Rádio SSVP

6º Encontro da Mídia da SSVP

São Paulo, 1 a 3 setembro 2006, das 16:00 às 17:15 horas

Orientações para a SSVP:

* O Padre Máikol começou essa lista e os radialistas vicentinos continuaram. O texto a seguir pode servir para o Encontro dos Radialistas Vicentinos de todo o Brasil a ser organizado em breve:

- Ter em mente que muita gente ouve rádio, lá onde menos se imagina; 98 % dos brasileiros ouvem rádio.

- A mídia vicentina impressa se dirige para os vicentinos; o rádio se dirige para toda a população; pobre e analfabeto escuta rádio.

- Abordar com coragem assuntos vicentinos: promoção do pobre, campanhas, missas, reuniões

- Divulgar notícias das obras sociais da SSVP.

- Divulgar notícias do CNB, do Conselho Metropolitano, Conselho Central, Conferências

- Entrevistar os assistidos

- Falar da Família Vicentina (Ramos, programação), de São Vicente de Paulo, do carisma vicentino

- Não esquecer das celebrações e festas vicentinas

- Radialista cria um fã-clube com os radiouvintes por quem passa a ser responsável

- Esquema: abertura, mensagem, notícias, música (vicentina), programação, oração, agradecimentos

- Contar casos reais de sucesso; isso motiva mais pessoas à caridade

- Intercalar uma música vicentina com a fala e comentar algo sobre ela; a letra, principalmente. Isso quebra um pouco a ‘monotonia’ do programa

- Deixar sempre um telefone de contato no ar

- Iniciar o programa lendo uma pequena história. Todos gostam de histórias e se motivarão a prestarem atenção

- A cada dez minutos mais ou menos, divulgar o nome do programa etc; a audiência é rotativa

- É sempre bom lembrar o santo do dia, o que diz o Evangelho daquela data, as próximas festas da Igreja etc.

- Quando possível, combinar de ligar e colocar no ar um vicentino de outra cidade/estado. Isso dá mais ‘importância’ ao programa

- Ter espaço para comentar algum artigo da Regra; a maioria dos vicentinos nunca a leu completa

- Pedir cartas aos ouvintes, com dúvidas e graças recebidas

- Falar de: moradia, saúde, educação, emprego, religião, política, economia,

- Divulgar estatísticas da SSVP

- Divulgar data-hora das reuniões de conferência, Conselho Particular, Conselho Central

- Falar frases e ensinamentos de São Vicente de Paulo e de Frederico Ozanam

- Fazer sorteios de brindes relacionados a SVP, Ozanam, carisma vicentino

- Divulgar a Doutrina Social da Igreja

- Comentar as datas relevantes da SSVP: festas regulamentares, milésima reunião de conferências, festas católicas

- O locutor de programa vicentino deve esbanjar simpatia e sorrir ao falar ao público

- Divulgar a promoção humana

- Notas de falecimento dos assistidos; a mídia impressa se encarrega das notas de falecimento dos vicentinos

- Apresentar um caso verídico de uma família necessitada e pedir doações

- Radialista vicentino é alguém comprometido com a causa do pobre

 

* Sugestão:

Produzir um CD de 12 faixas e mais vinhetas, contendo os programas-padrão mais ou menos seguintes:

Faixa 1: A visita à casa do pobre

Faixa 2: O que é uma Conferência Vicentina

Faixa 3: A Conferência Vicentina inserida na paróquia

Faixa 4: O que é Conselho Particular e Conselho Central

Faixa 5: O que é Conselho Metropolitano e Conselho Nacional do Brasil

Faixa 6: Quem foi Ozanam

Faixa 7: Quem foi São Vicente de Paulo

Faixa 8: Obras da SSVP: asilo, creche, hospital, obra social

Faixa 9: O que é Família Vicentina

Faixa 10: O que faz uma conferência Vicentina

Faixa 11: Parcerias entre SSVP e ONGs

Faixa 12: ...

Faixa 13: Vinheta de abertura, com a música “São Vicente, amigos dos Pobres...”

Faixa 14: Vinheta de saída para o break comercial

Faixa 15: Vinheta de retorno do break comercial

Faixa 16: Vinheta de encerramento do programa

Faixa 17: Outras vinhetas

* O CD poderá ser idealizado pelo Confrade Raimundo Nonato, de Uberaba-MG

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* Cadastramento dos Programas Vicentinos: (outros mais, enviar para lmaikol@uol.com.br)

- Radioemissora (Nome da Rádio, MHZ ou KHZ, cidade-UF, endereço completo, internet)
- Nome do Programa, horário, periodicidade, duração
- Apresentador, contato (nome, e-mail, telefone)
- Esquema do Programa (objetivos, como é feito, conteúdos)

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1) Rádio Itajubá-MG
Rádio Itajubá, AM 1060 KHZ, Rua Geraldino Campista, 200, bairro: Vila Pódis.
Email: radioitajubaam1060@yahoo.com.br
Programa “Hora Vicentina”, todos os Domingos, às 10:30 h, com duração de 30 minutos.
Apresentadores:
- Leka, lekarossignoli@uol.com.br
- José Eugenio Lopes de Almeida. O objetivo principal é divulgar a SSVP, sendo um meio de unir os vicentinos da cidade e região. O programa é feito ao vivo, abordando temas vicentinos. O programa sempre começa com a música: 'Estou do lado seu', gravada em CD pelo Grupo Nossa Senhora da Agonia. É adequada à espiritualidade vicentina e muito bonita também; telefone do Santuário para aquisição: (35) 3623-2512. Aí vem uma história que traz alguma mensagem e faz-se uma reflexão, um bate-papo. São fornecidas notícias sobre a SSVP local, regional, nacional com informes sobre campanhas, reuniões, Ecafos, Assembléias etc. O espaço é aberto para vicentinos ou católicos que queiram falar sobre suas conferências, dar algum recado, obras unidas, campanhas, festas etc. 

2) Rádio Imaculada Conceição - Rede Milícia Sat
AM 1490 KHZ
São Bernardo do Campo-SP
Programa “Voz de Ozanam no Ar
Maria Lúcia Beividas Lopes  

3) Rádio Esperança de Carmo da Cachoeira - MG
FM 87,9 MHZ, Rádio Comunitária
Programa “Jovens Vicentinos
Todos os sábados das 11 às 13 horas
Apresentadores: Cfr. Ueslei, Cfr. Antony e Csc. Mellissa
Contato: Cfr. Julio Cesar - decom@amorecaridade.org.br

4) Rádio Difusora de Goiânia-GO
AM 640 KHZ - www.difusora.com.br
Praça Joaquim Lúcio, Campinas, Goiânia-GO
Programa “Voz Vicentina no Centro-Oeste
Apresentador: Donizeth - donissvp@hotmail.com - (62) 3254-4068  e  9207-8647
Evangelização, formação, informação, assistidos, obras-unidas 

5) Rádio Mundo Melhor - Governador Valadares-MG
AM 850 KHZ - www.radiomundomelhor.com.br
Apresentador: José Guilherme de Sá - jose_scj@hotmail.com  e jose_scj@oi.com.br
Programa “A Voz Vicentina” - aos domingos das 12 às 13 horas
1º Domingo: Antonio Carlos
2º Domingo: Geralda Cândido
3º Domingo: José Guilherme
4º Domingo: Vânia e Vanderler
5º Domingo: José Guilherme
Programa: abertura: vinheta com música vicentina; apresentação dos apresentadores e sonoplasta; oração, à escolha do apresentador; leitura espiritual e reflexão; escala de celebração para o Hospital SVP, Lar dos Velhinhos e Casa de Recuperação Dona Zulmira; Aniversariantes; noticiário vicentino dos Conselhos; informe vicentino, notícias extras; Enceramento e convite para ouvir a palavra do bispo. 

6) Rádio Santana, Sete Lagoas-MG
FM 87,9 MHZ, ZYC 895
Rua Santana, 293, Boa Vista, Sete Lagoas-MG
Programa “Momento Vicentino” - quinta-feira, das 18:30 às 19 h
Apresentação: Consócia Ane Cristian Moreira e Patrícia Mendes Ferreira
O programa é feito dentro das características apresentadas acima. Inclui aniversariantes, dicas de saúde, alimentação a baixo-custo. As músicas que intercalam os blocos não são apenas vicentinas.
Objetivo principal: divulgar e apresentar a SSVP a todos os confrades e consocias, e para os contribuintes, colaboradores e assistidos 

7) Rádio Canção e Vida, Barbacena-MG
FM 104,5 MHZ, Rádio Comunitária, desativada desde 1999
Programa “A Hora Vicentina”, segunda, quarta e sexta-feira, das 16:30 às 17:30 horas
Apresentador: Carlos Eduardo Vidal
Estrutura do programa: vinheta, 1ª estrofe do Hino a SVP; mensagem inicial; manchetes do dia; santo do dia, com fundo-musical; música religiosa; contos verídicos de casos vicentinos; programação vicentina e religiosa da semana; música de MPB de bom gosto; entrevista ao vivo; sorteios; encerramento com música e mensagem final.

8) Rádio Aliança, Brasília-DF
AM 710 KHZ, ZYH, Fundação Rainha da Paz
Programa “A Caridade em Ação”, semanal, das 20:30 às 21:30 horas
Apresentação: Confrade João Batista
Esquema: formativo e informativo, dividido em 4 blocos: notícias do CMB e Rede de Caridade, textos formativos, entrevistas e termina com a oração da noite

9) Rádio...

 * Se você conhece mais algum programa vicentino no rádio, envie imediatamente para lmaikol@uol.com.br (1ª letra é L minúsculo)

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Texto da Palestra do 6º Encontro da Mídia da SSVP em SP:

Rádio Vicentino na Era Digital

Lourenço Mika

1 A Magnitude do Rádio (código sonoro-auditivo; não é código escrito-visual)

1 - O rádio forma imagens

2 - O rádio é simples

3 - O rádio é portátil

4 - O rádio fala para milhões

5 - O rádio fala para cada indivíduo

6 - O rádio é instantâneo

7 - O rádio é local

8 - O rádio é acessível

9 - O rádio é barato

10 - O rádio vende

11 - O rádio tem função social

12 - O rádio está na internet

 

2 Características do Rádio Moderno

1) Iconização

2) Paratatização

3) Hibridização

4) Espetacularização

5) Estereotipatização

6) Rizomatização

7) Remixagenização

8) Tribalização

 

3. Gêneros, Formatos e Estilos Radiofônicos

2.1.1 Gênero Jornalístico

2.1.1.1 Nota

2.1.1.2 Notícia

2.1.2.3 Boletim

2.1.1.4 Reportagem

2.1.1.5 Entrevista

2.1.1.6 Comentário

2.1.1.7 Editorial

2.1.1.8 Crônica

2.1.1.9 Radiojornal

2.1.1.10 Documentário Jornalístico

2.1.1.11 Mesa-Redonda

2.1.1.12 Programa Policial

2.1.1.13 Programa Esportivo

2.1.1.14 - Divulgação Tecnocientífica

2.1.2 Gênero Educativo-Cultural

2.1.2.1 Programa Instrucional

2.1.2.2 Audiobiografia

2.1.2.3 Documentário Educativo-Cultural

2.1.2.4 Programa Temático

2.1.3 Gênero de Entretenimento

2.1.3.1 Programa Musical

2.1.3.2 Programa Ficcional

2.1.3.3 Programete Artístico

2.1.3.4 Evento Artístico

2.1.3.5 Programa Interativo de Entretenimento

2.1.4 Gênero Publicitário

2.1.4.1 Espote

2.1.4.2 Jingle

2.1.4.3 Testemunhal

2.1.4.4 Peça de Promoção

2.1.4.5 Teaser

2.1.4.6 Oferecimento

2.1.5 Gênero Propagandístico

2.1.5.1 Peça Radiofônica de Ação Pública

2.1.5.2 Programa Eleitoral

2.1.5.3 Programa Religioso

2.1.6 Gênero de Serviço

2.1.7 Gêneros Especiais

2.1.7.1 Programa Infantil

2.1.7.2 Variedades

2.1.7.3 Rap

4. Roteiro em Rádio

1) Diálogos (e Sons) - textos a serem proclamados pelos locutores. Entonação natural, causando no ouvinte a impressão de que o texto é falado espontaneamente e não que é lido. Alinhar o texto à esquerda, sem hifenização.

2) Detalhes do Texto - indicação de como proclamar o texto: lento, rápido, entusiasmado, rindo, bocejando, esbravejando, voz masculina ou feminina, interrogação, exclamação...

3) Sonoplastia - detalhes técnicos a serem observados pelo operador de áudio e codificados no Playlist: Título do CD e número da faixa; MD; qual microfone; inserção de músicas, vinhetas, anúncios comerciais, ícones sonoros...

4) Detalhes - indicação de tempo, volume, efeito sonoro... 

5. Manual de Comunicação da SSVP (2005, páginas 77-91)

* Consócia Ágata Cristiane Henrique

- História do Rádio

- Características

- Gêneros

- Etapas para a produção da notícia: pauta, reportagem, redação do texto

- Tipos de notícias radiofônicas: estrita, com citação de voz, com entrevista

- Dicas de redação: estrutura gramatical e lingüística

- A Entrevista

- Classificação das transmissões informativas

- Expressões comuns ao universo do rádio

- Vocabulário de rádio

 

Texto Completo:

 

1 A Magnitude do Rádio

 

            Magnus, em latim, significa grande. O avanço tecnológico da eletrônica vem propiciando extensões aos cinco sentidos do corpo humano, fazendo ultrapassar as categorias de tempo e espaço. Onde um olho individual não pode estar, pode haver uma câmera filmadora (objetiva); onde um ouvido individual não pode estar, pode haver um microfone. No final de 1870, o inventor Edison, com seu fonógrafo, tinha conseguido gravar e conservar gravada a voz humana; desde então, aquela voz, mesmo não estando a ser falada, podia alcançar nossas casas e tornar-se mídia alternativa ao jornal.

            A audição está diretamente ligada às emoções. Exemplificando: um fanático torcedor explode em euforia quando ouve o grito do ‘gol’ do seu time favorito; uma mãe tem um choque psíquico ao ouvir a notícia de que o filho dela acaba de perder a vida num acidente. Ouvindo rádio, a pessoa se informa, se instrui, se diverte, sonha, se perverte, se entretém, se tranqüiliza, se emociona, ora, ganha dinheiro, se transforma (MCLEISH, 1999, p. 23). O rádio gera um relacionamento interpessoal entre o radialista e o ouvinte. Muito mais do que na televisão, o apresentador estabelece uma espécie de ligação com o ouvinte. Uma emissora bem-sucedida é mais do que a soma de seus programas; ela entende a natureza dessa amizade e seu papel de líder e prestador de serviços (MCLEISH, 1999, p. 24).

            Mohazir Salomão (2005), professor de radiojornalismo na PUC-MG, propõe que o rádio tem de ser arte. Ele comenta o livro El Arte Radiofônico (Buenos Aires, 2004), do argentino Ricardo Haye: “O rádio deve estar propenso a configurações espaciais e multisensoriais. As mensagens têm que seduzir o olhar, o tato, o gosto e o olfato dos ouvintes” (SALOMÃO, 2005, p. 356). O rádio nasceu e se firmou enfrentando imensas dificuldades financeiras. Porém, hoje, o rádio tem condições financeiras de veicular poesia em sua sonoridade, ou seja, as produções radiofônicas podem estar revestidas do estético, convertendo-se em radioarte.

            Uma emissora de rádio é capaz de funcionar a um simples toque de botão, mandando para o ar, durante 24 horas do dia, em som estereofônico Hi-Fi, quadrifônico, música clássica ou popular, mensagens comerciais, noticiosos, prestação de serviços, hora certa... comandada por sofisticados computadores (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 165). O rádio continua forte e imbatível, já que, com a ajuda do transistor, o veículo ampliou seu poder de penetração a públicos inatingíveis pela televisão ou pelos jornais; ao público de lugares onde não existe energia elétrica e onde o percentual de analfabetos é muito grande; o analfabeto não lê, mas pode ouvir (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 45).

             Eis os sinais da magnitude do rádio:

             1 - O rádio forma imagens: o radiouvinte cria uma imagem visual a partir da imagem auditiva. Se na televisão há uma imagem visual já pronta e acoplada ao som, no rádio o receptor da mensagem tem a liberdade de criar, com base no que está sendo dito, a imagem do assunto, ou da pessoa ou do fato. Por meio de um diálogo mental, o ouvinte participa da mensagem (BARBOSA FILHO, 2003, p. 45).

            2 - O rádio é simples: a televisão pressupõe uma grande equipe para colocar no ar um programa; são técnicos, operadores de câmaras e microfones, iluminadores, locutores etc. O rádio pode ser operado por um único disk jokey, que fala notícias, hora-certa, dedica músicas, vende etc. O custo operacional também é simples. O radioreceptor mais antigo era um aparelho simples, sem o complicado controle remoto de alguns televisores. Já o rádio digital é um pouco mais sofisticado, incorporando muitos recursos eletrônicos.

            3 - O rádio é portátil: algumas mídias, como jornal e televisão, exigem dedicação quase que exclusiva. Já o rádio pode ser ouvido enquanto a pessoa executa outras tarefas. O rádio portátil, por ser alimentado com pilhas, pode ser levado a todo e qualquer lugar; e as ondas eletromagnéticas estão presentes em toda parte do planeta. É comum ver pessoas ouvindo rádio no ônibus ou na rua, munidas de fones-de-ouvido. Quase todos os automóveis possuem um radioreceptor. O termo radiodifusão indica a dispersão da informação produzida, que abrange cada lar, vila, cidade e país que esteja ao alcance do transmissor (MCLEISH, 1999, p. 16). O rádio está na cabeceira do Presidente da República, em forma de rádio relógio, como está pendurado no ramo adejante do pé de café do lavrador humilde e analfabeto, em forma de rádio de pilha; está no leito do enfermo e no carro que leva o cirurgião para a primeira operação do dia (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. X). O rádio foi migrando da sala-de-estar para o quarto, para o banheiro, para a cozinha e para os automóveis (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 45). A radionovela, ficção, explora por si só o transportar-se no tempo e no espaço.

            4 - O rádio fala para milhões: o rádio fala para milhões, mas será que os milhões o ouvem? Os pesquisadores de audiência no rádio falam de parcela e alcance. Parcela de audiência é o tempo gasto pelo radiouvinte ouvindo uma determinada emissora, expresso em porcentagem da audiência total de rádio nessa área. Alcance de audiência é o número de pessoas que de fato ouve alguma coisa da emissora num período de um dia ou uma semana, expresso como porcentagem da população total que poderia estar ouvindo (MCLEISH, 1999, p. 16). Uma radioemissora pode ter uma parcela bem pequena da audiência total, mas se conseguir obter um substancial acompanhamento de pelo menos um de seus programas, gozará de um amplo alcance. A disputa pela audiência, que significa faturamento comercial, é bem acirrada entre as emissoras. A radionovela, indo ao ar, em dia e hora predeterminados, tinha a vantagem do público cativo.

            5 - O rádio fala para cada indivíduo: ao mesmo tempo que atinge milhares de pessoas, o rádio é voltado para o indivíduo em particular. As palavras, a forma de falar, são pensadas para o ouvinte com suas particularidades e expectativas. O tom íntimo das transmissões, representado pelas expressões “amigo ouvinte”, “caro ouvinte”, “querido ouvinte”, proporciona uma aproximação e uma intimidade únicas, fazendo do rádio um veículo companheiro.

            6 - O rádio é instantâneo: as radioemissoras especializadas em transmitir notícias exploram a instantaneidade do rádio, falando ao vivo. Ao mesmo tempo em que a notícia é veiculada em tempo real, ela se caracteriza pela efemeridade (MCLEISH, 1999, p. 16-18). Por exemplo, na transmissão de futebol, interessa o momento do gol; o que vem depois já é o comentário. Um jornal impresso pode ser deixado de lado para ser lido mais tarde; já, a magia do rádio está no ser ouvido no instante exato do acontecimento. Isso faz do rádio um agente disseminador da informação e do conhecimento; portanto, o rádio é um agente formador de cultura. A radionovela, por ser ficção, abandona o instantâneo real para trabalhar no instantâneo imaginário.

            7 - O rádio é local: o rádio tem alcance local pela natureza das ondas eletromagnéticas do rádio AM, transmitidas em quilohertz, e do FM, transmitidas em megahertz. As ondas curtas podem ser captadas a milhares de quilômetros, como um hobby de dexistas (D = Distance; X = Incógnita; dexistas são aqueles que pesquisam a sintonia das radioemissoras em ondas curtas). Mas, é mais comum que o rádio seja ouvido por ouvintes da localidade próxima (http://intermega.globo.com/poleiro/art_o_que_e_dexismo.htm, Acesso em: 17 dez. 2004). Em muitos casos, o ouvinte conhece pessoalmente o radialista; em outros casos, mesmo que o ouvinte não conheça a fisionomia do locutor, ele se familiariza com a voz e o estilo dele. É até folclórico o fato de que muitos colonos ao irem para a cidade passam na radioemissora para mandar um recado para a família que ficou em casa! Quando o assunto é a notícia, a notícia local desperta mais interesse do que a notícia proveniente de regiões distantes (MCLEISH, 1999, p. 20).

            8 - O rádio é acessível: a maioria da população tem possibilidade de adquirir um aparelho de rádio. Segundo pesquisa do IBGE, praticamente toda residência tem pelo menos um ou vários aparelhos; a proporção é de um rádio por pessoa. Tal fato ocorre porque seu preço é quase sempre acessível e sua abrangência alcança basicamente qualquer lugar, mesmo onde não existe energia elétrica ou as transmissões televisivas ainda não chegaram. Sendo assim, o rádio está sempre por perto, ao alcance da mão ou do ouvido, atingindo todos, da criança ao idoso.

            9 - O rádio é barato: comparado com outros veículos de comunicação, o rádio é barato para o ‘proprietário’ e barato para o radiouvinte. Um aparelho de rádio portátil custa menos do que um livro (MCLEISH, 1999, p. 17). Uma vez obtida a concessão pública (no Brasil) para colocar uma radioemissora no ar, o custo dos equipamentos e da manutenção é relativamente pequeno. Aí o rádio incorre, infelizmente, num entrave: a mão-de-obra de não-profissionais e a conseqüente falta de qualidade na programação. A radionovela é uma produção que requer a contratação de profissionais para que haja qualidade. A falta de espaço para profissionais certamente é um dos motivos da atual pouca produção de radionovela.

            10 - O rádio vende: pelo Decreto-Lei nº 21.111, de 1º de março de 1932, o Presidente Getúlio Vargas autorizou a veiculação de publicidade e propaganda no rádio brasileiro (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 55). O rádio passava a ser um entreposto de vendas. Na medida em que o rádio vendia os produtos dos outros, ele recolhia a verba publicitária. As emissoras foram se transformando em empresas. No final do século XX, o rádio passou a sobreviver dos anúncios de marketing, produzidos e veiculados de uma forma profissional. A radionovela sempre esteve entrelaçada com a produção de reclames publicitários, porque o estilo de produção da publicidade é muito parecido com a produção de radionovela, pois é um estilo para se ouvir e imaginar, e não para ver (MCLEISH, 1999, p. 99). Um anúncio comercial, normalmente segue o esquema: a) contextualizar uma situação; b) identificar um problema; c) apontar uma solução, através da venda de um produto ou serviço. Em rádio e televisão, é muito fácil reproduzir esse esquema através de pequenas ficções.

            11 - O rádio tem função social: atua como agente de informação e formação do coletivo. É um serviço de utilidade pública. Fornece informações sobre empregos, produtos e serviços. Atua como vigilante sobre os que detêm o poder, propiciando o contato entre eles e o público. Ajuda a desenvolver objetivos comuns e opções políticas. Possibilita o debate social e político e expõe temas e soluções práticas. Contribui para a cultura artística e intelectual. Dá oportunidades para artistas novos e consagrados de todos os gêneros. Divulga idéias que podem ser radicais e que levem a novas crenças e valores, promovendo assim diversidade e mudanças. Facilita o diálogo entre indivíduos e grupos. Promove a noção de comunidade. Mobiliza recursos públicos e privados para fins pessoais e comunitários, especialmente numa emergência. Funciona como um agente multiplicador e reforçador da cultura. Controla a opinião pública. Capacita os indivíduos a exercitar o ato da escolha, tomar decisões e agir como cidadãos, em especial numa democracia, graças à disseminação de notícias e informações imparciais (MCLEISH, 1999, p. 20).

            12 - O rádio está na intyernet: O rádio está na internet com duas possibilidades: 1) o sinal do rádio AM ou FM está na internet, o mesmo sinal que os radiouvintes podem ouvir; 2) o sinal do rádio está na internet, sinal que só os internautas podem ouvir, mas não existe esse sinal em rádio de sinal-aberto. 

Radioemissoras de Curitiba-PR: 

Rádios AM (KHZ):

- 550 - Banda B

- 590 - Difusora Ouro Verde

- 630 - Educativa

- 670 - Globo Cidade

- 730 - Marumby

- 790 - Nacional

- 930 - Cultura

- 1020 - Colombo

- 1060 - Paraná

- 1170 - Atalaia

- 1210 - Tupi

- 1270 - Capital

- 1320 - Brasil Tropical

- 1370 - Independência

- 1430 - Clube Bedois

 

Rádios FM (MHZ):

- 88.5 - Rede Aleluia

- 89.3 - Dimensão (Lapa)

- 90.1 - CBN

- 91.3 - Transamérica Hits

- 92.3 - RRB

- 93.9 - Capital

- 95.1 - Transamérica Light

- 95.9 - Litoral Sul (Paranaguá)

- 96.3 - 96 Rock

- 97.1 - Educativa

- 97.9 - Band

- 98.7 - 98 FM

- 100.3 - Transamérica

- 101.5 - Clube

- 102.3 - Caiobá

- 102.7 - Antena Sul (Castro)

- 103.9 - Jovem Pan 2

- 104.5 - Nova (Mafra/SC)

- 105.5 - Ouro Verde

- 106.5 - Novo Tempo

- 107.5 - Sara Brasil (Araucária)

  2 Características do Rádio Moderno

             O rádio assumiu características inovadoras nas duas últimas décadas, passando de rádio eletrônico para digital. Eduardo Meditsch, professor de rádio na UFSC e autor de livros, define o rádio a partir de três características indissociáveis: é um veículo de comunicação sonoro, invisível e que emite em tempo real. Décio Pignatari, professor de Pós-Graduação na Universidade Tuiuti do Paraná, faz um re-olhar de agora sobre os fundamentos do fenômeno da comunicação. Nesta Unidade-Aula, estão descritas 8 Características do Rádio Moderno.

            O rádio atual, como toda a mídia eletrônica moderna, caracteriza-se por:

            1) Iconização: o ícone é um signo, ou um sinal ou um símbolo. Em semiologia, ícone é todo objeto, forma ou fenômeno que representa algo distinto de si mesmo, que apresenta relação de semelhança ou analogia com o referente, como fotografia, diagrama, mapa etc. Exemplos: a cruz significando o cristianismo; uma pegada indicando a passagem de alguém; uma seta para a direita indicando o Play num equipamento de áudio/vídeo. Na interface gráfica, o ícone é a figura apresentada na tela, geralmente clicável porque associada a um link, usada para acionar um software ou um recurso de programa executável. Por analogia, pode-se dizer que a informática é toda iconizada por sons; basta considerar os ícones sonoros do ambiente Windows (chimes, chord, ctmelody, ding, logoff, notify, recycle, start, tada, microsoft sound). Há muitos ícones sonoros e metáforas sonoras consagrados pelo uso que indicam: hora certa (tic-tac), noite (pio de coruja), praia (pio de gaivota), amanhecer (canto do galo), cavalgada (tropel), residência (porta abrindo), festa (rojões), ovação (palmas), dinheiro (caixa registradora), telefone (triiimmm, ou pipipopapepipapo), sons espaciais, fax, conexão de internet por linha telefônica (MCLEISH, 1999, p. 188). A música do Plantão de Notícias da Rede Globo imita o Código Morse, com uníssonos breves e mais longos, atiçando a atenção. Quem é que não conhece o Plim-Plim da Globo, certamente o mais expressivo ícone sonoro da TV? O rádio moderno usa o playlist, software que executa no ar um projeto de transmissão; projeto é ter colocado numa lista, por exemplo, a vinheta da rádio, a vinheta da hora-certa, o spot, a vinheta do programa, a música... (www.playlist.com.br. Acesso em 12 Jul. 2004). O playlist permite ao operador de áudio sobrepor ao telefonema uma vinheta com um aplauso, ou um grito de vivas, ou uma buzina, ou intervenções como “Oh, Coitado” (Filomena), “Mais ééé” (Nerso da Capitinga), copiadas da televisão (www.playlist.com.br; acesso 22.08.2005). Em transmissões de futebol, a Rede Globo usa um ícone sonoro que imita um chute na bola toda vez que acontece um gol em alguma partida simultânea do mesmo campeonato; esse som é um código emitido instantaneamente ao acontecimento, antes que o locutor seja informado aonde e de quem foi o gol e antes que o gerador de caracteres possa colocar a legenda na tela, o que leva alguns segundos. Na radionovela, na qual se ouve e não se vê, a iconização sonora é atalho para inúmeras mensagens de ambientação e contextualização (www.wstationradio.com. Acesso aos 13 Set. 2005).

            2) Paratatização: em gramática, parataxe significa a coordenação assindética na construção do período, onde as orações são interligadas sem o recurso às conjunções; exemplo: cheguei, vi, venci. É uma justaposição. Na linguagem cinematográfica, para mostrar que uma pessoa saiu de casa, entrou num automóvel e se deslocou para a fábrica, antigamente era necessário mostrar passo a passo o que acontecia com o personagem; hoje, basta mostrar que ele está em casa, se levanta e já está na fábrica. Na cena seguinte, o personagem já pode estar num estádio; o espectador saberá deduzir o trajeto que ele percorreu. Na história contada pelo rádio ou no radiojornal, os assuntos são justapostos e o radiouvinte os entende. Em vez de se usar uma exposição linear, usa-se uma narração rizomática, em forma de mosaico. Na radionovela esse recurso é muito útil sobretudo na hora de se passar de uma cena para outra, ocasião em que precisa contextualizar o novo ambiente. Tal qual no cinema, o radiouvinte de hoje tem a capacidade de assimilar o novo ambiente com muita facilidade.

            3) Hibridização: é a mistura das mídias. Supõe-se que o leitor de jornal é também radiouvinte e telespectador. As mídias eletrônicas (rádio, televisão, cinema, internet) e impressas (jornal, boletim, revista, livro) interagem entre si. Assim como na televisão surgiu o clip, no rádio se usam vinhetas, que geram uma programação com a aparência de um mosaico. Por exemplo, se no rádio for dito que aconteceu uma ‘videocassetada’ com alguém, o radiouvinte já vai associar o personagem aos episódios humorísticos exibidos no Programa do Faustão na Rede Globo; o rádio não precisa ficar explicando o que vem a ser uma ‘videocassetada’. O músico Eduardo Souto Neto compôs para a Rede Globo a música que ficou conhecida como “a música do Ayrton Senna” para a transmissão das corridas da Fórmula-1; hoje essa música é tocada no rádio para simbolizar a vitória. Theodoro e Sampaio, dupla atual de música rurbana, (rural + urbana) canta que se procura uma “mulher boa como a mulher do 21”; quem escuta a música já sabe que se trata de Ana Paula Arósio, que gravou o anúncio comercial da Embratel. Um som ou uma palavra criados e estereotipados pela televisão ou pelo cinema passam a ser usados pelo rádio. E também acontece o caminho inverso: o rádio inventa sons e palavras que passam a ser usados nas outras mídias.

            4) Espetacularização: na televisão, já não basta mostrar uma notícia ou uma missa. É necessário mostrar o espetáculo. O espetáculo de notícias policiais está no Linha Direta e no Carandiru Outras Histórias da Rede Globo. A missa deixou de ser missa de estúdio para ser a missa estrelada pelo padre Marcelo Rossi e folclorizada, ocasionalmente, pelos Arautos do Evangelho. O rádio também tende a apresentar notícias, músicas e reclames publicitários de uma forma espetacular para prender a atenção do ouvinte. O anúncio comercial no rádio explora o lado do espetacular quando faz ofertas-relâmpago. Espetacularização no rádio é quando há entradas ao vivo de repórteres ou quando se coloca o radiouvinte no ar. Aliás, o rádio foi perdendo um dos seus formatos tradicionais que era o radioteatro, no qual as peças radiofônicas eram apresentadas num palco e o radiouvinte podia acompanhar o espetáculo na sua casa. O rádio brasileiro produz verdadeiros espetáculos ao transmitir partidas de futebol.

            5) Estereotipatização (ou estereotipização): tipo significa um exemplar igual ao outro. Em comunicação, tipo é o personagem paradigmático da ficção ou da tradição oral, que é sempre o mesmo, que não varia. O estereótipo fala sempre as mesmas palavras e tem sempre o mesmo comportamento. No rádio e na televisão, há pessoas que incorporam um personagem típico e jamais se separam dele. Exemplos: o apresentador Chacrinha (Abelardo Barbosa), o cantor Tiririca (Francisco Everardo Oliveira Silva), o repórter Gil Gomes. Outros assumem um estereótipo ao longo de uma novela ou peça humorística seriada, como o Zeca Diabo (Ariclenes Venâncio Martins, o Lima Duarte), o Seu Creysson (Claudio Manoel) do Casseta & Planeta, o Nerso da Capitinga (Pedro Bismark). Os tipos criados pelo rádio foram se mudando para a televisão, como o Grande Otelo (Sebastião Bernarde de Souza Prata).

            6) Rizomatização: em botânica, rizoma é uma espécie de raiz aérea auto-reprodutiva. Na construção de sentidos, o pensamento pode ser linear ou rizomático. É linear quando é lógico,  cartesiano, conseqüente; portanto, com raiz, caule e ramos. É rizomático quando é holístico ou mosaical. Na filosofia, rizoma se refere a sistemas a-centrados e não hierárquicos que realizam conexões, ligamentos e junções sempre horizontalmente num mesmo plano ou não. Em comunicação, rizoma expressa desterritorializações e nomadismos. Diante de um público heterogêneo, veladamente, são respeitadas as preferências de moda, futebol, política, crença, arte, cultura; mas, intencionalmente, é veiculado este assunto e não aquele, ou aquele e não este. A mídia impressa e eletrônica é comparável a uma feira-livre, onde, em barracas vizinhas, se vendem produtos totalmente diferentes um do outro. Para causar estranhamento no radiouvinte, surgem sons e falas os mais esquisitos. O tempo dos programas é cada vez mais curto; em certos boletins noticiosos, a cada ato de respirar o locutor fala de outro assunto. A opinião pública é condicionada por modismos políticos, financeiros e culturais. A massa consumidora das informações se caracteriza pela volatilidade e vai fluindo como as ondas do mar, sobrando pouco espaço para a dedução e opinião pessoal. Felix Guattari, em Revolução Molecular: Pulsações Políticas do Desejo, descreve que a partir de Bologna, na Itália, desde 1977, com a Rádio Alice, veio a experiência das rádios livres, onde se rompeu o modelo da rádio estatal, para falar de “corpo, desejo, prazer e preguiça”, através de uma linguagem rizomática  (CUNHA, 2005, p. 209-222).

7) Remixagenização: André Lemos, Professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, em agosto de 2005, redigiu o ensaio Cibercultura-Remix, que foi apresentado no  seminário Sentidos e Processos, dentro da mostra Cinético Digital, no Itaú Cultural, em São Paulo-SP. A mesa tinha como tema: Redes: criação e reconfiguração. Diz ele: “O princípio que rege a cibercultura é a remixagem, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir de tecnologias digitais. Esse processo de remixagem começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias.” A cibercultura caracteriza-se por três leis fundamentais: a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. No século XVIII, com o desenvolvimento da imprensa, surgiu a noção de direitos autorais e de propriedade intelectual. Agora, com a re-mixagem, tudo volta a ser de todos: a arte, a cultura, a música..., a radionovela. Texto, som, ou imagem visual postados na internet tornam-se propriedade de todosA cibercultura caracteriza-se por três “leis” fundadoras: a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídiasO princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídiasO princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídiasO princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas míd (www.facom.ufba.br. Acesso aos 10 Nov. 2005).

            8) Tribalização: Os estudos culturais revelam que o mundo está entrando numa fase tribal, uma volta a valores que a modernidade julgava enterrados: razão e progresso, motores da organização das sociedades desde o século XVIII, vão dando lugar ao prazer e à emoção entre as novas gerações. É o que o sociólogo Michel Maffesoli chama de "tribalismo pós-moderno". As teses de Maffesoli, diretor do Centro de Estudos sobre o Quotidiano da Universidade de Sorbonne, em Paris, estão reunidas em seu último livro, Du Nomadisme (O Nomadismo), lançado pela editora Record, e se baseiam em estudos de padrões de comportamento no Rio, em Tóquio e em Paris. Numa cidade como Curitiba, com 36 radioemissoras em AM e FM, cada radiovinte vai se identificando com determinado estilo de programa e vão se formando as tribos de ouvintes. Aqui entra a noção de paradigma e sintagma: ligar o rádio ou ligar a televisão, e ouvir ou assistir ao quê? Todo radiouvinte ou telespectador escolhe um programa ou uma emissora, de acordo com suas preferências e interesses. E entra a noção de repertório, que significa o conjunto de conhecimentos por parte de cada indivíduo. O dial do rádio contém um conjunto de emissoras sintonizáveis, quer dizer, uma série de possibilidades de escolha, o que pode ser chamado de paradigma. A partir do momento em que o radiouvinte ou o telespectador liga o seu aparelho e sintoniza o programa predileto, ele faz o sintagma, direcionando a sua atenção para aquilo que vai ao encontro de seus interesses. E invisivelmente vão se formando as tribos dentro da sociedade. Cada formato vai encontrando o seu espaço, nos mais variados estilos: música, futebol, jornalismo, radionovela... Para exemplificar: um programa musical pode servir à tribo do rock, ou da música gauchesca, romântica, clássica etc. Essa característica se refere mais ao receptor da mensagem do que ao emissor.

 

3. Gêneros, Formatos e Estilos Radiofônicos

 

            Não há uma forma única de categorizar os gêneros de programas no rádio. Mario Kaplun (1978) apontou 12 gêneros radiofônicos baseados na palavra falada: 1) locução, que pode ser expositiva, crítica ou testemunhal; 2) noticiário; 3) nota ou crônica; 4) comentário; 5) diálogo, que pode ser diálogo-didático ou radioconselho; 6) entrevista informativa; 7) entrevista; 8) radiojornal; 9) radionovela, miscelânea ou variedades; 10) mesa-redonda, que pode ser mesa-redonda propriamente dita ou debate; 11) radioreportagem, que pode ser ou com base em documentos vivos ou com base na reconstrução de fatos; 12) dramatização, que pode ser unitária, seriada ou novela (KAPLUN, 1978, p. 131).

            José Ignácio López Vigil (2003), tomando por base o esquema emissor-mensagem-receptor, classificou os gêneros radiofônicos a partir de três perspectivas: 1) de acordo com o modo de produção da mensagem, há três gêneros - dramático, jornalístico e musical; 2) de acordo com a intenção do emissor, há oito gêneros - informativo, educativo, de entretenimento, participativo, cultural, religioso, de mobilização social e publicitário; 3) e de acordo com a segmentação dos destinatários, há sete gêneros - infantil, juvenil, feminino, de terceira idade, sertanejo, urbano e sindical (VIGIL, 2003, p. 118-119).

            Nesta Unidade-Aula, segue a descrição dos gêneros, formatos e estilos radiofônicos, tomando por base a obra de André Barbosa Filho, Gêneros Radiofônicos, Os formatos e os Programas em Áudio:

 

            Para tipificar a programação no rádio, foram utilizados os conceitos de gênero e formato. Genesis, em grego, significa gênero, origem, espécie; aplicado ao rádio, gênero expressa as características gerais de um programa. Forma, do latim, são as figuras, os contornos, as estruturas nas quais são vertidos os conteúdos imprecisos; no rádio, os formatos são os moldes concretos de realização de um programa (VIGIL, 2003, p. 118). Os gêneros são modelos abstratos, como destaca André Barbosa Filho:

            ... termos como gênero radiofônico, formato radiofônico, programa de rádio, programação radiofônica e produtos radiofônicos são confundidos e utilizados muitas vezes como sinônimos, sem que haja concordância quanto aos seus significados particulares... Formato radiofônico: é o conjunto de ações integradas e reproduzíveis, enquadrado em um ou mais gêneros radiofônicos, manifestado por meio de uma intencionalidade e configurado mediante um contorno plástico, representado pelo programa de rádio ou produto radiofônico; Programa de rádio ou produto radiofônico: é o módulo básico de informação radiofônica, a reprodução concreta das propostas do “formato radiofônico”, obedecendo a uma planificação e a regras de utilização dos elementos sonoros; Programação radiofônica: é o conjunto de programas ou produtos radiofônicos apresentado de forma seqüencial e cronológica... (BARBOSA FILHO, 2003, p. 71-72)

            Os formatos em rádio foram se desenvolvendo à medida em que foram surgindo os gêneros do rádio; cada gênero foi criando os seus formatos em vista do seu público-alvo. Na história do rádio, às vezes o gênero criou o público-alvo e em outras vezes o público-alvo determinou o aparecimento de um gênero de programação. O radiouvinte escolhe o que ele quer ouvir. Para se comunicar com cada tipo de público, cada gênero em rádio foi criando o seu próprio formato e a sua própria linguagem. A radionovela conviveu com os muitos gêneros radiofônicos e, por vezes, se misturou com eles.

            A seguir, a classificação dos Gêneros Radiofônicos, tomando como referência a obra de André Barbosa Filho sob o título Gêneros Radiofônicos. O referido pesquisador tomou como suporte a definição funcional de Lasswell e Wright, utilizada por José Marques de Melo na classificação de gêneros jornalísticos. Ele relaciona os gêneros radiofônicos em razão da função específica que eles possuem em face das expectativas de audiência. A classificação de André Barbosa Filho tem como base o que rádio produz ou produziu, evidenciando não apenas suas características jornalísticas ou artísticas, mas também a educativa, a de comercialização, a de propagação de visões de mundo (BARBOSA FILHO, 2003, p. 87).

 

2.1.1 Gênero Jornalístico

É o instrumento de que dispõe o rádio para atualizar seu público por meio da divulgação, do acompanhamento e da análise dos fatos. O rádio nasceu para ser uma extensão da voz humana. Por isso, a fala é o ponto de partida no rádio. A mensagem radiofônica enquanto informação tem como objetivo manter o radiouvinte a par do que se passa no mundo que seja do interesse dele. Informar pelo rádio é veicular notícias. A notícia se constitui em novidade para o ouvinte. A mensagem informativa se caracteriza por alguns aspectos: importante, controverso, dramático, geograficamente próximo, culturalmente pertinente, imediato e inusitado.

O script da notícia é produzido no modelo do “lead” (cabeçalho) clássico, com seus cinco dáblios e um agá: 1) What? (O quê?); 2) Who? (Quem?); 3) Where? (Onde?); 4) When? (Quando?); 5) Why? (Por que?); 6) How? (Como?) (MCLEISH, 1999, p. 78; 255). O radiouvinte quer atualidade, originalidade, veracidade, clareza e brevidade nas notícias. A linguagem da notícia é ser direta, objetiva, impessoal, modesta e sem palavras difíceis. Os formatos do Gênero Jornalístico são:

2.1.1.1 Nota - A Nota é um informe sintético de um fato atual, nem sempre concluso, isto é, de um fato que ainda está acontecendo. Caracteriza-se pelo tempo de irradiação sempre curto, com no máximo quarenta segundos de duração; as mensagens são transmitidas mediante frases diretas, quase telegráficas.

2.1.1.2 Notícia - A Notícia é o relato integral de um fato que já eclodiu no organismo social. O tempo de apresentação da notícia é curto, com aproximadamente noventa segundos. O radiojornalismo supõe entradas ao vivo de qualquer ponto da cidade, e não apenas a leitura dos jornais que estão nas bancas.

2.1.2.1 Boletim - O Boletim Noticioso é de poucos minutos, produzido e apresentado por um só jornalista; aqui conta muito a instantaneidade da notícia. A informação no rádio pode ser veiculada no gênero radiojornal ou na forma de boletim noticioso. O boletim noticioso normalmente é veiculado nas “cabeças de horário”, por exemplo, 16:55 horas, 17:55 horas, 18:55 horas.

2.1.1.4 Reportagem - A Reportagem é o relato ampliado de um acontecimento que já repercutiu no organismo social e produziu alterações que são percebidas pela instituição jornalística. Engloba a pesquisa, a entrevista e a seleção de dados relacionados à mensagem a ser veiculada. É uma noção mais aprofundada a respeito do fato narrado.

2.1.1.5 Entrevista - A Entrevista se caracteriza pelo diálogo entre o repórter e a fonte, sob a forma de perguntas e respostas, para obter informações. Entrevista noticiosa é aquela que tem como eixo a informação; entrevista de caráter é aquela que tem como eixo a personalidade do entrevistado. Pode acontecer ao vivo ou pode ser gravada para ser reproduzida mais tarde. A vantagem da entrevista é uma maior credibilidade dos fatos e a uma maior aproximação do radiouvinte com o fato.

2.1.1.6 Comentário - O Comentário indica uma análise e uma opinião sobre determinado acontecimento, que procura informar e orientar o ouvinte, influir sobre ele e incliná-lo em favor de uma determinada interpretação do fato, considerada justa e correta. José Marques de Melo diz que o comentário pressupõe autoria definida e explicitada. A função do comentário reside no seu conteúdo opinativo e sugere um conhecimento especializado. Aproxima-se do editorial, com a diferença de que no editorial é expressa a opinião do veículo de mídia e no comentário é expressa a opinião do autor. O tempo de um comentário não deve ultrapassar os três minutos e o radiouvinte tem que ser informado de que se trata de um comentário.

2.1.1.7 Editorial - O Editorial é um texto opinativo, escrito de maneira impessoal, sem identificação do autor, sobre um assunto de interesse nacional ou internacional, ou local, que retrata o ponto de vista da radioemissora. Nos primórdios do rádio europeu, o editorial representava um anseio da comunidade perante o Estado.

2.1.1.8 Crônica - A Crônica é um formato que transita nas fronteiras do jornalismo e da literatura; o jornalismo condensa a redação e é conciso, a literatura é minimalista e é prolixa. A crônica faz uma ligação direta de fatos da atualidade com uma circunstância favorável. Ela estrutura-se de modo temporalmente mais defasado; vincula-se diretamente aos fatos que estão acontecendo, mas não coincide com seu momento eclosivo. A crônica radiofônica, ainda cultivada nas pequenas emissoras das cidades do interior, permanece cingida à estrutura da crônica para o jornal: trata-se de um texto escrito (código criptografado) para ser lido (código oral), cuja emissão combina a entonação do locutor e os recursos de sonoplastia, criando ambientação especial para sensibilizar o ouvinte.

2.1.1.9 Radiojornal - O Radiojornal é constituído por diversas seções ou blocos, com notícias locais, nacionais, internacionais; notícias de economia, política, cultura, artes, serviço, esportes, variedades; e ainda, opinião e comentário. Caracteriza-se pela periodicidade diária, mantendo a regularidade nos horários de início e término das transmissões, garantindo, assim, a credibilidade necessária do público no que diz respeito aos conteúdos transmitidos. Variando de quinze minutos a uma hora, ou até duas horas e meia, esse jornal-falado tem por função cobrir o último período informativo entre uma emissão da espécie e outra. Deve ter: a cabeça do programa, as manchetes, os destaques, os resumos, a classificação dos blocos noticiosos, cortinas sonoras para a divisão dos blocos, recursos para atrair a atenção do ouvinte e a utilização de fundo musical. Em cada bloco, apresenta-se a notícia mais importante por primeiro. Há no mínimo dois apresentadores, com a participação de repórteres incluindo, se for o caso, entrevistas sonoras. O radiojornal supõe uma equipe de produção.

2.1.1.10 Documentário Jornalístico - O Documentário Jornalístico tem a duração de quinze a trinta minutos. É a verdadeira análise de um fato específico que merece tratamento especial. Pode ser uma data histórica, um conjunto de fatos reais, oportunos e de interesse atual, de conotação não-artística. É realizado por meio de montagem de áudios previamente gravados. Tem como função aprofundar determinado assunto construído com a participação de um repórter condutor. É uma espécie de monografia radiofônica sobre um dado tema. Mescla pesquisa documental, medição dos fatos in loco, comentários de especialistas e de envolvidos no acontecimento e desenvolve uma investigação sobre um fato.

2.1.1.11 Mesa-Redonda - A Mesa-Redonda e o Debate são mediados por um apresentador que impõe as regras previamente aceitas pelos participantes, tendo em vista delimitar o tempo de fala de cada um, organizar as perguntas e a seqüência das respostas. O mediador deve ser uma pessoa bem informada, sensível, de raciocínio rápido, imparcial e educada. A apresentação é ao vivo para gerar credibilidade. O assunto a ser abordado na transmissão de um debate é de interesse público. O objetivo é fazer o ouvinte ficar a par de argumentos e contra-argumentos expressos em forma discursiva por pessoas que de fato sustentam suas opiniões com convicção. Os participantes da mesa-redonda, normalmente, têm idéias diferenciadas entre si. É costume mesclar vozes femininas e masculinas no estúdio, onde todos devem ser informados do nome e do cargo de cada debatedor. É importante abrir espaço para a participação do ouvinte por telefone ou e-mail, o que precisa ser informado ao ouvinte repetidas vezes. Na mesa-redonda, o assunto é abordado pacificamente; no debate, há discussão.

2.1.1.12 Programa Policial - O Programa Policial tem como objetivo cobrir os acontecimentos e fatos policiais, por meio de reportagens, entrevistas, comentários e notícias, e é apresentado de modo independente ou vinculado aos radiojornais. Roland Barthes, em Crítica e Verdade (Perspectiva, 1999, p. 58-59) fala de faits divers como uma informação monstruosa sobre desastres, assassinatos, raptos, acidentes, roubos, assaltos, esquisitices..., remetendo ao homem a sua história, a sua alienação, a seus fantasmas, a seus sonhos, a seus medos. Normalmente o noticiário policial é recheado de suspense, o que caracteriza o sensacionalismo.

2.1.1.13 Programa Esportivo - O Programa Esportivo, aceito somente nos últimos anos como gênero radiofônico, vem cativando públicos cada vez maiores. Os locutores esportivos têm se aperfeiçoado no sentido de criar novos estilos de locução, utilizando-se sempre da criatividade e cativando uma legião cada vez maior de ouvintes. Avalia-se, inclusive, que o gênero esportivo é o que mais se desenvolveu nas últimas décadas, com uma rica produção de vinhetas e efeitos especiais durante suas transmissões ao vivo, aliadas a constantes entrevistas e coberturas ao vivo. Em termos de programação, o gênero esportivo oferece quatro formatos: 1) noticiários esportivos - que ocorrem em datas e horários pré-determinados; 2) programas esportivos - apresentados no estúdio; 3) transmissão de eventos - especialmente o futebol; 4) placar esportivo - resultados, classificação. Segundo Luis Carlos Saroldi, em O Rádio no Brasil (SAROLDI, 1988, p. 45), a transmissão de futebol no Brasil é um gênero à parte, uma espécie de ópera sonora. Para desenvolver um trabalho eficiente na área de esportes, é necessário que a emissora mantenha uma equipe de esportes que pode ser dividida por tipo de esporte (futebol, hipismo, fórmula-1...), sendo fundamental a cobertura permanente dos esportes mais difundidos na região da emissora.

2.1.1.14 - Divulgação Tecnocientífica - A Divulgação Tecnocientífica tem a função de divulgar, e conseqüentemente, informar a sociedade sobre o mundo da ciência, com roteiros apropriados e linguagem que seja acessível à maioria da população. O uso de ferramentas de linguagem radiofônica, a exemplo da sonoplastia, a participação da radioatores e as trilhas musicais são fundamentais para tornar o discurso científico acessível e palatável.

 

2.1.2 Gênero Educativo-Cultural

No início da história do rádio, pensava-se fazer desse veículo um difusor de cultura. Alguns governos financiavam e ainda financiam a rádio educativa. Como um meio de promover a educação, o rádio pode trabalhar com conceitos e com fatos. Seja ilustrando dramaticamente um evento histórico, seja acompanhando o pensamento político atual, ele serve para veicular qualquer assunto que possa ser discutido, conduzindo o ouvinte, num ritmo predeterminado, por um conjunto de informações. Nos países desenvolvidos, o gênero educativo-cultural é uma das colunas de sustentação da programação radiofônica. Roquette-Pinto, o fundador da radiodifusão brasileira, assim concebeu o meio. Por longos anos, 1970-89, foi veiculado no Brasil o Projeto Minerva; era uma tentativa de levar educação escolar aos recantos mais remotos do Brasil (FERRARETO, 2001, p. 162). Desde 1997, em São Paulo-SP, idealizado por Ismar de Oliveira Soares, da ECA/USP, está sendo desenvolvido o projeto Educomunicação, levando crianças do Ensino Fundamental a terem contato com o rádio educativo. Porém, a comercialização e a conseqüente banalização dos conteúdos dos programas radiofônicos da atualidade não propiciam a criação de projetos que visem instruir e educar por meio do veículo de massa mais popular e de maior penetração da sociedade brasileira.

2.1.2.1 Programa Instrucional - O Programa Instrucional é usado em cursos de alfabetização e ensino de idiomas, e mesmo em disciplinas básicas como geografia, história etc; o áudio é um complemento ao material impresso.

2.1.2.2 Audiobiografia - A Audiobiografia é o formato radiofônico em que o tema central é a vida de uma personalidade de qualquer área de conhecimento e que visa divulgar seus trabalhos, comportamentos e idéias.

2.1.2.3 Documentário Educativo-Cultural - O Documentário educativo-cultural, com duração variável de trinta a sessenta minutos, tem a abordagem direcionada a um tema de cunho humanístico, como uma escola, um movimento literário ou musical, uma programação televisiva ou radiofônica.

2.1.2.4 Programa Temático - O programa temático, variando de cinco a sessenta minutos, tem como finalidade a abordagem e a discussão de temas sobre a produção do conhecimento.

 

2.1.3 Gênero de Entretenimento

            Pode ser chamado também de “variedades” ou “radiorevista”. Tem como característica a mistura em um único programa dos vários gêneros existentes, baseando-se no tripé música-informação-entretenimento. A grande vantagem do entretenimento é a imbricação entre ficção e realidade. Com duração de até três horas, esse tipo de programa é dividido em núcleos, de acordo com os assuntos/quadros. Há necessidade de uma equipe de produção. O foco central é a mistura de assuntos e não a presença de um determinado apresentador. O papel do locutor é o de garantir a descontração do programa, sem que sua participação tenha interferência direta no material que está sendo difundido. Nas décadas de 1940 e 1950, nesse tipo de programa eram apresentadas as radionovelas. Em Entretenimento pode haver informação, anúncio, prestação de serviços de utilidade pública, educação etc.

2.1.3.1 Programa Musical - Um programa é Musical quando a maior parte do tempo é ocupada por músicas, ainda que haja breves locuções, como nome do cantor e da música, hora certa, reclames publicitários e boletins noticiosos. No início da história do rádio, havia transmissão de longas óperas e concertos; hoje, as músicas duram de dois a cinco minutos. Os programas musicais são os mais fáceis de serem produzidos, uma vez que as músicas já estão prontas; o trabalho do produtor e/ou apresentador resume-se em anunciar a música, desanunciar a música no seu final e inserir uma ou outra informação. Nas emissoras FM surgiu a figura do disc-jóquei, onde o mesmo profissional faz as tarefas do programador, do operador de áudio e do noticiarista, lendo as notícias on line de algum site da internet. No rádio brasileiro predomina o gênero musical. No tangente ao repertório musical, há segmentação quanto ao estilo clássico, rock, popular, sertanejo, romântico, religioso... O musical ainda pode ser dirigido para um público infantil, juvenil, adulto ou senil.

2.1.3.2 Programa Ficcional - O formato ficcional no rádio brasileiro teve seu esplendor a partir da década de 1940, com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Englobando interpretação, sonoplastia e efeitos sonoros, os programas ficcionais pertencem a dois grandes grupos: o drama e o humor. O drama é definido como uma composição dialogada de um fato trágico. Mario Kaplun dividiu o drama no rádio em: 1) unitário - os personagens não tem continuidade posterior; 2) seriado - personagens se repetem em peças independentes com tramas diferenciadas com começo, meio e fim; 3) radionovela - obra dramática de longa duração, dividida em capítulos de modo seqüenciado, com a necessidade de acompanhá-la diariamente para não perder a compreensão do desenrolar da trama (KAPLUN, 1978, p. 147-149).  Muito difundido nas décadas de 1940 e 1950, o gênero humorístico praticamente desapareceu do rádio brasileiro na década de 1960. Naquela época, tal tipo de programa era caracterizado por uma seqüência permanente de piadas e brincadeiras, tendo a família como público-alvo. Mario Kaplun classificou o humor no rádio em: 1) programete de humor - duração de poucos minutos ou até apenas alguns segundos, veiculados ao longo da programação; 2) programa de humor - seriado, com personagens permanentes que se apresentam a cada episódio; 3) peça radiofônica - comédia de até trinta minutos (KAPLUN, 1978, p. 147-149). A migração de muitos humoristas para a televisão e a transformação de perfil do público de rádio a partir da década de 1980 fizeram com que esses programas fossem rareando. Em 2005, percebe-se uma reintrodução de programas humorísticos no rádio, de forma completamente diferente do que era antes: agora os programas são veiculados em rádios FM, voltados prioritariamente para o público jovem e, ao contrário de entreter, buscam sempre o escracho, o humor apelativo.

2.1.3.3 Programete Artístico - O programete artístico é um clips de áudio, com no máximo três minutos, com conteúdo de conotação artística. Utilizando entrevistas, comentários, radioesquetes e informações úteis, sua estrutura é ágil e dinâmica e pressupõe o poder de síntese, fluência e objetividade de quem o escreve.

2.1.3.4 Evento Artístico - Um evento artístico transmite ao vivo um espetáculo público, tal como show musical, concurso de beleza, quermesse, congresso etc. É necessário um esforço muito grande de técnicos, produtores, locutores, animadores que produzem o ritmo do espetáculo. Faz-se a inclusão de textos explicativos, bem como vinhetas de abertura, passagem e encerramento.

2.1.3.5 Programa Interativo de Entretenimento - Embora no rádio se estabeleça mais um feedback do radiouvinte do que uma interatividade que é própria da internet, o programa interativo é aquele no qual o ouvinte participa de jogos, gincanas, sorteios e brincadeiras, normalmente ganhando brindes. A interação pode acontecer através do telefone, fax ou e-mail.

 

2.1.4 Gênero Publicitário

O objetivo de um anúncio comercial é vender um produto ou um serviço. A propaganda eficiente irá interessar, informar, envolver, motivar e direcionar. Normalmente, o anúncio é produzido numa agência de publicidade, a qual sabe conjugar público-alvo, produto/serviço, redação apropriada, entonação da voz e efeitos sonoros. O código de ética para a publicidade diz que o anúncio tem de ser legal, decente, honesto e verídico; deve ser ousado e convincente. Os anunciantes são tratados com muito apreço, afinal são eles que garantem a subsistência financeira da radioemissora e dos que dela dependem.

2.1.4.1 Espote - Spot advertising significa ponto de propaganda, ou, anúncio radiofônico. Surgiu em 1930 nos Estados Unidos. Um espote, normalmente não ultrapassa os trinta segundos de duração. É uma fala de entonação forte, protagonizada por atores, apoiada por trilha musical e efeitos sonoros. Existe também o texto-foguete, que é uma locução simples, com menos de dez segundos de duração.

2.1.4.2 Jingle - Jingle é uma pequena peça musical cuja função é facilitar e estimular a retenção da mensagem pelo ouvinte. Com trinta segundos ou menos de duração, a melodia é ao mesmo tempo simples e de fácil compreensão. O hábito humano de repetir determinadas frases melódicas, cantando ou assobiando, garante ao produtor do jingle a multiplicação da informação veiculada.

2.1.4.3 Testemunhal - Ainda há o Anúncio Testemunhal, peça radiofônica que se utiliza da credibilidade do comunicador quando da leitura de um texto comercial, tendo em vista o convencimento do público. É uma espécie de conselho de amigo. O ato de persuadir o consumidor está na credibilidade do locutor e não na qualidade do produto.

2.1.4.4 Peça de Promoção - Peça de Promoção é uma promoção de vendas veiculada no rádio que se caracteriza pela instantaneidade e pelo alcance local. Vendem-se serviços e produtos numa espécie de oferta-relâmpago. O anunciante participa por telefone ao vivo, com a cumplicidade do locutor do estúdio. São oferecidos brindes para as primeiras pessoas que telefonarem adquirindo o produto anunciado. A Rádio Clube FM, de Curitiba-PR, é experta nesse tipo de anúncio publicitário.

2.1.4.5 Teaser - Mensagem publicitária curta destinada a despertar a atenção e a curiosidade do público para anúncio a ser lançado posteriormente. Neste tipo de anúncio, não há indicação clara nem do anunciante, nem do produto.

2.1.4.6 Oferecimento - Na abertura ou no encerramento de certos programas, apenas é citado o nome do produto ou do serviço, sem entrar em detalhes. Serve para gravar e reforçar a marca.

 

2.1.5 Gênero Propagandístico

Fazer propaganda é propagar idéias, crenças, princípios e doutrinas; é o conjunto de técnicas e atividades de informação e persuasão destinadas a influenciar, num determinado sentido, as opiniões, os sentimentos e as atitudes do público receptor. Um exemplo histórico de propaganda no rádio está em Joseph Goebbels, ministro do Reich de Adolf Hitler, na Alemanha. E no Brasil, celebrizou-se o jovem César Ladeira, o locutor da revolução, que conclamava o povo contra a ditadura de Getúlio Vargas (BARBOSA FILHO, 2003, p. 129). Eis a classificação do Gênero Propagandístico:

2.1.5.1 Peça Radiofônica de Ação Pública - A Peça Radiofônica de Ação Pública reforça e sustenta o poder. Visa divulgar e esclarecer a opinião pública das ações, idéias e projetos das instâncias de poder, seja no nível federal, estadual ou municipal - propaganda governamental - , trabalhando suas respectivas imagens com o objetivo de conquistar o apoio e a aceitação populares. Porém, no Brasil, esse recurso sempre foi abusivo, com o agravante de que o governo paga bem pela veiculação de seus espotes.

2.1.5.2 Programa Eleitoral - A Lei nº 9.504 de 30 de setembro de 1997, nos artigos 44 a 58, fala da Propaganda Eleitoral no Rádio e na Televisão (www.tse.gov.br/servicos/legislacao/lei_9504.htm. Acesso em: 14 Nov. 2003). As emissoras de rádio e de televisão devem reservar, nos quarenta e cinco dias anteriores à antevéspera das eleições em 1º Turno, horário destinado à divulgação, em rede, da propaganda eleitoral gratuita. São estabelecidos 50 minutos diários, repartidos em dois blocos de 25 minutos. O desempenho do candidato no horário político no rádio e na televisão se tornou decisivo para a sua eleição ou não-eleição. Por isso, o esmero em conquistar preciosos minutos para o candidato ou coligação, com base no número de cadeiras conquistadas no pleito anterior. A produção do conteúdo veiculado pelo candidato, numa linguagem direcionada para o eleitor, passou a ser confiada a profissionais de marketing.

            Embora não seja propriamente um gênero propagandístico, a Voz do Brasil merece uma menção especial. A primeira edição da Voz do Brasil foi apresentada em 25 de julho de 1936, com locução do carioca Luiz Jatobá, como noticiário oficial do governo federal, por ordem do Presidente Getúlio Vargas. Naquela época, chamava-se Programa Nacional. A transmissão obrigatória do programa por todas as emissoras de rádio do país, em rede nacional, iniciou-se em 1938. Essa retransmissão ainda é obrigatória, embora algumas emissoras, munidas de Mandado de Segurança, não a retransmitam. Em 1962 ocorreu a mudança de nome, com o programa passando a chamar-se A Voz do Brasil; e ficou sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Notícias (EBN), que foi substituída em 1988 pela Radiobrás. A Voz do Brasil vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 19 horas, com a duração de 60 minutos. Em 1995, a Voz do Brasil entrou para o Guiness Book como o programa de rádio mais antigo do Brasil. É também o mais antigo programa de rádio do mundo que está no ar ininterruptamente (http://www.radiobras.gov.br. Acesso em: 21 set. 2003).

2.1.5.3 Programa Religioso - Em todas as religiões existe o aspecto da missionariedade e mesmo o do proselitismo. Por isso, a existência de programas de ordem confessional. Muitas radioemissoras nasceram para servir determinados credos; em emissoras comerciais, muitas vezes há a cessão gratuita ou venda de espaços para grupos religiosos.

 

2.1.6 Gênero de Serviço

São notas que se caracterizam pela transitividade e provocam no radiouvinte uma reação imediata. São informações sobre o fluxo do trânsito, aeroportos, condições meteorológicas, anúncio de concursos, espetáculos, vacinação de crianças ou idosos, prazo da entrega do imposto de renda, falta de água ou luz, notas de falecimento, serviços públicos, coleta de sangue, aconselhamentos sobre saúde, investimentos, preços, turismo, emprego, questões jurídicas. Ainda, temas específicos de apoio aos interesses da população, venda de automóveis ou imóveis, hora certa, feiras-livres etc.

 

2.1.7 Gêneros Especiais

São formatos que escapam às tentativas de classificá-los nos gêneros clássicos, mas que apresentam várias funções concomitantes:

2.1.7.1 Programa Infantil - O Programa Infantil tem a função de divertir, educar, informar. Porém, parece que essa intenção nunca prevaleceu. André Barbosa Filho (2003), escreve que o último programa infantil de que se tem notícia foi o Quintal Encantado, exibido entre 1985 e 1986 (BARBOSA FILHO, 2003, p. 139). Porém, uma pesquisa realizada por e-mail, em agosto de 2004, constatou que existem muitas radioemissoras com programas infantis. O programa infantil é propício a apresentar histórias e episódios com pinceladas do estilo radionovela, como ocorre em várias emissoras: na Rádio Imaculada Conceição, AM 1490 KHZ, de São Bernardo do Campo (SP), aos sábados, há o programa A Hora e Vez da Criança, das 10:00 às 11:00 horas, apresentado pelo locutor Denis Santos; e há um Rosário recitado por crianças às 15:00 horas. Na Rádio Nazaré FM de Belém-PA, há o programa Criança Evangelizando Criança, apresentado pela Infância Missionária aos sábados às 14:00 horas, detentor do prêmio Microfone de Prata-2004 oferecido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A Rádio Canção Nova de Cachoeira Paulista (SP) possui aos sábados o programa Cantinho da Criança, veiculado às 15:30 horas. Na rádio Paiquerê de Londrina-PR e em mais de 200 outras radioemissoras do Brasil é veiculado o programa Carretel de Invenções, gerado pela Fundação Fé e Alegria do Brasil, dos Padres Jesuítas de Belo Horizonte (MG). Em Nova Olinda (CE), na FM Casa Grande, o Catavento. A Rádio Comunitária A Voz da Comunidade de Manaus-AM transmite de segunda a sexta-feira, das 14:00 às 16:00 horas, A Hora da Alegria, apresentado por duas crianças, Jéssica e Alfredo, de 10 e 9 anos respectivamente. Em Santarém-PA existe um programa de rádio infantil apresentado na Rádio Rural de Santarém chamado Para Ouvir e Aprender. Na Rádio Goitacáz, em Glória do Goitá (PE), aos domingos, às 08:30 horas, o Mundo Infantil, apresentado por Lenilson José dos Santos. Na Rádio Comunitária FM Timbaúba-PE, aos domingos às 08:30 horas, o Criança Feliz, apresentado por Edivaldo Melo, o Palhaço Tico. Na Rádio FM Feira Nova em Feira Nova (PE), Coisas de Criança, às 11:00 horas de cada domingo, apresentado pelas crianças Ivã, Malena, Tiago e Simária. Na Rádio Nova Aliança de Brasília-DF, o programa Gente Pequena, apresentado por Sandra, às 10:00 horas. Na Rádio Atalaia de Curitiba-PR, às 08:00 horas, o programa religioso Sábado Criança, apresentado por Cláudia Menezes de Brito.

2.1.7.2 Variedades - Tendo um ou dois apresentadores, o Programa de Variedades possui várias seções: atualidades, política, esportes, música, humor... O programa de variedades, também chamado de popular, é responsável pela maior parte da audiência nas emissoras. Esse tipo de programa está centrado na figura do apresentador, também chamado de comunicador popular. Esse profissional tem um perfil bastante específico: uma pessoa descontraída, com muito carisma, perspicácia e emotividade. Em termos de produção, tal tipo de programa é dividido entre música, muita prestação de serviço de caráter básico, gincanas e notícias sobre artistas e personalidades, tudo com a participação direta e permanente do apresentador. Assemelha-se, em grande medida, ao gênero “Variedades”. Por conta das necessidades comerciais de boa parte das emissoras, esse gênero de programa acabou sendo um pouco desvirtuado, tendo como principal característica a exploração da boa fé do público ouvinte, normalmente constituído por pessoas do sexo feminino, de classe baixa e pouca escolaridade. O Programa Popular, às vezes, é a única forma de a população carente canalizar suas esperanças (MCLEISH, 1999, p. 113). No Brasil, de 1930 a 1951, destacou-se o Programa Casé, dirigido por Ademar Casé; na década de 1980, o programa Balancê, dirigido por Osmar Santos.

2.1.7.3 Rap - Em 30 de setembro de 1991, deu-se o golpe de Estado contra o presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide. A Rádio Enquirillo, emissora da República Dominicana, situada na fronteira sul, fazia chegar facilmente o seu sinal até Port-au-Prince, capital do Haiti. Diante da terrível situação que o país irmão estava vivendo, a emissora, que tem o nome de um cacique rebelde, começou a enviar mensagens em crioulo para animar a resistência popular. Cúmplice do golpe, o governo dominicano proibiu terminantemente a Rádio Enquirillo de divulgar quaisquer notícias, qualquer aviso lido em língua haitiana. “E a música?”, perguntou, malicioso, Pedro Ruquoy, diretor da emissora. “Coloquem a música que quiserem”, respondeu impaciente o funcionário das telecomunicações. Como as músicas não haviam sido proibidas, o departamento de imprensa converteu-se em orquestra. Pedro decidiu colocar bateria e violão na cabine principal e começar a divulgar os boletins de última hora em ritmo de merengue e salsa. Quando havia muitas informações para transmitir, mudavam para o Rap. Estava inaugurado um novo formato radiofônico: a notícia cantada, ou Rap (MCLEISH, 1999, p. 117).

            Em muitos casos, o radiouvinte se afeiçoa ao radialista, criando nele uma figura de confidente ou conselheiro, como pode ser constatado em cartas de ouvintes. Antigamente carta, hoje fax ou e-mail. Às vezes, o radiouvinte é estimulado a escrevê-la, outras vezes ele a escreve espontaneamente. Algumas cartas são dirigidas ao radialista, outras à radioemissora. Algumas devem ser respondidas “no ar”, outras vezes, pelo correio. Contudo, todas têm que ser respondidas, pois o ouvinte merece respeito e não pode ser decepcionado. Leitura no ar - são cartas com pedidos musicais, dedicatórias, reclamações, respostas a concursos, divulgação de eventos ou solicitação de ajuda. Correspondência fora do ar - certas cartas dos ouvintes merecem o tratamento sigiloso de uma carta pessoal, em que o radialista ou a radioemissora devem responder ao radiouvinte, sob pena de perderem a confiança do remetente. No período áureo do rádio brasileiro, em São Paulo, a empresa de correios obrigou-se a deslocar diariamente uma viatura especial para transportar as cartas endereçadas a locutores, cantores e atores de algumas radioemissoras, tamanho era o volume da correspondência.

            Um telefonema do ouvinte colocado no ar pode variar desde um simples pedido musical, a uma dedicatória e mesmo a uma denúncia pública. E é ótimo que o ouvinte participe colocando a sua voz no ar, manifestando sua opinião e dando o seu testemunho. O telefonema concede a característica de imediatismo ao programa. Em certos tipos de debate, em que há uma autoridade no assunto no estúdio, o radiouvinte é estimulado a telefonar, contribuindo com opiniões ou questionamentos. É aconselhável que haja um pré-atendimento do telefonema, identificando o ouvinte para o apresentador do programa. Um telefonema colocado no ar não pode ser interrompido, ainda que pareça inconveniente; se for o caso, a equipe de produção poderá providenciar o comentário cabível na seqüência do programa (MCLEISH, 1999, p. 113-120).

 

- - -

4. Roteiro em Rádio

Ingredientes do Roteiro para rádio - exercício de Transições: 

1) Diálogos (e Sons) - textos a serem proclamados pelos locutores. Entonação natural, causando no ouvinte a impressão de que o texto é falado espontaneamente e não que é lido. Alinhar o texto à esquerda, sem hifenização. 

2) Detalhes do Texto - indicação de como proclamar o texto: lento, rápido, entusiasmado, rindo, bocejando, esbravejando, voz masculina ou feminina, interrogação, exclamação... 

3) Sonoplastia - detalhes técnicos a serem observados pelo operador de áudio e codificados no Playlist: Título do CD e número da faixa; MD; qual microfone; inserção de músicas, vinhetas, anúncios comerciais, ícones sonoros... 

4) Detalhes - indicação de tempo, volume, efeito sonoro... 

            Um roteiro pode ser mais ou menos sofisticado, indicando mais ou menos detalhes para o locutor e para o operador de áudio. Exemplo de Roteiro: 

Notícias da Tarde

Rádio Eseei

Notícias da Tarde

16 agosto 2006

17:30 horas

Bloco 3

Diálogos (e Sons)

(O que é falado, qual som é emitido...)

Detalhes

(Como falar)

Sonoplastia

(Fonte do som, o que, Playlist...)

Detalhes Técnicos

(Como...)

...

 

...

 

Comercial - Casas Bahia

 

1109 (Código)

 

Vinheta 4 - Rádio Essei

 

456

 

Plim-plom, plim-plom (Vinheta Hora Certa)

 

123

 

17 e 48.

Loc. Masc.

Mic. 1

 

Vinheta - Notícias da Tarde

 

789

 

Back Ground

 

CD Trem,

faixa 3

2” e BG

O dólar fechou hoje em 2 Reais e 87 centavos para a venda; e 2 Reais e 69 centavos para a compra.

Loc. Masc.

Mic. 1

BG

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de zero ponto 4 por cento.

Loc. Fem.

Mic. 2

BG

Logo mais, a partir das 20:30 horas, a grande jornada esportiva pela Rádio ESEEI. Direto do Beira-Rio, transmitiremos Internacional e São Paulo. Nosso repórter Adilson Cordeiro dá as últimas informações direto de Porto Alegre!

Loc. Masc.

Mic. 1

BG, fim do BG na última palavra

Vinheta Adilson Cordeiro

 

369

 

Boa Tarde Nathalie e Salik, Boa Tarde ouvinte da Rádio Eseei! Acaba de sair a escalação do Inter de Porto Alegre. Os portões já estão abertos para a torcida. Às 21 horas e 30 minutos rola a bola nesta decisão da Taça Libertadores da América. Adilson Cordeiro para Notícias da Tarde.

Vibrante

Entrada Ao vivo

Celular, canal 4

A Rádio Eseei transmite Inter e São Paulo a partir das 20:30 horas.

Loc. Masc.

Mic. 1

 

As últimas Notícias da Tarde, copiando do provedor da Eseei.

Loc. Fem.

BG Trem, Faixa 3 Mic. 2

 

Cassados mais de 70 deputados sanguessugas da máfia das ambulâncias...

Loc. Masc.

Mic. 1

 

BG Eco 2/3

Vinheta Hora Certa

 

123

 

17 e 54

Loc. Masc.

Mic. 1

 

Daqui a um minuto, o Repórter Eseei

Loc. Fem.

Mic. 2

 

Vinheta 3 -  Rádio Eseei

 

122

 

 

 

Comercial Britânia

569

 

 

5. Manual de Comunicação da SSVP (2005)

 

Peculiaridades do ‘rádio’

 

O feito do rádio deve-se ao italiano Guglielmo Marconi, que em 1901 captou as freqüências e inaugurou a era das telecomunicações. Nos países pobres o rádio e, posteriormente, a televisão se configuraram como fortes elementos de identidade nacional.

Nos lares, botecos, salões de beleza, academias de ginástica lá está ele, fazendo companhia para seus ouvintes. O que nos leva a afirmar que o papel do rádio é insubstituível ante as inovações tecnológicas no mundo da comunicação.

A primeira transmissão radiofônica no Brasil aconteceu durante a festa de Centenário da Independência, em 7 de setembro de 1922, na cidade do Rio de Janeiro. Dezenas de pessoas que prestigiavam a solenidade ouviram o discurso do presidente Epitácio Pessoa e os acordes da peça “O Guarani”, de Carlos Gomes, executada no Teatro Municipal da então capital federal. Há quem conteste essa data como marco inaugural do rádio brasileiro, pois alguns documentos provam que o rádio, no Brasil, nasceu em Recife, em 6 de abril de 1919, quando com um transmissor importado da França, foi inaugurada a Rádio Clube de Pernambuco por Oscar Moreira Pinto, que depois se associou a Augusto Pereira e João Cardoso Ayres.

Em 1923, com a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada por Roquete Pinto e Henry Morize, a implantação do rádio se consolida. As primeiras emissoras tinham sempre em sua denominação os termos “clube” ou “sociedade”, pois nasciam como clubes e associações. Em 1931 surgiu o primeiro documento sobre radiodifusão.

A publicidade foi permitida por meio do Decreto n. 21.111, de 1º de março de 1932, que regulamentou o Decreto n. 20.047, de maio de 1931, primeiro diploma legal sobre radiodifusão, surgido nove anos após a implantação do rádio no país. Por meio do Decreto n. 21.111 foi autorizada a veiculação de propaganda pelo rádio que correspondia inicialmente a 10% da programação, posteriormente elevada para 20% e, atualmente, fixada em 25%.

Com a publicidade, o rádio passou a cumprir melhor o seu papel. Ele não pôde mais viver apenas de improvisação. Estruturou-se como empresa, investiu em equipamentos e começou a contratar artistas e produtores. A linguagem abdicou-se de expressões menos usuais e popularizou-se, falando como o povo fala. A hora do Brasil começou em 1935 como um noticiário oficial do governo.

A fase de ouro do rádio se consolida na década de 1940, momento em que ele começa a se definir, mas claramente, para o jornalismo. O Repórter Esso, criado exatamente às 12h45min do dia 28 de agosto na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, foi produto dessa época. A voz de Heron Domingues, locutor exclusivo desse programa durante 18 anos, tornou-se popular em todo o País. O Repórter Esso foi instinto em 31 de dezembro de 1968.

Ainda na década de 1960, as primeiras emissoras em FM (freqüência modulada) começam a operar. A primeira emissora a explorar esse serviço foi a Rádio Imprensa, do Rio de Janeiro. Os ouvintes passam a migrar da AM para a FM (80% da audiência).

Outra inovação ocorreu na década de 1970, com a criação das agências de produção radiofônica, que produziam programas com artistas famosos e assuntos de interesse do momento, vendendo as gravações para emissoras de menor porte. No final de 1982, a Rádio Jornal do Brasil FM, do Rio de Janeiro, tornava-se a pioneira na utilização do “compact disc audio digital”, ou seja, o disco digital com leitura a laser (o famoso CD).

Atualmente, mais de três mil emissoras de rádio operam em todo Brasil. A maioria das concessões desses veículos foi outorgada pelas ditaduras Vargas e Militar. Em 1973, a Rádio 9 de Julho (AM 1600KHZ), da Arquidiocese de São Paulo, foi cassada pelo governo Médici. Ela mostrava os porões da tortura e denunciava a mentira oficial.

 

Como um meio de comunicação universal, o rádio apresenta algumas  características peculiares:

·        Sensorialidade – no rádio, a única arma é a voz, que por sua vez desperta a  imaginação do ouvinte.

·        Abrangência – tem o poder falar para milhões de pessoas. A parcela de audiência (tempo que o ouvinte gasta ouvindo determinada emissora) e o alcance de audiência (nº de pessoas que ouvem, efetivamente, alguma emissora no período de um dia ou uma semana) são cifras utilizadas para avaliar a radiodifusão. Os resultados são expressos em porcentagem

·        Imediatismo – o rádio possui um caráter imediato, possibilitando que o ouvinte se inteire dos fatos no momento em que acontecem.

·        Função social – atua como agente de informação e formação do coletivo. Como um serviço de utilidade pública fornece informações sobre empregos, produtos e serviços; facilita o diálogo entre indivíduo e grupos, promovendo a noção de comunidade; mobiliza recursos públicos e privados para fins pessoais ou comunitários, especialmente numa emergência.

·        Linguagem – para receber a mensagem é necessário somente ouvir, ato que não exige que o ouvinte seja alfabetizado. De um modo geral, a linguagem radiofônica deve ser direta (objetividade), simples e clara. É importante destacar que qualquer tipo de programa radiofônico deve, necessariamente, ter um roteiro bem elaborado para ser apresentado, o que garantirá a entrada e a saída do programa no horário.

 

Gêneros de rádio

·        Gênero Musicalpodemos considerar um programa como sendo “musical” quando, claramente, a maior parte do espaço foi ocupada por músicas, mesmo que haja locução, informação e entretenimento.

·        Gênero de Variedades – tem como característica a mistura em um único programa dos vários gêneros existentes, baseando-se principalmente no tripé música, informação e entretenimento. Também é comum que este gênero privilegie o setor de prestação de serviços.

·        Gênero Popular – este programa está centrado na figura do apresentador. Tem como principal característica a exploração da boa-fé do público ouvinte.

·        Gênero Informativo – é responsável principal pela credibilidade de uma emissora. Tem como base os programas que se encarregam de difundir notícias, informações e prestações de serviços. São apresentados em formato de radiojornal, boletins ou mesas-redondas/debates.

·        Gênero Esportivo -  é o que mais se desenvolveu nas últimas décadas, com uma rica produção de vinhetas e efeitos especiais durante suas transmissões, aliadas a constantes entrevistas e coberturas ao vivo. Oferece três tipos de formato: cobertura de eventos esportivos, noticiários esportivos e programas esportivos apresentados antes e depois dos eventos.

·        Gênero Humorístico – praticamente desapareceu do rádio brasileiro na década de 1960. Naquela época este tipo de programa era caracterizado por uma seqüência permanente de piadas e brincadeiras, tendo a família como público alvo. Atualmente são veiculados em rádios FM’s, voltados prioritariamente para o público jovem e buscam sempre o humor apelativo.

 

O rádio foi o primeiro dos meios de comunicação de massa que deu ineditismo à notícia, graças a possibilidade de divulgar os fatos no exato momento em que eles ocorrem. Essa atividade é denominada de radiojornalismo: verdade transmitida com responsabilidade social. O objetivo da informação como mensagem radiofônica é manter o ouvinte a par de tudo o que de interesse e atualidade ocorre no mundo. Os valores das notícias são medidos pelo interesse do ouvinte, por aquilo que lhe envolve direta ou indiretamente.

Segundo o Ibope, 80%  dos ouvintes das emissoras jornalísticas são pessoas com idade acima de 40 anos.

 

Etapas para a produção da notícia

·        Pauta – roteiro com perguntas básicas, por meio do qual o repórter orientará sua entrevista, e com um resumo dos acontecimentos a respeito do entrevistado e do que o ouvinte espera da matéria (enfoque). Serve para aumentar as possibilidades de reportagens, e não para limitá-las. É o ponto de partida.

·        Reportagem – é a base do radiojornalismo. É fundamental a isenção, isto é, manter-se distante emocionalmente do acontecimento e sempre ouvir os dois lados da questão. Sempre faça uma pequena introdução para situar o ouvinte na matéria.

·        Redação do texto radiofônico – a notícia deve responder às perguntas: o quê (o assunto); quem (personagens envolvidos); onde (local onde acontece o fato); quando (data, hora); como (modo como aconteceu o fato); por quê (causas).

 

Tipos de notícias radiofônicas

·        Notícia estrita (nota) – o texto é redigido a partir da própria notícia (lauda).

·        Notícia com citação de voz – relato da notícia com a inclusão de trechos da fala do entrevistado, o que dá maior credibilidade à notícia.

·        Notícia com entrevista – é a introdução da notícia (cabeça da matéria) coma inclusão de uma entrevista (reportagem sobre o assunto).

 

Dicas de redação: estrutura gramatical e lingüística

·        Deve ser linear, observando um desenvolvimento lógico da idéia.

·        Formar frases em ordem direta, isto é, sujeito – verbo – complemento.

·        Usar frases curtas e sintéticas.

·        Evitar monotonia, intercalando frases simples com outras pouco mais longas.

·        Evitar palavras difíceis e compridas, buscando sinônimos.

·        Evitar adjetivos, uma vez que carregam pouca informação.

·        Procurar usar o verbo sempre no presente do indicativo.

·        Preferir o singular ao plural, quando não alterar o significado.

·        Não usar os pronomes possessivos dispensáveis e evitar os pronomes demonstrativos.

·        A linguagem oral no rádio deve utilizar linguagem simples.

·        Evitar termos técnicos e científicos, assim como palavras estrangeiras.

·        Evitar rimas, sibilância e repetição de sons parecidos.

·        Evitar cacófatos ou a repetição de palavras.

·        Considerar o caráter de atualidade das palavras.

·        Evitar expressões que se contradizem e expressões redundantes.

·        Usar parêntesis em rádio somente em duas situações: ao escrever a pronúncia de uma palavra estrangeira, ou para sinalizar uma frase interrogativa ou exclamativa.

·        Não iniciar frase com números. Não usar citações, principalmente entre aspas.

·        Pontuação: no rádio precisamos basicamente de ‘ponto’ e ‘vírgula’. A vírgula serve para marcar uma pequena pausa; respira-se e introduz-se uma pequena variação na entonação. O resultado final exige uma leitura natural com um tom coloquial. O ponto indica o final de uma unidade fônica completa, mais longa que a vírgula.

 

A entrevista

A entrevista é, basicamente, uma conversa com perguntas e respostas. As perguntas podem ser de esclarecimento, análise e ação. As entrevistas são classificadas em três tipos: informativa (fornece informações ao ouvinte), interpretativa (o entrevistador fornece os fatos e o entrevistado comenta ou explica sobre o exposto) e emocional (repassa ao ouvinte o estado emocional do entrevistado).

 

Classificação das transmissões informativas

·        Flash – acontecimento importante que deve ser divulgado imediatamente, em função de sua oportunidade.

·        Edição extraordinária – se refere a acontecimentos importantes, cuja divulgação é oportuna, interrompendo qualquer programa.

Ambos podem ser emitidos do estúdio ou diretamente do “palco da ação”, com texto redigido ou improvisado. A linguagem utilizada é determinativa, aproximando-se das manchetes.

·        Especial – programa que analisa um determinado assunto, seja por sua importância e atualidade, seja por seu interesse histórico.

·        Boletim – noticiário apresentado com horário e duração determinados, com característica musical de abertura e encerramento, texto elaborado – script – e montagem dos assuntos a serem tratados, que podem abranger tanto o noticiário local como o nacional e internacional. É apresentado, normalmente, a cada 30 minutos ou de hora em hora.

·        Jornal – é o tradicional “jornal falado” das emissoras, que tem por função cobrir todos os fatos de um determinado período informativo. Apresenta assunto de todos os campos de atividade, estruturados em editoriais e contém informações mais detalhadas. Os comentários – interpretativos ou opinativos – também podem estar presentes.

 

Expressões comuns ao universo do rádio

A arte de fazer rádio implica leis e regras específicas que compreendem linguagens, técnicas e procedimentos que o profissional do rádio deverá levar em conta e dominar de forma adequada.

·        BG (background) – música, vozes ou ruído em fundo que servem de suporte para fala. O mesmo que BG (begê). O BG precisa ser característico, para não ser confundido com falha técnica, e não pode, de maneira alguma, prejudicar o som da fala.

·        Retranca – o assunto a que a lauda (notícia) se refere.

·        Rubrica – são as recomendações ao locutor para uma entonação especial, pronúncia de uma palavra estrangeira ou difícil.

·        Lauda – folha padronizada em que é redigido o texto do programa, com as marcações para a técnica.

·        Script – roteiro para gravação ou veiculação de um radiojornal.

·        Deixa – palavras finais da matéria que indicam ao locutor e ao operador de som o momento em que outro trecho da informação deve ir ao ar. Designa também o ponto da edição.

·        Vinheta – chamada de curta duração, usada para destacar o intervalo e o reinício.

 

Vocabulário de rádio

·        Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão

·        Abertura de matéria – início da matéria, geralmente feito com o lead, o local e o nome do(s) entrevistado(s).

·        Acústica – estudo do som, sua natureza e característica. Em rádio é a medida de qualidade sonora de um ambiente.

·        Agência de notícias – empresa que fornece informações aos veículos de comunicação. Quando o fato é importante, é preciso destacar, na notícia, o nome da agência.

·        Alcance – distância, em cada região, em que o sinal da emissora é captado por radiorreceptores domésticos com boa qualidade de reprodução.

·        Amplitude modulada (AM) – corresponde ao processo de modulação em que o sinal modulador – da informação – altera o nível ou “amplitude” do sinal “modulado” – portador de radiofreqüência -, que se propaga entre o transmissor e um determinado receptor.

·        Bip – efeito sonoro usado em rádio, que indica tempo correndo. Um bip equivale a um segundo; sinal gravado, não audível na pista de controle de cartucho que indica início da gravação.

·        Bloco – conjunto de notícias, músicas e demais informações situado entre dois intervalos comerciais, nas emissoras mantidas pela propaganda, ou institucionais, nas emissoras públicas.

·        Brainstorming – técnica de criação que consiste em reunir pessoas de de diferentes especialidades para extrair idéias sobre campanha, slogan etc. A imaginação dos participantes tem livre curso e nenhuma crítica às idéias pode ser feita. Literalmente, em inglês, significa “tempestade de idéias”.

·        Break – expressão inglesa usada em algumas emissoras para designar o intervalo comercial.

·        Briefing – resumo de instruções transmitidas ela chefia aos responsáveis por um trabalho. Briefings são feitos pela manhã e a todo momento em que são necessários, em reuniões de pauta, e transmitidos imediatamente aos profissionais.

·        Broadside – impresso utilizado no lançamento de um produto, esclarecimento de uma campanha pública ou promoção de vendas.

·        Chamada – flash gravado sobre matéria ou programa, transmitido várias vezes durante a programação, para despertar o interesse do ouvinte.

·        Cheking – profissional que controla os horários dos comerciais.

·        Check-list – trabalho de verificação dos pontos básicos de uma cobertura.

·        Decupagem – processo de registro de ordem e da duração das diversas seqüências de uma reportagem gravada, com anotação de frases capazes de identificá-las posteriormente, para fins de edição.

·         Equalização – processo adotado em gravação, reprodução e transmissão, em que as alterações, em resposta de freqüência, são corrigidas. Gravadores, microfones e toca-discos obrigatoriamente dispõem deste recurso para a correção dos graves e agudos.

·        Faixa de freqüência – o mesmo que “banda de freqüência”. Sistemática de distribuição de freqüências para os diversos serviços de telecomunicações.

·        Feedback – usa-se a expressão feedback quando se marca uma entrevista, ou recebe-se sugestão sobre a pauta; em tais ocasiões é preciso dar ou receber um feedback. O mesmo que retorno.

·        Flash – rápida informação sobre um fato, dado pelo repórter.

·        Flashback – transmissão de música que foi sucesso no passado.

·        FM – freqüência modulada – sistema de transmissão em que a onda portadora, na faixa de 88 a 108 MHz, é modulada em freqüência, ou seja, a moduladora, que é a informação na faixa de autofreqüência, altera a freqüência central da emissora em função da sua intensidade e da sus freqüência.

·        Freqüência – número de oscilações ou vibrações de um movimento periódico numa determinada unidade de tempo. É o número de vibrações por segundo, de uma onda ou corrente alternada, medido em hertz (1Hz = ciclo por segundo), quilohertz (1KHz = 1.000 Hz), megahertz (1 MGHz = 1.000 000 Hz) e gigahertz (1 GHZ = 1.000 000 000 Hz).

·        Fundo – o mesmo que brackground ou BG. São as músicas, ruídos ou sons de determinados ambientes que servem de suporte para a fala. Sons de fundo.

·        Hi-fi – abreviatura de high fidelity, isto é, alta fidelidade.

·        Jingle – mensagem publicitária em forma de música, simples e atraente, fácil de memorizar.

·        UP – abreviação de utilidade pública.

·        Vinheta – mensagem transmitida no intervalo de programas, composta de um pequeno texto, música e efeitos sonoros, de conteúdo variado; chamada para uma matéria ou programa, campanha institucional, comemorações. 

Lourenço Mika - Jornalista e Professor-Mestre

lmaikol@uol.com.br