I Encontro para Irmãs Filhas da Caridade que fazem Programa de Rádio
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Nome da Irmã |
Local |
Experiência |
| Ir.
Gerceli Maria Perissinoto Ir. Tereza Pereira Ir. Jocelia Chuproski Ir. Ida Conzatti |
Rádio
Iguassu AM 830 Araucária-PR |
Aos
sábados, das 19h às 19h30min Oração do Terço, cantos,
reflexão sobre liturgia do final de semana |
| Ir.
Nair dos Santos |
Ribeirão
Claro-PR |
“A
Hora Vicentina” (2º domingo de cada mês), Por ocasião das Festas da
Companhia, Semana Vocacional, Corpus Christi (2h) e Hora Vocacional
(1h/mês) Quando residia na cidade
de Maringá realizava o programa “A Ave-Maria” |
| Ir.
Rosa de Castro Fernandes |
Rádio
Luz e Vida Programa Convocação Orleans-SC |
Em
Orleans - 30 min aos sábados, com mensagens,
orações, liturgia do dia, músicas, informações. Em Maringá - aos sábados
realizava 2h de programação, juntamente com os Vicentinos No Paraguai - semana
vocacional, mensagens, informações sobre o hospital. |
| Ir.
Maria Helena V. Carniel |
Ponta
Grossa-PR |
Anteriormente
trabalhou em: Nonoai-RS, com o programa da “Ave-Maria” Orleans-SC, com entrevistas, orações |
| Ir.
Ida Sansone |
Foz
do Iguaçu-PR |
Programa
“Ave-Maria” - Após cumprimentar, agradece
pela atenção, informa algum fato que está acontecendo na comunidade,
leitura do Evangelho ou resumo da liturgia. |
| Ir.
Ivone Camerini |
Curitiba-PR |
Entrevistas
em Rádios sobre o trabalho realizado na Arquidiocese e quando há presença
de missionários de fora Hora missionária - 1h de programa Em Laranjeiras do Sul-PR, programa da “Ave- Maria” |
| Ir.
Nérie Theresa Zandonai |
Maringá-PR |
Atuará
na Rádio Comunitária - programa Evangelizando na Rádio - 5ª feira das
14h às 16h, em Nonoai-RS,
oração do Angelus, mensagens, convites. |
| Ir.
Simone Vergínia de Almeida Lídio |
Rádio
Capital Cianorte-PR |
Programa
Crescendo na Fé - 1h de programa Assuntos sobre a Pastoral
do Menor, mensagem vocacional e programa da “Ave-Maria” |
| Ir.
Ivete Negreli |
Curitiba-PR |
Na
cidade de Pitanga realizava o programa da “Ave-Maria”, com intenções,
agradecimentos. |
| Ir.
Ana Dezem |
Rádio
Luz e Vida Programa Convocação Orleans-SC |
30min aos sábados, com mensagens, orações, liturgia do dia, músicas, informações |
| Ir.
Lurdes Bortolini |
Rádio
Clube Nonoai-RS |
Programa
da Ave-Maria Oração do Angelus, mensagens, convites. |
| Ir. Elidia Roberto dos Santos Ir. Aline Pereira Zotesso Ir. Raquel de Souza
Medeiros Ir. Renata Gonzatti Ir. Simone Ferreira
dos Santos |
Rádio
Paraná Curitiba-PR |
Novena
da Medalha Milagrosa Rádio Paraná AM 1060
KHZ 2ª feira - 17h30min |
|
Equipe |
Rádio e Programa |
Temas abordados |
| Ir.
Renata Gonzatti Ir. Ana Dezem |
Rádio
Luz e Vida - 106 FM Programa - Convocação |
Sagrado
Coração de Jesus, música, convite para missa paroquial. |
| Ir.
Ivone Camerini Ir. Maria H. V. Carniel |
Rádio
Clube Paranaense Programa - A Hora Missionária |
Música
e divulgação de material missionário. |
| Ir.
Rosa de C. Fernandes Ir. Raquel de S. Medeiros |
Rádio
Movimento - 97,5 FM Programa - A Voz do
Encontro |
Convite
para a Juventude participar de encontro na Paróquia São José Operário |
| Ir.
Simone Vergínia de Almeida Lídio Ir. Aline Pereira Zotesso |
Rádio
Província Programa - A Hora da
Notícia |
Entrevista
com Pe. Máikol e Ir. Paula Pereira
Alves sobre o primeiro curso para as Irmãs que atuam em Rádio |
| Ir.
Lucia Pereira Ir. Lurdes Bortolini Ir. Simone F. Santos |
Rádio
Catatudo - 92 AM |
Publicidade,
beatificação de Padre Manoel e do coroinha Adílio |
| Ir.
Jocelia Chuproski Ir. Néri Theresa Zandonai |
Rádio
Comunitária Santa Isabel - 107 FM Programa - Maria na
Evangelização |
Reflexão
sobre Maria nas Bodas de Caná |
| Ir.
Tereza Pereira Ir. Ida Conzatti |
Rádio
Iguassu Programa - Primeiras
Notícias da Noite |
Divulgação
da festa do Colégio São Vicente de Paulo |
| Ir.
Ivete Negrelli Ir. Elídia
R. dos Santos |
Rádio
Paraná Programa - Espaço Vocacional |
Convite
aos jovens para a participação de encontro vocacional |
| Ir.
Gerceli Mª Perissinotto Ir. Nair dos Santos |
Rádio
Pimpão FM Programa - Café da Manhã |
Publicidade
da Panificadora do Zé |
1 - Programa Religioso:
* 5 minutos = mensagem
* 15 minutos = oração, mensagens, música,
notícias
* 30 minutos = quadros fixos e outros móveis
* 01:00 hora = quadros bem definidos
* 03:00 horas = dividir em blocos e definir
os quadros
- Intercalar: mensagem, notícia, entrevista,
música, avisos, variedades
- O radialista tem que transmitir entusiasmo
pela causa religiosa; deve ser bem humorado, sem ser um palhaço
- Usar uma linguagem simples, ao nível do
radiouvinte; dialogar com o radiouvinte
- Diferenciar código verbal escrito de código
verbal sonoro.
- Assuntos a abordar: temas de formação
cristã e formação humana
- Evitar apenas ler mensagens de livros
ou revistas; o radialista tem que ter a capacidade de criar e redigir os seus
textos.
- Pronunciar bem as palavras,
com o sotaque de origem
- Ler como se não estivesse
lendo
- Cuidar da respiração, sem
sorver o ar
- Manter a distância correta
entre a boca e o microfone, falando na direção do microfone
- De preferência, segurar
o microfone na mão e não deixá-lo no pedestal
- Evitar que pessoas não treinadas
façam leituras no microfone
- Além de terem voz boa, os
membros da equipe litúrgica devem se vestir adequadamente
Principais
erros da sonorização:
- Falar ou cantar muito perto
do microfone
- Ficar escondido atrás do
microfone e da estante (a visualização correta é como o enquadramento que
aparece nos telejornais: braços a serem vistos)
- Aparelhagem desregulada
e mal projetada na hora da compra
- Microfones sem qualidade
(analógico X digital)
- Erros de posicionamento
das caixas-de-som
Quais os segredos
para ser um bom locutor ? Apesar da diferença de estilos e de cada locutor
ter um estilo próprio, o que torna o processo muito pessoal, é interessante
dar uma olhada na lista abaixo. São várias dicas que vão lhe ajudar a melhorar
sua locução, ou até mesmo orientar os locutores de sua emissora.
1. Ouça bastante o rádio, seja um bom ouvinte. Quanto mais se ouve, mais se
conhece, mais se aprende.
2. Entenda o que você está falando e verifique o conteúdo dos textos. Melhor
do que a voz é o que se fala, seu conteúdo.
3. Relaxe antes do trabalho. A inspiração e expiração do ar de maneira compassada,
juntamente com a contração seguida de relaxamento dos músculos das pernas
e braços, ajudam bastante.
4. Livre de tensão, a voz é produzida de maneira natural.
5. Cuide com a entonação. Por exemplo: "Ele vem... Ele vem?"
6. Quanto maior o número de repetições por segundo, mais aguda a voz (crianças
e mulheres) e quanto menor o número de repetições p/segundo, mais grave a
voz.
7. Determinantes da voz: o físico, a emoção, a cultura, a altura, a intensidade,
o timbre.
8. Voz desagradável é: a gutural, áspera, peitoral, suspirante, nasal, abafada,
rouca, seguida, chorosa, etc.
9. Fale para uma pessoa particular, não para todos os ouvintes: "agora
a hora certa para VOCÊ não perder seu compromisso...", "e agora
a previsão do tempo para VOCÊ se prevenir...". E não assim: "e agora
a previsão do tempo para vocês."
10. Tenha pelo menos 7 horas de sono por dia.
11. Evite líquidos excessivamente gelados.
12. Lembre-se: quando estamos agitados e excitados, nossa respiração torna-se
rápida e irregular. O oposto, traz respiração harmônica, regular, lenta e
suave.
13. Na comunicação geral, seja soft, fale sorrindo, com simpatia, não de maneira
austera ou autoritária. Seja sobretudo entusiasta. Muito entusiasmo!
14. Amarre o ouvinte na programação: - Daqui a pouco você vai ouvir esta música
(e exibe um pedaço da música); - Logo após os comerciais, você vai ouvir Fulano
de tal é um programa especial que você conhece; - Em seguida, estará chegando
aquele seu programa esperado...; - Daqui a pouco uma dica de saúde...
15. Nunca tente copiar uma pessoa. Preste atenção em todos e forme o seu estilo.
Não force sua natureza para copiar o estilo de outra pessoa.
16. Leia bem o texto antes de apresentá-lo no ar. Cuide com a pronúncia de
nomes, numerais e já saiba onde parar para respirar. Fale o texto sem dar
a impressão de leitura.
17. Não leia o texto com pressa. Procure finalizar as frases com reservas
de ar. Seja cortês e respeite o ouvinte ao falar.
18. Mantenha-se sempre bem informado. Saiba o que está acontecendo: dia do
que é hoje, como se pronuncia o nome que está sendo manchete na mídia do momento...
19. Não faça comentários sem autorização, muito menos se não tiver conhecimento.
20. Seja organizado no estúdio.
21. Cuide para não deixar o microfone aberto em momentos inoportunos.
22. Sempre anuncie e desanuncie um programa dizendo quando ele volta.
23. Na troca de locutores, conversas amistosas, mencione o nome do locutor,
preparar previamente com descontração. Não fale coisas negativas, não ofenda
ao colega e evite falar sobre o tempo.
Lembre-se: o bom profissional de Rádio é avaliado pela sua originalidade,
poder de síntese, criatividade, improvisação, carisma e por sua voz bem colocada.
4 - A Magnitude do Rádio
Magnus,
em latim, significa grande. O avanço tecnológico da eletrônica vem propiciando
extensões aos cinco sentidos do corpo humano, fazendo ultrapassar as categorias
de tempo e espaço. Onde um olho individual não pode estar, pode haver uma
câmera filmadora (objetiva); onde um ouvido individual não pode estar, pode
haver um microfone. No final de 1870, o inventor Edison, com seu fonógrafo,
tinha conseguido gravar e conservar gravada a voz humana; desde então, aquela
voz, mesmo não estando a ser falada, podia alcançar nossas casas e tornar-se
mídia alternativa ao jornal (GIOVANNINI, 1984, p. 183).
A audição está diretamente ligada às
emoções. Exemplificando: um fanático torcedor explode em euforia quando ouve
o grito do ‘gol’ do seu time favorito; uma mãe tem um choque psíquico ao ouvir
a notícia de que o filho dela acaba de perder a vida num acidente. Ouvindo
rádio, a pessoa se informa, se instrui, se diverte, sonha, se perverte, se
entretém, se tranqüiliza, se emociona, ora, ganha dinheiro, se transforma
(MCLEISH, 1999, p. 23). O rádio gera um relacionamento interpessoal entre
o radialista e o ouvinte. Muito mais do que na televisão, o apresentador estabelece
uma espécie de ligação com o ouvinte. Uma emissora bem-sucedida é mais do
que a soma de seus programas; ela entende a natureza dessa amizade e seu papel
de líder e prestador de serviços (MCLEISH, 1999, p. 24).
Mohazir Salomão (2005), professor de
radiojornalismo na PUC-MG, propõe que o rádio tem de ser arte. Ele comenta
o livro El Arte Radiofônico (Buenos
Aires, 2004), do argentino Ricardo Haye: “O rádio deve estar propenso a configurações
espaciais e multisensoriais. As mensagens têm que seduzir o olhar, o tato,
o gosto e o olfato dos ouvintes” (SALOMÃO, 2005, p. 356). O rádio nasceu e
se firmou enfrentando imensas dificuldades financeiras. Porém, hoje, o rádio
tem condições financeiras de veicular poesia em sua sonoridade, ou seja, as
produções radiofônicas podem estar revestidas do estético, convertendo-se
em radioarte.
Uma emissora de rádio é capaz de funcionar
a um simples toque de botão, mandando para o ar, durante 24 horas do dia,
em som estereofônico Hi-Fi, quadrifônico,
música clássica ou popular, mensagens comerciais, noticiosos, prestação de
serviços, hora certa... comandada por sofisticados computadores (TAVARES,
Reynaldo, 1999, p. 165). O rádio continua forte e imbatível, já que, com a
ajuda do transistor, o veículo ampliou seu poder de penetração a públicos
inatingíveis pela televisão ou pelos jornais; ao público de lugares onde não
existe energia elétrica e onde o percentual de analfabetos é muito grande;
o analfabeto não lê, mas pode ouvir (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 45).
Eis os sinais da magnitude do rádio:
1 - O rádio forma imagens: o radiouvinte cria uma imagem visual a partir
da imagem auditiva. Se na televisão há uma imagem visual já pronta e acoplada
ao som, no rádio o receptor da mensagem tem a liberdade de criar, com base
no que está sendo dito, a imagem do assunto, ou da pessoa ou do fato. Por
meio de um diálogo mental, o ouvinte participa da mensagem (BARBOSA FILHO,
2003, p. 45).
2 - O rádio é simples: a televisão pressupõe uma grande equipe para colocar
no ar um programa; são técnicos, operadores de câmaras e microfones, iluminadores,
locutores etc. O rádio pode ser operado por um único disk jokey, que fala notícias, hora-certa,
dedica músicas, vende etc. O custo operacional também é simples. O radioreceptor
mais antigo era um aparelho simples, sem o complicado controle remoto de alguns
televisores. Já o rádio digital é um pouco mais sofisticado, incorporando
muitos recursos eletrônicos.
3 - O rádio é portátil: algumas mídias, como jornal e televisão, exigem
dedicação quase que exclusiva. Já o rádio pode ser ouvido enquanto a pessoa
executa outras tarefas. O rádio portátil, por ser alimentado com pilhas, pode
ser levado a todo e qualquer lugar; e as ondas eletromagnéticas estão presentes
em toda parte do planeta. É comum ver pessoas ouvindo rádio no ônibus ou na
rua, munidas de fones-de-ouvido. Quase todos os automóveis possuem um radioreceptor.
O termo radiodifusão indica a dispersão da informação produzida, que abrange
cada lar, vila, cidade e país que esteja ao alcance do transmissor (MCLEISH,
1999, p. 16). O rádio está na cabeceira do Presidente da República, em forma
de rádio relógio, como está pendurado no ramo adejante do pé de café do lavrador
humilde e analfabeto, em forma de rádio de pilha; está no leito do enfermo
e no carro que leva o cirurgião para a primeira operação do dia (TAVARES,
Reynaldo, 1999, p. X). O rádio foi migrando da sala-de-estar para o quarto,
para o banheiro, para a cozinha e para os automóveis (TAVARES, Reynaldo, 1999,
p. 45). A radionovela, ficção, explora por si só o transportar-se no tempo
e no espaço.
4 - O rádio fala para milhões: o rádio fala para milhões, mas será que
os milhões o ouvem? Os pesquisadores de audiência no rádio falam de parcela e alcance. Parcela
de audiência é o tempo gasto pelo radiouvinte ouvindo uma determinada emissora,
expresso em porcentagem da audiência total de rádio nessa área. Alcance de audiência é o número de pessoas
que de fato ouve alguma coisa da emissora num período de um dia ou uma semana,
expresso como porcentagem da população total que poderia estar ouvindo (MCLEISH,
1999, p. 16). Uma radioemissora pode ter uma parcela bem pequena da audiência
total, mas se conseguir obter um substancial acompanhamento de pelo menos
um de seus programas, gozará de um amplo alcance. A disputa pela audiência,
que significa faturamento comercial, é bem acirrada entre as emissoras. A
radionovela, indo ao ar, em dia e hora predeterminados, tinha a vantagem do
público cativo.
5 - O rádio fala para cada indivíduo: ao mesmo tempo que atinge milhares
de pessoas, o rádio é voltado para o indivíduo
6 - O rádio é instantâneo: as radioemissoras especializadas em transmitir
notícias exploram a instantaneidade do rádio, falando ao vivo. Ao mesmo tempo
em que a notícia é veiculada em tempo real, ela se caracteriza pela efemeridade
(MCLEISH, 1999, p. 16-18). Por exemplo, na transmissão de futebol, interessa
o momento do gol; o que vem depois já é o comentário. Um jornal impresso pode
ser deixado de lado para ser lido mais tarde; já, a magia do rádio está no
ser ouvido no instante exato do acontecimento. Isso faz do rádio um agente
disseminador da informação e do conhecimento; portanto, o rádio é um agente
formador de cultura. A radionovela, por ser ficção, abandona o instantâneo
real para trabalhar no instantâneo imaginário.
7 - O rádio é local: o rádio tem alcance local pela natureza das ondas
eletromagnéticas do rádio AM, transmitidas em quilohertz, e do FM, transmitidas
8 - O rádio é acessível: a maioria da população tem possibilidade de adquirir
um aparelho de rádio. Segundo pesquisa do IBGE, praticamente toda residência
tem pelo menos um ou vários aparelhos; a proporção é de um rádio por pessoa.
Tal fato ocorre porque seu preço é quase sempre acessível e sua abrangência
alcança basicamente qualquer lugar, mesmo onde não existe energia elétrica
ou as transmissões televisivas ainda não chegaram. Sendo assim, o rádio está
sempre por perto, ao alcance da mão ou do ouvido, atingindo todos, da criança
ao idoso.
9 - O rádio é barato: comparado com outros veículos de comunicação, o
rádio é barato para o ‘proprietário’ e barato para o radiouvinte. Um aparelho
de rádio portátil custa menos do que um livro (MCLEISH, 1999, p. 17). Uma
vez obtida a concessão pública (no Brasil) para colocar uma radioemissora
no ar, o custo dos equipamentos e da manutenção é relativamente pequeno. Aí
o rádio incorre, infelizmente, num entrave: a mão-de-obra de não-profissionais
e a conseqüente falta de qualidade na programação. A radionovela é uma produção
que requer a contratação de profissionais para que haja qualidade. A falta
de espaço para profissionais certamente é um dos motivos da atual pouca produção
de radionovela.
10 - O rádio vende: pelo Decreto-Lei nº 21.111, de 1º de março de 1932,
o Presidente Getúlio Vargas autorizou a veiculação de publicidade e propaganda
no rádio brasileiro (TAVARES, Reynaldo, 1999, p. 55). O rádio passava a ser
um entreposto de vendas. Na medida em que o rádio vendia os produtos dos outros,
ele recolhia a verba publicitária. As emissoras foram se transformando
11 - O rádio tem função social: atua como agente de informação e formação
do coletivo. É um serviço de utilidade pública. Fornece informações sobre
empregos, produtos e serviços. Atua como vigilante sobre os que detêm o poder,
propiciando o contato entre eles e o público. Ajuda a desenvolver objetivos
comuns e opções políticas. Possibilita o debate social e político e expõe
temas e soluções práticas. Contribui para a cultura artística e intelectual.
Dá oportunidades para artistas novos e consagrados de todos os gêneros. Divulga
idéias que podem ser radicais e que levem a novas crenças e valores, promovendo
assim diversidade e mudanças. Facilita o diálogo entre indivíduos e grupos.
Promove a noção de comunidade. Mobiliza recursos públicos e privados para
fins pessoais e comunitários, especialmente numa emergência. Funciona como
um agente multiplicador e reforçador da cultura. Controla a opinião pública.
Capacita os indivíduos a exercitar o ato da escolha, tomar decisões e agir
como cidadãos, em especial numa democracia, graças à disseminação de notícias
e informações imparciais (MCLEISH, 1999, p. 20).
12 - Outros atributos: José Ignacio Lopes Vigil, cubano de nascimento e
radialista em vários países da América Central, entre os quais na República
Dominicana,
5 - Características do Rádio
Moderno
O rádio assumiu características inovadoras
nas duas últimas décadas, passando de rádio eletrônico para digital. Eduardo
Meditsch, professor de rádio na UFSC e autor de livros, define o rádio a partir
de três características indissociáveis: é um veículo de comunicação sonoro,
invisível e que emite em tempo real. Décio Pignatari, professor de Pós-Graduação
na Universidade Tuiuti do Paraná, faz um re-olhar de agora sobre os fundamentos
do fenômeno da comunicação, descrevendo 8 Características do Rádio Moderno.
O rádio atual, como toda
a mídia eletrônica moderna, caracteriza-se por:
1) Iconização:
o ícone é um signo, ou um sinal ou um símbolo. Em semiologia, ícone é todo
objeto, forma ou fenômeno que representa algo distinto de si mesmo, que apresenta
relação de semelhança ou analogia com o referente, como fotografia, diagrama,
mapa etc. Exemplos: a cruz significando o cristianismo; uma pegada indicando
a passagem de alguém; uma seta para a direita indicando o Play num equipamento de áudio/vídeo. Na interface gráfica, o ícone
é a figura apresentada na tela, geralmente clicável porque associada a um
link, usada para acionar um software
ou um recurso de programa executável. Por analogia, pode-se dizer que a informática
é toda iconizada por sons; basta considerar os ícones sonoros do ambiente
Windows (chimes, chord, ctmelody, ding, logoff, notify, recycle, start, tada, microsoft
sound). Há muitos ícones sonoros e metáforas sonoras consagrados pelo
uso que indicam: hora certa (tic-tac), noite (pio de coruja), praia (pio de
gaivota), amanhecer (canto do galo), cavalgada (tropel), residência (porta
abrindo), festa (rojões), ovação (palmas), dinheiro (caixa registradora),
telefone (triiimmm, ou pipipopapepipapo), sons espaciais, fax, conexão de
internet por linha telefônica (MCLEISH, 1999, p. 188). A música do Plantão
de Notícias da Rede Globo imita o Código Morse, com uníssonos breves e mais
longos, atiçando a atenção. Quem é que não conhece o Plim-Plim da Globo, certamente
o mais expressivo ícone sonoro da TV? O rádio moderno usa o playlist, software que executa
no ar um projeto de transmissão; projeto é ter colocado numa lista, por exemplo,
a vinheta da rádio, a vinheta da hora-certa, o spot, a vinheta do programa, a música... (www.playlist.com.br. Acesso
em 12 Jul. 2004). O playlist permite
ao operador de áudio sobrepor ao telefonema uma vinheta com um aplauso, ou
um grito de vivas, ou uma buzina, ou intervenções como “Oh, Coitado” (Filomena), “Mais
ééé” (Nerso da Capitinga), copiadas da televisão (www.playlist.com.br;
acesso 22.08.2005). Em transmissões de futebol, a Rede Globo usa um ícone
sonoro que imita um chute na bola toda vez que acontece um gol em alguma partida
simultânea do mesmo campeonato; esse som é um código emitido instantaneamente
ao acontecimento, antes que o locutor seja informado aonde e de quem foi o
gol e antes que o gerador de caracteres possa colocar a legenda na tela, o
que leva alguns segundos. Na radionovela, na qual se ouve e não se vê, a iconização
sonora é atalho para inúmeras mensagens de ambientação e contextualização
(www.wstationradio.com. Acesso aos 13 Set. 2005).
2) Paratatização: em gramática, parataxe
significa a coordenação assindética na construção do período, onde as orações
são interligadas sem o recurso às conjunções; exemplo: cheguei, vi, venci.
É uma justaposição. Na linguagem cinematográfica, para mostrar que uma pessoa
saiu de casa, entrou num automóvel e se deslocou para a fábrica, antigamente
era necessário mostrar passo a passo o que acontecia com o personagem; hoje,
basta mostrar que ele está em casa, se levanta e já está na fábrica. Na cena
seguinte, o personagem já pode estar num estádio; o espectador saberá deduzir
o trajeto que ele percorreu. Na história contada pelo rádio ou no radiojornal,
os assuntos são justapostos e o radiouvinte os entende. Em vez de se usar
uma exposição linear, usa-se uma narração rizomática, em forma de mosaico.
Na radionovela esse recurso é muito útil sobretudo na hora de se passar de
uma cena para outra, ocasião em que precisa contextualizar o novo ambiente.
Tal qual no cinema, o radiouvinte de hoje tem a capacidade de assimilar o
novo ambiente com muita facilidade.
3) Hibridização: é a mistura das mídias.
Supõe-se que o leitor de jornal é também radiouvinte e telespectador. As mídias
eletrônicas (rádio, televisão, cinema, internet) e impressas (jornal, boletim,
revista, livro) interagem entre si. Assim como na televisão surgiu o clip, no rádio se usam vinhetas, que geram
uma programação com a aparência de um mosaico. Por exemplo, se no rádio for
dito que aconteceu uma ‘videocassetada’ com alguém, o radiouvinte já vai associar
o personagem aos episódios humorísticos exibidos no Programa do Faustão na Rede Globo; o rádio
não precisa ficar explicando o que vem a ser uma ‘videocassetada’. O músico
Eduardo Souto Neto compôs para a Rede Globo a música que ficou conhecida como
“a música do Ayrton Senna” para
a transmissão das corridas da Fórmula-1; hoje essa música é tocada no rádio
para simbolizar a vitória. Theodoro e Sampaio, dupla atual de música rurbana,
(rural + urbana) canta que se procura uma “mulher boa como a mulher do
4) Espetacularização: na televisão, já
não basta mostrar uma notícia ou uma missa. É necessário mostrar o espetáculo.
O espetáculo de notícias policiais está no Linha
Direta e no Carandiru Outras Histórias
da Rede Globo. A missa deixou de ser missa de estúdio para ser a missa
estrelada pelo padre Marcelo Rossi e folclorizada, ocasionalmente, pelos Arautos
do Evangelho. O rádio também tende a apresentar notícias, músicas e reclames
publicitários de uma forma espetacular para prender a atenção do ouvinte.
O anúncio comercial no rádio explora o lado do espetacular quando faz ofertas-relâmpago.
Espetacularização no rádio é quando há entradas ao vivo de repórteres ou quando
se coloca o radiouvinte no ar. Aliás, o rádio foi perdendo um dos seus formatos
tradicionais que era o radioteatro, no qual as peças radiofônicas eram apresentadas
num palco e o radiouvinte podia acompanhar o espetáculo na sua casa. O rádio
brasileiro produz verdadeiros espetáculos ao transmitir partidas de futebol.
5) Estereotipatização (ou estereotipização):
tipo significa um exemplar igual ao outro. Em comunicação, tipo é o personagem
paradigmático da ficção ou da tradição oral, que é sempre o mesmo, que não
varia. O estereótipo fala sempre as mesmas palavras e tem sempre o mesmo comportamento.
No rádio e na televisão, há pessoas que incorporam um personagem típico e
jamais se separam dele. Exemplos: o apresentador Chacrinha (Abelardo Barbosa),
o cantor Tiririca (Francisco Everardo Oliveira Silva), o repórter Gil Gomes.
Outros assumem um estereótipo ao longo de uma novela ou peça humorística seriada,
como o Zeca Diabo (Ariclenes Venâncio Martins, o Lima Duarte), o Seu Creysson
(Claudio Manoel) do Casseta & Planeta,
o Nerso da Capitinga (Pedro Bismark). Os tipos criados pelo rádio foram se
mudando para a televisão, como o Grande Otelo (Sebastião Bernarde de Souza
Prata).
6) Rizomatização: em botânica, rizoma
é uma espécie de raiz aérea auto-reprodutiva. Na construção de sentidos, o
pensamento pode ser linear ou rizomático. É linear quando é lógico, cartesiano, conseqüente; portanto, com raiz,
caule e ramos. É rizomático quando é holístico ou mosaical. Na filosofia,
rizoma se refere a sistemas a-centrados e não hierárquicos que realizam conexões,
ligamentos e junções sempre horizontalmente num mesmo plano ou não. Em comunicação,
rizoma expressa desterritorializações e nomadismos. Diante de um público heterogêneo,
veladamente, são respeitadas as preferências de moda, futebol, política, crença,
arte, cultura; mas, intencionalmente, é veiculado este assunto e não aquele,
ou aquele e não este. A mídia impressa e eletrônica é comparável a uma feira-livre,
onde, em barracas vizinhas, se vendem produtos totalmente diferentes um do
outro. Para causar estranhamento no radiouvinte, surgem sons e falas os mais
esquisitos. O tempo dos programas é cada vez mais curto; em certos boletins
noticiosos, a cada ato de respirar o locutor fala de outro assunto. A opinião
pública é condicionada por modismos políticos, financeiros e culturais. A
massa consumidora das informações se caracteriza pela volatilidade e vai fluindo
como as ondas do mar, sobrando pouco espaço para a dedução e opinião pessoal.
Felix Guattari,
7)
Remixagem: André Lemos, Professor da Faculdade de Comunicação
da Universidade Federal da Bahia, em agosto de 2005, redigiu o ensaio Cibercultura-Remix,
que foi apresentado no seminário Sentidos e Processos, dentro da mostra
Cinético Digital, no Itaú Cultural,
8) Tribalização: Os estudos culturais
revelam que o mundo está entrando numa fase tribal, uma volta a valores que
a modernidade julgava enterrados: razão e progresso, motores da organização
das sociedades desde o século XVIII, vão dando lugar ao prazer e à emoção
entre as novas gerações. É o que o sociólogo Michel Maffesoli chama de "tribalismo
pós-moderno". As teses de Maffesoli, diretor do Centro de Estudos sobre
o Quotidiano da Universidade de Sorbonne, em Paris, estão reunidas em seu
último livro, Du Nomadisme (O Nomadismo), lançado pela editora Record,
e se baseiam em estudos de padrões de comportamento no Rio, em Tóquio e
6 - Roteiro em Rádio - Ingredientes do Roteiro
para rádio
1) Diálogos (e Sons) - textos a serem proclamados pelos
locutores. Entonação natural, causando no ouvinte a impressão de que o texto
é falado espontaneamente e não que é lido. Alinhar o texto à esquerda, sem
hifenização.
2) Detalhes do Texto - indicação de como proclamar o texto:
lento, rápido, entusiasmado, rindo, bocejando, esbravejando, voz masculina
ou feminina, interrogação, exclamação...
3) Sonoplastia - detalhes técnicos a serem observados
pelo operador de áudio e codificados no Playlist: Título do CD e número da
faixa; MD; qual microfone; inserção de músicas, vinhetas, anúncios comerciais,
ícones sonoros...
4) Detalhes - indicação de tempo, volume, efeito sonoro...
Um roteiro pode ser mais ou menos sofisticado,
indicando mais ou menos detalhes para o locutor e para o operador de áudio.
Exemplo de Roteiro:
|
Notícias
da Tarde |
||||
| Rádio
Eseei |
Notícias
da Tarde |
16
agosto 2006 |
17:30
horas |
|
| Bloco
3 |
||||
| Diálogos (e Sons) (O que
é falado, qual som é emitido...) |
Detalhes (Como falar) |
Sonoplastia (Fonte
do som, o que, Playlist...) |
Detalhes Técnicos (Como...) |
|
| ... |
|
... |
|
|
| Comercial
- Casas Bahia |
|
1109 (Código) |
|
|
| Vinheta
4 - Rádio Essei |
|
456 |
|
|
| Plim-plom,
plim-plom (Vinheta Hora Certa) |
|
123 |
|
|
| 17
e 48. |
Loc.
Masc. |
Mic.
1 |
|
|
| Vinheta
- Notícias da Tarde |
|
789 |
|
|
| Back
Ground |
|
CD
Trem, faixa 3 |
|
|
| O
dólar fechou hoje em 2 Reais e 87 centavos para a venda; e 2 Reais e
69 centavos para a compra. |
Loc.
Masc. |
Mic.
1 |
BG |
|
| A
Bolsa de Valores de São Paulo fechou em alta de zero ponto 4 por cento.
|
Loc.
Fem. |
Mic.
2 |
BG |
|
| Logo
mais, a partir das 20:30 horas, a grande jornada esportiva pela Rádio
ESEEI. Direto do Beira-Rio, transmitiremos Internacional e São Paulo.
Nosso repórter Adilson Cordeiro dá as últimas informações direto de
Porto Alegre! |
Loc.
Masc. |
Mic.
1 |
BG,
fim do BG na última palavra |
|
| Vinheta
Adilson Cordeiro |
|
369 |
|
|
| Boa
Tarde Nathalie e Salik, Boa Tarde ouvinte da Rádio Eseei! Acaba de sair
a escalação do Inter de Porto Alegre. Os portões já estão abertos para
a torcida. Às 21 horas e 30 minutos rola a bola nesta decisão da Taça
Libertadores da América. Adilson Cordeiro para Notícias da Tarde. |
Vibrante |
Entrada
Ao vivo |
Celular,
canal 4 |
|
| A
Rádio Eseei transmite Inter e São Paulo a partir das 20:30 horas. |
Loc.
Masc. |
Mic.
1 |
|
|
| As
últimas Notícias da Tarde, copiando do provedor da Eseei. |
Loc.
Fem. |
BG
Trem, Faixa 3 Mic. 2 |
|
|
| Cassados
mais de 70 deputados sanguessugas da máfia das ambulâncias... |
Loc.
Masc. |
Mic.
1 |
BG
Eco 2/3 |
|
| Vinheta
Hora Certa |
|
123 |
|
|
| 17
e 54 |
Loc.
Masc. |
Mic.
1 |
|
|
| Daqui
a um minuto, o Repórter Eseei |
Loc.
Fem. |
Mic.
2 |
|
|
| Vinheta
3 - Rádio Eseei |
|
122 |
|
|
| |
|
Comercial
Britânia |
569 |
|
|
Diálogos (e Sons) (O que
é falado, qual som é emitido...) |
Detalhes (Como falar) |
Sonoplastia (Fonte
do som, o que, Playlist...) |
Detalhes Técnicos (Como...) |
| |
|
|
|
| |
|
|
|
-
FERRARETTO, Luiz Artur. Rádio, o Veículo,
a História e a Técnica. Porto Alegre-RS, Editora Sagra Luzzatto, 2001.
-
MCLEISCH, Robert. Produção de Rádio, Um Guia Abrangente de Produção Radiofônica.
São Paulo-SP, Summus Editorial Ltda, 1999.
-
VIGIL, José Ignacio López. Manual Urgente para Radialistas Apaixonados.
Paulinas, São Paulo-SP, 2003.
- Sepac. Coleção Laboratório. Rádio, a Arte de Falar e Ouvir. Paulinas, São Paulo, 2003
Revistas:
-
Áudio: Música & Tecnologia. Números
-
Estúdio de Gravação