias
que trabalhem com vídeos, que abram espaço para locação,
cabendo ao Setor de Comunicação da CNBB informar a respeito das
melhores produções, por assuntos específicos.
78. Promover o lançamento de vídeos como subsídios para
as homilias e a catequese.
79. Intensificar o uso de filmes e de vídeos nas pastorais.
80. Produzir filmes e documentários dirigidos aos não católicos
e aos não evangelizados.
81. Prover as salas de multimeios das paróquias de equipamento que facilitem
o uso do vídeo e do cinema na pastoral e na educação.
82. Usar do trabalho de produtoras leigas.
83. Organizar cursos para leitura crítica de vídeos e filmes e
organizar grupos de vivência com o uso do vídeo fórum.
Rádios comerciais, educativas e comunitárias
84. Ocupar os espaços disponíveis nas rádios locais, dotando
as cúrias ou residências episcopais de um pequeno estúdio
como ponto estratégico de gravação de programas e de comunicação
do Bispo e de seus auxiliares com a população.
85. Priorizar o rádio como instrumento de evangelização,
entendendo que a notícia que fala de vida e de esperança é
também evangelizadora.
86. Prestigiar as Associações e Redes de Rádios Católicas.
Incentivar todas as emissoras católicas para que se vinculem à
Unda-Br e à RCR (Rede Católica de Rádio). Convidar outras
emissoras comerciais para fazer parte também da RCR.
87. Criar assessoria especializada, buscando a profissionalização
dos agentes das emissoras católicas: comercialização e
produção de programas.
88. Ter um projeto integrado de evangelização, através
da RCR, para todo o País, sob a coordenação do Setor de
Comunicação da CNBB.
89. Profissionalizar a emissora diocesana para que seja competitiva e obtenha
a auto-sustentação.
90. Abrir espaços, na programação das emissoras da RCR,
às emissões da Rádio Vaticano ou captar diretamente o sinal
através do satélite.
91. Dosar os conteúdos religiosos explícitos com a promoção
dos valores humanos, éticos e culturais inerentes à cidadania
(convém não esquecer o protagonismo do Pe. Landell de Moura na
criação da radiodifusão).
92. Comprar, em nível local, espaços nas emissoras de rádio,
especialmente nos tempos fortes da vida da Igreja.
93. Conhecer melhor as experiências de radiodifusão, na modalidade
de Rádio Educativa, a partir da perspectiva que a nova LDB apresenta
para a educação à distância no País.
94. Que o Setor de Comunicação Social da CNBB informe às
Dioceses as concessões que o Governo vai colocar em leilão.
95. Apoiar a Associação Católica das Rádios Comunitárias,
com pedido especial para que, em união com os organismos congêneres:
- busque a regulamentação das rádios comunitárias;
- leve avante a luta contra intervenções arbitrárias de
que têm sido vítimas;
- faça circular informações sobre as potencialidades das
Rádios Comunitárias.
96. Solicitar aos Institutos Religiosos que atuam na área da comunicação
o apoio/assessoria na criação e implementação de
Rádios Comunitárias.
Televisão
97. Implementar uma política de aproximação
ao mundo da televisão, introduzindo nos planos estratégicos das
Dioceses e/ou das instituições de ensino vinculadas à Igreja,
a obtenção de concessões de canais em UHF - Educativas,
ainda em disponibilidade em todo o território nacional. Caberá
ao Setor de Comunicação Social da CNBB oferecer a assessoria necessária
para os estudos de viabilidade dos canais disponíveis.
98. Desenvolver um trabalho de cooperação entre as TVs Educativas
sob orientação das Dioceses e/ou de instituições
vinculadas à Igreja visando o fortalecimento das diversas experiências.
Incentivar os colégios e universidades vinculados à Igreja a aproximar-se
das experiências de TVs Educativas, de forma a promover uma cooperação
entre o sistema de educação e o sistema de meios eletrônicos.
99. Apoiar a iniciativa de implantação e consolidação
dos canais de televisão de âmbito regional e nacional, especialmente
da Rede Vida de Televisão, oferecendo orientação e sugestões
para sua programação, assim como suporte ao seu desenvolvimento
e penetração junto à população.
100. Sugerir a ampliação do leque da grade de programação
da Rede Vida de Televisão e a dilatação de sua repercussão
junto à grande audiência, procurando alcançar não
somente os fiéis que já freqüentam os espaços eclesiais,
mas também as populações afastadas da Igreja.
101. Recomendar à CNBB o estudo, com o INBRAC, da criação
de um Conselho Geral de Programação, formado por uma equipe de
especialistas, nomeada pela Presidência e CEP, para o desenvolvimento
de uma política específica de grade de programação
para a Rede Vida de Televisão, que espelhe, de forma pluralista, as várias
tendências legítimas presentes na comunidade eclesial e na sociedade.
Telemática
102. Usar a informática e os recursos mais avançados da comunicação
visual e auditiva na pastoral e, inclusive, na liturgia.
103. Realizar "oficinas" de troca de experiências no aproveitamento
do material de informática.
104. Investir financeiramente para a computadorização dos dados
administrativos (cúria e arquivos), inclusive das secretarias paroquiais.
105. Elaborar um programa unificado para todas as Dioceses e paróquias
do Brasil.
106. Estimular as Dioceses a utilizar a Internet para o intercâmbio e
maior comunhão entre as diversas Dioceses do Brasil, América Latina
(via CELAM) e do mundo.
107. Enriquecer o "site" da CNBB na Internet com um banco de dados
atualizado com maior freqüência, com assuntos sobre a vida da Igreja
no Brasil ao qual todos tenham acesso.
108. Facilitar e aprimorar a comunicação interna na Igreja.
109. Elaborar um manual de instrução simples para os Bispos de
como instalar a Internet.
Sumário:
Introdução
A . Espiritualidade do comunicador cristão
B . Fundamento ético para a Pastoral da Comunicação
C . Protagonismo dos leigos no campo da comunicação
D . Comunicação Institucional da Igreja
- Rever as Formas e Posturas de Comunicação
- Promover um Diálogo com o mundo da cultura
- Cuidar da Imagem pública da Igreja
E . Modos de Comunicação nas Comunidades
- Comunicação como Diálogo e a Comunidade dos Comunicadores
- Comunicação na Catequese
- Comunicação nas Celebrações
F . Formação dos Comunicadores
- Definição do Campo do Agente da Pastoral da Comunicação
- Nível Nacional, Regional e Diocesano
- Comunicação e Educação
G . Planejamento da Comunicação
- Temática da comunicação nos planos de pastoral
- Pesquisa e avaliação
- Políticas de investimento
- Criação de uma comissão central e de equipes de pastoral
da comunicação
- Criação de espaços específicos e de assessoria
H . Novas Tecnologias: desafios e oportunidades
I . Igreja e os Modernos Meios de Comunicação
- Imprensa escrita
- Cinema/Vídeo
- Rádios comerciais, educativas e comunitárias
- Televisão
- Telemática