I Encontro para Irmãs Filhas da Caridade que fazem Programa de Rádio

Aos trinta dias do mês de junho de dois mil e sete, na Casa Medalha Milagrosa, à Avenida Manoel Ribas, número dois, na cidade de Curitiba-Paraná, reuniu-se um grupo de Filhas da Caridade para o primeiro encontro de Irmãs da Província de Curitiba que fazem programa de rádio. Às oito horas e trinta minutos, a Irmã Paula Pereira Alves, Visitadora da Província de Curitiba, deu as boas-vindas às dezenove Irmãs participantes do encontro. Em seguida o Padre Lourenço Mika assumiu os trabalhos do tema proposto. Cada Irmã recebeu uma apostila dos assuntos a serem abordados, assim como, uma mídia (CD) com 83 arquivos que poderão ser estudados posteriormente. Para que todos pudessem conhecer a experiência das participantes, cada uma relatou como vem atuando neste meio de comunicação, conforme tabela abaixo:

Nome da Irmã

Local

Experiência

Ir. Gerceli Maria Perissinoto

Ir. Tereza Pereira

Ir. Jocelia Chuproski

Ir. Ida Conzatti

Rádio Iguassu

AM 830

Araucária-PR

Aos sábados, das 19h às 19h30min

Oração do Terço, cantos, reflexão sobre liturgia do final de semana

Ir. Nair dos Santos

 

Ribeirão Claro-PR

 

“A Hora Vicentina” (2º domingo de cada mês), Por ocasião das Festas da Companhia, Semana Vocacional, Corpus Christi (2h) e Hora Vocacional (1h/mês)

Quando residia na cidade de Maringá realizava o programa “A Ave-Maria”

Ir. Rosa de Castro Fernandes

 

Rádio Luz e Vida

Programa Convocação

Orleans-SC

Em Orleans - 30 min aos sábados, com mensagens, orações, liturgia do dia, músicas, informações.

Em Maringá - aos sábados realizava 2h de programação, juntamente com os Vicentinos

No Paraguai - semana vocacional, mensagens, informações sobre o hospital.

Ir. Maria Helena V. Carniel

Ponta Grossa-PR

Anteriormente trabalhou em:

Nonoai-RS, com o programa da “Ave-Maria”

Orleans-SC, com entrevistas, orações

Ir. Ida Sansone

Foz do Iguaçu-PR

Programa “Ave-Maria” - 5 a 7 min

Após cumprimentar, agradece pela atenção, informa algum fato que está acontecendo na comunidade, leitura do Evangelho ou resumo da liturgia.

Ir. Ivone Camerini

Curitiba-PR

Entrevistas em Rádios sobre o trabalho realizado na Arquidiocese e quando há presença de missionários de fora

Hora missionária - 1h de programa

Em Laranjeiras do Sul-PR, programa da “Ave- Maria

Ir. Nérie Theresa Zandonai

Maringá-PR

Atuará na Rádio Comunitária - programa Evangelizando na Rádio - 5ª feira das 14h às 16h, em Nonoai-RS, oração do Angelus, mensagens, convites.

Ir. Simone Vergínia de Almeida Lídio

Rádio Capital

Cianorte-PR

Programa Crescendo na Fé - 1h de programa

Assuntos sobre a Pastoral do Menor, mensagem vocacional e programa da “Ave-Maria

Ir. Ivete Negreli

Curitiba-PR

Na cidade de Pitanga realizava o programa da “Ave-Maria”, com intenções, agradecimentos.

Ir. Ana Dezem

Rádio Luz e Vida

Programa Convocação

Orleans-SC

30min aos sábados, com mensagens, orações, liturgia do dia, músicas, informações

Ir. Lurdes Bortolini

Rádio Clube

Nonoai-RS

Programa da Ave-Maria

Oração do Angelus, mensagens, convites.

Ir. Elidia Roberto dos Santos

Ir. Aline Pereira Zotesso

Ir. Raquel de Souza Medeiros

Ir. Renata Gonzatti

Ir. Simone Ferreira dos Santos

Rádio Paraná

Curitiba-PR

Novena da Medalha Milagrosa

Rádio Paraná AM 1060 KHZ

2ª feira - 17h30min

 Após a apresentação dos participantes, foi falado sobre o código verbal escrito e código verbal sonoro, sendo realizadas experiências que propiciaram às Irmãs participantes entender a diferença dos mesmos. Foi salientada a importância de o locutor descobrir maneiras de atrair a atenção dos ouvintes. Com o uso de datashow foi demonstrado os diversos links do site www.maikol.com.br, de autoria do Pe. Lourenço Mika, com ênfase nos Sublinks: Rádio e PasCom. Dando continuidade aos trabalhos, os assuntos abordados foram: dados importantes sobre um programa religioso, sonorização de ambientes, como usar o microfone, principais erros de sonorização, dicas para locutores. Além do site já citado, outros sites foram visitados, demonstrando as novas tecnologias que permitem maior acesso da população ao rádio com o uso de outros equipamentos, o que possibilita escuta de radioemissoras pela internet independente de estar próximo ou não do espaço geográfico de sintonia da emissora. No período da tarde, foi abordado o assunto “A Magnitude do Rádio” e mais: características do rádio moderno, roteiro em rádio, metáfora sonora e exemplos de vinhetas. As participantes esclareceram dúvidas, obtendo também diversas bibliografias que podem contribuir para a sua pesquisa pessoal. Como momento de atividade prática, após ter sido trabalhado sobre roteiro em rádio, cada equipe de duas ou três irmãs, realizou um exercício que consistiu em definir o nome de uma Rádio e programa, dia e horário de transmissão. Durante o tema principal deveriam inserir vinhetas, músicas, enfim cada equipe usaria a criatividade. Síntese do exercício prático: 

Equipe

Rádio e Programa

Temas abordados

Ir. Renata Gonzatti

Ir. Ana Dezem

Rádio Luz e Vida - 106 FM

Programa - Convocação

 

Sagrado Coração de Jesus, música, convite para missa paroquial.

Ir. Ivone Camerini

Ir. Maria H. V. Carniel

Rádio Clube Paranaense

Programa - A Hora Missionária

Música e divulgação de material missionário.

Ir. Rosa de C. Fernandes

Ir. Raquel de S. Medeiros

Rádio Movimento - 97,5 FM

Programa - A Voz do Encontro

Convite para a Juventude participar de encontro na Paróquia São José Operário

Ir. Simone Vergínia de Almeida Lídio

Ir. Aline Pereira Zotesso

Rádio Província

Programa - A Hora da Notícia

 

Entrevista com Pe. Máikol e Ir. Paula Pereira Alves sobre o primeiro curso para as Irmãs que atuam em Rádio

Ir. Lucia Pereira

Ir. Lurdes Bortolini

Ir. Simone F. Santos

Rádio Catatudo - 92 AM

 

Publicidade, beatificação de Padre Manoel e do coroinha Adílio

Ir. Jocelia Chuproski

Ir. Néri Theresa Zandonai

Rádio Comunitária Santa Isabel - 107 FM

Programa - Maria na Evangelização

Reflexão sobre Maria nas Bodas de Caná

Ir. Tereza Pereira

Ir. Ida Conzatti

Rádio Iguassu

Programa - Primeiras Notícias da Noite

Divulgação da festa do Colégio São Vicente de Paulo

Ir. Ivete Negrelli

Ir. Elídia R. dos Santos

Rádio Paraná

Programa - Espaço Vocacional

Convite aos jovens para a participação de encontro vocacional

Ir. Gerceli Perissinotto

Ir. Nair dos Santos

Rádio Pimpão FM

Programa - Café da Manhã

Publicidade da Panificadora do Zé

 Terminado o exercício prático, o qual foi gravado em fita K7, Irmã Paula Pereira Alves realizou a avaliação do encontro com as participantes, o qual foi considerado muito importante para maior segurança das Irmãs no momento de realizar um programa e conseqüentemente maior qualidade dos mesmos. Após os agradecimentos da Irmã Paula Pereira Alves ao Pe. Lourenço pelo dia de trabalho, uma das participantes agradeceu à Visitadora pelo espaço de formação oportunizado pela Província. Às dezessete horas foi encerrado o primeiro encontro para Irmãs da Província de Curitiba que atuam em Rádio.

A ata acima foi redigida pela Ir. Jocelia Chuproski.

Material de Apoio teórico:

1 - Programa Religioso:

- Horário nobre ou não-nobre?

- De quanto tempo?

* 5 minutos = mensagem

* 15 minutos = oração, mensagens, música, notícias

* 30 minutos = quadros fixos e outros móveis

* 01:00 hora = quadros bem definidos

* 03:00 horas = dividir em blocos e definir os quadros

- Intercalar: mensagem, notícia, entrevista, música, avisos, variedades

- O radialista tem que transmitir entusiasmo pela causa religiosa; deve ser bem humorado, sem ser um palhaço

- Usar uma linguagem simples, ao nível do radiouvinte; dialogar com o radiouvinte

- Diferenciar código verbal escrito de código verbal sonoro.

- Assuntos a abordar: temas de formação cristã e formação humana

- Evitar apenas ler mensagens de livros ou revistas; o radialista tem que ter a capacidade de criar e redigir os seus textos.

 2 - Sonorização:

             Quando uma criancinha chora na igreja, a primeira causa é o som estridente, pois a criança tem o ouvido muito sensível. Quando a Igreja mudou a missa do latim para a língua vernácula, foram feitas acomodações, mas ainda não se chegou ao bom uso - inteligibilidade - da palavra falada e ouvida. Cabe aos peritos em acústica e sonorização, a instalação de um bom equipamento de sonorização numa Igreja. Cabe à comunidade treinar alguém para ser o operador do equipamento de som; deve ser alguém que entende de eletrônica e que entende de liturgia. Para testar o microfone, deve-se falar algumas frases úteis; não se deve assoprar no microfone, nem falar “Alô”, nem dar “tapas” no microfone. O microfone esteja revestido de espuma para neutralizar a interferência do vento e da respiração. Diferenciar microfone de palco (sorvete), de lapela, sem-fio, de orelha. O microfone, quanto mais caro, normalmente tem mais qualidade. Na regulagem, para a voz humana, não exagerar nos sons graves (Low) e acentuar os agudos (High). As caixas-de-retorno, geralmente colocadas no chão, mais atrapalham do que ajudam, pois a tendência é regular a aparelhagem pensando em quem canta ou fala e não pensando em quem ouve.

 Dicas para quem usa o microfone:

 - Falar alto (sem gritar), devagar, com naturalidade

- Pronunciar bem as palavras, com o sotaque de origem

- Ler como se não estivesse lendo

- Cuidar da respiração, sem sorver o ar

- Manter a distância correta entre a boca e o microfone, falando na direção do microfone

- De preferência, segurar o microfone na mão e não deixá-lo no pedestal

- Evitar que pessoas não treinadas façam leituras no microfone

- Além de terem voz boa, os membros da equipe litúrgica devem se vestir adequadamente

 

Principais erros da sonorização:

- Falar ou cantar muito perto do microfone

- Ficar escondido atrás do microfone e da estante (a visualização correta é como o enquadramento que aparece nos telejornais: braços a serem vistos)

- Aparelhagem desregulada e mal projetada na hora da compra

- Microfones sem qualidade (analógico X digital)

- Erros de posicionamento das caixas-de-som

 3 - Dicas para locutores

Quais os segredos para ser um bom locutor ? Apesar da diferença de estilos e de cada locutor ter um estilo próprio, o que torna o processo muito pessoal, é interessante dar uma olhada na lista abaixo. São várias dicas que vão lhe ajudar a melhorar sua locução, ou até mesmo orientar os locutores de sua emissora.

1. Ouça bastante o rádio, seja um bom ouvinte. Quanto mais se ouve, mais se conhece, mais se aprende.
2. Entenda o que você está falando e verifique o conteúdo dos textos. Melhor do que a voz é o que se fala, seu conteúdo.
3. Relaxe antes do trabalho. A inspiração e expiração do ar de maneira compassada, juntamente com a contração seguida de relaxamento dos músculos das pernas e braços, ajudam bastante.
4. Livre de tensão, a voz é produzida de maneira natural.
5. Cuide com a entonação. Por exemplo: "Ele vem... Ele vem?"
6. Quanto maior o número de repetições por segundo, mais aguda a voz (crianças e mulheres) e quanto menor o número de repetições p/segundo, mais grave a voz.
7. Determinantes da voz: o físico, a emoção, a cultura, a altura, a intensidade, o timbre.
8. Voz desagradável é: a gutural, áspera, peitoral, suspirante, nasal, abafada, rouca, seguida, chorosa, etc.
9. Fale para uma pessoa particular, não para todos os ouvintes: "agora a hora certa para VOCÊ não perder seu compromisso...", "e agora a previsão do tempo para VOCÊ se prevenir...". E não assim: "e agora a previsão do tempo para vocês."
10. Tenha pelo menos 7 horas de sono por dia.
11. Evite líquidos excessivamente gelados.
12. Lembre-se: quando estamos agitados e excitados, nossa respiração torna-se rápida e irregular. O oposto, traz respiração harmônica, regular, lenta e suave.
13. Na comunicação geral, seja soft, fale sorrindo, com simpatia, não de maneira austera ou autoritária. Seja sobretudo entusiasta. Muito entusiasmo!
14. Amarre o ouvinte na programação: - Daqui a pouco você vai ouvir esta música (e exibe um pedaço da música); - Logo após os comerciais, você vai ouvir Fulano de tal é um programa especial que você conhece; - Em seguida, estará chegando aquele seu programa esperado...; - Daqui a pouco uma dica de saúde...
15. Nunca tente copiar uma pessoa. Preste atenção em todos e forme o seu estilo. Não force sua natureza para copiar o estilo de outra pessoa.
16. Leia bem o texto antes de apresentá-lo no ar. Cuide com a pronúncia de nomes, numerais e já saiba onde parar para respirar. Fale o texto sem dar a impressão de leitura.
17. Não leia o texto com pressa. Procure finalizar as frases com reservas de ar. Seja cortês e respeite o ouvinte ao falar.
18. Mantenha-se sempre bem informado. Saiba o que está acontecendo: dia do que é hoje, como se pronuncia o nome que está sendo manchete na mídia do momento...
19. Não faça comentários sem autorização, muito menos se não tiver conhecimento.
20. Seja organizado no estúdio.
21. Cuide para não deixar o microfone aberto em momentos inoportunos.
22. Sempre anuncie e desanuncie um programa dizendo quando ele volta.
23. Na troca de locutores, conversas amistosas, mencione o nome do locutor, preparar previamente com descontração. Não fale coisas negativas, não ofenda ao colega e evite falar sobre o tempo.
Lembre-se: o bom profissional de Rádio é avaliado pela sua originalidade, poder de síntese, criatividade, improvisação, carisma e por sua voz bem colocada.

4 - A Magnitude do Rádio

            Magnus, em latim, significa grande. O avanço tecnológico da eletrônica vem propiciando extensões aos cinco sentidos do corpo humano, fazendo ultrapassar as categorias de tempo e espaço. Onde um olho individual não pode estar, pode haver uma câmera filmadora (objetiva); onde um ouvido individual não pode estar, pode haver um microfone. No final de 1870, o inventor Edison, com seu fonógrafo, tinha conseguido gravar e conservar gravada a voz humana; desde então, aquela voz, mesmo não estando a ser falada, podia alcançar nossas casas e tornar-se mídia alternativa ao jornal (GIOVANNINI, 1984, p. 183).

            A audição está diretamente ligada às emoções. Exemplificando: um fanático torcedor explode em euforia quando ouve o grito do ‘gol’ do seu time favorito; uma mãe tem um choque psíquico ao ouvir a notícia de que o filho dela acaba de perder a vida num acidente. Ouvindo rádio, a pessoa se informa, se instrui, se diverte, sonha, se perverte, se entretém, se tranqüiliza, se emociona, ora, ganha dinheiro, se transforma (MCLEISH, 1999, p. 23). O rádio gera um relacionamento interpessoal entre o radialista e o ouvinte. Muito mais do que na televisão, o apresentador estabelece uma espécie de ligação com o ouvinte. Uma emissora bem-sucedida é mais do que a soma de seus programas; ela entende a natureza dessa amizade e seu papel de líder e prestador de serviços (MCLEISH, 1999, p. 24).

            Mohazir Salomão (2005), professor de radiojornalismo na PUC-MG, propõe que o rádio tem de ser arte. Ele comenta o livro El Arte Radiofônico (Buenos Aires, 2004), do argentino Ricardo Haye: “O rádio deve estar propenso a configurações espaciais e multisensoriais. As mensagens têm que seduzir o olhar, o tato, o gosto e o olfato dos ouvintes” (SALOMÃO, 2005, p. 356). O rádio nasceu e se firmou enfrentando imensas dificuldades financeiras. Porém, hoje, o rádio tem condições financeiras de veicular poesia em sua sonoridade, ou seja, as produções radiofônicas podem estar revestidas do estético, convertendo-se em radioarte.

            Uma emissora de rádio é capaz de funcionar a um simples toque de botão, mandando para o ar, durante 24 horas do dia, em som estereofônico Hi-Fi, quadrifônico, música clássica ou popular, mensagens comerciais, noticiosos, prestação de serviços, hora certa... comandada por sofisticados computadores (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 165). O rádio continua forte e imbatível, já que, com a ajuda do transistor, o veículo ampliou seu poder de penetração a públicos inatingíveis pela televisão ou pelos jornais; ao público de lugares onde não existe energia elétrica e onde o percentual de analfabetos é muito grande; o analfabeto não lê, mas pode ouvir (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 45).

            Eis os sinais da magnitude do rádio:

            1 - O rádio forma imagens: o radiouvinte cria uma imagem visual a partir da imagem auditiva. Se na televisão há uma imagem visual já pronta e acoplada ao som, no rádio o receptor da mensagem tem a liberdade de criar, com base no que está sendo dito, a imagem do assunto, ou da pessoa ou do fato. Por meio de um diálogo mental, o ouvinte participa da mensagem (BARBOSA FILHO, 2003, p. 45).

            2 - O rádio é simples: a televisão pressupõe uma grande equipe para colocar no ar um programa; são técnicos, operadores de câmaras e microfones, iluminadores, locutores etc. O rádio pode ser operado por um único disk jokey, que fala notícias, hora-certa, dedica músicas, vende etc. O custo operacional também é simples. O radioreceptor mais antigo era um aparelho simples, sem o complicado controle remoto de alguns televisores. Já o rádio digital é um pouco mais sofisticado, incorporando muitos recursos eletrônicos.

            3 - O rádio é portátil: algumas mídias, como jornal e televisão, exigem dedicação quase que exclusiva. Já o rádio pode ser ouvido enquanto a pessoa executa outras tarefas. O rádio portátil, por ser alimentado com pilhas, pode ser levado a todo e qualquer lugar; e as ondas eletromagnéticas estão presentes em toda parte do planeta. É comum ver pessoas ouvindo rádio no ônibus ou na rua, munidas de fones-de-ouvido. Quase todos os automóveis possuem um radioreceptor. O termo radiodifusão indica a dispersão da informação produzida, que abrange cada lar, vila, cidade e país que esteja ao alcance do transmissor (MCLEISH, 1999, p. 16). O rádio está na cabeceira do Presidente da República, em forma de rádio relógio, como está pendurado no ramo adejante do pé de café do lavrador humilde e analfabeto, em forma de rádio de pilha; está no leito do enfermo e no carro que leva o cirurgião para a primeira operação do dia (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. X). O rádio foi migrando da sala-de-estar para o quarto, para o banheiro, para a cozinha e para os automóveis (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 45). A radionovela, ficção, explora por si só o transportar-se no tempo e no espaço.

            4 - O rádio fala para milhões: o rádio fala para milhões, mas será que os milhões o ouvem? Os pesquisadores de audiência no rádio falam de parcela e alcance. Parcela de audiência é o tempo gasto pelo radiouvinte ouvindo uma determinada emissora, expresso em porcentagem da audiência total de rádio nessa área. Alcance de audiência é o número de pessoas que de fato ouve alguma coisa da emissora num período de um dia ou uma semana, expresso como porcentagem da população total que poderia estar ouvindo (MCLEISH, 1999, p. 16). Uma radioemissora pode ter uma parcela bem pequena da audiência total, mas se conseguir obter um substancial acompanhamento de pelo menos um de seus programas, gozará de um amplo alcance. A disputa pela audiência, que significa faturamento comercial, é bem acirrada entre as emissoras. A radionovela, indo ao ar, em dia e hora predeterminados, tinha a vantagem do público cativo.

            5 - O rádio fala para cada indivíduo: ao mesmo tempo que atinge milhares de pessoas, o rádio é voltado para o indivíduo em particular. As palavras, a forma de falar, são pensadas para o ouvinte com suas particularidades e expectativas. O tom íntimo das transmissões, representado pelas expressões “amigo ouvinte”, “caro ouvinte”, “querido ouvinte”, proporciona uma aproximação e uma intimidade únicas, fazendo do rádio um veículo companheiro.

            6 - O rádio é instantâneo: as radioemissoras especializadas em transmitir notícias exploram a instantaneidade do rádio, falando ao vivo. Ao mesmo tempo em que a notícia é veiculada em tempo real, ela se caracteriza pela efemeridade (MCLEISH, 1999, p. 16-18). Por exemplo, na transmissão de futebol, interessa o momento do gol; o que vem depois já é o comentário. Um jornal impresso pode ser deixado de lado para ser lido mais tarde; já, a magia do rádio está no ser ouvido no instante exato do acontecimento. Isso faz do rádio um agente disseminador da informação e do conhecimento; portanto, o rádio é um agente formador de cultura. A radionovela, por ser ficção, abandona o instantâneo real para trabalhar no instantâneo imaginário.

            7 - O rádio é local: o rádio tem alcance local pela natureza das ondas eletromagnéticas do rádio AM, transmitidas em quilohertz, e do FM, transmitidas em megahertz. As ondas curtas podem ser captadas a milhares de quilômetros, como um hobby de dexistas (D = Distance; X = Incógnita; dexistas são aqueles que pesquisam a sintonia das radioemissoras em ondas curtas). Mas, é mais comum que o rádio seja ouvido por ouvintes da localidade próxima (http://intermega.globo.com/poleiro/art_o_que_e_dexismo.htm, Acesso em: 17 dez. 2004). Em muitos casos, o ouvinte conhece pessoalmente o radialista; em outros casos, mesmo que o ouvinte não conheça a fisionomia do locutor, ele se familiariza com a voz e o estilo dele. É até folclórico o fato de que muitos colonos ao irem para a cidade passam na radioemissora para mandar um recado para a família que ficou em casa! Quando o assunto é a notícia, a notícia local desperta mais interesse do que a notícia proveniente de regiões distantes (MCLEISH, 1999, p. 20).

            8 - O rádio é acessível: a maioria da população tem possibilidade de adquirir um aparelho de rádio. Segundo pesquisa do IBGE, praticamente toda residência tem pelo menos um ou vários aparelhos; a proporção é de um rádio por pessoa. Tal fato ocorre porque seu preço é quase sempre acessível e sua abrangência alcança basicamente qualquer lugar, mesmo onde não existe energia elétrica ou as transmissões televisivas ainda não chegaram. Sendo assim, o rádio está sempre por perto, ao alcance da mão ou do ouvido, atingindo todos, da criança ao idoso.

            9 - O rádio é barato: comparado com outros veículos de comunicação, o rádio é barato para o ‘proprietário’ e barato para o radiouvinte. Um aparelho de rádio portátil custa menos do que um livro (MCLEISH, 1999, p. 17). Uma vez obtida a concessão pública (no Brasil) para colocar uma radioemissora no ar, o custo dos equipamentos e da manutenção é relativamente pequeno. Aí o rádio incorre, infelizmente, num entrave: a mão-de-obra de não-profissionais e a conseqüente falta de qualidade na programação. A radionovela é uma produção que requer a contratação de profissionais para que haja qualidade. A falta de espaço para profissionais certamente é um dos motivos da atual pouca produção de radionovela.

            10 - O rádio vende: pelo Decreto-Lei nº 21.111, de 1º de março de 1932, o Presidente Getúlio Vargas autorizou a veiculação de publicidade e propaganda no rádio brasileiro (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 55). O rádio passava a ser um entreposto de vendas. Na medida em que o rádio vendia os produtos dos outros, ele recolhia a verba publicitária. As emissoras foram se transformando em empresas. No final do século XX, o rádio passou a sobreviver dos anúncios de marketing, produzidos e veiculados de uma forma profissional. A radionovela sempre esteve entrelaçada com a produção de reclames publicitários, porque o estilo de produção da publicidade é muito parecido com a produção de radionovela, pois é um estilo para se ouvir e imaginar, e não para ver (MCLEISH, 1999, p. 99). Um anúncio comercial, normalmente segue o esquema: a) contextualizar uma situação; b) identificar um problema; c) apontar uma solução, através da venda de um produto ou serviço. Em rádio e televisão, é muito fácil reproduzir esse esquema através de pequenas ficções.

            11 - O rádio tem função social: atua como agente de informação e formação do coletivo. É um serviço de utilidade pública. Fornece informações sobre empregos, produtos e serviços. Atua como vigilante sobre os que detêm o poder, propiciando o contato entre eles e o público. Ajuda a desenvolver objetivos comuns e opções políticas. Possibilita o debate social e político e expõe temas e soluções práticas. Contribui para a cultura artística e intelectual. Dá oportunidades para artistas novos e consagrados de todos os gêneros. Divulga idéias que podem ser radicais e que levem a novas crenças e valores, promovendo assim diversidade e mudanças. Facilita o diálogo entre indivíduos e grupos. Promove a noção de comunidade. Mobiliza recursos públicos e privados para fins pessoais e comunitários, especialmente numa emergência. Funciona como um agente multiplicador e reforçador da cultura. Controla a opinião pública. Capacita os indivíduos a exercitar o ato da escolha, tomar decisões e agir como cidadãos, em especial numa democracia, graças à disseminação de notícias e informações imparciais (MCLEISH, 1999, p. 20).

            12 - Outros atributos: José Ignacio Lopes Vigil, cubano de nascimento e radialista em vários países da América Central, entre os quais na República Dominicana, em Manual Urgente para Radialistas Apaixonados elenca ainda outros atributos sobre a magnitude do rádio: O rádio é o melhor dos pianos, pois se o piano de Mozart tinha 85 teclas, o ouvido humano - o órgão de Corti - tem 25 mil ‘teclas’. O rádio privilegia o riso e a emoção que todos gostam. O rádio é a maior tela do mundo. O rádio dialoga com todos (VIGIL, 2003, p. 30-41; 434-462).

5 - Características do Rádio Moderno

            O rádio assumiu características inovadoras nas duas últimas décadas, passando de rádio eletrônico para digital. Eduardo Meditsch, professor de rádio na UFSC e autor de livros, define o rádio a partir de três características indissociáveis: é um veículo de comunicação sonoro, invisível e que emite em tempo real. Décio Pignatari, professor de Pós-Graduação na Universidade Tuiuti do Paraná, faz um re-olhar de agora sobre os fundamentos do fenômeno da comunicação, descrevendo 8 Características do Rádio Moderno. O rádio atual, como toda a mídia eletrônica moderna, caracteriza-se por:

            1) Iconização: o ícone é um signo, ou um sinal ou um símbolo. Em semiologia, ícone é todo objeto, forma ou fenômeno que representa algo distinto de si mesmo, que apresenta relação de semelhança ou analogia com o referente, como fotografia, diagrama, mapa etc. Exemplos: a cruz significando o cristianismo; uma pegada indicando a passagem de alguém; uma seta para a direita indicando o Play num equipamento de áudio/vídeo. Na interface gráfica, o ícone é a figura apresentada na tela, geralmente clicável porque associada a um link, usada para acionar um software ou um recurso de programa executável. Por analogia, pode-se dizer que a informática é toda iconizada por sons; basta considerar os ícones sonoros do ambiente Windows (chimes, chord, ctmelody, ding, logoff, notify, recycle, start, tada, microsoft sound). Há muitos ícones sonoros e metáforas sonoras consagrados pelo uso que indicam: hora certa (tic-tac), noite (pio de coruja), praia (pio de gaivota), amanhecer (canto do galo), cavalgada (tropel), residência (porta abrindo), festa (rojões), ovação (palmas), dinheiro (caixa registradora), telefone (triiimmm, ou pipipopapepipapo), sons espaciais, fax, conexão de internet por linha telefônica (MCLEISH, 1999, p. 188). A música do Plantão de Notícias da Rede Globo imita o Código Morse, com uníssonos breves e mais longos, atiçando a atenção. Quem é que não conhece o Plim-Plim da Globo, certamente o mais expressivo ícone sonoro da TV? O rádio moderno usa o playlist, software que executa no ar um projeto de transmissão; projeto é ter colocado numa lista, por exemplo, a vinheta da rádio, a vinheta da hora-certa, o spot, a vinheta do programa, a música... (www.playlist.com.br. Acesso em 12 Jul. 2004). O playlist permite ao operador de áudio sobrepor ao telefonema uma vinheta com um aplauso, ou um grito de vivas, ou uma buzina, ou intervenções como “Oh, Coitado” (Filomena), “Mais ééé” (Nerso da Capitinga), copiadas da televisão (www.playlist.com.br; acesso 22.08.2005). Em transmissões de futebol, a Rede Globo usa um ícone sonoro que imita um chute na bola toda vez que acontece um gol em alguma partida simultânea do mesmo campeonato; esse som é um código emitido instantaneamente ao acontecimento, antes que o locutor seja informado aonde e de quem foi o gol e antes que o gerador de caracteres possa colocar a legenda na tela, o que leva alguns segundos. Na radionovela, na qual se ouve e não se vê, a iconização sonora é atalho para inúmeras mensagens de ambientação e contextualização (www.wstationradio.com. Acesso aos 13 Set. 2005).

            2) Paratatização: em gramática, parataxe significa a coordenação assindética na construção do período, onde as orações são interligadas sem o recurso às conjunções; exemplo: cheguei, vi, venci. É uma justaposição. Na linguagem cinematográfica, para mostrar que uma pessoa saiu de casa, entrou num automóvel e se deslocou para a fábrica, antigamente era necessário mostrar passo a passo o que acontecia com o personagem; hoje, basta mostrar que ele está em casa, se levanta e já está na fábrica. Na cena seguinte, o personagem já pode estar num estádio; o espectador saberá deduzir o trajeto que ele percorreu. Na história contada pelo rádio ou no radiojornal, os assuntos são justapostos e o radiouvinte os entende. Em vez de se usar uma exposição linear, usa-se uma narração rizomática, em forma de mosaico. Na radionovela esse recurso é muito útil sobretudo na hora de se passar de uma cena para outra, ocasião em que precisa contextualizar o novo ambiente. Tal qual no cinema, o radiouvinte de hoje tem a capacidade de assimilar o novo ambiente com muita facilidade.

            3) Hibridização: é a mistura das mídias. Supõe-se que o leitor de jornal é também radiouvinte e telespectador. As mídias eletrônicas (rádio, televisão, cinema, internet) e impressas (jornal, boletim, revista, livro) interagem entre si. Assim como na televisão surgiu o clip, no rádio se usam vinhetas, que geram uma programação com a aparência de um mosaico. Por exemplo, se no rádio for dito que aconteceu uma ‘videocassetada’ com alguém, o radiouvinte já vai associar o personagem aos episódios humorísticos exibidos no Programa do Faustão na Rede Globo; o rádio não precisa ficar explicando o que vem a ser uma ‘videocassetada’. O músico Eduardo Souto Neto compôs para a Rede Globo a música que ficou conhecida como “a música do Ayrton Senna” para a transmissão das corridas da Fórmula-1; hoje essa música é tocada no rádio para simbolizar a vitória. Theodoro e Sampaio, dupla atual de música rurbana, (rural + urbana) canta que se procura uma “mulher boa como a mulher do 21”; quem escuta a música já sabe que se trata de Ana Paula Arósio, que gravou o anúncio comercial da Embratel. Um som ou uma palavra criados e estereotipados pela televisão ou pelo cinema passam a ser usados pelo rádio. E também acontece o caminho inverso: o rádio inventa sons e palavras que passam a ser usados nas outras mídias.

            4) Espetacularização: na televisão, já não basta mostrar uma notícia ou uma missa. É necessário mostrar o espetáculo. O espetáculo de notícias policiais está no Linha Direta e no Carandiru Outras Histórias da Rede Globo. A missa deixou de ser missa de estúdio para ser a missa estrelada pelo padre Marcelo Rossi e folclorizada, ocasionalmente, pelos Arautos do Evangelho. O rádio também tende a apresentar notícias, músicas e reclames publicitários de uma forma espetacular para prender a atenção do ouvinte. O anúncio comercial no rádio explora o lado do espetacular quando faz ofertas-relâmpago. Espetacularização no rádio é quando há entradas ao vivo de repórteres ou quando se coloca o radiouvinte no ar. Aliás, o rádio foi perdendo um dos seus formatos tradicionais que era o radioteatro, no qual as peças radiofônicas eram apresentadas num palco e o radiouvinte podia acompanhar o espetáculo na sua casa. O rádio brasileiro produz verdadeiros espetáculos ao transmitir partidas de futebol.

            5) Estereotipatização (ou estereotipização): tipo significa um exemplar igual ao outro. Em comunicação, tipo é o personagem paradigmático da ficção ou da tradição oral, que é sempre o mesmo, que não varia. O estereótipo fala sempre as mesmas palavras e tem sempre o mesmo comportamento. No rádio e na televisão, há pessoas que incorporam um personagem típico e jamais se separam dele. Exemplos: o apresentador Chacrinha (Abelardo Barbosa), o cantor Tiririca (Francisco Everardo Oliveira Silva), o repórter Gil Gomes. Outros assumem um estereótipo ao longo de uma novela ou peça humorística seriada, como o Zeca Diabo (Ariclenes Venâncio Martins, o Lima Duarte), o Seu Creysson (Claudio Manoel) do Casseta & Planeta, o Nerso da Capitinga (Pedro Bismark). Os tipos criados pelo rádio foram se mudando para a televisão, como o Grande Otelo (Sebastião Bernarde de Souza Prata).

            6) Rizomatização: em botânica, rizoma é uma espécie de raiz aérea auto-reprodutiva. Na construção de sentidos, o pensamento pode ser linear ou rizomático. É linear quando é lógico,  cartesiano, conseqüente; portanto, com raiz, caule e ramos. É rizomático quando é holístico ou mosaical. Na filosofia, rizoma se refere a sistemas a-centrados e não hierárquicos que realizam conexões, ligamentos e junções sempre horizontalmente num mesmo plano ou não. Em comunicação, rizoma expressa desterritorializações e nomadismos. Diante de um público heterogêneo, veladamente, são respeitadas as preferências de moda, futebol, política, crença, arte, cultura; mas, intencionalmente, é veiculado este assunto e não aquele, ou aquele e não este. A mídia impressa e eletrônica é comparável a uma feira-livre, onde, em barracas vizinhas, se vendem produtos totalmente diferentes um do outro. Para causar estranhamento no radiouvinte, surgem sons e falas os mais esquisitos. O tempo dos programas é cada vez mais curto; em certos boletins noticiosos, a cada ato de respirar o locutor fala de outro assunto. A opinião pública é condicionada por modismos políticos, financeiros e culturais. A massa consumidora das informações se caracteriza pela volatilidade e vai fluindo como as ondas do mar, sobrando pouco espaço para a dedução e opinião pessoal. Felix Guattari, em Revolução Molecular: Pulsações Políticas do Desejo, descreve que a partir de Bologna, na Itália, desde 1977, com a Rádio Alice, veio a experiência das rádios livres, onde se rompeu o modelo da rádio estatal, para falar de “corpo, desejo, prazer e preguiça”, através de uma linguagem rizomática  (CUNHA, 2005, p. 209-222).

7) Remixagem: André Lemos, Professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, em agosto de 2005, redigiu o ensaio Cibercultura-Remix, que foi apresentado no  seminário Sentidos e Processos, dentro da mostra Cinético Digital, no Itaú Cultural, em São Paulo-SP. A mesa tinha como tema: Redes: criação e reconfiguração. Diz ele: “O princípio que rege a cibercultura é a remixagem, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir de tecnologias digitais. Esse processo de remixagem começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias.” A cibercultura caracteriza-se por três leis fundamentais: a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. No século XVIII, com o desenvolvimento da imprensa, surgiu a noção de direitos autorais e de propriedade intelectual. Agora, com a re-mixagem, tudo volta a ser de todos: a arte, a cultura, a música..., a radionovela. Texto, som, ou imagem visual postados na internet tornam-se propriedade de todosA cibercultura caracteriza-se por três “leis” fundadoras: a liberação do pólo da emissão, o princípio de conexão em rede e a reconfiguração de formatos midiáticos e práticas sociais. O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídiasO princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídiasO princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídiasO princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas mídias O princípio que rege a cibercultura é a “re-mixagem”, conjunto de práticas sociais e comunicacionais de combinações, colagens, cut-up de informação a partir das tecnologias digitais. Esse processo de “re-mixagem” começa com o pós-modernismo, ganha contornos planetários com a globalização e atinge seu apogeu com as novas míd (www.facom.ufba.br. Acesso aos 10 Nov. 2005).

            8) Tribalização: Os estudos culturais revelam que o mundo está entrando numa fase tribal, uma volta a valores que a modernidade julgava enterrados: razão e progresso, motores da organização das sociedades desde o século XVIII, vão dando lugar ao prazer e à emoção entre as novas gerações. É o que o sociólogo Michel Maffesoli chama de "tribalismo pós-moderno". As teses de Maffesoli, diretor do Centro de Estudos sobre o Quotidiano da Universidade de Sorbonne, em Paris, estão reunidas em seu último livro, Du Nomadisme (O Nomadismo), lançado pela editora Record, e se baseiam em estudos de padrões de comportamento no Rio, em Tóquio e em Paris. Numa cidade como Curitiba, com 36 radioemissoras em AM e FM, cada radiovinte vai se identificando com determinado estilo de programa e vão se formando as tribos de ouvintes. Aqui entra a noção de paradigma e sintagma: ligar o rádio ou ligar a televisão, e ouvir ou assistir ao quê? Todo radiouvinte ou telespectador escolhe um programa ou uma emissora, de acordo com suas preferências e interesses. E entra a noção de repertório, que significa o conjunto de conhecimentos por parte de cada indivíduo. O dial do rádio contém um conjunto de emissoras sintonizáveis, quer dizer, uma série de possibilidades de escolha, o que pode ser chamado de paradigma. A partir do momento em que o radiouvinte ou o telespectador liga o seu aparelho e sintoniza o programa predileto, ele faz o sintagma, direcionando a sua atenção para aquilo que vai ao encontro de seus interesses. E invisivelmente vão se formando as tribos dentro da sociedade. Cada formato vai encontrando o seu espaço, nos mais variados estilos: música, futebol, jornalismo, radionovela... Para exemplificar: um programa musical pode servir à tribo do rock, ou da música gauchesca, romântica, clássica etc. Essa característica se refere mais ao receptor da mensagem do que ao emissor.

6 - Roteiro em Rádio - Ingredientes do Roteiro para rádio

1) Diálogos (e Sons) - textos a serem proclamados pelos locutores. Entonação natural, causando no ouvinte a impressão de que o texto é falado espontaneamente e não que é lido. Alinhar o texto à esquerda, sem hifenização.

2) Detalhes do Texto - indicação de como proclamar o texto: lento, rápido, entusiasmado, rindo, bocejando, esbravejando, voz masculina ou feminina, interrogação, exclamação...

3) Sonoplastia - detalhes técnicos a serem observados pelo operador de áudio e codificados no Playlist: Título do CD e número da faixa; MD; qual microfone; inserção de músicas, vinhetas, anúncios comerciais, ícones sonoros...

4) Detalhes - indicação de tempo, volume, efeito sonoro...

            Um roteiro pode ser mais ou menos sofisticado, indicando mais ou menos detalhes para o locutor e para o operador de áudio. Exemplo de Roteiro:

Notícias da Tarde

Rádio Eseei

Notícias da Tarde

16 agosto 2006

17:30 horas

Bloco 3

Diálogos (e Sons)

(O que é falado, qual som é emitido...)

Detalhes

(Como falar)

Sonoplastia

(Fonte do som, o que, Playlist...)

Detalhes Técnicos

(Como...)

...

 

...

 

Comercial - Casas Bahia

 

1109 (Código)

 

Vinheta 4 - Rádio Essei

 

456

 

Plim-plom, plim-plom (Vinheta Hora Certa)

 

123

 

17 e 48.

Loc. Masc.

Mic. 1

 

Vinheta - Notícias da Tarde

 

789

 

Back Ground

 

CD Trem,

faixa 3

2” e BG

O dólar fechou hoje em 2 Reais e 87 centavos para a venda; e 2 Reais e 69 centavos para a compra.

Loc. Masc.

Mic. 1

BG

A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de zero ponto 4 por cento.

Loc. Fem.

Mic. 2

BG

Logo mais, a partir das 20:30 horas, a grande jornada esportiva pela Rádio ESEEI. Direto do Beira-Rio, transmitiremos Internacional e São Paulo. Nosso repórter Adilson Cordeiro dá as últimas informações direto de Porto Alegre!

Loc. Masc.

Mic. 1

BG, fim do BG na última palavra

Vinheta Adilson Cordeiro

 

369

 

Boa Tarde Nathalie e Salik, Boa Tarde ouvinte da Rádio Eseei! Acaba de sair a escalação do Inter de Porto Alegre. Os portões já estão abertos para a torcida. Às 21 horas e 30 minutos rola a bola nesta decisão da Taça Libertadores da América. Adilson Cordeiro para Notícias da Tarde.

Vibrante

Entrada Ao vivo

Celular, canal 4

A Rádio Eseei transmite Inter e São Paulo a partir das 20:30 horas.

Loc. Masc.

Mic. 1

 

As últimas Notícias da Tarde, copiando do provedor da Eseei.

Loc. Fem.

BG Trem, Faixa 3 Mic. 2

 

Cassados mais de 70 deputados sanguessugas da máfia das ambulâncias...

Loc. Masc.

Mic. 1

 

BG Eco 2/3

Vinheta Hora Certa

 

123

 

17 e 54

Loc. Masc.

Mic. 1

 

Daqui a um minuto, o Repórter Eseei

Loc. Fem.

Mic. 2

 

Vinheta 3 -  Rádio Eseei

 

122

 

 

 

Comercial Britânia

569

Exemplo de Roteiro para Rádio:

Diálogos (e Sons)

(O que é falado, qual som é emitido...)

Detalhes

(Como falar)

Sonoplastia

(Fonte do som, o que, Playlist...)

Detalhes Técnicos

(Como...)

 

 

 

 

 

 

 

 

Bibliografia:

- FERRARETTO, Luiz Artur. Rádio, o Veículo, a História e a Técnica. Porto Alegre-RS, Editora Sagra Luzzatto, 2001.

- MCLEISCH, Robert. Produção de Rádio, Um Guia Abrangente de Produção Radiofônica. São Paulo-SP, Summus Editorial Ltda, 1999.

- VIGIL, José Ignacio López. Manual Urgente para Radialistas Apaixonados. Paulinas, São Paulo-SP, 2003.

- Sepac. Coleção Laboratório. Rádio, a Arte de Falar e Ouvir. Paulinas, São Paulo, 2003

Revistas:

- Áudio: Música & Tecnologia. Números 165 a 170. Editora Música & Tecnologia. Rio de Janeiro (RJ). 2004 a 2007.

- Estúdio de Gravação em Casa. Edição 02. Editora Escala. São Paulo-SP. 2004.

Lourenço Mika - Jornalista e Professor-Mestre
lmaikol@uol.com.br