O Rádio - História e Gêneros na Programação

Capítulo 1: História do Rádio

1.1 - A invenção do rádio - Heinrich Rudolf Hertz nasceu aos 22 de fevereiro de 1857 e faleceu em Bonn em 1º de janeiro de 1894. Em 1887, Hertz maravilhou o mundo científico com uma série de experiências sobre a teoria eletromagnética do escocês James Maxwell. Aquele tinha demonstrado que a ação eletromagnética viaja pelo espaço em ondas transversais semelhantes às da luz e com a mesma velocidade. Hertz provou que existe uma estreita analogia entre as ondas eletromagnéticas e as luminosas. Ambas se propagam à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Além disso, se refletem, se refratam e sofrem os mesmos fenômenos de interferência e de difração, podendo ainda ser polarizadas. Estas observações foram fundamentais para o desenvolvimento do telégrafo e, mais tarde, do rádio e da televisão.
Guglielmo Marconi (1874-1937) nasceu em Pontecchio, próximo a Bolonha, na Itália. Na juventude, teve acesso às descobertas do físico Hertz. Em setembro de 1895, Marconi fez as primeiras experiências de telegrafia sem fio, por um processo de emissão e recepção de ondas eletromagnéticas. Na virada do século, os países foram sendo ligados pela telegrafia sem fio de Marconi: França e Inglaterra (1899), Itália (1900), Canadá (1901), Argentina (1910), Brasil (1919), Austrália (1924).

1.2 - A polêmica sobre o verdadeiro inventor - Roberto Landell de Moura, nascido aos 21 de janeiro de 1861, em Porto Alegre-RS, estudou com os Jesuítas de São Leopoldo-RS a partir de 1879. Indo a Roma, estudou Teologia, Física e Química e se tornou sacerdote católico em 1886. De volta ao Brasil, exerceu o ministério sacerdotal em Porto Alegre-RS (1887), Uruguaiana-RS (1891), São Paulo-SP (1892), Campinas-SP (1893); em Campinas, ele teve o equipamento destruído, acusado de bruxo. Em todas essas localidades ele fazia demonstrações de transmissões da palavra à distância; na capital paulista, transmitiu sinais sonoros da hoje Avenida Paulista até Santana, numa distância de 8 quilômetros. No ano de 1900, registrou a patente n.º 3.279 sobre seu aparelho apropriado à transmissão da palavra à distância, com ou sem fios, através do espaço, da terra e da água.
Em 1904, o padre Landell registrou nos Estados Unidos o transmissor de ondas, o telefone sem fio e o telégrafo sem fio. Além disso, inventou a válvula de três eletrodos, uma peça fundamental para o desenvolvimento da radiodifusão. De volta ao Brasil no ano seguinte, no Rio de Janeiro, o inventor solicitou ao Presidente Rodrigues Alves dois barcos para poder demonstrar o seu invento; ocasião em que foi tachado de "maluco e espírita" e teve seu equipamento destruído outra vez. O humilde clérigo foi então exercer o seu ofício religioso em Botucatu-SP e Mogi das Cruzes-SP. Depois, em Porto Alegre-RS, nas paróquias do Menino Deus e do Rosário.
Padre Landell morreu em Porto Alegre aos 30 de julho de 1928. Nos escritos teóricos e nas experiências concretas do padre Landell há descobertas científicas que eram bem mais avançadas do que as de Marconi. Por falta de compreensão e recursos financeiros, até as patentes sobre seus inventos ficaram no esquecimento. Em 1967, foi criada em Porto Alegre a Fundação Padre Landell de Moura, que tem o objetivo de promover a educação por meio do som e da imagem. O centro de pesquisas instalado em Campinas-SP pela Telebrás em 1976 denomina-se Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Pe. Roberto Landell de Moura.

1.3 - A evolução do rádio - As duas primeiras décadas do século XX marcaram o reinado soberano da telegrafia sem fio, isto é, da utilização da onda eletromagnética para transmissões de telegramas pessoa a pessoa, com o emprego dos sinais de ponto e traço do código Morse. A radiodifusão - aproveitamento das mesmas ondas para irradiação de programas à massa - somente eclodiu a partir dos anos vinte.
A transmissão hertziana de sons complexos, tais como a música e a voz humana, já eram tecnicamente possíveis desde o início do século XX. Com a invenção da válvula de triodo (Lee de Forest, Nova York, 1904), ficou possível amplificar os sinais elétricos, condição necessária à audição de sons complexos transmitidos por onda hertziana. Quando o rádio já tinha condições de transmitir boletins informativos sonoros, óperas e cantigas de natal, sobreveio a I Guerra Mundial. As forças armadas dos países em guerra se apoderaram imediatamente de todos os aparelhos do rádio nascente para usá-los com fins militares.
Terminada a guerra, começaram a surgir tentativas de transmissões privadas, não mais voltadas para a guerra: em 1919 (Holanda, Estados Unidos), em 1920 (Inglaterra), em 1921 (França), em 1922 (Brasil), em 1923 (Bélgica), em 1924 (Itália), em 1926 (Alemanha). Porém, nessa época ainda se insistia em praticar no rádio um modelo de comunicação de pessoa para pessoa, havendo um emissor e um único receptor, como no radioamadorismo, tal qual no telefone de hoje. Só então aos poucos surgiu um modelo coletivo, onde havia um emissor para muitos receptores. No Brasil, começaram a surgir os 'clubes' de radioamadores, isto é, quem possuía um gramofone cedia o aparelho para que várias pessoas pudessem ouvir uma mesma gravação em locais diferentes.
Na Europa, o rádio ficou em poder do estado, isto é, o governo de cada país assumiu o controle das estações; destacou-se, a partir de 1926, a "British Broadcasting Corporation", a BBC. Em 1933, Hitler aproveitou-se do novo meio de comunicação para alastrar o racismo no país, obrigando a esposa de Hertz e as duas filhas dele a deixarem a Alemanha.
Nos Estados Unidos, desde 1912 a iniciativa privada foi conquistando espaço; em 1920 estava consolidada a "The Radio Corporation of América", a RCA, onde 25% do capital social era da "General Electric", 20% da "Westinghouse", 4% da ATT e 51% da "Marconi". Em 1923, nos Estados Unidos já havia 556 radioemissoras; em 1925, já havia 4 milhões de radioreceptores.

1.4 - As radioemissoras no Brasil - Um primeiro experimento do rádio no Brasil data de 6 de abril de 1919, em Recife (PE), com Oscar Moreira Pinto, com a Rádio Clube de Pernambuco. Porém, a data mais significativa é o 7 de setembro de 1922, quando no Rio de Janeiro, Roquete Pinto transmitiu a comemoração cívica direto do Teatro Municipal, incluindo o discurso do Presidente Epitácio Pessoa. Em 1923, Roquete Pinto criou a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Nessa década, os radioreceptores eram importados e custavam caro; a programação era destinada à elite cultural. Aos poucos, nas cidades onde já havia radiotransmissores, formavam-se os "clubes" ou "sociedades" dos possuidores de gramofone que emprestavam seu aparelho e seus discos de óperas para serem utilizados pelas radioemissoras; os radiouvintes pagavam uma mensalidade.
Os reclames publicitários foram autorizados pelo Decreto 21.111 de 1º de março de 1932; aos poucos, o rádio foi barateando e se inserindo nas camadas populares, graças aos patrocínios. Aos poucos, o rádio foi se estruturando como empresa, em conjunto com a indústria e o comércio. A Rádio Record de São Paulo foi pioneira em convidar representantes políticos para palestras instrutivas; em 1935 já era obrigatória a transmissão da "Voz do Brasil", como noticiário oficial do governo.
No dia 28 de agosto de 1940 entrou no ar, com Heron Domingues, o "Repórter Esso" através da Rádio Nacional do Rio de Janeiro; até o dia 31 de dezembro de 1968, esse noticioso veiculou em primeira mão as notícias do Brasil e do mundo. Em 1942, a Rádio Tupi de São Paulo lançou o "Grande Jornal Falado Tupi", sob o comando do jornalista Corifeu de Azevedo Marques. Em 1947, a Rádio Panamericana transformou-se na emissora do esporte. Aos 13 de maio de 1942 era fundado o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística - Ibope, para averiguar a audiência das radioemissoras. Na década de 1940 surgiram a radionovela e o humorismo no rádio.
Com a inauguração da televisão aos 19 de setembro 1950, quando Assis Chateaubriand inaugurou a TV TUPI, em São Paulo-SP, o rádio passou por uma crise financeira. Os profissionais do rádio foram migrando para a televisão e levando consigo os reclames publicitários. Por outro lado, desde que aos 23 de dezembro de 1947, nos Estados Unidos, John Bardeen apresentara ao mundo o transistor, o invento passou a dar um grande impulso ao rádio, pois concedia ao radioreceptor a característica da portabilidade. O rádio foi se tornando ágil e barato, por isso cada vez mais acessível à população. O rádio passou a veicular notícias, meteorologia, ofertas de emprego, ou, simplesmente música.
Na década de 1960, as emissoras em Freqüência Modulada-FM começaram a ter um público-alvo segmentado. Destacaram-se a Rádio Imprensa do Rio de Janeiro e a Rádio Difusora de São Paulo na difusão de música e notícias. A partir de 1982, as radioemissoras foram adotando o CD e dispensando o disco de vinil. Na década de 1990, toda a produção de áudio passou a ser digital; o computador sepultou as fitas eletromagnéticas, as cartucheiras, os audiocassetes e mesmo o CD e o MD.

1.5 - As redes de rádio - Em 1978, no Brasil já existiam 989 concessões públicas para de rádio AM, FM e TV. De 1979 a 1985 (Governo Presidente Figueiredo), houve a concessão de mais 634 estações de AM, FM e TV. De 1986 a 1989 (Governo Presidente José Sarney), houve a concessão de mais 1.087 estações , somando 2.710 concessões públicas. Com a reforma da Constituição Federal de 1988, a concessão pública deixou de ser outorgada pelo Presidente da República, porque foi criado o Conselho Nacional de Comunicação, com a tarefa de outorgar as concessões. Atualmente (ano 2002), há no Brasil, mais ou menos, 3.000 emissoras de rádio e televisão, operando com o sinal aberto. Há ainda a TV por cabo. A tendência é que o sinal do rádio e da TV migre para a internet, mas, as tecnologias antigas ainda possuem longos anos de sobrevida. Por uma pesquisa feita no ano 2002, constatou-se que 88% dos brasileiros ouvem rádio todos os dias.
Nos últimos anos, formaram-se as redes de rádio. Entende-se por rede de rádio aquelas emissoras que transmitem o mesmo conteúdo em tempo integral ou apenas em alguns horários; quando um mesmo proprietário é detentor de várias concessões, e cada emissora veicula outra programação, isso não caracteriza rede. Como exemplo de rede, pode ser citada a Rádio CBN, a Central Brasileira de Notícias.

1.6 - As radioemissoras católicas - As radioemissoras católicas possuem uma organização própria para operar em rede. Destacam-se:
- Unda-Brasil: "Unda" não é uma sigla; é a própria palavra latina, cujo significado é "onda" hertziana, utilizada pelo rádio e pela televisão. A Unda internacional foi fundada em 1968, em Colônia, na Alemanha. A Unda-Brasil foi fundada no dia 28 de abril de 1976, no Rio de Janeiro-RJ. Atualmente, a sede dela está em São Paulo, à Rua Vergueiro, 3086 - conj. 91 - Vila Mariana. Ela conta com 184 radioemissoras associadas.
- Rede Católica de Rádio - RCR: é a união de emissoras católicas para operação via satélite digital, fundada em 1992; a sede nacional fica no mesmo prédio da Unda-Brasil. Com 185 emissoras ligadas por receptores de sistema digital, tendo 6 bases transmissoras, em 2002 a RCR é a maior Rede de Rádio do Brasil, com transmissão de programas diários em rede.
- Rede Milícia Sat: com apoio da Unda-Brasil e da RCR, da meia-noite até às 05:00 horas da manhã, desde 1995 forma-se em nível de Brasil a Rede Milícia Sat. São 112 radioemissoras que transmitem o programa "A Igreja no Rádio" gerado pela Rádio Imaculada Conceição, de Santo André-SP. A Rede Milícia Sat é mantida pela Associação Milícia da Imaculada, fundamentada no carisma de São Maximiliano Kolbe, um herói da imprensa católica que foi martirizado pelos nazistas no dia 14 de agosto de 1941.

1.7 - As rádios comunitárias - As denominadas Rádios Comunitárias são permitidas pela Lei 1.521/96 da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. São emissoras de baixa potência, com uma programação voltada para a comunidade. A Associação Nacional Católica de Rádios Comunitárias - ANCARC nasceu no dia 22 de outubro de 1996, em Brasília-DF; a atual sede da ANCARC está na Rua Francisco dos Santos, 68 - Butantã, São Paulo-SP. A programação das rádios comunitárias católicas deve estar voltada para os interesses religiosos e sociais da comunidade. Uma Rádio Comunitária não pode retransmitir programas de outras rádios. Ela é sem fins lucrativos, mas pode ter patrocínio de empresas na forma de apoio cultural. Deve estar no nome de uma fundação, com personalidade jurídica.

Capítulo 2: Gêneros em Rádio

Para tipificar a programação no rádio, foram utilizados os conceitos de gênero e formato. Genesis, em grego, significa gênero, origem, espécie; aplicado ao rádio, gênero expressa as características gerais de um programa. Forma, do latim, são as figuras, os contornos, as estruturas nas quais são vertidos os conteúdos imprecisos; no rádio, os formatos são os moldes concretos de realização de um programa. Os gêneros são modelos abstratos.
[... termos como gênero radiofônico, formato radiofônico, programa de rádio, programação radiofônica e produtos radiofônicos são confundidos e utilizados muitas vezes como sinônimos, sem que haja concordância quanto aos seus significados particulares... Formato radiofônico: é o conjunto de ações integradas e reproduzíveis, enquadrado em um ou mais gêneros radiofônicos, manifestado por meio de uma intencionalidade e configurado mediante um contorno plástico, representado pelo programa de rádio ou produto radiofônico; Programa de rádio ou produto radiofônico: é o módulo básico de informação radiofônica, a reprodução concreta das propostas do "formato radiofônico", obedecendo a uma planificação e a regras de utilização dos elementos sonoros; Programação radiofônica: é o conjunto de programas ou produtos radiofônicos apresentado de forma seqüencial e cronológica...]

Não há uma única forma de categorizar os gêneros de programas no rádio. Mario Kaplun apontou 12 gêneros radiofônicos baseados na palavra falada: 1) locução, que pode ser expositiva, crítica ou testemunhal; 2) noticiário; 3) nota ou crônica; 4) comentário; 5) diálogo, que pode ser diálogo-didático ou radioconselho; 6) entrevista informativa; 7) entrevista; 8) radiojornal; 9) radionovela, miscelânea ou variedades; 10) mesa-redonda, que pode ser mesa-redonda propriamente dita ou debate; 11) radiorreportagem, que pode ser ou com base em documentos vivos ou com base na reconstrução de fatos; 12) dramatização, que pode ser unitária, seriada ou novela.
José Ignácio López Vigil, tomando por base o esquema emissor-mensagem-receptor, classificou os gêneros radiofônicos a partir de três perspectivas: 1) de acordo com o modo de produção da mensagem, há três gêneros - dramático, jornalístico e musical; 2) de acordo com a intenção do emissor, há oito gêneros - informativo, educativo, de entretenimento, participativo, cultural, religioso, de mobilização social e publicitário; 3) e de acordo com a segmentação dos destinatários, há sete gêneros - infantil, juvenil, feminino, de terceira idade, sertanejo, urbano e sindical.
Há quem diga que o rádio se baseia no tripé formado por informação, entretenimento e esportes. Segundo outros, há basicamente seis gêneros no rádio: musical, variedades, popular, informativo, esportivo e humorístico. Os formatos em rádio foram se desenvolvendo à medida em que foram surgindo os gêneros do rádio; cada gênero foi criando o seu próprio formato em vista do seu público alvo. Na história do rádio, às vezes o Gênero criou o Público Alvo e em outras vezes o Público Alvo determinou o aparecimento de um Gênero de programação. O radiouvinte escolhe o que ele quer ouvir. É normal e natural que um artesão escute futebol, que uma costureira escute o comentário da novela da televisão, que o empresário escute o noticiário econômico... Para se comunicar com cada tipo de público, cada gênero em rádio foi criando o seu próprio formato e a sua própria linguagem.
A seguir, a classificação dos Gêneros Radiofônicos, tomando por base a obra do Prof. Dr. André Barbosa Filho, como fruto da tese de mestrado defendida pelo autor no Instituto Metodista de Ensino Superior de São Bernardo do Campo (SP), em 1996, pesquisa que foi publicada na forma de livro, sob o título Gêneros Radiofônicos (Paulinas, São Paulo, 2003). O referido pesquisador tomou como suporte a definição funcional de Lasswell e Wright, utilizada pelo Prof. José Marques de Melo na classificação de gêneros jornalísticos. Os gêneros radiofônicos estão relacionados em razão da função específica que eles possuem em face das expectativas de audiência, conforme segue:

2.1 - Gênero Jornalístico - É o instrumento de que dispõe o rádio para atualizar seu público por meio da divulgação, do acompanhamento e da análise dos fatos. O rádio nasceu para ser uma extensão da voz humana. Por isso, a fala é o ponto de partida no rádio. A mensagem radiofônica enquanto informação tem como objetivo manter o radiouvinte a par do que se passa no mundo que seja do interesse dele. Informar pelo rádio é veicular notícias. A notícia tem que se constituir em novidade para o ouvinte. A mensagem informativa se caracteriza por alguns aspectos: importante, controverso, dramático, geograficamente próximo, culturalmente pertinente, imediato e inusitado.
O script da notícia deve ser produzido no modelo do "lead" (cabeça) clássico, com seus cinco dáblios e um agá: 1) What? (O quê?); 2) Who? (Quem?); 3) Where? (Onde?); 4) When? (Quando?); 5) Why? (Por que?); 6) How? (Como?). O radiouvinte quer atualidade, originalidade, clareza e brevidade nas notícias. A linguagem da notícia tem que ser direta, objetiva, impessoal, modesta e sem palavras difíceis.
Eis os formatos do Gênero Jornalístico:

2.1.1 - Nota - É um informe sintético de um fato atual, nem sempre inconcluso, isto é, de um fato que ainda está acontecendo. Caracteriza-se pelo tempo de irradiação sempre curto, com no máximo quarenta segundos de duração; as mensagens são transmitidas mediante frases diretas, quase telegráficas.

2.1.2 - Notícia - É o relato integral de um fato que já eclodiu no organismo social, como diz José Marques de Melo. O tempo de apresentação da notícia é curto, com mais ou menos noventa segundos. Pode ser apresentada por mais de um locutor, incluindo, se for o caso, uma entrevista sonora. O radiojornalismo supõe entradas ao vivo de qualquer ponto da cidade, e não apenas a leitura dos jornais que estão nas bancas. O radiojornal supõe uma equipe de produção e apresentação e dura no mínimo 30 minutos. As notícias são repartidas em blocos, focando informes locais, nacionais e internacionais; economia, política, esportes e variedades; opinião e comentário...

2.1.3 - Boletim - O boletim noticioso é de poucos minutos, produzido e apresentado por um só jornalista; aqui conta muito a instantaneidade da notícia. A informação no rádio pode ser veiculada no gênero radiojornal ou na forma de boletim noticioso. O boletim noticioso normalmente é veiculado nas "cabeças de horário", por exemplo, 16:55 horas, 17:55 horas, 18:55 horas.

2.1.4 - Reportagem - Segundo José Marques de Melo, a reportagem é o relato ampliado de um acontecimento que já repercutiu no organismo social e produziu alterações que são percebidas pela instituição jornalística. Engloba a pesquisa, a entrevista e a seleção de dados relacionados à mensagem a ser veiculada. É uma noção mais aprofundada a respeito do fato narrado.

2.1.5 - Entrevista - A entrevista se caracteriza pelo diálogo entre o repórter e a fonte, sob a forma de perguntas e respostas, para obter informações. Entrevista noticiosa é aquela que tem como eixo a informação; entrevista de caráter é aquela que tem como eixo a personalidade do entrevistado. Pode acontecer ao vivo ou pode ser gravada para ser reproduzida mais tarde. A vantagem da entrevista é uma maior credibilidade dos fatos e a uma maior aproximação do radiouvinte com o fato.

2.1.6 - Comentário - Mário Kaplun afirma que o comentário indica uma análise e uma opinião sobre determinado acontecimento, que procura informar e orientar o ouvinte, influir sobre ele e incliná-lo em favor de uma determinada interpretação do fato, considerada justa e correta. José Marques de Melo diz que o comentário pressupõe autoria definida e explicitada. A função do comentário reside no seu conteúdo opinativo e sugere um conhecimento especializado. Aproxima-se do editorial, com a diferença de que no editorial é expressa a opinião do veículo de mídia e no comentário é expressa a opinião do autor. O tempo de um comentário não deve ultrapassar os três minutos e o radiouvinte tem que ser informado de que se trata de um comentário.

2.1.7 - Editorial - no rádio, como em outros veículos de mídia, o editorial é um texto opinativo, escrito de maneira impessoal, sem identificação do autor, sobre um assunto de interesse nacional ou internacional, que retrata o ponto de vista da radioemissora. Normalmente, o editorial representa um anseio da comunidade perante o Estado.

2.1.8 - Crônica - A crônica é um formato que transita nas fronteiras do jornalismo e da literatura; o jornalismo condensa a redação e é conciso, a literatura é minimalista e é prolixa. A crônica faz uma ligação direta de fatos da atualidade com uma circunstância favorável. Ela estrutura-se de modo temporalmente mais defasado; vincula-se diretamente aos fatos que estão acontecendo, mas não coincide com seu momento eclosivo. A crônica radiofônica, ainda cultivada nas pequenas emissoras das cidades do interior, permanece cingida à estrutura da crônica para o jornal: trata-se de um texto escrito para ser lido, cuja emissão combina a entonação do locutor e os recursos de sonoplastia, criando ambientação especial para sensibilizar o ouvinte.

2.1.9 - Radiojornal - É constituído por diversas seções ou editorias, como as de notícias locais nacionais, internacionais, econômicas, de cultura e artes, de serviço, de política, esportes etc. Caracteriza-se pela periodicidade diária, mantendo a regularidade nos horários de início e término das transmissões, garantindo, assim, a credibilidade necessária do público no que diz respeito aos conteúdos transmitidos. Variando de quinze minutos a uma hora, ou até duas horas e meia, esse jornal-falado tem por função cobrir o último período informativo entre uma emissão da espécie e outra. Deve ter: a cabeça do programa, as manchetes, os destaques, os resumos, a classificação dos blocos noticiosos, cortinas sonoras para a divisão dos blocos, recursos para atrair a atenção do ouvinte e a utilização de fundo musical. Em cada bloco, apresenta-se a notícia mais importante por primeiro. Deve haver no mínimo dois apresentadores, com a participação de comentarista e repórteres.

2.1.10 - Documentário Jornalístico - A duração vai de quinze a trinta minutos. É a verdadeira análise de um fato específico que merece tratamento especial. Pode ser uma data histórica, um conjunto de fatos reais, oportunos e de interesse atual, de conotação não-artística. É realizado por meio de montagem de áudios previamente gravados. Tem como função aprofundar determinado assunto construído com a participação de um repórter condutor. É uma espécie de monografia radiofônica sobre um tema dado. Mescla pesquisa documental, medição dos fatos in loco, comentários de especialistas e de envolvidos no acontecimento e desenvolve uma investigação sobre um fato.

2.1.11 - Mesa-Redonda ou debate - mesa-redonda e debate são mediados por um apresentador que impõe as regras previamente aceitas pelos participantes, tendo em vista delimitar o tempo de fala de cada um, organizar as perguntas e a seqüência das respostas. O mediador deve ser uma pessoa bem informada, sensível, de raciocínio rápido, imparcial e educada. A apresentação deve ser ao vivo para gerar credibilidade. O assunto a ser abordado na transmissão de um debate deve ser de interesse público. O objetivo é fazer o ouvinte ficar a par de argumentos e contra-argumentos expressos em forma discursiva por pessoas que de fato sustentam suas opiniões com convicção. Os participantes da mesa-redonda, normalmente, têm idéias diferenciadas entre si. É aconselhável mesclar vozes femininas e masculinas no estúdio, onde todos devem ser informados do nome e do cargo de cada debatedor. É importante abrir espaço para a participação do ouvinte por telefone ou e-mail, o que precisa ser informado ao ouvinte repetidas vezes. Na mesa-redonda, o assunto é abordado pacificamente; no debate, há discussão.

2.1.12 - Programa policial - tem como objetivo cobrir os acontecimentos e fatos policiais, por meio de reportagens, entrevistas, comentários e notícias, e é apresentado de modo independente ou vinculado aos radiojornais. Roland Barthes, em Crítica e Verdade (Perspectiva, 1999, PP 58-59) fala de fait divers como uma informação monstruosa sobre desastres, assassinatos, raptos, acidentes, roubos, assaltos, esquisitices..., remetendo ao homem a sua história, a sua alienação, a seus fantasmas, a seus sonhos, a seus medos. Normalmente o noticiário policial é recheado de suspense, o que caracteriza o sensacionalismo.

2.1.13 - Programa esportivo - aceito somente nos últimos anos como gênero radiofônico, o programa esportivo vem cativando públicos cada vez maiores. Os locutores esportivos têm se aperfeiçoado no sentido de criar novos estilos de locução, utilizando-se sempre da criatividade e cativando uma legião cada vez maior de ouvintes. Avalia-se, inclusive, que o gênero esportivo é o que mais se desenvolveu nas últimas décadas, com uma rica produção de vinhetas e efeitos especiais durante suas transmissões, aliadas a constantes entrevistas e coberturas ao vivo. Em termos de programação, o gênero esportivo oferece três tipos de formatos: 1) noticiários esportivos - que ocorrem em datas e horários pré-determinados; 2) programas esportivos - apresentados no estúdio; 3) transmissão de eventos - especialmente o futebol; 4) placar esportivo - resultados, classificação. Segundo Luis Carlos Saroldi, em O Rádio no Brasil (BBC de Londres, 1988, P. 45), a transmissão de futebol no Brasil é um gênero à parte, uma espécie de ópera sonora. Para desenvolver um trabalho eficiente na área de esportes, é necessário que a emissora mantenha uma equipe de esportes que pode ser dividida por tipo de esporte (futebol, hipismo, fórmula 1...), sendo fundamental a cobertura permanente dos esportes mais difundidos na região da emissora.

2.1.14 - Divulgação tecnocientífica - Esse formato tem a função de divulgar, e conseqüentemente, informar a sociedade sobre o mundo da ciência, com roteiros apropriados e linguagem que seja acessível à maioria da população. O uso de ferramentas de linguagem radiofônica, a exemplo da sonoplastia, a participação da radioatores e as trilhas musicais são fundamentais para tornar o discurso científico acessível e palatável.

2.2 - Gênero educativo-cultural - No início da história do rádio, pensava-se fazer desse veículo um difusor de cultura. Alguns governos financiavam e ainda financiam a rádio educativa. Como um meio de promover a educação, o rádio pode trabalhar com conceitos e com fatos. Seja ilustrando dramaticamente um evento histórico, seja acompanhando o pensamento político atual, ele serve para veicular qualquer assunto que possa ser discutido, conduzindo o ouvinte, num ritmo predeterminado, por um conjunto de informações. Nos países desenvolvidos, o gênero educativo-cultural é uma das colunas dês sustentação da programação radiofônica. Roquette Pinto, o fundador da radiodifusão brasileira, assim concebeu o meio. Por longos anos, foi veiculado no Brasil o Projeto Minerva; era uma tentativa de levar educação escolar aos recantos mais remotos do Brasil. Desde 1997, em São Paulo-SP, idealizado pelo Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares, da ECA/USP, está sendo desenvolvido o projeto Educomunicação, levando crianças de I Grau a terem contato com o rádio educativo. Porém, a comercialização e a conseqüente banalização dos conteúdos dos programas radiofônicos da atualidade não propiciam a criação de projetos que visem instruir e educar por meio do veículo de massa mais popular e de maior penetração da sociedade brasileira.

2.2.1 - Programa instrucional - usado em cursos de alfabetização e ensino de idiomas, e mesmo em disciplinas básicas como geografia, história etc. O áudio é um complemento ao material impresso.

2.2.2 - Audiobiografia - é o formato radiofônico em que o tema central é a vida de uma personalidade de qualquer área de conhecimento e que visa divulgar seus trabalhos, comportamentos e idéias.

2.2.3 - Documentário educativo-cultural - com duração variável de trinta a sessenta minutos, esse formato tem a abordagem direcionada a um tema de cunho humanístico, como uma escola, um movimento literário ou musical, uma programação televisiva ou radiofônica.

2.2.4 - Programa temático - variando de cinco a sessenta minutos, esse formato tem como finalidade a abordagem e a discussão de temas sobre a produção do conhecimento. Em São Paulo (SP), são veiculados alguns programas cujo conteúdo trata do universo da literatura.

2.3 - Gênero de entretenimento - Pode ser chamado também de "Variedades" ou "Radiorevista". Tem como característica a mistura em um único programa dos vários gêneros existentes, baseando-se no tripé música-informação-entretenimento. A grande vantagem do Entretenimento é a imbricação entre ficção e realidade. Com duração de até 3 horas, esse tipo de programa é dividido em núcleos, de acordo com os assuntos/quadros. Há necessidade de uma equipe de produção. O foco central é a mistura de assuntos e não a presença de um determinado apresentador. O papel do locutor é o de garantir a descontração do programa, sem que sua participação tenha interferência direta no material que está sendo difundido. Nas décadas de 1940 e 1950, nesse tipo de programa eram apresentadas as radionovelas. Em Entretenimento pode haver informação, anúncio, prestação de serviços de utilidade pública, educação etc.

2.3.1 - Programa musical - um programa é musical quando a maior parte do tempo é ocupada por músicas, ainda que haja breves locuções, como nome do cantor e da música, hora certa, reclames publicitários e boletins noticiosos. No início da história do rádio, havia transmissão de longas óperas e concertos; hoje, as músicas duram de 2 a 5 minutos. Os programas musicais são os mais fáceis de serem produzidos, uma vez que as músicas já estão prontas; o trabalho do produtor e/ou apresentador resume-se em anunciar a música e inserir uma ou outra informação. Nas emissoras FM surgiu a figura do disc-jóquei, onde o mesmo profissional faz as tarefas do programador, do operador de áudio e do noticiarista, lendo as notícias "on line" de algum site da internet. No rádio brasileiro predomina o gênero musical. No tangente ao repertório, há segmentação quanto ao estilo clássico, rock, popular, sertanejo, romântico, religioso... O musical ainda pode ser dirigido para um público infantil, juvenil ou senil.

2.3.2 - Programa ficcional - o formato ficcional no rádio brasileiro teve seu esplendor a partir da década de 1940, com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Englobando interpretação, sonoplastia e efeitos sonoros, os programas ficcionais pertencem a dois grandes grupos: o drama e o humor.

2.3.2.1 - Drama - O drama é definido uma composição dialogada de um fato trágico. Mario Kaplun dividiu o drama no rádio em: 1) unitário - os personagens não tem continuidade posterior; 2) seriado - personagens se repetem em peças independentes com tramas diferenciadas com começo, meio e fim; 3) radionovela - obra dramática de longa duração, dividida em capítulos de modo seqüenciado, com a necessidade de acompanhá-la diariamente para não perder a compreensão do desenrolar da trama.

2.3.2.2 - Humor - Muito difundido nas décadas de 1940 e 1950, o gênero humorístico praticamente desapareceu do rádio brasileiro na década de 1960. Naquela época, tal tipo de programa era caracterizado por uma seqüência permanente de piadas e brincadeiras, tendo a família como público alvo. Mario Kaplun classificou o humor no rádio em 1) programete de humor - duração de poucos minutos ou até apenas alguns segundos, veiculados ao longo da programação; 2) programa de humor - seriado, com personagens permanentes que se apresentam a cada episódio; 3) peça radiofônica - comédia de até trinta minutos. A mudança de muitos humoristas para a televisão e a transformação de perfil do público de rádio a partir da década de 1980 fizeram com que esses programas fossem rareando. Atualmente (ano 2004), percebe-se uma reintrodução de programas humorísticos no rádio, de forma completamente diferente do que era antes: agora os programas são veiculados em rádios FM, voltados prioritariamente para o público jovem e, ao contrário de entreter, buscam sempre o escracho, o humor apelativo.

2.3.3 - Programete artístico - é um clips de áudio, com no máximo três minutos, com conteúdo de conotação artística. Utilizando entrevistas, comentários, radioesquetes e informações úteis, sua estrutura é ágil e dinâmica e pressupõe o poder de síntese, fluência e objetividade de quem o escreve.

2.3.4 - Evento Artístico - trata-se da transmissão ao vivo de um espetáculo público, tal como show musical, concurso de beleza, quermesse, congresso etc. É necessário um esforço muito grande de técnicos, produtores, locutores, animadores que produzem o ritmo do espetáculo. Faz-se a inclusão de textos explicativos, bem como vinhetas de abertura, passagem e encerramento.

2.3.5 - Programa interativo de entretenimento - Embora no rádio se estabeleça mais um feedback do radiouvinte do que uma interatividade que é própria da internet, o programa interativo é aquele no qual o ouvinte participa de jogos, gincanas, sorteios e brincadeiras, normalmente abiscoitando brindes. A interação pode acontecer através do telefone, fax ou e-mail.

2.4 - Gênero publicitário - O objetivo de um anúncio comercial é vender um produto ou um serviço. A propaganda eficiente irá interessar, informar, envolver, motivar e direcionar. Normalmente, o anúncio é produzido numa agência de publicidade, a qual sabe conjugar público-alvo, produto/serviço, redação apropriada, entonação da voz e efeitos sonoros; aí basta pôr o anúncio no ar. Há um código de ética para a publicidade que diz que o anúncio tem que ser legal, decente, honesto e verídico; deve ser ousado e convincente. Os anunciantes são tratados com muito apreço, afinal são eles que garantem a subsistência financeira da radioemissora e dos que dela dependem.

2.4.1 - Espote - Spot advertising significa ponto de propaganda, ou, anúncio radiofônico. Surgiu em 1930 nos Estados Unidos. Um espote não pode ultrapassar os trinta segundos de duração. É uma fala de entonação forte, protagonizada por atores, apoiada por trilha musical e efeitos sonoros. Existe também o texto-foguete, que é uma locução simples, com menos de dez segundos de duração.

2.4.2 - Jingle - é uma pequena peça musical cuja função é facilitar e estimular a retenção da mensagem pelo ouvinte. Com trinta segundos ou menos de duração, a melodia é ao mesmo tempo simples e de fácil compreensão. O hábito humano de repetir determinadas frases melódicas, cantando ou assobiando, garante ao produtor do jingle a multiplicação da informação veiculada.

2.4.3 - Testemunhal - a peça radiofônica testemunhal se utiliza da credibilidade do comunicador quando da leitura de um texto comercial, tendo em vista o convencimento do público. É uma espécie de conselho de amigo. O ato de persuadir o consumidor está na credibilidade do locutor e não na qualidade do produto.

2.4.4 - Peça de promoção - uma promoção de vendas veiculada no rádio se caracteriza pela instantaneidade e pelo alcance local. Vendem-se serviços e produtos numa espécie de oferta-relâmpago. O anunciante participa por telefone ao vivo, com a cumplicidade do locutor do estúdio. São oferecidos brindes para as primeiras pessoas que telefonarem adquirindo o produto anunciado. A Rádio Clube FM de Curitiba-PR é experta nesse tipo de anúncio publicitário.

2.5 - Gênero propagandístico - Fazer propaganda é propagar idéias, crenças, princípios e doutrinas; é o conjunto de técnicas e atividades de informação e persuasão destinadas a influenciar, num determinado sentido, as opiniões, os sentimentos e as atitudes do público receptor. Um exemplo histórico de propaganda no rádio está em Joseph Goebbels, ministro do Reich de Adolf Hitler, na Alemanha. E no Brasil, celebrizou-se o jovem César Ladeira, o locutor da revolução, que conclamava o povo contra a ditadura de Getúlio Vargas, o qual, em contrapartida, autorizou o funcionamento de novas radioemissoras que passaram a defender os ideais revolucionários do estadista. Eis a classificação do Gênero Propagandístico:

2.5.1 - Peça radiofônica de ação pública - ela reforça e sustenta o poder. Visa divulgar e esclarecer a opinião pública das ações, idéias e projetos das instâncias de poder, seja no nível federal, estadual ou municipal - propaganda governamental - , trabalhando suas respectivas imagens com o objetivo de conquistar o apoio e a aceitação populares. Porém, no Brasil, esse recurso sempre foi abusivo, com o agravante de que o governo paga bem pela veiculação de seus espotes.

2.5.2 - Programa eleitoral - A Lei nº 9.504 de 30 de setembro de 1997, nos artigos 44 a 58, fala da Propaganda Eleitoral no Rádio e na Televisão. As emissoras de rádio e de televisão devem reservar, nos quarenta e cinco dias anteriores à antevéspera das eleições em 1º Turno, horário destinado à divulgação, em rede, da propaganda eleitoral gratuita. São estabelecidos 50 minutos diários, repartidos em dois blocos de 25 minutos. O desempenho do candidato no horário político no rádio e na televisão se tornou decisivo para a sua eleição ou não-eleição. Por isso, o esmero em conquistar preciosos minutos para o candidato ou coligação, com base no número de cadeiras conquistadas no pleito anterior. A produção do conteúdo veiculado pelo candidato, numa linguagem direcionada para o eleitor, passou a ser confiada a profissionais de marketing.

2.5.3 - A Voz do Brasil - Embora não seja propriamente um Gênero Propagandístico, a Voz do Brasil merece uma menção especial. A primeira edição da Voz do Brasil foi apresentada em 25 de julho de 1936, com locução do carioca Luiz Jatobá, como noticiário oficial do governo federal, por ordem do Presidente Getúlio Vargas. Naquela época, chamava-se Programa Nacional. A transmissão obrigatória do programa por todas as emissoras de rádio do país, em rede nacional, iniciou-se após 1938. Essa retransmissão ainda é obrigatória, embora algumas emissoras, munidas de Mandado de Segurança, não a retransmitam. Em 1962 ocorreu a mudança de nome, com o programa passando a chamar-se "A Voz do Brasil"; e ficou sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Notícias (EBN), que foi substituída em 1988 pela Radiobrás. A Voz do Brasil vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 19 horas, com a duração de 60 minutos. Em 1995, a Voz do Brasil entrou para o Guiness Book como o programa de rádio mais antigo do Brasil. É também o mais antigo programa de rádio do mundo que está no ar ininterruptamente.

2.5.4 - Programa Religioso - Em todas as religiões existe o aspecto da missionariedade e mesmo do proselitismo. Muitas radioemissoras nasceram para servir determinados credos; em emissoras comerciais, muitas vezes há a cessão gratuita ou venda de espaços para grupos religiosos. No Brasil, há uma certa rivalidade entre as radioemissoras católicas e as evangélicas; enquanto as emissoras evangélicas parecem mais agressivas, as católicas parecem mais moderadas, fazendo da radiodifusão uma extensão do templo.

2.6 - Gênero de serviço - informações sobre o fluxo do trânsito, condições meteorológicas, anúncio de concursos, espetáculos, vacinação das crianças, prazo da entrega do imposto de renda, falta de água ou luz etc, caracterizam-se pela transitividade e provocam no radiouvinte uma reação imediata. Classificação:

2.6.1 - Nota de Utilidade Pública - semelhante à Nota Jornalística; aborda prazos, gala, nojo, serviços públicos, coleta de sangue etc.

2.6.2 - Programete de Serviço - veicula aconselhamentos sobre saúde, investimentos, preços, turismo, emprego, questões jurídicas etc.

2.6.3 - Programa de Serviço - variando de trinta a sessenta minutos, aborda temas específicos de apoio aos interesses da população. É o caso da venda de automóveis ou imóveis, como na televisão, denominado de rádio de oportunidades.

2.7 - Gênero Especial - são formatos que escapam às tentativas de classificá-los nos gêneros clássicos, mas que apresentam várias funções concomitantes.
"A este formato híbrido resolvemos atribuir para efeito classificatório a terminologia especial, incluindo-o num gênero multifuncional. Senão vejamos:"

2.7.1 - Programa Infantil - função: divertir, educar, informar. Porém, parece que essa intenção nunca prevaleceu. Em 1985-86, em São Paulo (SP), foi apresentado o seriado Quintal Encantado. No ano 2004, na Rádio Imaculada Conceição, AM 1490 KHZ, de Santo André (SP), aos sábados, há o programa A Hora e Vez da Criança, das 10 às 11 horas, apresentado pelo locutor Denis Santos; e há um Rosário recitado por crianças às 15 horas. Na Rádio Nazaré FM de Belém (PA), há o programa Criança Evangelizando Criança, apresentado pela Infância Missionária aos sábados às 14 horas, detentor do prêmio Microfone de Prata-2004 oferecido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A Rádio Canção Nova de Cachoeira Paulista (SP) possui aos sábados o programa Cantinho da Criança, veiculado às 15:30 horas. Na rádio Paiquerê de Londrina (PR) e em mais de 200 outras radioemissoras do Brasil é veiculado o programa Carretel de Invenções, gerado pela Fundação Fé e Alegria do Brasil, dos Padres Jesuítas de Belo Horizonte (MG). Em Nova Olinda (CE), na FM Casa Grande, o Catavento. A Rádio Comunitária A Voz da Comunidade de Manaus (AM) transmite de segunda a sexta-feira, das 14 às 16 horas, A Hora da Alegria, apresentado por duas crianças, Jéssica e Alfredo, de 10 e 9 anos respectivamente. Em Santarém (PA) existe um programa de rádio infantil apresentado na Rádio Rural de Santarém chamado Para Ouvir e Aprender. Na Rádio Goitacáz, em Glória do Goitá (PE), aos domingos, às 08:30 horas, o Mundo Infantil, apresentado por Lenilson José dos Santos. Na Rádio Comunitária FM Timbaúba, aos domingos às 08:30 horas, o Criança Feliz, apresentado por Edivaldo Melo, o Palhaço Tico. Na Rádio FM Feira Nova em Feira Nova (PE), Coisas de Criança, às 11 horas de cada domingo, apresentado pelas crianças Ivã, Malena, Tiago e Simária.

2.7.2 - Programa de Variedades - tendo um ou dois apresentadores, o programa de variedades possui várias seções: atualidades, política, esportes, música, humor... O programa de variedades, também chamado de popular, é responsável pela maior parte da audiência nas emissoras. Esse tipo de programa está centrado na figura do apresentador, também chamado de comunicador popular. Esse profissional deve ter um perfil bastante específico: uma pessoa descontraída, com muito carisma, perspicácia e emotividade. Em termos de produção, tal tipo de programa é dividido entre música, muita prestação de serviço de caráter básico, gincanas e notícias sobre artistas e personalidades, tudo com a participação direta e permanente do apresentador. Assemelha-se, em grande medida, ao gênero "Variedades". Por conta das necessidades comerciais de boa parte das emissoras, esse gênero de programa acabou sendo um pouco desvirtuado, tendo como principal característica a exploração da boa fé do público ouvinte, normalmente constituído por pessoas do sexo feminino, de classe baixa e pouca escolaridade. O Programa Popular, às vezes, é a única forma de a população carente canalizar suas esperanças. No Brasil, de 1930 a 1951, destacou-se o Programa Casé, dirigido por Ademar Casé; na década de 1980, o programa Balancê, dirigido por Osmar Santos. Houve também os programas de auditório.

2.7.3 - A Carta do Ouvinte - Em muitos casos, o radiouvinte se afeiçoa ao radialista, criando nele uma figura de confidente ou conselheiro; aí surge a carta do ouvinte. Antigamente carta, hoje fax ou e-mail. Às vezes, o radiouvinte é estimulado a escrevê-la, outras vezes ele a escreve espontaneamente. Algumas cartas são dirigidas ao radialista, outras à radioemissora. Algumas devem ser respondidas "no ar", outras pelo correio. Contudo, todas têm que ser respondidas, pois o ouvinte merece respeito e não pode ser decepcionado. Leitura no ar - são cartas com pedidos musicais, dedicatórias, reclamações, respostas a concursos, divulgações de eventos ou solicitação de ajuda. Correspondência fora do ar - certas cartas dos ouvintes merecem o tratamento sigiloso de uma carta pessoal, em que o radialista ou a radioemissora devem responder ao radiouvinte, sob pena de perderem a confiança do remetente. No período áureo do rádio brasileiro, em São Paulo, a empresa de correios obrigou-se a que deslocar diariamente uma viatura especial para transportar as cartas endereçadas a locutores, cantores e atores de algumas radioemissoras, tamanho era o volume da correspondência.

2.7.4 - O Telefonema no Ar - um telefonema do ouvinte colocado no ar pode variar desde um simples pedido musical, a uma dedicatória e mesmo a uma denúncia pública. E é ótimo que o ouvinte participe colocando a sua voz no ar, manifestando sua opinião e dando o seu testemunho. O telefonema concede a característica de imediatismo ao programa. Em certos tipos de debate, em que há uma autoridade no assunto no estúdio, o radiouvinte é estimulado a telefonar, contribuindo com opiniões ou questionamentos. É aconselhável que haja um pré-atendimento do telefonema, identificando o ouvinte para o apresentador do programa. Um telefonema colocado no ar não pode ser interrompido, ainda que pareça inconveniente; se for o caso, a equipe de produção poderá providenciar o comentário cabível na seqüência do programa.

Considerações - Todo conteúdo (mensagem) a ser comunicado necessita de uma forma (canal). No rádio, aos poucos foram surgindo os gêneros radiofônicos, que materializam a forma. Gênero é uma classe que se divide em outras classes; no caso dos gêneros radiofônicos, as subclasses são os formatos, cada um em conformidade com seu estilo. Cada gênero radiofônico surgiu em vista de um determinado público alvo ou em vista de um determinado assunto a ser veiculado. A radionovela é um formato que permeia outros gêneros radiofônicos - entretenimento, popular, humorístico, educativo, ou religioso. A característica que diferencia a radionovela de outros foramtos é a ficção e o uso de estereótipos já bem alojados no inconsciente coletivo. Portanto, a radionovela é também uma manifestação cultural.

Redigiu: Prof. Lourenço Mika