Dicas para locutores

Quais os segredos para ser um bom locutor ? Apesar da diferença de estilos e de cada locutor ter um estilo próprio, o que torna o processo muito pessoal, é interessante dar uma olhada na lista abaixo. São várias dicas que vão lhe ajudar a melhorar sua locução, ou até mesmo orientar os locutores de sua emissora.

1. Ouça bastante o rádio, seja um bom ouvinte. Quanto mais se ouve, mais se conhece, mais se aprende.

2. Entenda o que você está falando e verifique o conteúdo dos textos. Melhor do que a voz é o que se fala, seu conteúdo.

3. Relaxe antes do trabalho. A inspiração e expiração do ar de maneira compassada, juntamente com a contração seguida de relaxamento dos músculos das pernas e braços, ajudam bastante.

4. Livre de tensão, a voz é produzida de maneira natural.

5. Cuide com a entonação. Por exemplo: "Ele vem... Ele vem?"

6. Quanto maior o número de repetições por segundo, mais aguda a voz (crianças e mulheres) e quanto menor o número de repetições p/segundo, mais grave a voz.

7. Determinantes da voz: o físico, a emoção, a cultura, a altura, a intensidade, o timbre.

8. Voz desagradável é: a gutural, áspera, peitoral, suspirante, nasal, abafada, rouca, seguida, chorosa, etc.

9. Fale para uma pessoa particular, não para todos os ouvintes: "agora a hora certa para VOCÊ não perder seu compromisso...", "e agora a previsão do tempo para VOCÊ se prevenir...". E não assim: "e agora a previsão do tempo para vocês."

10. Tenha pelo menos 7 horas de sono por dia.

11. Evite líquidos excessivamente gelados.

12. Lembre-se: quando estamos agitados e excitados, nossa respiração torna-se rápida e irregular. O oposto, traz respiração harmônica, regular, lenta e suave.

13. Na comunicação geral, seja soft, fale sorrindo, com simpatia, não de maneira austera ou autoritária. Seja sobretudo entusiasta. Muito entusiasmo!

14. Amarre o ouvinte na programação: - Daqui a pouco você vai ouvir esta música (e exibe um pedaço da música); - Logo após os comerciais, você vai ouvir Fulano de tal é um programa especial que você conhece; - Em seguida, estará chegando aquele seu programa esperado...; - Daqui a pouco uma dica de saúde...

15. Nunca tente copiar uma pessoa. Preste atenção em todos e forme o seu estilo. Não force sua natureza para copiar o estilo de outra pessoa.

16. Leia bem o texto antes de apresentá-lo no ar. Cuide com a pronúncia de nomes, numerais e já saiba onde parar para respirar. Fale o texto sem dar a impressão de leitura.

17. Não leia o texto com pressa. Procure finalizar as frases com reservas de ar. Seja cortês e respeite o ouvinte ao falar.

18. Mantenha-se sempre bem informado. Saiba o que está acontecendo: dia do que é hoje, como se pronuncia o nome que está sendo manchete na mídia do momento...

19. Não faça comentários sem autorização, muito menos se não tiver conhecimento.

20. Seja organizado no estúdio.

21. Cuide para não deixar o microfone aberto em momentos inoportunos.

22. Sempre anuncie e desanuncie um programa dizendo quando ele volta.

23. Na troca de locutores, conversas amistosas, mencione o nome do locutor, preparar previamente com descontração. Não fale coisas negativas, não ofenda ao colega e evite falar sobre o tempo.

Lembre-se: o bom profissional de Rádio é avaliado pela sua originalidade, poder de síntese, criatividade, improvisação, carisma e por sua voz bem colocada.


Fonte:
Site www.radiotexto.com.br

No Brasil o rádio continua líder

Depois do fogão, o rádio é o utensílio doméstico que os brasileiros mais têm em casa, seguido da televisão e da geladeira. Os dados são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE. Entre 1992 e 1999, o percentual de casas com rádio pulou de 84,8% para 89,8%, no Brasil. Apesar disso, o número de casas com televisão cresceu mais. No mesmo período, passou de 73,9% para 87,7%. Assim mesmo não conseguiu superar o total de casas com rádio, que, segundo o IBGE, chega a 38,5 milhões de domicílios.

A multiplicação de aparelhos de rádio encontra nos avanços tecnológicos um de seus motivos. A tecnologia permitiu que a parafernália radiofônica, que ocupava um móvel inteiro da sala de estar, pudesse ser levada a tiracolo. Além da agilidade, o rádio ganhou mobilidade. Está no carro, em casa, na rua, no trabalho.

Foi essa dinâmica que permitiu ao rádio sobreviver à concorrência com outras mídias e manter a supremacia entre boa parcela da população. Vai aonde nenhum outro meio de comunicação chega. Está para o homem do campo, como a Internet está para o empresário da cidade. Onde não tem energia elétrica, lá está ele funcionando à bateria ou à pilha, levando as notícias da capital ao interior.

É justamente na zona rural onde o rádio demonstra seu poder de penetração. Segundo o IBGE, o homem do campo prefere o rádio a televisão. Mas na estatística entre todos os brasileiros, o rádio é preferência nacional. É também entre a população de baixa renda que ele se destaca em números. Em 55% dos lares onde está presente, a renda familiar não ultrapassa cinco salários mínimos.


Fonte:
Boletim da Abert, distribuído no Congresso da Abert/Aesp 2001

O Poder do Rádio

Vamos ver alguns aspectos do rádio, que mostram que o meio é o mais presente no dia-a-dia das pessoas:


Aspectos positivos
Segmentação, requer pouco investimento em termos absolutos, imediatismo, interatividade, agilidade, alta frequência de exposição, excelente cobertura, seletividade e instantaneidade.

Cobertura
Nos últimos 5 anos, a audiência média do meio rádio cresceu 44% nas nove principais regiões metropolitanas do Brasil. Em 1 dia o rádio cobre 68% da audiência; 2 dias - 77%; 7 dias - 94%; 15 dias - 96%; e 30 dias - 98%.

Quem ouve rádio?
??98% da população acima de 10 anos ouve;
??75% da população ouve todos os dias; o rádio está junto a 93% dos consumidores na hora que antecede a compra;
??rádio é ouvido em média 3 horas e 45 minutos por dia;
??rádio tem mais audiência que a tv em 16 horas/dia;
??rádio, pela sua portabilidade pode estar junto do público 24 horas por dia.

Onde estão os aparelhos de rádio?
Em 98% das residências, 83% dos automóveis. Também 51 % da população tem walkman e 41% acorda com rádio-relógio.

Índice de satisfação por meio:
O rádio também proporciona o maior índice de satisfação da população em relação aos meios de comunicação com 75% de aprovação, contra 54% das tv's.

Exposição por meio
??As revistas recebem 54 minutos de média de leitura por dia
??Os jornais 57 minutos
??As televisões 3 horas e 24 minutos
??rádio 3 horas e 45 minutos. Uma vantagem é que ouvir rádio permite que a pessoa faça atividades paralelas.

Alcance
O alcance do rádio também é muito expressivo chegando a atingir cerca de:
??95% das mulheres e 97% dos homens.
??95% nas A/B/D/E e 97% na C.
??96% entre 10 e 49 anos, de 92% entre 50 e 59 anos e 84% para os maiores de 60.

Redes de rádio: benefícios
Estão dando novo impulso ao meio, proporcionando um ganho de escala em produção. As redes atingem rapidamente diversos mercados com baixa dispersão em relação ao target pretendido. Também facilita o checking e o CPM (custo da mídia) é menor.

Rádio e Internet
Os meios se completam, através das streaming media (real audio/windows media) ele a potencializa, e esta, por sua vez, aumenta o seu poder de difusão. Um dado importante é que nos Estados Unidos 80% dos ouvintes possuem e-mail e navegam na internet. Hoje já são mais de 4 mil emissoras transmitindo na web.

O futuro
As novas tecnologias já estão despontando com o som as transmissões digital. O RDS (Radio Data System), está chegando para possibilitar a transmissão de informações digitais junto com a programação normal de uma FM.

RDS
O RDS é um processo de transmissão similar ao cd e ao computador - "bits". Os equipamentos de estúdio já são digitais, mas a transmissão e recepção continuam analógicas. Com esse sistema é possível a criação de novos serviços e novos recursos promocionais. Como - exibir mensagens escritas nos displays dos receptores (boletins de trânsito, nome da música, noticiário, índices econômicos, resultados esportivos, etc...
O RDS também pode ter um canal de áudio para informações emergenciais.

O RDS no mundo
??Europa: quase todas as emissoras das grandes redes de rádio transmitem sinais de RDS.
??Estados Unidos: já são cerca de 700 emissoras transmitindo.
??Brasil: pouco mais de 20 rádios já adotaram o sistema.

O RDS e a indústria automobilística
Está em processo de ativação nos receptores dos veículos nacionais. Só falta a definição de uma norma para a programação dos geradores de RDS pelas emissoras, que deve sair entre final de julho e começo de agosto.

Os diferentes tipos de RDS
São dois sistemas em discussão para a implementação do RDS no Brasil:
??IBOC (americano) - em testes;
??EUREKA (europeu) - já em uso na Europa, Canadá e Austrália.

Custos e mudanças com o RDS
O custo dos receptores de RDS varia entre 350 e 800 dólares.
As mudanças: 1) a maneira de transportar a informação, com mais qualidade, sem ruído, interferências e desvanecimento. 2) no AM a qualidade fica como as FMs de hoje e no FM fica como CD.

Serviços agregados ao RDS:
??PAD (dados associados ao programa) - imagens, informações em texto; informações escritas no display; músicas on-demand, mensagens dedicadas, e-mail, pay-radio, etc...


Fonte:
(diversas): Marplan 2000, Ibope-EasyMedia jan/mar 2001, Ibope, Amirt, Pesquisa Fala Brasil/Propeg/98, Pesquisa Escritório do Rádio 2000, Inter-Meios/2000.

Como colocar sua emissora na internet

Esta matéria mostra os passos para transmissão de áudio e vídeo via internet. Vamos conhecer as ferramentas que você vai precisar para realizar essa tarefa :

Primeiro é necessário a instalação de um player, que é a ferramenta que vai possibiltar a transmissão do som e da imagem na internet. Você pode utilizar o Windows Media Player - é uma ferramenta fácil de usar, que converte áudio e vídeo com alta qualidade. Você poderá transmitir conteúdo ao vivo através da entrada de linha de sua placa de áudio ou vídeo, utlizando seu CD Player, microfone, vídeo cassete, câmera de vídeo ou receptor AM/FM.

Fazendo o download do Windows Media Player:
·O tamanho do programa é 4531K e leva cerca de 20 minutos de recepção com conexão 56K.
·Você deve fazer o download do Encoder 7, no endereço : www.microsoft.com/windows/windowsmedia/en/WM7/encoder.asp.
·Clique em Download Center Windows Media Encoder 7;
·Em Windows Media Tools and Services, escolha Windows Media Encoder 7;
·Não se esqueça de escolher a versão em português, marcando "Portuguese (Brazilian) Language Version";
·Clique em Fazer Download.


Veja os requisitos mínimos para o sistema:
·Processador Pentium 200 MHz com MMX;
·MWindows 98 Segunda Edição;
·32 MB de RAM;
·Placa de som;
·Modem com velocidade a partir de 28.8 BPS;
·Para transmitir uma rádio, também será necessário um receptor (pode ser um walkman) e um cabo para ligá-lo na entrada de linha de sua placa de som.
·Para transmitir uma TV, será necessário um vídeo Cassete e uma placa de captura de vídeo.
·Mais informações sobre os requisitos dos sistema, consulte o site da Microsoft www.microsoft.com

Instalando o programa:
- Dê um duplo clique sobre o programa "wmencoder.exe" copiado;
- Concorde com a licença clicando em "Sim";
- Clique em "Avançar" no Assistente de Instalação;
- Clique em "Concluir" no Assistente de Instalação.

Iniciando o codificador:
- Marque a opção "iniciar o codificador"(seria bom também ler a documentação do codificador);
- Marque a opção "Transmitir, capturar..." e clique em OK;
- Escolha a opção "Transmitir um evento ao vivo..." e clique em Next;
- Selecione o dispositivo de áudio(vídeo é opcional) e clique em Next;
- Na Conexão de difusão, a porta padrão será informada. Anote aí a URL para conexão de Internet (http://Seu_IP:8080). Clique em Next;
- Escolha o perfil da transmissão(esta opção estará condicionada à qualidade de sua conexão) e clique em Next;
- Em Opções de arquivamento clique em Next;
- Em informações para exibição, preencha os campos com os dados de sua rádio ou TV e clique em "FINISH".

Iniciando a Transmissão:
- Espere a tela do Encoder carregar em sua tela;
- Insira o cabo na entrada de linha de sua placa de som para transmitir uma rádio (para TV, a placa deve ser de captura de áudio/vídeo);
- No encoder, clique em "Iniciar";
- Controle o volume do áudio no lado esquerdo do Encoder;


Divulgando seu link:
- Informe o seguinte link para seus usuários: mms://seu_IP:8080 ou faça o seguite: crie um arquivo no Bloco de Notas digitando somente seu link(http://Seu_IP:8080) e salve-o com a extensão ASX(ex: radio.asx). Transmita este arquivo para seu servidor e divulgue o seguinte endereço para seus usuários: "www.seu_site.com.br/radio.asx".


Fonte:
Site www.radios.com.br

COMUNICAÇÃO

Para ser ouvido, fale. Para ser compreendido, exponha claramente suas idéias, sem jamais abrir mão daquelas que julga fundamentais apenas para que os outros o aceitem.

Acima de tudo, busque o prazer antes do sucesso, a auto-realização antes do dinheiro, fazer bem feito antes de pensar em obter qualquer recompensa.

Nenhum reconhecimento externo vai substituir a alegria de poder ser você mesmo: "status" é comprar coisas que você não quer com o dinheiro que você não tem, com a finalidade de mostrar, para gente de quem você não gosta, uma pessoa que você não é.

Nada tem graça se não for bom para o seu corpo, leve para o seu espírito e agradável para o seu coração.

Para conseguir o que quer, tente sem pensar que o êxito virá logo da primeira vez.

Cuide de ter saúde, energia, paciência e determinação para continuar tentando quantas vezes forem necessárias. Mas, ao perceber que já fez tudo o que pôde ou até mesmo um pouco além, mude de alvo para não se tornar, em vez de um vitorioso, apenas mais um teimoso.

Para poder recomeçar sempre, perdoe-se pelos fracassos e erros que cometer, aprenda com eles e, a partir deles, programe suas próximas ações. Nunca se deixe iludir achando que será possível fazer tudo num dia só ou fazer apenas quando tiver todos os recursos: tal dia nunca virá.

Para manter-se motivado, sonhe. Para realizar, planeje, pensando grande e fazendo pequeno, um pouco a cada dia e todos os dias um pouco, porque são pequenas gotas d`água que fazem todo grande oceano.

A importância do rádio no processo eleitoral
Melck Aquino - jornalista, publicitário e especialista em marketing político para rádio, com trabalhos em Goiás, Tocantins, Minas Gerais e Maranhão.- 23/4/2002
É inacreditável, mas mesmo diante da realidade atestada por recentes pesquisas que apontam que em cada casa tem em média de dois a três receptores de rádio ainda existem políticos e alguns de seus assessores diretos que não dão a devida importância para este fascinante meio de comunicação de massa. Aliás, nada melhor do que realmente caracterizá-lo como de massa, aqui entendido sob dois aspectos, o quantitativo e o qualitativo.
Não! Calma, não estamos falando de pesquisa. É de rádio mesmo. Uso aqui o quantitativo na relação com "massa" para chamar a atenção para o fato de que hoje são mais de 2.500 emissoras espalhadas pelo país, atendendo os locais mais distantes, muitos dos quais o sinal de televisão não chega. O qualitativo é utilizado para destacar o fato de que as "massas", em uma acepção popular, têm no rádio um meio de amplo uso, já que ele atinge de forma mais direta as populações de baixa renda e a juventude. Aliás, aqui vale abrir parênteses para um questionamento: Que parcelas do eleitorado realmente são capazes de decidir uma eleição?
Um instrumento de comunicação assim deve ser considerado com respeito e profissionalismo em qualquer projeto de campanha eleitoral que se pretenda sério. Ninguém questiona que a televisão é o meio de comunicação número um quando se fala em propaganda política no pleito eleitoral, devido à cultura visual de nossa sociedade, o poder fabuloso da imagem, e o fato dela exigir do telespectador uma atenção focada. Entretanto, é preciso destacar que o rádio chega aonde a TV não vai, é prático e portátil e está em 98% das casas, enquanto a TV em apenas 75%. Não exige que o indivíduo seja alfabetizado. E mais, o horário nobre do rádio dura 13 horas, enquanto o da TV apenas três. Tudo isto numa constatação que agrada quem paga a conta. Sim, porque uma produção no rádio custa 95% menos que a da TV.
Como diz Duda Mendonça no seu livro Casos & Coisas (Editora Globo): "Quem menospreza a força do rádio, está abrindo mão de um vasto campo, ali disponível para a plantação de suas mensagens e, conseqüentemente, para a colheita de votos. O candidato que dá as costas ao rádio sugere, por isso mesmo, um pescador que inexplicavelmente, resolve pescar apenas com um anzol, uma linha e uma isca. Seguramente ele vai fisgar menos peixe do que o seu vizinho, mais experiente que pesca com várias linhas, iscas diversas e em profundidades diferentes, pois sabe que além dos peixes de superfície, existem também os de meia água e o dos fundos do mar".
E como profissional especializado em marketing eleitoral voltado para rádio não posso deixar de chamar a atenção neste artigo para o grande erro cometido por muitos. A posição secundária do rádio não significa de forma alguma que ele não deva ser trabalhado com todo o profissionalismo pela equipe de marqueteiros e publicitários que são contratados por um político. Não se pode mais admitir, em disputas cada vez mais complexas, que cada vez mais realizam ampla exposição de homens e mulheres que se lançam na busca de votos, que simplesmente se use o áudio de programas de tv no rádio, ou mesmo textos belos e detalhados feitos para jornais de campanha. O rádio tem sua própria linguagem, muito mais direta, coloquial e intimista, e somente a sintonia com esta "cara" pode possibilitar que o tripé - diversão, informação e persuasão - seja efetivamente exercitado no seu uso. Só assim será possível, efetivamente, sintonizar o som dos votos.


Ondas Curtas: Passado, Presente e Futuro.

Por: Marcelo Toniolo dos Anjos

As transmissões de rádio via Ondas Curtas foram iniciadas no início deste século, particularmente na Europa e Estados Unidos. Nas décadas de 30 e 40 muitas estações foram fundadas, principalmente para divulgar a política e costumes do país de origem a outros povos em países distantes. Este foi o caso portanto, da BBC de Londres, Voz da América, Rádio Moscou, Rádio França Internacional, entre outras.

Naquela época os DX-istas contavam com poucas estações no espectro de Ondas Curtas e ouvir a BBC ou Rádio Moscou era considerado um verdadeiro DX pois os transmissores utilizados eram de baixa potência, no máximo 50 kW, sendo que era comum o uso de transmissores de 10 kW.

O tempo foi passando e muitas outras estações foram "inundando" o espectro de Ondas Curtas, ainda mais com o advento da guerra fria na década de 50. As décadas de 70 e 80 foram marcadas por um avanço tecnológico grande o que repercutiu na fabricação em série de transmissores de Ondas Curtas de alta potência. Não era difícil encontrar no "dial" do receptor transmissões da Voz da América, Rádio Moscou ou Rádio Pekim utilizando transmissores de 100, 250 e até 500 kW.

As Ondas Curtas, portanto, deixaram de ser uma faixa exclusivamente para se fazer DX, mas qualquer um utilizando-se do mais simples receptor, poderia captar transmissões em Ondas Curtas provenientes dos mais distantes locais do planeta. Para complicar mais a situação, na década de 80 muitas estações passaram a utilizar "relays" espalhados pelo mundo com a intenção de fazer chegar seu sinal com mais clareza a seus ouvintes de países distantes. Logo, ao se ouvir a Rádio Japão estaríamos na verdade ouvindo seu relay de Moyabe no Gabão, o sinal da Deutsche Welle não vinha da Alemanha, mas sim de Antigua, a BBC não era mais de Londres, mas sim da Ilha da Ascensão, a Rádio Nederland não mais da Holanda, mas de Bonaire, e assim por diante.

No entanto, ao ingressarmos na década de 90 muitas estações internacionais de grande porte começaram a desistir de seus projetos iniciais de pontilhar o planeta com seus relays de Ondas Curtas. É verdade que a crise financeira mundial influenciou inúmeros cortes orçamentários e consequentemente a interrupção de programas em Ondas Curtas. Tivemos assim o cancelamento ou diminuição de horas de transmissão de vários programas em língua portuguesa (dentre outras) da Rádio Suiça Internacional, Rádio Suécia, Kol Yisrael, etc.

Percebe-se que os empresários do ramo de comunicações estão deixando de lado os projetos de ampliação e/ou construção de novos transmissores de Ondas Curtas e dando preferência para estações de transmissões via satélite. A intenção é de que no futuro os satélites passem a ocupar o lugar das Ondas Curtas nas transmissões de radiodifusão internacionais, pois com um simples receptor, adequado à recepção de sinais de satélite, seria possível ouvir uma programação sem interferências, ruídos, estática e Fading chegando a alcançar a qualidade de uma emissora local de FM.

Muitos DX-istas insistem em lutar para que as suas emissoras favoritas não encerrem as transmissões em Ondas Curtas, porém não serão os apelos dos ouvintes que sensibilizarão os diretores das emissoras, mesmo porque a alteração das transmissões via Ondas Curtas para satélites é uma questão de economia e racionalização do trabalho, já discutido e aprovado. Na verdade se olharmos por um outro lado, o verdadeiro DX-ista deve apoiar estes projetos pois somente assim começaremos a "despoluir" as Ondas Curtas das centenas de transmissores de altíssima potência espalhados pelo mundo, tendo de volta o espectro de Ondas Curtas voltado somente à prática do DX-ismo verdadeiro como a captação de programas regionais das estações da África, Ásia e América Latina com 10, 5 e 1 kW de potência.