José Irineu Nenevê - nenevecwb@gmail.com - é autor do livro “Bom Dia e Bom Trabalho - Sabedoria para todos os dias”, Editora Vozes. Todo dia ele escreve algo assim:
30 Dezembro 2011:
“Nem mesmo o homem mais bondoso consegue ficar em paz, se isso não
agrada o seu vizinho mau” (Johann Christoph Friedrich Von Schiller, escritor
alemão, 1759-1805).
Paz implica em harmonia e equilíbrio. Quem procura se refugiar em um deserto na busca de um isolamento total encontrará paz, se faltar harmonia, pois até no deserto existe equilíbrio entre as forças da natureza que ali agem. Cada tipo de areia tem seu movimento, os animais que ali sobrevivem tiveram que se adaptarem as intempéries. Assim, a paz pressupõe conhecer bem o seu ambiente buscando amar e entender os convivas que compõem cada um de seus cenários. Entendo por cenário os locais onde costumamos ficar para viver ou trabalhar. Logo nosso ser deve buscar ser de paz em todo o lugar. Desta forma, devemos semear a paz com nossos vizinhos, colegas de trabalhos e até mesmo com os desconhecidos que cruzam nosso caminho. É um esforço pessoal, onde o perdão cria ambiente para a reconciliação. Para que o ano que se inicia seja de paz é preciso que ela faça parte de nossas opções de vida. O que se busca com afinco de alguma forma acontecerá, seja na busca da paz ou de realizações pessoais, pois nossa maneira de pensar nos faz maestros de nosso devir. Assim te desejo um Feliz Ano Novo, cheio de paz e realizações, onde a alegria seja o seu cartão de visitas. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia!
(15 anos)
29 Dezembro 2011:
“Amo-te para te amar e não para ser amado, pois nada me dá
tanto prazer como te ver feliz” (George Sand, escritora francesa, 1804-1876).
Quem ama a Paz quer ver a felicidade do outro. O início de cada ano é dedicado a Paz com o tema, dia da Confraternização Universal, ou dia Internacional da Paz Universal. Este dia foi instituído em 1968, pelo Papa Paulo VI, para que os verdadeiros amigos da Paz, independente de credo, raça, posição social ou econômica se unissem em um esforço comum pela Paz. Mas para que haja Paz é preciso antes de tudo amar. Para amar é necessário ter uma atitude de desejo total de ver o outro feliz, e para isso é preciso ter reformulado todos os critérios de julgamento onde o que importa é a felicidade de quem se ama. Quem ama para ser feliz desconhece o que é amor. Deus é a fonte de todo o amor, por isso esta harmonia com o Criador vai revelando em nós esta paz que vem do alto e cria raízes em nossos corações. É muito difícil cultivar a paz, pois ela exige de nós uma vigília constante em nossas atitudes para jamais ferir o outro, nem por brincadeira. Mas vale a pena, pois ela descortina em nós uma nova maneira de ver a vida que nos energiza com sua fonte infinita de alegria. Desarmando os corações criamos condições de paz. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia!
(15 anos)
28 Dezembro 2011:
“No final, o que importa não são os anos de vida, mas a
vida dos anos” (Abraham Lincoln, político americano, 1808-1865).
A vida é como a água que vai em direção ao mar, a medida que segue aumenta de volume, sem retorno ao que já passou. Por isso cada instante deve ser valorizado. Aproximamo-nos de mais um fim de ano. Como se pudéssemos mudar a cadência dos acontecimentos, cada um se agarra em suas crenças para tentar dar ao momento da virada do novo ano, um toque de Midas que garanta ser um ano melhor. Será que todo o universo segue o calendário gregoriano para contar o tempo? A contagem do tempo é algo criado pelo homem para facilitar a comunicação. Existem vários calendários, com várias datas para o início de um novo ano. É válido ter bons propósitos, mas não podemos dar a um momento fictício um valor quase mágico, mesmo porque ele é itinerante à medida que a terra gira. Logo, o ano novo será melhor, se você for melhor, ou seja, a intensidade de vida que você der a cada momento. Aprenda a valorizar seu instante agora, pois o momento vindouro trará outros presentes a você, ou seja, saiba garimpar o ouro de cada instante que lhe é dado em pequenas pepitas agora sem ficar esperando que ele venha em barras depois. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia!
(15 anos)
27 Dezembro 2011:
“Os homens construíram muitos muros e poucas pontes”
(Isaac Newton, matemático e físico inglês, 1642-1727).
Pelo tamanho dos muros e das cercas elétricas sabemos se o bairro
é de paz ou de violência. A função de um muro é
restringir o acesso, isolar, esconder, separar. A função de uma
ponte é vencer obstáculos, facilitar o acesso, unir. Onde há
muitos muros, há pouca paz. Estes muros são construídos
de diversos materiais, existem até muros invisíveis. Pelo tom
de voz podemos estabelecer um muro ou uma ponte com nosso interlocutor. Construímos
ponte quando nossos argumentos carregam consigo a verdade, justiça, amor
e liberdade. Construímos muro quando empregamos o egoísmo, individualismo,
ganância, superioridade; ou, quando estabelecemos regras inúteis,
olhamos com desprezo, prejudicamos de alguma forma, etc. Assim, se quisermos
semear a paz, e colher de seus frutos, devemos construir mais pontes que unam
as pessoas, facilitem seu acesso, ajudem a transpor obstáculos de qualquer
natureza, ao invés de muros que nos separam. (Reflexão feita por
Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
26 Dezembro 2011:
“Que bem faz ao homem o seu sorriso! Parece que quer dar seu coração
em sua alegria. E a alegria é contagiosa!” (Fiódor
Mijáilovich Dostoievski, novelista russo, 1821-1881).
A pessoa que aprendeu a sorrir nos momentos difíceis está
apta a alçar grandes voos em sua alegria de viver. Quem teve a oportunidade
de assistir aos vídeos que circularam pela internet mostrando um grupo
de pessoas que se encontravam em lugares públicos e ali começavam
a cantar, ou abraçar ou apenas sorrir, notou como esta alegria começava
a contagiar todo o grupo que apenas assistia. Sim, a alegria é contagiante
e como um bálsamo, cura muitas feridas da alma. É difícil
entender porque insistimos em guardar os momentos ruins de nossa vida, pois
eles são como um ácido que vai corroendo lentamente toda nossa
disposição. O mundo precisa reaprender a sorrir com a alma, com
toda a disposição, resgatando a alegria de viver. Quando estamos
machucados em nossos sentimentos, queremos nos isolar, pensando com isso que
atingiremos a quem nos magoou despertando a sua compaixão, mas esta atitude
só recompensa nosso agressor, pois conseguiu seu intento. Ao contrário,
se erguemos a cabeça, nos levantamos de nosso tombo, colocando um sorriso
nos lábios e o perdão no coração, deixando que o
justo juiz dê a cada um sua recompensa, e aí sim deixaremos atônitos
nossos agressores. Com atitudes assim, estaremos removendo a agressividade de
nosso meio, dando uma oportunidade para a paz. Sempre que puder sorria, cultive
esta disposição de bem viver em seu coração, e notará
como tudo ao redor irá se contagiando com sua alegria. Comece bem o ano
novo com muita alegria no coração. (Reflexão feita por
Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
23 Dezembro 2011:
“Feliz Natal”
Certo dia, pela manhã, eu ia a pé ao meu serviço
quando cruzei com um senhor, cujos cabelos e barba brancos denunciavam sua idade
avançada, mas, sua postura e desenvoltura no andar eram de um atleta.
Ele me saudou com um “bom dia” e continuou sua caminhada. Naturalmente
respondi com outro “bom dia” e continuei em direção
ao meu trabalho. Como foi bom ser saudado logo cedo com um “bom dia”.
Naquele dia e nos dias seguintes procurei também saudar a todos com um
“bom dia”. Como nos faz bem desejar o bem ao outro. Percebi que
o “bom dia” poderia ser transmitido pela intranet e internet também,
de tal forma que ao ligar sua máquina, já tenha na tela esta saudação
para começar bem o dia. E assim já faz quinze anos que o bom dia
vai até você. Ele se assemelha as sementes de uma plantinha chamada
“dente de leão”, que as crianças costumam brincar,
soprando para ver suas sementes serem levadas pelo vento. Quando encontra terra
propícia ela fecunda. Assim é o “bom dia”, pois o
vento da internet leva-o para lugares distantes, um transmitindo a outro e assim
por diante. Em outros países é traduzido e continua sua caminhada.
Angola, Portugal, Japão, Austrália, Inglaterra, Alemanha, Singapura,
Itália, Argentina, Paraguai, Uruguai são alguns dos lugares que
tenho conhecimento de sua chegada. Quando cai na rede da internet só
Deus sabe aonde vai chegar e quem vai receber. Sei que a muitos ajudou quando
precisavam de uma mãozinha para levantar a cabeça e continuar
a sorrir. Mas, hoje o “bom dia” te deseja um “Feliz Natal”
e te agradece por fazer parte desta rede de “bom dia”. Continue
assim, levando a todos que cruzam o teu caminho uma saudação de
alegria e otimismo. Seja feliz. Simples assim. (Reflexão feita por Jose
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
22 Dezembro 2011:
“Se em meio às adversidades perseveras com o coração
sereno, alegre e em paz, isto é amor” (Santa Tereza d’Ávila,
mística espanhola, 1515-1582).
Só no amor conheceremos a paz. Nestes dias de festas, o que mais vemos
são correrias, listas de presentes, promoções, descontos,
prêmios, viagens etc. Tudo isso é reflexo de uma vida agitada onde
queremos resolver tudo para ontem. Quando nosso coração será
sereno? Quando confiarmos mais em Deus, sabendo que sozinhos somos fracos, mas
com Ele seremos fortes. Quem caminha com Deus ao seu lado percebe que no momento
certo tudo vai se ajeitando. Esta confiança nos dá força
nas adversidades e permite que haja serenidade, alegria e paz. Talvez esse seja
nosso melhor presente de Natal, sabedoria para termos mais confiança
em Deus, serenidade em nosso coração, alegria em nossa vida e
muita paz. Então, poderemos dizer que estamos amando de verdade. Sim,
o amor vem de Deus e a Deus nos encaminha. (Reflexão feita por Jose Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
21 Dezembro 2011:
“Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa:
Deus-conosco.” (Evangelho de Mateus 1, 23)
O grande e maior anúncio do Natal Cristão vem expresso na frase
do profeta Isaías (7, 14) que o evangelista Mateus retoma para atribuir
a Jesus, ao dizer: “Deus-conosco”. Dizer Deus-conosco é bem
diferente de dizer Deus está conosco. Embora Ele esteja realmente conosco,
a Boa Nova do Evangelista Mateus quer afirmar que o Deus Cristão é
mais que um alguém entre outros “alguéns”, perdido
dentro de numa multidão de indivíduos. Ser um alguém entre
tantos é apenas apresentar-se como um ente indiferente, igual, menor
ou maior que os outros. O indiferente, nesse caso, nem sempre sabe o que se
passa com os demais. Ele pode estar ali presente na sua individualidade; mas,
pode, também, estar ausente, alienado de tudo e de todos, na simples
observação e confusão daquilo que ele sente, experimenta
e pensa ser estranho a ele. Alguém, assim, dificilmente capta, sofre,
sente, se envolve ou é atingido pelo que se passa com o outro. O Deus
cristão anunciado no centro do mistério do natal é entendido
e experimentado como encarnado, envolvido e envolvente na nossa humanidade.
Tudo lhe é próximo e conhecido, exceto, a desumanidade (que pode
ser traduzido também por pecado). Ele é carne da nossa carne,
sangue do nosso sangue, corpo do nosso corpo, unha da nossa unha, pele da nossa
pele. Ele está “até o pescoço” engajado em
tudo o que nos pertence e acontece. Nada lhe é estranho e indiferente.
Ser Deus-conosco, então, significa que a partir da encarnação
ou do anúncio do natal, ninguém mais poderá dizer que Deus
é distante, indiferente, alienado, impassível, acomodado, descuidado
ou desatento com o que se passa com cada ser humano. A partir da Boa Nova do
Natal, cada pessoa pode e deve dizer: se sofro, Deus sofre. Se choro, Deus chora;
se estou abandonado, Deus está abandonado; se fui assassinado, Deus foi
assassinado; se passo fome ou sofro injustiça, Deus passa fome e sofre
injustiça. Mas, pode dizer, também: Se amo, é Deus que
ama em mim; Se acolho, é Deus que acolhe em mim; Se presenteio, é
Deus que presenteia em mim; Se consolo ou enxugo as lágrimas de alguém,
é Deus que o faz em mim; se socorro o caído, se perdoo o inimigo,
é Deus que opera em mim. Posso dizer ainda, se ajudo na construção
de um mundo melhor ou, faça o que fizer de bom, justo e amável
na família, no mundo e no universo inteiro, é Deus que em mim,
por mim e comigo o faz. A partir do Natal, Deus e o homem se tornam inseparáveis
na História e até o fim dos tempos. Nada nos poderá separar,
nem a morte, nem a tribulação, nem o sofrimento, nem a pior das
tragédias humanas. Ele é Deus-conosco, aconteça o que acontecer!
Quem sabe o fato de querer nos encontrar e de nos reunir nem que seja uma única
vez por ano para partilhar a presença e os presentes, tudo isso e muito
mais, seja apenas o desejo mais profundo que temos de transmitir uns aos outros
a felicidade do anúncio natalino (à semelhança do que fez
Maria em visita a Isabel) que no fundo, no fundo, proclama que a grande maravilha
da nossa existência é ter, sentir, perceber e experimentar a presença
presente da Divindade em nós traduzida na alegre, forte e viva mensagem
do Deus-conosco. É a felicidade exfuziante e extasiante dessa mensagem
que nos toma, nos afeiçoa, nos transforma e nos conduz onde quer que
estejamos, que nos impulsiona a dizer sempre de novo e de modo novo uns os outros
e ao mundo inteiro: Feliz Natal! E, se possível, com gratidão
e fé, seja o significado mais real e autêntico do Natal para cada
ser humano. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
20 Dezembro 2011:
“Os anos enrugam a pele, porém renunciar ao entusiasmo
enruga a alma” (Albert Schweitzer, teólogo, filósofo,
médico, escritor e músico alemão, prêmio Nobel da
Paz em 1952, 1875-1965).
Nossa maneira de pensar determina o que seremos. Envelhecemos com o tempo.
Um dos sinais de envelhecimento é a perda de flacidez na pele que em
consequência, forma rugas. Para retardar o aparecimento de rugas, é
preciso manter a pele sempre hidratada e flexível com a prática
de exercícios. Porém, pior que enrugar a pele é perder
a vitalidade e dinâmica da vida com o enrugamento da alma. Quem envelhece
a alma vê dificuldade em tudo, nada vai dar certo em sua visão.
Parece que atrai o pessimismo. Experiências feitas no Japão com
água congelada demonstram a diferença que faz os bons e maus pensamentos
em todo o ser vivo. As amostras que receberam a influência de pensamentos
edificantes formaram belos cristais harmônicos quando vistos e fotografados
pelo microscópio. As amostras da mesma água em estado natural,
os cristais eram disformes. As amostras de água submetidas a pensamentos
negativos, nem formavam cristais e tinham um aspecto horrível. Se o pensamento
pode influenciar assim a água, imagine o que pode fazer conosco. Sendo
assim, vale à pena conservar o entusiasmo, a alegria, e como diz o dito
popular, se a vida lhe der um limão, faça gostosa limonada. (Reflexão
feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
19 Dezembro 2011:
“Glória Deus nas alturas e paz na terra aos homens por
Ele amados” (Lucas 2, 14).
Para receber a Paz é preciso ser de paz. Antes de ir até a gruta
para ver Jesus, os pastores se preparam com hinos de paz. Narra o texto bíblico
que os pastores estavam no campo velando a noite, vigiando o seu rebanho, quando
uma luz os envolveu, ficaram com medo, mas um anjo fez o anúncio de uma
grande alegria, acabara de nascer em uma gruta em Belém, o salvador tão
esperado por todos os povos. E uma multidão de anjos entoou um hino de
paz. Paz na língua hebraica é Shalom. Este termo traz consigo
uma gama de significados que ultrapassa a simples ausência de guerra ou
conflitos de qualquer natureza, é presença de amor. Mas para que
a pessoa possa receber Shalom, ela precisa criar dentro de si um espaço,
e para isso precisa fazer uma faxina completa, daquelas que fazemos em nossas
casas de vez em quando. Joga-se fora (se desfaz) tudo o que está ocupando
espaço sem necessidade, nossa mente tem que estar limpa de toda impureza
para receber Shalom. Depois da limpeza temos que fazer harmonia com toda a criação,
desde os homens até os animais e plantas, como em uma orquestra sinfônica,
onde cada um em seu papel, dentro de uma grande música, se irmana com
toda a natureza em um espírito de amor. Essa integração
é muito importante para receber Shalom. Quando entramos no ritmo, então
percebemos que há um grande maestro que a tudo comanda que é o
próprio Criador. Aí sim estamos preparados para receber e ser
Shalom, então podemos dizer que começamos a viver o espírito
de Natal anunciado pelos anjos, Shalom (paz) na terra para os homens por Ele
amados. Presentes, luzes, etc. é consequência de uma vivência
de amor e paz. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
16 Dezembro 2011:
“A maneira de dar vale mais do que o que se dá”
(Pierre Corneille, poeta de dramaturgo francês, 1606-1684).
Presenteamos um pouco de nosso coração. Estamos em época
de festas, e a troca de presentes é muito comum, pois nos perpetuamos
nos presentes, ou seja, quando a pessoa olhar aquilo que ela ganhou se lembrará
de nós. Por isso, chama-se presente. Mais importante que a lembrança
material do presente, é a forma com que nos tornamos presente, ou seja,
o carinho da entrega, ou as palavras que acompanham o cartão (se for
o caso). Quantas vezes o calor de um gostoso abraço cheio de amor vale
mais que mil presentes. Sua lembrança permanece para sempre. Isto acontece
porque abrimos nosso coração no gesto carinhoso de presentear
o que temos de mais precioso, nosso próprio “eu” se fazendo
“um” com quem o recebe. Para que isso tenha esta força, o
perdão e o amor fizeram uma faxina prévia em todo o ressentimento
e deixaram um coração limpo dos erros passados e brilhando de
emoções. Tudo isso faz parte do clima de Natal, onde o amor maior
se fez um de nós sendo presente na fragilidade de uma criança.
Para quem o recebeu em seu coração, a vida ganha outro sentido.
(Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia!
(15 anos)
15 Dezembro 2011:
“Confrontar, sempre confrontar, é o modo de resolver o
problema. Confrontar-se com ele” (Joseph Conrad, novelista britânico
de origem polonesa, 1857-1924).
Quem prefere fugir em vez de resolver, permanecerá fugindo enquanto
durar a sua covardia. A palavra “confrontar” traduz a ideia de pôr-se
de frente, acarear, defrontar-se, ou seja, encarar o problema em vez de fugir.
No confronto “colamos” com o problema, como quem empurra um grande
peso; no início, parece que nem se move, mas aos poucos vai cedendo até
que conseguimos movimentar. Por pior que seja o que deve ser resolvido, devemos
com honestidade e retidão “arregaçar as mangas” e
como quem desata nós, buscar as pontas para, a partir delas, reverter
o que deu errado. Disfarçar, mascarar, negar, imputar a outro a sua culpa
é fugir sem se confrontar; portanto, um ato covarde, vil e desprezível.
Quando estamos com medo, pequenas sombras nos parecem enormes vultos, mas quando
acendemos a luz de nossa inteligência e iluminamos, então percebemos
que tudo o que nos assustava era de fácil solução. Mas,
isso só se resolve quando nos dispomos a nos confrontar com nosso problema.
(Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia!
(15 anos)
14 Dezembro 2011:
“A felicidade humana geralmente não se obtém com
grandes golpes de sorte, que podem ocorrer poucas vezes, mas com as pequenas
coisas que acontecem todos os dias” (Benjamin Franklin, cientista
e estadista americano, 1706-1790).
Se pudéssemos perceber quantas maravilhas acontecem no universo
a cada segundo, ficaríamos extasiados com tanta beleza. Grande parte
dela o homem nem sequer imagina. Desde que os primeiros raios de sol começam
a iluminar, se descortina o despertar diurno da natureza. Nós fazemos
parte de todo este esplendor. Nada se repete, tudo é novo. Ter a sensibilidade
de perceber tudo isso, é uma graça. O rosto que você vê
no espelho é diferente do de ontem, mais alegre ou mais triste, depende
de você. Irá irradiar alegria e bondade, também depende
de você. Valorizar a vida que têm em cada detalhe, também
é uma decisão sua. Como tijolos que sobrepostos vão formando
uma parede, assim cada pequeno acontecimento vai formando o seu dia. Amar cada
um deles, como um presente de Deus para você, é que vai revelando
o que é ser feliz. Esperar ganhar na mega sena (por exemplo) para então
começar a ser feliz é condenar a sua vida a um devir e deixar
de aproveitar tudo o que você tem agora. Como nos ensina Jesus no Evangelho
de Mateus, “o dia de amanhã trará as suas próprias
preocupações; a cada dia basta o seu fardo” (6, 34). Portanto,
seja agradecido por tantas dádivas que você recebe a cada instante
de sua vida, e que muitas vezes passam despercebidas por estar com sua mente
preocupada com o que ainda nem veio. (Reflexão feita por Jose Irineu
Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
13 Dezembro 2011:
“As amizades que se fundam em interesses por interesse terminam”
(Frei Antônio de Guevara, cronista, moralista e franciscano espanhol,
1481-1545).
Amizade de festa com a festa termina. No evangelho de Lucas (15, 11-32),
Jesus conta uma parábola rica em ensinamentos, é a do “filho
pródigo” (esbanjador). Como ela possibilita diferentes reflexões,
tomarei a questão da amizade e dos interesses comuns. O significado da
palavra “pródigo” traduz a idéia de gastador, esbanjador,
perdulário, bem como generoso, liberal, “mão aberta”.
Narra o texto que o filho mais novo estava entediado com a vidinha em família,
sempre a mesma coisa, o irmão mais velho por ser mais talentoso sempre
estava nas graças do Pai, e ele ficava em segundo plano. Ele queria algo
novo, pois sua energia despertava a sede de aventuras, amizades, diversões,
alegria, festas, tudo o que faltava em casa. Para isso ele precisava de recursos
financeiros, pois nada neste estilo de vida é de graça, tudo tem
o seu preço. Por ser herdeiro de um homem rico, exigiu a sua parte na
herança e saiu em busca de aventuras. Em terras distantes viveu dissolutamente.
Enquanto tinha dinheiro sempre estava cercado de amigos que compartilhavam as
mesmas ideias de diversões e aventuras, bem como se beneficiavam de seus
patrocínios. Ele era um “inocente útil” para estes
amigos. Quando esgotou os seus recursos, desapareceram os amigos, experimentou
a solidão, teve que trabalhar. Único emprego que conseguiu foi
cuidar de porcos (o porco para o judeu era um animal desprezado). Passou fome,
queria que comer da ração dos porcos, mas ninguém lha dava.
Foi aí que se lembrou da casa de seu Pai, de como era “feliz e
nem sabia”, e resolveu voltar. Foi acolhido como filho novamente. Quase
nunca damos valor ao que temos em casa, parece que tudo o que está fora
é melhor, mais divertido. Mas este estilo de vida tem seu alto preço,
que quase nunca aparece à primeira vista, fica oculto nas letrinhas miúdas
dos “contratos”. Será que precisamos cair para poder aprender?
Será que nosso coração está fechado a estes ensinamentos?
Nossos olhos têm dificuldade em enxergar os perigos de tudo o que se apresenta
como fácil e vantajoso demais? No evangelho de Mateus encontramos o ensinamento:
“Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta que conduz à
perdição, e são muitos os que por ela entram” (7,
13). (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom
dia! (15 anos)
12 Dezembro 2011:
“Que adianta extinguir grandes ódios, quando ficam ressentimentos?
Como remediar isso? O sábio cumpre seu dever e esquece seus direitos,
quem se guia pela voz da consciência, só atende a voz do dever
e não insiste em seus direitos. Os poderes eternos não tem favoritos,
mas favorecem os bons” (Lao Tsé, filósofo chinês,
citado no livro “Tao Te Ching”, viveu no séc VII a.C.).
Nem sempre o direito é sinônimo de justiça. No pensamento
do sábio chinês, “direito” era sinônimo de egoísmo
e “dever” de amor. Desta forma, quando as pessoas pensam somente
em seus direitos tudo tende à ruína; mas, quando por amor abrem
mão de seu direito em prol do dever, tudo se reconstrói novamente.
Em nosso pensamento moderno é difícil entender alguém abrindo
mão de seus direitos em nome da paz e da reconciliação.
Fazer valer o seu direito em um clima de ódio, restarão ressentimentos
eternos que vão remoendo os pensamentos e tendo como consequência
uma vida de enfermidades oriundas de uma consciência intranquila. Quem
tem fé sabe que a justiça humana é passageira e a justiça
divina é eterna. Em resposta à pergunta de “quantas vezes
devemos perdoar?”, Jesus ensina, setenta vezes sete, isto é, o
perdão é sem limites. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
9 Dezembro 2011:
“Quando a necessidade arranca palavras sinceras, cai a máscara
e aparece o homem” (Tito Lucrecio Caro, poeta romano, 99-55 a.C.).
Somos o que somos diante de Deus e nada mais. A vida em sociedade é
cheia de regras e formalidades que vamos aprendendo desde a infância.
Tudo é meticulosamente arranjado para evitar desconfortos nos relacionamentos.
Os pronomes de tratamento muitas vezes enaltecem os títulos que a pessoa
adquiriu no decorrer da vida, onde o nome ganha importância secundária.
Muitas vezes uma promoção, um novo cargo, uma missão qualquer
leva a pessoa a assumir uma postura diferente da rotineira, pois a nova investidura
assim o exige. Se faltar humildade, a pessoa esquece-se de sua origem e reveste-se
de uma máscara de prepotência que a distancia de seus semelhantes.
Mas, atrás das “máscaras” estão pessoas iguais
a todas as outras. Às vezes em uma situação extrema, a
necessidade obriga a se revelar, estas máscaras caem por terra, revelando
a pessoa tal qual ela é. Por isso, o texto sagrado nos lembra que Deus
fez o homem do pó da terra (os elementos químicos são os
mesmos) e deu o sopro da vida e ao pó retornará um dia. Ele também
nos pede que haja amor e respeito ao nosso semelhante, ou seja, devemos tratar
os outros da mesma forma que gostaríamos de ser tratados. As máscaras
são passageiras, o que permanece é o que somos em nosso coração.
(Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia!
(15 anos)
8 Dezembro 2011:
“Temos tanta pressa em fazer, escrever e deixar nossa memória
para ser ouvida no silêncio da eternidade, que esquecemos a única
coisa que realmente importa: viver” (Robert Louis Stevenson,
escritor britânico, 1850-1894).
A correria do dia a dia nos faz esquecer o que realmente importa. No
texto sagrado, mais precisamente no evangelho de Lucas, Jesus faz em uma parábola
a ilustração de quem só se preocupa com o amanhã
e esquece-se de viver corretamente o hoje. Diz Ele que um homem, diante de uma
colheita maravilhosa, se preocupa em ampliar sua capacidade de armazenamento,
garantindo com isso seu futuro, onde poderá desfrutar de suas riquezas
por muito tempo, comendo, bebendo e regalando-se. Ele pensa que está
realizado como pessoa e que nada poderá impedir isso. Jesus chama de
insensatez este comportamento, pois poderá morrer esta noite e nada do
que adquiriu irá reverter este quadro. Nossa maior riqueza está
no que construímos com nosso amor. Este tesouro é indestrutível,
pois seu armazenamento está no infinito. Aproveite agora para montar
seu tesouro de ações de bondade e amor, pois amanhã o tempo
poderá ser insuficiente. Nosso maior tesouro está na bondade de
nosso coração. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
7 Dezembro 2011:
“O direito e o dever são como as palmeiras: não
dão frutos se não estiverem uma ao lado da outra”
(Hughes Felicite Robert de Lamennais, escritor francês, 1782-1854).
Para todo direito deveria existir uma contrapartida de dever. Ouvem-se
muitas reivindicações de direitos em todas as esferas; mas, pouco
se escuta dos deveres daí decorrentes. Os filhos querem ter o direito
de dormir até mais tarde nas férias, mas têm o dever de
deixar o seu quarto arrumado. Os alunos querem ter o direito de faltar algumas
aulas, mas devem ter o dever de tirar boas notas, o médico quer o direito
de melhor remuneração, mas têm o dever do empenho e da pontualidade
no atendimento ao paciente, e, assim por diante. Um sem o outro leva ao desequilíbrio.
Direito sem dever é como uma escada que só tem um lado para prender
os degraus; a falta do outro leva à queda. O autor compara direito e
dever às palmeiras. Existem 205 gêneros e 2.500 espécies;
dentre elas temos o coqueiro e a tamareira, e por isso mesmo ela depende de
outra da mesma espécie para continuar seu ciclo de vida. O direito depende
do dever para que haja equilíbrio na ordem social. Quando só há
direitos em uma sociedade, sobrecarregam outros de deveres e com o tempo nascem
as revoltas. Foi assim no decorrer da história. Nossa sociedade está
desequilibrada no tocante ao direito só de alguns sem uma contrapartida
de deveres. Com a impunidade houve um incentivo à delinquência
e o cidadão de bem virou refém sem direito à defesa. Cada
dia sua proporção aumenta e as autoridades são insuficientes
para agirem preventivamente. Devemos ser parte da solução contribuindo
com nossas ideias e ações para garantir um futuro melhor para
nossa cidade, estado e nação. (Reflexão feita por Jose
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
6 Dezembro 2011:
“Nunca desista de um sonho. Apenas tente ver os sinais que o levam
a ele” (Paulo Coelho, escritor brasileiro nascido em 1947).
O carro segue a estrada; mas, é a mão do motorista que
está no volante. Para passar por uma porta, antes devemos destrancá-la;
para ver o que está além de uma janela, primeiro devemos abri-la;
para observar o que está atrás de um muro, devemos olhar por cima
dele ou fazer um buraco. As coisas só acontecem se buscarmos as situações
propícias para que se realizem. Só o fato de poder pensar em um
sonho é sinal que começou a dar certo, agora é procurar
identificar os sinais que indicam o caminho para concretizá-lo. Dificilmente
ele virá até você sem ao menos abrir os braços para
acolhê-lo. Quando criança brincava de criar caminho para as águas
represadas em poças, com um pedaço de madeira, criava sucos, acompanhando
os declives fazendo-as chegar a um lugar de escoamento. Concretizar um sonho
é dar condições para que ele vá se realizando à
medida que criamos o seu caminho, ou seja, é de nosso empenho concentrado
atento as sinais que faz os nossos sonhos se realizam. Descruze os braços
e abra o caminho para seus sonhos. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
5 Dezembro 2011:
“O termômetro do sucesso é apenas a inveja dos descontentes”
(Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech, “Salvador
Dalí”, pintor catalão (Catalunha – Espanha), 1904-1989).
Para tudo o que é bem feito, existe um grupo de inconformados
que se corroem por dentro diante da incapacidade de fazer algo semelhante. Só
que em vez de procurar aprender, ou imitar, só pensam em destruir a obra
e/ou a pessoa. Como falta coragem de reconhecer sua incapacidade e a inveja
que daí nasceu, procuram achar defeitos para comentar e assim manchar
o sucesso do outro. Dão-se início a uma série de mentiras,
alianças malignas, de artimanhas, perseguições etc, tudo
para prejudicar alguém cuja capacidade se inveja. Quanto mais sucesso
se obtém, mais será vítima da inveja dos descontentes.
Sendo assim, em vez de se entristecer diante das críticas e perseguições
por suas criações ou trabalhos, alegre-se por ter sido capaz de
fazer e por existir uma multidão de invejosos, pois isso é sinal
de sucesso. Neutralizamos os efeitos negativos da inveja quando mantemos nossa
alegria. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
2 Dezembro 2011:
“O ignorante que se cala, será tomado por erudito e passará
por sábio se mantiver sua boca fechada” (Salomão,
rei de Israel, 970-931 aC).
De certa forma todos são ignorantes. A palavra “ignorância”
revela desconhecimento de alguém em determinado assunto. Uma pessoa pode
ser um gênio em botânica e ignorar os cálculos de engenharia
mecânica, ou ser um ótimo médico cirurgião e ignorar
as leis da física quântica, e assim por diante. Desta forma, todos
nós somos ignorantes em determinados assuntos. Sendo assim, diante de
algum assunto que desconhecemos, é melhor ficar calado do que abrir a
boca, emitir alguma opinião e revelar toda a nossa ignorância sobre
o assunto. Sobre isso, a sabedoria popular diz: “quem fala demais, dá
bom dia a cavalos”, ou seja, é tido como demente (meio doido!)
que cumprimenta até os animais. Em outra ela diz; “em boca fechada
não entram mosquitos”, isto é, quem se cala evita o risco
de desastres. Por isso, é mais prudente, se inteirar do assunto, conhecer
as nuances, antes de emitir qualquer opinião. (Reflexão feita
por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
1 Dezembro 2011:
“N'Ele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha
nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la”
(Evangelho de João 1,5).
Sem luz, a vida na Terra pereceria, pois
todo ser vivo depende da luz de alguma forma. Na dimensão da fé
cristã, esta luz tem nome: Jesus. Em tempo de natal é comum ver
casas, prédios, ruas e fontes ornamentadas com luzes de diversas cores,
tamanhos e brilhos. É um espetáculo único e encantador
que até os mais resistentes ao espírito natalino conseguem reconhecer.
Estas luzes procuram lembrar-nos do próprio Cristo que foi visto, acolhido,
experimentado e seguido por muitos homens e mulheres da fé cristã
como sendo Luz do mundo. A Luz que é Cristo que se festeja em celebrações
de cada natal. Cristo enquanto Luz é uma espécie de “Fonte
Energética”, de mistério abissal a partir de onde tudo se
cria, se forma, se constrói, se ergue, se firma e se consuma. Ele é
a Luz que tudo gera e faz viver. Essa é a razão pela qual João
diz que essa Luz era a Vida dos Homens, ou melhor, a Origem a partir de onde
tudo vive, onde tudo se dá, onde tudo é gerado e tem a sua constituição,
insistência e consistência. Nessa Luz que é vida é
que nascemos, crescemos, existimos e nos consumamos. Por isso, vale dizer que
nós não vemos a luz, mas vemos na luz, a partir dela, com ela
e por ela. Sem ela seríamos trevas ou estaríamos nas trevas. Tudo
o que é, que se mostra, que tem peso, forma, luminosidade, brilho, beleza
e firmeza, tem na luz a sua raiz e sua razão de ser. Não há
como estar fora dela e de seu alcance. Há apenas a possibilidade de recusar-se
a aceitá-la, de caminhar na sua rejeição e viver fazendo
de conta que ela não existe (a isso se diz andar nas trevas). Essa Luz
que é Fonte que se expande e se difunde no universo inteiro, dentro e
fora dos Homens, nas casas, nas cidades, no mundo e em tudo o que existe, dando
beleza, luminosidade, forma, transparência, limpidez, inteligência,
graça, leveza e unidade, é que está concentrado no símbolo
das luzes que os cristãos espalham em suas celebrações
e ambientes onde estão situados. As pequeninas luzes de natal espalhadas
por tantos lugares evocam, recordam e acordam homens e mulheres de boa vontade
para abrirem-se ao toque, ao encontro, à presença e à manifestação
da Luz e da Vida d'Aquele que é Luz da luz e Vida da vida em todas as
suas dimensões, compreensões e considerações. Todos
aqueles que se abrem, recebem e amam essa Luz é que são chamados
de filhos e filhas da Luz. São esses que andam na claridade do novo e
eterno dia da graça divina e que jamais são dominados pelas trevas
ou obras das trevas. O natal com suas luzes e luminárias quer ser um
convite a todas as pessoas, a todas as instituições religiosas,
políticas, econômicas e culturais para se deixarem possuir pela
força encantadora dessa Luz originária, para que em tudo e em
todos haja claridade, transparência, decência, inteligência,
beleza, transcendência, brilho de grandeza e autenticidade. Esse brilho
vem de Deus e quando ele se mostra nas pessoas, nas instituições,
na criação inteira, nas coisas simples e elevadas, é que
se diz que ali está presente a Glória de Deus. A Glória
de Deus é o brilho fulgurante de sua Vida na carne humana e que se chama
Jesus. Jesus é a manifestação plena de Deus em nós
e no meio de nós. A isso se dá o nome de natal! (Reflexão
feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
30 Novembro 2011:
“Mas, o verdadeiro Papai Noel é aquele que ama a Jesus
de todo seu coração e dá presentes em nome d'Ele, fazendo
de tudo para que as pessoas (especialmente os necessitados) louvem a Deus pelas
dádivas recebidas” (Mensagem de um dos sites do Google).
É Natal, “um filho nos foi dado” (Isaías).
Papai Noel é uma daquelas figuras que desponta de imediato no imaginário
de muitas pessoas quando se pensa em Natal. De algumas décadas para cá,
é difícil falar em natal sem ligá-lo à figura do
velhinho de barbas brancas e bochechas rosadas que porta um saco de presentes
para distribuí-los entre as pessoas, em especial, às crianças.
O capitalismo ocidental, no entanto, é o que mais explora essa imagem
para lucrar em cima da boa fé das pessoas que se sensibilizam com essa
figura até certo ponto simpática. Ele o faz sem nenhum constrangimento
e, embora nada haja de espírito religioso na mente capitalista ao usar
dessa figura, é bem certo que ele acaba fazendo um ‘merchandising’
do bom velhinho com vestes publicitárias em cores do rótulo da
coca-cola. Em meio a todo esse uso, desuso e abuso da imagem de um símbolo,
que tem no fundo e nas suas origens mais profundas, um arquétipo religioso,
muitos pais, educadores, intelectuais, pessoas religiosas, acabam aderindo à
campanha de ataque ao mito do Papai Noel. Fazem dele uma caricatura quase demoníaca
para seus filhos e educandos. Pensam que com isso realizam um bom serviço
ao espírito natalino mais radical. Nessa onda é comum ver o fervoroso
“sermão” de alguns pregadores, pais e educadores, alertando
as crianças para o fato de que Papai Noel é um mito, uma lenda,
uma inverdade, uma mentira e uma armação que visa enganar as crianças
a respeito de presentes e uma chantagem emocional que leva as famílias
ao consumo, abafando nelas e na sociedade o verdadeiro significado do natal.
É bem verdade que o consumo consegue fazer isso e o faz com muita maestria
(e ai dele se não o fizesse!) no que toca ao uso do Papai Noel para seus
interesses. Porém, uma questão que se deve começar a refletir
seriamente é se o fato de trabalhar ou colocar-se contra esse símbolo
é algo que nos ajuda a entender melhor o espírito mais profundo
do natal. Quem sabe, seria mais honesto, mais sensato e mais incentivador se
durante o período que antecede os festejos natalinos, os que amam e celebram
religiosamente essa data, aproveitassem melhor desse símbolo, mesmo que
desbotado e mal usado pelo comércio, para falar, divulgar e explorar
mais o sentido profundo que está contido no símbolo do Papai Noel,
isto é, da bondade, da generosidade, do cuidado, do carinho, do afeto,
da partilha e do amor que ele inspira e que deve haver entre as pessoas, especialmente,
com as crianças e os mais pobres. Pois, Papai Noel, antes de ser um mascote
do mundo capitalista do consumo e da solidariedade historicamente documentada
na vida do bispo São Nicolau, que ajudava os mais pobres entre os pobres
nas noites frias que antecediam o natal cristão na Europa, ele é
uma daquelas imagens que desde os primeiros tempos natalinos se pensou para
descrever o Deus cristão. O Deus cristão, embora bíblica
e teologicamente se saiba que nenhuma imagem é possível fazer
d'Ele, foi percebido e experimentado por muitos homens e mulheres de fé
como sendo a mais pura face de bondade e misericórdia em forma de Pai.
Um Pai (aqui jamais pensar nas imagens deficientes ou traumatizantes que a sociedade
possui de alguns pais) que discreta e humildemente partilha sua Vida e tudo
o que possui com seus filhos. Um Pai que à semelhança de Papai
Noel e vice-versa, entra sorrateiramente na história humana, nas casas,
nos corações e nas chaminés manchadas e apertadas de nossos
interesses egoístas, e sem fazer alarde nenhum, deixa a marca de sua
graça e de sua presença em meio aos ricos e pobres, bons e maus,
em forma de presente. O Papai Noel que hoje muitos querem botar fora de nossos
festejos natalinos, no fundo é ainda um dos ecos daquela sensibilidade
que nos diz que independente de quem somos e apesar do que somos no conduzir
nossa história pessoal e global, pertencemos a uma multidão incontável
de pessoas amadas, queridas e cuidadas por alguém que se interessa por
nós e que, de modo especial, a cada natal e tempo de natal vem nos visitar
e sussurrar essa verdade aos nossos ouvidos. Trata-se de um Pai amoroso que
um dia nos presenteou com o maior dos presentes - Ele mesmo em forma de ternura
infantil, em seu Filho Jesus. E quem sabe, Ele permitiu à mente humana
que criasse a figura do Papai Noel apenas para nos dizer de forma simples, discreta
e acessível, que no natal teremos sempre esse símbolo nos antecedendo
a nos recordar que fomos presenteados, que somos presentes uns para os outros
e que podemos e devemos nos presentear constantemente, para jamais impedirmos
de entrar em nós e no meio de nós, certas realidades fundamentais
de nossa existência como a generosidade, a solidariedade, a caridade e
o amor. Se essas realidades forem ignoradas em nós e entre nós,
começaremos a ficar mais frios, secos, insensíveis e duros no
convívio cotidiano, bem como mais mesquinhos e egoístas em nossas
relações, a tal ponto de tornar o mundo um lugar de ambição
e injustiça sem medida. Vale dizer, uma arena de feras abocanhando umas
às outras. A aposentadoria que tentamos dar à figura do bom velhinho
na nossa cultura atual, e que hoje mais do nunca vem sendo zombado e hostilizado
pelo nosso olhar tecnológico e de cientificidade dogmatizada, é
uma forma de expressar que diz que ainda não conseguimos captar, nem
entender a verdade que pulsa no interior desse símbolo, e que aliado
ao apoio de cristãos inocentes e mal informados, o acusam de ser um mito
de supersticiosos, uma fábula de crianças domesticadas e um modelo
de inspiração da exploração capitalista. Porém,
antes de cairmos na cilada de nos deixarmos levar por uma fala hostilizada pelo
preconceito, pela desinformação e pelo modismo da crítica
ingênua em torno de tudo o que cheira religioso ou cristão (aliás,
hoje virou moda ser anti-cristão), é melhor estar preparado e
convicto para dar razões da própria fé e dos significados
dos próprios símbolos, bem como entender que a mensagem do natal
não é contraditória à presença da imagem
do Papai Noel, mas faz dele (e quem dera se fizesse isso tão bem como
o faz o comércio!) um mensageiro profético do ponto central da
fé cristã, ou seja, aquele de que Deus, o Pai, nos deu um presente
que é Ele mesmo na Pessoa de seu Filho. Aqui vale citar Isaías
que diz: “Pois nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado”
(Isaías 9, 6). E quem tem boa vontade e consciência pura, recebe
esse presente com muita reverência e se torna eternamente grato a Ele.
E quando somos verdadeiramente gratos, tudo o que em nós é ingrato,
seco, egoísta, mesquinho e desumano, desaparece. E é a esse espírito
de gratidão e doação sem medida, de fazer o bem sem olhar
a quem, de cuidado uns pelos outros e por toda a criação, que
nos inspira o símbolo do Papai Noel. Tudo de mais ou de menos que se
pensar, falar e fizer d'Ele é qualquer outra coisa, menos o Papai Noel
das noites e representações natalinas dos cristãos que
celebram essa data em agradecimento a Deus pelo presente de seu Filho. (Reflexão
feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
29 Novembro 2011:
“A dessacralização do mundo moderno levou o homem
à crise e, para sair dela e sobreviver-lhe, terá de redescobrir
uma fonte mais profunda na sua vida espiritual” (Carl Gustav
Jung, psiquiatra suíço, 1875-1961).
Toda vida é dom Divino e sem ele tudo perece com o tempo. Já
estamos no período do Advento (preparação para o Natal),
mas poucos se deram conta disso, pois seus afazeres diários exigem mais
atenção, afinal as aulas estão terminando, vai entrar o
período de férias escolares, e as crianças precisam de
um plano estratégico para este período. Tudo isso sem falar em
várias festas de fim de ano que se organizam em forma de despedida por
mais um ano que passou. Para quem está atento à política,
sabe que é justamente neste período de festas que são votadas
as leis mais severas que atingem a sociedade; por isso, deve estar “vigilante”.
Temos que pensar em presentes, cartões de felicitações...
também precisamos enfeitar a casa, pelo menos uma árvore de Natal
etc. Tudo isso sufoca de certa forma o verdadeiro espírito natalino de
amor e agradecimento a Deus por nos ter dado Jesus para dar um novo sentido
a nossas vidas. Nasceu pobre, em uma manjedoura ao lado de animais que ajudaram
a aquecer o ambiente. Precisamos resgatar nosso lado espiritual, confiar mais
em Deus, sorrir mais, perdoar muito mais ainda e amar sem limites. As comemorações
deveriam ser a consequência de um ano de paz e alegria, de amor, perdão
e reconciliação. De que adianta viver um ano de atritos, brigas
e desentendimentos para em uma festa de fim de ano se abraçar e no dia
seguinte começar tudo de novo? Como o ódio tomou conta, só
temos notícias de guerras, desentendimentos, falta de dinheiro, arrocho
econômico, impostos, revoltas generalizadas, vidas sem sentido. A conversão
deve acontecer antes de tudo no “coração” para depois
externar em gestos de paz. Mas, para isso cada um deve assumir seu papel de
semeador de paz, tendo Deus como seu guia e o amor como bandeira. Aí
sim, estaremos nos preparando para o Natal, onde Cristo nasce em cada coração.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
28 Novembro 2011:
“No amor desinteressado de um animal, no sacrifício de
si mesmo, alguma coisa há que vai direto ao coração de
quem tão frequentemente pôde comprovar a amizade mesquinha e a
frágil fidelidade do homem” (Edgar Allan Poe, escritor
americano, 1809-1849).
O cachorro adotou o homem como seu amigo e se esforça para que
este o perceba. Penso que toda relação aonde há amor envolvido,
as barreiras se quebram, ou seja, todos os seres vivos que se sentem amados
respondem com afeto, exceto o ser humano em alguns casos. A lenda indiana de
Mogli (o menino lobo) mostra esta relação de afeto entre humanos
e animais. Ghandi dizia que se conhece um povo pela maneira que trata seus animais.
Quando criança, meu bicho de estimação era uma Queixada
Tayassu Pecari (porco selvagem da América do Sul), pois acompanhávamos
meu pai que era topógrafo pelas matas do oeste do Paraná, demarcando
as futuras cidades e fazendo levantamento dos rios. São Francisco “conversava”
com os animais e abrandou a fúria de um lobo selvagem (Gubbio). São
inúmeros casos desta amizade secular e dentre elas se destacam os cães,
cavalos e gatos, cada um com suas características. Quem se deixou cativar
por um cão (por exemplo), pode perceber que este parece que sente nossa
alma, conhece nossos costumes, e nos perdoa muito mais que imaginamos, pois
nos amam a seu jeito, desculpando nossas falhas. Nossa casa é seu território
e ele defende nossas divisas. As crianças que vivem o “devir”,
se sentem à vontade com estes animais domesticados. Quando há
amor e respeito mútuo, a perda de um deles nos atinge profundamente,
principalmente às crianças que convivem diariamente com eles.
Foi o que aconteceu neste sábado com o atropelamento de uma cadelinha
Beagle (Manu) que teve morte instantânea por traumatismo craniano. Era
dócil, inteligente, bela como todos de sua raça e medrosa. Mesmo
racionalizando e entendendo que foi uma fatalidade, a criança se entristece,
pois esta dimensão de morte está um pouco longe de seu imaginário
infantil. Em seu mundo mágico de descobertas percebem mais o amor destes
animais e por isso mesmo sentem muito sua falta. Fatos assim nos fazem pensar;
como a vida em certos momentos é tão frágil, em um instante
alegre e no instante seguinte, sem vida. Nem dá tempo para despedidas.
Então devo ser melhor sempre, sem deixar para depois meu afeto aos meus
amigos. Que espécie de amigo estou sendo para quem convivo diariamente
(pessoas ou animais)? Amizade forte e verdadeira ou mesquinha e interesseira
que desaparece nas primeiras dificuldades? (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
25 novembro 2011:
“As coisas não valem senão o que se as faz valer”
(João Batista Poquelin, “Moliére”, dramaturgo francês,
1622-1673).
Num mundo de excesso de informações desencontradas temos que saber
peneirar o que nos faz bem. Algum tempo atrás, um pai passeava tranquilamente
com seus filhos pelas ruas de uma cidade interiorana quando, de repente, este
se deparou com roupas expostas na vitrine de uma loja. Diante dela se dirigiu
carinhosamente à filha e confessou seu inocente gosto por camisas xadrezadas.
A filha estranhando o gosto do pai o desdenhou dizendo que aquilo era roupa
de caipira e de festa junina e que jamais teria coragem de usar algo do tipo.
Anos mais tarde, o pai percebeu que sua filha usava uma camisa xadrez exatamente
igual a que tinha visto anos atrás naquela cidade e brincou com ela em
tom de provocação paternal. A filha ainda com certo olhar de desdém
sorriu ao pai e respondeu-lhe sorrateiramente que agora era moda e que por essa
razão não havia nenhum problema em usá-la. Parece ser assim
o que ocorre com a questão dos valores na vida de muitos. Só vale
para eles apenas o que dita à moda ou, às vezes, a opinião
da maioria. O critério de valoração e de importância
das coisas para esses é comandado pela força de influência
de coisas e ideias transmitidas pelo fugaz cometa do modismo, que dá
um impacto inicial de convencimento num momento, mas que na sequência
já perde toda a sua consistência e validade. Deveria ser pelo que
acreditam no fundo de sua alma, e pelo que aprenderam no encontro e confronto
com a verdade e com a riqueza de valores que herdaram de pessoas dignas e transparentes
próximas a elas. No entanto, diante de situações como essa
e tantas outras similares, vale refletir que cada pessoa tem diante das mãos
e da própria vida a responsabilidade de fazer valer (ou não) tudo
o que lhe vem de encontro. Tem a possibilidade e a capacidade de eleger, julgar,
peneirar e dar a tudo o que lhe é sugerido e entregue o grau de prioridade
e importância que merece. O que selecionar como digno de ser querido,
abraçado e tomado como valor maior para sua vida, será o que estará
ao seu lado como guia e critério de conduta. Se a capacidade e possibilidade
de estudo, de discernimento, de decisão e escolha de valores estão
nas mãos e na consciência de cada pessoa, então cabe a ela
fazer sempre uma avaliação sábia de tudo o que recebe de
quem quer que seja e realizar um uso correto daquilo que lhe foi passado ou
entregue como sendo um valor. Caso contrário, ela se tornará vítima
e presa fácil da ditadura de certos modismos e da ditadura impiedosa
da opinião da maioria ou minoria de grupos. Trilhar o caminho do discernimento
diante dos valores e opiniões semeados no mundo é ser como aqueles
antigos filtros das casas de nossos antepassados, que antes de passarem a água
ao vazio do copo, filtravam todas as impurezas e lodos. Assim deve ser a postura
de homens e mulheres que buscam a firmeza de caráter e a retidão
em suas condutas, ou seja, antes de abraçarem quaisquer valores tidos
por importantes e necessários para quem quer que seja, os filtram no
tribunal e na liberdade da própria consciência. Só depois
desse processo lento e bem purificado é que os tornam seus. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
24 Novembro 2011:
“Entrai pelas suas portas com ação de graças,
e em seus átrios com louvor; dai-lhe graças e bendizei o seu nome”
(Salmo de ação de graças, 99, 4 (hebr. 100,4)).
Saber dizer obrigado é um gesto de amor. O dia de ação
de graças tem a sua origem nos EUA e Canadá, mas devido à
globalização, inclusive dos costumes e tradições
dos povos, esse dia tem influenciado outros países com suas festividades
dentre eles o Brasil. Inicialmente o elemento motivador dessa data foi a gratidão
de alguns colonos pela colheita farta no final do outono. Depois ela tomou caráter
religioso com seus devidos ritos e celebrações. Seja como for,
a intenção de celebrar uma data assim tem a ver com um aspecto
mais profundo e importante da consciência de qualquer ser humano, isto
é, o dado da gratidão. Gratidão é palavra mágica
para o coração humano, pois ser grato é mais do que dizer
“muito obrigado” por um favor recebido. É a consciência
de saber-se agraciado, no sentido de anterior a qualquer iniciativa minha ou
nossa, já ter sido criado, amparado, sustentado, querido, afagado, auxiliado
e amado por Deus. Mais cedo ou mais tarde na vida de qualquer um, esse senso
de gratidão o visita e o conduz a atitudes de generosidade, bondade,
simpatia, doação etc, que o purifica de tudo aquilo que representa
mesquinhez nas mãos, estreiteza na compreensão e egoísmo
no coração. A ação de graças aqui é
diferente daquele entendimento do sujeito que dá graças e pensa
que a ação é dele para sentir-se dono da graça e
do reconhecimento de outro. Ação de graças significa que
a graça me atingiu, me envolveu, me tocou até o mais íntimo
de mim mesmo despertando assim para a gratidão. E desta forma movido
por ela, tocado por sua força, reconheço que tudo é um
dom, uma dádiva da qual devo manifestar meu muito obrigado. Por isso,
aceito o convite de entrar reverente nessa compreensão de gratuidade,
reconhecer a doação da graça e corresponder a ela com atitude
de gratidão, ou seja, sendo grato “por graças poder dar”.
É a tal convite que o salmista convida os homens de boa vontade a realizar
em relação ao seu Criador, ou seja, a entrar pelos átrios
da bondade divina, que no caso é a ação livre, gratuita
e generosa de salvação de Deus em Jesus Cristo a todo ser humano.
Reconhecer esse gesto que liberta e coloca a pessoa em um novo céu e
nova terra de compreensão e vida, e a louvar e dizer bem (bendizer) dessa
atitude divina em toda e qualquer situação do seu existir. A festa,
o canto, a celebração, a comemoração, a reunião
em família, os presentes, são apenas ecos dessa ação
em cada pessoa e, ao mesmo tempo, participação na alegria esfuziante
do divino de querer e saber doar-se. A essa alegria que é dom, vigor
e móvel de vida de Deus no humano é que se chama de entusiasmo.
E dia de ação de graças é dia de celebrar bem o
entusiasmo divino na vida de cada pessoa pelo que Deus, de forma discreta e
humildemente opera nele de maneira gratuita e generosa. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
23 Novembro 2011:
“A disciplina é a parte mais importante do êxito”
(Truman Streckfus Persons “Truman Capote”, escritor americano, 1924-1984).
No pleno uso de sua liberdade, o discípulo impõe a si mesmo uma
disciplina para escalar a mais alta montanha da compreensão de seu ser.
A palavra disciplina para muitos soa ruim aos ouvidos. Tem conotação
de castigo e imposição que encaixa tudo dentro de uma ordem. Aqui
no Brasil, a palavra disciplina tem tom indigesto, pois somos um país
tropical acostumado a tudo mais fácil. No entanto, é possível
detectar nela outra compreensão mais interessante para qualquer pessoa
ou grupo humano. Isso porque sem disciplina é quase impossível
fazer funcionar certas coisas. No trânsito, por exemplo, temos que observar
as regras para evitar o caos. Quem quer trabalhar ou estudar precisa acordar
cedo, tomar o transporte no horário certo se quiser realizar suas atividades
a tempo. O atleta tem que impor a si mesmo certa dose de exercícios e
treinos diários para fortalecer a musculatura, para superar certas dificuldades
e para alcançar êxitos cada vez maiores no esporte. É a
disciplina que faz a pessoa alcançar tais êxitos e a leva a ser
cada vez melhor naquilo que precisa conquistar. É, também, a disciplina
que a leva a realizar com maior concordância as tarefas de ordem familiar,
social, grupal, enfim, a tudo o que diz respeito às relações.
A disciplina exige o exercício da autonomia e da responsabilidade para
levar qualquer atividade ao seu êxito e quem evita fazer uso dela, enquanto
pode e deve, acaba tendo e vendo nela um rolo compressor que tira a liberdade
e torna tudo um peso. Por outro lado, é interessante observar que a palavra
disciplina tem a mesma raiz para a palavra discípulo, muito usada e apregoada
no vocabulário de muitas religiões. Isso porque o discípulo
no fundo (conforme entendido em algumas religiões) é alguém
que tem como característica fundamental o engajamento livre, ou seja,
ele é alguém que quer, que busca e que paga até com a própria
liberdade para aprender e conquistar o que constitui o projeto maior de seu
coração. Para isso, ele mesmo se impõe o trabalho autônomo
e responsável de correr atrás daquilo que o fará obter
êxito naquilo que o tocou e o motiva como causa maior de sua vida. Nesse
sentido, o discípulo é alguém de muita disposição
e vontade e que jamais pede para os outros ou ele mesmo ficar facilitando as
coisas. Apenas diz: “Qual é a missão, qual é a tarefa,
qual é o desafio”. E uma vez sabendo do que se trata, “mete
a cara” e vai fundo. Isso significa o seguinte, faça chuva ou faça
sol, quebre o dedo ou encontre resistências no caminho, ele segue com
tudo (com disciplina) rumo ao que interessa. Será que atrás de
uma postura e decisão assim é que está presente o eco daquela
convocação sempre antiga e sempre nova da Boa Nova que Jesus fazia
e faz às pessoas de todos os tempos, quando proclama: “Se alguém
quiser ser meu discípulo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”
(Mateus 16,24). Pode ser que longe, muito longe de ser um convite para se viver
do sofrimento, do negativismo e da automutilação, esteja aí
uma convocação maior para se experimentar o verdadeiro mistério
da liberdade e da realização humana. E isso, é claro, jamais
se experimenta sem disciplina e sem a atitude de “discípulo”.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
22 Novembro 2011:
“Melhor não fazer nada que fazer qualquer coisa”
(Francis-Marie Martinez Picabia, poeta e pintor francês, 1879-1953).
‘Tudo o que merece ser feito merece ser bem feito’. O homem é
o único ser que pode e deve fazer as coisas bem feitas. O que ele faz
mal feito ou de qualquer jeito, mais cedo ou mais tarde se volta contra ele
e contra todos. Isso vale para comer, cuidar da saúde, brincar, trabalhar,
descansar, estudar, lutar, odiar, amar etc. Não existe meio termo entre
o fazer e o não fazer alguma coisa. Ou se faz ou se deixa de fazer, esse
é o princípio básico do operar. Quando alguém acha
que pode fazer qualquer coisa, é porque no fundo pensa o qualquer coisa
como alguma coisa de menos importância ou de menor valor. Por exemplo,
no comércio é muito comum se querer vender qualquer coisa. E quando
alguém tem essa mentalidade é porque pretende “passar a
perna” nos outros no sentido de vender produto de qualidade inferior ou
de menor qualidade com preço de coisa boa. O resultado é que mais
cedo ou mais tarde ele afasta os clientes de seu comércio ou incentiva
outro a fazer a mesma coisa com ele, só que em outro nível, pois
desonestidade chama desonestidade. Nesse sentido, também, é melhor
não fazer nada que fazer de qualquer jeito, mal feito ou incompleto (meia
medida). Fazer algo na visão da meia medida é o mesmo que adotar
a companhia da preguiça, da má vontade e da imperfeição
para querer realizar as coisas. Ter a companhia dessas atitudes no trato com
as coisas é fazer ruir com o próprio caráter e colocar
em perigo tudo o que se toca ou se empreende. É mais sensato, então,
diante de tal escolha, deixar de fazer, pois se torna uma atitude de prudência,
espera, paciência, disciplina e de bom senso para preparar o momento de
uma boa ação, de tal forma que quando precisar fazer alguma coisa
o fará pra valer e bem feito. A isso se dá o nome de perfeição.
Só que perfeição nada tem a ver com o certinho, o impecável
e o sem defeito, mas com o fazer passo a passo, com insistência e perseverança,
com cuidado e atenção, vale dizer, de forma bem feita. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
21 Novembro 2011:
“Não há nada tão certo neste mundo como a
morte e os impostos” (Benjamin Franklin, cientista e estadista
americano, 1706-1790).
É direito de todo cidadão saber aonde é empregado o seu
imposto pelo estado. O termo “imposto” vem do latim “taxo”
(estimar) para traduzir a arrecadação do cidadão (ou empresas)
para o estado (ou equivalente), justificado por um fato gerador. O mais antigo
sistema de arrecadação de impostos conhecida é do antigo
Egito, há mais de três mil anos antes de Cristo. Na outra ponta
do imposto estão as despesas deste estado. Para manter o equilíbrio,
quanto mais despesas tem o estado, mais imposto pesa sobre a população.
Desta forma não existe milagre. Todo o benefício dado pelo estado
a pessoas ou entidades, bem como todo o gasto para manter este estado, alguém
está pagando sob a forma de imposto. Tudo o que fazemos ou adquirimos
tem o “vírus” do imposto camuflado. No Brasil, por estarem
camuflados, eles agem sem que a população tenha consciência
de sua existência e atuação. Geralmente, o grande peso dos
impostos recai sobre a classe média. As grandes corporações
e pessoas de destaque têm tratamento especial com políticas próprias;
os de baixa renda (se eles afinarem com as exigências do estado) serão
beneficiados com programas de ajuda solidária. Desta forma, o estado
só sobrevive com os impostos. O que vemos pelos meios de comunicação
é que muitos estados (principalmente na Europa) estão se quebrando
por terem desequilibrada esta balança, dando mais benefícios do
que arrecadam. Se a população deixar de fiscalizar a aplicação
correta dos recursos do estado, acontecerá como a fábula da galinha
dos ovos de ouro, na ânsia por querer mais acabam matando a galinha. (Reflexão
feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
18 Novembro 2011:
“Eles falam, mas não fazem” (Jesus
em Mateus 23, 3).
Nossa fala deve refletir nossa ação. Falar e fazer são
bem diferentes de fazer e falar. Com a fala podemos fazer o mesmo que a velha
mágica de tirar o coelho da cartola. É algo extraordinário,
admirável e encantador, porém, enganador. Só o mágico
sabe como isso se faz. Ele sabe que engana e ganha em cima disso. A fala nos
permite semelhante processo de ilusionismo. Com ela podemos encantar as pessoas,
prometer aos outros “mundos e fundos” (dito popular), hipnotizar
multidões com a arte da retórica e falsear nossos sentimentos,
pensamentos e desejos. A fala, expressa desse modo, tem pernas curtas e fôlego
de asmático; logo entra em crise, pois é desprovida de raiz e
sua sustentação é a mesma de uma casa construída
sobre a areia. De nada adianta uma fala sem o exercício do fazer, do
operar. Ela leva a lugar nenhum, à terra do nunca! Quem se fia na palavra
sem o esforço do fazer e do empenhar-se para ver algo realizado, costuma
dar de frente com o ‘nada’, com o fracasso e a desilusão,
a tal ponto que mais cedo ou mais tarde só enganará a si mesmo
com sua fala infrutífera. Por outro lado, os que fazem e falam se parecem
com escritores de livros que antes de começarem a escrita se põem
a pesquisar, a confrontar ideias e opiniões, a buscar fontes seguras
de informações, para só então falarem em forma de
convicção e escrita daquilo que fizeram ao modo de leitura, coleta
de dados etc. Tais pessoas quando precisam dar uma palestra, aulas, ministrar
um seminário ou repassar seu saber, o fazem com autoridade, com unção
nas palavras e brilhantismo de mente. Suas palavras soam verdadeiras e transformadoras
até aos ouvintes mais críticos e exigentes. Neles, o operar e
o falar são harmônicos e coerentes, jamais contraditórios
ou enganadores. Mas, como conquistar tal harmonia e coerência entre o
falar e o fazer? Lembrando sempre que toda fala é eco de nós mesmos,
seja ela enganosa ou não. Quando falamos expressamos o que somos, o que
pensamos, o que sentimos e o que queremos. Se o que fazemos está em contradição
com o que falamos ou se aquilo que falamos é de um jeito e a prática
é outra, é porque ainda não nos responsabilizamos o suficiente
pelo que falamos ou usamos a fala apenas para mentir aos outros o caráter
de nossa má vontade, de nossa auto-piedade e da nossa dependência
do incentivo e aplauso dos outros, bem como da nossa insegurança e falta
de decisão em querer pra valer o que pronunciamos publicamente. Por vezes,
nossa dependência e auto-piedade está tão intoxicada no
que se refere ao olhar de aprovação ou reprovação
dos amigos, conhecidos e familiares, que usamos a fala como um esconderijo da
verdade para ninguém tomar conhecimento das nossas reais intenções,
pois elas revelariam aos outros os nossos próprios medos e receios em
torno do que imobiliza a nossa ação em prol daquilo que desejamos
e queremos através da fala. Isso para nós soaria um alto risco.
Risco de sair ou de perder a dependência e o auxílio de todos os
que sentem piedade de nós e a quem estamos amarrados até o pescoço
pela dependência afetiva que faz tão bem ao nosso carente, mimado
e doentio ego. Para nos arrancar desse transe tóxico que nos coloca sempre
em maus lençóis entre o que falamos e fazemos, é mais inteligente
começar por nos livrar de nossas ilusões, dependências,
fingimentos e auto-piedade. Ao mesmo tempo, aceitar o risco de querer pra valer
o que se fala e deseja, pois na vida nada se realiza sem um desejo ou propósito
firme de fazer cumprir o que se quer. E querer no fundo significa buscar, ir
atrás, dar a si mesmo o empurrão de iniciativa e jamais abandonar
o que foi iniciado pela vontade firme e convicta, mesmo que isso nos custe o
“sangue”! Quem quer o seu querer e o querer do seu próprio
querer assim, com o tempo faz bem o que fala e fala bem o que faz, sem nenhuma
contradição entre os dois. (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
17 Novembro 2011:
“O tempo dura bastante para aqueles que sabem aproveitá-lo”
(Leonardo da Vinci, polímata italiano, 1452-1519).
Para quem põe amor em tudo que faz, o tempo sempre é suficiente.
Na mitologia grega, o tempo é visto por dois prismas, o Kairós
e o Cronos. Kairós é filho de Cronos, enquanto Kairós vive
a intensidade bem vivida do momento certo e oportuno, Cronos é implacável
em sua cadência medida pelo relógio, ou seja, Kairós qualifica
e Cronos quantifica. Mas eles são a ressonância de nosso modo de
viver o tempo. Exigem de nós empenho em cada segundo, sem preguiça,
para poder desfrutar sua plenitude em nossas realizações. Assim,
abraçando com carinho a rotina, descobriremos nela algo sempre novo que
se revela de modo diferente sem jamais repetir, pois renasce a cada instante.
É o amor e dedicação que temos em tudo que fazemos que
dão sentido ao nosso tempo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
16 Novembro 2011:
“Oxalá pudéssemos nós ter um grande peso
que nos fizesse inclinar sempre a cabeça” (Frei Egidio
de Assis, frade franciscano italiano, 1182-1262).
A posição da cabeça demonstra como está o espírito
naquele momento. Em países orientais como o Japão, inclinar a
cabeça é sinal de reverência; em corrida de automóvel
parece ajudar a fazer a curva; Jesus quando morreu inclinou a cabeça.
O homem de cabeça erguida nem sempre é aquele que sai esperançoso
(e confiante) de uma dificuldade com o desejo firme de “dar a volta por
cima”. Em muitos casos, ter a cabeça erguida pode ser sinal de
prepotência, orgulho, vanglória, auto-afirmação,
auto-suficiência e desejo de superioridade. Quem cultiva tal postura tem
enorme dificuldade com tudo o que soa como humilde, simples, discreto, real
e com aquilo que se costuma denominar de o “chão da vida”.
Nesse sentido, todos os perigos e grandes quedas que aconteceram aos homens
deste mundo se deram pela elevação da cabeça, e todos os
bens e graças que chegaram a ele nesse mundo, aconteceram pela inclinação
da cabeça. Ao homem de cabeça elevada, nesse sentido, se chama
de orgulhoso; e, ao de cabeça inclinada, humilde. Daí, então,
a necessidade constante do homem ter sempre um peso que o faça inclinar
a cabeça. Mas, quais pesos podem ser esses que obrigam o homem a inclinar
a cabeça para estar no “chão da vida”, a ser humilde
e a podar qualquer tendência que o leve a ser orgulhoso prepotente e avoado
(como aquele que não tem os pés na terra)? Pode ser uma dificuldade,
uma doença e até mesmo uma fraqueza ou culpa moral, pois são
esses pesos que o conduzem a se ver sem máscaras, a ser mais real consigo
mesmo, mais finito e a se sentir convocado a crescer na sua identidade maior.
Às vezes são as fraquezas e os defeitos morais da pessoa que a
acordam para ela se ver como realmente é. Isso é diferente de
desculpar-se e querer camuflar debaixo de uma falsa humildade os defeitos morais
que possui. Ver-se tal como se é, é um modo cordial e sincero
de amar a própria “finitude” (limitação) e
recordar-se sempre de sua condição. Eis o que limpa a pessoa de
qualquer atitude de orgulho ou elevação da cabeça. Quem
tem a cabeça inclinada para o chão percebe a terra e caminha sobre
ela como Homem. Perceber a terra é saber-se “húmus”
(daí a palavra, humildade, humano). “Humus”; é a experiência
e a recordação contínua ao homem de que ele veio “da
terra e para ela retorna”. É a memória sempre antiga e sempre
nova de que terra (o humano) é o lugar da “podridão”(matéria
orgânica em decomposição rica em nutrientes); do que é
baixo e vil, ou seja, no sentido de que tudo o que ajuda na fecundidade, no
sustento e no aparecimento da vida, vem do cuidado com o “húmus”.
Somente se mantendo no próprio “húmus” e no guardar
a terra que é ele mesmo é que o homem aprende a cuidar bem de
si e de todas as coisas. Ao mesmo tempo, apoiado e sustentado pelo “húmus”,
ele atrai sobre si todas as virtudes e bênçãos da terra
que afugentam toda e qualquer atitude de orgulho, arrogância e prepotência
que levam à divisão e oposição entre o céu
e a terra e aos homens entre si. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
11 Novembro 2011:
“Todo mundo sabe de onde vim. Tenho orgulho de ter sido coletor,
sempre vou dizer isso. Hoje os coletores ganharam ouro” (Atleta
brasileiro Solonei Rocha da Silva, coletor de lixo, natural de Penápolis,
no interior de São Paulo, ganhador de medalha de ouro em atletismo no
México, 29 anos).
Moldamos nosso futuro quando tomamos decisões. Há na vida os que
decidem e os acomodados à espera que outros digam o que devem fazer.
Esta diferença se mostra desde o acordar; enquanto uns já saltam
da cama para começar o novo dia, outros esperam serem acordados (várias
vezes) para lentamente dar início à sua jornada matinal. Estes
esperam que tudo venha pronto até suas mãos, pois são incapazes
de tomarem iniciativa. O filme “A Vida de Insetos” mostra uma fila
de formigas carregando mantimentos, e quando surge um obstáculo, logo
se perturbam à espera que alguém decida o que devem fazer. Assim
agem os acomodados. Mas, o coletor de lixo Solonei não ficou esperando
que alguém reconhecesse o seu trabalho e lhe desse uma promoção;
foi além, aproveitou o seu talento e aplicou no atletismo e com isso
ganhou reconhecimento internacional. Seu exemplo nos mostra que, se queremos
que algo aconteça de bom para nós, temos que tomar a iniciativa,
usar os nossos talentos e provar nossa capacidade. Só assim as coisas
acontecem. Existe um antigo provérbio que mostra bem isso, “com
os acomodados o demônio nem se preocupa”. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
10 Novembro 2011:
“Quem comprar o que não precisa, venderá o que precisa”
(Provérbio árabe).
Como a espiga de milho presa em uma vara atrai o animal a ponto de o conduzirmos
para onde quisermos; assim o consumismo nos atrai ao doce prazer do ter, até
extrair nosso último centavo. Às vezes, temos a impressão
de que o mundo do consumo, enquanto consumismo, consome-nos. Consumimos de tudo
e quase tudo que esteja ao nosso alcance. Quando está fora de nosso alcance,
nós o consumimos em desejo. Existe uma diferença bem grande entre
o consumir o que se precisa para a sobrevivência e o viver sob o poder
e a sedução do consumo. Viver sob poder e sedução
do consumo é alimentar um apetite exagerado, quase insaciável
e doentio pelos bens do consumo. Aliás, uma das facetas do consumo, quer
queira ou não, é despertar em nós o prazer, a cobiça,
a ambição, a rivalidade e a concorrência. E para ter prazer,
cobiçar e rivalizar com os outros não se mede sacrifícios.
Compra-se até o que é desnecessário. O desnecessário,
por sua vez, cria a cultura da inutilidade e da superficialidade. Inutilidade
no uso das coisas e superficialidade nos relacionamentos. Investindo na compra
inútil (do que não precisa) e no relacionamento superficial com
as pessoas, aos poucos nos vemos gastando inutilmente o que é útil
e essencial como saúde, tempo, bens necessários, relações
importantes e a própria vida. O fato de investir no consumo e no mundo
do consumo nem sempre é o problema, pois o que o consumo nos coloca à
disposição traz benefícios em certos aspectos da vida.
O problema maior começa, e dificilmente termina, quando ele nos força
a ficar debaixo de sua sedução e obrigação, criando
dependência, modismo e inversão de nossos valores mais profundos.
E o que é mais danoso ainda, quando o consumo em forma de consumismo,
com suas leis e propagandas, passam então a ser nossas ideias, nosso
comportamento e nossa maneira de ser. Portanto, antes que o consumo em forma
de consumismo nos faça vender desnecessariamente nossos valores, nossa
saúde mental, nossa personalidade e até nossa dignidade, nos apressemos
em sermos sóbrios e inteligentes no uso das coisas e verdadeiros e profundos
nos relacionamentos com as pessoas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
9 Novembro 2011:
“Nenhum mal que os outros me fazem me faz mal, porque não
me torna mau - somente o mal que eu faço aos outros me faz mal porque
me torna mau” (Huberto Rohden, filósofo, educador e teólogo
catarinense, 1893-1981).
O “timão” de nossa personalidade está em nossas
mãos. Por vivermos em sociedade, somos constantemente influenciados e
influenciáveis. Muitos de nossos atos, tidos como bons ou maus, estão
no jogo de nossas relações com aqueles com quem convivemos. E
embora não seja uma regra, mas é comum termos a tendência
de realizar atos bons ou maus em resposta ao que sofremos da parte dos outros.
Nesse tipo de compreensão, retribuir o mal com mal e o bem com o bem
é praticamente normal quando se trata de relacionamentos. Nem precisa
esforço! No entanto, quando alguém me faz o mal, só me
torno “mau” se houver permissão de minha parte. Por exemplo,
se um indivíduo pisa em meu pé por desatenção dentro
do ônibus, a desatenção é problema dele. O mal que
ele me fez foi o fato de provocar uma dor terrível em meu pé,
ainda mais se eu estiver descalço ou com um calçado sem muita
proteção. Isso mexe com nossa sensibilidade e até pode
ser fonte de discussão, briga e até morte. Porém, se eu
ficar irritado, começar a brigar e a bater naquele que me pisou a ponto
de humilhá-lo e até ameaçá-lo de morte, aí,
então, já é problema meu. É sinal que faltou cuidado
da minha parte e permiti que o mal se apoderasse de mim e me tornasse naquele
momento “mau”. Na medida em que o mal toma conta de mim, levando-me
a ser mau em minha personalidade, nesse ponto passo a me sentir mal, porque
minha consciência implicitamente começa a dizer que o ser mau “não
pertence” à minha essência de homem ou mulher. Isso significa,
mesmo em certas situações que eu faça “o mal que
não quero”, está sob o meu poder decidir se permito (ou
não) a entrada do mal que os outros me fazem para me tornar “mau”.
O importante mesmo é em toda e qualquer situação adversa
a mim, agir como alguém de bem, pois a pessoa desconhece o bem que faz
quando faz o bem. E esse bem que ela faz ou acolhe em seu ser, tem sobre ela
o mesmo poder de domínio e influencia que tem o mal no que se refere
ao convívio social. Portanto, cabe a ela decidir para qual medida de
poder e influência quer se deixar mover. (Reflexão feita por Jose
Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
8 Novembro 2011
“Toda a dor é grande para um coração pequeno”
(Jacinto Benavente y Martínez, dramaturgo espanhol, 1866-1954).
Nosso “coração” reflete nossos sentimentos. Coração
em si é um órgão que bombeia o sangue para todo o nosso
corpo. De nosso peito sentimos sua pulsação e quando estamos agitados
percebemos seus batimentos acelerarem. Talvez, por isso o coração
esteja associado aos nossos sentimentos e emoções. Quando vemos
a conquista dos atletas nas olimpíadas, suas medalhas, seus recordes,
muitas vezes nem nos damos conta de toda a história de superação
que antecedeu a estas conquistas. Tiveram que fortalecer seus “corações”
para vencer a dor, os fracassos, a falta de incentivo, as dificuldades que todos
os dias apareciam de forma diferente. Com isso, seus “corações”
cresceram de tal forma que as dores se transformaram em desafios a serem superados.
Eles de certa forma nos ensinam a trabalhar com nossas dificuldades para também
fortalecermos os nossos “corações” frente os desafios
que temos todos os dias. Quem tem um coração pequeno logo desanima
diante das primeiras dificuldades, e se tem que enfrentar uma pequena dor, que
para os outros seria insignificante, para esta pessoa é enorme e intransponível.
Um “grande coração” é fruto de um esforço
pessoal de superação. Esta superação começa
nas pequenas coisas enfrentadas com espírito “olímpico”
(nobre, majestoso, com disposição e alegria). (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
7 Novembro 2011
“O homem que tem medo sem haver perigo, inventa o perigo para
justificar seu medo” (Émile Auguste Chartier, “Alain”,
filósofo e ensaísta francês, 1868-1951).
O covarde cria “inimigo” por causa de seu medo. A partir
do receio de algo (estímulo físico ou psicológico), nosso
instinto alerta com o estado de ansiedade que pode levar ao medo quando se sente
incapaz de enfrentar o inesperado. Quando este estado é constante pode
levar à fobia. Antes da popularização da iluminação
elétrica, principalmente no interior, o medo criou vários mitos,
como “a mula sem cabeça”, “bicho papão”
etc. Nossos medos hoje são outros. A insegurança levou ao medo
de sequestro, assalto, roubo, acidente etc. Em função deste quadro,
as pessoas vivem mais em alerta; antes de se mostrar amigável, a pessoa
demonstra certo temor antes de se aproximar de quem ainda desconhece. Mas, a
vida moderna trouxe outros medos, como o de doenças e epidemias, falta
de exercícios, má alimentação, obesidade, insegurança
diante da falta de experiência em uma nova função, de ser
rejeitado pelo grupo etc. Com medo de enfrentar certas situações,
a pessoa cria “doenças” (ou necessidade de certos cuidados)
e assim inspira o sentimento de pena e com isso se mantém no cenário
inventado por ela como protagonista. Este estado gera a necessidade de se manter
como “coitadinho(a)” e quando tudo está prestes a vir a baixo
(desmascarado(a), foge para outro grupo e cria novo cenário. Este medo
faz com que viva fugindo. Se diante do primeiro problema tivesse enfrentado
e vencido o seu medo, tudo isso seria evitado. Viver alegre e de bem com a vida
afasta todos os medos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
4 Novembro 2011:
“O político se transforma em estadista quando começa
a pensar nas próximas gerações e não nas próximas
eleições” (Winston Churchill, político britânico,
1874-1965).
Enquanto a política for um negócio altamente lucrativo,
dificilmente encontraremos estadistas. A Grécia Antiga era organizada
em cidade-estado, chamada “polis”, termo que originou a denominação
de “político” ao cidadão preocupado com a sociedade,
comunidade, coletividade. O livro de Platão cuja tradução
tem o nome “A República”, seu título original era
“Politéia”. Para Aristóteles, o “estadista”
era o político que, além de versado na arte de governar, estivesse
preocupado com as virtudes e o caráter moral do povo. Assim, para um
estadista, a formação da juventude deveria ser uma de suas prioridades,
pois é dela que nascem os futuros líderes. Este trabalho é
longo, pois começa na família, vivendo com dignidade, tendo condições
de alimentar e educar seus filhos, passa pelo envolvimento dos jovens nos esportes
e na busca de soluções para sua comunidade e termina assim formando
cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. Político que só
pensa em alianças para as próximas eleições, em
troca de favores para garantir votos, é indigno deste nome. Uma linha
de pesca embaraçada em muitos nós só é desvencilhada
com muita paciência e com uma atitude firme do pescador de continuar até
terminar; assim é a política; só com muita paciência
e uma atitude constante contra a corrupção e contra os maus políticos
que formaremos políticos comprometidos com as futuras gerações
e com a sociedade atual. Se sonharmos com isso amanhã deveremos começar
a mudar hoje. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
3 Novembro 2011:
“Não sei ao certo como é o paraíso, mas sei
que quando morrermos e chegar o tempo de Deus nos julgar, Ele não perguntará
quantas coisas boas você fez em sua vida, antes Ele perguntará
quanto amor você colocou naquilo que fez”. (Agnes Gonxha
Bojaxhiu, “Madre Tereza de Calcutá”, missionária católica
de origem albanesa, 1910-1997).
O amor é a chave do paraíso. Todos os dias fazemos uma
série de coisas, desde o acordar, tomar banho, fazer a higiene pessoal,
tomar café etc. Muitas delas fazemos sem nos darmos conta, como se fossem
automáticas. Mas, é nestas pequenas coisas que quase não
damos importância que devemos começar a exercitar nosso amor. O
acordar será diferente se em vez de reclamar tiver um agradecimento por
mais uma noite. A quantos falta água para uma higiene ou mesmo local?
Agradeça por isso também e peça por eles. Em seu deslocamento
até suas atividades diárias quanto sorriso você distribui,
quando você agradece? Em tudo isso pode conter um gesto de amor de sua
parte. Seus colegas de serviço e as pessoas que você encontra são
presentes para serem amados como o são os seus familiares. Cada gesto,
cada atitude ou palavra dita, com amor, elas tem efeito diferente em quem ouve.
Sua força está em fazer com amor cada uma das pequenas coisas
de sua vida, pois as grandes serão consequência. O mundo está
como está, pois está carente de amor verdadeiro. Em vez de julgar
os outros, tome uma atitude radical de semear amor, que muitos te seguirão.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
1 Novembro 2011:
“Felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o
Espírito, que descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem”
(Apocalipse 14, 13).
Quem vive para cultivar o bem, também descansa em seus frutos.
É difícil precisar quando começou o costume de orar pelos
que já partiram desta vida. Os registros mais antigos apontam para os
povos celtas, no terceiro século antes de Cristo. No fim do ano celta
(fim de outubro, começo de novembro) que coincidia com o fim da colheita,
costumavam festejar com luminárias de várias formas (inclusive
feitas de abóboras), pois nestes dias eles acreditavam que os que já
morreram vinham visitar os vivos. Era um período para pedir perdão
de alguma mágoa que ficou para terem um bom início de ano e enfrentar
com mais disposição o inverno rigoroso que se aproximava. Com
o tempo este costume se espalhou pela Europa e chegou até nós.
Indígenas do México também comemoravam seus mortos no dia
2 de novembro. Mas, esta data foi fixada oficialmente como dia de finados somente
no século XIII. Para os cristãos a esperança de uma vida
após a morte está em Cristo que ressuscitou. Esta certeza dada
pela fé anima a vencer as dificuldades da vida. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
31 Outubro 2011:
“As multidões sucumbem mais facilmente a uma grande mentira
que a uma pequena” (Adolf Hitler, político austríaco
fundador do nazismo, 1889-1945).
As mentiras mais cruéis se escondem atrás de belas afirmações.
A palavra sucumbir traduz a ideia de se abater, se curvar, se entregar. Assim,
segundo o autor, é necessária uma grande mentira para se controlar
mais facilmente a população. Isto se deve ao fato que dificilmente
alguém vai querer desvendar os elementos apresentados para chegar à
verdade e desta forma a mentira prevalece. Esta técnica de controle de
massa levou à segunda guerra mundial. Ambos os lados do conflito bélico
usam do artifício da mentira para controlar a opinião pública.
A guerra terminou, mas esta técnica de empregar a mentira permanece.
Desta forma, temos a obrigação de buscar a verdade antes de acreditar
cegamente em estatísticas, grandes afirmações, acusações,
elogios etc. Sempre devemos desconfiar de quem será beneficiado com isso.
Assim, desconfie de elogios, de soluções fáceis, de grandes
prêmios, de muitas facilidades, pois sempre se encontram armadilhas nos
lugares mais atrativos. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom
trabalho! Bom dia! (15 anos)
28 Outubro 2011:
“Uma consciência culpada não necessita de nenhum
acusador” (Provérbio inglês).
Pode-se segurar uma “máscara” por muito tempo, mas
com o tempo, ela cai e revela o que estava oculto. Dois psicólogos do
século passado, Freud e Jung, deram uma enorme contribuição
à Ciência da psique humana (psicologia), sobretudo no que se refere
a realidades que se costumou chamar de consciente e inconsciente. Em seus estudos
existem, descobertas e afirmações bem simples como a de que o
consciente ou a consciência é só uma pontinha (tipo de um
“iceberg”) de outra realidade bem mais complexa e profunda da nossa
mente que é o inconsciente. Em geral, se acha que a consciência
é tudo do que se sabe e compreende. Por isso, são muitos os que
só se ligam ou só dão atenção a ela. No entanto,
a maior parte do que se tem como consciência, é apenas reflexo
e elaboração do inconsciente. Dizer, por exemplo, que “minha
consciência não me acusa de nada” quando na verdade se fez
muita “besteira”, pode soar bastante ingênuo, pois tudo o
que se faz ou se experimenta no nível consciente acaba sendo captado
e registrado pelo inconsciente. E o inconsciente na hora certa se encarrega
de “denunciar” o que se pretendia esconder. Às vezes, isso
ocorre pelos sonhos, outras vezes pelos ditos ‘atos falhos’ e, como
é muito comum, pelas expressões corporais da pessoa. O corpo obedece
em muito ao que o inconsciente diz. Embora se tente esconder uma culpa a nível
consciente, acreditando estar sem nenhum acusador para certos erros que se comete
(ou cometeu); o corpo, naturalmente, obedecendo aos rogos do inconsciente, e
começará a “trair” a pessoa pelo jeito de falar, de
olhar, de respirar e se gesticular. Mais ainda, têm início um jogo
de duplicidade que até quem jamais estudou psicologia perceberá.
No cotidiano o inconsciente trabalha nas ações e reações
da pessoa. Ele procura de forma educativa incomodar a consciência da pessoa,
quer ela queira ou negue, falando por seu comportamento e gestos para levá-la
a assumir seu erro, trazê-la à consciência de seus embaraços
é libertá-la daquilo que constitui um peso e um estorvo em sua
vida. Quando se reprime por muito tempo algo, o corpo “somatiza”
(do grego soma = corpo + ação), ou seja, aparecem males sem muita
explicação. O inconsciente nesse caso não é um acusador
frio, insensível e impiedoso da consciência, mas um amigo e companheiro
que quer ajudar a quem quebrou sua harmonia interior a se reintegrar com sua
psique para reencontrar a paz. Somos chamados a estabelecer esta harmonia e
paz com todo o universo a começar por nós mesmos. Essa é
a razão pela qual uma consciência culpada não precisa de
um acusador exterior a ela, pois ela já tem quem a acuse “dentro”
de si. Para evitar viver com sentimento de culpa ou com a falsa ilusão
de que nenhuma culpa o acusa, é importante ficar mais atento às
próprias atitudes. Quantas vezes elas estragam os convívios familiares
e sociais, pois embora se finja tocar adiante a vida como se nada tivesse acontecido,
quando algo de ruim aconteceu por culpa própria, mais cedo ou mais tarde
o acusador de cada um (o seu inconsciente) virá à tona. E nesse
ponto é bom que cada um seja seu próprio juiz e seu próprio
acusador. E quem faz isso com seriedade no tribunal da sua consciência,
tem mais chance de libertação e recriação das próprias
atitudes frente a si mesmo e aos demais. (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
27 Outubro 2011:
“A melhor saúde é não sentirmos a nossa saúde”
(Pierre-Jules Renard, escritor francês, 1864-1910).
Em dia de calmaria, nem imaginamos os perigos das tempestades. Saúde
e educação viraram investimento financeiro de muitos políticos
e profissionais dessas respectivas áreas. Salvo alguns esforçados
e dedicados heróis que atuam nesses dois campos importantíssimos
da sociedade com generosidade e senso de profissionalismo, o que se constata
é a corrida frenética e alucinada de uma maioria de “profissionais”
que tentam a todo custo lucrar em cima da doença e da ignorância
do povo. Lá onde o lucro nos hospitais e nas escolas é insignificante,
médicos estão se retirando com seus diplomas e os juramentos que
eles fizeram um dia, e políticos estão fazendo vista grossa para
essas realidades. Há que se ter em conta que os profissionais da saúde
e da educação precisam ser bem remunerados para atuarem bem em
suas profissões. Isso é indiscutível! Mas, abandonar o
barco e deixar o povo se afogar no seu sofrimento quando mais precisam do testemunho
e da presença deles, é um atentado criminoso contra a vida e a
sanidade mental de um povo. Fazer do dinheiro, mais ainda, da ambição
pelo lucro, a prioridade de uma profissão, é inverter e manchar
os valores mais elementares de qualquer grupo humano e da própria profissão.
Desviar recursos, manipular informações, vender influência,
superfaturar, criar legislação para beneficiar grupos econômicos,
deveriam ser considerados crimes hediondos (que merecem maior reprovação
por parte de estado). Isso no futuro se volta contra tudo e contra todos. Estão
aí os desajustes e desequilíbrios sociais comprovados pelos fatos.
A responsabilidade primária de qualquer profissional, seja em que área
for, é honrar seu nome, seu diploma, seus anos de formação,
sua profissão com tudo o que ela exige e vier a exigir. Deve, também,
honrar todos aqueles que confiaram no seu juramento e esperam e acreditam que
ele cumpra com os seus deveres. Médicos, profissionais da saúde,
professores e profissionais de escolas, bem como políticos que possuem
o compromisso de criar, promoverem e desenvolverem benfeitorias na saúde
e educação, eles são em última análise, servidores
do povo nesses respectivos setores. Estimular, cuidar e defender a saúde
física e mental da população deve ser um exercício
contínuo e uma responsabilidade óbvia desses profissionais. Tão
óbvia que a saúde e a educação deveriam ser como
o ar que se respira, no sentido de que todos usufruíssem dela normalmente.
Com tanta simplicidade e naturalidade que as pessoas nem se dessem conta dela,
que nem sentissem a própria saúde. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
26 Outubro 2011:
“O homem grande é aquele que em meio à multidão
mantém, com perfeita doçura, a independência da solidão”
(Ralph Waldo Emerson, ensaísta, conferencista e poeta americano, 1803-1882).
O homem pode estar só no meio da multidão. Por causa de nossa
divisão mental e histórica a respeito do que seja multidão
e solidão ou, como é mais comum se dizer, entre público
e privado, costumamos colocar em oposição e em guerra essas duas
realidades. Isso está fortemente presente até no estilo de personalidade
que alguns adotam ao longo da vida. Há aqueles que preferem o público
e o entendem enquanto estar sempre em meio às pessoas, na agitação,
no social. E para isso desenvolvem uma personalidade mais desinibida, mais social
e sociável. Ao mesmo tempo, entendem que a solidão é um
mal do qual devem sempre cortar caminho ou evitar. Em contrapartida, entendem
que a solidão gera homens solitários e pessoas introvertidas,
anti-sociais, intimistas e subjetivas. Para quem tem essa mente, quando são
colocados forçadamente em situações de solidão,
a vida se apresenta para eles como um verdadeiro fantasma, um dilema e uma tortura.
Se sentem doentes, tensos, desesperados e um peixe fora d’água.
Já os que prezam a solidão em oposição a público
e social, temem qualquer contato que os tire de sua tranquilidade solitária.
O Social, o público, o agito, o barulho, o encontro, a festa e outras
situações que tenham cunho de multidão e de rumor, constituem
uma ameaça a ser evitada a qualquer preço. Para esses, o tumulto,
a presença de outros é sempre um incômodo. No entanto, o
Homem grande é o que sabe que público e privado é uma divisão
criada por quem rompeu com sua interioridade e com a visão mais profunda
da vida no que toca às relações. O homem verdadeiramente
solitário é aquele que sabe estar só entre a multidão
e ser profundamente comunitário com ela. E o Homem público é
o que aprendeu de sua existência solitária. No caso de estar só
entre a multidão é saber-se único e jamais deixar-se massificar.
É ser autônomo no modo de ser, sentir, pensar e agir. É
saber que em meio aos demais não se é apenas mais um, mas se é
um com os demais sem confundir-se com nenhum deles. Quem é assim, entende-se
como parte no sentido de participante e nunca como pedaço ou somatória
de um todo. Há homens solitários que “trabalham” tão
bem sua solidão na solidão, no sentido de saber estar a “sós”
consigo mesmo, que é o mais social e sociável dos homens com sua
presença, ideias e contribuição. E existe pessoa que aprecia
tanto a multidão, que está sempre bem no meio dela e que é
uma grande referência para ela, só porque sabe estar só
consigo mesmo. Entende-se como único e como aquele que jamais se divide
ou divide os demais. Procurar viver indiviso “consigo mesmo” é
a melhor forma de evitar quebrar a unidade com os outros indivíduos e
o com o que se entende por social e público. O que se chama muitas vezes
de público, social, comunitário tem na sua origem esse cultivo
da própria individualidade e o respeito e amor pela individualidade do
outro. Quando se faz isso o indivíduo se torna o mais comunitário
e social dos Homens. Torna-se, em outras palavras, verdadeiro homem (ou mulher)
público. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
25 Outubro 2011:
“Como te vejo, já me vi. Como me vês, te verás”
(Inscrição sob uma caveira na Plaza de la Quintana, em Santiago
de Compostela, Espanha). Pode-se servir diretamente ao Grande Rei, por
que estar a serviço de vassalos? No início da quaresma (quarenta
dias que antecedem os preparativos para a Páscoa cristã), os fiéis
recebem cinzas com o sinal da cruz em suas cabeças e ouvem as seguintes
palavras: “Lembra-te que és pó e ao pó retornarás”.
É uma alusão ao Livro do Gênesis que narra Deus fazendo
o homem do barro (pó + água) da terra (Gn 2, 7) e a condição
que ficam todos os homens após a morte, onde retornam ao pó com
o passar do tempo. Assim, os fiéis se preparam para a semana santa, com
a lembrança que tudo nesta vida passa, e que Cristo venceu a morte. Penso
que esta antiquíssima caveira de bronze em Santiago de Compostela, que
parece estar mirando a pessoa, tem finalidade semelhante, ou seja, lembrar ao
transeunte que a vida é passageira, tudo terá um fim, a caveira
um dia foi gente, e outro dia o visitante será uma caveira, e o que permanece
é o bem que foi feito. Desta forma, mais que turismo ele faça
suas orações ao Deus único que nem mesmo a morte pode destruir.
Ela também convida a repensarmos no que é mais importante em minha
vida? Com que dedico a maior parte do meu precioso tempo, ou seja, gasto com
o que é passageiro ou com o que é eterno? (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
24 Outubro 2011:
“O objetivo da educação é formar seres aptos
a governarem a si mesmos e não para serem governados pelos demais”
(Herbert Spencer, escritor britânico, 1820-1903).
A educação forma o homem para a liberdade. Quem é
governado é serviçal de quem o governa; assim eram os escravos
com seus donos. Com o tempo, outras relações de subserviências
começaram a existir. Em algumas sociedades, as mulheres eram “serviçais”
para seus maridos. Falsos líderes usaram as forças da natureza
para enganarem seus súditos como sendo semideuses. Nos tempos modernos,
a força do dinheiro compra a lealdade, a moral e o silêncio de
seus “empregados”. Governos tentam fazer da educação
uma fonte de controle para garantir a lealdade em todos os seus súditos.
Mas, a educação é justamente o contrário de tudo
isso. A educação ensina a pessoa a andar sozinha, sem “muletas”
ou guias, buscando em seu interior a força para continuar em momentos
difíceis. Ela rompe as barreiras da escravidão pela força
do pensar. Ela abre novos horizontes. Assim, quando o modelo educativo tenta
guiar pelos caminhos de uma “ideologia” (de uma maneira única
de pensar) ele está longe do verdadeiro sentido de educação.
A educação “abre a mente” e permite ao indivíduo
identificar o que está além das palavras de belos discursos e
entender a intenção de quem fala. Por isso, quem pensa, incomoda.
Deus fez homem livre e lhe deu a capacidade de pensar, pois respeita a liberdade
do homem. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom
dia! (15 anos)
21 Outubro 2011:
“Felicidade é quando o que você pensa o que você
diz e o que você faz está em harmonia” (Mahatma
Gandhi, advogado, político e pensador hindu, 1869-1948).
Saúde, paz e felicidade são frutos da harmonia. Para os
gregos, as articulações entre ordem e caos geravam a unidade do
cosmos, sendo a fonte da harmonia. A música se destaca pela harmonia.
Ela está presente em tudo o que é belo. Nela há força
de unidade. Todo o universo é harmônico. Todo nosso ser deveria
ser harmônico, desde nossa respiração até o nosso
repouso. Quando quebramos esta harmonia, abrimos as portas para o desequilíbrio,
para as doenças, e o nosso ser definha. Ser harmônico nos dias
atuais é mais difícil, pois as mentiras estão presentes
em todas as partes, a desonestidade é tida como esperteza, o espírito
de grupo dos corruptos anula o senso de justiça, a força do poder
econômico gera leis favoráveis a seus interesses. Dificilmente
quem vive assim será feliz. Se as pessoas pensarem mais no que é
mais importante para sua vida, que vantagens imediatas com o tempo podem ser
até prejudiciais, que quanto mais harmônicos formos, mais encontraremos
ressonância em todo o cosmo, muitas doenças desapareceriam e haveria
mais alegria nos semblantes. Como dizia São Francisco, todo o universo
foi criado por Deus, logo somos todos irmãos, e quanto mais eu me esforçar
para amar cada uma destas criaturas (animadas ou inanimadas), mais eu me aproximo
da fonte do amor que é o próprio Deus. Saberemos então
o que é felicidade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom
trabalho! Bom dia! (15 anos)
20 Outubro 2011:
“É preferível ser dono de uma moeda a escravo de
duas” (Provérbio grego).
É do interior do homem que nascem as ambições que
o escravizam. Na luta diária pela sobrevivência e, também,
em alguns casos, pela “supervivência” (no sentido de se buscar
mais do que o necessário para a vida), existe para a pessoa o sério
risco da escravidão. Nessa luta e corrida é costume buscar “uma”
moeda, mas fica-se aprisionado a “duas”. Por moeda aqui se entenda
algo muito além do dinheiro em forma de papel e metal, de cartão
de crédito, cheque etc, mas o que ele simboliza e representa quando querido
e procurado na sua forma decadente, como poder corrosivo, como ambição
doentia e delírio de projeção social. Para quem entra nesta
“aventura” não existe limite nem de posses, nem de satisfação.
Quer-se sempre mais. No desejo do sempre mais, o que se encontra é a
insatisfação e a sensação de vazio, pois nada consegue
preencher a ganância de um “insaciável” (insatisfeito).
E o fruto que se colhe dessa insatisfação é a escravidão.
Escravidão do tempo, dos sentidos, das emoções, da inteligência,
das forças, dos sonhos, da saúde do corpo e da alma. Fica-se amarrado
a uma correria stressante e neurótica rumo ao “mais e mais”
que está lá no amanhã e no depois. Esquece-se do presente
ou se usa o presente apenas como instrumento de manipulação para
os planos futuros. Quem vive assim é “avoado” como se tivesse
os pés fora do chão (da realidade). Possui uma vida distante do
aqui e agora. Está sempre ocupado e preocupado somente com tarefas e
responsabilidades ligadas ao monetário, de tal forma que quando precisa
se ocupar com qualquer coisa diferente do “lucro” imediato para
seus projetos ambiciosos, se vê irritado ou angustiado. Pensa-se que está
perdendo tempo, pois tempo nesse caso, é dinheiro! Coisas como estar
com a família, cuidar dos filhos, tempo para estar junto com quem se
ama ou estar com amigos, são experimentadas como um fardo e uma provocação
que vai contra a sensibilidade de quem elegeu a moeda e suas variantes como
o fundamental da vida. Buscar uma moeda ou ser escravo de duas? Se buscar uma
moeda é acomodar-se e paralisar os esforços de luta pela sobrevivência
própria e da família, isso se torna comodismo. E se buscar duas
moedas for uma maratona para querer ter sempre mais e esquecer-se do que é
fundamental na vida e nos relacionamentos, isso se transforma em escravidão.
Em tais circunstâncias buscar uma, duas ou mais moedas não é
o mais importante. O melhor mesmo é antes de fazer a corrida por uma,
duas ou mais moedas, perguntar-se sempre de novo pelo que move o sentido da
própria vida. Da resposta a essa pergunta é que dependerá
a liberdade ou escravidão no modo de viver e conduzir a existência,
pois o móvel é aquilo que impulsiona, influencia e conduz a todo
instante toda a maneira de pensar, sentir e agir das pessoas. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
19 Outubro 2011:
“Sem piedade a justiça se torna crueldade. E a piedade
sem justiça, é debilidade” (Pietro Antonio Domenico
Bonaventura Trapassi, “Pietro Metastasio”, poeta e escritor italiano,
1698-1782).
Justiça e piedade têm alinhamento vertical e horizontal como em
uma cruz. A palavra “piedade”, tanto significa compaixão,
pena, comiseração, como uma virtude que leva o homem a render
a Deus a honra que lhe é devida. Em seu desdobramento significa respeito
às coisas sagradas e amor respeitoso a seus genitores. Sendo assim, “piedade”
é uma espécie de devoção ou engajamento religioso
onde a pessoa se esforça por ter muito tato e sensibilidade para se relacionar
com Deus, com as coisas que se referem a Ele e, também, à pessoa
humana. No fundo, é um modo todo responsável, afetuoso e reverente
de tratar o divino, o humano e tudo o que envolve essas duas realidades. Por
outro lado, quem pensa ou busca a piedade como se fosse algo frágil e
doce (tipo “melosidade” ou “adocicação”
da alma) para ter “gozo” pessoal, está muito longe da verdadeira
compreensão do homem piedoso. A justiça, por sua vez, é
a “irmã gêmea” da piedade, pois é ela quem orienta
o homem piedoso a responder e a corresponder com afeição, devoção
e dedicação ao toque de amor que o inclina a Deus e ao próximo.
É por isso que Deus, nesse sentido, é piedoso, e é essa
a razão porque na liturgia cristã se faz questão de fazer
de pé a seguinte proclamação: “Senhor, tende piedade
de nós”. Essa proclamação está longe de ser
um pedido para que Deus tenha dó dos homens, como se eles fossem infelizes
e carentes, mas é um anúncio alegre e jovial de que o Deus cristão
é afetuoso, amável, cuidadoso e dedicado para com todos os seus
filhos e filhas. E sua justiça consiste em amar, acolher e abraçar
a todos, bons e maus, sem exceção ou exclusão de quem quer
que seja. Foi em seu Filho Jesus Cristo que essa benevolência, cuidado,
afeição e amor mostraram-se no Homem e em meio aos Homens. Somente
a partir desse entendimento é que se pode dizer então que a piedade
de Deus é justa e a sua justiça é piedosa, pois ela vem
do alto (se verticaliza) e atinge a todos (se horizontaliza). Quem, porém,
se aventura a buscar a piedade sem justiça incorre em crueldade, porque
busca apenas a dimensão vertical da vida (Deus e eu, esquecendo-se do
próximo ou que Ele se encontra no próximo). Já quem deseja
realizar a justiça sem a piedade, torna-se debilitado no amor, visto
que a procura pela dimensão horizontal fora de sua fonte ou fundamento
(sua verticalidade) é fraqueza e esgotamento. Todo e qualquer empenho
pela justiça, se for sem piedade, é como querer encher uma bexiga
furada. Ela começa a encher, mas não infla o suficiente, por mais
boa vontade que se tenha ou esforço que se faça. Talvez seja essa
uma das razões pela qual hoje na sociedade se discute (e se discursa),
se move e promove muitas ações em nome da justiça, mas
que ao final morre de cansaço e fadiga, pois está desconectada
da piedade. Isso significa que somente a piedade aliada à justiça
e vice-versa é que consegue dar liga aos homens para viverem unidos ao
seu criador e entre si. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom
trabalho! Bom dia! (15 anos)
18 Outubro 2011:
“O ignorante afirma com confiança; o sábio duvida
e pensa” (Aristóteles, filósofo grego, 384-322
a.C.).
Ainda gatinhamos em matéria do saber. Quanto mais a humanidade
se aprofunda na busca de conhecimentos, mais se sente pequena diante de tantas
maravilhas que ainda desconhece. Para qualquer lado que se aponte os potentes
telescópios do espaço, mais se descortinam os mistérios
do cosmos, e por sua vez, o homem se vê sem respostas. As leis da física
que respondiam questões na terra, no espaço têm outras relações.
Também no micro cosmo, cada dia se revelam novas descobertas diante de
tantas ainda ocultas. Todo o conhecimento humano é quase nada diante
da imensidão que ainda se oculta. Quando o sábio duvida e pensa,
ele está aberto a descobrir, a refletir, a aprender, e o saber vai se
revelando aos poucos na medida de sua busca. Quando o ignorante fecha a porta
do saber, pensando que domina seu conhecimento, apenas expõe suas fraquezas
e perde uma oportunidade de aprender. Quem está aberto ao saber, se harmoniza
com o universo. Fascinado com tantas maravilhas, o homem encontra no salmo 8
sua admiração e louvor: “Quando contemplo o firmamento,
obra de vossos dedos, a lua e as estrelas que lá fixastes; oque é
o homem, digo-me então, para pensardes nele?” (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
17 Outubro 2011:
“Prefiro perder a guerra e ganhar a paz” (Robert
Nesta Marley, “Bob Marley” cantor, compositor e guitarrista jamaicano,
1945 - 1981).
Onde há amor, a guerra fica de fora. A palavra guerra traduz a ideia
de conflito. Pode ser entre indivíduos ou grupos, mas também pode
ser com o seu próprio eu. Quando guerra é entendida como batalha
que o homem trava consigo mesmo para transcender-se, conquistar-se e afastar
para longe de si tudo o que constitui obstáculo para o seu crescimento
e maturação, então ela deve ser querida e promovida. Quando
significa combate bélico (com todas as suas variantes) para dominar e
submeter o outro aos interesses pessoais e grupais, sejam eles de que nível
for, ela deve ser abominada, rejeitada, desmotivada e impensada. No plano das
relações, guerra é um artifício usado para se exercer
o poder e o controle sobre outras pessoas e situações. No plano
afetivo, por exemplo, é muito comum ver a guerra silenciosa entre irmãos
ou pais e filhos que se negam a comunicação. E tudo certamente
porque um dia os poderes de um e de outro foram confrontados e uma das partes
saiu perdendo no embate. O que se construiu a partir daí foi uma longa
história de mudez, distanciamento, frieza, indiferença e dor.
Em tais situações, sempre se espera pela iniciativa do outro para
reparar os laços quebrados. Cada um permanece no seu intocável
orgulho e na sua postura suprema de vitimismo. É o que popularmente se
chama de “não dar o braço a torcer” para expressar
que se vai evitar a todo custo mudar de opinião e jamais ceder. Essa
postura realmente coloca cada um na sua e ninguém mais se preocupa ou
ocupa com a vida do outro. Ao menos aparentemente! Vive-se à distância,
corta-se caminho e manda-se recado quando a necessidade o obriga. Acha-se que
com isso um dia as coisas se resolverão por si; mas, o problema permanece
paralisado no tempo. A ferida mais profunda se manterá incurável
e a guerra silenciosa se encarregará de sutilmente destruir suas vítimas
em forma de orgulho, insensibilidade, intoxicação dos sentimentos,
rigidez no modo de pensar e agir e na “somatização”
dos problemas da alma, tais como úlcera, angústia, irritação
e tristeza. Acima de tudo, a insistência em manter a guerra silenciosa
produz a ilusão de vitória e superioridade no conflito; mas, interiormente
o que se experimenta são o desequilíbrio, o nó atravessado
na garganta e a sensação de perda da paz. E a paz nunca se reconquista
com um decreto vindo de fora ou com o lance de uma nova guerra, mas com uma
decisão íntima de quem humildemente aceitou perder. Aceitar perder
humildemente nada tem a ver com quem faz da humildade um truque para reparar
a situação e continuar a se sentir por cima. Isso é fraude
que só depõe contra a própria situação. Aceitar
perder humildemente é um ato de coragem e valentia de quem sabe que só
fazendo guerra a si mesmo, no sentido, de se trabalhar e se responsabilizar
pela própria maturidade do ego e da salvação de sua “alma”
é que atinge um nível de equilíbrio elevado e uma paz interior
sólida e duradoura. Nesse caso, a guerra mata e faz perder, visto que
se perde e se morre a um modelo de vida e de personalidade. Porém, essa
morte e perda regeneram e recriam a pessoa fazendo-a renascer para um “eu”
mais integrado, livre, maduro, transparente e pacificado. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
14 Outubro 2011:
“Em todo lugar aprende-se apenas com quem se ama”
(Johann Peter Eckermann, literato alemão, 1792-1854).
Tudo o que se faz com amor tem dimensão “infinita”.
Se perguntarmos a uma criança qual o nome da professora dela, dependendo
da idade, ela dirá o nome daquela que lhe dá mais carinho. Isto
porque o ensino tem a ver com amor. Nossa primeira escola são os braços
de nossa mãe. Em uma relação de amor e carinho ela vai
ensinando tudo o que sabe. Com o tempo outra mãe nos é dada, a
nossa professora. Ela dá continuidade ao nosso aprendizado, utilizando
vários recursos didáticos dentro de um programa pré-estabelecido;
mas, o que mais marca é sua atenção, carinho e acolhida.
À medida que crescemos, muitos professores passam por nossa vida, dentre
as várias disciplinas que aprendemos, mas sempre nos marcam aqueles que
nos ensinaram com amor. Para estes “mestres” que colocam o amor
antes da matéria, tornando assim o que parecia difícil em algo
“doce” e “palatável”, a melhor recompensa que
teriam, era um dia poderem ver seus alunos utilizando o que aprenderam com eles,
lembrando do seu tempo de escola e agradecendo a Deus por terem tido bons professores.
Por isso, para estes “heróis”, o salário é
secundário, pois é impossível mensurar tão grande
“dom”. Peça a Deus que nunca falte bons professores e que
o Pai do céu os recompense por tanto empenho. Obrigado. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
13 Outubro 2011:
“A primeira condição para um governante ter uma
boa imagem é não se mostrar preocupado em criar uma boa imagem”
(Roberto Duailibi, publicitário e escritor brasileiro, 1935).
Ao querer construir uma imagem para agradar a todos, a pessoa esquece sua imagem
verdadeira. A preocupação com a imagem e, mais ainda, com a boa
imagem, tem tirado o sono de muita gente. Por imagem e boa imagem se entende
em grande parte dos casos, a tendência em querer corresponder ao modelo
visual que os outros esperam da pessoa. Os outros, no caso, podem ser: a sociedade,
a família, o(a) namorado(a), o grupo, os amigos, o chefe, os pais, os
filhos, enfim, todos aqueles que desejam que o fulano seja tal qual uma medida
que se tem por padrão. A busca da imagem que corresponda ao padrão
exigido pelos outros se tornou um critério e uma forma de poder ditatorial
que subordina pessoas ingênuas e desavisadas. Nesse sentido, existem pais
que sofrem muito na educação dos filhos porque evitam a todo custo
romper com aquela imagem de popularidade que possuem aos olhos deles. Nas empresas
são muitos os casos de funcionários que abrem mão de sua
dignidade e reputação apenas para manterem uma imagem de sociável,
brincalhão, cavalheiro e bom líder, frente aos colegas e ao patrão.
Por sua vez, existe o chefe ao contrário do que parece, precisa de qualquer
jeito passar a imagem aos funcionários de seguro, organizado, competente,
justo e dialogável. E o que dizer de certos políticos que anos
antes das eleições investem em campanhas milionárias para
projetar uma imagem que em nada corresponde ao seu perfil público? Cícero
(pensador greco-romano) antes de Cristo já ensinava técnicas para
enganar os eleitores. Tal preocupação é enganadora, pois
cria, sim, uma imagem, seja lá qual for que se queira, mas que por trás
das aparências só contribui para anuviar e esconder sua verdadeira
identidade. Viver uma vida escondendo-se para querer ganhar projeção,
fama, reconhecimento, poder, dinheiro e nome, no fundo é perder. Pode
acontecer de se ganhar muita coisa e projetar uma imagem ao gosto dos outros,
mas ao mesmo tempo iniciar uma viagem longa rumo à pressão, depressão,
angústia e ilusão de si mesmo. Tal viagem para alguns tem um preço
alto a pagar. Vale mais dar ouvidos às palavras sábias e norteadoras
do Filho de Deus, Jesus Cristo, quando apregoa o cuidado para se evitar levar
uma vida fraudulentamente: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro,
se perder a sua alma?” (Mt 16,26). (Reflexão feita por José
Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
11 Outubro 2011:
“Quando o infortúnio se generaliza, o egoísmo se
universaliza” (Charles-Louis de Secondatt, “Barão
de Montesquieu”, político, filósofo e escritor francês,
1689-1755).
O egoísmo isola os indivíduos. Dizem que na Roma antiga havia
um templo dedicado à deusa fortuna. Em muitas representações,
ela era vista com uma venda nos olhos para simbolizar aquela que distribuía
os bens sem olhar a quem. Quem estivesse excluído de seus favores, significava
que estava em desgraça. Ao mesmo tempo, somente estava em desgraça
evitava colocar-se no caminho da deusa. Colocar-se no caminho da deusa era um
programa inteligente e saudável de vida que levava a pessoa à
riqueza, à felicidade e ao bem. Dessa relação de adesão
ou rejeição à deusa é que surgiram as palavras fortuna
e infortúnio. Infortúnio, no caso, para designar quem está
em desgraça, ou melhor, sem as graças, sem os bens ou as riquezas
distribuídas pela deusa fortuna. Por sua vez, quem se colocava na direção
contrária ao programa de vida da deusa, atraía sobre si uma couraça
de egoísmo tão dura e resistente que impedia a pessoa de ver e
crescer nos valores mais profundos do humano. Como consequência desse
egoísmo, ela se trancava para qualquer gesto de generosidade e bondade
para com os demais, ou seja, quanto mais seu egoísmo crescia, mais infortúnio
ela tinha. Quanto mais infortúnio atraía sobre si, mais egoísta
se tornava. Hoje, são muitos que se vêem como infortunados ou desafortunados.
No primeiro caso, como os que acham que tiveram a infelicidade de nascerem pobres,
desgraçados e infelizes. No segundo, como aqueles que foram lesados em
seus direitos, em seus negócios, em sua vida, e perderam o que lhes proporcionava
graça, prazer e felicidade. Tanto um como outro no momento se sentem
em desgraça ou longe das graças dos 'deuses'. Alguns procuram
viver dignamente, ainda que infortunados ou desafortunados, mas a grande maioria
procura vingança para sua situação, se rebela e sai à
caça do que lhes possa trazer de novo a sorte, a fortuna, a felicidade
e os bens. O resultado desta caçada feroz pode ser uma guinada na vida
onde a pessoa se mostra descontente com a própria sorte e dá a
volta por cima, mas na maioria dos casos ela se transforma em um egoísmo
acirrado que toma conta dos corações e produz infortúnio
para muitos. E onde o infortúnio é visto como o destino final
dos homens, o egoísmo se proclama como a lei do “salve-se quem
puder”. É essa lei “maldita” que ao longo da história
tem criado os grandes abismos de distâncias entre pessoas; de um lado
os que possuem bens em abundância e do outro lado os que vivem e sobrevivem
com as migalhas que sobram da mesa dos ditos “afortunados”. Mas
nesse caso, ser “afortunado”, “infortunado” ou “desafortunado”,
em nada está relacionado com as bênçãos ou maldição
da deusa Fortuna. Sua relação está com uma escolha de caminho
de uma pequena parcela da humanidade que preferiu andar na direção
contrária daquele programa de vida, responsabilidade e justiça
que propunha a intuição e a noção que estava representada
no mito da deusa da Fortuna. Desta forma, a distância entre ricos e pobres
que se avolumou na sociedade de quase todos os países do mundo está
criando toda sorte de infortúnio e destruição das pessoas
e do Planeta. Ela está diretamente relacionada com a liberdade e a decisão
do homem trancado em si mesmo, no seu egoísmo e não tem nada a
ver com um castigo e abandono de Deus ou “dos deuses”. (Reflexão
feita por José Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
10 Outubro 2011:
“Quem não é belo aos vinte, nem forte aos trinta,
nem rico aos quarenta e nem sábio aos cinquenta, nunca será belo,
forte, rico ou sábio” (George Herbert, poeta e religioso
Inglês, 1593-1633).
Quem perde o tempo de seu tempo, dificilmente recupera o tempo. A preocupação
em aproveitar bem o tempo é antiga. No livro de Eclesiastes, o capítulo
3 é todo dedicado a pensar sobre o tempo: “Tudo tem o seu tempo
determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu,
etc.” Deixar para depois o que se deve fazer hoje, além de perder
tempo, perde o compasso dos acontecimentos em sua vida acumulando para depois
obrigações de hoje. Chega um momento que a situação
fica insustentável e a pessoa entra em desespero, chora, lamenta, busca
culpados, sem perceber que foi sua negligência que gerou tudo isso. Por
isso é que devemos manter a cadência de atividades em nossa vida,
sabendo que uma fase sucede outra, assim como a primavera precede o verão
e assim por diante. Querer eternizar as brincadeiras de criança, ou a
beleza da juventude e assim sucessivamente, fica com o pensamento no passado
sem viver bem as alegrias do presente. É sinal de sabedoria aproveitar
bem o seu tempo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
7 Outubro 2011:
“A porta mais bem fechada é aquela que pode ser deixada
aberta”. (Provérbio chinês).
No abrigo do leão nem precisa de porta. A palavra porta tanto designa
a abertura como a prancha (geralmente de madeira, mas também de outros
materiais) que serve para fechá-la (ou abri-la). Assim sendo, “porta”
é um espaço ou abertura que permite acesso para dentro ou para
fora de uma realidade. Quem passa por ela, entrando ou saindo, em geral depara-se
com um mundo ora conhecido e familiar, ora desconhecido e inédito. Porta
por muito tempo fechada ou lacrada corre o risco de emperrar. Porta fechada
raramente se inclina com o peso e dificulta o fechamento. E enquanto abertura,
ela pode simbolizar outras realidades para além de um instrumento de
madeira que fecha ou abre. Pode ser a mente, os pensamentos, os sentimentos,
os olhos, os sentidos, o coração, as ideias e até mesmo
a vontade. No reino dos pensamentos, dos sentimentos, da vontade e dos sentidos,
por exemplo, é importante guardar a porta fechada para tudo o que pode
representar ameaça e destruição à liberdade e dignidade
da pessoa. Muito do que entra pelos sentidos, pelos pensamentos e pelo consentimento
da vontade é o que corrói e desmorona a personalidade de um indivíduo.
Se o que entra é ruim, ruim é o que sairá da pessoa em
forma de gestos, palavras e ações. Daí o cuidado que se
deve ter o tempo todo para manter bem trancada a porta dessa e de outras realidades
que formam o caráter de alguém. Quem aprendeu a fechar a porta
para o perigo, aprende com o tempo a abri-la com discernimento e a deixá-la
aberta para a entrada do que é útil e necessário. Os homens
verdadeiramente livres são os que sabem cuidar bem da porta de sua interioridade
a tal ponto que ao fechá-la para o que é prejudicial ao seu ser,
abri-la para tudo o que pode colaborar para o seu crescimento, amadurecimento
e realização. (Reflexão feita por José Irineu Nenevê).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
6 Outubro 2011:
“Se tudo pudesse explicar-se mediante a palavra, mais cedo
ou mais tarde acabaríamos com o mundo” (Henry Spencer
Moore, escultor e desenhista britânico, 1898-1986)
O homem nada sabe diante da imensidão de mistérios que existem
no universo. A linguagem ou a fala é a morada do homem. Ele está
nela e ela é o seu ser. Quando o homem fala, ele deixa vir à tona
o seu ser no relacionamento com o mundo, com os outros e consigo mesmo. Pensar
a palavra apenas como um instrumento de comunicação do sujeito
é um engano. E o engano é achar que a fala, a linguagem, a palavra
é uma propriedade do homem. Ao contrário, o homem é propriedade
da linguagem, da palavra e da fala. O engano em relação à
linguagem é pensar que se pode explicar tudo. Nesse sentido, certas perguntas
inocentes de crianças fogem a muitas explicações dos adultos,
pois pertencem a outra lógica que nem sempre precisa de explicação,
ou melhor, ela se retrai a qualquer explicação. Nesse caso, quando
a criança faz certas perguntas, o que ela deseja mesmo é a solidariedade
dos adultos com sua pergunta e não uma resposta explicativa, por mais
bem dada que seja. Na mesma direção, estão os mitos dos
povos, a religião, os enigmas da vida, da morte, do sofrimento ou, até
mesmo, o sentido de certos comportamentos humanos como a gratuidade, um sorriso,
as lágrimas de uma mãe ou pai, a resistência e serenidade
de certas pessoas e famílias em meio a acontecimentos trágicos.
Hoje se gasta muitas palavras e explicações para convencer o mundo
e, especialmente, as crianças, da inexistência do papai Noel, dos
anjos, do Saci-Pererê, da cegonha, da fada do dente etc, sem se dar conta
de que colocamos tudo isso dentro de uma medida de racionalidade que reduz tudo
ao critério de cientificidade, quando no fundo a cientificidade é
apenas um modo de olhar e explicar a realidade, ou seja, aquele do ter que provar
pelos fatos. Só que um fato é sempre algo feito. E o feito é
somente o final de um processo de formação da realidade, como
se fosse a ponta de um “iceberg”. Anterior ao fato ou ao feito está
todo um mundo em gestação e formação que quase sempre
permanece invisível aos olhos e ao pensar racionalista. Desse modo, mito,
religião, contos de fada e muitas outras coisas que hoje se julga algo
fantasioso ou inexistente têm, sim, sua existência, só que
diferente daquele modo de conceber e de falar de uma razão reducionista.
Quem tenta explicar mito, religião, conto de fadas e outras realidades
afins, dizendo que isso é irreal e fantasioso, não faz juz nem
à ciência, nem à razão, nem ao mito, nem à
religião, nem à fantasia e nem ao real, pois tudo isso tem outra
lógica, outro modo de ser, outra razão e outra fonte de explicação.
E se temos dificuldade de falar da existência dessas realidades ou se
falamos demais para tentar explicá-las, talvez o melhor a fazer é
guardar silêncio. Só que silêncio aqui nada tem a ver com
emudecer para evitar o confronto, a crítica e a elucidação,
mas abrir-se para o “não saber” de nosso saber que tantas
vezes fala demais e explica muito sem nada dizer e nada explicar, para nele
deixar vir à tona a seu tempo o objeto da busca. Quando se quer explicar
e falar muito de certas realidades que nem sempre precisam de explicação
e da nossa fala para existirem, corre-se o risco de matar ou destruir aquele
mundo com a inverdade de nossa fala e, ao mesmo tempo, em nome do único
modelo de explicação e fala que conhecemos: o da razão
e da ciência. Por sua vez, é bom lembrar que o mundo para ser mundo
é o surgir, o crescer e o se constituir de muitas e diferentes falas
e explicações do ser que é o homem. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
5 Outubro 2011:
“O povo tem fome de verdade e está sequioso de transparência”.
(Luís Euzébio, escritor e poeta português, nascido em 1959).
Ouvir é mais que escutar, pois busca suas origens. Grandes eventos possuem
força suficiente para mobilizar pessoas, grupos, uma nação
e até o mundo inteiro. Uma guerra, um terremoto, uma crise financeira,
por exemplo, costuma atingir indivíduos, países e o globo terrestre
em uma espécie de efeito dominó. O grande evento que se aproxima
e no momento está mobilizando o Brasil e outros países envolvidos
é a Copa do Mundo de 2014. Sem se dar conta a população
brasileira, no caso, está sendo sutilmente atraída para a armadilha
e teia de armações políticas, econômicas e sociais
em torno desse evento. Longe de querer negar ou ignorar os aspectos positivos
que uma copa do mundo proporciona a um país em termos de crescimento
econômico, cultural e turístico dentre outros, é importante
abrir os olhos para perceber nos bastidores as tramas de interesses que estão
se arquitetando gradualmente. No texto sagrado encontramos mais de cem versículos
alertando para “quem tem ouvidos, que ouça”, ou seja, as
desculpas que muitos políticos e o povo em geral usam de “eu não
sabia” fica sem valor, pois a pessoa tinha os elementos necessários
para saber, neste caso, os ouvidos. Se não o fez, torna-se tão
culpado quanto, e se ocupava um cargo de mando, mais culpado ainda, pois tinha
por ofício o dever de saber. Por trás do aumento dos preços
das mercadorias e dos combustíveis; por entre as reivindicações
de algumas greves e pela melhoria de salários; por debaixo de discursos
que aparentam preocupação pelas causas sociais e turísticas
do país etc; está camuflada a falta de verdade e transparência
de muitos. Argumentos pretensamente justos e razoáveis estão escondendo
da população os reais interesses das reivindicações:
o desejo de lucrar e de arrancar o máximo possível de dinheiro
dos cofres públicos, do povo e dos turistas sob as mais variadas formas
que ele simboliza. É inegável que muitas obras deverão
ser feitas para atender ao menos as exigências mínimas de uma copa
do mundo. No entanto, é de constatar e de suspeitar que a transparência
em torno de todo o processo dessa mobilização já começou
a ficar distorcida para os olhos do povo. Desde já é necessária
a transparência. Transparência, aliás, é aquela virtude
de deixar e de fazer aparecer o que é, sem rodeios, subterfúgios,
segundas intenções ou falsos interesses. Transparência e
verdade são irmãs. Onde elas fundam as ações das
pessoas, as coisas são melhor abraçadas e comprometidas, a visão
de todos é mais clara e profunda, os objetivos são cumpridos e
os resultados são partilhados de forma decente e justa. Porém,
onde verdade e transparência são anuviadas pela manipulação
e dissimulação de interesses mesquinhos, dá-se início
sempre de novo a uma desordem social, onde a “cadeia alimentar”
dos mais gananciosos, egoístas e espertalhões volta a prevalecer
sobre a justiça e a liberdade do povo. Por isso, em tempos que antecedem
certos grandes eventos (nesse caso o da copa do mundo de 2014), vale ficar atento
ao que a Bíblia insiste: “quem tem ouvidos, ouça”.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
4 Outubro 2011:
“Ó glorioso Deus altíssimo, ilumina as trevas do
meu coração, concede-me uma fé verdadeira, uma esperança
firme e um amor perfeito” (São Francisco de Assis, frade
católico italiano, 1182-1226).
Quando se vive o amor ele faz vibrar até “os elétrons”
de nossa alma, e encontra ressonância em toda a natureza. Hoje, no mundo
inteiro se comemora a vida de São Francisco de Assis. Filho de pai comerciante,
ele abandona este modo de vida e abraça a pobreza como seu ideal. Fez
do amor a Deus e ao próximo uma constante em sua vida, vencendo a barreira
dos preconceitos mais íntimos. Diz em seu testamento que encarar um leproso
com todas as suas chagas parecia insuportável; mas, por amor a Deus ele
abraça e beija um leproso que encontrou em seu caminho. Deste dia em
diante tudo se transformou, e foi até fácil dar banho nestes irmãos.
Percebeu que toda a natureza, animal ou vegetal, responde com amor quando lhes
é dado amor. Conseguia se comunicar com os animais. Certa vez um lobo
feroz atormentava a população da cidade de Gubbio, na Itália,
e eles estavam dispostos a matá-lo; mas, ele intercedeu pelo lobo, pedindo
uma chance de conversar com ele. Após isso, o lobo se tornou dócil
e conviveu com eles. Até hoje existe nesta cidade um túmulo onde
o lobo foi enterrado, tamanho era o carinho que todos tinham por ele. São
inúmeros os relatos de São Francisco de Assis, que nos edificam.
A oração citada foi a que ele fez diante do crucifixo de São
Damião, e que deu início à sua vida de frade menor. Viver
o amor vale a pena. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
3 Outubro 2011:
“Acredito que o mundo hoje está de ponta cabeça
e sofre muito porque existe tão pouco amor no lar e na vida familiar.
Não temos tempo para nossas crianças, não temos tempo para
nos darmos uns aos outros, não temos tempo para apreciarmos uns aos outros”
(Madre Teresa de Calcutá, missionária católica de origem
albanesa, 1910-1997).
O amor precisa ser cultivado todos os dias. Sempre ele deve ser regado
com o sorriso da nossa presença. Presentes não substituem o amor.
Para compensar a falta de tempo e atenção, muitos usam o poder
do dinheiro, como se o amor tivesse preço. O presente encanta no instante
e é esquecido com o tempo, mas o carinho e atenção dura
para sempre. As crianças de hoje passam boa parte do tempo nos aeroportos,
em passeios, em atividades extras, porque seus lares se tornaram apenas dormitórios.
Para se resgatar o amor nos lares é preciso dedicar mais tempo ao diálogo
carinhoso do que à televisão ou jogos. Sentir a alma do outro,
curar as feridas, valorizar os acertos, apontar a direção quando
o nevoeiro do temor esconde o caminho. Neste processo silencioso, o frágil
amor vai crescendo, ganhando confiança e se fortalecendo. Haverá
inúmeras oportunidades que se apresentarão para quebrar esta harmonia,
pois o “maligno” não suporta ver o amor na família
e na vida. Muita gente confunde amor com outras coisas, e por isso ele vive
escondido em muitas vidas. Mas quando ele se revela como ele é, não
há dúvida, ele transforma as nossas vidas. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
30 Setembro 2011:
“O prêmio por uma coisa bem feita é tê-la feito”
(Ralph Waldo Emerson, escritor, filósofo e poeta americano, 1803-1882).
“Tudo o que merece ser feito, merece ser bem feito” (dito
popular). Na construção das grandes catedrais, quem trabalhava
dava o melhor de si, pois sabia que Deus, que tudo vê, estava vendo seu
esforço. Até hoje todos admiram sua beleza até nos detalhes.
Prêmio (do latim praemiu) é algo concedido como uma espécie
de recompensa a quem realizou um grande feito ou a uma boa obra que mereceu
a atenção e o reconhecimento de uma pessoa ou de um determinado
público. Dependendo o feito se estabelece a forma de recompensa a ser
dada que pode ser em forma de medalhas, troféus, diplomas, dinheiro,
bens e até mesmo de uma palavra que exalte a dignidade da pessoa e grandeza
do feito dela. No entanto, como em muitos casos o prêmio é visto
apenas como uma forma de ganhar reconhecimento pelo que se faz; o fazer de muitos
se tornou uma atividade voltada exclusivamente para a busca de recompensa. Se
vier a recompensa ou o reconhecimento se procura fazer tudo direitinho, caso
contrário, se larga ou se faz mal feito. Nessa compreensão muitos
trabalham à semelhança de “golfinhos amestrados” que
depois de uma boa exibição se acostuma a aproximar-se do adestrador
para ganhar a porção ‘justa’ de alimento. Onde essa
forma de premiação e busca de recompensa atua ou está presente,
é comum ver as pessoas animadas e felizes ao serem premiadas. Porém,
frustradas e desanimadas quando o prêmio é negado ou esquecido.
Pais, educadores, patrões e, em contrapartida, filhos, alunos e funcionários
de uma empresa precisam estar continuamente atentos a esse esquema, por ser
bastante traiçoeiro. Ele, o prêmio, pode ser um grande incentivador
para o crescimento da pessoa (no caso de uma empresa, é um ótimo
promovedor da produção e das vendas), mas pode, também,
ser um laço que amarra e escraviza os indivíduos numa mentalidade
de “toma-lá-dá-cá” que mais contribui para
o infantilismo e o estreitamento do ego deles, do que para seu enriquecimento,
crescimento e maturidade ao fazer qualquer obra. Quem deseja fazer uma obra
bem feita deve antes de tudo fazê-la bem. E fazê-la bem exige que
desde o início se abandone o desejo de premiação e recompensa,
pois o desejo de recompensa e prêmio pode cegar a pessoa e distraí-la
naquilo que realmente precisa fazer. Por sua vez, os que perdem o alvo da obra
são aqueles que em geral fazem as coisas de forma mal feita e encontram
muita dificuldade para se realizarem naquilo que fazem. É sempre bom
lembrar que o simples fato de fazer uma obra com gosto, decisão, paixão
e dedicação, já é um prêmio, pois em qualquer
obra, mais do que fazer algo o homem faz a si mesmo. Nesse sentido cada pessoa
é aquilo faz e o que ela faz e o modo como faz revela no fundo quem ela
é. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom
dia! (15 anos)
29 Setembro 2011:
“Os olhos são inúteis a um cérebro cego”
(provérbio árabe).
Uma coisa é ver, outra coisa é saber o que se vê.
Platão, no mito da caverna, demonstra que o que vemos são como
sombras de uma realidade muito maior que se oculta além de nossa visão,
porém pode ser alcançada pelo nosso pensar (cérebro). Seria
como se estivéssemos vendo televisão que mostra um belo jardim
(ver sem pensar); mas, se olharmos pela janela, nós veremos o jardim
e a equipe de filmagem e transmissão trabalhando e muito mais (pensar).
Assim, o que se vê, pede um pensar para se entender. Nem tudo os olhos
podem capturar, pois depende de luz e outros meios, mas nosso cérebro
pode perceber, por outros sentidos que estão à nossa volta. Tem
muita gente que, mesmo vendo, é incapaz de entender, pois tem preguiça
de pensar. Para quem pensa tudo, ajuda a compor a imagem da realidade. Nossa
visão só vê a ponta de um iceberg que está fora d’água;
a grande maioria submersa só com o pensar pode ser alcançada.
Mas são poucos que conseguem ver além do óbvio, pois, quando
comentam a beleza da paisagem que se vê pela janela, a grande maioria
que está com os olhos fixos na televisão, duvidam e se recusam
a enxergar, pois é cômodo ficar apenas sentado e vendo TV. Abra
a janela de sua mente e desfrute de uma bela paisagem acessível apenas
para quem utiliza o cérebro. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
28 Setembro 2011:
“Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito,
para que te guardem em todos teus caminhos”. (Livro dos Salmos,
9 I: 2)
Anjo é porta-voz do amor de Deus. A palavra “anjo”, tanto
no grego como no latim significam “mensageiros”. Em figuras, geralmente
são representados com asas e auréola. Mas, em muitos relatos Bíblicos
se confundem com pessoas comuns. Na literatura bíblica três anjos
se destacam por suas funções: Miguel, Gabriel e Rafael. Miguel
(Quem como Deus), Gabriel (Força ou proteção de Deus) e
Rafael (Cura ou medicina de Deus). Deixando em suspenso toda a questão
teológica e exegética na compreensão e interpretação
que os cristãos dão a esses seres que muitas vezes são
questionados em um mundo que elegeu a exatidão das ciências como
critério último de verdade, esse assunto está no fundo
de uma experiência religiosa muito especial e concreta de muitos povos
e culturas. É que anjos e arcanjos, antes de ter todos os atributos,
formatos e retratos que ao longo da história colocou neles, eles são
expressão a mais profunda possível de um anúncio essencial
da fé de um povo. No caso dos cristãos, eles são a proclamação,
a mensagem a mais importante, a mais crua e nua, a mais viva e cristalina e
a mais fundamental da sua experiência originária de fé.
Ela é mensagem e anúncio de que Deus é Único e Uno
(Ninguém como Ele e tudo procede d'Ele, acontece por Ele e para Ele);
é o vigor, a força de tudo o que existe (sem Ele e fora d'Ele
tudo é fraco ou sem vida); é a cura, a medicina de tudo o que
respira, no sentido de que Ele cuida aqui e ali, dia e noite, com amor incansável
e em cada ponto do universo, de tudo o que vive. É nesse sentido também
que a Sagrada Escritura está recheada da presença e da fala de
anjos e arcanjos proclamando sem cessar essa Unidade, Força e Cuidado
divino a guardar, de modo especial, a criatura humana em seus caminhos. Anjos,
então, representam essa forma de falar da Providência Divina, do
cuidado, da estima e do amor divino, fazendo caminho e história com os
homens de todos os lugares e épocas. E quando alguém ama e cuida
de cada um que está ao seu lado, ele também se torna anjo, ou
melhor, torna-se um mensageiro, um anunciador do amor e do cuidado de Deus para
com o outro. E se ao olharmos à nossa volta e percebermos o aumento do
terror sob as suas mais variadas formas, a deformar a imagem divina no homem,
isso nada tem a ver com o descuido e o abandono de Deus, mas com o endurecimento
do coração humano e com o egoísmo que petrifica nossa vontade,
cordialidade e disposição frente ao serviço e cuidado que
devemos ter para com tudo que é do céu e da terra. É esse
egoísmo e endurecimento que nos faz anjos decaídos e indiferentes
e insensíveis aos sofrimentos dos outros. Portanto, celebrar ou refletir
sobre anjos e arcanjos sob as suas mais variadas formas e nomes (desde que não
sejam anjos decaídos chamados de demônios), é apenas uma
tentativa de despertar sempre de novo em nós aquela confiança
no cuidado de Deus para conosco e no cuidado que constantemente devemos ter
para com tudo o que existe, para assim unir, fortalecer, proteger e guardar
a nós mesmos e toda e qualquer criatura no caminho e no amor de Deus.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
27 Setembro 2011:
“Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque
não quiseram quando podiam” (François Rabelais,
escritor francês, 1494-1553).
O querer na vida é fundamental. Querer significa buscar com afinco (pra
valer) o que se quer. E quando se quer pra valer, isso se torna “dever”
e “poder”. Se nós evitamos correr atrás e tudo parece
impossível é porque ainda nos falta o quer ou, se “quer”;
este querer ainda está fraco e falta disposição o bastante
para dar a partida e tocar adiante. Ao longo do dia e dos anos, são muitas
as oportunidades que surgem desafiando o querer da pessoa no sentido de impulsioná-la
a abrir espaço para a realização de um bom projeto ou sonho
em sua existência. Acontece às vezes de as oportunidades aparecerem
na “porta da casa” da pessoa, na hora certa, de maneira certa, no
lugar certo, com a pessoa certa, com as razões certas e o indivíduo
do outro lado responde, não! (ou cria desculpas para evitar). Exemplo
clássico dessa situação é quando em dia propício
para um passeio, a família se reúne e se programa para um lazer
fora de casa e um de seus membros tendo toda a possibilidade de ir junto responde
negativamente, pois seu querer ou está fraco ou está em outra
direção. Outro caso é o de pais que podendo ter filhos
adiam o momento da gestação ou dizem que não podem quando
deveriam, pois alegam que só o farão depois de alguns anos quando
ganharem mais dinheiro ou obtiverem um bom emprego; quando conseguirem uma bela
casa com todo o conforto e segurança e encontrarem uma “vida melhor”.
Depois de certo tempo, conseguem tudo isso e muito mais, no entanto já
não podem ter os filhos que desejam, porque a idade, as complicações
de saúde e as circunstâncias do relacionamento não mais
o permitem. Todo o nosso poder é acionado pelo querer e o querer leva
ao dever. Quem quer, dizia Kant, deve! Deve impor a si mesmo a tarefa de buscar
pra valer o que quer. Nesse caso, mesmo que o querer seja fraco, impor-se o
dever querer o querer do próprio querer. Usar do pouco e minguado querer
que se tenha para ir aumentando ele em doses lentas até que ele fique
mais volumoso e em condições de operar as grandes obras que se
deseja. Por isso, é sempre importante lembrar que o querer tem que ser
exercitado a cada dia, a cada momento, em cada situação, sem jamais
desperdiçar as chances que aparecem diante dele. Isso com o tempo gera
uma cordialidade muito grande para com a vida e faz a pessoa adquirir bastante
“poder”, no sentido de possibilidade, para ir onde ela jamais sonhou
e conquistar o que antes lhe parecia praticamente impossível. Querer,
nesse sentido, é poder! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
26 Setembro 2011:
“Não herdamos a terra de nossos pais, a emprestamos de
nossos filhos” (provérbio das ilhas Fuji).
Quem não reclama é conivente. O provérbio é
citado num documentário intitulado, a Aventura pelos Recifes de Corais.
Nele há uma preocupação pelo futuro destes ecossistemas,
pois estão morrendo em diversas partes do mundo. Como dependem da luz
do sol e das criaturas que neles vivem, qualquer variação afeta
sua vida. Nestes recifes, o ditado popular que diz, “uma mão lava
a outra e as duas lavam o rosto” é bem evidenciado ao percebermos
o perfeito equilíbrio que existe entre todos os seres vivos, e como a
pesca predatória e a poluição afetam este ambiente paradisíaco.
Os nativos das ilhas do Pacífico têm nítida esta noção
de preservação, pois puderam perceber a importância de preservar
este tesouro para as futuras gerações como se delas é seu
direito de posse e a nossa a obrigação de a entregar intacta.
Mas, em tudo há este mesmo equilíbrio, ou seja, onde vivemos também
é um ambiente vivo que deve continuar assim. As gerações
futuras irão cobrar de nós por quê nada fizemos para evitar
a poluição dos rios de águas doces, das fontes e nascentes,
das espécies de fauna e flora que foram definhando e com isso afetando
toda a natureza. De nada adiantará nos justificarmos dizendo que os “lobbies”
das grandes empresas tinham maior força na formação das
leis, se podíamos ir às ruas e “bater panelas” ou
usar a internet e protestar. Um dos maiores pecados de nossa geração
é o de omissão, ou seja, "evito me envolver, outros que resolvam".
Se começarmos com o pouco (como nos ensina São Francisco) recolhendo
um papel e colocando no lixo (por exemplo), logo estaremos fazendo o impossível.
Se todos colaborarem, muito será feito. (Reflexão feita por Jose
Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
23 Setembro 2011:
“As três coisas mais difíceis do mundo: guardar segredo,
perdoar uma injúria e aproveitar o tempo” (Benjamin Franklin,
jornalista, editor, autor, filantropo, abolicionista, funcionário público,
cientista, diplomata e enxadrista americano, 1706-1790).
As três coisas mais difíceis têm sua chave no coração
do homem. Para guardar um segredo é preciso, fechá-lo no coração
e jogar a chave fora; perdoar uma injúria, é necessário
abraçar Jesus e pedir para curar a mágoa que fica e aproveitar
o tempo é perceber o seu valor em nossa vida e fazer de cada instante
uma preciosidade. São dons que a pessoa de bem reconquista todos os dias.
O contrário de tudo isso é a pessoa do fofoqueiro(a). O texto
sagrado nos diz que a língua é semelhante a um leme de navio,
proporcionalmente muito menor, mas é capaz de desviar sua rota. Fofoca
na língua latina significa “insinuare”, que traduzido quer
dizer “chegar por meio de voltas ou curvas”. Quem fofoca distorce
o fato e o faz chegar ao outro entre curvas e voltas que se distanciam da verdade.
O fofoqueiro (homem ou mulher) conta e reconta o que ouviu, mas filtrado pelo
interesse pessoal de salvar a própria pele e prejudicar quem e o que
o incomoda. Eis porque o fofoqueiro possui três dificuldades no trato
com as pessoas que estão ao seu redor: guardar segredo, perdoar e aproveitar
o tempo. Sua dificuldade em segredo é porque no fundo a intenção
é tornar público, embora distorcidamente, o que pertence ao outro
e ao passar adiante quer mostrar seu poder de informação e conquistar
aliados. Utiliza pessoas como "laranjas" para prejudicar aquele ou
aqueles a quem ele (a) mesmo faltaria coragem de encarar se estivesse frente
a frente com ele(a). O fofoqueiro nesse caso instrumentaliza indivíduos
para agir em seu lugar por meio de suas insinuações. Em um segundo
momento o fofoqueiro tem dificuldade de perdoar; por isso, se utiliza da fofoca
como uma forma de se vingar e ferir a quem pretensamente julga culpado de seus
sofrimentos e temores. Seu ego em tais circunstâncias é
duro, pequeno e trancado, o suficiente para impedir que entre qualquer outra
virtude que possa dissolver seus conceitos e preconceitos já petrificados
a respeito dos fatos que colheu e distorceu. Por último, alguém
fofoqueiro tem dificuldade de aproveitar seu tempo com conversas úteis,
pois geralmente o perde à caça de informantes e informações
que lhe passem e repassem o produto que enriqueça sua vontade de destilar
o veneno da fofoca. Por isso mesmo, quem tem o hábito da fofoca gosta
de estar em rodas de conversas, de cochichos com os colegas ou de ponto em ponto
(sala em sala, mesa em mesa, bar em bar, janela em janela...) fertilizando o
vírus da discórdia. O problema do fofoqueiro é que em sua
visão é incapaz de ver o bem; sempre procura uma falha para evidenciá-la,
e desta forma transforma tudo o que é bom em mau. E quem tem em seu ambiente
alguém fofoqueiro, deveria levar em conta uma bela exortação
de Jesus, que embora dita em outro contexto, serve aqui de iluminação
e reflexão: “Não deis aos cães o que é santo,
nem jogueis vossas pérolas diante dos porcos. Pois estes, ao pisoteá-las
se voltariam contra vós e vos estraçalhariam” (Mt 7, 6).
Quem fofoca vive inquieto e sem paz. (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
22 Setembro 2011:
“A violência destrói o que ela pretende defender:
a dignidade da vida, a liberdade do ser humano” (Karol Józef
Wojtyla, Papa João Paulo II, operário, artista, filósofo
e teólogo polonês, 1920-2005).
Violência gera violência na proporção de seu desamor.
Vivemos atualmente uma sociedade marcada de violência e de violentos.
Ela tem índices incomparáveis na história da humanidade.
Está presente em quase todos os ambientes, trânsito, escola, família,
casas de diversão e mundo afora. Sua face é coberta de disfarces.
Eles aparecem em forma de guerras, de tráfico de armas e drogas, de “bullying”,
assassinatos à queima-roupa e por encomenda, vinganças, assaltos,
sequestros e abortos. Mas ela possui também sua máscara mais sutil,
as palavras ditas em voz alta para impor segurança e autoridade. O soco
e o tapa para demonstrar força e poder. A repreensão grosseira
para inibir. O salário injusto dado a velhos e jovens para aumentar os
lucros das empresas (sob o nome de oportunidade de emprego). O roubo abusivo
e diário no aumento de preços em produtos e mercadorias de lojas
e supermercados, obrigando os mais pobres a viverem das sobras dos lixões
e das migalhas da sociedade de consumo. Tudo isso e muito mais desencadeia a
violência que se instala nas casas, ruas e demais ambientes onde as pessoas
vivem e convivem. Como resposta apenas discursos apontando que a solução
para esses casos seja investir na educação de crianças
e jovens como se fossem eles a causa e os culpados das barbáries que
se constata no tecido social. Crianças e jovens não são
produtores de violência, mas reprodutores dela. Eles refazem o caminho
trilhado e promovido por pais, autoridades e adultos. As crianças, principalmente,
costumam entender que se seus pais falam em tom alto e usam de violência
para conseguirem o silêncio, a submissão e o respeito delas, elas
podem agir da mesma forma com os demais para obterem o mesmo resultado quando
quiserem. Os jovens se defendem e defendem o que sonham e querem com violência,
porque se aprendeu com a experiência que essa é uma forma bastante
“interessante” para chamar a atenção e reivindicar
dos adultos e da sociedade tudo aquilo que lhes foi negado ou tirado: afeto,
a possibilidade de se expressarem, liberdade, respeito, autonomia, a criatividade
e o que é mais paradoxal, a existência. No entanto, o que toda
essa geração tenta defender há tanto tempo, com o uso do
que aprendeu na academia da violência, está se voltando contra
ela, destruindo o que ela preza mais, a dignidade da vida, a liberdade e a paz.
Tudo o que se quer construir com a violência só provoca a própria
destruição e a destruição dos seus alvos. Uma reflexão
mais atenta desse panorama leva a pensar que no fundo o que se contrapõe
à violência é o amor. Só que amor nesse caso é
diferente de uma virtude que se usa quando se sentir ameaçado, mas é
um modo de ser que está na pessoa, faz parte dela, pois é o seu
móvel, o seu jeito de pensar, de sentir, de querer e de agir. O amor
entendido como um dom divino que possui a pessoa tem a graça e o poder
suficiente para lidar com a violência e com os violentos e recuperar no
mundo e nas pessoas a dignidade da vida, a liberdade e a paz. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
21 Setembro 2011:
“O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais
forte” (Friedrich Wilhelm Nietzsche, filólogo e influente
filósofo alemão, 1844-1900).
Viver é mergulhar no fluxo da vida. Existe uma maneira de entender
a morte como sendo tudo o que vai tirando a vida. Tirar a vida é provocar
a morte, ou melhor, é arrancar ou esvaziar pouco a pouco a energia mais
fundamental das pessoas ou das coisas. E, dependendo do jeito que se vive, vai-se
provocando a própria morte, no sentido de ir gastando e perdendo muita
energia inutilmente. Viver uma vida de forma fútil, banal e irresponsável,
sem dar a devida atenção ao que é importante e necessário,
é vazamento ingênuo e desperdício de energia. É uma
espécie de perda lenta das forças vitais, um marchar cego rumo
ao suicídio cotidiano. Por isso, é muito importante perceber onde,
no viver diário, se gasta inutilmente energias que nos encaminham passo
a passo para o esgotamento e para o fluxo contrário da vida, pois vida
jamais é o que nós temos, mas é ela que nos tem. É
ela que nos abarca e nos preenche. Já nascemos nela, vivemos nela e só
nos “plenificamos” (nos tornamos plenos, completos) nela. Por isso,
estar nela, é como o peixe no fluxo de um rio. Se ele faz resistência
ao fluxo da água, perde força. Mas, se deixa embalar por ela,
não há nada que o impeça de viver. O que pode provocar
sua morte ou enfraquecê-lo é apenas o saltar para fora da água
(da vida) ou nadar contra o seu fluxo. Da mesma forma, o homem: se ele se solta
livremente para estar no curso da vida; se ele procura nadar nela de maneira
responsável e inteligente; se ele evita colocar resistência ao
seu fluxo vital e vibrante; se ele se deixa possuir e abarcar pelo vigor, transparência
e plenitude, então ele se torna mais forte, mais vigoroso e um membro
que participa de maneira irrestrita da terra dos viventes. A “planície”
ou “a terra dos viventes” no texto sagrado dos cristãos (Bíblia)
é chamada de Éden e a habitante feminina desse lugar é
denominada de Eva, isto é, a vivente ou aquela que junto a Adão
participa plenamente do curso, do fluxo da vida. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
20 Setembro 2011:
“Guardem os irmãos de se mostrarem em seu exterior como
tristes e sombrios hipócritas. Mas, antes se comportem como gente que
se alegra no Senhor, satisfeitos e amáveis como convém”
(da regra dos frades menores, escrita por São Francisco de Assis, 1209).
Quem semeia amor, colhe alegria. Embora este trecho de exortação
fosse para seus companheiros de caminhada, ele tem muito a nos ensinar nos dias
de hoje. Para São Francisco, uma pessoa de bem deve ser uma pessoa alegre,
pois quem tem Deus como Pai, jamais deve estar triste. Tristeza para ele era
sinal de perigo, era um alerta para mudar de atitude e reconquistar a alegria
(amizade com Deus). Quando encontrava alguém amargurado e triste, pedia
que se reconciliasse com o Senhor, pois o maligno nada podia contra alguém
que tem o espírito de alegria. Uma das manifestações desta
alegria era a cordialidade, a amabilidade. Quanta gente em nossos dias fica
amargurada desde que acorda, se olha no espelho e já reclama da vida,
sai com pressa e sem dar bom dia e nesta toada vai tocando o dia. Culpam os
outros das coisas erradas que acontecem sem perceber que são suas atitudes
é que estão atraindo o desequilíbrio em sua vida. Desde
o acordar, devemos agradecer a Deus por mais um dia, sorrir para a vida, irradiar
bondade nas atitudes de cordialidade. Com isso, nós estamos semeando
amor, e amor é o que nos harmoniza com todas as criaturas. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
19 Setembro 2011:
“Que a busca da paz vença os conflitos, que o perdão
supere o ódio e a vingança dê lugar à reconciliação”
(trecho da Oração Eucarística VIII).
Quando andamos em busca da paz, ela vem a nosso encontro. Na química
do amor, tudo se converte em alegria e paz, até chuva é uma oportunidade
para se alegrar, as ofensas recebidas passam adiante sem fincar raízes,
pois só há lugar para o bem no coração. Tudo isso
é predisposição do indivíduo para a paz. Na química
do ódio tudo se converte em tristeza e vingança, pois no coração
deste indivíduo todos estão contra ele, em tudo vê ameaça,
desde um olhar até uma atitude. Precisa aprender a ouvir com o espírito
desarmado, pois a falta de amor impede sua visão do bem. Muitas vezes
são agressões injustificadas sem possibilidade de defesa que desperta
na pessoa uma grande amargura que com o tempo pode se transformar em ódio.
Tal qual um ácido que corrói silenciosamente, assim o ódio
vai destruindo o indivíduo por dentro tornando-o uma pessoa vingativa.
O corpo reage com o aparecimento de doenças estranhas, sem origem plausível.
Culpa até Deus por sua condição desfavorável, sem
perceber que foi o seu querer que fez chegar até este estágio.
Para corrigir, precisa reordenar seu coração, buscando a harmonia.
Tudo precisa ser refeito com amor e perdão. Só o perdão
sincero e honesto é capaz de refazer todo este dano causado. Mas, para
isso a pessoa precisa querer a paz, praticar o perdão e buscar a reconciliação.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
16 Setembro 2011:
“Um homem não é outra coisa do que aquilo que faz
de si mesmo” (Jean-Paul Charles Aymard Sartre, filósofo,
escritor e crítico francês 1905 -1980).
Quem é reto e verdadeiro conduz seu destino; quem é falso e mentiroso,
vive como “marionete” nas mãos de outros. Cada pessoa trará
consigo, desde sua geração e nascimento, uma enorme carga de influências
herdadas de seus pais e, posteriormente, dos irmãos, parentes, amigos,
e de todos aqueles que no futuro virá a conhecer e se relacionar, direta
ou indiretamente, dentro da sociedade em que crescer. Todas as heranças
que receberá contribuirão para forjar seu caráter e seu
temperamento, carente de afetos ou alguém resolvido, cheio de traumas
ou psicologicamente equilibrado. Tudo isso e muito mais poderá influenciar
no seu modo de viver e de se relacionar com as pessoas e com o mundo. Pode,
mediante essas influências, dar início a uma história de
liberdade ou escravidão no seu cotidiano. Vai depender de como cada um
conseguirá ler, refletir, interpretar e se posicionar com tudo o que
recebeu, muitas vezes até sem saber e sem querer. As heranças
podem construir personalidades sadias e de bem com a vida; mas, também,
gente fraca, trancada em si mesma e incapaz de superar o que a torna infeliz.
No entanto, o que cada um recebeu como herança familiar ou social, jamais
constitui a última palavra sobre seu destino e sua vida. Cada um é
aquilo que faz de si mesmo. Em outras palavras, em última instância
o poder de decisão, de escolha e de responsabilidade sobre tudo o que
atinge e toca cada um no seu destino vital está nas próprias mãos.
Essa postura deve despertar a pessoa para o ânimo e a coragem de continuamente
procurar fazer de si o melhor que pode, sem idealizações, ilusões
e falsas expectativas da própria realidade. Acima de tudo, jamais permitir
que outro me force a ser o que não sou; seja querendo me elevar com glórias,
elogios, honras e louvores; seja me diminuindo e humilhando com influências,
comportamentos e pressões feitas das mais variadas formas. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
15 Setembro 2011:
“A sabedoria é filha da dor, e nasce com muitas lágrimas”
(Ésquilo, filósofo grego, 525 - 456 a.C.).
Muitas vezes, um acidente, uma enchente ou outro transtorno, nos pega de surpresa
e nos traz a dor. Diante dela podemos nos desesperar ou encará-la de
frente na busca de minimizar suas consequências. Neste confronto ela passa
a nos ensinar. Ela tem se mostrado mestra de muitos homens e mulheres que passaram
por grandes e inexplicáveis sofrimentos e tribulações ao
longo de seus anos. São inumeráveis aqueles que dizem que só
despertaram para o verdadeiro sentido da vida, depois de terem experimentado
situações de limite com a dor, tais como, uma doença, um
acidente; a perda de alguém especial; um terremoto ou enchente que dizimou
amigos e parentes e destruiu todos os bens da pessoa; uma crise financeira que
à semelhança de uma bola de neve foi aumentando na medida do passar
do tempo; um período quase eterno de lágrimas em meio à
depressão, solidão, abandono, tristeza, incompreensão e
desespero. Ninguém em são juízo acredita que precisa correr
dores e sofrimentos cada vez maiores para chegar ao auge da sabedoria. Isso
seria o mais refinado e insano masoquismo. O sofrimento já se encontra
na tessitura da vida. Tem quem se desespera, reclama e se debate com ele achando
que a simples murmuração trará melhorias. Mas, existem
aqueles que o suportam sem desespero e lamentação e esses são
os que se tornam sábios. Embora sofram, chorem e sintam todas as facetas
aterrorizantes do sofrimento, o suportar o sofrimento é bem diferente
de abençoá-lo. Significa carregá-lo como exigência
única, inadiável e intransferível. Ao invés de simplesmente
evitar a dor ou se revoltar contra ela, muitos procuram aprender das suas mensagens,
pois toda dor é mensageira de uma questão e de uma lição.
Quem deseja aprender dela, sabe que antes de tudo deverá olhá-la
de frente, incluí-la na inteligência da vida, refletir acerca de
suas insinuações, e permitir que ela fale de suas exigências.
Ao se dispor a essa tarefa de aprendizado, encontrará em muitas ocasiões
de dor e sofrimento que se apresentam no seu viver uma oportunidade de ficar
mais livre de certos apegos e estreitezas. Ficará mais sensível
ao que é de fato importante no trato com pessoas e coisas, menos mesquinho
e orgulhoso consigo próprio, mas, sobretudo, mais inteligente e sábio
para lidar com tudo o que é contrário à sua forma cotidiana
de sentir, pensar e querer. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
14 Setembro 2011:
"Quem mais demora a prometer é mais fácil
no cumprir” (Jean-Jacques Rousseau, filósofo, teórico
político, escritor e compositor suíço, 1712-1778).
Promessa é algo tão sério que deveria ser dita com grande
solenidade, após minuciosa análise das suas implicações.
Promessa é uma espécie de compromisso que liga inteiramente a
pessoa ao que ela diz. Na fala de quem promete está em jogo sua vida,
sua honra, sua dignidade e seu destino. Daí que, quem falta com a promessa
(ou finge que promete algo a alguém), em primeiro lugar, já faltou
consigo mesmo, pois a fala ou o compromisso de uma promessa assemelha-se a “um
tiro no pé”, isto é, volta-se sempre contra ou a favor de
quem a pronuncia. Isso quer chamar a atenção para o fato de que
na vida estamos continuamente tendo que dar a palavra em forma de compromisso
ou promessa. O problema é se nos responsabilizamos por ela ou não.
Mesmo quando dizemos a alguém ao telefone para aguardar apenas “um
minutinho” que já vamos atendê-lo e o fazemos esperar quinze
minutos, já é expressão de uma promessa feita, porém,
rompida. Isso pode evoluir e demandar cada vez mais exigência e chegar
a outros compromissos maiores onde a palavra em forma de promessa se torna mais
envolvente e séria. Temos exemplos, no casamento, no voto de uma pessoa
religiosa, no juramento de uma profissão, no testemunho dentro de um
tribunal, nos pactos dentro de um cargo político ou nas relações
entre países e assim por diante. O interessante aqui é que da
promessa feita, mal feita ou desfeita depende a integridade das pessoas envolvidas
nela. Por isso, é muito importante avaliar cada vez com melhor clareza
e consciência se o que queremos dizer (ou prometer) está ao nosso
alcance em termos de engajamento para cumprir. Se em nós existe pouco
interesse, é mais inteligente e prudente demorar ou evitar fazê-la.
Uma pessoa que se compromete numa promessa sem decisão, liberdade e capacidade
de envolvimento, encontrará grande dificuldade de levá-la adiante.
Em contrapartida, se uma promessa encontra em alguém a liberdade, abertura
e disposição necessária para ela ser gerada, crescer e
se consumar, então ela se torna, ainda que com todas as suas exigências
e pesos, mais fácil e suave de ser carregada, cumprida e levada até
suas últimas consequências. (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
13 Setembro 2011:
“Um homem de virtuosas palavras não é sempre
um homem virtuoso” (Confúcio, filósofo chinês,
551-479 a.C.).
A força da palavra transforma tanto quem a produz como aqueles que a
ouvem. Como entender que alguém de palavras virtuosas nem sempre possa
ser uma pessoa virtuosa? Quase sempre imaginamos as palavras sendo um eco expressivo
das virtudes que acompanham a pessoa ou que a pessoa seja uma ressonância
das virtudes que carrega. Falando bem concretamente, é comum pensar que
a palavra deve seguir o exemplo e o exemplo deve ser expressão daquilo
que se fala. De modo quase semelhante é possível ouvir o jargão:
“Falar do que se vive é viver do que se fala”. É esse
o esforço moral e vivencial que atormentam e questionam a muitos educadores,
pais, mestres e líderes no trato com seus respectivos educandos. Eles
sentem peso de consciência quando suas vidas parecem contradizer ou a
desdizer uma relação entre palavra e ação ou entre
ação e palavra. A questão, no entanto, se encontra no fato
de que em geral se imagina que quem possui virtuosas palavras é alguém
que através de seu esforço e comportamento irrepreensível,
seja o gerador de toda e qualquer palavra virtuosa a ponto de poder (por seus
méritos) ser modelo de comportamento aos demais. Nesse caso muitos se
justificam dizendo que o homem virtuoso é aquele que é um exemplo
de caráter que deve inspirar os outros no bem. E por ser considerado
um poço de virtudes é admirado, honrado e seguido por quem o vê
como modelo de comportamento. Isso promove uma espécie de “endeusamento”
da pessoa que comumente se denomina de “culto de personalidade”
e onde se passa a seguir a pessoa como um exemplar de “infalibilidade”.
Porém, no dia que tal pessoa falha o que ocorre é que toda a nossa
admiração por ela “cai por terra”. E há casos
em que ela passa a ser até odiada por se achar que ela enganou a todos
que se fiavam no seu exemplo. O culto de personalidade consegue fazer desmoronar
muitas relações que estavam assentadas nesse exagero de expectativas
sobre o outro. Isso se dá frequentemente, porque nem sempre a pessoa
de virtuosas palavras é uma pessoa virtuosa. Embora diga palavras sábias
e exemplares, ela pode ser cheia de defeitos. Ela pode estar lutando para superar
seus defeitos. Nem tampouco quer dizer que exista uma contradição
entre o que fala e o que vive, pois sua fala pode ser um eco da força
e da graça da palavra, onde tanto ela quanto quem a ouve estejam sob
a fluência e a transformação do que a palavra ensina. Nesse
caso, aquele que fala jamais é um proprietário da palavra para
ser “endeusado” por aquilo que diz. Ele pode até ter uma
vida contraditória com aquela palavra que pronuncia, devido às
suas fraquezas e limites, mas tanto ele quanto aqueles que ouvem o que é
falado por ele estão sob o comando, o trabalho de escuta, de atenção
e a disponibilidade à ação, formação e transformação
da palavra. No fundo ele sabe muito bem que quem forma e transforma é
a palavra, jamais ele mesmo com seus méritos e esforços de exemplaridade.
Por sua vez, quem entende isso jamais põe sua expectativa naquele que
pronuncia as palavras que apontam para o trabalho das virtudes, nem mesmo “endeusa”
os seus locutores, pois sabe diferenciar muito bem o que é dito pela
pessoa e da pessoa propriamente dita. Essa atitude evita muitos escrúpulos,
julgamentos, decepções e falsos cultos de personalidades e atitudes
errôneas em relação ao nosso modo de olhar, entender e conviver
com pessoas que possuem palavras virtuosas, mas que no modo de viver nem sempre
são virtuosas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
12 Setembro 2011:
“Com admiração, por tudo de bom que você constrói
e ninguém vê” (http://www.youtube.com/watch?v=WBSAVK2xLgU&feature=email).
“Nenhum sacrifício é tão pequeno que Eu não
veja”. Há tantas pessoas que semeiam o bem sem que ninguém
saiba. Fazem sem a intenção de serem reconhecidas ou receberem
agradecimentos, o que as move é o amor. Pode acontecer em todo lugar,
em casa, na rua, no serviço, no lazer etc. Retira um caco de vidro da
grama e coloca no lixo, para que ninguém se machuque. Seca uma poça
para evitar a queda de distraídos. Pode ser um profissional que no exercício
de sua função vai além e a faz com amor semeando o bem.
Acorda de madrugada e corre para ligar um equipamento necessário, evitando
com isso o transtorno de alguns. Paga uma dívida sem que o outro saiba.
Cobre uma criança para protegê-la do frio etc. São ações
silenciosas e ocultas que ficam no anonimato dos homens, mas que estão
na eterna lembrança de Deus. Esperar reconhecimento é comércio,
fazer sem pretensões é amar. Estas ações são
semelhantes a tijolos que vão se juntando um a um e com o tempo formam
grandes catedrais de amor. Como diz o texto sagrado “e teu Pai, que vê
o que está oculto, te recompensará” (do evangelho de Mateus
6, 18). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia!
(15 anos)
6 Setembro 2011:
“Ninguém pode saber por ti. Ninguém pode acreditar
por ti. Ninguém pode buscar por ti. Ninguém pode fazer por ti
aquilo que tu mesmo deves fazer. A existência não admite representante”
(Jorge Bucay, escritor argentino nascido em 1949).
Uma existência que “valha à pena” deve ser vivida na
alegria da liberdade. A palavra existência nos transmite a ideia de um
ente, de ser, de um “estar aqui” real. Nesta existência somos
únicos. Podemos delegar muitas coisas, menos o nosso existir com todos
os atos que lhe são próprios. Poder fazer isso é ser independente.
Quantas pessoas gostariam de ter acesso às fontes do saber, mas de alguma
forma são impedidas. Quantas pessoas são tolhidas da liberdade
de ir e vir, de pensar, de buscar, de manifestar a sua fé etc. Viva com
responsabilidade sua liberdade, sua independência e faça, busque,
realize, pois ninguém fará por ti. Faça valer a pena sua
existência e deixe para o futuro uma marca positiva de sua presença.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
5 Setembro 2011:
“Riqueza sem trabalho. Prazer sem consciência. Conhecimento
sem caráter. Comércio sem moralidade. Ciência sem humanidade.
Religiosidade ou ideologia sem espírito de sacrifício e sem tolerância.
Política sem princípios.
Direitos sem responsabilidade” (são sementes da violência,
segundo Mahatma Gandhi, advogado e líder hindu, 1869-1948).
Gandhi dedicou sua vida ao princípio da não violência; preferia
ser agredido a devolver a agressão em igual proporção.
Procurou mostrar a seu povo que culturalmente tinham uma identidade e imitar
a ostentação dos ingleses que governavam em sua época;
não os engrandeciam, ao contrário, se expunham ao ridículo
ao fazê-lo. Na busca de identificar as fontes da violência, chegou
aos sete primeiros princípios, sendo o último (oitavo) acrescentado
por seu neto. Olhando atentamente para estes princípios verificamos que
continuam a gerar violência nos dias de hoje. Gandhi começou a
mudar a partir de si mesmo, deixou o terno inglês e vestiu um traje do
povo simples. O que representava opressão era deixado de lado. Demonstrou
com atitudes que era possível viver dignamente sem ambições
trazidas de outros povos. Sua atitude foi imitada por outros e assim o povo
percebeu que unidos tinham mais força que a simples representação
política. Pela não violência ele devolveu à Índia
sua soberania. Será que estes princípios apontados por Gandhi
estão presentes em nosso Brasil? (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
2 Setembro 2011:
“É mais fácil amar a humanidade em geral que ao
vizinho” (Eric Hoffer, escritor americano, 1902-1983).
As pessoas de nosso convívio são presentes de Deus para serem
amadas. Por quê razão alguns têm mais facilidade em brincar,
sorrir, ser espontâneos e piadistas com pessoas que apenas acabaram de
conhecer do que com os da sua própria casa? O que dizer daqueles que
preferem inventar mil e uma desculpas para estar no trabalho, com os amigos,
nas viagens, nos compromissos, do que estar algumas horas ou minutos com a esposa(marido),
com os filhos ou com a rotina de um lar? Por quê é melhor tecer
elogios à comida de alguém que só por um dia caprichou
na receita e foi feliz no resultado, a quem diariamente se desdobra na criatividade
para preparar um prato saboroso e necessário para o sustento de seus
familiares? Por quê em certos momentos temos tanta facilidade em dizer
“beijos” ao telefone para todos com quem falamos no trabalho, e
em casa mal nos cumprimentamos nas idas e vindas do dia? Por que alguns se desmancham
em palavras doces para com os de fora, mas encontram tantos obstáculos
e resistências em si mesmos para dizer aos mais próximos e íntimos,
àqueles que lhes são caros ao coração, “eu
te amo”? Pelo jeito é preferível falar em geral ou manifestar
o que pensamos e sentimos aos de longe e aos estranhos, do que aos que temos
a graça do convívio diário. Talvez isso se deva porque
ao ter que dizer o que sentimos e pensamos aos de perto; aos que já construíram
uma história de longo convívio conosco; tenhamos que nos apresentar,
nos expor, mostrar quem nós somos e como estamos. E nem sempre queremos
nos revelar aos de perto por medo ou pela ilusão de achar que seremos
por eles julgados ou vistos em nossas fraquezas e deslizes. Por outro lado,
nos expor significa nos comprometer com o que dizemos, pensamos, sentimos e
queremos, pois isso exige o que nem sempre temos a oferecer, isto é,
afeto, tempo, dedicação, envolvimento de corpo e alma, transparência,
sensibilidade e altruísmo. Com isso, passamos a levar uma existência
cheia de artimanhas, desculpas e subterfúgios para evitar colocar a nós
mesmos na situação. Ao mesmo tempo, isso vira uma espécie
de falsificação de personalidade onde nos apresentamos bem para
os distantes, mal para os próximos e péssimos para nós
mesmos. E com essa mentira levamos a vida sempre em meio ao geral, ao social,
ao todo mundo, até o dia em que formos acordados violentamente pela verdade
de nós mesmos em meio a alguma situação que nos estremeça
até os ossos. Na verdade, o geral, o todo mundo, o ‘social, nessa
perspectiva é ilusório, sem existência real, é só
uma armadilha que montamos para fugir da realidade e do compromisso que temos.
O que existe é o aqui e agora, o próximo, o íntimo, ou
seja, o marido, a mulher, o filho, o pai, a mãe, o amigo, o colega de
trabalho ao meu lado, o pobre que me visita, o estranho ao qual me aproximei.
São esses que desafiam o meu compromisso diário, os meus afetos,
os meus valores, a minha vida, a minha crença e o meu modo de ser. Somente
eles me foram dados aqui e agora para amar, respeitar e conviver. O que ultrapassa
isso é ilusão de ótica e fuga. Talvez esteja aí
o sentido das palavras que São João sabiamente dirigiu aos seus
contemporâneos ao desafiá-los ao amor real e concreto ao próximo
quando diz: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia
seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão,
a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê
(João 4, 20). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
1 Setembro 2011:
“Nunca ande pelo caminho traçado, pois ele conduz somente
até onde os outros já foram” (Alexander Graham
Bell, cientista e inventor escocês, 1847-1922).
Os nossos passos marcam o nosso caminho. A palavra caminho traduz a ideia de
uma via por onde se costuma passar. Ele pode ter sua existência física
(rua, vereda, atalho etc.) ou espiritual (caminho que leva a Deus, caminho da
perdição etc.). A experiência do caminho e do caminhar é
muito pessoal e única. Ninguém caminha pelo outro e para o outro,
somente com o outro. Ao caminhar é possível rever o caminho e
mudar várias vezes o modo de caminhar; porém, alterar o caminho
já trilhado é tarefa inútil. Feito o caminho o caminho
é feito. Querer apagar as pegadas construídas só desfaz
as marcas, nunca o andado. Por sua vez, o caminho que cada um se dispõe
a trilhar é único e somente dele. Aventurar-se a andar no caminho
que outros fizeram é uma desventura e perda de tempo para quem quer ousar
o novo e o próprio. Só anda pelo caminho alheio quem deseja conhecer
melhor a pegada do outro para com ela aprender a forjar o próprio estilo
de caminhar. É assim que muitos atletas começam, ou seja, repetindo
ou imitando o que outros já fizeram, depois seguem seu próprio
estilo. Porém, quem ousa um caminho novo e um novo caminhar, precisa
estar atento ao fundamental: abandonar a ideia do difícil, do longo e
do pronto em relação ao caminho. O caminho se faz ao caminhar
e ele só é difícil, longo e íngreme para muitos,
porque desde o inécio já se está na tensão de querer
estar no fim, de chegar logo, e com isso sua tenacidade se esvai. O verdadeiro
caminho, no entanto, não está no fim, mas no caminhar de forma
tenaz, confiante e cordial. Essa forma de caminhar deixa de ter o fim como meta
e passa a ter o próprio modo de caminhar aqui e agora. Assim, cada vez
de novo e sempre novo, libertando-se a cada passo da tentação
de fugir das dificuldades e assumindo a realidade de modo fiel e perseverante
assim como ela se mostra. Estar nesse empenho, “custe o que custar”,
faz a pessoa encontrar sua forma de caminhar, traçar seu caminho como
único e a estar nele de maneira jovial, livre e criativa. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
31 Agosto 2011:
“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao
seu tamanho original” (Albert Einstein, cientista alemão,
1879-1955).
Quem ouve, “aprende”; quem pensa, “ilumina”. A mente
de qualquer pessoa, assim como seus membros físicos, precisa continuamente
de exercícios para ser ampliada. Esses exercícios podem ser feitos
através de leituras, cálculos matemáticos, investigações
que instigam a curiosidade, confrontos com outras áreas de conhecimento,
diferente da própria, mas, sobretudo com o diálogo. O diálogo
pode ser feito entre pessoas, mas pode ser feito também entre ideias
e situações com as quais cada um se depara no dia-a-dia. Na contramão
do diálogo, é muito comum ver pessoas fechadas nas próprias
ideias, nas suas concepções da vida, de educação,
de religião, de comportamentos e valores e até do que elas chamam
de “verdade”. Amarradas e obcecadas pelo que julgam “certo
e errado”, “justo e injusto”, “bom e mau”, elas
evitam o confronto de ideias e quando são convidadas a emitir sua opinião
em algum grupo ou reunião, o fazem “batendo o martelo” como
palavra única e final. Gente assim dificilmente consegue escutar o que
ultrapassa seu próprio campo de visão e compreensão. São
inseguros em suas posições, estreitos na forma de ver e avaliar
a opinião alheia, intolerantes para lidar com diferenças e resistentes
em aceitar mudanças. É uma pena, porque quem age dessa maneira
tem mente curta e visão embaçada das coisas. Por evitarem “massagear”
(exercitar) a mente com as possibilidades infinitas que brotam do diálogo,
atrofiam-na no curso da vida e se tornam pessoas de difícil acesso, bloqueadas
e com dificuldade de perceber a “realidade” como ela realmente se
mostra. Em geral falam e agem mais a partir de pressuposições
e receitas mentais do que de ideias claras e convicções nascidas
de um diálogo profundo com aqueles e com aquilo que se mostra a eles
a cada diferente situação. Mente aberta pode experimentar infinitas
possibilidades de compreensão das coisas e expandir-se sempre mais na
direção do saber, pois sua elasticidade vai “do mais alto
ao mais profundo”; “do largo ao comprido” e “do íntimo
ao vasto”. Pessoas de mente larga, clara e aberta é que no mundo
são chamadas de flexíveis, maduras, sensatas, próximas,
simpáticas, criativas, sábias e de fácil acesso nos relacionamentos.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
30 Agosto 2011:
“Pelos ares do criado pode-se avaliar o patrão”
(Philippe Néricault Destouches, ator francês, 1680-1754).
Antes de mandar, demonstre fazendo. De uns tempos para cá, é muito
rotineiro escutar de autoridades, pais e educadores, certas afirmações
de que para resolver os problemas da sociedade se tem que investir na educação
das crianças, dos adolescentes e dos jovens. Em empresas e repartições
públicas se fala muito do problema de falta de preparação
e competência dos funcionários. Em tudo isso, jamais se questiona
as autoridades, os mestres, pais, educadores e patrões. A culpa e o problema
parecem estar sempre do lado oposto. E assim se cria todo um discurso e apologia
de dar educação para as crianças como se elas fossem a
causa do desequilíbrio dos pais. Ouve-se em tirar os adolescentes e jovens
do mundo das drogas e da marginalidade como se eles amassem viver aí.
Também falam em investir na competência e especialização
dos funcionários como se eles fossem a causa da má administração
e do fracasso das empresas. Na verdade, as crianças são em muitos
casos o reflexo e o eco dos pais. Elas reproduzem o que ouviram, viram e experimentaram
no convívio e aprendizado com eles. Adolescentes e jovens em muitas situações
estão tentando fugir do vazio, da insegurança e da falta de sentido
da vida que presenciaram junto aos adultos. O mundo das drogas, da bebida, das
ruas e das más companhias, os tira por um momento desse mundo de pressão
e ‘stress’ dos adultos e lhes dá, ao menos por algumas horas,
a fugaz ilusão de liberdade, desafios, afeto, segurança e realização
que tanto procuram. Os empregados, por sua vez, são o termômetro
do patrão. Quando este é severo, orgulhoso, mandão, inseguro,
incapaz de aceitar e ver os próprios erros, o clima da empresa e do ambiente
de trabalho é sempre sombrio, pesado, negativo e os frutos da produção
jamais corresponde ao esperado. Em nada resolve cobrar e investir na família,
na escola, na empresa, na sociedade, ou em um mundo melhor, se aqueles que possuem
a primeira e mais fundamental responsabilidade de serem melhores, se excluem
ou se negam a entrar no processo de aprendizado, crescimento, mudança
e formação. Quem lidera devia primeiro olhar para si e ver se
o que exige dos outros também se aplica à sua própria pessoa,
caso estivesse no lugar delas. Por isso, antes de querer melhorar e mudar os
outros, deve ter já trilhado um grande caminho de melhoria e mudança
pessoal. Se faltar esse critério anterior de investimento e avaliação
pessoal, é inútil e infrutífero os pais quererem a mudança
e melhoria dos filhos, os educadores dos educandos, os políticos do povo,
os patrões dos empregados e os líderes dos liderados. É
o mesmo que querer fazer passeatas pelas ruas com bandeiras da paz quando em
seu ambiente são os maiores responsáveis pelos espetáculos
de grosseria, agressividade, ‘bate-bocas’, pancadarias, desrespeito
humano e violências de todos os estilos. Talvez aqui o mundo precise de
novo e sempre de novo ouvir, prestar atenção e procurar imitar
a atitude fundamental de Jesus de Nazaré, que sendo considerado como
Senhor e mestre; colocou-se aos pés de Pedro para lavar seus pés
e afirmou diante da falta de entendimento do discípulo: “Se eu
não te lavar, não terás parte comigo” (João
13, 8). Na lógica divina quem tem a maior responsabilidade é quem
toma as iniciativas e procura por primeiro mostrar pelas atitudes como se faz
e como deseja que sejam as coisas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
29 Agosto 2011:
“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser.
Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito,
e não em ter condições de êxito. Condições
de palácio existem em qualquer terra larga, mas onde estará o
palácio se não o fizerem ali?” (Fernando Pessoa,
poeta e escritor português, 1888-1935).
Serei o que quiser se tiver atitude correta. O verbo intransitivo “agir”
traduz a ideia de “atitude”, ação, providência,
ou seja, descruzar os braços e fazer. Penso que são incontáveis
as planos que se perderam por falta de ação. Quando a bola rola
em direção ao gol, alguém tem que chutar, senão
ela sai pela linha de fundo. Nós devemos ser este alguém que têm
atitude e chuta em direção ao gol, se quisermos ver o gol feito
e a partida ganha. Esperar que o outro faça em seu lugar é fugir
da responsabilidade. O mundo está carente de pessoas de coragem que decidam
com acerto. Muitas vezes a bola vem meio fora de ângulo, mas o bom artilheiro
se esforça e aproveita para corrigir a trajetória e cabecear para
o gol. É assim que se decide uma partida, com atitude, também
é assim que se consegue êxito nas empreitadas da vida, com atitude,
com ação. Faça e a coisa acontece, espere e nada sai feito.
Tudo está diretamente ligado ao querer. (Reflexão feita por Jose
Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
26 Agosto 2011:
"Eu sou o único espectador desta rua; se eu deixar de ver,
ela morrerá." (Jorge Luis Borges, escritor e poeta argentino,
1899-1986).
O homem é o único ser que pode ser espectador. Ser espectador
significa no caso uma espécie de observador, um contemplador das coisas.
Mas, esse observar e contemplar é diferente de ficar num ponto olhando
outro ponto para tirar certas conclusões sobre ele. Observar, contemplar
aqui tem o sentido de uma visão, um olhar aberto, profundo e penetrante
que nos é presenteado quando estamos envolvidos “até o pescoço”
com a “coisa” ela mesma. É como o peixe envolvido na água
e que sente sua vibração, grandeza, pureza, graça e atingimento.
Ele vive, respira, se move e faz qualquer coisa só a partir dela e com
ela. Tudo nele é de certa forma, água. O que ele vê e experimenta
é possibilitado pela força e presença da água. Ele,
no caso, não vê água (assim como nós não vemos
o ar, apenas sentimos quando nos damos conta), mas vê a partir dela e
sob o embalo dela. Um espectador é alguém que vê também
a partir de um olhar todo próprio que o atinge, o forma e transforma.
Assim sendo, quem vê a rua nesse sentido, vê mais do que um caminho
de pedra ou asfalto onde passam pessoas, carros, bicicletas e motos. Ele se
vê na rua e a rua nele. Enxerga a rua como caminho e ele no caminho e
como caminho. Ele passa por ela e ela se passa nele. Ela tem ligação
com sua casa, seus genitores, seus filhos, sua esposa, seus animais de estimação,
com a casa do vizinho, com os amigos que o visitam. Tem ligação
com o cachorro “pestilento” deitado nas suas encostas; com o jardim
florido e as árvores da calçada, com o comércio barulhento
e as batucadas de noite adentro; com a sua cidade, seu país, com o mundo,
a terra inteira, o céu e assim por diante. Essa rua é a sua rua.
Ele pertence a ela e ela pertence a ele. Ela é o seu passado, seu presente
e as promessas de seu futuro. É a história de sua história.
É a sua poesia, sua alegria, suas idas e vindas, seus encontros e desencontros,
seu trabalho suado e cansado, sua vida, seu destino, sua morte. Ela tem seu
sentido de ser no brilho dos olhos do seu espectador de cada dia. Ele a vê
e a contempla numa pertença tal que ela só pode ser vista por
ele e por aquele que for pego pela presença de sua ausência e pela
ausência de sua presença. Essa rua só existe porque ele
a vê na sua ausência e presença, assim como todas as coisas
só são vistas e só vivem no olhar daquele que é
despertado gratuitamente para a ausência de uma presença e a presença
de uma ausência de tudo que o cerca. (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
25 Agosto 2011:
“A paz queremos com fervor. A guerra só nos causa dor.
Porém, se a Pátria amada. For um dia ultrajada. Lutaremos sem
temor” (canção do soldado).
A paz não é ausência de guerra, mas presença
de amor’. Hoje no Brasil se comemora o dia do Soldado. Por princípio,
o Soldado é alguém que se coloca a serviço da Pátria
para defendê-la e dar paz a seus compatriotas. Esta ameaça é
tanto externa como interna. Externa quando a soberania é ameaçada
por potências ou grupos estrangeiros, interna quando grupos de orientação
adversa tentam subverter a ordem a partir do território nacional. Sua
maior glória é defender a Pátria amada, sua maior decepção
é a injustiça. A ingratidão dói mais no Soldado
que a ferida de uma batalha. A paz completa só existirá no dia
em que tivermos consciência que acima de tudo somos irmãos e que
apesar de alguns desentendimentos o amor deve prevalecer. O maior desafio é
defender o povo que luta para sobreviver enfrentando todo tipo de adversidade,
muitas vezes esquecido, mas mesmo assim acredita no Brasil, vibra com a camiseta
verde amarela e sonha com um futuro melhor. (Reflexão feita por Jose
Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
24 Agosto 2011:
“Palavras amáveis abrirão uma porta de ferro”
(Provérbio turco).
Pela palavra, Deus fez o céu e a terra. Porta de ferro é pesada,
difícil de ser aberta, mas ela cede sua rigidez ao som de doces palavras.
A palavra falada, gesticulada ou silenciada exerce um poder incrível
de influência sobre a vida de qualquer ser humano. O que somos ou não
somos hoje em dia se deve em muito à força de palavras que no
passado, sob as suas mais variadas formas, nos foram dirigidas de maneira bendita
ou maldita. Aquelas palavras que desde a infância nos foram ditas com
doçura, respeito e amabilidade, tiveram a força de forjar em nós
um caráter mais amável e um coração mais dócil,
grandioso, generoso, tolerante e compreensivo para com as próprias falhas
e os erros alheios. Foi as palavras bem ditas pelos genitores, amigos, parentes
ou algum estranho qualquer que um dia cruzou nosso caminho, que nos deram os
contornos mais sólidos e sadios de nossa personalidade. De certa forma,
nos ajudaram e ajudam o mundo a se manter de pé em meio ao caos de valores
que de tempos em tempos o assola. As palavras amáveis são como
bálsamo e como anjos bons a nos curar as feridas e a nos acompanhar e
reorientar a vida quando tudo ao nosso redor parece desmoronar e perder o sentido.
Palavras amáveis guardadas na memória e no coração
de homens e mulheres de todos os tempos é que abriram portas difíceis
de relacionamentos entre elas e estabeleceram pontes onde antes era só
abismo, orgulho e intolerância. Por sua vez, as palavras malditas também
tiveram poder sobre as pessoas, só que exercendo nelas um efeito devastador.
Geraram pessoas fechadas, negativas e oprimidas pelo próprio medo de
sair de si e ousar qualquer iniciativa. Ao mesmo tempo, macularam suas mentes
de um pessimismo inquebrantável na vida; deixaram seu ego em constante
estado de defesa para com o próximo; provocaram um verdadeiro exorcismo
à sua sensibilidade, tornando-as frias, indelicadas, amargas e vingativas.
E desse modo, é muito comum nos darmos conta de que estamos em contínuo
contato com pessoas que são frutos de tais palavras benditas ou malditas
em sua história pessoal. O que colhemos ora implodindo ou explodindo
no trânsito, no trabalho, entre os familiares ou mesmo em uma situação
de desencontro, é apenas o eco mais visível dessa história
de palavras incorporadas ou congeladas nas pessoas. Ora é o outro, ora
somos nós mesmos a estar sob o efeito delas. No fundo, somos sempre uma
palavra em formação, em ação e reação.
Tomar consciência da palavra que um dia nos foi bendita ou maldita, refletir
acerca da palavra que somos no momento e pensar na palavra que podemos ser no
instante seguinte, representa uma forma inteligente e madura de construir a
própria história. Deixar de lado aqueles abismos e lacunas de
personalidade que no mundo da vida apenas destrói a nós mesmos
e a tantos. Assim sendo, a palavra que pronunciamos a todo o momento como eco
de nós mesmos, seja sempre boa e perfeita para que perfeito e bom seja
aquele que a proclama. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
23 Agosto 2011:
“As boas maneiras começam quando temos que compartilhar
alguma coisa com boa vontade. Quando duas pessoas devem compartilhar um guarda
chuva, (por exemplo) se não o tiverem, terão que compartilhar
a chuva com todas as ricas possibilidades de humor e alegria”
(Gilbert Keith Chesterton, escritor britânico, 1874-1936).
Quantas boas amizades tiveram início quando foi necessário
compartilhar algo. Quando a vida nos impõe a necessidade de dividir,
ela quebra a barreira da indiferença e nos faz abrir o coração
deixando de lado nosso egoísmo. E se tivermos o espírito da alegria
jovial, mesmo quando nada tivermos a compartilhar, nos colocaremos à
disposição para ajudar naquilo que for preciso, sempre com bom
humor e alegria. Quem sabe se o Criador nos colocou nesta situação
para entendermos que compartilhando nossa boa vontade, poderíamos achar
uma solução. Quando as dificuldades são vistas de outro
prisma, de forma diferente e com bom humor, elas deixam de ser apavorantes e
ganham soluções acessíveis. Se colocar a serviço,
ser gentil, pensar primeiro no outro, são exercícios de boas maneiras
que podemos praticar sempre. Assim as boas maneiras serão naturais em
nosso comportamento e se tornarão as portas de entrada de boas amizades.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
22 Agosto 2011:
“A consciência é a voz que, provindo de uma profundeza
situada além da vontade e da razão próprias, clama pela
unidade da existência humana consigo mesma”. (Dietrich
Bonhoeffer, teólogo e pastor luterano alemão, morreu por ser da
resistência antinazista, 1906-1945).
Os covardes seguem a voz da maioria, os heróis escutam a própria
consciência. Diante de tantas questões que rotineiramente nos atingem
e nos colocam contra a parede para dar respostas rápidas ou para tomar
decisões importantes na vida, ficamos muitas vezes titubeantes e atolados
no impasse sem saber que melhor rumo ou atitude tomar. Nessas horas quase sempre
nos cercam as mais diversas vozes vindas do exterior a nos sugerir, impor ou
dizer o que devemos ou não fazer. Embora nos encontremos rodeados dessas
inumeráveis opiniões, conselhos e advertências, muitos até
razoáveis e sensatos, jamais devemos abrir mão de ouvir a voz
da própria consciência. Aliás, é sempre recomendável
evitar agir contra a própria consciência, pois é ela que
consegue identificar e apresentar à nossa razão, aos nossos sentidos
e à nossa vontade, tudo o que constitui perigo ou ameaça ao nosso
ser mais profundo. A consciência é uma espécie de sensor
a dizer claramente se a unidade de nossa existência humana está
se perdendo ou sendo conduzida ao precipício de uma tragédia por
causa daquilo que encanta ou sugestiona nossas ações. Por isso,
antes de dar ouvidos a quem quer que seja, é sempre bom escutar primeiro
o que tem a dizer a voz da própria consciência e fazer de tudo
para que ela jamais se corrompa. Uma consciência corrompida desintegra
o ser humano e o torna submisso a toda sorte de influências. Façamos
com que nossa consciência proteste a todo instante contra aquelas ações
que ousam sacrificar nossa integridade física, moral, psicológica
e, acima de tudo, espiritual. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
19 Agosto 2011:
“Vede como é bom e agradável que
os irmãos vivam unidos! É como óleo perfumado
derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba
de Aarão, a escorrer até à orla das suas
vestes. É como o orvalho do monte Hermon, que
escorre sobre as montanhas de Sião. É ali que
o SENHOR dá a sua bênção, a vida
para sempre”. (Salmo 132 do texto grego ou 133 do texto hebraico).
A união em paz é uma bênção. Dentro da espiritualidade
Cristã é muito importante compreender que unidade e acima de tudo,
o amor, são realidades que procedem de Deus. São duas dimensões
que nascem do alto do céu, do coração divino, jamais dos
homens ou da terra. O homem e a terra, no caso, são o lugar do acolhimento
ou da rejeição dessas realidades. Por sua vez é Deus quem
ama por primeiro e derrama esse amor sobre a humanidade em forma de vida e de
bênção eterna. Esse amor é Deus mesmo enquanto Pai,
Filho e Espírito (de modo especial, o Amor de Deus é o Filho Jesus
Cristo encarnado). E a forma de infusão desse amor no ser humano acontece
à maneira como descreve o salmo 132 (texto grego) (no texto hebraico
133). É derramado como um óleo perfumado na cabeça do homem.
A cabeça no caso é a mente, a inteligência, a sabedoria
humana como espaço de entendimento e compreensão das verdades
divinas. A trindade santa é a verdadeira mente do homem e é na
sua inteligência que ela atua para inspirar e se comunicar. É na
cabeça, também, que está a presença dos sentidos
que nos permitem captar, entender e expressar o que Deus nos comunica. A barba,
por outro lado, é uma espécie de véu que protege o rosto.
O véu é para ser revelado, mas revelar não é retirar
o véu e, sim, deixar ver o véu como véu. É cuidar
para que o que se esconde no véu seja visto como ele é, jamais
como se quer, imagina ou impõe. O amor divino precisa ser protegido e
mostrado como ele é na sua verdade, nunca como os homens desejam, põem
ou impõem na suas diferentes formas de relacionamento. Esse amor ao passar
pelo véu da barba desce pelo pescoço (a fé), passagem do
sopro do espírito que vem da cabeça, e se espalha como um perfume
agradável pela orla das vestes da pessoa. A veste é a nossa natureza
humana com tudo que ela é e tem. Porém, é a natureza humana
que recebe os dons do espírito e os transforma em virtudes a proteger,
cuidar e guardar a pessoa em todos os seus passos nesse mundo. Lá onde
alguém recebeu essa unção do espírito de amor e
se mantém nele custe o que custar, ali há paz e unidade dentro
e fora dela. Ao mesmo tempo, onde esse amor é acolhido e amado, é
agradável se viver juntos, unidos, e as bênçãos divinas,
assim como um óleo liso, vigoroso e perfumado, escorre em abundância
para aquela pessoa e contagia todos que a rodeiam, tornando ela e os que dela
se aproximam gente boa, forte, livre e cheia de vida. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
18 Agosto 2011:
“De nada serve o correr; o que convém é partir a
tempo” (Jean de La Fontaine, poeta e fabulista francês,
1621-1695).
Na cadência do tempo, tudo tem seu tempo. Em certas situações,
correr é necessário e urgente. Em outras é só pressa
e afobação desnecessárias. Como distinguir cada uma delas
nas diversas situações pelas quais passamos? É difícil
dizer, mas se o que desejamos fazer é de fato importante, então
o “truque” é partir a tempo (com antecedência). Por
exemplo, se é um encontro com a pessoa amada, uma consulta médica
ou um compromisso inadiável, então é bom partir a tempo
para evitar a correria de última hora, os “atropelamentos”
e o atraso. Mas, se negligenciamos o horário de chegada para a prova
de um concurso, correr contra o tempo depois que os portões foram fechados,
é inútil e pouco inteligente. Assim sendo, certas correrias na
vida se tornam sem importância se o que queremos é apenas tentar
salvar o que já é fato consumado. O bom mesmo é se antecipar
sempre para, como diz o mineiro, “Não perder o trem”. Isso
vale para tudo na vida, especialmente para os relacionamentos: uma carta, um
escrito, uma palavra, um gesto, um “toque”. Nesses e em outros casos,
partir a tempo, antecipar-se, é adiantar-se no tempo e “adiantar”
o tempo para evitar perder o que jamais retorna; as oportunidades que ele oferece.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
17 Agosto 2011:
“Quando o homem não se encontra a si mesmo, não
encontra nada” (Johann Wolfgang Von Goethe, escritor e filósofo
alemão, 1749-1832).
Encontrar-se supõe já achar-se perdido. Perdido está quem
se afastou de sua origem, das suas raízes, da sua identidade mais profunda
e desconhece em princípio o caminho de volta. Porém, voltar às
origens, à identidade mais profunda de si mesmo, jamais é um voltar
ao passado para recuperar antigos costumes de humanidade ou comportamentos e
valores éticos adormecidos. Voltar ao passado, no caso, é retornar
ao que nunca passa, ao que sempre de novo e de modo novo nos forma e transforma.
É redirecionar-se ao que nos constitui como pessoa e que nada nesse mundo
tem o poder de nos tirar, pois permanece em nós, mesmo em meio às
nossas manchas e misérias. Trata-se de voltar a sermos nós mesmos
e fazer essa volta é um trabalho de conversão. E conversão
no caso é um processo de inversão e reversão de tudo o
que temos e somos no momento. Isso está longe de ser simplesmente uma
mera rejeição e ojeriza ao mundo, às coisas, às
pessoas, aos costumes e valores e até a nós mesmos. Implica, sim,
em um mergulho e abraço cordial, puro, aberto e real às fontes
de nosso ser. As fontes ou a fonte de nosso ser não é um “onde”
ou um “quê” que já sabemos para onde ir e o que fazer,
mas é um abismo de possibilidades que se abre em nós e diante
de nós a partir do momento em que nos lançamos na grande aventura
de ter que ser e de nos responsabilizarmos por nós mesmos com tudo o
que temos e somos neste mundo. Quem foge dessa tarefa e confronto nada encontra.
Quem se dispõe a essa “via-gem” sem fim determinado de antemão,
se encontra e encontra junto todo o resto que procura. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
16 Agosto 2011:
“A filosofia implica um jogo livre no pensamento, é um
ato criador que dissolve as ideologias” (Martin Heidegger, filósofo
alemão, 1889-1976).
“O que não se usa, atrofia-se”. Assim afirma o jargão
popular. Isso vale para quase tudo, desde as ferramentas, peças mecânicas
e utensílios até as partes de nosso corpo; mas, também
para a filosofia no reino do pensamento. Ela precisa de contínuo exercício
na mente para se manter livre e viva no confronto com as mais diversas questões
e ideologias. Sem esse treino e confronto diário, facilmente ela cai
em dogmatismos, fundamentalismos, ingenuidade acadêmica e em construções
de sistemas de saber muito lógicos e coerentes, mas distantes da verdade
do pensamento mais radical das coisas. A filosofia enquanto tal jamais abandona
o confronto com as questões da vida e com as mais diversas ideologias
que dividem os homens. Ela apenas suspende provisoriamente o uso e abuso inadequado
de cada uma delas para ficar à espera do inesperado da confrontação.
Desta forma, no momento devido da revelação da verdade do que
está em jogo, dissolver os torrões dos pré-conceitos e
afirmações apressadas das coisas para reconduzir tudo, através
de um ato criador, ao seu sentido mais original e originário. Onde tem
esse modo livre de se exercitar e atuar no pensamento, bem como essa maneira
criativa de lidar com as ideologias, ali existe filósofos de peso e,
mais ainda, pensadores dignos que sustentam a humanidade nos seus momentos de
escuridão e aridez. Exercite seu pensamento. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
15 Agosto 2011:
“Ave (Maria), cheia de graça, o Senhor é contigo
... porque a Deus nenhuma coisa é impossível” (Evangelho
de Lucas, capítulo 1, versículos 29 e 37).
Para quem tem fé o impossível não existe. Contrariando
toda a lógica, os feitos Divinos são manifestados à humanidade
de maneira que não haja dúvida que são obras Divinas; parece
que quanto mais impossível, mas a força de Deus se manifesta.
Isabel (mãe de João Batista) era estéril e de idade avançada;
se ela fosse se consultar com um médico obstetra ele diria que jamais
ela seria mãe, pois logicamente sua saúde, sua idade, nada era
favorável. Mas, é justamente nela que Deus manifesta seu poder
e ela foi a mãe daquele que foi o precursor de Jesus. Maria, praticamente
uma menina moça, entre tantas de sua raça, talvez a mais simples,
e justamente ela, sem expressão, que Deus escolhe para ser a mãe
de Jesus, o nosso Salvador. Tudo isso demonstra que nada é impossível
para Deus e, como diz São Paulo “Deus escolhe os fracos para confundir
os fortes”. Assim, mesmo que tudo diga que “não vai dar”,
se Deus quiser, vai acontecer, “porque a Deus nenhuma coisa é impossível”;
por isso, tenha confiança. Há uma tradição que Maria
(mãe de Jesus) tenha deixado sua vida terrena no dia 15 de agosto do
ano 42. Esta tradição é bom forte no oriente, entre vários
segmentos ortodoxos e cristãos. No Brasil é feriado em várias
cidades, homenageando a Mãe de Jesus. (Reflexão feita por Jose
Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
12 Agosto 2011:
“A constância é o complemento indispensável
de todas as virtudes humanas” (Giuseppe Mazzini, político
italiano, 1805-1872). A constância eleva a pessoa humana. A palavra
“constância” traduz a ideia de firmeza, persistência,
ou seja, o mesmo desejo, a mesma disposição do espírito,
nas mesmas tensões. A figura que me vem à mente de “constância”
é uma cachoeira, que nos encanta com a beleza de sua queda d’água
que aparentemente é sempre a mesma, mas olhando atentamente, cada feixe
de água nunca é igual o seu antecessor, pois tem seu próprio
encanto. E assim passamos o tempo a contemplá-la sem nos cansar, pois
ela se renova a cada instante. Talvez por isso que a virtude da constância
torna-se o complemento de todas as outras virtudes, isto é, ao nos ensinar
que podemos nos manter em nossos bons propósitos e ao mesmo tempo nos
renovar a cada instante, ela desperta nossa jovialidade na alegria de viver.
Quem muda constantemente de atitudes é como a água que sai da
mangueira, molha ora aqui, ora acolá, mas seu feixe d’água
é direcionado pela vontade de quem a segura, de quem comanda, tão
logo termine, sua água é desligada. Todas as vezes que temos bons
propósitos, logo aparecem muitas distrações para desviar
nossa atenção; mas, se formos firmes em nossos objetivos, constantes
nesta busca, ganhamos força como a das cataratas que a todos encanta.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia!
(15 anos)
11 Agosto 2011:
“Jesus é o esplendor da glória eterna, o brilho
da luz perpétua e o espelho sem mancha. Olhe dentro desse espelho todos
os dias” (Santa Clara de Assis, mística medieval italiana,
1193-1253).
“Clara de nome, mais clara de vida e claríssima de virtudes”.
Quem tem como modelo o próprio Cristo, caminha em santidade. Hoje é
comemorado o dia de Santa Clara, padroeira da televisão. Seu nome tem
origem em uma revelação de sua devota mãe que “sua
filha haveria de iluminar o mundo com sua santidade”. Torna-se padroeira
da televisão, pois foi comprovado por duas vezes que ela pode assistir
cerimônias que aconteciam em outro lugar distante como se fossem imagens
projetadas na parede do convento. Um fato marcante em sua vida ocorreu no ano
de 1240, quando o exército mulçumano estava invadindo a Itália,
devastando e saqueando as cidades. Ao se aproximarem do convento onde morava
Santa Clara e as irmãs em Assis, ela que estava enferma, levanta-se e
pega o ostensório (peça na qual se expõe o Santíssimo
Sacramento), abre a janela e apresenta aos invasores. Narram que parecia brilhar
como um sol muito forte, e todos estes correram apavorados. Este episódio
ficou conhecido como o "milagre do sol". Deus em sua bondade concedeu
que o seu corpo permanecesse incorrupto, ele está como se ela estivesse
dormindo em uma urna de vidro. Pode ser visitado na cidade de Assis. Este convite
para olharmos neste espelho de perfeição, que é o próprio
Cristo, nos é feito hoje e todos os dias por Santa Clara. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
10 Agosto 2011:
“O requisito de sucesso está na rapidez das decisões”
(Sir Francis Bacon, filósofo e estadista britânico, 1561-1626).
A decisão abre caminho para a solução. Se um marinheiro
fica esperando as condições imaginadas ideais para ir pescar,
pode nunca sair do porto, pois cada dia tem sua própria característica.
Ele parte para a pesca e demonstra sua habilidade em saber sair das adversidades
quando elas surgem. Da mesma forma, nas decisões humanas, devemos priorizar
as soluções dos problemas com agilidade e deixar para o devido
tempo os ajustes necessários. A coragem em decidir revela o bom líder,
ou seja, ele sabe da importância de consultar outras opiniões,
mas sabe também que elas são apenas consultivas, a decisão
é sua. Levante a “âncora” que ainda prende sua “embarcação”
e enfrente as adversidades com coragem, pois elas se tornam pequenas quando
confrontadas por quem tem coragem de decidir. (Reflexão feita por Jose
Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
9 Agosto 2011:
“Os preguiçosos sempre falam do que pensam em fazer, do
que farão; os que realmente fazem algo não têm tempo de
falar nem do que fazem” (Johann Wolfgang Goethe, poeta e dramaturgo
alemão, 1749-1832).
Quem quer, faz; quem não quer, fica conversando. Uma das características
do preguiçoso é falar muito e com riquezas de detalhes do que
pretendem fazer tão logo tenham tudo à mão. Como nunca
se dispõem a buscar o necessário, continuam a tagarelar enquanto
tiverem plateia, sem tempo para fazer. Seus fracassos têm sempre alguém
culpado, mas nunca ele próprio. E assim passa o tempo para quem tem preguiça.
Quem realmente faz; tão logo se depara com o desafio, sem alarido, imediatamente
“arregaça as mangas” e sem perda de tempo, trabalha na solução.
Todo trabalho têm desafios a serem superados por quem se dispõe
a fazer e são eles que despertam a imaginação criativa
e a alegria do trabalhador. Quem encara assim seu trabalho ele o realiza. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
8 Agosto 2011:
“Se queres conhecer, observa a conduta dos demais. Se queres compreender
os demais, olha o teu próprio coração” (Johann
Christoph Friedrich Von Schiller, poeta e dramaturgo alemão, 1759-1805).
Quem busca compreender se compromete. A palavra “conhecer”
vem do latim “cognosco” significando saber, ter noção,
ou seja, um saber superficial a partir das aparências, do que transparece.
Já a palavra “compreender” significa “abraçar
com inteligência”, entender as razões mais profundas. Desta
forma ao observar um transeunte que manca (por exemplo), quem julga conhecer
vai classificá-lo como uma pessoa com deficiência no andar, quem
busca compreender vai buscar as causas e retirar o “espinho” que
o incomoda (se for o caso). Assim, é o amor com que observamos nossos
“irmãos” que fará diferença em nossa conduta
para com eles. Quem ama vai além das aparências e sem julgar, entende
suas razões mais profundas, e procura orientar e ajudar no que pode.
Mas, para isso é preciso ter um coração paciente, generoso,
enfim, cheio de amor. Coração assim é cultivado todos os
dias pela oração. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve).
Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
5 Agosto 2011:
“Quando os abusos são acolhidos com submissão, logo
são convertidos em lei pela força usurpadora” (Lamoignan
Guillaume de Malesherbes, político francês, 1721-1794).
Para ser ouvido é preciso “falar” (agir, se manifestar).
A palavra “abuso” define o mau uso, desmando; uso excessivo, desregramento,
ou seja, o que vai além do permitido. Em todos os níveis sociais,
como em todas as culturas conhecemos casos de abusos, principalmente praticados
por quem tem o poder da força, ou da autoridade. Começa nos lares,
entre pais e filhos, nas escolas, nas empresas, nas ruas. Sempre há alguém
indo além do permitido e muitas vezes praticando contra pessoas indefesas
sua força desmedida, ou sua ação escandalosa. Quanto mais
agem impunemente, mais se acham no direito de fazê-lo. Chega ao ponto
de se ofenderem se alguém for contra suas ações. Daí
nascem tiranos, criminosos, políticos corruptos, patrões carrascos,
pais sem amor. É esperar em vão uma mudança de atitude
por conta própria. Algo tem que ser feito para mudar este quadro. Como
os gravetos que sozinhos são facilmente quebrados, mas em grupo ganham
força, assim também os que estão sofrendo de ações
abusivas devem se unir para ganharem força diante do mal que os aflige.
Enquanto permanecerem calados ninguém notará sua aflição,
mas quando sua voz se fizer ouvir, outras vozes se unirão em sua defesa.
Quem quer faz e não fica esperando que outros façam. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
4 Agosto 2011:
“Quando todos os dias são iguais é porque o homem
não foi capaz de perceber as coisas boas que entram em sua vida cada
vez que o sol cruza o céu”(Paulo Coelho, escritor brasileiro,
nasceu em 24 de agosto de 1947).
Cada dia tem sua magia. Quando a pessoa descobre que a grande maioria
dos acontecimentos diários são frutos de seu desejo mais profundo,
ela começa a perceber e a desejar o belo e bom a cada dia. Como uma luz
que ilumina um quarto escuro, logo que se abre uma janela, assim sente sua vida
se transformar. O que a aborrecia perde a força ameaçadora por
se enquadrar na categoria de problemas a serem resolvidos em seu devido tempo.
Percebe que a alegria abre caminhos enquanto a tristeza fecha portas. Desta
forma de ver a vida, descobre que cada dia é diferente, o frio, as pessoas,
os veículos, o transito, têm a “cara” que lhe damos,
ou seja, com os olhos alegres, tudo revela beleza, com os olhos tristes e pesados,
tudo é um estorvo. Depende de nós vermos a beleza do dia. (Reflexão
feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
3 Agosto 2011:
“A gratidão, como certas flores, não floresce nas
alturas; mas, no chão da terra boa dos humildes” (José
Martí, escritor e político cubano, 1853-1895).
Gratidão é agradecimento, reconhecimento. Quem se sente nas alturas,
poderoso, orgulhoso, dificilmente terá uma atitude de gratidão.
Gratidão é próprio dos humildes. A palavra humilde lembra
“humus” (terra fértil), chão, do qual nascem todas
as plantas, quase sempre esquecida, mas sempre útil. Estes, sim, conhecem
o conceito de gratidão, pois aprenderam a ver o mundo debaixo, das raízes,
onde sempre acontece um milagre oculto abaixo da terra, da transformação
de humus em nutrientes para as plantas. Sabem que com as pessoas acontece algo
semelhante, ou seja, quanto mais perto do chão, curvadas pela oração,
é que Deus nutre nossos corações, pois eles estão
abertos para este milagre. Esperar gratidão de orgulhosos é muito
difícil, pois seus corações estão fechados pela
auto-suficiência. Assim, como é difícil vê-los em
atitude de reconhecimento do amor de Deus na vida deles. Temos que criar espaço
em nossa vida para que Deus possa agir. Aqui vale lembrar o ensinamento de Jesus
(Mt 23, 12): “quem se humilha será exaltado e quem se exalta será
humilhado”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
2 Agosto 2011:
“Pais que levam o filho para a Igreja, não vão buscá-lo
na cadeia” (Palestra ministrada pelo médico psiquiatra
e escritor Dr. Içami Tiba, em Curitiba, 23/07/08).
“Quem ama, educa” (I.T.). Levar o filho à Igreja é
muito mais que se deslocar até uma edificação denominada
igreja e lá deixar seu filho para que tome conhecimento de seus ensinamentos.
Levar o filho à Igreja é ser para seu filho um exemplo de vivência
religiosa em casa, no trabalho e até na Igreja. Esta vivência se
traduz em amor a Deus e ao próximo. No tempo devido, seu filho, sem perceber,
já aprendeu que somos filhos do Pai Eterno que ama a todos carinhosamente;
sabe agradecer pelo alimento e a orar pelos que passam fome; reconhece no próximo
um irmão a quem devemos amar; aprende a repartir. Levar à Igreja
é caminhar junto sem empurrar nem arrastar, onde o carinho fala mais
alto. Deixar para que com o tempo ele aprenda sozinho o caminho da Igreja é
fugir da responsabilidade de orientar o que faz com que outros assumam este
papel em seu lugar, apontando muitas vezes sendas perversas. Muitas delas têm
como fim o presídio ou a morte. Deus lhe confiou um tesouro que é
a educação de seu filho; assuma com amor esta responsabilidade,
antes que outros a roubem de você. A Igreja começa na família.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
1 Agosto 2011:
“Aqueles que são capazes de renunciar à liberdade
essencial a troco de uma segurança transitória, não são
merecedores nem da liberdade e nem da segurança” (Benjamin
Franklin, cientista e estadista americano, 1706-1790).
Ser livre é ser capaz de viver em sociedade respeitando e sendo respeitado
em sua essência. Existem três tipos de liberdades essenciais: a
econômica, a cultural e a de organização social. Por econômica,
se entende que o homem tenha seu sustento material sem ser escravo de preocupações
e consiga ter um tempo para apreciar o que existe de belo e amplo em seu habitat.
Por cultural, compreende-se a capacidade do homem desenvolver seu senso crítico
e criador sem ser molestado. Por liberdade de organização social,
se entende a inserção em seu meio cultural com plena capacidade
participativa. Todas essas liberdades só têm sentido quando forem
participativas, ou seja, quando todos se sintirem irmãos no respeito
mútuo. Só que nem todos pensam assim. Com medo de lutar por sua
liberdade, preferem a proteção de quem explora, em troca de uma
“delação premiada”. E assim a humanidade caminha em
uma eterna luta entre os que têm e querem mais e os que amam sua liberdade
e de seus iguais. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
29 Julho 2011:
“É duro cair, porém é muito pior nem ter
tentado subir” (Theodore Roosevelt, estadista americano, 1858-1919).
As quedas são instrumentos de aperfeiçoamento dos que realizam.
Uma pedra seguramente assentada em um terreno plano nunca cai, e ali permanece
para sempre. Se encararmos as quedas como algo normal de quem se esforça,
ela deixa de ter uma conotação negativa de fracasso e passa a
ser uma mestra que aponta as falhas das tentativas. Na medida em que corrigimos
nossas falhas, o nosso esforço ganha desenvoltura e nosso trabalho caminha
com mais segurança. Mesmo no campo moral e espiritual devemos estar atentos
para evitar as quedas; mas, se elas ocorrerem, devemos ter a humildade de reconhecê-las
e a coragem de reparar e seguir em frente. São Paulo, sabendo das fraquezas
humanas adverte os cristãos da cidade de Corinto: “aquele que pensa
que está de pé (seguro de si, confiante) é melhor ter cuidado
para não cair” (1 Coríntios 10,12). (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
28 Julho 2011:
“Existem três tipos de ignorância: não saber
o que deveria saber, saber mal o que se sabe e saber o que não deveria
saber” (François de la Rochefoucauld, escritor francês,
1613-1680).
O saber se revela a quem busca. A palavra “saber” traduz
a ideia de possuir conhecimento. Já a palavra “ignorância”
traz a ideia da falta de conhecimento, que ignora. A natureza dotou as crianças
de até três anos com a capacidade de adquirir conhecimento oitenta
por cento a mais que os adultos. Logo, nós adquirimos nosso conhecimento
em contato com o mundo que nos cerca. Em um primeiro momento são as pessoas
de nosso convívio que nos fornecem esta fonte; logo depois, ele depende
de nosso esforço pessoal. A primeira atitude para aprender é reconhecer-se
ignorante, ou seja, ter consciência que ainda temos muito para aprender,
e que ele só chega com muito esforço pessoal. Conhecimento superficial
pode levar a atitudes agressivas, quando se sentir ameaçado o seu “reinado”.
Talvez por isso que chamamos ignorante a quem agride sem conhecimento de causa.
À medida que “escavamos” na busca do saber, ele vai se revelando,
como se ele nos escolhesse em função de nosso esforço.
Quem ensina aprende, quem busca sempre encontra. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
27 Julho 2011:
“As pessoas de hoje trocaram o verdadeiro mestre por ídolos
de várias espécies ocultos atrás de uma tela, ou em amuletos.
Deus foi esquecido, pois para muitos estar diante da televisão é
mais importante que um momento de oração” (Fr.
José Rodríguez Carballo, Ofm, Ministro Geral da Ordem dos Frades
Menores, franciscanos).
A oração abre as portas do céu. O homem transcende
os animais por ser também espiritual em sua natureza. Conforme a cultura,
histórias de heróis (ou mestres) são contadas para servirem
de modelo à juventude na busca de perfeição. Em nossa cultura,
o grande mestre é Jesus Cristo. Mesmo sendo filho do Pai Eterno, passava
longas horas em oração nesta integração Pai e Filho.
Ele nos ensinou a rezar o Pai Nosso, mostrando que somos todos irmãos.
Pediu que fizéssemos o mesmo, ou seja, que tivéssemos na oração
nosso acesso ao Pai que tanto nos ama. Mas, temos muitas distrações
para ocupar nosso tempo; é o celular, são as mensagens, nossos
compromissos, a novela, um encontro, e já falta tempo para Deus. Muitos
se justificam dizendo que seu trabalho já é uma oração
e assim fogem de ficar diante de Deus. Até quem se diz religioso está
sem tempo para sua oração pessoal. Com isso outros ídolos
estão servindo de modelo e o mundo está carente de orientação.
Arranje um tempo para sua oração e você verá que
paz ela trará a seu coração. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
26 Julho 2011:
“Tudo está perdido quando os maus servem de exemplo e os
bons de zombaria” (Demócrito de Abdera, filósofo
grego, 460-370 a.C.).
Sem orientação a embarcação se perde em alto
mar. A morte de uma jovem inglesa (Amy Winehouse) levou muitos pais a se questionarem
sobre tudo o que está servindo de exemplo para seus filhos e como os
jovens de hoje são arrastados para este mundo perverso das drogas. Aquilo
que deveria ser combatido é o que mais atrai enquanto que bons exemplos
são desprezados. Embora pareça um problema novo, sempre a juventude
foi atraída pela novidade, pelo desafio e pelas aventuras. Esta força
é característica da idade. Cabe aos mais velhos dar condições
sadias e propiciar desafios inteligentes para que a juventude seja bem formada.
Na falta de bons exemplos e de estímulos favoráveis, as drogas
chegam para preencher este vazio, criando um mundo de ilusões e de satisfações
imediatas que arrasam tão logo acabe seu efeito alucinógeno. Como
movimenta muito dinheiro, muitos dos que deveriam combatê-las acabam se
beneficiando e assim a juventude continua sem orientação adequada
ou sem uma forma inteligente de canalizar sua energia criativa. A solução
está longe das prisões e muito perto de nós, em nossos
lares, ou seja, no aproveitamento da força criativa dos jovens na construção
de algo novo, ou na reformulação das coisas velhas para dar sentido
a suas vidas. Eles precisam de bons exemplos e de desafios inteligentes. Ficar
esperando que o governo ou algum “super poder” venha salvar é
esperar em vão; nós é que devemos repensar no exemplo que
estamos dando e de como acompanhamos os passos dos jovens quando eles estão
vacilantes. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom
dia! (15 anos)
25 Julho 2011:
“Não temas a prisão, nem a pobreza, nem a morte.
Temas o medo” (Giacomo Leopardi, poeta e erudito italiano, 1783-1837).
O medo faz das sombras inimigos ameaçadores. Muitas histórias
de fantasmas ou de bicho papão eram contadas às crianças
para despertar o medo e assim ter o controle sobre suas ações,
evitando que saíssem à noite, por exemplo. O medo é até
certo ponto um instrumento de defesa, pois nos faz redobrar os cuidados diante
de uma situação de perigo. Mas, ele também pode paralisar
nossas ações, impedindo nossa defesa. O medo deve ser domado como
se doma um animal de montaria, para que tenhamos o controle diante de qualquer
situação, com nossa criatividade. Há pessoas cujo medo
é tão forte que as paralisam até mesmo diante de uma agulha
de injeção. Neste caso o medo atrapalha até sua saúde.
Existem outras ameaças que devemos temer, são as que destroem
os princípios do bem e da decência em nossas vidas, que estão
em todas as partes disfarçadas de modernidade. Sobre elas Jesus nos ensinou
em Mt 10, 28: “não temais os que matam o corpo e não podem
matar a alma, temei antes aqueles que podem fazer perecer no inferno a alma
e o corpo”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
22 Julho 2011:
“Até mesmo o Olimpo é deserto sem amor”
(Bernd Heinrich Wilhelm Von Kleist, advogado, filósofo e escritor alemão,
1777-1811).
O amor ser revela no coração. A mitologia grega tinha o monte
Olimpo como a morada dos doze deuses; logo, seria um lugar perfeito com mansão
de cristais e tudo de bom que se possa imaginar. O autor adverte que sem amor
nem mesmo o mais perfeito dos lugares teria sentido. Tudo o que é material
perde seu encanto quando falta o amor, pois é o amor que dá sentido
à nossa existência. Ele foge das explicações racionais
do intelecto para abrigar-se no aconchego do coração. Na busca
de compreender este sentimento, os significados se desdobram abordando apenas
alguns de seus aspectos deixando algo grandioso ainda sem explicação.
A expressão “eu te amo” tão comum e muitas vezes dita
sem pensar, só poderia ser dita se traduzisse verdadeiramente o mais
profundo sentimento de apreço e carinho. O amor nos une e é o
único caminho para as mansões celestes. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
21 Julho 2011:
“Os amigos que você tem cuja amizade já foi testada,
prende-os à tua alma com ganchos de aço” (William
Shakespeare, escritor britânico, 1564-1616).
Ter amigo implica em ser amigo. Em algumas regiões do interior
do Brasil, há um dito popular que diz que só podemos chamar de
amigo depois de comer um saco de sal juntos. Sal é algo que se come aos
poucos com a comida, senão faz muito mal ao organismo. Logo, a amizade
vai se revelando aos poucos, com a convivência, com a ajuda mútua,
se fazendo presente, mas mesmo distante, é como se sempre estivesse ao
lado. Como diz o texto sagrado, quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro.
Amizade assim deve ser preservada, com ganchos de aço, que nunca se quebram
e cuja resistência é capaz de arrastar de uma situação
difícil. Entre amigos, até o silêncio tem importância,
pois as almas conversam sem precisar de palavras. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
20 Julho 2011:
“Não se preocupe, faça três refeições
por dia, faça suas preces diárias, seja cortês com seus
credores, mantenha uma boa digestão, exercite-se e prossiga com leveza
e calma” (Abraham Lincoln, político americano, 1809-1865).
Imponha um ritmo saudável em sua vida. Em uma narração
quase didática, o início do livro sagrado descreve a criação
do mundo como sendo feita em seis dias e no sétimo uma parada para o
descanso. Dentre outros ensinamentos, ele nos mostra a necessidade de termos
ordem e cadência em nossos afazeres, bem como um tempo para repor as energias
gastas, com um bom repouso. O ritmo da vida moderna nos faz esquecer de tudo
isso, impondo um acelerado processo em nossos afazeres levando ao surgimento
de tantos males ao organismo. Como se fosse uma corrida de obstáculos
sem descanso, onde os que tombam são deixados para trás. Temos
que dar tempo ao tempo, ou seja, ter a consciência que tudo é importante,
então cada um terá seu tempo propício para que tudo seja
bem feito. (Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
19 Julho 2011:
“Permita-me, Senhor, que eu não busque tanto ser compreendido
quanto compreender” (São Francisco de Assis, místico
medieval, 1181-1226).
Quem ama, acolhe. Desde cedo pela manhã nos arrumamos, vamos ao trabalho
ou escola, pois fazemos parte deste mundo onde estamos inseridos. Cada detalhe
em nossa indumentária é posto com todo o cuidado, bem como a forma
como arrumamos o cabelo etc. Também nossa forma de falar e agir refletem
quem somos e como queremos ser compreendidos. Esperamos sem querer esta compreensão
em tudo que fazemos. Mas, quantas vezes tomamos a iniciativa e procuramos compreender
os outros, acolhendo suas necessidades, ou mesmo oferecendo nosso apoio, sem
prévio pedido de ajuda? Entre colegas e conhecidos, de certa forma fazemos
sem muito embaraço, mas quando se trata de pessoas mais humildes, que
não terão como retribuir? É nestas situações
que demonstramos nosso amor a Deus, amando e acolhendo quem precisa de nós.
Nem precisamos sair desesperados em busca de alguém para oferecer nossa
compreensão; é só abrirmos a sensibilidade de nosso coração
e perceberemos que muitas vezes está ao nosso lado, sem reclamar, quem
precisa de nossa atenção, mas nossos olhos estão distantes.
(Reflexão feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia!
(15 anos)
18 Julho 2011:
“Não podemos resolver os problemas pensando da mesma forma
de quando os criamos” (Albert Einstein, cientista alemão,
1879-1955).
O pensamento é como a bússola que nos ajuda a encontrar o caminho.
Problema é a princípio algo de difícil solução.
Raramente pensamos que nossas ações poderão nos trazer
problemas, ao contrário, sempre imaginamos que isso pode acontecer com
os outros, jamais comigo. Por pensar assim, negligenciamos em muitos pontos
a nossa defesa, esquecendo de colocar o cinto de segurança, de fechar
a porta, de sair na hora certa, de arriscar em uma situação perigosa
etc. São apenas alguns exemplos. Quando a situação já
é um problema, insistir no erro, ou negar nossa culpa, ou querer transferir
a responsabilidade para outro, são atitudes desonestas que só
agravam mais o quadro. A atitude correta é mudar nossa forma de pensar
para encontrar a solução, ou seja, se foi uma brincadeira que
me gerou problema, agora acabou a brincadeira, temos que agir como adultos primeiro
analisando sua extensão e depois identificando e corrigindo as falhas
com inteligência. Se a situação é irreversível,
cabe reparar os danos e tomar atitudes que evitem que isso se repita. Nesta
mudança de pensar, surgem novas soluções (Mt 25, 45). (Reflexão
feita por Jose Irineu Nenevê). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
15 Julho 2011:
“Quem trama desventuras para os outros, estende armadilhas para
si mesmo” (Esopo, fabulista grego, sec. VII a.C.).
‘Por mais escondido que esteja, um dia se revelará’
(Lc 12, 2). A terra por ser esférica, faz com que os caminhos em sua
superfície retornem ao ponto de origem. Esta constatação
se reflete também no comportamento humano, ou seja, por mais que você
se afaste de algo feito “aqui”, um dia você retornará
a esse ponto. Logo, sempre faça o bem, seja bondoso, acolhedor, evite
a maldade, a desonestidade, respeite a todos, valorize os humildes, para que
em seu retorno você encontre boa acolhida. Quem procura se beneficiar
a custa de atos desonestos vai sobrecarregando sua “aljava” de “provas
ocultas” contra si mesmo, que um dia se romperá, revelando toda
sua maldade. Por conhecer a desonestidade de muitos, o próprio Jesus
vem em defesa dos humildes e marginalizados, dos aflitos e desprezados, enfim,
dos menores da sociedade, tomando o seu lugar, quando afirma: “Tudo o
que fizerdes ao menor dos meus irmãos é a mim que o fazeis”
(Mt 25, 45). (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom
dia! (15 anos)
14 Julho 2011:
“Deus não manda coisas impossíveis, apenas que,
ao mandar o que manda; convida-te a fazer o que podes e a pedir o que não
podes e te ajudará para que possas” (Aurélio Agostinho,
bispo de Hipona, filósofo, teólogo e doutor da Igreja, 354-430).
As portas se abrem para quem gira a maçaneta. É mais confortável
ficar dormindo até ao meio dia e encontrar o almoço pronto do
que acordar cedo, vencendo o aconchego do leito, fazer a higiene matinal, tomar
o café, e sair para mais um dia de labuta. Tudo o que é difícil
exige empenho. É vencendo nosso comodismo que poderemos realizar grandes
obras. A frase de Santo Agostinho em outras palavras quer dizer, peça
ajuda de Deus, mas faça sua parte para que Ele possa te ajudar. Para
que o agricultor tenha uma boa colheita, muito antes ele deve fazer sua parte,
ou seja, limpar o terreno, adubar, plantar, cuidar para depois colher. Somos
“agricultores” de nossos deveres, os resultados serão consequência
de nosso empenho. Deus sempre nos ouve, apenas espera que demonstremos com nossas
atitudes que estamos lutando pelo que desejamos. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
13 Julho 2011:
“Se eu a formulasse, minha definição de obra de
arte seria: ‘Uma obra de arte é um ângulo da criação
vista através de um temperamento’” (Émile
Zola, escritor francês, 1840-1902).
Cada ponto de vista é vista de um ponto. Quando a sensibilidade
toca a veia artística de uma pessoa, ela passa a revelar, através
de sua arte, como ela está vendo o universo que a rodeia. Sua arte também
desvela (tira o véu, revela) o estado de sua alma em seu temperamento.
E assim passamos a conhecer um novo ângulo da criação até
então desconhecido por nós. A fotografia mostra um instante que
tocou a inspiração do fotógrafo; a obra de arte revela
a “natureza” vista pela alma do artista. Quem consegue ver além
da forma, captando o que aquela obra quer revelar, tem em si sensibilidade artística.
Para sermos harmônicos com a vida devemos ter sensibilidade artística,
isto é, ver além do óbvio, sentir antes do toque, auscultar
o coração antes de ouvir. (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
12 Julho 2011:
“A dor tem um grande poder educativo, nos faz melhores, mais misericordiosos,
nos traz de volta a nós mesmos e nos convence que esta vida não
é um jogo, mas um dever” (Cesar Cantu, historiador italiano,
1804-1895).
A dor testa nossos limites. Muitos se apavoram apenas com a possibilidade
de sentir dor, e caem em desespero. Diante dela nos sentimos impotentes, mas
ao mesmo tempo nos confrontamos com nossa força interior capaz de direcionar
e dar sentido para nosso sofrimento. Nem sempre temos à mão um
medicamento para aliviá-la e é nestas horas que mais precisamos
de nossa força interior capaz de sublimar esta dor que nem sempre é
física. Esta força já tem suas raízes em nós,
mas é mentalmente que podemos direcioná-la. A dor pode aparecer,
mas temos o dever de dominá-la, sem sermos escravos dela, mas senhores.
Neste sentido ela nos educa, faz nosso olhar ver que não estamos sós;
tantos sofrem sem ter auxílio, contando apenas com a própria sorte,
a ver outros que mesmo em situações ditas impossíveis conseguiram
se superar. Ela também nos mostra que Jesus estará sempre ao nosso
lado, basta abrir os olhos do coração e sentir sua presença.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
11 Julho 2011:
“Não desperdiceis vosso tempo a lamentar o passado nem
a chorar o futuro. Vivais vossas horas, vossos minutos. As alegrias são
como as flores que a chuva mancha e o vento desfolha” (Gouncourt
Edmond, romancista e naturalista francês, 1822-1896).
A alegria dá sentido a nossa vida. Quem cultiva o jardim sabe
bem que as flores, assim como tudo na natureza, têm seu ciclo. Existe
o tempo de desabrochar, de florir, e de definhar para que o ciclo recomece.
Querer eternizar apenas no florir é parar o ciclo da vida e perder as
outras etapas. Cada uma tem sua beleza; e, sua alegria é viver bem cada
uma delas. Assim também, nossa alegria se plenifica em viver bem cada
minuto de nossa vida, seja ele ao sol, ou sob chuva, com frio ou calor. Viver
apenas das recordações de um passado que lhe foi marcante e que
hoje assume outra forma, ou ficar à espera de um momento propício
que nossa imaginação criou sem se esforçar para construi-lo
é perder a alegria da vida. A alegria consiste em saber ver em cada acontecimento
o seu encanto, louvando o Criador por tantas maravilhas. (Reflexão feita
por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
8 Julho 2011:
“A primeira tarefa da educação é despertar
para vida, porém deixá-la livre para que se desenvolva”
(Maria Montessori, educadora e médica italiana, 1870-1952).
Nada substitui o amor na educação. À medida que
os meios de comunicação eletrônicos avançam nos lares
e escolas, muitos pais e educadores se questionam sobre seu papel na educação
dos filhos, pois aquilo de demoram anos para aprender, agora está diante
de uma tela, ao toque de uma tecla. Proibir é retroagir. Cabe orientar,
impor limites e em muitos casos, aprender junto. O que os pais e educadores
têm a mais é a capacidade de discernir nesta avalanche de informações,
o que edifica e o que destrói. Quanto mais estiver ao lado do filho ou
educando, sendo sua referência, participando, tirando as dúvidas
juntos, esclarecendo os pontos obscuros, mais estará dando segurança
neste despertar da vida. Por mais avançados que sejam os equipamentos
e informações, nada substitui o amor, o carinho e a atenção.
É isto que as crianças precisam sentir em seus pais e educadores,
seu porto seguro, seu refúgio nos momentos de dúvida. Cada dia
que passa, elas crescem mais e se modificam. Saber entender sem interferir a
ponto de prejudicar, também é amar. (Reflexão feita por
Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
7 Julho 2011:
“Nunca deixes de sorrir, nem mesmo quando estiveres triste, porque
nunca se sabe quem pode se apaixonar por teu sorriso” (Gabriel
García Márquez, escritor colombiano, nasceu em 1927).
Nosso rosto reflete nossa alma. O brilho de um sorriso desperta os corações
para o bem, assim como uma luz ilumina a escuridão. Como é bom
ver a alegria sincera nas pessoas; parece que tudo fica mais bonito. Já
um rosto fechado e triste tende a afastar as pessoas. Alguns têm um “espinho”
que insiste em machucar quando o coração quer se alegrar. Neste
caso, precisa de cuidados especiais e muito carinho para remover o que incomoda
com o cuidado de um cirurgião. Tentar ignorar nada resolve; é
preciso agir na origem, primeiro limpando a ferida, para depois retirar o “espinho”
com a pinça apropriada. O amor é o bálsamo que cicatriza
e reanima. Como nos faz bem devolver às pessoas a alegria de viver. O
sorriso aquece, anima, empolga, e desarma os corações amargurados.
Quantas pessoas admiram o seu sorriso sem você saber, pois isto lhes faz
bem, te ver alegre. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
6 Julho 2011:
“A vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo”
(Friedrich Wilhelm Nietzsche, filósofo alemão, 1844-1900).
Na busca de superação e no conhecimento melhor de si mesmo, o
alpinismo reflete bem as dificuldades que o homem tem que enfrentar, pois está
só dependendo de seu esforço. Quando se fala em topo, imagina-se
uma montanha com seus desafios e provocações para quem almeja
chegar ao seu cume. Montanha e topo no caso é imagem também de
outras realidades desafiantes da vida, sobretudo, o desafio de crescer, amadurecer
e plenificar-se como pessoa. Ser pessoa no caso é conquistar-se até
ser o que se é; mas, para isso é necessário abandonar ou
ao menos suspender todo aquele idealismo e sonho de que algum dia se chegará
lá. O conceito ingênuo de chegar lá um dia vale para coisas,
projetos profissionais e outras coisas, jamais para o ser humano. O ser humano
está para além e aquém de todo cálculo e medida
que se possa esperar dele, embora seja muito comum esperar dos outros e até
de si mesmo que mais dia menos dia se chegue ao topo da perfeição.
Cada um é o que é, e se para buscar ser si mesmo necessita-se
de um processo, isso jamais é um escalar degrau por degrau, em forma
de cálculo, que leva até o topo. O topo onde se precisa chegar
não é uma medida idealizada por cada um ou por um estranho a nós
mesmos. É a intensificação de um processo longo e árduo
de trabalho, de maturação e dedicação conosco mesmos
que aos poucos vai ficando mais transparente e nos deixando mais assentados
no nosso próprio ser. No entanto, esse processo de intensificação
vai acontecendo de forma cada vez mais dura e exigente caso se deseje culminar
numa personalidade livre, autônoma, decidida, firme e transparente. Mas,
essa dureza e exigência é apenas um sinalizador de que os músculos
do espírito estão ficando mais fortes e disciplinados, logo resistentes
aos confrontos e dificuldades na grande e interminável escalada próximo
ao topo. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia!
(15 anos)
5 Julho 2011:
“Se você acha que tudo perdeu sentido, sempre haverá
um “estou contigo”, sempre haverá um amigo. Amigo é
uma pessoa que você pode pensar em voz alta” (Ralph Waldo
Emerson, pensador e poeta americano, 1803-1882).
Amigo é sem precisar de explicações. Muito já
se falou sobre amizade. O capítulo 6 do livro do Eclesiastes, em seu
início, é dedicado à amizade. Diz-nos que um amigo é
um entre mil, e é nos momentos de dificuldade, nas provações,
que eles se revelam. A excelente amizade cria união dos corações,
é um presente de Deus; por isso, no final afirma que quem encontrou um
amigo encontrou um tesouro. Por nos conhecer tão bem, ele (o amigo) nos
gosta do jeito que somos, e é capaz de nos transformar para melhores,
pois com ele podemos pensar em voz alta. Em certos momentos ele atinge nosso
coração mais que o pai ou a mãe. Tem liberdade de apontar
nossas falhas. Pode haver momentos de desentendimentos, de raiva, mas depois
de uma reflexão, depois que a poeira baixa, e tudo se clareia, pedimos
desculpas por nossas fraquezas e num abraço o amor da amizade retoma
seu lugar. O dom da amizade é tão sério que já no
final de sua vida, dando seus últimos conselhos Jesus nos diz, amai-vos
uns aos outros, e chama seus apóstolos de amigos. Valorize o tesouro
da amizade. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom
dia! (15 anos)
4 Julho 2011:
“De labor em labor busca com empenho e benignidade”
(Frei Egídio de Assis, agricultor analfabeto e frade franciscano, 1190(?)-1262).
Quem se empenha em fazer bem feito, certamente, colherá boas obras.
A palavra labor é de origem latina e traduz trabalho. Empenho é
dar o melhor de si naquilo que faz. Benignidade é fazer bem (afável,
suave, bom) como sendo uma obra de arte. Com esta frase Frei Egídio mostra
como deve ser tudo o que fazemos. Por ser um homem simples, mas de muita sabedoria
de vida, Frei Egídio ensinava com exemplos da vida prática. Certa
vez lhe perguntaram como buscar uma vida espiritual, e ele aponta para dois
terrenos e diz: “Olha aquele campo mais fértil do que outro ao
seu lado, por que é assim? Porque o agricultor deste suou muito mais
do que o agricultor daquele campo estéril”. Sem precisar de muita
eloquência verbal, ele demonstra com estas simples palavras e este exemplo
que é o empenho de cada um que faz a diferença em todos os campos
da vida. Em outras palavras, se queremos que algo seja bem feito, devemos começar
logo, executando da melhor forma possível, dando o melhor de nós
mesmos, sem negligenciar os detalhes; desta forma nossa obra será esplêndida.
Seja atento e cuidadoso em tudo o que fizeres, busca realizar sem preguiça,
mas com empenho e benignidade, e tuas obras refletirão quem tu és.
(Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
1 Julho 2011:
“Para um cavalo cansado, até seu rabo é um peso”
(provérbio tcheco).
Nossa fonte de energia deve ser "sólida" para vencermos os
desafios. Denominamos cansaço ao esgotamento de nossas forças
de sobrevivência. Cansaço, fadiga, preguiça e outros termos
equivalentes podem ter causas bastante variadas, entre elas, o mau funcionamento
de algum órgão interno. Mas, mesmo o órgão interno
pode estar sendo o reflexo de outro problema de raiz, ou seja, da indisposição
de vida. E para quem está indisposto tudo tem conotação
de peso e provoca cansaço e esgotamento no modo de ser. Indisposição
no caso significa estar colocado fora daquele eixo ou ponto que constitui a
fonte de nossas forças, vigor e ânimo de viver. Em cada pessoa
existe um ponto ou um “lugar” de onde ela parte ou para onde ela
sempre vai para adquirir disposição de vida. Se esse ponto é
negligenciado ou perdido na pessoa, então tudo nela decai, fica fraco
e “desanda”. Esse ponto nunca é algo fixo e determinado,
mas um “a – priori”, um fundamento de todos os fundamentos,
um abismo de possibilidades que gera, guarda, sustenta e cuida da pessoa em
todos os sentidos. Quem está ligado a esse fundamento ou se abandona
a ele, está sempre bem lançado na aventura da vida. Alguns chamam
esse abismo de possibilidade ou fundamento dos fundamentos de Deus; outros,
de oração; outros, de energia positiva da mente etc. Há
quem se expresse dizendo que pode ser um retiro, um livro, um encontro, um lugar
e assim por diante. O importante é que para ter disposição
na vida se tenha a consciência de que existe “lugar”, um “algo”
ou “alguém” onde se pode ir e atracar a própria vida
e sair dali renovado e disposto para o que der e vier. E quem se atraca nesse
fundamento ou “porto seguro” continuará como qualquer outra
pessoa a ter cansaço, preguiça, fadiga e outros problemas próprios
da vida diária, devido ao trabalho, ao stress ou os inúmeros compromissos
que assume. Porém, se ela está amarrada em um bom fundamento,
tudo o que faz e do modo como faz se torna mais leve e suave e lança
a pessoa num grande ânimo e disposição para viver. E é
claro, a partir daí é possível também que todos
os órgãos internos da pessoa sejam revigorados e a vontade dela
mais firme e preparada para aguentar os grandes pesos da vida. Por isso, vale
dizer que é com base em um “ponto” assim, que vigora e nos
“revigora”, pois fundamenta e possibilita tudo o que fazemos ou
deixamos de fazer, com ele se pode ouvir, entender e acolher o forte apelo de
Jesus aos homens de todos os tempos quando convida: “Vinde a mim todos
vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu
vos darei descanso” (Mt 11, 28-30). (Reflexão feita por Jose Irineu
Neneve). Bom trabalho! Bom dia! (15 anos)
30 Junho 2011:
“As correntes da escravidão somente prendem as mãos:
é a mente que faz um homem livre ou escravo” (Franz Grillparzer,
dramaturgo austríaco, 1791-1872).
Só quem é livre pode amar. Quando vemos imagens de animais
correndo por campinas, logo pensamos: veja como são livres! Se eles estão
fugindo de um leão, dizemos que continuam livres, mas estão lutando
pela sobrevivência. Se esta campina está dentro de uma reserva
de preservação ambiental, e eles estão sendo monitorados
por chips, dizemos que é necessário preservá-los. Na mente
dos funcionários da reserva, eles estão em liberdade vigiada.
Enquanto os animais estão sendo eles mesmos, sem a consciência
deste monitoramento, ou tendo, mesmo assim sentem-se mais seguros; eles estão
livres. Comparando com a sociedade, percebemos que a liberdade está diretamente
ligada à mente do homem. Mais que ausência de submissão,
liberdade é assumir seu papel na sociedade. Tudo na natureza está
dentro de um equilíbrio. A Terra gira em torno do Sol respeitando esta
harmonia, e este é seu maior ato de liberdade. As pessoas têm conceitos
diferentes. Para alguns a Terra deveria sair livre pelo espaço sideral,
libertando-se da força gravitacional do sistema solar; mas, isto seria
o fim da vida na Terra. Todo ato tem sua consequência. O conjunto de regras
para viver em sociedade, expresso de várias formas dependendo do grupo
a qual pertença, é a busca de garantir esta liberdade. Para Santo
Agostinho, o maior ato de liberdade era poder amar: “ama e faze o que
queres”. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!
Bom dia! (15 anos)
29 Junho 2011:
“O bom arqueiro não é julgado por suas flechas,
senão por sua pontaria” (Thomas Fuller, clérigo
e historiador inglês, 1608-1661).
Somos todos arqueiros em nossas decisões. Arqueiro é quem domina
a arte de atirar flechas. Um bom arqueiro é alguém bem exercitado
capaz de acertar o alvo. No alvo se concentra sua atenção. O alvo,
no caso, é mais do que um ponto exterior ali na sua frente, o qual precisa
procurar atingir. O alvo do arqueiro é ele mesmo. O arqueiro precisa
aprender a “acertar-se” para acertar o alvo. Para acertar-se é
necessária muita atenção e concentração.
Ele precisa distanciar-se de tudo o que representa distração e
“badalação”, especialmente, com o próprio ego.
Precisa conhecer o caminho da renúncia e do desprendimento; caso contrário,
o alvo estará ofuscado por muitos pontos e interesses que dividirão
sua mente, cegarão seus olhos e impedirão suas mãos de
soltar a flecha livremente no momento exato de uma decisão. O cuidado
com o arco e a flecha dentro do interesse do alvo nada mais são do que
o contínuo esforço de tentar quantas vezes for possível.
É errar e aprender do próprio erro. Evitar culpar o arco e a flecha
pelas falhas. Entender que antes de acertar qualquer ponto é necessário
permitir-se ser acertado, pois um arco e uma flecha jamais impõem resistência
ao seu atirador, mas simplesmente obedecerão ao comando das mãos
que os manipulam. E se a mão é extensão do coração,
então ele é o alvo maior onde o homem deve acertar para acertar-se
e acertar todas as coisas. (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom
trabalho! Bom dia! (15 anos)
28 Junho 2011:
“Responder ofensa com ofensa é lavar lama com lama”
(Juan Luís Vives, humanista, filósofo e político espanhol,
1492-1540).
As coisas têm a importância que lhes damos. No final de uma
partida de futebol entre o Anzhi e Krylia em Samara, na Rússia, um torcedor
atira uma banana em direção ao jogador brasileiro Roberto Carlos,
que se sente ofendido e abandona a partida. Fiquei imaginando que força
teve esta banana para interromper uma partida esportiva. Ela em si é
apenas uma fruta, muito saborosa; foi o conceito (significado) atribuído
a ela e o contexto que lhe deu tamanha importância. Quem atirou conseguiu
seu obje