José Irineu Nenevê - nenevecwb@gmail.com - é autor do livro “Bom Dia e Bom Trabalho - Sabedoria para todos os dias”, Editora Vozes. Todo dia ele escreve algo assim:
29 Dezembro 2008:
“Jamais haverá ano novo, se continuar a copiar os erros
dos anos velhos” (Luís Vaz de Camões, poeta português,
1524-1580).
Foi a mente do homem que criou o ano novo. Desde os primórdios,
o homem se depara com acontecimentos cíclicos, como o dia se alternando
com a noite, as estações do ano, as fases da lua, e assim por
diante. Cada cultura destaca sua importância em função das
experiências que têm. Em nossa cultura ocidental, foi o Romano Júlio
César (no ano de 46 a.C.) que fixou o dia primeiro de Janeiro como início
do ano novo (dia dedicado a Jano, o deus dos portões, em sua cultura).
Este fato é importante para destacar que quem fixou datas e horários
nas diversas culturas como início de um ano novo, foi sempre o homem.
Logo, tudo é convenção (simbólico), isto é,
o que você veste ou come neste dia, bem como as atitudes que têm
só terá influência no ano que se inicia se sua mente assim
o determinar. Mas é bom aproveitar esta data como revisão de nossa
caminhada e ver se o caminho que estamos trilhando é reto ou tortuoso.
Para isso basta olhar para trás e verificar se as pegadas que estamos
deixando estão alinhadas. Caso contrário, corrija agora enquanto
é tempo. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! Feliz Ano Novo! (12 anos)
24 Dezembro 2008:
"Alegra-te, (Maria) cheia de graça, o Senhor está
contigo (28). Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto
do teu ventre (Jesus) (42)" (Evangelho de Lucas, capítulo
1).
O primeiro Natal (natividade, nascimento) só foi possível
porque Maria disse sim ao convite do anjo (porta voz de Deus). O que há
de comum entre plantas, animais e homens? Todos são filhos do mesmo Pai
que está nos céus e têm a terra como base, e terra neste
sentido é "húmus" (do latim "filhos da terra").
Daí surge a palavra "humildade", referindo-se à qualidade
dos que acolhem, que se põem a serviço, ajudam. O humilde é
o instrumento e Deus é o artista. Longe de ser subserviência, o
humilde está a serviço porque muito ama, diferente dos que servem
por obrigação. Deus, para trazer seu filho ao mundo, procurou
uma menina humilde, que respondeu ao convite Divino: "Eu sou a serva do
Senhor; faça-se em mim, segundo tua palavra" (38). A alegria do
Natal está no nascimento do filho de Deus. Toda a humanidade se alegra.
Os presentes são para que reine a alegria, a confraternização
e a paz, pois estes são alguns dos ensinamentos de Jesus. Que seu Natal
esteja além do comércio, ou de manifestações aparentes;
mas, que seja o irradiar de seu coração feliz por mais um ano
de vida com todos os irmãos que Deus te deu de presente. Que Deus esteja
sempre contigo. "Não façam nada por interesse pessoal ou
por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros
superiores a vocês mesmos". (Carta de São Paulo aos Filipenses
capítulo 2, versículo 3). (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê) FELIZ NATAL ! Bom dia! (12 anos)
23 Dezembro 2008:
"Quando escrita em chinês a palavra crise compõe-se
de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade"
(John Fitzgerald Kennedy, político americano, 1917-1963).
Em meio a uma situação de perigo, devemos estar especialmente
atentos. Em uma avaliação simples (pois em chinês é
bem mais complexo) a parte superior do ideograma "weiji" (crise) é
o símbolo do perigo "wei" e a parte inferior "ji"
representa oportunidade. Talvez a melhor tradução para "weiji"
seja uma "situação perigosa" onde ressalta a importância
da atenção. Sabemos que, de tempos em tempos uma crise visita
as pessoas e a humanidade inteira. Às vezes ela entra na história
de cada indivíduo e remexe com tudo, balança, sufoca, espreme
e leva até a agonia. Quando vem a um grupo maior, assume rosto na economia,
na política, na religião, na natureza etc. Nada e ninguém
estão isento de sofrer ou passar por crise. Pode ser que alguns sucumbam
a ela, mas nenhuma crise vem para destruir as pessoas e o mundo. Ela surge sempre
apontando para os reais perigos que podem afetar a vida em todas as suas dimensões
e direções. O perigo para o qual ela aponta é um alerta
e ameaça para que nos afastemos daquilo que pode colocar em risco nossa
própria vida. Ela indica oportunidade enquanto tudo aquilo que devemos
aproveitar e jamais deixar escapar para reorientar o rumo das situações
do viver. A crise nesses dois sentidos é grande amiga para gerar transformações
profundas e significativas, pois ela brota para limpar e purificar tudo o que
em nós e no mundo ainda precisa ser mais honesto, justo e perfeito. Se
abraçada como oportunidade de transformação toda crise
conduz a uma renovação no sentido de uma vida e tempos novos.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
22 Dezembro 2008:
"Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes"
(Livro de Joel 2, 13).
O povo oriental é muito simbólico em suas atitudes. Quando
o jornalista atira o sapato no presidente americano, faz referência ao
episódio Bíblico da "Sarça ardente" (arbusto
em chamas) onde Moisés ouve a voz de Deus pedindo que retire as sandálias,
pois ele é indigno de pisar o solo sagrado. O jornalista quis dizer o
mesmo. O período que antecede o Natal é rico em simbolismos. Na
citação de Joel, "rasgar" (do hebraico) é "qara"
traz a idéia de partir ao meio, dilacerar; e a palavra "coração"
é "lebab" quer dizer o homem interior, vontade, alma, inteligência.
Ele faz essa referência porque o povo judeu tinha o costume de, em momentos
de profunda indignação, tristeza ou desespero, rasgar suas vestes
explicitando assim seus sentimentos com relação ao fato que lhe
causava emoção. Mas, o profeta quer dizer que as manifestações
externas só têm sentido se no sentimento interior (no coração)
o homem está convencido, ou seja, é de dentro para fora. Caso
contrário é só "teatro" (representação,
encenação). O mesmo vale para o simbolismo de Natal. O Natal marca
um acontecimento vital onde Deus intervém na história dos homens,
enviando seu filho único para resgatar a humanidade desorientada. Começa
pela simplicidade do presépio, um lugar improvisado, transformando uma
estrebaria em uma maternidade, nos mostrando que as aparências muitas
vezes enganam e na simplicidade pode conter verdadeiros tesouros. Mostrou também
que as grandes mudanças começam com pequenas atitudes concretas
de amor. Os presentes que recebeu foram o reconhecimento de sua importância
para todos os povos. Assim, presentear, confraternizar, e afins, devem traduzir
um ano inteiro de busca incessante de harmonia, de fraternidade, de amor; caso
contrario, é só "teatro", só aparências,
onde falta o envolvimento do coração. Que seus presentes sejam
expressão do amor contido em seu coração. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
19 Dezembro 2008:
"Os melhores médicos do mundo são: o Doutor Dieta,
o Doutor Repouso e o Doutor Alegria" (Jonathan Swift, político
e escritor irlandês, 1667-1745).
Antes prevenir que remediar. Os médicos são como pontes
a nos auxiliar na volta à saúde perdida. Mas, é o esforço
de cada um que faz a travessia de volta à saúde ter sucesso. A
palavra dieta, do latim "díaita", inicialmente traduzia
a idéia de um gênero de vida saudável; com o tempo passou
a significar um regime especial de alimentação, ou seja, vida
saudável e uma boa alimentação andam juntas. Quanto mais
natural ela for, melhores serão seus benefícios. Repouso nos lembra
paz, sossego e tranquilidade. É no repouso que o corpo volta a seu
estado natural e a nossa mente tem alívio das tensões. Alegria
é júbilo, é bem estar consigo e com os outros, é
deixar-se encantar com o simples, vendo seu lado hilariante. Quem se alegra
dificilmente guarda rancor ou alimenta seu espírito com pensamentos negativos,
tão nocivos à saúde. Quando fazemos nossa parte cuidando
da saúde, a "mãe" natureza faz o resto, ou seja, quando
encontramos harmonia com a alimentação, o repouso e a alegria,
nosso corpo e nosso espírito se mantém saudáveis. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
18 Dezembro 2008:
"Olho por olho, e o mundo acabará cego" (Mohandas
Karamchand Gandhi, "Mahatma Gandhi", advogado e líder hindu,
1869-1948).
Quem revida quer apagar fogo com gasolina. A experiência antiga
da Lei de Talião, o princípio do "olho por olho e dente por
dente", tinha um sentido diferente do que a damos nos dias de hoje. Imaginamos
mais ou menos assim: se fui ofendido por alguém na minha integridade
e em meus direitos, então posso criar uma vingança ou resposta
maior do que aquilo que recebi. A Lei de Talião visava proteger a pessoa
de danos maiores. Por exemplo, se roubei de uma pessoa, ela não teria
o direito de me matar, pois matar seria um ato de punição maior
do que o roubar. A sentença de punição deveria ser na mesma
medida. No caso, aplicar a Lei de Talião seria restituir ao outro o que
foi roubado, nem mais, nem menos. Isso impedia que, em nome de uma pretensa
justiça e vingança, se cometesse injustiça na proporção
da pena. Hoje há uma tendência de, em nome de tantos atos de injustiça
sofridos por pessoas, do querer fazer valer os próprios direitos quando
estes foram lesados etc, é usar a Lei de Talião, sem perceber
do que se trata a mesma. O resultado são novas barbáries e injustiças
cometidas, prolongando a onda de violência e maldade no mundo. Na verdade,
porém, se o "pagar na mesma moeda" continuar sendo o código
ou a norma que orienta a conduta das pessoas no trato com as injustiças,
barbáries e maldades sofridas, então, de uma maneira cada vez
mais gigantesca e grotesca a humanidade se verá mutilada em seus membros.
Um erro não conserta o outro, um mal não diminui a força
e o poder de outro mal. Só o amor tem este poder reparador. Somente iniciativas
e atitudes insistentes e ousadas na prática do amor e do bem conseguem
gerar um tipo de relação que conduz os "homens" a viverem
de forma pacífica e justa. Eis porque a sociedade de todos os tempos
está sempre diante de uma decisão vital para a sua sobrevivência,
ou pratica a Lei de Talião e se dizima aos poucos ou exercita a Lei do
amor para se reconstruir e viver plenamente. Tempo de Natal é tempo de
rever nossos conceitos de amor. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
17 Dezembro 2008:
"O homem vive preocupado em viver muito e não em viver bem,
quando na realidade não depende dele o viver muito, mas sim o viver bem"
(Henry David Thoreau, poeta, ensaísta e filósofo americano, 1817-1862).
A vida se realiza na simplicidade. A preocupação pelo viver
muito cegou boa parte das pessoas que as impede de viver bem. Em nome do prolongamento
dos anos, se impõe uma exigência desleal sobre o corpo que chega
à beira do martírio masoquista e da deformação física.
Para tentar driblar os anos, disfarçar suas marcas, ou melhor, desacelerá-los,
muitos se aventuram a uma verdadeira bateria de remédios, cirurgias e
experimentos. Querem com isto forçar e fazer com que o tempo e o fio
condutor da vida entrem em cálculos, medidas padronizadas, em síntese,
a um controle da mão humana. Querem impedir que o ciclo natural dos anos
prossiga sua maratona diária e chegue à sua "plenificação"
(plena, madura, realizada) mais cedo ou mais tarde. Nessa tendência e
insistência o "homem" perde a capacidade de viver bem e de bem
viver. E viver bem é diferente do fenômeno do bem-estar a que muitos
estão devotados e entregues de forma quase insana. Viver bem é
procurar o ponto bom da vida e permanecer nele aconteça o que acontecer.
Ponto bom, por sua vez, está longe de ser um lugar ou uma medida fixa
dos interesses da pessoa. É, sim, o núcleo, o miolo, a essência
da vida. O núcleo, o miolo, a essência da vida está longe
do alcance comercial ou de fórmulas mágicas encontradas aqui ou
acolá de maneira ostensiva (apontando e determinando), mas se revela
somente para quem simplesmente vive em plenitude. Quem vive a vida simplesmente,
não se importa se chega a dez, vinte, cinquenta, oitenta, cem ou
mais anos, qualquer quantidade é chance de estar nela e alcançar
uma plenitude de viver. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
16 Dezembro 2008:
"Poucos homens têm a força de caráter suficiente
para alegrar-se do êxito de um amigo sem sentir certa inveja"
(Esquilo de Eleusis, poeta latino, 525-456 a.C.). Inveja é sinal
de insegurança. A palavra caráter define o cunho especial que
distingue as coisas entre si. É a marca, índole, natureza. No
ser humano, a força de caráter é a marca de sua personalidade
que o define como um "modelo" de homem, ético, justo, perfeito.
Quem se alegra sente júbilo, entusiasmo. Alegrar-se pela conquista de
um amigo é sentir sua própria alegria com êxito do outro,
por estar na mesma dimensão. Imagino como uma gangorra onde as crianças
costumam brincar. Estar no alto nesta brincadeira é uma etapa de um ciclo
que se compõe de momentos, como estar em baixo para que o outro suba.
O outro, junto comigo e a gangorra, formamos um único conjunto. Faltando
um dos elementos, a brincadeira deixa de existir. Alto e baixo dão dinamismo
ao brincar. Quem assim entende jamais sentirá inveja do amigo. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
13 Dezembro 2008:
"Nossos corpos ganham vida a partir do nada. A existência
do nada é o sentido da frase: 'A forma é o vazio'. O fato de todas
as coisas virem do nada é o sentido da frase: 'O vazio é a forma'.
A forma e o vazio deveriam ser vistos como uma coisa só"
(HAGAKURE - O livro do Samurai - de Yamamoto Tsunetomo, samurai que viveu em
1700, organizado por Wiliam Scott Wilson).
Só um recipiente vazio tem a capacidade de receber. É possível
que quase ninguém suporte na própria pele uma existência
onde o "nada" é experimentado como sendo uma situação
de oco e vazio. Aliás, para muitos, o "nada" significa nada;
isso mesmo, o que é oco e vazio, sem sentido, sem significado. Para esses,
então, o "nada" nada significa, é inútil pensá-lo,
vivê-lo e admiti-lo na vida de cada dia ou em situações
esporádicas do viver. No entanto, o "nada" que sempre nos vem
ao encontro, nessa e naquela situação, diz muito e é super
importante para compreender o verdadeiro nascimento, crescimento e consumação
das coisas no nosso existir. Pode-se dizer que tudo o que existe veio do nada,
o mundo foi criado do nada, as formas que conhecemos dessa e daquela coisa vieram
do nada, grandes obras artísticas vieram do nada, grandes mestres da
música compuseram suas melhores obras, depois de passarem pela experiência
do nada. Para entender isso basta imaginar um copo vazio de água. Perguntamos:
"O que tem dentro"? Respondemos: "Nada"! O nada ali é
condição de possibilidade de encher o copo com alguma coisa. O
que vem depois na forma de copo cheio de água, por exemplo, só
foi possível, porque anteriormente (apriori) havia uma realidade proporcionando
a chegada, o aparecimento, o vir à tona da água, do enchimento.
O oco, o vazio ali era convite para que se "desse forma" a alguma
coisa. Assim é também em tudo, o nada é que proporciona
o advento, o aparecer das coisas, das formas etc. Quando estamos em crise, por
exemplo, e chegamos ao fundo do poço, pode estar ali naquela situação
de oco e vazio a possibilidade de nascer algo novo em nossa vida que jamais
tínhamos imaginado. Naquela sensação de falta de sentido,
de um nada existencial, pode estar nossa chance de ver desabrochar uma forma
de vida que estava longe de nossos cálculos e planos. Eis porque o nada
aqui não é negativo, mas pura positividade, pura possibilidade
de algo totalmente inédito surgir. O mais difícil porém
é suportar nossas situações de sofrimento, vazio e falta
de sentido nos nadas do vier e das coisas, pois nelas o "nada" nos
aperta e incomoda; mas, se soubermos ficar na espera do inesperado, pode acontecer
do "nada" vir pouco a pouco criando forma nova em nós. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
12 Dezembro 2008:
"Para melhorar o padrão de vida é preciso melhorar
o padrão do pensamento" (Uell Stanley Andersen, jogador
profissional de futebol e escritor americano, 1917- 1986)
Quem se acostuma e se contenta com a ilha dificilmente acredita (consegue
pensar) que exista algum continente. Vida e pensamento são duas realidades
que estão intimamente ligadas entre si. Dissociá-las é
fragmentar o ser humano. A dissociação em geral acontece quando
se toma a arte de pensar como um momento ou uma atividade mental restrita a
fazer juízos, elaborar conceitos, gerar conhecimentos e operar cálculos
lógicos e matemáticos. A vida, em contraposição
ao pensar, vem entendida como tudo aquilo que diz respeito a sentimento, vontade
e afetos. Costuma-se definir esse jogo de oposições como sendo
a luta incessante entre razão e sensibilidade, entre pensar e sentir.
A partir desse duelo se conclui que para ter um padrão de vida melhor
é necessário ter pensamentos melhores ou vice-versa. Na verdade,
se bem entendido, viver é pensar e pensar é viver. Toda pessoa
que se propõe a mudar ou melhorar o padrão de vida, necessariamente
deve estar aberta para viver ou estar na espera do inesperado, e isso é
pensar. Ao mesmo tempo, toda a arte de pensar em meio à espera do inesperado
inevitavelmente cria, transforma e edifica a própria vida. Desta feita,
a vida só adquire um padrão de mudança para melhor se ela
consegue pensar de forma melhor. Tudo o que sucede na cotidianidade (dia a dia)
e no pensamento só se dá, só é gerado, só
se potencializa e fica clarividente (visto de forma clara), se curtido no interior
de cada experiência da vida. Uma vida bem pensada traz enormes benefícios
para o ser humano. Um pensamento bem vivido é origem e fundamento de
uma vida digna. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
11 Dezembro 2008:
"Quando beberes água, lembra-te da fonte"
(provérbio chinês).
Quanto mais perto da fonte, mais limpa é a água. A palavra
"fonte" traduz a noção de nascente, origem, manancial.
Até há bem pouco tempo era difícil ver alguém preocupado
com a fonte ao ingerir um copo de água. Estava ali, ao alcance da mão,
ou, paguei, tenho direito. Mas, quando os recursos começaram a dar sinais
de serem finitos, houve um grande clamor para a preservação dos
recursos naturais de nosso planeta. Descobriu-se que os custos para recuperar
são maiores do que os envolvidos em preservar. Além da água
e dos recursos naturais, existem outras fontes a serem preservadas. São
as fontes culturais. Elas nos posicionam no presente, com base no passado, em
perspectiva de um futuro promissor. Muitas dúvidas do presente são
dissipadas quando buscamos as origens. Diante de algo que te encante, agradeça
a "fonte". (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
10 Dezembro 2008:
"Se você olhar atentamente você verá que existe
apenas uma coisa e somente uma coisa que causa infelicidade. O nome desta coisa
é apego. O que é apego? Um estado emocional de aderência
causado pela crença de que sem alguma coisa particular ou alguma pessoa
você não consegue ser feliz." (Anthony de Mello,
padre jesuíta indiano, 1931-1987).
Viver "apegado" é como nadar com uma pedra amarrada ao pescoço.
Outro jeito de definir apego é considerá-lo como uma forma bem
particular de agarrar pessoas e coisas, prendendo-as a nós. Agarrar,
por sua vez, é meter a "garra" em cima e não soltar.
E o que está sob o poder de nossa "garra" em geral só
pode ser solto ferindo ou ferindo-nos. Eis porque o apego costuma ser perigoso
e prejudicial aos que o portam consigo ou são vitimados por sua ação.
Desapegar-se de pessoas e coisas é extremamente difícil e sofrido;
mas, uma vez feito, nada mais libertador e sadio para as relações.
Diz-se que a morte costuma romper com todos os nossos apegos, pois na sua visita
somos obrigados a deixar para trás tudo aquilo ao qual estávamos
colados ou que se colou a nós ao longo do tempo. Uma maneira bastante
inteligente para nos desprender dos apegos é viver a cada momento a experiência
antecipada da morte no que se refere a tudo o que nos aprisiona ou aprisionamos,
ou seja, nascemos nus e sem nada e assim devemos voltar. Pense nisso, pois nenhum
apego nessa vida nos une de fato às pessoas e às coisas. Somente
o desapego nos coloca verdadeiramente na proximidade e comunhão com elas.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
8 Dezembro 2008:
"Dinheiro perdido, nada perdido. Saúde perdida, muito perdido.
Caráter perdido, tudo perdido" (provérbio chinês).
Em nossa forma de olhar, se revela o caráter que temos. O mundo contemporâneo,
em certo aspecto, fez uma inversão de valores e de prioridades. O que
era para ser fundamental, ele colocou como superficial; e o que é superficial,
ele colocou como fundamental. O dinheiro tomou o lugar mais importante das preocupações
e a saúde e o caráter, lugar secundário ou menos importante.
Alguns vivem pelo dinheiro e morrem sem saúde e caráter. No entanto,
dinheiro sem saúde é esbanjamento de energia que leva a possuir
muito e a ficar sem nada. Dinheiro sem caráter leva à corrupção
e a uma vida sem escrúpulos. A experiência milenar do "homem"
em torno do dinheiro, da saúde e do caráter, sempre mostrou que
é possível perder dinheiro e saúde e conservar a dignidade
de pessoa humana; porém, se perde o caráter, de nada vale dinheiro
e saúde. Uma pessoa que tem somente um pão para comer, pode renunciar
a ele e morrer de fome para doá-lo a uma criança ou família
que corre risco de sobrevivência alimentar. Ao fazer isso, ela demonstra
uma nobreza, dignidade e caráter que revela o verdadeiro sentido de ser
gente, de ser humano. Dinheiro e saúde são importantíssimos
em nosso mundo; mas, as circunstâncias, pessoas e situações
da vida podem tirá-los de nós sem nossa escolha e decisão;
já, o caráter, ninguém nos tira; somente nós mesmos,
no uso de nossa liberdade. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
6 Dezembro 2008:
"Seja uma fonte, não um dreno" (Rex Allen
Hudler, atleta e comentarista esportivo americano, nascido em 1960).
Quem é, transparece em suas ações. A palavra "fonte"
traduz a idéia de nascente de água, manancial. A fonte se doa,
sacia, distribui de seu "tesouro". Quem se assemelha a uma fonte,
imagino alguém naturalmente alegre, sempre disposto, e sua doação
é espontânea, sem exigir nada em troca. Se doa porque ama. A palavra
"dreno" lembra um duto criado para escoar líquidos. O dreno
suga. Imagino um indivíduo com características de dreno, aquele
que só suga ("chupim" na gíria popular), só quer
para si, nunca ajuda e se o faz é em troca de algo. Se alguém
ganha ou consegue algo, sente inveja. Naturalmente será uma pessoa querendo
"sugar" a "energia" de alguém e com isso atrofia
sua capacidade de criar. Muitos movimentos sociais se assemelham a "drenos",
invadem, reivindicam e querem tudo para si em nome dos mais desfavorecidos,
mas quando alguma catástrofe atinge e destrói deixando as pessoas
sem nada, aí nem aparecem para ajudar. Muitas pessoas (que são
fonte) demonstram seu valor nos momentos mais difíceis. Quem busca ser
fonte, deseja irradiar, edificar, construir, alegrar, saciar etc. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
5 Dezembro 2008:
"O dinheiro é um bom criado, mas um mau senhor"
(Francis Bacon, filósofo, político e ensaísta inglês,
1561-1626).
Assim como a água pode purificar e saciar, mas também pode
destruir e matar, o dinheiro pode libertar ou escravizar. O dinheiro tem um
poder de sedução impressionante nas pessoas. Do mais afortunado
ao mais miserável dos homens, o dinheiro consegue provocar certa força
de atração que pode levar seja ao sucesso, seja à mais
completa ruína. Em si mesmo ele é inofensivo, apenas um valor
numérico padronizado pelos homens. Mas quando colocado em circulação
para gerar bens de troca, valor de consumo, meio de aquisição
para a sobrevivência etc, ele passa a exercer um fascínio tal entre
as pessoas que lhes impõe uma decisão radical na liberdade, ou
fazem dele um criado ou se tornam seus súditos. Aos que o têm como
a um criado, usam dele como um "esterco" (excremento de animais que,
dependendo do uso, serve de adubo), ou seja, para ser distribuído e partilhado
na "terra dos homens" e, assim, gerar frutos de solidariedade, partilha
e proximidade. Nesse caso, o dinheiro jamais será um instrumento usado
para gerar pobreza, injustiça e opressão entre as pessoas. Tampouco
servirá para construir abismos de separação entre os indivíduos,
colocando alguns como supostamente abençoados pelo destino e outros como
condenados ao infortúnio e à miséria. Será, sim,
um bem do qual os homens recorrem para atender às necessidades básicas
de todos e para construir pontes de relações justas e sólidas
entre si. Aqueles, no entanto, que recorrem ao uso do dinheiro visando apenas
o bem-estar egoístico para si, o aumento indiscriminado das riquezas
e a aquisição de facilidades sempre maiores para a vida, encontrarão
no dinheiro, mais cedo ou mais tarde, um patrão cruel e impiedoso. E
mais, tira-lhes tudo o que é verdadeiramente humano e a impõe-lhes
as algemas da insensibilidade, bem como uma infernal sensação
de que nada basta e nada satisfaz. Esses tais se verão encapsulados em
redomas de indiferentismo com o próximo, enjaulados no peso das preocupações,
enlameados na superficialidade dos relacionamentos e, sobretudo, com uma sensação
gigantesca de perda do sentido da vida e da liberdade. O dinheiro, portanto,
é um ótimo criado para os que bem sabem usar de seus préstimos,
mas é um mau senhor para os que o adoram e se tornam seus criados. (Reflexão
feita por José Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
03 Dezembro 2009:
"Quem queimou a língua nunca se esquece de soprar a sopa"
(provérbio alemão).
São nossas falhas nossas melhores educadoras. Quem fala sem conhecimento
de causa pode se deparar com uma situação em que terá que
comprovar o que diz, e quando é "desmascarado" (comprovada
sua falha), este fica "sem graça" (desorientado, perdido),
por isso a expressão, "queimou a língua", isto porque,
deixou uma marca em sua vida. Tais como essa, as experiências pelas quais
passamos, sobretudo, aquelas de caráter mais negativo, costumam deixar
feridas, marcas profundas, às vezes inesquecíveis, mas, também,
lições de vida. Muitas dessas experiências deixam seu registro
em nós em forma de traumas que para alguns acompanham a vida toda; para
outros, durante um bom tempo da existência. Ficam como uma espécie
de corrente que imobiliza todas as iniciativas e ações. Em nome
de tais traumas que queimaram nossa disposição e ânimo,
passamos a viver encapsulados na própria dor e incapazes de prosseguir
em novas tentativas. Bem outra atitude é a daqueles que procuram ter
nas experiências amargas e traumáticas um baú de lições
e de oportunidades para se reverem e aprimorarem os atos, pensamentos e sentimentos.
Esses aos poucos reorganizam suas experiências negativas e passam a ter
mais cuidado, mais "esperteza" e mais inteligência para lidar
com tudo aquilo que os afronta e amedronta. Em outras palavras, lembram-se do
que quase lhes tirou a capacidade de viver e prosseguir adiante como uma referência
e alerta a lhes apontar o que devem evitar e a maneira correta de fazer para
não se autodestruírem de novo. É mais ou menos o que sugere,
também, o velho dito popular: "Macaco velho não põe
a mão em cumbuca"! (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
02 Dezembro 2008:
"Queres ser rico? Então não concentres teus esforços
em aumentar teus bens, mas em diminuir tua ganância" (Epicuro
de Samos, filósofo grego, 341-270 a.C.).
A ganância desconhece limites. Por definição, ganância
é um sentimento humano que se caracteriza por um desejo desordenado em
possuir riquezas materiais somente para si. Foi a ganância de alguns associada
à de muitos que gerou esta crise internacional que vemos hoje. As soluções
que se apresentam estão sendo de continuar a alimentar o "dragão"
para que ele não morra de fome e então prejudique a muitos. Tem
algo errado em tudo isso. Jesus no evangelho de Lucas capítulo 12 versículo
15 adverte: "Cuidado! Fiquem de sobreaviso contra todo tipo de ganância;
a vida de um homem não consiste na quantidade dos seus bens". O
livro do Eclesiastes capítulo 5 versículo 10 conclui: "Quem
ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais
ficará satisfeito com os seus rendimentos". A riqueza que devemos
buscar é a de amor a Deus e ao próximo cuja matemática
é inversa a dos bens materiais, pois ela mais multiplica quando dividimos,
ela aumenta quando retiramos de nós para dar ao outro. Nela a ganância
não tem vez. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
01 Dezembro 2008:
"Não há comparação entre o que se perde
por fracassar e o que se perde por não tentar" (Francis
Bacon, político, filósofo e ensaísta inglês, 1561-1626).
Quem nunca tenta perece na dúvida se conseguiria. Por medo de
errar e fracassar, nós costumeiramente deixamos de lado ou abandonamos
muitas empreitadas e iniciativas na vida. É a insegurança de arriscar
tudo o que somos e o que temos por qualquer coisa. Também é insensato
querer aventurar-se a entrar em certas "roubadas" somente para ver
no que dá. O importante é tentar, mesmo quando nos deparamos com
muitas vozes em contrário, pois tentar é um gesto de soltar-se,
de desafiar-se, lançar-se e insistir positivamente naquilo que se acredita
e quer como algo verdadeiramente importante e significativo. Quem tenta só
por tentar ou para provar alguma coisa para os outros, fracassa na primeira
tentativa e desiste, visto que não resiste à dor do desmoronamento
de seu desejo e intenção. Aquele, no entanto, que tenta uma, duas
e quantas vezes precisar para entender, clarear e aprofundar no que quer, pode
até fracassar, mas jamais deixará de tentar outra e outra vez
se necessário for. Nessa postura o que vale mais é aquilo que
se busca. Os que se voltam para o ego ferido e derrotado na primeira ou segunda
tentativa olham e vêem apenas o que perderam e a sua própria dor.
Já os que olham e percebem o que podem sempre de novo buscar e desejar,
eles conseguem ver o que é maior do que suas perdas, derrotas e dor,
por isso estão sempre de novo se lançando na conquista do que
querem, mesmo que isso lhes custe a vida toda e toda a vida. Com outras palavras,
sua visão ultrapassa os primeiros fracassos, pois sabem muito bem que
fracasso, perda, derrota são circunstâncias e não é
a palavra final da aventura de viver e de lançar-se sempre de novo e
de modo novo. Eles sabem que mais importante do que ter e perder, mais do que
nunca experimentar e nunca conseguir, mais do que fracassar e sentir-se derrotado,
é tentar e buscar sempre de novo, quantas vezes for necessário.
Quanto mais valioso é o "diamante" mais precisa ser muito bem
lapidado. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (12 anos)
29 Novembro 2008:
"Um herói é um indivíduo comum que encontra
a força para perseverar e resistir apesar dos obstáculos devastadores"
(Christopher Reeve, ator americano que fez o papel de super-homem, 1952-2004).
Os "super poderes" existem nos corações com fé.
Estamos vendo muitos super-homens e super-mulheres superando limites sendo solidários
às vítimas da tragédia que assolou o estado de Santa Catarina.
Alguns relatos:
"Toda a família se reuniu na casa de seu irmão, cerca de
dezessete pessoas, porque a casa de dois pisos era maior e oferecia mais segurança"
quando as chuvas aumentaram. "Ninguém esperava que a avalanche da
terra chegasse até a casa onde estavam meus familiares. É muito
distante do morro. Mas incrivelmente a terra desceu com muita força que
arrastou a casa a mais de 40 metros", disse Frei Pedro. Segundo o frade,
o Alto Baú - um lugar com muito verde, um bonito córrego, plantações
e pequenos sítios - não existe mais. "Está tudo destruído.
Nunca imaginávamos que isso poderia acontecer nestas proporções.
Para chegar lá, só com helicóptero. As avalanches vêm
de onde menos se espera", diz Frei Pedro, acrescentando. "Há
muitos corpos soterrados e o número de mortos vai crescer ainda",
lamenta, contando que ao mesmo tempo em que se alegra com a notícia de
que uma pessoa dada como morta, foi encontrada viva, fica-se triste porque outra
pessoa que era dada como viva, está morta.
Outro relato do Artur (Gaspar) nos diz: "Entretanto, de tudo o que se vê
por aqui, e do que se ouve falar... a tragédia é muito grande.
Por onde se anda, só se vê destruição... são
infindáveis os desmoronamentos de morros e barrancos dos rios e ribeirões.
Muitas casas, residenciais e comerciais, foram total ou parcialmente destruídas".
"De 1983 até hoje vão lá umas 4 ou 5 enchentes. Mas,
essa está sendo totalmente diferente, porque não se trata somente
de inundação, mas de infindáveis desmoronamentos. Enfim,
vendo não se acredita do que ocorreu e ainda muito poderá vir
a acontecer, porque a chuva persiste, com pouca intensidade, mas... Certamente
a recuperação será a mais custosa e demorada de todas as
tragédias do Vale do Itajaí".
Heróis anônimos estão se mobilizando como podem e de todas
as partes, sem a preocupação de serem notados, com o único
objetivo de serem solidários. São pessoas comuns com uma vontade
indomável de fazerem a diferença. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
28 Novembro 2008:
"A caridade é humilhante porque se exerce verticalmente
de cima; a solidariedade é horizontal e implica respeito mútuo"
(Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, nasceu em 1940).
Quem é solidário aprendeu a amar. As pessoas que estão
necessitadas se sentem mais felizes quando a ajuda vem acompanhada de um sorriso,
isto é, a doação feita com amor enaltece o agraciado ao
respeitá-lo como ser humano. Ajuda que vem acompanhada de cobrança
é comércio, e quando humilha é sadismo. Antes de sua entrega
total a Deus, quando ainda estava questionando os valores presentes no mundo
dos homens, São Francisco passou por um leproso (que na época
era uma das piores enfermidades a ponto de isolar o enfermo), e deu tudo o que
tinha na bolsa e saiu. Mas, ainda faltava algo; voltou, abraçou e beijou
o leproso. Narra ele mais tarde, que este fato foi decisivo em sua vida, pois
sentiu abraçando o próprio Cristo na pessoa do "irmão"
leproso. O mundo anda carente deste amor. As coisas materiais saciam as necessidades
imediatas necessárias para a sobrevivência; os gestos sinceros
de amor consolam os sofrimentos e devolvem a esperança. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
27 Novembro 2008:
"Agradar a muitos é mau" (Johann Christoph
Friedrich Von Schiller, poeta, dramaturgo, filósofo e historiador alemão,
1759-1805).
Quem deseja agradar a todos acaba sem agradar ninguém. O desejo de agradar
a muitos é uma péssima iniciativa na vida de qualquer pessoa.
O fato de querer agradar até certo ponto é bom. Observe aquela
mãe que para bem receber os filhos e a família em casa, faz o
melhor que pode para deixar todos felizes e à vontade, geralmente preparando
o que lhes é agradável ao paladar. O mau do agrado aparece quando
a intenção é usar o outro para agradar a si mesmo, para
arrancar elogios e bajulações. Existe outra forma de agradar que
no fundo é desagradar que consiste no fato de se perder de vista o que
deve ser feito para ajudar os demais. Nesse momento, se instala a confusão
e a pessoa mais se atrapalha do que ajuda, principalmente quando esses pedidos
são desconexos e simultâneos, e ainda por cima, com prazo já
vencido. Isso acontece muito quando em determinadas situações
o indivíduo quer se desdobrar em três para socorrer a tantos pedidos
feitos. Ao final, mesmo com uma dose grande de esforço e gasto de energia,
percebe que houve muita "patinação" (esforço
sem resultado) e nenhum auxílio verdadeiro. Tentou-se agradar a todos,
mas ninguém foi bem auxiliado. Há que se reconhecer toda a dedicação
e esforço da pessoa; mas, por outro lado, houve um serviço mal
feito aos outros, ainda que de boa vontade, acaba sendo um desserviço.
O melhor mesmo é cada vez, com tempo necessário para cada um,
da melhor forma possível, ir fazendo o melhor que se pode. Acima de tudo,
entender que agradar no seu verdadeiro significado, nada tem a ver com "passar
mel na boca" dos outros para arrancar reconhecimento e aplausos, mas ser
pura e simplesmente graça, isto é, faz sem nenhuma segunda intenção,
com isso faz o que se pode. Pode ser que quem é assim cairá no
desagrado de muitos, mas jamais deixará de ser ele mesmo; suas ações
serão sempre únicas e perfeitas. Esse estilo, ao invés
de querer agradar a todos, se põe no trabalho de dedicar-se a cada tarefa
de forma bem feita, a cada pessoa que dele se aproxima de maneira única,
a cada situação que se achega a ele como se fosse a primeira e
a última. É isso que no fundo ajuda e agrada de fato. Esse modo
de ser é que talvez se assemelhe, ainda que maneira desajeitada, ao texto
evangélico que diz: "Ninguém pode servir a dois senhores,
porque ou há de odiar um e amar ou outro ou se dedicará a um e
desprezará o outro" (Mt 6, 24). (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
25 Novembro 2008:
"A virtude do homem deve ser avaliada não pelo que ele fez
de extraordinário, mas pelo que ele fez de comum" (Blaise
Pascal, filósofo, físico e matemático francês, 1623-1662).
O verdadeiro super-herói passa despercebido nas tarefas cotidianas.
Um modo bastante corriqueiro de pensar o extraordinário é concebê-lo
como um além e aquém da realidade. Nessa acepção,
os atos extraordinários de alguém seriam aqueles que saem ou abandonam
a ordem comum do dia-a-dia, dos afazeres mais banais e corriqueiros que tocam
a vida de todo mundo. Seriam ainda aquelas coisas que esporádica e raramente
acontecem no viver das pessoas e, se acontecem, diz-se que é incomum
e anormal. Tal compreensão seria quase como aquela concepção
da passagem de um cometa que só de tempos em tempos agracia aos olhares
com sua presença caudalosamente bela. No entanto, o extraordinário,
quando bem entendido, está diretamente relacionado com o ordinário,
aliás, ele irrompe do ordinário. Quando o ordinário é
bem vivido, bem assumido, o extraordinário vem à tona, pois é
no seio das coisas mais banais, mais simples, mais sem significado, aquelas
um pouco desprezadas e sem muito valor e atenção, que surge o
extraordinário da vida e a vida extraordinária. É que o
"extra" do extraordinário significa que ultrapassa a realidade
que vivemos. O engajamento em profundidade ("até o pescoço")
numa situação concreta de vida é que faz a realidade liberar
o seu máximo e o seu melhor. No caso da avaliação das virtudes,
por exemplo, elas brotam no ser humano, na sua excelência, somente quando
cada um já trabalha vigorosamente com o que é e tem em termos
de personalidade. Não é preciso fugir da própria realidade
pessoal para ser melhor e, sim, dedicar-se assiduamente ao que já é,
com defeitos e mazelas, com tudo, sem tirar nada, apenas transformando pouco
a pouco os aspectos que já se encontram ali à mão. Se isso
for feito com seriedade a pessoa verá, mesmo que de forma lenta, um transbordamento
de algo inesperado, sempre presente ali, mas esperando a oportunidade para aparecer.
Essa revelação, não do "além", mas do
aqui e agora da realidade pessoal de cada um é o extraordinário.
Isso faz com que o ordinário da vida e a "vida ordinária"
se encham de sentido e significado e perca o seu marasmo e monotonia. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
24 Novembro 2008:
"A beleza das coisas existe na mente de quem as contempla"
(provérbio chinês).
Quem contempla se encanta. Observar "vermes" agindo em algum
tipo de alimento em decomposição para a maioria das pessoas pode
ser nojento e até asqueroso, mas para quem estuda o comportamento destes
insetos e ama o que faz, se encanta com sua beleza. Isso porque, sua mente descobriu
maravilhas onde para muitos ainda é desconhecido. Uma demonstração
de uma equação matemática é bela para quem vive
este mundo das ciências exatas. São apenas alguns exemplos de muitos
que temos na vida. Aprender a ver a vida de forma diferente revela um mundo
de encantos. Ao observarmos os dedos de nossa mão, cada um com seu tamanho,
até parece que existe relação entre eles apenas na forma,
mas se dividirmos seu tamanho total pela parte até a primeira articulação,
notaremos a mesma relação entre todos eles. Ela está presente
em outras partes do corpo humano e na natureza. Maravilhoso para quem estuda
a proporção áurea. Mesmo a beleza simétrica e padrão
é diferente para cada um que a vê. Nossa mente é capaz de
coisas incríveis quando nos lançamos na arte de pensar. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
23 Novembro 2008:
"Você cria suas oportunidades quando chama por elas"
(Patrícia "Patti" Elvina Hansen, modelo e atriz americana,
nasceu em 1956).
Quando a força do pensar se concentra em algo, "chama" por
ele. Chamar as oportunidades é trabalhar por elas, fazê-las virem
à luz, pois elas nem sempre estão à mostra ou ao alcance
de nossos interesses. Pelo contrário, na maior parte do tempo permanecem
veladas, escondidas aos olhos desatentos e retraídas aos espíritos
inertes. As oportunidades, no entanto, de vez em quando saem de seu "anonimato"
e dão o ar da graça em meio às turbulentas e confusas circunstâncias
da vida cotidiana. Nesse ponto, somente as percebe, acolhe e abraça,
os que a aguardavam numa vigilância semelhante ao dia esperando a aurora.
E uma vez detectando sua passagem, rapidamente se "apropriam" dela
como um "esfomeado" ao receber a única porção
de alimento de uma lida diária. Da mesma forma, o atento, no momento
em que "ela" se apresenta e se dá, toma-a consigo como um talento
a ser cuidado, e colocado em contínuo trabalho de melhoria, aprofundamento
e enriquecimento. É, por assim dizer, uma obra de criação
em cima de uma situação que veio de encontro a uma expectativa
longamente "curtida". Eis porque uma oportunidade está diretamente
relacionada com tempo oportuno, isto é, com a atitude daqueles que não
perdem tempo e nem se perdem no tempo, mas aguardam o inesperado em atitude
vigilante, fazendo o que é possível para preparar o seu advento
(sua chegada). A esses nenhuma boa oportunidade escapa. (Reflexão feita
por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
21 Novembro 2008:
"Age sempre de tal modo que o teu comportamento possa vir a ser
princípio de uma lei universal" (Immanuel Kant, filósofo
alemão, 1724-1804).
A força ética capaz de transformar a sociedade brota de
um coração sincero que a tem como motivo de vida. Duas tendências
fortíssimas em termos de comportamento dominam boa parte dos "homens"
contemporâneos. A primeira delas consiste naqueles que procuram se comportar
de modo devido por medo da condenação divina ou, então,
para quererem dar satisfação à sociedade e às pessoas
que os cercam. Nesse segundo caso é muito comum o desejo de formatar
uma aparência de retidão frente ao público para evitar serem
julgados e muito menos para serem mal interpretados ou excluídos do meio
onde vivem. A retidão moral aqui é mais um verniz que camufla
o que verdadeiramente se é e se esconde os desejos mais secretos de sua
interioridade. A segunda tendência diz respeito àqueles que acreditam
não ter que dar satisfação a ninguém, nem ao céu,
nem à terra. Autodenominam-se de "livres" e fazem o que seu
desejo inspira para não se sentirem escravos de nada e de ninguém
em termos de comportamento e moralidade. O interessante é que, tanto
no primeiro como no segundo caso, nenhum deles consegue realmente ser critério
de princípio de conduta para os demais seres humanos. De tais ações
e atores o mundo, que está em busca de referências de um comportamento
digno de ser abraçado, se põe em fuga constante, com exceção
daqueles que fracamente estão ao jogo dos ventos e sopro das opiniões,
ideologias e aparências dos falsos "guias". A máxima
de Kant pede que cada um meça suas próprias ações
e busque ver se elas funcionam como critério de lei universal, ou seja,
tentar perceber se aquilo que cada um faz tem força de atração
e de condução para os outros. Em outras palavras, se o modo como
cada um se comporta longe ou perto dos demais, no privado ou no público,
guarda uma unidade de princípio ético que a humanidade sempre
buscou e prezou. Ao mesmo tempo, investigar se isso pode vir a se tornar uma
referência de comportamento ético para a humanidade em qualquer
outra situação ou tempo. Traduzindo, será que o que cada
um faz (sua ação), independente se os outros vêem ou não,
se os outros vão reconhecer ou não, tem valor e peso para toda
e qualquer outra pessoa a ponto de ela sentir-se bem e feliz fazendo o mesmo?
Se o que faço na presença ou ausência dos "homens",
se o modo como me comporto no público e no privado, diante de Deus ou
não, é busca séria e radical de ser o máximo e melhor
de mim mesmo. Se sim, então está aí uma grande chance de
ser valor e princípio universal, pois o universal quer dizer o que está
presente em cada um em meio às diferenças, ou seja, o que vale
para mim vale para o outro, pois está dentro de uma identidade comum.
Somente nesse sentido é que se pode compreender e caracterizar as ações
dos indivíduos em relação a certas dimensões da
vida como na religião, na política, na economia, no grupo social,
na administração de um cargo ou em tudo o que exige em princípio
uma postura ética. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
20 Novembro 2008:
"Os homens são movidos e perturbados não pelas coisas,
mas pelas opiniões que eles têm delas" (Epiteto,
filósofo frígio (atual Turquia), 130-50 a.C.). Os pré-conceitos
enganam. Quando nossa disposição interior forma um conceito, é
difícil mudar. Muitas vezes nos comportamos piores que as crianças
quando se trata de algo que desconhecemos. Quando é apresentado a uma
criança um novo sabor, antes de experimentar ela olha a aparência,
e se for antipática, já diz que é ruim sem experimentar.
Quando criamos uma antipatia por certa pessoa, qualquer ação que
ela faça, para nós sempre terá algum defeito. Quando temos
um desafio a nossa frente, se a insegurança toma conta, sem tentar, já
dizemos que somos incapazes de fazer. Há também pré-conceitos
quando supervalorizamos. Geralmente temos dificuldade em encontrar falha nas
ações de quem nós gostamos. Deixamos de conhecer tal qual
"é". Temos que aprender a arte de esvaziar a mente de pré-conceitos
e a reformular nossos conceitos com mais embasamento. Quantos conceitos científicos
mudaram depois de pesquisas mais apuradas. Aprendendo a ouvir antes de julgar,
evitaremos injustiças. Conhecendo melhor, descobriremos tanta coisa que
antes passava despercebida e que agora aprendemos a admirar. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos).
18 Novembro 2008:
"Ontem, foi embora. Amanhã, ainda não veio. Temos
somente hoje, comecemos" (Agnes Gonxha Bojaxhiu, Madre Tereza de Calcutá,
religiosa de origem albaneza, 1910-1997).
Onde estou dá sentido ao passado e motiva o futuro. A idéia
de começar pode sugerir para alguns como o apagar ou anular de tudo o
que se experimentou até então para iniciar do ponto zero uma nova
atividade. Isso vale para atividades que se realizam em alguns setores, mas
no que toca à vida humana é impossível apagar ou jogar
fora o que se viveu ou experimentou. Começar, em referência à
vida, significa despertar de novo e de modo novo para aquele ponto de onde tudo
de bom foi desencadeado na existência. Esse ponto não é
fixo e determinado, mas nasce como o desabrochar de um encontro que atinge e
influencia tudo o vem depois na história da pessoa. É ele que
dá sentido ao passado, que guarda o presente e motiva o futuro, ou seja,
ele reúne o que se entende por passado, presente e futuro em um único
momento engajamento e responsabilidade. O começar em termos de tempo
é apenas ter a capacidade de aqui e agora saber colocar-se em atitude
disposição plena para enfrentar, conduzir, transformar e dar significado
a tudo o que se é, tem, sente e faz. Essa postura diverge e não
admite nenhum tipo de ressentimento e murmuração com o que já
foi, nem cria falsa expectativa com o que pode ou poderia vir e, sim, com uma
límpida e pura positividade com o concreto da vida, bem ali onde se tem
os pés, que tudo acontece. Tudo o que for diferente corre o risco de
ser alienação e dispersão. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
17 Novembro 2008:
"Projetistas fazem canais, arqueiros atiram flechas, artífices
modelam a madeira e o barro, o homem sábio modela-se a si mesmo"
(Siddhartha Gautama, "Buda", líder religioso da Índia,
565 A.C.- 486 A.C.).
Profissionais que se dedicam ao seu trabalho aperfeiçoam sua arte
em cada novo projeto, vencendo os desafios, aprendendo com os materiais e corrigindo
as falhas. Cada atividade é única para quem realiza. De cada obra
há um novo saber que brota. Este trabalhador quando busca se superar
está moldando sua arte e aperfeiçoando a si mesmo. A arte de modelar
exige muito empenho e dedicação do artesão. O homem sábio
percebe que algo semelhante acontece com o homem que se lança no caminho
da perfeição, ou seja, cada falha corrigida representa muito em
sua busca. Sabe que as falhas são oportunidades de melhorias quando corrigidas
a tempo, sabe também que poderão ocorrer "recaídas",
mas elas apontam que ainda tem algo a melhorar. Nesta dinâmica o sábio
vai se modelando. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
16 Novembro 2008:
"Mulher bonita sem bom-senso é anel de ouro em focinho de
porco" (livro dos provérbios do Rei Salomão, capítulo
11 versículo 22).
A natureza dotou as fêmeas de encantos que despertam admiração.
Nos seres humanos, esses encantos vão além da beleza exterior
e se harmonizam com o que é irradiado do interior pela simpatia, educação
etc. Deus também deu à mulher o "bom senso" para poder
discernir o "certo" do "errado" e com isso poder dar direção
segura às suas ações. Salomão compara a beleza da
mulher a um anel de ouro. O anel de ouro se destaca em uma bela mão que
o conserva limpo e brilhante, pois, conhece o seu valor. Este mesmo anel em
um focinho de porco ficará sujo e pode até se ofuscar na lama,
pois, o porco desconhece o valor que os humanos dão para o anel. Uma
mulher virtuosa é quem mantém limpo o seu anel (seus encantos),
uma mulher que se deixa corromper por desconhecer seus verdadeiros atributos
é semelhante ao anel no focinho do porco. (Reflexão feita por
José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
14 Novembro 2008:
"Realizando coisas justas, tornamo-nos justos, realizando coisas
moderadas, tornamo-nos moderados, fazendo coisas corajosas, tornamo-nos corajosos"
(Aristóteles, filósofo grego, 384 - 322 a.C.).
Temos o "barro" para modelar o que seremos. Nas mais diferentes
épocas, praticamente todos os ofícios e profissões são
aprendidos e, ao mesmo tempo, só surgem em sua excelência dentro
de um operar, seja ele artesanal ou industrial. É mais ou menos o que
se constata no dito popular que diz: "Fazendo é que se aprende".
Comida só se aprende a fazer, fazendo; nadar só se aprende, nadando;
jogar só se aprende jogando etc. Semelhante idéia ocorre no plano
das virtudes onde justiça, moderação, coragem, lealdade,
honestidade, compreensão, respeito e muito mais, só se realizam
na medida em que se opera com elas na própria alma com empenho e assiduidade.
Vale dizer, nos tornamos naquilo que fazemos, ou ainda, cada um se torna aquilo
que vai operando em si mesmo ao longo dos anos. Desse modo, um velho "rabugento
e resmungão" é somente o que foi tornando-se ao longo dos
anos; um jovem irresponsável é o fruto de irresponsabilidades
acumuladas anos a fio. O contrário também é óbvio,
isto é, alguém jovial, justo, leal, honesto, bom e amável
é a expressão visível e concreta daquilo que foi tomando
corpo nele na medida em que trabalhou o espírito para bem receber essas
virtudes. Baseado nisso, ao olhar para si, cada um deveria perguntar-se: em
que estou me tornando? A pessoa é aquilo que dia após dia foi
se tornando em sua existência. É bom pensar nisso para perceber
em que tipo de ser humano cada um está se transformando, pois todo homem
é o que está realizando. Se sua "obra" prenuncia imperfeições,
é melhor mudar enquanto é tempo. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
13 Novembro 2008:
"Sê dono da tua vontade e escravo da tua consciência"
(Aristóteles, filósofo grego, 384 - 322 a.C.).
Com o "cinzel" da vontade e a perseverança de um artista, o
homem vai moldando seu espírito. Vontade e consciência são
termos para caracterizar o que o homem pode modelar a si mesmo, para ser livre
e sábio. Pela vontade, ele pode dispor seu querer para crescer em tudo
o que exige esforço, dedicação e contínua retomada.
Vontade é o que de melhor cada um tem para trabalhar o ânimo e
educar os sentidos. Quando mal educada (a vontade), produz gente preguiçosa,
desanimada, murmuradora, medrosa e prisioneira dos próprios desejos e
instintos. São aqueles "que só fazem o que lhes dá
vontade". Tal vontade já está apodrecida em sua raiz e só
produz "galhos secos" para o futuro (nada de fruto). Por outro lado,
as pessoas de vontade firme e determinada são mais vivas, soltas, disciplinadas,
generosas e dispostas em tudo o que fazem ("disposição"
é muito diferente de "euforia de momento"). Os que assim agem,
ao invés de serem escravos da vontade, são senhores dela e a usam
para temperar o caráter na direção da maturidade plena.
Já a consciência "trabalha" com a capacidade perceptiva
do ser humano, isto é, de estar atento com tudo o que se passa e experimenta,
para ir tirando daí as mais diversas lições e conclusões
inteligentes. Consciência é nascer junto com os fatos e as "coisas",
aprender delas nas suas significações mais profundas e ampliar
a compreensão do que já se faz, sente e pensa. O homem consciente,
em geral, vê, percebe a realidade como ela é, sem imposições,
preconceitos ou idealismos. Por ser consciente da realidade, aprendeu e sabe
escutá-la. Assim está a serviço de suas reivindicações
e exigências mais importantes; melhor ainda, sabe ser dócil aos
apelos da própria consciência. Ele entende que consciência
é diferente de uma visão estreita de si mesmo, é ter um
olhar largo, profundo e originário das coisas, da vida, do cotidiano,
do mundo, dos fatos, das pessoas e até de si mesmo. Os que são
senhores da sua vontade e servos de sua consciência possuem os pés
mais bem fixados na "terra dos homens" (pertença) e mais abertos
e livres para alçar voos sempre mais altos em direção às
alturas (enquanto profundidade) montanhosas da "Sabedoria". (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
12 Novembro 2008:
"A função da prece não é influenciar
Deus, mas mudar a natureza daquele que reza" (Soren Aabye Kierkegaard,
teólogo e filósofo dinamarquês, 1813-1855).
Deus ouve o amor que brota de um coração sincero que se abre ao
toque divino. O grande problema da prece de tantos orantes reside no fato de
que muitos rezam com o intento de manipular Deus, de fazê-Lo estar a mercê
dos interesses pessoais. A prece nos lábios do "homem" interesseiro
torna-se um meio de querer influenciar sutilmente a divindade para colocá-la
debaixo dos próprios pedidos e caprichos. Ao se rezar assim, o deus a
quem se dirige não é "Deus", mas apenas objeto de uma
projeção subjetiva, ou melhor, um ídolo feito à
imagem e semelhança daquele que o inventou. A partir do momento em que
esse deus não serve ao homem, nas suas súplicas e necessidades,
é rejeitado, desacreditado e colocado sob o bombardeio das blasfêmias.
Isso significa que se Deus não serve aos interesses do homem, Ele não
serve e nem é servido, pois seu "valor" e importância
são calculados na proporção em que podem serem úteis
ao orante e na medida em que este se deixa ser influenciado por seus adeptos.
A oração no seu significado mais profundo, é muito diferente
e não tem esse sentido de fazer com que a divindade se incline ao homem,
mas de conduzir o ser humano orante a se deixar modelar e influenciar por ela.
O ser humano disposto a orar, deve abrir o seu coração e permitir
que sua natureza seja transformada pela ação divina. Em outras
palavras, a prece verdadeira tem a função e o poder de dispor
o homem para Deus e não o contrário, de abrir a mente e a compreensão
humana para a infinita Sabedoria divina, jamais para encaixar a divindade ao
tamanho das estreitezas dos pensamentos, vontades e desígnios humanos.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
11 Novembro 2008:
"Adie por um dia, e dez dias passarão" (provérbio
coreano).
Tarefa adiada é tarefa mal realizada. A palavra "adiar" traduz
a idéia de procrastinar, deixar para outro dia, protelar. Vale também
para aqueles dez minutos a mais de sono que muitos gostam de desfrutar antes
de sair da cama. Aplicam-se também para uma resposta, uma tarefa, uma
visita, para felicitações, agradecimentos etc. São atitudes
que podemos tomar agora, mas por comodismo adiamos. Ao adiar, começamos
a perder o controle. Quem adia uma vez, adia muitas vezes. Esta atitude toma
as características de um vício, que assume o controle em lugar
da pessoa. Sendo assim, evite adiamentos que têm em sua origem o vício
da preguiça, pois quando este "toma conta", a "pessoa
nem sai de casa". Quem acorda e com disposição logo "salta"
da cama, aproveita mais o dia. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia!
9 Novembro 2008:
"Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente,
mas, na hora oportuna, a que for boa para edificação, que comunique
graça aos que a ouvirem" (Carta do São Paulo aos
Efésios, capítulo 4, versículo 29).
As palavras que proferimos revelam quem somos. É muito comum entre homens
e mulheres quando se reúnem para conversar (bares, local de trabalho,
restaurantes etc), darem-se ao costume de tecerem comentários a respeito
dos mais diversos assuntos e contarem piadas para tentar relaxar e criar um
clima de aproximação e descontração entre os presentes.
Até aí, nada de mal, pelo contrário, pode realizar seu
objetivo quando bem feito. O que pode ser inadequado é usar desse artificio
para se camuflar os vazios interiores, a falta de maturidade nos relacionamentos,
mas, sobretudo, usar desses momentos para fazer aparecer as coisas "fétidas"
que carregamos. O encontro torna-se uma verdadeira enxurrada de palavrões,
fofocas e palavras de baixo calão oriundas de bocas "sujas".
Nessas situações, o que mais se mostra é a incapacidade
de proferir palavras e idéias interessantes e edificadoras que comuniquem
graça a quem ouve. Durante tais encontros, se tem a falsa sensação
de descontração e alegria; mas, depois que o grupo se dispersa,
o vazio de uma vida fútil que portamos retoma seu lugar. Quem sabe a
dica de São Paulo na carta aos efésios é para que, em fazendo
bom uso das palavras, um verdadeiro edifício de boas relações
se estabeleça entre as pessoas. Toda e qualquer palavra que se pronuncia
é eco e corpo do que se é e se busca. Palavra boa e edificante
é ressonância de alguém que interiormente está revestido
de coisas boas e que no seu modo de falar, pensar, sentir e agir não
consegue ser diferente, ou seja, deixar extravazar o tesouro que porta consigo,
ou melhor, aparece nela a comunicação da fonte da qual se nutre.
Palavra má também é expressão de quem está
nutrindo de uma raiz má e apodrecida; daí, que, todo o seu modo
de ser é para "sujar" o ambiente e destruir o que deveria estar
de pé. O cuidado com as palavras, então, é essencial nos
diferentes convívios que se trava no cotidiano. Nesse sentido, a palavra
"boa" ou "má" proferida na hora oportuna, determina
em muito a qualidade de vida e de relações que temos. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
06 Novembro 2008:
"As pessoas gastam uma vida inteira buscando pela felicidade; procurando
pela paz. Elas perseguem sonhos vãos, vícios, religiões,
e até mesmo outras pessoas, na esperança de preencherem o vazio
que as atormenta. A ironia é que o único lugar onde elas precisavam
procurar era sempre dentro de si mesmas" (Ramona L. Anderson,
vice presidente da Chief Technology Officer).
É inútil buscar fora o que está dentro. Tudo o que somos,
deixamos transparecer em nosso ser, pela nossa forma de agir, pensar e falar.
Os assuntos que mais nos interessam refletem um pouco de nossa busca. Uma busca
por "agito", querer estar em tudo o que está na "moda",
podem revelar que a pessoa ainda está sem rumo. Uma pessoa pode estar
em um cenário maravilhoso, mas se dentro dela falta paz, logo começará
reclamar de alguma coisa, do sol, da brisa e até das formigas. A forma
como vemos é reflexo do que somos. Somos criaturas de Deus e formamos
uma unidade com toda a criação. Entender isso a partir de nosso
ser abre nosso "coração" para a harmonia e a paz. Se
nada te satisfaz, começa fazendo uma "faxina" em sua maneira
de pensar e em suas atitudes, e quando tudo estiver limpo, certamente encontrarás
a paz que tanto buscas. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
05 Novembro 2008:
"Tenha cuidado com a tristeza. É um vício"
(Gustave Flaubert, escritor francês, 1821-1880).
Quando buscamos a tristeza, os motivos sempre aparecem. Quando os acontecimentos
não correspondem a nossas expectativas, temos a tendência de ficarmos
tristes. Suas raízes estão na forma de como vemos. Quanto mais
nos deixamos abater, mais afundamos em nossas "mágoas". É
como alguém com óculos de lente muito suja, que sem se dar conta
disso, fica muito triste porque acha que o mundo está sujo, até
que "desperta" e limpa as lentes e assim então começa
a ver as coisas tal qual elas são; e a tristeza desaparece. O que suja
as lentes de nossa alma são os nossos vícios, nossas falhas e
a forma deturpada de vermos. São Francisco quando encontrava alguém
triste pedia que fosse buscar o sacramento da reconciliação imediatamente,
pois um "servo de Deus" tem a obrigação de estar alegre.
Tristeza atrai mais tristezas, alegria atrai mais alegria. Sabemos que há
muitos espinhos nos talos que contém rosas; em vez de ficar tristes porque
podem nos machucar, devíamos ficar alegres, pois eles protegem a linda
flor. Tudo está na forma de ver. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
04 Novembro 2008:
"A cólera é uma rajada de vento que apaga a luz da
inteligência" (Robert Green Ingersoll, político e
orador americano, 1833-1899).
Uma grande força controlada pode produzir muita energia positiva.
Cólera é palavra dúbia em português, pois pode designar
uma infecção intestinal, uma bactéria contagiosa que pode
causar a diarréia, como pode significar fúria ou explosão
de raiva. No grego antigo, cólera tinha sua raiz etimológica "kholé"
que era traduzido por bile, pois acreditavam que o excesso de bile no organismo
da pessoa provocava "mau humor". Embora a bílis seja parte
importante para manter o organismo vivo, ativá-la em demasia é
perigoso e pode provocar a ira, ou seja, em si ela é inofensiva; porém,
se excede, pode causar danos. O mesmo acontece com a cólera, senti-la
em certas situações comedidas, não tem problema; o que
estraga é permitir a sua manifestação em forma de exagerada.
O excesso só revela o descontrole e falta de domínio sobre ela.
Ao se exceder em forma de explosão ela é como um sopro descontrolado
de uma tempestade que anuvia os olhos e obscurece a lâmpada da razão.
Dificilmente se consegue pensar e ser razoável em momentos de ataque
da cólera, pois ela faz com que a inteligência perca sua capacidade
de ler os fatos e compreender o que se passa, principalmente, com pessoas envolvidas
na relação de conflito. A cólera, no entanto, é
uma força muito grande e poderosa que se for reconhecida dentro de cada
um e bem temperada (orientada) pode gerar na pessoa uma enorme energia de bondade,
respeito e compreensão. Pode estar aí uma das razões pelas
quais pessoas extremamente agressivas, irascíveis, biliosas e violentas
se tornam muito amáveis quando canalizam sua força destruidora
em um grande potencial de edificação da própria personalidade.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
03 Novembro 2008:
"Um olho vê, o outro sente" (Paul Klee, pintor
suíço de nacionalidade alemã, 1879-1940).
Com os olhos também podemos ver. Quase todas nossas experiências
mais imediatas tem esse jogo dos dois olhos, um para ver, o outro para sentir.
Isso nada tem a ver com um racionalismo (vê) aliado ao sentimentalismo
(sente). O olho da visão é aquele que penetra, investiga, sonda,
busca as coisas como uma questão de vida. É o olho da atenção
e da vigilância que vê na luz e pela luz. O outro olho é
o da recepção e captação. Tal qual um radar está
sempre à disposição do que chega. Com outras palavras,
está constantemente à espera do inesperado e, por isso mesmo,
de tudo que lhe vem, nada é estranho e banal. Esse olho da sensibilidade
é aberto e acolhedor de todas as realidades. É o olho do artista,
do filósofo, do santo, da mãe, do amigo, do profeta e do pensador.
É deste olho que os antigos ampliando ao infinito atribuiam ao divino
para dizer que "Deus tudo vê". Deus vê tudo e tudo vê
numa amplidão, num abismo de grandeza e profundidade que nada escapa.
Seu olhar abarca e sonda o universo e nada escapa ao seu alcance, nem mesmo
as profundezas de nosso coração e alma. E por ver nossas razões
e imperfeições nos conhece, nos ama, perdoa e salva. Feliz, portanto,
quem se coloca debaixo de seu olhar e ao mesmo tempo implora a purificação
do próprio olho e do olhar para ver e sentir todas as coisas na sua verdade
e pureza. Somente os que possuem um tal olho e olhar é que percebem bem
o ser real das pessoas e o sentido contido no interior de tudo o que é
visível e invisível. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
2 Novembro 2008:
"Quem nunca um erro cometeu, também nunca algo descobriu"
(Regina Shultz).
'Um erro não justifica outro', mas pode servir de base para o
acerto. Uma maneira simples de considerar a afirmação (quem nunca
um erro cometeu, também nunca algo descobriu) é pensá-la
nos moldes daqueles que se escondem atrás dos erros para justificar todos
os tipos de ações más. A máxima desse tipo de atitude
é chegar a proclamar o velho jargão que diz: "Errar é
humano"! Mas, pode ser que essa frase aponte também para outra dinâmica
de compreensão, aquela que pensa o erro como mestre do aprendizado e
das descobertas. Essa segunda maneira de pensar está presente em todos
aqueles que estão devotados a uma tarefa, a uma missão, a um compromisso
etc. Qualquer profissional, em sua área, quando está procurando
realizar seu ofício da melhor maneira possível, pode, no seu esforço
de acertar cada vez mais, acabar cometendo algum erro. No entanto, se é
bom profissional mesmo, aprende com esse erro para ficar ainda mais profundo
no que faz e leva seu trabalho e sua compreensão do trabalho a uma perfeição.
Ainda mais, pode ir fazendo descobertas e ligações que o tornam
mais criativo, hábil e inteligente no seu ofício. O erro, nesse
sentido, só leva a descobertas e ao aprendizado, quando tomado como lição
em que a pessoa se abre para rever o que fez, pensou e sentiu. Nessa perspectiva,
também se pode falar que grandes personagens da História, os bons
profissionais do mercado de trabalho, os artistas, pensadores, santos e outros
grandes representantes da humanidade são aqueles que aprenderam com seus
erros para se tornarem mais concretos, criativos, hábeis e inteligentes
naquilo que lhes foi confiado. O erro, então, para os que sabem fazer
uso positivo dele (e não se justificar) é um grande aliado da
abertura da própria visão (clarividência), do avanço
na vida e da maturidade. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
30 Outubro 2008:
"Por Cristo eu vivi, por Cristo desejo morrer" (Irmã
Maria Restituta Kafka, religiosa e anestesista checa, 1894-1943). Quando
falta um ideal para se viver, a vida fica sem sentido. No início da segunda
guerra mundial, as forças nazistas ocuparam a Áustria e fizeram
de Viena uma de suas bases. Uma das características destas forças
de ocupação era proibir qualquer manifestação de
fé ou sinal da presença de Deus. A Irmã Kafka (apelidada
carinhosamente de Irmã Resoluta, devido a seu modo cordial e decidido),
trabalhava no centro cirúrgico do Hospital Modling, em Viena, onde seu
carinho para com os enfermos era sinal do amor de Deus nos momentos mais difíceis.
Por isso, quando os nazistas retiravam os crucifixos das salas cirúrgicas,
ela serenamente os recolocava no lugar. Essa atitude foi motivo de prisão
e no dia 30 de março de 1943, foi decapitada. Antes de morrer pronunciou
estas palavras, "por Cristo eu vivi, por Cristo desejo morrer" e pediu
que fizessem um sinal da cruz em sua testa. Seu exemplo de fé nos mostra
que quando temos "ardor" por uma causa em nosso coração,
nem mesmo a ameaça da morte é capaz de nos deter. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
29 Outubro 2008:
"A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto
ele ainda está vivo" (Albert Schweitzer, médico,
músico, filósofo e teólogo alsaciano, 1875-1965).
Quando se perde a força que alimenta a esperança, a pessoa
vegeta. Por incrível que pareça, dentro de cada pessoa existe
um conflito que, mais cedo ou mais tarde, ela acaba se dando conta. De uma parte,
há muita coisa dentro dela que mereceria estar morta e ser ignorada,
mas que está bastante viva e presente. Por outro, muita coisa que mereceria
viver e ser preservada que, no entanto, está morta e apagada. O modo
como vive e do que se vive pode, em certos casos, tirar da pessoa, de forma
lenta e cruel, toda a sua energia de vida e colocá-la num estado vegetativo
de existência que produz a morte de todas as dimensões de seu ser.
Nesse sentido, se morre não apenas quando se deixa de viver, mas quando
se vive sem objetivo, sem sentido, sem esperança, sem relações
saudáveis, sem um por quê e para quê. Deixar morrer interiormente
o que deveria viver é trágico porque se permitiu que a vida, que
é dinâmica e rica de sentido, se perdesse na inércia, na
monotonia, na irresponsabilidade e na falta de cultivo daquilo que a alimenta,
sustenta e conduz. Só retomando-a continuamente na direção
de sua fluência e vigência é que o trágico dela pode
se converter em graça preciosa e referência maior de nossa ocupação
e preocupação de cada dia. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
28 Outubro 2008:
"Prefiram o conhecimento em lugar do ouro, porque a sabedoria vale
mais do que as pérolas, e nenhuma jóia se compara a ela"
(Livro dos Provérbios, atribuídos ao Rei Salomão, capítulo
8 versículos 10 e 11).
Em um mundo envolto em uma crise financeira, relembrar os valores transcendentais
pode nos ajudar a redescobrirmos as verdadeiras riquezas da vida. Uma das cenas
que mais me chamou atenção no filme "Horizonte Perdido"
(1973), foi quando um dos sobreviventes, que passeava com uma habitante local,
encontrou pepitas de ouro num riacho de águas cristalinas. Ele imediatamente
começou a recolhê-las, entusiasmado, porque "tinha ficado
rico". Ele explicou que ali, naquele local (Shangrilá), o ouro só
tinha valor em seu contexto original de enfeitar as águas, e a riqueza
estava em compreender tudo isso. Como seu coração estava distante
destas realidades, ele permaneceu sem entender. O pânico que hoje apavora
o mundo financeiro está em uma relação de valores volúveis
(instáveis), que atinge os que vivem esta dimensão. Os maiores
valores estão reservados aos que "garimpam" com o coração.
No evangelho de Lucas capítulo 12 versículo 33 encontramos o seguinte
conselho: "Fazei para vós bolsas que não envelhecem; tesouro
no céu que nunca acabe, aonde não chega ladrão e a traça
não rói". (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
27 Outubro 2008:
"Rápido, não confies que ainda tens tempo. Se hoje
estás sem vontade, amanhã será mais penoso ainda"
(Públio Ovídio Nason, poeta latino, 43 a.C. – 17 d.C.).
Adiar pode significar recusa em fazer. Existe um verbo, "procrastinar",
cuja origem está no latim "procrastinare", que significa adiar,
deixar tudo para fazer depois. Para muitas pessoas isso virou um hábito.
É semelhante ao vício do fumo. Começa por brincadeira,
mas como é cômodo, vai mantendo até o dia que só
consegue reverter com muita força de vontade ou ajuda profissional. Nesta
analogia, assim como devemos evitar o primeiro cigarro, devemos também
evitar "procrastinar" nossas obrigações ou criações.
Quando mais depressa dá início, mais atenção poderá
dar sem a pressão do tempo escasso. Pense que cada dia tem seus empecilhos
(dificuldades); o que adiamos hoje se juntará com os de amanhã,
e assim por diante. Sendo assim, ganhe tempo sendo ágil, evitando adiar
o que podes resolver agora. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
26 Outubro 2008:
"Ao perdermos o interesse apaixonado pelos nossos semelhantes,
perdemos a capacidade de sermos felizes" (Ashley Montagu, antropólogo
e humanista inglês, 1905-1999).
O amor pelo semelhante se revela nos momentos mais difíceis. Certa vez,
quando recolhíamos donativos para famílias de leprosos, um senhor
comprou uma boa quantidade de cobertores de qualidade e doou. Ao ser questionado
por quê oferecia algo caro, ele respondeu que a doação começa
no coração, e quando falta amor ela é vazia. Ele estava
dando do melhor porque "pobre não é lixo, é meu irmão",
acrescentou ele. Foi uma grande lição para todos nós que
achávamos que estávamos fazendo muito naquele trabalho. Aprendemos
também que o amor é como tempero que dá sabor e sentido
a nossas ações. Penso que, se quem recebe seu gesto de amor se
mostrar "mal agradecido" ou mesmo chegue a recusar, ele (seu amor)
teve seu mérito e voltará a você. A felicidade é
compartilhada. Só somos realmente felizes quando repartimos nosso amor.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
23 Outubro 2008:
"Deixe suas esperanças, e não seus ferimentos, moldarem
seu futuro" (Robert Harold Shuller, escritor americano (nasceu
em 1926).
Nossos pensamentos são semelhantes a uma "bússola"
a guiar nosso futuro. Quando alguém está ferido, sua dor ocupa
a maior parte de seu raciocínio, pois ela o incomoda. Quem se abate com
a dor deixa para outro momento suas esperanças. Mas, há aqueles
que aprenderam a "sublimar" (purificar, tornar sublime) a dor, isto
é, deram a ela o cargo de "mestra" para modelar o espírito.
Quando uma dor "no pé" (por exemplo) quer impedir de caminhar,
improvisa-se um apoio e continua, pois a recompensa da chegada é maior.
Com isso, seu peso fica menor (e mais fácil de carregar) dando à
esperança um lugar de destaque. Quando a força da esperança
guia o presente em vista do futuro, os sofrimentos ficam reduzidos ao tamanho
de pedras que calçam o caminho, pois elas facilitam a caminhada quando
nos impedem de "atolar". (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
23 Outubro 2008:
"Os piores inimigos são os que sempre aprovam tudo"
(Tácito, historiador romano, 55-115)
O aplauso quando é injusto deforma o caráter. A palavra
"inimigo" (do latim inimicu) lembra um adversário, alguém
que pode nos prejudicar. Nesse sentido, o autor entende que quem concorda com
tudo o que fazemos é nosso inimigo, pois ao concordar também com
nossos erros, nos incentiva a permanecer neles. Notamos esse tipo de comportamento
principalmente nos responsáveis por educar as crianças. Quando
acham graça das "peraltices" e nada falam, incentivam a prossegui-las.
Subalternos que concordam incondicionalmente para garantir emprego, também
estão se portando como inimigos, e assim por diante. Um bom amigo é
algum que te corrige, te incentiva a percorrer caminhos seguros e te aplaude
quando acerta. Agradeça a quem te corrige pela oportunidade de melhorar.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia!
22 Outubro 2008:
"Quando não conseguimos o que queremos, melhor mudar de
atitude" (Publio Terêncio Afer, ator cômico latino,
195-159 a.C.).
É até fácil colocar a culpa em alguém ou
no "azar" pelos fracassos; difícil é mudar a maneira
de pensar. O que pensamos e como pensamos é que determina o que atraímos.
Há pessoas que vivem em função do fim do mês para
pegar o salário e em poucos dias ficar sem dinheiro novamente. Os outros
dias são um peso, pois seus pensamentos estão centrados no pagamento.
Pensando assim, deixam de atrair novas perspectivas. Outros só pensam
em negociar para ganhar mais, mesmo que para isso precisem enganar alguém.
Esta maneira de pensar faz com que até seu relacionamento doméstico
vire um comércio. Outros acham que o poder é oriundo da força.
Pensam que o mundo é dos mais fortes e que "as artes marciais"
e/ou as armas lhe darão poder. Seus pensamentos estão voltados
para atividades "bélicas". Há também os que acreditam
na força interior dada pelo estudo e vida mais natural. Seus pensamentos
estão buscando respostas. Por estarem às vezes no "mundo
da lua" esquecem obrigações simples. São todos exemplos
de grupos de pessoas cuja maneira de pensar determina suas vidas. Assim sendo,
quando mudamos a maneira de pensar, mudamos o que estamos atraindo para nossa
vida. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom dia!
(12 anos)
21 Outubro 2008:
"Se há muitos comandantes, o navio afunda"
(provérbio árabe).
É tido como certo que determinados grupos humanos precisam de um líder
à sua frente para comandá-lo. Isto já está consagrado,
principalmente, nas instituições como forças armadas, empresas,
grupos religiosos dentre outros. O estar à frente na liderança
nem sempre quer dizer autoritarismo, repressão, domínio ou "pirâmide
de status social". Em muitas tradições, até milenares,
o sentido de liderança, de uso do poder enquanto comando, é de
alguém que tendo amadurecido numa busca humana fundamental sabe como
orientar os demais para esse mesmo fundo de sentido e valores. O chefe e comandante,
no caso, é aquela pessoa que conhecendo bem um objeto de interesse comum
se dispõe a convocar e conduzir as pessoas para esse objetivo com o aval
delas. Para caminhar bem num objetivo comum é necessário que o
líder e os seus companheiros de meta tenham sempre claro aonde ir e como
ir. Ao se perder esse objetivo ou objeto de interesse comum, muitos se insinuam
como líderes, chefes e guias e devido à falta de clareza e perspectiva
de onde vem, para onde vai e porque vai, se instala a confusão e dispersão.
Nesse momento de perda do foco central, do objetivo comum, todos se acham no
direito de mandar e de fazer o que bem entendem. Em um navio, por exemplo, é
o momento que a falta de meta leva a rumos catastróficos; numa empresa
começa a imperar o desleixo, a falta de compromisso, o autoritarismo
e a desobediência; na sociedade é o início da anarquia e
caos; na política, a demagogia, manipulação e ideologia;
nas instituições religiosas, a cegueira, o fanatismo e os falsos
profetas. Ter muitas lideranças pode despertar a disputa entre si, a
ponto de perderem a clareza da missão ou de seus objetivos. Isso significa
que a existência de vários comandantes leva o grupo a perder o
foco de sua busca (ou do objetivo da missão), levando esse mesmo grupo
a afundar por falta de eficiência em alcançar suas metas (muitos
mandando e poucos executando). (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
18 Outubro 2008:
"Ensinemos a perdoar. Mas ensinemos também a não
ofender; será mais eficiente". (Giuseppe Ingegneri, médico,
psiquiatra, escritor e sociólogo ítalo-argentino, 1877-1925).
Independente da motivação, jamais ofenda. O trânsito e os
esportes são eficientes instrumentos para medir nossa capacidade em ofender.
Quando encastelados em nossos veículos, facilmente deixamos escapar uma
expressão de ofensa a um motorista que de certa forma nos tenha dificultado
nossa trajetória. Algo semelhante acontece nos esportes, quer praticando
quer torcendo. Por isso, eles (o trânsito e os esportes) formam uma excelente
escola para treinarmos nossa paciência e capacidade de perdoar. Certo
dia, voltando da escola onde estuda minha filha, fui brutalmente fechado por
um veículo e imediatamente (quase sem perceber) soltei um "palavrão"
e segui meu caminho. Por certo tempo ela permaneceu em silêncio e depois
me perguntou, "papai, em vez de falar mal, você poderia orar por
ele para que dirija melhor". Estas palavras tocaram profundamente em minha
consciência e percebi quanto tinha que melhorar e evitar dar maus exemplos.
Assumi um compromisso de evitar proferir palavras feias. Percebi como é
difícil mudar velhos hábitos. Mas, com esforço, é
possível. Esse exercício diário de buscar corrigir nossas
posturas censuráveis nos faz pessoas melhores a cada dia. (Reflexão
feira por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
16 Outubro 2008:
"A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a
ira" (Prov. 15, 1)
Combate-se incêndio eliminando pelo menos uma das fontes da combustão.
Combate-se a ira eliminando pelo menos uma das causas do furor. Uma resposta
humanamente falando é sempre um ter que se responsabilizar pelo que se
recebe. Se responsabilizar pelo que se recebe é dar direção,
sentido ao que nos atinge. Desta forma, temos nas mãos a tarefa de encaminhar
as mais diferentes situações que nos chegam e o que for encaminhado
de nossa parte é o que será. Bom ou ruim é o que se dará
de acordo com a nossa resposta. Isso é muito comum no modo como orientamos,
por exemplo, o furor e a ira. Se a resposta for à direção
da mansidão e brandura, logo brandura e mansidão encontrarão.
O furor ao se deparar com tais virtudes morrerá por falta de "combustível
incendiário". Caso encontre em nós ou no outro qualquer migalha
para "abocanhar", tipo uma palavra dura e áspera, automaticamente
irá se nutrir ganhará corpo, volume e sobreviverá no que
lhe é próprio. Fará de tudo para jamais deixe de existir.
Quem conhece as artimanhas do furor e da ira sabe muito bem que é mais
fácil dar vazão a esses impulsos, pois basta uma situação
que se apresente opondo-se a esta maneira de pensar, querer e agir para aflorar
os ânimos e desencadear uma fumaça da ira e furor. Vem por si e
de forma quase incontrolável. Muito mais difícil, porém,
é alimentar gestos de brandura, ternura e mansidão, visto que
a virtude precisa de cultivo e empenho diários. Estas e outras virtudes
só se avolumam e tomam corpo em nós quando tomadas como alimento
de todas as horas e em todas as circunstâncias, especialmente, naquelas
que nos são adversas e mais exigentes. Treinar-se no caminho das virtudes
em tempos difíceis para nosso ego e vigiar nelas em momentos serenos
é o melhor modo de responder a todos os ataques da fúria, da ira
ou de qualquer outro vício que deseja fazer visita ou moradia em nós.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
15 Outubro 2008:
"O professor medíocre conta. O bom professor explica.
O professor superior demonstra. O grande professor inspira" (William
Artur Ward, escritor e professor americano, 1921-1994).
O amor de quem ensina inspira alegria pelo saber em quem aprende. O professor
Portugal (educador brasileiro) destacava a importância de despertar no
aluno o amor pelo saber dando como referência o filósofo grego
Sócrates. Segundo ele, o trabalho de quem ensina é semelhante
ao de uma parteira (a mãe de Sócrates era parteira). Ela deve
retirar de dentro da mãe, com cuidado e carinho, uma nova vida; e o professor,
com perguntas pertinentes, retirar do aprendiz o saber ainda latente. A esta
forma de ensinar ele deu o nome de método "Maiêutico"
de ensino (do grego "maieutikós", concernente ao parto). De
certa forma, todos nós temos o dever de despertar nas crianças
e jovens o amor pelo saber. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
14 Outubro 2008:
"No passado, aqueles que loucamente buscaram o poder cavalgando
o lombo de um tigre acabaram dentro dele" (John Fitzgerald Kennedy,
político democrata americano e ex-presidente, 1917-1963).
Na acolhida amorosa a "fera" se amansa. As crises econômicas
e políticas, os conflitos armados, as subidas e descidas de alguns personagens
de renome na história de muitas nações, têm quase
sempre sua origem e seu desenlace, às vezes trágico, na ambição
pelo poder. Ambição aqui entendida como busca inadequada e sem
inteligência pelo poder. O poder é só uma vertente dessa
busca; ela se dá também em outras esferas, como por exemplo, pelo
dinheiro, pelo sexo, pelos bens de consumo etc. E nessa direção
se vai criando muitas outras necessidades ambiciosas que revela no seu fundo
o desejo de preencher os vazios existenciais. Nasce daí a maratona estafante
para se possuir, explorar e reter o máximo possível de tudo que
é objeto do desejo. Nascem junto artifícios para deixar para trás
os concorrentes e ameaçadores dessa ânsia doentia de ter. O passado
se encarregou de deixar registrado o fim decepcionante desses que cavalgaram
o "lombo do tigre" do poder, isto é, se tornaram vítimas
e foram traídos pela sua atração, força e beleza.
Foram abocanhados pela sua irresistível sedução e devorados
pelos dentes e garras de sua impiedosa ferocidade. O poder é muito benéfico
nas mãos dos livres e abnegados, mas um desastre na mente e uso dos insensatos.
A História da humanidade, no entanto, se encarregou de deixar marcado
também o exemplar de alguns vultos que fizeram a trajetória inversa
do uso do poder. É o caso de Francisco de Assis que domou a "fera"
do poder em si mesmo e nos homens de seu tempo e, ao invés de usar dele
para preencher vazios interiores, esvaziou-se de todo poder e posse para estar
sempre na recepção da verdadeira riqueza e sentido da vida. Ao
ler a história de uma vida assim, somos convidados justamente a entender
o sentido maior de nossa existência. Ela reside na abertura e jovialidade
de tudo receber, tudo acolher e captar. Onde tem esse espírito, os homens
são amigos, familiares e hóspedes de uma Terra comum que Saint
Exupéry tão magistralmente chamou de a "Terra dos Homens".
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
13 Outubro 2008:
"O homem começa na realidade a ser velho quando cessa de
ser educado" (Arturo Graf, poeta e escritor italiano, 1848-1913).
A educação revela a “alma” da pessoa. Uma grande dificuldade
encontrada nos dias de hoje por pais, mestres, formadores, educadores é
saber como educar os filhos e todos aqueles que estão confiados às
suas mãos para trilhar um processo formativo ou educativo. Muito se escreve,
fala, prega e aconselha. No entanto, parece que pouco fruto se colhe e o desgaste
por parte daqueles que têm a missão de educar é muito grande,
a ponto de se abandonar, em alguns casos, o empenho que se vinha fazendo nesse
campo. Com a influência dos avanços de algumas ciências,
como por exemplo, a psicologia, pais e educadores desconhecem como conduzir
um processo formativo. Por um lado, se acha que exigir, colocar limites, dar
alguns comandos aos filhos e "educandos", pode significar abuso de
autoridade ou insegurança; por outro lado, deixá-los com a "rédea
solta" seria "entregar o ouro ao bandido". Impor seria desumano
e ultrapassado, o contrário, frouxidão. Ficar em cima do muro
pode dar a impressão de se estar lavando as mãos. Cobrar pode
parecer sufocar, sem espaço para a criatividade e liberdade. As perguntas
que sempre ficam na garganta em meio a todos esses impasses são: Como
educar as pessoas nos dias de hoje? Ou, Quem educa quem? O que de fato significa
educar para se ousar falar em educação das pessoas nos dias atuais?
Sem respostas prontas para esse tipo de perguntas, ou talvez, as perguntas até
estejam mal formuladas, porém, uma coisa é certa: ninguém
educa ninguém, mas cada um aprende do "saber". Se existe a
figura do mestre, do pai e do educador é apenas para sinalizar (mostrar
o caminho) um sinal visível e concreto de alguém que se deixou
conduzir pelo caminho e pela tarefa do aprendizado. Na medida em que é
discípulo, aluno e filho do saber, ele ensina, educa, fala, sem ser dono
ou sujeito da sabedoria, mas como o canal, o instrumento do saber. E quem faz
isso está sempre buscando aprender e jamais ensinar. Eis porque tais
pessoas são sempre joviais, respeitosas e sábias, pois nunca cessam
de aprender o próprio aprendizado. Só nesse sentido é que
de uma certa forma se pode chamá-las de educadoras, mestres e guias.
O contrário disso é que é o "velho" no sentido
de caduco e ultrapassado. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
11 Outubro 2008:
"Dinheiro é uma nova forma de escravidão, que só
difere da anterior pelo fato de que ele é impessoal, que não existe
qualquer relação humana entre algoz e escravo" (Leon
Tolstoi, escritor russo, 1828-1910).
Deus nos criou pra sermos livres. A palavra dinheiro tem origem no latim
"denariu" que era uma moeda de prata que valia dez "asses".
Hoje esta palavra designa qualquer espécie de moeda de troca. Devido
e este poder de troca atribuído ao "dinheiro"; ele virou objeto
de cobiça na ilusão desta barganha trazer consigo "poder".
De fato, quem detém sua posse tem facilidade em negociações
comerciais. Mas, a cobiça humana criou em muitos uma sede insaciável
por sua posse, de forma que as pessoas se tornaram escravas (servas submissas)
dele. Como o real valor do dinheiro é apenas convencional, nele inexiste
qualquer relação humana. Quando se pensa em relação
humana, a idéia que se tem é que há um interesse positivo
pela pessoa do outro. Logo, as pessoas que se submetem ao jugo do dinheiro ouvem
somente a lógica do ter sem medida e a qualquer preço, mesmo que
para isso se tenha que usar de meios ilícitos. Nesse sentido, a pessoa
se torna escrava do dinheiro. Mas, é possível (e necessário)
estabelecer uma convivência positiva com essa ferramenta chamada dinheiro,
onde ele mantenha-se sempre em seu lugar, que é de nos auxiliar nos negócios,
e jamais ser nosso algoz. Ou ainda, que nunca troquemos o lugar de Deus ou da
pessoa humana em nossa vida pelo dinheiro, por maior que ele seja. Lembre-se
da advertência evangélica: "vós não podeis servir
a Deus e ao dinheiro" (Jesus em Lc 16, 13). (Reflexão feita por
José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
9 Outubro 2008:
"Feliz daquele que só deseja o que pode alcançar"
(Juan Luis Vives, humorista espanhol, 1492-1540)
As "miragens" do consumismo arrastam muitos para suas armadilhas.
A era do consumo tem uma ambiguidade muito interessante na pessoa humana,
sem distinção de raça, cor, religião, país,
cultura etc. Por um lado, ela põe a disposição de todos
os que têm de melhor e isso gera produtos e bens cada vez mais sofisticados,
irresistíveis aos sentidos. Basta visitar shoppings, mercados, lojas,
comércios e outros lugares semelhantes para constatar esta realidade.
É um verdadeiro "paraíso" terrestre de atrações
a seduzir adultos e crianças. De outra parte, o fascínio por cada
coisa e por tudo vai criando uma espécie de insaciabilidade e ganância,
de querer mais e sempre mais, de desejar o último lançamento,
a última moda, a última novidade e por aí vai. Pior quando
essa insaciabilidade se transfere para o nível dos relacionamentos como
namoro, casamento, para a área da sexualidade humana e até mesmo
para as coisas da religião e da fé. Passa-se a querer possuir,
dominar, a barganhar para obter o que se deseja, a explorar indefinidamente
o outro, a pensar somente em si para realizar o vazio que incomoda, ou melhor,
o buraco interior que a insaciabilidade do consumo promove. Para quem está
ou entra nessa segunda compreensão de consumo a insatisfação
vira "faca de dois gumes" e em uma "rua sem saída".
Revela a grandeza do coração humano que só encontra paz
quando repousa no objeto de sua busca. Ao mesmo tempo se busca uma "miragem"
que não satisfaz e se desgasta num sofrimento eterno que jamais poderá
preencher as verdadeiras necessidades do homem. Feliz, portanto, aquele que
tendo claros e distintos os riscos de uma maratona consumista, ele deseja somente
o que pode alcançar. Este jamais é alguém carente e ressentido
na vida. Como o pássaro do céu está contente com o seu
"grão" de cada dia, ele luta pelo que pode, agradece o que
tem e deseja o necessário. As preocupações com o ter infinito,
desviam e esvaziam o homem de seus maiores valores por substituir o ser pelo
ter. Quem deseja só o que pode alcançar, desfruta mais e melhor
do "concreto" (real) que está à sua disposição,
evita lamentar o que lhe falta, não cria dependência com o que
tem, nem se perde na preocupação do que poderia ter. (Reflexão
feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
8 Outubro 2008
"O que distingue os homens dos outros animais são as preocupações
financeiras" (Jules Renard, escritor e dramaturgo francês,
1864-1910).
Os homens se assustam com suas próprias invenções. Do escambo
até às transações eletrônicas, muitas coisas
mudaram. Uma vaca pastando se preocupa em sobreviver e alimentar sua cria. O
homem que vê esta vaca com "olhos financeiros" observa sua capacidade
de retorno neste investimento e qual seria a melhor aplicação
para garantir o maior retorno. Se uma cobra picar esta vaca e esta chegar a
morrer, o homem se desespera por seus lucros cessantes; mas, nem pensa que ela
era um ser vivente. Esta postura de muitos homens diante da vida está
afastando-os de entender qual é o sentido da vida e sentir que ele também
faz parte dessa existência como ator. Viver como espectador curioso para
obter vantagens financeiras de qualquer forma quebra a harmonia da existência
levando a um desequilíbrio. As consequências aparecem com
o tempo. Uma delas é a quebra das bolsas de ações, pois
os homens perderam a referência. Para cada depósito feito há
um fator que multiplica este dinheiro para empréstimo "criando"
mais dinheiro em circulação. Como não existe lastro, quando
este volume fica insustentável "a bolha explode". Os animais
ainda tem muito a ensinar aos homens no que se refere à existência
neste planeta chamado Terra. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
7 Outubro 2008:
"Há pessoas que estão sempre atribuindo às
circunstâncias aquilo que são. Não acredito nas circunstâncias.
As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias
de que precisam e, se não as encontram, as criam" (George
Bernard Shaw, escritor irlandês, 1856-1950).
Em uma horta predomina o que foi semeado. A palavra circunstância
vem do latim "circumstantia", significando as coisas que estão
à volta ou particularidade que acompanha algum fato. Diante de certas
circunstâncias de fracasso, desânimo, preguiça, incapacidade
pessoal, nervosismo, stress, agressividade etc., a grande tentação
é fazer-se vítima e colocar o próximo, o inimigo, o outro,
a situação, como sendo culpados. Em fazendo isso, se usa a estratégia
de aliviar provisoriamente a consciência e "fugir de mansinho"
da responsabilidade que compete a cada um em cada circunstância que aparece
na rota da vida. Ao mesmo tempo, culpar os demais pela incapacidade no que deixou
de fazer só revela o que se é na frente do "espelho da realidade",
ou seja, somos sempre os atos, as atitudes expressas ou não. Culpar os
outros ou as circunstâncias pelo que é de competência e engajamento
pessoal, em nada contribui para sair dos impasses e exigências das mais
diferentes circunstâncias em que estamos metidos. O que ajuda é
aproveitar de cada uma delas e vendo o que pode ser feito, oferecer toda a vida,
disposição e empenho para fazer o que está ao nosso alcance.
Só o envolvimento corajoso, fiel e perseverante com cada circunstância
(tudo o que nos circunda) que a todo instante cerca e visita os "homens"
é que abre caminhos de vitória e portas de realização.
Por sua vez, quem está mergulhado "até o pescoço"
nesse tipo de envolvimento, sabe muito bem que se as oportunidades e circunstâncias
se alongam na sua visita inesperada, ele mesmo corre atrás delas para
apressar o seu advento e manifestação. No entanto, acima de tudo,
o que importa mesmo é nutrir sempre de novo a clareza de que todo "homem"
é a sua "circunstância", quer queira ou não, e
cada circunstância é o fruto que cada Homem cultivou nela e por
ela. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (12 anos)
6 Outubro 2008:
"O maior castigo para quem não se interessa por política
é ser governado por quem se interessa" (Arnold J. Toynbee,
historiador inglês, 1889-1975).
Quem deixa de fazer algo dá espaço para que outro o faça.
Quando uma dona de casa pede a colaboração dos familiares para
manter a casa em ordem, de certa forma ela está fazendo política.
Se há a colaboração de todos, fica bem mais fácil
manter a ordem. Pegou alguma coisa, depois de usar, limpe e guarde onde pegou.
Necessita de algo, levante-se e vá buscar, depois de usado, devolva onde
encontrou. Se algo está fora, não espere que outro faça,
arrume você. Para alguns membros da família pode até parecer
chato fazer estas pequenas atividades, mas elas aliviam a sobrecarga dos "pais".
Com o tempo todos se educam. Assim deveria ser no condomínio, no bairro,
no trabalho, na cidade, enfim em todos os lugares onde há convívio
humano. Promover e buscar organizar são exemplos de atividades políticas.
Quando quem tem capacidade em assumir um posto para ajudar a coletividade renuncia
a este chamado, outra pessoa menos preparada assumirá o seu lugar. A
este restará obedecer mesmo contra sua vontade. Demonstre sua capacidade,
ajude a organizar. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
5 Outubro 2008:
"Onde há paz e meditação, não há
nervosismo nem dissipação" (São Francisco
de Assis, místico e poeta italiano, 1181-1226).
O ambiente prepara a ação. Quando no interior do indivíduo
há serenidade de espírito, boa harmonia e sossego há uma
predisposição para a paz. Este ambiente é construído
de dentro para fora, numa atenção constante em buscar ver o lado
bom de cada coisa. A base é a meditação que vê além
das aparências e delas extrai o que há de melhor. Mas, quando o
individualismo fala mais alto e tudo que contraria sua maneira de pensar causa
irritação é sinal que o interior está desestruturado
causando dissipação, desperdício esbanjamento e devassidão.
Assemelha-se a um cenário de guerra. Algo deve ser feito para mudar.
De que adianta falar de paz, construir barricadas, se os espíritos estão
armados? Se quisermos construir um cenário de paz é necessário
um coração pacífico que desarme o nervosismo e em seu lugar
deixe florescer o amor. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
2 Outubro 2008:
"Louvado seja meu Senhor com todas as tuas criaturas"
(São Francisco de Assis, poeta e místico italiano, 1181-1226).
A beleza das criaturas nos revela o Criador. O "Cântico das
Criaturas" (a poesia completa da qual peguei apenas uma frase), obra prima
da língua italiana, foi composto dois anos antes de sua morte (1224),
já com sua saúde bem debilitada. A palavra "criatura"
em italiano antigo tem uma noção filial. Assim todos são
irmãos, filhos do mesmo Pai que está nos céus. E mais,
vai além das criaturas "com vida" e chega a tudo o que nos
toca os sentidos, como o calor e o brilho do "irmão" sol, o
encanto e a influência de nossa "irmã" a lua, e assim
por diante. Os últimos versos falam do perdão e da morte. Estabelecer
um "louvor" ao Pai por todos os irmãos e a tudo que viu e experimentou
durante toda sua vida é ser agradecido. É também valorizar
o papel de cada um neste complexo e admirável universo. Ao renunciar
a todo o excedente (pobreza franciscana), São Francisco descobre um tesouro
infinito em toda a natureza que o deixa "rico" do amor de Deus. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
1 Outubro 2008:
"Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta"
(Maria Francisca Teresa Martin "Santa Teresa de Jesus", escritora
e mística espanhola, 1515-1582).
Para quem descobriu o essencial tudo o mais é supérfluo.
Na época de Teresa, muitas das ordens religiosas estavam tão presas
a detalhes e "acessórios", que tinha se esquecido do principal
que é Deus. Ela retoma o caminho original. Esse "só"
do "só Deus basta" é importante para entender o que
ela afirma. A expressão "só" tanto designa carência,
como plenitude. Aqui "só" quer dizer o que está cheio,
pleno. Assim sendo, na frase acima, dizer que "só Deus basta"
significa proclamar que quem O tem, ou quem se deixa ter por Ele, já
tem tudo. Dizendo de outro modo, se cremos que Deus é pleno, cheio, total
(é tudo) na pessoa, verdadeiramente ela não precisará de
outra coisa, pois ao estar em Deus, com Ele e Nele, junto com Ele e a partir
d'Ele terá todas as outras coisas. Se O deixamos de lado, aí sim,
sempre faltará alguma coisa. Quando fazemos isso, nesse exato momento,
nos apossaremos de uma compreensão e de uma forma de vida que marginaliza
e exclui Deus da existência humana. Ao fazer isso, se dá início
a uma história de ruptura onde, separado de sua fonte e raiz, o homem
experimenta sempre mais a ausência, a carência e a falta. Crer,
experimentar que "só Deus basta", é compreender a vida,
o mundo, tudo o que existe e respira, tudo o que foi, é e será
como sendo possibilitado e doado por Deus. Somente no esquecimento dessa realidade
mais fundamental de nós mesmos é que sentiremos continuamente
o vazio e a inquietude daquela experiência amarga e infrutífera
de que nada nos basta, nada nos preenche nada nos sacia. Se quiser abraçar
a plenitude, deixe Deus ser tudo em sua vida. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
30 Setembro 2008:
"Ninguém pense que desejo resumir em breves palavras o conteúdo
deste livro, pois esta escritura contém todos os mistérios do
Senhor" (São Jerônimo, escritor, filósofo,
teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador,
exegeta e doutor como ninguém, nas Sagradas Escrituras, 347-420).
A Bíblia nos revela o "retrato" do Sagrado. Jerônimo
teve a incumbência de reunir dos antigos pergaminhos, tabuletas, inscrições
etc, o material de base (conforme cânon) que compõem os escritos
sagrados e traduzir (de cada língua que foram originalmente escritos
- aramaico, hebraico e grego) para a língua comum da época que
era o latim. Essa obra foi denominada "vulgata" (popular). Foi o trabalho
de toda uma vida. Graças a esse trabalho foi possível ler os textos
sagrados e todos ter acesso a eles. Hoje em dia, com todo o aparato tecnológico
que permite uma análise científica no material que serviu de base
e comparando com as mais recentes descobertas arqueológicas, destaca-se
a fidelidade de São Jerônimo aos textos originais. Tendo o privilégio
dessa pesquisa, ele se encanta com os mistérios ali contidos e conclui
dizendo "Tudo o que há nas santas Escrituras, tudo o que língua
humana pode proferir e uma inteligência mortal receber, estão contidos
neste livro (A Bíblia)". (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
29 Setembro 2008:
"A terra que não é lavrada portará abrolhos
e espinhos ainda que seja fértil; assim é o entendimento do homem"
(Maria Francisca Teresa Martin "Santa Teresa de Jesus", escritora
e mística espanhola, 1515-1582).
"Nada é por acaso", um pomar limpo e bem conservado
esconde muita dedicação de um trabalhador. A vida humana tem uma
dinâmica tal que tudo nela se quiser crescer e dar frutos precisa necessariamente
de cultivo e muito trabalho por entre dificuldades e resistências. Mesmo
os mais talentosos, os gênios, os mais dotados, sabem muito bem que para
se desenvolver é necessário investir muito bem o que receberam;
caso contrário, jamais se manterá ou crescerá naquilo que
possuem. No que se refere ao entendimento humano sucede do mesmo modo, ou seja,
a nossa capacidade de compreensão das coisas, por mais afinada que esteja,
ainda assim deve ser exercitada continuamente na arte e na experiência
de pensar para gerar frutos de entendimento. Entendimento é busca de
abarcar e ter sempre mais claro uma realidade que se mostra e desafia nossa
percepção. Sendo assim, verdadeiro entendimento só se dá
naqueles que aliam capacidade de receber com a habilidade de fazer aumentar
o dom recebido. Aos que fogem ou se esquecem ou ainda se recusam a tal empreitada,
encontrarão nas dificuldades e obstáculos uma bela desculpa para
permanecerem na confusão, ignorância e falta de clarividência
na vida. A esses certamente soa de maneira sempre nova e sempre antiga o dito
evangélico de Jesus: "Ouvireis com os ouvidos e não entendereis,
e olhareis com os olhos e não verei" (Mt 13, 14). (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
28 Setembro 2008:
"Não se pode desatar um nó sem saber como está
feito" (Aristóteles, filósofo grego, 384-322 a.C.).
Desatar um nó exige muita paciência e observação
de como ele foi formado para poder reverter o processo. Existem muitas espécies
de nó. A palavra nó vem do latim "nodu" para designar
um laço apertado, cujas extremidades se entrelaçam para dar rigidez.
No sentido figurado "nó" tem o sentido de um ponto crítico
ou uma grave questão. Diante de um "nó" a ser desatado,
detalhes podem ser determinantes. Atitudes precipitadas podem piorar a situação
apertando-o ainda mais. Ele deve ser afrouxado em seu conjunto, para facilitar
o desenlace. Diante de qualquer "nó" a ser desatado, examine
primeiro como ele está formado para poder agir com precisão. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
25 Setembro 2008:
"Pessoas que não se arriscam, geralmente cometem dois grandes
erros por ano. Pessoas que se arriscam normalmente cometem dois grandes erros
por ano." (Peter Ferdinand Drucker, filósofo e economista
de origem austríaca, 1909-2005).
Arriscar é aventurar. Os grandes realizadores souberam se lançar
em busca de seus sonhos com uma boa base de discernimento. Escrever e ler o
que escrevemos ajuda nesta formação (descobrir talentos). Leonardo
da Vinci e Mozart costumavam escrever suas indagações a respeito
de si e das possibilidades que poderiam advir de suas descobertas, ensaios e
erros. Com base em suas anotações, Mozart deixa o violino e se
dedica ao piano por saber que para ser bom, teria que dedicar tempo. Com essa
atitude eles estavam aprofundando o conhecimento de si e criando esta base para
arriscar-se. O que estou fazendo no momento e para onde isso vai me levar? Ao
se perguntar e buscar respostas, estamos construindo nossa "base de lançamento"
de nossas possibilidades de amanhã. Quem ousa está sujeito a erros,
quem se aliena também, então temos mais chance de sucesso tendo
a coragem de fazer (criar, realizar, arriscar) utilizando nossos talentos que
recebemos como um presente de Deus para serem desenvolvidos e aprimorados. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
24 Setembro 2008:
"A televisão destrói sistematicamente a diferença
entre o normal e o anormal, porque em seus parâmetros, o normal carece
de interesse suficiente e sempre terá que confrontá-lo com uma
alternativa. Seu critério deixa de ser a difusão de valores e
princípios e volta-se para o que provoca maior impacto"
(Robert Spaemann, filósofo alemão, nasceu em 1927).
Quem pensa, incomoda. Para muitos, a televisão virou parâmetro
de verdade e isso está causando um grande mal a toda a sociedade por
estar destruindo o senso crítico, dando lugar a "verdades enlatadas".
Para entender para que lado irá pender o "pêndulo" da
reportagem, é só observar o aspecto econômico de quem está
patrocinando e quais são os seus princípios éticos. A consequência
de tal atitude é que os fatos se distorcem, dependendo do enfoque. Ao
destacarem o "anormal" para provocar o confronto e garantirem a audiência,
o "normal" perde força e as pessoas menos desavisadas começam
a mudar seus hábitos. E quando isso pende para um lado ruim acaba destruindo
muitos valores. A solução está na educação
saudável, isto é, aquela que desperta a capacidade de pensar livremente,
que dá senso crítico diante das possibilidades. Ela deveria começar
em casa e acompanhar por toda vida. Antes de acreditar como verdade o que vê
na TV, analise as fontes. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
23 Setembro 2008:
"Responder à ofensa com ofensa é lavar a lama com
a lama" (Juan Luís Vives, humanista espanhol, 1492-1540).
Um dito popular brasileiro afirma:"quando um burro dá um
coice você deve dar milho a ele", e tem o sentido de, se quem te
ofendeu é desprovido de inteligência e ele pode te machucar com
a força que tem, inverta o jogo a seu favor, oferecendo algo que ele
gosta. Você ganhou o oponente. A palavra "ofensa" tem sua origem
no Latim "offensa" com o significado de injúria, ultraje, desacato
etc. Ao responder a ofensa com outra semelhante, a pessoa se iguala ao ofensor
e faz o seu jogo e o fim do "embate" tende a demorar. O autor (Vives)
compara com a lama que suja (há lama medicinal, tem um aspecto de saúde).
Quem se suja com lama sai irreconhecível. Quem responde ofensa com ofensa
também. Já o mestre Jesus nos ensina a lição do
amor: "Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal, mas,
se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra"
(Mateus 5, 39). Penso que este versículo quer nos mostrar o dever de
inverter o jogo da violência, demonstrando que mesmo que lhe batam na
outra face isso não rouba sua paz, pois ela tem outra base, a do amor.
Desarma quem ofende. Lava lama com água. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
22 Setembro 2008:
"Se em meio às adversidades persevera o coração
com serenidade, com gozo e com paz, isto é amor" (Maria
Francisca Teresa Martin "Santa Teresa de Jesus", escritora e mística
espanhola, 1515-1582).
Alicerçados em bases sólidas, somos mais fortes contra
as intempéries da vida. Como perseverar em meio às adversidades
com serenidade é uma grande questão para nosso tempo. Em geral
quando nos batem as contrariedades e aflições, nossa primeira
tentativa é a de nos dispensar da luta e fugir. Outra tendência
é a de nos acomodar e sofrer até que o "mau tempo" passe
(se passar!). Muitos preferem lutar angustiadamente para livrar-se do incômodo
e quando não alcançam resultado satisfatório se lançam
na ira e nos ataques sob as mais diversas formas. Existem ainda os que diante
do que lhes ameaça a tranquilidade rotineira da vida, costumam lançar
a culpa sob o próximo ou, então, lastimar-se lançando os
punhos para o alto e blasfemando contra Deus e o céu inteiro. No entanto,
todas essas atitudes revelam um coração ancorado em um ponto fraco
que impede de ter a serena paz que almejamos e nem nos dá a constância
que precisamos para prosseguir fielmente no certame proposto. Existe, por sua
vez, uma realidade firme e inabalável, resistente como uma rocha. Quando
colocarmos a vida ali e nos posicionarmos sempre naquele ponto, conseguiremos
resistir, atravessar e continuar o curso de nosso caminho em meio às
adversidades, ou seja, enraizados neste ponto central, ali podemos nos mover
serenamente, até o fim, naquilo que nos propusemos um dia. Esse ponto
chama-se amor. Quem baliza a existência nele, pode sofrer todos os tipos
de situações adversas, mas tem fôlego comprido e energia
inesgotável para ir adiante e fazer sua travessia em paz. Isto tudo significa
que a constância, a força, a resistência, a paz de nossa
vida depende sempre de onde está colocado o nosso coração,
ou melhor, depende daquilo que constitui o núcleo mais forte e mais essencial
de nosso ser. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom
trabalho! Bom dia! (12 anos)
21 Setembro 2008:
"Leia e conduzirás, não leia e serás conduzido"
(Maria Francisca Teresa Martin "Santa Teresa de Jesus", escritora
e mística espanhola, 1515-1582).
Ler é mais que "sonorizar" palavras escritas; é entender
o significado do texto. A palavra "ler" em latim é "legere"
e significa interpretar por meio de leitura, compreender. Muitas pessoas, mesmo
alguns educadores, dizem que sabem ler, mas tem dificuldade em entender o significado
de um texto. Ler sem interpretar é como ter diante de si um "quebra
cabeças" sem saber como montá-lo, e com isso tem dificuldade
de até imaginar que figura irá formar depois de pronto. Sem esta
capacidade de discernimento a pessoa passa a acreditar no que outros interpretaram
e facilmente é "conduzida" (intelectualmente falando). Ao contrário,
quando a pessoa domina a arte de ler, ela torna-se formadora de opinião
por ter a capacidade de entender o que existe por detrás das palavras,
ou seja, o que está implícito no texto de forma velada. Com isso,
ela sabe selecionar o que lê, e mais, sabe esclarecer a outros as "maravilhas"
e as "armadilhas" de um texto. Ela passa a "conduzir", isto
é, torna-se "timoneira" do "barco do saber". Saiba
despertar nas crianças de hoje o amor à boa leitura para que sejam
bons líderes amanhã. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
18 Setembro 2008:
"A integridade de um homem se mede por seu comportamento,
jamais por cargo ou títulos" (Decimus Junius Juvenal, poeta
satírico romano, 67-127).
Nossas ações, desde as mais simples, são a "carteira
de identidade" de quem realmente somos. A palavra "integridade"
tem sua origem no latim "integritate", significando as qualidades
do íntegro (inteiro, completo, perfeito, honesto, imparcial etc.). É
por seu comportamento que um "homem" demonstra "cultivar"
em sua vida essas qualidades de íntegro. Elas são recompensas
de uma busca constante e incansável de sempre dar o melhor de si, sempre
procurando superar a tendência natural de "acomodação"
(facilidades etc.). Por isso, a integridade se reflete no comportamento de uma
pessoa em todas as situações. Dessa forma, por mais importantes
que sejam os cargos, por mais honrosos que seja os títulos, eles só
terão "peso" (valor, reconhecimento), se estiverem embasados
(alicerçados) em sua conduta ilibada (irrepreensível). (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
17 Setembro 2008:
"Quem não duvida nada sabe" (provérbio
grego).
Em todo saber, a dúvida faz parte da descoberta. A palavra "dúvida"
traduz uma noção de insegurança em acreditar, ou seja,
os dados apresentados foram insuficientes para gerar uma convicção.
Para quem se dedica à pesquisa ou está em busca da verdade, a
dúvida é uma ferramenta importantíssima para a descoberta,
pois tirar conclusões com base em poucos dados pode-se chegar a grandes
erros. No âmbito da fé, a dúvida tem uma noção
de incredulidade, principalmente depois da dúvida de São Tomé
(João 20, 24-29), mas foi sua dúvida que reforçou a fé
dos apóstolos. Quem duvida tem uma questão a ser resolvida e é
buscando respostas em todas as fontes possíveis que chegará a
uma convicção, evitando ser impreciso (ou injusto) com decisões
precipitadas. Por isso, antes de concluir, resolva primeiro todas as suas dúvidas.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
16 Setembro 2008:
"Um monte de pedras deixa de ser um monte de pedras no momento
em que um único homem o contempla, nascendo dentro dele a imagem de uma
catedral" (Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry,
escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial, 1900-1944).
Quando o homem está pleno da essência de sua "origem"
(do barro da criação), seu espírito se eleva e ele pode
contemplar. A palavra "contemplação" evoca uma profunda
concentração do espírito, um deixar-se envolver pelo que
se contempla, um esvaziar-se de si com seus conceitos para "auscultar"
(escutar por dentro, com o ouvido colado) o "objeto" da contemplação.
Exige muita disposição para chegar a este estágio. Nesta
figura, Saint-Exupéry parte de um monte de pedras e chega à imagem
de uma catedral para exemplificar o poder da contemplação. Catedral
neste caso é mais que um lugar de culto, ou um objeto de arquitetura,
tem o sentido do desprendimento e da busca do melhor de si para "oferecer"
(ofertório) ao Divino através da arte de bem construir. A palavra
homem aqui empregada nos remete ao livro do Gênesis quando Deus
o cria como sua imagem e semelhança dando-lhe o sopro divino. Este homem
em sintonia com Deus é capaz de contemplar. (Reflexão feita por
José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
15 Setembro 2008:
"O início de um hábito é como um fio invisível,
mas a cada vez que o repetimos o ato reforça o fio, acrescenta-lhe outro
filamento, até que se torna um enorme cabo, e nos prende de forma irremediável,
no pensamento e ação" (Orison Swett Marden, jornalista,
editor e escritor norte-americano, 1850 - 1924).
Quando mudamos nossa forma de pensar, nossas ações também
mudam. A palavra "hábito" vem do latim "habitu" que
traduz a disposição adquirida pela repetição frequente
de um ato, tornando-se uma maneira usual de ser, um costume. Podemos ter bons
ou maus hábitos. A "etiqueta social" (cortesia etc), quando
é natural por seu uso constante, pode ser um bom hábito. Certos
gestos ou o uso excessivo de gírias em uma linguagem coloquial podem
ser exemplos de maus hábitos. O contexto é quem vai determinar.
A maioria das vezes nem percebemos que adquirimos certos hábitos; por
isso, a comparação com um fio invisível. Assim, quando
nos falta a percepção, precisamos de um amigo para nos alertar
sobre determinados hábitos que temos, no sentido de corrigi-los. Se quisermos,
podemos mudar maus hábitos, evitando assim sermos prisioneiros deste
"enorme cabo" que prende quem a ele se deixou prender. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
12 Setembro 2008:
"Todos ouvem o que você diz. Os amigos escutam o que você
fala. Os melhores amigos prestam atenção ao que você não
diz" (provérbio popular).
A idéia está além das palavras. Antes de sair de
nossa boca, a palavra é elaborada mentalmente a partir do acervo que
temos em nossa mente. Ela é apenas uma parte de uma idéia maior.
Quem fala subentende que quem ouve entenda toda idéia a ser transmitida.
Aqui começam os primeiros problemas de comunicação, ou
seja, quem ouve precisa estar sintonizado com quem fala, para entender o que
vai ser comunicado. Por exemplo: quando alguém fala a palavra "água".
O primeiro ouvinte está com sede e julgará que ele está
pedindo água para saciar sua sede. O segundo ouvinte é um bombeiro
e logo vai achar que tem um incêndio a ser combatido. O terceiro ouvinte
é um agricultor e logo pensa em chuva para irrigar a terra, e assim por
diante. Pode ser que nenhum deles entendeu o que a pessoa quis dizer quando
disse "água". É neste sentido que o provérbio
enfatiza a importância dos amigos, por conhecerem melhor, "escutam"
o que a pessoa quis dizer. Os melhores amigos, aqueles onde as "almas"
se comunicam até no silêncio, entendem até o que nem é
preciso dizer. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
11 Setembro 2008:
"Viver para os demais não é somente uma lei, mas,
também, uma lei de felicidade" (Isidore Auguste Marie François
Xavier Comte, filósofo francês, fundador do positivismo, 1798-1857).
Na realização plena da harmonia em si e o outro brota a felicidade.
Um grande dilema que por vezes nos perturba a consciência é estar
no meio daquele "tiroteio" da consciência que ora afirma que
viver somente para nós mesmos é egoísmo, ora afirma que
viver só para os outros é alienar-se de sua própria identidade.
Na busca de solucionar o impasse é fácil encontrar aqueles que
se consomem na doação ao próximo para amenizar o complexo
de culpa que lhe impuseram caso pensem somente em si. De outra parte encontramos
os que acham que primeiro precisam ocupar-se de si e quando estiver no "ponto",
então, sim, ocupar-se dos demais. Dessa avalanche de preocupação
e indecisão nasce a dicotomia entre o que chamamos de indivíduo
e o social, do particular e o universal, da minha felicidade e da felicidade
alheia, do egoísmo e do altruísmo etc. Se viver para os demais
é uma lei, como encontrar nessa máxima de Augusto Comte, o sentido
de felicidade? Aristóteles, filósofo da antiga Grécia,
já alertava para a busca do equilíbrio enquanto "meio termo"
e da recusa de estar nos extremos. O "meio temo" invocado por ele
é diferente do conceito de metade e, sim, ao ponderar cada vez, em cada
situação, o que é a medida mais acertada das coisas; aí
sim é o meio termo, ou seja, o mais acertado. Essa medida só surge
dentro de um processo de escuta e atenção com o que vai se descortinando
da coisa ela mesma. E esse bem que surge pouco a pouco num processo de ponderação
é que se chama felicidade. A felicidade, portanto, está no "meio
termo" assim entendido. Daí que viver para os demais como lei da
felicidade é descobrir a "mim mesmo" e ao "outro"
dentro de uma unidade e distinção em que quanto mais ajudo a "mim
mesmo", mais ajudo o "outro" e quanto mais me preocupo com o
bem do "outro" mais bem faço a "mim mesmo". O "outro",
o "irmão", o "próximo" ganha quando estou
num trabalho sério, honesto e dedicado em afinar-me com minha verdadeira
identidade (que não é algo fixo). Do mesmo modo, ganho muito quando
cada um que leva o nome de "outro", "irmão", "próximo",
está na busca de ser ele mesmo. No fundo, essa procura do "meio
termo", do equilíbrio, do viver para o "outro" nada mais
é do que buscar o sentido da vida. Quem está realmente no jogo
da vida sabe muito bem que "ele mesmo" e os "outros" vieram
do útero dela (da vida), nela estão, nela crescem, nela amadurecem
e se plenificam (realização plena). Disso decorre que tudo o que
de bom, amável e perfeito for feito a "si" ou ao "outro"
nada mais é do que viver, ou melhor, corresponder à graça
da vida. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (12 anos)
9 Setembro 2008:
"A verdadeira liberdade consiste em um domínio absoluto
de si mesmo" (Michel Eyquem de Montaigne, escritor e filósofo
francês, 1533-1592).
A responsabilidade precede a liberdade. A primeira imagem de liberdade que nos
vem à mente é de uma pomba branca voando em um dia ensolarado.
O vôo se contrapõe à prisão de uma gaiola; a cor
branca nos dá idéia de pureza e o dia claro difere do sombrio
e chuvoso. Mas, tudo isso é figurativo, pois a liberdade está
no interior do indivíduo. Quem vive preocupado com que os outros vão
achar de sua aparência, ainda falta muito para ser livre, pois está
prisioneiro da opinião de outros. Ser livre é antes de tudo ser
você mesmo em todas as dimensões, sendo harmônico consigo
e com toda a natureza que o cerca. Uma pessoa que se embriaga a ponto de perder
a consciência pode achar que é livre porque fez o que queria. Mas
quando quebrou sua harmonia interior a ponto de perder a noção
das coisas colocando sua vida em risco e a de outros, ela feriu sua liberdade
ao agredir a dos demais, ou seja, deixou de ser harmônica, perdeu seu
domínio. Virou prisioneira de um vício. O pássaro é
livre sendo ele mesmo, voando, fazendo seu ninho, contribuído para o
equilíbrio de seu ecossistema, ou seja, tendo domínio sobre sua
condição de pássaro. O homem é livre quando entende
seu papel no contexto em que está inserido, e faz com que sua presença
seja marcante, isto é, tendo domínio de si, contribui com o equilíbrio
de seu entorno, por suas atitudes edificantes. A liberdade nos dá "asas"
para um mundo melhor. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
8 Setembro 2008:
"A demagogia é a capacidade de vestir as idéias menores
com palavras maiores" (Abraham Lincoln, político americano,
1808-1865).
Antes de aceitar como verdade, verifique a origem. A palavra demagogia
tem sua origem no grego "demagogia" traduzindo a arte de
"conduzir" o povo. Com o tempo, o termo adquiriu o significado de
uma atuação política voltada pelo interesse imediato de
agradar as massas populares para obter favores políticos. Uma das forças
de sua atuação está no emprego de palavras "convincentes"
que impressionem os ouvintes sem necessariamente uma contrapartida de ação.
Sendo assim, conseguem transformar em "gigantes", pequenos "anões",
através da manipulação da fala, e vice-versa. Um exemplo
desta capacidade de "encantar" (no sentido de hipnose) o povo teve
nos últimos dias um aspecto interessante, conseguiu desviar a atenção
do conteúdo de conversas telefônicas comprometedoras em questionamento
sobre a legalidade da escuta telefônica; com isso, os questionáveis
acordos de bastidores permanecem invioláveis. E o povo ficou encantado,
sem se dar conta que o caminho ficou livre para qualquer tipo de falcatrua.
Tenha como princípio ser defensor da verdade, sendo a sua fala uma coluna
para orientar os confusos. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
4 Setembro 2008:
"A inveja é tão raquítica e pálida
porque morde e não come" (Francisco de Quevedo y Villegas,
escritor espanhol, 1580-1645).
A inveja é um dos sete vícios capitais. A palavra inveja
vem do latim "invídia" que traduz um sentimento de desgosto
pela prosperidade ou alegria de outrem. O mais pernicioso neste sentimento é
a incapacidade de reconhecer seus próprios talentos por estar concentrado
nos atributos de outro. Com isso, tal qual um "câncer", vai
destruindo por dentro tudo aquilo que era bom, para dar lugar a algo totalmente
deformado e sem valor. Eis porque tanto definha quem por inveja é tomado.
As consequências são quase imprevisíveis, vão
de uma perseguição implacável contra a pessoa alvo de sua
"caçada" até uma possível demência. Para
reverter este quadro é necessário tomar consciência do problema,
reconhecer os prejuízos que vêm causando a si e a outros, e buscar
de dentro para fora mudar de postura em todos os sentidos. Uma pessoa talentosa
usa bem o seu tempo buscando realizar com perfeição seus desafios
que lhe falta tempo para cobiçar os atributos de outrem. A inveja nasce
no coração de incompetentes. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
3 Setembro 2008:
"Uma injustiça feita a um é uma ameaça
feita a todos" (dito popular).
Dentro do pensamento de muitos sábios da humanidade ouve-se dizer que
aqueles que praticam uma virtude arrastam todas as outras atrás de si;
do mesmo modo, os que se entregam a um vício igualmente se entregam a
todos os demais. Uma pedra lançada na água é capaz de mover
todo o rio. Uma flor quando retirada do jardim o deixa menos belo. Um verme,
por menor que seja e por mais horripilante que nos pareça, tem sua função
de equilíbrio no ecossistema do planeta. Assim sendo, é fácil
entender que existe uma unidade presente em todas as coisas e rompê-la
compromete nossa sorte futura e nossas relações recíprocas.
Significa dizer que ignorar essa realidade que mantêm a concordância
entre tudo e todos põe em perigo nossa paz e sobrevivência em todos
os níveis de convivência. Nesse sentido podemos compreender, então,
porque "uma injustiça feita a um é uma ameaça a todos".
Todo ato injusto repercute nas veias das relações mais simples
até impregnar todo o tecido social. Os feitores da injustiça colaboram
na desafinação da grande harmonia que deve haver na sociedade
e, mais cedo ou mais tarde, terão que ver-se com as consequências
dela, batendo à porta de sua existência. Praticar a injustiça
para defender posições no extrato empresarial e usá-la
para galgar vôos na fama e aquisição de bens, acioná-la
para manter o poder e autoridade frente ao semelhante é como fazer um
brinde com veneno em taça de champanhe. A injustiça tem um atrativo
tal para aquilo que é danoso na vida das pessoas que quando se faz uso
dela, pode-se esperar sempre o pior nas relações. É essa
consciência de unidade e desagregação em torno da noção
de justiça e injustiça que levou o filósofo grego, Aristóteles,
na sua obra Ética a Nicômaco, a declarar sabiamente que
"a justiça não é uma parte da virtude, mas a virtude
inteira; nem seu contrário; a injustiçaé uma parte do vício,
mas o vício inteiro". O vício, por sua vez, tem força
suficiente para corroer toda a pessoa e, nessa medida, atingir o próximo
injustamente e danificá-lo. Quando os injustos e a injustiça abrem
as comportas de sua estultice, os amantes da justiça deverão mais
manter-se nela, pois sua força está nesta unidade. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos).
2 Setembro 2008:
"As algemas da escravidão somente atuam nas mãos:
é a mente que faz o homem livre ou escravo" (Franz Grillparzer,
dramaturgo austríaco, 1791-1872).
Quem tem a semente da liberdade em seu coração nem mesmo
a morte o assusta. As algemas são instrumentos para cercear a liberdade
do indivíduo. As mais comuns atuam nas mãos, limitando seus movimentos.
Como elas são mais usadas por quem detém o poder, quem é
visto com algemas já é tido como delinquente, ou algo parecido,
mesmo antes de qualquer culpa ser evidenciada. Mas, há outros tipos de
algemas e elas podem ser aplicadas de outras formas. Uma delas é limitando
a capacidade de atuação do indivíduo, e depois cobrar resultados,
para passar a imagem de incompetente. A intenção é formar
aos menos avisados uma cena ruim para justificar o que virá depois. Todo
esse poder atua sobre o externo, o que aparece, o que fica no interior do indivíduo
é que faz a diferença. Mesmo "algemada", a pessoa tem
a capacidade de pensar. Ao pensar ela pode direcionar a interpretação
do que está acontecendo, desviando de um quadro dramático onde
atrai sentimentos negativos que podem influenciar até em sua saúde,
para um quadro de esperança que busca uma saída por saber que
além dos "muros" há outro cenário. Ceder mentalmente
é aceitar a condição de escravo, buscar uma solução
é ser livre. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
1 Setembro 2008:
"Em meio a um campo devastado, haverá sempre uma flor para
quem sabe olhar" (Frei Hugo Baggio).
Saber buscar o que é bom de cada acontecimento engrandece a nossa
vida. A palavra olhar tem sua origem no latim "adoculare" que é
fitar com os olhos, mirar, contemplar, observar etc. Para que isso aconteça
é necessário estar com os olhos abertos em direção
ao que se pretende ver. E mais, o coração tem que estar disposto
a transformar a imagem trazida pela retina até o cérebro em algo
admirável, ou seja, extrair o que for bom. Sendo assim, uma mesma paisagem
observada por várias pessoas vai ter um número igual de opiniões
sobre ela. Isto porque, cada um a vê partir do que está predominando
em seu coração naquele instante. Talvez por isso, enquanto o adulto
vê apenas uma praia deserta, a criança observa uma infinidade de
conchinhas. Abra o teu coração para que teus olhos contemplem
lindas paisagens. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
31 Agosto 2008:
"Aceitar a injustiça não é uma virtude, mas
uma covardia" (Cléobulo de Lindus, filósofo grego,
séc. V a.C.).
A injustiça que atinge teu vizinho hoje poderá atingir-te
amanhã. Quem trabalha com manutenção sabe muito bem que
quanto mais se adia um reparo, mas ele compromete a segurança de toda
a estrutura. Sabe também que, para o reparo acontecer, depende de iniciativa
rápida de quem detectou o problema. É como ferrugem, quando começa
a aparecer deve logo ser corrigida com a remoção da parte afetada
e o isolamento com uma boa camada de pintura. Se adiar o reparo, a pessoa se
acostuma com ela e nem mais vai notar sua ação contínua.
De forma semelhante acontece com a injustiça. Ela atinge um, e ninguém
se importa, pois afinal é com o outro e não consigo. Mas como
ferrugem, ela começa corroer oculta e ganha vulto, e nem mais a notamos,
mas quando ela nos atingir ninguém mais vai nos ouvir. Esperar que o
outro faça em seu lugar é como esperar que a ferrugem acabe por
si, mas lembre-se que ela só termina quando tudo já estiver destruído.
Abandone a covardia, aja enquanto é tempo para depois não lamentar
que não deu tempo. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
28 Agosto 2008:
"A escuridão envolve-nos a todos, mas enquanto o
sábio tropeça numa parede, o ignorante permanece tranquilo
no meio da sala" (Jacques Anatole François Thibault, "Anatole
France", escritor francês, 1844-1924).
A porta só se abre quando alguém a movimenta. Escuridão
é a ausência de claridade, o que dificulta a observação
dos obstáculos. Diante de tal situação o mais cômodo
é permanecer parado na esperança que alguma claridade possa surgir
no decorrer do tempo, ou se acostumar com esta situação. Quem
é sábio vai buscar substituir a deficiência visual aguçando
outros sentidos na tentativa de decifrar o cenário em que está
inserido. A sábia Natureza deu a muitos insetos e animais (e também
aos homens) outras formas de percepção. No morcego destaca-se
o radar. Mas, elas só se revelam a quem as busca por sua sensibilidade.
Por analogia, entendemos escuridão tudo o que nos é desconhecido.
Na busca do "saber" temos duas saídas, ou ficamos parados esperando
aparecer na "televisão" ou buscamos decifrar com muito empenho
o que ainda permanece velado (oculto como um véu). Nosso querer deve
dar o primeiro passo. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
27 Agosto 2008:
"A injustiça nunca é mãe estéril: sempre
produz filhos dignos dela" (Adolph Thiers, político e historiador
francês, 1797-1877).
Recuperar o sentido original de justiça é nosso maior desafio.
Uma tendência natural entre as pessoas é a de com o passar do tempo
perderem o senso das coisas, das palavras e das relações. Acostumamos-nos
facilmente com tudo e passamos a viver como se já soubéssemos
do que se trata e nessa pressuposição vamos tocando a vida. Entre
as palavras que perderam o seu mordente (a sua significação mais
originária) se encontra perdida e solitária da sua significação
"a justiça". Ao perder a sua significação mais
radical, dá-se espaço para a ação do seu oposto,
a injustiça. Consequentemente, atos de injustiça são
cometidos em nome da falsa compreensão de justiça. Enquanto uma
fala e uma palavra, ela, a justiça, está reivindicada nos discursos
políticos, está acionada a todo instante nas empresas como forma
de resguardar os direitos dos seus membros, é proclamada nas frentes
de protesto popular para fazer valer suas necessidades etc. No entanto, devido
à inadequada compreensão de justiça que se estabeleceu
ultimamente, o mundo globalizado presente em empresas e ramos de negócios,
está repleto de ações injustas. Pior, se cometem injustiças
terríveis em nome da "justiça" e dos discursos de "liberdade",
"democracia" e "direitos humanos". Isso acontece porque
muitos estão sutilmente cometendo atos de verdadeira iniquidade
e opressão em nome do que se chama justiça, liberdade etc. É
uma sutileza tal que só olhos atentos percebem como isso vem sendo feito.
Mandar pessoas embora das empresas como se fossem peças descartáveis,
armados de supostos trâmites legais que justificam os fins da empresa,
é só uma delas. Apela-se ao "legal" para manter a pretensa
ordem empresarial, sem dar-se conta de que essa mesma ordem só existe
na cabeça de quem detém o poder financeiro e jurídico para
mandar e desmandar do jeito que bem lhe aprouver. Aliás, recorrer a tais
métodos é uma ótima maneira de silenciar os subordinados
e manter o "status quo" dos negócios e das empresas; é
um excelente "ópio" bastante usado em muitos setores empresariais
hoje em dia para anestesiar a consciência daqueles que mais se doam ao
seu funcionamento. Ao final, a injustiça se torna a mãe fecunda
desses setores e gera "filhotes" quase que imortais, pois as ações
injustas se prolongam de pai para filho, de patrão para gerente. É
como um vírus destruidor que acaba atingindo até mesmo uma gama
muito alta de funcionários que acabam vendo na injustiça uma forma
de também sobreviver na empresa, no sistema, enfim, um modo de não
ser engolido pelo poder dos injustos. Parafraseando uma mentalidade corrente,
esses discípulos da injustiça encarnam o velho dito que proclama
"se você não pode vencer seu inimigo, alie-se a ele".
Recuperar a compreensão de justiça nos seus moldes originários
e deixá-la discretamente nos banhar, nos gerar, nos transformar e nos
conduzir, talvez seja hoje o desafio maior. Deixá-la ser sobre nós,
pode nos tirar dessa anestesia social e dessa anemia mundial em que estamos
envolvidos (em termos de relações humanas presente em vários
setores), fruto do que a injustiça e seus adeptos (filhos) conseguiram
criar. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (12 anos)
25 Agosto 2008:
"Maestros não sabem como o oboé faz o seu trabalho,
mas eles sabem com o que o oboé deve contribuir" (Peter
Ferdinand Drucker, filósofo e economista de origem austríaca,
1909).
Em uma orquestra "afinada" todos os sons são bonitos. Oboé
é um instrumento de sopro considerado de difícil execução
por requerer o uso da respiração diafragmática. Ele tem
o apelido de "pato" por seu som assemelhar-se ao deste animal. Na
orquestra cada componente tem sua partitura para bem executar sua parte na música.
Então qual é o papel do maestro? Ele coordena a orquestra por
ter a sensibilidade de sentir a música antes de sua execução.
Quanto maior for a sintonia entre ele e os músicos, melhor fica a música.
O bom maestro sabe aproveitar todo tipo de som. Dirigentes deveriam ter a sensibilidade
dos maestros para que suas organizações tenham os melhores resultados.
Quando o individualismo impera compromete a harmonia. (Reflexão feita
por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
24 Agosto 2008:
"O que faz andar o barco não é a vela enfunada,
mas o vento que não se vê" (Platão de Atenas,
filósofo grego, 427–347 a.C.).
Um povo educado é senhor de seu destino. A palavra enfunada vem do latim
"fune" que tem o sentido de cheia, inflada. Uma vela se infla pela
força do vento (eólica). O vento é o resultado do deslocamento
de massas de ar em função da variação de temperatura
na superfície associado à rotação da terra. A palavra
enfunada também é usada, por analogia, a pessoa orgulhosa, que
"estufa o peito" (como as velas). Em vésperas de eleições
vemos com mais frequência candidatos a cargos eletivos a reivindicarem
feitos (como as velas que se inflam) e apontarem soluções como
se tudo dependesse dele ou de seu futuro cargo. Quase ninguém fala da
força da "comunidade", que como vento, fará as coisas
acontecer, bastando para isso estarem de acordo na direção a seguir.
Quem aponta a direção é a consciência de cidadania,
fruto da educação. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
21 Agosto 2008:
"Passei a vida inteira batendo ponto, com horário
para tudo. Quando me aposentei, arranquei meu relógio do pulso e joguei
fora. Finalmente eu seria livre. Aí apareceu essa doença. Quando
tive tempo, descobri que meu tempo tinha acabado" (Alice de Oliveira
Souza, merendeira escolar mineira, 1943-2008, citado ÉPOCA 535, 18/08/2008).
O tempo que se mede é "chronos", o tempo que se vive é
"kairós" (na Grécia antiga). Temos que aprender da natureza,
onde cada estação (chronos) tem sua intensidade própria
(kairós). Uma prepara a outra, sua força está na alternância.
Já o livro sagrado nos ensina que há um tempo para tudo debaixo
do céu. Quantos que no desespero de ajuntar para depois desfrutar percebem
que quando passa o tempo oportuno as coisas começam a se deteriorar.
Muitos se frustram ao perceberem que depois de muitos anos de dedicação
sem tempo para si, foram substituídos sem justificativas. Esperar o reconhecimento
de outros pode ser que espere em vão. Você é o arquiteto
e o construtor de sua vida. Você tem que ter seu tempo para cada atividade
saudável, e a profissional é apenas uma delas. Se encantar com
tudo o que Deus te presenteia a cada instante de sua vida é uma das atividades
saudáveis. Quem perde estes preciosos encantos divinos pode perceber
tarde demais que eles já se foram. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
20 Agosto 2008:
"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima"
(Louis Pasteur, cientista francês, 1822-1895).
Quem quer ver, precisa abrir os olhos e a mente. Em muitos campos da
atividade humana é comum escutar ou presenciar discussões acirradas
que opõem ciência e fé. Diz-se que uma não deve interferir
na área da outra. Hoje com questões ligadas, sobretudo à
bioética, os posicionamentos de representantes do horizonte da ciência
e da fé, revelam mais um duelo de interesses do que um diálogo
de aproximação. Com isso são muitos que, na confusão
têm na ciência a ojeriza a tudo que se refira a Deus e alguns que
possuem fé vêem na ciência um perigo e ameaça para
a humanidade. Pasteur era homem de ciência e homem de fé; sabia
estar na ciência como cientista e na fé como homem de Deus e não
experimentava uma e outra realidade em oposição, mas cada uma
na sua identidade própria. Entendia que ciência era busca de um
conhecimento bem fundamentado e que dava para confiar, pois era baseado na experiência
radical de todas as coisas e na procura incansável da verdade. Com essa
mesma seriedade e rigor com que atuava como homem de ciência também
se punha na busca de Deus e nas questões da fé. Pode ser que nesse
empenho de vida compreendeu que a ciência, enquanto busca de conhecimento
fundamentado pode nos aproximar de Deus, pois Deus é o fundamento de
todas as coisas. Afasta-se d'Ele quem toma a ciência apenas como caminho
para assegurar-se das coisas e da verdade. A quem falte uma postura de Homem
de ciência ao modo de Pasteur acaba tornando-se presa fácil de
crendices, superstições, de uma religião infantil e de
preconceitos. Por insegurança, em suas convicções tem dificuldade
em dialogar e abrir-se para aquilo que ultrapassa suas medidas de saber. Quem
age assim impede que seus fundamentos sejam questionados (com temor que tudo
desmorone) e se fecha em suas convicções já dogmatizadas
como última palavra da verdade. São estes que com sua ciência
se afastam de Deus pelo tipo de estreitamento de mente e de visão. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
19 Agosto 2008:
"Quanto mais eu vivo, mais eu percebo o impacto da atitude na vida.
Ela é mais importante que o passado, que a educação, que
o dinheiro, que as circunstâncias, que os fracassos, que os sucessos,
e do que as outras pessoas pensam, dizem, ou fazem." (Charles
Rozell "Chuck" Swindoll, autor, radialista e educador americano, nasceu
em 1934).
Quando o ser humano quer de todo o coração, nem muralha ou abismo
impedem sua atitude. Atitude é uma palavra ou expressão usada
hoje em dia em muitos ambientes e situações para tentar indicar
uma espécie de postura que se deve ter. No esporte, por exemplo, fala-se
muito em falta de atitude quando os jogadores estão fazendo "corpo
mole" no jogo, isto é, falta de empenho na competição.
No campo profissional, no mercado de trabalho é comum ouvir reprovações
ou palavras de estímulo sob o jargão "atitude". Nesse
caso, atitude equivale a um modo de proceder, onde a pessoa tem que ter iniciativa
própria para correr atrás do que deseja ou do que se espera dela.
Seja em que nível ou situação, atitude remete para uma
postura humana de decisão, vontade firme, disposição aberta
e engajamento sério na vida para se fazer as coisas. É quase um
imperativo que exige da pessoa fazer uso de si mesma, de forma livre e responsável,
para realizar projetos, para dar "concreteza" (tornar concreto) a
determinados sonhos e alcançar certos objetivos. O problema é
que atitude é uma capacidade que se vai adquirindo ao longo do tempo,
baseada em muito cultivo e experiência. Ela brota na gente sob o exercício
diário da disciplina, do esforço e empenho fiel e perseverante,
sem acaso ou "toque de mágica". Esse exercício continuamente
retomado cria um corpo bem posicionado, bem preparado, bem treinado para enfrentar
todo tipo de exigência que surge na vida. Esse corpo é que absorve
os fundamentos do que se entende por atitude. Assim sendo, quem tem atitude
nesse nível de compreensão, começa com o tempo a perceber
que está sentado num enorme tesouro que só precisa aprender a
fazer bom uso dele. Ter atitude nesse sentido é muito importante no mundo
de hoje para se progredir em qualquer área profissional, mas, sobretudo,
para se enraizar em valores fundamentais que dignificam o ser humano e que mostram
sua verdadeira grandeza e nobreza. Em outras palavras, sem o empenho e o cultivo
de atitude, no fundo seremos pessoas sem perspectivas, pobres de valores, oprimidas
pelas críticas, desmotivadas nas horas de fracassos, perdidas nas situações
de sucesso e bajulações e indefinidas frente ao que os outros
pensam e dizem a nosso respeito. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
18 Agosto 2008:
"Um erro da largura de um fio de cabelo pode causar um desvio de
mil quilômetros" (provérbio chinês).
Nas "Olimpíadas da Vida", onde somos desfiados a nos
superar constantemente, um erro pode pôr tudo a perder. A "nação"
praticamente parou diante das pequenas falhas na ginástica olímpica
que tirou a possibilidade de medalhas nesta modalidade nos Jogos Olímpicos
de Beijing. O treinamento de anos, as conquistas anteriores tropeçaram
nos detalhes. Mas estes fatos servem para revermos conceitos e corrigir falhas.
O período de treino dos atletas, onde são repetidas muitíssimas
vezes as mesmas séries é que dão mais segurança
na hora decisiva. Uma repetição nunca é igual à
outra, pois ela já começa com mais experiência. Sendo assim,
em cada uma deve se buscar fazer da melhor forma possível. Nossas atividades
corriqueiras assemelham-se em sua estrutura ao que fazem os atletas. Aperfeiçoar
em cada repetir dá harmonia ao conjunto e evita possíveis falhas.
Conquiste o "ouro" da excelência em suas atividades diárias.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
17 Agosto 2008:
"A habilidade de aprender mais rápido que seus concorrentes
pode ser a única vantagem competitiva sustentável"
(Arie de Geus, executivo britânico da Royal Dutch SHELL de 1951-1980).
Aprender é uma disposição do querer. Quando o tempo
ameaça chover, quem aprendeu a conhecer os sinais de chuva, sem demora
procura um abrigo ou pega o seu guarda-chuva. Ele leva vantagem, pois tomou
providências antes que seus "concorrentes". Para ter esta habilidade
é preciso estar atento aos detalhes e aprender com os erros. As falhas
são um grande indicativo de como e onde devemos corrigir para que elas
sejam sanadas. A rapidez na correção permite uma mudança
de rumo antes de maiores estragos. Em um mundo tão competitivo onde as
informações estão acessíveis a todos, a habilidade
em aprender e corrigir o quanto antes dá uma grande vantagem. Permanecer
acomodado pode ser um sinal de desastre futuro. Quem cedo aprende tem maiores
chances de vencer. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
14 Agosto 2008:
"A verdadeira riqueza não consiste em ter grandes posses,
mas em ter poucas necessidades" (Epicuro de Samos, filósofo
grego, 341-270 a.C.).
A ambição é insaciável, quanto mais se têm,
mais se quer ter. Riqueza e pobreza ao longo de muitos milênios tem sido
um campo de consideração que afeta os relacionamentos entre pessoas,
grupos, culturas, religiões e nações. É uma espécie
de marco divisor para estabelecer proximidade e distanciamento entre os Homens,
seja no que toca ao modo como se concebe a noção de riqueza e
pobreza, seja na maneira como se procura encarná-la numa prática
pessoal ou comunitária. Muitos sistemas políticos foram construídos
ou desmoronados a partir do conceito e da mentalidade de riqueza e pobreza que
se procurou criar e viver. Mais ainda, inúmeras discussões e conflitos
gigantescos se erguem quando se trata de ponderar o que de fato se entende e
o que significa verdadeira riqueza e pobreza. A compreensão material
de posses, ouro, prata, pedras preciosas, cartões de crédito,
dinheiro, luxo, bem-estar, consumo, facilidades, tecnologia, progresso... é
o que mais determina a busca do que se chama ou entende por riqueza e o contrário
disso se presume como pobreza. É a visão desses dois fenômenos
que tem criado diferenças sociais enormes entre pessoas e civilizações
na face do planeta a ponto de se ter estabelecido hoje um abismo quase que intransponível
entre ricos e pobres. Assim sendo, é comum encontrar nos dias atuais,
seja entre ricos ou entre pobres, aqueles que vivem somente em função
de buscar serem mais ricos ou saírem da área de pobreza. A noção
de riqueza praticamente determina e impulsiona quase todos na direção
de um mundo sem necessidades. O irônico disso é que quanto mais
se busca fugir das necessidades, mais necessidades se encontram. A inteligência
de Epicuro talvez tenha sido a de perceber que o sentido de verdadeira riqueza
está em tomar a riqueza como administração de todos os
bens e posses para atender às necessidades básicas de cada um
e de todos. Todo aquele que assim vive não se perde na insaciabilidade
das posses nem no apego desordenado das coisas, mas cuida em guardar o necessário
de cada dia, em lutar por ele sem angústia e desespero. Pode ser que
a grande crise e sofrimento que atinge o Homem contemporâneo em relação
a posses e riquezas esteja em não saber usá-las. Falta acreditar
e compreender que ter poucas necessidades é o bastante para ter uma vida
digna e equilibrada consigo, com o outro e com tudo o que o cerca. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
13 Agosto 2008:
"Ofendi a Deus e a humanidade, porque meu trabalho não teve
a qualidade que devia ter tido" (Leonardo di Pietro da Vinci,
pintor, matemático, escultor, arquiteto, físico, escritor, engenheiro,
poeta, cientista, botânico e músico italiano, 1452-1519).
O talento é um dom divino que se revela no que fazemos de melhor. Retribuir
este dom é dar o melhor de si na busca da excelência de qualidade
em nossas obras. Esta forma de pensar esteve sempre presente nos grandes mestres.
Somente pessoas de alma grande (magnânimos) reconhecem que pouco ou nada
fizeram depois de terem feito tudo o que podiam ter feito na doação
de uma obra, depois de terem dado o máximo de si na realização
de um serviço. Esses tais possuem uma consciência sadia que os
leva a até pedir perdão ou desculpa por ainda não terem
feito mais. Aparentemente isso pode denotar um complexo de inferioridade muito
grande, na verdade, porém, é atitude de nobreza e grandeza da
alma daqueles que continuamente estão se medindo com o dom que receberam.
Eles se vêem agraciados por uma tarefa, por um dom ou uma missão
muito grande e passam a vida toda tentando corresponder a ela. E de tanto corresponder,
num dado momento chegam a reconhecer que ainda são indignos dela, que
ainda são devedores da graça e da confiança a eles dispensadas.
Homens e mulheres assim possuem um modo de ser da delicadeza que passam todo
o tempo se medindo com o tamanho da dádiva a que foram chamados a corresponder.
O fazem com tal seriedade de vida que frente ao dom recebido, se vêem
sempre pequenos e indignos, mas ao mesmo tempo agraciados e privilegiados por
terem sido chamados a realizá-la. Esse tipo de consciência produz
em pessoas que possuem esse espírito, uma espécie de generosidade,
abertura, gratidão e esforço tão grande que os leva a fazer
tudo de modo bom e perfeito. Eles por sua vez marcam a história da humanidade
com verdadeiras obras-primas, seja com aquilo que deixam imprimir em sua personalidade,
seja com aquilo que imprimem em suas obras e usualmente denominamos com o termo
"qualidade". Aliás, qualidade está em conformidade com
a essência das coisas. E onde se prima o fazer apenas pela quantidade
de produção, dificilmente se encontra qualidade nas obras e nos
produtos. Onde a qualidade é dispensada em nome da quantidade, a superficialidade
e "descartabilidade" reinam. As verdadeiras personalidades deste mundo,
aquelas que deixam obras que edificam e alimentam verdadeiramente o espírito
humano, são aquelas que trabalharam tão bem o que lhes foi confiado,
que no seu constante operar permite o aparecimento daquilo que faz e a essência
das coisas. E, mesmo deixando aparecer a essência das coisas, são
conscientes que, quando se trata de qualidade, daquilo que é essencial,
por mais que se dediquem à sua aparição, nunca estão
contentes, pois há sempre mais a ser feito e buscado. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
12 Agosto 2008:
"Homem de pouca fé, porque duvidaste?" (Jesus
em Mateus 15, 31).
A dimensão Divina tem outra lógica. Este versículo
faz parte da narrativa de quando Jesus caminha sobre as águas. Os discípulos
enfrentavam forte vento contrário, era noite e eles tentavam chegar à
margem. Quando percebem, o Mestre se aproxima da embarcação andando
sobre as águas. Pedro, ao ouvir o convite de Cristo, "vem",
vai ao encontro d'Ele também andando sobre as águas. Ao perceber
que é fora de lógica, começa a afundar. Em outras palavras,
enquanto ele estava na dimensão divina, a energia divina vencia o impossível;
quando retorna à dimensão humana, a lei da gravidade faz com que
ele afunde. Ou ainda, enquanto sua atenção está no mestre,
ele anda sobre qualquer tipo de caminho. Quando tira o olho e olha pra si ou
para o mar, começa a duvidar, então, afunda. Afunda significa
que vai para o fundo de outra dimensão que é diferente do seguimento
radical, sério e profundo de Jesus. É a palavra de Jesus que coloca
o discípulo no caminho. Fé no caso é essa vontade de se
colocar à disposição do Mestre, essa realidade maior do
que nós mesmos, e mergulhar nela, estar nela, andar nela, fiar-se nela,
venha o que vier, aconteça o que acontecer. Duvidar, no caso, é
começar a olhar para outra coisa e perder o foco. Quem faz isso deixa
de seguir, pois divide a compreensão. Ao dividir, afunda mesmo, pois
perdeu de vista o que era tudo para ele. O caminho da fé supõe
que a pessoa esteja tão devotada a Jesus e sua Palavra de Salvação
que Ele se torna a única realidade, a única busca e único
interesse; tudo o mais decorre disso, ou seja, Deus é tudo. É
isso que São Francisco dizia: "Meu Deus e tudo" (versão
original). (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom
trabalho! Bom dia! (12 anos)
11 Agosto 2008:
"A árvore não nega sua sombra nem ao lenhador"
(Provérbio Hindu).
Amar o inimigo é o primeiro passo para entender a Justiça
Divina. A semente quando plantada, se bem cuidada, segue seu curso dentro do
ritmo da natureza até tornar-se árvore. A árvore, por sua
vez, também segue sua trajetória natural de crescer, firmar-se
e aprofundar suas raízes na terra, expandir-se em direção
ao céu, abrir-se na fecundidade de galhos, folhas, flores e frutos. Além
disso, em seu crescimento, quando atingida pela claridade do sol, aos poucos
ela gera sombra para os transeuntes cansados das labutas. No seu nascer, crescer
e desenvolver-se, ela naturalmente obedece à sua lei natural de dar frutos,
oferecer os galhos para construção de ninhos e abrigo para todos
que a ela se achegam afadigados. Negar fruto, abrigo e sombra são contra
sua essência - seria como ir contra si mesma e perder sua razão
de ser e sua função na harmonia do universo. Com a pessoa humana
acontece algo semelhante: ela nasceu para ter os pés firmes na Terra
dos Homens e para abrir-se para a liberdade do céu. Pertence à
sua identidade dar os frutos de bondade que porta (têm consigo) como dádiva
do Criador desde que nasceu. Está no seu "código genético"
de Filho de Deus (sua essência filial), o abrir-se para o semelhante,
estabelecer relações de proximidade com ele, fazer-lhe sempre
recordar o rosto da caridade fraterna e abrigá-lo nas sombras de seus
afetos mais caros quando este se encontra distanciado e perdido de sua própria
origem de imagem e semelhança de Deus. Desta maneira, tal qual árvore
que jamais nega sombra até mesmo ao lenhador, um Filho de Deus jamais
devia negar abrigo, perdão, reconciliação e amor incondicional
até mesmo ao mais brutal Homem deste mundo. Até ao maior inimigo
se deve aprender a fazer resplandecer sobre ele o sol da bondade e do acolhimento.
É uma questão de justiça divina, está além
de nossos moralismos, de nossa capacidade ou incapacidade. A quem quer honrar
o Deus que segue como discípulo, o Deus de Jesus Cristo, deve por princípio,
diante de todo e qualquer inimigo, "dar a César o que é de
César e a Deus o que é de Deus" (Mt 22, 15-22). A justiça
divina só se cumpre retamente entre os "Homens de boa vontade"
lá onde sem alarde e sem divulgação farisaica, na sombra
secreta do coração, o princípio do amor evangélico
redime a nós mesmos e ao outro. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
10 Agosto 2008:
"Quem não castiga o mal, ordena que ele se faça"
(Leonardo di Pietro da Vinci, pintor, matemático, escultor, arquiteto,
físico, escritor, engenheiro, poeta, cientista, botânico e músico
italiano, 1452-1519).
Existe mais de uma noção de castigo. Durante séculos
a fio, a visão de castigo ficou congelada em muitas instituições
e pessoas significando punição pelos erros cometidos. Alimentada
por uma concepção moral decadente e anêmica, castigo virou
sinônimo de crueldade masoquista que a pessoa impunha sobre si ou sobre
os outros como forma de reparar culpas e delitos. A sociedade atual se apóia
bastante nessa compreensão para julgar e agir em situações
onde seus cidadãos cometem falhas. Para cada caso onde se opera um delito,
existe uma sentença à altura. Existem diversas instâncias
para tratar dos diferentes casos de delitos humanos e aplicar-lhes a sentença
adequada. A justiça humana assume, assim, o caráter de aplicar
o rigor da lei sobre o mal feito. No caso de falhar a justiça humana,
apela-se para a justiça divina dizendo que "esta tarda, mas não
falha!" Tudo isso é válido e até certo ponto legítimo,
quando a noção de castigo é fazer uso dela para impedir
o alastramento de atos de maldade que todos os dias se constatam dentro do tecido
social. Porém, é de se notar que existe outra noção
de castigo que, longe de querer ser melhor ou mais adequada do que a descrita
acima, é apenas mais originária e profunda, por isso mesmo, esquecida
e ignorada nos dias atuais. Castigar entre tantas significações
tem o sentido de admoestar, corrigir... Admoestação, diferente
de bronca, censura, mas no sentido de lembrar uma coisa essencial; como trazer
de novo ao coração o que é importante e no qual estamos
comprometidos. Nesse sentido, admoestar alguém é estar junto para
corrigir. Corrigir com tal seriedade e preocupação que chega a
fazer o outro sofrer para entender o que esqueceu importante. Isso é
que na linguagem de admoestação se chama castigar. Esse tipo de
correção num primeiro momento desmorona a gente, pois faz pensar,
põe por terra idéias fixas e machuca nosso ego fechado. Ao mesmo
tempo, isso gera problemas, porque hoje quando somos corrigidos, ficamos amuados,
ressentidos, desanimados e deixamos de perceber que a correção
é uma chamada de atenção para nos conduzir de novo às
fontes daquilo que representa um valor essencial para cada ser humano. Castigar,
quando tem essa conotação de corrigir ou redirecionar para o que
é profundo e significativo na vida, acaba nos purificando, nos recolocando
com os pés no chão, nos deixa mais sóbrios e atentos frente
ao mal que muitas vezes nos consome e seduz. Quando somos recordados do essencial
ao qual estamos comprometidos, então automaticamente estamos ordenando
ao mal que se afaste de nós e fechando todas as portas para uma possível
entrada sua em nossa existência. Para esses, o castigo é sempre
uma oportunidade de ser lembrado no bem maior que havia sido negligenciado;
jamais um meio de impor tortura e dor sobre si mesmo e sobre os outros. Dentro
de tal compreensão é que pode ser invocado o texto bíblico
do Apocalipse (3, 19) que diz: "Eu repreendo e castigo aqueles que amo".
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos).
7 Agosto 2008:
"Qualquer caminho que você decida tomar, existe sempre alguém
para te dizer que você está errado. Existem sempre dificuldades
surgindo que te tentam a acreditar que as críticas estão corretas.
Mapear um caminho de ação e segui-lo até o fim requer...
coragem" (Ralph Waldo Emerson, escritor, poeta e filósofo
americano, 1803-1882).
Onde há muito palpite há pouca ação. Uma pequena
historieta que circula pela internet narra o episódio de duas crianças
que andavam sobre um lago de gelo quando de repente este se quebrou e uma delas
caiu dentro dele. A outra criança vendo o perigo que a ameaçava,
quis implorar por ajuda, mas ninguém estava por perto. Então improvisou,
estendeu sua mão, fazendo uso de si mesmo, com todas as suas forças
para resgatar o amigo. Pouco depois apareceram pessoas que chamaram o resgate
e outras formas de socorro. Ali presente se encontrava um velho que ouviu as
pessoas extasiadas exclamarem que tinha sido um milagre a ação
daquela pequena criança em favor do amigo. De todos partia a pergunta
de como ela tinha conseguido tal façanha e a resposta veio daquele velho
quando disse: "Eu sei como ele conseguiu. Ele conseguiu, porque não
havia ninguém por perto para dizer que ele não seria capaz".
Essa resposta do velho sábio deveria servir de estímulo para todos
os que empreendem um caminho, uma tarefa ou uma decisão na vida, isto
é, devem agir com a convicção e liberdade de quem em meio
às dificuldades opera como se não tivesse ninguém por perto
para minar-lhe as forças, nem para dizer-lhe que é incapaz. Deve
estar de tal forma livre (desprendido) que nem os elogios, nem as condenações
ou críticas destrutivas o afastem daquilo que perseguiu ou assumiu como
caminho e orientação de vida. Fazer isso é ter o coração
unificado e totalmente doado ao que se quer e busca como realização.
Coragem é ter esse espírito de determinação e ousadia
para fazer a "travessia" de todos os desafios que se apresentam. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
5 Agosto 2008:
"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito.
Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o
dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver"
(Tenzin Gyatso, o 14º Dalai-Lama).
Em um minuto, uma vida pode ser transformada. Em uma fração de
segundos, um óvulo é fecundado e uma nova vida tem seu início.
Um novo Recorde mundial é decidido em milésimos de segundos. Para
os antigos gregos, o tempo tem duas dimensões: "cronos" para
dizer tempo do relógio e "kairós" para dizer tempo oportuno,
aquele onde somos concretos em cada experiência que fazemos. Um atleta
olímpico usa as duas dimensões, luta contra o tempo (cronos) dando
o máximo de si naquele momento (kairós). A decisão é
totalmente nossa de como aproveitar bem as dimensões do nosso tempo.
As oportunidades que passam jamais retornam da mesma forma. Como fazer o agora
está em nossas mãos? Decisões por impulso podem levar a
uma vida de arrependimentos. Ações com amor proporcionam alegria.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
4 Agosto 2008:
"Quando um homem admira muito a si mesmo, chega a não
saber qual é sua face ou qual é a sua máscara"
(Pío Baroja, escritor espanhol, 1872-1956).
Nossa mente vê no espelho o que nosso interior deseja que seja visto.
A semana passada, um artista foi agredido na rua em função do
personagem vilão que representa em uma das novelas da televisão.
O telespectador viu no artista sua máscara (representação)
em lugar da pessoa. O mesmo acontece com muitas pessoas que em função
de seu trabalho acabam levando para outros cenários os papéis
que atuam profissionalmente. Outros vivem o que gostariam de ser e acabam acreditando
que é verdade. Se faltar o discernimento e o equilíbrio, tais
atitudes podem anular o indivíduo enquanto pessoa e ressaltar a imagem
que julga ter. O ego se sobrepõe, ou seja, passa a ser egoísta.
Tudo passa a girar em função do que julga ser sua imagem. O antídoto
para este vício é a humildade. Ser humilde é reconhecer-se
parte de um imenso mosaico cujo artista é Deus, onde cada um tem seu
papel. 'Somos o que somos diante de Deus e nada mais' (Reflexão feita
por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
3 Agosto 2008:
"Quando alguém teme a verdade passa a controlar e a reprimir"
(Leonardo Boff, teólogo brasileiro).
Atrás de muitas atitudes autoritárias existem pessoas covardes
e inseguras. Controle e repressão são formas decadentes de lidar
com a verdade. Ao perder a clareza e a segurança a respeito das pessoas,
coisas e situações, controlar e reprimir parecem ser a saída
mais fácil de certos momentos. O fácil, porém, está
longe de ser o mais sensato e inteligente. Pode demonstrar insegurança
e incapacidade camufladas em autoridade. Em geral apela-se ao uso do mais fácil,
porque ele parece amenizar os conflitos mais urgentes e dá a falsa impressão
de que as coisas nesse estilo de comportamento se resolvem sem maiores problemas.
Embora se possa livrar de um constrangimento e embaraços provisórios,
a verdade prevalecerá. Ela (a verdade) se manterá ali "de
pé" (sem se dobrar), firme e perseverante, até nos abrirmos
à sua revelação. A quem dá ouvidos ao eco da verdade,
controle e repressão cederão lugar ao bom senso, ao diálogo
e à flexibilidade. Excetuando-se situações em que controle
quer dizer dosar para guardar o equilíbrio, nenhuma forma de controle
é permitida sobre os seres humanos. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
1 Agosto 2008:
"Aprendemos a amar não quando encontramos a pessoa perfeita,
mas quando chegamos a ver de maneira perfeita uma pessoa imperfeita"
(Sam Keen, autor, professor e filósofo americano).
Quem ama, vê tudo de forma diferente. No relato Bíblico
escrito por São Mateus (capítulo 6 versículo 22) vem descrito
que "se teu olho for bom, todo o teu corpo será iluminado".
A luz que aparece nos olhos vem de uma fonte tão clara que tudo que está
sob seu enfoque fica iluminado. Um olho que possui tal luz tudo vê de
forma translúcida e abrangente. Imagine agora um olho cuja fonte e ligação
direta é na tomada do amor. Tudo o que ele contemplar, então,
será a partir do toque daquilo que o amor possibilita. Nada permanecerá
no escuro, nada será oculto e até a mais horrenda das criaturas
terá um brilho especial, pois recebe sua luz desse horizonte de claridade.
O que se chama de perfeito e imperfeito, bom e mau, agradável e desagradável,
virtuoso e viciado, perdem sua dicotomia quando é o amor que os atinge
e contempla. E diante do verdadeiro amor, independe se as coisas e pessoas são
boas ou más, perfeitas ou imperfeitas, pois ele, o amor, é bom
e perfeito e é nessa dinâmica que ele age. Se alguém, portanto,
quer ser aprendiz do amor, terá inevitavelmente como desafio e tarefa
maior de vida o de ver tudo e todos nessa mesma perspectiva de perfeição
e bondade. Com isso aprenderá pouco a pouco a enxergar todas as pessoas
e realidades na clareira da perfeição que o amor colocou em cada
ser ao criá-lo. O imperfeito desaparecerá, o ruim se transfigurará
em bom e aquela pessoa mais abominável deste mundo será amada
de forma terna e plena, pois o amor e os que amam de verdade só sabem
ver e fazer uma coisa de essencial diante de todas as misérias e imperfeições
humanas: amar! (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
31 Julho 2008:
"A lei foi feita para o homem e não o homem para lei"
(Jesus em Mc 2, 27).
A lei deve facilitar e não complicar a vida dos homens de bem. Certa
vez, os companheiros de São Francisco assumiram o propósito de
não comerem carne nas sextas-feiras em sinal de respeito à paixão
e morte de Cristo. Acontece que naquele ano, o dia de Natal (25 de dezembro)
caiu em uma sexta-feira, e daí veio a dúvida, pode ou não
pode? Pediram a opinião de Francisco, e ele respondeu com um gesto, pegou
um pedaço de carne e esfregou na parede dizendo; "não chame
de sexta-feira o Natal do Senhor, e neste dia até as paredes poderiam
comer carne", isto é, a alegria de comemorar o nascimento de Jesus
estava acima de qualquer propósito. As leis têm um sentido normativo
para facilitar o convívio das pessoas. Mas elas podem maldosamente serem
usadas para atingir os adversários tendo as "entrelinhas" da
lei como escudo (entendo aqui "lei" no sentido genérico de
qualquer norma ou propósito). E assim é que os fariseus queriam
pegar Jesus em alguma contradição dos preceitos judaicos de então
(muitas vezes chamados de preceitos do sábado). Penso que o bom senso
deveria prevalecer. Quando alguém toma ao pé da letra o preceito
da norma (lei), sem usar o bom senso, ele está ferindo o princípio
da justiça. Neste sentido o Livro Sagrado nos ensina:"Ide aprender
o que significam estas palavras: quero a misericórdia e não o
sacrifício" (Jesus em Mt 9, 13, citando Oséias 6,6). (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
29 Julho 2008:
"É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso
do que à ponta da espada" (William Shakespeare, dramaturgo
e poeta inglês, 1564-1616).
O sorriso abre portas. Sorrir é uma característica dos
seres humanos. Ele quase que nasce conosco. Bebês bem cedo já ensaiam
sorrisos, não se sabe se por uma tendência natural ou para imitar
ou responder aos afetos dos pais. Essa capacidade de se expressar em sorrisos
está presente em cada pessoa que vem a este mundo, é um dom, mas
que só se materializa no rosto quando querido e buscado diariamente.
Há dias em que nos parece uma tortura ter que sorrir e, num primeiro
momento, ele pode sair forçado, artificial, sem gosto e amarrado nos
lábios, porém com uma prática repetida, ele toma conta
da gente até sair natural, gratuita e espontaneamente. Wittegenstein,
filósofo moderno, dizia que "uma boca sorridente só sorri
num rosto humano". Significa que um sorriso só vem à tona
naqueles que procuram em tudo ser verdadeiramente humanos. Nos desumanos o sorriso
se oculta e se apaga a ponto de nem mesmo se conseguir mostrá-lo como
frio sorriso. Na força e na graça de um sorriso é que conseguimos
transformar e obter muitas coisas; para isso, basta ver a diferença que
faz no dia em que com um sorriso se saúda alguém pela manhã
ou quando em meio às nossas raivas e neuroses habituais, somos visitados
gratuitamente pelo sorriso de uma criança ou de uma pessoa conhecida.
O que falar daquelas situações em que conseguimos dar a volta
por cima depois de agraciados por um sorriso? Quantos corações
petrificados foram redimidos e se tornaram mais maleáveis só por
deixarem escapar um belo um sorriso, ainda que meio espremido? Como não
se lembrar dos dias em que nos sentimos verdadeiramente leves e relaxados, depois
de liberar aquela gargalhada que, de tão forte e gostosa, tivemos que
levar a mão à boca para cortar um pouco do seu transbordamento?
Sorriso é um dos modos simples e direto que o amor encontrou para vir
a nós e nos fazer cócegas quando estamos abatidos, vem para nos
renovar, nos arrancar das durezas do coração, das emoções
feridas, da cara "carrancuda" e azeda, da inflexibilidade, do "stress"
e depressão em que nos metemos tão velozmente, dos temperamentos
desequilibrados e de uma vida sem cordialidade, sem ânimo, sem esperança
e desgastada pelos sofrimentos. Quem dá um sorriso não perde nada
e quem o recebe é energizado de humanidade. Talvez seja por isso que
à custa de imposições e brutalidades, como se colocássemos
a ponta de uma espada na garganta do próximo, que jamais venhamos a conquistar
o coração do próximo para a nossa cercania e amizade. A
linguagem do sorriso é praticamente universal (excetuando-se alguns países
onde é símbolo de ofensa) e se for oferecido de forma cordial
(de coração), tem um poder formidável de transfigurar o
mundo e torná-lo mais humano, de criar atmosfera de prazer e alegria
e de fazer cair por terra pesados fardos que anos a fio trazíamos sobre
os ombros. Tenha sempre a alegria em seus lábios. (Reflexão feita
por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
28 Julho 2008:
"Ama as vestes vis, porque um dia geram humildade na tua alma"
(Frei Egídio de Assis, companheiro de São Francisco, 1190-1262).
A veste simples ressalta o brilho da alma. Uma boa forma de reconhecer a identidade
de certas pessoas, desde que não estejam disfarçadas, é
através de suas vestes. Profissional da saúde se reconhece pela
roupa branca, um mecânico por seu macacão, um lojista pelo seu
uniforme, um sacerdote por sua batina e assim por diante. A veste caracteriza
e identifica quem a usa. "Se o hábito não faz o monge",
conforme dito popular, ao menos o monge pode expressar quem ele é por
meio dele. Na verdade a veste no fundo reflete muito de quem a usa. Ela diz
quem é. Se usarmos roupas finas e caras, damos a entender que somos de
classe mais abastada e temos este ou aquele tipo de comportamento, selecionamos
certos ambientes para estar, certas amizades para conviver e adotamos um nível
de vida para desfrutar etc. Se ando maltrapilho (exceto no caso de um disfarce
ou enganação) revelo ser de classe menos favorecida com seus respectivos
padrões. Por trás de uma veste está a pessoa, seu caráter,
os valores que busca e tudo o que toca esse estilo de vestimenta. A veste, em
outras palavras, é o nosso "habitat". Amar as vestes vis, de
acordo com o que propõe frei Egídio, está além do
tecido, é amar um modo de ser essencial que faz aparecer quem realmente
somos ou quem deveria ser. É amar uma postura que pouco a pouco faz diferença
na alma. No que diz respeito à palavra vil é comum entendê-la
como algo sem valor; no entanto, o termo "vil" originalmente é
uma palavra latina para dizer força, vigor. Assim sendo, buscar amar
vestes vis é colocar a vida numa busca do que é forte e vigoroso,
assim como a terra ("humus") de onde tudo brota cheio de vigor e força.
A essa força e vigor capaz de alimentar a alma no que ela tem de melhor
é que se chama humildade. Humildade é como a terra, faz tudo germinar
de forma boa e saudável, tudo sustenta, tudo transforma e acolhe. Tudo
o que está enraizado na humildade tem força para estar de pé,
crescer, dar bons frutos e alimentar a humanidade. Portanto, amar as vestes
vis é revestir-se de todas aquelas virtudes que conduzem as pessoas a
serem humildes e quem possui como raiz de seu ser a humildade, adquire vigor
e força para viver de verdade e é capaz de sustentar todos os
embates e sofrimentos da vida. A humildade é a veste mais preciosa que
alguém pode usar se quiser revelar a verdadeira dignidade que o ser humano
possui. Eis porque os que estão revestidos dela possuem alma grande.
A essa alma grande é que se chama de magnânimo. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
27 Julho 2008:
"Fala, para que eu te conheça" (Sócrates,
filósofo grego, 470-399 a.C.).
Quando o corpo fala, é mais difícil mentir. O que falamos
e como falamos revelamos quem somos. A arte da fala é como a tampa de
um baú de tesouro, quando se abre, revela seu conteúdo. "Onde
está o teu tesouro, lá também está teu coração"
(Jesus em Mt 6, 21). "A boca fala do que o coração está
cheio" (dito popular). Mas podemos falar de muitas formas, sendo a sonora
(voz) apenas uma delas. Falamos com nossos gestos, com nosso olhar, com nossas
atitudes. Nosso inconsciente fala por nosso corpo, pela forma de nossa postura.
Ao escrevermos também expressamos nossa fala. Penso que ao refletir sobre
o conteúdo de cada uma de nossas formas de falar, aprendemos a nos conhecer
melhor. Falar de um jeito e agir de outro é mentir. Quem está
atento ao que diz evita de ser inconveniente. Corrija teu discurso antes de
romper teu silêncio. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos).
24 Julho 2008:
"Se alguém está bem, estará bem em todos os
lugares e no meio de todo tipo de pessoas. Se está mal, estará
mal em todos os lugares e no meio de todo gênero de pessoas"
(Mestre Eckhart – Pensador e místico medieval - 1260-1328).
Quando a base da edificação é de rocha firme, as intempéries
pouco afetam. Por vezes pensamos que para obter a serena paz de vida precisaremos
nos afastar de certos lugares e pessoas. Buscamos ambientes tranquilos,
isolados do convívio fraternal, para assegurar nosso equilíbrio
interior. Assim o fazemos, caso necessitemos recompor partes em nós desintegradas
nas múltiplas relações conflituosas que experimentamos,
porém jamais estaremos na "casa da paz" verdadeira se o caminho
assumido for o do distanciamento, da fuga ou a solidão, devido ao desencanto
com pessoas e lugares. O místico medieval, mestre Ekchart, propõe
o estar bem com todas as coisas, pois essa atitude traz Deus para a pessoa e
se ela traz Deus consigo o trará para todos os lugares (cidade, campo,
família, trabalho, lazer, situações de guerra e dificuldades)
e para o convívio com todo gênero de pessoa (boas, más,
simpáticas e antipáticas). Isto quer dizer que se Deus está
com tal pessoa, ninguém e nenhuma situação ou lugar constituirá
um obstáculo para ela. Deus opera nela e ela está unida a Ele
de tal forma que todas as suas ações e reações são
boas. Ao mesmo tempo possui um jeito de ser que não pode ser arruinado
por ninguém. Ao contrário, se está mal, estará mal
em todos os lugares e junto a todo tipo de gente, pois o mal que porta, estará
nele onde quer que vá ou com quem quer que encontre. Em contrapartida,
estar bem ou estar mal nada tem a ver com estado de ânimo ou humor psicológico.
Diz respeito, sim, ao lugar onde a pessoa fundamenta sua vida. Se o fundamento
for bom, firme e forte, então tudo o que sofrer e todos os que cruzarem
seu caminho tentando dissuadi-lo de seu certame, sairão derrotados. Deus
é o fundamento de todos os fundamentos. Vive sem temer mal algum quem
edifica sua vida no amor de Deus, pois sempre estará bem. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
23 Julho 2008:
"A paz da consciência é o maior de todos os dons.
Uma pessoa com a consciência limpa não tem motivos para temer os
espectros" (Lin Yutang, escritor e inventor chinês, 1875-1976).
Em uma casa organizada, o ambiente é agradável; em uma
consciência limpa, não há temor. É muito comum ouvir
ou conhecer pessoas que são atormentadas pelo que se poderia chamar de
"peso de consciência" e, mais incrível ainda, conhecer
outros que jamais experimentaram o que seja isso, ou seja, por mais barbaridades
que já tenham cometido, nunca sentiram remorso de seus atos. Em tal caso
se diz que são pessoas sem consciência ou de consciência
adormecida. Porém, seria de duvidar que possuam paz da consciência.
Possuem, sim, uma lesão grave na consciência a tal ponto que deixam
de reconhecer o que fazem. Para haver paz na consciência é necessário
que a pessoa tenha ciência de onde ela coloca o fundamento de seus pensamentos,
de suas ações, de sua vida. Se o eixo de sua existência
estiver num ponto resistente, onde nada perturba ou corrompe, ali então
se pode dizer que a consciência, pura e livre de todas as desordens, habita
finalmente no reino da paz. Esse fundamento bom, esse eixo resistente é
que os antigos chamavam de "amor". Assim, se a consciência de
um Homem estiver radicada nesse centro de força chamado amor, tudo então
estará em paz. Por outro lado, estar fora dele é o mesmo que estar
em contínua guerra com sua própria interioridade e, consequentemente,
com as pessoas, com os acontecimentos e até mesmo com as coisas. É
como carregar a sombra de um fantasma (espectro) que continuamente atormenta
e assombra nossa mente. Importante, no entanto, para manter a consciência
limpa de tudo o que possa torná-la pesada é livrar-se de todos
os entulhos e sucatas (consciência pesada) que nossas obras ajuntam nos
relacionamentos mal feitos e deixá-la ser purificada pela "graça
do amor". Por sua vez, da consciência pesada não se livra
simplesmente dando um "pontapé" nela, mas abrindo-nos para
o sopro vivificador do amor que é o único que tem poder, força
e sabedoria para limpar, organizar e reconstruir todas as coisas. O Homem de
consciência limpa pode caminhar serena e humildemente entre os demais,
pois está enraizado numa força que é maior do que tudo
e que, por isso, nada teme. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
22 Julho 2008:
"Não tenha medo se as coisas parecem difíceis no
começo. É apenas a impressão inicial. O importante é
não recuar; você precisa dominar a si mesmo" (Olga
Valentinovna Korbut, ex-campeã de ginástica olímpica
da ex-União Soviética).
Como um animal a ser domesticado, o medo deve ser controlado para nos ser útil.
Dizem que o medo mata a alma. Alma, no sentido de nossa disposição
de viver e de fazer as coisas. Quando for comandada pelo poder do medo e anestesiada
nas suas iniciativas ela fica anêmica em sua força e vigor. Por
sua vez, uma dose de medo em certas circunstâncias nem sempre é
tão ruim e negativo. Ele pode nos ser muito útil quando for usado
como meio de preservação da própria vida, quando nos fizer
prudentes frente a situações de risco. No entanto, ele tem força
de inibir nossa vontade e nossas ações, especialmente, quando
damos início a qualquer atividade que exija esforço e exposição
de nossa parte. Ele entra na consciência dizendo que "não
é possível", que "não vamos conseguir",
que "não vale a pena", que "vamos sofrer" e assim
por diante. Enfim, em nome das "pseudo-dificuldades" impressas na
alma, o poder do medo nos leva a recuar e a deixar de portar avante o que havíamos
iniciado e que estava em curso. Saber fazer uso do medo de maneira sábia
cria em nós liberdade e tranquilidade para superar situações
difíceis; caso contrário, ele passa a nos acompanhar como uma
espécie de eterno fantasma, como um empecilho a nos distanciar dos bons
empenhos e objetivos. É bom lembrar, também, que nenhum medo precisa
ser reprimido dentro de nós; precisa, sim, ser dominado, isto é,
ser colocado sob a constante análise e tutela de nossa inteligência.
Dominar o medo é arte de nos fazer senhores dele, jamais o contrário;
e só consegue ser "senhor" do medo quem está habituado
a ter domínio sobre si mesmo com todas as suas tendências, paixões
e apetites doentios. Nesse sentido, nunca devemos ter medo do que é difícil,
pois a dificuldade é apenas um alerta e um convite a dobrar os esforços
e a dedicação em torno daquilo que para nós tem peso e
importância maior. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
21 Julho 2008:
"Uma das causas do fracasso na vida é deixar para amanhã
o que se pode fazer hoje, e depois fazê-lo apressadamente"
(provérbio oriental).
O adiar contém uma vontade de não fazer. Existe uma força
toda própria no fazer com empenho e amor que supera a ânsia em
ver a obra acabada. Quem prepara um prato de alimento, por exemplo, pode demorar
horas e depois ver consumido em minutos, mas só quem fez sabe quanto
aprendeu no fazer. Estabeleceu-se harmonia entre o fazer e os elementos envolvidos.
Quem assim entende, lança-se na arte do fazer o quanto antes, pois adiar
significa perder uma oportunidade preciosa. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
20 Julho 2008:
"O melhor que podemos fazer em favor dos que nos amam é
continuar sendo felizes" (Alain, filósofo francês,
1868-1951).
A alegria é contagiante. Alegria é bem diferente de diversão
ou coisa parecida, é muito mais, é um estado de espírito
capaz de se encantar com tudo o que se apresenta por reconhecer-se pequeno diante
de tanta maravilha. Uma alma assim encantada é feliz e agradecida ao
Criador. Muitos se incomodam com a alegria de outros e fazem tudo para prejudicar
em vez de também descobrir este segredo. Aborrecem-se com a alegria das
crianças, com o sibilar dos pássaros, com a luz do sol e até
mesmo a sombra refrescante os incomoda. Só quando recuperarem a paz da
alma é que poderão descobrir o caminho da felicidade. Os que nos
amam sentem-se também felizes pela alegria que irradiamos. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
17 Julho 2008:
"Uma geração que não suporta o aborrecimento
será uma geração de escasso valor" (Bertrand
Arthur William Russell; filósofo, matemático e escritor inglês,
1872-1970).
A purificação de metais preciosos se dá em calor intenso.
Vivemos a geração do comodismo, gostamos da facilidade do controle
remoto para evitar qualquer tipo de exercício, depois gastamos em medicamentos
para compensar a atrofia (mental e física) e suas consequências.
Um efeito desta postura é que preferimos fugir dos aborrecimentos em
vez de enfrentá-los. Com isso estamos perdendo nossa capacidade de "luta".
Assim como um filhote de animal selvagem é levado por seus pais desde
cedo a aprender a enfrentar as "dificuldades" da selva para garantir
sua sobrevivência, assim deveríamos nós aprender a lidar
desde cedo com as "contrariedades" (obrigações, cuidados,
dificuldades, etc.), para quando elas surgirem em maior intensidade, já
tenhamos habilidade em resolvê-las. As crianças estão impondo
suas vontades, pois detestam serem aborrecidas, e os pais cedem em vez de educá-las.
E pior, às vezes estão dando muito mau exemplo, com seu modo de
falar ou com suas atitudes. O que plantamos hoje colheremos amanhã. Demonstre
seu amor a esta geração dedicando parte de seu tempo a educá-la.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (12 anos)
16 Julho 2008:
"Podem proibir-me de seguir meu caminho, podem tentar forçar
minha vontade. Porém, não podem impedir-me que, no fundo de minha
alma, escolha uma ou outra" (Henrik Johan Ibsen, dramaturgo norueguês,
1828-1906).
Na unidade há força. Estamos acostumados a pensar "escolha"
como decisão ou indecisão diante de duas ou mais alternativas
que se apresentam à nossa liberdade. Na verdade, porém, escolha
é o uso inteligente que fazemos de nós mesmos nos mais diversos
cenários que nos cercam e atingem. Fazer uso inteligente de si mesmo
significa jamais dar atenção a idéias, falas, juízos
e concepções que distorcem e dividem a realidade, a vida, o mundo,
a criação, tirando deles sua unidade, harmonia e equilíbrio.
Quem entende escolha assim não fica no impasse de pensar se deve desejar
e buscar o que é bom ou ruim, o ser livre ou escravo, o fazer o bem ou
fazer o mal e assim por diante. Com base na verdade elege para si mesmo o que
é bom, livre, justo, reto, útil e essencial e segue nessa direção
com o coração e a alma soltos e sem dicotomias. Aos que procedem
dessa forma, poderão encontrar resistências da parte dos que esfacelaram
a realidade e forçam sua permanência na fragmentação,
mas jamais tirará da alma de um Homem bem decidido o seu poder de sempre
e em qualquer situação ser simplesmente "escolha". Ser
escolha nada tem a ver com opção de quem está perdido na
divisão, mas ser "uno" (integrado, indivisível) consigo
e com todas as coisas o tempo todo. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
15 Julho 2008:
"O que obtemos barato demais, valorizamos muito pouco; é
somente a estima que dá a qualquer coisa o seu valor" (Thomas
Paine, filósofo e político inglês, 1737-1809)
Valorizamos o que "artesanalmente" nos fez suar. Na realidade
do comércio, do mundo consumista e do mercado da concorrência,
estamos acostumados a encontrar preços diferenciados em muitos produtos
e mercadorias, muitos deles feitos para atender ao princípio de vender
para ganhar no volume de giro. Tais produtos têm a "mesma cara"
para facilitar a produção e baratear o custo. Com isso, muitas
vezes é mais barato trocar um produto do que consertá-lo. Tudo
isso gera uma compreensão da vida de um modo superficial, fugaz e sem
valor, ou seja, tudo se torna perecível e com o tempo se perde a referência
do que de fato é bom e valoroso e passa a ser artificial em tudo, inclusive
nos relacionamentos. Eis porque em certos casos, por exemplo, realidades como
namoro, matrimônio, amizade, lealdade entre pessoas, religião,
educação, dentre outros, se tornam horizontes sem importância
e sem valor na vida de alguns, pois a mesma consciência de fugacidade
e pouco valor que se cultiva no comércio e no plano dos negócios
são lançados, também, para essas realidades mais preciosas
da existência. Assim sendo, todas as dimensões importantes do viver
humano acabam tendo a marca do barato, da pouca estima, do fugaz e passageiro,
do sem esforço e sem consideração. Pessoas e sociedades
medíocres são o fruto e a consequência de tal consciência.
O que não tem valor, o que não nos custa o suor, o esforço
de cada dia, o que até certo ponto não exige muito de nós,
jamais será capaz de tornar o mundo melhor e as pessoas mais verdadeiras
e íntegras. Talvez seja por causa de uma postura assim que, na Sagrada
Escritura, Jesus alerta que aqueles que se esquivam da porta estreita e do caminho
mais árduo e buscam a porta larga e os caminhos mais espaçosos,
jamais encontrarão as verdadeiras belezas do "Reino", jamais
conhecerão a pureza, a alegria, a ternura e o encanto das boas relações
entre os Homens. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12 anos)
14 Julho 2008:
"Vivemos em um mundo maravilhoso que é cheio de beleza,
encantos e aventuras. Não existe fim para as aventuras que podemos ter
se simplesmente as procurarmos com os nossos olhos abertos" (Jawaharial
Nehru, político e professor da Índia,1889 -1964).
Ao coração que se abre, tudo é encanto. Procurar com os
olhos abertos é tirar as lentes do "já sei" e abrir-se
ao inesperado com o que tem a revelar. Assim, cada detalhe ganha uma nova dimensão.
Seria como colocar um minúsculo objeto em um microscópio. Com
o aumento da imagem, algo que ainda não era percebido se revela. Quando
nosso coração se abre para entender melhor, mesmo o que era comum
em nosso dia a dia, ganha um novo significado. O mundo se revela cheio de beleza
e encanto. Tudo isso porque começamos a ver com nossos olhos bem abertos.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom
dia! (12 anos)
13 Julho 2008:
"Agimos como se o luxo e a comodidade fossem os mais importantes
na vida, quando o único que necessitamos para ser realmente felizes é
algo pelo qual nos entusiasmamos" (Charles Kingsley, novelista
e clérigo inglês, 1819-1875).
Com entusiasmo vemos a vida de modo diferente. A palavra entusiasmo tem
sua origem no grego (enthousiasmós) que antigamente traduzia a pessoa
que obtém do "divino" (theós) sua força e dinamismo.
Sendo assim, as ações empreendidas por uma pessoa entusiasmada
tendem a sempre dar certo, pois contém em si este vigor, por confiar
em sua capacidade e na inspiração divina. Luxo e comodidade são
coisas passageiras que se alteram facilmente com as adversidades por dependerem
de fatores externos a pessoa. Mas a "paixão" do entusiasmo
que leva à excitação da alma é um dos elementos
internos que dependem da vontade do indivíduo. O entusiasmo é
como uma força magnética que tende a ordenar os elementos de seu
entorno. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (12 anos)
11 Julho 2008:
“O verdadeiro mérito é como o rio: quanto mais profundo,
menos ruído faz” (George Savile Halifax, político
inglês, 1633-1695).
Alguns ficam tão vidrados nos “louros” do reconhecimento
por suas obras que se esquecem de realizá-las. Existe nos tempos atuais
uma compreensão de mérito que nem sempre atinge seu verdadeiro
significado. Trata-se de um “pseudo-mérito” e é muito
cultivado por aqueles que possuem mentalidade produtiva. Por mentalidade produtiva
se entende aqui aqueles que sonham com o prêmio e colocam mais a recompensa
do que o esforço da labuta. Os que atuam nesse nível de compreensão
andam em busca de publicidade e ostentação para serem vistos no
que fazem e se zangam se o reconhecimento falha, bem como perdem a paciência
e a serenidade se a retribuição demora a chegar. O verdadeiro
mérito, no entanto, tem outra vertente. “Ele” não
sabe de si, não busca a si, nem mesmo se apóia na recompensa como
alvo maior de seus esforços, apenas opera acreditando que o simples fato
de buscar, de trabalhar, de lutar, de se esforçar, de fazer sempre o
melhor, de se empenhar etc, já é bom e realizável em si.
E ao se devotar a qualquer ação humana, prefere o anonimato e
o silêncio, pois entende que mérito é graça e prêmio
que surge do próprio encontro e envolvimento com uma obra. Quem entende
isso já se vê feliz e realizado com qualquer coisa que faz e, assim,
não necessita dos louros do reconhecimento alheio, nem do alarde de suas
produções, pois sabe muito bem que já é honrado
pelo fato de poder correr atrás e se dedicar a uma obra que seja realmente
boa. Em outras palavras, estar a serviço das grandes e boas causas da
humanidade já representa honra ao mérito. Mérito nesse
caso é como uma dádiva, como o ar que está aí à
disposição de quem queira fazer uso dele para tornar-se agraciado
pelos seus efeitos e ser profundo no que faz. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê) Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
10 Julho 2008:
“Há três coisas que jamais voltam: a flecha lançada,
a palavra dita e a oportunidade perdida” (Provérbio Chinês).
Para evitar o arrependimento pense bem antes de fazer. Os pais que encaram
com seriedade a tarefa de educar, desde crianças ensinam a seus filhos,
certas virtudes que esses jamais deveriam esquecer. Dentre elas, a ter espírito
de decisão e precisão naquilo que faz a fim de deixar uma boa
marca naquelas coisas que realiza; a pronunciar palavras que tenham “peso
de ouro” e a usá-las de tal forma que jamais se arrependam de tê-las
dito um dia; a estar atento em vista das oportunidades e a fazer bom uso de
tudo que lhes é entregue como tarefa e desafio. Aos que seriamente tomaram
tais ensinamentos paternos como lição e sabedoria, encontrarão
boa direção na vida e jamais se lamentarão de terem colocado
a vida sob o risco de algum empreendimento, pois não precisarão
ficar na eterna espera que um dia os tempos sejam melhores ou que a vida lhes
proporcione uma sorte melhor para corrigir algo mal feito ou agarrar aquilo
que numa certa ocasião deixaram escapar. (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
9 Julho 2008:
“A inteligência é o único meio que possuímos
para dominar os nossos instintos” (Gelson Castellan, vice-presidente
da Móveis Florense)
O cavaleiro conduz o animal quando há sintonia e ele têm
as “rédeas na mão”. Instinto diz respeito àquela
característica ou aptidão inata que age na gente de forma espontânea,
automática e praticamente independente do exercício de nossa vontade.
Ele brota em nós naturalmente, sem nenhum esforço, vem por si
para realizar necessidades básicas dos seres vivos. Nos animais e no
homem ele atua buscando a conservação e a proteção,
em muitos casos é uma espécie de sensor que ajuda animais e homens
a realizar certas tendências que surgem neles desde o nascimento como,
por exemplo, o peixe que nasce nadando, o pássaro que busca construir
seu ninho, a cria que busca a “teta” para mamar etc. Em si mesmo
o instinto não é um mal, nem uma inclinação para
o que é ruim. Ele é apenas um tino, um guia natural a ajudar os
seres vivos em suas buscas mais elementares de sobrevivência. No entanto,
no ser humano ele pode decair, pode ser mal interpretado, mal direcionado e
confundido, tornando-se um inimigo em potencial da vontade e da razão.
Se ao longo da vida o instinto não for educado, se for deixado apenas
ao jogo de sua espontaneidade e ação distanciada do que chamamos
raciocínio, ele conduz o homem à escravidão dos desejos
e apetites mais primitivos, além de manter o coração, o
corpo, a alma, a mente, enfim, todas as faculdades humanas debaixo de seus caprichos
e tendências, muitas delas avessas ao próprio Homem. É aqui
que entra o papel da inteligência, não para repudiar, negar, castrar
ou inibir os instintos, mas para examiná-los melhor, para fazer a leitura
de suas manifestações e reivindicações e orientá-los
devidamente, para desmascarar suas sugestões diabólicas e dar
mais precisão e boa orientação aos seus comandos. Em outras
palavras, levá-los a um aprendizado. A inteligência numa tal referência
mantém os instintos mais limpos, mais bem definidos e livres de posses,
de egoísmos, vaidades, orgulho e falsificações da vontade.
No fundo, a inteligência ajuda desenvolver os instintos, a trabalhá-los
e esculpi-los até tornarem-se uma verdadeira obra de arte. Ela controla
os instintos, os doma para que sejam dóceis, afáveis, obedientes,
sóbrios e temperados para conduzir o ser humano rumo a uma maturidade
plena na sua vontade e liberdade. É esse trabalho e exercício
da inteligência sobre os instintos que torna o Homem um ser equilibrado,
senhor de si mesmo e bem assentado em sua identidade. Desta forma, o ser humano
tem chance de ser senhor de seus instintos e deixa de ser marionete de suas
exigências. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
8 Julho 2008:
“Não faças se não convém. Não
digas se não é verdade” (César Marco Aurélio
Antônio Augusto, imperador romano, 121-180).
A arte de fazer requer habilidades. Sempre teremos alguém dando palpite
no que deve ser feito, mas só quem é despreparado dará
ouvido ao que dizem. Por isso, antes conheça e busque ter habilidade
no que deseja fazer, para poder executar com segurança o que convém.
Muitas coisas erradas acontecem por ações impulsivas. Tenha mais
discernimento. Evite repetir o que ouviu sem verificar a veracidade do que foi
dito. Uma mentira leva a outra e traz consigo uma série de vícios.
Sua “postura” (como age e o que fala) revela quem você é.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (12 anos)
7 Julho 2008
“Ficar de blá blá blá sobre o passado, para
mim é perda de tempo. Não me sinto velho, vejo uma coisa que quero
fazer e tenho que fazê-la” (Jacques-Yves Cousteau, inventor
e pesquisador francês, 1910 – 1997).
Existem pessoas que dedicam boa parte de seu tempo em relembrar feitos gloriosos
de antepassados que lhes falta tempo para fazer algo hoje. Fazer é um
ato da vontade. Assim como um grande muro é composto de muitos pequenos
tijolos, tembém os grandes feitos são decorrência da perseverença
nas pequenas obras. Quem quer pronto, faz logo, quem não quer, fica esperando
condições mais favoráveis. (Reflexão feita por Jose
Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (12 anos)
30 Maio 2008:
“Se um sonho cair e se quebrar em mil partes, não tenha
medo de pegar uma delas e começar novamente” (Flavia Weend,
artista americana).
Sonhos de hoje, realidades amanhã. Sonho, do latim “somniu”,
é também o conjunto de idéias que se apresenta ao nosso
espírito como aspiração de uma busca. Há um comercial
de um veículo, que para a equipe de publicidade alcançar o seu
projeto “sonhado”, teve que repetir a filmagem mais de oitocentas
vezes. Certamente muitos teriam desistido, mas eles corrigiam as falhas e recomeçavam.
Esta disposição que devemos ter em nossos sonhos ou projetos,
em cada queda um novo aprendizado, em cada recomeço uma esperança
redobrada. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom
trabalho e um ótimo final de semana. Bom dia! (12º ano)
29 Maio 2008:
“Fazemos homens sem peito (emoções) e esperamos
deles virtude e empreendimento. Rimos da honra e ficamos chocados quando achamos
traidores em nosso meio. Castramos o animal e exigimos que ele seja fecundo”
(Clive Staples Lewis, escritor irlandês, 1898-1963).
Quando se mergulha em águas turvas, quase nada se vê. Vivemos
em um tempo de contradições. Elegemos políticos desonestos
e esperamos que façam leis justas. As decisões que beneficiam
a poucos e prejudicam a muitos, são acordadas na calada da noite. Todos
se calam diante das CPIs que acabam porque o corporativismo impede que sejam
investigados os “compadres”. A nação pára diante
de um caso comovente e ignora a nomeação de gestores comprometidos
com a falsidade, de parlamentar que responde a processos eleito para presidir,
“conselho de ética” e assim por diante. Muitas empresas agem
de forma semelhante com seus colaboradores, fornecedores e clientes. A palavra
“família” está perdendo sua referência. Estas
são as sementes que estamos lançando hoje, imagine que frutos
darão amanhã. São heróis os que diante de tantos
exemplos negativos ainda ensinam a seus filhos, com suas palavras e ações,
o valor das virtudes. Nossa referência deve estar em “Deus”.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom
dia! (12º ano)
28 Maio 2008:
“Um momento não consagrado a uma boa ação
era, a seus olhos (de Francisco), uma falta grave, pois não avançar
é recuar” (Frei Tomás de Celano, primeiro hagiógrafo
da vida de São Francisco de Assis, 1190-1260, em II Celano, 159).
Quem dá o primeiro passo tem a oportunidade de chegar primeiro.
A dimensão que impulsionava as ações de Francisco de Assis
era a fé. Uma das maneiras de demonstrar seu amor a Deus era amando “suas
criaturas”, principalmente as pessoas que são sua imagem e semelhança.
Mesmo sendo ofendido, era capaz de transformar em perdão e amor esta
ofensa. Assim, todo momento era uma oportunidade de amar e fazer uma boa ação.
Desta forma, tomava a iniciativa e ia ao encontro dos mais necessitados, quer
seja de saúde, de recursos ou de amor. Essa iniciativa aparentemente
isolada foi capaz de transformar o mundo em sua época e seus efeitos
até hoje são notados. Esperar uma oportunidade para amar é
recuar diante de tantas oportuniades que Deus nos oferece a cada instante de
nossa vida. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom
trabalho. Bom dia! (12º ano)
27 Maio 2008:
“Um grande piloto consegue navegar mesmo quando sua vela está
rasgada” (Lucius Annaeus Sêneca, filósofo, 4 AC
– 65 DC).
Barco ancorado não rasga vela, mas também não sai
do lugar. A função principal de uma vela em uma embarcação
é dar propulsão à mesma pela força do vento. Ao
se rasgar, ela perde parte de sua eficiência na proporção
da avaria. Forçar a navegação nestas condições
pode piorar a situação. Mas, nem sempre o barqueiro tem escolha,
ele pode ser surpreendido por tormentas que levem a este tipo de dano no meio
de uma travessia e estar tão distante da costa que impossibilite sua
substituição. É nesta situação extrema que
os grandes barqueiros se revelam, ou seja, eles não desistem, ao contrário,
extraem o máximo dos poucos recursos disponíveis que lhes permite
continuar rumo a seu destino. Quantas vezes fatos inesperados “rasgam
nossas velas” e ficamos quase que à deriva. É neste momento
que devemos avaliar a situação e identificar os recursos disponíveis
para que, bem utilizados, eles possam nos auxiliar em nossa “navegação”.
Sempre existe uma saída quando se tem criatividade. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12º
ano)
26 Maio 2008:
“A fé não é cega. É visionária.
Tem um olho a mais” (Frei Marcos Aurélio Fernandes, brasileiro,
doutor em filosofia pelo Ateneum Antonianum de Roma, Itália, citado em
“Pensadores Franciscanos Paisagens e Sendas” da Editora Universitária
São Francisco, Bragança Paulista, 2007 página 25).
A fé vê além do óbvio. Fé tem a ver
com uma disposição firme e decidida de buscar de todo coração,
com toda alma e com todas as fibras do “ser”, aquilo que anterior
a toda iniciativa e decisão da pessoa, veio a ela num encontro gratuito.
Corresponder com liberdade e prontidão cheia de ânimo ao toque
primeiro deste encontro, como tarefa de todo dia e de toda a vida, é
o caminho, a aventura da Fé. Assim sendo, fé nada tem a ver com
aquela cegueira de quem salta ingenuamente no escuro e no vazio do nada. Ela
é o horizonte prévio, aquela evidência de que existe um
a priori, um abismo sem fundo de onde tudo nasce, cresce e se consuma, onde
tudo tem a sua origem e sentido. É como se fosse uma plataforma de onde
todas as coisas se erguem, ganham o seu sustento e sua significação.
Eis também porque ela, a Fé, é visionária, pois
não é visão de um futuro distante e longínquo, mas
um ver radical e profundo que inaugura toda e qualquer atitude e ação
humana. Tal ver vem de um olho que é dado a quem se abre às exigências
da própria fé, de tal forma que no momento em que se dá
essa abertura a pessoa já contempla o objeto de sua visão. É
como Abraão que por meio de sua doação na fé, anteviu
o que a “Palavra de Deus” lhe prometera. Portanto, no universo da
fé é possível afirmar com simplicidade que não somos
nós que temos fé, mas que ela nos tem, e, se ela nos tem, nela
existimos e nos movemos. Será que não é essa a consciência
mais pura e cristalina que nós homens e mulheres dos tempos atuais teríamos
que recuperar, não por falta de fé, mas por ter a fé tão
obscura, tão sem evidência e consistência? (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12º
ano)
21 Maio 2008:
“O segredo da genialidade está em conservar o espírito
de criança até a velhice, isto é, jamais perder o entusiasmo”
(Aldous Huxley, crítico e poeta inglês, 1894-1963).
Nossos olhos revelam a paisagem, mas é o nosso “coração”
que lhe dá sentido. Há uma foto que circulou na internet que a
meu ver traduz bem o espírito de criança, mostra um menino em
um plano mais elevado, fazendo “xixi” no capacete de um soldado
bem armado que está entrincheirado em um plano mais abaixo. Para o soldado,
a situação é de conflito e a vida está ameaçada,
mas naquele momento o importante para aquele menino era fazer “xixi”.
Vivemos em tensão constante, semelhante a uma “guerra”, onde
cumprir prazos, estabelecer metas, rapidez e afins são as vozes de comando.
Deixamos de apreciar o “bem” que passa ao nosso lado. Perdemos momentos
preciosos e muitas vezes a paciência por motivos fúteis, ou seja,
trocamos nossa alegria interior por “tensão” no coração.
Ter entusiasmo é extrair de cada momento o que ele tem de melhor. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho e um ótimo feriado.
Bom dia! (12º ano)
20 Maio 2008:
“Tenho três cachorros perigosos: a ingratidão, a
soberba e a invídia (inveja). Quando mordem deixam uma ferida profunda”
(Martin Lutero, reformador alemão, 1483-1546).
Normalmente, quem possui um animal de estimação sabe que suas
reações imitam de certa forma o dono. Ao dizer que eles (os cachorros
perigosos) lhe pertencem, ele quer demonstrar que estão sob o seu comando,
ou seja, eles entrarão em cena se o dono permitir, caso contrário
permanecerão adormecidos em seu “canil”, mas presentes. Eles
são perigosos porque representam uma ameaça. A ingratidão
fecha os olhos aos benefícios recebidos gratuitamente (sem que tenha
de todo merecido), atribuindo a si todos os méritos. A soberba tem consigo
a arrogância de se achar superior aos demais e a presunção
de não depender dos outros e finalmente a invídia ou inveja traz
consigo uma indignação com o sucesso de outrem, querendo para
si atributos ou objetos alheios. Quando mordem, ou seja, quando por descuido
do dono eles atacam e ferem, deixam cicatrizes na alma por toda uma vida. O
alerta que esta mensagem traz é que precisamos estar atentos para que
estes “cachorros” permaneçam sob o nosso comando, serenos
e sem o desejo de atacar os demais. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12º ano)
19 Maio 2008:
“Angioplastia transluminal coronária: Sucesso no procedimento
de angioplastia transluminal coronária por cateter balão de uma
lesão localizada na artéria descendente anterior. A artéria
apresentava lesão de 70% sendo dilatada e após o implante de um
stent XIENCE não deixou lesão residual” (do laudo
do procedimento cirúrgico no Hospital São Vicente feito pelos
doutores Luiz Augusto Lavalle, Álvaro Vieira Moura e César de
O. L. Dusilek, realizado dia 13 de maio de 2008 ao paciente José Irineu
Nenevê).
Os desafios e dificuldades que a vida nos apresenta são para aperfeiçoar
nossa habilidade em superar obstáculos. Nestes nove dias que fiquei internado
pude revisar conceitos e compreender que a vida é harmônica, e
quando desrespeitamos o tempo propício de cada coisa, querendo resolver
tudo ao mesmo tempo, ela se encarrega de dar uma parada para que retomemos nosso
ritmo. Agradeço a Deus esta oportunidade de aprendizado e aos amigos
por estarem solidários em suas orações. Muito obrigado.
José Irineu Nenevê. Bom dia!
9 Maio 2008:
Paz e Bem! Estamos passando por alguns momentos difíceis
em nossas vidas: primeiro, o falecimento de D. Olívia, mãe do
Irineu e agora ele mesmo está hospitalizado. Quero compartilhar com vocês
este momento, pois vocês fazem parte de nossas vidas através do
“Bom dia e Bom trabalho”, mensagens que o Irineu
lhes escreve todas as manhãs, e que agora está impossibilitado
de fazê-lo. Ele foi internado na 4ª feira última para fazer
alguns exames, pois vinha tendo desmaios constantes. Depois de vários
diagnósticos, foi detectado um problema considerado pela médica
que o está atendendo, como crítico. Trata-se da maior veia do
coração que está com 70% de entupimento, e será
necessária uma angioplastia, que deverá acontecer no início
da próxima semana. Gostaria de pedir-lhes que se juntem a mim nas orações
para seu pronto restabelecimento e assim voltar a fazer as mensagens de que
tanto gosta. Desde já meus sinceros agradecimentos. Sandra Nenevê
7 Maio 2008:
“Invoquei o Senhor, Pai do meu senhor: Não me abandones
no dia da provação...” (Eclo 51, 10).
Quando bem compreendidas, as provações nos fortalecem. Em se tratando
de ser humano, todos e cada um possui a sua provação; uns em maior
intensidade, outros, em menor. A provação, no caso, é uma
prova colocada ou imposta sobre a pessoa. Ela vem em forma de um acontecimento,
de uma enfermidade, de um desafio, uma frustração, de um perigo,
de uma descoberta a respeito de si, uma reviravolta na vida etc. No entanto,
a prova é sempre um teste ao que somos e temos. Ela aparece em qualquer
momento ou circunstância do nosso viver para ensinar, despertar, corrigir,
recordar e nos ajudar a fazer passagens na direção da maturidade
e do crescimento. Prova nesse sentido é tudo o que surge em nosso caminho
e que vai mexendo conosco, nos sacudindo para trazer à tona o melhor
de nós mesmos, ou seja, tudo aquilo que existe de possibilidade ainda
desconhecida na nossa personalidade e compreensão. Eis porque a provação
é mestra de nosso caráter; aquela que mede o tamanho de nossas
forças, de nossa paz, de nossa paciência, de nossa fé, de
nosso ânimo e amor. Ela abre janelas em nosso interior para termos uma
nova compreensão das coisas, da vida, do mundo, dos outros, de Deus e
de nós próprios. No fundo, se permitirmos, ela não nos
tira, mas nos presenteia; não é uma desgraça, mas uma bênção.
O trágico, porém, na provação é não
saber suportá-la, considerando-a como um mal que devemos eliminar e abominar
por nos trazer tanta dor enquanto a sofremos. O pedido Bíblico se mostra
sábio ao suplicar que Deus “não nos abandone” na hora
da prova que surge de tantas direções e com tantas fisionomias
estranhas ao nosso poder e compreensão. Ele sabe que as provas serão
para nos fortalecer, por isso suplica que Deus fique ao nosso lado nestes momentos
difíceis. Deus em seu Filho Jesus Cristo se tornou mestre em passar por
provas e provações. Ele venceu a todas elas e com ânimo
intrépido foi até o fim em seu caminho de tribulação.
Por isso, Ele pode nos ensinar como fazer a boa travessia em meio a tantas provas
que nos cercam no dia-a-dia. O bom discípulo saberá pedir a assistência
do mestre, a sua sabedoria e o seu jeito firme e competente de lidar com todos
os tipos de provas. E assim estará atento ao que o seu Senhor e mestre
ensina em cada ação, em cada golpe, em cada confronto que as provas
sugerem. É nessa medida e atitude que pouco a pouco se chega à
compreensão sadia de que Deus sempre esteve, está e estará
com os que passam provações. Invocá-Lo quando estamos nela,
é apenas recordar para nós mesmos que devemos estar próximos
Dele se quisermos nos tornar Homens e Mulheres bem experimentados e aprovados
no caminho e na conquista do melhor de nós mesmos e de todas as coisas.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom
dia! (12º ano)
6 Maio 2008:
“Quando você precisa tomar uma decisão e não
toma, então está tomando a decisão de não fazer
nada” (Anônimo, Séc. XVIII).
Quanto mais cedo fizer, mais cedo será resolvido. A palavra decisão
vem do latim “decisione” traduzindo o ato ou efeito de decidir,
deliberar. O medo das consequências leva a muitos a adiar suas decisões
ou mesmo relegá-las, mas também isso é uma decisão,
que pode levar a sempre fugir de outras decisões, preferindo o caminho
mais fácil. O ato de decidir assume uma postura de compromisso com as
consequências e faz com que os elementos do “entorno”
colaborem para que a decisão seja acertada. Ou seja, dará certo
porque o primeiro elemento para isso foi realizado, que era o ato de decidir.
Deixar de decidir é parar todo um processo, que começa aqui, mas
suas “raízes” são longas. Acredite em sua capacidade
e tome a decisão acertada. (Reflexão feita por José Irineu
Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12º ano)
1 Maio 2008:
“E aconteceu que o pobre morreu, e foi levado pelos anjos para
o seio de Abraão” (parábola de Jesus no Evangelho
de Lucas capítulo 16 versículo 22).
Para São Francisco de Assis, a morte (ou passagem) de um irmão
era motivo de alegria porque ele está nos precedendo no seio de Abraão,
ou seja, na casa do Pai. Hoje, dia primeiro de maio, minha mãe (Olívia
Terezinha Mussoi Nenevê) foi “levada pelos anjos para o
seio de Abraão”.
Alguns dados de sua vida:NNasceu em Marcelino Ramos (RS) em 6 de abril de 1920.
Filha caçula de imigrantes italianos oriundos de Belluno, região
de Venetto, Norte da Itália. Trabalhou na roça junto com toda
a família, como era o costume italiano. Com a morte do pai (Atílio
Mussoi) e uma queda de cavalo da mãe (Maria Bressan), na qual ela fraturou
a bacia, mudou-se para uma região de mais recursos, Laranjeiras do Sul
(PR), que na época era a capital do Território Federal do Iguaçu.
Trabalhou como zeladora em um grupo escolar. Lá se casou com Eurico Nenevê,
jovem agrimensor que fazia a demarcação topográfica da
região Oeste do Estado do Paraná. Preferiu acompanhar o marido,
dormindo em acampamento e sujeita às intempéries da natureza ao
conforto da cidade. Tal espírito de luta a levou a estar junto com o
marido quando ele foi contratado para a demarcação da futura capital
do Brasil, Brasília, em 1957. Foram anos difíceis os que precederam
a inauguração de Brasília, devido à escassez de
recursos. Ela e o marido estabeleceram como meta a educação dos
filhos, por ser um tesouro que nem a “traça” corrói.
Alugou quarto para compor o orçamento doméstico, nos anos mais
difíceis. Sempre zelosa para com todos. Com os filhos já crescidos,
ajudava nos movimentos do tipo "Escalada", dedicados à formação
de adolescentes. Com a doença do marido (diabetes) exigiu dela um desdobramento
especial devido aos cuidados que ela exige. Portanto, desconheceu o significado
da palavra “conforto” (no sentido de descanso), durante toda a sua
vida. Dona Olívia (como era conhecida por todos), era uma mulher de fé.
Sua grande devoção era o Sagrado Coração de Jesus.
Praticamente vivia rezando ou servindo. Quando tinha convidados em sua casa,
quase nunca se sentava à mesa, pois fazia questão de servir bem.
Na Igreja, era ministra da eucaristia, visitava os hospitais levando conforto
espiritual e comunhão aos doentes. Era também do movimento “Apostolado
da Oração” desde sua juventude. Do “Escalada”
dedicado aos adolescentes. Do “Cursilho”, dentre outros. Teve oportunidade
de conhecer Madre Tereza de Calcutá, quando esta visitou Brasília,
e em um abraço delas, as palavras foram desnecessárias, pois os
espíritos estavam em comunhão com o mesmo Pai Celeste. Foi assim
a vida de Dona Olívia que hoje foi levada a Deus por seus anjos. Obrigado
pelo carinho de seus filhos: José Irineu Nenevê, Celso Nenevê,
Eurico Mussoi Nenevê e Mario Mussoi Nenevê.
30 Abril 2008:
"Nunca perca tempo planejando, querendo muito uma coisa. Assim
é difícil conseguir" (Emma Thompson, atriz inglesa).
Há mais de um tipo de tempo. Segundo a Sagrada Escritura, mais especificamente
no livro do Eclesiastes (Ecl 31), existe um tempo para cada coisa e cada coisa
tem o seu tempo. Em referência a esta citação é possível
afirmar também que existe um tempo para se projetar, um tempo para se
querer muito alguma coisa e, ainda, um tempo para se realizar o que foi projetado
e querido como valor máximo de uma busca pessoal. Projetar e querer muito
algo, no entanto, pertence apenas a uma parte de um processo que tem na efetivação
o seu nível maior de realização. Aquilo que foi projetado
e desejado com o querer mais ardoroso do coração, deve ser levado
adiante em forma de uma boa operação; deve ser concretizado em
um fazer que seja pleno e cheio de significado para a vida da pessoa. Deste
modo, só se alcança mesmo certos objetivos e se aprende a galgar
a escada dos grandes ideais, aquele que desde o início evitar a atitude
de indefinição e de permanência prolongada (perda de tempo)
nos dois primeiros passos. Obterá êxito e edificará algo
de importante para si, quem trabalhar tenazmente nos projetos e prioridades
(o querer muito uma coisa) que possui, orientando-os sempre mais na direção
de uma obra perfeita e bem acabada. O tempo aqui não é o tempo
do relógio, mas o da dedicação, do bom envolvimento, do
fazer bem as coisas e conduzi-las à sua máxima expressão
de beleza e esplendor. Nesse espírito é possível realizar
grandes conquistas em qualquer nível da existência! (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê), Bom trabalho e bom feriado. Bom
dia! (12º ano)
29 Abril 2008:
“Daria tudo o que sei pela metade do que eu ignoro”
(René Descartes, filósofo, cientista e matemático francês,
1596-1650)
O conhecimento abre horizontes. Existe um modo de dar tudo o que se sabe para
adquirir o que se ignora, que é como se vendesse tudo o que se conquistou
na vida em termos de conhecimento para obter o que se desconhece. Desse jeito
a pessoa acaba fazendo uma troca na qual ela perde um para obter outro que julga
mais importante. É isto que muitos fazem na área da religião,
do casamento, do esporte etc, isto é, deixam para trás algo que
foi conquistado com muito suor e sacrifício para se dedicar a algo ou
alguém que se tem como referência maior na existência. Isto
soa quase como aquela concepção de que alguém abandonou
tudo o que tinha de bom e melhor para entregar-se a um tesouro que considera
o máximo para si. No entanto, a frase de Descartes parece sugerir uma
outra colocação, ou seja, aquela em que alguém tendo trilhado
arduamente o caminho da sabedoria e do conhecimento de todas as coisas, se vê
de repente extasiado diante do tanto que ainda ignora e desconhece, a ponto
de admitir nada saber. Porém, na consciência de pouco ou nada se
saber está presente à disposição de usar inteligentemente
tudo o que já se sabe (dar tudo o que sabe) para correr atrás
do que ainda falta contemplar como saber. Ao mesmo tempo, tal corrida nada tem
a ver com desejo exacerbado e ganancioso de posse do saber e, sim, com a aventura
de espera do inesperado do reino do pensamento e da doação da
“Sabedoria”. Aqui se aproveita tudo o que conhece para dedicar-se
mais adequada e apuradamente no trabalho de abrir-se ao mundo do verdadeiro
conhecimento. Quem se dispõe a essa tarefa, tem muita chance de estar
à vontade no “castelo da rainha sabedoria” e ser seu mensageiro
na terra dos Homens. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12º ano)
28 Abril 2008:
“A gratidão desbloqueia a
abundância da vida. Ela torna o que temos em suficiente, e mais. Ela torna
a negação em aceitação, caos em ordem, confusão
em claridade. Ela pode transformar uma refeição em um banquete,
uma casa em um lar, um estranho em um amigo. A gratidão dá sentido
ao nosso passado, traz paz para o hoje, e cria uma visão para o amanhã”
(Melody Beattie, autora e jornalista americana).
A gratidão é força do amor em nossa vida. Penso
que poderíamos comparar a gratidão com o curso das águas
para o mar. No mar as águas encontram sua plenitude por tantos benefícios
realizados no decorrer do caminho. Saciou a sede, irrigou plantas, evaporou
e tornou a cair em forma de chuva, deu suporte à vida aquática,
e foi vital para a vida terrestre, refrescou. Também sofreu agressões,
principalmente dos humanos. A gratidão começa tímida e
cresce na medida em que caminha e encontra sua plenitude na comunhão
dos corações agradecidos com o Criador. Ser grato é ser
livre. Ela permite olhar para o finito, e nele contemplar o infinito. Nas ingratidões,
se liberta ao perdoar. Faça da gratidão um constante em sua vida.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom
dia! (12º ano)
27 Abril 2008:
Confesso que quando cheguei a Brasília,
estava apreensivo e ansioso para vê-la, queria evitar que meus olhos lacrimejassem.
Ao entrar na UTI, depois de uma rigorosa assepsia, percebi em um esboço
de sorriso em seus lábios, que ela tinha me reconhecido. Nos dias subsequentes,
lentamente foi melhorando. Na sexta-feira ela já havia saído da
Unidade de Terapia Intensiva para a semi-intensiva. São estas
coisas que ninguém consegue explicar, mas sabemos que as suas orações
fizeram seu efeito. Muito obrigado. Retorno a Curitiba na confiança que
Deus vela por sua saúde. Mais uma vez, obrigado pelo carinho e por suas
preces. Que Deus seja sua recompensa. José Irineu Nenevê
19 Abril 2008:
Bom dia amigo
Paz e Bem
Todos os dias pela manhã, você recebe a reflexão “Bom
dia e Bom trabalho”. Elas são escritas no mesmo dia que
você recebe, entre as 4 da madrugada e as 6 horas da manhã.
Esta semana, terei que fazer um breve intervalo nesta partilha de pensamentos,
pois preciso ir a Brasília, porque minha mãe (Olívia Teresinha
Mussoi Nenevê) está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) desde
o dia 4 de abril.
Peço que esteja comigo nas orações para que Deus, que sempre
foi sua maior força, ajude-a a superar os momentos mais difíceis.
Muito obrigado. José Irineu Nenevê
18 Abril 2008:
“O que somos é um presente de Deus para nós, o que
nos tornamos é nosso presente para Deus” (Eleanor Torrey
Powell, atriz americana, 1912-1982).
Somos originais e não cópias. Somos o que somos e nada
mais. Nem orgulho, nem falsa modéstia, apenas nós mesmos! Deus
nos fez únicos e autênticos; em cada “um”, a Sua obra
prima e última. Portanto, ao nos criar, o fez do melhor de suas mãos
e de sua arte criativa. Pensou em nós eternamente, eternamente nos quis
e amou, e ao nos presentear para a vida e a vida nos presentear, cuidou para
que no mundo fôssemos sua maior dádiva, seu presente mais caro,
seu dom mais precioso. O que somos aqui neste mundo é a presença
mais generosa e mais amorosa do Bem Querer divino. Sem precisar nos preocupar
em ser mais do que Deus nos fez, pois ao nos gerar para a vida Ele já
nos fez completos e repletos da sua imagem e semelhança. Cabe a nós,
então, guardar intacta essa imagem e semelhança, bem como o dom
da vida e de viver. Compete-nos como tarefa diária a gratidão
por sermos o que somos desde nossa origem: filhos e filhas muito amados de Deus.
É nosso dever permanente corresponder ao dom da criação,
do amor com que fomos plasmados na eternidade, da misericórdia com que
viemos do nada ao ser. Sendo assim, na contínua e renovada gratidão
e correspondência a essa graça, buscar enobrecer o que já
somos em Deus. Este é o melhor presente com o qual honramos nossa criação,
o de “ser nós mesmos”, tal qual viemos da intenção
e bondade de Deus. Pode estar aí a razão maior pela qual um dia
esse mesmo Deus não nos perguntará se fomos bons, santos, fiéis;
se fomos como aquele herói ou como aquela grande personagem, se fomos
pecadores ou maus neste mundo. Perguntará apenas se na graça de
viver fomos simplesmente “nós mesmos”! Bom trabalho e um
ótimo final de semana. Bom dia! (12º ano).
17 Abril 2008:
“Aquele que vive de combater um inimigo tem interesse em deixá-lo
com vida”. (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão,
1844 - 1900).
Mudando o enfoque, podem alterar-se as consequências. Ao tentar combater,
perseguir ou destruir um inimigo, sem percebermos estamos dando a ele uma sobrecarga
de vida. Ingenuamente se pensa que a sua eliminação (do inimigo)
coloca um fim na rivalidade ou no mal existente. Sob a aparente eliminação
surge um inimigo ainda mais forte e indestrutível, pois ele se recompõe
a cada reação de seu opositor. O que está em jogo nessa
situação é o fato de que o inimigo faz uso da fraqueza
presente na reação e, assim, prolonga sua permanência no
pretenso interesse de liquidá-lo. Eis porque a guerra do Iraque jamais
terá um vencedor, pois se parte do princípio de que o inimigo
tem que ser aniquilado para garantir a suposta paz. Enquanto a tática
for esta, o inimigo terá sua sobrevivência garantida naqueles que
guardam em ódio os horrores acontecidos. Contra o inimigo o melhor combate
é, de forma inteligente, o abandono de toda ação e reação.
Tal abandono é diferente de ignorá-lo e deixar ser as suas ameaças
e ataques. É fazer a escolha por um caminho e por uma atitude que o próprio
inimigo desconheça, isto é, ser uma presença tão
diferente das ações e reações do inimigo que o surpreendamos
em qualquer iniciativa ou expectativa, a ponto de até transformá-lo
em aliado e “irmão”. Desarmar-se, estar livre e transparente
frente a qualquer espécie de inimigo pode não destruí-lo
ou eliminá-lo, mas poderá gerar nele um desejo de mudança
que o transforme em amigo e próximo de todos. (Reflexão feita
por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (12º ano)
16 Abril 2008:
“Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires
um homem mau, examina-te a ti mesmo” (Confúcio, mestre,
filósofo e teórico político, 551 - 479 a.C.).
Nosso coração acolhe o que nós permitimos. Quando
encontramos uma pessoa boa, quase sempre temos a tendência de nos comparar
com ela e, por vezes, nesta comparação, nos vemos em débito
ou defasagem com o bem que ela possui ou inspira. Essa comparação
pode provocar uma boa ou má “inveja”. A má inveja
é quando queremos aquilo para nós e, por nos faltar, queremos
que o outro seja desprovido dela, atacando ou diminuindo suas virtudes. A boa
inveja é quando olhando a bondade do outro, nos sentimos desafiados a
iniciar um caminho de imitação daquele que é portador de
tal bondade. No entanto, o segredo é ficar atento na força da
bondade que, discreta humilde e até secretamente, atua naquela pessoa,
visto que os atos de bondade que ela opera estão em segundo plano, em
primeiro está sua determinação. Trata-se de pegar o espírito
da bondade que nela age, sem nos paralisarmos em seus efeitos. Agindo assim,
com o tempo, além de captarmos este segredo, nos tornamos melhores, pois
a bondade age de modo proporcional à sua procura. Por outro lado, no
que se refere aos homens maus, redobrar a atenção para evitar
imitar suas ações. Devemos atentamente examinar dentro de nós
procurando arrancar tudo o que for semelhante à maldade. O “mau”
que está no outro se alimenta do “mau” que percebe em mim.
Dessa forma, por mais bem intencionado que esteja em querer erradicar o “mau”
alheio, acabo criando brechas para que ele apareça bem claramente nas
minhas atitudes em forma de ações ou reações. Muitas
vezes o que é “mau” no próximo pode ser a extensão
de minha própria maldade. Ela (a maldade) pode se revelar também
como uma “epidemia” no comportamento social que de forma quase invisível
pode atingir a todos que estiverem desatentos ou desprevenidos. Portanto, no
âmbito do que é bom, devo ser discípulo e servo da bondade;
no horizonte da maldade, primeiro examinar-me procurando ser coerente para só
emitir sentenças ou ações que provenham de um coração
bom e amável. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho. Bom dia! (12º ano)
15 Abril 2008:
“Esqueça as consequências do fracasso. O fracasso
é apenas uma mudança temporária de direção
para te posicionar diretamente para o seu próximo sucesso”
(Denis Waitley, americano escritor de livros de auto-ajuda, nascido em 1933).
Fracasso é uma possibilidade que surge no caminho de qualquer
pessoa quando se doa a um projeto que julga importante para sua realização.
A quem ousa aventurar-se a um empreendimento pode encontrar sucesso ou fracasso.
Com o sucesso apenas alguns encontram dificuldade na administração
do mesmo, porém com o fracasso boa parte dos indivíduos não
consegue conviver, pois este, conforme for encarado, soa como derrota definitiva
dentro de uma luta e deixa traços de trauma, vergonha, bem como a sensação
de um fardo insuportável de carregar. Inicialmente o fracasso impõe
como consequência a paralisação do ânimo e a
inibição de continuar lutando para retomar o curso da vida. O
medo de tentar de novo e de acreditar em si mesmo é o que durante um
longo tempo é o que parece falar mais alto. Por outro lado, o fracasso
é oportunidade de reflexão e chance de recomeço. Na reflexão
de um fracasso é necessário “de novo e de modo novo”
abandonar as censuras pessoais, a lamentação, a dramatização
do acontecido, a sedução de querer culpar os outros. Evitar ficar
aprisionado ao passado com suas perdas e marcas negativas e de enclausurar-se
no ego ferido, sobretudo, olhar para o fracasso com os olhos de quem está
tirando lições de aprendizado para crescer. Fracassos, se lidos
corretamente, são situações passageiras (provisórias)
de quem sabe usar a si mesmo para investir, empreender e arriscar-se na direção
de algo que julga valioso e importante para sua vida. O fracasso no fundo é
apenas um medidor do tamanho da determinação, do engajamento e
da capacidade de superação das pessoas. Quem pára nele
(no fracasso), joga fora a grande oportunidade de ver e saber o quanto de valor,
força e talento realmente possui dentro de si para obter o que se chama
de sucesso. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom
trabalho. Bom dia! (12º ano)
14 Abril 2008:
“São as dificuldades que mostram os homens”
(Epicteto, filósofo grego, 50-115).
Revelamo-nos em momentos mais difíceis. A palavra dificuldade
vem do latim “difficultate”, significando obstáculo, impedimento,
estorvo, enfim, qualidade do que é difícil. Os momentos tornam-se
difíceis quando faltam recursos ou, o que deveria acontecer, deixou a
desejar e nos sentimos como se o “chão” de nossos pés
perdesse sua aderência e tudo começasse a “desmoronar”.
Encontramos-nos sós. Sozinho o homem deixa de representar um “papel
social” e se mostra como realmente é. Sem “máscara”
o homem revela sua verdadeira face. Neste momento ele é o que é.
O valente luta, o covarde foge, o agressivo agride, o caridoso acolhe e assim
por diante. Que bom seria se tivéssemos a disposição interior
de aperfeiçoar nossas deficiências para que diante das dificuldades
revelássemos uma face bondosa, criativa e acolhedora. Tudo depende de
nós. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom
trabalho. Bom dia! (12º ano)
11 Abril 2008:
“Tudo é precioso para aquele
que foi, por muito tempo, privado de tudo” (Friedrich Wilhelm
Nietzsche, filósofo alemão, 1844 – 1900).
Quem conheceu a fome aprendeu a valorizar as migalhas de pão.
Em tempos de guerra, catástrofes ou de experiências de extrema
penúria por motivos diversos, a falta de recursos básicos para
a sobrevivência marca profundamente o “corações”
dos envolvidos, a ponto de serem mais sóbrios e atentos a tudo o que
é importante e valioso da vida. Muitos são incapazes de cometer
desperdícios ou gastar energia com superficialidades, pois sabem reconhecer
o peso e o valor que as coisas ocupam na vida. É assim também
que ocorre muitas vezes em tantas realidades de nossa existência humana,
como por exemplo, aprendemos a preciosidade das pessoas e a utilidade das coisas
quando nos vemos privados de sua presença e de seus benefícios.
Isso significa que para alguns só mesmo a perda e a privação
é que conseguem mostrar-lhes a riqueza escondida no “coração”
de tudo o que existe. Somente quem procura a todo instante e em cada oportunidade
perceber e reconhecer a grandeza, dignidade, beleza, nobreza, bondade e o significado
que toda pessoa e cada coisa possui neste mundo é que reverencia de gratidão
ao Criador por tão grandes dádivas que estão a seu alcance.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho e
um ótimo final de semana. Bom dia! (12º ano)
10 Abril 2008:
“A única maneira de fazer um amigo é sê-lo”
(Ralph Waldo Emerson, escritor, filósofo e poeta americano, 1803-1882).
Ser amigo é ser envolvido pela liberdade. Em inglês friend, amigo,
e freedom, liberdade, têm a mesma raiz, significando que duas ou mais
pessoas que são tidas como amigas possuem em comum o universo da liberdade.
É no território da liberdade que elas se movem e constroem as
relações. Isso quer significar que elas são livres, vivem
de forma livre, e tudo o que fazem está no horizonte da responsabilidade,
do deixar ser o outro na sua identidade e mistério. Por isso mesmo o
relacionamento mútuo é experimentado sem posse, amarras, egoísmo,
cobranças, indiferentismo ou qualquer outro fenômeno que cheire
a escravidão ou opressão. Para viver tal estilo de amizade na
tônica da liberdade, o mais importante é a busca de “ser
amigo”, diferente de conquistar e “possuir” amigos, pois ao
querer conquistar amigos e fazer amizades, no fundo estamos mais preocupados
conosco do que no ambiente da amizade. O estar preocupados conosco aqui é
no sentido de querer superar nossas carências utilizando-nos do outro
como meio de suprir nossa necessidade afetiva. Ao fazer isso deixamos de ser
amigos para “instrumentalizar” (estar em nosso controle) os amigos
e a amizade, isto é, os amigos e a amizade estão em função
do “ego”, do meu eu carente de aconchego e acolhimento. Ser amigo
por sua vez é correspondência cuidadosa ao toque daquele encontro
que um dia atraiu duas ou mais pessoas para uni-las na graça da amizade.
Permitir que esse dom da amizade que um dia atingiu “gratuitamente”
(livremente) as pessoas, inspire, alimente, fortaleça e conduza todos
os seus gestos, palavras e sentimentos, é o que poderia denominar-se
de “ser amigo”. E esta é a única maneira de ser amigo,
porque ela nada mais é do que uma atitude, uma maneira toda especial
de materializar a amizade. É como se ela na sua bondade e infinita grandeza
viesse e tomasse corpo naqueles que estão abertos e sensíveis
ao seu toque (ao seu alcance). Nessa medida, ser amigo é como se pudessem
parafrasear as palavras do apóstolo Paulo da seguinte maneira: “Já
não sou eu que vivo, mas é o dom da amizade que vive em mim”.
Em outras palavras, não sou eu que tenho a amizade, mas é ela
que tem a mim e, também, ao amigo. É ela que, anterior a todas
as nossas iniciativas de querer ser amigos, vem a nós, nos envolve, nos
mantém, nos guarda e nos impulsiona aos mais belos e preciosos gestos
de cuidado e atenção de uns para com os outros. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12º
ano).
9 Abril 2008:
“Não há nenhuma árvore que o vento não
tenha sacudido” (provérbio indiano).
Deixe o vento seguir seu caminho, tu permaneça firme. O vento
é o ar em movimento, ou seja, devido às diferentes pressões
atmosféricas, as massas de ar se deslocam com intensidade variada. Sua
presença está em todo o planeta. Quando suave, refresca; quando
intenso,l pode até destruir. As árvores são vegetais compostos
de raízes, caule e ramos, com seus frutos (quando for frutífera).
Por geralmente estarem expostas, as árvores sofrem a ação
da intensidade do vento, e reagem de forma diferente conforme sua estrutura.
Quando o vento sopra nas grandes árvores, parece que começa uma
luta de resistência, como se o vento a tentasse dobrá-la e ela
se mantém, mostrando sua resistência, provando sua força,
mas diante de um vento de grande intensidade ela pode ser arrancada do solo.
Já as aparentes frágeis “árvores” da família
das gramíneas são amigáveis com o vento, isto é,
quando ele sopra em uma direção, elas se curvam, quando muda de
direção elas o acompanham, sem sair do lugar. Nos grandes vendavais
elas se dobram até o chão, parecendo derrotadas, mas logo que
cessa a atuação do vento, elas retornam à sua posição
original. Somos como árvores embelezando a natureza com suas ramagens
e frutos, e somos expostos aos ventos da vida que testam nossa firmeza e resistência.
Saber como agir diante da ação do vento vai determinar como será
nosso futuro. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom
trabalho. Bom dia! (12º ano)
8 Abril 2008:
“O sucesso os encoraja. Eles podem porque pensam que podem”
(Virgílio, poeta latino, 70-19 a.C.).
Há tesouros em nossos pensamentos. Por definição
pensar é formar idéias, cogitar, raciocinar, refletir. Mas, ao
pensar, nós direcionamos a nossa capacidade de agir e de certa forma
atraímos tudo o que faz ressonância com o que estamos pensando,
sendo assim, a escolha de que pensar influencia em nosso sucesso ou fracasso.
Bons pensamentos atraem coisas boas. Pensamentos negativos atraem coisas ruins.
Ver a vida e os acontecimentos de uma forma positiva, tendo uma visão
que ultrapasse as barreiras do “restrito”, nos ajuda a realizar
o que acreditamos. A Bíblia ensina que tudo é possível
para quem tem fé (Mc 9, 23), ou seja, se acreditar sem o mínimo
de dúvida, alcançará o que deseja. (Reflexão feita
por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom dia! (12º ano)
7 Abril 2008:
“Quando o dever vem bater à sua porta, receba e o aceite,
pois se você o fizer esperar, ele partirá apenas para voltar novamente
e trará sete outros deveres para você” (Edwin Markham,
decano dos poetas americanos, 1852- 1940)
O fardo abraçado com amor torna-se leve. Dever é tarefa que surge
e se impõe à nossa vontade e liberdade. Ele nos chega como um
apelo que pede seu cumprimento de forma inadiável. Em outras palavras,
é uma obrigação que atinge nossa responsabilidade e nos
conduz ao seguinte imperativo: “se queres, podes!” Se faltar o uso
livre de nossa vontade, do nosso querer autônomo no cumprimento de um
dever, dificilmente este se concretizará ou se tornará uma possibilidade.
Quando muito será adiado ou recusado. Por sua vez, ao ser adiado ou recusado
ele se agiganta nas suas exigências tornando cada vez mais frágil
nossa decisão de abraçá-lo e cumpri-lo. Diante de qualquer
dever, jamais impeça seu advento, mas o acolha como uma necessidade vital
que pode nos trazer tranquilidade e precisão na realização
de muitas obrigações do dia-a-dia. Um dever cumprido gera serenidade
na consciência, bem como poder e crescimento em qualquer empreendimento
humano. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho.
Bom dia!
4 Abril 2008:
“Se você não melhorar o que está a seu alcance,
jamais irá melhorar o que não está” (Ken
O’Donnell, químico australiano).
Antes de limpar a praça, limpe bem o seu quintal. Alcance é onde
nossa capacidade pode atingir. Atingir é tocar, perceber, compreender
e chegar ao fim proposto. Ao nosso alcance está tudo o que nossos sentidos
atingem. Uma gota que cai em águas paradas produz ondas que podem atingir
as margens. Assim, quando o pouco é bem feito, produz efeitos ressonantes
que atingem o impensado. Melhorar o que está a nosso alcance, é
extrair o melhor do que temos. Um pequeno gesto de recolher um lixo que está
em nosso caminho e depositá-lo em lugar apropriado, além de melhorar
o visual, evita danos ambientais. Com este gesto silencioso contribuímos
mais para a despoluição do mundo do que se gritássemos
para que outros o fizessem. Temos tanto ao nosso alcance e nem percebemos. O
mundo carece de gestos de bondade que busquem a perfeição. Ao
nosso alcance também está nossa capacidade de sorrir que tanto
bem faz ao ambiente onde estamos inseridos. Gestos de amor assim se multiplicam
sem que percebamos, e vão silenciosamente melhorando nosso mundo. Se
cada um der o melhor de si, muito antes que possamos imaginar, o ambiente estará
renovado. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho
e um ótimo final de semana. Bom dia!
3 Abril 2008:
“Na sociedade, o homem sensato é sempre o primeiro que
cede. Por isso, os mais sábios são dirigidos pelos mais néscios
e extravagantes” (Jean de la Bruyere, escritor francês,
1645-1696).
Quem entrega a direção a um inabilitado é co-responsável
com as consequências. Ceder é uma daquelas palavras, idéias
e compreensões que podem tomar muitas direções no nosso
uso e comportamento quotidiano. Em uma delas, pode significar uma realidade
muito boa e positiva, quando na hora, na situação e no momento
certo, algumas pessoas livremente abrem mão de algo que poderia beneficiá-las.
Fazem para ajudar e deixar que esse bem alcance e realize uma boa obra em seu
semelhante e isso demonstra virtude e sabedoria. Em outras, ceder pode significar
um dano muito grande à pessoa e à sociedade quando se trata de
sujeição, de “afrouxar as rédeas” e deixar
que o outro faça o que quiser debaixo do aval de nosso silêncio
e omissão. Sendo assim, a atitude de ceder pode representar um mal a
partir do momento em que entregamos a uma pessoa insensata, imprudente e grosseira,
o governo e a condução de uma situação. Ceder desta
forma seria um atentado claro à justiça e ao bem comum que dirige
a vida das pessoas. Seria também, como no dizer das palavras de Jesus:
“lançar pérolas aos porcos” (Mt 7,6) ou, de acordo
com o dito popular, “entregar o ouro ao bandido”, ou seja, ceder
jamais deve alimentar a irresponsabilidade de um néscio (estúpido,
imbecil, ignorante) e extravagante (perdulário excêntrico). A atitude
de ceder, tem em sua base mais profunda duas orientações bastante
exemplares para todo ser humano e qualquer sociedade. Quando se trata de coisas
essenciais que estão em jogo, deve ser firme e dependendo da situação,
jamais ceder. Porém em se tratando de coisas secundárias ou menos
importantes, ceder, pode ser parte de um aprendizado, quando se tem a consciência
nítida de que em cedendo também estará colaborando para
o bem do próximo e da sociedade.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê - nenevecwb@gmail.com).
Bom trabalho.
2 Abril 2008:
“Uma desculpa é pior e mais terrível que uma mentira,
pois uma desculpa é uma mentira precavida” (Karol Józef
Wojtyla, de operário a Papa João Paulo II, nasceu na Polônia
em 1920, faleceu na Itália em 2005).
Na desculpa há um indulto para impunidade. É muito comum recorrermos
ao pedido de desculpas, às vezes as mais “esfarrapadas” possíveis,
para tentar justificar certos erros e indelicadezas que cometemos. Elas geralmente
se insinuam em nossa vida lá onde nos vemos em apuros ou em situações
que sentimos ameaçar aquela imagem que temos ou fazemos de nós
mesmos frente aos demais. Usamos como uma forma de precaver-nos das exigências
da verdade, isto é, conhecendo nossa própria culpa, dissimulamos
a verdade para amenizarmos nossa culpa. Desculpa, então, é uma
forma refinada e velada de tirar o “corpo fora”, de safar-se para
evitar comprometer-se com nosso ato e assim aparecer diante dos outro como alguém
reto, justo, bom, inteligente e incapaz de cometer falha. Nesse sentido, nossas
desculpas são mentiras muito bem elaboradas para antecipadamente tentar
livrar nossa pele e nossa reputação da opinião alheia.
O que deixamos de perceber é que no fundo de cada desculpa se esconde
uma pessoa orgulhosa, insegura, covarde, imatura e incapaz de lidar com sua
própria personalidade em termos de fraquezas e limites. Na “carcaça”
da desculpa, no entanto, ingenuamente ocultamos a culpa que nos pesará
indefinidamente na alma e na consciência até que tenhamos a coragem
de transformar a desculpa enquanto álibi (justificativa) de um mal cometido,
em um verdadeiro pedido de perdão, que tem em sua raiz um profundo arrependimento
por nossa falta de transparência no relacionamento com o próximo.
(Reflexão feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho. Bom
dia! (12º ano)